1
Julio
Julio
Pinto
Pinto
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a
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Semiótica
Semiótica
.Júlio
.Júlio Pint:o Pint:o
Belo
Belo Horizonte Horizonte
Editora
Editora UFMG UFMG
1995
1995
1
1,, 22,, 33 ddaa iót:icaiót:ica
Copyright
Copyright
© ©1995 by Julio Pinto
1995 by Julio Pinto
Este livro,
Este livro,
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meio se semm
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Projeto gráfico e capa: Ready Made Multimídia e Comunicação
Projeto gráfico e capa: Ready Made Multimídia e Comunicação
Editoração de texto: Ana Maria de Moraes
Editoração de texto: Ana Maria de Moraes
Formatação:
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Cés
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Editora UFMG
Editora UFMG
Av.
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Antôni
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31
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Belo Hori
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zonte
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448-1438 /
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54
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Fax
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443
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03
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UNIVERSIDADE
UNIVERSIDADE FEDERALFEDERAL
DE
DE
MINASMINASGERAISGERAISReitor: Tomaz Aroldo da Mota Santos
Reitor: Tomaz Aroldo da Mota Santos
Vice-Reitor:Jacyntho
Vice-Reitor:Jacyntho
JoséJoséLinsBrandão
LinsBrandão
Conselho
Conselho
Edi
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Ana
Ana
Mar
Mar
ia
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de Mo
de Mo
raes,
raes,
Ânge
Ânge
lo Barb
lo Barb
osa M.
osa M.
Macha
Macha
do,
do,
Beatriz Alvarenga Álvares, Geraldo Norberto Chaves Sgarbi, Heitor
Beatriz Alvarenga Álvares, Geraldo Norberto Chaves Sgarbi, Heitor
Capuzzo
Capuzzo
Pilho.joaquim Pilho.joaquimCarlosSalgado, Manoel Otávio
CarlosSalgado, Manoel Otávio
dadaCos
Cos
ta
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Roc
Roc
ha,
ha,
Pau
Pau
lo Bernardo
lo Bernardo
Vaz
Vaz
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,
SôniaSôniaQueiroz
Queiroz
(Pres
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idente
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), Wander
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Melo
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Miranda.Miranda.Ficha Catalográfica
Ficha Catalográfica
P 659
P 659
Pinto,Julio
Pinto,Julio
1,2,31,2,3
da semiótica / Julio Pinto. - Belo Horizonte:
da semiótica / Julio Pinto. - Belo Horizonte:
Editora UFM
Editora UFM
G,
G,
199
199
5.
5.
70 p.
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1.
1.
Semiótica.
Semiótica.
I.I.Titule.
Titule.
c.D.U.003
c.D.U.003
Elaborada
Elaborada
.
.
pela Divisão
pela Divisão
d deePlanejamento e Divulgação da Biblioteca
Planejamento e Divulgação da Biblioteca
Universitária.
Universitária.
ISB
ISB
N:
N:
85-7041-098
85-7041-098
-0
-0
e eThe universe is a perfusion ofsigns.
Man Js
trutb is neverabsolute
because the basis of Fact is hypothesis.
Charles S. Peirce
NOTA INTRODUTÓRIA
:
09
GUIA DE CONSULTA AOS VERBETES
11
VERBETES
13
Abdução, Indução,
Dedução
13
Argumento
16
Categorias
17
Degenerescência
19
Dicissigno
21
Erro
22
Ícone
24
Imagem
26
Índice
28
Interpretante
29
Interpretante dinâmico
30
Interpretante final
31
Interpretante imediato
32
Legissigno
33
Lógica
do
vago
34Objeto
37
Objeto dinâmico
39
Objeto imediato
40
Primeiridade
41
Qualissigno
"
43Rema
44
Réplica
:
45Representâmen
."
46Secundidade
:
47
Semiose
49
Signo
50
1, 2, 3 da SeRliót:icau
R
o
.Júlio Pint:o Símbolo 54
Sinsigno
56
Terceiridade
57
Tricotomia
59
SUGESTÕES DE LEITURA
61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
631, 2, 3 da
NO
I
I
N
T O D U T
Ó
Este livro surgiu
de
uma lacuna. No decorrer de meutrabalho c om Semiótica, vi-me, não raro, às voltas com certas demandas de alunos, colegas e associados de pesquisa, concernentes a explicações sobre a terminologia própria da área que, ao mesmo tempo, propiciassem um esboço geral da teoria. Procurei, assim, elaborar um texto
que
pudesse dar acesso rápido
aostermos
específicos deSemiótica sem, com isso, trivializar conceitos ou pecar
por
esquematização.
É importante frisar que não se trata de um dicionário,
apesar
de
estar organizadoem
verbetes, enem
deum
tratado geral, embora às vezes procure esmiuçar um
ou
outro conceito central de maneira um pouco mais profunda.
Procurei fazer com que os verbetes fossem suficientemente explicativos, ma s não a ponto de dar ao leitor a ilusão de que poderia dispensar os textos de Semiótica a que eles se
referem, Trata-se de
um
livro _de consulta rápida, algoque
se te m ao lado no momento da leitura de outros trabalhos que utilizem esses conceitos, algo a que se pode recorrer para esclarecimento.
Este é, portanto, um operador de leitura. Dado esse
propósito umtanto propedêutico, escolhi privilegiar os
conceitos que julgo importantes para a compreensão dos
princípios gerais
da
Semiótica, em detrimentode
certosdetalhes e refinamentos teóricos
que
interessam mais aosespecialistas ja seduzidos pelos tortuosos caminhos
da
semiose.
O enfoque central e quase exclusivo deste texto é a semiótica de Charles Sanders Peirce (1839-1914) pensador
americano cujas contribuições de longo alcance aos estudos
de Lógica (tanto da Lógica Simbólica, de que foi um dos
iniciadores, quanto da Lógica Informal) ainda estão
por
ser devidamente avaliadas. A sua semiótica (semeiótica, como ele preferia, respeitando as raízes gregasdo
termo) é, nao
.Júlio Pinto
verdade, um a teoria do s signos
e
da representação que efetua um a extensão daLógica
paraos limites da
cogniçãoe da
experiência do s fenômenos.É,
porisso,
também umateoria
d o conhecimento, alémde
propor novos insights sobre questõesreferentes
àsignificação e
à produção de sentido.A semiótica de Peirce
é
uma respostaao
repto lançado po rLocke no
seu Ensaio sobreo
Entendimento Humano,a
saber,
que umalógica da significação, a se
chamarSemiótica,
deveria ser elaborada.
