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A verticalização do espaço público

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Academic year: 2021

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A VERTICALIZAÇÃO DO

ESPAÇO PÚBLICO

trabalho de conclusão de curso

arquitetura e urbanismo 2015.2

universidade federal de santa catarina - ctc

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Observando o centro da cidade de Florianópolis, cidade onde nasci e sempre morei, percebi que ali aconteciam diversas atividades, e todas elas estavam relacionadas ao consumo de mercadorias. Repensar a forma de viver a cidade e seus espaços foi o que me motivou para desenvolver este trabalho de graduação.

Propor uma alternativa aos frequentadores do centro, capaz de fugir da rotina consumista que levam, e criar um espaço onde podem acontecer diversas atividades culturais, de lazer e de estar - objetivando a valorização dos costumes e tradições locais - através de uma arquitetura que não impõe tampouco molda o comportamento do usuário, é o objetivo geral do trabalho.

Percorrendo a área encontrei alguns espaços residuais, que transformados, poderiam proporcionar qualidade ao ambiente e aos seus frequentadores. Esses espaços foram marquises, alargamentos nas calçadas, trechos de ruas, escadarias e até mesmo pequenos terrenos, os quais encontram-se fechados.

Em alguns destes espaços percebe-se que a população os ocupa da forma que consegue e lhes é conveniente. Os vendedoras ambulantes se instalam nas sombras das marquises, bem como pessoas se escoram onde conseguem na espera de alguém ou para uma simples pausa no trajeto. Os artistas de rua expõem seus trabalhos nos alargamentos de calçadas movimentadas. A roda de capoeira é montada em patamares de uma escadaria pouco movimentada, entre outros.

O fato que me chamou atenção, principalmente, foram os pequenos lotes vazios e fechados por muros ou tapumes, deles, a população não aproveita nada. Esses lotes estão inseridos em uma malha urbana bastante consolidada, porém não estabelecem relação alguma com a cidade. Muitas vezes passam despercebidos.

Pensar em uma resposta a esses vazios urbanos foi o desafio deste trabalho que se fixou em um dos lotes encontrados, desenvolvendo uma proposta que foi surgindo a partir de discussões mais amplas, pensado na cidade, no uso e ocupação do solo e em suas relações como um todo.

ORIGEM DO TEMA

Marquise na esquina das ruas Felipe Schimidt e Jerônimo Coelho

Roda de capoeira na escadaria da Catedral

Rua Victor Meirelles

Escadaria da rua Pedro Soares

Alargamento do passeio na esquina das ruas Saldanha Marinho e Victor Meirelles

Terreno vazio na rua Victor Meirelles Marquise do centro comercial ARS

Passeio fechado ao lado do prédio da Superintendência do Patrimônio da União de Santa catarina

Terreno fechado na rua Conselheiro Mafra

Terreno vazio com fachada mantida na rua Conselheiro Mafra

Terreno vazio na rua Jerônimo Coelho

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CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO DE OCUPAÇÃO DA

CIDADE DE FLORIANÓPOLIS E SEU CRESCIMENTO

O interesse em ocupar a ilha de Santa Catarina aconteceu a partir do ano de 1737, decorrente de conflitos fronteiriços entre Portugal e Espanha. Com o estabelecimento da capitania de Santa Catarina chegam os primeiros imigrantes portugueses, principalmente da Ilha dos Açores, e em menor número da Ilha de Madeira.

Primeiramente, essas famílias ocupam os arredores da Vila de Desterro (hoje a região do centro da cidade) e posteriormente iniciam o processo de ocupação do interior da ilha, a partir das freguesias.

