A ABiogás - Associação Brasileira do Biogás e do Biometano é uma pessoa jurídica de direito privado, de âmbito nacional e sem fi ns lucrativos, que tem o objetivo de congregar os interesses das sociedades, estabelecidas no país e no exterior, que se dediquem ao desenvolvimento da produção e do consumo do biogás e do biometano, divulgando e promovendo estas fontes de energia, no sentido de possibilitar sua efetiva e signifi cativa participação na matriz energética brasileira.
Presidente
Alessandro Marcello Carl von Arco Gardemann Vice-presidente
Gabriel Junqueira Kropsch
Sede
Gaston Aragon (V.1)
Vinícius G. S de Rezende (V.2)
Marco legal/regulatório
Monroe Olsen (Supervisor V.1; V.2) André Guimarães (V.1)
Ângelo Ohno (V.1) Antônio Nava (V.1) Cícero Bley Jr. (V.1; V.2)
Eduardo Covas Barrionuevo (V.1) Hélinah Moreira (V.1)
Karina Lassner (V.1)
Luis Cesar da Costa Jr. (V.1) Márcio Schittini (V.1) Philipp Blochmann (V.1) Rafael Pulgar (V.1) Valdemiro Kreusch (V.1) Camila Agner d’Aquino (V.2)
Assuntos tributários e REIDI
(Extensão ao biometano)
Monroe Olsen (Supervisor V.1; V.2) Cícero Bley Jr. (V.1; V.2)
Eduardo Covas Barrionuevo (V.1) Gabriel Kropsch (V.1) Henrique Grossman (V.1) Marcelo Cupolo (V.1) Philipp Blochmann (V.1) Valdemiro Kreusch (V.1) Leilões
Rafael Pulgar (Supervisor V.1) Cícero Bley Jr. (V.1)
Eduardo Covas Barrionuevo (V.1) Gabriel Kropsch (V.1)
Hélinah Moreira (V.1) Luis Cesar da Costa Jr. (V.1) Maurício Moreira (V.1)
Linhas de financiamento
Alessandro Gardemann (Supervisor V.1) Hélinah Moreira (V.1)
Luis Cesar da Costa Jr. (V.1) Eduardo Covas Barrionuevo (V.1) Gabriel Kropsch (V.1)
Capacitação Profissional
Leidiane Ferronato Mariani (V.2) Monique Riscado Stilpen (V.2) Felipe Souza Marques (V.2)
Produção e Design
Agência Lacomunica (V.2)
Diagramação
Electric Power
JANUS & PERGHER
GERADORES DE GASES MEDICINAIS E INDUSTRIAIS
GREENLANE BIOGAS ANDERSEN BALLÃO
A D V O C A C I A
A
B
1.4.1 Governo federal ... 19
1.4.2 Agenda internacional ... 19
1.4.3 Empresas do setor energético ... 21
1.4.4 Sociedade civil ... 21
1.4.5 Indústria automotiva ... 21
1.4.6 Congresso nacional ... 22
1.4.7 Estados ... 28
1.5 Marco regulatório brasileiro – estado da arte ... 32
1.5.1 Empresa de pesquisa energética ... 32
1.5.2 Agência nacional de energia elétrica ... 33
1.5.3 Agência nacional do petróleo ... 33
1.5.4 Ministério de minas e energia ... 33
1.5.5 Concessionárias ... 34
1.6 Produção e aplicações ... 34
1.7 Principais setores beneficiados ... 35
1.7.1 Agroindústria ... 35
1.7.2 Setor sucroenergético ... 36
1.7.3 Saneamento ... 38
1.7.4 Potencial brasileiro de biogás e biometano ... 40
2 O programa ... 43
2.1 Objetivos e diretrizes ... 44
2.1.1 Objetivo principal ... 44
2.1.2 Principais diretrizes do PNBB ... 44
2.2 Proposta de estrutura gerencial ... 45
2.3 Proposta de plano de trabalho ... 45
3.2 Regime tributário ... 49
3.2.1 Procedimentos para solicitaç ã o de novos CNAEs, NCMs, ex-tarifá rios ... 49
3.2.2 Desoneraç ã o tributá ria na aquisiç ã o de maté rias-primas, material intermediá rio, ferramentais, ativo imobilizado e uso e consumo. ... 51
3.2.3 Reduç ã o da tributaç ã o sobre o fornecimento de energia elé trica, biogás, biometano, adubos lí quidos e só lidos, vapor e energia té rmica ... 52
3.2.4 Desoneraç ã o em toda a cadeia dos componentes, partes e ferramentais utilizados na conexã o e transmissã o de energia elé trica e produç ã o e transporte de biogás/biometano ... 53
3.2.5 Extensã o do REIDI à produç ã o de biogás ... 53
3.3 Uso e comercialização de biometano e propostas ... 53
3.3.1 Proposta: incentivo à auto-produção ... 55
3.3.2 Proposta: incentivo tarifá rio ao biometano ... 56
3.3.3 Proposta: regulamentar a troca operacional (swap) ... 56
3.3.4 Proposta: garantia de acesso aos gasodutos de distribuiç ã o ... 56
3.4 Leilões de energia nova - geração termelétrica a partir de biogás e biometano ... 57
3.4.1 Sistemá tica de contrataç ã o de energia elé trica produzida por usinas té rmicas a biogás e biometano ... 57
3.5 Políticas de fi nanciamento ... 61
3.5.1 Enquadramento em linhas existentes ... 61
3.5.2 Project fi nance ... 61
3.5.3 Criaç ã o de um fundo garantidor do mercado de biogás ... 62
3.6 Ganhos de divisas e potencial de substituição da importação ... 63
3.7 Desenvolvimento tecnológico ... 64
3.8 Meio ambiente ... 65
3.9 Pesquisa e desenvolvimento ... 67
3.9.1 O biogás brasileiro de segunda geraç ã o ... 67
3.9.2 Rede biogás brasil de pesquisa e desenvolvimento para a qualidade. ... 68
3.9.3 Proposta para um sistema brasileiro de qualidade do biogás/biometano baseado na rede brasil biogás ... 69
4 Capacitação profi ssional no setor do biogás e biometano ... 71
ANTECEDENTES PARA
FORMULAÇÃO DA PROPOSTA
1.1
Sumário executivo
A presente Proposta de um Programa Nacional do Biogás e do Biometano é uma atualiza-ção do documento publicado em 2015, o qual foi elaborado por um conjunto de associa-dos da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano – ABiogás. A intenção é mostrar o avanço das políticas públicas dos setores da energia elétrica e combustível e do mercado, além de fornecer novos elementos conceituais e informativos para alavancar no País um cenário cada vez mais favorável para a disseminação do biogás e do biometano.
Em 2015, o princípio fundamental que norteou a elaboração desta Proposta foi o de não buscar obter para esses energéticos nenhuma exclusividade ou benefícios excepcionais, mas estabelecer condições específicas para torná-los fontes energéticas seguras, com qualidade e disponibilidade firme, de forma a fazê-los atrativos tanto para potenciais produtores e usu-ários, quanto para investidores e para o Governo e seu papel intransferível de agente gestor e regulador de todas as fontes energéticas que venham integrar oficialmente a matriz nacional.
O biogás e biometano são combustíveis renováveis, produzidos a partir da degradação de materiais orgânicos tais como resíduos e efluentes orgânicos e outras fontes de biomassa com grande potencial econômico, ambiental e social e com características energéticas que podem contribuir em muito para a sustentabilidade e a eficiência energética de importantes setores econômicos, tais como o setor sucroenergético, o agropecuário e saneamento am-biental (esgoto sanitário e resíduos sólidos urbanos).
