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Maça de Alcobaça certificada vs convencional: da produção ao consumidor

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Academic year: 2021

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Maçã de Alcobaça “certificada” vs “convencional”: da

produção ao consumidor

Fábio André Pardal Silva

Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em

Engenharia Alimentar

Orientadores: Professora Doutora Maria Alexandra Campos Seabra Pinto

Professora Doutora Margarida Gomes Moldão Martins

Júri:

Presidente: - Doutora Maria Luísa Louro Martins, Professora Auxiliar do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

Vogais: - Doutora Maria Alexandra Campos Seabra Pinto, Professora Auxiliar Convidada do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

- Doutora Maria Filomena Ramos Duarte, Professora Auxiliar com Agregação

. aposentada do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

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“De tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos sempre começando

a certeza que precisamos continuar a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar. Portanto, devemos: fazer da interrupção, um caminho novo

da queda, um passo de dança do medo, uma escada do sonho, uma ponte da procura, um encontro” Fernando Sabino

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i

Agradecimentos

Gostaria de expressar o meu sincero agradecimento a todas as pessoas que contribuíram para a conceção e execução desta dissertação de mestrado.

Em primeiro lugar agradeço às professoras Alexandra Pinto e Margarida Moldão por aceitarem o desafio de orientar este trabalho, pelo tempo despendido, pelas sugestões de melhoria apresentadas, bem como pela revisão do trabalho.

À Professora Filomena Duarte pelo contributo prestado na fase inicial do projeto. Aos técnicos das várias Centrais Fruteiras que aceiraram participar neste desafio e à Eng.ª Susana Costa, colaboradora da APMA, pelo tempo despendido e pelas informações facultadas.

Aos colaboradores da Jerónimo Martins que contribuíram para que a aplicação do “Inquérito ao Consumidor final” fosse possível nas lojas da insígnia Pingo Doce.

Aos professores que ao longo do curso me transmitiram os conhecimentos que hoje disponho.

Aos meus colegas e amigos Carlos, Margarida, Mariana, Kieza e Teresa pela amizade, companheirismo e pelos momentos de alegria partilhados ao longo destes anos.

À minha família e aos restantes amigos que me acompanham ao longo destes anos.

Dedico esta dissertação de mestrado ao meu avô, Filipe Silva, que sempre me apoiu no desenvolvimento deste trabalho, inclusive acompanhando-me nas visitas às várias Centrais Fruteiras estudadas. Ironicamente, partiu no mesmo dia em que entreguei a versão provisória deste trabalho – 14 de outubro de 2016.

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ii

Resumo

O presente trabalho consistiu numa primeira abordagem comparativa do modo de produção da Maçã de Alcobaça certificada e da maçã convencional. Com esta finalidade selecionaram-se quatro centrais fruteiras certificadas a preparar Maçã de Alcobaça e quatro centrais fruteiras que preparam maçã convencional. Estudou-se e comparou-se o modo de produção adotado pelos produtores associados a estes dois “tipos” de centrais, bem como as principais técnicas pós-colheita implementadas. As centrais de Maçã de Alcobaça em análise representam aproximadamente 50% dos produtores certificados em 2015. Foi também efetuado um inquérito ao consumidor, com a finalidade de compreender a perceção e as respetivas preferências sobre Produtos Qualificados, bem como os critérios de escolha e preferências no consumo de maçã. Constatou-se que os produtores de Maçã de Alcobaça certificada associados às centrais estudadas usam modos de produção mais intensivos, mas também adotam um maior número de técnicas que contribuem para a redução do consumo de fatores de produção e encontram-se certificados com um maior número de regimes de certificação da qualidade. Nas centrais fruteiras que preparam Maçã de Alcobaça estão implementadas técnicas pós-colheita diferenciadoras que contribuem para a preservação das suas características distintivas. Verificou-se que mais de metade dos consumidores inquiridos não tinham conhecimento sobre os regimes de qualidade. No entanto, no caso dos consumidores que têm esse conhecimento, os produtos certificados são valorizados, sendo privilegiado o seu consumo. Os inquiridos que afirmaram consumir Maçã de Alcobaça estão dispostos a pagar um valor médio de 2,2 €/kg. Em suma, estão implementadas técnicas ao nível da produção primária e do pós-colheita que contribuem para a sustentabilidade da cadeia de valor da Maçã de Alcobaça, sendo este fruto valorizado pelo consumidor.

Palavras-chave: Fruticultura Sustentável, Maçã de Alcobaça, Certificações, Pós-colheita, Consumidor

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iii

Abstract

This work consisted in a first approach about the production of the certificate Maçã de Alcobaça and the conventional apple. With this goal were selected four certified fruit factories to prepare Maçã de Alcobaça and four fruit factories for preparing conventional apples. It was studied and compared the production method adopted by the producers associated with these two "types" of factories, as well as the main implemented post-harvest techniques. In analysis, the fruit factories of Maçã de Alcobaça, represent approximately 50% of the certified producers in 2015. It was also developed a survey to apply to the consumer, in order to understand their perception and their preferences on Qualified Products, as well as the selection criteria and preferences in the consumption of apples. It was found that the certified Maçã de Alcobaça associated producers with the studied fruit factories, use more intensive production methods, adopted a large number of techniques that help to reduce the consumption of production factors and were certified with a larger number of quality certification schemes. In the fruit factories for preparing Maçã de Alcobaça were also implemented distinguishing post-harvest techniques, that contribute to the preservation of its distinctive technical features. It was found, that more than a half of the inquired consumers were unaware of this qualified products. However, in the case of the consumers who are aware of that, these certified products are valued and their consumption is privileged. The inquired consumers who affirm to consume Maçã de Alcobaça, where willing to pay an average value of 2,2€/kg. In summary, there are implemented techniques in the primary production and post-harvest that contribute to the sustainability of the value chain of Maçã de Alcobaça and the appreciation of this product by the consumer.

Keywords: Sustainable Fruits, Maçã de Alcobaça, Certifications, Postharvest, Consumer

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iv

Índice

1 Introdução ... 1

2 Produtos Qualificados ... 4

2.1 Especificidades dos produtos tradicionais ... 4

2.2 Regulamentação comunitária relativa aos Regimes de Qualidade ... 4

2.3 Quantidade e distribuição dos Produtos Qualificados ... 5

2.4 Importância económica dos Produtos Qualificados ... 6

2.5 Produtos Qualificados em Portugal ... 9

2.6 Frutos Portugueses Qualificados ...11

3 Maçã de Alcobaça ...14 4. Agricultura Sustentável ...19 4.1 Pilar Económico ...21 4.2 Pilar Ambiental ...24 4.2.1 Conservação do solo ...25 4.2.2 Rega...26 4.2.3 Consumo de fertilizantes ...26 4.2.4 Aplicação de fitofarmacêuticos ...26 4.2.5 Biodiversidade ...27 4.3 Pilar Social ...28 5 Fisiologia pós-colheita ...30 6 Manuseamento pós-colheita ...33

7 Fatores que influenciam a decisão de compra de frutos ...37

8 Metodologia ...38

8.1. Produção de Maçã de Alcobaça certificada vs “maçã convencional” ...38

8.2 Estudo da perceção do consumidor sobre Produtos Qualificados ...40

9. Análise e discussão dos resultados ...43

9.1 Produção e pós-colheita de Maçã de Alcobaça certificada vs “maçã convencional” ...43

9.1.1 Resultados dos inquéritos relativos à produção primária ...43

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v

9.1.1.2 Caracterização dos produtores associados às Centrais Fruteiras em estudo ...44

9.1.1.3 – Fruticultura Sustentável ...46

9.1.1.3.1 – Pilar Ambiental ...46

9.1.1.3.2 – Pilar Económico ...50

9.1.1.3.3 – Pilar Social...53

9.1.2 Principais Conclusões ...54

9.1.3 Caracterização das centrais visitadas ...56

9.1.4. Principais Conclusões ...62

9.2 Resultados do «Inquérito ao Consumidor final» ...64

9.2.1 – Caracterização sociodemográfica do consumidor ...64

9.2.2 Preferências do consumidor por alimentos certificados ...66

9.3.3 Critérios de escolha e motivações de compra de maçã ...69

9.2.4 Principais Conclusões ...72

10 Conclusões Finais ...73

11 Trabalhos Futuros ...75

12 Referências Bibliográficas ...75

Anexos ...84

Anexo 1 - Modelo do “Inquérito às Organizações de Produtores associadas à APMA” ...85

