rl
PROBLEMADA MEDIDA EM
MECANICA QUÂNTICA:if,t
tX+B3,1ç^o
DAs PRovAs
DE INSoLUBTLTDADEHARVEY ROBERT BROWN
LJníversidsde Eslodual de Campinas
l.
Introduçãoll.
Dois problemas de meclida em mecânìca quânticalll.
Estadose
atribuições de valoreslY
.
Inlerações gerais de medidaY.
A
prova pelo evolução do eslsdoVl.
A
provø pela substituiçõo do estadoYll.
Conclusões1
TNTRODUçÃOTemos essencialmente dois objetivos no presente artigo. Primeiramente
procura-remos explicitar a natureza mesma do problema da medida em Mecânica Quân' tica não-relativista
e
suas conexões coma
questão da interpretação flsica doformalismo quântico. Dizer que sérias dificuldades aParecem quando se tenta descrever o processo de medida unicamente em termos da teoria quântica tornou-se, há mnito, lugar-comum para os que lhe estudam os fundamentos. Embora
mos
ali
suas posições dentro das várias interpretações da Mepânica Quântica(MO). Na seção
lll
são exploradas em maior detalhe certas questões deinter-*
pu.t. deste artigo está baseada e¡n ttabalho apresentado pelo autor para a obten@o do graudc PhD (londrès, 1978), cmbora tenha passado por substanciais modificações. A versÍio aqui
publicada
autor'devidos
a
extle-mamcnte
arttgoserá
publi
roof ofthe quantum measurement problcm".
r
Pa¡a bibliografias sclecionadas, ver Margenau 1963, Reece 1973, e as refsrências especializada-s cm Nilson 1976. Pa¡a uma resenha de muitos estudos na área, ver Jammcr 1974, capltulo II' Codernos de llistóriø e Fibsofia da Clência 9 (1986), Pp. 5-33.6
fIarueY Robert Browttpletação ligaclas ao Problema da Conrpleteza, particularme¡ìte a do sigrrificado físico clo opct'ador estatístico (otr de dcrrsidade). Por se [azer neccssária ao
sr¡bse-qüerrte dcse nvolvinre nto cle algulnentos nrais formais, unra cliscussãcl do princípio de evolução dac¡uelc opclador'
é
ainda enrpreenditla.Nosso segundo propósito é analisal a questão:
o
que se deve considerar comoscudo unla prova geral rla "ilrsolr,rbilidade" do Problenta da Conrplefeza?
Neces-sitarenros, para tanto, discutir previamente esta outra questão; Quais os tipos
de irltclação etltre
o
sistenra-objeto eo
instrunrento de ntedida que devern serticlas cotuo proccssos dc mcdida cle algurn atributo clo objeto?
O
restante dcrartigo (seções
IV
aVl)
é dedic¿rdo ao exame dessas qucstões controversas. Nossatese central é a de que há na litelatura clois tipos distilltos de provas de
"inso-lubilidade", que são de regra conlunclidos pclos conrentadores. Algumentalemos
tambénr qlte, eutbot'a quando cstlitarnente considcrado. o [cl'nìo "i¡rsolubilidacle" veicule, eln anrbos os casos, uma idéia excessivallrente fortc, uma daquelas provas
(a que denonriualeuros Prova pcla Evolução do Estado)
é
supcriorà
otrtra (aque denominarernos Prova pela Substituição tlo Estado),
A
printeirafoi
fonnu-lada originalmente por von Ncunrann,
e
posteliornrcnte generalizadapor
Fine, ao passo que a segunda é devida a Wigner, sendo depois generalizada por váriosautores. Uma série tle mal-entendidos atinentes ao primeilo tipo de prova são
exalninados. Aprescntanros destalte unra análisc cr'ítica
dc
nluitas plovas de "insolubilidade" cxistentes,e
dclas danros aindao
qLle csperanìos ser unìa classi l icaçãr-l razt.¡ável.2
DOIS PROBLEMAS DE MEDIDA EM MECÂNICA QU,{NTICAA. l'onte das dificuldades com
a
teoria formal da medida enrMQ é
aconjun-ção destas duas assunçoes:
(a):
Para quc unìa interaçãcl entre objeto c instrunlento conte como um pro-cesso dc rnedida deve haver corrclação eutleo
estaclo /ilrcrl (pós-interação) doinstrumento (ou
do
complexo objeto-instrunrento)e
o
estadoitticiul
(pré-inte-laçiro) do objeto; e
(b):
O opcratlor de evolução c¡tte descreve a itrteração, dc[inidr¡ sobre o espaçocie Hilbert relevante, ci urua tlanslorntaçã.l unifária.2
Consi<lerenlos agora unr esrlueurl de nreilicla eln MQ idcalizatlo, rnLrilo siruples,
(Cjencralizaremos depois pal'ír esquenr¡.¡s ¡nais realísticos.) l-irlritcrut¡-nos ao caso Êistit assunçin nenì senÌpre é aceita erÌì sr¡a plena generalidade. Ver, por exenrplo,
Belinfunte 1975, l9tì0; e Shelry e Sudarshan 1978. Niro acredilanros, lotlavia, que
sejaur convinr:entes os argrrrnentos contrários à evolr.rção uni(ária aplesentatlos nesses
trabalhos. Fazemos
notîr
que enr unl inleressante artigo publiciìdo recentemente(Kaschlrrhn l98l), postula-.re evolução não-unitária cotno unìa regra geral para siste-mas quânlicos ent interação, e examinam-se as conseqüências tlisto para várias
situa-çócs físicus. Porérn, não fica claro que tal postulado possa ser válido ent todos os casos tlaclrrell inlerlção,
-enl que todos os observáveis relevantes dos sistemas tratados têm espectros
pura-mente discretos,
e
sem clegenerescência. Sendoa
correlação mencionadaa
dotipo mais simples, este será um exemplo de esquema de medida freqüentemente usado nas discussões elementares do problema da medida. Seja então um
sistema-objeto
(/)
e umapare
medida(I/),
com espaços de Hilbertasiociados H¡ e
Htt,
stemalI
é apropriado para medir oobservável
Q
de/,n
ral
Q
=
tr
À, Pno(tt
=
1,2,., '),1<le medida corresponde à interação de
I
com /1 duranteo
intervalo de_ tempo 1,interação esta governada pelo hamiltoniano
H,
definido sobre H¡E
H¡r:H=HtØl+l@Hu*Htrr
onde H¡ e Hr¡ são os hamiltonianos livres dos si5temas
I
e
ll,
respectivamente,e
Htrr
é o
hamiltoniano de interação. (Denotamospor
I
os operadores deidentidacle em ambos
Hr e
Hr¡).
Durantea
interação, podemos considerar acontribuição dc H
txr
paraLI
muito maior que as dos outros dois termos. O operador de evolução sobre HrE
H¡
que descreve a interação é, então,(Ð
U:exp
O hoblema da Mqlida em Ifæânica
Quintica
j
-iH¡yr t
_
expñ
Em
f :
0, seja Éu e H¡ro
estado (puro) inicial do aparelho, correspondendoà posição "neutrã" ¡l, do ponteiro. Para todos os estados iniciais de
/
que sejamautoesiaclos (dr,
i : 1,2, ...),
postula-sca
seguinte interação, entreI =
0el=r:
u
l+,E
f"/
-
órEÉi
(1)Neste artigo denotaremos pelo mcsnro símbolo
o
observÁvel de um oistemae
seuläìi..pãïå?",. -ópäu¿o,. airtoadjunto sobre
o
espaço dc Hilbert que rcpr6enta o3
sistema.
8
Harvey Robert BrowtDevido
a
esta correlação simples entreQ
e
A,
etipressano
estado finaldr
E
fr
deI *
11, a mensuração deQ
sobre/
é, como às vezes se diz,subs-tituída nela de
A
sobre//,'r
EmI
:
r+,
os sistcmas/
e//
podem, enr princípio, ser "desembaraçaclos" (disenlangled), no sentido de queo
estadofinal é
fato-rizâvel.