As principais potencialidades para o biogás como fonte energética no Brasil se refletem:
•
Na disponibilidade em larga escala de biomassa e resíduos orgânicos, com capacidade de estocagem;•
Nas externalidades socioambientais positivas, como, por exemplo redução de Gases de Efeito Estufa - GEE’s, redução na emissão de particulados, sustentabilidade das atividades geradoras, energia renovável não intermitente, geração descentralizada regional, interiori-zação do metano, geração de economia e renda, capacitação e treinamento de trabalha-dores, produção de biofertilizantes, rota de produção de hidrogênio, etc..;•
Na produção de energia de base, com flexibilidade para atendimento em momentos de ponta e como complemento para outras fontes de energia;•
Na escalabilidade, uma vez que pode ser produzido desde a micro até a média e grande escala;•
Na sustentabilidade, já que sua origem se dá em processos de saneamento ambiental das atividades produtoras de resíduos e efluentes orgânicos;•
Na flexibilidade como fonte energética para uso elétrico, térmico e combustível;•
Na armazenabilidade, que proporciona seu uso como acumulador, ou bateria em situa-ções combinadas com outras fontes energéticas intermitentes como solar e eólica;• Na intercambiabilidade com Gás Natural, já regulamentada, para injeção em gasodutos, assim como para uso dos mesmos kits e processos de conversão de motores a explosão interna.
Vale destacar que as condições tropicais e subtropicais brasileiras conferem à produção do biogás e do biometano vantagens comparativas em relação às que ocorrem em países frios. Apesar disso, a ABiogás defende que o setor deve assegurar qualidade e confi abilidade, o que só é possível com investimento em efi ciência de conversão (elétrica e de purifi cação) e em parâmetros mínimos de processo, tais como controle de mistura, alimentação, temperatura, agitação (quando cabível).
Dadas tais potencialidades, os esforços dos Estados e da Federação determinaram uma Nova Era do Biogás no Brasil, que hoje se encontra regulamentado e com projeção nacional:
Este novo cenário tem sensibilizado também o Setor Energético, com a inclusão do biogás e do biometano nas agendas setoriais, tais como da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, com importantes regulações como a RN 482/2012, alterada pela RN 687/2015, e a abertura do Mercado Livre para comercialização de energia elétrica. A ANEEL também abriu possibilidades concretas de estímulo à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) para a injeção da eletricidade proveniente do biogás e biometano na rede de energia através da Chamada de P&D Estratégico número 14 no ano de 2012.
Adicionalmente, por solicitação do MME, a Agência também incluiu o biogás entre as fontes renováveis para energia de reserva para o ano de 2017, no Leilão A-3, sendo pos-teriormente considerados e/ou habilitados projetos que envolvem biogás nos leilões A-5 2016 e A-6 2018. Também a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP publicou a Resolução ANP 8/2015, fi xando parâmetros para o biometano como combustível renovável e a Resolução ANP 685, que efetua regulamentação do biometano como combustível veicular oriundo de aterros e estações de tratamento de esgoto. Não obstante em setembro de 2017 a ANP aprova o controle de qualidade do biometano e permite a comercialização do biocombustível oriundo da usina de Dois Arcos em Pedro
DEZ 2012 Programa Paulista de Biogás -SP ABR 2013 Programa Paulista de Biogás ABR 20123 Alteração do Código Tributário - MG JUL 2013 Convênio ICMS n� 112- SP/MS ABR 2016 Primeira contratação de biogás em um leilão de energia elétrica AGO 2017 PDE 2017 EPE JAN 2015 Regulmamentação do Biometano como combustível veicular oriundos de fontes agrossilvopastoril DEZ 2012 Política Estadual de Gás Natural Renovável - RJ JUL 2017 Regulamentação do biometano como combustível veicular
oriundo de aterros e ETE
FEV 2018 Aprovação no CEPE do mínimo obrigatório de biometano em SP MAIO 2018 Aprovação do Marco Legal do Biogás no Paraná NOV 2015 Alteração 482/2012 DEZ 2017 Aprovação da Lei 13.575/2017 Programa RenovaBio JUN 2018 Sancionado o Marco Legal de Santa Catarina (SC-Biogás) Fonte: ABiogás (2018)
A Empresa de Pesquisa Energética - EPE incluiu o biogás no Plano Nacional de Energia (PNE – 2030), e vem detalhando suas aplicações em diversas notas técnicas, como por exemplo as DEA’s 15 a 18, de 2014 e a nota Técnica 13/2015, também incluiu em 2018, o biogás em seu WebMap Interativo, que contou com os dados levantados pelo CiBiogás. Finalmente o próprio Ministério de Minas e Energia estabeleceu com a Portaria 44/2015, importantes oportunidades para geração de energia elétrica com uso de microgeradores que utilizam biogás e biometano, bem como em 2017 apoiou o programa RenovaBio e es-tabeleceu valores de referência para biogás com por meio da Portaria 65/2018.
O biogás foi definido pelo artigo 3º da Resolução ANP 8/2015 como um gás bruto obtido da decomposição biológica de produtos ou resíduos orgânicos; e o biometano, de-finido pela mesma resolução, em seu artigo 3º, II, como biocombustível gasoso constituído essencialmente de metano, derivado da purificação do biogás, apresentam a importante característica de versatilidade, já que são aplicáveis em geração de energia elétrica, térmi-ca e combustível. A descentralização, uma vez que tanto podem ser produzidos em grande quanto em pequena escala em situação de produção descentralizada de energia (EPE NT13/15) e com efeitos diretos relacionados com e eficiência energética das atividades produtivas, residindo aí o fator que pode dar visibilidade definitiva ao biogás.
Em especial é relevante destacar o setor da agropecuário, que é responsável por 46% (1° trimestre de 2018 - http://www.agricultura.gov.br/) do PIB Nacional, gerador de um em cada quatro empregos de brasileiros, mas que também é consumidor de 37% da disponibilidade interna de energia elétrica nacional e grande consumidor de combustível fóssil, principalmente diesel. Uma vez que esta demanda energética é di-recionada para a realização de operações como irrigação, bombeamento, secagem e moagem de grãos, aquecimento de pequenos animais, abastecimento das frotas de ve-ículos leves e pesados que trabalham para escoamento da produção, enfim, operações da produção que não necessariamente deveriam ser realizadas com energia gerada em grandes centrais, com linhas de transmissão, subestações e linhas de distribuição, mas sim com energias e combustíveis gerados com os próprios resíduos orgânicos das atividades. A eficiência energética do setor de alimentos, obtida ao se usar fontes não convencionais como o biogás e o biometano, impacta diretamente na eficiência ener-gética nacional ao poupar a oferta interna de energia. E esse paradigma se replica em tantos outros setores da economia nacional.
Pode-se verificar pelas iniciativas registradas uma nova convergência de interesses por parte de importantes agentes públicos e privados em torno do desenvolvimento do biogás e do biometano como fontes energéticas estratégicas.
Desta forma, fica o agradecimento da ABiogás pela acolhida pelas mais diversas esferas das propostas contidas na primeira versão do PNBB e seguimos com as novas demandas desse setor.
1.2
Histórico
A ciência tem estudado intensamente os gases e propondo uma nova matriz energética com predomi-nância de fontes renováveis de energia para atenuar os efeitos danosos dos combustí veis fó sseis. O pes-quisador inglê s Robert Hefner III em A Era dos Ga-ses, demonstrou como a matriz energé tica mundial vem evoluindo desde a predominâ ncia dos combus-tí veis só lidos (biomassa da madeira), passando pela era atual dos combustí veis lí quidos (derivados do pe-tró leo) e já enxergando a Era dos Gases, que terá seu apogeu no mundo movido a hidrogê nio (H2), o mais puro vetor de energia que a humanidade conhece.
Nesta modelagem, Hefner III avaliou como os padrõ es de combustí veis variaram e continuarã o va-riando na matriz energé tica ao longo de 300 anos de histó ria. De 1850 até 2150, identifi cando em seus
perí odos clá ssicos, revoluç ã o industrial, economia pó s-moderna, economia do sé culo 21 e fi nalmente chegando à economia do hidrogê nio. Demonstrou como a humanidade utilizou e desenvolveu seus combustí veis em cada perí odo e os foi substituin-do diante de fatores determinantes como escassez, efeitos negativos imprevisí veis, impactos ambien-tais, desempenho econô mico, e outros. No estudo da tendê ncia do uso dos gases até o seu ponto culminante com o uso do hidrogê nio, demonstrou que uma etapa nã o pode ser ignorada ou negligen-ciada, que é a passagem pela intensa utilizaç ã o do metano (CH4), que compõ e o biogás. O metano está na rota do hidrogê nio. Será necessá rio desenvolver e aprimorar as aplicaç õ es de metano, como se fos-se um está gio preliminar, ou precursor da econo-mia do hidrogê nio.
