A formação inicial de professores mediada pelas TIC: um olhar sobre o curso de
matemática da UFMT – Cuiabá
Initial teacher training mediated by TIC: a look at the mathematics course at
UFMT - Cuiabá
DOI:10.34117/bjdv6n6-263
Recebimento dos originais: 07/05/2020 Aceitação para publicação: 10/06/2020
Alvaro Júnio Bertipaglia da Silva
Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Membro do GRUEPEM – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática do Programa de Pós graduação em Educação da
UFMT (PPGE/IE/UFMT). E-mail: [email protected]
Adelmo Carvalho da Silva
1 Doutor em Educação. Professor na Universidade Federal do Mato Grosso, Instituto de Educação (UFMT/IE) - cursos de pedagogia e matemática e dos Programas de Pós-Graduação em Educação PPGE/UFMT, Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática - PPGECEM -
da Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática (REAMEC), Mato Grosso, Brasil. E-mail: [email protected].
RESUMO
O texto apresentado refere-se a um estudo teórico sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no processo de formação inicial de professores que ensinam matemática. Nosso objetivo consiste em analisar como a formação do acadêmico para o uso das TIC está sistematizado no PPP do curso de Licenciatura Plena em Matemática da UFMT – Campus Cuiabá, e se o mesmo atende as orientações prescritas nas resoluções e pareceres para tal formação. Para isso, nosso trabalho é sistematizado em três momentos. No primeiro deles, buscamos compreender os desafios e as possibilidades das TIC no processo de formação inicial de professores. Na sequência, quais as diretrizes e resoluções sistematizam a formação para tal perfil e por último, como o referido curso está caracterizado em termos de projeto político para proporcionar essa formação a seus acadêmicos. Para fundamentar nossas discussões tomamos como referências teóricas D’AMBROSIO (2008); GATTI & NUNES (2009); MELLO (2004); MIRANDA (2007); PRENSKY (2001); PONTE & SERRAZINA (1998); SETTE, AGUIAR & SETTE (s.d.). Os dados levantados nos possibilitaram entender como o curso compreende uma formação mediada pelas TIC e entender a relação existente entre o proposto nas resoluções e diretrizes e a proposta do curso.
Palavras-chave: Formação Inicial. TIC. Perfil do egresso. ABSTRACT
The text presented refers to a theoretical study on Information and Communication Technologies (ICT) in the process of initial training of teachers who teach mathematics. Our objective is to analyze how the academic training for the use of ICT is systematized in the PPP of the Full Mathematics Degree course at UFMT - Campus Cuiabá, and if it meets the guidelines prescribed in the resolutions and opinions for such training. For that, our work is systematized in three moments. In the first, we seek to understand the challenges and possibilities of ICT in the process of initial teacher training.
Then, what are the guidelines and resolutions that systematize the training for such a profile and finally, how the referred course is characterized in terms of the political project to provide this training to its academics. To support our discussions, we take D'AMBROSIO (2008) as theoretical references; GATTI & NUNES (2009); MELLO (2004); MIRANDA (2007); PRENSKY (2001); PONTE & SERRAZINA (1998); SETTE, AGUIAR & SETTE (s.d.). The data collected enabled us to understand how the course comprises ICT-mediated training and to understand the relationship between what was proposed in the resolutions and guidelines and the course proposal.
Keywords: Initial training. ICT. Graduate profile.
1 INTRODUÇÃO
Com o acesso facilitado a meios digitais no cotidiano das pessoas, podemos perceber que muitas crianças e jovens já crescem e possuem aparelhos midiáticos desde muito novos. Parece ser prazeroso, fazem parte da rotina deles. Prensky (2001) utiliza o termo nativos digitais para se referir aos adolescentes e crianças que nasceram na geração digital. O problema decorre do fato de muitos dos professores não fazerem parte dessa geração de nativos, a quem Prensky (2001) denomina de imigrantes digitais. Assim, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), que tem ampla aplicabilidade nos processos de ensino-aprendizagem permanecem muitas vezes, deixadas de lado. Isso ocorre porque alguns dos professores ainda tem certa dificuldade para utilizar as TIC como uma ferramenta desse processo, pois não tiveram esses conceitos na sua formação inicial e continuada.
