INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
JOÃO PAULO BORGES THOMAZ
FERRAMENTAS LIVRES COMO NORTEADORA NA DEFINIÇÃO DE PROJETOS SUSTENTÁVEIS DE EDIFÍCIOS PÚBLICOS NO ESPÍRITO SANTO – APLICAÇÃO
DA FERRAMENTA ASUS EM UMA UNIDADE PADRÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ES.
Vitória 2020
FERRAMENTAS LIVRES COMO NORTEADORA NA DEFINIÇÃO DE PROJETOS SUSTENTÁVEIS DE EDIFÍCIOS PÚBLICOS NO ESPÍRITO SANTO – APLICAÇÃO
DA FERRAMENTA ASUS EM UMA UNIDADE PADRÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ES.
Vitória 2020
Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Eficiência Energética Instituto Federal do Espírito Santo, Campus Vitória, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Eficiência Energética.
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) (Biblioteca Nilo Peçanha do Instituto Federal do Espírito Santo)
T465f Thomaz, João Paulo Borges.
Ferramentas livres como norteadora na definição de projetos sustentáveis de edifícios públicos no Espírito Santo: aplicação da ferramenta ASUS em uma unidade padrão do Corpo de Bombeiros Militar do ES / João Paulo Borges Thomaz. – 2020.
39 f.: il. ; 30 cm.
Orientador: Márcio Có Almeida.
Monografia (especialização) – Instituto Federal do Espírito Santo, Coordenadoria do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Eficiência Energética, Vitória, 2020.
1. Edifícios públicos. 2. Arquitetura sustentável. 3. Construção civil – Aspectos ambientais. 4. Sustentabilidade. 5. Desenvolvimento sustentável. 6. Espírito Santo (ES) – Corpo de Bombeiros. I. Almeida, Márcio Có. II. Instituto Federal do Espírito Santo. III. Título.
FERRAMENTAS LIVRES COMO NORTEADORA NA DEFINIÇÃO DE PROJETOS SUSTENTÁVEIS DE EDIFÍCIOS PÚBLICOS NO ESPÍRITO SANTO – APLICAÇÃO
DA FERRAMENTA ASUS EM UMA UNIDADE PADRÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ES.
Trabalho Final de Curso apresentado ao Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Eficiência Energética, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Eficiência Energética.
Aprovado em 29 de julho de 2020
COMISSÃO EXAMINADORA
Doutor Márcio Almeida Có
Instituto Federal do Espírito Santo - Ifes Orientador
(Telepresença: Portaria Nº 205 de 19/03/2020 - Campus Vitória)
Mestra Janaina Carneiro Marques Instituto Federal do Espírito Santo - Ifes
Coorientadora
(Telepresença: Portaria Nº 205 de 19/03/2020 - Campus Vitória)
Mestre Ralf Majevski Santos Instituto Federal do Espírito Santo - Ifes
Membro Interno
(Telepresença: Portaria Nº 205 de 19/03/2020 - Campus Vitória)
Doutor Fábio Almeida Có
Instituto Federal do Espírito Santo - Ifes Membro Externo
(Telepresença: Portaria Nº 205 de 19/03/2020 - Campus Vitória)
MARCIO ALMEIDA CO:00095759794
Assinado de forma digital por MARCIO ALMEIDA CO:00095759794 Dados: 2020.10.26 13:46:41 -03'00'
MARCIO ALMEIDA
CO:00095759794
Assinado de forma digital por MARCIO ALMEIDA CO:00095759794 Dados: 2020.10.26 13:47:06 -03'00'
MARCIO ALMEIDA CO:00095759794
Assinado de forma digital por MARCIO ALMEIDA CO:00095759794 Dados: 2020.10.26 13:47:24 -03'00'
MARCIO ALMEIDA
CO:00095759794
Assinado de forma digital por MARCIO ALMEIDA CO:00095759794 Dados: 2020.10.26 13:47:37 -03'00'
Agradeço a Deus primeiramente que me deu sabedoria e paciência para a produção deste trabalho. A minha família que soubera compreender os momentos difíceis da minha jornada e sempre me apoiaram nestas horas.
Aos meus colegas do curso que sempre adicionaram conhecimentos e me ajudaram nas interpretações do tema do meu trabalho. Ainda agradeço a todos os professores que contribuíram com seus conhecimentos durante todo o curso, sendo essencial nesta caminhada. Agradeço aos professores orientadores deste trabalho, pelo empenho e dedicação no decorrer da elaboração da dissertação.
A recente crise econômica de estados e municípios com severos cortes e contenções de gastos públicos faz com que se busquem alternativas de redução de gastos que requerem soluções eficientes no uso do dinheiro público. Nesse contexto, este trabalho aborda a temática eficiência energética na solução de projetos sustentáveis nas edificações públicas utilizando ferramentas de avaliação de sustentabilidade livres, sendo para este trabalho foi definido uso da ferramenta ASUS – Avaliação da Sustentabilidade, desenvolvida pelo Laboratório de Planejamento e Projetos (Souza, 2008), em uma unidade do Corpo de Bombeiros. A ASUS foi desenvolvida no Estado do Espírito Santo (ES) usando características locais para avaliação da sustentabilidade de edificações. O estudo de caso foi desenvolvido usando como base um projeto padrão de uma unidade de atendimento do Corpo de Bombeiros Militar do ES com características construtivas tradicionais e para contrapor, este autor realizou a mesma avaliação considerando a aplicação dos índices de maior pontuação, presentando soluções dentro da proposta que façam elevar e melhorar os resultados alcançados na avaliação original. O resultado esperado da pesquisa é a difusão do uso de ferramentas livres para a avaliação de sustentabilidade de projetos e edificações, além da busca de métodos construtivos mais eficientes e de menor custo financeiro na execução para projetos públicos do Estado do ES. Palavras-chave: eficiência energética. edificações públicas. sustentabilidade. certificado ambiental.
The recent economic crisis of states and municipalities with severe cuts and restraints on public spending has led to the search for alternatives to reduce spending that require efficient solutions in the use of public money. In this context, this work addresses the theme of energy efficiency in the solution of sustainable projects in public buildings using free sustainability assessment tools, being for this work the use of the ASUS - Sustainability Assessment tool, developed by the Planning and Projects Laboratory (Souza, 2008), in a unit of the Fire Department. ASUS was developed in the State of Espírito Santo (ES) using local characteristics to assess the sustainability of buildings. The case study was developed based on a standard design of a service unit of the Military Fire Brigade of ES with traditional constructive characteristics and to counteract, this author carried out the same assessment considering the application of the highest scoring indexes, presenting solutions within of the proposal that elevate and improve the results achieved in the original evaluation. The expected result of the research is the dissemination of the use of free tools for assessing the sustainability of projects and buildings, in addition to the search for more efficient and less costly construction methods in the execution of public projects in the State of ES.
1 INTRODUÇÃO ... 7
2 FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DE SUSTENTABILIDADE ... 9
3 DIRETRIZES DE SUSTENTABILIDADE ... 9
4 FERRAMENTAS DE CERTIFICAÇÕES INTERNACIONAIS ... 12
4.1 BREEAM ... 12
4.2 AQUA-HQE ... 12
4.3 LEED ... 13
5 FERRAMENTAS DE CERTIFICAÇÃO NACIONAL ... 13
5.1 PROCEL EDIFICA ... 13
6 FERRAMENTAS DE APOIO LIVRES ... 14
6.1 SBTOOL ... 14
6.2 PROJETEEE ... 15
6.3 ASUS ... 16
7 METODOLOGIA ... 18
7.1 UNIDADE PADRÃO DO CORPO DE BOMBEIROS DO ES – CBMES ... 18
7.1 análise comparativa com base nos critérios do tema “b” – consumo de recursos ... 22
7.2 APLICAÇÃO DA FERRAMENTA ASUS ... 23
8 RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 24
8.1 PROPOSTA DE MELHORIA DOS INDICES ALCANÇADOS NO ESTUDO ... 24
8.1.1 energia ... 24
8.1.2 materiais ... 26
8.1.3 água ... 30
9 CONCLUSÃO ... 35
1 INTRODUÇÃO
Desde a crise energética da década de 1970 vem sendo desenvolvidas muitas pesquisas para propor diretrizes que contribuam para a idealização de projetos e construções que gerem menos impactos ambientais, econômicos e sociais. Nesse contexto, já na década de 1990, surgiram as ferramentas de avaliação da sustentabilidade. Elas começaram a ser desenvolvidas por duas razões principais: para verificar o real desempenho ambiental dos esquemas de certificação e poderia configurar-se um meio eficiente de se melhorar o desempenho ambiental dos edifícios, sejam eles novos ou existentes (Silva et al. 2003; Souza, 2008).
