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JULIO PINTO - 1,2,3 da Semiótica

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(1)

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Julio

Julio

  Pinto

  Pinto

d

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a

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 Semiótica

 Semiótica

.Júlio

.Júlio  Pint:o  Pint:o

Belo

Belo  Horizonte  Horizonte

Editora

Editora  UFMG  UFMG

1995

1995

(4)

1

1,, 22,, 33 ddaa iót:icaiót:ica

Copyright

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© © 

 1995 by Julio Pinto

 1995 by Julio Pinto

Este livro,

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 dele,

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 autoriz

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ita do

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Edi

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tor

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Projeto gráfico e capa: Ready Made Multimídia e Comunicação

Projeto gráfico e capa: Ready Made Multimídia e Comunicação

Editoração de texto: Ana Maria de Moraes

Editoração de texto: Ana Maria de Moraes

Formatação:

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Cés

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ar de

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Almeida Corr

Almeida Corr

eia

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Editora UFMG

Editora UFMG

Av.

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Antôni

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o Carl

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os, 66

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27

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31

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27

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0-

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90

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1

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Belo Hori

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zonte

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/MG

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Te!

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.: (031)

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448-1438 /

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448

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-13

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54

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Fax

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:

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(03

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1)

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443

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-68

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03

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UNIVERSIDADE

UNIVERSIDADE FEDERALFEDERAL

DE

DE

MINASMINASGERAISGERAIS

Reitor: Tomaz Aroldo da Mota Santos

Reitor: Tomaz Aroldo da Mota Santos

Vice-Reitor:Jacyntho

Vice-Reitor:Jacyntho

JoséJosé

 LinsBrandão

 LinsBrandão

Conselho

Conselho

Edi

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tor

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ial:

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Ana

Ana

 Mar

 Mar

ia

ia

de Mo

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raes,

raes,

Ânge

Ânge

lo Barb

lo Barb

osa M.

osa M.

Macha

Macha

do,

do,

Beatriz Alvarenga Álvares, Geraldo Norberto Chaves Sgarbi, Heitor

Beatriz Alvarenga Álvares, Geraldo Norberto Chaves Sgarbi, Heitor

Capuzzo

Capuzzo

 Pilho.joaquim Pilho.joaquim

CarlosSalgado, Manoel Otávio

CarlosSalgado, Manoel Otávio

dada

Cos

Cos

ta

ta

Roc

Roc

ha,

ha,

Pau

Pau

lo Bernardo

lo Bernardo

Vaz

Vaz

,

,

SôniaSônia

 Queiroz

 Queiroz

(Pres

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idente

idente

), Wander

), Wander

Melo

Melo

Miranda.Miranda.

Ficha Catalográfica

Ficha Catalográfica

P 659

P 659

Pinto,Julio

Pinto,Julio

1,2,3

1,2,3

da semiótica / Julio Pinto. - Belo Horizonte:

da semiótica / Julio Pinto. - Belo Horizonte:

Editora UFM

Editora UFM

G,

G,

199

199

5.

5.

70 p.

70 p.

1.

1.

 Semiótica.

 Semiótica.

I.I.

 Titule.

 Titule.

c.D.U.003

c.D.U.003

Elaborada

Elaborada

.

.

pela Divisão

pela Divisão

 d dee

 Planejamento e Divulgação da Biblioteca

 Planejamento e Divulgação da Biblioteca

Universitária.

Universitária.

ISB

ISB

N:

N:

85-7041-098

85-7041-098

-0

-0

e e

(5)

The universe is a perfusion ofsigns.

 Man Js

  trutb is neverabsolute

because the basis of Fact is hypothesis.

Charles S.  Peirce

(6)

NOTA INTRODUTÓRIA

:

09

GUIA DE CONSULTA AOS VERBETES

11

VERBETES

13

Abdução, Indução,

 Dedução

13

Argumento

16

Categorias

17

Degenerescência

19

Dicissigno

21

Erro

22

Ícone

24

Imagem

26

Índice

28

Interpretante

29

Interpretante dinâmico

30

Interpretante final

31

Interpretante imediato

32

Legissigno

33

Lógica

do

 vago

34

Objeto

37

Objeto dinâmico

39

Objeto imediato

40

Primeiridade

41

Qualissigno

"

43

Rema

44

Réplica

:

45

Representâmen

."

46

Secundidade

:

47

Semiose

49

Signo

50

1, 2, 3 da  SeRliót:ica

u

R

o

(7)

.Júlio Pint:o Símbolo 54

Sinsigno

56

Terceiridade

57

Tricotomia

59

SUGESTÕES DE LEITURA

61

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

63

(8)

1, 2, 3 da

NO

I

I

N

T O D U T

Ó

Este livro  surgiu

de

uma  lacuna. No   decorrer de meu

trabalho c om Semiótica, vi-me, não raro, às voltas com certas demandas de   alunos,   colegas e   associados de   pesquisa, concernentes a   explicações   sobre a   terminologia   própria da   área  que, ao   mesmo   tempo,   propiciassem um   esboço geral da   teoria.   Procurei,   assim,   elaborar   um texto

que

pudesse dar   acesso rápido

aos

  termos

  específicos de

Semiótica   sem, com   isso, trivializar   conceitos ou   pecar

por

esquematização.

É importante  frisar   que não  se trata de um dicionário,

apesar

de

  estar   organizado

em

  verbetes, e

nem

de

um

tratado  geral,   embora às   vezes   procure esmiuçar um

ou

outro conceito central de maneira um pouco mais   profunda.

Procurei  fazer   com que os   verbetes fossem suficientemente explicativos, ma s não a   ponto de   dar ao  leitor a  ilusão de que   poderia dispensar os   textos   de Semiótica a que  eles se

referem,  Trata-se de

um

  livro _de   consulta  rápida,  algo

que

se te m ao   lado no  momento da   leitura de   outros trabalhos que   utilizem   esses  conceitos, algo a que se   pode   recorrer para esclarecimento.

Este é,  portanto, um  operador   de leitura.   Dado   esse

propósito umtanto propedêutico,   escolhi   privilegiar os

conceitos que   julgo   importantes   para a   compreensão dos

princípios gerais

da

  Semiótica, em   detrimento

de

  certos

detalhes e   refinamentos teóricos

que

  interessam mais aos

especialistas ja   seduzidos pelos tortuosos caminhos

da

semiose.

O  enfoque  central e  quase  exclusivo  deste texto é a semiótica de Charles   Sanders   Peirce (1839-1914)  pensador

americano cujas contribuições de  longo alcance aos estudos

de Lógica   (tanto   da Lógica Simbólica, de que foi um dos

iniciadores,  quanto   da Lógica Informal)   ainda estão

por

ser devidamente   avaliadas. A sua  semiótica  (semeiótica,  como ele preferia,   respeitando   as raízes   gregas

do

  termo) é, na

(9)

o

.Júlio  Pinto

verdade, um a   teoria do s   signos

e

da   representação que efetua um a   extensão da

 Lógica

  para

 os limites da

  cognição

e da

  experiência do s   fenômenos.

É,

por

 isso,

  também uma

teoria

 d o conhecimento, além

 de

  propor novos   insights sobre questões

 referentes

à

 significação e

à  produção de  sentido.

A semiótica de Peirce

 é

uma resposta

 ao

  repto lançado po r

  Locke no

seu  Ensaio sobre

o

  Entendimento Humano,

a

saber,

que uma

 lógica da significação, a se

 chamar

 Semiótica,

deveria ser elaborada.

