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5 th Brazilian Conference of In form ation Design

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Academic year: 2021

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Metodologia de análise de letreiramentos da Revista Vida Capichaba

Methodology for analysing letterings in Revista Vida Capichaba

Thaís A. Imbroisi, Letícia P. Fonseca, Heliana S. Pacheco, Ricardo E. Gomes

metodologia, letreiramento, tipografia, história do design, classificação tipográfica

O presente artigo apresenta a metodologia utilizada para a análise dos letreiramentos presentes na Revista Vida Capichaba, recurso usado com frequência na publicação em especial nos seus primeiros anos de circulação, de 1923 e 1931. Para tal, fez-se necessário a construção de ficha de coleta de dados, baseado no sistema de Classificação Cruzada de Catherine Dixon, que prevê a análise de tipografias a partir de suas origens, atributos formais e padrões.

methodology, lettering, typography, history of design, typography classification

This article presents methodology used for the analysis of letterings commonly used in the magazine Vida Capichaba, especially in its early years (1923 to 1931). It was found necessary to build a data collection form, which was based on the typeface crossed classification system of Catherine Dixon. We also present analysis of the origins, form and patterns of the typography.

1 A Revista Vida Capichaba e seus letreiramentos

Estudada pelo Laboratório de Design: História e Tipografia (LadHT) desde 2009, a Revista Vida

Capichaba (RVC) configura-se como importante exemplar de impresso capixaba, dado seu

potencial gráfico, que reflete a memória gráfica do estado. Segundo Martinuzzo (2005: 282-290), nos quase 40 anos que circulou no estado, de 1923 à 1959, a RVC influenciou e por vezes até moldou a alta sociedade capixaba da época.

Na RVC, o letreiramento teve um papel importante não só como meio de destacar títulos e criar vinhetas diferenciadas para as diversas seções da revista, mas também no papel de composição visual de suas páginas, onde muitas vezes divide com a ilustração o atrativo visual da página. A primeira fase de circulação da publicação, entre os anos de 1923 a 1931, constitui o momento de maior experimentação por parte dos diagramadores. É, inclusive, nesse

momento que a utilização dos letreiramentos têm sua maior incidência, chegando a cerca de 72 letreiramentos somados nas revistas publicadas nesse período, excluindo, logicamente, as repetições de vários deles (figura 1).

Para os autores Baines e Haslam (2002), a tipografia configura-se como o uso sistêmico e mecânico da linguagem. A utilização do termo mecânico refere-se à principal característica que a diferencia do letreiramento. Entende-se por letreiramento a escrita em que a forma das letras é elaborada e combinada de acordo com um visual a ser atingido, gerando formas únicas sem compromisso com a padronização das letras. A autora Cabarga (2005) defende que o

letreiramento provém da “mão” do desenhista, seja em desenho livre ou por recursos digitais gerando, assim, formas únicas.

Para a metodologia de análise proposta, foi considerada ainda a diferenciação que Fred Smeijers (1996: 19) faz entre letreiramento – lettering – e escrita manual – handwriting. Para o autor, a maneira estrutural como as letras são construídas é o que os diferencia. Enquanto na escrita manual a forma da letra se dá em um único traço (também chamado de ductus), no letreiramento as letras são desenhadas por meio de linhas de contorno.

Anais do

6º Congresso Internacional de Design da Informação 5º InfoDesign Brasil

6º Congic

Solange G. Coutinho, Monica Moura (orgs.)

Sociedade Brasileira de Design da Informação – SBDI

Recife | Brasil | 2013

Proceedings of the

6th Information Design International Conference

5th InfoDesign Brazil

6th Congic

Solange G. Coutinho, Monica Moura (orgs.)

Sociedade Brasileira de Design da Informação – SBDI

Recife | Brazil | 2013

CIDI

2013

6International Conference Inform ation Design of In formation Design Student Conference May 2014 , Vol. 1, Num. 2

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Figura 1: Conjunto de letreiramentos das capas da RVC do ano de 1927, a começar pela primeira coluna, de cima para baixo, as edições 87, 88, 89 e 91; na segunda coluna as edições 93, 95 e 101.

Pela grande importância que os letreiramentos possuem na revista, este é o foco atual dos pesquisadores do LahHT que se debruçam na análise dos mesmos, para que se possa classificá-los e utilizá-los como inspiração para novos letreiramentos e tipografias. Através do acervo digital da RVC, criado pelo LadHT com o apoio da Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo (BPES), foi possível fazer o recorte de cada um dos letreiramentos, isolando-os. Os arquivos gerados foram renomeados seguindo a nomeclatura proposta por Colli et. al. (2010), sofrendo adaptações devido a natureza da pesquisa.