O desenvolvimento da ilha de Santa Catarina se deu de forma diferente das outras regiões brasileiras, inclusive catarinenses. Florianópolis se desenvolveu de forma muito dispersa durante suas primeiras ocupações, com uma comunidade central e outras isoladas, as freguesias. Aliado à essa dispersão populacional, a característica isolada de uma ilha fez com que a região demorasse muito para se desenvolver como centro urbano, conservando algumas características das primeiras comunidades que habitaram o território. A função administrativa implantada na cidade foi a responsável pelo crescimento populacional e afirmação da cidade como centro urbano ativo no estado.

É no século XX que se observam as principais transformações do território, com a implantação da construção civil, da energia elétrica, e com o fornecimento de água e esgoto. A construção da ponte conectando ilha e continente altera o cenário e estabelece novas relações no território.

Mais tarde, a partir dos anos 1960, têm-se ainda mais mudanças com a implantação da Universidade Federal de Santa Catarina e grandes órgãos governamentais geradores de emprego e atrativo populacional.

A atração de pessoas não se restringe aos moradores: estudantes, professores e trabalhadores; muitos turistas foram atraídos pelas belezas naturais da ilha, o que desenvolve um grande setor econômico que sustenta a cidade até hoje, o turismo.

A visibilidade que a cidade toma devido à sua qualidade de vida, a atividade do turismo e também a implantação de indústrias de tecnologia de ponta aparecem a partir dos anos 1980 como consequência de esforços públicos e privados para inserir a cidade num contexto globalizado.

Marina Siqueira em sua dissertação ‘Entre a prática e o discurso: a formação de espaços simbólicos na Florianópolis contemporânea’, afirma que ‘’esses fatores modificaram a composição social da cidade favorecendo a alteração de sua imagem para o refúgio das elites e, consequentemente, que os novos símbolos da cidade teriam de ser espaços para poucos, mas que, numa inversão ideológica, passaram a ser vistos como espaços simbólicos para

VICENTE PIETRO: Desembarque do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz

Dona Tereza Cristina na Ilha de Santa Catarina, no dia 12 de outubro de 1845.

Fonte: GERLACH, Gilberto. Desterro - Ilha de Santa Catarina, Tomo I.

Florianópolis: Cinema Nossa Senhora do Desterro, 2010, p. 196.

VICTOR MEIRELLES: Vista do Desterro, 1846.

Acervo do Museu Victor Meirelles, Florianópolis/SC.

Fonte: www.museuvictormeirelles.org.br

Os retratos ilustrados representam as características das edificações, das ruas, a relação que esta cidade estabelecia com o mar e com as edificações importantes desde à época, como aparecem ilustradas a Catedral, o Hospital de Caridade e o Mercado Público.

De forma simplificada, podemos perceber a formação do núcleo central por uma concentração de edificações coladas umas às outras, no entorno dessas edificações importantes para a cidade. A foto da rua Jerônimo Coelho na década de 1970 ilustra a época descrita anteriormente, quando a cidade está em crescimento mais acelerado com o incremento de mercado de trabalho e turismo. Nela observamos alguns casarões antigos que persistem em meio às edificações já verticalizadas.

Até hoje encontramos estes e muitos outros casarões, alguns tombados, os quais continuam fazendo parte do centro da cidade. Mas não somente as construções antigas nos fazem lembrar da história desse espaço, as sobras de terrenos, ou terrenos muito pequenos que existem hoje no centro, são também consequentes da cidade que tivemos e foi se transformando ao longo do tempo, crescendo, se reestruturando, nem sempre com o planejamento necessário para que houvesse o aproveitamento de todas as áreas sem a formação de espaços residuais.

Estes espaços vazios em meio a malha urbana de Florianópolis se apresentam, em alguns casos, como antigos terrenos que abrigavam casas açorianas, de pequena largura, e ficaram desta

Rua Jerônimo Coelho, próximo ao mercado Público Municipal, no centro de Florianópolis. Décade de 1970. Fonte: Acervo UFSC.