No Brasil as ferramentas de avaliação de sustentabilidade vêm ganhando notoriedade, porém ainda com pouca adesão nas organizações governamentais. Os métodos de avaliação no geral são derivações de indicadores internacionais de sustentabilidade desenvolvidos em outro contexto, dentro de uma especificidade da região ou país.
Atualmente as edificações públicas construídas pelo estado do Espírito Santo não utilizam nenhum critério para avaliação da sustentabilidade do edifício, o que eleva o custo da edificação pós-ocupação. Em geral, são utilizados “projetos padrão” que são inseridos em terrenos de orientações solares distintas e climas diversos, que acaba por prejudicar o conforto térmico destas construções e por consequência elevar os custos de refrigeração, principal agente no consumo energético das edificações.
A eficiência energética em edifícios pode ser entendida como a obtenção de um serviço com baixo consumo de energia, proporcionando as mesmas condições ambientais que outro empreendimento, porém com menor gasto de energia (LAMBERTS; DUTRA; PEREIRA, 1997). Essa eficiência na construção civil pode ser obtida, por exemplo, por meio da concepção arquitetônica e pela utilização de equipamentos eficientes. Na concepção arquitetônica, ou seja, na determinação da configuração volumétrica dos edifícios, bem como na especificação dos materiais e sistemas instalados, os projetistas possuem papel importante, tendo em vista que o consumo de energia elétrica está diretamente relacionado ao desempenho dos edifícios projetados. (LABORATÓRIO DE PLANEJAMENTO E PROJETOS, 2011).
É possível observar um esforço em propor políticas públicas relacionadas com a gestão eficiente dos recursos. Um decreto recente, 4519-R de 14 de outubro de 2019, assinado pelo Governo do Estado do Espírito Santo, por exemplo, obriga o uso de energia solar em novas edificações no âmbito estadual. Esse decreto é um avanço para minimizar os impactos de consumo energético nas edificações públicas, porém há necessidade de tratar o tema de forma mais ampla e trazer a
proposta sustentável desde a concepção do projeto, fato que reduz os custos inclusive com sistemas de energias renováveis possibilitando maior eficiência energética na edificação. A ferramenta ASUS – Avaliação de Sustentabilidade – objeto de estudo deste trabalho, foi desenvolvida com base em informações locais e especificas do ES o que facilita e aproxima mais da realidade local, diferente de outras ferramentas de avaliação de sustentabilidade que na sua grande maioria tem sua origem em outros países desenvolvidos, fator que dificulta a aplicação dentro da realidade local.
A ASUS – Avaliação da Sustentabilidade – desenvolvida pelo Laboratório de Planejamento e Projetos (Souza, 2008), busca nortear projetos de edificações a fim de promover sustentabilidade no ambiente construído utilizando de temáticas como o planejamento do empreendimento; consumo de recursos; qualidade do ambiente interno; qualidade dos serviços; cargas ambientais; aspectos sociais, culturais e econômicos. Estes são ainda divididos em outras subcategorias que norteiam esse sistema adequado ao contexto do Espírito Santo e suas especificidades. Por ser uma ferramenta livre ainda não é possível obter certificação através do seu uso, porém se adequa as necessidades de orientação e validação de pesquisas de prática de projeto. Esse sistema pode ser inserido na concepção de projetos arquitetônicos a nível estadual, servindo como base para inserção da sustentabilidade nas edificações públicas no estado do ES. O Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) tem data de fundação de 1912 na cidade de Vitória com intuito de atender a sociedade capixaba, foi ao longo do tempo expandindo sua atuação para que outros municípios pudessem contar com os serviços prestados pela corporação. Hoje atua em 17 cidades no estado do Espírito Santo e busca ampliar a área de atendimento e consequentemente diminuir o tempo resposta, dando mais segurança para a sociedade capixaba. Atualmente o CBMES replica um projeto padrão de base de atendimento de bombeiros em regiões de Norte a Sul do Estado sem que haja parâmetro de avaliação da implantação da edificação, tais como condições climáticas, culturais e sociais da localidade a receber a unidade do CBMES. Tal atitude pode ser visto em outros órgãos da administração pública que replicam edificação sem que haja um estudo técnico para sua implantação. Como consequência, foi identificado a oportunidade de aplicar ferramentas de avaliação de sustentabilidade a um desses projetos, usando a ASUS como ferramenta avaliativa.
Concluindo, este trabalho tem os seguintes objetivos geral e específicos:
Objetivo Geral: Propor alterações ao projeto padrão de uma unidade de atendimento do Corpo de Bombeiros com vista a melhorar seus indicadores de sustentabilidade avaliando a edificação com auxílio da aplicação da ferramenta ASUS.
Objetivos Específicos:
- Levantar e difundir o uso de ferramentas livres de avaliação de sustentabilidade em projetos e construções;
- Estudar e aplicar a ferramenta ASUS em uma base de atendimento do Corpo de Bombeiros Militar do ES;
- Avaliar alternativas para melhoria de indicadores de sustentabilidade relacionada ao consumo de recursos de materiais, energia e água.
2 FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DE SUSTENTABILIDADE
Este capítulo busca apresentar o conceito de sustentabilidade dos edifícios e apresentar as principais ferramentas de avaliação de sustentabilidade em uso em diversas partes do mundo. Foram pesquisadas diversas certificações e ferramentas livres analisando suas características gerais e aplicabilidades.
A pesquisa foi feita a partir de livros, dissertações, artigos científicos e sites dos sistemas de avaliação de sustentabilidade e ferramentas, que seguem:
BREEAM – http://www.breeam.org/index.jsp AQUA – http://www.geaconstruction.com/ LEED – http://www.gbcbrasil.org.br/pt/index.php PROCEL – http://www.procelinfo.com.br/main.asp SBTool – http://www.iisbe.org/ PROJETEEE - http://projeteee.mma.gov.br/ ASUS - http://asus.lpp.ufes.br/ 3 DIRETRIZES DE SUSTENTABILIDADE
A norma internacional ASTM E2114-01 Standard Terminology for Sustainability Relative t o the Performance of Buildings – define edifício sustentável como aquele que oferece os requisitos de desempenho próprios tanto para diminuir impactos ambientais quanto para aprimorar o funcionamento local, regional e global dos ecossistemas, durante e após a construção e vida útil. O uso de ferramentas de avaliação de sustentabilidade ajuda a fomentar e propagar conceitos verdes que quando aplicados a edificações públicas promovem ganhos no que tange economicidade do dinheiro público além de criar uma imagem positiva de responsabilidade ambiental e social.
Segundo Lamberts (2014), a arquitetura pode ser entendida como um atributo inerente a edificação representante do seu potencial e possibilitar conforto térmico, visual e acústico aos usuários com baixo consumo de energia. A questão é desmontar que a aplicabilidade de conceitos sustentáveis tem maiores custos que os convencionais, pois considerando o pós-ocupação a edificação verde tem custos operacionais mais baixos, consumo menor de energia e água e consequentemente traz rapidamente vantagens aos usuários e tem valorização no mercado. Nesse sentido, Gebrim (2013) afirma que em uma edificação sustentável, o retorno financeiro está na durabilidade e conforto que edificação proporcionará aos usuários, bem como na economia de recursos para o governo com a adoção de critérios que economizem e racionalizem o consumo de recursos.
