Revista Científica FAEMA
Tópicos em Ciências da Saúde
Sobre a Revista
A Revista FAEMA é um periódico eletrônico semestral que publica artigos de caráter acadêmico e cientifico originais e inéditos, que tratem de questões sobre ciências da saúde, ciências sociais e humanas, ciências exatas, educação, ciências biológicas e meio ambiente, relacionadas preferencialmente à região amazônica. O periódico aceita colaborações em português, reservando-se o direito de publicar ou não, após avaliação do material submetido espontaneamente. O projeto Revista FAEMA empenha esforços interdisciplinares com o fim de incentivar a publicação científica de dados relevantes às áreas afins, viabilizando o compartilhamento de dados de pesquisas realizadas na região amazônica, facilitando assim o acesso dos mesmos no cunho acadêmico.
Capa: Walter Nakamura
Submissões: http://www.faema.edu.br/revistas/index.php/Revista-FAEMA/issue/view/36 Diagramação: Edson Rodrigues Cavalcante
Periodicidade: Semestral
Expediente
Revista Científica FAEMA
Av. Avenida Machadinho, 4349, Setor 06,
Ariquemes - RO,
E-mail: [email protected]
Site: http://www.faema.edu.br
O conteúdo dos trabalhos cujos autores são identificados representa o ponto
de vista dos próprios autores e não a posição oficial da Revista, do Conselho
Editorial ou da FAEMA.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca Júlio Bordignon – FAEMA
R4546
REVISTA CIENTÍFICA FAEMA
Revista Científica FAEMA. Faculdade de Educação e Meio Ambiente
–
FAEMA, Ariquemes, v. 9, ed. esp., maio/jun., 2018. Edimar Rodrigues Soares e
Edson Rodrigues Cavalcante (orgs.),
158 p.
Semestral.
ISSN (Online): 2179-4200.
DOI: 10.31072/rcf.v9iedesp
1. Educação. 2. Meio Ambiente. 3. Instituição de Ensino Superior. 4. Periódico.
5. Ariquemes. I. Revista Científica. II. Título. III. FAEMA.
REVISTA CIENTÍFICA FAEMA
Publicada pela Faculdade de Educação e Meio Ambiente (FAEMA).
ISSN: 2179-4200.
UNIDAS SOCIEDADE DE EDUCACAO E CULTURA LTDA
Mantenedora
Profa. Dra. Rosieli Alves Chiaratto
Presidente da Mantenedora
FACULDADE DE EDUCAÇÃO E MEIO AMBIENTE (FAEMA)
Mantida
Prof. Ms. Airton Leite Costa
Diretor Geral
Profa. Ms. Filomena Maria Minetto Brondani
Diretora ISE/FAEMA
Prof. Dr. Diego Santos Fagundes
Vice-Diretor
Profa. Dra. Helena Meika Uesugui
Coordenadora do SEDA/FAEMA
CORPO EDITORIAL
Prof. Dr. Edimar Rodrigues Soares
Editor Chefe
Prof. Esp. Edson Rodrigues Cavalcante
Editor Assistente
Editorial
Imagem: StockPhotos.
A Revista Científica FAEMA tem como objetivo contribuir para a divulgação do
conhecimento científico, por meio de publicação de resultados de pesquisas originais,
revisões de literaturas, comunicações breves, notas técnicas, dentre outros, sobre
diversas áreas temáticas e campos interdisciplinares. Nesse intuito, a equipe editorial
busca manter o mais elevado nível e também isenção na busca da qualidade da
informação científica.
No ano de 2018, com imensa satisfação, comunicamos a publicação da primeira
edição especial de um número da Revista Científica da
FAEMA, cuja temática “Tópicos
Especiais em Ciências da Saúde
”, permitiu atrair diversos autores interessados em
divulgar os seus trabalhos e estudos. Essas publicações são importantes para fomentar
discussões e reflexões a respeito das questões relacionadas a saúde pública.
Congratulamos os autores pela condução dos estudos ora apresentados, para o momento
representam o melhor em suas respectivas áreas
Primeiramente, são apresentados três artigos originais, resultados de pesquisas
conduzidas pelos acadêmicos do curso de Farmácia da FAEMA. O primeiro artigo busca
identificar as principais dificuldades de leitura e interpretação da bula, pela população do
município de Cujubim-RO. No segundo artigo, busca-se verificar a prática do
armazenamento de medicamentos em lares do município de Ariquemes-RO. A
automedicação por meio da utilização de fitoterápicos para emagrecimento, também é
discutida em um artigo original.
Da mesma forma, as acadêmicas do curso de Enfermagem apresentam, por meio
de uma revisão de literatura, os benefícios do atendimento sistematizado para o portador
da Leishmaniose Tegumentar Americana. Além disso, são apresentadas algumas
revisões de literatura da área de Farmácia, as quais tratam de importantes temáticas
como: Assistência farmacêutica; Terapia hormonal; Utilização responsável de
medicamentos; Diagnóstico e tratamento da endometriose; Antidepressivos tricíclicos;
Tratamentos com fitoterápicos; Microcefalia; Febre Amarela; Maconha e suas
consequências; Risco do uso de produtos não-cosméticos; Uso das estatinas no
tratamento da dislipidemia; e Utilização do ácido fólico para prevenção de doenças do
tubo renal.
Por fim, abrangendo a área de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, em um minucioso
trabalho de revisão de literatura, as autoras relatam as principais técnicas de
cinesioterapia utilizadas para a manutenção da capacidade funcional de idosos.
Destarte, não se poderia deixar de agradecer aqueles que tornaram possível esta
publicação especial. Foram valorosos na empreitada e consagraram-se com êxito ao
término. A Revista Científica FAEMA segue firme no seu propósito de promover o acesso
à informações, ao conhecimento e, consequentemente, contribuir para a promoção da
ciência e o desenvolvimento regional.
Desejamos a todos uma ótima leitura!!
EDIMAR RODRIGUES SOARES
Editor-Chefe
EDSON RODRIGUES CAVALCANTE
Editor Assistente
Sumário
Artigos
Originais
(Farmácia)
484-490
Análise dos fatores que afetam a leitura e interpretação da bula em
moradores do município de Cujubim-RO
Elaine Kochinski Bervanger, Clóvis Dervil Appratto Cardoso Júnior.
491-499
Avaliação de armazenamento de medicamento em domicílio em um
bairro de Ariquemes-RO
Jacineide Maria Silva, Vera Lucia Matias Gomes Geron.
