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A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL RESUMO

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A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA A APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Greice Mara Moreira Chaves1 Maria Cristiane Borges de Borges2 RESUMO

Este artigo discute a importância da Psicomotricidade para a aprendizagem na Educação Infantil e como as práticas pedagógicas psicomotoras favorecem no desenvolvimento da linguagem. A pesquisa detectou que o trabalho com a Psicomotricidade não está totalmente presente em sala de aula e que, cada vez mais, os profissionais não sabem como trabalhar com o corpo e com os benefícios que ela pode proporcionar para a aprendizagem e o desenvolvimento da linguagem. Com a construção deste trabalho, foi possível afirmar que é muito importante trabalhar com a Psicomotricidade, sendo imprescindível para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-chave: Psicomotricidade. Processo de ensino e aprendizagem. 1. INTRODUÇÃO

Este artigo é resultado de uma pesquisa realizada como trabalho de conclusão do curso de pedagogia da Faculdades Integradas São Judas Tadeu no ano de 2014. Apresenta um estudo investigativo que busca analisara importância da psicomotricidade na Educação Infantil e como as práticas psicomotoras favorecem na aprendizagem do aluno, compreendendo que o aprender não se restringe apenas às atividades isoladas, precisando haver objetivos a serem alcançados pelos professores, para que, a partir daí, os alunos possam criar e se expressar no ambiente escolar.

A psicomotricidade, no processo de ensino e aprendizagem, visa a contribuir, de forma pedagógica, para o desenvolvimento integral da criança, tendo em vistas os aspectos mental, psicológico, social, cultural e físico, através dos quais se acredita que as atividades de psicomotricidade possam ser trabalhadas no contexto escolar de forma a auxiliar no processo de aprendizagem do aluno.

A importância da psicomotricidade na Educação Infantil e como as práticas psicomotoras favorecem na aprendizagem do aluno, compreendendo que o aprender não se restringe apenas às atividades isoladas, precisando haver objetivos a serem alcançados

1 Professora do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas São Judas Tadeu; Orientadora do TCC. 2 Professora de educação infantil da rede particular e ensino de Porto Alegre; Aluna do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas São Judas Tadeu.

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pelos professores, para que, a partir daí, os alunos possam criar e se expressar no ambiente escolar. Este estudo tem o propósito de refletir sobre como a psicomotricidade se faz necessária na prática pedagógica da escola para auxiliar nos desenvolvimentos corporal, cognitivo e afetivo da criança (FONSECA, 2008).

Neste contexto, busca-se dimensionar a participação fundamental da psicomotricidade para que os alfabetizandos passem por este processo de uma maneira mais tranquila, haja vista que o número de crianças com dificuldades de leitura e escrita é bastante alarmante, porém, alguns destes problemas poderiam deixar de existir se a escola levasse em conta o papel da psicomotricidade no momento de ensinar a ler e escrever. Em vista disso, esta pesquisa procurou investigar o seguinte problema de pesquisa: como as práticas pedagógicas psicomotoras favorecem no desenvolvimento da linguagem da criança na Educação Infantil?

Considerando o exposto anteriormente, este estudo buscou compreender como as práticas psicomotoras auxiliam no desenvolvimento global da criança na Educação Infantil, como a psicomotricidade ajuda a desenvolver a linguagem oral e escrita na Educação Infantil e de que forma o trabalho com o corpo reflete na aprendizagem da leitura e da escrita.

2. CAMINHOS E REFLEXÕES TEÓRICAS

Esta pesquisa abordou as práticas pedagógicas que envolvem a psicomotricidade e como essas podem favorecer na aprendizagem e no desenvolvimento da linguagem na Educação Infantil. A metodologia utilizada para este estudo foi a abordagem qualitativa.

Segundo Ludke (1986, p.20):

[...] “a abordagem qualitativa é uma forma adequada de compreender o fenômeno social pesquisado, procura dar respostas aos aspectos da realidade que não podem ser quantificados. Trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes.

