UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS,
ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO.
CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
ANA CAROLINA CERETTA
A CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO DE CONTROLE NO
PROCESSO DE GESTÃO PARA UM:
MICRO EMPREENDEDOR INDIVIDUAL – MEI
IJUÍ (RS)
2018
ANA CAROLINA CERETTA
A CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO DE CONTROLE NO
PROCESSO DE GESTÃO PARA UM: MICRO EMPREENDEDOR
INDIVIDUAL – MEI
Trabalho de conclusão do curso apresentado no DACEC - Curso de Ciências Contábeis da UNIJUÍ, como requisito parcial para aprovação da disciplina Pesquisa em Contabilidade II.
Professora Orientadora: Me. ROSELAINE FILIPIN
Ijuí (RS)
2018
Dedico a todos vocês que sempre estiveram ao meu lado, me incentivando e
apoiando, em especial à minha
orientadora, Professora Me. Roselaine Filipin, e à minha família, que muito contribuíram para que este trabalho atingisse seus objetivos.
AGRADECIMENTOS
Agradeço de forma especial aos meus pais, Sandra e Oclides, pelo afeto, pela família que construímos e pelo incentivo que sempre me deram. Obrigada pela educação concedida para minha formação, sem vocês eu não seria nada.
Aos meus irmãos, Luiza Helena e Maximiliano que mesmo longe sempre estivem ao meu lado com palavras de apoio. Sem esquecer é claro dos meus cunhados queridos André e Fernanda, juntamente com minhas sobrinhas Eduarda, Manuela e Isabella.
Também agradeço, especialmente, ao meu noivo Djonatan, pelo amor e paciência comigo, muita por sinal, por entender todas as situações e apoiar minhas escolhas, obrigada por estar sempre ao meu lado.
À minha orientadora, Prof.ª Me. Roselaine Filipin, por acreditar e me incentivar, com certeza a mesma fez toda a diferença na minha formação, sendo fundamental para o desenvolvimento deste estudo.
E todos aqueles que de alguma maneira sempre torceram por mim. A todos vocês, meu muito obrigada!
“Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas Graças a Deus, não sou o que era antes”. (Marthin Luther King).
RESUMO
A Lei Complementar 123/2006, foi criada para que o micro empreendedor individual pudesse sair da informalidade, assim o estudo teve como objetivo, a proposição destes instrumentos oriundos da contabilidade para auxiliar uma empresa enquadrada no MEI no processo de gestão. O estudo foi realizado por meio de pesquisa descritiva, qualitativa, aplicação de um estudo de caso, documental e bibliográfica. A empresa não possuía nenhum tipo de controle, assim a elaboração de controles de vendas, contas a pagar e receber, fluxo de caixa, DRE, possibilitam melhorias no processo de gestão da empresa.
ABSTRACT
Complementary law 123/2006 was created so that the individual micro entrepreneur could leave the informality, so the study had the purpose of proposing these instruments from accounting to help a company within the MEI in the management process. The study was carried out through descriptive, qualitative research, application of a case study, documentary and bibliographical. The company did not have any type of control, so the preparation of sales controls, accounts payable and receivable, cash flow, DRE, allow for improvements in the process of company management.
LISTA DE QUADROS
Quadro 1: Fornecedores ...42
Quadro 2: Despesas ...43
Quadro 3: Recebimento de clientes ...43
Quadro 4: Fluxo de Caixa período de janeiro a julho de 2017 ...45
Quadro 5: Fluxo de Caixa período de agosto a dezembro de 2017 ...45
Quadro 6: Fluxo de Caixa período de janeiro a julho de 2018 ...46
Quadro 7: Modelo de Novo Fluxo de Caixa ...47
Quadro 8: Depreciação anual e mensal ...48
Quadro 9: Demonstração do Resultado do Exercício - DRE 2017 ...49
Quadro 10: Controle de Estoque...50
Quadro 11: Valores de Resultado ...51
LISTA DE FLUXOGRAMAS
Fluxograma 1: Processo de produção ...38 Fluxograma 2: Aquisição da matéria prima ...39
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Modelo de Fluxo de Caixa Projetado proposto por Zdanowicz ...23
Figura 2: Modelo do funcionamento dos SI ...26
Figura 3: Ambiente de um sistema...28
Figura 4: Fluxograma da análise de dados ...36
Figura 5: Serviços executados ...37
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
EPP Empresa de Pequeno Porte
DRE Demonstração do Resultado do Exercício
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MEI Microempreendedor Individual
ME Microempresas
SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 14
1.1 ÁREA DE CONHECIMENTO CONTEMPLADA ... 15
