Relatório Anual da Eurojust
2018
A Unidade de Cooperação Judiciária da União EuropeiaO Relatório anual da Eurojust para 2018 foi traduzido para a língua portuguesa a partir do original em inglês. Esta tradução não é da responsabilidade do Gabinete de Portugal na Eurojust, nem foi por este revista. Em caso de ambiguidade ou obscuridade, sugere-se a comparação com o original em inglês.
Índice
Preâmbulo .... 5Anexo de dados .... 39
Apoio prático a investigações de crimes transfronteiriços graves .... 8 Resposta judicial à evolução da ameaça do terrorismo na Europa.... 18 Cibercriminalidade
Criminalidade instantânea que requer uma resposta judicial instantânea.... 22 Proteger as fronteiras europeias
Trabalhar com países de origem, passagem e destino.... 25
Recorrer plenamente às ferramentas de cooperação judiciária da UE.... 28 Acordos de cooperação da Eurojust
Ponto único para contactos de cooperação judiciária.... 30 Governação e execução orçamental em 2018
Cumprir o compromisso de servir a justiça além-fronteiras para uma Europa mais segura.... 33
Colmatar as lacunas de segurança
Dar resposta à necessidade de Justiça Penal Digital.... 35 Desafios e oportunidades em 2019 .... 36
Acrónimos e abreviaturas
TJUE Tribunal de Justiça da União EuropeiaCJM Monitorização Judicial da Cibercriminalidade
CMS Sistema de Gestão de Processos
MDE Mandado de Detenção Europeu
EC3 Centro Europeu da Cibercriminalidade
ECTC Centro Europeu de Luta contra o Terrorismo
DEI Decisão Europeia de Investigação
RJEC Rede Judiciária Europeia em matéria de Cibercriminalidade
RJE Rede Judiciária Europeia
REJ Regulamento da Eurojust
EPPO Procuradoria Europeia
CTE Combatentes terroristas estrangeiros
IPC3 Centro de Coordenação da Criminalidade contra a Propriedade Intelectual
JAI Justiça e Assuntos Internos
EIC Equipa de investigação conjunta
AJM Auxílio Judiciário Mútuo
GCOI Grupos de criminalidade organizada itinerante
NSP Novas substâncias psicoativas
GCO Grupo criminoso organizado
PIF Proteção de interesses financeiros da União Europeia
SIRIUS Sistema de Utilização Integrada de Recuperação de Informação Científica TSH Tráfico de seres humanos
As estatísticas sobre os casos da Eurojust incluídas neste relatório foram produzidas com base em dados recolhidos no Sistema de Gestão de Processos da Eurojust. Os números foram extraídos em 18 de janeiro de 2019 e refletem os dados disponíveis ao momento. Dada a natureza dinâmica dos casos, poderão existir discrepâncias com os números previamente reportados.
Presidência da Eurojust (da esquerda para a direita): Klaus
Meyer-Preâmbulo
ste Relatório Anual é um testemunho vivo do que os países da Europa podem conseguir quando traba- lham em conjunto. Ao longo de 2018, procuradores de todo o continente deram um contributo real e tangível para a criação de uma Europa mais segura, unindo forças além-fronteiras. Nas páginas que se se-guem, fazemos uma viagem para demonstrar a forma prática como foram apoiados pela Eurojust ao lidar com casos de crime organizado grave e terrorismo. Ao longo deste Relatório Anual, encontrará mui-tos exemplos dos mais de 6500 casos com que lidámos no último ano e os resultados concretos a que conduziram. Estamos especialmente or-gulhosos por ter testemunhado um aumento de 19% nos casos em comparação com o ano ante-rior, o maior aumento na história da Eurojust. 235 dos nossos casos envolveram uma equipa de in-vestigação conjunta, incluindo o marco que foi a Ope-ração Pollino. Esta foi a maior investigação europeia até à data no combate à máfia e teve início em 2014. No seguimento de um Dia de Ação conjunto a 5 de dezembro de 2018, organizado em tempo real a partir das nossas instalações, 84 suspeitos foram presos e foram apreendidos 2 milhões de euros em ativos. Embora alguns casos demorem anos a desenvolver, outros exigem que os procuradores atuem muito rapidamente. Nestas situações, também podem confiar nos serviços permanentes únicos da Eurojust, por exemplo, para facilitar uma rápida execução de um Mandado de Detenção Europeu, o congelamento de uma conta bancária ou a recolha de provas. Só no último ano, ajudámos a facilitar mais de 700 mandados de detenção europeus e mais de 1 000 decisões europeias de investigação. Apesar destes sucessos operacionais, o último ano também apresentou desafios. A crescente procura de apoio pelos Estados-Membros nem sempre foi fácil de conciliar com as limitações orçamentais da Euro-just. Por isso, grande parte do esforço foi canalizado para a reforma da nossa estrutura organizacional, direcionando recursos de atividades estratégicas para o trabalho operacional. Uma vez que não te-mos indicações de que o crescimento nos casos vá abrandar, a nossa situação orçamental continuará a exigir a nossa atenção no período que se segue. Também realçamos outros temas importantes para o futuro neste Relatório Anual. Mais de 1300 dos
um Estado não da UE, um aumento de 22% face ao ano anterior. Continuaremos a expandir a nos-sa cooperação com países fora da União Europeia, já que esta estratégia demonstrou ser fundamen-tal para o sucesso de muitos dos nossos casos. Ao mesmo tempo, continuaremos a procurar formas de melhorar a cooperação já existente e os serviços que prestamos aos Estados-Membros. Num mundo cada vez mais digitalizado, muitos procuradores continuam a ver-se forçados a trabalhar com sistemas que não foram concebidos para a troca de informações com os seus colegas no estrangeiro ou com a Eurojust. Em dezembro de 2018, os ministros da Justiça europeus acolheram favoravelmente a iniciativa Justiça Penal Digital apresentada pela Eurojust, que permitirá a troca de informações de forma rápida, fiável e segura. Para reforçar o combate ao terrorismo, propomos a introdução de um registo judicial contra o terrorismo que nos permitirá detetar mais rapidamente ligações entre investigações em diferentes Estados-Membros. A implementação do Regulamento da Eurojust e a nossa cooperação com a futura Procuradoria Europeia também desempenharão um papel importante em 2019. Por fim, vamos modernizar em breve a nossa identidade visual, alinhando-a com o aspeto distintivo das nossas novas instalações na Haia. A partir de 15 de abril de 2019, o esquema utilizado neste Relatório Anual corresponderá à forma como nos apresentamos. É apenas uma das formas de a Eurojust se preparar para o futuro, em que continuaremos a ser o principal parceiro da UE a entregar os criminosos à justiça. Ladislav HAMRAN, presidente da Eurojust
7-8 de março — Conferência conjunta sobre cibercriminalidade Coorganizada com o Cyber-crime Programme Office do Conselho da Europa, a conferência focou-se na política criminal face à cibercriminalidade e na recolha de provas eletrónicas
25-26 de abril — Reunião da Rede Judiciária Europeia
em matéria de Cibercriminalidade para debater iniciativas
relacionadas com provas eletrónicas, retenção de dados e aspetos jurídicos da utilização de encriptação em investigações criminais
6-7 de junho — 14ª reunião anual de peritos nacionais em equipas de investigação conjunta, focada na melhoria da utilização das EIC com
pro-cessos mais rápidos, simples e eficazes
4 de junho — A Eurojust e a Europol assinam um memorando de entendimento relativo ao financiamento de equipas de investigação conjunta
30-31 de maio — Reunião da Eurojust sobre introdução clandestina de
migrantespara troca de experiências e boas práticas sobre como desmantelar
grupos de crime organizado envolvidos na introdução clandestina de migrantes
21-22 de junho — Reunião anual da Eurojust sobre luta contra o terrorismo, focada na resposta judicial a