500-506
O
uso
de
medicamentos
fitoterápicos
no
processo
de
emagrecimento em acadêmicos do curso de farmácia da Faculdade
de Educação e Meio Ambiente – FAEMA
Camila Pereira Zambon, Lurian Marieni Rodrigues Tiegs, Gabriela Aline
Campana, Jucélia da Silva Nunes.
Revisão de Literatura
(Enfermagem)
507-511
A enfermagem e a sistematização do atendimento ao portador da
Leishmaniose Tegumentar Americana
Edilaine Godoi Silva, Elaine Godói da Silva, Claudia Oliveira Lava, Sonia
Carvalho de Santana.
Revisão de Literatura
(Farmácia)
512-519
A assistência farmacêutica no Sistema Único de Saúde
Isabelly Sabrina Santana Rosa, Matheus Santos Cavalcante, Cleuze
Fatima Souza Silva.
520-525
A importância da bula no uso responsável dos medicamentos
Ezequias Alves da Silva Lima, Samoel Gavioli Belato Junior, André
Tomaz Terra Júnior.
526-531
A terapia hormonal no processo de transexualização
Gabriela Aline Campana, Camila Pereira Zambon, Lurian Marieni
Rodrigues Tiegs, Clóvis Dervil Appratto Cardoso Júnior.
532-539
Aspectos diagnósticos e terapêuticos da endometriose
Patrícia Pires Amaral, Thais Piola Alves, Jessica Akemi Yamagishi, André
Tomaz Terra Júnior, Clóvis Appratto Cardoso Júnior.
540-546
Assistência farmacêutica no âmbito de cuidados a gestantes com
hipertensão arterial
Aline de Souza Rodrigues, Valcione da Silva Gretzler, Jakelane Soares
Lopes, Waldemiro Gustavo de Souza, Ednilson José de Santana Júnior,
André Tomaz Terra Júnior.
547-550
Atuação do farmacêutico no URM e na prevenção de intoxicação
medicamentosa
Valcione da Silva Gretzler, Aline de Souza Rodrigues, Dener Alexandre
Vargas, Heidiane Correia Pereira, André Tomaz Terra Júnior.
551-558
Breve relato dos antidepressivos tricíclicos, incluindo o efeito
terapêutico do cloridrato de bupropiona
Isabelly Sabrina Santana Rosa, Matheus Santos Cavalcante, André
Tomaz Terra Junior.
559-564
Constipação intestinal: tratamento com fitoterápicos
Antonia Karmiles Pinheiro, Vera Lúcia Matias Gomes Geron, André
Tomaz Terra Júnior, Jucélia da Silva Nunes, Filomena Maria Minetto
Brondani.
565-569
Drogas de abuso: maconha e suas consequências
Matheus de Oliveira Vanjura, Dione Rodrigues Fernandes, Leandro
Fantin de Pontes, Jessica Castro dos Santos, André Tomaz Terra Júnior.
570-576
Estudo sobre a automedicação, o uso irracional de medicamentos e
o papel do farmacêutico na sua prevenção
Rogério Lobo Ferreira, André Tomaz Terra Júnior.
577-583
Microcefalia acometida por infecção congênita pelo zika vírus
Uverlei Hilario de Jesus, Gilson Valente Vieira, Leôncio Torres Costa,
Vera Lúcia Matias Gomes Geron.
584-589
Novas estratégias de imunização contra a febre amarela
Maria Neide Ramalho de Souza, Edson Rodrigues Cavalcante, Clóvis
Dervil Apparatto Cardoso Júnior, Vera Lúcia Matias Gomes Geron, Taline
Canto Tristão.
590-596
O risco do uso de produtos não-cosméticos: a anilina à base de
álcool
Lurian Marieni Rodrigues Tiegs, Camila Pereira Zambon, Gabriela Aline
Campana, Jucélia da Silva Nunes.
597-602
O uso das estatinas no tratamento da dislipidemia e o mecanismo
da biossíntese do colesterol
Ederson Aparecido da Silva, Dione Rodrigues Fernandes, Alline Correia
Sandoval, André Tomaz Terra Júnior.
603-609
Tratamento de diabetes mellitus com plantas medicinais
Adriana Tosta Xavier, Jucélia da Silva Nunes.
610-614
Uma abordagem ao uso indiscriminado de medicamentos
benzodiazepínicos
Eduardo Gomes Silva, Dione Rodrigues Fernandes, André Tomaz Terra
Júnior.
615-619
Utilização do ácido fólico na prevenção de doenças do tubo neural
Elaine Godói da Silva, Edilaine Godói da Silva, Matheus Santos
Cavalcante, Claudia Oliveira Lava, Vera Lucia Matias Gomes Geron.
Revisão de Literatura
(Fisioterapia e Terapia Ocupacional)
620-625
A manutenção da capacidade funcional no idoso através da
cinesioterapia
Revista Científica FAEMA. Faculdade de Educação e Meio Ambiente.
DOI: http://dx.doi.org/10.31072. ISSN: 2179-4200.
484 Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 484-490,
maio-jun, 2018.
ANÁLISE DOS FATORES QUE AFETAM A LEITURA E INTERPRETAÇÃO
DA BULA EM MORADORES DO MUNICÍPIO DE CUJUBIM-RO
ANALYSIS OF FACTORS THAT AFFECT BULA'S READING AND
INTERPRETATION IN RESIDENTS IN THE CITY CUJUBIM-RO
https://doi.org/10.31072/rcf.v9iedesp.628
Elaine Kochinski Bervanger
Discente do curso de Farmácia da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA. E-mail: [email protected]. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2009-2411.
Clóvis Dervil Appratto Cardoso Júnior
Mestre em Ciências Farmacêuticas e graduado em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Coordenador
do Curso de Farmácia da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA. E-mail: [email protected]. ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-7886-6512.
