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O trabalho do/a assistente social na prevenção e enfrentamento da violência escolar: um estudo a partir do estágio supervisionado em Serviço Social realizado na Escola Municipal De Ensino Fundamental Waldenor Winkler De Panambi/RS

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Academic year: 2021

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UNIJUI- UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

BRUNA DA SILVA SARTURI

O TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLENCIA ESCOLAR: UM ESTUDO A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL REALIZADO NA ESCOLA

MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL WALDENOR WINKLER DE PANAMBI/RS.

IJUI/RS 2015

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BRUNA DA SILVA SARTURI

O TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA PREVENÇÃO E

ENFRENTAMENTO DA VIOLENCIA ESCOLAR: UM ESTUDO A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL REALIZADO NA ESCOLA

MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL WALDENOR WINKLER DE PANAMBI/RS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Serviço Social do Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais – DCJS da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social.

Professora Orientadora: Dra. Solange dos Santos Silva

IJUÍ/RS 2015

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BRUNA DA SILVA SARTURI

O TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLENCIA ESCOLAR: UM ESTUDO A PARTIR DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SERVIÇO SOCIAL REALIZADO NA ESCOLA

MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL WALDENOR WINKLER DE PANAMBI/RS.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Serviço Social da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço Social.

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BANCA EXAMINADORA:

____________________________________________________ Professora Dra. Solange dos Santos Silva (Orientadora)

Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ

___________________________________________________________ Professor Me. Ester Eliana Hauser

Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ

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“A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela também pouco a sociedade muda.”

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DEDICATÓRIA

Aos meus pais, Ergio e Ana, pelo esforço, apoio, dedicação e incentivo aos estudos. A todas as pessoas que contribuíram para a realização deste sonho, dedico esta conquista.

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AGRADECIMENTOS

Ao concluir a primeira de muitas etapas que ainda virão da formação profissional, na qual depositei sonhos e realidades até o presente momento, tenho o imenso prazer de manifestar os meus agradecimentos a todos que fazem parte da minha vida.

Primeiramente agradeço a Deus, aquele que me fortalece espiritualmente e por tudo que tens feito em minha vida. Agradeço aos meus pais pelo apoio aos estudos, ao meu namorado pelo incentivo e paciência nesta etapa, a minha família e amigos, os quais foram essenciais nesta caminhada.

Aos professores do Curso de Graduação em Serviço Social da UNIJUÍ, pelo conhecimento que compartilharam com dedicação, pela amizade, pelas experiências e momentos inesquecíveis que vivemos ao longo da formação acadêmica.

Aos colegas do Curso de Graduação em Serviço Social da Unijuí, companheiros de caminhada, onde dividimos angustias, alegrias e conhecimento, também aqueles de outros cursos que encontrei no Projeto de Extensão C idadania para Todos, onde foi possível colocar em prática o conhecimento teórico adquirido em sala de aula.

Às instituições, Centro de Atendimento Educacional Especializado Panambi (CAEEP) e a Escola de Ensino Fundamental Waldenor Winkler que proporcionaram a experiência de estágio que originou este trabalho de conclusão de curso.

Agradeço também a minha supervisora de campo, Assistente Social Mariele Rodrigues da Silva, que me recebeu muito bem no CAEEP assim como as demais profissionais desta instituição, um exemplo de profissional, que almeja que as pessoas reconheçam a necessidade do profissional em Serviço Social nas Escolas.

Agradeço a minha orientadora Solange dos Santos Silva, que me orientou neste trabalho de conclusão de curso, dividindo seu conhecimento e experiência.

Enfim, agraço a todos que fizeram parte desta caminhada e que continuam fazendo parte da minha vida, que entenderam a minha ausência em certos momentos e que também me incentivaram e tentaram compreender um pouco do Serviço Social e do que é ser Assistente Social.

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RESUMO

O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi desenvolvido a partir da experiência de estágio supervisionado em Serviço Social, tendo como objetivo identificar e refletir sobre a atuação do/a Assistente Social, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler de Panambi/RS, bem como refletir sobre a importância da inserção do profissional em Serviço Social para efetivação de direitos na educação. Está embasado na pesquisa exploratória de campo, com abordagem qualitativa, fundamentada na Teoria Social e no Método Dialético Critico, nas categorias historicidade, totalidade e contradição. Busca-se através deste estudo atribuir maior visibilidade e importância para o trabalho do Assistente Social assim como sua inserção nas escolas. Para isto, apresentam-se aspectos conceituais e históricos da educação como política social, contemplando com a Lei de Diretrizes e Bases e o Plano Nacional de Educação, assim, seguindo com a questão social no universo escolar e as contribuições e competências do Assistente Social neste espaço, e por fim o trabalho do Assistente Social na educação a partir da experiência de estágio supervisionado realizado no período de março de 2013 a junho de 2014, a partir da problemática de como vem ocorrendo o trabalho do Assistente Social na educação de Panambi, mais especificamente na Escola Waldenor Winkler e suas contribuições para a prevenção e enfrentamento da violência escolar e por fim os resultados alcançados com o projeto de intervenção. Conclui-se ser inegável a importância do assistente social nas escolas, pois além de contribuir para a garantia e efetivação do direito a educação, também contribui de forma interdisciplinar para a equipe escolar, para a própria profissão e para os sujeitos usuários, na construção de novos aprendizados e na qualificação dos serviços prestados.

Palavras-chave: Serviço Social. Trabalho. Estágio Supervisionado. Violência

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ABSTRATC

This Work Course Conclusion (TCC) was developed from the stage of supervised experience in social work, aiming to identify and reflect on the performance of the / a social worker at the Municipal Elementary School Waldenor Winkler Panambi / RS as well as reflect on the importance of integrating professional in Social Work for enforcing rights in education. It is based in the exploratory research field with a qualitative approach, based on Social Theory and Dialectical Method Critical, the historicity categories totality and contradiction. Search is through this study give greater visibility and importance to the work of the social worker as well as their integration in schools. For this, it presents conceptual and historical aspects of education as social policy, looking to the Law of Guidelines and Bases, and the National Education Plan, thus following in social projects in the school environment and the contributions and skills of the social worker in this space, and finally the work of the social worker in education from the internship experience supervised conducted from March 2013 to June 2014, from the issue of as it has the work of the social worker in Panambi education, more specifically the School Waldenor Winkler and his contributions to the prevention and fight against school violence and finally the results achieved with the intervention project. The conclusion to be undeniable the importance of the social worker in schools, as well as contributing to guaranteeing and ensuring the right to education also contributes in an interdisciplinary way for school staff, to the profession itself and the subject users, building new learning and qualification of the services provided.