Não se trata,
portanto, de um ateoria
de
extração lingüística associada ao
pensamentoserniológico,
na tradição de Saussure,
embora tenha comele muitos
pontos de contacto.Caracteriza-se,
principalmente, por nã o se r logocêntrica: não aplicaos
códigos verbais aos demais domíniosda significação. Ao contrário, Peirce vê os
signosverbais
corno um subconjuntodas
manifestaçõessígnicas.
Isso
tornoupossível -
como hojejá se faz - o
estudoda
zoosserniosee
da fítossemiose, em bases diferentes dalingüística.
O
pensamentosemiótico de Peirce se faz
sobre umalógica ternária - urna
outra diferençada
tradiçãofrancesa,
assentada
no
bínarísmoda relação
entre umsignificante e
umsignificado -
que chegoua
seduzir pensadores corno Derridae Lacan. A
partir da s noções de primeiridade, secundidadee terceiridade (as três categorias
d a experiência para ele)Peirce
demonstrao
carátertriádico da relação
de representaçãoe
propõea
noçãode semiose: a
geraçãode
signos por outros
signos. Daí o título 1, 2,
3
da Semiótica.Uma
outrarazão justifica
estelivro. A
obra dePeirce
publicada nos Estados Unidos soma cerca de dozemil
páginas
impressas, e
seusmanuscritos
conhecidos chegama
aproximadamente oitentamil páginas. Sua
obra completa,portanto,
teria
cercade
cem volumesde
quinhentas páginascada. Existem
noBrasil
apenas duas traduções de excertos dos excertos publicados eminglês. O 1, 2,
3 da Semiôticaseria, assim,
um esforço somadoao
de dois outrês
outrossemioticistas brasileiros, no
sentidode
divulgar um a obracujo.
alcance ainda nã o chegoua
ser vislumbradoe cuja
importância paraos
estudos de comunicação,literatura,
lingüística, psicanálise, artes e ciências sociais se faz
sentirmais e mais.
1, 2, 3 da iót:ica
CONSULTA
Em cada verbete, os assuntos correlatos estão indicados
em caracteres itálicos seguidos de (v.). Este código indica
que há um verbete também para aquele assunto. Quando
há referência bibliográfica, esta é feita no texto através
do
nome
do
autor enl caixa alta, seguidado
ano de publicaçãodo volume e número da(s) página(s). A citação, através da data de publicação, facilita a localização da referência
completa ao fím do livro,
que
está listada por autor e anode publicação.
As duas exceções a essa nornla referem-se a duas
publicações da obra de Peirce, nos Estados Unidos. Os
Collected Papers, em
oito volumes, estão organizados emparágrafos numerados. De acordo com a maneira tradicional
de citação dos estudos peirceanos, usam-se as letras CP,
seguidas
do
núrnero do volume e o númerodo
parágrafo.Assim, CP 2.228 refere-se ao parágrafo 228 do volume 2,
do s
Collected Papers.
Ainda de acordo com a prática dos estudiosos da
obra
de
Peirce, a edição cronológicad e s e u s
escritos(programa em andamento
no
Peirce Edition Project,em
Indiana) está citada corno
Writings,
seguidado
número dovolume em algarismos romanos e o número dats) página(s)
em algarismos arábicos.
Há também, no fim do volume, um índice remissivo
de assuntos. O código adotado para o índice é o seguinte:
• s e o assunto tem um verbete próprio, ao título do
verbete segue-se o número da página onde encontrá-lo,
seguido da indicação de outros verbetes, separados
por
ponto e vírgula, onde também se discute ou se menciona o
assunto. Essa indicação é precedida pela expressão
ver
também;
• se o assunto não tem um verbete próprio, ma s tem
e
1 2
.Júlio Pinto
importância suficiente para justificar su a presença no índice,
apenas o verbete onde encontrá-lo. Se há dois ou
mais verbetes, estes vêm separados por ponto e vírgula.
No corpo do texto, ao lado de cada verbete, há um campo em que se listam esses assuntos de acordo com a remessa feita no índice.
1, 2, 3 da SeRliõt:ica
V
R
B
I
ABDUCÃO, INDUCÃO,
Embora não amplamente reconhecido nos meios científicos,
o conceito de
alxtução-
em contraste com a
induçãoe a
-
tem importante papel na lógica, tal corno Peirce a
propõe. Nos escritos de Peirce, esse tipo de inferência é
alternativamente chamado de retrodução, hipótese, inferência
hipotética e abdução, e seu papel é vital no sentido de que a
inferência hipotética é a responsável pela
Muitas vezes considerada pelos estudiosos de lógica como
um tipo de indução, a abdução recebe de Peirce un1 tratamento
especial e é considerada à parte por se tratar do mecanismo pelo
qual hipóteses são formuladas e teorias são criadas. Poder-se-ia
dizer que a inferência hipotética é "um argumento que supõe que
um termo que necessariamente envolve
Un1certo número de
caracteres... pode ser predicado de qualquer objeto que possua
aqueles caracteres"
(Writings, 1I:48),ou ainda, "urna
afirmação
categórica de algo ainda não experimentado"
1:267).A
inferência hipotética nos capacita a formular urna previsão geral
sem que tenhamos a garantia de um resultado correto.
Un1 dos exemplos mais famosos que Peirce dá dos três
tipos de inferência, o da saca de feijões (encontrado em CP
2.623)toma bastante clara a distinção entre a abdução e os outros dois
tipos de inferência:
Dedução
Todos os feijões daquela saca são brancos.
Esses feijões são daquela saca.
Logo, esses feijões são brancos.
A PREVISÃO ,f i · ··· ii> Ii iI
DfDUCÃO
dedução ó da descoberta. HIPÓTESE INFERÊNCIA HIPOTÉTIC LÓGICA DA DESCOBERTA ERRO r i t i n g ~ ~ . . ·.· I .. . . .. RETRO ÇÃOEmbora não amplamente reconhecido nos meios científicos,
o conceito de
alxtução-
em contraste com a
induçãoe a
-
tem importante papel na lógica, tal corno Peirce a
propõe. Nos escritos de Peirce, esse tipo de inferência é
alternativamente chamado de retrodução, hipótese, inferência
hipotética e abdução, e seu papel é vital no sentido de que a
inferência hipotética é a responsável pela
da descoberta.Muitas vezes considerada pelos estudiosos de lógica como
um tipo de indução, a abdução recebe de Peirce unl tratamento
especial e é considerada à parte por se tratar do mecanismo pelo
qual hipóteses são formuladas e teorias são criadas. Poder-se-ia
dizer que a inferência hipotética é "um argumento que supõe que
um termo que necessariamente envolve um certo número de
caracteres... pode ser predicado de qualquer objeto que possua
aqueles caracteres"
(Writings, 1I:48),ou ainda, "urna
afirmação
categórica de algo ainda não experimentado"
1:267).A
inferência hipotética nos capacita a formular urna previsão geral
sem que tenhamos a garantia de um resultado correto.