pessoas que regressam à Europa de zonas de combate no Iraque e na Síria e no apoio às vítimas de ataques terroristas
JANEIRO
FEVEREIRO
MARÇO
ABRIL
MAIO
JUNHO
Acontecimentos na
Eurojust em
JULHO
AGOSTO
SETEMBRO
OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO
3 de julho — Visita de delegação de
elevado nível da Líbia para reforçar a
cooperação no combate à criminalidade organizada transfronteiriça e facilitar o envolvimento mais frequente da Líbia em casos da Eurojust
10 de julho — Visita do secretário-geral adjunto
da ONU, Vladimir Voronkov (Gabinete de Luta
18 de agosto — Primeira
Magistrada de Ligação para a Ucrânia
Myroslava Krasnoborova foi
nomeada Magistrada de Ligação para a Ucrânia na Eurojust
19-20 de setembro — Reunião de
peritos sobre a Decisão Europeia de
Investigação para identificar questões
práticas e jurídicas na aplicação da DEI, trocar experiências e boas práticas e debater a forma como a Eurojust pode apoiar mais as autoridades nacionais
19 de outubro — 13ª reunião do Fórum Consultivo
Procuradores de topo de toda a Europa debateram os desafios apresentados pelo terrorismo transfronteiriço e a introdução clandestina de migrantes, bem como o acesso mais rápido e fácil a provas eletrónicas e implementação efetiva da DEI
14-15 de novembro — 25ª reunião da Rede Europeia do Genocídio
Mais de 120 peritos e delegados de elevado nível de Estados-Membros da UE e organizações internacionais trocaram conhecimentos e experiências valiosas na
12 de novembro — Primeira Magistrada de Ligação para a Macedónia do Norte Lenche Ristoska foi nomeada
Magistrada de Ligação para a Macedónia do Norte na Eurojust
8-9 de novembro — 5ª reunião plenária da Rede Judiciária Euro-peia em matéria de CibercriminalidadePeritos em cibercrime de toda a Europa debateram novos e atuais desafios na área da cibercri-minalidade e formas de melhorar a cooperação ao nível transnacional
14-15 de novembro — Reunião UE-EUA sobre provas de campo
Procuradores, polícias, militares e peritos em luta contra o terrorismo de ambos os lados do Atlântico debateram a forma como as informações apreendidas no campo de batalha podem ser utilizadas como provas admissíveis em tribunais civis em processos contra atos terroristas e membros de organizações terroristas
Hoje, enviamos uma mensagem clara aos grupos
criminosos organizados em toda a Europa. Não são os
únicos capazes de operar além-fronteiras; as comunidades
judiciárias e policiais europeias também. Ao trabalhar em
conjunto e utilizar ferramentas únicas à nossa disposição
na UE, como a possibilidade de formar uma equipa de
investigação conjunta, e com o apoio prático de agências da
UE como a Eurojust e a Europol, somos capazes de detetar,
investigar e perseguir este tipo de crime organizado grave.
Filippo Spiezia, vice-presidente da Eurojust e membro nacional da Itália,
Em 2018, o número de casos
na Eurojust continuou a crescer
continuamente
para mais de 6500
Apoio prático a investigações
de crimes transfronteiriços graves
Na resposta às ameaças à segurança interna, a Europa insiste especialmente no crime organizado, no terrorismo, na cibercriminalidade e na introdução clandestina de migrantes. Estes crimes têm um impacto especialmente elevado, estão interligados e são crimes com uma dimensão transfronteiriça. A Eurojust é uma componente importante da resposta operacional para combater estas ameaças. Caso a caso, a Eurojust assegura a coordenação de investigações ao promover a troca de
informações, detetar ligações entre investigações em curso, desenvolver estratégias processuais e implementar ações conjuntas. Muitas vezes, é necessário resolver questões jurisdicionais sérias. As autoridades judiciárias têm de decidir qual o melhor foro para levar um suspeito a julgamento. Esta decisão é especialmente importante em
+19%
2015
2016
2017
2018
+15%
+17%
1862
2311
2435
2461
2910
2698
3337
3317
Novos casos Em curso de anos anteriores
investigações transfronteiriças, já que um princípio chave da justiça penal é que uma pessoa só
pode ser julgada uma vez pelo mesmo crime.
` Mais de 3300 novos casos foram trazidos
durante o ano por procuradores ou juízes de instrução de toda a União Europeia, um aumento de 19% em comparação com 2017.
` Mais de 3200 casos estavam em curso de
anos anteriores. Em investigações
comple-xas, a Eurojust é envolvida por um período de tempo superior e apoia várias etapas do caso, desde a investigação até ao julgamen-to. Estes casos podem durar vários anos.
A
União Europeia assenta no primado do Direito. A polícia, os juízes de instrução, os procuradores e os tribunais formam o sistema de justiça penal e têm a competência territorial definida pela legislação nacional.Ao combater a criminalidade transfronteiriça, os juízes de instrução e os procuradores são envolvidos desde o início.
ACUSAÇÃO E AVALIAÇÃO
DAS ACUSAÇÕES
` Identificação de investigações relacionadas e contributo para estratégias comuns em casos transfronteiriços através dos Membros
Nacionais e dos Magistrados de Ligação da Eurojust
` Apoio de consultores de cooperação judiciária espe-cializados na aplicação de instrumentos e ferramen-tas judiciárias europeias ` Disponibilização de salas de
reunião seguras, sistemas de TI especializados e interpretação simultânea ` Papel de liderança na constituição e no finan-ciamento de equipas de investigação conjunta
` Uma ferramenta única na Europa, o centro de coordenação da Eurojust, é
utilizada para proporcionar troca de informações em tempo real entre os intervenientes judiciários e policiais envolvidos em casos transfronteiriços complexos e sincronizar operações (detenções, buscas, apreensões) nos diferentes Estados envolvidos
` Apoio na elaboração e emissão atempada de mandados ` de detenção Europeus, ordens de congelamento e confiscação e decisões europeias de investigação ` Em processos simultâneos, a Eurojust pode ajudar as autoridades judiciárias nacionais a delinear o âmbito dos processos nacionais para evitar conflitos de competência jurisdicional e duplas condenações
AÇÃO
INVESTIGAÇÃO
POLÍCIA
JUÍZES DE INSTRUÇÃO
PROCURADORES
A EUROJUST
ESTá
A
TRAbAlhAR
A
ravés da Eurojust, procuradores e juízes de instrução podem superar os obstáculos colocados pelas fronteiras nacionais. A Unidade de Cooperação Judiciária da União Europeia, criada em 2002 e com sede em Haia, funciona como centro permanente e serviço personalizado de combate ao crime, em funcio- namento permanente durante todo o ano. A Eurojust tem uma estrutura híbrida única, em que as autori- dades nacionais trabalham em conjunto numa agência operacional financiada pela UE:` Cada Estado-Membro da UE está representado por uma delegação nacional, constituída por uma equipa de procuradores e/ou juízes de instrução, liderados por um membro nacional. Os membros nacionais servem de ponto de contacto principal para os seus colegas nos serviços de ação penal na-cionais. Prestam aconselhamento, facilitam o recurso a serviços da Eurojust e organizam os contac-tos cercontac-tos com procuradores de outros países para garantir que a cooperação transfronteiriça ocorre de forma tão simples quanto possível.
` A Administração da Eurojust emprega conselheiros de cooperação judiciária com conhecimentos espe-cializados do funcionamento de diferentes sistemas jurídicos nacionais e de instrumentos judiciários europeus. A Administração é também responsável pelo Sistema de Gestão de Processos, pela seguran-ça do edifício e do pessoal e pela organização prática de reuniões de coordenação e centros de coorde-nação, a partir dos quais os procuradores podem monitorizar ações em vários países em tempo real. ` Seis Estados-Membros não da UE enviaram magistrados de ligação para a Eurojust.