A busca do conforto na edificação utilizando os conceitos de Arquitetura Bioclimática é bem explicada por Corbella (2011), a Arquitetura Bioclimática preocupa-se com a adequação da construção ao clima, visando ao conforto térmico, acústico e visual do usuário. Ele trata o envelope da construção como uma membrana reguladora (permeável e controladora) entre o ambiente externo e interno. Essa “membrana” é utilizada para conseguir um ambiente interno e confortável e, para isso, o arquiteto deve ser hábil em utilizar recursos de projeto e escolher materiais convenientes, levando em conta as variáveis climáticas externas.
Corbela (2011) ainda cita que a edificação a ser construída deve prever medidas eficazes que garantam o conforto ambiental da edificação que incluem os confortos térmicos, visual e acústico sendo que esses três devem ser atendidos na sua totalidade ou o conceito de conforto se perde na edificação.
Os sistemas de avaliação de sustentabilidade e os programas de certificação de edifícios são instrumentos que vêm, desde o final da década de 80 do século passado, despertando gradativamente a atenção dos atores envolvidos no processo de produção de edifícios. Esses sistemas vêm sendo utilizados como métodos de análise do desempenho de edificações e objetivam refletir a significância do conceito de sustentabilidade presente no projeto e na construção dos edifícios, ao fornecerem uma análise abrangente das suas características e dos impactos que produzem em seus ocupantes, no entorno, e no ambiente.
Para definir o potencial de energia economizada em um edifício é preciso conhecer os fatores que afetam o desempenho térmico da edificação. Essas características estão relacionadas às zonas bioclimáticas. A NBR 15220 - 2003 que apresenta recomendações quanto ao desempenho térmico de habitações unifamiliares de interesse social aplicáveis na fase de projeto. Ao mesmo tempo em que estabelece um Zoneamento Bioclimático Brasileiro, são feitas recomendações
de diretrizes construtivas e detalhamento de estratégias de condicionamento térmico passivo, com base em parâmetros e condições de contorno fixados.
Propôs-se, então, a divisão do território brasileiro em oito zonas relativamente homogêneas quanto ao clima e, para cada uma destas zonas, formulou-se um conjunto de recomendações técnico-construtivas que otimizam o desempenho térmico das edificações, através de sua melhor adequação climática.
Figura 01: Zonas Bioclimáticas Brasileiras
Fonte: NBR 15220 (2003)
Para a edificação estudada, será adotado a cidade de Vitória que se encontra na zona bioclimática 8 e tem as diretrizes construtivas detalhadas abaixo.
Tabela 01 - Abertura para ventilação e sombreamento das aberturas para Zona Bioclimatica 8. Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas
Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas
Grandes Sombrear aberturas
Fonte: NBR 15220-2003.
Tabela 02 - Tipos de vedações externas para a Zona Bioclimática 8 Tipos de Vedação externas
Vedações externas
Parede Leve refletora
Cobertura Leve refletora
Fonte: NBR 15220-2003.
Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo
Verão Ventilação cruzada permanente
Fonte: NBR 15220-2003.
Como estratégia de manutenção do condicionamento térmico a NBR 15220 criou grupos para indicar as medidas que cada local pode adotar para minimizar os efeitos do calor.
4 FERRAMENTAS DE CERTIFICAÇÕES INTERNACIONAIS
4.1 BREEAM
O primeiro e mais conhecido dos métodos de avaliação é o Building Research Establishment Environmental Assessment Method (BREEAM). Lançado no Reino Unido em 1990, este método, orientado ao mercado, atribui certificação de desempenho direcionada ao marketing de edifícios e, por consequência, de projetistas e empreendedores (BALDWIN et al., 1998). Foi a base para os diversos métodos orientados ao mercado que surgiram posteriormente, como o HK-Beam e o Green Star. (SOUZA, 2008).
O BREEAM é um esquema internacional que fornece certificação independente de terceiros para a avaliação do desempenho da sustentabilidade de edifícios individuais, comunidades e projetos de infraestrutura. A avaliação e a certificação podem ocorrer em vários estágios do ciclo de vida do ambiente construído, desde o projeto e construção até a operação e reforma. No caso do BREEAM, a certificação de terceiros envolve a verificação - da avaliação de um edifício ou projeto por um Assessor qualificado e licenciado do BREEAM para garantir que ele atenda aos padrões de qualidade e desempenho do esquema. No centro desse processo estão os organismos de certificação, organizações com aprovação do governo (através dos organismos nacionais de acreditação), para certificar produtos, sistemas e serviços. (BREEAM.COM..., acessado em 04 jan. 2020).
No site é possível escolher dentre de grupos de edificações novas, adaptadas ou em uso, infraestrutura e cidades. A partir daí usa a ferramenta técnica para avaliação do objeto de estudo onde se obtém uma pontuação que define o quão está edificação é sustentável dentro dos parâmetros da ferramenta.
4.2 AQUA-HQE
A certificação AQUA-HQE deriva da HQE™ de origem francesa a certificação HQE ™ cobre todo o ciclo de vida de um edifício (construção, reforma e operação): edifícios não residenciais, edifícios residenciais e casas isoladas, bem como planejamento e desenvolvimento urbano. No Brasil o processo AQUA-HQE é aplicado no Brasil por instituições credenciadas, sendo a única disponível até o momento a Fundação Vanzolini. Em 2013 os organismos de certificação
residencial-QUALITEL e não-residencial-CERTIVEA se juntam para criar a Rede Internacional de certificação HQE™, uma unificação de critérios e indicadores para todo o mundo, que cria uma identidade de marca única global, cujo órgão certificador passa a ser a Cerway, sempre fundamentado nas premissas da certificação HQE francesa. Todos os referenciais de certificação terão um alinhamento de parâmetros para permitir a comparação dos valores avaliados, porém os níveis de exigência respeitarão sempre as especificidades e diferenças de cada país. Desde seu lançamento em 2008 o Processo AQUA-HQE propõe um novo olhar para sustentabilidade nas construções brasileiras; seus referenciais técnicos foram desenvolvidos considerando a cultura, o clima, as normas técnicas e a regulamentação presentes no Brasil, mas buscando sempre uma melhoria contínua de seus desempenhos. Mantendo a base conceitual francesa, o reconhecimento dessa proposta é agora reforçado pela sua efetiva atuação na rede de certificação internacional HQE™. (VANZOLINI..., acessado em 04 de jan. 2020). 4.3 LEED
A certificação LEED (Leadership in Energy & Environmental Design) foi desenvolvida em 1994 por um conselho aberto e voluntário em escala mundial, o USGBC (U.S. Green Building Council), instituição composta por vários profissionais ligados ao setor da construção civil que buscam promover edifícios sustentáveis, bem como lugares saudáveis para se viver e trabalhar. O sistema LEED é baseado em um programa de adesão voluntária que visa avaliar o desempenho ambiental de um empreendimento. Leva em consideração o ciclo de vida de um edifício e pode ser aplicado em qualquer tipo de empreendimento. Os aspectos avaliados pelo LEED referem-se ao impacto gerado ao meio ambiente em consequência dos processos relacionados ao edifício, ou seja, projeto, construção e operação, contemplando aspectos relativos ao local do empreendimento, o consumo de água e de energia, o aproveitamento de materiais locais, a gestão de resíduos e o conforto e qualidade do ambiente interno da edificação (USGBC, 2016).