Porcent
agem do Merc
ado
População Mundial (bi)
Revolução Industrial Pós 2ª Guerra Mundial Economia Global Séc. 21 Economia Sustentável
Madeira e forragem Crescimento econômico não-sustentável Centralizado, tecnologias de capital-intensivo, infraestrutura energética inefi ciente Sólidos 2005 Gases Carvão e nuclear Petróleo e Hidro Líquidos Metano Metano Petróleo e gás natural liquefeito Hidrogênio Hidrogênio Petróleo Óleo de baleia População 20 2 4 6 8 10 12 1850 1900 1950 2000 2050 2100 2150 40 60 80 100 Crescimento econômico sustentável Descentralizado, menor capital-intensivo, tecnologias inteligentes, infraestrutura energética efi ciente Figura 2. Ondas globais de transiç ã o energé tica
O imaginário popular associa o biogás à podridão, aos esgotos, aos pântanos, à degrada-ção; enfim, o biogás é relacionado com aspectos escatológicos, sejam naturais ou construídos. Talvez por isso, esse produto seja associado ao passado e consequentemente tenha tido o seu valor e importância econômica minimizados.
No entanto, como proposto por Hefner III, para evoluir no uso dos gases e chegar ao hi-drogênio, a humanidade terá que dominar o metano, componente do biogás, sendo inevitável concluir que este gás está ligado ao futuro e não ao passado. Reforça ainda o fato de que o biogás e seus componentes fazem parte do ciclo biogeoquímico do carbono, que é o mais antigo, o maior e o mais importante ciclo do metabolismo da Terra. Há de se considerar in-clusive, que o metano (CH4) é portador do próprio hidrogênio: duas moléculas de hidrogênio molecular (H2) para uma de carbono.
O estudo de Hefner III revela ainda, que a Era dos Gases determinará que a humanidade deixe para trás uma forma de crescimento econômico não sustentável, centralizado, intensivo em capital e ineficiente energeticamente, e vá gradativamente encontrando um modelo de crescimento descentralizado, desenvolvido tecnologicamente, menos capital-intensivo e alta-mente eficiente no aproveitamento energético. Esse novo modelo preconizado por Hefner III traz o biogás novamente ao cenário das energias renováveis estratégicas e estabelece as pre-missas do que é preciso fazer para que isto aconteça, ou seja, quais as mudanças regulatórias necessárias, revalorizando conceitos como o da Produção Descentralizada de Energia (EPE, 2018) que leva à Geração Distribuída de Energia Elétrica e a Produção Descentralizada de Combustíveis, necessárias para promover um novo modelo de geração de energia e o urgente reconhecimento do biogás e biometano como produtos com valor econômico, a ser percebido pela matriz energética brasileira.
Com a geração distribuída, abre-se uma nova perspectiva energética também para o for-necimento de energia elétrica e térmica geradas com biogás, bem como para a geração de biometano em fronteiras ainda carentes de infraestrutura de distribuição de gás canalizado. Trata-se da possibilidade de economias intensivas em energia, como, por exemplo,secagem de grãos, olarias, cimenteiras, porcelanatos ebritadeiras.
Além do interesse direto que o Setor Elétrico poderia manifestar como gestor de águas, em função dos impactos ambientais que a biomassa residual produz e a considerar a energia de forma mais ampla e abrangente como convém à gestão pública, constata-se que não podem continuar a ser contabilizadas como viáveis somente aquelas fontes e respectivas escalas que interessam aos setores convencionais, como o elétrico e o dos combustíveis, pelos quais o Setor já assume o extremo desafio de fornecer energia de forma universal (para todos e para tudo). Porém as dimensões da energia vão mais além do que esta já grandiosa abrangência propõe.
A energia e seus conceitos de aplicação têm ainda maior alcance do que o nosso gigan-tesco sistema está a oferecer. Desde as atividades remotas, isoladas, até mesmo aos centros de carga aonde atividades produtivas precisam ser eficientes em energia para se sustentarem e para se intensificarem ainda mais.
Para essas atividades, a possibilidade de gerar em todo ou em parte a energia e o com-bustível que consomem tem reflexos diretos na eficiência, na produtividade, na qualidade de seus produtos, na atualização tecnológica de seus processos, na sustentabilidade ambiental de suas operações e tudo isto junto determina o atendimento a uma necessidade fundamental para a sobrevivência econômica: a competitividade. Trata-se de um convite para ver a geração de energia pelo ângulo das cargas e não pelo ângulo tradicional das diferentes formas de geração.
Seria olhar també m a geraç ã o pelo â ngulo dos consumidores, ou seja, uma possibilidade de ver a energia na sua maior amplitude, sendo gerada pelo pró prio consumidor para elevar a sua efi ciê ncia energé tica, como se constata, um dos fatores fundamentais para a competi-tividade.
Uma possibilidade é operar no sentido inverso do que estabeleceu o sistema convencional de energia até o momento e que muitas vezes nã o pode evitar sé rias e incontorná veis limita-ç õ es, quer em funlimita-ç ã o de pesados investimentos para expandir a infraestrutura de transmissã o e distribuiç ã o e levar energia a zonas ocupacionais distantes e rarefeitas, quer pelos custos da energia convencional que por vezes nã o cabe em vá rias economias consideradas primá rias e fi cam fora de matrizes econô micas produtivas, ainda que essas atividades necessitem incor-porar fontes de energias disponí veis em seus pró prios sistemas de produç ã o, como no caso do biogás.
É relevante considerar que a ANEEL, no sexto capí tulo de seu Manual de Efi ciê ncia Ener-gé tica publicado em 2013, já considera a geraç ã o para auto abastecimento como uma medida de efi ciê ncia energé tica, bem como vem abrindo mais espaço para esse energético na matriz brasiliera.
També m contribuem para este caso as difi culdades encontradas pelo Setor em mobilizar recursos naturais capazes de serem utilizados como fontes de energia, renová veis ou nã o. Vivemos em um mundo de recursos fi nitos e mobilizar todos os recursos para geraç ã o é no mí nimo uma decisã o de alto valor estraté gico. Outro forte aspecto a considerar é que a matriz energé tica nacional revela o estado má ximo da participaç ã o das diversas fontes, mas nã o necessariamente abrange as outras infi nitas possibilidades de enriquecer matri-zes energé ticas especí fi cas, quer as locais, quer aquelas pró prias das atividades energo--dependentes. A viabilidade energé tica dessas dependem tanto do sistema convencional, quanto das fontes energé ticas mais pró ximas e disponí veis, muitas vezes resultantes de seus pró prios processos de produç ã o, como os efl uentes e resí duos orgâ nicos, que se constituem em biomassa residual de parte signifi cativa de nossos processos agroindus-triais e que sã o geradoras em potencial de biogás.
Só a partir de disposiç ã o polí tica para olhar alé m do interesse legítimo e pró prio dos Setores da Energia e dos Combustí veis é que poderã o ser encontradas as dimensõ es dos serviç os da energia aplicados pelos setores da economia que necessitam encon-trar novas possibilidades energé ticas e consideram o biogás e o biometano como com-bustí veis de alto valor estraté gico e de extrema viabilidade pelo fato de ter origem nos resí duos orgâ nicos que o produzem. Exemplifi ca bem isto o agronegó cio e o setor su-croenergé tico brasileiros e todos os negó cios relacionados à suas cadeias produtivas.
1.3
Panorama do biogás no mundo e no Brasil
O Estado da Arte do biogás no Mundo tem como fonte de referência o Relatório Country Report 2016 (http://task37.ieabioenergy.com) elaborado pelo Task Force 37 – biogás da Agen-cia Internacional de Energia (International Energy Agency – IEA). Na dinâmica desta Força Tarefa cada país representado apresenta anualmente o Estado da Arte do biogás em seu território. Trata-se, portanto, de uma fonte superior de informações, com grande credibilidade internacional, pelos resultados e tradição que representa. Foram levadas em consideração também o relatório anual da Associação Europeia de Biogás (European Biogas Association, 2017) (http://european-biogás.eu).