ACUSAÇÃO
E JULGAMENTO
CONDENAÇÃO ABSOLVIÇÃO CONFISCAÇÃO DE ATIVOS ILÍCITOSA JUSTIÇA PENAL
no centro da cadeia de segurança
` A Eurojust presta apoio durante julgamentos, por exemplo, ao assegurar que as informações reunidas num país podem ser usadas como provas durante um julgamento a ocorrer noutro país através de videoconferência
COMPENSAÇÃO ÀS VÍTIMAS
TRIBUNAIS
Os grupos criminosos organizados estão envolvidos em diferentes tipos de atividades criminosas, como o tráfico de estupefacientes, o tráfico de seres humanos, a introdução clandestina de
FRAUDE BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES GRUPOS DE CRIMINALIDADE ORGANIZADA ITINERANTE (GCOI)
TRÁFICO DE SERES HUMANOS
CORRUPÇÃO
CIBERCRIMINALIDADE
TERRORISMO CRIMES CONTRA INTERESSES
FINANCEIROS DA UE (PIF) INTRODUÇÃO CLANDESTINA DE MIGRANTES CRIME AMBIENTAL 1 022 907 432 612 451 450 273 268 150 194 99 120 107 84 91 68 86 71 12 / 24 79 148
migrantes e o terrorismo. Os casos da Eurojust são orientados para a procura e, por isso, os casos registados na Eurojust estão relacionados com uma grande variedade de tipos de crime.
Casos por tipo de crime em 2018
Uma única investigação pode enquadrar-se em várias categorias de crime, se estiverem em causa vários tipos de crime. Para obter mais informações, consulte o Anexo de dados.
Novos casos Em curso de anos anteriores
Operação Pollino
A maior ação coordenada contra a máfia ‘Ndrangheta até à data na Europa
Em 2018, a Eurojust, num processo iniciado pela delegação neerlandesa, desempenhou um papel fundamental numa das maiores investigações em matéria de criminalidade organizada do tipo na Europa até à data. Designada «Operação Pollino», a operação assistiu à ação coordenada e decisiva das autoridades policiais nos Países Baixos, Itália, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Reino Unido, Espanha e Portugal contra a ‘Ndrangheta, uma das redes criminosas mais poderosas do mundo. Ao repartir as atividades por país, a rede da máfia explorou as diferenças jurídicas entre jurisdições penais para desviar a atenção, uma vez que cada crime, se apenas investigado em separado, pode parecer um ato isolado em vez de parte de uma operação internacional.Passo a passo, as autoridades envolvidas trabalharam intensivamente para reunir os seus
conhecimentos e criatividade para estabelecer uma estratégia conjunta e desvendar a magnitude e a complexidade reais da atividade criminosa.
As ações coordenadas sincronizadas resultaram na deteção de quase 4 000 kg de cocaína e grandes
quantidades de outras drogas, bem como na apreensão de cerca de 2 milhões de euros em ativos de origem criminosa e 84 detenções (6 nos Países Baixos, 41 em Itália, 22 na Alemanha, 14 na Bélgica, 2 no
Luxemburgo, 1 no Reino Unido, 1 em Espanha e 1 na Suíça). Um elemento essencial da operação foi a troca de provas entre os países envolvidos, que permitiu aos procuradores construir processos judiciais sólidos.
5/12/2018 DIA DE AÇÃO CONJUNTA
A ação simultânea de várias centenas de polícias é monitorizada em tempo real por procuradores e juízes de instrução a partir do centro de coordenação na Eurojust, permitindo uma rápida análise de novos dados à medida que são recolhidos durante a ação policial, e torna possível a adaptação da estratégia conforme necessário.O caso teve origem em 2014, quando os serviços de informação e investigação fiscal neerlandeses (FIOD) remeteram uma investigação de possível branqueamento de capitais à Eurojust. A delegação neerlandesa na Eurojust incentivou, depois, proativamente os outros países envolvidos a investigar o caso, que tinha claras ligações à Itália e à Alemanha. 2016 Uma equipa de investigação conjunta financiada pela Eurojust e que envolvia os Países Baixos, a Itália e a Alemanha é constituída para coordenar a investigação. A Europol fornece análise exaustiva de dados. Passo a passo, as autoridades envolvidas trabalham intensivamente para reunir os seus conhecimentos e criatividade para estabelecer uma estratégia conjunta e desvendar a
magnitude e a complexidade reais da atividade criminosa.
Quase 4 000 kg de cocaína e quantidades consideráveis de outros estupefacientes são apreendidos no decorrer da investigação.
MARÇO DE 2018 — Desmantelamento de um grande grupo criminoso organizado envolvido
no tráfico de estupefacientes na Finlândia e nos Países Baixos Os estupefacientes eram traficados através da Alemanha e da Suécia. A Eurojust facilitou a execução simultânea de decisões europeias de investigação e mandados de detenção europeus e prestou assistência no desenvolvimento de estratégias coordenadas para as operações conjuntas das autoridades nacionais neerlandesas, alemãs e suecas através de um centro de coordenação na Eurojust. Foram apreendidos cerca de 2,8 milhões de euros em resultado da ação.
JULHO DE 2018 — Grande rede de
prostituição des-mantelada em França, na Bulgária e na Alemanha Durante um dia de ação conjunta, foram feitas buscas em mais de 20 localizações e 10 proxenetas suspeitos foram detidos. Os proxenetas
operavam desde 2015, prometendo a jovens búlgaras emprego ilegal em França. As mulheres eram transportadas primeiro para a Alemanha e, depois, para Estrasburgo e Annecy, onde eram forçadas a prostituir-se. As mulheres eram forçadas a entregar os seus brincos aos proxenetas, que vigiavam de perto as mulheres. A Eurojust organizou duas reuniões de coordenação, que levaram à assinatura de um acordo de equipa de investigação conjunta entre a França e a Bulgária. A Eurojust também disponibilizou financiamento para a EIC. No momento das detenções, várias prostitutas foram colocadas em contacto com grupos e
organizações de apoio para as ajudar a regressar em segurança ao seu país.
ABRIL DE 2018 — Desmantelamento
de organização da máfia caucasiana que praticava assaltos e furtos em lojas comerciais em França e na Grécia Mais de 30 suspeitos, incluindo os quatro líderes do grupo criminoso organizado, foram presos. Calcula-se que o GCO tenha
cometido uma média de 13 atos de furto em lojas comerciais em França e três assaltos a casas na Grécia por dia, causando vários milhões de euros de prejuízo. As reuniões de coordenação na Eurojust levaram à criação de uma equipa de investigação conjunta entre a França e a Grécia em setembro de 2017. O dia de ação comum foi coordenado pela Eurojust com o apoio da Europol, permitindo a troca de informações em tempo real e o cruzamento das provas reunidas nas bases de dados da Europol.
AGOSTO DE 2018 — Detenção em Espanha de uma mulher sueca
acusada de abusos sexuais sistemáticos aos seus próprios filhos
A Eurojust facilitou um Mandado de Detenção Europeu urgente, permitindo a rápida detenção da suspeita em Málaga, uma busca à casa e apreensão de provas muito rapidamente depois de os filmes de abusos sexuais às crianças terem sido apreendidos na Suécia. A suspeita tinha levado os filhos consigo para Espanha. Foram colocados em segurança e regressaram rapidamente à Suécia.
SETEMBRO DE 2018 — Ação contra roubos sistemáticos de mercadoria em França e na
Polónia Com o apoio da Eurojust e da Europol, a Gendarmerie francesa e a Polícia Criminal polaca desmantelaram um grupo criminoso organizado suspeito de ter cometido pelo menos 36 roubos de mercadoria, com prejuízos calculados em 1,5 milhões de euros. A Eurojust assegurou a coordenação ao nível judiciário
e organizou duas reuniões de coordenação com as autoridades judiciárias e policiais da França, da Polónia, da Alemanha e da Dinamarca que desvendou as atividades transfronteiriças do GCO. A cooperação judiciária e policial internacional levou à detenção dos seis suspeitos.
NOVEMBRO DE 2018 — Pôr fim à
escravatura e salvar vítimas de tráfico
A ação visava uma rede criminosa com atividade na província espanho-la de Segóvia que forçava pessoas a trabalhos agrícolas. Ao coordenar as ações das autoridades judiciárias e policiais nacionais de Espanha e Por-tugal, a Eurojust permitiu uma série de buscas, apreensões, detenções e prisões, bem como a libertação de 10 vítimas do grupo, quatro em
Espanha e seis em Portugal.