Nesse sentido, o momento mais adequado para que o professor conheça as inúmeras possibilidades que o ensino mediado por TIC pode proporcionar em suas aulas, é na formação inicial. Essa primeira formação é onde o docente irá compreender melhor como utilizar as tecnologias como um fim para o ensino, e não como uma maneira de distração para o aluno. Daí a necessidade de uma formação inicial sólida que contemple tais conteúdos formativos.
2 TIC: DESAFIOS E POTENCIALIDADES NA FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES As TIC podem ser de bastante utilidade para o professor de matemática desde que as inclua corretamente no processo de ensino-aprendizagem. Caso isso ocorra, teremos uma formação que proporcionará inúmeras experiências ao aluno. Nesse sentido, buscaremos explorar os desafios e possibilidades da educação mediada por tecnologias na formação inicial do professor e quais os impactos dessa formação em sua atuação posterior.
As novas mídias conduzem a uma reforma educacional no sentido de transformar a maneira tradicional de ensino para uma sala de aula mais interativa e moderna. Porém, mesmo com as TIC sendo um ambiente muito rico a ser explorado no ensino, ainda existem desafios quando se analisa seu efetivo uso.
O problema reside em que alguns professores têm uma concepção romântica sobre os processos que determinam a aprendizagem e a construção de conhecimento e concomitantemente do uso das tecnologias no ato de ensinar e aprender. Pensam que é suficiente colocar os computadores com algum software ligados à Internet nas salas de aula que os alunos vão aprender e as práticas se vão alterar. Sabemos que não é assim. [...] Os efeitos positivos só se verificam quando os professores acreditam e se empenham de “corpo e alma” na sua aprendizagem e domínio e desenvolvem atividades desafiadoras e criativas, que explorem ao máximo as possibilidades oferecidas pelas tecnologias (MIRANDA, 2007, p. 44).
Talvez, os motivos que levam os professores a não se interessarem pelas mídias se deve ao fato de que a maioria dos cursos de formação inicial contemple nada ou pouco conteúdo relacionado às TIC, como afirma o estudo desenvolvido por Gatti e Nunes (2009). De acordo com as autoras, o uso da informática é pouco citado na ementa dos mesmos. Porém, ressaltamos que as TIC vão muito além da sala de informática, e que o professor ao propor usá-las em sua aula, deve realizar um estudo para saber quais são as tecnologias que mais se enquadram na realidade de seus alunos.
Ponte e Serrazina enunciam as competências desejadas para que um professor saiba como utilizar as TIC no ensino:
O conhecimento de implicações sociais e éticas das TIC; a capacidade de uso de software utilitário; a capacidade de uso e avaliação de software educativo e; a capacidade de uso de TIC em situações de ensino-aprendizagem. (PONTE & SERRAZINA, 1998, p. 12).
Assim, compreendemos que a base para a compreensão desses conceitos deveria vir da formação inicial do professor. Compreendemos que nesta, ainda faltaria tempo para a compreensão efetiva das TIC, mas que assim, o professor em formação teria a base para estudos posteriores e conseguiria ainda propor atividades que de fato efetivariam o uso das TIC no ensino.
Quando falamos do uso de TIC no ensino da matemática, a ideia antiga que muitos dos professores têm é que ao usarmos essa tecnologia, o aluno se tornará um dependente dela, sem compreender de fato os conteúdos, como funciona com a calculadora, por exemplo. Parte dos alunos fazem várias contas na máquina e no momento de fazer manualmente, apresentam grande dificuldade. Dessa maneira, os professores desconfiam muito até serem convencidos sobre as potencialidades da tecnologia.