O modelo internacional, principalmente europeu, de usinasbiogás consiste, em grande par-te, em concentrar dejetos e resíduos de vários produtores em um único biodigestor de alta tecnologia. Além de ganho em escala, que proporciona altas concentrações de biogás mo-nitoradas, isto é feito para compensar a influência do clima frio e da escassa biodiversidade encontrados nos países do Hemisfério Norte. Além disso, a estrutura fundiária nestes países promove grande proximidade entre os produtores agrícolas, o que favorece uma logística de transporte de dejetos brutos ao biodigestor de alta tecnologia, o mesmo ocorrendo com o transporte do digestato (efluente do biodigestor para ser usado como fertilizante orgânico) para as lavouras dos produtores envolvidos.
A opção brasileira em geral se dá pelo emprego de biodigestores de média tecnologia para grandes produtores de resíduos e efluentes orgânicos e biodigestores de baixa tecnologia para conjuntos de pequenos produtores em operações condominiais, o que por muito tempo foi determinando para o baixo sucesso da tecnologia para fins energéticos.
Estas diferenças indicam que, reportando o número de instalações com biogás, conforme o Relatório Estatístico Anual de 2016 da Associação Europeia de Biogás, em torno de 11 mil na Alemanha, 1,5 mil na Itália, 700 na França e seguidos de expressivas participações em outros países europeus, não revelam o número de produtores rurais envolvidos, o que estabelece um horizonte reduzido acerca do alcance da geração de energia com este combustível.
Em vários momentos da história recente do biogás no Brasil ocorreram iniciativas para pro-duzir e usar o biogás. Nos anos 70 o combustível chegou a integrar o modelo da “revolução verde”, paradigma da atual economia mundial de produção de alimentos. Entretanto, ao con-trário de outras tecnologias, o biogás não prosperou. As razões disso são várias e vão desde o atrelamento do biogás aos preços do petróleo, que ao despencar desestimularam o uso do biogás como fonte alternativa de energia, até o mau emprego dos dejetos animais, na época manejados sem nenhum critério.
Outra causa apontada para o insucesso foi a opção por biodigestores com componentes em ferro, que logo foram corroídos pelo ácido sulfídrico, um dos constituintes do biogás. Passaram-se 30 anos sem que o biogás voltasse a interessar os sistemas produtivos, mesmo fazendo parte deles como subproduto. O biogás reaparece então no cenário das iniciativas motivadas pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo proposto pelo Protocolo de Quioto, porém em projetos concebidos de forma a simplesmente queimar o biogás sem nenhum apro-veitamento energético.
Ao longo dos anos o biogás acumulou frustrações e o seu valor econômico simplesmente foi e é desperdiçado, queimado, ou emitido para a atmosfera na forma bruta, o qual devido à presença de metano (CH4) que possui potencial de impacto de efeito estufa 21 vezes maior do que o do gás carbônico (CO2) traz sérias consequências para o aquecimento global e as mudanças climáticas.
Os setores produtivos agrí colas como o agronegó cio de alimentos e o sucroenergé tico, ten-tam obter equaç õ es econô micas mais pró ximas da sustentabilidade e novas formas de renda para fazer frente à cobertura dos custos de investimentos e despesas de manutenç ã o dos seus serviç os ambientais. Da forma como estã o estruturados economicamente os negó cios e de como sã o exigidas por leis ambientais atualmente, as medidas de adequaç ã o ambiental desses serviç os demandam investimentos pesados que infl uenciam signifi cativamente na es-trutura econô mica, já que tratam de passivos, ou seja, investimentos nã o geradores de renda. Considerando-se o biogás como um produto energé tico, portanto de valor econô mico in-trí nseco e agregando suas externalidades positivas pelos serviç os ambientais, sanitá rios e sociais que proporciona, o biogás pode ser considerado o componente dos processos de ade-quaç ã o verdadeiramente gerador de renda, como um dos insumos mais importantes de suas estruturas de custos de qualquer atividade, a energia.
A ABiogás estima o potencial de produç ã o de biogás de maneira conservadora no Brasil em 82 Bilhõ es de Nm3/ano, sendo 41 bilhõ es do setor sucroenergético (considerando a cana--de-açúcar e seus resíduos orgânicos como bagaço, palha, torta de fi ltro e vinhaça), 37 bilhõ es do setor agropecuário (considerando a proteína animal, dejetos de animais e as culturas de milho, mandioca e soja) e 3 bilhõ es do setor de saneamento ambiental (considerando o esgoto sanitário e os Resíduos Sólidos Urbanos – RSU). Esse montante equivale a aproximadamente 67 milhõ es de toneladas equivalentes de petróleo (tep) ao ano, ou 76 bilhõ es de litros equiva-lente de diesel.
Considerando-se uma presenç a mé dia de 60% de metano no biogás, e sendo este gá s 21 vezes mais impactante do que o gá s carbô nico equivalente, o Brasil poderia contar com um potencial de 1,03 bilhões de toneladas de CO2eq caso viesse a se utilizar do biogás como fonte de energia.
Diversos esforços já foram realizados para se compreender os motivos que impediam um aumento signifi cativo do biogás na matriz energética brasileira, sendo que há alguns anos os principais pontos, destacados por um estudo do da GIZ (Deutsche Gesellschaft für
Internatio-nale Zusammenarbeit – GIZ), foram as seguintes:
1) Relaç ã o desfavorá vel entre os custos de um projeto e seus benefí cios comerciais.
2) Baixo nú mero de projetos consolidados.
3) Baixa acessibilidade a informaç õ es té cnicas, comerciais e legais.
4) Poucas políticas específi cas relacionadas ao biogás
Nos cinco últimos anos de trabalho da ABiogás esses pontos tomaram total atenção, sendo que, já foram consolidados diversos projetos de sucesso em todos os setores, de-monstrando grande viabilidade técnica e econômica, fruto da consolidação de diversas políticas importantes.
1.4
Iniciativas brasileiras com biogás
Em vários setores da sociedade brasileira, na esfera pública e privada, observam-se movi-mentos em torno do biogás como fonte energética. Pode-se reconhecer que há um ambiente favorável e que justifica um Programa Nacional para articular essas iniciativas de modo a obter os resultados comuns que se resumem na consolidação do biogás e do biometano no cenário da matriz energética brasileira.