Observe agol'a que se
o
estadoinicial
(/ :
0)
de
I é
C
:
I4¡+/,
comI
larl'
:
l,
então, pela lincaridade de U, temosUló@f"): IatfuØü
(2)Aqui o estado final de
I + Il
não é fatorizável, nem é, obviamente, umauto-estadodeleA.
ds
uçãoléo
fvel,acausalde
ile
oProces
e Evolução?-,
e
determini
de
medidq,qu
dinger dePeEstá claro que
o
problema fundamentalé
c<¡nciliara
EvoluçãoI
para asinterações cJe medida com a lei de evolução quântica padrão dos estados
(Evo-lução
2).
Este problema surge da importante assunção (quc será mantida em¡odo o artigo) de que a interação entre os sistemas
I
eII
é urna simples interaçãomecâ¡ica entre dois sistelnas quânticos, de modo que
I
evoluçãodo
sistemaconjunt<i
I + !l
duranteo
intervalor
de interação correspondaà
Evolugão 2,como é
o
caso nas Equações(l)
e (2).Antes de exalninar a questao da possibilidade de conciliação desses dois tiptts
de evoltrção, é natural que indagucmos plimeilaulcrìlc qu¿ulto à necessidade da
evolução
I
para o sistema-objeto. Há, em nossa opinião, duas justificativasprin-ci¡lais e benr distintas na literalttra, que,
a
seu tt¡rno, ciiìo origema
<loispro-blemas de nredi<Ja bem diferentes.
Cube-nos nota aqui que
a
interação dc nlerlida reprcsenlada porU
que obedece a Equação (l)
é sabidamente inrpossível, pclo mcnos nos casos tle sisteorirs de spin l/2.(Darenros mais tletalhcs na seçÁo lV')
von Neunrann 1955, p, 351.
O prublemado 'Yledidu em Mecâtticq
euôntica
gN
O problenn da reprodutibilidacleSuponha que, imetlialanrcnle após uma nledicla ter-se realizado no sistema
l,
uma segunda medida deO
se efetue no mesmo sistema (utilizando ou não omesmo
tipo de
instrumentoIl).
Sustenta-se freqüentemente queo
resultadodesta segunda medida obrigatoliamente coincidirá com
o
da primeira(pt)'
Emais: quc unra condição necessária para
tal
rcplotlutibilidade é queo
colapso,ou reclução, da função de onda expressa na Evolução
I
ocorra como resultadoda primeira mensuração.8
perturba suficientemente
o
seu estado ao ponto de obstara
reprodutibilidade. Sendo assinr, esquemasde
medida que assumem rcprodutibliidade nãocons-tituem scnâo uma pequcna subclasse da classe dos esquenras de medida
aceitá-veis.r' Ocasionalmente, porém, têm aparecido dúvidas quanto
à
necessidade dopostulado dc redução de von Neumann para a reprodutibilidade mesmo no caso
da leferida subclasse.
Oliginalmente, von Neumann defendeu seu poslulado baseando-se em uma
análisc das correlações experimentalmente verificadas entre resultados de certas
medidas não-simultâneas sobre o par elétron-fóton (quando separados) no
expe-rimento de Compton-Simon.ro Tais correlações podem ser, no caso, mostradas
equivalentes à exigência de reprodutibilidade, (Estas correlações são, na verdade,
um caso especial daquelas que mais tarde viriam a ser conhecidas como corre-laçõcs de Einstein-Podolsky-Rosen.) Mais recentemente, van Fraassen 11 levantou objcções ao argumento de von Neumann, fazendo notar que as referidas corre-lações são deriváveis da MQ padrão, independentemente do postulado de
redu-ção, Apcsar disso,
o
ar'gumcnto de von Neumann estabelece, em nossa opinião,qus sc
for
atribuído um estado puro ao sistema-objeto imediatamente após aprimcira rnedida (i.e., um estado final conjunto "desembaraçado", enr violação
à
Equação (2)),
então, ao menos em alguns casos, aquele estado terá de sero estaclo dado pelo postulado de redução. Nossa interpretação de von Neumann reprcsenta, porém, um argumento mais fraco do que aquela que van Fraasscn atiibui a ele, e não explica como, antes de mais nada, o sistcma-objeto "adquire" um estado puro, Seja como
for,
voltando ao argumento de van Fraassen, nãoVer, por exemp.lo, von Neumann 1955, p. 335; Dirac
pp. 123 e seguinles; Bohm c Bub 1966.
Isto será discutido mais dctalhadanrente na scção IV.
von Neumann 1955, pp. 212-222. van Fraassen 197ó. I t! l0 il 195E,
p,
16; Kcmblc 1917,10
Harvey Robert Brownfica
intciranrente claroq.e a
maneira .pela quaf as correraçoes relevantes sãoobtidas sem auxílio do postulado de redição ért¿
liur.ìr-uã,irucao
de violarcr
cálculo de pr.obabilidades.
.
Enl sulna, a queslão da necessidade do postulado cle von Neumanrì nocasc) de.medídas reprodutíveis não é inteiramente trivial, Como esianros no presente aItigo nrais intercssati<¡s. no segundo problema de nredida (ver abaixoj,
.leixn-remos o tratarnento detalhado desta ques
urna característica deste problema que
É que, se a reprodutibilidade não pirde
utilização tão-somente da evolução un
com uma dificuldade lornrul presente e da MQ. Neste sentido é que dizemos
"invariante cont a interpretação".
B)
O problema da conrpletezaPoder-se-á dizer que um sistema quântico típico possui
propriedades intrín_
secas, objetivas (mesrno que cresconhècidas),
r.j"
quätto.
á-.itu¿oem que se encontre e o contexto experinrental?
A
resposta ävidentemente Jependeda'inter-pretação da
MQ
que se adote.retação " realisla
",
ou
"objeliva',, hás observáveis de unr sistenla quântico
os inslanles e ern tod<¡s os eitaclos.t2 ente ao progratna de Variáveis Ocultas
ição Completa de Valores.
s quais não darernos aqui
A
seu respeito menciona_de Kochen e Specker rð e
sentes contra teorias realistas locais.rT
se haver p<ldido aincJa enccrrtr.ar unr
ente a referida tcse com os fenômenos
como
no
caso dos experimenlos clast2 t3 lt 15 Iil t7
i¡;f':"tJ':ìïi'":.liin-,¿"tu"î"î,,î,?ì,,iì,î'Tirfli",
un¡a rreresa basranre crara rresseU,a
excerente resenha ao prog*n-'u'ä"r-vl¡i""r, ocurtasenconrra_se cnr tserinfante Gleason 1957.
Kr.¡chen e Specker l9ó7.
tscll 1966.
,Y.::;#'u".i;ä1,.;r,L,ï*r.c.
shimony te78; Brownle8l,
te83. u,,,a exccte,ìreY
O Ptoblema da Medida em Mecânica Quânticø I I
duas fendas e do interferômetro,) 18 Podemos creditar a Fine,te por exemplo, o
mérito de ter mostrado, em um esforço de vários anos com vistas
à
superaçãodaquelas dificuldades com
a
interpretação realista, precisamente quão tortuosoé .tal empleendimento.
Na posição oposta com relação à questão acima, sustenta-se que em geral um
observável de um sistema quântico não possui um valor bem definido, exceto
talvez nos casos em que o estado do sistema é um autoestado do Operador
asso-ciado àquele observável (ou, mais geralmente, quando o ensemble de tais
siste-mus
"oriesponde a uma m¡stura de autoestados daquele operador). Discutiremos
esta posiçãô em mais cletalhe na seção
lll;
por ora basta dizerque levaria seuspropõnentes
na
direçãoda
interpretação mais ortodoxade
Copenhague, ou,pelo menos, de certas variantes dela'
Nesta últinla visão das çoisas, não se pode, pois, asscverar em definitivO quc
o
observávelf
I
,4
(e portantoo
próprioA)
Possui, erìl/
=,r
e
dentto doesquema simples de medída acinra considerado, um valol' benr definido quando
oéstado¿ei
+ lI
ê\atþt8.