Além disso, alguns professores acreditam que perderão seus lugares enquanto docentes para as tecnologias, caso passem a permitir que elas adentrem no contexto escolar. A respeito disso, D’ Ambrosio diz:
Não há dúvida quanto à importância do professor no processo educativo. Fala-se e propõe-se tanto educação a distância quanto outras utilizações de tecnologia na educação, mas nada
substitui o professor. Todos esses serão meios auxiliares para o professor. Mas o professor, incapaz de utilizar desses meios, não terá espaço na educação. O professor que insistir no seu papel de fonte e transmissor de conhecimento está fadado a ser dispensado pelos alunos, pela escola e pela sociedade em geral (D’AMBROSIO, 2008, p. 79).
Assim, ainda que as tecnologias sejam um destino claro para o futuro da escola, o professor que teve boa formação inicial, não tem ressalvas quanto à implantação destas. Ao se empenhar em produzir boas aulas e colocar em prática os conceitos sobre as TIC vistos na sua formação inicial, sempre terá o seu lugar garantido. É importante dizer também que uma aula mediada por tecnologias exige um trabalho árduo do professor: a produção das aulas, a viabilidade do conteúdo e seus respectivos público alvos demanda o investimento de tempo e dedicação do docente.
Ao defender o porquê o professor em formação utilizar as TIC, Mello enuncia:
[...] a aceitação e o uso pertinente das TIC devem passar primeiro pela experiência que o professor deverá ter como aluno que aprende com elas. É nessa situação de aprendizagem que o professor poderá perceber a riqueza e a facilidade que as mídias interativas permitem, como também as amplas possibilidades de construção coletiva de conhecimento e de aprendizagens colaboradas (MELLO, 2004, p.178).
D’Ambrosio (2008) ainda acrescenta que uma das maiores dificuldades que não permite o aluno compreender a matemática é o fato de não conseguir fazer relações entre ela e o seu mundo, e que as TIC poderiam ser a “ponte” para fazer essa ligação, facilitando a compreensão dele.
Sobre qual seria a maneira correta da inclusão das TIC durante a formação inicial, os autores descrevem que algumas disciplinas com conteúdos formativos referentes às TIC no ensino da matemática somente não são suficientes. É necessário que elas sejam incorporadas de maneira interdisciplinar, nas disciplinas da ementa. Como afirma Sette, Aguiar & Sette:
Ao se tratar de informática na formação de professores, entende-se que o suporte teórico constitui a base imprescindível ao domínio pedagógico das ferramentas computacionais. Por isso, a recomendação é que os cursos de licenciatura conjuguem, de forma integrada na estruturação curricular, conteúdos oriundos das diversas ciências e outros voltados para a instrumentalização/profissionalização. Assim, o uso do computador se dará nos conteúdos e nas atividades desenvolvidas ao longo do curso, na construção do conhecimento, procurando evitar novas dicotomias que muitas vezes venham concorrer para a fragmentação da prática pedagógica (SETTE, AGUIAR; SETTE, s.d., p.38).
O uso das tecnologias em sala de aula conduz os alunos para uma educação mais crítica, para o julgamento. Por meio da experimentação que elas podem proporcionar, os alunos podem debater entre si, discutir possibilidades e propor hipóteses por meio de testes. Daí a necessidade do professor recém ingresso na profissão compreender que sua função sempre necessitará de aprimoramento, jamais estará acabada. O professor que fica engessado em relação as novas TIC e não aprende novos meios sempre fica atrás de seu colega que se capacita.
3 BASES LEGAIS PARA A FORMAÇÃO MEDIADA POR TIC
Com a evolução relativamente rápida das TIC, foi necessário que leis e diretrizes fossem incrementadas à legislação vigente para que o uso delas obtivesse o caráter obrigatório nas escolas. Consequentemente, temos também mudanças na formação de professores para que estes sejam capacitados para trabalhar com as TIC. Nesse sentido, buscamos realizar uma sucinta análise sobre como a legislação educacional orienta as instituições de formação a trabalharem com as tecnologias. A LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei nº 9.394/96 que institui o funcionamento da educação no Brasil cita poucas vezes uma educação mediada por TIC. Na seção III, que compete as orientações para a sistematização do ensino fundamental, em seu artigo 32, a lei contempla que para a formação básica do cidadão é necessária “a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade”. (BRASIL, LDB, 1996).