 Não se trata,

  portanto, de um a

 teoria

de

 extração lingüística associada ao

  pensamento

 serniológico,

na tradição de Saussure,

 embora tenha com

 ele muitos

 pontos de   contacto.

  Caracteriza-se,

  principalmente, por nã o se r logocêntrica: não   aplica

os

  códigos verbais aos   demais domínios

 da significação. Ao contrário, Peirce vê os

  signos

verbais

  corno um   subconjunto

das

  manifestações

  sígnicas.

Isso

  tornou

 possível -

  como  hoje

já se faz - o

  estudo

da

zoosserniose

e

da   fítossemiose, em   bases   diferentes da

lingüística.

O

  pensamento

  semiótico de Peirce se faz

  sobre uma

lógica ternária - urna

  outra diferença

da

  tradição

 francesa,

assentada

no

  bínarísmo

  da relação

  entre um

 significante e

um

 significado -

que   chegou

a

  seduzir  pensadores   corno Derrida

  e Lacan. A

  partir da s   noções de   primeiridade, secundidade

 e terceiridade (as três categorias

 d a experiência para ele)

 Peirce

  demonstra

o

  caráter

 triádico da relação

de representação

e

  propõe

a

  noção

  de semiose: a

  geração

de

signos por outros

 signos. Daí o título 1, 2,

3

da  Semiótica.

Uma

  outra

 razão justifica

  este

  livro. A

 obra de

 Peirce

publicada nos   Estados   Unidos   soma   cerca de   doze

mil

páginas

  impressas, e

  seus

  manuscritos

  conhecidos chegam

a

 aproximadamente oitenta

 mil páginas. Sua

  obra  completa,

portanto,

 teria

 cerca

 de

cem  volumes

de

  quinhentas  páginas

cada. Existem

no

 Brasil

  apenas duas   traduções de   excertos dos   excertos publicados em

  inglês. O 1, 2,

3  da Semiôtica

seria, assim,

um  esforço  somado

ao

de   dois ou

  três

  outros

semioticistas brasileiros, no

  sentido

de

  divulgar um a   obra

cujo.

  alcance   ainda nã o  chegou

a

ser   vislumbrado

  e cuja

importância   para

os

  estudos de   comunicação,

  literatura,

lingüística, psicanálise, artes e ciências sociais se faz

  sentir

mais e mais.

(10)

1, 2, 3 da iót:ica

CONSULTA

Em cada verbete, os assuntos correlatos estão indicados

em  caracteres  itálicos   seguidos de   (v.).   Este   código  indica

que há um   verbete   também   para aquele  assunto.  Quando

há  referência  bibliográfica,   esta   é feita no   texto  através

do

nome

do

 autor enl caixa alta,  seguida

do

ano de   publicação

do  volume e   número   da(s)  página(s). A  citação, através da data de   publicação,   facilita a   localização da   referência

completa ao fím do  livro,

que

  está  listada por  autor e ano

de   publicação.

As  duas   exceções a   essa   nornla  referem-se a  duas

publicações da   obra de   Peirce, nos   Estados   Unidos. Os

Collected Papers, em

  oito volumes,   estão   organizados em

parágrafos numerados. De acordo com a  maneira tradicional

de  citação  dos estudos   peirceanos, usam-se   as letras CP,

seguidas

do

  núrnero do volume e o  número

do

  parágrafo.

Assim, CP 2.228  refere-se ao  parágrafo 228 do   volume 2,

do s

  Collected Papers.

Ainda de   acordo com a   prática dos   estudiosos da

obra

de

  Peirce, a   edição   cronológica

  d e s e u s

  escritos

(programa em   andamento

no

  Peirce Edition  Project,

em

Indiana)  está  citada  corno

  Writings,

  seguida

do

  número do

volume em  algarismos romanos e o   número dats)  página(s)

em  algarismos   arábicos.

Há   também, no fim do  volume, um  índice   remissivo

de  assuntos. O   código  adotado   para o   índice é o  seguinte:

• s e o   assunto tem um   verbete   próprio, ao  título do

verbete   segue-se o   número da   página   onde   encontrá-lo,

seguido da   indicação de   outros   verbetes,  separados

por

ponto  e vírgula,   onde   também se  discute ou se   menciona o

assunto.   Essa  indicação é   precedida pela   expressão

ver

também;

• se o   assunto não tem um  verbete   próprio, ma s tem

e

(11)

1 2

.Júlio   Pinto

importância suficiente para justificar su a presença no índice,

apenas o   verbete onde  encontrá-lo. Se há   dois ou

mais   verbetes,   estes vêm   separados  por ponto  e vírgula.

No  corpo do  texto, ao   lado de   cada  verbete, há um  campo em que  se listam  esses   assuntos de   acordo com a   remessa feita no índice.

(12)

1, 2, 3 da  SeRliõt:ica

V

R

B

I

ABDUCÃO, INDUCÃO,

Embora não amplamente reconhecido nos meios científicos,

o conceito de

  alxtução

-

em contraste com a

  indução

e a

-

tem importante papel na lógica, tal corno Peirce a

propõe.   Nos escritos de Peirce,   esse tipo   de inferência é

alternativamente   chamado   de retrodução, hipótese, inferência

hipotética e abdução, e seu  papel é vital no sentido de que a

inferência hipotética é a responsável pela

Muitas vezes considerada pelos estudiosos de lógica como

um tipo de indução, a abdução recebe de Peirce un1 tratamento

especial e é considerada à parte por se tratar do mecanismo pelo

qual hipóteses são formuladas e teorias são criadas. Poder-se-ia

dizer que a inferência hipotética é "um argumento que supõe que

um termo que   necessariamente envolve

Un1

  certo número de

caracteres... pode  ser predicado de qualquer objeto que possua

aqueles caracteres"

  (Writings,   1I:48),

  ou ainda, "urna

 afirmação

categórica de algo ainda não experimentado"

1:267).

 A

inferência hipotética nos capacita a formular urna previsão geral

sem que tenhamos a garantia de um resultado correto.

Un1 dos exemplos mais famosos que Peirce dá dos três

tipos de inferência, o da saca de feijões (encontrado em CP

 2.623)

toma bastante clara a distinção entre a abdução e os outros dois

tipos de inferência:

 Dedução

Todos os feijões daquela saca são brancos.

Esses feijões são daquela saca.

Logo,   esses feijões são  brancos.

A PREVISÃO ,f i · ··· ii> Ii iI

 DfDUCÃO

dedução ó da descoberta. HIPÓTESE INFERÊNCIA HIPOTÉTIC LÓGICA  DA DESCOBERTA ERRO   r i t i n g ~ ~ . . ·.· I .. . . .. RETRO ÇÃO

(13)

Embora não amplamente reconhecido nos meios científicos,

o conceito de

  alxtução

-

em contraste com a

  indução

e a

-

tem importante papel na lógica, tal corno Peirce a

propõe.   Nos escritos de Peirce,   esse tipo   de inferência é

alternativamente   chamado   de retrodução, hipótese, inferência

hipotética e abdução, e seu  papel é vital no sentido de que a

inferência hipotética é a responsável pela

da descoberta.