Ér. Mas a ser assim, como é então que, quandoolhamos para
o
instrumento no final do processO de medida, vemoso
ponteironumu poiição bem definida, enrbora em geral não prevista com antecedência? Freund'lich- expressou com acerlo este ponto quando, relativamenle às
observa-ções do ponteiro do instrumento, disse: " . .
.
hâ ocasiões em que nada existena Mecânica Quântica Para
o
que Possamos apontare
dizer: isto correspondeàs nossas sensações".2o
Seguindo Fine,2r denominaremos Problemas de Contplelez,a ao problema de
mediãa que vimos de expor. Frisamos que, diferentemente do que ocorre. com
o problema da ReprodutiËilidade, o de Completeza nÃo é invariante com a
inter-pretação, só surgindo quando se adota a Tese da Atribuição lncompleta
de-Valo-i.r.
Ér
ambos, porém, a EvoluçãoI
representa o elemento ad hoc q:te, dentroda teoria simplei de medida, é necessário ao solucionamento do problema. Na
interpretação
ìm
discussão, a diferença importante (dentro .do esquema simplescle medidá) entre os estados finais
r
at fuØ
€r e þ¡E
É* é que no prime¡ro oobservável "de leitura" do instrumento,
f
E
A , pode não possuir um Valor ¡eal, enquanto que no segundo possui. (lsto ficará claro na seçãolll.)
Para concluir, 'fazemos ainda a seguinte observação. Do que
foi
visto acima depreende-se que na análise das supostas provas de insolubilidade e das supostassoluções (temos ambas) do "problema de medids" que constam na literatura,
é de-consiclerável importância ficar claro qual dos dois problemas acima está em
{iscussão. Algo que conte como uma solução para
o
Problema daReproduti-tàt
lil
20
Ver Belinfante 1978; Brown l9El. Fine 1971, 1974.
Freundlich 1972. O Problema da Complctcza é csscncialmente uma versão do
"para-doxo do gato", dc Schrädin3er (com o instrumento
ll
no lugar do gato).Finc 1973a. 2l
12
llarvey Robert Brownbilidade, pcr exemplo, poderá ser irrelevante, ou ao menos de aplicação duvidosa,
ao Problema da Completeza. Voltaremos
a
isto mais tarde (seçãoVll),
3
ESTADOS E ATRIBL]IçÕES Or VAIORESNa
presente seção desejamos explicar mais claramentea
Teseda
Atlibuição lncompleta de valores, com relaçãoao
Problemada
completeza, clelineado acima.Não constitui tarefa fácil especificar consistentemente condições razoáveis para
a atribuição de valores reais e bem definidos
a
um subconjunto nãotrivial
deobserváveis de um sistema em MQ, e ainda mais quando operadores estatísticos
não idempotentes (representando estados mistos) são utilizados na representação
dos estados do sistema, ou melhor, de ettsembles deles,z2 Mais adiante, porém,
estaremos interessados em determinar sob que condições (se em alguma) é-nos
lícito
representaro
ensemblefinal
tle
sistemasI + II,
dentro de esquemasgerais de medida, por um operador estatístico do
tipo
W:
ì
.',^ PÍpql,
ondeì
,,
-
l;
\p,ù
é o projetor sobre o subespaço gerado por p,, com pn,HtØHulr¡,
e onde Hutrléo
auto-subespaço deHl
gue corresponde ao autovalor p(n) deA.
Tem-se freqüentemente corno certo quetal
operador estatístico,ou
algomuito parecido que represente o estado final do ensemble é condição necessária
e suficiente para que
o
observávellqA
de
/ * /l
possua um valor bemdefi-nido
pala cada elementodo
ensemble. Esta assunção requer,ao
nosso ver,alguma discussão.
Para
um
sistema quântico arbitrário preparado num autoestadode
algum observável,o
critério de Einstein paraa
existência deum
"elemento derea-lidade" 2u (que se baseia na possibilidade de predição
do
valor de umobser-vável com probabilidade 1), atribui um elemento de realidade àquele observável.
Pode dizer-se que
o
observável "possui" entãoo
(auto)valor correspondente aoautoestado em questão. Poucos questionariam esta assertiva, pelo menos quando
a
atribtrição de realidadea
algumas plopriedades de sistemas quânticos indi-viduaisfor
tida como legftima.2{ Dentroda
visãoda
Atribuição lncompletade Valores, pareceria natural estender este princípio
do
seguinte modo: um22
Para uma discussão reccnlc tlo formalismo deoperadores eslatísticos, vcr Belinfante 1980.
O Ptoislemø da A[edirla em Mecânica Quântica l3
observável
A
possui um valor real, bem definido, ûr s€, e somente se,o
estadodo
sistemaé
o
autoestado deA
que corresponde ao autovalor ar. Hooker 2õdenomina esla regra de Teoria Padrão de Estados, e Fine 26 de Vínculo
Auto-vctor-Autovalor; (adotaremos esta última forma, abreviando-a por VAA).27
Einstein considerava seu critério para a existência de um elemento de
reali-dadc uma condição meramente suficiente, mas não necessária (afinaU Einstein inclinava-se para a Tese da Atribuiçao Completa de Valores);
tal
critério riãoestá necessariamente vinculado ao estado do sistema. De fato,
é
precisanrentelro tipo dc
sistenlas correl¿rcionados que Einstein analisou que aparece umadificuldade para
o
VAA.
Para nos servir de um exemplojá
tornado padrão,u¡ua molécula diatômica desintegra-se, emitindo dois sistemas dc
spin
ll2
demodo quc
o
momento angular total inicial (zero) seja conservado.A
probabi-lidade de
o
resultado da medida deo,
=
1 em um os subsistemas serI
(ondeo", é o operador de Pauli definido para a componente
x
do
spin) dependerá de ter sido ou não realizada uma medida similar como
outro elemento do par.À
falta desta última, aquela probabilidade serâlf2;
caso contrário, seráI
ou 0(dependendo do resultado da medida distante). De acordo com Gardner,2s por
exemplo, a aplicação do
VAA
neste caso leva a um absurdo.Não é. difícil ver aqui que a consistência do
VAA
só pode ser salvaguardadapela pressuposição de que a função de onda do sistema conjunto colapsa instan-tantaneamente por efeito da primeira medida, realizada no subsistema distante, e
de
que há, obviarnente, comportamento não-localpor
partedo
sistema nãosubmetido a medida. (Ele possuirá um valor real, bem definido, para ú! somente
após ter-se realizado a medida no sistema distante.) Este é um preço muito alto
a ser pago. Quanto à não localidade, talvez possa ser considerada uma
caracte-rística deplorável, porém não pode rnais ser tida como absurda. Nãolocalidade
em MQ (ao menos nas interpretações "realistas") tem-se tornado crescentemente
plausível nos últimos anos." Para nossos atuais propósitos, porém, muito mais
danoso é o fato de a consistência do
VAA
depender da validade do postuladode redução de von Neumann para medidas. Pois
tal
fato implica queo
VAA nàcr pode ser invocado na discussão do significado do estado final deI i
II
no esquema de medida simples, conlo era nossa intenção original. lsto porque talestado é cxatanlente o estado não-reduzído, na teoria da medida; ou seja, para
que ele represente o estado final de
I
+ II
é necessário pressupor que nenhunrcolapso ou redução se realiza durante
o
processo de medida. Por conseguinte,a
própria consistência doVAA
fica ameaçada.2tt
Hooker 1972.26
-t-ine 1973b,27 Ver também
o
Axioma XIX' de Krips:It
Gardner 1971.:¿lr Ver as referências da Nota 17.
--l
14
HweY Robert Brcwttuição incompleta tle valores seja con' ndente do postulado de redução' então
que, em geral, fatores independentes
(ví2. medidas em sistemas que no pas-bém determinal' se
um
observável do,
åîîl
oå,0ï,
ffi
' "':
i":ä
li,
ij:"å'fi
:
teremos';;;î;-rã"
de
enlraquecero
vAA
parao
stalusde
uma condiç-ao suliciente,^il"itiâr¡o,
p^."
qu" um'observável dosistema possua um valor bem
definido.