1.2 CARACTERIZAÇÕES DA ORGANIZAÇÃO ... 15 1.3 PROBLEMA ... 15 1.4 OBJETIVOS ... 17 1.4.1 Objetivo geral ... 17 1.4.2 Objetivos específicos ... 17 1.5 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA ... 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 19 2.1 CONTABILIDADE ... 19 2.1.1 Demonstrativos Contábeis ... 20 2.1.2 Controles Internos ... 21 2.1.3 Fluxo de Caixa ... 22 2.2 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO ... 26 2.3 TIPOS DE EMPRESAS ... 28 2.4 MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL ... 30 3 METODOLOGIA DA PESQUISA ... 31 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ... 31
3.1.1 Quanto aos Objetivos ... 32
3.1.2 Quanto aos Procedimentos ... 32
3.1.3 Quanto a Abordagem do Problema ... 33
3.2 COLETA DE DADOS ... 34
3.3 ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ... 35
4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA EMPRESA ... 37
4.2 DIAGNOSTICO INICIAL DOS PROCESSOS OPERACIONAIS ... 37
4.2.1 Processo Operacional da Produção ... 38
4.2.2 Processo de Aquisição de Mercadorias ... 39
4.2.3 Processo das Vendas ... 40
4.3 PROCESSO INICIAL DE DESPESAS ... 41
4.4 SISTEMAS DE APOIO A GESTÃO ... 41
4.4.1 Controle de Contas a Pagar ... 41
4.4.2 Controle de Despesas ... 42
4.4.3 Controle de Contas a Receber ... 43
4.5 PROJEÇÃO FLUXO DE CAIXA ... 43
4.6 DEPRECIAÇÃO ... 47
4.7 DEMONTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCICIO- DRE ... 49
4.8 ESTOQUE ... 50
4.9 INDICADORES ... 51
5 CONCLUSÃO ... 53
1 INTRODUÇÃO
As empresas independentemente de seu porte, estão inseridas em um ambiente de constantes mudanças, influenciando e sofrendo influências, aprendendo e ensinando, ou seja, existe uma aprendizagem organizacional, todos os agentes estão envolvidos e os trabalhadores do conhecimento apresentam seus diferenciais (MORAES, FRANCO, 2011).
O Microempreendedor Individual (MEI) é uma forma de legalização das pessoas que trabalham por conta própria e assim constituírem o seu próprio negócio, se legalizam como pequeno empresário (SEBRAE, 2018).
Além do MEI, as empresas são classificadas como microempresas e empresas de pequeno porte, sendo o MEI a forma mais simplificada de constituição formal de empresa individual. Conforme estudos do SEBRAE (2013, p.7), “[...] as microempresas e empresas de pequeno porte representam 99% do total de estabelecimentos existentes no Brasil, respondendo por cerca de 40% da remuneração paga aos trabalhadores formais”.
Grande parte das Microempresas (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP) não tem os processos de gestão definidos, pois em sua grande maioria suas áreas de negócios são representadas pelos próprios donos ou sócios, e em por vezes não possuem controles básicos que possam auxiliar esse processo (SEBRAE, 2013).
A tomada de decisão dentro de qualquer empresa requer responsabilidade e conhecimento, e para isso é necessário, controles, planejamento e ferramentas que possibilitem o controle (CREPALDI, 2008).
O estudo terá como principal objetivo a proposta de implantação dos instrumentos oriundos da contabilidade que possam auxiliar uma empresa enquadrada no Microempreendedor Individual (MEI) à aperfeiçoar seu processo de gestão.
O presente trabalho, no capitulo I apresenta a contextualização da pesquisa, apresentando a definição do tema escolhido, o problema abordado, seu objetivo geral, objetivos específicos de estudo e a justificativa. No capítulo II traz o referencial teórico, visando proporcionar um maior entendimento para o estudo. No capítulo III a metodologia, já no capítulo IV a analise dos resultados e por fim a no capítulo V a conclusão do estudo. O presente capítulo obteve aprofundar
conhecimentos referentes à conceituação, finalidade e aos campos de atuação que a Contabilidade proporciona.
1.1 ÁREA DE CONHECIMENTO CONTEMPLADA
Empreender se tornou necessário para qualquer país, através dessa ideia de empreender, torna-se possível conseguir desenvolver a empresa, melhorar a renda familiar e conseguir independência financeira, é por este fato que as pequenas empresas MEI são uma modalidade de empresas importantes para a economia brasileira, mas que carecem de suporte gerencial (SEBRAE, 2018).
Para que os empreendedores possam ter controle econômico e financeiro do seu empreendimento, a Contabilidade Gerencial pode auxiliar, pois é um processo que tem por finalidade produzir informações estratégicas, econômicas, de gestão, de custos e das demais atividades organizacionais que ocorrem nas empresas, estas informações fazem com que o processo decisório e de controle sejam efetuados e o desempenho e a lucratividade seja alcançados (CORBETT NETO, 1997).