Um dos exemplos mais famosos que Peirce dá dos três
tipos de inferência, o da saca de feijões (encontrado em CP 2.623)
toma bastante clara a distinção entre a abdução e os outros dois
tipos de inferência:
ABDUCÃO, INDUCÃO,
1, 2, 3 da SeRliõt:icav
R
B
I
INFERÊNCIA HIPOTÉTIC A LÓGICA DA DESCOBERTA ERRO PREVISÃO DeduçãoTodos os feijões daquela saca são brancos.
Esses feijões são daquela saca.
Logo, esses feijões são brancos.
ução
ó
r i t i n g ~ ~
1 4
.Júlio Pint:o
In dução
Esses feijões são daquela saca. Esses feijões sã o brancos.
Logo, todos os feijões daquela saca são brancos.
Ab du çã o
Todos os feijões daquela saca sã o brancos. Esses feijões são brancos.
Logo, esses feijões são daquela saca.
Vê-se, logo de início, que a abdução compartilha co m
a dedução o fato de ter a regra geral como premissa inicial (todos os feijões, etc.). Entretanto, corn o a indução ela arrisca
um palpite que pode da r errado. Olhada dessa maneira, a
abdução está, portanto, entre a indução e a dedução.
Contudo, ela difere das duas t.amb é m pela maior
possibilidade de erro implícita na hipótese que ela lança,
porque é fácil perceber como tanto a indução quanto a
dedução estão baseadas na experiência.
Portanto, a lógica nã o pode se basear apenas nesses
dois tipos de inferência, porque a experiência humana
sugere urna maneira de se derivar ou manipular informações
que nã o é tão bem definida, corno a indução ou a dedução,
mas que, ainda assim, é responsável pela descoberta do
nã o conhecido . O caráter de previsão da abdução é, por
isso, mais marcante. Há nela urna certa audácia que as outras
inferências não apresentam (cf. SEBEOK,1983).
Dos tipos possíveisde inferência, portanto, a abdução
constitui o único que se projeta para o futuro, já que tanto a
dedução quanto a indução d izern do passado, do já
conhecido, na medida em que se referem à experiência.
Corno palpites, os processos abdutivos podem levar a erros
(v. erro), mas a falibilidade de urna hipótese nã o quer dizer
qu e a abdução seja u m processo de ensaio e erro.
Fundanlentalnlente, o qu e acontece é que urna hipótese é
formulada com base na experiência, através da escolha de um interpretante (v.) logicamente possível para os signos
(v.) que se oferecem à observação.
A inferência abdutiva é, portanto, um palpite
razoavelmente be m fundamentado acerca de uma semiose
1, 2, 3 da SeRliót:ica
dedução, a fim de que se chegue a um a inferência indutiva
sobre o universo representado por aquela serniose (PINTO,
1989:106). Enquanto previsão, a inferência hipotética se
insere na tercei ridade (v.) mas, corno é um at o de insight
que "se nos apresenta corno um flash de luz" (CP 5.181), é
um terceiro com teor de primeiro, principalmente, também,
em virtude de seu caráter essencialmente remático (v. remai.
Assim, a abdução apresenta-se no esquema triádico da
experiência no nível de primeiridade (v.) em relação aos
dois outros tipos de inferência, ainda que os três processos,
por envolverem atividade sígnica, sejam da ordem do
terceiro.
1 6
PROPOSIÇÃO SUADISSIGNO FCNÇÃO PROPOSICIONAL .Júlio Pint:oTerceiro
termo
da terceira tricotomia (v.)dos
signos,
a
que apresenta
osigno
e m
sua
relação
con1 o interpretanteo
argumento
édefinido
por
Peirce
como um signo
que
é
representado
em
seu
interpretante,
não como signo
do
interpretante, mas
como se fosseum
signo
d o
interpretante.
Dizendo
isso
de outra
forma,
oargumento
seria
uma
proposição
complexa apresentada corno verdadeira, com
base
ern
urna
outra proposição(ou
um conjunto deproposições apresentadas numa única proposição
composta).
Se o rema (v.) é
urna
função proposicional,
do
tipo
xam ay, e o dicissigno (v.) un1a
proposição
como
Maria am aJoão, o
argumento
seria
uma proposição
como
Maria ama[oão porque faz tudo por ele,
po r exemplo. Pode-se também
definir
oargumento
corno
um signo complexo, composto
de
dois ou
mais dicissignos,um dos quais
éinterpretante
does) outrots) (cf, RANSDELL,1983a:59).
Dado seu parentesco
com
anoção de
silogismo,sua evidente função argumen
tativa e
possibilidades
retóricas,
oargumento
étambém
chamado
suadissigno (apartir
de
persuadir e dissuadir).R
R UMfNIO
1, 2, 3 da SelTliót:ica
A
triadicidade
que
está
nabase de todo
oedifício
teórico
da
semiótica
de
Peirce
parte
da concepção de
que
a
experiência
do fenômeno
apresenta
três, eapenas
três,tipos
de propriedades correspondentes
acategorias,
que
recebem
onome de
primeiridade (v.), secundidade (v.) eterceiridade Cv.),
Entenda-se corno
fenômenoqualquer coisa
que
setorne manifesta
ou
disponível
para unl observador.
Pode
ser
um
objeto
no mundo
"real",ou uma
percepção,
um
sentimento,
uma sensação, urna
abstração, enfim,qualquer
coisa passível,
ainda
que
minimamente,
de conhecimento
ou
descrição.
O signo(v.)
- equalquer fenômeno
pode
ser
um
signo
-não
é, assim,necessariamente
atribuível auma
dada
realidade.