Anexo 2 - Modelo do “Inquérito às Centrais Fruteiras”...90

Anexo 3 – Modelo do “Inquérito ao Consumidor final” ...94

Anexo 4 - Princípios gerais do Modo de Produção Integrada – PRODI ...98

Anexo 5 - Diagramas de manuseamento das Centrais Fruteiras estudadas ...99

Anexo 6 – Ficha de Controlo de Qualidade à receção ... 107

Anexo 7 – “Procedimentos de Classificação de Maçãs – Variedades: Royal Gala, Galaxy, Brookfield, Jonared e Fuji ” ... 108

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vi

Lista de Figuras

Figura 1 – Símbolo da Denominação de Origem Protegida ... 5

Figura 2 – Símbolo da Indicação Geográfica Protegida ... 5

Figura 3 - Prémio atribuído aos produtos pela qualificação ……….….8

Figura 4 - Prémio atribuído aos produtos agrícolas e géneros alimentícios pela qualificação . ………..9

Figura 5 – Mapa da área geográfica ...15

Figura 6 – Marca de Certificação ...17

Figura 7 – Logotipo de Maçã de Alcobaça ...17

Figura 8 – Os três pilares do Desenvolvimento Sustentável ...19

Figura 9 - Funções da agricultura ...20

Figura 10 – Importância económica do Complexo Agroflorestal em 2012...21

Figura 11 – Evolução da viabilidade, competitividade e produtividade económica agrícola .22 Figura 12 – Evolução da área e da produção de maçã a nível nacional e da região centro .24 Figura 13 – Explorações de culturas permanentes que praticavam enrelvamento da entrelinha em 2009 ...25

Figura 14 – Explorações de culturas permanentes que praticaram enrelvamento da entrelinha em 2009, por região ...25

Figura 15 – Distribuição da venda de produtos fitofarmacêuticos em 2013 ...27

Figura 16 - Importância da população agrícola familiar na população residente (2009) ...29

Figura 17 – Relação entre o período pós-colheita e a taxa respiratória ...30

Figura 18 – Diagrama geral do manuseamento pós-colheita de produtos hortofrutícolas ....34

Figura 19 – Localização geográfica das centrais fruteiras em estudo ...38

Figura 20 – Localização geográfica dos estabelecimentos comerciais ...41

Figura 21 – Diagrama geral de preparação da Maçã de Alcobaça certificada ...56

Figura 22 – Diagrama geral de preparação das “centrais convencionais” que apresentam menores volumes de preparação ...57

Figura 23 – Diagrama geral de preparação das “centrais convencionais” que apresentam maiores volumes de manuseamento ...58

(9)

vii Figura 24 – Resposta à questão «Sabe o que são produtos qualificados como Denominação

de Origem Protegida e como Identificação Geográfica Protegida» ...66

Figura 25 – Resposta à questão «e após a apresentação dos símbolos» ...66

Figura 26 – Resposta à questão «Privilegia o consumo deste tipo de produtos?» ...71

Figura 27 – Resposta à questão «Principais motivações que levam ao consumo?» ...67

Figura 28 – Resposta à questão «Quais os principais tipos de produtos adquiridos?» ...68

Figura 29 – Resposta à questão «Quais os principais motivos porque não compra?» ...68

Figura 30 – Resposta à questão «Quais os critérios de escolha que mais valoriza no momento de compra de maçã?» ...69

Figura 31 – Motivos referidos para não comprar Maçã de Alcobaça ...71

Figura 32 – Motivos referidos para comprar Maçã de Alcobaça ...71

Figura 33 – Resposta à questão «Como classifica o estado de conservação da Maçã de Alcobaça Certificada?»...71

(10)

viii

Lista de Quadros

Quadro 1 – Classificação dos produtos qualificados europeus ... 6

Quadro 2 – Contribuição dos principais Estados Membros para o número e valor económico dos produtos DOP e IGP, em 2007 ... 7

Quadro 3 – Produtos DOP e IGP Portugueses registados ... 10

Quadro 4 – Área e produção de frutos qualificados em 2013 ... 12

Quadro 5 – Área e produção de frutos em 2013 ... 13

Quadro 6 – Peso dos frutos qualificados na superfície e produção total nacional em 2013 . 13 Quadro 7 – Preço para o produto certificado, não certificado e respetiva valorização ...14

Quadro 8 – Transformadores associados da APMA e respetivo concelho, em 2015 ... 17

Quadro 9 - Avaliações efetuadas pelo Organismo de Controlo para a concessão da certificação ... 18

Quadro 10 – Indicadores da agricultura Portuguesa em 2013 ... 22

Quadro 11 – Área nacional de pomares de frutos frescos e de macieiras e peso da área de macieiras na área de pomares de frutos frescos, em 2009 ... 23

Quadro 12 – Origem do rendimento do agregado doméstico do produtor exterior à exploração ... 29

Quadro 13 - Fatores que influenciam a perda de água ... 32

Quadro 14 - Centrais fruteiras em estudo e respetivas explorações de maçã associadas ... 43

Quadro 15 – Distribuição percentual dos inquiridos segundo o nível de instrução dos produtores ... 44

Quadro 16 – Distribuição dos inquiridos segundo a idade média dos produtores associados às centrais visitadas ... 45

Quadro 17 – Distribuição dos inquiridos segundo a localização das centrais ... 45

Quadro 18 – Distribuição percentual dos modos de produção adotados nas explorações ... 47

Quadro 19 – Sistemas de certificação voluntários adotados pelos produtores ... 49

Quadro 20 – Volume total de fruta e de maçã preparada pelas centrais em estudo, em 2015 ...51

Quadro 21 – Distribuição percentual das variedades de maçã comercializadas pelas centrais visitadas ... 52

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ix Quadro 23 – Comparação da Amostra com a População residente em Lisboa ... 64 Quadro 24 – Respostas às questões 2.2; 2.3 e 2.4, respetivamente. ... 70 Quadro 25 - Resposta à questão «Qual o valor máximo que está disposto a pagar por este produto (€/kg)?». ... 72

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x

Siglas e Acrónimos

APMA – Associação dos Produtores de Maçã de Alcobaça

CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal

CEE – Comunidade Económica Europeia

DGADR – Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural

DOOR – Database Of Origin & Registration

DOP – Denominação de Origem Protegida

ETG – Especialidade Tradicional Garantida

FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations

GPP – Gabinete de Planeamento e Politicas

IGP – Indicação Geográfica Protegida

IPAC – Instituto Português de Acreditação

IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado

INE – Instituto Nacional de Estatística

JOUE – Jornal Oficial da União Europeia

MAFDR – Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural

n.d – Não dísponível

NUTS – Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos

OC – Organismo de Controlo e Certificação

PAC – Política Agrícola Comum

PIB – Produto Interno Bruto

PNUEA – Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água

SAU – Superfície Agrícola Utilizada

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xi UTA – Unidade de Trabalho Ano Agrícola

(14)

1

1 Introdução

Desde tempos imemoriais que o homem associa determinados padrões de qualidade dos produtos alimentares ao seu local de produção. Esta prática já era usual na sociedade Grega e Romana, onde os cidadãos designavam produtos como o vinho, o azeite, o queijo ou as pastas de peixe pelo nome de onde provinham. Deste modo, incentivou-se a associação da qualidade diferenciada de determinados produtos alimentares ao seu local de produção ou transformação (Soeiro, 2005).

A qualidade reconhecida de determinados produtos associados a uma determinada origem conduziu à adoção de práticas “enganosas” e a “falsificações”. As práticas “enganosas” baseavam-se em confundir o consumidor relativamente à verdadeira origem do produto, nomeadamente através da adoção de designações semelhantes a determinadas origens reconhecidas. Esta situação levou ao estabelecimento de legislação nacional e internacional com vista a proteger a origem geográfica de determinados produtos (Barjolle et al., 2009).

Portugal foi pioneiro na demarcação de um território específico, sendo o primeiro país do mundo a demarcar e regulamentar uma região vinícola, destinada à produção de Vinho do Porto, no século XVIII. Este acontecimento atribui-o a este produto um elevado prestígio a nível nacional e mundial. Atualmente, Portugal têm inúmeros produtos tradicionais qualificados, devendo-se esta situação a diversos fatores, entre os quais geográficos, geológicos, humanos, culturais, raças e variedades autóctones (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, 2005).