Submetido em: 30 maio 2018. Aprovado em: 07 jun. 2018. Publicado em: 15 jun. 2018. Descritores (DeCS)1:
Bula de medicamentos Uso racional de medicamentos
RDC 47/09
RESUMO: A bula é uma das, senão a melhor forma de um paciente se informar sobre o tratamento ou medicamento que está tomando, visto que possui todas as informações necessárias para o entendimento do paciente. Entretanto, a linguagem utilizada e o tamanho das letras da bula eram um problema constante para os pacientes, então para solucionar esse problema a ANVISA lançou resoluções visando melhora no entendimento da bula. Em 2009, a resolução nº 47 foi lançada para tentar melhorar ainda mais o entendimento e leitura da bula. Apesar dos esforços da ANVISA para melhorar o entendimento da bula, ainda há indivíduos que sentem dificuldade ao lê-la, e as causas desta dificuldade é o que esta pesquisa pretende mostrar. Objetivou-se com este estudo, analisar as dificuldades apresentadas pela população na leitura e compreensão da bula, e para isso realizou-se uma pesquisa de campo com 100 indivíduos do município de Cujubim – RO, onde questionou-se a facilidade de interpretação e entendimento das bulas de medicamentos. Após análise dos resultados obtidos, observa-se que 52% dos entrevistados afirmam ter dificuldades ao ler as bulas, sendo a presença de palavras difíceis e letras pequenas as dificuldades mais apontadas.
Descriptors:
Package leaflet
Rational use of medicines RDC 47/09
ABSTRACT: The package leaflet is one of the best ways for a patient to know about the treatment or medication they are taking, since they have all the information they need to understand the patient. However, the language used and the size of the leaflet letters were a constant problem for the patients, so in order to solve this problem ANVISA issued resolutions aiming to improve the understanding of the package insert. In 2009, resolution 47 was launched to try to further improve the understanding and reading of the package insert. Despite the efforts of ANVISA to improve the understanding of the package insert, there are still individuals who find it difficult to read it, and the causes of this difficulty are what this research intends to show. The objective of this study was to analyze the difficulties presented by the population in the reading and understanding of the package leaflet. A field survey was carried out with 100 individuals from the municipality of Cujubim - RO, where they questioned the ease of interpretation and understanding of the package inserts. After analyzing the results obtained, 52% of respondents said they had difficulties reading the package leaflet, with the presence of difficult words and small letters being the most pointed difficulties.
1Descritores em Saúde (DeCS). Vide http://decs.bvs.br.
Análise dos fatores que afetam a leitura e interpretação da bula em moradores do município de Cujubim - RO.
Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 484-490,
maio-jun, 2018. 485
INTRODUÇÃO
Resumidamente, as bulas dos medicamentos são a principal fonte de informação aos pacientes, logo, devem ser de fácil compreensão por seus usuários (5, 1, 3, 6). Entretanto,
as bulas ainda possuem irregularidades nas informações, bem como falhas na linguagem e em sua configuração. Dessa forma, faz-se necessária a adequação das bulas à RDC 47/09, que estabelece as regras para elaborar, harmonizar, atualizar, publicar e disponibilizar as bulas de medicamentos para pacientes e profissionais de saúde, devido ao risco de intoxicação e demais problemas que podem ser provenientes do não entendimento ou dificuldade na leitura das bulas, o que pode levar ao uso incorreto dos medicamentos (7, 8).
No século XV, a bula identificava a autenticidade de medicamentos oficiais, era suspensa por um cordão e comprovava que aquela não era uma garrafada. No século XX no Brasil, passou a ser um impresso que acompanhava produtos farmacêuticos, e continha informações acerca da composição, uso, posologia e contraindicações (9, 10).
A bula de medicamentos é o principal material informativo fornecido aos pacientes na dispensação e/ou aquisição de medicamentos, pois contém informações de interesse tanto para os profissionais da saúde quanto para os pacientes. Os pacientes normalmente priorizam informações sobre os efeitos colaterais, contraindicações, e modo de uso, enquanto os profissionais da saúde se interessam por informações técnicas, farmacológicas e de composição do medicamento (11, 12).
Nos Países da União Europeia, a regulamentação obriga a organização das bulas por seções definidas, além de ter a escrita comprovadamente simples e clara. O modelo europeu é regulamentado pela “Quality Review of Documents”. Já a “Guideline on the readability of the labelling
and package leaflet of medicinal products for human use” é a
norma europeia que normatiza os testes de legibilidade das bulas. Os testes são realizados através de um questionário com pelo menos 20 participantes, que devem ser, de preferência, idosos sem práticas de leitura ou escrita regular, visto que esse grupo, comumente manifesta dificuldades na leitura e interpretação de documentos. As perguntas do questionário permitem identificar as partes da bula onde existem problemas na compreensão das informações (13).
No Brasil, a bula é feita baseando-se nas informações presentes nos registros de aprovação do medicamento submetido à ANVISA. As informações são técnico-científicas e oriundas de resultados atingidos durante o desenvolvimento do medicamento através de pesquisas clínicas, bem como aqueles presentes em bancos de informações (14, 15).
A leitura da bula contribui para o aumento da adesão ao tratamento e sucesso do mesmo; bem como auxilia numa terapia correta, garantindo a segurança do usuário. Uma bula compreensível também contribui para o preenchimento das lacunas da comunicação entre médico e paciente, que muitas vezes não conseguem sanar todas as dúvidas na consulta médica acerca do medicamento e tratamento prescritos (1).
As bulas são um meio de promoção do uso racional de medicamentos. O entendimento da bula é essencial para o uso racional e seguro dos medicamentos após dispensação ou prescrição. A bula permite o acesso a informações fundamentais acerca dos medicamentos, bem como de sua
administração, além de esclarecer dúvidas de forma autônoma (16, 13).
A orientação quanto ao uso correto do medicamento permite alcançar êxito no uso racional. É necessário que haja conhecimento específico e atualizado sobre o medicamento pelo prescritor, pelo farmacêutico e pela indústria, que são responsáveis por dar informações ao paciente de forma clara e objetiva, para que este compreenda e haja melhor adesão ao tratamento (17).
O interesse dos pacientes por informações acerca de seu tratamento costuma ser maior do que se acredita (18). Os
usuários de medicamentos recorrem às bulas buscando informações acerca dos medicamentos em uso, entretanto, esta é, muitas vezes, difícil de ser entendida, principalmente para indivíduos com baixo nível de letramento geral e em saúde, visto que as bulas são escritas muitas vezes, em linguagem demasiada culta para grande parte dos consumidores, geralmente com jargões técnicos e letras pequenas, dificultando a leitura (19, 20).
Para que haja sucesso no tratamento, os pacientes não podem se sentir inseguros ou ter dúvidas quanto ao medicamento. Eles devem estar certos de que ao tomar os medicamentos com a instruções recebidas dos profissionais da saúde e da bula, estarão menos propensos a apresentar problemas com medicamentos (21).