Também, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, de obras de diferentes autores que tratam a temática em estudo.

A fim de encontrar uma definição que venha ao encontro das ideias discutidas neste estudo, buscou-se respaldo na Sociedade Brasileira de Psicomotricidade – SBP ([s.d.]), órgão que regulamenta e estabelece diretrizes, definindo a psicomotricidade como a área de conhecimento que: busca conhecer o corpo nas suas relações, transformando-o num

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instrumento de ação. Este corpo é pensado como objeto, marcado por uma mente que pensa. A evolução da psicomotricidade no homem se dá de forma natural. Ela auxilia e capacita o aluno para uma melhor assimilação das aprendizagens escolares. O corpo e o movimento constituem alicerces para o desenvolvimento da criança. No campo da Psicomotricidade, a relação, a vivência corporal e a linguagem simbólica são imprescindíveis. A psicomotricidade permite à criança viver e atuar no seu desenvolvimento afetivo, motor e cognitivo.

Esta ideia, aliada aos elementos constitutivos da psicomotricidade, faz compreender que os esquemas cognitivos e psicomotores fazem parte de um universo complexo do desenvolvimento do sujeito.

A pesquisa foi realizada em duas escolas, uma da rede municipal da cidade de Eldorado do Sul, em um bairro de classe baixa, embasada teoricamente pelo método tradicional, e a outra da rede privada da cidade de Porto Alegre, em um bairro de classe alta, embasada teoricamente pelo método Montessoriano. Foi utilizado como instrumento para coleta de dados um questionário com (8) perguntas, os sujeitos da pesquisa foram professoras titulares das turmas de Educação Infantil, professores de Educação Física e a professora de Hora Atividade.

As reflexões resultantes dessa investigação foram agrupadas em categorias, considerando o referencial teórico em que se apoia o estudo e os conteúdos das informações obtidas na pesquisa de campo.

3. PSICOMOTRICIDADE, LINGUAGEM E APRENDIZAGEM

Nesta categoria, estão reunidas as ideias expressadas pelos sujeitos participantes e as observações realizadas nas turmas de Educação Infantil a respeito das relações entre psicomotricidade, linguagem e aprendizagem. A psicomotricidade nada mais é que se relacionar através de ações, e é na educação infantil que a criança conhece o próprio corpo, vivencia, aprende princípios, e coordena seu esboço corpóreo (FONSECA; MENDES, 1988). Entende-se então que se a psicomotricidade se tornar uma prática pedagógica, sendo trabalhada de forma interdisciplinar, o crescimento do aluno acontecerá de forma espontânea, sem que seja necessário forçá-lo a nada. Além do que, a psicomotricidade contribuirá no desenvolvimento integral da criança no processo de ensino e aprendizagem. Através da observação realizada na escola particular de Porto Alegre, foi possível perceber que os alunos estão ativos nas aulas, todos têm total autonomia para se

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movimentar na sala. O mesmo não ocorre com tanta frequência dentro da escola municipal, onde os professores não deixam as crianças muito livres, visto que os alunos precisam seguir somente o que a professora ordena. Algumas vezes, o professor não consegue perceber que um aluno é diferente do outro, pois alguns fazem as coisas mais rápido e outros não. Há alguns alunos que se encontram com um atraso em sua maturidade, pois o desenvolvimento das funções neuropsicológicas é lento e isso pode interferir em seu aprendizado. Todavia, é necessário levar os meios da psicomotricidade para serem amplificados na sala de aula, tanto no contexto da educação quanto na reeducação dos alunos (OLIVEIRA, 1997). De acordo com a professora da Educação Infantil da rede particular: “Um esquema corporal mal constituído resultará em uma criança que não coordena bem seus movimentos e os executa com lentidão” (informação verbal).