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A FORMAÇÃO DE UMA CIDADE FRAGMENTADA

Os vazios urbanos existentes em Florianópolis hoje, bem como diversos outros problemas que não serão tratados neste trabalho, são resultantes de todo o seu processo desordenado de formação como espaço urbano e parecem estar esquecidos diante do poder público. Terrenos muito pequenos não são capazes de abrigar grandes empreendimentos, como desejam os investidores.

Segundo CORRÊA (1993) em, ‘Quem Produz o Espaço Urbano?’, os agentes que produzem o espaço urbano são cinco: os proprietários dos meio de produção, sobretudo os grandes industriais; os proprietários fundiários; os promotores imobiliários; o Estado e os grupos sociais excluídos. A ação desses usuários, segundo Corrêa, é regulada de acordo com um marco jurídico, normalmente representado pelos planos diretores, nas cidades.

Na circunstância do atual capitalismo, Corrêa afirma que, o interesse dos três primeiros agentes produtores do espaço urbano citados, podem estar ligados direta ou indiretamente.

O Estado, a meu ver, deveria lutar para minimizar os conflitos entre estes agentes, defendendo os grupos sociais excluídos para que houvesse um maior equilíbrio na formação da cidade.

Observando o plano diretor da cidade de Florianópolis e sua proposta de ocupação da parcela central da cidade, percebe-se que não há um esforço em permitir a ocupação de lotes pequenos, o que me leva a entender que o interesse para a área é a atuação exclusiva de grandes empreendedores, possuidores de capital, para investimentos lucrativos. A dimensão do lote mínimo estabelecidos pela prefeitura, para viabilizar a construção, em áreas mistas centrais 12,5, por exemplo, onde encontra-se o terreno da proposta final deste trabalho, na rua Jerônimo Coelho, é de 750m², sendo que o terreno possui área de 196m² (7m de testada e 28m de profundidade).

Portanto esse terreno encontra-se hoje fechado, configurando uma área resiliente na cidade.

Devido a existência desses espaços desconectados, inseridos na cidade, porém sem estabelecer qualquer tipo de relação com essa, caracterizo a parcela central da cidade de Florianópolis como uma área fragmentada, de acordo com o conceito de Barata Salgueiro. Ela afirmaque o espaço fragmentado é "uma organização territorial marcada pela existência de enclaves territoriais distintos e sem continuidade com a estrutura socioespacial que os cerca" (Barata Salgueiro, 1998, p. 225).

Desenhos ilustrativos do processo de verticalização da cidade de Florianópolis, processo esse que ocorreu de forma desordenada, sem planejamento, de acordo com os interesses elitistas, sem um equilíbrio dos interesses sociais através do planejamento e coordenação pelo Estado.

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O ESFORÇO DE TRANSFORMAR

O exemplo pioneiro que encontrei sobre a abertura de espaços público, em centros urbanos, no mundo, foi o primeiro pocket park em Nova York, chamado de Paley Park.

Ele foi construído em 1967, próximo à Quinta Avenida, em um terreno de 13x30m, por iniciativa privada em homenagem a um familiar falecido. Essa iniciativa revolucionou a paisagem urbana. O terreno era ocupado por um night club e passou a dar lugar a um espaço público e arborizado em plena Manhattan, região dos mais valiosos metros quadrados do mundo.

Os autores do projeto são Robert Zion e Harold Breen, arquitetos paisagistas que já vinham, na época, questionando a teoria do governo de que parques só eram viáveis quando maiores que 12 mil metros quadrados e divulgando a ideia dos pequenos parques, os pocket parks. A partir dele surgiram outros como o Greenacre Park, também em Nova York, em 1971.

Esses pequenos parques foram pensados como uma sala de estar pública e ao ar livre.

Na entrevista feita à Eduardo Barra, ‘O homem e a paisagem construída’, quando questionado sobre a eficácia dos pocket parks nova yorquinos, ele diz que basta permanecer alguns minutos no local para perceber a importância que eles têm no cotidiano das pessoas e afirma que ‘’um dos grandes desdobramentos dos Pocket Parks é o estímulo à criação de uma outra tipologia de ambiente urbano: o espaço privado de uso público.’’