As iniciativas governamentais estão centradas, principalmente, nos seguintes Ministérios, empresas e programas:
MME – Ministério de Minas e Energia
Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético
•
Expansão de novos empreendimentosSecretaria de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
•
RenovaBioMMA – Ministério de Meio Ambiente Secretaria de Mudança do Clima e Floresta
•
Inventário Nacional de EmissõesMCidades – Ministério das Cidades Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental
•
ProbiogásMCTI – Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação
•
Inovações TecnológicasMRE – Ministério de Relações Exteriores Secretaria Geral das Relações Exteriores
•
Biogás da CooperaçãoMDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
•
Agricultura FamiliarEPE – Empresa de Pesquisa Energética
Produção descentralizada de energia – biogás na matriz 2023
•
Plano Decenal de Expansão de Energia 2026ITAIPU Binacional Instalação do CiBiogás
1.4.1
Governo Federal
•
EPE: Considerou o biogás como fonte de energia renová vel no Planejamento Energé tico Nacional, no horizonte de 2023, bem como no Plano Decenal de Expansão de Energia 2026; estimulou os Leilões de Energia.•
MME, atuando em frentes internacionais, como Task Force 37 – biogás da Agê ncia In-ternacional de Energia. Assim como em diversos fó runs de discussã o sobre o tema. Pro-moveu política de Estado RenovaBio que objetiva traçar uma estratégia conjunta para reconhecer o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira;•
MDA, com as aç õ es do Departamento de Biocombustí veis considerando o biogás como fonte de interesse da agricultura familiar no Brasil e outras iniciativas como o Plano ABC que visa o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito de redução de emissão de GEE’s;•
MCidades, com o andamento do Projeto Probiogás em parceria com a Cooperaç ã o Alemã por meio da GIZ visando fomentar o uso energé tico do biogás a partir de diversos subs-tratos, como resí duos só lidos urbanos, agrí cola e agropecuá rio e efl uentes;•
MAPA, atravé s da EMBRAPA, que conduz o Programa biogásfert, com custo de R$ 7 mi-lhõ es em 3 anos e o envolvimento de 19 centros de pesquisa com as questõ es do biogás e do uso de digestato como fertilizante orgâ nico, também auxilia no Plano Nacional de Agroenergia enfatizando que a cadeia do biogás promove aproveitamento em enegia térmica, energia elétrica e combustível;•
MMA, com aç õ es visando a dimensã o ambiental da reduç ã o de emissõ es de gases do efeito estufa e da poluiç ã o hí drica das cadeias produtivas do biogás;•
MCTI, em aç õ es de programas como FINEP Energia, FINEP Agro, projeto Rede biogás e outros;•
ABDI, apontando para perspectivas da indú stria de base para fornecimento de processos e insumos para obtenç ã o e aplicaç õ es do biogás;1.4.2
Agenda internacional
Os programas de biogás/biometano brasileiros fazem parte das seguintes agendas de or-ganizaç õ es internacionais:
Ministé rio das Relaç õ es Exteriores
Os Governos do Brasil e da Itá lia vem patrocinando as Semanas de Bioenergia, com vistas ao fomento da produç ã o e uso das energias renová veis no contexto do Programa Nacional de Cooperaç ã o Sul. A Primeira Semana de Bioenergia ocorreu em Brasí lia, em 2013; a Segunda
As Semanas de Bioenergia estão no contexto da Parceria Global para a Bioenergia/GBEP, cuja presidência pró tempore pertence ao Brasil. A coordenação dos eventos é realizada pelo Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, em parceria com o Governo da Itália e com a FAO. O Centro Internacional de Energias Renováveis-biogás participou da II Semana de Bioenergia de Maputo, quando assinou Cartas de Intenções com instituições do Egito, Etiópia, Moçambique e Brasil, com o objetivo de estabelecer parcerias de intercâmbio de conhecimento sobre energias do biogás, que representam o início de uma série de trabalhos que envolvem disseminação de conhecimento, estruturação tecnológica e pesquisas sobre biogás na África.
SEforAll - Energias Sustentáveis para Todos
A Sustainable Energy for All (SEforALL) é uma organização sem fins lucrativos que trabalha com líderes do governo, setor privado e sociedade civil para impulsionar ações mais rápidas para alcançar os objetivos de garantir o acesso universal a serviços modernos de energia; de dobrar a taxa global de melhoria na eficiência energética; e dobrar a quota de energia reno-vável no mix global de energia.
O Ministério de Minas e Energia do Brasil elegeu o caso biogás do Condomínio de Agro-energia para a Agricultura Familiar/Ajuricaba, em replicação em San José Uruguai, para ser apresentado no SEfor4All, o maior encontro da ONU sobre energas renováveis no mundo, que em 2020 marcará um importante marco político nos esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, incluindo as metas do ODS7 para acesso à energia, energia renovável e eficiência energética. O Fórum será um marco fundamental na concretização da Agenda 2030 e também marca o início do próximo período de compromisso sob o Acordo Climático de Paris e o momento em que o mundo deve elevar sua ambição em ação climática.
Fórum do Biogás
A ABiogás tem participado ao longo dos anos de diversos eventos nacionais e internacio-nais, como projeto de disseminação de conhecimento e também desenvolvimento de uma rede de networking para o setor.
Apesar da importância dos mais diversos eventos, o Fórum do Biogás tem se consolidado ao longo dos anos como o evento de maior representatividade no setor de biogás no Brasil e América Latina. A edição anual do evento traz a atualização do cenário político, oportunidades e cases de sucesso no Brasil e no mundo.
Em suas edições o evento tem recebido em torno de 300 participantes, entre empresários, agentes de governo, estudantes e consultores.
1.4.3
Empresas do Setor Energético
Há movimentaç õ es sobre biogás em vá rias intensidades nas empresas do setor, como Chesf, Cemig, Eletrosul, Copel, Eletrobrá s Distribuidora e outras contempladas nas Chamadas de Projetos de P&D Estratégicos da ANEEL, alé m da Itaipu Binacional, que estimulou a fun-daç ã o e suporta o Centro Internacional do biogás em conjunto com outras instituiç õ es simpá-ticas ao tema, tais como Eletrobrá s, Copel, Federaç õ es da Indú stria e da Agricultura, Governo do Estado/Secretaria da Agricultura, IAPAR, CTGá s, Cepel e outras.
1.4.4
Sociedade Civil
Pode-se considerar expressivas as movimentaç õ es sobre biogás em vá rias iniciativas que ocorrem dispersas no Brasil e que carecem da organizaç ã o e articulaç ã o, tais como:
•
Fundada em 2013 a Associaç ã o Brasileira do biogás e do biometano, com associados e parceiros representantes do setor produtivo, indú strias de base, fabricantes de grupos moto geradores especí fi cos para biogás, desenvolvedores de tecnologia, prestadores de serviç os, produtores;•
Fundaç ã o do Centro Internacional de Energias Renová veis, instalado no Parque Tecno-ló gico de Itaipu. Uma Sociedade para Fins Especí fi cos – SPE composta por diferentes instituiç õ es interessadas no tema biogás;•
Interesse revelado do setor industrial, com vá rias iniciativas das suas organizaç õ es, sendo a mais importante a disposiç ã o do SENAI (Nacional) em diversas iniciativas, como, por exemplo a elaboração do Comitê Técnico Nacional Setorial do Biogás, a dis-posiç ã o para vocacionar sua rede de laborató rios industriais para certifi car a qualidade do biogás, assim como faz com o Gá s Natural atravé s do CTGá s (parceria Petrobrá s/ Senai RN). O SENAI Paraná recentemente obteve aprovação interna de um projeto de Certifi cação de biometano para atender a Resolução 8/2015 da ANP, que fi xa parâme-tros e procedimentos para que o biometano possa ser considerado biocombustível.1.4.5
Indústria automotiva
Releva notar, que a indústria automotiva internacional, que desenvolveu várias soluções para transportes de pessoas, cargas e equipamentos agrícolas a biometano, para atender demandas de mercado para a mobilidade a gás natural, shale gas e mesmo biometano, co-meçam a anunciar no Brasil esses produtos, como é o caso da New Holland, com o trator agrícola a biometano T6, a Scania, com a linha de caminhões pesados, a FIAT/IVECO com o caminhão média Dairy e o veículo leve Siena Tetrafuel, a Audi, com com o veículo leve A-5, a MAN Volkswagen com caminhão médio e outras iniciativas.
1.4.6
Congresso Nacional
Programa RenovaBio
Uma promissora iniciativa, elogiada internacionalmente e que foi publicada em 26 de de-zembro de 2017, como a Lei n° 13.576 que dispõe sobre a Política Nacional de Biocombustí-veis. O Programa foi criado como uma ferramenta do Governo Brasileiro para auxiliar o país a alcançar os compromissos nacionais perante o Acordo de Paris, com o objetivo, ainda, de incentivar a expansão de biocombustíveis na matriz brasileira e induzir através de uma política de mercado a eficiência energética e redução de gases do efeito estufa na produção, comer-cialização e uso de biocombustíveis (MME).
Diversos são os valores apresentados pelo MME para a realização do RenovaBio, dentre os quais destacam-se o intenso diálogo com todos os setores da sociedade e o incentivo à competitividade entre os biocombustíveis através da indução da eficiência pelo ciclo de vida de produção, resultando em um processo com elevada credibilidade.