Antes de discutirmos as implicações desta alteração vis-à-vis
o
Problema daCor4ptlt"ru, devemos estendei
a
discussão ao caso de misturas'***
Os operadores estatfsticos foram int
mitir
a introdução de indeterminaçõesmuito diferentes das indeterminações
estaclos puros quânticos por via da regra estati
.áiu"i"rirti.us
iormais dàs operadoreJ estatísticos que levaram algunscomenta-il;; ;
duvidar da propriedide dessa distinção.O
problemaé
o
seguinte: sesabenros que, num ensämble
E
de
sistemal idênticosS,
cadaqual
está emut"-¿*-.ti"ãå,
puro, quânticos þ,,þa,"',þn
com probabilidades Pt' Pt'"'P"'
respectivamente
(Ipr:
l),
entâo as predições estatísticas sobreE
podem-seobter
,pelo
pro"!ãì*.nto
padtão atravésdo
operador estatístico(mistura)
* :,\l'Plorl.
Quando' porém' está-se de posse somente do operador formalW,
para E,è
'
mente a resPeito de- qual"onjunto
át
lsto Porque 1
li:t:-çi:'
ou
expansão,
de estados puros pondc'rados geralm
Este resultaclo tem ocasionalmente sido interpretado como
a
proscreYer aintrrpi.tuçao
clássica(ou de
ignorância) das probabilidades associadas aossu
von Neumann 1955.8l
Essa não-unicidade, reconhecida por von Ncumann' Eurgc dos seguintcs nrodos' Sc* =
1.,
,rfr,
é a resolução espcctral de W, e se algum dos o, é degenerado,então o conjunto ortonormal compteto'l *,
I
("
portanto o cðnjuntol\*,1 [)
clara-mente não é único. Além disso, Schrödinger mostrou (Schrödinger 1936) iuc W pode em geral ser cxpresso na forma
* =lplPÍ.gì,
onde osl¡
não formam um conjunt'oO h'oblema da l,[edida em Mecâtüca
i)uântica
l5,,pesos" pi,32 Para os que adotanl tal posição, a distinção eutre estados puros e mìsturas é vista co¡no tão-somente matemática (o operador estatístico represen-tan<Jo E é simplesmente idempotente ou não, respectiva¡nente), sendo portanto
inrprópriO O telnto "mistura". NO entantO, COmO VAtl FraaSSen notou,írs
a
inCa-pnðido,Je de, com base unicanrcnte no operador
W
ma,nei¡a pelaqual E se conrpoe tlc cstados puros não obsta a
qu
o
de S enl Eesteja, na realidacle, er.n algum estado puro
definido.
rra t'esolução<Je
W
representa lleralletrte mais um elementode
natureza realda mistura enr E.
É, de perguntar-se por que este assunto
é
relevante para nossos propósitos'O
ponto é[ur
rc o
Vnn
é adotado, ainda que na forma enfraquecidaa
queacima nos rèferinlos, e¡tão as diferentes misturas correspondendo
a
diferentesresoluções de
lV
correspondem, na realidade,
a ens.embles lísicanrenle dislinlos,-.rtno
que sejam indistiìrguíveis através de medidas.${ Um observável que PÚssu.aum valoi beni definido pãru cada elemento do ensenrble misto que corresponde
a uma dada resoluçao de W não terá geralmente valor bem definido na mistura correspondendo
a
outra resoluçao.f
claro que neste caso a- mistura "real" corresþonde a uma,e
a somente uma, resolução possfvel de W'Cabe-nos ainda fazer menção
a
outro aspecto imprortante do significado doformalismo do operador estatístico relativamente ao
VAA
enfraquecidor f'e!erg' se à evolução däs nlisturas. Suponha que temos novamellte um ensentble E desistemas
S
representadopor
W=ìp40ì (\p=
l,Wt
+
lV'
e os Ór não são necessariamente ortogonais doisa
dois). Assumimos que esta resolução delV
correspondeà
misturá"teal"
de estados Puros_em E..Pa.rece agoraabsolu-tamente natural assumir que se cada elemento em E evolui livremente, durante
um intervalo de tempo especificado, de acordo coJn uql operador unitário U
(definido para aquelé inteivalo), então
a
mistu¡a"real" final
emE é a
que,orr"rpond. à resóluçao
W'
-
|JWU-,
:,t
pt P¡uçr¡Referir-nos-emosdoravan-te a este princípio como
o
da Evolução Unitária Real para misturas.Relaxar tat prinCíBio significaria dizer que enquanto
o
estadofinal
de
Et
ntado Pelo s outros que oPernãoJ
comPletamentep
defendida acimt2
Vcr,por
980. Em particular, éadmiùvcl
sua admissño dc queunrR
"des
esi'i,
lde informaçãoincomplet
íveis, qu-ântica¡] ¡cráaltaméntc
Furry, ob, cit.).iJlJ van Fraasscn 1972.
T
16
Hrrvey Robert Browncom a evolução padrão de Schrödinger para estados puros. No entanto,
confor-me será visto nas seções
IV
evl,
semelhante possibilidade é por vezes aceitana Iiteratura sobre
o
problema da medida.*ìÈ*
Retornemos agora ao nosso esquema simples de medida (seção
Il),
e consi-cleremos de novoo
estadorøif'r8Ér
de/ * II
emt =
t.
De acordo com aversão original (forte) do
vAA,
tal
estadoé
estritamente incompatível com a existência de um valor.bem definido parao
observável "posição do ponteiro",1ØA. Esta então constituiu a formurårão mais forte do Þroblema dá
compte-leza no presente caso. Argumentamos anteriormente, todavia, que a versão fõrte
do
vAA
não é completamente adequada paraa
aplicaçãoà
iituaçao em foco.o
quadro se altera, embora talvez não drãsticanlente, óom a adoçáo da versãofraca
do vAA;
com ela não será mais verdade queI
atþrØÊr eliminaestri-tamente
o
aparecimento de uma posição definidado
ponteiro enr/
: ,.
É,,porém, um axionra da presente interpretação, de atribuição incompleta dc valo-rcs, que nent lodos os observáveis de
I f
//
podem possuir valores tem definidosem toclos os instantes. Desde que a condiçãó sulicienle para a existência de uma
posição bem definida
do
ponteiro emf
=
r
nãoé
sátisfeita, ainda aqtri nãopoderemos asseverar em clelinitivo que o
_ponteiro está parado em alguma
po-sição. De novo ficamos com
a
ausência dè uma explicação inreiramùte saiis.falória de como são possíveis nedidas deste tipo simples enl Me.
V9j?-T9r,-
por
fim, a
questão levantadano
início desta seção, referente à possibilidade de se representar o estado final do ensemble des-istemas
I +
II,
em esquemas mais geraisde
medida, atravésdo
operador W:
t
,oplpll
,A
enfraquecido, não poderemosque resultados
de
medida noostas provas de impossibilidade
ão podem, estritanrente falando,
Problema de Completeza,
colì-forme normalmente se pensa, Não obstante,
a
questão de ser ou ìrão possívelaquela representação continua senclo interessantè. Pois se pudéssemos mostrar
que ela é possível, e que
a
mistura específica sobre os estådos p,,,e
nãouma
outra rìristura consistente com
o
operadorw,
representaa
distribuição,,real', de estados puros no ensemblefinãl
de sistemas-l
+ lt,
então seria razoávelsuPor que bases de considerável solidez se houvessem encontrado para
a
tenta-liva
de solucionamentodo
Problema de Completeza,Nas seções
v
evl
analisaremos,à luz
destas conclusões, as várias',provas de insolubilidade" existentes. Anles disso, porém, convém que revejamosbrevc-lnente, na próxima seção,
o
problema da formulação de esquemas nrais ger.aisO Prcblema dø Medida ent Mecâníca Quôntica 17
4
INTERAçÕES Cnn¡rS DE MEDIDANa teoria simples de medida formulada na seção
II,
há várias restrições sobreU,
o
operador de evoluçãoem HrEHr/
que rePresentaa
interação, restrições estas que não necessariamente devem ser partilhadas por qualquer esquema demedida. Especificamente, assumiu-se lá que
IU,
OAf
]
=
0 (conservação de Q),que é uma condição necessária para a reprodutibilidade. No entanto, pode
acon-tecer, como sugeriu Landau,rró que para outras medidas os estados
de
I
nomembro direito da Eq. (2) sejam elementos de Hr não-autoestados de Q, talvez
nem mesmo ortogonais dois a dois.