Muitas vezes, as pessoas não sabem que o trabalho com o corpo é de extrema importância para o aprendizado da criança. Pode-se salientar que quando a aprendizagem não acontece, é porque alguma habilidade psicomotora não foi trabalhada, ou seja, o procedimento não acontecerá de forma adequada. É muito importante o trabalho psicomotor na educação infantil, pois a falta deste poderá acarretar em prejuízos na aprendizagem futura. Conforme a professora da Educação Infantil da rede particular:

O processo de aprendizagem é um processo complexo que envolve sistemas e habilidades diversas, inclusive as motoras. Na maioria das crianças que passam por dificuldades de aprendizagem, a causa do problema não está localizado no período escolar em que se encontram no nível das bases, ou seja, nas estruturas de desenvolvimento. Acredito na importância de a criança, durante o período pré-escolar, antes de iniciar a sistematização do processo de alfabetização, adquirir determinados conceitos que irão permitir e facilitar a aprendizagem da leitura e da escrita (informação verbal).

Esses conceitos ou habilidades básicas são condições mínimas necessárias para uma boa aprendizagem, e constituem a estrutura da educação psicomotora.

4. RELAÇÕES ENTRE O CORPO E A APRENDIZAGEM

Esta categoria é composta por ideias que os professores expressaram quanto às relações entre o corpo e a aprendizagem. O Referencial Curricular de Educação Infantil aborda que o movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento humano. Constitui-se em uma linguagem, através da qual se expressam sentimentos, emoções, pensamentos e intenções, além de desenvolver as funções psicomotoras, permitindo que as crianças interajam com o meio físico, consigo mesmas e com os outros. Esta linguagem

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precede a linguagem escrita e prepara a criança para a sua aquisição, porquanto promove o desenvolvimento da coordenação motora fina e global. O trabalho com o movimento contempla a multiplicidade de funções que levam o indivíduo a apropriar-se do controle psicomotor. O movimento significa muito mais que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço.

A professora da Educação Infantil da rede municipal relata que: “A relação entre o movimento e a aprendizagem se dá de forma complementar, ou seja, o corpo e a mente devem se articular com um todo, a fim de aliar o saber com os movimentos psicomotores” (informação verbal).

Nesta fala, percebe-se que esta professora sabe que a aprendizagem está relacionada ao movimento e que, através dele, poderá haver novos conhecimentos. Assim, o educador deve considerar a psicomotricidade e contemplá-la em seu planejamento, pois é através dela que se pode organizar melhor a rotina da criança e adquirir novas aprendizagens para o futuro. Analisando os dados obtidos na pesquisa, fica claro que os professores sabem da necessidade de se trabalhar com a psicomotricidade, mas muitos não dão a ênfase necessária em seu planejamento. Falam em trabalhar o lúdico, mas se esquecem da relação que esse tem com o corpo e o movimento. Na infância, o movimento é a base da aprendizagem. A criança transforma em símbolo aquilo que pode experimentar corporalmente e seu pensamento se constrói, primeiramente, sob a forma de ação (BRASIL, 1998). O corpo não pode ser visto apenas como biológico e orgânico, já que expressa emoções e está repleto de significados que são adquiridos através da relação da criança com o meio, de sentimentos e valores muito pessoais que influenciarão na formação do esquema corporal e mais ainda na imagem corporal, pois essa segunda é a impressão que o indivíduo tem sobre ele mesmo subjetivamente. Segundo Brikman (1989, p.16):

“A expressão corporal funcionaliza a linguagem do corpo em suas estruturações, componentes e desenvolvimentos. Por isso, sua prática leva a manifestações da personalidade, a um conhecimento e uma consciência mais completos, para fora e para dentro de si mesmo e, enfim, a uma comunicação fluida, capaz de promover uma profunda transformação da atitude básica da personalidade. Esses fatos justificam uma cuidadosa atenção ao processo da expressão corporal e seu aprendizado”.

Desta forma, fica claro que o corpo está relacionado ao todo e que, trabalhando com o mesmo, pode-se evitar possíveis dificuldades futuras, como dificuldades na grafia, no recorte e na colagem, na aprendizagem da letra cursiva, na organização do espaço na folha,

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bem como na organização do próprio corpo na sala de aula e no dia a dia, além de haver muitas crianças sem noções temporais estruturadas, como, por exemplo em relação aos dias da semana, meses e estações do ano.