Muitas vezes considerada pelos estudiosos de lógica como

um tipo de indução, a abdução recebe de Peirce unl tratamento

especial e é considerada à parte por se tratar do mecanismo pelo

qual hipóteses são formuladas e teorias são criadas. Poder-se-ia

dizer que a inferência hipotética é "um argumento que supõe que

um termo que   necessariamente envolve um certo número de

caracteres... pode  ser predicado de qualquer objeto que possua

aqueles caracteres"

  (Writings,   1I:48),

  ou ainda, "urna

 afirmação

categórica de algo ainda não experimentado"

1:267).

A

inferência hipotética nos capacita a formular urna previsão geral

sem que tenhamos a garantia de um resultado correto.

Um dos exemplos mais famosos que Peirce dá dos três

tipos de inferência, o da saca de feijões (encontrado em CP 2.623)

toma bastante clara a distinção entre a abdução e os outros dois

tipos de inferência:

ABDUCÃO, INDUCÃO,

1, 2, 3 da  SeRliõt:ica

v

R

B

I

INFERÊNCIA HIPOTÉTIC A LÓGICA  DA DESCOBERTA ERRO PREVISÃO  Dedução

Todos os feijões daquela saca são brancos.

Esses feijões são daquela saca.

Logo,   esses feijões são  brancos.

  ução

ó

  r i t i n g ~ ~

(14)

1 4

.Júlio Pint:o

 In dução

Esses feijões   são daquela   saca. Esses feijões sã o   brancos.

Logo,   todos   os feijões   daquela   saca são   brancos.

 Ab du çã o

Todos  os feijões   daquela   saca sã o   brancos. Esses feijões são   brancos.

Logo,   esses   feijões   são daquela   saca.

Vê-se,   logo   de início, que a  abdução   compartilha co m

a   dedução   o fato de ter a regra geral  como   premissa   inicial (todos os feijões, etc.). Entretanto, corn o a indução ela arrisca

um   palpite que  pode da r   errado.  Olhada   dessa   maneira, a

abdução  está,   portanto,   entre a  indução e a   dedução.

Contudo,   ela difere das   duas   t.amb é m   pela maior

possibilidade de   erro   implícita na   hipótese que  ela lança,

porque é   fácil   perceber   como   tanto a   indução   quanto a

dedução   estão baseadas na   experiência.

Portanto, a lógica nã o   pode se   basear   apenas   nesses

dois tipos de  inferência,   porque a  experiência  humana

sugere urna   maneira de se   derivar ou   manipular informações

que nã o é tão bem  definida, corno a   indução ou a  dedução,

mas   que, ainda   assim, é  responsável   pela   descoberta do

nã o   conhecido . O   caráter de   previsão da   abdução é, por

isso, mais  marcante. Há   nela  urna certa audácia que as  outras

inferências   não apresentam   (cf. SEBEOK,1983).

Dos   tipos  possíveisde inferência,   portanto, a  abdução

constitui o único que  se projeta  para  o futuro, já que tanto a

dedução quanto a   indução d izern do   passado, do já

conhecido, na   medida em que se   referem à   experiência.

Corno palpites, os   processos abdutivos podem  levar a  erros

(v.  erro), mas a falibilidade de urna   hipótese nã o  quer  dizer

qu e a   abdução   seja u m   processo de   ensaio e   erro.

Fundanlentalnlente, o qu e   acontece é que   urna   hipótese é

formulada  com base na   experiência,   através da   escolha de um   interpretante  (v.)   logicamente   possível   para os   signos

(v.) que se   oferecem à  observação.

A   inferência   abdutiva é,   portanto, um   palpite

razoavelmente be m  fundamentado   acerca de uma  semiose

(15)

1, 2, 3 da  SeRliót:ica

dedução,   a fim de que se   chegue a um a  inferência indutiva

sobre o   universo   representado por aquela  serniose  (PINTO,

1989:106).  Enquanto  previsão, a   inferência   hipotética se

insere na   tercei ridade   (v.) mas,   corno é um at o de   insight 

que "se   nos apresenta   corno um flash   de luz" (CP 5.181), é

um terceiro com  teor  de primeiro, principalmente,  também,

em virtude de seu  caráter essencialmente remático (v.  remai.

Assim, a  abdução   apresenta-se   no esquema   triádico da

experiência no  nível de  primeiridade  (v.) em  relação aos

dois  outros  tipos   de inferência,   ainda que  os três   processos,

por   envolverem   atividade   sígnica,  sejam da   ordem do

terceiro.

(16)

1 6

PROPOSIÇÃO SUADISSIGNO FCNÇÃO PROPOSICIONAL .Júlio  Pint:o

Terceiro

 termo

  da terceira  tricotomia  (v.)

dos

 signos,

a

que apresenta

o

 signo

 e m

sua

 relação

 con1 o  interpretante

o

 argumento

é

 definido

por

 Peirce

 como um signo

que

é

  representado

em

seu

  interpretante,

não   como   signo

do

interpretante, mas

  como se fosse

 um

 signo

 d o

 interpretante.

Dizendo

  isso

  de outra

  forma,

o

  argumento

  seria

uma

proposição

  complexa   apresentada   corno   verdadeira, com

base

ern

  urna

  outra   proposição

(ou

  um conjunto de

proposições apresentadas numa única proposição

 composta).

Se o  rema  (v.) é

 urna

 função  proposicional,

do

 tipo

x

am ay, e o dicissigno  (v.) un1a

 proposição

 como

 Maria am a

 João, o

  argumento

  seria

 uma proposição

 como

  Maria ama

[oão porque faz tudo por ele,

 po r exemplo.   Pode-se também

definir

o

  argumento

  corno

um   signo complexo,   composto

de

  dois ou

  mais dicissignos,

um dos   quais

é

  interpretante

does)  outrots) (cf, RANSDELL,1983a:59).

 Dado seu parentesco

com

a

  noção de

  silogismo,

sua   evidente função   argumen

tativa e

  possibilidades

  retóricas,

o

  argumento

é

  também

chamado

 suadissigno (a

  partir

de

  persuadir   e dissuadir).

R

 R UMfNIO

(17)

1, 2, 3 da  SelTliót:ica

A

  triadicidade

que

  está

na

  base   de todo

o

  edifício

teórico

da

  semiótica

de

  Peirce

  parte

 da concepção de

que

a

  experiência

do   fenômeno

  apresenta

  três, e

  apenas

  três,

tipos

de   propriedades correspondentes

a

  categorias,

que

recebem

o

  nome de

  primeiridade (v.),  secundidade  (v.) e

terceiridade Cv.),

Entenda-se corno

 fenômeno

 qualquer coisa

que

se

  torne   manifesta

ou

  disponível

 para unl  observador.

Pode

ser

um

  objeto

no   mundo

  "real",

ou uma

  percepção,

um

 sentimento,

 uma sensação, urna

 abstração, enfim,

 qualquer

coisa   passível,

  ainda

que

  minimamente,

de   conhecimento

ou

  descrição.

O  signo

 (v.)

- e

  qualquer fenômeno

  pode

ser

um

 signo

-

não

é,  assim,

  necessariamente

  atribuível a

uma

 dada

 realidade.