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SUMÁRIO

SUMÁRIO ... 9 1. INTRODUÇÃO ...11 1.1 DELIMITAÇÕES DO TEMA... 11 1.2 PROBLEMA ... 11 1.3 QUESTÕES NORTEADORAS ... 11 1.4. OBJETIVO(S) ... 12 1.4.1 Objetivo geral:... 12 1.4.2 Objetivos específicos: ... 12 1.5 JUSTIFICATIVA... 12 1.6 METODOLOGIA ... 14

2. A EDUCAÇÃO COMO UM DIREITO SOCIAL DENTRO DA POLITICA SOCIAL 17 2.1 EDUCAÇÕES COMO POLÍTICA SOCIAL ... 17

2.2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL ... 22

2.3 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO ... 26

3. QUESTÃO SOCIAL, SERVIÇO SOCIAL E EDUCAÇÃO: APROXIMAÇÕES SOBRE O DEBATE ...30

3.1 A “QUESTÃO SOCIAL” NO UNIVERSO ESCOLAR... 30

3.2 A INSERÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO: ... 34

4. O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA ESCOLAR: EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO NA ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL WALDENOR WINKLER DE PANAMBI/RS38 4.1 A ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL WALDENOR WINKLER- PANAMBI/RS COMO ESPAÇO DE INTERVENÇÃO DO/A ASSISTENTE SOCIAL... 38

4.1 O ESTÁGIO SUPERVISIONADO E A PROPOSTA DE INTERVENÇÃO: A VIOLÊNCIA EM FOCO ... 41

4.2 O TRABALHO DO/A ASSISTENTE SOCIAL NA ESCOLA: CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DA VIOLENCIA ESCOLAR ... 46

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REFERENCIAS...53

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1. INTRODUÇÃO

Este capítulo está organizado de forma, a apresentar os aspectos que norteiam o Trabalho de Conclusão de Curso, aspectos introdutórios da pesquisa, com ênfase para a delimitação do tema, problema, questões norteadoras, objetivos, justificativa e o percurso metodológico, que orienta o estudo sobre o trabalho do/a Assistente Social na educação na prevenção e enfrentamento da violência escolar a partir da experiência de estágio supervisionado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler de Panambi/RS, de março de 2013 a junho de 2014.

1.1 DELIMITAÇÕES DO TEMA

O Trabalho do Assistente Social na Educação, na prevenção e enfrentamento da violência escolar a partir da experiência de estágio supervisionado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler de Panambi/RS, de março de 2013 a junho de 2014.

1.2 PROBLEMA

Como vem ocorrendo o trabalho do assistente Social na Educação, no período de março de 2013 a junho de 2014, e suas contribuições para a prevenção e enfrentamento da Violência Escolar, a partir da experiência de estágio na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler do Município de Panambi-RS?

1.3 QUESTÕES NORTEADORAS

1. Qual a concepção atual do Serviço Social na Educação?

2. Quais as principais expressões da violência que vem sendo evidenciadas na escola?

3. Como o Assistente Social atua frente a situações de violência escolar?

4. Quais as competências e atribuições do Assistente Social na Política de Educação?

5. Quais os desafios e possibilidades encontradas para o trabalho do Assistente Social na Escola?

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1.4. OBJETIVO(S)

1.4.1 Objetivo geral:

Identificar e refletir sobre a atuação do Assistente Social na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler de Panambi/RS e refletir sobre a importância da inserção do profissional em Serviço Social para efetivação de direitos na educação.

1.4.2 Objetivos específicos:

1. Conhecer sobre a atual concepção de Serviço Social na educação.

2. Analisar as principais expressões da violência que vem sendo evidenciadas na escola.

3. Identificar como o Assistente Social atua frente às situações de violência. 4. Identificar as competências e atribuições do Assistente Social na educação. 5. Identificar as possibilidades e desafios do trabalho do assistente social na

escola.

1.5 JUSTIFICATIVA

Considerando a relevância da temática sobre a inserção do/a assistente social na política de educação, da experiência de Estágio Supervisionado em Serviço Social realizado no Centro de Atendimento Educacional Especializado Panambi (CAEEP), do projeto de intervenção na Escola Waldenor Winkler de Panambi/RS, durante o período de março de 2013 a junho de 2014, sentiu se a necessidade de identificar e estudar sobre as contribuições do profissional assistente social nas demandas apresentadas na educação, assim produzindo o presente Trabalho de Conclusão de Curso que traz como temática “O trabalho do(a) assistente social na educação: experiência do estágio supervisionado em Serviço Social na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler de Panambi/RS.”.

A pesquisa tem relevância acadêmica e social, por ser uma temática presente na sociedade contemporânea, pois, as manifestações da questão social também se encontram na realidade de diversas escolas, assim contribuindo para a inserção

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do/a assistente social na educação, conhecendo suas competências e atribuições para esta nova área de inserção profissional.

Durante a experiência de estágio percebeu-se que a profissional assistente social, trabalhou com diversas manifestações da questão social emergentes no espaço escolar, sendo a violência escolar a que se expressa com maior ênfase e a falta de informação que as Escolas do Município de Panambi possuem sobre o trabalho do assistente social, assim como as condições precárias de trabalho da Assistente Social, em que a mesma atende nove escolas municipais e dez escolas de educação infantil municipal, além do CAEEP.

O profissional em Serviço Social, inserido na política de educação, possui muitos desafios, no qual busca desvendar as expressões da questão social, que estão em apresentadas nas escolas, compreendendo como estas se manifestam na vida dos indivíduos sociais.

É na tensão entre re-produção da desigualdade e produção da rebeldia e da resistência que atuam os assistentes sociais, situados em um terreno movido por interesses sociais distintos e antagônicos, os quais não são possíveis de eliminar, ou deles fugir, porque tecem a vida em sociedade. Os assistentes sociais trabalham com as múltiplas dimensões da questão social tal como se expressam na vida dos indivíduos sociais, a partir das políticas sociais e das formas de organização da sociedade civil na luta por direitos (IAMAMOTO, 2010, p. 160).

Considerando essa tensão, posta pela desigualdade, expressada nas múltiplas expressões da questão social que também estão presentes nas escolas, este estudo busca identificar as contribuições do trabalho do assistente social inserido na política de educação, assim como sua inserção e suas contribuições, mais especificamente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler de Panambi/RS.

Espera-se, que os resultados da pesquisa contribuam para identificar à importância do assistente social na política de educação, no enfrentamento e prevenção da violência escolar, considerando que o objetivo do trabalho deste profissional é garantir o acesso a informação assim como direitos e deveres, bem como desvendar as manifestações da questão social nas relações sociais dos sujeitos envolvidos na demanda.

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1.6 METODOLOGIA

A metodologia é o caminho do pensamento, em que expressamos de forma detalhada como a pesquisa foi desenvolvida, assim de forma abrangente e concomitante, Minayo define metodologia da seguinte forma:

(...) a) como a discussão epistemológica sobre o “caminho do pensamento” que o tema ou o objeto de investigação requer; b) como a apresentação adequada e justificada dos métodos, técnicas e dos instrumentos operativos que devem ser utilizados para as buscas relativas às indagações da investigação; c) e como a “criatividade do pesquisador”, ou seja, a sua marca pessoal e específica na forma de articular teoria, métodos, achados experimentais, observacionais ou de qualquer outro tipo específico de resposta às indagações específicas. ( MINAYO,2007,p.44)

A pesquisa é embasada no método dialético crítico. A dialética analisa a realidade na sua totalidade, buscando compreender o todo e destacando processos qualitativos.