OUTUBRO DE 2018 — Resolução de um caso de
homicí-dio quádruplo em Itália Em agosto de 2017, foi cometido um homicídio quádruplo em Apricena, Itália. Um sus-peito destes homicídios foi também assassinado mais tarde em Amesterdão, crime confessado por um cidadão italiano. O autor relevou a localização do corpo à polí-cia neerlandesa. Durante o interrogatório, o homicida confesso revelou o envolvimento da vítima nos homicí-dios de Apricena. A Eurojust foi imediatamente chamada para ajudar as autoridades holandesas e italianas a re-lacionar as investigações dos homicídios, o que resultou na rápida extradição e transferência do processo pelas
autoridades holandesas para Itália e, por fim, na deten-ção dos líderes por detrás dos homicídios de Apricena.
NOVEMBRO DE 2018 – Ação rápida para deter um fugitivo perigoso Com o
apoio da Eurojust e da Europol, as autoridades espanholas e belgas detiveram um fugitivo belga, descrito como «muito perigoso», em Torrevieja, Espanha. O dia de ação foi preparado pelas delegações belga e espanhola na Eurojust, enquanto os magistrados belgas e espanhóis trabalhavam em conjunto em Es-panha para elaborar um Mandado de Detenção Europeu e dirigir a detenção.
DEZEMBRO DE 2018 — A cooperação internacional desmantela uma rede de
fogo-de-artifí-cio ilegal Numa ação apoiada pela Eurojust e a Europol, 80 toneladas de explosivos foram apreendidas e quatro lojas online foram bloqueadas durante dias de ação conjunta na
Polónia, nos Países Baixos e na Alemanha; 35 membros do grupo criminoso organizado, que
estava em atividade desde 2012, foram detidos na Polónia. O GCO tinha enviado pacotes não
ino-1 O apoio da Eurojust às EIC inclui apoio financeiro e operacional. Das 235 EIC apoiadas, 121 foram financiadas pela Eurojust. 2 Em janeiro de 2019. Devido à natureza contínua dos casos, estes números podem sofrer alterações após o período de reporte. 3 Uma EIC pode lidar com mais do que um tipo de crime.
EIC apoiadas
1:
235
Assinadas re-centemente em 2018, 85 3 Em curso 2 de anos anteriores, 150` Tráfico de seres humanos, 21 ` Tráfico de estupefacientes, 21 ` Branqueamento de capitais, 20 ` Fraude, 14
` Crimes contra interesses financeiros da UE, 7 ` Crimes que envolvem grupos de
criminalidade organizada itinerante, 5 ` Cibercriminalidade, 4
` Introdução clandestina de migrantes, 4 ` Corrupção, 2
` Crime ambiental, 2
Uma equipa de investigação conjunta é a ferramenta mais avançada na cooperação internacional em matérias criminais. Uma EIC é um acordo jurídico entre dois ou mais países para realizar investigações criminais transnacionais conjuntas durante um período de tempo fixo, incluindo a troca intensiva e
Apoio financeiro e logístico a
mais de 200 equipas de investigação conjunta
As equipas de investigação conjunta ampliam a perspetiva de um procurador
e de um investigador. Ao trabalhar com pessoas de diferentes legislações,
compreendemos melhor porque executam determinadas medidas e porque
não podem executar outras. O maior valor acrescentado de uma EIC é o
desenvolvimento de confiança mútua como a base da cooperação seguinte... Um
acordo de EIC é um contrato assinado concebido para nos facilitar a vida.
Maja Veber-Sajn, perita nacional em EIC para a Eslovénia, por ocasião da reunião da Rede EIC na Eurojust em junho de 2018
direta de informações entre os membros. A Eurojust presta apoio financeiro e logístico às EIC, bem como conhecimento e análise judicial. Em 2018, a Eurojust apoiou mais de
200 EIC, que investigaram uma grande variedade de crimes organizados.
As redes criminosas transnacionais têm uma coisa em comum: dinheiro. A atividade criminosa organizada é orientada para o lucro e todos os grupos criminosos necessitam de recursos para financiar as suas atividades. Rastrear, congelar e confiscar dinheiro obtido através da violação da lei e combater vigorosamente crimes relacionados
Muitos casos na Eurojust estão relacionados com
investigações para privar as redes criminosas dos seus lucros
ilícitos e suspender o seu acesso a recursos financeiros
com capitais são, por conseguinte, prioridades estratégicas no combate da UE à criminalidade organizada. Os crimes financeiros, incluindo a burla e a fraude, o branqueamento de capitais, a corrupção, a fraude contra o orçamento da UE e o comércio ilegal geram consequentemente um grande número de casos apoiados pela Eurojust.
Desmantelamento de duas redes de falsificação de euros em Itália e em França
Com o apoio da Eurojust e da Europol, a Polícia Judiciária francesa e os Carabinieri italianos realizaram 22 detenções e apreenderam equipamento digital e de impressão
para desmantelar redes criminosas suspeitas de produzir notas de 20, 50 e 100 euros em Nápoles, Itália, que eram distribuídas em França. A França e a Itália organizaram duas reuniões de coordenação na Eurojust e formaram uma equipa de investigação conjunta financiada e apoiada pela Eurojust como plataforma para coordenar as investigações paralelas. A EIC foi decisiva no sucesso das ações combinadas.
Desmantelamento de uma fraude de IVA em grande escala com prejuízos de mais de 20 milhões de euros, relacionada com a venda de veículos usados A pedido das autoridades alemãs, a ação foi apoiada por um centro de coordenação constituído na Eurojust e levou à detenção dos principais suspeitos. As operações envolveram mais de 100 buscas a casas, em particular na Roménia e na Hungria, inúmeras audiências de testemunhas e suspeitos e ao reconhecimento de pedidos de congelamento de 18 milhões de euros.
Investigação de fraude no mundo do futebol Foram realizadas buscas simultâneas em 44 instalações na Bélgica e 13 em França, Chipre, Luxemburgo, Montenegro, Sérvia e Macedónia do Norte. As operações simultâneas fora da Bélgica foram coordenadas pela Eurojust para facilitar a troca e a partilha de informações e prestar assistência na execução de DEI e cartas rogatórias entre as partes envolvidas. Foram apreendidos documentos e ativos em contas e cofres bancários.
A qualidade da cooperação judiciária no combate
ao terrorismo é um grande desafio. Já não podemos
trabalhar em silos nos nossos países. Precisamos de uma
abordagem global. Para reforçar e fomentar a cooperação
judiciária, precisamos de passar pela Eurojust, a única
agência europeia capaz de o fazer.
François Molins, antigo procurador principal distrital do Tribunal de Paris,
numa conferência de imprensa sobre luta contra o terrorismo na Eurojust, a 20 de junho de 2018
TERRORISMO casos em 2018
11
EQUIPAS DE INVESTIGAÇÃO CONJUNTA20
REUNIÕES DE COORDENAÇÃOorganizadas pela Eurojust
1
DIA DE AÇÃO coordenada
191
CASOS
Resposta judicial à evolução da ameaça do
terrorismo na Europa
Entre 2014 e 2018, a Eurojust lidou com um
aumento de seis vezes no número de novos ataques terroristas, inclusive após os ataques terroristas no comboio da Thalys, em Paris e Saint-Denis,
Bruxelas e Zaventem, Nice, Saint-Etienne-du-Rouvray, Berlim, Estocolmo, Barcelona e Cambrils, Turku e Estrasburgo. Estes casos foram complexos, uma vez que muitos dos grupos terroristas atuais são altamente organizados e operam além-fronteiras. Em 2018, a Eurojust coordenou quase 200
investigações de terrorismo transfronteiriço. Fizemos face a um conjunto de desafios chave relacionados com o aumento da resposta judicial ao terrorismo, incluindo a necessidade de intensificar a troca de dados, definir uma resposta aos combatentes terroristas estrangeiros (CTE) que regressam à Europa e prestar apoio a vítimas de ataques
terroristas. A Eurojust também publicou um relatório sobre financiamento do terrorismo, para prestar assistência às autoridades nacionais na garantia de condenações em casos de financiamento do terrorismo e forneceu análise jurídica de julgamentos marco em casos de terrorismo. A Eurojust tem uma relação de colaboração estreita e de confiança com a Europol. Depois de ter assinado acordos de associação para os projetos de análise TRAVELLERS (combatentes terroristas estrangeiros;) e HYDRA
(Terrorismo Extremista Islâmico) em 2015 e 2016, em 2018, a Eurojust aderiu ao projeto de análise DOLPHIN (organização terrorista extremista não islâmica que ameaça a UE). Estes projetos de análise permitem à Eurojust e à Europol melhorar a troca de informações em matérias de terrorismo.
