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(volume um).
MUDAS DO BIOMA DA CAATINGA
ECHOENERGIA PARTICIPAÇÕES S.A.
Manual de produção de mudas da Caatinga. Página 2
Mudas do Bioma da Caatinga
(Espécies arbustivas e arbóreas)
ECHOENERGIA PARTICIPAÇÕES S.A.
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.663 - 4° andar – Jardim Paulistano. São Paulo, SP - CEP: 01.452-011.
BIOSFERA CONSULTORIA E SERVIÇOS AMBIENTAIS ME.
Rua Melo Peixoto, 228, sla 12, Empresarial CEORGA. Santo Antônio – Garanhuns, PE – CEP: 55.293-190.
PREFÁCIO.
Localizado entre os municípios de Caetés, Capoeiras, Pedra e Venturosa, no agreste de Pernambuco, o Complexo Eólico Ventos de São Clemente está em operação comercial desde junho de 2016. Formado por oito parques eólicos distribuídos em uma área de 3.700 hectares e com fator de capacidade de 55%, o empreendimento possui 126 aerogeradores que, juntos, têm potência instalada de 216 MW, energia suficiente para abastecer mais de 550 mil residências através de 44 km de linhas de transmissão.
Esses números fazem do Complexo Eólico Ventos de São Clemente o maior de Pernambuco e um dos maiores do Brasil e da América Latina. Por meio dos investimentos e dos programas desenvolvidos pela Echoenergia, a região onde o complexo eólico está inserido se desenvolve no âmbito social, econômico e ambiental.
A empresa possui um Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), que consiste na produção de mudas e replantio de áreas que foram alteradas durante a instalação do empreendimento, buscando sempre a proteção da biodiversidade natural da região.
APRESENTAÇÃO.
Considerando a tendência atual, é inevitável a constatação de que cada vez mais a conservação dos recursos naturais exigirá não apenas a proteção dos remanescentes de vegetação nativa, mas também a recuperação do que já foi perdido. A recuperação de áreas alteradas demanda uma intensa produção e plantio de mudas nativas, o que, por sua vez, não é possível sem a produção de mudas.
A publicação deste “Manual Técnico de Produção de Mudas do Bioma da Caatinga”, tem por objetivo principal a divulgação do conhecimento sobre técnicas de produção de mudas nativas da Caatinga, apresentando os resultados dos experimentos que a equipe da Biosfera, micro empresa de prestação de serviços ambientais, contratada para recuperar as áreas alteradas, realizou no Viveiro Florestal de mudas nativas, localizado no Complexo eólico Ventos de São Clemente, empreendimento da Echoenergia Participações S.A., no município de Caetés – PE.
Combinando uma linguagem simples com termos técnicos e conceitos definidos com o devido rigor de publicações técnicas, este manual destina-se a orientar proprietários rurais e o público em geral interessados na produção de mudas para atender à demanda de mudas de espécies nativas do Bioma da Caatinga.
MANUAL TÉCNICO DE PRODUÇÃO DE MUDAS DO BIOMA DA CAATINGA.
Elaboração:
Carlos Daniel da Silva Araujo.
Eng° Florestal/Analista Ambiental/Perito Ambiental.
Revisão:
Marília Mendes do Amaral. Eng° Ambiental e Sanitarista.
Projeto gráfico e diagramação:
Carlos Daniel da Silva Araujo.
Eng° Florestal/Analista Ambiental/Perito Ambiental.
Fotos:
Carlos Daniel da Silva Araujo
FICHA CATALOGRÁFICA ARAUJO, Carlos Daniel da Silva.
Manual técnico de Produção de mudas do bioma da Caatinga. Caetés: Biosfera/Echoenergia, 2018. Vol. 1. 36 p.
SUMÁRIO.