Segundo Oliveira (2009, p.16), “[...] a controladoria gera informações sobre os ambientes internos e externos à empresa, úteis na tomada de decisão pela administração. A palavra controladoria é antiga e se liga às noções de conta, riqueza (dinheiro e mercadorias) e controle”.
Desta forma, o presente estudo tem como tema geral de investigação os sistemas de apoio gerencial para pequenas empresas individuais- MEI.
1.2 CARACTERIZAÇÕES DA ORGANIZAÇÃO
A empresa em estudo é constituída como MEI- Microempreendedor Individual sua localização é na cidade de Giruá/RS, suas atividades começaram no dia 27 de julho de 1978 e tem como principal atividade econômica a produção de artefatos estampados de metal.
1.3 PROBLEMA
empreendedorismo viabilizando novas formas legais e de tributação que permitissem o fortalecimento deste segmento que, de certa forma, era ocupado por uma economia informal na quase totalidade das pequenas empresas (IBGE, 2003).
Um destes elementos foi à possibilidade legal do empresário que não possuía um registro formal ter a oportunidade de crescimento em seu ramo de atuação, constituindo-se formalmente como Microempreendedor Individual (MEI), tornando-se assim uma empresa formalizada perante a legislação. (SEBRAE, 2009).
O Microempreendedor Individual tem como principal objetivo retirar da informalidade milhões de empreendedores e fazer com que seja de fato um empresário, ter faturamento bruto de no máximo, R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais) ao ano válido para o exercício de 2018. Além disso, o Microempreendedor Individual (MEI) pode ter um empregado contratado podendo atuar em uma das mais de 400 (quatrocentas) atividades permitidas para o segmento (PORTAL MEI, 2017).
Uma das principais dificuldades do Microempreendedor Individual (MEI) é a dimensão financeira de seu negócio, pois requer muito conhecimento e disciplina na elaboração de controles que auxiliem o empresário em sua tomada de decisão de seus recursos financeiros (SEBRAE, 2017).
Para Bulling (2009), o crescimento da economia brasileira, a expansão do emprego, a expressiva taxa de desocupação, a melhoria dos rendimentos e um maior acesso ao crédito, dentre outros fatores, contribuíram para a expansão do mercado interno de consumo de massa, abrindo oportunidades de empreendimentos das mais variadas naturezas.
Um dos fatores que fragiliza uma profissionalização da gestão deste tipo de organização é a constituição de instrumentos gerenciais mais robustos o fato de que não há obrigatoriedade quanto a entrega de informativos contábeis perante legislação, fazendo com que o empresário não se preocupe com sua forma de gestão, podendo ocasionar assim um desequilíbrio financeiro imediato (PORTAL MEI, 2018).
Crispim et al (2016) analisaram os controles financeiro em um comércio varejista de Viçosa -MG, e apontaram que as empresas de um modo geral vêm sofrendo dificuldades por não possuírem total conhecimento de sua real situação
financeira. Isso acontece devido à falta de controle interno de profissionais qualificados e habilitados para que façam um planejamento adequado.
Gomes et al (2017) em seus estudos buscaram descrever as ações e as formas de gerenciamento dos microempreendedores individuais em seus negócios com o objetivo de compreender os padrões de gerenciamento e evidenciaram que o microempreendedor demonstra um padrão de gerenciamento limitado, seja pela falta de técnicas e ferramentas de gestão, seja pelo desconhecimento de conceitos e teorias que subsidiam a administração de uma empresa, apontaram resultados quanto a desempenhos medianos no que tange às ações, por exemplo, de gerir estoques, criar promoções de vendas, gerenciar a produtividade e cuidar dos procedimentos e processos.
Fontes e Pero (2011) analisaram a heterogeneidade dos
microempreendedores, possibilitando estabelecer a relação entre as variáveis de interesse (capital humano, financeiro e social e formalização dos direitos de propriedade), o desempenho do microempreendedor na distribuição condicional dos rendimentos formalização da atividade econômica apresentando efeitos positivos e significativos sobre os rendimentos dos microempreendedores ao longo da distribuição de rendimentos.
Diante desse cenário a questão problema do estudo é: Como os instrumentos oriundos da contabilidade podem auxiliar uma empresa enquadrada no MEI no processo de gestão?
1.4 OBJETIVOS
1.4.1 Objetivo geral
O objetivo do estudo foi verificar como os instrumentos oriundos da contabilidade podem auxiliar uma empresa enquadrada no Microempreendedor Individual (MEI) na otimização de seu processo de gestão.