5 FERRAMENTAS DE CERTIFICAÇÃO NACIONAL 5.1 PROCEL EDIFICA
O Procel - Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica é um programa de governo, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia – MME e executado pela Eletrobrás. Foi instituído em 30 de dezembro de 1985, pela Portaria Interministerial n° 1.877, para promover o uso eficiente da energia elétrica e combater o seu desperdício. Por isso, o Procel busca incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação etc.) nas edificações brasileiras, reduzindo o desperdício e os impactos sobre o meio ambiente. Para
tanto, atua na capacitação de profissionais, promoção de novas tecnologias, disseminação de boas práticas, regulamentação e critérios de eficiência energética para edificações e etiquetagem de edificações novas e existentes. Também são capacitados laboratórios de universidades brasileiras para atuarem na área de conforto ambiental. (PROCELINFO..., acessado em 07 de fev. 2020).
O Selo Procel Edificações, estabelecido em novembro de 2014, é um instrumento de adesão voluntária que tem por objetivo principal identificar as edificações que apresentem as melhores classificações de eficiência energética em uma dada categoria, motivando o mercado consumidor a adquirir e utilizar imóveis mais eficientes. Este é um setor de extrema importância no mercado de energia elétrica, representando cerca de 50% do consumo de eletricidade do País. Para obter o Selo Procel Edificações, recomenda-se que a edificação seja concebida de forma eficiente desde a etapa de projeto, ocasião em que é possível obter melhores resultados com menores investimentos, podendo chegar a 50% de economia. A metodologia de avaliação da conformidade está descrita no Regulamento para Concessão do Selo Procel de Economia de Energia para Edificações, bem como nos Critérios Técnicos específicos e baseiam-se no Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética em Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C) e no Regulamento Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética em Edificações Residenciais (RTQ-R) do Programa Brasileiro de Edificações – PBE Edifica. (PROCELINFO..., acessado em 07 de fev. 2020).
A Procel Edifica vem em busca de implantar um sistema de avaliação de edificações a fim de institucionalizar o programa nas edificações brasileiras, tanto em fase de projeto como na fase construída. Nas edificações públicas e comerciais o sistema busca avaliar três vertentes da edificação: envoltória, iluminação e condicionamento de ar. Nas edificações residenciais são avaliados os sistemas de aquecimento de água e envoltória da edificação, além disso, são analisados os sistemas comuns das edificações em áreas de uso coletivo das residências multifamiliares como elevadores, iluminação, bombas, etc.
6 FERRAMENTAS DE APOIO LIVRES 6.1 SBTOOL
Desenvolvida pelo Sustainable Building Challenge (SBC), um consórcio internacional que teve princípio em 1996, sendo financiado inicialmente pelo governo do Canadá, a ferramenta SBTool possui a função primária de atuar como base metodológica e científica para que órgãos e instituições locais de diversas partes do mundo desenvolvam sistemas de avaliação de edifícios adaptados ao contexto de sua região. (SOUZA, 2008)
O sistema SBTool Generic é uma ferramenta genérica para avaliação de desempenho de edifícios que pode ser utilizada como base para desenvolver um sistema de classificação adequado para uma variedade de locais, condições e tipos de construção. Pode ser aplicado em grandes projetos ou em edifícios individuais, de uso residencial, comercial ou misto, novos, em construção, ou renovações. A ferramenta abrange uma ampla gama de questões de construção sustentável, e não apenas o Green Building. O número de critérios que podem ser ativados varia de 14 à 120. Entretanto, a ferramenta possui quatro opções de escopo genéricas, que determinam um número de critérios ativos, mas que podem ser modificados.
Para esta pesquisa considerou-se o Maximum scope, que contém todos os critérios que foram totalmente desenvolvidos com benchmarks e que podem ser efetivamente utilizados para avaliações (Internacional..., 2012).
Atualmente o SBTool é gerido pela iiSBE – International Initiative for a Sustainable Built Environment - é uma organização internacional sem fins lucrativos cujo objetivo geral é facilitar e promover ativamente a adoção de políticas, métodos e ferramentas para acelerar o movimento em direção a um ambiente construído sustentável global. O iiSBE possui uma diretoria internacional de quase todos os continentes e um pequeno secretariado localizado em Ottawa, Canadá. (IISBE..., acessado em 04 de jan. 2020).
O SBTool avalia o desempenho em relação à sustentabilidade através das seguintes categorias: A- Regeneração e desenvolvimento do sítio, projeto urbano e infraestrutura; B -Energia e consumo de recursos; C- Cargas ambientais; D -Qualidade do ambiente interior; E- Qualidade de serviços; F- Aspectos de percepção, sociais e culturais; e G- Aspectos econômicos e de custos (Internacional..., 2012).
SBTool por sua flexibilidade, abrangência, reconhecimento a nível internacional e por ser considerada a base de outras ferramentas, como por exemplo a ASUS Avaliação da Sustentabilidade desenvolvida pelo Laboratório de Planejamento e Projetos (Souza, 2008). 6.2 PROJETEEE
O Projeteee foi a primeira plataforma nacional que agrupa soluções para um projeto de edifício eficiente, com intuito de dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo PROCEL/Eletrobrás e a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. O Projeteee é uma ferramenta pública com uma interface de fácil uso e possui mensalmente cerca de 20 mil acessos. Além de servir como suporte didático a alunos dos cursos de Arquitetura, a plataforma possibilita que os profissionais da construção civil integrem a seus projetos a variável da eficiência energética especialmente através de elementos bioclimáticos, garantindo, além da redução da demanda energética, o
conforto dos usuários no interior das edificações. Com a iniciativa de fomentar melhorias nas práticas de uso dos recursos energéticos junto à sociedade, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), executa o projeto “Transformação do Mercado de Eficiência Energética no Brasil”, apelidado de Projeto 3E (Eficiência Energética em Edificações). O objetivo principal do projeto é influenciar e desenvolver o mercado de eficiência energética em edificações comerciais e públicas. (PROJETEEE..., acessado em 07 de fev. 2020).
O sistema apresenta uma interface simples e intuitiva que apresenta dados de mais de 400 cidades brasileiras o Projeteee que é uma parceria entre entes públicos e privados incluindo Ministério do Meio Ambiente, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a UFSC. O programa aborda temas relacionados a aquecimento solar passivo, inercia térmica resfriamento evaporativo sombreamento e ventilação natural.
Atualmente o sistema é aplicado em edificações públicas e privadas através de parcerias para implementar a ferramenta em forma de estudo de caso, treinamentos de gestores do setor público e privado a fim de expandir o uso da ferramenta e sua aplicabilidade.
6.3 ASUS
Nesse sentido, apresenta-se a Ferramenta ASUS, que tem por objetivo propor um sistema adequado ao contexto do Espírito Santo – em seus aspectos ambiental, social, econômico e cultural – para avaliação da sustentabilidade de edifícios de escritórios em fase de projeto, servindo como instrumento de auxílio aos projetistas que visam à proposição de edificações mais sustentáveis.
A Ferramenta tem como base conceitual o SBTool, entretanto, também contém fundamentos de outras ferramentas como Casbee, Breeam, Leed, Aqua, Hong Kong Building Assessment Tool (HK-BEAM), Greenstar, entre outras (FERRAMENTA ASUS..., 2011).
Sendo a pesquisa financiada pelo Governo Estadual, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo – FAPES, a Ferramenta foi desenvolvida tendo como alicerce conceitual a revisão de outras ferramentas e no esforço em adaptá-las às condições regionais particulares, com ênfase para projetos de edifícios públicos e institucionais do Espírito Santo. Dessa forma, vê-se neste instrumento o potencial para vir a fazer parte dos termos de referência de licitação de projetos elaborados especialmente por órgãos públicos, com o intuito de projetar edifícios mais eficientes e, a partir do uso público de tais edificações, incentivar práticas dessa natureza (ASUS, 2011).