Coordenação da investigação após os ataques terroristas em Paris, novembro de 2015 Após os ataques terroristas em Paris e Saint-Denis a 13 de novembro de 2015, a Eurojust abriu um processo que, para além da França, envolvia mais 14 Estados-Membros e os EUA. Entretanto, foi acordada uma equipa de investigação conjunta entre a França e a
Bélgica, tendo os Países Baixos aderido mais tarde. A colaboração desvendou possíveis ligações entre os ataques de Paris e outros casos de terrorismo. Como resultado,
dois suspeitos presos na Áustria e um detido na Alemanha foram devolvidos com sucesso às autoridades francesas. A investigação ainda estava em curso ao longo
de 2018. Desde a abertura do caso na Eurojust em novembro de 2015, a delegação francesa organizou 13 reuniões de coordenação a pedido das autoridades judiciárias responsáveis pela investigação. Seis das quais foram organizadas em 2018.
Apoiar os Estados-Membros para garantir uma
resposta judicial sólida ao regresso dos combatentes
terroristas estrangeiros
Dada a ameaça terrorista persistente em toda a Europa, é essencial uma cooperação eficaz entre as autoridades judiciárias dos Estados-Membros da UE. O esforço conjunto da UE contra o terrorismo requer uma troca de dados rápida e segura em investigações e processos conduzidos em Estados-Membros. Em consequência, deve ser dada prioridade à partilha de informações operacionais com base na Decisão 2005/671/JAI do Conselho, que prevê a transmissão à Eurojust e à Europol de todas as informações
disponíveis nos Estados-Membros sobre investigações, processos e condenações em casos de terrorismo. Na sua declaração conjunta de 20 de junho de 2018, a França, a Alemanha, a Espanha e a Bélgica apelaram ao reforço da disponibilidade e da partilha de informações e ao estabelecimento de
Estabelecimento de um
Registo Judicial Europeu
contra o Terrorismo
um Registo Judicial Europeu contra o Terrorismo na Eurojust. A iniciativa foi também apoiada pela Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos na conferência europeia sobre o combate ao terrorismo, realizada a 5 de novembro de 2018 em Paris. O principal objetivo deste registo central ao nível da UE é detetar as possíveis ligações entre investigações em curso realizadas em diferentes Estados-Mem-bros e identificar as necessidades de coordenação entre todas as autoridades judiciais. A Eurojust já está a trabalhar nesta proposta, que é também apoiada pelo comissário europeu da Segurança da União, Julian King, pela presidente da Comissão Especial sobre o Terrorismo do Parlamento Euro-peu, Nathalie Griesbeck, e pelo coordenador de Luta contra o Terrorismo da UE, Gilles de Kerchove.
A maioria dos regressados em 2013 e 2014 é jovem. Que posição
devemos adotar, depois de terem enveredado por um caminho
que não é compatível com os valores da nossa sociedade, já que
colaboraram ativamente com grupos terroristas? […] A Eurojust pode
unir diferentes autoridades e encontrar procedimentos comuns de
acordo com os valores fundamentais das nossas sociedades.
Amaq: Ação contra a propaganda extremista
A Eurojust ajudou a coordenar uma ação conjunta contra operações de propaganda do grupo militante Estado Islâmico (IS). A operação, que foi liderada pelo procurador federal belga e também envolveu procuradores e autoridades policiais de Estados-Membros e de outros países, bem como a Europol, resultou na retirada de vários meios de comunicação apoiados pelo IS, incluindo a agência noticiosa Amaq, a rádio al-Bayan e os sites de
notícias Halumu e Nashir. A capacidade do IS de difundir e publicitar material terrorista na Europa foi gravemente comprometida em resultado da ação. Pouco depois da operação com sucesso, a delegação belga organizou uma reunião para coordenar as ações de acompanhamento e debater questões de competência jurisdicional.
A Eurojust continuou a prestar assistência às autori-dades judiciais na resposta a desafios em investiga-ções de CTE e na construção de processos judiciais sólidos. Para além de coordenar investigações e pro-cessos contra o terrorismo, a Eurojust prestou assis-tência às autoridades nacionais na análise de expe-riências e jurisprudência relevantes, incluindo na sua
Monitorização de Condenações por Terrorismo, para
ajudar a identificar desafios comuns e boas práticas. A reunião da Eurojust sobre contraterrorismo de 20-21 de junho de 2018 proporcionou uma plataforma fidedigna para partilhar experiências e lições aprendidas de casos relacionados com ataques e redes terroristas, bem como as abordagens nacionais à execução de processos contra CTE regressados. Os desafios na resposta às necessidades das vítimas de crimes ao nível da UE foram apresentados pela consultora especial da Comissão Europeia para a compensação das vítimas de crimes. Os Estados-Membros da UE que sofreram recentemente ataques terroristas partilharam as suas experiências no apoio às vítimas e às suas famílias. A Eurojust apresentou
exemplos concretos da sua assistência na facilitação de cooperação judiciária para garantir que as vítimas estrangeiras de ataques terroristas são informadas da assistência a que têm direito no país em que o ataque ocorreu, dos seus direitos processuais e dos seus direitos a compensação e subsídios. Outra dimensão chave ao lidar com este desafio é a forma como as informações apreendidas no campo de batalha podem ser utilizadas como provas ad-missíveis em tribunais civis. Em junho de 2018, a Eurojust publicou um memorando sobre os desafios e boas práticas na utilização de provas de campo para investigações e processos de infrações terroristas. Em novembro de 2018, a Eurojust recebeu um even-to internacional sobre provas de campo organi-zado pelas autoridades dos EUA, que reuniu procu-radores, polícias, militares e peritos em inteligência de contraterrorismo de ambos os lados do Atlântico. Debateram ferramentas de investigação, a utilização de bases de dados e diferentes casos de estudo.
Cuidar das vítimas do terrorismo é também uma arma muito
poderosa no combate. Ao cuidar das vítimas e garantir que as suas
necessidades são satisfeitas, enviamos uma mensagem clara de que os
valores da nossa sociedade e comunidade, como os direitos humanos e
a democracia, ficam mais fortes quando são atacados.
Joëlle Milquet, consultora especial do presidente da Comissão Europeia para a compensação de vítimas de crime, na reunião da Eurojust sobre contraterroris-mo, 20-21 de junho de 2018
Hoje em dia, as infraestruturas dos nossos países são baseadas
em tecnologias de TI que são muito progressivas, mas também
tornam os nossos sistemas muito vulneráveis. Os ataques às
nossas infraestruturas podem ser realizados inesperadamente,
causando danos enormes. Por isso, temos de estar bem
preparados e tentar minimizar todos os riscos. Enquanto
no passado, a resposta da justiça penal demorava tempo,
atualmente, temos de agir rapidamente e estar um passo à frente
na nossa resposta, especialmente através do desenvolvimento de
ciberconhecimentos e sistemas de TI.