De fato, Wigners'¡ demonstrou em 1952 que a teoria simples de medida não
pode funcionar para medidas de spin em sistemas de spin 1/2. Outros autores
generalizaram depois o resultado de Wigner para classes mais amplas de medidas Q-conservantes.å? Não examinaremos estes resultados aqui, pois estamos agorâ
interessados em esquemas gerais de medida que não necessariamente assumam
conservação de Q.
Além dos que relaxam
a
exigência de conservação deQ,
há outros meiosdiretos de generalizar
o
esquema simples de medida. Neste último (ver seçãoll),
acorrelação entre oestado inicialde/
eo
estado final deI + II
exPres-sg.-se em que autocstados distintos deQ
dão origema
autoestados distintos de/82{.
Empregando agorao
formalismo de operadores estatísticos para estadosde ensembles, representemos
o
estado inicial (final) do ensemble de sistemaI
por
Wl(t),
etc, Podemos então considerar situações em queautoestados.dis-tintos de
Q
dão origema
estados distintos deI * ll
W¡+ ty',i.e.,
estadosU(WiØW,/)U-1,
que sejam distinguíveis por meio de medidas del@4.
Pri-meiramente, autoestados distintos
de
Q
(Wl
:
PnQ,n
=
1,2,3,
.../
podemdar origem (para um estado
Wt/
fixo,
W,t':
PÍ¡,1,lcH¡t)
a estadosconjun-tos finais puros que não sejam autoestados
de
tØÀ,
Ou então, permitindo-seincerteza quanto
ao
estadoinicial
do
aparelho, podemos colocar W ttt=
ìrnPlr,,l
de modoqueWt¡,/
seja uma mistura de estados purosde
HrEH'
e que autoestados distintos de Q dêem misturas deste tipo dístintas.O
que não podernos ter é um estado inicial puro Wr.çtrt-
P"aØPb¡
dando uma misturanão
trivial
((Wt+t/)'#
Wt+,/), já
quea
interação de medida representadapor U leva estados puros a estados puros.
Consideremos rapidanrente
o
caso deum lVr'
puro (idempotente) com umWtl
nao-idempotente. O operadorWt+¡/
claramente será não-idempotenre; masqual a natureza da mistura no ensemble
final
de sistemasI +
II? A
resposta3r
Landau c Pcierls 1931. Excmplos de medidas quc não são Q-conrervantes for¡m dadosem Bel[ c Nauenber¡ 19óó; Belinfantc 1973; o Emch 1922.
sll
wigner 1952.¡17 Araki c Yanase l9ól; Stcín c Shimony l97l; Wigncr c Yanasc
F
l8
llaryett Robert Browtdependerá de adoiarmos ou não
o
Princípio de Evolução Unitária Real (seçãoIII).
Temos W,tt=
lrnP[r,,],
e
suponhamos que esta resoluçãocorrespon-da à mistura "reü|" de estados fn no zns€nthle inicial de sistemas
IL
De acordocom aquele Prinçípio, então, a mistura
"real"
no ensentblefinal
I * II
devecorresponder à resolução
ì
,""Plu(o6r,,)l
(assutnindo Wtt=
P¡6y
6 c Hr), os@x como acima, Vale mencionar que esta assunção era completamente natural
para von Neumann, que
a
cxpressou assim: " . ..
o
carâter de mistura de//
partilhou-se, no transcurso da interação, comI ¡
I¡".taConstitui fato curioso, e sobre o qual teremos ntais a dizer, adiante, que este
raciocínio é por vezes rejeitado, ou ao menos ignorado, em discussões do
pro-blema
da
medida. Shimony,sspor
exemplo, investigoua
seguinte medida U:para um dado Wttt, U é, tal que para
Wtt:P^Q,U(WiØWtl)U-'
podeexpres-sar-se na forma X roPtþrJ, onde
B,.HrONo,
e
os No são os autoespaços de¡
Hr¡ col4 respeito a,Á, tais llu€ rrr¡
(n*m)1(
1. Assim, se o estado inicial docrbjeto é um autoestado de
Q
com autovalor Àr, entãoo
estado conjunto finalé
uma mistura de autoestados purosde
1ØA, de modo queo
autoèstadocor-respondendo
ao
valorp^
de
A
receba enofme peso estatístico. Destarfe, aposição
final
do ponteiro estará altamente correlacionada como
valor inicial de Q.slrimony co_ntinua, fornecend<.¡ unra complicada prova do fato de que hâ w
i
correspondendo
a
superposições de tais estadosó,
tais
que U(WlØW,,,)U--, não se pode expressar em termos das misturas "biasetl" desejadas, No entanto, aparerltenìente decide ignorar o ponto de que, assumindo o Princípio da EvoluçãoUnitár'ia Real, uln
U
com aquclas caraclerísticas existirá para sonren(eum
talW,'
:
P,,Q, e que a referida demonstração da impossibilidade deU
requertão-somente se considere
Wl:
Pte (i*m).
Para ver isso, suponha-se [/t
l,.aØWt/)U
-t
:nt,,,n
P[p,,] como,(n*nt)
{1
1, Êlnt¿io devcrlrostcl
que os u,,, dsrivamde
Wtl
i.e., obrigatoriamenteWt,t:
-l ,u/'[r,,]
,
para algum y, ,lHtr,e I)(6^Øy,)
:
pu e Hf ó9 N,.Mas corsidc'e-se agora
W,':
lr¡e(ilm).
Por hipótese,IJ(pfØWt/)U
t
:
1,,.i Pftl,I,
onde u,',111 (n*i),
þu'.Hr8Nu.
lsto no entanto é impossível, já qrree),t:
u),t'(l,Vrr'sendo a fonte da mistura em ambos os casos), e nãopode-rnos
ler
o¡,(( I
paranlj, nl
m,
ondem* i
e)n,,,
:
l.
tl
;J8
xg
von Neumann 1955, p.438. Ver scção V, partc ii.c, abaixo. Shimony I974.
O Problema da Medida em Mecânica
enîntica
l9
***
Retorne¡nos ao assunto central. Provavelmsnte
a
definição mais sal.isfatóriade mcdida consisLenle com todas essas consi<Jerações
é a
þropostapor
Fine,{onum. el,egan{e e importantc artigo publicado em l969. Adoìarémos amplamerite tal definição no restante do artigo.
l)enominaremos uma interação represerrtada pelo operador unitário
u
sobreH/EH/r
uma
medida-¡(Q,-A,W;,,;
ss,
e
somentesê,
toda
vez quew tt e w
/'
forem Q-distinguíveis, então Ll(w ttØwtl)(J-r
e u(w /'Ø1ry,,r¡g-r-saá/@,4-distinguíveis. (Por dois operadores estatísticos
w
e
w'sendo
c-distinguûveis, onde
c
:
ì
cu Pnc é autoadjunto no espaço de Hilbert relevante, queremosdizer que Tr(WP,()
*
Tr(W'pn')
para algum n.) Claramenle, IJ depende nãosomente de Q e de
A,
mas também do,stado inicial Wrl.Note que se
K
é
um fator
realk
multiplicado pela identidade.l
em Hr, então qualqueru
unitário, para
qualquerwt¡t,
é
trivialmenteuma
me-dida-<K,
A, wttt>,
já
que nenhum parwtt,w/'é
K-distingulvel,lsto
difi-cilmente constitui uma falha na definição de Fine,{t porqueo
"observável" Kpossui, em todos os instantes e estados, o valor k, conseqüentemente, não
espe-ramos nenhuma restrição sobre
u
para que este seja qualificado como uma medida-<K,
A,wtl),
poisa
medidaé trivial.