Ressalta-se que a proposta da ASUS é de ser uma ferramenta livre, ou seja, cujo conteúdo deve ser público e gratuito. Ainda cabe destacar que sua adoção não pressupõe uma certificação. A ASUS foi formulada para ser adotada, principalmente, enquanto instrumento de orientação a projetistas, passível de ser inserido na prática de projeto. Dessa forma, vê-se como principal contribuição o fato de se alcançar, com a ASUS, um exequível método de avaliação de edifícios, voltado inicialmente para o uso por projetistas e adequado à realidade nacional com ênfase para as questões regionais, sem necessariamente estabelecer uma relação de dependência com os idealizadores da ferramenta (ASUS, 2011).
A Asus adota o sistema de pontuação utilizado pelo SBTool, ou seja, o desempenho do edifício é avaliado segundo uma escala com os níveis -1, 0, +3 ou +5, conforme mostra o quadro 1.
Quadro 1: Escala de graduação de desempenho ASUS.
Pontuação Desempenho Associado
-1 Prática negativa. Não atende ao desempenho mínimo esperado
0 Desempenho mínimo. Corresponde às normas, à legislação ou à prática convencional +3 Desempenho bom
+5 Prática de excelência Fonte: Ferramenta ASUS (2011)
No final do processo, é apresentado um quadro resumo da avaliação com os níveis de desempenho alcançados em cada tema, as suas respectivas ponderações e a média final. Além disso, o resultado é apresentado graficamente de duas maneiras: 1. um gráfico do tipo radar que demonstra o nível de desempenho alcançado em cada tema; e 2. um gráfico em colunas, onde as 6 primeiras representam a contribuição efetiva de cada tema na avaliação final, com seus respectivos resultados ponderados, e a última coluna demonstra o resultado da avaliação. A partir da escala de graduação de desempenho da ferramenta, foram definidos níveis intermediários para o resultado da avaliação do edifício (ASUS, 2011). No quadro 2 abaixo podemos verificar os índices finais da apurados da Asus.
Quadro 2: Escala de graduação de desempenho final da ASUS.
Índice Obtido Desempenho -1 a 0 Desempenho ruim
0 a 1 Desempenho mínimo esperado
1 a 2 Desempenho bom
3 a 4 Desempenho superior 4 a 5 Prática de excelência Fonte: Ferramenta ASUS (2011)
A estrutura geral da Ferramenta ASUS é dividida em seis temas. Cada tema é subdivido em categorias, num total de dezoito, sendo algumas dessas divididas em subcategorias, de acordo
com a complexidade da temática. As categorias e subcategorias organizam os grupos de critérios, que são um total de setenta e nove, conforme Quadro 3.
Quadro 3 : Estrutura e hierarquia da Ferramenta ASUS
Fonte: http://asus.lpp.ufes.br/instrucoes. Acessado em 24 de fev. 2020.
O uso da Ferramenta ASUS pode servir de base para busca de certificações de sustentabilidade tais como SBTooL, LEED, Aqua e Procel, sendo que estas foram usadas de base para elaboração da ASUS.
7 METODOLOGIA
7.1 UNIDADE PADRÃO DO CORPO DE BOMBEIROS DO ES – CBMES
Considerando a aplicabilidade da ferramenta em edificações públicas, tema central deste trabalho, será proposto o uso da ASUS em uma edificação do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, órgão da administração direta do Estado do Espírito Santo. Diante disso foi apresentada a proposta de uma edificação construída com aproximadamente 1230 m² que vem sendo replicada ao longo de 10 anos em diversas cidades do Espírito Santo. A unidade padrão,
como é chamada se trata de uma edificação com dois pavimentos onde tem um uso misto, com serviços administrativos e operacionais no atendimento às ocorrências. Atualmente são cerca de 10 unidades já executadas e outras em fase de ajustes de projeto.
O projeto foi desenvolvido a partir de demandas coletadas pelo militar do Corpo de Bombeiros Capitão Maria Cláudia Aquino Alcoforado Trindade, arquiteta e urbanista que já trabalha no setor há mais de 10 anos, que definiu as condições básicas de funcionamento da Unidade conforme proposta e anseios do alto comando da corporação. Na figura 02 temos a planta do térreo que contempla parte destinada a garagem, academia e almoxarifado para as viaturas de serviço operacional e do lado esquerdo a edificação se destina a parte de atendimento, serviços administrativos. O pavimento superior, figura 03, pode ser dividido em duas partes também, uma parte destina-se ao uso do serviço operacional de atendimento a ocorrências com alojamentos, vestiários, cozinha, refeitórios e a outras 4 salas administrativas de comando. Como pode ser visto grande parte da edificação é destinada ao uso do serviço operacional, que configura escala de 24 horas de serviço no formato de prontidão.
Figura 02: Pavimento térreo.
Figura 03: Pavimento superior.
Fonte: Seção de projetos CBMES. Adaptado pelo autor.
A proposta da edificação feita pelo setor de Projetos do CBMES contempla no seu escopo algumas diretrizes sustentáveis desde a sua concepção em meados 2009. Entre elas a utilização de vidros na fachada principal do tipo “insulado e laminado” que contam com um sistema duplo de envidraçamento, os vidros insulados permitem a combinação de dois tipos de materiais aproveitando as propriedades técnicas de cada um. Recebem dupla selagem: os vidros são colocados a um perfil de alumínio, o que forma uma câmara de ar hermeticamente vedada. Dessa forma, garantem conforto térmico e acústico nas áreas de aplicação. Outra aplicação na edificação foi a de “brises metálicos”, que na figura 04 pode ser visto que sua aplicabilidade promove ganhos no conforto ambiental, pois bloqueia parte dos raios solares evitando a incidência direta na edificação sem interferir na ventilação e luminosidade do ambiente. Além
disso, desde o início já havia previsão de instalação de placas fotovoltaicas, porém esbarrou na burocracia e na redução de custos visto que o investimento era alto para a instalação e manutenção do equipamento.
Figura 04: Detalhe brise metálico.
Fonte: Seção de projetos CBMES.
Como o objetivo do trabalho é tornar a edificação mais eficiente, busca-se na aplicação da ferramenta ASUS identificar os pontos deficientes e propor melhorias pontuais com base no “Item B” da ferramenta ASUS que avalia o Consumo de Recursos que inclui as seguintes disciplinas: Energia; Materiais; Água. A escolha deste item se deve a junção de elementos que se bem estudados e aplicados desde a fase de projeto podem trazer ganhos para os índices de eficiência energética da edificação reduzindo custos operacionais desde a fase de projeto até o uso efetivo dela. Com o resultado será possível mensurar a eficiência da edificação e promover redução dos gastos energéticos da edificação.
7.1.1 análise comparativa com base nos critérios do tema “b” – consumo de recursos Tendo como referência os critérios discriminados do tema B – Consumo de Recursos, o projeto original foi analisado e avaliado. Seguindo os mesmos critérios e a partir das orientações
estabelecidas pela ferramenta ASUS foram levantadas possibilidades de modificação na proposta original. A partir dessas análises e propostas, segue-se para a aplicação da ferramenta.
7.2 APLICAÇÃO DA FERRAMENTA ASUS
Seguindo os parâmetros adotados pela ASUS será aplicada a ferramenta desenvolvida por (ALVAREZ, 2011) e equipe do Laboratório de Planejamento de Projetos da UFES a fim de verificar os índices alcançados na edificação proposta pelo trabalho.
O problema em questão é buscar alternativa na concepção, construção e implantação da edificação a fim de torná-la mais sustentável desde a primeira fase, ainda em projeto, e assim tornar habitual o uso de ferramentas de avaliação de sustentabilidade nas edificações públicas do estado do Espírito Santo.