Paley Park - Nova York

Paley Park - Nova York

Greenacre Park - Nova York

Outro exemplo de criação do espaço público, também em Nova York, porém em escala muito diferente dos Pocket Parks, foi a transformação da antiga ferrovia elevada, construída nos anos 1930 e sem uso desde os anos 1960, a High Line, em um parque público. O processo de transformação foi lento e se tornou real devido à luta dos moradores dos arredores da via férrea contra a demolição dessa grande obra, que permaneceu abandonada por anos.

Muito antes, em Paris, foi construído um parque elevado, também sobre uma via férrea desativada, a Promenade Plantée. Em 1987 a prefeitura de Paris consegue os direitos sobre a instalação abandonada e começa o trabalho de transformação do espaço em uma ‘promenade’. Em 1994 é finalizado o último trecho do projeto.

Esses projetos inspiraram muitos outros ao redor do mundo, inclusive inspira, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo, a transformação do minhocão, o elevado Costa e Silva, que está em processo de desativação como via de tráfego de veículos, em parque suspenso. A população já se apropria do espaço no período noturno durante a semana e durante todos os domingos e feriados, quando o tráfego de veículos é fechado. Mas ainda está em debate a demolição do viaduto ou a sua total transformação em parque.

Esse embate sempre estará presente, e é preciso que a população expresse seus desejos e convença o poder público das suas propostas, para que haja uma transformação qualificada do espaço, não deixando que essas áreas permaneçam abandonadas, mas sim passem a pertencer à cidade.

High Line Park - Nova York

Promenade Plantée - Paris

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O ESPAÇO PÚBLICO TRADICIONAL

O espaço urbano, no decorrer da história humana, foi e continua sendo palco de manifestações culturais e artísticas, onde a cultura se inter-relaciona e dialoga com a cidade, transformando os espaços e as manifestações culturais, disse, Luana Maria Ferreira.

Benévolo (2003) afirma que a função social do espaço livre origina-se diretamente da Ágora, um espaço aberto em que ocorriam os encontros, conversas e discussões em setores importantes, como do direito, governo, comércio, indústria, religião, sociabilidade. Dessa forma se tornaram o elemento mais vital e distinto da cidade.

A Ágora era a praça da cidade grega, um espaço comum e centralizado em que aconteciam os debates. De acordo com Mumford (1998), trata-se de um espaço que representava o símbolo da liberdade e também o centro dinâmico da cidade grega, um “local de assembléia”, com a finalidade de reunião.

Para entender o espaço livre busquei compreender o que era, historicamente, uma praça, espaço tipicamente público na cidade e oriundo da Ágora.

Nas praças medievais esse símbolo da liberdade se mantém, eram nesses espaços que as pessoas estavam livres da pressão da igreja e do exército, ali aconteciam as festas como o carnaval e se desenvolvia a cultura popular que era exposta em dias de festas e feiras somente nessa área da cidade.

No período do Renascimento as praças chegam ao ápice com o desenvolvimento de planos urbanísticos para as cidades, é nesse período que elas deixam de ser apenas um espaço vazio e passam a ser locais importante na malha urbana, portanto são projetadas por grandes arquitetos, como Brunelleschi, Bernini, entre outros. Nesse período a praça é projetada em conjunto com esculturas e obras arquitetônicas, fazendo parte de um todo unificado – espaço público, arquitetura e urbanismo.