1.4.2 Objetivos específicos
a) Fundamentação teórica dos aspectos relacionados à contabilidade, técnicas de controle de gestão;
administrativo de uma Microempreendedor Individual (MEI) do setor de funilaria;
c) Propor instrumentos, indicadores e mecanismos de apoio à gestão específica para a empresa em análise.
1.5 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA
O estudo tem como objetivo identificar como a contabilidade pode proporcionar instrumentos para auxiliar um Microempreendedor Individual, que passa pela identificação de suas formas de controle que são de extrema importância. No estudo em questão, a empresa atua no setor de funilaria.
A contabilidade vem auxiliar a empresa independente de seu porte no processo de tomada de decisão, proporcionando informações que auxiliem no processo de constantes mudanças no ambiente empresarial, e assim que não prejudiquem seus colaboradores e clientes, auxiliando que o sucesso seja constante. É por meio deste trabalho que a acadêmica desenvolverá formas de controles e processos de gestão com o intuito de melhorar a funcionalidade existente da empresa.
Além de ser o momento de aprofundar e agregar conhecimento sobre o tema, podendo assim no futuro coloca em prática todos os métodos adquiridos, entre teoria e prática. É o momento de entender melhor como funcionam as formas de controle e assim propor auxiliar na gestão de uma organização.
Para a Universidade e para o Curso de Ciências Contábeis o presente trabalho pode servir como estimulo aos novos acadêmicos, como fonte de pesquisa e assim aplicar o estudo em outras organizações, propondo ferramentas de gestão e como forma de auxiliar no processo de gerenciamento de informações ao processo de tomada de decisão, além de servir de material de pesquisa.
Para a empresa, a elaboração deste estudo pode contribuir e poderá ser usado como base para seu planejamento, auxiliando o gestor na tarefa de tomar decisões com mais segurança e menor chance de erros. Além do que, a empresa não utiliza de meios de controles.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONTABILIDADE
A Contabilidade tem por estudo o controle do patrimônio das entidades, faz por meio dos registros contábeis dos fatos e das respectivas demonstrações dos resultados produzidos como o Balanço Patrimonial (BASSO, 2011).
De acordo com Oliveira (2000) pode-se entender que "a contabilidade é uma ciência social que estuda, analisa, interpreta e controla o patrimônio, para atingir essa missão, ela utiliza os princípios fundamentais para analisar, classificar e registrar os diversos fatos ocorridos nas atividades do dia a dia das empresas e demais entidades”.
A origem da contabilidade esta ligada a necessidade de registros do comércio, com sua criação, foi o pensamento do “futuro” que levou o homem aos primeiros registros a fim de que pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de consumo e produção (AGNES, 1993).
Gerenciar um investimento de pequeno, médio ou até mesmo de grande porte, requer competência na tomada de decisões, metas claras e definidas, seriedade, bom conhecimento de mercado, no entanto de nada adiantam, todos esses fatores, se o gestor não puder dispor de balanços financeiros e informes contábeis frequentes que possam lhe permitir conhecer o capital de que dispõe em números precisos, bem como uma boa equipe de trabalho. (BOTELHO, 1993, p.50).
Conforme Atkinson (2000) “a contabilidade é a informação que cria valor, introduz a natureza da informação gerencial contábil e descreve como ela deve ser voltada às diferentes necessidades de seus usuários, sua demanda por informação gerencial contábil é derivada da necessidade administrativa explícita”. Para Marion (2005, p. 24), [...] “a contabilidade é a linguagem dos negócios. Mede os resultados das empresas, avalia o desempenho dos negócios, dando diretrizes para tomadas de decisões”.
A Contabilidade é concebida para que exista controle do patrimônio e assim o estudo da composição da mesma com variações e estados, o patrimônio é considerado pertencente ao homem que por sua vez, vive, age e interage de forma pessoal ou coletiva na sociedade. A contabilidade é enquadrada como uma ciência social aplicada utiliza técnicas especificas que se torne útil à sociedade cumprindo com sua finalidade pela qual foi concebida (BASSO, BRIZOLLA E
FILIPIN, 2017).
Os usuários tanto podem ser internos quanto externos e, mais ainda, com interesses diversificados, razão pela qual as informações geradas pela entidade devem ser amplas e fidedignas e, pelo menos, suficientes para a avaliação da sua situação patrimonial, permitindo a realização de interferência sobre o futuro (Basso, Brizolla e Filipin, 2017, p. 453).
Qualquer tipo de empresa, independente de seu porte necessita manter escrituração contábil, inclusive livro diário, para controlar seu patrimônio e gerenciar as tomadas de decisões adequadamente aos seus negócios, uma empresa sem contabilidade é uma entidade sem memória, sem identidade e sem as mínimas condições de sobrevivência, ou de até mesmo, planejar seu crescimento (BARRETO, 2003).