Algumas razões que diminuem a leitura da bula pelos usuários são: informação médica suficiente, falta de hábito, analfabetismo e dificuldade de compreensão. Sendo algumas destas, relacionadas com a condição sócio-cultural-econômica da população. Faz-se necessário enunciar que a linguagem inacessível e a não compreensão das informações se relacionam também com a falta de cuidado da indústria durante a concepção da bula, por não observarem que nem sempre o indivíduo assimila a informação, visto que muitas vezes independentemente do grau de escolaridade, esse não possui formação específica
(1).
As informações nas bulas devem ser de fácil compreensão e transparentes no que o paciente deve ou não fazer ao tomar o medicamento, entretanto, muitos pacientes apresentam dificuldade ao lerem a bula, não havendo compreensão quanto ao tratamento. O farmacêutico é de grande ajuda no momento da leitura, caso explique ao paciente sobre o tratamento, bem como sobre as informações contidas na bula (3).
Os principais problemas com a leitura da bula ocorrem na compreensão do texto são: facilidade de leitura do texto (como o tamanho da letra, espaçamento das linhas, uso exagerado de caixa alta e negrito, alinhamento do texto), presença de linguagem muito técnica e termos não conhecidos pela população, bem como frases longas e transparência do papel. Cidadãos com pouco estudo e idoso apresentam maior dificuldade em entender o que é informado na bula, não significando, no entanto, que pessoas com maior escolaridade irão compreender o conteúdo da bula (16).
A exposição gráfica das informações das bulas influencia a leitura e compreensão. A má apresentação gráfica das informações, podem causar o mau uso dos medicamentos, afetando o bem-estar e podendo causar danos à saúde do usuário. Desde 1995, os medicamentos são a primeira causa de intoxicação humana no país. Quando usados de forma errônea e irracional, os medicamentos podem ocasionar riscos e reações adversas (22).
Bervanger EK, Cardoso Júnior CDA.
486 Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 484-490,
maio-jun, 2018.
Os fatores que podem colaborar para a legibilidade de um texto, são: evitar textos apenas com letras maiúsculas; letras simples são mais legíveis; linhas longas exigem maior espaçamento; contraste de cor (23).
O uso de ilustrações e cores em bulas, promovem melhoria no entendimento e memória do paciente quanto ao medicamento e sua forma de uso. Além disso, a representação em figuras, juntamente com as informações escritas, promove a utilização correta do medicamento, diminuindo os riscos de erro em sua utilização (24, 25).
Diversas medidas foram adotadas buscando tornar a bula mais eficaz como instrumento de informação, principalmente para o usuário. Dentre as regulamentações com maior importância, se encontram a RDC n° 140/03 e a RDC n° 47/09, as quais foram responsáveis pela reformulação de seu conteúdo e de seu formato (26).
A Portaria SNVS nº 65, de 1984, foi a primeira a regular o roteiro da bula brasileira, e ficou vigente até 1997. Em 1997 a Portaria SVS nº 110 foi lançada, sendo substituída em 2003 pela Resolução RDC nº 140 (27).
A resolução RDC n° 140 da ANVISA trouxe diversas inovações das legislações anteriores, como o aumento no tamanho das letras e a criação de uma para o profissional da saúde e outra para o paciente. Contudo, em 2009 a RDC 47 foi criada para esclarecer pontos da RDC 140 e adicionou outras normas, principalmente na apresentação textual e determinação da presença de bula em formato especial para deficientes visuais (16).
A publicação da RDC nº 47/2009 visou o aprimoramento da forma e conteúdo das bulas, de modo que pudesse garantir informações seguras e adequadas aos pacientes, em conformidade aos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS) (12).
A RDC nº 47, de 8 de setembro de 2009 estabelece em seu artigo 5° que as bulas de medicamentos devem: ter os dizeres impressos na fonte Times New Roman com tamanho mínimo de 10 nas bulas para o paciente e 8 nas bulas destinadas ao profissional da saúde, apresentando espaçamento simples entre linhas; possuir colunas de texto com pelo menos 50 mm (cinquenta milímetros) de largura; ter o texto alinhado à esquerda ou justificado; usar caixa alta e negrito nas perguntas e itens na bula para que estes se destaquem; ser impressas com as letras na cor preta e em papel branco.
Quanto ao conteúdo das bulas, o inciso 1º do artigo 6º descreve que a bula deve conter a identificação do medicamento, informações ao paciente, bem como os dizeres legais. Além disso, os textos devem ser organizados como perguntas e respostas, devem ser claros, objetivos, com linguagem acessível e sem repetição de informações, possuir termos explicativos após os termos técnicos, caso estes sejam utilizados (28).
Em muitas bulas, o texto utilizado para os profissionais e para o paciente era o mesmo, diferenciando somente no título dos itens, que na bula do paciente aparecia em forma de perguntas e respostas. Além disso, eram frequentes as repetições de informações ao longo da bula. Essas características foram sanadas pela RDC nº 47, pois nela é exigido que a bula destinada ao paciente seja clara e objetiva, bem como deve apresentar termos explicativos após os termos técnicos, além disso, não pode haver repetição de informações (1).
A RDC 47 de 2009 trouxe novidades em relação às normativas anteriores, apresentando a adição de orientações sobre notificação de reação adversa; incorporação do disque intoxicação para orientação quanto a superdosagens;
indicação de frases de advertências para contraindicação do uso como “Este medicamento é contraindicado para uso por...” e “Este medicamento é contraindicado para menores de...”. Além disso, outras informações passaram a ser exigidas nas bulas, como o alerta para atletas quanto ao perigo de serem pegos em exame antidoping após o consumo do medicamento (10).
Além disso, essa resolução torna obrigatória a presença da bula nas embalagens dos medicamentos vendidos no Brasil. Em seu capítulo IV, seção 1, art. 26, afirma que as embalagens de medicamentos devem possuir bulas com informações atualizadas no mercado, de acordo com o Bulário Eletrônico (29).
As causas relacionadas à linguagem e informações não compreensíveis podem estar relacionadas também com o fato de a indústria, durante a elaboração da bula, não ter o cuidado de observar que a população não consegue assimilar sempre a informação que a ela é dada, pois independente da sua escolaridade, a maioria não possui formação técnico-científica específica. A dificuldade na leitura e compreensão da bula, podem levar ao desinteresse em ler este informativo, o que pode ocasionar erros que afetarão uso e eficácia do tratamento (17, 30).