De acordo com o MME, as diretrizes estratégicas do Programa são:
1. Assegurar previsibilidade para participação competitiva dos diversos biocombustíveis na matriz energética brasileira, com ênfase na segurança do abastecimento;
2. garantir a adequada relação de eficiência e emissões na produção, distribuição e uso de biocombustíveis, com aprimoramento de modelos já adotados no Brasil ou em outros paí-ses, incluindo mecanismos de avaliação de emissões por meio da análise de ciclo de vida;
3. Reconhecer a capacidade dos biocombustíveis em promover a “descarbonização” do mer-cado de combustíveis;
4. Respeitar os ordenamentos específicos de adição mínima de etanol anidro à gasolina e de biodiesel ao óleo diesel;
5. Adotar instrumentos para precificação da relação de eficiência e emissões e de mecanis-mos que valorizam a produção sustentável;
6. Estabelecer uma política para combustíveis de forma conjunta, com ênfase no reconhe-cimento das externalidades positivas dos biocombustíveis para a isonomia competitiva no médio e longo prazo;
7. Definir instrumentos que contribuam para atrair investimentos na expansão da produção de biocombustíveis e/ou que induzam à contratação da produção em acordos com valida-de valida-de médio e longo prazo;
8. Estimular a eficiência e a competição saudável entre os biocombustíveis como mecanismo para assegurar o equilíbrio na matriz energética no futuro;
9. Aprimorar as regras de comercialização para melhor considerarem as características e as sinergias regionais;
10. Aperfeiçoar os mecanismos de monitoramento, controle e fiscalização, incluindo a melho-ria dos sistemas de informação, com ênfase na transparência, na garantia de um mercado equilibrado de combustíveis e no combate permanente às práticas irregulares, às atitudes anticoncorrenciais e às barreiras de entrada;
11. Desenvolver mecanismos de precifi cação adequada dos biocombustíveis, em base de mercado e que viabilizem contratos de curto, médio e longo prazos entre os agentes;
12. Criar mecanismos para impulsionar o potencial do Brasil na produção comercial de
bio-querosene de aviação e a produção competitiva de etanol celulósico, assim como acelerar o aproveitamento racional do biogás e do biometano;
13. Criar instrumentos de incentivos à inserção comercial dos novos biocombustíveis, priori-zados pela análise de ciclo de vida e suas relações entre efi ciência e emissões;
14. Fomentar a pesquisa aplicada e a inovação em novos biocombustíveis, com ênfase no aumento de produtividade agrícola e industrial, na efi ciência de processos e no uso do produto, bem como aproveitamento de sinergias com os combustíveis atuais; e
15. Estruturar medidas para o desenvolvimento de novos mercados para biocombustíveis, além do seu uso energético, tais como seu uso como insumo produtivo para fabricação de bioquímicos e bioplásticos.
Para se alcançar os objetivos do Programa, o Governo Federal estabeleceu dois instru-mentos: a) metas nacionais de redução de emissões para um período de 10 anos, que serão aplicadas às distribuidoras de combustíveis de acordo com sua participação no mercado; b) certifi cação individual de produção de biocombustíveis através da análise de ciclo de vida.
O resultado da certifi cação é o CBIO (Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis), que será comercializado pelo produtor/importador de biocombustível na bolsa, sendo a distri-buidora a parte obrigada a adquirir o crédito de acordo com sua necessidade de redução de emissões. O Programa está melhor exemplifi cado na Figura a seguir.
Figura 3. Esquematização do RenovaBio
Venda de biocombustível Emissão de CBIO Compra de CBIO Meta Individual (Por volume comercializado) Meta Nacional (CNPE) AGENTES
ANP – fi scalização e regulamentação CNPE – atualização da meta
Produtor e Importador de Biocombustíveis Bolsa Nota individual (ACV) Distribuidora Fonte: ABiogás (2018)
Além da distribuidora e do produtor de biocombustíveis, ainda existe três atores de grande importância na cadeia do RenovaBio: o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que irá definir as metas anuais de redução de emissões. A ANP, que será o agente responsável pela fiscalização de todos os processo e as empresas certificadoras, que irá se utilizar da Re-novaCalc para calcular e validar as emissões dos biocombustíveis.
Membros da ABiogás foram recepcionados no MME em dezembro de 2016 com a notícia da formatação do Programa RenovaBio e com o objetivo de apresentar as oportunidades do biometano para auxiliar o país no cumprimento da meta de redução de emissões.
Em um trabalho extremamente coordenado, de elevada qualidade técnica a altamente transparente, os agentes do setor de energia compreenderam que o biometano possui grande potencial desperdiçado e pode ser um biocombustível essencial para o sucesso do Programa. De acordo com dados atuais da ABiogás, o Brasil desperdiça mais de 45 bilhões de metros cúbicos de biometano por ano, o que representa 70% do consumo de diesel do país ou 36% do consumo de energia elétrica. No âmbito do RenovaBio o biometano apresenta duas grandes oportunidades: comercialização direta dos CBIOs gerados pela produção do próprio biometa-no, ou como ferramenta de redução de emissões em outras rotas, tais como substituição de diesel nas frotas do setor de álcool e biodiesel.
Portanto, tendo em vista a iniciativa do RenovaBio e a compreensão dos mais diversos setores da relevância do biometano, a ABiogás estima que até 2030 será possível alcançar um produção de 32 milhões de metros cúbicos por dia de biometano, trazendo cada vez mais sustentabilidade às atividades urbanas e do agronegócio brasileiro.
Figura 4. Projeções em produção de biometano
Volume 500 mil m3/dia 180 mm m3/ano de biometano Volume 32 milhões m3/dia 11,7 bi m3/ano de biometano 2019 2025 2030 Volume 10,7 milhões m3/dia 3,9 bi m3/ano de biometano Fonte: ABiogás (2018)
Rota 2030
O Programa Rota 2030, que estabelece bases de uma política industrial para o setor auto-mobilístico para os próximo 15 anos e substitui o atual Inovar Auto, foi anunciado em julho de 2018, com o objetivo de modernizar o setor e defi nir regras claras para programas de isenções fi scais, a fi m de estimular o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor.
A partir do Programa, o Governo Federal pretende que as montadoras invistam em P&D com vistas no aumento da efi ciência dos veículos e em um programa de etiquetagem, se-melhante ao que já ocorre para eletrodomésticos. Desse modo, quanto mais investimento em inovação, mais benefícios fi scais às montadoras deverão ter, especialmente para veículos híbridos, elétricos e que combinem a tecnologia fl ex com híbridos.
Como a publicação da medida provisória ocorreu em julho – MP 843/2018 - e até o pre-sente momento não houve sua conversão em lei no Congresso Nacional, houve pouco avanço na implementação do programa e ainda há grande dúvida sobre o impacto do mesmo para a população, pois a Receita Federal do Brasil ainda não o regulamentou para que a cadeia automotiva desenvolva suas políticas de inovação.
Combustível Brasil
Um programa do Governo Federal, relacionado com a Portaria MME nº 113/2017 (divul-ga Consulta Pública) e a Resolução CNPE nº 15/2017 (defi ne diretrizes estratégicas e cria o Comitê Técnico CT-CB), que visa buscar um mercado de combustíveis com oferta compatível com o crescimento da demanda, capaz de atender ao consumidor brasileiro em condições adequadas de preço e qualidade, em um ambiente regulatório objetivo, claro e favorável aos investimentos para expansão do setor de downstream. Fazem parte das premissas do programa:
1. Mudança da estratégia da Petrobras para os segmentos de refi no, transporte, armazena-mento e comercialização de derivados, conforme presente em seu PNG 17-21, de promo-ção de política de preços de mercado, de maximizapromo-ção de margens na cadeia de valor, mantendo a entrega de derivados nos pontos de entrega economicamente atrativos, e de busca por parceiros para atuação no downstream;
2. Fortalecimento de ambiente regulatório objetivo, claro e previsível, favorecendo os inves-timentos para o mercado de combustíveis;
3. Necessidade de investimentos em refi no, em novas unidades e em unidades existentes, bem como em infraestrutura de movimentação de combustíveis;
4. Consolidação de lógica empresarial de abastecimento nacional, fundamentada em uma crescente diversifi cação de agentes (refi no, importadores, formuladores e afi ns);
5. Estímulo à livre concorrência no mercado de combustíveis;
6. Maior celeridade na autorização, na outorga e no licenciamento ambiental de empreendi-mentos e nos processos licitatórios;
9. Evolução do mercado de combustíveis associada aos compromissos para redução de emissões locais e globais;
10. Aproveitamento de oportunidades de produção regional de combustíveis, incluindo bio-combustíveis, buscando otimização da logística de transporte e distribuição;
11. Prática de preços livres, que fortaleça a concorrência entre diversos agentes no mercado in-terno e que propicie segurança e confiança necessárias para incentivar investimentos privados de longo prazo.
