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AVM – FACULDADE INTEGRADA
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
PERSPECTIVAS DO ORIENTADOR EDUCACIONAL
FRENTE À DISLEXIA
Rita de Cássia Ferreira Moraes
Rio de Janeiro 2014
ORIENTADORA:
Profª Mary Sue Carvalho Pereira
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
AVM – FACULDADE INTEGRADA
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Orientação Educacional e Pedagógica.
Por: Rita de Cássia Ferreira Moraes
Rio de Janeiro 2014
PERSPECTIVAS DO ORIENTADOR EDUCACIONAL
FRENTE À DISLEXIA
AGRADECIMENTOS
A minha orientadora Mary Sue Pereira, pois sem ela não poderia realizar esse trabalho e a todos os professores da AVM.
DEDICATÓRIA
Ao meu pai (in memoriam), a minha mãe (in
memoriam), ao meu marido Omar, meu filho João Pedro, amigos e familiares.
EPÍGRAFE
(...) Não é possível refazer este país, democratiza-lo, humaniza-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo sonhos, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.
Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não da sua negação, não temos outro caminho sendo viver plenamente a nossa opção.
Encarná-la, diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos. (Paulo Freire - III jornada pedagógica – 2001)
RESUMO
Esse estudo tem como objetivo principal discutir as perspectivas do Orientador Educacional frente à Dislexia, caracterizado como Transtorno específico da leitura e escrita. Sendo como um dos agravos educacionais que, incapacita o sujeito a ler e escrever. Relacionam-se tais fatores característicos da não aquisição da leitura e escrita com a Dislexia, a partir do baixo resultado escolar apontado pelo o Pisa. Além disso, citam-se aspectos ao que tange ao diagnóstico da Dislexia, a importância de sua prevenção e, intervenção nas escolas. Outro aspecto relevante historicamente é o surgimento da Orientação Educacional como norteadora profissional e, atualmente, desempenhando uma função mais reflexiva, redimensionando seu papel dentro e fora da escola. E as dimensões do Projeto Político - Pedagógico, como uma viável possibilidade educativa referente a uma mudança de paradigmas, podendo assim, o Orientador Educacional, propor diferentes estímulos, levando em consideração também distintas habilidades e formas de aprender. Cabe o Orientador Educacional como especialista em educação, sugerir essa mudança, promovendo o diálogo como busca pelo consenso.
METODOLOGIA
Essa pesquisa tem por base estudos bibliográficos sugeridos por diversos professores no período de sua confecção.
Como referenciais teóricos utilizados, podem-se destacar: Entendendo a Dislexia - (Sally Shaywitz), Neurociência e Transtorno de Aprendizagem, Que cérebro é esse que chegou a escola, Neurociência e Educação (Marta Relvas), Orientação Educacional na prática de Giacaglia e Penteado. Assim como: Entendendo a Dislexia vol. 1 e 2. Outras bibliografias foram também consultadas. Os dados do Pisa foram empregados como fator motivacional dessa pesquisa, por apresentarem amostras significativas de baixo desempenho escolar entre estudantes.
Os autores citados e estudados na organização desse trabalho fundamentaram-se em pesquisas e métodos científicos (muitos deles testados), onde se possibilitou a identificação dos principais sintomas da dislexia, diagnóstico, prevenção e intervenção.
Podem-se destacar as dimensões do Projeto Político-Pedagógico como uma das possibilidades para que a escola, junto à equipe escolar, e Orientação Educacional revertam o impacto da evasão e baixa escolaridade entre alunos. O principal elemento para que a aprendizagem plena ocorra, segundo Relvas , é o prazer de conhecer algo novo, e este “algo novo”, deve ser repleto de significados que realmente gerem estímulos para provocar uma aprendizagem com bons resultados, permeado de prazer de aprender, sem medos.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 09
CAPÍTULO I – O Surgimento da Orientação Educacional 12
CAPÍTULO II – O que é Transtorno de Aprendizagem 21
CAPÍTULO III – As Dimensões do Projeto Político-Pedagógico e o Papel
do Orientador Educacional 34
CONCLUSÃO 41
BIBLIOGRAFIA 42
WEBGRAFIA 44
INTRODUÇÃO
Em virtude das grandes transformações econômicas, sociais e culturais ocorridas ao longo de nossa história, a escola, que antes era seletiva, tradicional e excludente,agora se vê forçada novamente a redefinir seu papel para incluir todos na escola. O estudo das dificuldades de leitura e escrita, em geral e, da Dislexia, em particular, vem gerando desde muito tempo a preocupação de profissionais na comprovação de tais fatores implicados no sucesso ou insucesso educativo. A Dislexia representa na atualidade um grave problema escolar a qual, se pretende destacar as perspectivas do Orientador Educacional frente a este transtorno, pois na escola, ele deverá apoiar e orientar todos os alunos, não apenas aqueles que aparentemente necessitam de maior atenção.
Ainda que algumas características como evasão e repetência sejam presentes em nosso sistema acadêmico, sabe-se que o interesse mais pragmático na atualidade é a inclusão de todos os alunos na rede de ensino, e para tanto, considerando os diversos fatores que levam ao fracasso escolar, é preciso uma ação mais efetiva no que tange aos aspectos humanos em relação aos padrões educacionais vigentes. Para tanto, é preciso redefinir e repensar estratégias para um melhor desempenho escolar. A solução depende tanto de políticas publicas de educação efetivas, quanto assistenciais entre esses escolares.
A escola para assumir esse papel inclusivo, deve ajustar-se conforme essa realidade. Contudo, devem ser revistos valores, modelos de aprendizagem, atitudes dos professores, relação interpessoais, participação dos pais, a comunicação entre todos os elementos da comunidade escolar. Assim, a Orientação Educacional novamente assume sua importância e necessidade nas escolas como parceira na instituição. Para tanto, é indispensável o conhecimento da realidade escolar brasileira a fim de que se deva de modo eficiente, contribuir na prática para o auxilio e processo de superação dessas dificuldades escolares.
Dada à complexidade desse novo modelo de escolarização e considerando que são numerosas e diversificadas as causas que contribuem para o fracasso escolar, que dentre as mais variadas pode-se aqui destacar a Dislexia, onde incapacita o sujeito de aprender a ler e escrever, (o objeto desse estudo). Vale destacar que nem todos os escolares que apresentam essas características de dificuldade de leitura e escrita são dislexos. Cabe o psicopedagogo realizar o diagnóstico, com o devido encaminhamento do Orientador Educacional conforme demanda apresentada pelo professor.
Conclui-se que a educação não pode unicamente se esgotar em sala de aula e, na relação aluno/professor e professor/aluno. Cabendo uma ação com função complementar e específica (técnica e pedagógica), saber e fazer, ao processo ensino- aprendizagem, que é função do Orientador Educacional. Ainda que a escola se questione o que fazer, cabe o Orientador Educacional uma nova cultura pedagógica em que promova o respeito à diferença entre todos os alunos, a participação dos pais, estabelecer parcerias para atendimentos especializados para alunos com dificuldades escolares e promover o dialogo entre todos os membros da escola e comunidade. Assim, conforme o modelo de inclusão garantida por lei, à escola deverá atender tanto os ditos “sadios”, assim como os portadores de algum tipo de necessidade especial, ou com transtorno de aprendizagem.
Não cabe descrever aqui neste estudo, todas as possibilidades de transtornos ou possíveis intervenções, mais sim, particularizar o transtorno da Dislexia sob as perspectivas do Orientador Educacional, definir seu papel assim como sua importância na escola.