2 MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo é uma pesquisa de campo, realizada com a aplicação de um questionário constituído de questões fechadas, se classificando assim, como quantitativa. A revisão de literatura foi realizada com literaturas encontradas em plataformas como ScieLO, ResearcheGate, Repositório FAEMA e Google Acadêmico, através dos descritores: bula, package leaflet e bula dificuldades.
O questionário foi realizado com 100 moradores aleatórios dos setores 1 e 2 do município de Cujubim, no estado de Rondônia. Buscou-se a diversidade nesta pesquisa, sendo entrevistados indivíduos de diferentes classes, idade e sexo, sendo excluídos somente aqueles menores de 18 anos ou que não se sentissem confortáveis para responder a mesma. Para a coleta dos dados percorreu-se as ruas dos setores 1 e 2 do município de Cujubim em busca de indivíduos interessados em responder ao questionário, iniciando às 7h e 30 minutos da manhã o procedimento de pesquisa, terminando-o às 11h e 30 minutos.
Dirigiu-se aleatoriamente às casas pertencentes a estes bairros, apresentando seu projeto e verificando a vontade e disponibilidade dos indivíduos em responderem à pesquisa em questão. Após atingir o número de participantes, iniciou-se a análiiniciou-se dos dados obtidos.
Os dados foram analisados e reunidos, de forma a montar gráficos com o perfil dos participantes da pesquisa. Havendo assim, um melhor entendimento quanto ao entendimento da população em relação à bula, bem como sobre a facilidade de leitura da mesma.
A pesquisa foi aprovada através do parecer 2.548.223 emitido pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Educação e Meio Ambiente (FAEMA).
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Após análise dos cem (100) questionários respondidos, observou-se que o mesmo foi respondido por 57 pessoas do gênero feminino (57%) e 43 do masculino (43%), conforme
Análise dos fatores que afetam a leitura e interpretação da bula em moradores do município de Cujubim - RO.
Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 484-490,
maio-jun, 2018. 487
Gráfico 1 – Resultado por gênero.
Fonte: Autor.
Quanto à faixa etária (Gráfico 2), encontrou-se os seguintes dados: 35 participantes têm de 20 a 29 anos (35%), 35 participantes têm entre 30 e 39 anos (35%), 20 participantes estão na faixa etária de 40 a 49 anos (20%), 9 participantes têm entre 50 e 60 anos (9%), e um (1) participante tem mais de 60 anos (1%).
Gráfico 2 – Faixa Etária.
Fonte: Autor.
No quesito escolaridade, encontrou-se os seguintes resultados: 42% dos entrevistados concluíram o ensino médio, 18% estudou da 1ª a 4ª série, 15% possui ensino médio incompleto, 11% concluíram o ensino fundamental, 7% possui ensino superior completo, e os 7% restantes não concluíram o ensino superior.
Estes dados são apresentados abaixo no Gráfico 3. Gráfico 3 - Nível de escolaridade da população entrevistada.
Fonte: Autor.
Questionou-se aos participantes: “Ao ir ao médico e este lhe prescrever um medicamento, você faz perguntas quanto ao tratamento ou efeitos do medicamento ?”, e obteve-se os seguintes resultados: 71% dos entrevistados questiona o tratamento e as características do tratamento, 15% não realiza questionamentos e 14% questiona algumas vezes, como pode-se observar na figura abaixo (Gráfico 4):
Gráfico 4 – Faz perguntas ao farmacêutico acerca do tratamento e
seus efeitos?
Fonte: Autor.
Quando questionados se costumam ler as bulas dos medicamentos, 46% afirmou ler as bulas, 21% leem às vezes, 18% leem somente quando usam o medicamento pela primeira vez, 13% não leem, e 2% não leem pois confiam no médico ou farmacêutico e que estes passarão todas as informações necessárias, como é apontado na
Gráfico 5.
Gráfico 5 - Costuma ler as bulas de medicamentos?
Fonte: Autor.
Acerca da dificuldade em ler as bulas, 52% dos entrevistados afirmou ter dificuldades em ler as bulas, enquanto 48% responderam não ter dificuldades, como é mostrado na Gráfico 6.
Gráfico 6 - Tem dificuldades para ler a bula?
Fonte: Autor.
Questionou-se os motivos que levavam os entrevistados a não lerem a bula, e encontrou-se os seguintes resultados e que são mostrados no Gráfico 7: 18% afirmam que as explicações do farmacêutico acerca da terapia são claras e suficientes, 12% afirma que o médico explica de forma suficiente, 11% não consegue ler ou entender a bula, 10% afirma que confia no médico, então não se preocupam, 8% não lê pois já sabe para que e porque está usando o medicamento, e 41% não respondeu.
0% 50% 100% 1 57% 43% masculino ferminino 0% 50% 100% 1 35% 35% 20% 9%1% 20-29 30-39 40-49 50-60 >60 0% 50% 100% 1 7%7% 11% 15% 18% 42%
Superior Incompleto Superior Completo Ensino Fundamental Ensino Médio Incompleto 1ª a 4ª Série Ensino médio Completo
0% 50% 100%
1 71% 15% 14%
Sim, realiza questionamento Não realiza questionamento Questiona algumas vezes
0% 50% 100%
1 46% 21% 18% 13% 2%
Leem as bulas Leem às vezes Somente a 1ª vez Não leem Não leem, confiam na consulta
0% 50% 100% 1 52% 48%
Bervanger EK, Cardoso Júnior CDA.
488 Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 484-490,
maio-jun, 2018.
Gráfico 7 - Motivos para não ler a bula.
Fonte: Autor.
Quando questionados sobre quais itens da bula leem, 39 indivíduos afirmaram ler a composição dos medicamentos, 59 a indicação, 56 as contraindicações, 71 como usar, 76 os efeitos colaterais, 15 as interações e 27 as advertências, como se expressa na Gráfico 8.
Gráfico 8 - Itens da bula que são lidos.
Fonte: Autor.
Ao se questionar quais as maiores dificuldades encontradas na leitura da bula, as letras pequenas foram citadas 38 vezes, as palavras difíceis ou desconhecidas 44 vezes, o tamanho exacerbado da bula 13 vezes e a bula ser sem graça ou pouco chamativa 7 vezes (Gráfico 9). Gráfico 9 - Dificuldades encontradas na leitura da bula.
Fonte: Autor.