Gás para Crescer
A iniciativa Gás para Crescer representa uma oportunidade para o desenho de um novo mercado de gás brasileiro, tendo em vista a redução da participação da Petrobras nesse setor. Os temas discutidos abrangeram toda a cadeia do gás, incluindo integração com o setor elé-trico e questões tributárias.
As discussões para a proposição das medidas necessárias envolveram a participação de representantes dos Governos, Federal e Estaduais, da indústria, de consumidores, do setor de energia elétrica, da academia, de consultorias e outros. A iniciativa possui suas diretrizes estratégicas estabelecidas na Resolução CNPE nº 10/2016, definidas como:
1. Remoção de barreiras econômicas e regulatórias às atividades de exploração e produção de gás natural;
2. Realização de leilões de blocos exploratórios de forma regular, incluindo áreas vocaciona-das para a produção de gás natural, especialmente em terra;
3. Implementação de medidas de estímulo à concorrência que limitem a concentração de mercado e promovam efetivamente a competição na oferta de gás natural;
4. Estímulo ao desenvolvimento dos mercados de curto prazo e secundário, de molécula e de capacidade;
5. Promoção da independência comercial e operacional dos transportadores;
6. Reforço da separação entre as atividades potencialmente concorrenciais, produção e comercia-lização de gás natural, das atividades monopolísticas, transporte e distribuição;
7. Implantação de modelo de Gestão Independente e Integrada do Sistema de Transporte de Gás Natural - STGN;
8. Avaliação da implantação do Sistema de Entrada-Saída para reserva de capacidade de transporte;
9. Aumento da transparência em relação à formação de preços e a características, capaci-dades e uso de infraestruturas acessíveis a terceiros;
10. Incentivos à redução dos custos de transação da cadeia de gás natural e ao aumento da liquidez no mercado, por meio da promoção do desenvolvimento de hub(s) de negociação de gás natural e outras medidas que contribuam para maior dinamização do setor;
11. Reavaliação dos modelos de outorga de transporte, armazenamento e estocagem, levando em consideração o desenho de novo mercado de gás natural;
12. Revisão do planejamento de expansão do sistema de transporte, que poderá considerar instalações de armazenamento e estocagem, além de maior integração com o planeja-mento do setor elétrico;
13. Estímulo ao desenvolvimento de instalações de estocagem de gás natural;
14. Promoção do acesso não discriminatório de terceiros aos gasodutos de escoamento e Unidades de Processamento de Gás Natural - UPGNs - e Terminais de Regaseifi cação;
15. Aperfeiçoamento da estrutura tributária do setor de gás natural no Brasil;
16. Promoção da harmonização entre as regulações estaduais e federal, por meio de disposi-tivos de abrangência nacional, objetivando a adoção das melhores práticas regulatórias;
17. Promoção da integração entre os setores de gás natural e energia elétrica, Buscando alo-cação equilibrada de riscos, adequação do modelo de suprimento de gás natural para a geração termelétrica e o planejamento integrado de gás - eletricidade;
18. Aproveitamento do gás natural da União, em bases econômicas, levando-se em conta a prioridade de abastecimento do mercado nacional, respeitando a livre iniciativa;
19. Promoção de transição segura para o modelo do novo mercado de gás natural, de forma a manter o funcionamento adequado do setor.
Polí tica Nacional de Geraç ã o de Energia Elé trica a partir da Biomassa
Projeto de Lei 3529/2012 – Autor: Deputado Federal Irajá Abreu – PSDB/TO - 22/03/2012. Institui a polí tica nacional de geraç ã o de energia elé trica a partir da biomassa, estabelece a obrigatoriedade de contrataç ã o dessa energia e dá outras providê ncias. A lei obriga empresas de distribuiç ã o de energia elé trica a contratarem anualmente, por meio de leilã o, pelo menos 250 megawatts de energia elé trica produzida a partir de biomassa. Pelo texto, a compra de energia produzida com biomassa, na quantidade mí nima exigida, deverá ser feita anualmente por um perí odo de 25 anos. Para participar das licitaç õ es as concessioná rias, permissioná rias e autorizadas do serviç o pú blico de distribuiç ã o precisam comprovar um í ndice de nacionali-zaç ã o de equipamentos e serviç os de, no mí nimo, 70%.
1.4.7
Estados
Nos Estados Brasileiros, principalmente naqueles em que o setor do agronegócio e o setor sucroe-nergético têm expressão econômica destacada, há diversas iniciativas para incentivo ao biogás:
São Paulo
•
Decreto Nº 58.659, de 4 de dezembro de 2012 - Institui o Programa Paulista de Biogás com objetivos de incentivar e ampliar a participação de energias renováveis na matriz energética do estado de São Paulo, através das externalidades positivas da geração de gases com-bustíveis provenientes de biomassa. Visa, ainda, estabelecer a adição de um percentual mínimo de Biometano ao gás canalizado comercializado no estado de São Paulo.•
Decreto Nº 59.038, de 3 de abril de 2013 - Institui o Programa Paulista de Biocombus-tíveis com objetivo de incentivar e ampliar a participação de combusBiocombus-tíveis renováveis no âmbito da administração direta, das autarquias e das fundações do estado de São Paulo. A legislação estabelece que nas frotas do estado com motor diesel deve ser uti-lizado combustível com 20% de biodiesel, podendo este ser substituído por biogás e/ou biometano, quando o fornecimento for garantido em quantidade e preços compatíveis.•
Decreto Nº 59.039, de 3 de abril de 2013 - Introduz alteração no Regulamento do Im-posto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS e promoveu o diferimento do pagamento do ICMS nas operações com matéria prima e produto intermediário utilizados na fabricação de bens destinados à geração de ener-gia elétrica e térmica.•
Decreto Nº 60.001, de 20 de dezembro de 2013 - Introduz alteração no Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS, contribuindo na redução da base de cálculo do imposto incidente nas saídas internas de biogás e biometano, de forma que a carga tributária diminua de 18% para de 12% (Art. 69, Anexo II do RICMS/SP).•
Decreto Nº 60.298, de 27 de março de 2014 - Introduz alterações no Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – RICMS, promovendo a postergação do pagamento do ICMS vinculado à aquisição de bens destinados à integração do ativo imobilizado para a produção de biogás ou biometano e geração de energia elétrica ou térmica a partir de biogás ou biometano (Suspensão do ICMS Importação; Diferimento do ICMS nas aquisições internas e Apropriação In-tegral de créditos ICMS nas aquisições internas – art. 29 das Disposições Transitórias do RICMS/SP).•
ARSESP Nº 633 de 17 de fevereiro de 2016 – Estabelece condições e critérios para autorização de projetos com biometano na prestação de serviço de distribuição de gás canalizado em regiões com atendimento por redes locais, implantadas ou a serem implantadas, que dependam de suprimento de gás, no âmbito da área de concessão de cada Concessionária do Estado de São Paulo.distri-Rio de Janeiro
•
Decreto Nº 44.855, de 26 de junho de 2014, que regulamenta Lei Nº 6.361, de 18 de dezembro de 2012, que dispõe sobre a política estadual de Gás Natural Renovável - GNR, estabelecem autorizaç ã o para as concessioná rias distribuidoras de gá s natural adquirirem até 10% de seu consumo de fontes renová veis a um preç o superior ao preç o do gá s natural “com desconto” vendido à s distribuidoras.•
Convênio ICMS nº 112, de 11 de outubro de 2013 (com alterações do Convênio ICMS 24, de 8 de abril de 2018) autoriza a concessão de redução de base de cálculo do ICMS nas saídas internas de biogás e biometano para os estados da Bahia, Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo. Os estados estão autorizados a conceder redução da base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS nas saídas internas com biogás e biometano, de tal forma que a carga tributária do imposto resulte na aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da operação. O estado do Rio de Janeiro ainda não internalizou a previsão de redução nas operações internasParaná
•
Decreto nº 11.671 de 16 de julho de 2014 - Programa Paranaense de Energias Reno-vá veis, observadas as disposiç õ es e limites do Programa Paraná Competitivo, em rela-ç ã o aos seguintes setores: (i) Produrela-ç ã o de perela-ç as, partes, componentes e ferramentais utilizados na geraç ã o de energia renová vel; (ii) Produç ã o de material para uso como insumo nas obras de construç ã o civil necessá rias aos empreendimentos de geraç ã o de energia renová vel; (iii) Produç ã o de mercadoria que integre a infraestrutura de cone-xã o e transmissã o necessá rios para empreendimentos geradores de energia renová vel, a ser interligada no SIN.•
Suspensã o do ICMS devido na importaç ã o de bens destinados ao ativo imobilizado (Art. 458 do RICMS/PR).•
Diferimento do ICMS devido na aquisiç ã o de peç as e sobressalentes (Protocolo de Intenç õ es).•
Diferimento do ICMS nas saídas de máquinas promovidas por fornecedores internos (art. 31, §16 do Anexo VIII do RICMS/PR).•
Suspensã o do ICMS relativo ao diferencial de alí quotas nas aquisiç õ es de má quinas e equipamentos destinados à integraç ã o no ativo imobilizado (protocolo de Intenç õ es).•
Lei nº 19.500 de 21 de maio de 2018 – Dispõe sobre a Política Estadual do Biogás e Biometano e demais produtos e direitos derivados da decomposição de matéria orgâ-nica (biodigestão), a qual estabelece princípios, regras, obrigações e instrumentos de organização, incentivos, fi scalização e apoio às cadeias produtivas, integradas ou não, visando ao enfrentamento das mudanças climáticas e à promoção do desenvolvimento regional com sustentabilidade ambiental, econômica e social. Nos termos do art. 7º da Lei Estadual 19.500, quaisquer empreendimentos e arranjos produtivos, inclusive nas modalidades de consórcio, condomínio, cooperativa e parceria público-privada,se-ção, regimes especiais de transferência, cessão e utilização de créditos tributários, par-ceria, convênios ou contratos específicos, destinados a apoiar atividades de pesquisa e desenvolvimento no território paranaense.