A linguagem ou expressão corporal e a disciplina da expressão corporal são solidárias entre si: a primeira é o âmbito necessário para o exercício da segunda (Brikman, 1989). Deste modo, pode-se perceber que o corpo e a mente precisam estar interligados sempre, visto que, se um não estiver sendo trabalhado adequadamente, o outro não conseguirá seguir seu processo satisfatoriamente.

“A psicomotricidade é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização” (BARROCO, 2007, p.12).

Sendo assim, não há como dissociar a aprendizagem do movimento. Fonseca (2004, p. 43) ressalta que “[...] a origem da linguagem esteve associada à motricidade, especialmente à libertação e utilização da mão e da face, de onde ocorre a emergência sequencial de gestos e de mímicas intencionais”. A relação entre o processo de alfabetização e a psicomotricidade é muito intensa a ponto de uma servir de base para a outra, aqui, no caso, a psicomotricidade serve de base para os primeiros aprendizados na alfabetização. “Na medida em que vai descobrindo estas intenções e com o auxílio do professor, no caso da escola, os ganhos serão muitos sob todos os aspectos” (FURTADO, 2007, p. 17).

Esta ideia vem ao encontro dos objetivos propostos para um processo de alfabetização de melhor qualidade. O pedagogo francês Seguin (apud HOLLE, 1979, p.74) escreveu que: “Ninguém pode ensinar uma criança a ler e escrever antes que seus órgãos sensoriais funcionem”. O professor das classes de alfabetização precisa conhecer e estar atento ao funcionamento dos órgãos sensoriais no que se refere ao processo de ensinar e aprender na alfabetização.

“Vale ressaltar que, além disso, a psicomotricidade, na sua ação educativa ou terapêutica, pretende atingir a organização neuropsicomotora da noção do corpo como unidade psicossomática de fundamental importância para a aprendizagem” (FONSECA, 2004, p. 11).

Partindo das definições de psicomotricidade e de seus aspectos constitutivos, ao abordar o tema da alfabetização, não se pode deixar de propor destaque às concepções de aprendizagem que embasam todo o processo. Segundo Ferreiro e Teberoski (1991), é fundamental compreender como a criança chega à aquisição e ao domínio da leitura e

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escrita, é importante compreender-se como se dá a aprendizagem. Conforme o professor de Educação Física da rede particular pode-se salientar que:

“Trabalhar a educação psicomotora na Educação Infantil é como uma ferramenta muito importante para o conhecimento estruturante do profissional e que permite um estudo mais aprofundado da individualidade de cada criança. Cada criança precisa ser conhecida dentro do seu desenvolvimento e colocada assim no contexto escolar para poder ser estimulada da melhor forma possível” (informação verbal).

Através desta fala, evidencia-se que toda criança tem o direito de receber uma educação de qualidade, por isso o professor precisa conhecer seu aluno para poder ajudar nas dificuldades encontradas pelo mesmo.

A participação da psicomotricidade está vinculada exatamente ao processo de ensino e aprendizagem desta segunda visão, em que a criança pode, entre outras atividades, correr, pular, rolar, abraçar, ou seja, vivenciar situações que a estimulem de forma plena. Dentro de cada movimento realizado pela criança, um aprendizado significativo se consolida, dando suporte para sua caminhada. Para Ferreiro e Teberoski (1991, p. 26):

“[...] essas condições são realmente importantes, mas não devem ser consideradas de maneira isolada ou como garantia da aquisição da leitura e da escrita. Ressaltamos mais uma vez que ao iniciar o processo de alfabetização devemos ter em mente um trabalho cujo ser aprendente é sujeito “ativo disposto a descobrir o mundo que o rodeia por meio de suas próprias ações”.