Nos próximos capítulos serão descritos como surgiu a Orientação Educacional. O que é Distúrbios e o que é Dificuldades de Aprendizagem sob o recorte de dados estatísticos do IPEA do nosso sistema educacional onde revelam: baixo rendimento escolar e, consequentemente, alto índices de repetência e de evasão, onde aponta que a escola não vem mais sequer realizando a sua tarefa principal que é o ensino, em virtude de outras
demandas emergenciais, tais como: ausência dos pais nas escolas, violência e excesso de atribuições dadas ao professor entre outros aspectos.
Nos próximos capítulos trata-se sobre o surgimento da Orientação Educacional de natureza teórica, no intuito de resgatar a historicidade da profissão com a finalidade de compreender a sua prática durante um longo período, até os dias atuais, onde com o decorrer do tempo pontua-se novamente sua importância nas escolas. Os capítulos posteriores serão abordados a Dislexia, causa sintoma e prevenção, assim como a perspectiva da Orientação Educacional frente à Dislexia.
Embora já se tenha abordagens sobre este tema por vários profissionais em diferentes categorias, há muito a refletir sobre a perspectiva da Orientação Educacional, seus saberes e fazeres no que diz respeito à Dislexia.
Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para a formação de novos Orientadores Educacionais e também que possa servir de instrumento de sensibilização paro setor público e privado, a importância desta profissão regulamentada por lei nas escolas.
Este trabalho fundamenta-se em livros especializados em Dislexia, tais como: Sampaio, Relvas, Shaywitz, Rotta entre outros. Tendo como base principal do trabalho o livro: Orientação Educacional na Prática de Giacaglia e Penteado.
CAPÍTULO I
O SURGIMENTO DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
Neste capitulo, procura-se resgatar as origens e evidencias do surgimento da Orientação Educacional a fim de situá-la em seu tempo histórico para que, se possa conhecer sua origem e transformações ocorridas. Assim como a procedência de sua formação e sua aplicabilidade legal (marco legal), referente ao âmbito escolar e, ao que se refere aos dias de hoje.
Considerando que a Revolução Industrial ocasionou grande impacto na sociedade devido às transformações ocorridas, que dentre todas, aqui se destaca a educação, pode-se afirmar que, conforme (Giacaglia e Penteado, 2010), tal Revolução foi à causadora da retirada de homens e mulheres de seus lares em virtude do trabalho, e que a educação de crianças e jovens, antes restrita ao ambiente familiar, foi se alargando ao número cada vez maior de instituições formais.
Embora a educação no seu começo tenha se constituído de forma não pragmática e voltada para a elite, segundo Lia Giacaglia e Penteado (2010), a escola viu-se obrigada a abrir suas portas para todos os alunos através da escolarização compulsória, causada pela intensa imigração nos EUA. Tal imigração gerou uma preocupação constante da comunidade com a inserção dessas crianças na vida urbana e, aos ambientes insalubres das fábricas. Considerando a pressão da sociedade surgiu então a criação de leis sobre o trabalho infantil (através de sindicatos), onde a escola seria obrigada atender essa clientela. Assim, ela foi obrigada a redimensionar suas atribuições, até porque, também, tais transformações sociais e econômicas realizadas pelo trabalho fabril veio provocar a necessidade da formação de mão de obra especializada. Contudo, a Orientação Educacional surge nesse ambiente para a formação profissional desses alunos, para as novas formas de trabalho.
Pontua-se então que, as escolas começaram a absorver um número cada vez maior de alunos, e consequentemente, bastante diferente ao que tange aos aspectos de etnia, de classe econômica, de ordem física e mental.
Em seu início (fim do século XIX), a Orientação Educacional confundiu-se com Orientação Vocacional, através das teorias de Frank Parsons. O mesmo propunha através dessa teoria “colocar a pessoa certa no lugar certo”, a partir de testes psicológicos denominado de Psicometria. Que seria o primeiro ramo da Psicologia utilizado pela Orientação Vocacional.
Binet e Simon foram os primeiros a elaborarem o primeiro teste de inteligência consistindo na tabulação de número de respostas corretas que as crianças de várias idades davam a questões padronizadas para auxiliar no processo de profissionalização.
Segundo Giacaglia e Penteado (2010),
A necessidade, segundo Parsons, colocar a pessoa certa na função adequada, pressupunha, é claro, uma análise científica, dos requisitos de cada função, para saber as características que as pessoas deveriam possuir para exercê-la. Pressupunha, também, e em primeiro lugar, o conhecimento das características de cada indivíduo, para alocá-lo de acordo com elas (...) (GIACAGLIA e PENTEADO, 2010, p. 7).
Novas teorias surgiram discordantes de Parsons, e dentre muitas correntes filosóficas, pedagógicas e psicológicas, destaca-se aqui, as teorias de Piaget, que rejeitou então tais testes padronizados de inteligência, preferindo o método clínico, mais flexível passando a verificar a relação entre pensamento e a lógica. Nomeando etapas do desenvolvimento mental, denominadas de: assimilação, acomodação e desequilibração (Biaggio, 1975).
Duas correntes emergiram o Positivismo (Augusto Comte), e o Behaviorismo. Ambos se uniram para contribuir com a Orientação Educacional. Em fins do século XIX e inicio do século XX, os educadores reuniram em classes especiais os alunos que, embora não apresentassem uma grande deficiência, mostravam certo atraso no desenvolvimento intelectual.
Com o tempo a Orientação Educacional aumentou sua área de atuação não se limitando apenas a Orientação Vocacional, mas para incluir outras funções de Orientação nas escolas.
No Brasil, a Orientação Educacional foi introduzida de forma bastante artificial como se pontua posteriormente.
1.1. A Cronologia da Orientação Educacional no Brasil
As Orientações Educacionais no Brasil foram motivadas por influencia estrangeira, principalmente pelos EUA, e tais influências vieram acarretar uma série de problemas e, principalmente, de consequências legais. Principalmente ao que se refere à obrigatoriedade legal da existência da Orientação Educacional nas escolas na Lei 5.692/71. A qual não foi comprida até hoje.
Nota-se que, da mesma maneira que ocorreu em outros países, no Brasil o emprego da Orientação Educacional vinculada a Orientação Vocacional e Profissional, também se deu da mesma forma pragmática e de circunstâncias limitadas. Apenas como Orientação Vocacional e Profissional, por consequência ao advento da industrialização, com o objetivo de capacitar e treinar trabalhadores para as indústrias.
Conforme Giacaglia e Penteado (2010),
O surto de industrialização e a consequente urbanização que vinha ocorrendo em alguns estados brasileiros levariam à necessidade de um novo tipo de educação escolar. Diferentemente do ensino que vinha sendo ministrado até então nas nossas escolas, que apresentava natureza meramente acadêmica e, portanto, caráter elitista, iria surgir à necessidade de um novo tipo de formação escolar que viesse atender a essas novas demandas da sociedade (GIACAGLIA e PENTEADO, 2010, p. 20).
Em face dessas novas necessidades educacionais, ainda conforme Giacaglia e Penteado (2010), percebe-se a contribuição de Roberto Mange, contratado para lecionar na Escola Politécnica de São Paulo e em 1924 ,esse profissional criou o serviço de Orientação e Seleção Profissional no Brasil.
Em outros países a Orientação Educacional deixava de ser apenas profissionalizante, passando a ser encontrada em todos os tipos de escola de forma mais abrangente.
No Brasil, segundo Giacaglia e Penteado (2010), o primeiro serviço oficial de Orientação Educacional conforme o modelo norte-americano surgiu com o professor Lourenço Filho, educador precursor do movimento chamado “Escola Nova”.