En1

 inglês,

  essas categorias

  receberam

o

  nome

de

 firstness, secondness e  tbirdness e,

  dada

a

 liberalidade

com

que se usa

o

  sufixo

  -ness

em

  língua   inglesa,   talvez

sua

melhor   tradução   em português   devesse usar

urn

  sufixo

igualmente corrente,

o  -eza,

  para

 que

 urn registro

 semelhante

pudesse ser

 mantido. Além

do

  mais, os

  termos

  primeireza,

segundeza e   terceireza   evitar iam

as

  conotações

indesejáveis

que   surgem com

o

  sufixo

  -idade  (tais

  corno

laivos

 de

 hierarquia, idade, gradação, etc.)

e

 mantêm

a

 noção

de   qualidade

que

é o

que

  está

  implícito

em

  -ness.

Todavia,

a

  prática   generalizada

no

  Brasil

tem  sido

o

uso

do

  sufixo

  -idade e,

  apenas por

 essa razão,

  manteremos

aqui

  esse   sufixo.

É   importante   ressaltar que,   apesar de o   termo

categorias

 poder conduzir

o

  leitor

a

um

  tipo

de

  raciocínio

taxonôrnico ou,

no

  mínimo,   hierarquizado,

  esse

não

é o

que

se

  quer

  dizer. Na

 verdade,

não

  qualquer

 relação

de

hierarquia ou   prioridades   entre a pr

irne

ir idade , a

secundidade e a

  terceiridade.

As

  três

  estão  

simulta-neamente

  presentes

em   qualquer

  fenômeno,

e

  qualquer

delas

  pode

  estar   mais   manifesta

(ou

  ser selecionada

  pelo

observador)

a

  qualquer

  n10n1ento,

  dependendo do que

se

busca

 ao

 se

 pensar, estudar,

 examinar, sentir,

 sonhar, imaginar

ou

  perceber

o

  fenômeno.

Afirmar

que

as

  categorias   constituem

o

  fundamento

 RA77 0N IS   EN SR EA LE  LÓGICA VAGO SECLNDIDADE TERCEI DE PROPOSIÇÃO

17

lEGORI P R I ~ v E I R I D D E RI

(18)

.Júlio Pint:o

semiótica é o mesmo que dizer que elas foram o  primeiro

passo para   Peirce.   Depois de   desenvolvidas,   elas

propíclaram a   derivação das   formas   lógicas   (os tipos de

signos)   através de sua   aplicação   recursiva. A  noção de

categoria foi  desenvolvida conl  o finl de se  conseguir   unIa

base para um   método   capaz de   buscar quaisquer

"concepções elementares  intermediárias  entre a pluralidade

da  substância e a   unidade do   ser"  (Writings,   II:5l). Em

termos  lógicos, a  substância é o  sujeito de  urna proposição,

e o ser é a  cópula. O que  está   entre a  proposição e a

cópula é o  predicado,  isto é, um   signo da   substância. Em

outras   palavras, e  olhada   dessa  forma, a  semiótica  seria

uma   teoria dos   predicados.

Dessa   maneira,  pode-se   dizer que  qualquer   entidade

(essa   palavra é  aqui usada enl seu sentido  mais antigo, que

compreende tanto o ens realequanto o ens rationis) apresenta

propriedades  passíveis de  descrição por meio de   predicados

monádicos (prirneiridade), diádicos (secundidade) e triádicos

(terceiridade). A  (Injdeterminabilidade do signo  está,  assim,

diretamcnte   ligada ao se u  modo de   descrição,   isto é, do

mais extenso (mónadas)  ao mais intenso (tríadas) (v. também

erro, lógica do vago e  signo).

(19)

1

1,, 2,2, 33 dada  SelTliót:ica  SelTliót:ica

Peirce

Peirce

 discute

 discute

 esse

 esse

 aspecto

 aspecto

  da relação sígnica a partir

  da relação sígnica a partir

d

doo   conceito  conceito dede   genuinidade  genuinidade   dentro  dentro dada   tríade  tríade

representacional.

representacional.

 Para ele (ver,

 Para ele (ver,

p

p

o

o

r

r

 exemplo,

 exemplo,

 PEIRCE,

 PEIRCE,

 1977:

 1977:

63

63

 et

 et

  seq.)

  seq.)

a

a

 relação

 relação

 triádica é

 triádica é

  genuína

  genuína

 se ela

 se ela

n

n

ã

ã

o

o

 consiste

 consiste

e

e

m

m

 nenhum

 nenhum

 complexo

 complexo

 de relações diádicas. Isso

 de relações diádicas. Isso

  quer

  quer

 dizer

 dizer

q

q

u

u

e

e

u

u

m

m

 primeiro

 primeiro

(

(

u

u

m

m

  signo,  signo,

v.)

v.)

 deve

 deve

 estar

 estar

 numa

 numa

 relação

 relação

tal

tal

c

c

o

o

m

m

 u

 u

m

m

 segundo

 segundo

 (seu

 (seu

  objeto,  objeto,

v.)

v.)

q

q

u

u

e

e

é

é

 capaz

 capaz

de

de

 determinar

 determinar

u

u

m

m

  terceiro

  terceiro

(

(

u

u

m

m

  interpretante,  interpretante,

v.)

v.)

q

q

u

u

e

e

  assuma

  assuma

a

a

  mesma

  mesma

relação triádica con1

relação triádica con1

s

s

e

e

u

u

  objeto, de

  objeto, de

  modo

  modo

a

a

 determinar

 determinar

u

u

m

m

segundo

segundo

  terceiro, e

  terceiro, e

 assim

 assim

p

p

o

o

r

r

 diante.

 diante.

En1

En1

 outras

 outras

  palavras,

  palavras,

u

u

m

m

  interpretante

  interpretante

  não deve

  não deve

se

se

colocar

colocar

  numa

  numa

  relação

  relação

  binária

  binária

c

c

o

o

m

m

o

o

  objeto,

  objeto,

  m

  m

as

as

si

si

m

m

t

t

e

e

r

r

c

c

o

o

m

m

 o

 o

 objeto

 objeto

 a

 a

 mesma

 mesma

 relação

 relação

 q

 q

u

u

e

e

 o

 o

 signo

 signo

 tem. Isso significa

 tem. Isso significa

q

q

u

u

e

e

u

u

m

m

  terceiro

  terceiro

  poderia

  poderia

  gerar

  gerar

u

u

m

m

  outro

  outro

  terceiro,

  terceiro,

na

na

medida

medida

em

em

q

q

u

u

e

e

a

a

  relação

  relação

 sígnica é

 sígnica é

u

u

m

m

a

a

 terceiridade terceiridade

 (v.).

 (v.).

Essa

Essa

  situação

  situação

faz

faz

c

c

o

o

m

m

q

q

u

u

e

e

os

os

  signos

  signos

  genuínos

  genuínos

  sejam

  sejam

apenas

apenas

os

os

  legissignos  legissignos

 (v.),

 (v.),

  simbolos  simbolos

  (v.) e

  (v.) e

  argumentos  argumentos

 (v.)

 (v.)

que são

que são

os

os

  genuinamente

  genuinamente

  terceiros nas

  terceiros nas

  tricotomias  tricotomias

(v.

(v.

).

).