Por último questionou-se o que os entrevistados sentiam ao não conseguir ler ou entender a bula dos medicamentos, onde 56% afirmou que gostaria de poder ler e entender as bulas dos medicamentos que utiliza ou que virá a utilizar, 32% se sentem inseguros com o uso do medicamento e 12% fica com medo, o que é mostrado na Gráfico 10.
Através dos dados obtidos, percebe-se que a maior parte dos entrevistados realiza a leitura da bula, entretanto, um
vasto número de participantes afirma não a compreender. O alto percentual de indivíduos que leem a bula pode ser resultado de boa parcela dos participantes possuir ensino médio completo, no entanto, poucos terem iniciado ou concluído o Ensino Superior, pode explicar o maior número de indivíduos que não entendem as informações nela presentes.
A não leitura ou leitura ocasional das bulas pelos demais participantes pode ser resultante do fato de grande parte dos entrevistados afirmarem questionar o médico e/ou o farmacêutico sobre o tratamento e os efeitos que este causará, o que lhes dá segurança e faz com que estes não vejam necessidade na leitura. Enquanto alguns afirmaram não conseguir ler ou entender a bula.
Gráfico 10 - O que sente ao não conseguir ler a bula?
Fonte: Autor.
Acerca das dificuldades encontradas na leitura, as letras pequenas e palavras difíceis ou desconhecidas foram as mais citadas, o que mostra que apesar do grau de escolaridade dos participantes, a bula ainda permanece de difícil entendimento. Esses dados coincidem com aqueles encontrados por Silva e colaboradores (17), onde os entrevistados afirmaram que o tamanho da letra, e a linguagem dificultavam a leitura da bula.
Ao comparar-se os resultados obtidos nesta pesquisa com aqueles apresentados por Paula e colaboradores (16), percebe-se que os efeitos colaterais, indicação e contraindicações se apresentam como os itens mais lidos da bula.
4 CONCLUSÃO
A bula constitui uma das maiores, se não a maior, fonte de informação acerca do medicamento e suas características de uso pela população. Logo, faz-se necessário que esta seja de fácil leitura e compreensão pelos usuários, independentemente de sua formação acadêmica ou a ausência desta.
Após a realização da pesquisa e análise dos dados obtidos, percebe-se que apesar de todas as mudanças até hoje realizadas nas bulas visando melhor leitura e entendimento da mesma, muitos indivíduos ainda apresentam dificuldades na leitura e compreensão da mesma. Assim, novas alterações na bula ou maior fiscalização quanto à forma como as bulas são confeccionadas são uma alternativa para contornar esse problema e propiciar maior bem-estar e segurança para os usuários de medicamentos.
0% 50% 100%
1 18% 12% 11% 10% 8% 41%
São claras e suficientes De forma suficiente Não consegue ler ou entender Confia no médico
0 20 40 60 80 Composião Indicação Contraindicações Como usar Efeitos colaterais Interações Advertências 0 10 20 30 40 50 Letras pequenas Palavras difíceis ou desconhecidas Tamanho da bula Bula pouco chamativa
0% 50% 100% 1 56% 32% 12%
Gostaria de entender as bulas Sentem inseguros Tenho medo
Análise dos fatores que afetam a leitura e interpretação da bula em moradores do município de Cujubim - RO.
Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, v. 9, n. ed esp, p. 484-490,
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Como citar (Vancouver)
Bervanger EK, Cardoso Júnior CDA. Análise dos fatores que afetam a leitura e interpretação da bula em moradores do município de Cujubim - RO. Rev Cient Fac Educ e Meio Ambiente [Internet]. 2018;9(ed esp): 484-490. doi: https://doi.org/10.31072/rcf.v9iedesp.628
Revista Científica FAEMA. Faculdade de Educação e Meio Ambiente.
DOI: http://dx.doi.org/10.31072. ISSN: 2179-4200.
Rev Cient FAEMA: Revista da Faculdade de Educação e Meio Ambiente - FAEMA, Ariquemes, Ano 9, n. ed esp, p.
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AVALIAÇÃO DE ARMAZENAMENTO DE MEDICAMENTO EM DOMICÍLIO
EM UM BAIRRO DE ARIQUEMES / RO
EVALUATION OF STORAGE OF MEDICINES IN ADDRESS IN A DOWNTOWN OF
ARIQUEMES / RO
https://doi.org/10.31072/rcf.v9iedesp.609
Jacineide Maria da Silva
Discente do Curso de Farmácia da Faculdade de Educação e Meio Ambiente- FAEMA. E-mail: [email protected]. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5528-734X.
Vera Lucia Matias Gomes Geron
Mestra em Biologia dos Agentes Infecciosos e Parasitários pela Universidade Federal do Pará - UFPA. E-mail:
[email protected]. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9559-5013.
Submetido em: 16 maio 2018. Aprovado em: 07 jun. 2018. Publicado em: 15 jun. 2018.
Descritores (DeCS)2: Farmácia Farmácia domiciliar Armazenamento incorreto Medicamentos
RESUMO: O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de medicamentos, com fácil acesso a vários tipos de drogas, criando uma cultura de automedicação e consequentemente de farmácias caseiras. O acúmulo de medicamentos estocados em residências é um fator de risco tanto para os adultos e principalmente para as crianças. As farmácias caseiras geralmente não possuem os padrões de armazenamento adequados de medicamentos e raramente os produtos vencidos são descartados, e quando descartados, de maneira errônea. Objetivo: Verificar o armazenamento e quantificar os medicamentos vencidos em domicilio, no qual consiste em uma pesquisa de campo descritiva, com abordagem quantitativa e qualitativa. Resultados: Todas as residências localizadas nos setores 05 e jardim das palmeiras que participaram da pesquisa tinham um estoque de medicamentos, e em sua maioria os entrevistados se encontravam em tratamento farmacológico, a faixa etária de idade que mais prevaleceu neste estudo ficou entre 54 a 62 anos de idade. Um ponto que chamou atenção foi a quantidade de pessoas (67%) que fazem o uso da automedicação, 85% alegam que nunca receberam informação quanto ao armazenamento e o descarte dos medicamentos. Conclusão: Os resultados apontam que a população vem adquirindo quantidades maiores de medicamentos do que necessitam, causando desperdício de recursos financeiro, e contribuindo assim para formação de boa parte do estoque domiciliar. Na maioria dos domicílios os medicamentos eram armazenados de forma incorreta, ficando demonstrando a necessidade de comercializar medicamento em embalagens fracionadas para diminuir as sobras que geram os estoques domésticos e consequentemente diminuirá significativamente a automedicação. Descriptors: Pharmacy Home pharmacy Incorrect medication storage Medicines
ABSTRACT: Brazil is among the world's largest consumers of medicines, with easy access to various types of drugs, creating a culture of self-medication and consequently of home pharmacies. The accumulation of drugs stored in homes is a risk factor for both adults and especially children. Home pharmacies generally do not have adequate drug storage standards and rarely overdue products are discarded, and when discarded, erroneously. Objective: To verify the storage and quantification of drugs overdue at home, which consists of descriptive field research, with a quantitative and qualitative approach. Results: All households colacalized in sectors 05 and garden of the palm trees that participated in the research had a stock of medicines, and the majority of interviewees were under pharmacological treatment, the age group that prevailed most in this study was between 54 to 62 years of age. One point that drew attention was the number of people (67%) who use self-medication, 85% claim that they never received information regarding the storage and disposal of medicines. Conclusion: The results indicate that the population is acquiring larger quantities of medicines than they need, causing financial resources to be wasted, thus contributing to the formation of a good
2Descritores em Saúde (DeCS). Vide http://decs.bvs.br.