Raivo Sepp, membro nacional da Estónia na Eurojust de 2004 a
CIBERCRIMINALIDADE casos em 2018
9
EQUIPAS DE INVESTIGAÇÃO CONJUNTA
28
REUNIÕES DE COORDENAÇÃO
organizadas pela Eurojust
2
DIAS DE AÇÃO coordenada
219
CASOSCibercriminalidade
Criminalidade instantânea que requer uma
resposta judicial instantânea
As inovações tecnológicas dos últimos anos trouxeram uma variedade de desenvolvimentos positivos. Mas os criminosos também exploram a velocidade, a conveniência e o anonimado da Internet para cometer uma grande variedade de atividades criminosas que não conhecem fronteiras, quer físicas, quer virtuais, causam prejuízos graves e constituem ameaças reais a vítimas de todo o mundo. Em 2018, a Eurojust desempenhou um papel importante em mais de 200 investigações de
cibercriminalidade. A Eurojust trabalhou em
vários níveis para combater esta forma crescente de atividade ilegal, incluindo definir a forma de lidar com as vítimas da cibercriminalidade, o acesso a dados para fins de procedimentos penais e a encriptação e retenção de dados necessários como prova. A Eurojust também recebe a Rede Judiciária Europeia em matéria de Cibercriminalidade
MARÇO DE 2018 — 20 hackers detidos em esquema de phishing bancário no valor de 1
mi-lhão de euros Os criminosos falsificaram correios eletrónicos de autoridades tributárias para defraudar clientes em Itália e na Roménia. As investigações também revelaram o potencial envolvimento destas pessoas noutros crimes, incluindo branqueamento de capitais, tráfico de estupefacientes e TSH. A Eurojust contribuiu ao estabelecer e financiar uma EIC, o que permitiu a cooperação e coordenação eficientes, incluindo a troca contínua de informações e provas. A investigação conjunta ajudou a evitar um conflitos de competência jurisdicional e levou a um dia de ação coordenada entre os dois países, monitorizado em tempo real a partir
de um centro de coordenação na Eurojust, com detenções e buscas simultâneas.
JULHO DE 2018 — Ação em toda a Europa contra uma rede organizada de ciberfraude que
negociava mercadoria de elevada qualidade obtida ilegalmente A mercadoria ilegal era alegadamente vendida sobretudo na Europa de Leste, ou seja, Rússia, Ucrânia e Estados Bálticos. Os lucros ilegais foram calculados em mais de 18 milhões de euros. A Alemanha e a Lituânia iniciaram uma investigação e formaram uma EIC através da Eurojust para simplificar e acelerar a troca de informações relacionadas com o caso. A Eurojust organizou várias reuniões
de coordenação e apoiou investigações pré-julgamento; 17 suspeitos, incluindo o organizador
do GCO, foram detidos e foram feitas buscas em várias residências e empresas privadas na Alemanha, Lituânia, Estónia, Suíça, Chipre, Reino Unido, Finlândia, Letónia e Ucrânia.
NOVEMBRO DE 2018 —Desmantelamento de jogos de azar, branqueamento de capitais e fraude fiscal online Os lucros do GCO foram calculados em 80 milhões de euros. Após uma investigação de 15 meses liderada por Portugal e pelo Luxemburgo, a ação culminou em
30 detenções, 275 buscas, apreensões de 576 000 euros, mais computadores, tabletes
e hardware, armas de fogo e veículos. Foram recuperados mais de 6 milhões de euros em ativos provenientes do crime. A Eurojust prestou assistência em toda a investigação,
incluindo na emissão de DEI e pedidos de congelamento.
Trabalhar em conjunto para
nos mantermos um passo
à frente dos cibercriminosos
A Eurojust recebe a Rede Judiciária Europeia em matéria de Cibercriminalidade, uma rede de autoridades com-petentes de toda a Europa, que reúnem regularmente para trocar conhecimentos e boas práticas relativamente à investigação e aos processos de cibercrime. A rede também estimula o diálogo entre diferentes intervenien-tes, garantindo o primado do direito no ciberespaço. Em 2018, a RJEC lidou com os seguintes temas principais: ` vítimas de cibercrime: desafiospráticos ao lidar com o grande número de vítimas em casos de cibercrime;
` acesso a dados: desenvolvimentos recentes e possíveis soluções relativamente ao acesso a dados WHOIS para fins de procedimentos penais;
` provas eletrónicas: desenvolvimentos relacionados com instrumentos legislativos propostos pela Comissão Europeia;
` formação: como melhor investigar o cibercrime e o crime facilitado pelo ciberespaço, com um especial enfoque na disponibilização de formação para os intervenientes ao nível judicial; e
` encriptação e retenção de dados: capacidade de as autoridades judiciárias e policiais extraírem informações de dispositivos digitais necessários como prova em investigações criminais e para processar e condenar criminosos.
A Eurojust também publicou a 4ª Monitorização Judicial da Cibercriminalidade (CJM) em 2018. A CJM fornece uma visão geral dos desenvolvimentos legislativos e análises de
Fazer face aos desafios das
pro-vas eletrónicas
A Eurojust aborda a questão das provas eletróni-cas, nomeadamente, através do projeto Siste-ma de Utilização Integrada de Recuperação de Informação Científica (SIRIUS), em conjunto com a Europol. O SIRIUS é um projeto inovador que inclui uma plataforma de partilha de conhecimen-tos interativa acessível a autoridades judiciárias e policiais com o objetivo de melhorar a coopera-ção UE-EUA no acesso transfronteiriço a provas eletrónicas. O SIRIUS aborda as questões e os desafios encontrados ao realizar investigações baseadas na Internet. O SIRIUS tornou-se um importante ponto de referência, permitindo aos profissionais desenvolver conhecimentos, para além de oferecer valor acrescentado operacional na investigação e acusação de terrorismo e outros crimes. O contributo da Eurojust para a iniciativa foca-se na dimensão judicial e nos processos de auxílio judiciário mútuo (AJM) entre a União Euro-peia e os Estados Unidos.
Para fazer face a obstáculos na recolha de provas eletrónicas transfronteiriças, a Comissão Europeia propôs nova legislação em abril de 2018 para sim-plificar o acesso a esses dados pelas autoridades policiais. A Eurojust realizou uma análise cuidadosa do pacote na perspetiva dos profissionais e consi-dera as propostas um passo em frente positivo. Em março de 2018, participantes de mais de 60 países de todo o mundo reuniram-se na Eurojust para obter um melhor conhecimento da assistência disponível para os profissionais judiciários que trabalham com a cibercrimi-nalidade. A conferência foi coorganizada pela Eurojust e o Cybercrime Programme Office do Conselho da Europa.
As nossas investigações demonstram que o fluxo de
migração ilegal é regido, em cada um dos seus passos, por
organizações criminosas: desde o país de origem à travessia
marítima final, passando pela viagem em terra. Não
existe apenas uma única organização, mas vários grupos
diferentes, com diferentes modos de operar.
Giovanni Salvi, procurador geral de Roma, discursando no
Proteger as fronteiras europeias
Trabalhar com países de origem, passagem e destino
A introdução clandestina de migrantes é um crime contra a integridade das fronteiras europeias. Para serem bem sucedidas, as investigações requerem a cooperação judiciária eficaz entre os Estados-Membros e com os países de origem, de trânsito e de destino fora da Europa. As investigações tornam-se ainda mais complicadas pelo facto de os grupos criminosos organizados que praticam introdução clandestina de migrantes combinarem frequentemente vários tipos de atividades criminosas, o que torna as investigações multifacetadas e complexas.
Em maio de 2018, a Eurojust organizou uma reunião de peritos sobre introdução clandestina de migrantes que atraiu profissionais dos Estados--Membros, bem como da Sérvia e da Turquia. Os peritos focaram-se no modus operandi emergente das redes de introdução clandestina de migrantes, explorando oportunidades resultantes da cooperação com países terceiros e identificando soluções para características específicas deste tipo de crime. Uma abordagem bem sucedida requer uma resposta coor-denada, incluindo um início precoce das investiga-ções financeiras. Também requer a utilização total de
INTRODUÇÃO CLANDESTINA DE MIGRANTES casos em 2018
12
EQUIPAS DE INVESTIGAÇÃO CONJUNTA17
REUNIÕES DE COORDENAÇÃOorganizadas pela Eurojust
3
DIAS DE AÇÃO coordenada
157
CASOStodas as ferramentas de investigação, nomeadamente as EIC, e a partilha eficiente de informações. Toda a rede de introdução clandestina tem de ser visada e as investigações têm de ser acionadas em todos os países em que as células do GCO estão a operar.