Muitos enfatizam que os treinamentos de habilidades perceptomotoras tornam a criança apta para a alfabetização, e isso, em certa parcela, é real, em outra não. O fato de alguns professores pedirem que seus alunos realizem inúmeras atividades com pontilhados, cópia de curvas e retas, pinturas de desenhos xerocados não indica que se está trabalhando a psicomotricidade, tampouco que auxiliarão as crianças em seus aprendizados. Estes “treinos” são cansativos, enfadonhos e contemplam apenas aspectos motores, apenas uma habilidade, deixando de lado o que a psicomotricidade se propõe a trabalhar que é o “todo” do indivíduo.

Desta maneira, é preciso inovar nas atividades, não trabalhar sempre a mesma coisa, mas isto não quer dizer que algumas atividades rotineiras não sejam de extrema importância para aprimorar algumas habilidades. Assim, o professor de Educação Física da rede particular aborda que:

A psicomotricidade auxilia essa aquisição que a criança estabelece em grupo, através de sua interação e de “espelho” que forma em suas inter – relações.

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88 Esses ambientes lhe permitem estimular suas habilidades linguísticas e motoras. A prática psicomotora é trabalhada de forma funcional em algumas aulas, com atividades mais dirigidas e de forma relacional em outras aulas para estimular autonomia e fazer observações de determinadas crianças. Em ambas, trabalhamos com materiais como: cordas, bolas de borrachas, bolinhas de plástico, tecidos variados, cones, tijolinhos de plástico; estabelecendo diversos ambientes pedagógicos. Observo e faço anotações de percurso de jogo da criança que está sendo observada (informação verbal).

Através desta fala, percebe-se que as atividades em grupo são fundamentais para a interação da criança com o todo, não deixando de lado as individuais, em que é possível identificar o que precisa ser mais trabalhado com cada uma, além da diversidade dos materiais que podem ser utilizados para trabalhar com o corpo.

Portanto, a tomada de consciência pela criança do seu corpo, compreendendo tanto o esquema corporal quanto o conceito corporal, dará a ela condições de situar-se no espaço, controlar o tempo e desenvolver habilidades e coordenação de gestos e movimentos. Freire (1989, p. 20), destaca:

“[...] o significado, nessa primeira fase da vida, depende, mais que em qualquer outra, da ação corporal. Entre os sinais gráficos de uma língua escrita e o mundo concreto, existe um mediador, às vezes esquecido, que é a ação corporal”.

Por isso é preciso dar mais atenção à primeira infância, pois as crianças, nesta fase, estão em plena capacidade de aprender e de levar essas aprendizagens para o seu futuro. Entendendo a importância da pré-escola como etapa anterior ao Ensino Fundamental de grande relevância no desenvolvimento da criança e para as aquisições de aprendizagens futuras, a LDB, por meio da Lei nº 12.796 (BRASIL, 2013), alterou o seu Art. 6º, obrigando pais e responsáveis a matricular a criança na Educação Básica a partir dos quatro anos de idade. A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação que se baseia na escola primária. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares e escolares; leva a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar - se no espaço, a dominar o tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos (LE BOULCH, 1987). Nestes novos tempos, o desafio é estimular a criança na Educação Infantil de forma lúdica a realizar atividades adequadas e prazerosas, respeitando sempre as características individuais.

A Educação Infantil tem como propósito o desenvolvimento integral da criança, numa linguagem que consente que as crianças ajam sobre o físico. Por isso, é de extrema relevância a abordagem da Psicomotricidade nesta etapa do desenvolvimento infantil,

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possibilitando que a criança compreenda o seu corpo e as maneiras de se expressar por meio dele, localizando-se no tempo e no espaço. De acordo com Alves (2007, p. 24):

A escola reconhece a necessidade do emprego de condutas psicomotoras na Educação Infantil para a função de preparar a criança para aprendizagens futuras. A forma, porém, de como realizam os exercícios não permite que os objetivos sejam alcançados. Os mesmos são aplicados para aperfeiçoamento da mecânica motora. As relações entre a construção desse domínio e as dimensões afetivas, relacional e histórica são esquecidas. É no processo da autoconstrução que a criança chega à escola. A função do professor é trabalhar no aluno cada uma das dimensões, para levá-lo à construção da unidade corporal e à afirmação da identidade. O educador não pode continuar investindo apenas em seu intelecto e em seu corpo como instrumento de aprendizagem. A psicomotricidade tem ação educativa e preventiva.