Silva JM, Geron VLMG.
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part of the household stock. In most households, medicines were stored incorrectly, demonstrating the need to market medicine in fractional packages to reduce leftovers that generate domestic stocks and consequently significantly reduce self-medication.
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu como seu grande desafio para a próxima década a melhoria na racionalidade do uso de medicamentos, havendo uma necessidade de promover a avaliação desse uso e supervisionar o seu consumo (1).
A cultura brasileira de automedicação e a fácil aquisição desses produtos acabaram por gerar nas residências brasileiras um acúmulo de medicamentos. As “farmacinhas caseiras”, como são conhecidas, geralmente contêm algumas fórmulas reservadas às emergências (antigripal, analgésicos, antitérmicos), vendidas sem receita médica, mas também é muito comum conter sobras de medicamentos controlados (antibióticos, entre outros) que provavelmente não mais serão utilizados, mas que ficam guardados até a expiração da sua data de validade (2).
Segundo Loch et al.(3) consideram que o estoque
domiciliar é composto por todos os medicamentos que estiverem sendo mantidos no domicílio e relatam ainda que existe uma escassez de dados de como os medicamentos são armazenados e utilizados após a sua aquisição.
Essa armazenagem de modo indevido pode acarretar vários riscos à saúde, tanto pelas condições em que foram armazenadas quanto ao uso irracional, sendo isso a automedicação podendo trazer efeitos colaterais indesejáveis (4).
O acúmulo de medicamentos estocados em residências pode ser um fator de risco tanto para os adultos e principalmente para as crianças. Tem-se a necessidade de ter alguns medicamentos em casa como: Medicamentos para dor e febre, diarreia, vômitos, antialérgicos tópicos, antissépticos encontram-se presentes na maioria das residências. É necessário dispor de produtos de uso frequente, como compressas, termômetro, antissépticos para limpeza de pequenos ferimentos, bem como de medicamentos utilizados no tratamento de distúrbios correntes (5).
Segundo Vitor(6) a automedicação é uma prática bastante
difundida não apenas no Brasil, mas também em outros países. Essa é definida como uso de medicamentos sem prescrição médica, na qual o próprio paciente decide qual fármaco utilizar.
A automedicação pode ser definida como: tomar medicamentos sem a prescrição/orientação/supervisão médica, comportamento este que faz parte do auto-cuidado. A automedicação difere da auto prescrição no sentido de que esta última envolve o uso irresponsável (e até perigoso para a saúde) de medicamentos tarjados sem a prescrição de um médico. Na Espanha, a prevalência da automedicação situa-se ao redor de 40-75%, entre os quais quasitua-se 40% são medicamentos de prescrição (7).
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Automedicação
A automedicação é um procedimento caracterizado, fundamentalmente pela iniciativa de um doente ou de seu responsável em obter e fazer o uso de um produto que
acredita lhe trazer benefícios no tratamento de doenças ou alivio de sintomas (8). A administração inadequada de
medicamentos, tal como a prescrição errônea, pode ter, como consequência, efeitos indesejáveis, enfermidades iatrogênicas e mascaramento de doenças evolutivas. Um exemplo da gravidade desse problema é o desenvolvimento de resistência microbiana, representando, portanto, um problema a ser prevenido (8).
De acordo com Santos(7) a frequência da automedicação
em crianças e adolescentes tem se mostrado elevada em vários estudos e é fator preocupante quando parcela importante dessa população não recebe atenção adequada por parte dos serviços de saúde, ficando o cuidado restrito às decisões do cuidador. Sendo assim, uma participação efetiva do farmacêutico nos serviços de saúde, através de aconselhamento e/ou de indicação farmacêutica de medicamentos isentos de prescrição poderia contribuir para o uso racional dos medicamentos.
No Brasil, embora haja regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para a venda e propaganda de medicamentos que possam ser adquiridos sem prescrição médica, não há regulamentação nem orientação para aqueles que os utilizam. O fato de se poder adquirir um medicamento sem prescrição não permite o indivíduo fazer uso indevido do mesmo, isto é, usá-lo por indicação própria, na dose que lhe convém e na hora que achar conveniente. Dados europeus indicam que, em média, 5,6 pessoas por farmácia e por semana fazem uso indevido de algum tipo de medicamento (9).
O problema é universal, antigo e de grandes proporções. A automedicação pode ser considerada uma forma de não adesão às orientações médicas e de saúde. Nesse sentido, Hipócrates já sentenciou: "Toda vez que um indivíduo diz que segue exatamente o que eu peço, está mentindo". Não há como acabar com a automedicação, talvez pela própria condição humana de testar e arriscar decisões. Há, contudo, meios para minimizá-la. Programas de orientação para profissionais de saúde, farmacêuticos, balconistas e população em geral, além do estímulo a fiscalização apropriada, são fundamentais nessa situação (9).
2.2 Armazenamentos de medicamento
Segundo Lima(8) ter medicamentos estocados em
ambientes domiciliares por parte do usuário, pode parecer uma questão de prevenção. No entanto, segundo a Organização Mundial de Saúde, deve-se tomar cuidado com a maneira de armazenar e consumir esses medicamentos, pois se não forem seguidas as recomendações de armazenamento, o medicamento pode tornar-se ineficaz ou trazer consequências graves a saúde do usuário.