Em 1931, surge o nome Orientação Profissional e Educacional com objetivos bem definidos. Tal serviço teve curta duração, em razões do afastamento de Lourenço Filho. A partir de 1933, o serviço de Orientação Educacional passou a atuar junto com a psicologia aplicada. Em 1934, ocorre um forte movimento, não só de implementação da Orientação Educacional, como ampla difusão da profissão pelo país. Em 1938, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas) criou a subdivisão para implantar, no Brasil, a Orientação Educacional.
Ainda conforme Giacaglia e Penteado (2010),
Apesar das tentativas de desvincular a Orientação Educacional da Orientação Profissional ou Vocacional, os métodos e técnicas que eram privilegiadas por ela continuariam a prevalecer. Até hoje, esses métodos ainda são bastante empregados na Orientação Educacional, mesmo quando esta é exercida sem a finalidade precípua de selecionar alunos ou orientá-los para a escolha profissional, e quando ela é exercida por pedagogos e, portanto, não formados em Psicologia. Por este motivo, a Orientação Educacional teve, nos seus inícios, caráter psicotécnico, o qual, infelizmente, é mantido, ainda hoje, por alguns Orientadores Educacionais (GIACAGLIA e PENTEADO, 2010, p.20).
É importante sinalizar que apenas em 1942, a Orientação Educacional se encontra nas chamadas Leis Orgânicas do Ensino. Restrita ao Ensino Médio. Em 1945, onde foi criado o primeiro curso de Orientação Educacional no Brasil.
De 1950 a 1960, a Diretoria do Ensino Secundário do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através da Cades (Conselho Municipal do Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), órgão dessa Diretoria, promoveu uma série de seminários, simpósios e semanas de estudos, em várias regiões do país. Pontua-se neste período o Decreto nº 47.038. Trata-se do exercício da Orientação nas escolas. Nestas décadas, era grande a importância atribuída do ensino dos Orientadores Educacionais nas escolas, e também nas primeiras séries do Ensino Fundamental, pela Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 4.024.
No final desta década, foi promulgada a Lei nº 5.567 de 21/12/1968, onde regulamentava a profissão do Orientador Educacional. Posteriormente, outras leis surgiram com as mesmas finalidades.
Na década de 70 houve uma explosão positiva ao que tange a Orientação Educacional ao que diz respeito à legislação, onde tornou obrigatória a existência da Orientação Educacional nas escolas, atendendo entre o 1º e 2º graus. Assim como, conforme Giacaglia e Penteado (2010),
A lei, a de n 5.692/71, onde, segundo a autora, surge as escolas técnicas, separadas para o ensino profissional, constituído um marco na história da legislação brasileira,.Nesse período, cabe destacar o Decreto n 72.846/73, que veio regulamentar a Lei n 5.564/68, que tratou do exercício da profissão (GIACAGLIA e PENTEADO, 2010, p. 23).
Na década de 80, nos primeiros anos, deu-se o não cumprimento da Lei Federal nº 5692/71, que tornava obrigatória a existência dos Orientadores nas escolas por tais fatores:
a) A não realização de concursos públicos para a Orientação Educacional;
b) A diminuição e interesse dos cursos de pedagogia para a habilitação em Orientação Educacional, consequentemente a redução de cursos de pedagogia em tal habilitação;
c) O não preparo do Orientador Educacional para ministrar as aulas de Orientação Vocacional do componente curricular (o PIP);
d) A não realização de Concursos públicos para contratação de Orientadores. Entre outros aspectos.
Na década de 90 e até os dias atuais, ainda segundo Giacaglia e Penteado (2010), na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei nº 9.394/96, não se encontra a obrigatoriedade da existência da Orientação Educacional nas escolas. Embora apareça de forma parcimoniosa.
Nota-se que em muitas escolas a figura do Coordenador Pedagógico aparece de forma mais usual frente à demanda dos professores e diretores. Os Orientadores Educacionais que, em tese, deveriam estar atuando junto aos educandos, pais e comunidade escolar como um todo perdeu, ou por questões econômicas ou por políticas ineficazes, ao longo dos anos essa função. Agora a escola novamente se vê forçada a redefinir seu papel para incluir todos na escola. Para tanto, se conclui que a educação não pode unicamente se esgotar em sala de aula e, na relação aluno/professor e professor/aluno. Cabendo uma ação com função complementar e específica (técnica e pedagógica), saber e fazer, ao processo ensino-aprendizagem, que é função do Orientador Educacional. Ainda que a escola se questione o que fazer, cabe o Orientador Educacional uma nova cultura pedagógica em que promova o respeito à diferença entre todos os alunos, evitando também os casos de Bullying na escola, onde a primeira providência consiste no reconhecimento de sua existência ou do conhecimento de suas manifestações. Como destaca Giacaglia e Penteado (2011). Muitos pais ou responsáveis entendem o Bullying como algo passageiro, ou por não entenderem a gravidade da questão, ou por não crerem na gravidade de suas possíveis consequências. A maioria dos casos as vítimas por medo de represarias, ou por vergonha não manifestam as agressões ocorridas. Contudo, a participação dos pais em reuniões, e o estabelecimento de parcerias para atendimentos especializados para alunos com dificuldades escolares promovendo sempre o diálogo entre todos os membros da escola e comunidade são importantes nesse sentido. Assim, conforme o modelo de inclusão garantida por lei, à escola deverá atender tanto os ditos “sadios”, assim como os portadores de algum tipo de necessidade
especial, ou com transtorno de aprendizagem. Tais fatores implicam no sucesso ou insucesso educativo.
Gacaglia e Penteado (2011), diante de alguns problemas graves sobre Bullying destacam alguns cuidados que o Orientador Educacional e membros da equipe escolar devem tomar conhecimento.
Cabe ao Orientador Educacional:
• Procurar conhecer o que é Bullying, como se manifesta na prática, quais são seus indícios, as possíveis causas e consequências dele.
• Procurar documentos legais sobre o assunto, e notícias de como ele vem sendo tratado em diferentes escolas.
• Estar atento para a possível existência ou a ocorrência de Bullying na sua escola.
• Discutir com os alunos e com seus responsáveis, preconceitos, como forma de prevenir o Bullying.
• Convocar e realizar rotineiramente reuniões com professores e funcionários da escola.
• Realizar reuniões preventivas com alunos e, se for o caso, também reuniões remediativas.
• Dar palestras de esclarecimento para todos os pais, informando, inclusive, sobre as implicações legais do exercício do Bullying.
• Atender as denúncias de vítimas de Bullying e a seus pais ou responsáveis.
• Ouvir professores e funcionários sobre a existência de casos de Bullying na escola.
• Sugerir à direção da escola, ao CP e aos docentes que incluam atividades extraclasses, como forma de canalizar a energia e usar o tempo ocioso dos alunos para atividades educativas,
• Mostrar aos pais que não é necessário e nem salutar que seus filhos sejam poupados de todas as formas de trabalho, inclusive na ajuda de tarefas domésticas.
Vale ressaltar que, quando a Orientação Educacional surgiu no século XX, assumiu seu pragmatismo acadêmico, confundindo-se com a Orientação Vocacional no ambiente escolar. Logo depois, ela assume caráter terapêutico ou corretivo. Em virtude da Revolução Industrial e a escolarização compulsória, a escola viu-se obrigada a abrir suas portas para todos os alunos. Contudo, nesta inclusão, começaram a surgir vários alunos que não se adaptavam a esse tipo de escolarização, ou não conseguiam acompanhar seu nível de exigência. Então, passou a ser atribuição do Orientador Educacional a responsabilidade de tratamento desses alunos, visando adaptá-lo ao novo ambiente escolar. Seja em grupo, ou individual. Portanto com finalidades terapêuticas. Depois passou a atuar em caráter preventivo.