2.1.1 Demonstrativos Contábeis
A NBCTG26 (R2) conceitua que “as Demonstrações Contábeis de propósito gerais (referidas simplesmente como demonstrações contábeis) é aquelas cujo propósito reside no atendimento das necessidades informacionais de usuários externos que não se encontram em condições de requerer relatórios especificamente planejados para atender às suas necessidades peculiares”.
Os Demonstrativos Contábeis tem como finalidade prover informações de forma clara e objetiva, que será útil a todos os usuários. Ao final de cada período social, geralmente um ano, as empresas devem elaborar e publicar seus resultados, com base na escrituração contábil (BASSO, 2015).
Proporcionam uma estruturação das principais categorias de ativos e passivos, bem como, residualmente, do patrimônio liquido que o compõe. Sendo que, sua divisão é feita de dois lados, do lado esquerdo o Ativo e do lado direito o Passivo e Patrimônio Líquido. A estrutura das demonstrações contábeis existe para que as empresas possam fazer seu papel na sociedade, podendo se desenvolver de forma eficaz e com qualidade (MARION, 2010).
Matarazzo (2010, p. 11) destaca que [...] “é possível construir um modelo de análise dos investimentos e financiamento do capital de giro, de grande utilidade gerencial, bem como a avaliação da capacidade de administração do capital de giro por parte da empresa”.
externos, foi estabelecido pelo legislador que existe uma obrigatoriedade mínima em relação aos seus demonstrativos, ou seja, é obrigatório que a empresa apresente cinco demonstrativos que evidencie de forma sintética as informações econômicas e financeiras do patrimônio das empresas em geral, especialmente para as sociedades comerciais. Dentre esses cinco demonstrativos dois são considerados básicos, que deixam de ser essenciais para a tomada de decisão das empresas, sejam, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício, os mesmos são complementares aos demais demonstrativos, como por exemplo, a Demonstração do Fluxo de Caixa, Demonstrações dos Lucros ou Prejuízos Acumulados e a Demonstração do Valor Adicionado (BASSO, BRIZOLLA E FILIPIN, 2017).
O principal objetivo das demonstrações contábeis é o de proporcionar informação acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas, sua representação estruturada da posição patrimonial e financeira e do desempenho da entidade (NBCTG26 (R2)).
Um demonstrativo importante para a contabilidade é a chamada Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a mesma sintetiza as operações que deram origem ao resultado de um determinado período, através do confronto das receitas, custos e despesas, apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência, gerando informações significativas para a tomada de decisão (BASSO, 2011).
Segundo Marion (2003, p. 127) “[...] a DRE é extremamente relevante para avaliar desempenho da empresa e a eficiência dos gestores em obter resultado positivo. O lucro é o objetivo principal das empresas”.
Conforme a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, Lei das Sociedades por Ações as empresas deverão discriminar na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) de acordo com as (os) respectivas (os) receitas, custos e despesas.
2.1.2 Controles Internos
desenhados para fornecer segurança razoável quanto à consecução dos objetivos organizacionais nas seguintes categorias: confiabilidade de informações financeiras; obediência às leis e regulamentos aplicáveis e também promover a eficácia e eficiência de operações da entidade.
Os usuários tanto podem ser internos quanto externos e, mais ainda, com interesses diversificados, razão pela qual as informações geradas pela entidade devem ser amplas e fidedignas e, pelo menos, suficientes para a avaliação da sua situação patrimonial, permitindo a realização de interferência sobre o futuro (Basso, Brizolla e Filipin, 2017, p. 453).
Frezatti (2009) destaca que um sistema de controle gerencial permite que a organização, além de acompanhar a realização das atividades, realimente todo o processo de gestão. O autor aponta que, para exercer o controle, deve-se verificar o que foi realizado e o que ainda está ocorrendo, fazendo um comparativo com o que efetivamente foi planejado, para reconhecer as incoerências e o meio mais adequado para realinhar o processo.
O controle interno é um conjunto de controles interligados de maneira lógica, abrangendo todas as funções administrativas, ou seja, o planejamento, a execução e o controle (SCHMIDT, 2002).
2.1.3 Fluxo de Caixa
Uma ferramenta muito importante é o chamado Fluxo de Caixa que auxilia e facilita na gestão da empresa fazendo com que o empresário consiga identificar qual é sua situação financeira, ou até mesmo saber em que momento poderá investir em seu imobilizado. Desde modo, pode-se utilizar o planejamento financeiro que engloba sua forma de gestão e controles internos (SEBRAE, 2018).