Nos últimos anos assistiu-se a uma forte campanha de promoção e valorização dos produtos tradicionais europeus conduzida pela União Europeia. A União Europeia pretende desenvolver o seu meio rural, sendo a agricultura considerada uma atividade “chave” para alcançar este objetivo, visto possuir um carácter multifuncional. Isto porque para além da produção de bens agrícolas contribui para a ocupação do território, dinamização do meio rural, manutenção da paisagem e do ecossistema agrícola. Nos últimos anos, também se verificou uma aposta das principais cadeias de distribuição alimentar presentes em Portugal nos produtos qualificados, sendo hoje relativamente fácil encontrar estes produtos no linear de supermercados e hipermercados a operar em território Português.

Entre os produtos qualificados encontra-se a Maçã de Alcobaça, cujo território elegível está compreendido entre as serras Aire-Candeeiros-Montejunto e o oceano atlântico. Sendo este produto qualificado um bem agrícola não transformado, as suas características “únicas” e “distintivas” devem-se essencialmente às características edafoclimáticas e ao “saber-fazer”

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2 regional. Assim, considerou-se pertinente desenvolver um estudo no sentido de: (i) comparar o modo de produção implementado pelos produtores de Maçã de Alcobaça certificada com o modo de produção implementado pelos “produtores convencionais” do mesmo fruto e no mesmo território; (ii) analisar eventuais diferenças entre as técnicas aplicadas pelas centrais fruteiras que preparam Maçã de Alcobaça “certificada” e “maçã convencional” e (iii) estudar a perceção do consumidor no que respeita aos produtos qualificados.

A presente dissertação de mestrado encontra-se dividida em 10 capítulos, onde constam os fundamentos teóricos que serviram de base ao estudo e desenvolvimento da componente prática do projeto, a metodologia e a análise e discussão dos resultados obtidos: - Capítulo 1 - “Produtos Qualificados” abordou-se as especificidades dos produtos tradicionais, a regulamentação comunitária vigente, os tipos de produtos qualificados e à sua importância económica comunitária e nacional.

- Capítulo 2 - “Maçã de Alcobaça” analisou-se os aspetos relacionados com este fruto qualificado, nomeadamente as variedades produzidas, as suas propriedades distintivas, questões relacionadas com o mercado, com o agrupamento gestor da IGP e com o Organismo de Controlo e Certificação.

- Capítulo 3 - “Agricultura Sustentável” abordou-se a origem e o significado deste conceito, bem como dos três pilares que o compõem (ambiental, económico e social).

- Capítulo 4 - “Fisiologia pós-colheita” estudou-se os fatores fisiológicos que contribuem para a ocorrência dos processos degradativos que conduzem à perda de qualidade dos frutos, entre os quais a maçã.

- Capítulo 5 - “Manuseamento pós-colheita” baseou-se nas principais operações unitárias praticadas pelas centrais fruteiras, de modo a preservar a qualidade dos frutos e a aumentar o seu tempo de prateleira.

- Capítulo 6 - “Fatores que influenciam a decisão de compra de frutos” estudou-se os principais critérios que influenciam o consumidor na decisão de compra de frutos.

- Capítulo 7 – “Desenvolvimento experimental” contém os critérios e os procedimentos utilizados na estruturação e operacionalização da componente prática do trabalho.

- Capítulo 8 - “Análise e discussão dos dados” efetuou-se uma análise individual e comparada aos resultados do inquérito por questionário efetuado às centrais fruteiras em estudo, às principais técnicas pós-colheita aplicadas pelas centrais estudadas e uma análise ao inquérito por questionário efetuado ao consumidor.

(16)

3 - Capítulo 9 - “Conclusões” contém as principais conclusões retiradas do trabalho desenvolvido.

- Capítulo 10 – “Trabalhos futuros” onde se apresentaram algumas propostas de trabalho que possam ser desenvolvidas.

(17)

4

2 Produtos Qualificados

2.1 Especificidades dos produtos tradicionais

Alguns produtos alimentares são portadores de características únicas, conferidas por determinadas especificidades associadas ao território onde foram produzidos, fortemente influenciadas pela sua história, geografia e cultura. Estes produtos estão associados a elementos característicos de um determinado território, como o sistema e o modo de produção, as características edafo-climáticas, o património genético, as tradições e o know-how local (Tibério, 2008). Estas especificidades permitem associar estes produtos à ruralidade e à construção social de um determinado território, contendo valores associados à sua autenticidade, tradição e saúde (lbery e Kneafsey, 1998).

Tibério (2004) atribui a “recente redescoberta” dos produtos tradicionais a diversos fatores, entre os quais:

- As consequências resultantes de produção baseada na produtividade; - Um modo de potenciar a produção das áreas rurais mais desfavorecidas;

- A Políticas Europeias que favorecem a produção e valorização dos produtos tradicionais; - Dúvidas por parte do consumidor relativamente à Segurança e Qualidade Alimentar.

2.2 Regulamentação comunitária relativa aos Regimes de Qualidade

A política da qualidade dos produtos agrícolas e géneros alimentícios foi instituída na União Europeia em 1992, através da vigência do Regulamento (CEE) n.º 2081/1992, sendo atualmente regida pelo Regulamento (UE) n.º 1151/2012. Através destas políticas pretende-se valorizar os produtos oriundos de uma determinada geografia ou obtidos de acordo com um determinado método de produção (Batista et al., 2013). Para além do registo dos produtos mencionados, está também contemplado o registo de produtos vitivinícolas e bebidas espirituosas como provenientes de Indicação Geográfica e Denominação Geográfica a nível comunitário, através da vigência do Regulamento (CE) n.º 479/2008 e do Regulamento (CE) n.º 110/2008, respetivamente (Instituto Nacional da Propriedade Industrial, n.d.).

O Regulamento “relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios”, atualmente em vigor, do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia, entrou em vigor a 21 de novembro de 2012. Neste, constam os requisitos necessários para a qualificação de um produto agrícola ou género alimentício como Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP). Para um produto agrícola ou género alimentício ser qualificado como proveniente de Denominação de Origem Protegida deverá ser: “originário de um local ou região determinados, ou, em casos

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5 excecionais, de um país; cuja qualidade ou características se devam essencial ou exclusivamente a um meio geográfico específico, incluindo os seus fatores naturais e humanos; e cujas fases de produção tenham todas lugar na área geográfica delimitada” [Regulamento (UE) N.º 1151/2012, p. 8]. Porém, em determinados casos pode ser autorizada a incorporação de matérias-primas provenientes de uma área geográfica mais ampla. Para que esta situação ocorra têm de se verificar várias condições como a área geográfica estar claramente delimitada e deter características especiais para a produção das matérias-primas [Regulamento (UE) N.º 1151/2012]. Por sua vez, para um produto agrícola ou género alimentício ser qualificado como proveniente de Indicação Geográfica Protegida deve ser “originário de um local ou região determinados, ou de um país; que possua determinada qualidade, reputação ou outras características que possam ser essencialmente atribuídas à sua origem geográfica; e em relação ao qual pelo menos uma das fases de produção tenha lugar na área geográfica delimitada” [Regulamento (UE) N.º 1151/2012, p. 8].

Os produtos certificados como Denominação de Origem Protegida e Indicação Geográfica Protegida podem ostentar os símbolos da Figura 1 e da Figura 2, respetivamente.

A implementação dos regimes de qualidade tem vários objetivos, de entre os quais a proteção do seu nome contra mau uso ou imitações, a contribuição para a manutenção e desenvolvimento da diversidade agrícola, o desenvolvimento de condições para a manutenção das populações nas zonas rurais, aumentar o rendimento dos produtores e divulgar a autenticidade dos produtos tradicionais (Batista et al., 2013).

2.3 Quantidade e distribuição dos produtos qualificados

Os países que integram a União Europeia têm uma longa tradição na produção de vários tipos de produtos portadores de propriedades inigualáveis, nomeadamente ao nível do sabor. Esta vasta oferta de produtos genuínos resulta da transmissão de geração em geração de métodos de produção específicos desde tempos longínquos até ao presente, bem como fruto das várias culturas, tradições e climas existentes no território. Esta elevada diversidade

Figura 1 – Símbolo da Denominação de Origem Protegida

Fonte: DOOR, 2016

Figura 2 – Símbolo da Indicação Geográfica Protegida

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6 de produtos traduz-se numa elevada quantidade de produtos qualificados como DOP e IGP, isto é, produtos singulares com características únicas que importa preservar (European Commission, 2015).