Atualmente o cenário escolar pouco mudou, ainda temos um grande número de crianças que evadem da escola, ou por problemas de ordem social, ou por fatores econômicos, ou por não adaptação ao ambiente escolar. Sem contar com os altos índices de violência nos estabelecimentos de ensino. Contudo, a Orientação Educacional debruça-se em reflexões filosóficas e psicológicas de cada tempo para revelar a importância social da escola, e assim poder discutir a preocupação da condição da criança também em não aprender. A escola para assumir esse papel inclusivo, deve ajustar-se conforme essa realidade. Contudo, devem ser revistos valores, modelos de aprendizagem, atitudes dos professores, relação interpessoais, participação dos pais, a comunicação entre todos os elementos da comunidade escolar. Assim, a Orientação Educacional novamente assume sua importância e a necessidade nas escolas como parceira na instituição. Para tanto, é indispensável o conhecimento da realidade escolar a fim de que se deva de
modo eficiente contribuir na prática para, o auxilio e processo de superação dessas dificuldades escolares. Entretanto é importante que se conheça os principais Distúrbios de Aprendizagem que se seguem e seus diferentes conceitos ao que tange as mais variadas definições, onde e em especial destaca-se a dislexia. Pontua-se neste estudo apenas algumas, que dentre todas as outras definições, são universais em descrevê-la como uma dificuldade especifica para a aquisição à leitura. Este distúrbio é muitas vezes conhecido como “mal oculto”, porque não apresente nenhum fator físico ou intelectual ao seu portador. No entanto, não se pode negar seu impacto mediante ao fracasso escolar, segundo amostras do IBGE e PISA posteriores.
CAPÍTULO II
O QUE É TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM
Para abrangência desse estudo, antes de se pontuar a Dislexia, considera-se para uma melhor compreensão a definição de Distúrbio de Aprendizagem, ou Transtorno de Aprendizagem.
De acordo com Sampaio (2011), apud Topczewski (2002), a aprendizagem pode ser traduzida como capacidade e a possibilidade que as pessoas têm para receber, conhecer, compreender e reter na memória as informações obtidas.
No entanto, a aprendizagem abrange aspectos cognitivos, motores, afetivos, sociais, familiares. Incluindo práticas pedagógicas. Os Transtornos de Aprendizagem, segundo Navas (2013), abrange cerca de 3 a 6% de estudantes do ensino fundamental, sendo que, um apresenta Transtornos Específicos de Aprendizagem. Embora para Relvas (2012), ”todos nós possuímos uma necessidade especial, seja física, motora, psicológica, intelectual, afetiva, emocional, trazendo em muitos dos casos complicações em seu ambiente social”.
Contudo, para Sampaio (2011) apud (Pennington et,al, 2009). Os TEAs são transtornos do neurodesenvolvimento e apresentam forte tendência hereditária.
Esses transtornos são persistentes e compromete a escolarização do aluno até sua vida profissional. Ainda Sampaio (2013), “Essas crianças tem dificuldades nas funções cognitivas, como a atenção e a memória, e em alguns aspectos do processamento da linguagem, e é na escola que se tornam um problema maior”,
Aponta-se a necessidade de um diagnóstico precoce para que, o Orientador Educacional possa junto aos professores lançar mão de outros recursos pedagógicos, com a colaboração do psicopedagogo.
Segundo Navas (2013):
Vale lembrar que há fatores de risco e fatores protetores que interferem no prognóstico do transtorno de aprendizagem e que muitas crianças vivem com uma dupla desvantagem, isto é, além do transtorno de aprendizagem, estão expostas a fatores de risco, como, por exemplo, a prematuridade, a falta de estímulo do ambiente, as condições emocionais inadequadas e, ainda, a má qualidade da educação. O acompanhamento dinâmico da evolução da aprendizagem beneficia a todos, mas principalmente aqueles que, por suas dificuldades, ficam à margem do processo de aprendizagem (NAVAS, 2013, p. 29).
O ideal é que se faça uma avaliação adequada baseada por diferentes profissionais. Não é o Orientador Educacional que definirá tal avaliação. Mas conduzirá com a participação do professor, o seu devido encaminhamento.
Na avaliação da leitura e da escrita, é preciso que o psicopedagogo observe a cadência da leitura, se possui correspondência ou falhas, acréscimos ou inversões. Onde Sampaio (2011) apud Capovilla, (2000) afirma que “O psicopedagogo poderá utilizar a prova de consciência fonológica e prova de leitura em voz alta (...). Salvo os testes de uso exclusivo de psicólogos”.
Uma avaliação neuropsicológica tem como objetivo segundo Sampaio, (2011, p. 51) apud (HYND e WYLLIS In Capovilla, 2007), “observar possíveis distúrbios neuropsicológicos, e documentar o estado psicológico atual”.
Do mesmo modo como se emprega uma verificação profunda por meio de questionários e testes normatizados que “permitem obter desempenhos relativamente precisos”. (Sampaio, 2011, p. 50, apud Lezak in Capovilla).
Ainda segundo Sampaio (2011) apud Tabaquim (in Capovilla, 2011). Sugere que sejam aplicados os seguintes testes:
• TDE- Teste de Desempenho Escolar (STEIN, 1994)-identificação das dificuldades com leitura e escrita e do nível médio no domínio da leitura e escrita.
• WISCIII-Wechsler Intelligence Scale for Children (WECHSLER,2002).
• Provas do Exame Neuropsicologico (TABAQUIM, 2008) para observar as funções percepto-motoras, da linguagem receptiva e expressiva, memória verbal e não verbal.
• Prova de Leitura e Escrita (Pinheiro, 1995).
Segundo Sampaio apud Capovilla (2007). Sugere que sejam realizados os seguintes testes neuropsicológicos:
• Teste de discriminação fonológica - Linguagem oral que visa observar a capacidade de diferenciar entre sons da fala, Habilidade de discriminação auditiva que permite fazer distinção entre sons da fala e os sons não verbais. Discriminação fonológica.
• Teste de Competência de leitura das palavras e pseudopalavras - Tem a finalidade de observar qual a rota utilizada pelo avaliado.
• Prova da Consciência Sintática- tem como objetivo avaliar a habilidade de refletir sobre a estrutura sintática (morfológica e gramatical) da linguagem oral.
• Teste de geração semântica – tem o objetivo de observar um dos componentes das funções executivas (pré-frontal), ou seja, o controle inibitório e investigar possíveis lesões nesta área.
• Avaliação neuropsicológica da atenção- teste de trilhas, teste de fluência fonética, teste de stroop, teste de atenção por cancelamento.
• Avaliação neuropsicológica da linguagem oral expressiva – avaliação de nomeação (apresentando instrumentos), apresentando objetos,
partes do corpo ou desenhos, vocabulário (subteste de vocabulário das escalas Wechsler), fluência (teste de fluência verbal) e discurso (avaliar por meio de contagem das estórias e a descrição de atividade).
Quando a escola da Rede Pública recebe o diagnóstico do aluno com dislexia, (onde muitas vezes este análise não é discutida de forma mais abrangente com toda a equipe escolar, ou até mesmo com os pais), nota-se a necessidade que esta escola constitua algumas modificações no processo de ensino deste aluno, assim como possíveis intervenções pedagógicas. É imprescindível que o professor compreenda que este aluno é inteligente, possuindo habilidades compensatórias. À sua grande dificuldade está na leitura, onde o afetará inexoravelmente em outras áreas. Contudo, observa-se a necessidade da compreensão e a sensibilidade do professor com este aluno em relação aos conteúdos, no sentido de instituir uma organização dentro da escola de apoio pedagógico especifico que, organize a sua autoconfiança (que é afetada).