Men-cionamos este pontopor-que figura na análise de shimony da prova de insolubilidade do prôblema da
Completeza que discutiremos mais adiante.
Num artigo recente sobre medida quântica, Spohn.2 generalizou
a
discussãopara o caso contínuo (o tratanrento de Fine pressupõe espectros puramente
dis-cretos para
Q
eA),
e aind¿ permite a existência de correlações iniciais entreI
e
II.
uma crítica breve da análise de spohn pode ajudara
ressaltar algunsdos méritos do trabalho de Fine.
Spohn especifica da seguinte forma
o
conjunto dos estados conjuntos iniciaispermitidos:
mt
=
I
Wr ¡.trt : TrfWt¡rrt
(IØp"^)l
= I
Ionde Pnl é
o
projetor sobre H rr cuja irnagenr éo
autoespaço que correspondeà posição inicial "neutra" do ponteiro, r¡o. Se o autovalor ¡ro é degenerado, então claramente nu podeú conter estados não-fatorizáveis. Além disso, Spohn impõe
{rt
Finc 1969.rr
Fine (ob. cit.) não discutc medidac-<K, A,Wrl>,20
Ilarvey Robøt Brcwnuma restrição sobre
U
ao requerer que o conjunto dos estados conjuntos finaisobedece a
trY
=
Q¡n¡(J-tc, l
Wt+,,:
TrfWtan
(IØp"^))
-
O
f.Isto significa qu9, em toda interação de medida,
rI
deve obrigatoriamente serarrancado do estado neutro to, De modo específico, eliminamlse, destarte, os
experimentos de resultado negativo, de Renninger,{3 que são espécies válidas
de medida, mas não exclufdas por Fine.
Uma transformação unitária
U
sobreHrEHrr
é uma medids-<Q,A,mr2
despohn se
wr¡ttt
e mrE wr¡ttl
cmt (mt êfti¡
aorfio definidos acima), e se paratodos os
Wtt-tt'e
Wt¡ttt'pertencentesa
ffir
gue são Pefa)Ef-indistingufveis,então
uwt¡ttt
u-'
euwtt¡rilJ-¡
são 1ØP^ø)-indistinguíveis, onde ps epr
sãoas medidas espectrais associadas a
Q
eA,
respectivamente.A
dificuldade com essa definiçãoé
que, ao contráriodo
que ocorre coma
medida-<Q,A,Wtl)
de
Fine, não exclui interações (parae
*kl)
tais corno a- m-edida patológica quesó dá um
único resultado,ou
seja, onde oresultado
fica
sempre restritoa
uma única posição do ponteiro em//,
inde-pendentemente do estado inicial tl¡r¡.Para encerrarmos esta segão,
é
necessário ainda reyer alguns resultados doestudo clássico de Fine{{ sobre a medida.
Uma medida-1Q,
A,Wn
>
correspondeà
interação sugeridapor
Landau(ver acima) se, para um dado É" (autoestado inicial de
A),
levaa
autoestadosdisti¡rtos de Q@,4 em autoestados distintos
de
lØA,
de modo que U(óEÉ,/ eU(+'Øt)
são IEÁ-distinguíveis se, e somente se,{
e{'
são Q-distingufveis. Uma tal medida-êQ, A,
pl_ilJ7
existe para qualquerÉo se
e
eA
têm o mesmosistema de multiplicidades. As medidas simples da seção
ll
constituem obvia-mente uma subclasse das medidas de Landau; obtemos medidas e-conservantespara esta transformaçâo U se
[U,
Oe IJ
=
0. De novo, se Qe,4
têm o mesn]osistenra
de
multiplicidades, então existem Éue
u
tais queu
é
umamedi-da-
(Q,
A,PL\,J>
"sin'tples".s
APROVAPELAEVOLUçÃODO ESTATIOEstaremos empenhados n
lidade"
do
Problema dadireta do esquema simples
fituídos
por
misturas; osi1
Renninger 1960; Kcmblc 1917,pp.330,33t.O-Ptoblema da trtedida ern l[ecâtdca Quôntica 27
degenerados, mas continuarão possuindo espectros puramente discretos;
e
Userá uma medida- <Q,
A,Wtl.7
no sentido usado acima.i)
Seguindo nossa discussão no final da seçãolll,
estaremos interessados na segui ntePergunta
P:
SeU
é uma medida-<Q,A,Wttt>
definida nointervalo
[0,'],
levaria ela o estadoW,¡tt'no
estado espec.íficoU(WiØW,,')U-'
=
ìrn
Plp,l,para totlo
Wl
(onde É,,eH¡EH¡,(,,) e
H¡.(,)
é
o
auto-subespaço deHr
quecorresponde ao autovalor þ(n) de A)?
A
resposta ê não,e quem primeiro mostrou isto foi Fine.{r A ele, aliás, deve-se,em llossa opinião, atribuir o mérito de ter dado ao problema formal da medida
o
tratamento mais satisfatório de que se tem notícia. Transcreveremos a seguira prova de Fine, que por ser um tanto compacta,
foi
por nós completada emalguns pontos. Antes, porém, faremos
a
seguinte observação.Os estados puros Bu não precisam ser fatorizáveis.
De
fato, seo
espectrode,4
emHr¡ é
degenerado, poderia existir entre1
e
lI
em/
: r
o
tipo
decorrelação fraca presente nos estados iniciais conjuntos de mt de Spohn (ver seção
IV).
No entanto, uma medida de/EA
dará com certezao
valor p(n)(para o estado Éu), o que é suficiente, pelo critério do VAA enfraquecido, para
que
/EA
possuao
valor bem definido þ(n).A
referida prova, porém, operamesmo que os Éu sejam fatorizáveis,
de
modo que,em
princípio,o
VAA enfraquecido possa ser aplicado tanto aA
quantoa
IØA.
Para provat'
a
resposta negativaà
perguntaP,
basta mostrar quehá
pelo menos um Wrr tal que a hipóteseHz"U(WIØWt,')U-t
=
Ì,,,
P[Þ,,1, para umdado W,t' ", nâo possa ser verdadeira.
Assurnamos que autovetores
{¡
eór
deO
Ø,,þr
rHt)
possuam autovaloresdislitttos, de nrodo que
P¡r,;
"
PÍe;1 sejam Q-distinguíveis. Suponha agoraWtl
= 7p,Ph,,l,
onde p"2
O,2,rPo= l,
e
yu.Htt.
Este operadot represen-tar.¿ia
¡ristula
"feal"
dos
estadosdc
II
atrtcsda
interaçâo. Seja aindal/l-P[6,1, i-
1,2.
WlØWtl
é
"realmente" uma misturadc
estados purosfi8y,
(i
=
1,2)Ir:
1,2,3,.../.
Cada componcnte desta ntis(uraé
lcvado porU
num estadopulo
çrnII,ú4H,¡.
Assuminloso
Princípioda
Evolução Unitária Real paranristulas (seçoes
ll
c lV).
Assim, sefor
verdadeiraa
HipóteseH
para aqueles Wti eWtl,,:ntão
c¡ caráter cle mistura emIJ(WttØW,,')[J-'
surgede
Wtl
=
L
a
22
Harvey Robert lJrowttì
P,'P[",,],
ou
melhol, de WrrG Wtt'
:
,) lr,
P6ì
EP[",,J.