A movimentação gerada pelo patrimônio da empresa, resultando em uma análise de lucro ou prejuízo do seu patrimônio, ou seja, é o controle que o responsável pela empresa tem sobre suas ações (BASSO, 2015).
Para Zdanowicz (2004, p. 125) [...] “o processo de planejamento do Fluxo de Caixa de determinada empresa consiste em implantar uma estrutura de informações útil, prática e econômica. A proposta é dispor de um mecanismo seguro para estimar os futuros ingressos e desembolsos de caixa na empresa”.
instrumentos de análise, propiciando identificar o processo de circulação do dinheiro, pois, ele tem a capacidade de examinar as entradas e saídas de dinheiro que transitaram pela empresa, assim como o que ainda não aconteceu, mas que está projetado para o futuro. Assim, entre os vários relatórios contábeis, a Demonstração de Fluxo de Caixa tornou-se uma ferramenta indispensável para uma boa gestão de qualquer negócio.
Para a sobrevivência e o sucesso de qualquer empresa, é fundamental que o Fluxo de Caixa apresente liquidez, com ou sem inflação ou recessão, de forma a cumprir com seus compromissos financeiros, e que suas operações tenham continuidade, pois, se a empresa tem liquidez, ela pode gerar lucro. A gestão dos fluxos financeiros é tão relevante quanto à capacidade de produção e de vendas da empresa (SILVA, 2005, p. 1).
“O Fluxo de Caixa é também denominado pela expressão inglesa cash flow, mas outras denominações são utilizadas: orçamento de caixa, fluxo de recursos financeiros, fluxo de capitais, fluxo monetário e movimentação de caixa” (Zdanowicz, 2004, p. 24-25). Estas denominações são elaboradas de diversas formas dentre elas conforme figura a seguir:
Fonte: Zdanowicz (2004 p. 145).
No modelo de fluxo de caixa proposto por Zdanowicz (2004), apresenta os ingressos e desembolsos de caixa e as diferentes fases do fluxo de caixa.
O grupo de contas a pagar esta vinculada à estrutura do Balanço Patrimonial, no grupo do Passivo que compreende as origens de recursos de terceiros representados pelas obrigações da entidade, decorrentes de suas atividades e de financiamentos obtidos de entidades financeiras e/ ou de
investimentos de pessoa físicas ou jurídicas (BASSO, 2013).
De acordo com o SEBRAE (2018), as chamadas contas a pagar fazem com que o empresário fique permanentemente informado sobre os vencimentos dos compromissos, estabelecerem prioridades de pagamentos de títulos ou duplicatas, o montante de valores a pagar.
As duplicatas a pagar é o nome que se dá para o registro de todas as dividas da empresa para com terceiros, provenientes de contas a prazo, representando as dividas da entidade, permanecendo ao passivo e é uma conta de obrigações (BASSO, 2013).
As contas a receber são importantes para as empresas, representa um ativo decorrente de vendas a prazo de mercadorias e serviços, é por este fato que é importante separar os valores a receber, relativos a seu objeto principal (clientes), das demais contas. Representam à parcela ainda não liquidada dos créditos concedidos, esses saldos podem ser desdobrados em custos das vendas (ou dos serviços prestados), impostos sobre vendas e lucro bruto (GBRASIL, 2018).
Segundo Basso, 2013 p. 85 [...] “as receitas constituem positivamente para a situação liquida, gerando fatos contábeis modificativos aumentativos no patrimônio da entidade. Uma receita é fonte recurso para o patrimônio da entidade, gerados pela realização de suas atividades, bem como de ganhos patrimoniais ativos”.
De acordo com o SEBRAE, 2018 as chamadas contas a receber possibilita, ao empresário, o conhecimento dos seguintes pontos, montante dos valores a receber, contas vencidas e a vencer, clientes que não pagam em dia, programação de cobranças.
A área de maior importância dentro de uma empresa de grande, médio ou pequeno porte, é o controle de estoque, através dele a empresa será capaz de prever o quanto será necessário comprar no próximo pedido ao fornecedor obtendo informações úteis sobre as vendas. O controle de estoque tem como principal objetivo aperfeiçoar o investimento em estoques, aumentando o uso eficiente dos meios internos de uma empresa, e minimizar as necessidades de capital investido em estoque (DIAS, 1995).
A NBCTG 16 (R1) conceitua que [...] “a contabilização dos estoques é quanto ao valor do custo a ser reconhecido como ativo e mantido nos registros
até que as respectivas receitas sejam reconhecidas”.
A NBC TG 16 proporciona orientação sobre a determinação do valor de custo dos estoques e sobre o seu subsequente reconhecimento como despesa em resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido, além de orientar os métodos e os critérios usados para atribuir custos aos estoques.