A 3 de março de 2016 a Comissão Europeia possuía 1277 produtos registados como DOP e IGP ao abrigo do Regulamento 1151/2012 (que como foi dito anteriormente exclui vinhos e bebidas espirituosas), de países pertencentes à União Europeia e uma pequena parte proveniente de países dispersos por todo o mundo. Os produtos são agrupados em função do tipo de produto, em classes, existindo nesta data 23 classes (Database Of Origin & Registration [DOOR], 2016).

Os 1277 produtos registados distribuem-se em 604 produtos qualificados como DOP e 673 como IGP. Verifica-se uma forte concentração dos produtos qualificados, uma vez que apenas 6 classes de produtos abarcam cerca de 86% dos produtos qualificados (Quadro 1) (DOOR, 2016).

2.4 Importância económica dos Produtos Qualificados

A criação de valor pelos Regimes de Qualidade é desigual a nível comunitário, verificando-se uma maior concentração de produtos, marcas e proveitos económicos (receitas) nos países pertencentes ao sul do continente europeu. Batista et al. (2013) justifica esta situação com a existência de dois modelos distintos de food governance (“re-connection”1

e “origin of food” 2 ) e à existência de diferentes contextos geográficos, políticos,

1 O autor considera “re-connection” o modelo que agrega os produtos provenientes de agricultura

biológica (organic produce) e dos circuitos curtos de cadeia de abastecimento, frequentes nos estados membros do norte e do cento da União Europeia.

2 O autor define “origin of food” como os sistemas de qualidade alimentar que estão em conformidade

com o que está estabelecido na Regulamentação da Qualidade, localizados na região sul da Europa. Quadro 1 – Classificação dos produtos qualificados europeus

Tipo de produto

Número produtos

qualificados % Frutas, produtos hortícolas e cereais não

transformados ou transformados

366 29

Queijo 226 18

Produtos à base de carne (aquecidos, salgados, fumados, etc.)

163 13

Carne (e miudezas) frescas 147 12

Matérias gordas (manteiga, margarina, óleos, etc.) 127 10

Produtos de padaria, de pastelaria, de confeitaria ou da indústria de bolachas e biscoitos

69 5

Outros 179 14

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7 socioeconómicos e culturais na União Europeia. Entre as medidas que contribuíram para a manutenção da produção tradicional encontram-se a adesão dos diferentes países à Política Agrícola Comum (PAC), que no passado incentivava a implementação de sistemas altamente produtivos, com uma elevada orientação exportadora (Batista et al., 2013). Como alguns países não são portadores de condições naturais para a produção agrícola intensiva de produtos indiferenciados, a produção agrícola nestas geografias tornou-se pouco competitiva. Nestes casos, a PAC deu um elevado contributo para a desertificação e para o abandono da atividade agrícola (Abreu, Cristóvão e Tibério, 2008).

Em 2007, a União Europeia era constituída por 27 Estados Membros, que podiam qualificar os seus produtos tradicionais como DOP e IGP. Porém, a adesão a este regime de qualidade foi heterogénea, uma vez que apenas 6 países detinham cerca de 90% produtos DOP e IGP qualificados e apenas sete países retiraram 94% dos proveitos económicos auferidos por este tipo de produtos (Quadro 2). É de salientar que Portugal surge como o terceiro estado membro com maior número de produtos qualificados, porém não surge entre os sete países que retiram mais proveitos deste regime.

Na União Europeia, no ano de 2010, os produtos qualificados (incluindo vinhos e bebidas espirituosas) foram responsáveis por um volume de vendas na ordem dos 54,3 mil milhões de euros. Deste valor, 56% é relativo ao sector dos vinhos, 29% ao sector dos produtos agrícolas e géneros alimentícios, 15% às bebidas espirituosas e 0,1% aos vinhos

Quadro 2 – Contribuição dos principais Estados Membros para o número e valor económico dos produtos DOP e IGP, em 2007

Contribuição dos principais Estados Membros para o número total de produtos qualificados

França 22% 90% Itália 21% Portugal 15% Espanha 14% Grécia 11% Alemanha 7%

Contribuição dos principais Estados Membros para o valor económico dos produtos qualificados Itália 33% 94% Alemanha 25% França 17% Reino Unido 8% Espanha 6% Grécia 4% Áustria 1%

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8 aromatizados. Nesse ano, os produtos transacionados em Portugal apresentaram um valor económico de 1 158 Milhões de Euros, sendo o sector dos vinhos responsável por 93% deste valor, seguindo-se o sector dos produtos agrícolas e géneros alimentícios com 6% e as bebidas espirituosas com cerca de 0,3 %. Cerca de 8,3% dos alimentos e bebidas produzidos em território nacional foram certificados como provenientes de Indicação Geográfica, sendo Portugal o quarto país da União Europeia onde a produção de alimentos e bebidas certificadas é mais expressiva (Chever et al., 2012).

Chever et al. (2012) analisou os resultados económicos, a nível europeu, referentes a 2010, verificando que a qualificação dos produtos como provenientes de Indicação Geográfica permitiu a criação de um prémio de 2,233, ou seja, a qualificação dos produtos permitiu uma

duplicação do seu valor comercial. A contribuição dos diferentes setores para este valor apresenta um desfasamento, visto que o vinho foi a categoria de produtos que obteve uma maior valorização enquanto os produtos agrícolas foram os que menos beneficiaram com a implementação deste Regime de Qualidade (Figura 3) (Chever et al., 2012).

Quanto aos produtos agrícolas e géneros alimentícios, os produtos cárneos e os azeites foram os produtos mais valorizados, com um prémio de aproximadamente 1,8, correspondente a um acréscimo de valor de aproximadamente 80%. Por sua vez, os produtos hortofrutícolas tiveram um prémio de 1,29, valorizaram-se em cerca de 29% (Figura 4) (Chever et al., 2012).

3 Este valor foi determinado por comparação do volume de vendas de produtos qualificados e de

produtos idênticos sem a qualificação, calculados através da expressão:

𝐹ó𝑟𝑚𝑢𝑙𝑎 𝑑𝑒 𝑐á𝑙𝑐𝑢𝑙𝑜: ∑(𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝐼𝐺 ∗ 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝐼𝐺) ∑(𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑑𝑎 𝐼𝐺 ∗ 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑛ã𝑜 𝐼𝐺)=

∑(𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝐼𝐺) ∑(𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑛ã𝑜 𝐼𝐺) Figura 3 - Prémio atribuído aos produtos pela qualificação

Fonte: AND-International survey for DG AGRI in: Chever et al., 2012

0 0,5 1 1,5 2 2,5 3

Vinho Bebidas Espirituosas Produtos Agrícolas e géneros alimentícios

(22)

9 Através dos dados apresentados verificou-se que a implementação dos Regimes de Qualidade permitiu o aumento do rendimento dos agentes da cadeia, constituindo um estimulo para a criação de emprego e consequentemente para a redução da migração para os centros urbanos, bem como para estimular o desenvolvimento rural das geografias onde estão inseridos. Ao associar os produtos de qualidade reconhecida aos seus locais de produção desperta-se a atenção dos consumidores para esse território. Um dos possíveis benefícios é o aumento da atividade turística da região, culminando na dinamização de diversos sectores como a hotelaria, restauração e comércio local (Dogan e Gokovali, 2012).

Os produtores também podem aumentar os seus lucros através da transação direta dos seus produtos ao consumidor final (Dogan e Gokovali, 2012). Esta forma de comércio também acarreta outros benefícios como a divulgação de informações relativas ao local de produção, as pessoas envolvidas, os métodos adotados, bem como o impacto social e ambiental resultante da implementação deste regime de qualidade (Bowen e Zapata, 2009).