Segundo Sampaio (2011),
Avanços significativos ocorrerão se o foco da aprendizagem não depender de tantas exigências em relação à leitura. Deve-se evitar pedir para o Disléxico leia em voz alta perante a classe, pois lhe parece bastante constrangedor que os colegas percebam sua dificuldade. Esta é uma das maiores queixas que chegam para a avaliação psicopedagógico, relatando que os colegas o (a) chamam de burro (SAMPAIO, 2011, p.55).
Para que este aluno possa avançar na leitura, é essencial que se possa construir uma consciência fonológica deste escolar. Após, comenta-se o processo de intervenções.
Conforme Relvas, (2011 p. 52) “Avaliar o que se pretende, para uma educação inclusiva. Assim, todos os educadores precisam conhecer, pois, quando mal avaliado, trazem grandes prejuízos ao individuo, bem como a todos os envolvidos”.
O maior desafio na perspectiva do Orientador Educacional é promover a integração família, escola e o aluno, e para facilitar essa
aprendizagem é preciso uma construção da prática do afeto, elogios e carinho, pois a aprendizagem se dá em um clima estruturadamente afetivo.
Para Mary Sue Pereira (2012), a afetividade estimula todas as possibilidades de linguagem, promovendo a diversificação das sensações, por meio de atividades lúdicas, das artes e das interações sociais que terão como objetivo o desenvolvimento cognitivo com a aprendizagem.
Conclui-se que, transtorno de aprendizagem é uma incapacidade específica, como leitura, escrita ou matemática. Que embora muitas crianças tenham a inteligência preservada, seu cérebro funciona de forma diferente.
Destacam-se algumas ponderações ao que tange os transtornos de aprendizagem, conforme Sampaio (2011),
Distúrbio de Aprendizagem não é:
• Déficit de Atenção, tal como o Transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (THAH). Distúrbios de aprendizagem TDAH frequentemente ocorrem ao mesmo tempo, mas não são a mesma coisa.
• Distúrbio de aprendizagem não é a mesma coisa que deficiência ou retardo mental, autismo, deficiência ou processo normal de aquisição de uma segunda língua. • Distúrbios de aprendizagem não são causados por falta de
oportunidade educacional como trocas frequentes de escolas, por faltas constantes às aulas ou falhas no ensino das habilidades básicas (SAMPAIO, 2011, p. 25).
Dentro da perspectiva de Transtornos de Aprendizagem, o Orientador Educacional, deve levar em consideração os fatores internos (orgânicos) e, o meio que a criança está inserida que, influenciam na sua condição de aprender. Passando a existir assim a necessidade de uma avaliação do contexto familiar para que se possa contribuir para a superação dessa dificuldade. Pode-se definir que o Orientador Educacional como um profissional técnico, da área de educação, que exerce uma profissão de apoio a pessoas e, portanto de natureza assistencial. O Orientador Educacional se interessa pelo aluno como um todo, não apenas com aspectos cognitivos, mas também afetivos, tornando-se o elo da escola com os pais.
Pois para Relvas (2012),
Compreender que os atrasados não existem no processo educacional e que todos independentes de suas dificuldades tem direito a uma escola que promova uma aprendizagem cognitiva, motora, afetiva e social é a maior tarefa da Sociedade Humana, pois somos diferentes em nossa totalidade (RELVAS, 2012, p.19).
Pondera-se a necessidade da Orientação Educacional nas escolas, (conforme a Lei 5.692/71) com objetivo voltado para o bem-estar de todos os alunos, não apenas em caráter pragmático como antes, mas de uma maneira que esse aluno possa ter seu direito assegurado em aprender. Sobre o direito legal da aprendizagem dos educando, citam-se a Declaração de Salamanca (1994), e a LDB (Diretrizes Nacionais para Educação Básica). (Brasil, MEC, 2001). E demais leis para sua aplicabilidade legal:
• Lei n.º 12.524, de 2 de Janeiro de 2007.
• Legislação de apoio para atendimento ao disléxico.
• LDB 9.394/96. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (ECA). • Deliberação CEE nº 11/96. Indicação CEE nº 5/98, de
15/4/98.
• Parecer CEE nº 451/98 - 30/7/98.
• Parecer CNE/CEB nº 17/2001. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001.
• Aprovação do Plano Nacional de Educação e outras providenciam
Lei nº 10.172, de 9 de Janeiro de 2001. Politica Nacional para a Integração da pessoa Portadora de Deficiência
• Decreto nº 3.298, de 20 de Dezembro de 1999 - Regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989. • Diretrizes nacionais para a educação especial na educação
básica:
Processo nº 23001-000184/2001-92. Parecer nº 17/2001 - Colegiado: CEB - Aprovado em: 03.07.2001.
• Emenda LDB-ENTEC-SEESP. PNE – Uma questão de inclusão
Projeto de resolução CNE-CEB, Julho de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. (www.apad.com/legislação)
2.1. Legislação (Federal) Relativa à Inclusão (Links Especiais)
2.1.1. Leis
§ Constituição Federal de 1988 - Educação Especial. Lei n: 9394-96-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBN.
§ Lei n;-9394-96 – LDBN - Educação Especial.
§ Lei n:8069-90- Estatuto da Criança e do Adolescente- Educação Especial.
§ Lei n; 8069-90 - Estatuto da Criança e do Adolescente.
§ Lei n; 8859-94-Estágio Plano Nacional de Educação- Educação Especial.
2.1.2. Documentos Internacionais
§ Carta para o Terceiro Milênio.
§ Declaração de Salamanca.
§ Conferencia Internacional do Trabalho.
§ Convenção da Guatemala.
§ Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes.
Porém embora se tenham leis que assegure o direito de aprender , segundo relatório do PISA, em 2012, o desempenho dos estudantes brasileiros em leitura piorou em relação a 2009. O país somou 410 pontos em leitura, dois a menos do que a sua pontuação na última avaliação e 86 pontos abaixo da média dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).31 Do UOL, em São Paulo 03/12/201308h00 > Atualizada 16/6/14.
Considerando tal contexto educacional, pode-se afirmar que esses dados não significam que esses escolares apresentam algum tipo de
Transtorno de Aprendizagem, visto que fatores ambientais, econômicos, práticas pedagógicas ineficazes, problemas de ordem motivacional entre outros fatores, podem influenciar também no baixo resultado acadêmico. Contudo, sinalizam um cuidado ao que tange as competências necessárias para aquisição da leitura e escrita, visto que apresentam as mesmas características entre alunos disléxicos que se destaca a seguir, e reforça a importância de uma identificação precoce desse mau desempenho acadêmico.
No Brasil não se tem uma pesquisa em relação à prevalência da Dislexia, que seria fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas em educação.
De acordo com a história, segundo Shaywitz (2008), os primeiros casos de Dislexia correspondiam a crianças da sociedade Vitoriana que, embora fossem brilhantes e motivadas, vindos de famílias abastadas e escolarizadas, com professores motivados não conseguiam ler. Verifica-se através dessa pesquisa que a primeira definição documentada sobre dislexia foi em 1896. Era um menino de 14 anos que não conseguia ler. Incidindo numa inabilidade classificada inicialmente como “cegueira verbal” (atribuía-se esta denominação em decorrência de algum possível problema de ordem ocular). Sendo assim denominada por Kussmaul neurologista alemão.