En1
inglês,
essas categorias
receberam
onome
de
firstness, secondness e tbirdness e,
dada
aliberalidade
com
que se usa
osufixo
-nessem
língua inglesa, talvez
sua
melhor tradução em português devesse usar
urn
sufixo
igualmente corrente,
o -eza,para
que
urn registrosemelhante
pudesse ser
mantido. Além
do
mais, ostermos
primeireza,segundeza e terceireza evitar iam
as
conotaçõesindesejáveis
que surgem com
osufixo
-idade (taiscorno
laivos
de
hierarquia, idade, gradação, etc.)
emantêm
anoção
de qualidade
que
é oque
está
implícitoem
-ness.Todavia,
aprática generalizada
no
Brasiltem sido
ouso
do
sufixo
-idade e,apenas por
essa razão,
manteremos
aqui
esse sufixo.
É importante ressaltar que, apesar de o termo
categorias
poder conduzir
oleitor
aum
tipo
de
raciocínio
taxonôrnico ou,
nomínimo, hierarquizado,
esse
não
é oque
sequer
dizer. Naverdade,
não
háqualquer
relação
de
hierarquia ou prioridades entre a pr
irne
ir idade , asecundidade e a
terceiridade.
Astrês
estãosimulta-neamente
presentes
em qualquer
fenômeno,
equalquer
delas
pode
estar mais manifesta
(ou
ser selecionada
pelo
observador)
aqualquer
n10n1ento,dependendo do que
sebusca
ao
sepensar, estudar,
examinar, sentir,sonhar, imaginar
ou
perceber
ofenômeno.
Afirmar
que
ascategorias constituem
ofundamento
RA77 0N IS EN SR EA LE LÓGICA VAGO SECLNDIDADE TERCEI DE PROPOSIÇÃO
17
lEGORI P R I ~ v E I R I D D E RI.Júlio Pint:o
semiótica é o mesmo que dizer que elas foram o primeiro
passo para Peirce. Depois de desenvolvidas, elas
propíclaram a derivação das formas lógicas (os tipos de
signos) através de sua aplicação recursiva. A noção de
categoria foi desenvolvida conl o finl de se conseguir unIa
base para um método capaz de buscar quaisquer
"concepções elementares intermediárias entre a pluralidade
da substância e a unidade do ser" (Writings, II:5l). Em
termos lógicos, a substância é o sujeito de urna proposição,
e o ser é a cópula. O que está entre a proposição e a
cópula é o predicado, isto é, um signo da substância. Em
outras palavras, e olhada dessa forma, a semiótica seria
uma teoria dos predicados.
Dessa maneira, pode-se dizer que qualquer entidade
(essa palavra é aqui usada enl seu sentido mais antigo, que
compreende tanto o ens realequanto o ens rationis) apresenta
propriedades passíveis de descrição por meio de predicados
monádicos (prirneiridade), diádicos (secundidade) e triádicos
(terceiridade). A (Injdeterminabilidade do signo está, assim,
diretamcnte ligada ao se u modo de descrição, isto é, do
mais extenso (mónadas) ao mais intenso (tríadas) (v. também
erro, lógica do vago e signo).
1
1,, 2,2, 33 dada SelTliót:ica SelTliót:ica
Peirce
Peirce
discute
discute
esse
esse
aspecto
aspecto
da relação sígnica a partir
da relação sígnica a partir
d
doo conceito conceito dede genuinidade genuinidade dentro dentro dada tríade tríade
representacional.
representacional.
Para ele (ver,
Para ele (ver,
p
p
o
o
r
r
exemplo,
exemplo,
PEIRCE,
PEIRCE,
1977:
1977:
63
63
et
et
seq.)
seq.)
a
a
relação
relação
triádica é
triádica é
genuína
genuína
se ela
se ela
n
n
ã
ã
o
o
consiste
consiste
e
e
m
m
nenhum
nenhum
complexo
complexo
de relações diádicas. Isso
de relações diádicas. Isso
quer
quer
dizer
dizer
q
q
u
u
e
e
u
u
m
m
primeiro
primeiro
(
(
u
u
m
m
signo, signo,v.)
v.)
deve
deve
estar
estar
numa
numa
relação
relação
tal
tal
c
c
o
o
m
m
u
u
m
m
segundo
segundo
(seu
(seu
objeto, objeto,v.)
v.)
q
q
u
u
e
e
é
é
capaz
capaz
de
de
determinar
determinar
u
u
m
m
terceiro
terceiro
(
(
u
u
m
m
interpretante, interpretante,v.)
v.)
q
q
u
u
e
e
assuma
assuma
a
a
mesma
mesma
relação triádica con1
relação triádica con1
s
s
e
e
u
u
objeto, de
objeto, de
modo
modo
a
a
determinar
determinar
u
u
m
m
segundo
segundo
terceiro, e
terceiro, e
assim
assim
p
p
o
o
r
r
diante.
diante.
En1
En1
outras
outras
palavras,
palavras,
u
u
m
m
interpretante
interpretante
não deve
não deve
se
se
colocar
colocar
numa
numa
relação
relação
binária
binária
c
c
o
o
m
m
o
o
objeto,
objeto,
m
m
as
as
si
si
m
m
t
t
e
e
r
r
c
c
o
o
m
m
o
o
objeto
objeto
a
a
mesma
mesma
relação
relação
q
q
u
u
e
e
o
o
signo
signo
tem. Isso significa
tem. Isso significa
q
q
u
u
e
e
u
u
m
m
terceiro
terceiro
só
só
poderia
poderia
gerar
gerar
u
u
m
m
outro
outro
terceiro,
terceiro,
na
na
medida
medida
em
em
q
q
u
u
e
e
a
a
relação
relação
sígnica é
sígnica é
u
u
m
m
a
a
terceiridade terceiridade(v.).
(v.).
Essa
Essa
situação
situação
faz
faz
c
c
o
o
m
m
q
q
u
u
e
e
os
os
signos
signos
genuínos
genuínos
sejam
sejam
apenas
apenas
os
os
legissignos legissignos(v.),
(v.),
simbolos simbolos(v.) e
(v.) e
argumentos argumentos(v.)
(v.)
que são
que são
os
os
genuinamente
genuinamente
terceiros nas
terceiros nas
tricotomias tricotomias(v.
(v.
).
).