Segundo o artigo 295 do RIR/99 os métodos ou critérios mais conhecidos para a avaliação dos estoques são:
■ PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai); ■ UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai); ■ Preço médio ponderado móvel;
■ Preço médio ponderado permanente; ■ Preço específico.
O mais comum numa ficha de controle de estoque é o controle unicamente da quantidade, por ser mais fácil e de utilização imediata. Tona-se que não são todas as empresas que, além das quantidades, anotam os preços dos produtos estocados. A razão é muito simples: é muito fácil o controle quantitativo e muito difícil, e principalmente operacionalmente trabalhoso, o controle dos preços das mercadorias em estoque (PADOVEZE, 2014).
Conforme Padoveze (2010, p.229) [...] “O PEPS termina por valorizar o estoque final a preços mais recentes e consequentemente o custo das saídas a preços mais antigos. O UEPS termina por valorizar o estoque final a preços mais antigos e consequentemente o custo das saídas a preços mais recentes. O Preço Médio ponderado equaliza tanto o estoque final como o custo das saídas a um preço médio único”.
Segundo a NBC TG 16, o valor realizável líquido é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda. Em outras palavras, o valor realizável líquido refere-se à quantia líquida que a entidade espera realizar com a venda do estoque no curso normal dos negócios e corresponde a um valor específico para a entidade.
Os estoques são mantidos para venda, produção, consumo ou transformação no processo de produção ou na prestação de serviços. Atenção, os quesitos são independentes, pois o ativo que atender a qualquer um desses itens será classificado como estoques (NBC TG 16).
2.2 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
Segundo Padoveze (2000), o sistema de informação contábil é o meio que o contador geral, o contador gerencial ou o controller utilizarão para efetivar a contabilidade e a informação contábil dentro da organização, para que a contabilidade seja utilizada em toda a sua plenitude.
O conceito de sistema, segundo Bio (2017, p.29) “um conjunto de partes interdependentes no seu todo pode ser parte de um todo maior. Daí depreende-se a noção de subsistema, ou depreende-seja, um sistema que é parte de outro”.
Nesse sentido, pode-se dizer que o sistema de informação é um subsistema do “sistema da empresa”. (BIO, 2017).
Sistema de Informações Gerenciais – SIG – é o “processo de transformação de dados em informações que são utilizadas na estrutura decisória da empresa, proporcionando, ainda, a sustentação administrativa para otimizar os resultados esperados.” (OLIVEIRA, 2018, P.27).
Em relação ao sistema de apoio a gestão Padoveze 2009, conceitua:
Classificamos como sistema de informação de apoio a gestão os sistemas ligados à vida econômico-financeira da empresa e as necessidades de avaliação de desempenho dos administradores internos. Fundamentalmente, esses sistemas são utilizados pelas áreas administrativas e financeiras da empresa e pela alta administração da companhia, com o intuito de planejamento e controle financeiro e avaliação de desempenho dos negócios. São exemplos desses sistemas o sistema de informação contábil, o sistema de custos, de orçamento, de planejamento de caixa, planejamento de resultados, centros de lucros etc (Padoveze (2009, p. 44)).
De acordo com Gil (1999, p.23) “o sistema de informação contábil pode ser definido como o conjunto de recursos humanos e de capital dentro da organização o qual é responsável pela preparação de informações financeiras e também das informações obtidas da coleta e processamento dos dados das transações”. Gil apresenta o seguinte modelo para explicar o funcionamento dos sistemas de informação.
Fonte: GIL, 1999, p. 13.
Para Oliveira (2001, p. 36) “A informação é o produto da análise dos dados existentes na empresa, devidamente registrados, classificados, organizados e interpretados dentro de um contexto, para transmitir conhecimento e permitir a tomada de decisão de forma otimizada”.
Decidir sobre qual sistema utilizar, como utilizar, que possa atender as reais necessidades das empresas, segundo Padoveze (2009, p.1) “a decisão sobre sistemas de informações contábeis, basicamente centra-se em quatro grandes vertentes”:
a) Adquirir um sistema de contabilidade (software); b) Construir um sistema de contabilidade;
c) Avaliar as condições técnicas e operacionais de implementação e um sistema;
d) Obter o máximo de aderência e integração do sistema de informação contábil quando dentro de uma plataforma de sistema integrado de gestão empresarial (ERP).
A decisão é maior para o profissional da contabilidade, que deve ter em mente quais informações e quesitos deve possuir, para se preparar para essa decisão, independente do tipo de entidade que atua, determinara a sua vida profissional e da empresa que atua como profissional (PADOVEZE, 2009).