A dialética fornece as bases para uma interpretação dinâmica e totalizante da realidade, já que estabelece que os fatos sociais não podem ser entendidos quando considerados isoladamente, abstraídos de suas influências políticas, econômicas, culturais etc. Por outro lado, como a dialética privilegia as mudanças qualitativas, opõe-se naturalmente a qualquer modo de pensar em que a ordem quantitativa se torne norma. Assim, as pesquisas fundamentadas no método dialético distinguem -se bastante das pesquisas desenvolvidas segundo a ótica positivista, que enfatiza os procedimentos quantitativos (GIL, 2008, p. 14).

As categorias do método dialético crítico utilizadas são: totalidade, historicidade e contradição. Conforme Baptista (2010) a totalidade “apreende o objeto em toda a sua abrangência, em um processo de compreensão e de explicação de todas as suas correlações e mediações. Ao mesmo tempo em que vê a realidade como um todo coerente, compreende e analisa partes desse todo”. A historicidade refere-se ao contexto histórico, na concepção marxiana todo fato social, é um fato histórico. Já “a contradição é reconhecida pela dialética como princípio básico do movimento pelo qual os seres existem. A dialética não se contrapõe à lógica, mas vai além da lógica, desbravando um espaço que a lógica não consegue ocupar” (KONDER, 1981). A partir disso, busca-se compreender as razões históricas e o contexto social, para posteriormente entender os motivos que levam a violência escolar.

O método, na perspectiva marxiana, não se confunde com técnicas ou regras intelectivas […]: é uma relação entre sujeito e objeto que permite ao sujeito aproximar-se e apropriar-se das características do objeto. Nessa perspectiva, o conhecimento não é absoluto, mas é possível apreender as múltiplas determinações dos processos sociais historicamente situados,

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porque o ser social se objetiva – a sociabilidade é objetivação (BEHRING; BOCHETTI, 2008, p. 39).

A pesquisa é do tipo exploratória de campo, que “visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses” (GIL, 1991, p.45). Onde a pesquisa descreve o trabalho do Assistente Social na Educação a partir da experiência de estágio no CAEEP e na Escola Waldenor Winkler de Panambi/RS.

A abordagem é qualitativa, visando identificar as contribuições do assistente social nas demandas da educação, ou seja, no que o profissional pode vir a acrescentar para que se possa ter a melhor qualidade na política de educação, assim como no enfrentamento da violência escolar. A pesquisa qualitativa:

[...] Se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 1994, p.21-22).

A pesquisa descritiva é a descrição, registro, análise e interpretação de fenômenos atuais, objetivando o seu funcionamento no presente (MARCONI; LAKATOS,2007, p.20), que na pesquisa constitui-se em análise e reflexões sobre o trabalho profissional do Assistente Social no CAEEP e na Escola Waldenor Winkler, onde foi realizado o Estágio Supervisionado em Serviço Social, onde no período foi possível observar, acompanhar e fazer a intervenção a do Projeto.

A assistente social desenvolve seu trabalho na instituição através das suas competências e habilidades, das dimensões ético-político, teórico-metodológico e técnico operativo. O interesse em aprofundar os estudos nesta temática tem como finalidade auxiliar os profissionais que estão inseridos neste novo campo de trabalho, assim como para o reconhecimento do profissional na educação.

Para o desenvolvimento da pesquisa utilizou-se de fontes primárias, documentação produzida no período de estágio.

Fontes primárias: dados históricos, bibliográficos e estatísticos; informações, pesquisas e material cartografado; arquivos oficiais e particulares; registros em geral; documentação pessoal (diários, memórias, autobiografias); correspondência pública ou privada etc. (MARCONI; LAKATOS, 2007, pág. 26).

Embasado no reconhecimento institucional, diários de campo, relatórios finais e relatório do projeto de intervenção, entende-se que estes documentos são de

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grande importância e valor para o tema proposto, pois compreendem o contexto histórico e sociocultural do tema em questão, caracterizando o processo de exploração, análise e interpretação do material, informações coletadas a partir da experiência de estágio que possibilitou a observação, acompanhamento e atuação através no projeto de intervenção.

As pesquisas bibliográficas em matérias já publicadas sobre a temática abordada assim como artigos, livros, monografias e revistas, também auxiliaram no desenvolvimento da pesquisa juntamente com a documentação de estágio.

Considerando o comprometimento e respeito com os envolvidos, depois da pesquisa concluída, os resultados obtidos através da análise de todo material coletado, estarão sendo apresentados ao Centro de Atendimento Educacional Especializado Panambi e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldenor Winkler, bem como na defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e em eventos e produções acadêmicas e científicas que envolvam a temática.

A ética profissional do assistente social é resguardada tanto para pesquisas como o trabalho do profissional. A pesquisa e os dados estarão resguardados pelo sigilo ético profissional, assim a identidade dos sujeitos envolvidos não será divulgada sendo que esse está prescrito no código de ética profissional do assistente social no artigo 15 do capítulo 5 que "Constitui direito do/a assistente social manter o sigilo profissional." (1993). Bem como os dados coletados, estarão referenciados conforme normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

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2. A EDUCAÇÃO COMO UM DIREITO SOCIAL DENTRO DA POLITICA SOCIAL

Este capítulo está organizado em dois subitens. No primeiro item apresenta-se aspectos conceituais e históricos da Educação como Direito e política social. No segundo item apresenta-se a Lei de Diretrizes e Bases, sob uma perspectiva histórica, necessária para fazer a discussão sobre a inserção do profissional em Serviço Social, pois é necessário conhecer a concepção que norteia a Educação no Brasil.

2.1 EDUCAÇÕES COMO POLÍTICA SOCIAL

Segundo DEMO (1996) a educação não é somente uma ação de treinar o estudante, a exercer uma atividade, mas defende a ideia que o educando vai construindo a sua autonomia por meio da pesquisa.

Educação não é só ensinar, instruir, treinar, domesticar, é sobretudo formar a autonomia do sujeito histórico competente, uma vez que, o educando não é o objetivo de ensino, mas sim sujeito do processo, parceiro de trabalho, trabalho este entre individualidade e solidariedade”. (DEMO 1996 p 16) Neste contexto, para entender a educação como política social é necessário ter o entendimento acerca do que é a política social. Sobre esta temática, Behring e Boschetti afirmam que:

[...] no campo da política social [...] situam a emergência de políticas sociais como iniciativas exclusivas do Estado para responder a demandas da sociedade e garantir hegemonia ou, em outro extremo, explicam sua existência exclusivamente como decorrência da luta e pressão da classe trabalhadora. [...] predomina a visão do estado como uma esfera pacífica, desprovido de interesses e luta de classe (BEHRING; BOSCHETTI 2011, p. 37).