As
As
demais
demais
funções
funções
lógicas
lógicas
(
(
os
os
íc ícononeses, , íníndidiceces, s, qualissigqualissignos,nos,sinsignos,
sinsignos, remas remas
e
e
dicissignos, dicissignos, lv.D lv.Dconstituem
constituem
versões
versões
degeneradas
degeneradas
d
d
o
o
s
s
terceiros
terceiros
dentro
dentro
d
d
e
e
cada
cada
tric
tric
otomia,
otomia,
de
de
v
v
e
e
z
z
qquuees
s
e
e
r
r
iia
a
r
r
n
n
terceiridades terceiridades qquuee pprriv
iv
i
i
l
l
e
e
g
g
i
i
a
a
r
r
i
i
a
a
m
m
a
a
pr
primimeieiriridadadede
(v.), no
(v.), no
caso
caso
d
d
o
o
s
s
ícones, qualissignos e remas,
ícones, qualissignos e remas,
ou
ou
a
a
secundidade secundidade(
(
v.)
v.)
,
,
no
no
caso
caso
d
d
o
o
s
s
sinsignos,
sinsignos,
índices
índices
e
e
dicissignos. O privilégio da
dicissignos. O privilégio da
primeiridade
primeiridade
e
e
da
da
secundidade
secundidade
nesses casos é
nesses casos é
un
un
1
1
resultado
resultado
necessário da aplicação recursiva
necessário da aplicação recursiva
do
do
conceito
conceito
d
d
e
e
categoria categoria(v.)
(v.)
à
à
noção
noção
de signo,
de signo,
evidenciada
evidenciada
inclusive no fato de o
inclusive no fato de o
signo
signo
se
se
r
r
qualificado de primeiro, o
qualificado de primeiro, o
objeto
objeto
d
d
e
e
segundo
segundo
e
e
o
o
interpretante
interpretante
d
d
e
e
terceiro.
terceiro.
Esse raciocínio leva
Esse raciocínio leva
à
à
conclusão
conclusão
de
de
q
q
u
u
e
e
n
n
ã
ã
o
o
há,
há,
p
p
o
o
r
r
exemplo, ícones
exemplo, ícones
puros
puros
(já
(já
q
q
u
u
e
e
a
a
primeíridade
primeíridade
é
é
apenas
apenas
virtual e
virtual e
potencial)
potencial)
o
o
u
u
índices
índices
puros
puros
(porque
(porque
a
a
secundidade
secundidade
constitui
constitui
um
um
a
a
singularidade
singularidade
e
e
singulares
singulares
n
n
ã
ã
o
o
significam, a
significam, a
menos
menos
q
q
u
u
e
e
sejam
sejam
réplicas réplicaslv.l
lv.l
de urna
de urna
abstração
abstração
reguladora
reguladora
de
de
caráter
caráter
geral,
geral,
o
o
u
u
seja,
seja,
d e u m
d e u m
terceiro).
terceiro).
Note-se,
Note-se,
a
a
propósito,
propósito,
q
q
u
u
e
e
o
o
termo
termo
degenerado degeneradon
n
ã
ã
o
o
carrega
carrega
u
u
m
m
conteúdo
conteúdo
negativo
negativo
,
,
m
m
a
a
s
s
refere-s
refere-s
e
e
apenas
apenas
à
à
noção
noção
d
d
e
e
caso casoespecial. especial. . . . . DIAGRAMA DIAGRAMA GENCINIDADE GENCINIDADE : : HIPOÍCONEHIPOÍCONE HIPOSSEMA HIPOSSEMA . . ÍCONE ÍCONE IMAGEM IMAGEM METÁFORA METÁFORA TERCEIRIDADE TERCEIRIDADE 1 9 1 9
DEGENERES ÊN I
DEGENERES ÊN I
. . . . ••• ••• ... ... :. :. ..:.. ..:.. . . . ... .. .. .:. .:. :. :. RÉPLI RÉPLI.Júli
.Júlio o Pint:oPint:o
Dessa maneira,
Dessa maneira, quando quando
se diz
se diz
qquuee "nuvens "nuvens baixas baixase
e
escuras
escuras ssããoo índice índice ddee
chuva",
chuva",
recorre-se recorre-sea
a
uummaasimplificação,
simplificação,
de
de
vvezez qquuee ssóóse
se
chegou chegoua
a
esse esse"índice" (a rigor,
"índice" (a rigor,
uumm símbolo símboloindicial
indicial
ou um ou um argumento argumento lv.D lv.D após apósa
a
constatação constatação repetida, repetida,e
e
portanto, portanto, generalizada, generalizada, ddee várias várias instâncias instâncias ddee chuva chuvanaquela
naquela situação. situação. PPoror
i
i
ss
ss
o,
o,
na
na
verdade verdadee ern
e ern
sentido sentidoestrito,
estrito,
os
os
termos termos ícone, ícone, índice, índice,etc.,
etc.,
ssããoo recursos recursos telegráficos telegráficos usadosusados nnoo lugar lugar
de
de
signos icônicos signos icônicos ouou signos signos indiciais, indiciais,p
poorr exemplo, exemplo, eemm
se
se
tratando, tratando, bbeemm entendido, entendido,de
de
sinsignos, sinsignos,isto
isto
é,é, manifestações manifestações perceptíveis perceptíveisde
de
signos. signos.A
A
recursividade recursividade ddoo pensamento pensamento categórico categórico aplicado aplicadoà
à
relação
relação
sígnica leva Peirce a postular,
sígnica leva Peirce a postular,
dentro dentroda
da
primeiridade, primeiridade,a
a
noção noçãode
de
hipoícones hipoícones (Primeiro (Primeiro ddooPrimeiro,
Primeiro,
Segundo Segundo ddooPrimeiro e
Primeiro e
Terceiro Terceiro ddooPrimeiro). Ass
Primeiro). Ass
im
im
,
,
as
as
imagens imagens ssãoãoa
a
Primeira Prirneiridade,
Primeira Prirneiridade,
porque porque "participam "participam das das qualqualidadidadesessimples"
simples"
ddooss objetos objetos(
(
C
C
P
P
2.2
2.2
77)
77)
.
.
A
A
Segunda Segunda Primeiridade Primeiridade representarepresenta
as
as
relações relações binárias bináriasde
de
partes partes ddee objetos, objetos, através atravésde
de
relações relações análogas entre análogas entre suas suaspartes: é o
partes: é o
caso caso ddee mapas mapase
e
diagramas. diagramas.A
A
Terceira Terceira Primeiridade, Primeiridade, qqueue estaria estaria mais maispróxima
próxima
da
da
noção noçãode
de
representação, representação, representa representao
o
caráter caráterrepresentativo
representativo
de
de
uumm signo signoatravés de
através de
analogia analogia ccoommo
o
objeto objetoe seria o
e seria o
campo campoda metáfora.
da metáfora.