Podemos dcstarte esc,.'everiJ(W,'ØWt,')u-'
=
Uç
p,Ptr,l
8pt":,1 )
[J-.'r-
ä
oup¡p,n), onde13¡,
=
U(þtØy,) ,HtØH¡,1¡n1(t)
para
j :
1,2;
ou seja, þt, ê um autoestado dc/@A
com autovalor p|(n).Suponha agora V/r'
:
Plø1,
onde{ :
cttótI
dzþ¿,"om
,l,l
orlt: I
eu,
*
o(i
:
1,2/. Desejamos saber sob que condições U(WrtØW,,,)IJ-, satisfazH.
como
acima, ternosque se
H
for
verdadeira para este estado, entãoU(WlØW,")U-'
:
tJ(2p*P[.ç)
SP[r,] )IJ-t
-
7,
p,p1u"l,
ondeþ,
:
U(þØy,) ,HtØH¡r¡n1 (*n)A linearidade de u sobre Hr@Hrr permite escrever tJ(þØy^)
:
otu(ó,Øy,)
*
"zU(þ¿Øy,/,
Masesta
equação sóé
consistente com(*)
e (**),
acima, se pt(tt):
p'(n)
:
p"(n). lsto porque a combinação linear de dois autoestaclos deum opet'adol só será um seu autoestado se aqueles dois autoestados pertencerem
à mcsma autobase.
Este resultaclo obviamente elimina
a
possibilidadede
[/
ser
umamedi-da-
<O,A,\
p"P1t,l),
pois os estados iniciaisWl
: P¡6,
P[ø,],
P[0,]de
/
são O-distinguíveis, enquantoos
respec¡ivostJ(Wttg)Wrl)IJ-1
não sãol@A-distinguíveis. Completa-se assim
a
prova.***
ii)
Antes de considerar uma série de objeções levantadas contra essa prova,será
útil
fazer algumas observações.ii.a)
A
prova opera mostrando que, para certoslllr',
o
estado final conjuntoU(Wtt@Wttl)U-
t
não pode ser a mistura desejada, ao î.azer o acompanhamentoda
evolução (governadapor
U)
dos estados puros iniciaisde
I
* ll,
e
nãointroduzindo incerteza no estado inicial de
/I.
Por isso, chamamos tal prova deProva pela Evolução do Eslado. Salientamos
o
fato de que nela se assume oprincípio da Evolução Unitária Real para misturas.
ii.b)
Una
versão ligeiramente enfraquecida clessa prova cle insolubilidadcloi
obtida por steine
shimony,{" que piovaram (conr pcqucnas altcraçocs clcnotaç¿ìo)
o
segui[rtet
46 Stein e Shimony
O Prcblerru da Medi'.da em tr[ecânícø Quântica 23
'feorema: Se Wr¡r, Q,
A
e U são tais que(l)
pala todo ó¡ (autoestado de Q correspondente ao autovalor Àr)U(l'¡çr1
ØWtl)U-' :
P[pr]onde a imagcln O"
OtU,,
é II¡OH¡,¡, e /¡r é um autovalor deA;
e(2)
ó
pertence aH¡
de modo <1ueU(P¡6
ØW,,')U-'tem
uln autoestado{
correspondendoa
um aurovalor não-nuloe
ry' e H¡@Hpk, para algum /t, entãoU(P¡çl ØWr/)U-'
- PL\*J
e
f
é
um autoestado deQ
cor-respondendo ao autovalor Àr..
Evidentemente,
sc
Wt':
P¡¿aaôi,]
la,
l' :
7,
ai+ 0
(todosl)
entãoU(W:¡ØWù)lJ-t
não pode ser da formaI.,PLpnfpara
nenhum ru,tal
quelo" -
l'
Este resultado de insolubilidade de stein e shimony permite que
e
eA
sejamdegenerados,
e
não impõe limitações ao que possa suceder ao sistema,f
em viltudc da medida. Por que então é menos geral que a prova de insolubilidadedc
Fine?É
que,
se
W t,t:
l.*
It1pnf,
Stein
e
Shimony assumem queu(,þ¡Þ4v,) e
H¡EH¡.,
pura todon.
lsto significa que autoestados distintos deO
dao origem, pela medida,a
autoestados distintosde
fEA.
mesmo no casode
lvriser
uma rnistura.A
relaçãou(þrØ1il.
Hr@Hr,(u)
da prova de Finepermite, ao contrário, que autoestados distintos de
Q
dêem origema
misturasdistintus de autoestados
de
[email protected],o
queé
permitido também em umamedi-da- 1Q,
A,lUtt¡).
ii,c)
É
bcm sabldo que quase quarenta anos antes de Fine dar sua prova,von Neunlarrn {7
já
havia mostrado queo
problema da medida não podia sersolucionado no caso de se introduzir W tti não-idempotenle, ou seja, introduzindo ignorância sobre
o
estado inicial clelL
Qual entãoo
sentido em que dizemosque a prova de Fine (ver comentário
ii.a
acima) é um aperfeiçoamento da devon
Neurnann?Co¡no
o
de Fine,o
al'gumento de von Neumann assenta-se na observagâo deque os pesos na mistura
final
do sistema conjunto são determinados, no cascìde
Wttpuro,
pelo caríter de mistura emWtl
=lp"PÍt,,1
,
na nraneira dadapelo Plincípio da Evolução Unitária Real.
.li von
24
ilarvey Robert BrownO
argumcnio oligirralvai
ao longo das scguintes linhas. Claranrente, se ospr
erìr Vlttl:
ì/r"P[?,,]
tiverem que corresponder às limitações em nosso conhccimento acercado
estaclo inicial puro de/I,
não terão conexão com o cstadolVti.
Suponha-seagora
Wl:P¡61, órHti
como para todo
U,U(WlØW
t,')U-'
-
,,(,
p,
P¡çqt¡.,1)Ll-t:
x o,I\ur+&t,tl
supõe-se que
Uló$rn/
tem aforrna{uE'¡,
(onde, como acima, os{r
são osautovetoles de Q, e os T,, formam uma base em H,r, e não são necessariamente
autoestados de
A).
Argumenta-se que seU
corresponde a uma medida,o
algo-ritmo
estatísticoda
MQ
requer que pn:
l(ó,óutl,,
Wrtt dependendo assimde Wtt
,
o
queé
contrárioà
hipótese acima, e poderia ser escolhido, para umdado Wtt¡, um Wtí
tal
que a misturafinal
desejada nem sempre se obtivesse.Note que von Neumann assume que são os autoestados de
QØl
e
não osde
1ØA
que devem ser obtidos na mistura pós-interação. Isto era de se esperar,ìá que von Neumann tratava do Problema da Reprodutibilidade (associado aos
estados do sistema ,1, e não do Problema da Com¡rleteza (associado aos estados do sistema
I/).
Pode-se notar queo
argumento de von Neumann não é válidoquan<Io a êufasc recai. como na prova de Fine, nos estados finais de
1ØA
parameclidas- <Q, A, W,/>gerais.
Se, ao contr'¿irio do que laz von Neumann, que requer
U(þØy")
:
SuØr¡n,para toclo n, exigirmos, como em
i|
acima,IJ(+Øl'ì
:
þ^,þur}ItØHuØ),
entãrr a relação p,,
:
l(+,ó,,/l'não é em geral necessária para que U sequali-fique como uma medida-<Q,
A,Wttl).
***
iii)
Considelemos agora várias objeções que se levantaram relativamente àProva pela Evolução
do
Estado, como dadaem
i),acima.
Em cada caso,procuraremos nlostrar que são inócuas.
iii.a)
Shimony J8 declarou que a prova é inconrpleta, dado que assunreexpli-citanre¡rl.e que existem estados ôt,
þt,
Hr correspondendo a autovalores distintosde
Q.
Continua, então, dando uma prova do seguinteO Probletra da l{edúIa em Mecônica eudntica 25
Teoremar
Sc
U(I'¡u,-)Ø'f¡g-':
ì,r,P[p,,,]
ondeI
-1,2;ß¡nt}J¡ØH¡ri¡n1
ccrnro acima);
ut
e uz são vetores deHr;
para algum fl¡a1¡¡t'
r¡,p^ e,1É,,1 não precisa coincidir com 1Érnl;
T
é
um operador estatísticosobre
Hl
da classe do traço, entãcl se u:
gt ut|
þ
u¿, gt,þ
*
0,não existe um conjunto
I
P,,l,
onde p, c H¡8H¡,1ø¡ nenl cocficienteso,
tais queUIP¡rlET¡g-'
:
ì,"
Plp"l.Ponclo T'==
Wt/,
Shimony afirma que deu uma prova completa deinsolu-bilidade, já que sendo ur e u¿ os estados iniciais de
I,
não se assunriu que fossemautovetores
de
Q
correspondendoa
autovalores diferentes, Comentando estaprova de Shimony, r'¡otamos que um operador autoadjunto com somente unt
autovalor é da forma
K
=
kl.ao Assim, Shimony efetivamente afirma tergene-ralizado
a
prova "incompleta" de Fine paraincluir a
medida-<K,A,Wt/).