FEVEREIRO DE 2018 — Decidir onde acusar um traficante de migrantes Um cidadão sírio foi preso como imigrante ilegal na Hungria, mas rapidamente surgiram provas de que era o traficante e não a vítima. Era também suspeito de cometer crimes de introdução clandestina de migrantes na Croácia. As autoridades recorreram à Eurojust para apoio ao decidir onde o suspeito deveria ser acusado para evitar um conflito de competência jurisdicional.
ABRIL DE 2018 — Desmantelamento de GCO de introdução clandestina de migrantes que
transportava migrantes com origem no Afeganistão, Paquistão, Síria e Iraque para a EuropaO GCO cobrava uma taxa entre 1500 e 7000 euros por pessoa e introduzia clandestinamente pessoas através da Turquia, Bulgária, Sérvia, Croácia, Eslovénia e Hungria. Os imigrantes ilegais procuravam asilo sobretudo na Áustria e na Alemanha, mas também em Itália e em França. A Roménia, a Áustria e a Eslovénia realizaram a investigação numa EIC financiada e facilitada pela Eurojust. Os dias de ação conjunta multilaterais de grande escala foram monitorizados a partir do centro de coordenação da Eurojust. Onze suspeitos, incluindo os líderes do GCO, foram detidos, foram feitas buscas em casas para obter provas e os recursos financeiros foram apreendidos.
JUNHO DE 2018 — Rede de casamentos brancos desmantelada na Dinamarca e na
Alemanha Os criminosos estavam em atividade desde 2015. Cobrando até 13 000 euros por pessoa, forneceram a cerca de 1200 cidadãos não da UE documentos de identificação roubados e falsificados e organizaram casamentos brancos com cidadãos da UE, que eram pagos sem ter a obrigação de viver com os alegados companheiros. Os migrantes ilegais utilizavam o seu estado de casados para obter autorizações de residência
permanentes na UE. A operação conjunta, apoiada pela Eurojust e a Europol, foi o
resultado de uma investigação coordenada durante 18 meses no âmbito de uma EIC, que foi apoiada por análises individualizadas.
AGOSTO DE 2018 — Buscas e detenções sincronizadas na Alemanha, Roménia e Polónia para
parar a introdução clandestina de homens e mulheres da Índia e do Nepal Os imigrantes ilegais participavam em casamentos brancos para obter autorizações de residência. Cada migrante pagava aproximadamente 12 000 euros aos traficantes pelo conjunto completo de serviços, incluindo a viagem para a Europa, a entrada na Alemanha, o pedido de autorização de residência e a organização da cerimónia de casamento. Durante o dia de ação, as autoridades nacionais da Alemanha, da Roménia e da Polónia, com o apoio da Eurojust e da Europol, apreenderam uma quantidade significativa de provas, como certidões de casamento, cartões de visita de organizadores de casamentos, alianças não utilizadas, dispositivos eletrónicos de armazenamento e 14 000 euros em dinheiro.
Em outubro, o terceiro relatório de peritos sobre introdução clandestina de migrantes foi publicado pela Eurojust. O relatório resumia as conclusões da reunião de peritos sobre introdução clandestina de migrantes realizada na Eurojust em maio. Os peritos realçaram que a cooperação judiciária transfronteiriça, especialmente com Estados terceiros, é essencial na deteção de movimentos transfronteiriços de GCO envolvidos na introdução clandestina de migrantes. Através da partilha de informações, as células ocultas podem ser descobertas e as comunicações, ligações e fluxos de dinheiro podem ser rastreados. A cooperação judiciária também permite a identificação de investigações paralelas nos Estados de origem, de trânsito e de destino e permite aos serviços de ação penal recolher provas concludentes que serão válidas em tribunal. Descobrir ligações entre a introdução clandestina de migrantes e investigações financeiras assegura que os ativos ilegalmente obtidos através da introdução clandestina de migrantes são efetivamente apreendidos e confiscados.
Recorrer plenamente às
ferramentas de cooperação judiciária da UE
As ferramentas de cooperação judiciária baseadas no reconhecimento mútuo, como o Mandado de Detenção Europeu e a Decisão Europeia de In-vestigação, facilitam bastante a cooperação entre procuradores em casos transfronteiriços. No entanto, para maximizar o potencial destas ferramentas, os procuradores têm de ser capazes de se encontrar e contactar rapidamente e comunicar de forma clara apesar dos diferentes idiomas e culturas jurídicas. Graças à sua posição única na coordenação de investiga-ções transfronteiriças, a Eurojust tem um claro entendi-mento do trabalho dos procuradores e dos obstáculos e dificuldades que enfrentam na utilização de
ferra-Em 2018, a Eurojust prestou apoio à utilização de
quase
1 000 decisões europeias de investigação e à execução de
mais de 700 mandados de detenção europeus
A
Decisão Europeia de Investigação requer que os
procuradores tenham um conhecimento aprofundado de
outros sistemas jurídicos penais nacionais e que encontrem
rapidamente os contactos certos
A DEI estabelece um processo claro para a coope-ração entre autoridades judiciárias em diferentes Estados-Membros para a recolha e preservação de provas, realização de buscas, audiências e controlos financeiros, interceção de comunicações e extradição de detidos. Em 2018, a Eurojust apoiou a utilização da DEI em quase 1000 situações. Tirando partido desta experiência, a Eurojust reuniu os profissio-nais judiciários em setembro de 2018 para debater a forma como este instrumento está a funcionar. Os profissionais judiciários consideram a DEI um instrumento valioso, mas salientaram a necessidade de orientação e apoio para extrair todas as vantagens. A utilização da DEI requer conhecimentos sólidos dos sis-temas jurídicos penais nacionais, rápido acesso aos con-tactos certos e uma abordagem pragmática e flexível. Os profissionais pediram, assim, à Eurojust que continue a aconselhar e coordenar autoridades nacionais na
elabo-mentas de cooperação. A partir desta interação diária, a Eurojust consegue ver padrões, identificar problemas que precisam de ser resolvidos e fornecer análises atua-lizadas de como estas ferramentas operam na prática. Por exemplo, em abril de 2018, a Eurojust publicou um relatório sobre cooperação judiciária em novas substâncias psicoativas (NSP) e casos (pré-)precursores. Foca-se nos desenvolvimentos recentes na legislação, nos casos e na experiência operacional dos Estados-Membros no que respeita à investigação e acusação de NSP e casos (pré-) precursores com um elemento transfronteiriço.
EUROJUST
facilita, prestaaconselha-mento e
coordena em várias etapas do processo de DEI e identifica
desa-fios e boas práticas em casos de DEI
Lições aprendidas na utilização de
mandados de detenção europeus
A Eurojust avalia regularmente a forma como o Tribunal de Justiça da União Europeia interpreta a utilização do MDE. A edição de 2018 do Resu-mo de Jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) relativa ao MDE da Eurojust contém 33 importantes julgamentos no período entre 2007–2018, categorizados de acordo com um conjunto de palavras-chave fá-ceis de utilizar. O relatório abrange temas como:
` o impacto nos direitos humanos da aplicação
da decisão-quadro sobre o MDE, especialmente a proibição de tratamento desumano e
degradante e o direito a um processo justo;
` fundamentos de recusa;
` pedidos de informações necessárias e
complementares e limites temporais;
` cidadania da UE e não discriminação
com base na nacionalidade;
` a intenção de um Estado-Membro
de sair da União Europeia; e
` o processo prejudicial.
Vantagens da DEI
Instrumento abrangente único com âmbito vasto Define prazos rígidos para a recolha das provas solicitadas Limita as razões para a recusa desses pedidos
Reduz a burocracia ao introduzir um formulário padrão único Protege os direitos
fundamentais da defesa
ELABORAÇÃO da DEI
pela autoridade judiciária no Estado-Membro A
TRANSMISSÃO da DEI
à autoridade judiciária no Estado-Membro BRECONHECIMENTO da DEI
no Estado-Membro BEXECUÇÃO da DEI
Acordos de cooperação da Eurojust
Um ponto único para contactos de cooperação judiciária
A Eurojust mantém, e reforça ativamente, relações de confiança e cooperação com paí-ses terceiros através de acordos de coope-ração, magistrados de ligação destacados na Eurojust e pontos de contacto judiciários. A Eurojust concluiu nove acordos, que abrem a possibilidade de troca sistemática de informações operacionais, incluindo dados pessoais.