Analogamente,
Analogamente, pode-se pode-se
falar
falar
eemm hipossemas hipossemas ouou sub subíndices
índices
(CP 2.284). Trata-se de
(CP 2.284). Trata-se de
signos signos qquueese
se
tornam tornam índices índices eemm virtude virtude
de
de
uma conexão uma conexãoreal
real
oouu existencial existencial c coommo
o
objeto. objeto.É
É
o
o
caso casode
de
nomes nomes própr próprios, ios, demonstrademonstrativos,tivos, pronomes pronomesrelativos.
relativos.
Dado Dado nnããoo serem serem singularidades, singularidades, nnããoo ssããoo índices índices genuínos,genuínos, mamass funcionam funcionam corno corno
se o fossem. Estritamente
se o fossem. Estritamente
falando,
falando,
sãsãoo símbolos símbolosindiciais.
indiciais.
2
1
1,, 22,, 33 ddaa SelTliót:ica SelTliót:ica
DICISSIGNO
DICISSIGNO
Segundo
Segundo
elemento da
elemento da
terceira
terceira
tricotomia tricotomia(v.)
(v.)
do
do
s
s
signos (rema,
signos (rema,
dicissigno, dicissigno,argumento),
argumento),
aquela
aquela
q
q
ue
ue
vê vê oosigno
signo
em
em
su
su
a
a
capacidade
capacidade
d
d
e
e
produzir
produzir
interpretantes
interpretantes
eeem sua
em sua
relação
relação
co
co
m
m
e s s e s e s s e sinterpretantes,
interpretantes,
oodicissigno
dicissigno
(o
(o
u
u
signo
signo
dicente)
dicente)
pode
pode
ser
ser
definido
definido
conlO conlOaquele
aquele
signo
signo
qu
qu
e
e
éécapaz
capaz
de
de
se
se
r
r
afirmado.
afirmado.
El Ele e é,é,portanto,
portanto,
aquilo
aquilo
qu
qu
e
e
seseentende
entende
como
como
proposição,
proposição,
isto é, isto é,el
el
e
e
contém
contém
elementos
elementos
significatisignificativosvosqu
qu
e
e
indicam suficientemente
indicam suficientemente
su
su
a
a
referência,
referência,
aoaocontrário
contrário
do
do
rema rema ((vv..)). . SSe oe orema
rema
ééum
um
a
a
função
função
proposicional,
proposicional,
do
do
tipo
tipo
x x aamma a y,y, oodicissigno
dicissigno
preenche
preenche
a as s incógnincógnitasitas (Maria (Mariaam
amaa João), João),
tornando-se
tornando-se
mais
mais
referencial
referencial
(cf. (cf. RARANSNSDEDELLLL,,1983a:
1983a:59-6ü)59-6ü). . (V(Verer
também
também
argumento). argumento).DICENTE DICENTE PROPOSIÇÃO PROPOSIÇÃO
2
2
1
1
L2 2
TELEOLOGIA VERDADE HIPÓTESE INDETERMINAÇÃO .Júlio Pint:oPartindo
da
definição
de
signo(v.),
conclui-se
que
a
semiose(v.),
por
ser
urna
cadeia
infinita,
que
tem
como
mola propulsora
o fato
de
ser
um
processo teleológico,
tende
para
um
estádio
em que
o
signo
s e tornariaseu
objeto
(v.). Isso seria o
que
poderíamos chamar
d e
verdadesemiótica,
isto
é,
aquele momento
em que
o
signo,
o
objeto
e o
interpretante(v.) se
confundiriam, Logicamente,
dada
a
natureza
infinita
do
processo
de
semiose,tal
estádio
é
apenas
urna
possibilidade
teórica,
de
vez
que entre
um
signo qualquer,
n,e
unl signo anterior
a esse,
sempre
se
pode
postular
a existência
de um
signo
n-L.Para
todos
os
efeitos,
portanto, essa
verdade nunca
é
alcançada.
Chega-se
a
essa
conclusão
por
via
da
noção
de
que
um
signo
representa seu objeto
e malgum aspecto
oucapacidade,
o
que quer
dizer
que
o
signo
revela
algum
aspecto
do
objeto
em
seu interpretante. Dizendo
isso de
outra
maneira, o
interpretante
se refere
do mesmo modo
que
o
signo àquilo
ao
qual
o
signo
se refere. Essa
formulação
aparentemente
exclui a
possibilidade
de erro,
de
vez
que
o
interpretante
não
pode
mudar sua
referência. Em
outras
palavras,
não
pode
haver interpretante
errado
(em
inglês,
misinterpretani).
Entretanto,
pode haver erro
de
interpretação
por
parte
do
intérprete
(em
inglês,
misinterpretation).A
existência de erro
de interpretação
pode serexaminada
de três
modos:
a)
qualquer signo
é
necessariamente
índetermínado
e
vago
até
certo
ponto
(v.
Lógica do vago);b)
essa
indeterminação
pode
conduzir
a
erro
relativo
ao
interpretantefinalCv),mas não
ao
interpretanteimediato
(v.);
c)
quando
se fala
enl tendência,
não
se
está pensando
enl tendências
rígidas
(do
tipo
se A, entãoB).
Tender para algo
significa,
semio.icamente,
tender
na
direção geraldesse algo (corno
um
zigue-zague, e
não
urna linha reta,
por
assim dizer). Essa
tendência
real é o
que
se
entende
por
teleologiaem
semiótica, isto é, a semíose
seria
um processo
télico
nesse sentido
da
completude
da
1, 2, 3 da SelTliót:ica
A relação entre erro e acerto fica mais clara no
seguinte trecho de Peirce:
o
seguinte tipo de argumento produziria, no final (a partir de premissas verdadeiras), uma conclusão verdadeira dois terços das vezes:A é tirado aleatoriamente dos B; 2/3 dos B são C;
Logo, A é
(Wrítings, II: 99)
Dar uma margem de 1/3 de erros não invalida o fato
de que, a longo prazo, os interpretantes inadequados são
correlativos ao objeto, isto é, o erro é correlativo ao acerto.
A expressão a longo prazo significa qu e o erro só pode
ser identificado em termos do interpretante final, e não do
interpretante imediato,
Na leitura de uma narrativa de ficção, por exemplo, o
leitor estabelece uma hipótese acerca da natureza de um
personagem baseado em algo que o personagem tenha
feito (v. abdução). A ação do personagem é um signo e a
hipótese do leitor é um interpretante dinâmico desse signo.