Quanto a formação dos professores do magistério, a referida lei em seu artigo 62, parágrafo 2º diz que “a formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância” (BRASIL, LDB, 1996) promovendo assim uma educação que já inclua as tecnologias como parte do processo de ensino aprendizagem. Neste artigo, a Lei prevê que poderão ser incluídas mídias digitais no processo de formação inicial do docente.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação Básica – Parecer CNE/CEB nº 7/2010, tem-se as orientações para a educação mediada por tecnologias da informação e comunicação – TIC. O referido parecer indica que em nossas escolas, a tecnologia já faz parte da vida dos alunos, enquanto alguns professores encontram-se em situação de negar as mídias como componente da realidade da sala de aula:
Os estudantes, entre outras características, aprendem a receber informação com rapidez, gostam do processo paralelo, de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, preferem fazer seus gráficos antes de ler o texto, enquanto os docentes creem que acompanham a era digital apenas porque digitam e imprimem textos, têm e-mail, não percebendo que os estudantes nasceram na era digital (PARECER CNE/CEB nº 7/2010, p. 20).
Nesse sentido, o mesmo Parecer indica que a educação mediada por TIC vai além de uma aula com o uso do computador:
As tecnologias da informação e comunicação constituem uma parte de um contínuo desenvolvimento de tecnologias, a começar pelo giz e os livros, todos podendo apoiar e enriquecer as aprendizagens. Como qualquer ferramenta, devem ser usadas e adaptadas para servir a fins educacionais e como tecnologia assistiva; desenvolvidas de forma a possibilitar que a interatividade virtual se desenvolva de modo mais intenso, inclusive na produção de linguagens. Assim, a infraestrutura tecnológica, como apoio pedagógico às atividades escolares, deve também garantir acesso dos estudantes à biblioteca, ao rádio, à televisão, à internet aberta às possibilidades da convergência digital (PARECER CNE/CEB nº 7/2010, p. 21).
Assim, compreendemos que as TIC utilizadas no contexto escolar englobam todas as mídias que tem o potencial de facilitar o processo de ensino aprendizagem, funcionando como uma ferramenta, diferente do lápis e da lousa, considerados tradicionais. Logo, a distância tão grande que existe entre o aluno e a compreensão efetiva dos conteúdos, pode ser diminuída com o auxílio das TIC.
Na legislação, porém, não é prescrito que as TIC devem se estabelecer como uma disciplina isolada, mas sim integrar toda a proposta curricular.
Organicamente articuladas, a base comum nacional e a parte diversificada são organizadas e geridas de tal modo que também as tecnologias de informação e comunicação perpassem transversalmente a proposta curricular desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, imprimindo direção aos projetos político-pedagógicos (PARECER CNE/CEB nº 7/2010, p. 28).
Nesse sentido, a resolução estabelece que as instituições de formação do professor devem oferecer as condições para isso, porém ficando a cargo delas decidiram quais recursos das TIC elas irão incluir.
Mais especificamente, quando analisamos as Diretrizes para cursos de professores que ensinam matemática, no que compete as competências e habilidades, é necessário que o professor egresso tenha a “capacidade de compreender, criticar e utilizar novas ideias e tecnologias para a resolução de problemas” (Parecer CNE/CES nº1302/2001, p. 3).
Desde o início do curso, o licenciando deve adquirir familiaridade com o uso do computador como instrumento de trabalho, incentivando-se sua utilização para o ensino de matemática, em especial para a formulação e solução de problemas. É importante também a familiarização do licenciando, ao longo do curso, com outras tecnologias que possam contribuir para o ensino de Matemática (Parecer CNE/CES nº1302/2001, p. 6).
Assim, em vários documentos vigentes até a atualidade, temos que a educação mediada por TIC deve compor parte dos currículos dos cursos de formação de professores. Por outro lado, compreendemos que as instituições têm bastante liberdade para essa sistematização, de acordo com a sua realidade.