2.5 Produtos Qualificados em Portugal

Portugal apresenta um elevado número de produtos típicos regionais, fruto da elevada diversidade de condições naturais presentes no seu território. Ao longo do tempo as populações que habitam estas regiões foram “apurando” os produtos que obtinham das suas produções, culminando no desenvolvimento de produtos detentores de qualidades inigualáveis e, portanto, inimitáveis (Varela, 1992). Estes produtos “únicos” assumem particular importância devido à existência de várias regiões no território Português que não são portadoras de condições edafo-climáticas para competir com outras regiões na produção de produtos agrícolas e agroalimentares indiferenciados. As consequências desta incapacidade traduzem-se num abandono de atividade por parte dos produtores, o que assume maior relevância nas regiões onde o recurso a alternativas ou atividades complementares são escassas ou inexistentes (Abreu, Cristóvão e Tibério, 2008). Neste sentido, a aposta em produtos de qualidade superior dirigida a mercados que a valorizem

Figura 4 - Prémio atribuído aos produtos agrícolas e géneros alimentícios pela qualificação

Fonte: AND-International survey for DG AGRI in Chever et al., 2012

0 0,5 1 1,5 Produtos Cárneos Azeite Cerveja Queijo Hortofrutícolas Peixe, molúsculos e crustáceos Carne fresca

(23)

10 pode constituir uma fonte de rendimentos para os produtores, bem como para aumentar a sua competitividade (Martis, 2015).

A 8 de março de 2016 Portugal tinha 64 produtos registados4 como DOP, 69 produtos

registados como IGP, 2 produtos apresentados5 e 2 produtos publicados6. Os produtos

registados distribuem-se nas seguintes classes (Quadro 3):

Através dados expostos verifica-se uma forte concentração dos produtos qualificados em três classes. As classes “carne (e miudezas) frescas” e “produtos à base de carne” representam mais de metade (54%) do número de produtos qualificados. A classe “frutas, produtos hortícolas e cereais” surge em terceiro lugar, detendo 27 registos, o equivalente a 20% dos produtos qualificados Portugueses.

Dados da União Europeia relativos ao ano de 2010 permitem constatar que neste período os produtos agrícolas e géneros alimentícios qualificados portugueses foram avaliados em aproximadamente 72 milhões de euros. A classe dos “queijos” foi a que apresentou um maior valor, com 12 milhões de euros, seguindo-se as “carnes (e miudezas) frescas” com 11 milhões de euros. Relativamente aos volumes transacionados, verifica-se que os produtos mais transacionados foram as “carnes (e miudezas) frescas” seguindo-se as “matérias gordas” (DOOR, 2010).

4 Registado* - Situação em que o pedido de qualificação de determinado produto, se encontra registado como IGP/DOP/ETG, usufruindo da proteção do nome em todo o território europeu, com publicação no JOUE.

5 Apresentado* - Situação em que o pedido de qualificação de um produto como IGP/DOP/ETG, ao abrigo do referido regulamento, foi enviado pelo Estado Membro e foi rececionado nos serviços da Comissão Europeia. 6 Publicado* - Situação em que após análise dos serviços da Comissão Europeia, o pedido encontra-se em condições de aprovação, estando em consulta publica europeia/mundial durante 3 meses, após publicação JOUE. *A definição destes termos foi facultada, por contacto eletrónico, pelos serviços da DGADR.

Quadro 3 – Produtos DOP e IGP Portugueses registados

Classe nº de

registos

% no total

Carne (e miudezas) frescas 31 23

Produtos à base de carne (aquecidos, salgados, fumados, etc.) 41 31

Queijos 12 9

Outros produtos de origem animal (ovos, mel, produtos lácteos diversos exceto manteiga, etc.)

12 9

Matérias gordas (manteiga, margarina, óleos, etc.) 6 5 Frutas, produtos hortícolas e cereais não transformados ou

transformados

27 20

Outros produtos do anexo I do Tratado (especiarias, etc.) 1 1 Produtos de padaria, de pastelaria, de confeitaria ou da

indústria de bolachas e biscoitos

3 2

(24)

11

2.6 Frutos Portugueses qualificados

Portugal detém um número considerável de frutos qualificados, em virtude das condições edafo-climáticas que possui para a produção frutícola de elevada qualidade, em que os frutos se diferenciam dos demais pelo seu sabor, aroma e cor (Martins, 2015). Estas condições fizeram com que Portugal detenha uma longa tradição frutícola que levou ao desenvolvimento de “uma tradição de conservas e de frutos secos, tanto mais que Portugal é rico em variedades como pinhões, nozes e amêndoas, para não falar em castanhas e figos. É um rico património, que se estende do Nordeste Transmontano ao Algarve e que tem atrás de si um passado histórico cheio de pergaminhos” [Instituto da Qualidade Alimentar (IPQ), 1992, p. 75]. A nível económico, os frutos também assumiram algum relevo, existindo registos que no século XVIII os frutos secos eram o principal produto de exportação nacional (IPQ, 1992).

A longa tradição frutícola contribuiu para a qualificação de um número considerável de frutos, existindo 15 frutos registados como DOP, a 8 de março de 2016, sendo eles: Ameixa d'Elvas; Amêndoa Douro; Anona da Madeira; Ananás dos Açores/São Miguel; Azeitonas de Conserva de Elvas e Campo Maior; Azeitona de conserva Negrinha de Freixo; Castanha da Padrela; Castanha Marvão-Portalegre; Castanha dos Soutos da Lapa; Castanha da Terra Fria; Cereja de São Julião-Portalegre; Maçã Bravo de Esmolfe; Maçã Riscadinha de Palmela; Maracujá dos Açores/S. Miguel; Pera Rocha do Oeste. Por sua vez, na mesma data existiam 8 frutos registados e 1 publicado como IGP. Os registados são: Cereja da Cova da Beira; Citrinos do Algarve; Maçã de Alcobaça; Maçã da Beira Alta; Maçã da Cova da Beira; Maçã de Portalegre; Meloa de Santa Maria – Açores; Pêssego da Cova da Beira. O produto publicado é a Ginja de Óbidos e Alcobaça (DOOR, 2016).

No presente ano, 2016, tornou-se público o “Inquérito aos Agrupamentos de Produtores de Produtos DOP/IGP/ETG” relativo ao ano de 2013, ano em que Portugal tinha 23 frutos qualificados. O Inquérito permite concluir que, nesse ano, apenas 12 frutos foram certificados como DOP ou IGP (DGADR, 2016). De acordo com este documento a superfície de pomar dedicada à produção destes frutos e a produção obtida encontram-se compilados no Quadro 4.

(25)

12 Através dos dados apresentados é possível verificar que a Pera Rocha do Oeste foi, no ano em estudo, o principal fruto qualificado produzido em território Português, detendo cerca de 56% da área dedicada a este tipo de frutos. Relativamente à produção, verifica-se que a quase totalidade da produção nacional de frutos certificados também foi atribuída à Pera Rocha do Oeste. O segundo fruto com maior volume de produção foi a Maçã de Alcobaça, responsável por cerca de 2,2% da produção de frutos certificados e 9,6% da área dedicada à cultura destes frutos. Destaca-se que a produção de maçã certificada representou, no ano em estudo, cerca de 2,4% da produção de frutos certificados, sendo que desta percentagem 2,2% são relativos à Maçã de Alcobaça. A Pera Rocha do Oeste, a Maçã de Alcobaça e os Citrinos do Algarve foram os principais responsáveis pela produção de frutos certificados nacionais em 2013, detendo os restantes frutos percentagens muito baixas.

Com a finalidade de perceber o peso dos frutos certificados na produção frutícola nacional consultou-se as Estatísticas Agrícolas de 2013. No Quadro 5 encontram-se compilados dados relativos à superfície e à produção nacional dedicada às espécies à qual pertencem os frutos qualificados supramencionados.

Quadro 4 – Área e produção de frutos qualificados em 2013

Fruto Área (ha) % Produção (t) %

Ameixa d'Elvas 33 0,4 12,0 0,0

Ananás dos Açores/S. Miguel 54 0,7 463,3 0,4 Azeitona de Conserva de Elvas e Campo Maior 150 1,9 4,2 0,0 Castanha da Terra Fria n.d. - 22,4 0,0 Castanha Marvão-Portalegre n.d. - 1,5 0,0 Cereja da Cova da Beira 33 0,4 139,3 0,1 Citrinos do Algarve, laranja 2069 26,7 2 719,2 2,2

Maçã de Alcobaça 740 9,6 2 786,0 2,2

Maçã da Beira Alta 272 3,5 212,2 0,2

Maçã Bravo de Esmolfe 54 0,7 53,9 0,0

Maçã de Portalegre n.d. - 0,7 0,0

Produção Total Maçã 1 066 13,8 3 052,8 2,4 Pera Rocha do Oeste 4 339 56,0 118 965,0 94,9 Adaptado de: DGADR, 2016

(26)

13 De modo a perceber o impacto que os frutos qualificados têm na produção nacional procedeu-se ao cálculo da percentagem da produção dos frutos certificados de cada espécie com a respetiva produção total nacional, como ilustra o exemplo: Peso da ameixa de Elvas= [(Produção da Ameixa d'Elvas/Produção de Ameixa) * 100]. Aplicando este raciocínio aos restantes frutos obtém-se os dados presentes no Quadro 6.