A avaliação em si é realizada por meio desta plataforma online onde os critérios são apresentados sucintamente, com seus objetivos, recomendações e marcas de referência. Para cada critério, com base nas marcas de referências definidas, o usuário/avaliador marca a opção correspondente ao nível de desempenho alcançado no projeto e o próprio sistema realiza os cálculos e ponderações para apresentação do resultado final. (LPP.UFES..., acessado em 24 de fev. 2020).
Ressalta-se, entretanto, que o preenchimento da plataforma online disponibilizada no site http://
http://asus.lpp.ufes.br/ferramenta.php# é um processo relativamente longo e deve ser executado em uma única etapa, ou seja, sem o encerramento da plataforma, pois não há possibilidade de salvamento para posterior continuidade. Como ferramenta de auxílio ao desenvolvimento de projetos, o preenchimento da plataforma poderá ser efetuado a qualquer momento, e enquanto a plataforma estiver aberta, é possível preencher as diferentes temáticas, além de modificar as respostas. Observa-se que, muitas vezes, mudanças relativamente simples de projeto podem refletir significativamente na melhoria do desempenho, sendo o sistema idealizado para facilitar o procedimento de escolhas inerente à atividade projetual. (LPP.UFES..., acessado em 24 de fev. 2020).
Os dados avaliados da edificação geram dois formatos de gráficos, um radar e outro em barras que indicam a pontuação de cada item e a pontuação geral da edificação de forma global. Esse resultado facilita onde são os pontos de intervenção e suas particularidades quanto à aplicação de medidas que visem aumentar a eficiência da edificação. Vale ressaltar que o trabalho propõe a aplicação e avaliação da dimensão “b” da metodologia ASUS, que avalia as condições da edificação no quesito materiais, energia e água.
8 RESULTADOS E DISCUSSÕES
8.1 PROPOSTA DE MELHORIA DOS INDICES ALCANÇADOS NO ESTUDO
Como parte da proposta para melhoria dos índices da edificação com base nos índices alcançados no item B – Consumo de Recursos – da ferramenta ASUS será proposto melhorias no processo de concepção do projeto a fim de se alcançar índices desejáveis em matéria de energia, uso de materiais e água.
Para melhor entendimento das propostas realizadas pelo autor cada subitem dos temas ENERGIA, MATERIAIS E ÁGUA e apresentará propostas para implantação de ações que visem atender os subitens do tema para que assim haja promoção da sustentabilidade na edificação.
Os quadros são divididos em 5 colunas, sendo a coluna: 1) itens de cada tema; 2) critério avaliado pela ASUS; 3) o que foi apresentado na proposta original; 4) proposta modificada para alcance da pontuação mais alta; 5) ação a ser tomada para efetivação da pontuação máxima de acordo com as diretrizes aplicadas pela ferramenta. Na coluna 3 – Proposta original – cada item é avaliado se foi atendido, parcialmente atendido ou não atendido o critério máximo de pontuação definido pela ASUS. Os critérios informados nos quadros a seguir são referenciais da própria ferramenta ASUS que os usa para obtenção dos pontos da edificação.
8.1.1 energia
Para obter melhoria do indicador do tema energia, a própria ASUS estabelece orientações que serão convertidas em propostas de melhorias para o projeto, descritas a seguir.
Quadro 4 : Análise critério Energia - ASUS
Item Critério Proposta Original Proposta modificada Ação
01 ESTUDO DE VIABILIDADE DE IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA DE ENERGIA RENOVÁVEL NO EDIFÍCIO. Não atendido Sem previsão de elaboração do estudo. Elaboração de um Estudo de Viabilidade. Na fase de projeto elaborar estudo de viabilidade. 02 USO DE ENERGIA PROVENIENTE DE FONTE RENOVÁVEL GERADA NO LOCAL Não atendido Sem previsão de implantação por falta de estudo de viabilidade. Uso da fonte renovável a partir do estudo realizado. Conforme projeto existe possibilidade de uso de energia fotovoltaica na
cobertura da edificação. 03 ENERGETICA EFICIENCIA DETERMINADA PELA ENVOLTÓRIA Parcialmente atendido Uso de brises solares, janelas com vidro insulado, iluminação zenital nas fachadas e uso de cores com
níveis baixos de absortância.
Uso de Iluminação
zenital na cobertura. Na fase de projeto é possível prever o uso de iluminação zenital na cobertura a fim de aumentar distribuição da iluminação no edifício. 04 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DO SISTEMA DE AR-CONDICIONADO Não atendido Não é previsto a concepção de projeto de climatização e conforto ambiental. Elaboração de projeto de conforto ambiental prevendo o uso de equipamentos eficientes. A disciplina Conforto ambiental deve ser aplicada na fase de projeto através de um projeto de climatização que especifique equipamentos eficientes e definição de locais sombreados para instalação das condensadoras. 05 DENSIDADE DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO LIMITE Parcialmente atendido Utilização de cores claras em pisos, paredes e teto; especificação de luminárias eficientes; Especificar lâmpadas eficientes (maior relação lm/W), para que a densidade de potência de iluminação não ultrapasse os limites, relativos ao uso de cada ambiente. Elaboração de projeto elétrico e luminotécnico em conjunto com o arquitetônico, aplicando os três quesitos da ASUS. 06 USO DE EQUIPAMENTOS EFICIENTES NO SISTEMA DE ENERGIA RENOVÁVEL DO EDIFÍCIO Não atendido Não existe sistema de energia renovável na edificação. Verificação da eficiência dos equipamentos que compõem o sistema projetado de geração de energia renovável. Com a implantação dos itens 01 e 02, o uso de equipamentos eficientes deve estar previsto ainda no
estudo de viabilidade.
Para o item relacionado a energia pode-se concluir que a elaboração de um estudo de viabilidade que norteia as melhores ações pode ajudar a edificação nos índices na plataforma ASUS, posterior ao estudo de viabilidade, as medidas podem ser aplicadas baseada no estudo e estas medidas vão variar de acordo com o terreno escolhido, uso da edificação, entre outros critérios definidos pela plataforma ASUS. O uso de medidas eficientes “padrão” para qualquer edificação se torna inviável devido as especificidades de cada caso.
8.1.2 materiais
O tema de materiais deve ser tratado de forma singular, sendo esse essencial desde o processo de preparo até o uso final. Este processo ainda pode ser incluído a destinação dos resíduos que possam gerar este material. A análise do ciclo de vida da edificação se torna essencial para a manutenção deste e minimizar intervenções que gerem resíduos que possam impactar no ambiente.
Ao se tratar de construções sustentáveis, a questão dos materiais empregados é essencial, pois a eles estão associados fatores de características físicas e de processos de produção, que causam impactos nas esferas ambiental, social e econômica, tanto na etapa de construção como, posteriormente, no uso/operação da edificação e no desmonte final. (ASUS, 2011)
Portanto, nesta categoria são apresentados alguns critérios que visam a auxiliar essa seleção de materiais, de forma a buscar a minimização do consumo de recursos naturais ou o uso racional deles, e suscitar a responsabilidade técnica, ambiental e socioeconômica dos projetistas na especificação dos materiais. (ASUS, 2011)
Sabe-se que o atendimento das condições e materiais a serem utilizados na execução da obra já devem ser inseridos durante a fase de concepção de projeto, onde já deve haver uma preocupação com certificações ambientais e econômicas na especificação dos materiais. A Plataforma ASUS ao especificar, direcionar por exemplo compras de materiais de regiões onde será implantada a edificação contribui não só apenas para a economia local, mas também para a redução do gasto energético para entrega desses insumos e a redução de emissões de poluentes advindos do transporte destes materiais.
Para atender a condição máxima para eficiência nessa dimensão as condições estão relacionadas a algumas garantias que em geral não são simples de se alcançar nos processos de contratação
pública, tais como materiais certificados ambientalmente, oriundos de reuso ou com adição de resíduos, adquiridos na região entre outras. Serão apresentadas as possibilidades relacionadas aos materiais.