As primeiras formas de políticas sociais surgiram juntamente com a Revolução Industrial, com as lutas de classes, movimentos com objetivos sociais e democráticos, assim as políticas sociais são um fenômeno diretamente associado à constituição da sociedade burguesa, ou ao modo capitalista de produzir e reproduzir.

Desta forma é possível destacar dois aspectos importantes às políticas sociais dentro do viés capitalista, o econômico e o político. No sentido econômico está diretamente ligada à redução dos custos e elevação da produtividade. Na questão política, está relacionada à legitimação das forças capitalistas, visando o ajustamento dos trabalhadores ao sistema.

As políticas sociais antecedentes ao capitalismo tinham como objetivo manter a ordem no Estado, para que o indivíduo não se manifestasse e não se revelasse

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contra o Estado, prejudicando o mesmo, assim mantendo a ordem social. Essas políticas eram seletivas e estritamente rígidas aquelas que tivessem as mínimas condições de trabalho eram excluídas de qualquer beneficio e assistência. Já não se tinha mais tantas características de assistencialismo, pois se tornaram mais seletivas e de caráter estritamente capitalista.

O surgimento das políticas sociais foi gradual e diferenciado entre os países, dependendo dos movimentos de organização e pressão da classe trabalhadora, do grau de desenvolvimento das forças produtivas, e das correlações e composições de força no âmbito do Estado. Os autores são unânimes em situar o final do século XIX como o período em que o Estado capitalista passa a assumir e a realizar ações sociais de forma mais ampla, planejada, sistematizada e com caráter de obrigatoriedade (BEHRING E BOSCHETI, 2006, p. 64)

No século XX se consolida na Europa Ocidental uma sociedade restritamente industrial, cheia de conflitos, e é neste ponto que a política social ganha força, visto que num primeiro momento este tipo de política era apenas de domínio do estado sobre as manifestações da questão social, contudo, na análise do Serviço social, compreende-se que não se tem uma “nova” questão social, mas diferentes manifestações da “questão social”.

Conforme Couto (2003), os movimentos reivindicatórios dos trabalhadores avançaram mais no campo dos direitos civis e políticos, não sendo suficientemente fortes para garantir que as políticas e os direitos sociais ultrapassassem os limites das parcelas do mercado de trabalho urbano mais bem organizado. Dessa forma, as políticas sociais podem ser caracterizadas como políticas de recorte seletivo, dirigindo-se a um grupo específico, e fragmentado, pois responderam de maneira insuficiente às demandas.

A revisão paradigmática que se fez a partir da década de 1990, nas ciências que tem como objeto de estudo a política social, fez emergir uma nova compreensão, destacada por Behring e Boschetti (2007), visto que não é uma questão somente do Estado e nem só política ou econômica, portanto deixa de lado um pensamento ultrapassado entre a relação de poder e sociedade, na qual é necessário conhecer o presente e o passado, de determinado lugar para assim poder agir.

Segundo Meneses e Meneses (2003), o modelo de políticas sociais que emerge no Brasil a partir de meados do século XX, em razão das características do Estado e da sociedade civil, que aqui se configuraram por seus condicionantes

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internos e externos, não corresponde precisamente, nem ao modelo Corporativo da Europa Ocidental (Welfare State) e nem ao Liberal Norte-americano, mas é muito mais uma “mescla e uma adaptação original entre o modelo corporativo da Europa Ocidental e o liberal norte-americano” (p. 648).

O primeiro modelo de políticas sociais trazido ao Brasil foi importado, assim não comportando as demandas da nossa sociedade, deixando uma grande lacuna e não suprindo as necessidades postas assim como os primeiros modelos de estudos dos assistentes sociais, fazendo com que muitos acadêmicos em plena ditadura militar se rebelem contra o sistema de uma universidade católica, que por muito tempo, foi base para manter um assistencialismo e não uma garantia de direitos, que é o fim principal do Serviço Social.

Na década de 1980, a realidade é substituída pelo contexto de redemocratização, com a Constituição Federal de 1988, na qual amplia-se o acesso aos direitos sociais, definidos como: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (CF, 1980).

No surgimento das políticas sociais, estão historicamente ligadas as ações assistenciais, que preconizavam um aspecto de caridade, voluntariado e assistencialismo, que não reconheciam os indivíduos como sujeito de direitos. Com a expansão do capitalismo e a precarização da força de trabalho, o Estado intervém na pobreza como de responsabilidade sobre a questão social para a manutenção do modo de produção capitalista. No Brasil, essa percepção desenvolveu-se a partir da década de 1930, quando começa a se estruturar o campo das políticas sociais.

Diretamente interligado a este movimento, o assistente social se constitui como categoria a partir do rompimento com a Igreja católica e é redirecionado para o Estado, pois é visto como uma profissão que daria conta de acalmar os rebeldes e todo o tipo de movimento que proporciona o pensamento crítico. Porém os profissionais mostraram que a imagem criada pelo Estado não era a qual praticavam muito pelo contrário, veio com objetivo de garantir direitos e de fazer valer tudo o que muitas constituições tinham apenas no papel, no início não tinham esse entendimento, mas buscavam isto de forma inconsciente.

A questão social é o objeto de estudo e de intervenção do assistente social que se constituiu como categoria levando isto consigo, pois proporciona uma

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contestação aqueles estados estritamente ou não capitalistas. Segundo Behring e Boschetti (2007), a conexão entre o Serviço Social e as políticas sociais surge a partir dos anos 30, após a crise do capitalismo em 1929, quando o Estado brasileiro, em consonância com as tendências mundiais, expande seu papel, com intervenções também na área social, para fazer o enfrentamento das expressões da questão social, que emergiam na sociedade brasileira naquele momento. Esta conexão se tem diante da profissionalização do Serviço Social.

Nesse contexto as políticas sociais contemplavam a garantia do acesso ao mercado e a manutenção do trabalhador, a carteira de trabalho constitui -se como documento de cidadania.

O Estado na atualidade representa os interesses do mercado, subordina a política social à política econômica, voltando sua ação, na perspectiva de implementar as políticas públicas para atender a essas demandas, portanto acabando por ser instrumento da classe dominante. Assim se percebe que no contexto atual, os programas sociais são resultados de uma estratégia do Estado na inclusão da classe subalterna.

“Políticas públicas” são diretrizes, princípios norteadores de ação do poder público, regras e procedimentos para as relações entre poder público e sociedade, mediações entre atores da sociedade e do Estado (Teixeira 2002,p.2)

Como o poder é uma relação social que envolve vários atores com projetos e interesses diferenciados e até contraditórios, há necessidade de mediações sociais e institucionais, para que se possa obter um mínimo de consenso e, assim, as políticas públicas possam ser legitimadas e obter eficácia.

A educação também é uma política social e conforme a Constituição Federal do Brasil de 1988, artigo 205 (capítulo III, Seção I) “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”.