1. Introdução. 7.
2. Tipos de viveiro. 8.
3. O viveiro. 9.
4. Escolha do local. 10.
5. Construção dos canteiros. 11.
6. Substrato. 12.
7. Recipiente. 13.
8. Coleta das sementes. 14.
9. Beneficiamento das sementes. 14.
10. Armazenamento das sementes. 16.
11. Tratamentos pré-germinativos. 17.
12. Produzindo as mudas. 21.
13. Como realizar a semeadura. 23.
14. Espécies e seus Tratamentos germinativos. 32. 15. Referências bibliográficas consultadas. 34.
1. INTRODUÇÃO.
A produção de mudas para reflorestamentos e recuperação de áreas degradadas vem numa crescente demanda devido à preocupação mundial com a preservação do meio ambiente.
Por sua vez, a qualidade da produção dessas mudas exigirá alguns conhecimentos básicos de quem vai produzir. Conhecimentos esses que vão desde a colheita das sementes, passando pela propagação da muda e, finalizando na escolha adequada para cada local de plantio.
O primeiro passo para a produção de sementes e mudas com qualidade, será conhecer e entender a dinâmica de germinação de cada espécie que se pretende reproduzir. Também será de extrema importância, conhecer os principais tratamentos pré-germinativo pelo quais as sementes serão submetidas para superar a dormência ou acelerar sua germinação.
Entretanto, além das metodologias técnicas de coleta e de produção da muda, é importante considerar o tipo do viveiro que será construído. E, o objetivo da produção que definirá se o viveiro será: Provisório ou Permanente.
2. TIPOS DE VIVEIROS.
A construção de um viveiro de mudas, a fase de planejamento é muito importante. As instalações necessárias e a quantidade de mudas que se projeta produzir dependerão do objetivo do viveirista ou mesmo da comunidade envolvida na sua montagem.
VIVEIRO nada mais é que, o ambiente ou local onde se propagam e se desenvolvem todo tipo de planta. E, é nele, que as mudas serão cuidadas até adquirir tamanho e idade suficiente para serem plantadas em locais definitivos.
Dois tipos de viveiros podem ser destacados:
Viveiros provisórios ou temporários – são aqueles cuja duração é curta e limitada. Destinadas à aclimatação de mudas adquiridas de outras regiões e, também à produção de poucas mudas, localizados, geralmente, nas proximidades das áreas do plantio.
Viveiros permanentes ou fixos – são aqueles construídos para durar mais tempo, sendo utilizados para produção de mudas em quantidades maiores, principalmente visando à comercialização, doações sistemáticas ou reflorestamentos de grandes áreas alteradas.
3. O VIVEIRO.
O viveiro florestal do Complexo eólico Ventos de São Clemente foi projetado inicialmente para ser provisório, pois, o objetivo era adquirir mudas de fornecedores legalizados, para o replantio das áreas do PRAD (plano de recuperação de áreas degradadas) do empreendimento. Entretanto, devido à falta de uma maior diversidade de espécies encontradas no mercado produtor, ficou definido produzir mudas de maior valor ecológico, transformando esse viveiro temporário, também, num viveiro permanente. Sendo um centro produtor e distribuidor de mudas para as comunidades da região, que tenham interesse em replantar áreas desprovidas de vegetação em suas propriedades.
É importante ressaltar que no caso de instalação de um viveiro permanente, todos os procedimentos com relação à produção e à comercialização de sementes e mudas deverão obedecer à Lei n° 10.711, de 5 de agosto de 2003, regulamentada pelo Decreto n° 5.153, de 23 de julho de 2004, publicados no Diário Oficial da União. Devendo ser licenciado no órgão ambiental estadual e registrado no Ministério da Agricultura – MA.
Se o objetivo do viveiro for a de comercializar sementes e mudas, esse deverá ter um cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) do MA. Contudo, nesta fase, foi requisitado apenas o Licenciamento no órgão ambiental do viveiro do Complexo.
4. ESCOLHA DO LOCAL.
O local da construção de um viveiro deve ser levado em consideração uma análise cautelosa de diferentes aspectos do ambiente. Deve-se considerar a área com as seguintes características:
Inclinação do terreno: deve ser levemente inclinado. A fim de evitar acúmulo de água das chuvas.
Drenagem: o solo deve oferecer boa drenagem, devem-se evitar solos pedregosos ou muito argilosos.