A escola tem um papel importante na formação e no desenvolvimento do aluno. Como afirma a professora da Educação Infantil da rede municipal:

A prática psicomotora na escola deve ser trabalhada de forma lúdica, através de histórias, teatro, jogos diversos, músicas, brincadeiras no pátio com corda, bola e bambolê e várias brincadeiras com movimento de todo o corpo (informação verbal).

Partindo desta fala, percebe-se que cabe ao professor planejar uma maneira adequada para trabalhar com o corpo, usando da ludicidade para explorar todos os movimentos e, assim, possibilitando novas aprendizagens. É indispensável estimular a criança de acordo com a etapa do seu desenvolvimento. O trabalho orientado ajudará a criança a elaborar a visão interna de seu corpo, é indispensável para seu desenvolvimento e vai variando com a idade (ARAUJO; SILVA, 2013). Em uma atividade no pátio, pode-se deixar a criança livre para explorar seu corpo, com ou sem o comando da professora.

Evidencia-se pelas falas dos professores que o compromisso de trabalhar com o corpo é a melhor forma de possibilitar a aprendizagem significativa de cada aluno e seu pleno desenvolvimento.

5. PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E PSICOMOTRICIDADE

Nesta categoria, estão agrupados os dados que expressam as práticas pedagógicas realizadas pelas professoras na Educação Infantil. A criança, na fase de alfabetização, é toda influenciada pelo movimento. Negrine (1986, p. 17) afirma esta ideia enfatizando que grande parte dos estudos:

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90 [...] têm demonstrado a existência de estrita relação entre a capacidade de aprendizagem escolar da criança e sua possibilidade de desempenho neuromuscular. Este desenvolvimento neuromuscular é adquirido através da experiência em atividades físicas.

O que para as crianças se caracterizam como brincadeiras de correr, chutar, pular, pegar e arremessar são consideradas pela área da psicomotricidade como movimentos neuromusculares que servirão de base para que a criança aprenda a segurar o lápis, folhear o caderno, definir sua lateralidade, delimitar espaços, diferenciar as formas das letras etc.

A ideia de símbolo, a discriminação das formas e das letras, a discriminação dos sons da fala, a consciência da unidade da palavra e a organização da página escrita são saberes, considerados por Lemle (2005) como, necessários para o processo de alfabetização, implicando, assim, o desenvolvimento de algumas habilidades psicomotoras que se correlacionam com a escrita, como as habilidades de estruturação espacial, visomotora, fonoarticulatória, orientação espacial e lateralidade. Estes aspectos são evidenciados nas falas dos professores, como se pode observar no seguinte relato:

Quando a lateralidade de uma criança não está bem estabelecida, a mesma demonstra problemas de ordem espacial, direita e esquerda, apresenta dificuldade em seguir a direção gráfica da leitura e da escrita, não consegue reconhecer a ordem ou posição de escrita. A criança com dificuldade de organização espacial tende a produzir a escrita espelhada por mais tempo e também encontra dificuldades para organizar-se no espaço da folha ou linhas (professora da Educação Infantil da rede particular – informação verbal).

A partir desta fala, pode-se inferir que o corpo faz parte da construção do desenvolvimento do processo da escrita, pois, através deles a criança pode organizar-se na sua orientação espacial, deste modo, no espaço da folha para iniciar a escrever. Por isso, se pode trabalhar a lateralidade através de brincadeiras lúdicas que fazem com que o aluno organize-se no espaço, conseguindo trabalhar na folha do caderno ou até mesmo na leitura de um livro, sabendo-se por onde se começa a escrever e a ler. Na observação realizada na turma de Educação Infantil da escola particular, a professora fez a brincadeira “o gato e o rato”. As crianças adoraram a atividade e nem perceberam que, nesta proposta de trabalho, estava sendo desenvolvida sua lateralidade.