4 O CURSO DE MATEMÁTICA DA UFMT CAMPUS CUIABÁ E A FORMAÇÃO MEDIADA PELAS TIC
Nesta seção, buscaremos averiguar de que forma a formação inicial mediada por TIC vem sendo organizada no curso de Licenciatura Plena em Matemática da UFMT Campus Cuiabá. Mais especificamente, se o curso atende o que é prescrito na legislação educacional no que compete as Tecnologias da Informação e Comunicação.
Nesse sentido, o referido curso, quando explora as habilidades desejadas, tem como uma das expectativas que o egresso “critique e utilize novas tecnologias” (PPP-UFMT-Matemática, 2009, p. 7). No quesito perfil profissional pretendido, o PPP espera que o egresso tenha “capacidade de criar e propor novas ideias, [...] possibilitando a incorporação de novas tendências e tecnologias, adequadas à sua realidade e à vivência do aluno” (PPP-UFMT-Matemática, 2009, p. 7).
Na compreensão do projeto, além de incorporar novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, apenas incluí-las não é o suficiente: é necessário que elas façam sentido para o aluno, se adequando a sua rotina, para que ele consiga fazer elos com o seu cotidiano.
Trabalhar com as TIC de acordo com o PPP do referido curso não significa trabalhar apenas com computador. O projeto propõe para além disso, o LEM – Laboratório de Ensino de Matemática. O laboratório, segundo o projeto:
É uma situação de aprendizagem em que o ensino utiliza material didático, não com o objetivo de transmitir uma informação, mas com a intenção de provocar, através de um desafio, o uso da intuição, para que, a partir dela, o aluno passe a fazer perguntas, a procurar regularidades, a tomar decisões e, principalmente, a ter coragem de atacar problemas. [...] e que material didático é todo e qualquer instrumento necessário empregado no ensino-aprendizagem (PPP-UFMT-Matemática, 2009, p. 63).
Nesse sentido, o referido laboratório tem a função de proporcionar ao acadêmico do curso experiências com o ensino utilizando de outros meios, que podem ser as TIC. Inúmeros podem ser esses meios, ao passo que quanto mais criativo é o professor, maior diversidade deles.
Para além do LEM, para desenvolver atividades que necessitam de computador, o curso ainda conta com laboratório de informática, que está proposto da seguinte maneira:
Com os recentes avanços nos softwares de computação algébrica e gráfica, possibilitando o uso em microcomputadores, surgem novas formas de experimentar a matemática. O ensino de matemática, no ensino superior, tem nova perspectiva, ampliando as formas de observar, experimentar e tratar conceitos matemáticos. [...]. Assim, o laboratório de informática destina-se prioritariamente as atividades didáticas que necessitem do uso da informática, devendo seu funcionamento atender às necessidades de alunos de graduação, pós-graduação, bolsistas e estagiários do curso de Matemática e professores dos Departamentos de Matemática e Estatística (PPP-UFMT-Matemática, 2009, p. 67).
Nesse sentido, os dois laboratórios buscam contribuir na ação docente, procurando mostrar que existem inúmeras maneiras distintas de se abordar o conteúdo. Isso proporciona ao futuro docente um melhor acervo de ideias para construir suas aulas futuramente.
A respeito dos conteúdos e conhecimentos necessários à formação, encontramos que para a metodologia do ensino de matemática, “o uso de recursos didáticos e das novas tecnologias devem compor a formação”. (PPP-UFMT-Matemática, 2009, p. 10). Assim, buscamos analisar como as disciplinas relacionadas às TIC estão constituídas no Ementário. É importante ressaltar, que nesta análise, buscamos disciplinas que envolvem TIC diretamente.