Fonte de água: boa disponibilidade de fonte de água limpa e permanente. Proximidade das áreas de plantio: quando o viveiro é temporário, e as mudas são direcionadas para a recuperação de áreas.
Orientação geográfica: o maior comprimento do viveiro deve ficar no sentido do sol nascente. O que garantirá ambientes totalmente ensolarados na maior parte do tempo.
Proteção das mudas: o local deve ser cercado para evitar a entrada de animais, que deverá servir para a proteção das mudas, das sementeiras, dos sombrites e demais instalações do viveiro.
5. CONSTRUÇÃO DOS CANTEIROS.
Canteiro é um local onde são acondicionados os recipientes (sacos
plásticos e/ou tubetes, garrafas PET, etc) com as mudas.
Os canteiros devem ter aproximadamente 1 m de largura, com um comprimento que depende do espaço disponível e, do tamanho dos recipientes que serão utilizados, dispostos perpendicularmente à linha do declive do terreno, figura 1.
A distância entre os canteiros deve ser no mínimo de 50 cm, para facilitar a movimentação de trabalho com carrinho de mão e das pessoas.
6. SUBSTRATO.
Substrato é todo material sólido natural ou residual, de natureza mineral ou orgânica, que pode ser utilizado puro ou em misturas para o cultivo intensivo de plantas, em substituição total ou parcial ao solo natural. Na formulação de substratos geralmente se utiliza um componente mineral: (terra de subsolo retirada a 30 cm de profundidade e/ou terra
vegetal) e, um ou mais componentes orgânicos, que podem ser inertes
(casca de arroz, fibra de coco e/ou barro) ou biologicamente ativos (composto orgânico, esterco curtido de gado, húmus de minhoca).
A mistura (figura 2) deve ser bem revolvida até que o substrato adquira uma aparência homogênea, sendo numa proporção de 60% de terra, 20% de barro e 20% de adubo.
7. RECIPIENTE.
Recipiente é uma estrutura física utilizada para o acondicionamento de qualquer substrato para o cultivo de plantas, podendo englobar desde a germinação das sementes, crescimento das mudas até a comercialização final da muda pronta.
De uma maneira geral, os tamanhos dos recipientes tem o objetivo de disponibilizar um maior volume possível de solo às raízes, mas que seja reduzido seu peso e, de fácil transporte.
Os recipientes mais utilizados são os sacos plásticos de polietileno negro (figura 3 ).
8. COLETA DAS SEMENTES.
No bioma da Caatinga podem ser encontradas espécies para a coleta de sementes durante todo o ano, tanto na época seca quanto na época chuvosa. Contudo, os meses de junho a agosto apresentam o menor número de espécies com frutos maduros.
A coleta de sementes de boa qualidade deve ser realizada em árvores adultas, vigorosas, com copa sadia e, que não apresentem sinais evidentes de ataque de pragas e doenças. Essa coleta de frutos e sementes poderá ser feita no chão ou na própria árvore, dependendo da espécie e do tipo de fruto. Uma boa colheita é aquela em que não se danificam o tronco e os ramos das árvores que contem os frutos ainda jovens, assegurando a continuidade e a qualidade das produções futuras.
9. BENEFICIAMENTO DAS SEMENTES.
O beneficiamento consiste em retirar as sementes dos frutos e limpá-los, através de diferentes processos, que podem variar, principalmente, de acordo com o tipo de fruto e a consistência das sementes.
As sementes devem ser retiradas dos frutos logo após a coleta, mas na grande maioria, frutos secos rompem-se sozinhos, naturalmente, muitas vezes na própria árvore, sem a necessidade de força externa. Já os frutos carnosos, os que possuem polpa, podem ser despolpados manualmente em água corrente com auxílio de uma peneira (figura 4) ou mesmo por raspagem ou fermentação.
Recomenda-se, que após o despolpamento e limpeza das impurezas, as sementes sejam deixadas à sombra e em local ventilado até que fiquem secas ao toque.
Figura 4. Beneficiamento de sementes com água corrente e peneira.