Antes, o nome dos arquivos digitais era: tVC_NUM_ANO_TEMA_PAG, sendo a letra t para determinar títulos, num para número, ano, tema e página para essas demais informações.

As mudanças propostas foram necessárias para identificar que os recortes se referem aos letreiramentos, identificados com a letra L no início. Também especifica a data de veiculação da revista, que ora, será composta por ano e mês, e ora, ano, mês e dia, de acordo com a

periodicidade da revista. Para determinar se o letreiramento pertencia à capa ou ao miolo da revista, no lugar de PAG, pode ser colocado o número de página, no caso do miolo, ou a letra

1c, 2c, 3c ou 4c determinando que estava presente na primeira, segunda, terceira ou quarta

capas. Logo, a estrutura final da nomenclatura ficou denominada assim: lVC_NUM_ANO-MES-DIA_TEMA_PAG.

Essa organização dos arquivos digitais fornecem uma lista visual dos letreiramentos. Através dela foi possível conhecer o conjunto de letreiramentos da revista como um todo, em ordem cronológica. Em seguida, para a análise dos letreiramentos isolados, foi feita uma ficha de coleta de dados, também procedimento padrão dentro da metodologia do LadHT.

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2 O Sistema de Classificação Cruzada de Dixon

No século XIX, quando a produção de diferentes tipografias entrou em considerável expansão, surgiram algumas tentativas de classificação dessas typefaces. Dos sistemas empregados daquela época até hoje, os mais conhecidos são o Maximillien Vox, que data de 1954-5 e o British Standard (BS 2961:1967). Baines e Haslam (2005) afirmam que apesar de muitas tipografias serem facilmente classificadas dentro desses sistemas, a tarefa não se torna tão fácil quando se lida com algumas outras. Isto ocorre pois ambos os sistemas focam em tipografias projetadas para livros, isto é, tipografia de imersão.

Durante seu doutorado, para dar conta da catalogação de um acervo com mais de 14.000 manifestações tipográficas (dentre eles tipografias, caligrafias e letreiramentos) do Central

Lettering Record (CLR), Catherine Dixon desenvolveu um novo sistema de classificação,

baseado na descrição visual das fontes (BAINES & HASLAM, 2005).

Dos sistemas de classificação estudados, o sistema de Classificação Cruzada de Dixon se mostrou o mais adequado para a pesquisa, uma vez que parte do pressuposto que se há tipografia, ela é passível de descrição. A autora categoriza as tipografias cruzando três diferentes características: suas origens históricas, a descrição de seus atributos formais e

padrões que são gerados observando as duas categorias anteriores. Foram feitas adaptações

na aplicação do método para os letreiramentos da revista Vida Capichaba.

3 A ficha de coleta de dados

A ficha de coleta de dados para análise dos letreiramentos da RVC foi construída em plataforma online e organizada da seguinte maneira (figuras 2 a 6):

1. Sobre o letreiramento – contempla a identificação do letreiramento dentro do acervo digital do laboratório e sua posição na revista. Faz-se necessário preencher o nome do arquivo digital (que por sua vez revela a edição, data, página etc.); se pertencia ao miolo ou capa, para determinar posteriormente se os da capa haviam um nível de rebuscamento maior; e se o letreiramento foi repetido em demais edições e quais foram elas, determinando a vida útil que determinado letreiramento teve dentro da edição da revista.

2. Origens – as possíveis origens histórias, obedecendo às opções dadas por Dixon, sendo elas (1) manuscrita; (2) romana, (3) pictórica/decorada; (4) vernacular do século XIX; (5) outra origem. Vale ressaltar que as origens históricas foram levadas em consideração, mas sem grande relevância, pois a constatação delas nem sempre se mostraram confiáveis nesse caso.

3. Atributos formais – ponto chave da análise, onde os aspectos das letras são analisados. Foi possível analisar alguns dos itens através de questão de múltipla escolha, e outros através da descrição da forma das letras. De múltipla escolha temos: (1) construção (1.1 orientação na página, 1.2 continuidade, 1.3 character set, 1.4 referência à ferramenta); (2) forma (2.1 variação de estilo, 2.2 aspecto das hastes, 2.3 posição das barras, 2.4 detalhes das curvas e 2.5 tratamento das curvas); (3)

proporção (3.1 largura, 3.2 ascendentes e 3.3 altura-x); (4) peso; (5) modulação (5.1 contraste e 5.2 transição); (6) decoração; (7) serifas (incidência); e foram apuradas através da descrição da forma as (8) serifas (forma) e (9) caracteres chaves. Nesse ponto, salienta-se que muitas das opções de múltipla escolha havia um campo para preencher caso nenhuma das opções fosse a adequada. O uso desse artifício aliado à descrição de alguns aspectos do letreiramento se deve ao fato de que nos testes foi possível perceber que muitos dos letreiramentos não são coesos enquanto unidade, e se mostraram inconstantes devido a atuação do desenhista/ilustrador.