Tabela 1 – Disciplinas do ementário que envolvem as TIC diretamente
Disciplina Carga Horária Conteúdos
Tecnologias para o Ensino de Matemática I
60 h Tecnologias para o ensino de
matemática: calculadoras, mídias e sites; análise e utilização. Softwares educacionais para apoio ao ensino de geometria e álgebra na Educação Básica. Tecnologias para o Ensino de
Matemática II 75 h Ementa: Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e o ensino de Matemática. Educação Matemática e ambientes virtuais de aprendizagem e tutoria. Avaliação e produção de materiais didáticos para o ensino de matemática com o uso das TIC.
Fonte: PPP Licenciatura Plena em Matemática (2009).
Em nossa análise realizada, encontramos apenas duas disciplinas que envolvem o termo TIC ou Tecnologia diretamente, ou seja, no título da disciplina, o que indica ser pouco o envolvimento delas. Na legislação vigente, encontramos que elas devem ser trabalhadas de maneira interdisciplinar em todo o curso. Assim, em uma segunda análise, buscamos as disciplinas em que as tecnologias aparecem indiretamente, ou seja, na ementa delas, e que ao professor que for lecioná-las, cabe o papel de incluir as TIC em suas aulas.
Tabela 2 – Disciplinas do ementário que envolvem as TIC indiretamente
Disciplina Carga Horária Conteúdos
Educação Matemática II 90 h Os diferentes espaços de ensino e aprendizagem da matemática. O laboratório de ensino de Matemática. Didática para o Ensino da
Matemática
60 h Atividades no Laboratório de
ensino de Matemática.
Programação Linear 60 h A Programação Linear na
Pesquisa Operacional. Problemas de Programação Linear. Solução gráfica de Problemas de Programação Linear. Algoritmo Simplex. Aspectos teóricos e computacionais do Algoritmo Simplex.
Fonte: PPP Licenciatura Plena em Matemática (2009).
Como podemos observar, o referido curso conta com uma boa parte da sua estrutura com conteúdos formativos referente às TIC, mesmo que de maneira direta ou indiretamente. Essas disciplinas tem uma ementa bastante atualizada, fugindo da ideia de que trabalhar com as tecnologias significa apenas aulas no laboratório de informática com o uso do computador.
Assim, a partir de nossa análise, consideramos que o curso contempla o que está prescrito nas resoluções quando se propõe uma formação mediada por TIC, porém deixa a desejar no quesito interdisciplinar. Na análise da ementa, podemos compreender que muitas das disciplinas do curso poderiam contar com recursos das Tecnologias da Informação e Comunicação em sua ementa, porém o uso de tais artifícios, não são nem citados. Nesse ponto, chamamos para a atenção o fato de que o professor regente da disciplina poderia incluí-las em suas aulas, mas pelo fato de não aparecerem na ementa, acabam a deixando de lado.
5 CONCLUSÕES
O processo de construção deste trabalho nos possibilitou a melhor compreensão de como as TIC podem ser utilizadas no processo de ensino aprendizagem e seus principais desafios. O maior deles, ainda continua sendo a resistência do professor que ainda tem medo e/ou não se sente preparado para incluí-las no processo de ensino-aprendizagem.
Podemos também tomar conhecimento sobre o curso de formação de professores de matemática da UFMT em Cuiabá, a respeito das TIC no processo de ensino, que nos permitiu ter uma compreensão inicial em como as universidades estão organizando essa tarefa.
Uma formação inicial dos professores de matemática mediada pelas Tecnologias da Informação e da Comunicação implica numa mudança de prática dos professores formadores. Estes devem compreender que as TIC devem ser implementadas no ensino de uma maneira interdisciplinar. Mesmo que não esteja prescrito na ementa do curso, os professores regentes poderiam utilizar das TIC de uma forma interdisciplinar. Nas disciplinas que já as incluem diretamente, resta ao professor sempre estar aprimorando seus métodos.
Como podemos analisar, o uso das TIC na educação superior está muito relacionado a prática do professor, que pode desenvolver métodos para utilizá-las e buscar atender o que está prescrito na ementa. Em questão de estrutura das disciplinas, este estudo teórico pode concluir que o curso é bem sistematizado e atende, minimamente, ao que é prescrito nas resoluções.
REFERÊNCIAS
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