Através destes dados, verifica-se que, em 2013, cerca de 58,8% da produção nacional de pera foi certificada como Pera Rocha do Oeste, porém a superfície dedicada a este fruto certificado limita-se a apenas 36,1% do total. No caso do ananás verifica-se o oposto, uma vez que o ananás certificado ocupa cerca de 91,5% da área dedicada a esta cultura, enquanto a produção obtida reduz-se a cerca de 39,8%. Quanto à maçã, a área de pomares de macieiras certificados representa 7,8% da área nacional, porém em termos de produção o seu contributo reduz-se a apenas 1,1%. O impacto das restantes frutas qualificadas na superfície e na produção nacional é muito baixa.

Quadro 6 – Peso dos frutos qualificados na superfície e produção total nacional em 2013 Fruto % Superfície % Produção

Ameixa d'Elvas 2,0 0,1

Ananás dos Açores/S. Miguel 91,5 39,8 Azeitona de Conserva de Elvas e Campo Maior 1,7 0,0

Castanha Certificada n.d. 0,1

Cereja da Cova da Beira 0,5 1,3

Citrinos do Algarve, Laranja 12,5 1,1

Maçã Certificada 7,8 1,1

Pera Rocha do Oeste 36,1 58,8

Fonte: Autor a partir de DGADR, 2016 e INE, 2014

Quadro 5 – Área e produção de frutos em 2013

Espécie Superfície (ha) % Produção (t) %

Ameixa 1 680 1,8 15 394 1,9 Ananás 59 0,1 1 165 0,1 Azeitona de mesa 8 789 9,4 17 532 2,2 Castanha 35 168 37,4 24 739 3,1 Cereja 6 020 6,4 10 776 1,4 Laranja 16 561 17,6 236 800 29,7 Maçã 13 661 14,5 287 314 36,1 Pera 12 014 12,8 202 483 25,4 Total 93 952 100 796 203 100

(27)

14 Relativamente à diferença entre os preços praticados para frutos certificados e para frutos não certificados (convencionais), verificou-se que, para os frutos que apresentam dados disponíveis, a certificação contribuiu para a sua valorização. No ano em estudo, a Maçã da Beira Alta certificada foi o fruto que apresentou um preço mais frequente de primeira transação mais elevado, valorizando-se em cerca de 67% relativamente à maçã não certificada (Quadro 7). A Pera Rocha do Oeste e o Ananás dos Açores também apresentaram uma valorização igual ou superior a 50%. A Maçã de Alcobaça foi o fruto que obteve uma menor valorização, valorizando-se em cerca de 10 cêntimos, o correspondente a 15%.

Relativamente às modalidades de escoamento dos frutos, verifica-se que as principais modalidades são por via das grandes superfícies (98,2%) e através de intermediários (1,2%). Quanto ao agente que comercializa o produto, verifica-se que 97,5% do volume de produção é transacionado através do agrupamento de produtores (DGADR, 2016).

3 Maçã de Alcobaça

A Maçã de Alcobaça é uma marca coletiva referente a um grupo de frutos qualificados como provenientes de uma Indicação Geográfica Protegida – IGP. O processo de qualificação foi requerido pela Cooperativa Agrícola de Alcobaça, CRL, sendo atribuído o registo pela União Europeia em 1996. Neste primeiro pedido, a produção deste produto estava circunscrita aos concelhos de Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos, Nazaré e Porto de Mós. Posteriormente, o agrupamento gestor da IGP propôs a alteração de algumas das especificações contidas no Caderno de Especificações: o alargamento das variedades produzidas sob este regime (inclusão da variedade Pink), o alargamento da área elegível para a produção da Maçã de Alcobaça e alterações ao nível da rotulagem. Em 2015 foi aprovada

Quadro 7 – Preço para o produto certificado, não certificado e respetiva valorização

Preço mais frequente da 1ª transação, incluindo IVA: (€ /kg)

Fruto Preço para produto certificado (€/kg) Preço para produto não certificado (€/kg) Valorização (%) Ameixa d'Elvas 8,28 - -

Ananás dos Açores/S. Miguel 2,40 1,60 50,0 Azeitona de Conserva de Elvas e Campo Maior 1,40 - -

Castanha Marvão-Portalegre 1,00 - -

Maçã de Alcobaça 0,75 0,65 15,4

Maçã da Beira Alta 0,77 0,46 67,4

Maçã Bravo de Esmolfe 1,20 1,00 20,0

Maçã de Portalegre 0,70 - -

Pera Rocha do Oeste 0,65 0,40 62,5

(28)

15 a proposta de alteração, alargando-se assim a área geográfica de produção, transformação e acondicionamento aos concelhos da Batalha, Bombarral, Cadaval, Leiria, Lourinhã, Marinha Grande, Peniche, Rio Maior e Torres Vedras (Figura 5). Deste modo, a área de produção deste fruto localiza-se entre sistema montanhoso Aire-Candeeiros-Montejunto e o Oceano atlântico, perfazendo uma área de 3 169 km2.

No Caderno de Especificações - Maçã de Alcobaça (APMA, 2014) está contemplada a produção de maçãs pertencentes a nove variedades de macieiras: Casa Nova, Golden Delicious, Red Delicious, Gala, Fuji, Granny Smith, Jonagold, Reineta e Pink. Destas, a maçã Casa Nova é a única variedade autóctone da região em estudo. De acordo com este documento as maçãs produzidas sob este Regime de Qualidade são portadoras de características próprias que as diferenciam das restantes. Estas, devem-se à sua “elevada consistência e crocância, pela elevada percentagem em açúcar e por uma acidez também elevada, o que lhes confere um gosto agridoce particular e especifico e aroma intenso” (APMA, 2014, p.2). Estas propriedades diferenciadoras devem-se às condições edafo-climáticas específicas e às características da região, especialmente ao seu solo, temperatura e humidade, que para além de garantirem elevados teores de açúcares e ácidos também contribuem para a existência de uma maior intensidade da cor vermelha das variedades

Legenda: - Território elegível entre 1996 e 2015 - Território adicional elegível após 2015 Figura 5 – Mapa da área geográfica

(29)

16 vermelhas e bicolores e para uma elevada intensidade aromática destas maçãs (APMA, 2014).

Atualmente o agrupamento de produtores gestor da Indicação Geográfica Protegida – Maçã de Alcobaça é a Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA) (DOOR, n.d.). Os objetivos deste agrupamento passam por: “Promover a marca coletiva Maçã de Alcobaça; divulgar a marca e a IGP enquanto produto nacional e tradicional; diferenciar os parâmetros qualitativos das maçãs da região; valorizar os valores e atributos específicos; dignificar a atividade frutícola; estimular o associativismo entre os membros” (Infoselectis, 2012, p. 4).

De acordo com o “Inquérito aos Agrupamentos de Produtores de Produtos DOP/IGP/ETG” (DGADR, 2016), relativo a 2013, constatou-se que estavam certificados a produzir Maçã de Alcobaça 99 explorações que perfaziam uma área de pomar de 740 ha. Nesse ano produziram-se cerca de 2 786 toneladas de maçã certificada, transacionadas a cerca de 0,75 €/kg7 o que traduz num valor económico a rondar os 2,1 Milhões de Euros.

Sendo que os frutos não certificados foram transacionados a cerca de 0,65 €/kg7 (DGADR,

2016), os agentes responsáveis pela primeira transação obtiveram um prémio de 1,158,

valorizando-se o produto em 15%.