•
Lei nº 19.595/2018 - Institui benefícios para incentivar o aproveitamento de energia elétrica produzida por microgeradores e minigeradores de energia distribuída e altera Lei nº 11.580/1996, a qual dispõe sobre o ICMS, quanto à restituição.•
Apesar de os ajustes dessas novíssimas leis estaduais paranaenses, voltadas à con-cessão de incentivos fiscais, recursos financeiros, subvenção econômica, matérias ou infraestrutura, ainda não terem sido regulamentados até o presente momento, o fato é que a indicação de modalidades como as de regimes especiais de transferência, cessão e utilização de créditos tributários, de parcerias, de convênios e de contratos específicos deve servir de inspiração aos demais estados da federação (e do próprio CONFAZ) para o reconhecimento do Biogás, de toda a sua cadeia produtiva e de seus demais produtos e subprodutos como geradores de valor agregado e de empregos em território brasileiro. Isso porque, por exemplo, uma das formas de monetização de créditos acumulados de ICMS de indústrias exportadoras geradoras de biomassa se-ria justamente a destinação dos mesmos para investimento em usinas de biogás que possam adquirir, com créditos de ICMS acumulados, equipamentos, frotas e peças de veículos movidos a biometano em suas respectivas localidades.Rio Grande do Sul
•
Lei 14.864, de 11 de maio de 2016, que institui a Política Estadual do Biometano, o Programa Gaúcho de Incentivo à Geração e Utilização de Biometano - RS-GÁS - e dá outras providências. Esta Lei institui a Política Estadual do Biometano, seus princípios, diretrizes, definições, objetivos, programas, ações e metas adotados pelo Estado do Rio Grande do Sul, isoladamente ou em regime de cooperação com municípios ou particulares, visando a apoiar e a incentivar o desenvolvimento da cadeia produtiva do biometano como instrumento de promoção do desenvolvimento regional e redutor dos impactos ambientais.•
Reconhecido em lei estadual e em regimes especiais, o Estado do Rio Grande do Sul sinaliza em sua política não apenas o diferimento total do ICMS de sua cadeia pro-dutiva de equipamentos, partes e peças importados e nacionais para o seu final, mas também busca o estabelecimento da alíquota de 12% de ICMS para o Biogás e para o Biometano e, ainda, com a devida adesão ao Convênio CONFAZ 63/2015, a autori-zação do Poder Executivo para concessão de crédito presumido de até 12% de ICMS sobre as aquisições internas de biogás e biometano por concessionárias distribuidoras de gás natural.Pernambuco
•
Diferimento ICMS nas operações internas e de importação de máquinas, aparelhos e equipamentos destinados a produção de geração de energia elétrica a partir da bio-massa (art. 13, inciso XXIII, alínea F, do RICMS/PE).•
Art. 122, inciso III, Anexo VII do RICMS/PE – isenções no fornecimento de energia elétrica produzida por microgeração e minigeração.Minas Gerais
•
Isenç ã o na saí da de energia elé trica produzidas em usinas de energia elé trica de fonte solar, eó lica, biogá s, biomassa fl orestal, biomassa de resí duos orgâ nicos, de resí duos animais, ou hidrá ulica CGH (item 206 do RICMS/MG).•
Isenç ã o em operaç õ es internas de peç as, partes, componentes e ferramentas utiliza-das: (i) na infraestrutura de conexã o e de transmissã o para interligaç ã o de empreendi-mentos geradores de energia elé trica de fonte solar, eó lica, biomassas, biogá s e CGH e PCH ao SIN; (ii) na geraç ã o de fonte solar, eó lica, biomassas, biogá s e CGH e PCH. Também nas saídas de materiais a serem empregados nas obras de construç ã o civil necessá rias aos empreendimentos de geraç ã o de energia elé trica de fonte solar, eó lica, biomassas, biogá s e CGH e PCH ao SIN (item 204, anexo I do RICMS).•
Isenção para energia elétrica vinculada a microgeradores e minigeradores – item 222, parte 1 do Anexo I do RICMS/MG.Espí rito Santo
•
Decreto nº 3453/13: Altera o Regulamento do ICMS (Decreto 43.080/02) - Estipula política estadual de incentivo às energias renováveis, inclusive biomassa;•
Isenção no Sistema de Compensação de Energia Elétrica – art. 5, §6º da Lei nº 7.000/2001.Ceará
•
Resoluç ã o do Conselho de Polí ticas Ambientais nº 04/2014 - fomentando a produç ã o de biometano no Estado e a criaç ã o de um selo verde para incentivar o produto junto ao mercado.•
Isenção na energia elétrica – microgeradores e minigeradores – art. 6º, inciso XC do RICMS/CE.Teresina Fortaleza Natal Recife Maceió Salvador Brasília Goiânia Belo Horizonte Vitória Rio de Janeiro Santos Curitiba Campo Grande Porto Alegre Florianópolis
Manaus São Luís
Belém
BRAZIL
1.5
Marco regulatório brasileiro – estado da arte
A recente agenda regulatória nacional tem proporcionado grandes avanços para estabelecer parâmetros para o biogás/biometano, conforme mostram os dados a seguir.
1.5.1
Empresa de Pesquisa Energética
A EPE incluiu o biogás e o biometano no Plano Nacional de Energia publicado em 2014. Na Nota Técnica 13/14, que compõe o PNE, a EPE detalhou as aplicações possí-veis. Não obstante, reforçou a possibilidade de uso de biogás em leilões de energia de reserva, como ocorrido nos leilões A-5 2016 e A-6 2018.
Por meio de suas publicações a EPE vem contribuindo para com o aumento da ex-posição do biogás brasileiro e o impacto do uso desse energético na matriz energética brasileira. Em 2018, foi incluído o biogás no WebMap interativo, expondo alguns empre-endimentos com foco em biogás no Brasil. Válido informar que as informações referen-tes aos dados de Biogás foram levantadas pelo CiBiogás e fornecidas a EPE.
Figura 5. WebMap interativo
Biocombustível Etanol 381 plantas Biogás 125 plantas Infra. de Biocombustível Instalações de gás Gasodutos de transporte Gasodutos existentes Gasodutos em avaliação Gasodutos em construção
Biogás, Etanol E Gasodutos de Transporte – Brasil