Para uma semente poder germinar, é necessária a contribuição de vários fatores internos (condições da própria semente) e externos (condições do
meio ambiente). Os fatores internos são, por exemplo: as sementes
devem estar maduras e inteiras. No meio ambiente, as sementes precisam encontrar níveis adequados de oxigênio, temperatura, umidade e, às vezes, muita luminosidade.
No entanto, muitas sementes não germinam, mesmo que as condições internas e externas sejam adequadas. Nesse caso, diz-se que elas se encontram em estado de dormência.
10. ARMAZENAMENTO DAS SEMENTES.
As sementes só devem ser armazenadas, caso não passem pelos tratamentos pré-germinativos. Devendo ser limpas, selecionadas e colocadas em recipientes que diminuam ou bloqueiem a troca de água com o ambiente, e armazenadas em local sombreado e ventilado. Os recipientes poder ser: latas, vasilhas plásticas (garrafa-pet), sacos de papel impermeável, e, em vidro (figuras 5 a 8).
11. TRATAMENTOS PRÉ-GERMINATIVOS.
As sementes de algumas espécies florestais apresentam um mecanismo denominado de dormência, ou seja, quando são semeadas, mas não germinam ou o fazem irregularmente.
Nota.1: Dormência é a condição na qual a semente não germina durante certo tempo. A
dormência deve ser interrompida por um processo denominado “quebra de dormência”, que torna a semente apta a germinar.
Nestes casos é preciso superar a dormência através de tratamentos pré-germinativos, para que as sementes germinem em maior número e em menor tempo.
Independente do tratamento pré-germinativo adotado, é de extrema importância não comprometer o ‘hilo’ da semente.
Nota.2: Hilo: cicatriz deixada pelo pendúculo que conecta a semente com a placenta.
Será por essa cicatriz da semente (desenhos 1 e 2), que o embrião irá emitir as primeiras folhas da planta.
Existem vários tipos de tratamentos, porém os mais comuns são:
11.1 Escarificação mecânica: Método que consiste em atritar as
sementes contra uma superfície áspera (lixa ou piso de cimento grosso), ou, fazendo um pequeno corte na superfície da semente com auxílio de uma tesoura de poda (figuras 9 e10).
Figuras 9 e 10. Escarificação mecânica no chão ou com tesoura de poda.
11.2 Escarificação química: A quebra da dormência por esse método é
realizada por produtos químicos, como o ácido sulfúrico.
Dependendo da dureza da semente, o tempo de imersão no ácido sulfúrico poderá ser de 5, 15, 30 ou até 60 minutos (figuras 11 e 12).
Figuras 11 e 12. . Escarificação química realizada por 15 e 30 minutos.
11.3 Embebição em água: Esse método consiste em colocar as
sementes em água, (figuras 13 e 14), à temperatura ambiente e deixá-las até perceber que estão ‘inchadas’. Pode levar minutos, horas ou dias, dependendo da dureza da semente.
11.4 Imersão em água fervente: Método que se utiliza de água
fervente para quebrar a dormência da semente. Após a água ferver a 100°C (figura 15), apaga-se o fogo, e colocam-se as sementes num recipiente por 24 horas antes de realizar a semeadura.
Figura 15. . Imersão das sementes em água fervida a 100°C.
11.5 Pré-resfriamento: Neste método é realizado um choque térmico
nas sementes. Utilizando tratamento alternado de água quente e fria por no máximo 5 minutos cada imersão das sementes.
Esse tratamento é realizado por até 4 (quatro) vezes e, logo em seguida, as sementes são colocadas para secar a sombra, sendo semeadas no dia seguinte.
12. PRODUZINDO AS MUDAS.
Após seguir todos os cuidados com as sementes, descritas neste manual, é hora de começar a produzir as mudas.
CONHECENDO CADA ESPÉCIE ANTES DE PRODUZIR. 12.1 ANGICO.
Nomes populares: angico, angico-branco, angico-vermelho. Nome científico: Anadenathera colubrina (Vell.) Brenan. (figuras
16 a 18)
Família botânica: Fabaceae (Mimosoideae).