2.2. O que é Dislexia
Dr. Morgan, ao final do século, XIX, foi a primeira pessoa a considerar a “cegueira verbal” entre crianças diagnosticadas como “normais” como uma disfunção de desenvolvimento. Hoje, com a chegada de novas pesquisas e tecnologias considera-se como Dislexia do desenvolvimento, graças a seus estudos entre crianças com estes sintomas. Contudo, observa-se que a incapacidade de ler não é somente uma preocupação atual entre crianças consideradas “normais” e séculos antes, médicos diagnosticavam tais dificuldades entre adultos que sofreram algum tipo de dano cerebral. Denominava-se: alexia adquirida. Onde a “cegueira verbal” é repentina, Todavia, Não só Doutor Morgan preocupou-se com a Dislexia. Assim como
Doutor Hinshelwood (postulava a necessidade de uma identificação antecipada das crianças com “cegueira verbal congênita”). Classificando a Dislexia como uma disfunção cerebral local e não generalizada.
Segundo Navas (2011),
A dislexia é um transtorno específico e persistente da leitura, da origem neurofuncional, caracterizado por um inesperado e substancial baixo desempenho da capacidade de ler e escrever, apesar da adequada instrução formal recebida, da normalidade do nível intelectual, e da ausência de déficits sensoriais. O dislexo responde lentamente ás intervenções terapêuticas e educacionais específicas. Porem, somente com estas intervenções adequadas pode melhorar seu desempenho em leitura e escrita. O prognóstico depende ainda de diversos fatores facilitadores como do diagnóstico, o ambiente familiar e escolar (NAVAS, 2011, p. 44).
Para Sampaio (2011), a dislexia é um distúrbio na leitura que afeta a escrita, sendo normalmente detectado a partir da alfabetização, período em que a criança inicia o processo de leitura.
De acordo com Rotta (2006), sua origem é biológica e/ou por fatores hereditários “inclui-se ao fator de risco crianças com herança genética familiar ao que tange ao diagnóstico de dislexia”.
Conforme Sampaio apud Capovilla (2011) menciona dois tipos de Dislexia do desenvolvimento:
1. Dislexia fonológica - representa cerca de 67% dos quadros disléxicos e se caracteriza pela dificuldade na leitura pela rota fonológica, usando preferencialmente a rota lexical que se encontra preservada.A leitura para pseudo-palavras (palavras inventadas) é difícil, porém a leitura de palavras familiares é feita normalmente;
2. Dislexia morfêmica ou semântica - representa cerca de 10% dos disléxicos. Existe a dificuldade na leitura pela rota lexical, utilizando basicamente a rota fonológica que está preservada. Há dificuldade em palavras irregulares e longas (SAMPAIO apud CAPOVILLA, 2011, p.38).
Para Moojen apud Rotta (2006), é possível classificar a dislexia em três tipos, Fonológica, Lexical e Mista:
1) Dislexia fonológica (sublexical ou disfonética) é caracterizada por uma dificuldade seletiva para agir na rota fonológica durante a leitura, adaptando ao funcionamento da rota lexical; como a assiduidade dos problemas reside no conversor fonema-grafema e/ou no momento de ligar os sons em uma palavra concluída. As dificuldades aparassem na leitura de palavras ignoradas e sílabas sem significado ou pseudopalavras, assinalando melhor performance na leitura de palavras já conhecidas. ao mesmo tempo encontram-se dificuldades em tarefas de memória e consciência fonológica.
2) A dislexia lexical é a menos grave, onde a leitura se faz caracteristicamente pelo acesso fonológico. O problema esta mais presente e aparece na leitura das palavras irregulares. Os disléxicos sabem que existem outras formas de ler determinadas letras, mas não usam a mais habitual de ler. Dislexia lexical (de superfície): as dificuldades residem na operação da rota lexical (preservada ou relativamente preservada a rota fonológica), afetando fortemente a leitura de palavras irregulares. Nesses casos, os disléxicos lêem lentamente e errando com frequência, (presa à rota fonológica), sendo vagaroso. Os erros comuns são silabações, imitações e correções. Quando pressionados a ler velozmente, fazem mudanças e lexicalizações;
3) A dislexia mista apresenta os problemas na rota fonológica e na rota visual. Dislexia Mista: nesse caso, os disléxicos apresentam problemas para operar tanto com a rota fonológica quanto com a lexical. São assim situações mais graves e exigem um esforço ainda maior para atenuar o comprometimento das vias de acesso ao léxico.
2.2.1. Diagnóstico
O diagnóstico da dislexia, segundo Dr. Maia (2012), é clínico e atendendo alguns fatores tais como:
• Atraso leve no desenvolvimento da linguagem oral;
• Nível de leitura inadequado para a idade e instrução oferecida;
• Evidencias de uma fraqueza circunscrita ao módulo fonológico da linguagem, com outros níveis de processamento linguístico preservado (semântico, sintático, pragmático, abstração e inferência);
• Evidencia de que o desempenho é inesperado para o nível geral de inteligência;
• Motivação adequada.
Pondera-se que, não é o Orientador Educacional que fará a avaliação da Dislexia. O médico, ou pediatra irá analisar o histórico familiar e do desenvolvimento, procurando fazer o diagnóstico diferencial com patologias, (deficiência intelectual, sensorial, transtorno autista etc.) e diagnóstico comórbidos (TDAH). O fonoaudiólogo será responsável pela análise das habilidades fonológicas e metafonológicas. (manipulação de sons). O psicólogo em conjunto com o psicopedagogo deverá analisar a motivação e a dinâmica familiar. O Orientador Educacional irá contribuir com a análise da adequação do processo ensino-aprendizagem e da estratégia de ensino ao estilo emocional e de aprendizagem do aluno, assim como envolver toda a equipe escolar e familiar incluindo o apoio emocional a essa família e a defesa dos direitos do filho durante o processo. Assim como promover o diálogo entre todos os envolvidos. E por muitas vezes contando com o apoio do Conselho Tutelar para esses possíveis encaminhamentos, que é uma questão de saúda pública e comunitária. O apoio pedagógico (que deve ser do Orientador Educacional) ocorre em primeira instancia na escola. Os demais profissionais serão procurados por acréscimo, à medida que for necessário. A equipe mínima essencial para o diagnóstico exato para a Dislexia , segundo Dr. Maia (2011), é composta de médico, fonoaudiólogo, e psicólogo.
2.2.2. Prognóstico
A Dislexia é persistente, ou seja, essa dificuldade fonológica é esperada ao longo da vida. A pessoa com Dislexia cria mecanismos compensatórios que permite uma leitura produtiva (melhora na acerácea), embora sua velocidade na leitura permaneça abaixo do padrão da idade. Por ser uma pessoa inteligente e criativa, ela não terá impedimentos parra galgar qualquer estágio acadêmico que deseja. Tudo dependerá de treinamento, esforço e motivação.
2.2.3. Tratamento
Não existe um tratamento ou medicamento que cure a Dislexia. Dislexia não é doença, é uma variabilidade genética que confere dificuldades significativas em uma habilidade que não é natural e sim culturalmente adquirida: a leitura.
O tratamento por diferentes profissionais não exclui o papel do professor, da família e do próprio aluno.
Ainda para Dr. Heber Maia (2011) A fim de superarmos a Dislexia e garantirmos uma adequada inclusão do aluno no espaço escolar, precisamos seguir os seguintes passos: diagnóstico preciso, ação terapêutica, ação escolar, ação familiar e ação individual, da própria pessoa com Dislexia.
Todas essas ações devem ser integradas. Prioriza-se neste estudo apenas o contexto escolar na perspectiva do Orientador Educacional no próximo capítulo.