Num momento posterior ao renascimento, mas antes do modernismo, a praça mantém sua importância urbanística e desagrega as atividades comercias do seu espaço. Assim surgem as praças decorrentes dos encontros de vias como no plano Haussmann em Paris, na segunda metade do século XIX. No plano para Barcelona feito por Cerdá, as praças aparecem do encontro de vias, porém ganham mais valor, são propostas entre os quarteirões para servirem de ponto de encontro para moradores, lugar de descanso e de caminho. A proposta de total ruptura com o passado clássico do modernismo atinge também a concepção das praças. Os principais pontos definidores do planejamento e urbanismo moderno, citados na Carta de Atenas, são: a moradia, o trabalho, o lazer e a circulação. Na categoria de lazer se encontram as praças modernistas, elas se abstêm dos comércios e mercados existentes nas praças clássicas, medievais e renascentistas, e trazem uma nova proposta para o espaço, muito mais voltada ao lazer, com a introdução de quadras poliesportivas, pistas de caminhada, espaços para o lazer cultural e a introdução da paisagem natural em seu espaço, para isso, as praças modernistas contam com o projeto de grandes arquitetos e paisagistas, como aconteceu no renascimento.

A cidade modernista se caracteriza por ser dinâmica, movimentada e normalmente no ritmo do veículo, se tornando um ambiente impessoal. É nas praças, e somente nelas praticamente, que acontecem os encontros e o divertimento das pessoas, proporcionando diversidade e troca cultural para a cidade.

Ao longo da história, percebe-se que as praças surgem da necessidade de espaços para abrigar as festividades, encontros e atividades de troca cultural e mercantil em locais de fácil acesso para a população. Esses locais também suprem a necessidade diária, quando sem grandes eventos, proporciona o encontro com o desconhecido, o fazer nada, garantindo que a população possa passar o tempo, simplesmente.

Acredito que aqueles que frequentam uma praça estão ali exercendo sua cidadania, sentindo-se pertencentes a uma sociedade a qual se organiza e busca interesses comuns. O fato de poder observar o outro, sem necessariamente interagir com ele, bem como observar a cidade sem precisar estar dentro de suas atividades, faz com que nos sintamos acolhidos e pertencentes à um espaço.

Observando diversas praças pude elencar algumas características comuns, de forma geral.

No olhar mais amplo elas se apresentam como extensão/alargamento do passeio público, inseridas em meio à área urbana consolidada e a presença do comércio em seus arredores é marcante. Neste espaço encontram-se figuras de todas as classes sociais, alguns passantes, outros trabalhadores (vendedores ambulantes, feirantes, engraxates), crianças, idosos e adultos, artistas e músicos

Os personagens que atuam nas praças não fazem, necessariamente, uma atividade pré determinada.

Sob um olhar específico com relação aos elementos de formação do espaço têm-se: as árvores, os canteiros, as flores, os bancos, as mesas, o piso, o gramado, os monumentos, o coreto, os brinquedos, a presença da água.

Praça XV - Florianópolis Praça da Sé - São Paulo

Praça Rui Barbosa - Belo Horizonte

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A PRAÇA VERTICAL

Diante do meu objetivo geral, criar um espaço que permita aos usuários do centro da cidade de Florianópolis uma experiência diferente das oferecidas pela cidade hoje; dos espaços vazios descober tos e da situação em que se encontram; escolho o terreno vazio na rua Jerônimo Coelho para implantação de um espaço público.

O terreno tem por característica sua estreita testada, traçado típico observado nas antigas construções na área central da ilha; a presença de dois paredões nas laterais e de um lado, uma edificação alta com uma parede quase cega voltada para o terreno vazio; desta forma, a verticalização do espaço público aparece como resposta.

O espaço público verticalizado é o mesmo espaço público ao qual estamos habituados, oriundo da Ágora, como foi dito anteriormente. Porém ele deixa de ser uma sobra do tecido urbano consolidado da uma cidade que cresce de maneira conturbada, e passa a ser um espaço construído/edificado.

Esse fato - ser um espaço construído - faz com que mudemos a lógica individualista dos lotes sendo espaços completamente privatizados, e passemos a encara-los como espaços pertencentes à cidade.