Coleta e armazenamento das sementes: As sementes de angico possuem baixa viabilidade de longevidade. Logo após a abertura dos frutos, realizar a colheitas das sementes, limpar e armazená-las em sacos de papel impermeável ou recipiente de vidro.
Taxa de germinação: As sementes de angico possuem 95% de germinação, quando semeadas logo após a colheita.
Tratamento pré-germinativo: As sementes não exigem nenhum tipo de tratamento, apresentando inicio de germinação com até 2 (dois) dias após a semeadura.
Produção das mudas: Após a limpeza das sementes, enterra-se em cada recipiente (saco plástico), apenas uma semente, com uma
12.2 CATINGUEIRA
Nomes populares: catingueira, catinga de porco.
Nome científico: Caesalpinia pyramidalis Tul. (figuras 19 a 21) Família botânica: Fabaceae (Caesalpinoideae).
Coleta e armazenamento das sementes: As sementes devem ser coletadas na planta, quando a vargem apresentar uma coloração marrom. Taxa de germinação: As sementes da catingueira apresentam uma taxa de germinação entorno de 95%, quando coletadas e beneficiadas no período correto.
Tratamento pré-germinativo: As sementes devem ser escarificadas numa superfície áspera ou numa lixa n° 20.
Produção das mudas: Depois da escarificação mecânica, as sementes podem ser semeadas, uma por saquinho, numa profundidade de 5 cm, irrigando-a em seguida, duas vezes por dia, sendo uma pela manhã e outra no final da tarde, até o início da germinação.
12.3 MULUNGU.
Nomes populares: mulungu, amêndoa-dos-andes, cuiarana. Nome científico: Erythrina mulungu Mart. ex Benth (figuras 22 a
24)
Família botânica: Fabaceae (Faboideae).
Coleta e armazenamento das sementes: As sementes podem ser coletadas diretamente no chão, quando as vargens se abrem e soltam as sementes. Deverão ser plantadas tão logo que sejam colhidas para não perder seu potencial germinativo.
Taxa de germinação: As sementes do mulungu apresentam uma taxa de germinação entorno de 90%, quando coletadas e semeadas em seguida.
Tratamento pré-germinativo: A semente requer o tratamento de embebição em água na temperatura ambiente, por aproximadamente 3 horas, após uma ligeira lixada em chão áspero ou lixa n° 20.
Produção das mudas: As sementes podem ser semeadas, uma por saquinho, numa profundidade de 5 cm, irrigando-a em seguida, duas vezes por dia.
12.4 PAU-FERRO.
Nomes populares: jucá, pau-ferro, Ibirá.
Nome científico: Caesalpinia ferrea (Benth) Ducke. (figuras 25 a
27)
Família botânica: Fabaceae (Papilionoideae).
Coleta e armazenamento das sementes: As sementes podem ser coletadas diretamente no chão quando os frutos caem e, em seguida realizada a extração das sementes, com auxílio de um martelo.
Taxa de germinação: As sementes do pau-ferro por terem um alto grau de dureza e estar dentro dos frutos, sua taxa de germinação são extremamente baixas, mas a viabilidade é alta, podendo ser armazenada por períodos longos em recipientes apropriados.
Tratamento pré-germinativo: A semente requer o tratamento de escarificação química com ácido sulfúrico (HSO–98%), por trinta minutos ou, uma escarificação mecânica com lixa n° 100, sendo embebida em água por 4 horas, antes de serem semeadas.
Produção das mudas: As sementes podem ser semeadas, uma por saquinho, numa profundidade de 5 cm, irrigando-a em seguida, duas vezes por dia.
12.5 TAMBORIL.
Nomes populares: orelha de negro, timbauva.
Nome científico: Enterolobium contortisiliquum (Vell.). (figuras 28
a30)
Família botânica: Fabaceae (Mimosoideae).
Coleta e armazenamento das sementes: Como não ocorre a abertura dos frutos, essas podem ser coletadas diretamente na árvore ou no chão, para a extração das sementes.
Taxa de germinação: As sementes do tamboril tem elevada viabilidade, podendo ser armazenada em recipientes, por longos períodos. Possui uma taxa de germinação variando, de acordo com a escarificação a ser utilizada, que vai de 65% até 98%.