Segundo Bueno(10) é importante que a farmácia caseira
possa garantir a qualidade dos medicamentos, através do adequado armazenamento destes, ainda segundo Bueno(10)
armazenamento é uma das peças chave para garantir eficácia do fármaco, pois o mau acondicionamento propicia a degradação e com isso os medicamentos podem não exercerem o efeito desejado.
Já Bueno(10) e Serafim et al.(11) demonstraram a
instabilidade dos medicamentos dentro do prazo de validade, em estudo com produtos contendo dipirona na forma líquida,
Avaliação de armazenamento de medicamento em domicilio em um bairro de Ariquemes / RO.
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realizado nas residências de Araraquara - SP, os quais atingiram até 42,6% de perda no teor do fármaco analisado, quando comparados a controles comerciais. Tal estudo ressaltou a possibilidade de perda da estabilidade do fármaco, que é antecipada por fatores como temperatura, presença de oxigênio, luz solar, radiação e umidade, de acordo com Serafim et al. (11), demonstra a necessidade do
profissional farmacêutico quanto a orientação do uso e do armazenamento correto do medicamento nas residências.
Os medicamentos e produtos devem estarem armazenados ao abrigo da luz solar direta, em temperatura e umidade conforme especificação do fabricante, em prateleiras ou sobre estrados, respeitando uma distância mínima das paredes, evitando a umidade e o acúmulo de sujidades (12).
2.3 Armazenamentos inadequado de medicamento
Armazenar medicamentos nos domicílios tornou-se uma prática comum, podendo representar um potencial risco para o surgimento de agravos à saúde. Os locais mais comuns de armazenamento de medicamentos são gavetas, dispensas, pias, dentro de caixas ou de armários e ignoram o tempo de armazenamento depois de aberto, assim como a sua exposição a altas temperaturas, luz solar ou artificial e umidade (13).
2.4 Condições de armazenamento
É importante sabermos qual o lugar mais adequado para armazenar os medicamentos em casa, é de suma importância seguir as recomendações dos fabricantes, manter sempre protegidos da umidade, calor e claridade e principalmente obedecendo a temperatura descrita na embalagem de cada produto (8).
A estabilidade e eficácia dos medicamentos estão diretamente relacionadas a forma como o medicamento encontra-se guardado (17). Outro problema relacionado ao
acondicionamento de medicamentos está intimamente ligada ao acesso a esse local, devendo evitar que crianças e animais domésticos entrem em contato com a medicação. Essa medida serve para evitar acidentes como intoxicação, bem como, a contaminação dos medicamentos, fatores que podem trazer prejuízos graves a saúde e em casos extremos podem levar o indivíduo ao óbito (8).
Evitar lugares quentes e úmidos, pois estes fatores podem interferir na ação do fármaco podendo perder a sua eficácia e até mesmo podendo prejudicar o organismo, o melhor local para o armazenamento é um local arejado com temperatura mais agradável e longe de umidade.
Quando armazenados de forma incorreta, em locais quentes e úmidos, como cozinha e banheiro ou em ambientes com incidência direta da luz, pode ocorrer alterações na composição (química, física e microbiológica) dos medicamentos, com a diminuição da efetividade terapêutica ou elevação do risco de efeitos tóxicos de acordo com o tipo de degradação sofrida pelo fármaco (14).
2.5 Armazenamentos de medicamentos vencidos
Conforme Almeida(15) existe um acúmulo de
medicamentos nas residências, as chamadas “farmácias caseiras”. Os medicamentos armazenados por muito tempo nas farmácias caseiras perdem sua eficiência em decorrência da data de vencimento, então são descartados
de modo incorreto ou até mesmo reutilizados por pacientes desatentos (15).
O Brasil está entre os maiores consumidores mundiais de medicamentos e possui maior acesso a medicamentos, devido sua economia estável agregada; isso contribui para o aumento do consumo que trará como consequência, maior quantidade de embalagens e sobras de medicamentos que terão como destino o lixo comum (16).
Na Resolução n° 44 de 17 de agosto de 2009, a ANVISA dispõe no artigo 93 que fica permitido às farmácias e drogarias participar de programas de coleta de medicamentos a serem descartados pela comunidade com o intuito de preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente.
Porém, não há legislação específica para cobrar desses estabelecimentos à realização destas campanhas, atribuindo então a responsabilidade para a comunidade em devolver a esses lugares os medicamentos não utilizados (16).
2.6 Prejuízos que o descarte incorreto traz à saúde
Pinto (2) afirma que o avanço da ciência na área da saúde
proporcionou um aumento na fabricação de medicamentos, que na maioria das vezes, depois de vencidos, são descartados de maneira inadequada, geralmente no lixo comum. Estes resíduos, quando em contato com o solo e a água, podem causar contaminação, que mesmo em uma rede de tratamento de esgoto não é eliminada completamente.
O descarte de medicamentos vencidos é, na maioria das vezes, realizado no lixo doméstico, porém, essa prática comum no cotidiano das pessoas pode oferecer grandes riscos também ao meio ambiente (10).
É importante que se realize a revisão periódica dos medicamentos que constituem a farmácia caseira, pelo menos duas vezes por ano, pois de acordo com esses autores, medicamentos vencidos e aqueles cujo uso já ocorreu devem ser descartados para evitar possíveis intoxicações ou trocas. O descarte deve evitar prejuízos ao ambiente e à saúde (10).
Os prejuízos mais frequentes decorrentes da automedicação incluem, entre outros, gastos supérfluos, atraso no diagnóstico e na terapêutica adequada, reações adversas ou alérgicas, riscos de intoxicação, efeitos indesejáveis, enfermidades iatrogênicas e mascaramento de doenças evolutivas, o desenvolvimento de resistência microbiana, pode provocar interações medicamentosas, e outros riscos inaceitáveis do ponto de vista terapêutico incluindo o armazenamento incorreto ou por tempo excessivamente longo do medicamento.
3 METODOLOGIA
3.1 Tipo de estudo
O estudo consiste em uma pesquisa de campo descritiva, com abordagem quantitativa e qualitativa.
3.2 Local de estudo
O estudo será realizado no setor 05 e Jardim das Palmeiras em Ariquemes (Figura 1), que se localiza a 203 quilômetros da capital (Porto Velho), situado na porção centro-norte do estado de Rondônia – Brasil.