As

As

demais

demais

  funções

  funções

  lógicas

  lógicas

(

(

os

os

  íc  ícononeses, , íníndidiceces, s, qualissigqualissignos,nos,

sinsignos,

sinsignos,   remas  remas

e

e

  dicissignos,  dicissignos,   lv.D  lv.D

  constituem

  constituem

  versões

  versões

degeneradas

degeneradas

d

d

o

o

s

s

  terceiros

  terceiros

  dentro

  dentro

d

d

e

e

  cada

  cada

  tric

  tric

otomia,

otomia,

de

de

v

v

e

e

z

z

qquuee

s

s

e

e

r

r

ii

a

a

r

r

n

n

  terceiridades  terceiridades qquuee pprr

iv

iv

i

i

l

l

e

e

g

g

i

i

a

a

r

r

i

i

a

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m

m

a

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 pr

 primimeieiriridadadede

 (v.), no

 (v.), no

  caso

  caso

d

d

o

o

s

s

 ícones, qualissignos e remas,

 ícones, qualissignos e remas,

ou

ou

a

a

  secundidade  secundidade

  (

  (

v.)

v.)

,

,

no

no

  caso

  caso

d

d

o

o

s

s

  sinsignos,

  sinsignos,

  índices

  índices

e

e

dicissignos. O privilégio da

dicissignos. O privilégio da

  primeiridade

  primeiridade

e

e

da

da

  secundidade

  secundidade

nesses casos é

nesses casos é

un

un

1

1

 resultado

 resultado

 necessário da aplicação recursiva

 necessário da aplicação recursiva

do

do

 conceito

 conceito

 d

 d

e

e

  categoria  categoria

 (v.)

 (v.)

à

à

 noção

 noção

 de signo,

 de signo,

 evidenciada

 evidenciada

inclusive no fato de o

inclusive no fato de o

  signo

  signo

se

se

r

r

 qualificado de primeiro, o

 qualificado de primeiro, o

objeto

objeto

d

d

e

e

  segundo

  segundo

e

e

o

o

  interpretante

  interpretante

d

d

e

e

 terceiro.

 terceiro.

Esse raciocínio leva

Esse raciocínio leva

à

à

  conclusão

  conclusão

de

de

q

q

u

u

e

e

n

n

ã

ã

o

o

há,

há,

p

p

o

o

r

r

exemplo, ícones

exemplo, ícones

  puros

  puros

(já

(já

q

q

u

u

e

e

a

a

  primeíridade

  primeíridade

é

é

  apenas

  apenas

virtual e

virtual e

 potencial)

 potencial)

o

o

u

u

  índices

  índices

 puros

 puros

 (porque

 (porque

a

a

 secundidade

 secundidade

constitui

constitui

um

um

a

a

  singularidade

  singularidade

e

e

  singulares

  singulares

n

n

ã

ã

o

o

  significam, a

  significam, a

menos

menos

q

q

u

u

e

e

 sejam

 sejam

  réplicas  réplicas

 lv.l

 lv.l

de urna

de urna

  abstração

  abstração

  reguladora

  reguladora

de

de

  caráter

  caráter

  geral,

  geral,

o

o

u

u

  seja,

  seja,

  d e u m

  d e u m

  terceiro).

  terceiro).

  Note-se,

  Note-se,

a

a

propósito,

propósito,

q

q

u

u

e

e

o

o

  termo

  termo

  degenerado  degenerado

n

n

ã

ã

o

o

  carrega

  carrega

u

u

m

m

conteúdo

conteúdo

 negativo

 negativo

,

,

  m

  m

a

a

s

s

refere-s

refere-s

e

e

  apenas

  apenas

à

à

  noção

  noção

d

d

e

e

  caso  caso

especial. especial. . . . . DIAGRAMA DIAGRAMA GENCINIDADE GENCINIDADE : : HIPOÍCONEHIPOÍCONE HIPOSSEMA HIPOSSEMA . . ÍCONE ÍCONE IMAGEM IMAGEM METÁFORA METÁFORA TERCEIRIDADE TERCEIRIDADE 1 9 1 9

DEGENERES ÊN I

DEGENERES ÊN I

 . .  . . ••• ••• ... ... :. :. ..:.. ..:..  .  . . ... .. .. .:. .:. :. :. RÉPLI RÉPLI

(20)

.Júli

.Júlio o Pint:oPint:o

Dessa maneira,

Dessa maneira,  quando  quando

  se diz

  se diz

qquuee  "nuvens  "nuvens  baixas  baixas

e

e

escuras

escuras ssããoo índice índice ddee

 chuva",

 chuva",

 recorre-se recorre-se

 a

 a

uummaa

 simplificação,

 simplificação,

de

de

vvezez qquuee ssóó

 se

 se

  chegou  chegou

a

a

 esse esse

 "índice" (a rigor,

 "índice" (a rigor,

uumm símbolo símbolo

indicial

indicial

  ou um  ou um  argumento  argumento  lv.D  lv.D após após

a

a

  constatação  constatação  repetida,  repetida,

e

e

  portanto,  portanto,   generalizada,  generalizada, ddee   várias  várias   instâncias  instâncias ddee   chuva  chuva

naquela

naquela  situação.  situação. PPoror

  i

  i

ss

ss

o,

o,

na

na

  verdade  verdade

 e ern

 e ern

  sentido  sentido

 estrito,

 estrito,

os

os

  termos  termos   ícone,  ícone,   índice,  índice,

  etc.,

  etc.,

ssããoo   recursos  recursos   telegráficos  telegráficos usados

usados nnoo  lugar  lugar

de

de

  signos icônicos  signos icônicos ouou  signos  signos  indiciais,  indiciais,

p

poorr  exemplo,  exemplo, eemm

se

se

  tratando,  tratando, bbeemm entendido, entendido,

de

de

  sinsignos,  sinsignos,

isto

isto

é,é,  manifestações  manifestações  perceptíveis  perceptíveis

de

de

  signos.  signos.

A

A

 recursividade recursividade ddoo  pensamento  pensamento  categórico  categórico  aplicado  aplicado

à

à

relação

relação

 sígnica leva Peirce a postular,

 sígnica leva Peirce a postular,

  dentro  dentro

 da

 da

  primeiridade,  primeiridade,

a

a

  noção  noção

de

de

  hipoícones  hipoícones  (Primeiro  (Primeiro ddoo

  Primeiro,

  Primeiro,

  Segundo  Segundo ddoo

Primeiro e

Primeiro e

  Terceiro  Terceiro ddoo

  Primeiro). Ass

  Primeiro). Ass

im

im

,

,

as

as

  imagens  imagens ssãoão

a

a

Primeira Prirneiridade,

Primeira Prirneiridade,

  porque  porque   "participam  "participam  das   das qualqualidadidadeses

simples"

simples"

ddooss   objetos  objetos

  (

  (

C

C

P

P

2.2

2.2

77)

77)

.

.

A

A

  Segunda  Segunda  Primeiridade  Primeiridade representa

representa

as

as

  relações  relações binárias binárias

de

de

  partes  partes ddee  objetos,  objetos,  através  através

de

de

  relações  relações  análogas entre  análogas entre  suas  suas

  partes: é o

  partes: é o

  caso  caso ddee  mapas  mapas

e

e

  diagramas.  diagramas.

A

A

  Terceira  Terceira  Primeiridade,  Primeiridade, qqueue   estaria  estaria   mais  mais

próxima

próxima

da

da

  noção  noção

de

de

  representação,  representação,  representa  representa

o

o

  caráter  caráter

representativo

representativo

 de

 de

uumm signo signo

 através de

 através de

  analogia  analogia ccoomm

 o

 o

  objeto  objeto

e seria o

e seria o

  campo  campo

  da metáfora.

  da metáfora.