O objetivo geral se desdobra, então, em alguns específicos, que são: a transformação de um espaço tipicamente privado, o lote, em espaço público, através da construção do espaço vazio, entendendo por vazio o espaço plenamente possibilista, que se torna palco de diversas ações e atividades, sem impor tampouco moldar o comportamento do usuário; a legibilidade desse espaço como público, para que ele possa ser apropriado, de fato, pelas pessoas; e a

Para alcançar os objetivos a que me propus, o método foi o desenho, o que gerava novas descobertas, possibilidades e consequências ao ambiente já construído existente.

Ao fim, o projeto se apresenta como um espaço conectado com seu entorno imediato, através de conexões físicas e visuais; aberto, franco e permeável, a partir de aberturas para luz natural entre os pavimentos, da estrutura toda aparente, da inexistência de fechamentos e de um eixo vertical marcado por uma escada aberta e solta; com marcante presença da vegetação, criando diferentes ambiências; e também é marcado por ser uma extensão da rua - espaço público - pela continuidade do piso e abertura para ela.

A maioria dos elementos encontrados em praças, bem como suas características principais, levantados anteriormente, aparecem nesse projeto da praça vertical.

Podemos identificá-la como extensão do passeio, possuir a presença do comércio ao seu redor, os canteiros, as árvores, as

flores, os bancos, as mesas, o piso, o gramado, os brinquedos, a presença da água, e a presença de todos os personagens citados, como: vendedores ambulantes, artistas, crianças, idosos, passantes, adultos, jovens, e todas as classes sociais.

O projeto tem por consequência transformações que alteram e qualificam o seu entorno, bem como as relações de circulação e aproveitamento do espaço. A partir da praça, espaços residuais já construídos nas edificações vizinhas podem ser aproveitados, como a laje de cobertura, antes vazia no terreno vizinho, pode se transformar em sala comercial conformando outra área a ser apropriada como espaço de praça, em contrapartida; os afastamentos frontais e laterais da outra edificação vizinha, antes resíduos, podem se abrir à praça, criando novas formas de conexão com o público, fato que também ocorre em outros andares, conectando o espaço privado verticalizado diretamente com a praça.

Essas transformações qualificam o espaço já existente e construído ao redor do novo espaço público, por isso proponho que esses espaços privados também façam concessões ao espaço público, são elas: a permissão para que aconteçam pequenos balanços

avançando sobre os lotes privados; o c o m p a r t i l h a m e n t o d a s a í d a d e emergência do prédio mais alto vizinho com a praça; e o uso, pela praça, da laje que cobre a floricultura (sala comercial proposta com esse uso) construída no outro lote vizinho.

Agindo dessa forma, o espaço público consegue se inserir de forma mais fluida no espaço urbano existente, sem ficar restrito ao lote e aos padrões construtivos q u e t ê m - s e n a c i d a d e h o j e , s e

Terreno projeto - Rua Jerônimo Coelho

Prédio alto vizinho ao terreno do projeto

Fonte: Acervo pessoal

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CORRÊA, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. 2. Ed. São Paulo: Ática, 1993. 94p.

FERREIRA, Luana M. O espaço Urbano como Suporte para a Arte. Simpósio Nacional sobre Geografia, Percepção e Cognição do Meio Ambiente, Londrina, 2005.

MAKOWIECKY, Sandra. Ilha de Santa Catarina, séculos XVIII e XIX - Artistas viajantes e o estranhamento da paisagem. 19&20, Rio de Janeiro, v. V, n. 4, out./dez. 2010

SOUZA, Rafael O. A Praça como Lugar da Diversidade Cultural. Barra dos Bugres, UNEMAT.

CONSULTA NOS SITES:

http://portalarquitetonico.com.br/pocket-parks/

http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquiteturismo/01.006/1349. http://geo.pmf.sc.gov.br

http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/21445/21445_5.PDF - Estudo de caso: a High Line convertida em High Line Park

Referências

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