Quando a hipótese é formulada, deve ter havido uma forte
evidência conduciva a ela, isto é, ela é uma hipótese correta
nesse momento. Entretanto, ao final da leitura, o leitor
pode verificar que essa hipótese não se encaixa no quadro
geral das possibilidades para aquele personagem. Somente
agora pode-se identificar o erro, embora, e m u m certo
sentido, esse erro tenha contribuído para o "acerto" final.
Percebe-se que essa visão do erro nã o é diádica, pois
ele nã o se situa, à maneira estruturalista, na extremidade
oposta ao acerto. Ao contrário, o erro é correlativo ao
acerto. De uma certa maneira, portanto, o erro é um
interpretante do acerto e vice-versa, dentro de uma semiose
acerca de outra serniose ou , em termos mais correntes,
dentro de uma meta-semíose.
REPRESENTÂMEN IMAGEM SEMELHANÇA CONVENÇÃO SÍMBOLO
2 4
.Júlio Pint:oPrimeiro termo da segunda tricotomia (v.) dos signos
(v.), o ícone é caracterizado por Peirce, em um a de suas
muitas definições,
por se u objeto (v.) por compartilhar da s características dele. Confira as seguintes definições:
Um ícone é um signo que se refere ao objeto qu e ele
denota simplesmente em virtude de caracteres dele [o signo]
mesmo, e qu e ele possui independentemente da existência
do objeto ou não. (CP 2.247)
Um ícone é um Representâmen cuja Qualidade Representativa é uma primeiridade dele enquanto Primeiro. Isto é, uma qualidade qu e ele tem qua coisa torna-o capaz de se r um representâmen. Assim, qualquer coisa pode substituir algo com qu e se pareça. (CP 2.276)
Percebe-se que o princípio básico é o de um a relação
analógica que não envolva uma comparação de dois
termos, tanto que, inicialmente, o nome dado por Peirce a
essa função sígnica foi o de likeness Csemelhança'). Na
verdade, con1partilhar das características do objeto significa
te r con1 el e algun1a sin1ilaridade, de vez que o signo não
pode estabelecer uma relação diádica com o objeto, sob
pena de desfocar sua primeiridade
te, tornar menos perceptível sua identidade corno ícone.
Essa semelhança com o objeto, contudo, não é
necessariamente especular, corno numa fotografia, embora
possa sê-lo.
É
suficiente que o signo con1partilhe de un1aúnica propriedade n10nádica con1 o objeto, un1
que possa se r visto pelo sujeito como ícone daquele objeto.
De qualquer maneira,
relação de analogia, qualquer que seja ela, fazendo de
qualquer imagem, (visual, auditiva, olfativa, etc.) um ícone em potencial que depende, para su., atualização, da
interferência do sujeito.
Con10 diz Peirce, no CP 2.276, urn signo por
Primeiridade é um a imagem de seu objeto e uma imagem
só pode ser um a idéia. A função sígnica do ícone
assim,
a de exibir en1 si traçosSLj TO
í ON
c . 2 - I Q _ ~ Ç L l } , ~ _ ~ i g D · _ < : ) q u ~ ~ ~ , < i e t e r l n j 1 ) ~ S O
v ~ f e ~ o n s e q Ü e n t e m e n
-t r a ç o J 2 _ ~ ~ é l
existe na deniTd adedü Tconeuma
é _
1, 2, 3 da SelTliót:ica
Por isso,
uma de
suas Importantes características é a
de
que, através
da
observação direta
dos ícones,
podem
ser
descobertas outras verdades acerca
de
seu objeto, além dos
traços
que
bastaram para a sua
identificação, isto
é, o
é
responsável pela revelação de inierpretantes(v.)
inesperados (cf. CP 2.279). Vale dizer que, assim
o
rema
(v.), o
ícone é
aquele
signo
do qual se
derivaa
informação, ao
contrário
do
dicissigno(v.), aquela função
sígnica
que
veiculaa informação.
Os processos icônicos se fundamentam na forma,
seja
ela
concreta (o
mapa de
unl território,
porexemplo)
ou
abstrata
(duas idéias diferentes,
porém
análogas,
podem
perfeitamente
ser
vistas
corno icônicas
uma
da
outra). É
possível,
também, dizer-se
de
uma análise estrutural - e a
referência
aqui é ao movimento intelectual conhecido como
Estruturalismo -
queelana nledida
em que
busca ísomorfismos definidores
de
certos elernentos
conlO pertencentes a unla
Os formalismos,
de
maneira geral,
também
seriam
processos
icônicos,
e é
porisso
qu ePeirce
pensaa
Matemática
comourna
disciplina que tende paraa
primeiridade
por,
em
última
análise,
basear-se na
noção
de
semelhança.
A
Álgebra,
por
exemplo, se
ocupa de
relações
isomórficas entre
quantidadesdefinidas abstratarnente
através
de
incógnitas
(que,
em
si mesmas,
não
são ícones
porque constituem estipulações feitas
a priori).O nlesnlo
pode
ser dito
do
discurso poético, na medida
em que
ele
tende para a imagem.
Naturalmente, dado ofato de o ícone ser signo e, portanto,
estar inscrito
ab initiona
terceiridade(v.),
definida nlediante sua
da
tricotomia, o
índicerigor,
não
existe
signoicônico,
de vez que, preso
à
terceiridade, o ícone sofre o
controle
do
simbólico. Assim, mesmo a
nossa percepção
sensorial
os interpretantes
que
produzimos a
partir
dela
estão "contaminados"
com
as
implicações
convencionais,
habituais, ideológicas e regularizadoras, presentes no signo (v.
degenerescência).
Isso não quer dizer, contudo, que não se
possa
caracterizar
um
determinado discurso, o
poético,
por
exemplo, corno
tendente para o icônico, na medida
em
que
busca
vez
da
intensão lógica do vago).2 5
í < : o n ~ como t ~ l q ~ _ p _ ~ ~ _ ~ çs>_nicidade, d a d ~ _ ~ ~ t r ~ _ ~ ~ ~ - - ' ~ - _ ' ~ - ' _ . - . _ , 00 . ? _ ~ ~ . ª , p r i . l l ~ i r i d ~ c . I . ~ ~ r e l a ç ã ~ CO l os?utros d o i s ~ i g n o s (v ·.)·-e Ç{ zbeJlo é v . ) ~ · \ T a l - ; ; ; - ' d i z e ~ · q ~ e ,a
ícone
pllfo e n1efhorseria falar
de
~ . e ~ e ~ ~ o .
em
2 6
FUNDAMENTO REPRESENTÂMEN
SIMUACRO
.Júlio Pint:o
A idéia
de imagemestá ligada ao conceito de
ícone(v.).