Em outubro de 2018, foi assinado um acordo de cooperação com a Albânia, o terceiro acordo deste tipo entre a Eurojust e um país dos Balcãs Ocidentais, um passo importante no combate ao crime transnacional grave, já que abre caminho a uma troca segura e eficiente de informações judiciais e à partilha de provas e permite à Albânia destacar um magistrado de ligação para a Eurojust. As negociações sobre um acordo de cooperação com a Geórgia foram finalizadas e as negociações com a Sérvia estão em curso, com um projeto de acordo de cooperação submetido para aprovação final. Durante 2018, pontos de contacto de quatro novos países terceiros (Nigéria, Irão, Maurícias e África do Sul) aderiram à rede de pontos de contacto judiciais internacionais da Eurojust. A Eurojust está agora ativamente ligada a 47 países terceiros de todo o mundo, ajudando os procuradores dos Estados-Mem-bro a entrar rapidamente em contacto com os homó-logos certos quando têm um caso em que a atividade criminosa se estende para lá das fronteiras da UE.
O objetivo é simples: queremos tornar a vida dos grupos
criminosos organizados mais difícil ao trocar informações e
provas de forma mais rápida. O acordo vai reforçar a cooperação
e a confiança mútua entre a Albânia e os seus parceiros da UE,
contribuindo para a perspetiva europeia da Albânia.
Věra Jourová, comissária europeia para a Justiça, Consumidores e
Igualdade de Género, por ocasião da assinatura do acordo de cooperação entre a Albânia e a Eurojust em outubro de 2018 em Tirana, Albânia
A Eurojust é também um parceiro
ativo em iniciativas de cooperação judiciária regional, designadamente: Mediterrâneo
A Eurojust apoia o Fórum EUROMED, que reúne procuradores gerais da Europa e de países mediterrânicos para debater assuntos judiciários internacionais. O Fórum abrange questões como o combate ao terrorismo e à criminalidade organizada e a proteção de dados pessoais.
Em julho de 2018, a Eurojust recebeu a visita de uma delegação líbia, facilitada pela Missão de Assistência Fronteiriça da União Europeia (EUBAM), para
reforçar a cooperação entre a Eurojust e a Líbia no
combate à criminalidade organizada transfronteiriça e para facilitar o envolvimento mais frequente da Líbia em casos da Eurojust, designadamente na introdução clandestina de migrantes.
Balcãs Ocidentais
A Eurojust facilitou quase 200 investigações
crimi-nais conjuntas entre Estados-Membros e Estados
dos Balcãs Ocidentais e estabeleceu um quadro cada vez mais forte de cooperação judiciária estru-tural com países da região. Três Estados dos Balcãs Ocidentais possuem acordos de cooperação com a Eurojust e estão em curso negociações com a Sérvia. A Macedónia do Norte e o Montenegro nomearam magistrados de ligação e a Eurojust tem pontos de contacto em cinco Estados dos Balcãs Ociden-tais, incluindo a Sérvia e a Bósnia-Herzegovina. A Eurojust é um parceiro chave na Conferência
Ministerial do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão (IPA II) 2014-2020, que desempenha
um papel fundamental na resposta operacional à criminalidade organizada transfronteiriça na região.
América Latina
O objetivo do programa EL PAcCTO
de cinco anos (Europa-Latinoamérica Programa de
asistencia contra el crimen transnacional organiza-do) é reforçar o combate à criminalidade organizada
transfronteiriça entre 18 países da América Latina e a
União Europeia e cobre todo o sistema de justiça pe-nal. A Eurojust pode servir de modelo para a criação de um organismo semelhante para a América Latina ao promover o reconhecimento mútuo e a confian-ça entre as autoridades judiciárias destes países.
Os magistrados de ligação trabalham lado a lado com os seus colegas dos Estados-Membros e têm acesso a ferramentas operacionais da Eurojust. Duas novas magistradas de ligação (da Mace-dónia do Norte e da Ucrânia) foram destacadas para a Eurojust em 2018. Juntando-se aos cole-gas da Noruega, da Suíça, de Montenegro e dos EUA, a Eurojust recebe agora um total de seis magistrados de ligação de Estados terceiros.
Os países que concluíram um acordo de cooperação com
a Eurojust podem destacar um
magistrado de ligação
para a Eurojust
Desde 2015, o número de casos em que a Eurojust ajudou a coordenar a cooperação prática com Estados terceiros em investigações criminais aumentou 74%. Aproximadamente um terço dos casos foram iniciados pelos Estados com um magistrado de ligação destacados na Eurojust e dois terços foram trazidos por Estados-Membros, o que ilustra o valor acrescentado mútuo do trabalho conjunto sob o mesmo teto.
Casos da Eurojust com
Estados terceiros
Novos casos Em curso de anos anteriores
2018
764
545
2017
2016
2015
659
418
508
466
338
415
+29%
+11%
+22%
+74%
Desde 2015
2016
36,6 milhões € 37,6 milhões €2017
38,6 milhões €2018
38,1 milhões €2019
Dotações orçamentais da Eurojust
*
A Estratégia Plurianual da Eurojust (EP) de 2019-2021 realça a necessidade de apresentar mais e melhores resultados em atividades operacionais essenciais ao: (I) oferecer apoio aos Estados-Membros (por exemplo, fornecendo apoio rápido e qualitativo e reforçando a cooperação operacional); (ii) fornecer conselhos baseados na experiência operacional (por exemplo, contribuindo para a política da justiça penal da UE e reforçando o conhecimento estratégico); e (iii) melhorando a eficácia organizacional (por exemplo, garantindo estruturas, processos e comunicações mais eficazes.) Ao aumentar as eficiências, aperfeiçoar prioridades e otimizar ainda mais a organização, a Eurojust foi capaz de responder a todos os pedidos de apoio operacional durante o ano de 2018. Pelo terceiro ano consecutivo, a Eurojust conseguiu uma taxa de execução orçamental superior a 99%.
Governação e execução orçamental em 2018
Cumprir o compromisso de servir a justiça
além-fronteiras para uma Europa mais segura
No final de 2018, a Eurojust tinha
313 titulares/colaboradores:
` 91 colaboradores destacados de autoridades judiciárias dos Estados-Membros para as
delegações nacionais. Cada delegação nacional é liderada por um membro nacional. Em conjunto, os membros nacionais formam o Colégio; e
` 222 membros de pessoal na Administração
da Eurojust, que é gerida pelo diretor
administrativo. A Administração presta apoio operacional às delegações nacionais, incluindo apoio em investigações complexas, e elabora análises de casos e relatórios. A Administração também presta serviços de TI, incluindo o Sistema de Gestão de Processos, serviços de segurança e a organização prática de reuniões de coordenação e centros de coordenação.
A Eurojust recebe e disponibiliza pessoal aos
secretariados de redes temáticas que apoiam profissionais judiciários em toda a Europa: Rede Judiciária Europeia, que liga mais de
350 pontos de contacto nos 28 Estados-Mem-bros, que prestam assistência na facilitação da cooperação judiciária internacional em matérias criminais;
Rede de EIC, que incentiva a utilização de EIC,
facilita a sua constituição e financiamento e contribui para a partilha de experiências e boas práticas;
Rede Judiciária Europeia em matéria de Cibercriminalidade, que se foca na troca de
experiências, boas práticas e outros conheci-mentos relevantes relativamente à investiga-ção e acusainvestiga-ção do cibercrime; e
Rede Genocídio, que assegura uma estreita
cooperação entre as autoridades nacionais na investigação e acusação de crimes internacio-nais importantes.
* Orçamento final votado, fonte de financiamento C1, dotações de autorização. Os orçamentos de 2016 e 2017 incluíam dotações específicas adicionais para os custos relacionados com as novas