Mas mesmo que a prova de Fine fosse deficiente neste ponto, continuaria apli-cável a observáveis Q outros que os do tipoK,
que não têm interesse. Note-se,porém,
que
numamedida-'<K,A,Wt,t\,
nãohá
razões parase
postularo1¡f
o2¡ para algumn
(como se faz no teorema de Shimony), de modo queIJ(P¡u,)@r¡g-'
elJ(P7x,1Ør¡g-'
sejam f 9A-distinguíveis. Fazer .ùt,r=
ll¿t(para todo
n)
para todo ur a u¿ deIIt.é
lazer deu
um acoplamento de"resul-tado único", Mas, conforme foi notado na seção
lV,
mesmo esta interaçâo entrgI
eII
é trivialmente uma medida-'<K,A,Wttt),
o que, repetindo, não constituium resultado particularmente preocupante, quando se leva em conta a natureza
dc
K.iii.b)
Temosfeito
esforçospara
deixarclaro que
o
Problemada
Com-pleteza é conseqüência direta, entre outras coisas, da seguinte assunção: existem
correlações entre as predições estatísticas dadas
por
Wr{e
aquelas dadas poru(WiØWt,')t-'.
Ê
isto quefaz
do
Problemada
Completezaum
problematle metlitlu. Não obstante, Spohn õo mantém, se é que
o
entendemos bem, quea
Prova pela Evoluçãodo
Estado, acima, virtualmente nada tema
ver
conl medicla, ou pelo menos com sua definição de medicla (ver seção lV),Numa curta
e
elegante provado
resultado de insolubilidade (queé
menosgeral que a de Fine por restringir mais
o
estado |,/1¡r, porém mais geral poraplicar-se
ao
caso contínuo) Spohn tenrde
assumir, todavia,que
existem'10 Embora existam, operaclores com exatamenlc um autovalor que náo são da forma
kl
não são autoadjuntos.26
lløvey Robert BtownwlØwrl
e
(wlØwut)'
emr¡¡
tais
queTrUJ(wlØWi)u-'
(tØA)l
+
Trfu(wlØwtl)'u-' (lØA))
i.e., rais que dão origema
diferentes valoresesperados para lQÒA nos estados finais conjuntos. Esta
t!,
na verclade, urnaassunção concerncnte aos possíveis
U
que devem ser tidos como interações demedida,
e
que dentrodo
contextode
uma medida-<e,A,ntt2
de Spohn êde fato inteiramente gratuita, pela mesma razão por que
a
assunçãoa¡ut'-e,,
(para todo n) de shimony é gratuita no contexto de uma medida-(K,
A,wtl).
Assim, spohn pressupõe implicitamente na derivação de seu resultado deinso-lubilidade que
u
é umamedida-<Q,A,wtttlde
Fine,o
que colide com suaaparente posição dc que
a
Prova pela Evolução clo Estado nåda tern a ver comrnectidas.
iii.c)
Finalnrcnte, há a acusação dc que a Prova pela Evolução do Estaclo se baseia nunra confusão acerca do significado das misturas. park õr argumentouque mesmo que, contra-fatualmente, as misturas desejadas,
I
oop¡p,,J
resul-tassenr da mcclicla-.
<e, A,1'y,/)para
todo Vl/ri, poderiam rrJ{orrnolrnentere-cxpandidas
enì
somas (convenientemente ponderadas)de
projetores sobreHr@rlr¡
que não são auto-projetoresde tØA
(ver discussaóna
seçãoIII).
"Ainda que[a
teoria (formal) quântica da medida] fosse bem sucedida, seriaauto-contraditória. " õ2
Concordanlos
com Park
apenasaté
certo ponto.Se
Wt+t/:
ìroplo"l
fosse possível, continuaria senclo preciso, para que se satisfizesse a condição da
suficiência para
a
obtenção de resultados de medida bem definidor,,rt"r-r"
certo de que
é
esta,e
não outra,a
resolução ¡Je Wt+ty' que corresponde àmistura real de estados .puros no ensemble. (Este é, na verdade,
o
ponto queservirá de base a uma objeção que levantamos com relação ao segundo tipo de
prova de insolubilidade,
a
ssr discutido na seção seguinte,) Isto-, porém, nãodepõe contra
a
prova de Fine; pelo contrrírio,a
prova dele demoñstra,repe-!imo9'- que o. operador
u
não pode levara
mistura real de estados puros 'deI
+
II
na mistura desejada para todolllrr.
segundoo
princípio da bvoluçãounitária Real, isto mostra que a rnencionada condição de sufiõiência nao pótle
ser preenchida. Este um importante resultado para medi<Jas-1e, A,Wttt >gerais, que não envolve contradições internas.
Purk 1973.
rbi¿-L
ól
O prcblema dø Medída em Lúecânica eutùztica 27
6
APROVAPELA SUBSTTTUIçÃO DO ESTADOVoltamos
de
ilidade,que deve
s
õ3d
eraçõe;
de
Wigner
-con
s quaiso
estadoi
por
vetoresortogonais yn €ID H¡¡
:Wttt
:
ìro
P[""]
(rn/
O,] ,' -
l).
Se Wt'=
Plìorrrt,
então o estado final conjunto é uma mistura dos estados puros ry',
:
ì,o, ór@fi,
õ{
cofn pesos on. Considere agora Uma mistura de estados dr de Hr@Hrr que são
autoestados de
OØA
(um caso especial daIroPlp"l
d"
Fine). Esta misturu corresponde a um ensemble no qual cada elemento(I
+Ii)
mostra uma posigãoben definida do ponteiro em
1l;
suponha que a correlação simples de medidaentre ór e Ér esteja embutida dentro dos 0¡. Se esta última mistura
for
"equïva-lente"
à
já
referida mistura de estados úu, então parece não haver objeções,segundo Wigner,
à
assertiva de quea
mensuração deixao
aparelho com umaposição do ponteiro bem definida. Duas misturas se equívalem, no sentido de
Wigner, se clão os mesmos valores esperados para lodos os observáveis definidos sobre
o
sistema conjunto.Uma condição necessária para tal equivalência é que os estados componentes
de uma das misturas sejam exprimíveis como combinações lineares dos estados
que compõem a outra, Wigner pôde mostrar que os estados úu não são
expri-míveis como combinações lineares dos dy
a
não ser que somente um dos coefi-cientes ot emþ:
ì
o,{r
seja não-nulo. Assim, \iligner conclui; "medidas que deixem o sistema objeto-aparelho em um dos estados com posição bem definidado ponteiro não podem ser descritos pelas leis lineares da Mecânica Quântica".õõ
D'Espagnat ón generalizou mais tarde
o
resultado de Wigner para as medidasde Landau (ver seção
lV),
através de uma extensão do mesmo método, Earmane
Shinrony õ1 provaram-nopara
observáveisO
degcnerados.Ainda
mais:d'Espagnat demonstrou
a
insustentabilidade da proposta de que"ao
invés derequerer que após a medida o ponteiro ocupe 'com completa cerieza' uma dada
posição
(...)
ele ocupe'quase certamente'aquela posição(...)
porém comõ¡l 64
Wigner l9ó3.
Ern um tal csquema, se
Vl/,,t:ì tn
Plrr,) ê uma mistura não-trivial, então'{
teráde ser degeneratlo. lsto explica o índice a dc degenerescência no estado ftn' Wigner ob. cit.
d'Espagnat l9óó. Eirrnran e Shimony l9óE. áõ
ti fl