Analogamente,

Analogamente, pode-se pode-se

 falar

 falar

eemm hipossemas hipossemas ouou  sub  sub

índices

índices

 (CP 2.284). Trata-se de

 (CP 2.284). Trata-se de

  signos  signos qquuee

 se

 se

  tornam  tornam índices índices e

emm virtude virtude

 de

 de

  uma conexão  uma conexão

 real

 real

oouu existencial existencial c coomm

 o

 o

 objeto. objeto.

É

É

o

o

  caso  caso

de

de

  nomes  nomes   própr  próprios, ios, demonstrademonstrativos,tivos,   pronomes  pronomes

relativos.

relativos.

  Dado  Dado nnããoo  serem  serem  singularidades,  singularidades, nnããoo ssããoo  índices  índices genuínos,

genuínos, mamass  funcionam  funcionam  corno  corno

  se o fossem. Estritamente

  se o fossem. Estritamente

falando,

falando,

sãsãoo  símbolos  símbolos

 indiciais.

 indiciais.

2

(21)

1

1,, 22,, 33 ddaa  SelTliót:ica  SelTliót:ica

DICISSIGNO

DICISSIGNO

Segundo

Segundo

  elemento da

  elemento da

  terceira

  terceira

  tricotomia   tricotomia 

  (v.)

  (v.)

do

do

s

s

signos (rema,

signos (rema,

  dicissigno,  dicissigno,

 argumento),

 argumento),

 aquela

 aquela

 q

 q

ue

ue

vê vê oo

 signo

 signo

em

em

su

su

a

a

  capacidade

  capacidade

d

d

e

e

  produzir

  produzir

  interpretantes

  interpretantes

ee

  em sua

  em sua

relação

relação

co

co

m

m

  e s s e s  e s s e s

  interpretantes,

  interpretantes,

oo

  dicissigno

  dicissigno

(o

(o

u

u

  signo

  signo

dicente)

dicente)

 pode

 pode

 ser

 ser

definido

definido

 conlO conlO

 aquele

 aquele

 signo

 signo

qu

qu

e

e

éé

  capaz

  capaz

de

de

se

se

r

r

  afirmado.

  afirmado.

  El  Ele e é,é,

  portanto,

  portanto,

  aquilo

  aquilo

qu

qu

e

e

sese

  entende

  entende

como

como

 proposição,

 proposição,

 isto é, isto é,

el

el

e

e

 contém

 contém

 elementos

 elementos

significatisignificativosvos

qu

qu

e

e

  indicam suficientemente

  indicam suficientemente

su

su

a

a

  referência,

  referência,

aoao

  contrário

  contrário

do

do

  rema  rema ((vv..)). . SSe oe o

  rema

  rema

éé

um

um

a

a

  função

  função

  proposicional,

  proposicional,

do

do

tipo

tipo

x x  aamma a y,y, oo

  dicissigno

  dicissigno

  preenche

  preenche

  a  as s incógnincógnitasitas  (Maria   (Maria 

am

amaa João), João),

  tornando-se

  tornando-se

  mais

  mais

  referencial

  referencial

  (cf.   (cf. RARANSNSDEDELLLL,,

1983a:

1983a:59-6ü)59-6ü). . (V(Verer

  também

  também

  argumento).  argumento).

DICENTE DICENTE PROPOSIÇÃO PROPOSIÇÃO

2

2

1

1

L

(22)

2 2

TELEOLOGIA VERDADE HIPÓTESE INDETERMINAÇÃO .Júlio Pint:o

Partindo

da

  definição

de

  signo

 (v.),

  conclui-se

que

a

semiose

  (v.),

por

ser

  urna

  cadeia

  infinita,

que

tem

  como

mola propulsora

  o fato

de

ser

um

  processo   teleológico,

tende

  para

um

  estádio

  em que

o

  signo

s e  tornaria

seu

objeto 

 (v.).   Isso seria o

que

 poderíamos chamar

 d e

 verdade

semiótica,

  isto

é,

  aquele momento

em que

o

  signo,

o

objeto

e o

  interpretante

(v.) se

  confundiriam, Logicamente,

dada

a

 natureza

 infinita

 do

 processo

 de

  semiose,

tal

 estádio

é

  apenas

  urna

 possibilidade

  teórica,

de

vez

que   entre

um

signo  qualquer,

n,

e

  unl signo   anterior

  a esse,

  sempre

se

pode

  postular

a   existência

de um

 signo

  n-L.

  Para

 todos

os

efeitos,

  portanto, essa

 verdade nunca

é

  alcançada.

Chega-se

a

  essa

  conclusão

por

via

da

  noção

de

que

um

  signo

  representa seu   objeto

e m

  algum aspecto

ou

capacidade,

o

que   quer

  dizer

que

o

  signo

  revela

  algum

aspecto

do

  objeto

em

seu   interpretante.   Dizendo

  isso de

outra

  maneira, o

  interpretante

  se refere

  do mesmo modo

que

o

 signo àquilo

 ao

 qual

 o

 signo

 se refere. Essa

 formulação

aparentemente

  exclui a

  possibilidade

de   erro,

de

vez

que

o

  interpretante

não

  pode

  mudar sua

  referência. Em

  outras

palavras,

não

  pode

  haver   interpretante

  errado

(em

  inglês,

misinterpretani).

 Entretanto,

 pode haver erro

 de

 interpretação

por

 parte

do

  intérprete

(em

  inglês,

  misinterpretation).

A

  existência de erro

de   interpretação

  pode ser

examinada

  de três

  modos:

a)

 qualquer signo

é

  necessariamente

 índetermínado

e

vago

até

  certo

 ponto

(v.

  Lógica do   vago);

b)

  essa

  indeterminação

  pode

 conduzir

a

 erro

 relativo

ao

  interpretantefinalCv),

 mas não

 ao

  interpretante

imediato

 (v.);

c)

 quando

 se fala

enl tendência,

não

se

 está pensando

enl tendências

 rígidas

(do

 tipo

se A,  então

B).

Tender para   algo

  significa,

  semio.icamente,

  tender

na

 direção geral

 desse algo (corno

um

  zigue-zague, e

não

urna linha   reta,

por

  assim   dizer). Essa

  tendência

  real é o

que

 se

 entende

 por

 teleologia

 em

 semiótica, isto é, a semíose

seria

um   processo

  télico

  nesse   sentido

da

  completude

da

(23)

1, 2, 3 da  SelTliót:ica

A   relação   entre   erro e   acerto   fica   mais   clara no

seguinte  trecho de   Peirce:

o

  seguinte tipo de  argumento produziria, no final (a partir de  premissas verdadeiras), uma  conclusão verdadeira dois terços das vezes:

A é  tirado aleatoriamente  dos B; 2/3 dos  B são C;

Logo, A é

(Wrítings, II: 99)

Dar uma   margem de 1/3 de  erros não  invalida  o fato

de   que, a  longo  prazo, os  interpretantes  inadequados são

correlativos ao  objeto,  isto é, o   erro é  correlativo ao acerto.

A   expressão a  longo  prazo   significa qu e o  erro só   pode

ser identificado em  termos do  interpretante  final, e não do

interpretante   imediato,

Na  leitura de uma  narrativa de   ficção, por exemplo, o

leitor  estabelece uma   hipótese  acerca da   natureza de um

personagem   baseado em   algo que o   personagem tenha

feito (v.  abdução). A   ação do   personagem é um   signo e a

hipótese do  leitor é um  interpretante dinâmico desse signo.