Em vista dessas alterações, o que Dixon (2001) chama de “padrões” não foram aferidos na pesquisa, porém constatou-se a eficácia da metodologia no processo de classificação e análise dos letreiramentos da RVC.

Também foram relevantes para a construção da ficha de coleta de dados os estudos de Finizola (2010) acerca da classificação de letreiramentos populares em Recife e a pesquisa de

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Higa (2010), sobre epígrafes arquitetônicas paulistanas. Eles forneceram parâmetros para comparação de diferentes fichas e quais informações eram imprescindíveis na análise de diferentes tipos de letreiramentos e quais se alteravam de acordo com o objeto de pesquisa, suporte, entre outros.

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4 Considerações finais

Dada a diversidade dos letreiramentos da RVA, o desenvolvimento da metodologia

apresentada nesse artigo foi de essencial importância para análise dos mesmos, a começar pelo isolamento e organização dos mesmos dentro do acervo do laboratório.

A construção da ficha de coleta de dados funcionou como um instrumento que guiou os pesquisadores na análise e classificação dos letreiramentos, fazendo-os se aterem aos

detalhes do desenho das letras, como propõe o sistema de Dixon. As adaptações realizadas no sistema de Dixon, entretanto, permitiram uma maior flexibilidade na análise dos letreiramentos, no que diz respeito a sua utilização em revistas, facilitando pesquisas similares.

Pode-se concluir que o sistema foi eficiente, gerando inúmeras análises e arquivos digitais que ficarão disponíveis para todos os membros do laboratório e, no futuro, para público externo. Esses letreiramentos poderão vir a servir de inspiração e referência para criação de novos letreiramentos ou mesmo tipografias.

Referências

BAINES, Phil; HASLAM, Andrew. 2002. Type and Typography. New York: Watson-Guptill. CABARGA, Leslie. 2005. Logo, Font and Lettering Bible. Cincinnati: Writer's Digest Books. DIXON, Catherine. 2001. A description framework for typeforms: an applied study. Tese de

doutorado, Open University/Central Saint Martins College of Art & Design. FARIAS, Priscila Lena.; Higas, Reinaldo A. 2010. Uma classificação para epígrafes

arquitetônicas. In: 9 Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Paulo. 9 P&D design 2010. São Paulo: Blucher.

FINIZOLA, Fatima; COUTINHO, Solange. 2010. Em Busca de uma Classificação para os Letreiramentos Populares. InfoDesign – Revista Brasileira de Design da Informação. v6. n2. São Paulo: Sociedade Brasileira de Design da Informação.

LOMBARDI, Camila Torres; PAIVA, Rayza Mucunã; DUTRA, Thiago Luiz Mendes; TONINI, Juliana Colli; FONSECA, Letícia P.; PACHECO, Heliana Soneghet. 2011. Metodologia desenvolvida por núcleo de pesquisa em design da Ufes para a análise gráfica revista Vida Capichaba. In: Anais do 1 Simpex - Simpósio de Pesquisa e Extensão em Design. Vitória-ES.

MARTINUZZO, José Antônio. 2005. Impressões Capixabas: 165 anos de jornalismo no Espírito Santo. Vitória: Departamento de Imprensa Oficial do Espírito Santo.

SMEIJERS, Fred. 1996. Counterpunch: making type in the sixteenth century, designing typefaces now. London: Hypen Press, 1996.

TONINI, Juliana Colli; LOMBARDI, Camila Torres; PAIVA, Rayza Mucunã; DUTRA, Thiago Luiz Mendes; FONSECA, Letícia P; PACHECO, Heliana Soneghet. 2010. Desenvolvimento da Ficha de coleta de dados para análise gráfica da revista Vida Capichaba.. In: 9 Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Paulo. 9 P&D design 2010. São Paulo: Blucher.

Sobre os autores

Thaís Andre Imbroisi, graduanda, UFES, Brasil <[email protected]> Letícia Pedruzzi Fonseca, Dra., UFES, Brasil <[email protected]> Heliana Soneghet Pacheco, PhD, UFES, Brasil <[email protected]> Ricardo Esteves Gomes, Ms., UFES, Brasil <[email protected]>

Referências

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