Para desenvolver este trabalho junto às crianças, é necessário que aconteça uma estruturação espacial que decorre de uma organização funcional da lateralidade e da noção corporal.

As atividades para o trabalho de noção espacial ficam por conta de brincadeiras que envolvem o corpo como, por exemplo, andar pela sala explorando o ambiente, montar

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quebra-cabeça, jogar amarelinha, equilibrar-se no meio fio, andar sobre linhas etc. Essas atividades relacionadas à lateralidade auxiliam na organização do caderno e do traçado da letra. Tomada como mais uma habilidade psicomotora que auxilia na organização da página escrita, a lateralidade diz respeito à percepção dos lados direito e esquerdo e ajuda a criança a conhecer seu lado de dominância. O que se pode propor para trabalhar a lateralidade são exercícios como colocar a mão sobre contornos de mãos desenhadas no quadro, rapidamente, como se estivesse dando um “tapa”, seguindo a solicitação do professor; desenhar ou colocar objetos no lado direito ou esquerdo de uma folha de papel dividida ao meio verticalmente e marcada com as inscrições direita e esquerda nos lados correspondentes.

Portanto, o profissional que está à frente de uma turma de crianças ansiosas por aprenderem a ler e escrever suas primeiras palavras deve ter consciência de seu fundamental papel na vida escolar de seus alunos, pois a base da educação está em suas mãos e a criança que está sob seus cuidados deve ser respeitada na sua totalidade, ou seja, no que diz respeito à afetividade, à cognição e à motricidade, pois são elementos indissociáveis. A compreensão da psicomotricidade como base para um trabalho significativo e expressivo na alfabetização norteará o professor com relação à organização da sua prática, favorecendo o ensino e aprendizagem dos seus alunos. Segundo Zabalza (2008, p. 61):

“[...] é necessário projetar um plano de ação que cubra os diversos âmbitos do desenvolvimento infantil. Isto significa que a questão formativa está vinculada a este processo em todas e em cada uma das dimensões da criança: da sua capacidade intelectual à sua afetividade, da sua personalidade à sua conduta, da linguagem ou a lógica à pintura, à música ou ao esporte”.

Assim percebe-se que uma atividade abre portas para outros conhecimentos dentro da caminhada do aluno, ou seja, tudo está relacionado à maneira como é realizado e abordado pelo professor. Para que ocorra uma aprendizagem significativa na alfabetização, é necessário que o professor tome para si a responsabilidade do trabalho psicomotor, estimulando o movimento. Assunção e Coelho (2006, p. 116) afirmam:

O professor pode ajudar e muito, em todos os níveis, na estimulação para o desenvolvimento cognitivo e para o desenvolvimento de suas aptidões e habilidades, na formação de atitudes através de uma relação afetiva saudável e estável (que crie uma atmosfera de segurança e bem-estar para a criança) e, sobretudo respeitando e aceitando a criança do jeito que ela é.

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As dificuldades hoje destacadas nas escolas públicas ou particulares podem ser minimizadas quando se compreende a criança em seu pleno desenvolvimento e a acolhe-se com respeito e afetividade, respeitando seus limites e potenciais. Há muito que se compreender dentro do processo de ensino e aprendizagem e há muito que estudar em torno da psicomotricidade, portanto, despender tempo para isso acarretará em benefícios para os educandos das classes de alfabetização. Para Araujo e Silva (2013):

A partir deste conhecimento lhe será possível estimulá-los de maneira que todas as áreas se correspondam, evitando que amadureçam intelectualmente, mas fiquem para trás no aspecto corporal ou afetivo (vice- versa). É desse tipo de desnível que nascem os desajustamentos, os distúrbios psicomotores, as disfunções que dificultam a integração do indivíduo na sociedade.