Quando a   hipótese é  formulada,  deve ter havido uma   forte

evidência conduciva a  ela,  isto é, ela é   uma hipótese correta

nesse   momento.   Entretanto,  ao final da   leitura, o  leitor

pode   verificar que   essa hipótese não se   encaixa no   quadro

geral das  possibilidades  para  aquele   personagem. Somente

agora   pode-se   identificar o   erro,   embora,   e m u m   certo

sentido,  esse erro  tenha   contribuído para  o "acerto" final.

Percebe-se que   essa visão do   erro nã o é  diádica,  pois

ele nã o   se situa, à   maneira  estruturalista, na   extremidade

oposta ao   acerto. Ao   contrário, o   erro é   correlativo ao

acerto. De uma   certa maneira,   portanto, o   erro é um

interpretante do  acerto e vice-versa,   dentro de uma semiose

acerca de   outra   serniose ou , em   termos   mais   correntes,

dentro de uma meta-semíose.

(24)

REPRESENTÂMEN IMAGEM SEMELHANÇA CONVENÇÃO SÍMBOLO

2 4

.Júlio Pint:o

Primeiro  termo da  segunda  tricotomia (v.) dos  signos

(v.), o   ícone é   caracterizado por  Peirce, em um a de  suas

muitas definições,

por se u  objeto (v.) por  compartilhar da s   características  dele. Confira as   seguintes   definições:

Um  ícone é um   signo que se  refere ao  objeto qu e ele

denota  simplesmente  em virtude de caracteres dele [o signo]

mesmo, e qu e ele  possui independentemente  da  existência

do  objeto ou  não.  (CP 2.247)

Um   ícone é um   Representâmen   cuja   Qualidade Representativa é uma  primeiridade dele enquanto Primeiro. Isto é,  uma qualidade qu e  ele tem qua   coisa torna-o  capaz de se r um   representâmen.   Assim,   qualquer  coisa  pode substituir   algo com qu e se  pareça.  (CP 2.276)

Percebe-se que o   princípio  básico é o de um a relação

analógica que não   envolva uma   comparação de   dois

termos,  tanto que,   inicialmente, o  nome  dado por  Peirce a

essa função   sígnica   foi o de   likeness  Csemelhança'). Na

verdade,   con1partilhar das   características do  objeto  significa

te r   con1 el e   algun1a sin1ilaridade, de vez que o   signo não

pode  estabelecer uma   relação   diádica com o   objeto, sob

pena de desfocar sua primeiridade

te,   tornar   menos   perceptível sua  identidade   corno   ícone.

Essa  semelhança com o   objeto,   contudo, não é

necessariamente   especular,   corno  numa  fotografia,   embora

possa   sê-lo.

É

  suficiente que o   signo   con1partilhe de  un1a

única  propriedade   n10nádica con1 o   objeto, un1

que possa se r visto   pelo sujeito como ícone daquele objeto.

De   qualquer   maneira,

relação de  analogia,   qualquer que   seja ela,   fazendo de

qualquer  imagem,   (visual, auditiva, olfativa, etc.) um  ícone em   potencial   que depende,  para   su.,   atualização, da

interferência do  sujeito.

Con10   diz Peirce, no CP   2.276, urn   signo por

Primeiridade é um a   imagem de seu   objeto e   uma imagem

só  pode ser um a  idéia. A função   sígnica do  ícone

assim,

a de   exibir  en1 si traços

SLj TO

í ON

c . 2 - I Q _ ~ Ç L l } , ~ _ ~ i g D · _ < : ) q u ~ ~ ~ , < i e t e r l n j 1 ) ~ S O

  v ~ f e ~ o n s e q Ü e n t e m e n

-t r a ç o J 2 _ ~ ~ é l

existe na deniTd adedü Tconeuma

é _

(25)
(26)
(27)

1, 2, 3 da  SelTliót:ica

Por   isso,

uma de

  suas   Importantes   características é a

de

que,   através

da

  observação   direta

dos   ícones,

  podem

ser

descobertas outras verdades acerca

de

seu objeto, além dos

traços

que

 bastaram para a sua

  identificação, isto

é, o

é

  responsável pela   revelação de   inierpretantes

  (v.)

inesperados   (cf. CP 2.279). Vale   dizer   que,   assim

o

rema

  (v.), o

  ícone é

  aquele

  signo

do   qual se

  deriva

a

informação, ao

  contrário

do

  dicissigno

 (v.),   aquela   função

sígnica

que

  veicula

a   informação.

Os   processos icônicos se  fundamentam  na forma,

  seja

ela

  concreta (o

  mapa de

unl   território,

por

  exemplo)

ou

abstrata

  (duas   idéias diferentes,

  porém

  análogas,

  podem

perfeitamente

ser

  vistas

  corno   icônicas

uma

da

  outra). É

possível,

 também,  dizer-se

de

uma  análise estrutural - e a

referência

 aqui é ao movimento intelectual conhecido como

Estruturalismo -

  queela

na nledida

em que

 busca ísomorfismos definidores

 de

 certos elernentos

conlO   pertencentes a   unla

Os   formalismos,

de

  maneira   geral,

  também

  seriam

processos

  icônicos,

e é

por

  isso

qu e

  Peirce

  pensa

a

Matemática

  como

  urna

  disciplina que   tende   para

a

primeiridade

 por,

em

 última

 análise,

 basear-se na

  noção

de

semelhança.

A

 Álgebra,

por

 exemplo, se

  ocupa de

  relações

isomórficas   entre

  quantidades

  definidas abstratarnente

através

de

  incógnitas

  (que,

em

si   mesmas,

não

são   ícones

porque   constituem   estipulações   feitas

  a priori).

O   nlesnlo

pode

ser dito

do

  discurso poético, na   medida

  em que

ele

tende   para a   imagem.

Naturalmente, dado ofato de o ícone ser signo e, portanto,

estar inscrito

ab initio

 na

  terceiridade

(v.),

definida   nlediante sua

da

tricotomia, o

  índice

rigor,

não

  existe

  signo

icônico,

de vez   que,   preso

à

  terceiridade, o   ícone   sofre o

controle

do

  simbólico.   Assim,   mesmo a

  nossa   percepção

sensorial

os   interpretantes

que

  produzimos a

  partir

  dela

estão   "contaminados"

com

as

  implicações

  convencionais,

habituais, ideológicas e regularizadoras, presentes no signo (v.

degenerescência).

  Isso não   quer dizer,   contudo, que não se

possa

  caracterizar

um

  determinado   discurso, o

  poético,

por

exemplo, corno

  tendente   para   o icônico, na   medida

em

que

busca

vez

da

  intensão lógica do vago).

2 5

  í < : o n ~   como t ~ l q ~ _ p _ ~ ~ _ ~ çs>_nicidade, d a d ~ _ ~ ~ t r ~ _ ~ ~ ~ - - ' ~ - _ ' ~ - ' _ . - . _ , 00   . ? _ ~ ~ . ª , p r i . l l ~ i r i d ~ c . I . ~ ~   r e l a ç ã ~ CO l os?utros d o i s ~ i g n o s  (v ·.)·-e Ç{ zbeJlo é v . ) ~ · \ T a l - ; ; ; - ' d i z e ~ · q ~ e ,

a

  ícone

  pllfo e n1efhor

seria falar

de

~ . e ~ e ~ ~ o .

em

(28)

2 6

FUNDAMENTO REPRESENTÂMEN

SIMUACRO

.Júlio Pint:o

A idéia

de  imagem

 está ligada ao conceito de

  ícone

 (v.).