Quadro 5 : Análise critério Materiais - ASUS
Item Critério Proposta Original Proposta modificada Ação
01 SITUAÇÃO REGULAR DAS EMPRESAS FORNECEDORAS DE MATERIAIS E COMPONENTES JUNTO AO GOVERNO FEDERAL. Atendido Por se tratar de obra pública, as empresas fornecedoras devem estar regulares junto aos órgãos públicos.
Sem alteração. Sem alteração.
02 ESPECIFICAÇÃO DE MATERIAIS E COMPONENTES NORMATIZADOS. Atendido Em consoante com o item anterior a proposta atende aos requisitos por
se tratar de obra pública que necessita atender aos critérios da legislação de compras e serviços.
Sem alteração. Sem alteração.
03 ESPECIFICAÇÃO DE MATERIAIS E COMPONENTES NORMATIZADOS COM CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL / SOCIAL Não atendido Não houve possibilidade de mensurar item por
não haver informações a respeito no caderno de especificação. Para atendimento do critério proposto pela ferramenta existe a necessidade de criar parâmetros no memorial descritivo da edificação, condicionando os itens certificados por
órgão reconhecidos em no mínimo 10% do total utilizado na edificação. Condicionar o caderno de especificações e planilha orçamentária ao uso mínimo de 10% de materiais com certificação social ou ambiental. 04 REÚSO DE MATERIAIS E COMPONENTES. Não atendido Não houve possibilidade de mensurar item por
não haver Especificação do memorial descritivo e caderno de especificações o uso Condicionar o caderno de especificações e planilha oçamentária a utilização de
informações a respeito no caderno de especificação. de materiais de reuso. materiais de reúso em, no mínimo, 15% do custo total de materiais e componentes especificados para a edificação. 05 ESPECIFICAÇÃO DE MATERIAIS E COMPONENTES NORMATIZADOS RECICLADOS. Não atendido Não houve possibilidade de mensurar item por
não haver informações a respeito no caderno de especificação. Especificação do memorial descritivo e caderno de especificações o uso de materiais reciclados. Condicionar o caderno de especificações e planilha orçamentária a utilização de materiais e componentes reciclados em, no mínimo, 20% do custo total de materiais e componentes especificados para a edificação. 06 USO DE MATERIAIS E COMPONENTES COM ADIÇÃO DE RESÍDUOS. Não atendido Uso do cimento tipo CPIII não atende ao nível
mínimo de exigência da ASUS, sendo que
não houve possibilidade de mensurar item por
não haver informações a respeito no caderno de especificação. Especificação do memorial descritivo e caderno de especificações o uso de materiais com adição de resíduos. Condicionar o caderno de especificações e planilha orçamentária a utilização de cimento CP III , além de especificação de materiais e componentes com adição de resíduos em, no mínimo, 10% do custo total de materiais e componentes especificados para a edificação. 07 USO DE MATERIAIS E COMPONENTES
Não atendido Especificação do memorial descritivo
e caderno de
Condicionar o caderno de especificações
PRODUZIDOS NA REGIÃO.
Não houve possibilidade de mensurar item por
não haver informações a respeito no caderno de especificação. especificações o uso preferencial de materiais produzidos nos limites da região. e planilha orçamentária a especificação de materiais e componentes produzidos na região em, no mínimo, 40% do custo total de materiais e componentes especificados para a edificação. 08 USO DE MATERIAIS E COMPONENTES COM ALTA DURABILIDADE. Não atendido Não houve possibilidade de mensurar item por
não haver informações a respeito no caderno de especificação. Especificação do memorial descritivo e caderno de especificações dos materiais empregados e as devidas durabilidades de acordo com os critérios adotados pela NBR 15575. O projeto, planilha e caderno de especificações deve atender todos os sistemas do edifício, materiais e componentes no quesito vida útil de projeto superior (VUP superior) estabelecida pela NBR 15575. 09 SOLUÇÃO DE PROJETO PARA ECONOMIA DE MATERIAIS E COMPONENTES. Parcialmente atendido Apresentou dois itens de cada grupo: 1) especificação de materiais – uso de vidro insulado na fachada; 2) Soluções de desenho – uso de brises nas fachadas da edificação. Adoção de no mínimo seis medidas
projetuais que economizem o uso
de materiais na edificação de acordo com a diretriz para o
item da ASUS. Uso de elementos autoportantes, diminuição da previsão de revestimentos, desenvolver projetos modulares que se adaptam ao local e microclima da região, redução de áreas de circulação ao mínimo estabelecidos, adoção de
técnicas construtivas eficientes. 10 USO DE MATERIAIS RENOVÁVEIS OU DE BAIXO IMPACTO. Não atendido Não houve possibilidade de mensurar item por
não haver informações a respeito no caderno de especificação. Especificação do memorial descritivo e caderno de especificações o uso preferencial de materiais produzidos nos limites da região. A utilização de materiais de baixo impacto energético, aqueles produzidos nas localidades próximas ou de baixo impacto ambiental. O resultado para o item materiais podemos verificar a importância de haver uma composição completa na planilha com os objetivos de prever o uso de materiais reciclados, reutilizados e certificados, garantindo assim o atendimento aos critérios da ASUS. Desde a concepção do projeto estes materiais devem estar presentes visando a redução da carga térmica oriundas dos materiais de construção, esquadrias, equipamentos e outros que venham a fazer parte da construção da edificação.
8.1.3 água
Este tema se destaca pela busca de medidas que favoreçam o uso racional da água em tempos de alterações climáticas que interferem distribuição de água para a população. As edificações devem adotar medidas que levem em conta o aproveitamento da água, reuso e outros métodos que visam a economia, devendo prever o uso de tecnologias que favoreçam o sistema da edificação.
Existem várias possibilidades alternativas de abastecimento além do promovido pela concessionária, como a captação direta, o uso de águas subterrâneas, a reservação de água de chuva, o reuso de determinados efluentes gerados pelo próprio empreendimento, entre outras. Contudo é importante garantir que todas as soluções aplicadas estejam em conformidade com as leis e normas específicas, adequações tecnológicas e adaptação aos respectivos tratamentos necessários, de acordo tanto com as características da água como do uso a que será destinada. Desta forma, busca-se incentivar que na escolha do sítio sejam priorizadas áreas que possuam abastecimento de água potável pela rede municipal com baixos índices de interrupções do abastecimento, assim como disponibilidade de fontes alternativas de água, no caso da não existência de um sistema de distribuição contínuo de água potável local. Assim, mesmo que a fonte secundária de água não seja potável, contribui-se para que na ocorrência de falha no abastecimento de água pela concessionária, a água potável armazenada seja poupada para o
consumo que depende desta qualidade e o abastecimento geral não seja prejudicado. (ASUS, 2011).
Ainda não é prática comum em edifícios públicos o uso de fontes alternativas de água, sendo que diante das condições climáticas cada dia mais adversas essa alternativa deve ser repensada para reduzir custos e consumo de água advindas da rede pública e consequentemente de fontes naturais. O tema busca essa interação através de medidas simples como estudos de viabilidade que muitas das vezes não é considerado para implantação de um sistema de reuso de água. A seguir será demonstrado de acordo com as diretrizes da ASUS as medidas no tema ÁGUA que podem ser modificadas a fim de se obter pontuação máxima na ferramenta.