Tratamento pré-germinativo: Como as sementes apresentam um grau elevado de dureza, é recomendado a escarificação com lixa n° 100 e/ou a escarificação química com ácido sulfúrico por 15 minutos.
Produção das mudas: As sementes devem ser semeadas, uma por saquinho, numa profundidade de 5 cm, irrigando-a em seguida, duas vezes por dia, até o início da germinação.
13. COMO REALIZAR A SEMEADURA.
Na semeadura é preciso um cuidado especial com as sementes muito pequenas. Ela deve ser feita diretamente nos saquinhos (figuras 31 a 34), usando-se apenas uma semente por cada saquinho, a uma profundidade de 1 - 5 cm. E, logo em seguida, deve-se colocar uma fina camada de substrato por cima da semente e molhar todo o canteiro até que estes fiquem saturados de água.
14. ESPÉCIES E SEUS TRATAMENTOS GERMINATIVOS.
Foram conduzidos seis tratamentos pré-germinativos realizados em laboratório da Biosfera e no viveiro do Complexo eólico de São Clemente.
Nestes, utilizamos as sementes de: Angico, Aroeira, Braúna, Catanduva, Catingueira, Copaíba, Cumaru, Craibeira, Espinheiro, Ipê rosa, Jatobá, Juazeiro, Jurema-preta, Mororó, Mulungu, Pau-ferro, Tamboril, Sabiá, Sabonete e Pereiro, dispostas em bandejas de polipropileno branca, experimentamos 30 sementes de cada espécie, submetidas aos tratamentos pré-germinativos:
T1 – testemunha (sem tratamento algum);
T2 - escarificação mecânica na extremidade oposta ao hilo com lixa de
madeira n° 20, 50 e 100;
T3 - escarificação química (ácido sulfúrico com 15 e 30 minutos); T4 - imersão em água a temperatura ambiente por 24 e 48 horas, T5 - tratamento térmico com imersão em água a 100°C por 2 minutos,
e;
T6 – Imersão a água a 80°C e água a temperatura ambiente por 5
minutos, repetido por 4 vezes.
A tabela 1 a seguir, apresentamos algumas espécies e seus respectivos tratamentos pré-germinativos mais eficientes:
Código número: 1 – Escarificação mecânica; 2 – Escarificação química; 3 – Embebição em água; 4 – Imersão em água fervente; 5 – Pré-resfriamento; 6 –
Sem tratamento.
Nome comum Nome científico Fam. Botânica Trat. (Cód. n°)
Aroeira Myracrodruon urundeuva Allemão. Anacardiaceae 6. Braúna Schinopsis brasiliensis Engl. Anacardiaceae 1 e 5. Catanduva Piptadenia moniliformis Benth. Mimosoideae 1 ou 2. Copaíba Copaifera langsdorffii Desf. Caesalpinioideae 1. Cumaru Amburana cearensis (Allem.) A.C.Smith Papilionoideae 6. Craibeira Tabebuia aurea (Silva Manso) Benth. Bignoniaceae 5.
Espinheiro Acacia glomerosa Benth. Mimosoideae 6.
Ipê-rosa Tabebuia impetiginosa (Martius). Bignoniaceae 5.
Jatobá Hymenaea courbaril L. Caesalpinioideae 1.
Juazeiro Ziziphus joazeiro Martius. Rhamnaceae 2.
Jurema-preta Mimosa tenuiflora (Mart.) Benth Mimosoideae 2 ou 4
Mororó Bauhinia ungulata L. Caesalpinioideae 1 e 3.
Sabiá Mimosa caesalpinifolia Benth. Mimosoideae 4.
Sabonete Sapindus saponaria L. Sapindaceae 1 e 3.
15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CONSULTADAS.
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ALVES, J. J. A.; ARAÚJO, M. A.; NASCIMENTO, S. S. Degradação da
Caatinga: Uma Investigação Eco geográfica. Caminhos da Geografia, Uberlândia, v. 9, n. 27, p. 143-155, set. 2007.
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