Conforme Patto (1993),
A escola, inicialmente imposta como instrumento de unificação nacional, passa a ser desejada pelas classes trabalhadoras quando, de alguma forma, se apercebem da desigualdade embutida na nova ordem e tentam escapar, pelos caminhos socialmente aceitos, da miséria de sua condição. A escolarização é uma forma que essas tentativas assumem, quer como luta individual (familial) da maioria, quer como luta coletiva (através das organizações de trabalhadores) de uma
minoria que consegue levar a compreensão da realidade social até o limite histórico da sua possibilidade (PATTO,1993, p. 29).
Diante do exposto, nota-se a importância de pesquisas voltadas para crianças com dificuldades de aprendizagem , assim como políticas públicas embasadas nesses estudos, a fim de identificar, até precocemente, a avaliação desses alunos e adaptá-los a novos métodos.
CAPÍTULO III
AS DIMENSÕES DO PROJETO
POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O PAPEL DO ORIENTADOR
EDUCACIONAL
Neste capítulo destacam-se as dimensões do Projeto Político-Pedagógico e a participação do Orientador Educacional nesse processo de construção.
Cabe destacar que, o Orientador Educacional participa do Projeto Político-Pedagógico como um todo: planejamento, caracterização da escola e da comunidade e no que diz aos processos educativos.
Pondera-se que na condição de especialista em educação e de membro do corpo de funcionários da escola, compete ao Orientador Educacional participar, auxiliando a direção, do planejamento escolar, da elaboração do plano anual da escola e da elaboração do projeto pedagógico. Não faz parte, portanto, especificamente, conforme Giacaglia e Penteado (2010), das atribuições do Orientador Educacional, tomar qualquer iniciativa por conta própria, no que se refere a essa trabalho. O planejamento é uma tarefa para todos, sob a direção do coordenador da escola ou seu substituto. Quando não houver Coordenador Pedagógico, o Orientador Educacional pode vir a ser designado para a condução do trabalho. Em muitos casos, a Orientação Educacional e a Coordenação Pedagógica podem vir a ser designado para a condução dessa tarefa. No caso especificamente do Orientador Educacional, tomar parte ativamente da construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico e, assim, incluir e respeitar a caracterização da comunidade, escola e aluno, poderão essas informações, contribuir significante para a tomada de decisão que se refere ao processo educativo.
O Orientador Educacional constituem exemplos dessas decisões: opinar sobre o currículo da escola, principalmente no que diz respeito à escolha e à inclusão de disciplinas optativas; opinar sobre a formação de diferentes classes de alunos da mesma série e turno, quando o número de alunos matriculados nessas séries exija a formação de duas ou mais turmas: sugerir ou opinar sobre a proposta ou escolha de atividades extraclasse: opinar sobre a distribuição de diferentes séries no prédio e por períodos; discutir a problemática da disciplina: optar sobre os critérios da avaliação e de aprovação de alunos (...). (GIACAGLIA e PENTEADO, 2010, p. 102).
Porém, não se pode separar o papel da escola, do currículo, da avaliação, o papel do Orientador Educacional, professores, alunos, comunidade e demais funcionários e, do próprio Projeto Político-Pedagógico. Tudo está ligado, pois se considera também que o resultado do aluno e membros da escola esta atrelado muitas das vezes ao Projeto Político-Pedagógico institucional e suas avaliações, onde se constitui como outro novo grande desafio ao que inclui aos aspectos educacionais na atualidade, pois representa uma busca de novas perspectivas diante de tantos paradoxos, onde a escola tem que responder que, vai além do ensino da leitura e escrita.
Busca-se compreender os pressupostos que devem embasar a construção do Projeto Político-Pedagógico da escola como visão emancipadora. Mas para tanto, o Orientador Educacional contemporâneo, precisa reconhecer que a realidade escolar que o cerca ainda é seletiva, excludente e voltada para uma educação individual que ainda não permite uma perspectiva dialética com as diferenças, assim como as intencionalidades de seu currículo. Sendo assim, o Projeto Político-Pedagógico é entendido muitas vezes como um instrumento de controle dentro das escolas, no sentido de estar a reboque de órgãos e decisões aos objetivos nacionais da educação.
Veiga, (2012 pág.47) apud Gomes (1996 pág.47) alega que isso significa dizer que as políticas públicas, ao criarem indicadores de desempenho das escolas, acabam por transformar tais indicadores em referenciais para o diagnóstico prévio e para a avaliação dos seus resultados. Ou ainda para Azevedo (2002), “Ainda é comum nas escolas públicas dizer-se que não pode fazer isso ou aquilo porque a Secretaria de Educação não deixa”.
Neste sentido, percebe-se que essa aceitação de intervenções vinda dessas instâncias superiores, é como forma também de manutenção do controle da escola que, espera resultados diferentes para uma mesma forma de ensinar.
Veiga, (2012) aponta também a necessidade de se romper com a visão conservadora e extrapolar o centralismo burocrático, onde pressupõe o envolvimento de diferentes instancias que atuam no campo da educação, além do coletivo da escola, na construção de seu Projeto Político-Pedagógico, exprimindo sua intencionalidade pedagógica, cultural, profissional e construindo um modelo de gestão que pode- se assim, entender como democrática.
Constitui-se para Veiga (2012) como construção de Projeto Político- Pedagógico: A clareza do que se quer fazer e por que fazer (processo de ação-reflexão-ação que exige o esforço coletivo escolar, esforço conjunto e vontade política).
Destacam-se em termos teóricos quatro pressupostos onde Veiga aponta: unidade da teoria e da prática; ação consciente e organizada da escola; participação efetiva da comunidade escolar e reflexão coletiva; articulação da escola, da família e da comunidade.
Conclui-se que construir o Projeto Politico-Pedagógico de uma escola é refletir a escola como um todo e sua função social. Sendo assim, o projeto da escola é uma ação consciente e organizada porque é planejada tendo em vista o sujeito reflexivo e a identidade da escola por meio da coletividade, no qual persistam à diversidade do coletivo da escola e da comunidade escolar. ”Uma escola para um e ao mesmo tempo para todos”. Como preconizava Wallon.
Veiga (2012, p.58) apud Vale (1999, p. 71) sinaliza que é preciso ter em mente que o projeto, ao questionar o presente, insatisfeito com a situação existente, torna-se referencial crítico, questionando o contexto existente e, a avaliação do status quo.
Para tanto, discute-se também nessa perspectiva, o currículo, estruturado em disciplinas e fragmentado ao aluno, onde Veiga (2012) afirma que: “o currículo é o resultado de conflitos e contradições, porque é culturalmente determinado, historicamente situado e não pode ser desvinculado da totalidade social”.
Como define Veiga (2012):
Entendemos que devemos romper com essa lógica conservadora, trabalhando o currículo de forma integrada e interdisciplinar, a fim de reduzir o isolamento e a fragmentação. Neste sentido, compete aos professores discutirem os fatores que condicionam a seleção e a organização dos conteúdos curriculares. A escola não apenas reproduz o conhecimento, mas também deve ser vista como instancia de produção de saberes. (VEIGA, 2012, p.59).
Conclui-se que avaliar é o ato de diagnosticar para objetivar a busca de um melhor desempenho escolar; por isso, não deveria ser classificatória nem seletiva, centrada ainda em aprovação e reprovação. Estamos ainda sob o jugo de uma “educação bancária” centrada apenas aos aspectos quantitativos da aprendizagem. Que tanto Paulo Freire sinalizava, e atualmente Cipriano Luckesi. Onde se questiona a não existência de uma avaliação qualitativa em relação a uma melhora na própria condição de vida do sujeito, na praticidade do seu dia a dia e na convivência social, relacionada aos conhecimentos escolares. Propondo assim uma mudança de paradigmas dentro dos critérios avaliativos inseridos nas escolas.