Peirce diz, no CP 2.276,
queum ícone é um
representâmen(v.) "cuja
qualidaderepresentativa é
um asua
Primeiridade(v.) corno primeiro". E mais, "um
signo porprimeiridade é
uma imagem de
seu objeto" e "só
pode ser umaidéia, pois
deve
produzir
umaidéia
interpretante(v.)",
Numparágrafo
subseqüente
(2.280), ele fala de mimetismo conlO
sendourna
das
propriedadesdo ícone. A imagem, concluir-se-ia então,
tem um
caráter inegável de semelhança.
Baseia-.se nessa constatação - feita a partir de outras
bases
teóricas, mas
essencialmentea
mesmaidéia -
um acerta maneira
ingênua dese
pensara mímese, a representação
de
um a"realidade". Em outras palavras,
uma imagemmimetiza
seu
objetoe o
propõeatravés de si
mesma,
Esse seria um
simples
processoreferencial, isto é, o signo
apontandopara
um
referente,
queconsiste na apresentação de algo
como s efosse aquilo que é.
Na
relação imagem/objcto, portanto,privilegia-se a identificação da
qualidadematerial
do ícone(seu com
a
doobjeto. Nesse tipo de relação, o
objeto é o referente constante.
Assim, o tratamento tradicional da
imagem(e pensa-se
aqui não apenas
a imagem visual, mas
tambéma poética, a
acústica e outras) baseia-se na tentativa de se alcançar o
algoque é,
através
daestratégia de
chamaro
c o m o s e(i.e., o
signo) de é (i.e., objeto)
desprezando, emcerto sentido, o
veículo, o
como se,a fim de se concentrar na
busca daquiloque
se
supõe queo
c o m o s e representa. Esse seriao
fundamento
da
posturaestética
conhecidacorno realismo (cf.
PINTO,
1992:10;1993:138-139).
Há, entretanto,
umaoutra maneira de se
pensaro signo
imagético qu e pode
levar a urna
concepção menostrivial de
mímese. Um
signorepresenta, mas é,
tambémele,
umobjeto
(essa é
umaimplicação
direta
do processoda
semiose lv.l).Dito de
outramaneira,
umsigno é
umaentidade,
um issoe,
portanto,
umaid-entidade. Ao se mostrar, o
signotanto
podeexibir seu
objeto(e, assim, ser ícone) ou exibir-se a si mesmo,
obscurecendo seu
objeto (mostrando-se, nesse caso, corno unl
qualissigno lv.D.
S M lli NÇ
I M tM
1, 2, 3 da SelTliót:ica
Ao exibir seu caráter de primeira, de signo (todo signo
é um primeiro dentro da relação de representação), a imagem como que se absolutiza. Ao eclipsar o objeto, a imagem emerge como unl como se, quer dizer, ela a parece
como se fosse um como se, não-como se fosse um algo
qu e é. O ser da coisa desaparece, substituído pela imagem,
o artifício se torna o objeto, e a ordem de coisas a que se costuma chamar de realidade perde seus contornos para se tornar, ela mesma, signo (cf.PINT0,1993:14ü-141).
Estabelece-se, dessa maneira, o estatuto do simulacro: realiza-se a representação, em vez de representar-se a
realidade. Isso faz com que a representação seja urna profusão de signos dissociados de seus objetos "reais", num
tipo de relação representacional que não se ancora em
arranjos simbólicos, para além daqueles produzidos por e para suas próprias necessidades internas.
Nã o se pode, portanto, pensar a imagem somente como representação do objeto (de resto, não se pode fazer isso com signo algum). Considerar a imagem desse único ponto de vista é sucumbir a uma forma sutil de estruturalismo
binário, a do signum/signatum. Pensar a imagem ímagis
ticamente, contudo, é vê-la não apenas corno um primeiro do terceiro, ma s também corno um primeiro do primeiro, e percebê-la como a qualidade (Dmaterial da relação repre sentacional, que faz com que o objeto seja (des)conhecido.
2 8 FORÇA EXISTENCIAL PROPOSIÇÃO .Júlio Pint:o
íNDlCf
Segundo termo da segunda tricotomia (v.) dos signos
(v.), o
índice se define, em contraposição ao ícone(v.),
como aquela função sígnica que, em ve z de exibir em si
traços do objeto
(característica
do ícone) aponta para forade si
na
direção do objeto(v.):
Um índice é um signo que se refere ao Objeto que ele 'denota em virtude de se r realmente afetado por aquele
objeto... Na medida e m qu e o índice é afetado pelo Objeto,
ele necessariamente te m alguma Qualidade em comum co m o Objeto e é co m respeito a essa qualidade que ele
se refere ao objeto. (Cp 2.248)
Ser
afetado por um objeto seriao
que Peirce chamade estar numa relação de força bruta.
O
primordial noíndice não
é,
portanto,a
analogia. Para ser índice,na
verdade, basta que
o
signo esteja numa relação diádica
de dois termos
-
com seu objeto (querdizer,
uma relaçãoexistencial) independentemente da natureza dessa relação
(que pode ser de contraste, ação
e
reação, causae efeito,
contigüidade,
etc.). Em
outraspalavras, o
índiceé a
instânciada secundidade
(v.)
dentro datricotornía
que tambémé
segunda(a
dos signos definidos de acordo com sua relação como objeto,
sern qualquer preocupação c omo
interpretanteque
virá a
ser gerado nessa mesma relação).Dessa
forma,
qualquer proposição do tipo"Se A,
entãoB" é
indiciaI. O s chamad o s
"signos naturais" sãofreqüentemente arrolados como exemplos d e
índices:
nuvem(signo de chuva), pegadas (signo
da
passagem de alguém),o
barulho de umtiro
de revólver (como signo dotiro) e
assim por diante.
A
semiologia médicaé indiciaI,
na medidaem que
lida
c om sintomas.Na
linguagem,os
demonstrativos,os
pronomes pessoais,os
nomes próprios,os
advérbiosde
tempo
e
lugar são também considerados índices, mesmo sendo obviamente convencionais, de vez que, no contextoda linguagem, eles diferem das onomatopéias (signos verbais
icônicos)
e
dos substantivos comuns (sínlb%s,lv.l).
RuT