O papel da psicomotricidade na escola é muito importante. Considerando os saberes necessários para a alfabetização e sua relação com o desenvolvimento de algumas habilidades psicomotoras, toma-se como respaldo a ideia de movimento presente no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998), como fator indispensável para o desenvolvimento amplo da criança de forma que ela, através deste, fortaleça o controle de seu próprio corpo, favorecendo, assim, seu início de alfabetização. É na educação infantil que se fazem os primeiros esboços da alfabetização, por isso destaca-se o que RCNEI apresenta sobre esta temática: “As crianças se movimentam desde que nascem adquirindo cada vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo” (BRASIL, 1998. p. 15). No relato da professora de Educação Física da rede municipal, pode-se perceber que:

Trabalhar com a educação psicomotora na Educação Infantil é importante para o desenvolvimento da coordenação motora, pois é nesta fase que as crianças estão desenvolvendo suas habilidades motoras, tanto em brincadeiras com regras, onde é trabalhado o respeito e limite, e isso também ajuda a professora, trabalhando de forma lúdica em conjunto. E trabalho através de jogos em grande grupo, individuais, circuitos trabalhando as motricidades e assim desenvolvendo suas habilidades, como por exemplo, o chute, o arremesso, correr, acertar o alvo, etc. Também utiliza-se música para trabalhar coordenação e o lúdico (informação verbal).

Esta fala aborda a importância de se trabalhar a coordenação motora das crianças na fase da Educação Infantil, principalmente para estimular suas habilidades e aprimorar seus movimentos, ajudando, mais tarde, na área cognitiva, pois o corpo e a mente estão unidos. A professora de Educação Física da rede municipal relata que planeja suas aulas para a Educação Infantil inserindo a motricidade fina e ampla, conforme cita: “Planejo cada aula

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trabalhando a motricidade fina e ampla para que os alunos desenvolvam suas habilidades motoras” (informação verbal). Por este motivo, o papel do professor é fundamental, pois ele será o mediador do processo de ensino e aprendizagem e será aquele que, no momento oportuno, fará suas intervenções diante de alguma dificuldade encontrada por seus alunos.

6. CONCLUSÃO

As reflexões acerca do tema não se encerram, mas com os pontos abordados em torno da Psicomotricidade, colocados neste estudo, pode-se dizer que o trabalho com o corpo realmente é importante porque traz benefícios futuros para cada criança, principalmente em seu desenvolvimento da linguagem, sendo fundamental para o sucesso do processo de aprendizagem. Foi relevante abordar, nesta pesquisa, a importância de se trabalhar com o corpo na Educação Infantil e, principalmente, com as práticas pedagógicas que relacionam o desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo.

Alguns professores deixaram claro em suas respostas, no questionário da pesquisa, que não têm a definição clara sobre o que é trabalhar com a psicomotricidade dentro da sala de aula e nem os benefícios que ela traz para a aprendizagem e o desenvolvimento de cada criança, principalmente, em relação à leitura e à escrita. Outro fato destacado é a influência que a ludicidade na prática pedagógica traz para dentro da sala de aula. Praticamente em todos os relatos, os professores expressaram que os jogos e as brincadeiras estão inseridos no trabalho educativo desenvolvido, isso prova o quanto é importante o mundo da fantasia para a criança e o quanto o brincar pode ajudar a desenvolver a psicomotricidade. Além disso, quando a criança brinca em grupo, isso vem a ser uma experiência de socialização rica, pois, em contato com o outro, a criança aprende a tomar conta de seus impulsos e a respeitar o espaço do outro, como foi relatado nos questionários dos sujeitos participantes da pesquisa.

Enfim, neste contexto, as práticas psicomotoras tendem a ser consideradas como instrumentos de desenvolvimentos de pré-requisitos para o aprendizado da leitura e escrita e dos conteúdos escolares básicos. (Em suma), é necessário estimular atividades corporais para além da sala de aula, propiciando experiências que favorecerão o movimento por meio de diversas práticas.

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Referências

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