A partir dessa disposição da Constituição Federal, entendemos a educação como uma política pública. A partir das lutas sociais, principalmente por parte da classe trabalhadora, que, por meio de movimentos sociais conquistou o reconhecimento dos direitos sociais, assim como a produção de uma consciência política.

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[...] a política de educação pode ser concebida também como expressão da própria questão social na medida em que representa o resultado das lutas sociais travadas pelo reconhecimento da educação pública como direito social (ALMEIDA, 2005 apud MARTINS, 2012, p. 35).

A educação, organizada sob a forma de política social, se constituiu em uma das práticas sociais mais amplamente disseminadas de incorporação dos valores hegemônicos na sociedade capitalista. A partir das lutas sociais pelo reconhecimento de seus direitos sociais, cujas lutas se expressam em diferentes processos que a política educacional assumiu ao longo da história.

A educação constitui-se um dos principais ativos e mecanismos de transformação de um povo e é papel da escola, de forma democrática e comprometida com a promoção do ser humano na sua integralidade, estimular a formação de valores, hábitos e comportamentos que respeitem as diferenças e as características próprias de grupos e minorias. Assim, a educação é essencial no processo de formação de qualquer sociedade e abre caminhos para a ampliação da cidadania de um povo. (MEC/SEPPIR, 2004, p.7)

Deste modo, compreender a trajetória da política educacional é um esforço que requer mais do que o resgate de uma história marcada por legislações e mudanças institucionais, mas de suas relações com a dinâmica e as crises da sociedade do capital, a partir dos processos de estabelecimento de consensos e de reprodução da força de trabalho na realidade brasileira.

Nesta trajetória da educação como política social, também se encontra como uma área estratégica do Estado, pois segundo Gramsci (1999) o capitalismo para manter o controle sobre a sociedade não se utiliza apenas de coerção ideológica, violência política e econômica. É necessária a coerção ideológica, utilizando como instrumento a cultura hegemônica burguesa, transformando-a em senso comum. Para isso utiliza-se da escola, instituição que visa, em última instância, a transmissão dos conhecimentos acumulados historicamente pela sociedade à formação de valores.

A educação como política social é um espaço contraditório, pois ao mesmo tempo em que se utiliza como instrumento social na reprodução de ideologia dominante, desenvolve uma cultura contra hegemônica, em que operacionalizara o sujeito para se opor as diferentes formas de pressão e alienação da sociedade capitalista, pois segundo Almeida:

A educação, na perspectiva capitalista, é uma das formas de se assegurar a sociabilidade necessária à reprodução do próprio capital. Uma educação que conforma sentidos, valores e comportamentos em uma dimensão também desumanizadora. Pensar a educação nos marcos da sociedade

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capitalista requer seu sentido hegemônico e as possibilidades de resistência e de constituição de outras formas de sociabilidade (ALMEIDA, 2012, p.94).

A educação entendida como política pública, que mais tem alcance aos brasileiros é caracterizada como uma política universal é capaz de facilitar o processo emancipatório dos sujeitos, assim como contribuir para sua manipulação. O modelo neoliberal implementado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e mantido por Lula e Dilma, passou, nos últimos anos, a orientar os rumos do Estado, levando ao agravamento das refrações da questão social, não isentando desses reflexos destrutivos as instituições públicas responsáveis por transmitir a educação pedagógica, nas quais está inserida em sua grande maioria, a parcela da população mais prejudicada pelo sistema capitalista, os pobres.

Conforme Almeida (2000), a política educacional está integrada nas respostas à questão social na medida em que demonstra o resultado de lutas sociais em torno da transformação da educação pública como um direito social adquirido e garantido pelo Estado.

E neste sentido a educação como política social, também é um direito fundamental, que se conquista a partir das lutas de classes, da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

No próximo item apresenta-se o resgate de elementos históricos da LDB, sob uma perspectiva histórica, necessária para fazer a discussão sobre a inserção do profissional em Serviço Social, assim conhecendo a concepção que norteia a Educação no Brasil.

2.2 ASPECTOS HISTÓRICOS DA LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL

A Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394/96) – LDB – é a lei orgânica e geral da educação brasileira que dita às diretrizes e as bases da organização do sistema educacional. A LDB é composta por 92 artigos que versam sobre os mais diversos temas da educação brasileira, desde o ensino infantil até o ensino superior que regulamenta um direito garantido pela CF de 1988.

O Ministério da Educação do Brasil foi criado em 1930, após a chegada Getúlio Vargas ao poder. Naquele momento se chamava Ministério da Educação e Saúde Pública, em que desenvolvia atividades importantes a vários ministérios, como por exemplo, o da saúde, esporte, educação e meio ambiente.

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No ano de 1932, a partir de um grupo de intelectuais preocupados em elaborar um programa de política, lançam o Manifesto dos Pioneiros da Educação Novo. O manifesto tinha como objetivo organizar um plano geral de educação, onde tivesse escola única, publica laica, obrigatória e gratuita, também tendo o intuito de separar as responsabilidades entre Estado e Igreja, pois a Igreja sempre foi influente nas decisões do Estado como da própria sociedade.

Até 1960, o sistema educacional brasileiro, tinha um modelo padronizado, no qual todos os estados e municípios seguiam. A partir da aprovação da primeira LDB em 1961, os órgãos estaduais e municipais ganharam autonomia e consequentemente diminuíram a centralização da educação através do MEC.

Foram necessários 13 anos de debate (1948 a 1961) para a aprovação da primeira LDB. O ensino religioso facultativo nas escolas públicas foi um dos pontos de maior disputa para a aprovação da lei. O pano de fundo era a separação entre o Estado e a Igreja.

A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 4.024/61, foi sancionada em 20 de dezembro de 1961 pelo então Ministro da Educação Clemente Mariani, depois foi modificada por emendas e artigos, sendo reformada pelas leis 5.540/68 e 5.692/71 e posteriormente substituída pela LDB 9.394/96.

A lei de 1961, referente à educação, amplia e especifica o direito a educação, estruturando o sistema de ensino da seguinte forma em pré-primário, primário, secundário, técnico, normal e superior. Prevê também educação para excepcionais, pois, assim eram chamados na época pessoas com deficiência e educação com apoio da assistência social.

Segundo Santos (2009), a LDB promulgada em 1961, estabeleceu que a educação pudesse ser ministrada no Brasil tanto pelo setor público quanto pelo setor privado, em todos os níveis, sendo que a educação privada poderia ser subsidiada pelo Estado, sob a forma de bolsas de estudo, verbas para reformas, etc. Embora tenha desresponsabilizado o Estado do Ensino primário gratuito, a LDB obriga a destinação de 12% dos impostos para o setor da educação. A política de educação no Brasil foi marcada por avanços e destinação de maiores recursos.