Para tanto, Celso Vasconcelos (2003), afirma que os especialistas devem se especializar em mudanças e que esses processos são extremamente complexos, uma vez que envolvem relações de poder, condições de trabalho, plano de ação etc.
Todavia, a Orientação Educacional não está mais associada ao pragmatismo acadêmico como antes, mas sim como mediador dessas diversas relações de conflito existentes. Essa mediação não significa diminuição de tensão, mas sim de reflexão dentro das escolas no sentido de se buscar a humanização escolar como um todo.
Dentro de uma sociedade capitalista voltada para uma educação que privilegia uns em detrimento de outros, é comum a escola, segundo Azevedo (2002), “separar e preparar o trabalho braçal do trabalho intelectual”, (como era concebida a Orientação Educacional) contribuindo dessa maneira para a manutenção e reprodução das condições indispensáveis para a preservação da estrutura capitalista: a exploração de uns homens sobre a maioria dos outros homens.
Neste sentido Joanir Gomes de Azevedo (2002) considera que:
A escola é um arbitrário cultural, à medida que tudo o que existe dentro dela, a forma como está organizada, a forma como cada prédio é construído, o tipo de categoria profissional que nela trabalha as disciplinas que constituem o seu currículo, a população a que se destina o tipo de material com que se trabalha o tipo de avaliação que faz tudo enfim que constitui a sua existência, inclusive, sua própria existência e conveniência, é arbitrado, é determinado pelo grupo que numa determinada sociedade, num determinado momento histórico, detém o poder de fazê-lo, a fim de formar o tipo de homem para a manutenção de uma determinada estrutura social. (AZEVEDO, 2002, p. 54).
Veiga (2012) diz,
A construção do Projeto Político-Pedagógico anda o par com a reconstituição do campo do poder dentro das escolas, entendido este enquanto espaço de jogo no interior do quais novos atores lutam pelo poder sobre a nova especialização de funções e a interpretação regulada dos instrumentos de diagnóstico e avaliação. (VEIGA, 2012, p.46).
Conforme Fonseca (2012, p.40 e 41) Apud Miguel Arroyo (2000) Em seu livro Ofício de mestre alerta para: O risco de se conceber um projeto pedagógico limitado pela visão de órgãos burocráticos que se reservam o direito de definir políticas, parâmetros curriculares, salários, carreiras, números de alunos por turma, tempo de estudos, entre outros. Afirma a dificuldade de construir um projeto autônomo sem sair dos trilhos, das grades, enfim, das normas predefinidas. O mais grave é que as normas, segundo o autor, são dirigidas principalmente para os professores que se encontram no último degrau da hierarquia burocratizada e, portanto, permanecem à margem do
processo decisório e criativo. Até mesmo as práticas inovadoras lhe são repassadas por dirigentes e técnicos treinados para tanto.
As formas da elaboração do Projeto Político-Pedagógico da escola são basicamente duas, onde se destaca conforme Azevedo (2002:): “A forma autoritária e a forma democrática”. Neste aspecto, a forma autoritária não leva em consideração a importância do currículo oculto dos os sujeitos envolvidos, (alunos, professores e demais funcionários) no processo de construção do Projeto Político-Pedagógico, não contemplando ainda a diversidade como parte integrante desse Projeto. Apesar disso, destaca-se o trabalho de Habermas (O diálogo para a busca pelo consenso), onde classifica a sua teoria da ação comunicativa, onde destaca a pluralidade das vozes, onde nenhum interesse deve sobrepor aos da comunidade. Neste sentido, a escola deve se valer, sobretudo, no diálogo. Cabendo o Orientador Educacional promover esse diálogo. Para tanto primeiro deve-se refletir no interior das escolas: Como construir uma educação para todos independente de sua condição social, origem ou raça, e, ao mesmo tempo, uma educação para cada um, que contemple a complexidade do indivíduo em todas as suas dimensões. Onde se cita novamente Wallon
Pois para Perrenoud: “Não existe inclusão eficaz sem diferenciação pedagógica, dentro das turmas regulares” (2010). Percebe-se então que, o Orientador Educacional no interior da escola, em suas ações de inclusão, na participação do Projeto Político-Pedagógico e avaliação destas crianças, precisa, sobretudo, conhecer o interior do cotidiano escolar, suas práticas de inclusão, metodologias, intervenções, avaliações, relações de poder existentes e, relações de resistência dentro das escolas em função de autoritarismos existentes. Assim como as relações que se estabelecem entre comunidade – escola e suas diferenças culturais, sociais e econômicas. Só assim, poderá ajudar a construção de um Projeto Político-Pedagógico emancipatório, garantindo a qualidade técnica e política para todos, onde se possa afirmar a unidade da teoria e prática com ações conscientes e organizadas por meio da participação efetiva da comunidade escolar e trabalho coletivo, da articulação da escola, família e da comunidade. Apenas por processos democráticos é
possível constituir um caminho real da melhoria da qualidade de ensino .Onde Gomes (2012) enfatiza. Construída numa colaboração voluntária cidadã fundadora de uma verdadeira federação de esforços onde vise à emancipação, voltada para a construção do sucesso escolar e a inclusão, como princípio e compromisso social.
Assim como, a importância de um diagnóstico diferenciado e precoce, (garantidos por lei) referente à Dislexia, realizado por uma equipe multidisciplinar dentro e fora do âmbito escolar. Não apenas em sala de recursos fechadas em si mesmas, sem um desdobramento eficiente, mas que, possa influenciar em métodos e estratégias ajustadas ao ensino, e discutir sobre processos de intervenção em conjunto, sobre este transtorno ou outros possíveis dentro das Perspectivas do Projeto Político-Pedagógico.
CONCLUSÃO
Em seu início, a Orientação Educacional preocupava-se quase que exclusivamente em “colocar a pessoa certa no lugar certo”. Com o tempo rompe com o seu pragmatismo acadêmico, assumindo assim uma função mais reflexiva dentro e fora da escola. Para isso, o Orientador Educacional contemporâneo, como uma das formas de diminuir o impacto do fracasso escolar, deve, a partir da realidade comunitária, valer-se de novas metodologias, assim como estratégias para um planejamento coletivo que, possa levar em conta os distintos saberes dos educandos e suas vivências, levando em consideração esses conhecimentos onde possa proporcionar um ensino que possibilite a todos uma condição até de qualidade de vida. Não se pode deixar de pontuar também a importância de uma equipe multidisciplinar, composta por fonoaudiólogo, oftalmologista, psicopedagogo, psicólogo entre outros, como parceiros nas escolas, para o diagnóstico e intervenção para portadores da Dislexia. Destaca-se o papel do Orientador Educacional nessa perspectiva, como mediador, mantendo sempre o diálogo com a comunidade escolar, professores, alunos e demais envolvidos. Nesse sentido é preciso que, esse profissional possa refletir também sempre por meio da problematização, sobre a função da escola e, a complexidade da sociedade, suas diferenças e pluralidade culturais, onde possa promover, a partir dessas reflexões, a participação na construção do Projeto-Político-Pedagógico em um ambiente que deve ter por premissa principal a COLABORAÇÃO.
Trabalhar com as diferenças talvez seja o maior desafio para a escola na atualidade. Embora se tenha leis específicas para os Dislexos, ainda faltam políticas públicas mais eficazes, no sentido de garantia de direitos de acesso e permanência de crianças portadoras do transtorno da dislexia nas escolas. Assim como informações acerca desse transtorno, diagnóstico e prevenção.
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RELVAS, Marta Pires. (org.) Que cérebro é esse que chegou à escola. Rio de Janeiro: WAK, 2012.
_________________. Neurociencia e Educação. 2ª ed., Rio de Janeiro: WAK, 2010.
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