No ano em estudo, o produto foi comercializado, na totalidade, no território afeto aos concelhos de produção, sendo escoado principalmente pelas grandes superfícies (70%), pelo comércio tradicional (10%) e por intermediários (10%), não sendo a comercialização dos produtos assegurada pelo agrupamento nem pelos produtores (DGADR, 2016). Atualmente a APMA está associada a 19 entidades (cooperativas, sociedades anónimas ou sociedades de agricultura de grupo), dispersas pelos concelhos de Alcobaça, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Óbidos, Porto de Mós e Torres Vedras. Em 2015 existiam 128 produtores certificados a produzir Maçã de Alcobaça certificada e 19 transformadores (DGADR, 2016a). Os transformadores associados e o concelho onde se localizam encontram-se compilados no Quadro 8.

À data de publicação deste trabalho, o Organismo de Controlo e Certificação (OC) indigitado pela APMA, que assegura o cumprimento das medidas contidas no Caderno de Especificações, é a codimaco - Certificação e Qualidade, Lda. (DOOR, n.d.). Esta entidade exerce o controlo e certificação de acordo com o Manual da Qualidade e Procedimentos de Controlo e Certificação da Maçã de Alcobaça – IGP e suas novas formas de apresentação.

7 Preço com maior número de observações na primeira transação conhecida, com inclusão do IVA. 8 Cálculo = 2786000 𝑥 0,75

(30)

17 Deste modo, a codimaco está reconhecida pelo MAFDR/DGADR e acreditada pelo IPAC (APMA, 2014).

As maçãs que cumprem as disposições contidas no Caderno de Especificações podem ser transacionadas com a marca de certificação, que contém as menções: Maçã de Alcobaça – IGP; Nome do OC (Codimaco) e Nº de Série (Figura 6) (APMA, 2014). A rotulagem da Maçã de Alcobaça contém para além do legislado um rótulo normalizado, o logotipo comunitário e o logotipo de Maçã de Alcobaça (Figura 7).

A Codimaco desenvolve avaliações a vários intervenientes da cadeia de valor da Maçã de Alcobaça de modo a assegurar o cumprimento das medidas contidas no Caderno de Especificações. Com base nos dados recolhidos e nos relatórios das avaliações o Organismo de Controlo delibera a concessão e manutenção da certificação à entidade visada, permitindo o uso da Marca de Conformidade de Maçã de Alcobaça – IGP e suas Novas Formas de Apresentação. As avaliações ocorrem na exploração agrícola, na unidade de preparação e no ponto de venda, estando para cada local definido o cumprimento de determinados objetivos (Codimaco, 2015). As avaliações efetuadas pela Codimaco aos vários intervenientes encontra-se compilada no Quadro 9.

Figura 7 – Logotipo de Maçã de Alcobaça Fonte: APMA, 2014

Quadro 8 – Transformadores associados da APMA e respetivo concelho, em 2015 Associado Concelho Associado Concelho CAMPOTEC, S.A. Torres Vedras GRANFER.COM, Lda Óbidos Casa Agrícola Ribeiros -

SAG, Lda.

Alcobaça José Dias Rodrigues & Filhos, Lda.

Alcobaça

Cooperfrutas, C.R.L. Alcobaça Lusofruta, C.R.L. Porto de Mós COOPVAL, CRL Cadaval Mundial Rocha Comércio

de Frutas, S.A.

Bombarral

E. Timóteo, Lda. Óbidos NARC FRUTAS, C.R.L. Alcobaça FRUBAÇA, C.R.L. Alcobaça O Melro, OP, SA Bombarral Frutalvor, C.R.L Caldas da Rainha QM Frutas – S.A.G., Lda. Alcobaça FRUTAS F.N., Lda. Caldas da Rainha Quinta do Pisão - SAG,

Lda

Cadaval

Frutus, C.R.L Cadaval Vegetalmix, Lda. Alcobaça Obirocha, C.R.L Óbidos

Fonte: DGADR, 2016a

Figura 6 – Marca de Certificação Fonte: APMA, n.d.

(31)

18

Quadro 9 - Avaliações efetuadas pelo Organismo de Controlo para a concessão da certificação

Fonte: Codimaco, 2015

Avaliações Objetivo Local Época de

realização

Frequência

Campo

Verificar junto dos produtores:

- A localização das parcelas e das culturas protegidas; - A área de produção e produtividade;

- O estado sanitário das culturas;

- A aplicação das regras de Proteção Integrada - Os dados constantes no caderno de campo.

Explorações

Agrícolas Durante o ciclo produtivo Anual

Inicial

Pré-avaliar as condições de funcionamento da unidade de preparação e sistema de rastreabilidade do produto a certificar.

Unidade de

preparação Após a assinatura

do contrato Anual

Conformidade

Verificar se é assegurada a rastreabilidade da Maçã de

Alcobaça – IGP e as suas novas formas de apresentação. Unidade de preparação

Ao longo da campanha de

comercialização Trimestral

Verificar se é assegurada a conformidade da Maçã de Alcobaça – IGP e suas novas formas de apresentação.

Unidade de preparação Ao longo da campanha de comercialização Mensal Ponto de venda

Verificar a separação física dos restantes produtos não certificados, rotulagem e tipo de embalagem utilizada. A avaliação da rotulagem consiste em verificar se junto do rótulo normalizado figura: a Marca de Conformidade, aposta de forma indelével e/ou inviolável, e o número de identificação do produtor, como comprovativo da rastreabilidade do produto. Ponto de venda Ao longo da campanha de comercialização Anual

(32)

19

4. Agricultura Sustentável

O conceito “Desenvolvimento Sustentável” foi enunciado durante a Comissão Brundtland, em 1987, como o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades” (United Nations, 1987, p. 54). Para que tal situação se verifique é necessário haver um equilíbrio entre três pilares interligados: Económico, Social e Ambiental (Figura 8) (Projeto Improve Center, n.d.), ou seja, deve ser viável economicamente, resultar em benefícios para a sociedade e não ser prejudicial para o ambiente (Ainsworth et al., 2013).

A Agricultura Sustentável é um conceito resultante do Desenvolvimento Sustentável, definido pela Food Agriculture Organization (FAO) como “a gestão e conservação dos recursos naturais básicos, e a mudança de orientação tecnológica e institucional de forma a assegurar a satisfação continua das necessidades humanas atuais e futuras. Este desenvolvimento sustentável (nos setores da agricultura, silvicultura e pesca) permite conservar o solo, a água, as plantas e os recursos genéticos animais, não prejudicando o ambiente, sendo tecnologicamente apropriado, economicamente viável e socialmente aceite(FAO, 1989 in FAO, 2014, p. 2).

A adoção de práticas agrícolas sustentáveis urge devido a vários motivos, entre os quais o aumento da produção de alimentos para satisfazer as necessidades de uma população mundial esperada de 9 mil milhões de pessoas em 2050 e aos impactos que as alterações climáticas possam causar na produção agrícola. A preservação da agricultura para além de assegurar a produção de alimentos é também uma fonte de rendimento, empregando em alguns países do mundo cerca de 65% da população e contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) (Comissão Europeia, 2012).

A agricultura para ser considerada sustentável deve satisfazer aspetos como (Comissão Europeia, 2012 e Royal Society, 2009):

Desenvolvimento Sustentável Económico

Social

Ambiental

Figura 8 – Os três pilares do Desenvolvimento Sustentável Fonte: Ainsworth et al., 2013

(33)

20 - Produção de bens alimentares de elevada qualidade, seguros e saudáveis;

- Basear-se na utilização de variedades e raças que apresentem elevadas produções e careçam de reduzidos inputs externos. Deve evitar-se o recurso a fatores de produção químicos;

- Privilegiar processos agroecológicos como o parasitismo, a predação e a fixação biológica de azoto;

- Favorecer/privilegiar tecnologias e práticas agrícolas que reduzam o impacto no ambiente (como a redução da emissão de gases com efeito de estufa, o favorecimento do sequestro de carbono e da conservação da biodiversidade) e na saúde humana. Deve-se implementar medidas que favoreçam a preservação da biodiversidade, do solo, da água e do ar;

- Ser viável economicamente, contribuindo para a melhoria das condições de vida e das estruturas sociais do meio onde está inserida.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) (2015) refere qua a agricultura Portuguesa presta um contributo importante no meio onde está inserida, detendo um carácter multifuncional: Função Económica, Ambiental e Social (Figura 9). A nível económico contribui para a produção de bens alimentares, biomassa e serviços, bem como para a criação de emprego. A nível ambiental contribui para a proteção/manutenção dos recursos naturais e para a manutenção do ecossistema. A nível social detém funções culturais e espaciais.