Na lei de 1971, não ocorreram mudanças significativas, pois neste momento o Brasil se encontrava em pleno regime militar. Pode-se ressaltar que neste período criou-se o 1º e 2º grau (equivale ao ensino fundamental e médio), assim estimulando a formação profissional e criando o exame supletivo. Também neste período o

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ensino passa a ser obrigatório dos sete aos quatorze anos, prevê um currículo comum para o primeiro e segundo graus, e uma parte flexibilizada em função das diferenças regionais existente no Brasil.

Após o período militar na década de 70, durante o processo de reestruturação do Brasil, a qual se baseava em adequar as exigências mundiais, nos padrões de consumo e mão de obra qualificada, que está ligada diretamente a reformas na educação. Pois, segundo Martins (2007), trabalharam em dois sentidos: na expansão quantitativa da educação, tornando-se o ensino fundamental e médio obrigatório até determinada idade, com relativa facilitação do acesso ao sistema escolar e na busca pela melhoria da qualidade do sistema educacional, nas questões de diminuição de índices de evasão e repetência.

A nova concepção sobre a importância da educação refletiu diretamente na Constituição de 1988, assim logo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que, além das adequações mundiais, foi uma conquista a partir da classe trabalhadora, no âmbito das políticas sociais.

A formulação da nova LDB1 em 1996 foi um marco na história da educação

brasileira, possibilitando mudanças significativas no modo como era organizada, estabelecendo um padrão a ser seguido pela educação brasileira.

Na Constituição Federal de 1988, a educação fica estabelecida como um direito social, o qual deve ser garantido pelo Estado através de políticas públicas condizentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1993, avança nesta discussão, trazendo a criança e ao adolescente como cidadão, como sujeitos de direitos, superando a visão de “menor” dominante dos Códigos anteriores.

Integrando a nova condição da criança e adolescente como sujeito de direito, educação como direito social, a escola passa a assumir um papel importante no Estado e na sociedade, com relação a políticas públicas que devem garantir o acesso de todos à Educação, como sendo “um meio indispensável de elevação do nível cultural, de formação para a cidadania, de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades para se enfrentar a complexidade social” (SOUZA, 2005, p. 37).

A educação como direito social e explicitado na LDB:

1 A LDB/1996 foi sancionada em 20 de novembro de 1996, sob o nº 9.394/1996, onde incluiu a educação infantil (creches e pré- escola), também o art.67, para discutir a formação adequada dos profissionais da educação, além de ser uma lei especifica para discutir a educação assim como voltada para as necessidades da realidade brasileira.

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Desde sua promulgação, em 20 de dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional vem redesenhando o sistema educacional brasileiro em todos os níveis: da creche, desde então incorporada aos sistemas de ensino, ás universidades, além de todas as outras modalidade de ensino, incluindo a educação especial, profissional, indígena, no campo e ensino a distância (LDB,2010, p.3)

A partir deste trecho da LDB, podemos refletir sobre as demandas da classe trabalhadora, e das expressões da questão social. É necessário compreender que a luta não é pelo espaço escolar, mas pela educação em si, na formação de sujeitos e de efetivação de direitos.

No Art. 71, inciso IV, a LDB na sua divisão de recursos financeiros define que programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social, não são consideradas despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino.

Neste contexto pode se perceber, que a parte social não é parte integrante do contexto da educação brasileira, assim não é compreendida como processo fundamental na formação do indivíduo.

A Educação Básica é direito universal e alicerce indispensável para a capacidade de exercer em sua plenitude o direto à cidadania. É o tempo, o espaço e o contexto em que o sujeito aprende a constituir e reconstituir a sua identidade, em meio a transformações corporais, afetivo emocionais, socioemocionais, cognitivas e socioculturais, respeitando e valorizando as diferenças. Liberdade e pluralidade tornam-se, portanto, exigências do projeto educacional.

[...] a capacidade conquistada por alguns indivíduos ou (no caso de uma democracia efetiva) por todos os indivíduos, de se apropriarem dos bens socialmente criados, de atualizarem todas as potencialidades de realização humanas abertas pela vida social em cada contexto historicamente determinado. Sublinho a expressão historicamente porque me parece fundamental ressaltar o fato de que soberania popular, democracia e cidadania (três expressões para, em última instância, dizer a mesma coisa) devem sempre ser pensadas como processos eminentemente históricos, como conceitos e realidades aos quais a história atribui permanentemente novas e mais ricas determinações. (COUTINHO,1997)

Compreender e realizar a educação, como um direito individual humano e coletivo, implica em considerar o seu poder de habilitar para o exercício de outros direitos, isto é, para potencializar o ser humano como cidadão pleno, de tal modo que este se torne apto para viver e conviver em determinado ambiente, em sua total dimensão. A educação é processo e prática, que se concretizam nas relações sociais que transcendem o espaço e o tempo escolares.

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A discussão e ações contra a violência escolar, não vem acontecendo apenas nos dias atuais, mas sim desde 2009, no qual tramita um Projeto de Lei no Senado. (PLS) 178/09, do senador Paulo Paim (PT-RS), aprovado em 06 de fevereiro de 2015, em decisão terminativa, pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte. O projeto, que teve como relator o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), inclui entre os princípios que regem o ensino a “superação de todas as formas de violência, internas e externas à escola, na perspectiva de construção de uma cultura de paz”.

Neste mesmo intuito contra a violência escolar, percorre um Projeto de Lei, para inclusão de profissionais da área da psicologia e serviço social no quadro de profissionais da educação, para a garantia de direito assim como em atendimentos e projetos, desenvolvidos dentro das escolas para enfrentamento e prevenção da violência escolar.

A LDB vem sofrendo alterações, conformes as necessidades apresentadas pela sociedade, pois a educação só se concretiza nas relações da sociedade. Estas mudanças são necessárias e fundamentais para atingir de maneira integra o direito a educação. Lembrando que é somente a LDB que estrutura a educação brasileira, o Plano Nacional de Educação, é básico para pensar em transformações necessárias em médio, curto e longo prazo.

2.3 Plano Nacional de Educação

O Plano Nacional da Educação (PNE) é o grande guia para mudar a Educação brasileira. A partir da aprovação da Lei nº 13.005/2014, qual permanecera em vigor até 2024. É um plano diferente dos planos anteriores; uma das diferenças é que o PNE é decenal, com mudanças previstas no decorrer de 10 anos, e com força constitucional, o que significa que ultrapassa governos, logo indiferente o governo que assume deve seguir as medidas já propostas até o momento.

O Plano possui 10 diretrizes, 20 metas e 254 estratégias, que dispõe sobre o acesso desde a Educação Básica ao Ensino Superior de qualidade, formação e plano de carreira para os docentes, e gestão e financiamento da educação no país. Conforme mostra a tabela abaixo,

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Figura 1 Estrutura do PNE através das metas

Fonte: Portal MEC

Assim o PNE, tem como objetivo atuar em todos os campos da educação, por este motivo o Ministério da Educação exerce, nesse contexto, sua função de coordenação federativa, tendo como desafio estimular que as formas de colaboração entre os sistemas de ensino sejam cada vez mais orgânicas, assim segue a estrutura organizacional do MEC.