Peirce diz, no CP 2.276,

que

  um ícone é um

  representâmen

(v.) "cuja

  qualidade

  representativa é

um a

sua

  Primeiridade

(v.) corno primeiro". E mais, "um

  signo por

  primeiridade é

uma   imagem de

  seu objeto" e "só

  pode ser uma

  idéia, pois

deve

  produzir

uma

  idéia

  interpretante

  (v.)",

Num

  parágrafo

subseqüente

 (2.280), ele fala de mimetismo conlO

  sendo

 urna

das

  propriedades

  do ícone. A imagem, concluir-se-ia então,

tem um

 caráter inegável de semelhança.

Baseia-.se nessa constatação - feita a partir de outras

bases

  teóricas, mas

  essencialmente

a

  mesma

  idéia -

um a

certa maneira

  ingênua de

se

  pensar

 a mímese, a representação

de

um a

 "realidade". Em outras palavras,

uma imagem

 mimetiza

seu

  objeto

e o

  propõe

  através de si

  mesma,

  Esse seria um

simples

  processo

  referencial, isto é, o signo

  apontando

  para

um

 referente,

que

  consiste na apresentação de algo

  como s e

fosse  aquilo que é.

Na

  relação  imagem/objcto,   portanto,

privilegia-se a identificação da

  qualidade

  material

do  ícone

(seu com

a

do

  objeto. Nesse tipo de relação, o

objeto é o referente constante.

Assim, o tratamento tradicional da

  imagem

  (e pensa-se

aqui   não apenas

  a imagem visual, mas

  também

  a poética, a

acústica e outras) baseia-se na tentativa de se alcançar o

  algo

que é,

  através

da

  estratégia de

  chamar

o

  c o m o s e

  (i.e., o

signo) de é   (i.e., objeto)

  desprezando, em

  certo sentido, o

veículo, o

  como se,

  a fim de se concentrar na

  busca   daquilo

que

se

  supõe que

o

  c o m o s e   representa.   Esse   seria

o

fundamento

da

  postura

 estética

 conhecida

 corno realismo (cf.

PINTO,

  1992:10;1993:138-139).

Há, entretanto,

uma

 outra maneira de se

  pensar

 o signo

imagético qu e  pode

 levar a urna

  concepção menos

 trivial de

mímese. Um

  signo

  representa, mas é,

  também

 ele,

um

 objeto

(essa é

uma

  implicação

  direta

do  processo

da

  semiose lv.l).

Dito de

  outra

 maneira,

um

 signo é

uma

 entidade,

um   isso

e,

portanto,

uma

 id-entidade. Ao se mostrar, o

  signo

 tanto

  pode

exibir seu

  objeto

 (e, assim, ser ícone) ou exibir-se a si mesmo,

obscurecendo seu

 objeto (mostrando-se, nesse caso, corno unl

qualissigno lv.D.

S M lli NÇ

I M tM

(29)

1, 2, 3 da  SelTliót:ica

Ao exibir seu  caráter de primeira, de   signo (todo signo

é um   primeiro   dentro da   relação de   representação), a imagem   como que  se absolutiza. Ao   eclipsar o   objeto, a imagem emerge   como unl  como se,  quer  dizer, ela a parece

como   se fosse um  como se,   não-como  se fosse um  algo

qu e é. O ser da   coisa desaparece,   substituído  pela  imagem,

o artifício se   torna o   objeto, e a   ordem de  coisas a que se costuma  chamar de   realidade   perde seus contornos para se tornar, ela   mesma, signo  (cf.PINT0,1993:14ü-141).

Estabelece-se,  dessa  maneira, o  estatuto do  simulacro: realiza-se a  representação, em vez de  representar-se a

realidade.   Isso faz com que a   representação  seja   urna profusão de signos dissociados de   seus objetos  "reais", num

tipo de   relação representacional que não se   ancora em

arranjos  simbólicos,  para além daqueles produzidos por e para   suas   próprias necessidades   internas.

Nã o se   pode,   portanto,   pensar a   imagem   somente como   representação do  objeto (de   resto, não se  pode  fazer isso com   signo   algum).   Considerar a  imagem  desse   único ponto de vista é sucumbir a uma forma sutil de  estruturalismo

binário, a do  signum/signatum.   Pensar a   imagem  ímagis

ticamente,   contudo, é  vê-la não   apenas   corno um   primeiro do   terceiro, ma s   também   corno um   primeiro do  primeiro, e percebê-la  como a   qualidade   (Dmaterial da  relação repre sentacional, que faz com que o  objeto  seja   (des)conhecido.

(30)

2 8 FORÇA EXISTENCIAL PROPOSIÇÃO .Júlio Pint:o

íNDlCf

Segundo termo da  segunda   tricotomia (v.) dos  signos

(v.), o

  índice se  define, em  contraposição ao   ícone

  (v.),

como  aquela   função   sígnica   que, em ve z de  exibir em si

traços do  objeto

 (característica

do   ícone)  aponta  para fora

de si

na

  direção do   objeto

 (v.):

Um  índice é um  signo que se  refere ao  Objeto que ele 'denota em  virtude de se r  realmente afetado por   aquele

objeto... Na medida e m qu e o índice é  afetado pelo Objeto,

ele   necessariamente te m  alguma  Qualidade em   comum co m o  Objeto e é co m  respeito a  essa   qualidade que ele

se  refere ao  objeto.  (Cp 2.248)

Ser

  afetado por um  objeto   seria

o

que  Peirce  chama

de   estar  numa   relação de   força  bruta.

O

  primordial no

índice não

é,

  portanto,

a

  analogia.   Para ser  índice,

na

verdade,   basta que

o

  signo  esteja  numa  relação diádica

de  dois   termos

-

com seu  objeto  (quer

 dizer,

uma  relação

existencial)  independentemente da  natureza  dessa  relação

(que  pode ser de  contraste,  ação

e

  reação,  causa

  e efeito,

contigüidade,

 etc.). Em

  outras

 palavras, o

  índice

 é a

 instância

da   secundidade

  (v.)

  dentro da

  tricotornía

que   também

é

segunda

(a

dos signos definidos de   acordo com sua relação com

 o objeto,

 sern qualquer preocupação c om

 o

 interpretante

que

  virá a

ser  gerado  nessa mesma   relação).

Dessa

 forma,

 qualquer proposição do tipo

 "Se A,

 então

B" é

  indiciaI. O s   chama

d o s

  "signos   naturais" são

freqüentemente  arrolados como exemplos d e

 índices:

  nuvem

(signo de  chuva),  pegadas  (signo

da

  passagem de  alguém),

o

  barulho de um

  tiro

de  revólver  (como  signo do

  tiro) e

assim por diante.

A

 semiologia  médica

 é indiciaI,

na medida

em que

 lida

 c om sintomas.

Na

  linguagem,

os

  demonstrativos,

os

  pronomes  pessoais,

os

  nomes  próprios,

os

  advérbios

de

tempo

e

  lugar  são também  considerados   índices,   mesmo sendo  obviamente   convencionais, de vez  que, no  contexto

da linguagem, eles diferem das  onomatopéias (signos verbais

icônicos)

e

dos  substantivos  comuns  (sínlb%s,

  lv.l).

 RuT

Referências

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