Figura 9 - Funções da agricultura Fonte: CAP, 2015

Função Económica Função Ambiental Função Social Produção - Bens alimentares; - Recursos biomassa; - Serviços. Emprego - Direto; - Indireto. Proteção/manuten ção dos recursos naturais chave - Fertilidade do solo, água e ar. - Manutenção e criação de biótipos de valor. Manutenção ecossistema - Manutenção e promoção da biodiversidade. - Reintegração de nutrientes. Cultural - Preservação do património rural. Espacial - Aprovisionamento dos recursos do solo. - Preservação dos recursos paisagísticos e culturais únicos. Disponibilidade; Segurança e diversida -de alimentar; Emprego.

Preservação dos Recursos Naturais; Sustentabilidade; Biodiversidade. Ocupação; Desenvolvimento e atratividade do meio rural. Agricultura

(34)

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4.1 Pilar económico

O Complexo Agroflorestal Português (constituído pela agricultura, indústrias alimentares, bebidas, tabaco, silvicultura e indústrias florestais) desempenha um papel de relevo na economia nacional, assegurando no seu conjunto cerca de 13,3% do emprego nacional, 5,8% do PIB e 15% das exportações nacionais (dados de 2012). No complexo, destaca-se o contributo da agricultura para a criação de emprego, assegurando cerca de 9,3% do emprego nacional, apesar da reduzida riqueza gerada, equivalente a 1,5% do PIB. Na Figura 10 consta o valor económico dos 4 ramos do complexo agroflorestal, bem como o seu contributo para o PIB e para o emprego nacional. Também está referenciado o contributo do complexo para as trocas comerciais com o exterior.

Nos últimos anos, entre 1984 e 2012, assistiu-se a um aumento de 2,5% ao ano da produtividade económica média do trabalho9 nas explorações agrícolas portuguesas,

correspondendo a um aumento de 102% no período em análise. Esta melhoria da produtividade conseguiu-se, em parte, devido à redução da mão de obra agrícola nacional (Avillez, 2014). Apesar de mais mais produtivas, as explorações agrícolas estão menos competitivas economicamente10, verificando-se uma redução de 21% (0,8% ao ano) no

mesmo período, sendo que na primeira decada após a adesão de Portugal à Comissão Europeia se ter assistido a um crescimento positivo de 15% (1,4% ao ano). Esta redução tão expressiva da competitividade deve-se a uma relação negativa entre o preço dos bens agrícolas e não agrícolas, contudo minimizada pelos ganhos de produtividade no trabalho (Avillez, 2014). Nos últimos anos têm-se assistido a uma empresarialização da agricultura,

9 Quantificada através do valor acrescentado líquido a preços constantes, no produtor, por UTA a preços constantes (VALPprod/UTA a Preços Constantes).

10 Quantificada através do valor acrescentado líquido a preço real no produtor por UTA a preços reais (VALPprod/UTA a Preços Reais).

Figura 10 – Importância económica do Complexo Agroflorestal em 2012 Fonte: Diniz, n.d., a partir de dados INE

Silvicultura 0,6 mil milhões de € 0,4% PIB 0,2% emprego Indústrias Florestais 2,3 mil milhões de € 1,6% PIB 1,5% emprego Agricultura 2,1 mil milhões de € 1,5% PIB 9,3% emprego Indústrias Alimentares, Bebidas e Tabaco 3,3 mil milhões de € 2,3% PIB 2,3% emprego Complexo Agroflorestal

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22 que tem contribuído para a profissionalização do sector e para a criação de economias de escala, traduzindo-se num aumento da sua competitividade [Instituto Nacional de Estatística (INE), 2014]. Neste período, também se verificou um aumento da viabilidade económica que se fez acompanhar de uma redução da competitiviadade, que se justifica com o aumento de cerca de 40% dos pagamentos directos ao produtores, através dos fundos da PAC (Figura 11) (Avillez, 2014).

As explorações agrícolas Portuguesas ocupam cerca de metade da superfície nacional (aproximadamente 4 625 mil ha), a que correspondem cerca de 264 mil explorações (dados de 2013). A Superfície Agrícola Utilizada (SAU) (cerca de 3 641 mil ha) encontra-se repartida em culturas temporárias, culturas permanentes e pastagens permanentes. A área afeta às culturas permanentes era, em 2013, de 708 mil ha, sendo entre as três culturas a que ocupa uma menor superfície (Quadro 10).

Entre a SAU das culturas permanentes encontram-se os pomares de frutos frescos, como os pomares de macieiras. A área dedicada aos pomares de frutos frescos encontra-se dispersa por todo o território nacional, sendo que o Ribatejo e Oeste, Trás-os-Montes e o

Figura 11 – Evolução da viabilidade, competitividade e produtividade económica agrícola Fonte: Avillez, 2014, a partir do CAE do INE

Quadro 10 – Indicadores da agricultura Portuguesa em 2013

Indicador Portugal Unidade

Número de Explorações 264 103

Superfície Total Explorações Agrícolas 4 625 103 ha

• Sup. Exp. Ag. em % Sup. Territorial 50,2 %

SAU 3 641 103 ha

• Culturas Temporárias 767 103 ha

• Culturas Permanentes 708 103 ha

• Pastagens Permanentes (Total) 1816 103 ha

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23 Algarve são as regiões mais representativas. Ao nível da área dedicada aos pomares de macieiras, as duas regiões mais significativas são Trás-os-Montes e o Ribatejo e Oeste, detendo estes territórios cerca de 73% da área nacional (Quadro 11). Quanto à importância que os pomares de macieiras têm nos pomares de frutas frescas verifica-se que na Beira litoral, em Trás-os-Montes e nos Açores mais de metade da área dedicada aos frutos frescos é ocupada por macieiras.

O Ribatejo e Oeste é a região que têm uma maior área dedicada aos pomares de frutos frescos e a segunda região com a maior área dedicada aos pomares de macieiras. Relativamente ao peso desta cultura na produção de frutos frescos o seu peso é de 26%, o que se deve, em grande parte, à elevada área dedicada à produção de pera, que representa cerca de 57%, 9 407 ha, da área de frutos frescos.

A área nacional de pomares cresceu no período compreendido entre 2010 e 2014 cerca de 11,2%, passando de 12 450 ha para 13 847 ha (Figura 12). Ao nível da produção verifica-se uma oscilação nas quantidades produzidas, mas com uma produção tendencialmente crescente. Ao nível da NUTS II Centro, onde se encontra a NUTS III Oeste, verificou-se um crescimento da área de pomares de macieiras de 700 ha, correspondente a um crescimento da 9,5%. Ao nível da produção, verifica-se um aumento mais expressivo, de 94 mil toneladas, correspondente a um crescimento de 50%. Este crescimento pode dever-se a uma reduzida produção no ano 2010.

Quadro 11 – Área nacional de pomares de frutos frescos e de macieiras e peso da área de macieiras na área de pomares de frutos frescos, em 2009

Frutos Frescos Macieira

Peso da macieira na área de frutos

frescos Área (ha) % Dimensão

média (ha) Área (ha) % % Portugal 39 915 100 1 12 305 100 30,8 Continente 39 534 99 1 12 150 99 30,7 Entre Douro e Minho 1 653 4 0,5 341 3 20,6 Trás-os-Montes 7 746 19 0,8 4 645 38 60,0 Beira Litoral 1 913 5 0,4 1 256 10 65,7 Beira Interior 5 971 15 1,1 1 320 11 22,1 Ribatejo e Oeste 16 562 41 2,1 4 275 35 25,8 Alentejo 2 364 6 2,2 302 2 12,8 Algarve 3 325 8 0,5 11 0 0,3 Açores 103 0 0,1 59 0 57,3 Madeira 278 1 0,1 96 1 34,5 Fonte: INE, 2011

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Figura 7 – Logotipo de Maçã de Alcobaça  Fonte: APMA, 2014
Figura 9 - Funções da agricultura  Fonte: CAP, 2015
Figura 10 – Importância económica do Complexo Agroflorestal em 2012  Fonte: Diniz, n.d., a partir de dados INE
Figura 11 – Evolução da viabilidade, competitividade e produtividade económica agrícola  Fonte: Avillez, 2014, a partir do CAE do INE
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Referências

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