Figura 2 Estrutura organizacional do MEC

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A partir deste organograma pode-se entender a atual estrutura da educação brasileira, compreender o sistema organizacional da educação que é dividido em educação fundamental, médio, técnico, superior, pesquisa e também as redes de financiamento a educação brasileira, neste aspecto o plano nacional de educação procura atingir de alguma forma essas áreas, conforme as necessidade que vem sendo apresentadas no decorrer dos anos.

A violência escolar não é um tema dos dias atuais, mas vem sendo discutido com maior frequência, devido as consequências que este ato causa nas escolas brasileiras.

Entre as estratégias previstas no plano voltadas para a questão da violência nas escolas, destacamos dentro da meta 1, a estratégia 2.3 e 2.4. Conforme a meta 2, onde pretende universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano de vigência deste PNE, a estratégia que foi elaborada para atingir esta meta se destina em fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso, bem como das situações de discriminação, preconceitos e violências na escola, visando ao estabelecimento de condições adequadas para o sucesso escolar dos (as) alunos (as), em colaboração com as famílias e com órgãos públicos de assistência social, saúde e proteção à infância, adolescência e juventude; assim como promover a busca ativa de crianças e adolescentes fora da escola, em parceria com órgãos públicos de assistência social, saúde e proteção à infância, adolescência e juventude.

Neste contexto é possível observar, que a violência possui uma grande ligação com o rendimento escolar, assim se as condições não forem adequadas, não possuir profissionais capacitados para o enfrentamento da violência escolar, este fator não vai estar somente em números, mas também em forma de outras expressões da questão social, que vem atingindo a sociedade atual.

A partir do que está no PNE, entendemos que o Estado, enquanto entidade maior, pretende não somente investimento com profissionais qualificados, condições adequadas, assim necessárias, mas também conta com a participação de outros órgãos, assim como a participação das famílias, pois também é de responsabilidade das famílias. Sendo que para o seu enfretamento é necessário projetos e meios que

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orientem os profissionais da educação para enfrentar as barreiras para o acesso é permanência, diminuindo as desigualdades e garantindo o exercício da cidadania.

O Plano Nacional da Educação, entende que para que o acesso à educação de forma integral, não depende somente de mais escolas, mais professores, ou outras questões materiais, mas sim atingir as expressões que afetam a permanência, o melhor desempenho escolar, assim como mais investimento em políticas públicas para a educação.

Assim como investir na educação deve ser uma prioridade na sociedade brasileira, manter a educação em pleno desenvolvimento deve ser obrigação de todos os cidadãos, assim como cobrar de seus governantes melhorias constantes, pois a educação define os rumos de uma sociedade.

A partir do momento que se entende a violência como uma das expressões da questão social, que atualmente atinge as escolas brasileiras é necessário entender o que é questão social e como o profissional em serviço social trabalha na prevenção e enfrentamento da questão em proposta.

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3. QUESTÃO SOCIAL, SERVIÇO SOCIAL E EDUCAÇÃO: APROXIMAÇÕES SOBRE O DEBATE

Este terceiro capítulo está organizado em três subitens. No primeiro apresenta a discussão sobre a questão social no universo escolar; no segundo subitem temos a Política de Educação como um novo espaço de intervenção do Assistente Social e no ultimo subitem as competências e atribuições do Assistente Social.

3.1 A “QUESTÃO SOCIAL” NO UNIVERSO ESCOLAR

Os assistentes sociais defrontam-se diariamente, com as mais variadas expressões da questão social, entre elas a violência, pobreza, falta de acesso à saúde entre outras.

A Questão Social surgiu na Europa Ocidental do século XIX, considerado o fenômeno de pobreza entre a classe operária. O processo de urbanização, somado ao da industrialização, deu origem ao empobrecimento do proletariado, mas ao mesmo tempo, conscientizou essa classe da sua condição de explorados e levou à manifestações contra tal situação obrigando o Estado a assumir a responsabilidade pela mediação do conflito de classe. Para Iamamoto (2001), um problema social torna-se efetivamente questão social quando é assumido politicamente; as pressões da classe trabalhadora organizada forçam a sociedade a introduzir os dilemas dessa classe na pauta de atuação dos órgãos públicos.

A questão social diz respeito às:

[...] Expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão (CARVALHO; IAMAMOTO, 1983, p.77).

Então pode-se assim descrever que o Serviço Social como profissão está diretamente ligado ao surgimento da “questão social”, primeiramente sua conduta e assistencialista, devido o seu aporte teórico ser conduzido pela igreja católica, sendo um mediador de conflitos entre Estado e trabalhadores fabris, que viviam com o mínimo, trabalhando muitas horas por dia, e ainda era possível encontrar crianças e mulheres gravidas realizando atividades perigosas nas fábricas.

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Com o desenvolvimento da profissão, o assistente social se torna um profissional que se consolida na busca de contribuir com a garantia de direitos. Contraditoriamente, o assistente social luta contra as expressões da questão social no contexto do modo de produção e reprodução das relações capitalistas e trabalha com essas, pois, é um indivíduo como os demais e necessita de trabalho e dinheiro para sobreviver, não se tem como viver em um mundo paralelo, então amenizam os efeitos do capitalismo já que não a como erradica-lo

A questão social em si e considerada o primeiro plano a se combater nas políticas sociais se destacando o capitalismo concorrencial temos a “questão social” como “objeto da ação estatal”. A relação entre o estado e o capitalismo não é recente, o Estado vem intervindo no processo econômico capitalista desde a pressão da burguesia, que deu origem ao absolutismo, onde o Estado comanda o desenvolvimento do capitalismo monopolista e as funções políticas do Estado se entrelaçam com as funções econômicas.

Neste meio encontram um Estado mínimo para o social, e que destina mais recursos para a reprodução do capital, desta forma transfere suas responsabilidades para a sociedade civil, como entidades filantrópicas se desviando de suas responsabilidades. Então temos uma restrição dos recursos destinados a política pública estatal da Educação, onde falta recursos para as dificuldades apresentadas nas escolas e sobra recursos para investimentos capitalistas, desta forma gerando desigualdades e

As expressões da questão social que são atendidas nas instituições são parte da delimitação do objeto de intervenção profissional. Nesse sentido, o objeto de trabalho do assistente social nas escolas, constitui-se em expressões como vulnerabilidade social, violência, conflito familiar, negligência, etc. Para a materialização das ações profissionais, frente às demandas apresentadas, o assistente social:

[...] Deverá imprimir em sua intervenção profissional uma direção, sendo necessário, para isto, conhecer e problematizar o objeto de sua ação profissional, construindo sua visibilidade a partir de informações e análises consistentes — atitude investigativa. Concomitantemente, o trabalho do AS deverá ser norteado por um plano de intervenção profissional objetivando construir estratégias coletivas para o enfrentamento das diferentes manifestações de desigualdades e injustiças sociais, numa perspectiva histórica que apreenda o movimento contraditório do real (FRAGA, 2010, p. 45).