Quadro 6 : Análise critério Água - ASUS
Item Critério Proposta
Original Proposta modificada Ação
01 ESTUDO DA VIABILIDADE DE ABASTECIMENTO DA EDIFICAÇÃO POR MEIO DE FONTES ALTERNATIVAS DE ÁGUA. Não atendido Sem previsão de elaboração do estudo. Elaboração de estudo de viabilidade. Na fase de projeto elaborar estudo de viabilidade. 02 USO DE FONTES ALTERNATIVAS DE ÁGUA. . Não atendido Sem previsão de uso devido à falta de um estudo de viabilidade para o tema. Elaboração de estudo de viabilidade. Com estudo elaborado aproveitar a cobertura da edificação para captação de água de chuva, captação de águas oriundas do sistema de refrigeração e outros que promovam a redução superior a 30% do consumo de água. 03 USO RACIONAL
DA ÁGUA. Parcialmente atendido hidrossanitário e Projeto caderno de
O estudo de viabilidade deve prever
Apesar de indicar alguns equipamentos sanitários de baixo consumo, a proposta não atende ao requisito médio da ferramenta. especificações com todas as especificações dos equipamentos visando redução no consumo de água. as ações de uso racional da água, entre eles a previsão de tecnologias de monitorame nto da perda de água, uso de automação nos equipament os sanitários e previsão de tubulação para diversos sistemas de água (potável, reuso, cinza, etc.), direcionar cada uma a fim de zerar perdas de água potável Para o item Água aplica-se a mesma ação que foi encontrada no item Energia, ou seja, a realização de estudos de viabilidade para que seja mensurado as melhores propostas que atendam a edificação a ser construída.
As análises comparativas de modo geral no item B, feitas anteriormente mostram que os problemas para implantação das medidas indicadas pela plataforma ASUS podem ser facilmente resolvidos e aplicados nos projetos de edificações públicas. É notório que os entraves administrativos em alguns pontos são mais complexos, mas não inviabilizam o uso da ferramenta na busca de práticas sustentáveis em arquitetura. O projeto padrão utilizado no momento pelo CB por hora tenta de forma inconclusiva e sem estudos de viabilidade aplicar algumas medidas que promovam a eficiência energética na edificação, porem há necessidade de se “profissionalizar”, usando ferramentas de avaliação e de certificação para aplicação correta destas medidas que visem redução de consumo energético. A fase inicial da elaboração de projetos deve sempre ser iniciadas por estudos que envolvam desde a escolha do terreno
onde será implantado a edificação até a manutenção da edificação pós ocupação, onde a escolha dos materiais a serem implantados farão a diferença para que haja uma reciclagem destes em caso de substituição, que tenham múltiplas funções na edificação e que possam ser adquiridos nas proximidades reduzindo assim a carga energética da edificação.
No final do processo, é apresentado um quadro resumo da avaliação com os níveis de desempenho alcançados em cada tema, as suas respectivas ponderações e a média final. Além disso, o resultado é apresentado graficamente de duas maneiras: 1. um gráfico do tipo radar que demonstra o nível de desempenho alcançado em cada tema; e 2. um gráfico em colunas, onde as 6 primeiras representam a contribuição efetiva de cada tema na avaliação final, com seus respectivos resultados ponderados, e a última coluna demonstra o resultado final da avaliação. A partir da escala de graduação de desempenho da ferramenta, foram definidos níveis intermediários para o resultado da avaliação do edifício. (LPP.UFES..., acessado em 05 de jul. 2020).
Figura 05: Gráfico de resultados analise do projeto original.
Fonte: Ferramenta ASUS.
Fonte: Ferramenta ASUS.
Com as aplicações da proposta modificada, foi feito uma nova análise da edificação onde estas medidas foram pontuadas e é possível verificar nas figuras 05 e 06 esses resultados como interferem no resultado da avaliação da edificação. A pontuação obtida pelo tema B no projeto original foi de 0,38 (figura 05) na escala da ASUS que confere a pontuação na escala de graduação de desempenho (quadro 1) como “Desempenho mínimo. Corresponde às normas, à legislação ou à prática convencional” e após a aplicação das melhores práticas sustentáveis a pontuação foi para 4,82 que aproxima da “Prática de Excelência” na escala da ASUS, como mostra a figura 06.
As figuras 07 e 08 mostram o resultado global, onde é possível verificar que na proposta original, figura 07, o índice obtido ficou na escala de “1 a 2” na escala de graduação, considerado pela plataforma como um Desempenho Bom na análise da edificação. A figura 8, após aplicação das medidas de melhoria tem uma melhora significativa no índice passando para o resultado próximo de 3 que aproxima a edificação na escala de “Desempenho Superior” segundo os critérios de avaliação da ASUS.
Figura 07: Gráfico Geral de resultados projeto original.
Fonte: Ferramenta ASUS.
Figura 08: Gráfico Geral de resultados após interferencia no Tema B.
Fonte: Ferramenta ASUS. 9 CONCLUSÃO
Os resultados encontrados na avaliação deste trabalho comprovam a eficiência do uso de ferramentas de avaliação de sustentabilidade em edificações, sendo mais favorável na fase de projeto que estas sejam aplicadas. Os índices obtidos pela edificação no projeto original ainda sim configuraram a edificação em uma escala razoável e após aplicação foi verificado uma melhora nos resultados. Algumas ações podem interferir na eficiência da edificação, como o uso ou não dos brises a depender do local de implantação da edificação, a possibilidade de ajustes das fachadas, invertendo quando necessário a posição da edificação ou até pensar em ambientes modulares que podem ser alocados de acordo com o conforto ambiental que mais for favorável.
No item Energia exposto no quadro 4 a conclusão que chegamos é que a implantação dos estudos técnicos de viabilidade de implantação de sistemas de energia renovável já faz com a
edificação já obtenha as melhores pontuações da tabela e a posterior aplicação configura quase que 100% das medidas necessárias no quesito.
Para item Materiais, o quadro 5 mostra que a busca de fornecedores que trabalham com materiais certificados e a especificação destes ainda na fase de projeto fazem com que este quesito tenha bons índices quando avaliados na ferramenta e a posterior aplicação das medidas conferem a edificação os melhores índices como podemos ver na figura 5 e 6.
Por fim a avaliação do quesito água segue o mesmo objetivo do item energia, dando ênfase no uso de estudos de viabilidade na aplicação dos sistemas que poderão promover economia no uso da água na edificação, aumento assim sua eficiência.
Diante dos resultados fica comprovado que não basta legislar a favor da obrigatoriedade de uso de sistemas eficientes, sem que haja estudos de viabilidade que comprovem que a aplicação pode trazer benefícios para a edificação. Apenas instalar um sistema de placas fotovoltaicas ou de reuso de água pode trazer muitos custos e pouco retorno se não for avaliado tecnicamente caso a caso.
A busca de eficiência energética através de práticas sustentáveis e de conservação do meio ambiente garantem vantagens econômicas, redução nos custos de manutenção, redução dos custos de energia e água da edificação, garantindo assim a conservação destes recursos para gerações futuras.
Já não é de hoje que existem recursos que visam aumentar a eficiência energética na construção civil, já que normativas começam a ser inseridas já a partir dos anos 90, porém ganharam força na ultima década com as alterações climáticas causadas em grande parte pela ação do homem que faz com que recursos naturais passem a torna-se escassos e insuficientes para abastecimento da população global.
A ferramenta ASUS, desenvolvida com as condicionantes locais passa a ser uma ferramenta importante na avaliação da sustentabilidade das edificações públicas, que mesmo não conferindo certificação reconhecida pode ser um elemento de fomentação e busca de certificações ambientais em nível nacional como a Procel Edifica e até internacionais como a LEED, AQUA e outras citadas neste trabalho.
Ainda sim há necessidade de investimentos na formação de equipes técnicas e administrativas que atuam no serviço público para que sejam estabelecidos termos de referência, contratos e fiscalização para que possam ser alcançados resultados positivos para os indicadores de
sustentabilidade quando se trata do tema de consumo de recursos, especialmente quando se trada de especificação e aquisição de materiais.
Nesse contexto a ferramenta ASUS se torna uma grande aliada na busca da promoção da sustentabilidade em edificações públicas, num cenário econômico de crise e num cenário ambiental de aumento da emissão de poluentes e escassez de recursos hídricos que pede cada dia mais por medidas que atenuem essas interferências causados pelo inquilino do planeta Terra.
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