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O Serviço Social tem a questão social como um dos elementos “fundantes” da profissão, uma vez que seus profissionais trabalham na execução das políticas sociais públicas que são respostas às diversas expressões da questão social. Já na contemporaneidade, os profissionais de Serviço Social têm se de deparado, com o aprofundamento da questão social, em função das novas configurações das expressões da questão social.

Nesse sentido, deve-se conhecer o objeto, desvendando suas múltiplas expressões, dando-lhe visibilidade a partir de dados concretos e a partir daí planejando, executando e gerindo estratégias de enfrentamento.

As expressões da questão social tem se agravado nos últimos anos, conforme as transformações societárias cada vez mais rápidas e profundas. Nesse sentido, surgem novas exigências para a atuação profissional do Assistente Social.

Deparamo-nos no século XXI com as metamorfoses que a própria questão social vem sofrendo; e como a questão social é objeto de trabalho do profissional de Serviço Social, a prática interventiva sobre a mesma também necessita de ser mais bem explorada e aprofundada. Hoje, um dos maiores desafios que o Serviço Social enfrenta é desenvolver a capacidade de decifrar a realidade e elaborar novas propostas de trabalho que possam atender suas atuais demandas. (SANTOS,2008, p.90)

Neste contexto, os reflexos da questão social estão cada vez mais presentes no dia a dia das escolas, como por exemplo, violência, drogas, gravidez na adolescência. O Serviço Social tem a escola como um espaço de intervenção. Este era um campo de atuação apenas de psicólogos, psiquiatras e agora passa a ser dividida com o profissional Assistente Social, configurando-se como um espaço multidisciplinar.

Sabe-se que é no interior da escola, que apresentam as múltiplas da questões sociais vivenciadas no dia a dia familiar, como desemprego, trabalho infanto-juvenil, baixa renda, fome, problemas de saúde, habitações inadequadas, drogas, pais negligentes, violência doméstica, pobreza, desigualdade social, exclusão social, entre outras que refletem diretamente no ambiente escolar. As demandas emergentes e resultantes da questão social é que justificam a importância da inserção do profissional do Serviço Social, que neste espaço tem como objetivo de receber e encaminhar estas demandas. Neste sentido, Iamamoto (1998) afirma:

O desafio é re-descobrir alternativas e possibilidades para o trabalho profissional no cenário atual; traçar horizontes para a formulação de

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propostas que façam frente à questão social e que sejam solidárias com o modo de vida daqueles que a vivenciam, não só como vítimas, mas como sujeitos que lutam pela preservação e conquista da sua vida, da sua humanidade. Essa discussão é parte dos rumos perseguidos pelo trabalho profissional contemporâneo (IAMAMOTO, 1998, p.75).

De acordo com a autora, o assistente social exerce, indiscutivelmente, funções educativa-organizativas sobre as classes trabalhadoras. E, na escola, seu papel não é de professor, pois seu trabalho incide sobre o modo de viver e de pensar da comunidade escolar, a partir das situações vivenciadas em seu cotidiano, justamente por seu caráter político-educativo, trabalhando diretamente com ideologia, e dialogando com a consciência dos seus usuários, assim como compartilhando as informações assim pertinentes com a equipe multidisciplinar.

A violência é apenas uma das expressões da questão social evidenciadas na sociedade atual, nos quais os assistentes sociais se inserem, buscam o conhecimento de como os processos decorrentes da estrutura econômica da sociedade produzem a questão social e como se interpenetram e se manifestam, por exemplo, na vida dos adolescentes que sofrem com a violência na escola bem como as manifestações dos sujeitos para enfrenta-las.

A violência escolar é um fenômeno social complexo que envolve toda a sociedade. Com diferentes causas, os atos violentos encontram-se na Educação Infantil até o Ensino Médio, nas escolas públicas e privadas de todo o mundo. É na escola que se expressam as tensões sociais presentes na sociedade, oriundas das refrações da Questão Social (AMARO, 2011).

A violência, entendida como uma expressão da questão social, é parte constitutiva do processo histórico da sociedade, apresentando-se como uma relação de forças nas relações interpessoais e interclasses. Nesta linha de pensamento, Fraga (2002, apud BEZERRA, 2009, p. 136) conclui que a violência é uma forma de “dilaceramento do ser social”, pois ela aparece concretamente nas contradições sociais.

Nilo Odalia (2004) contribui relacionando o conceito de violência com situações de privação, destituição. Desse modo, toda a vez em que nos sentirmos privados de algo, estamos sendo vítimas da violência.

Com efeito, privar significa tirar, destituir despojar, desapossar alguém de alguma coisa. Todo ato de violência é exatamente isso. Ele nos despoja de alguma coisa, de nossa vida, de nossos direitos como pessoas e como cidadãos [...]. A ideia de privação parece-me, portanto, permitir descobrir a violência onde ela estiver por mais camuflada que

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esteja sob montanhas de preconceitos, de costumes ou tradições, de leis e legalismos (ODALIA, 2004, p. 86).

A violência em suas diferentes facetas, quando privados os sujeitos de seus direitos são levados a uma condição de violência.

A violência nas escolas ultrapassa a questão pedagógica e assume o status de questão social, um problema social grave e complexo e que, segundo Lopes Neto (2005, p.165), “é provavelmente o tipo mais frequente e visível da violência juvenil”. Neste contexto é necessário entender o trabalho, a inserção do assistente social na educação.

3.2 A INSERÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO:

Conforme a Lei nº 8.662 de 7 de junho de 1993 de regulamentação da Profissão de Assistente Social, nos artigo 4º e 5º sobre suas competências e atribuições privativas do Assistente Social

A presença de assistentes sociais e psicólogos/as nas redes básicas de ensino é uma estratégia fundamental ao desenvolvimento da política de educação no Brasil já é comprovado, haja vista a experiência dos diversos municípios que já inseriram esses/as profissionais na área.

É a partir da década de 1990 que se amplia a discussão sobre a intervenção do Estado, por meio das políticas sociais e a emergência do mercado de trabalho para a área do Serviço Social, nesse campo, o amadurecimento do Projeto ético-político profissional foi fundamental para o crescimento do espaço do Serviço Social na educação.

Não basta reconhecer a educação como um novo espaço para ser inserido, mas sim reconhecer o papel do profissional Assistente Social no âmbito, tanto como reconhecer o espaço profissional e demonstrar para as demais profissões qual o papel do Assistente Social inserido neste meio.

[...] Educação e Serviço Social são áreas afins, cada qual com sua especificidade, que se complementam na busca por objetivos comuns e projetos político-pedagógicos pautados sob a lógica da igualdade e da comunicação entre escola, família, comunidade e sociedade (SOUZA, 2005, p.39)

O Assistente Social na educação tem como objetivo planejar, elaborar, propor, coordenar e executar ações na educação pública quanto privada, para a

Referências

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