O profissional deve entender, i) os objetivos da empresa, ii) conhecimento profundo da contabilidade, iii) conhecimento dos conceitos de sistema de informação, vi) conhecimento das tecnologias de informações, v) metodologias de auxilio à tomada de decisão. (PADOVEZE, 2009).
O disponibilizar as informações também significa vender as informações; para tanto, há necessidade de infraestrutura, planejamento, gestão, controles, recursos de divulgação e distribuição. Existem diversas maneiras de vender informações, como por exemplo, pela troca de salários, prestação de serviços e de forma empresarial. (REZENDE; ABREU, 2014).
O ambiente de um sistema, representado por uma empresa, pode ser visualizado na figura 3.
Figura 3: Ambiente de um sistema
Fonte: Oliveira (2018).
A figura 3 apresenta o ambiente do sistema “empresa”. Portanto, o foco de estudo é a empresa como um todo. Naturalmente, pode-se considerar o ambiente para qualquer amplitude de sistema, como sistema orçamentário, de recursos humanos, financeiro, de tecnologia etc. Nesse caso, podem estar no ambiente do sistema considerado tanto variáveis dentro da própria empresa, como variáveis que estão fora da referida empresa (OLIVEIRA, 2018).
O ambiente é também chamado de meio ambiente, meio externo, meio ou entorno.
Os Sistemas de Informação, independentemente de seu nível ou classificação, tem como maior objetivo auxiliar os processos de tomada de decisões na empresa. Se os Sistemas de Informação não se propuserem a atender a esse objetivo, sua existência não significativa para a empresa (REZENDE; ABREU, 2009).
2.3 TIPOS DE EMPRESAS
O Brasil possui atualmente três regimes tributários para as Microempresas (ME) e às Empresas de Pequeno Porte (EPP): Simples Nacional, lucro real e lucro presumido. Cabe ao empresário verificar em qual pode se enquadrar e também qual é o mais adequado à sua empresa e às suas necessidades, além é claro das empresas Microempreendedor Individual (ALMEIDA, 2003).
De acordo com Almeida (2003, p. 18), a empresa é [...] “o organismo formado por uma ou várias pessoas com a finalidade de exercitar os atos da
manufatura ou circulação de bens ou prestação de serviço”. Trata-se da criação de uma organização com o objetivo de atingir seus objetivos sociais e financeiros, com a direção e retorno do empreendedor.
Segundo Lei 11.638/07 “as empresas consideradas como de grande porte são as sociedades ou conjunto de sociedades sobre controle comum que tiverem, no exercício anterior, ativo total superior a R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões”.
Uma empresa de médio porte no Brasil, segundo o IBGE, é caracterizada pela quantidade de funcionários que ela possui. Se for indústria, é considerada como médias empresas aquelas que possuem de 100 a 499 empregados. Caso seja uma empresa comercial ou de prestação de serviços ele poderá ter de 50 a 99 empregados para ser considerada uma empresa média. Ela também poderá ser considerada média se tiver mais de R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) de receita bruta anual (MOSSO, 2010).
Estes critérios não possuem uma fundamentação legal especifica e taxativa. A lei complementar nº 123 de 2006, estabelece critérios de receita para as micros e pequenas empresas, sendo as últimas limitadas a receita anual de R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) (MOSSO, 2010).
As pequenas e médias empresas têm grande importância socioeconômica no Brasil no que diz respeito à distribuição de empregos e renda. As empresas de médio porte possuem entre 50 e 99 funcionário e tem seu faturamento anual na faixa de R$ 16.000,00 e R$ 90.000,00 (SEBRAE, 2018).
O ato de classificar deve ter um propósito e a classificação brasileira que segue os critérios internacionais, como número de funcionários e faturamento, serve a propósitos de tributação e fiscalização e não ajuda na forma de gerenciar. Segundo o autor, o que impacta na forma de administrar uma pequena empresa é: a estrutura organizacional, os caminhos e formas de comunicação (se formais ou informais), a autoridade e sua forma de interferência na operação, bem como a sua participação no contexto (MOSSO, 2010).
É inegável a contribuição que as grandes empresas dão para a economia mundial, entretanto, tem sido cada vez mais reconhecido o papel relevante que as pequenas e principalmente das médias empresas que realizam não só em termos sociais, como empregadoras da maior parte da população ativa, mas também pela sua participação no produto nacional. (DUTRA e GUAGHARDI,
1984).
A Lei Geral das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte foi instituída em 14 de dezembro de 2006 (Lei Complementar Federal 123/2006) para regulamentar o disposto na Constituição Brasileira, que prevê o tratamento diferenciado e favorecido à microempresa e à empresa de pequeno porte (SEBRAE, 2018).
Para Pinheiro (1996, p.20), [...] “as pequenas empresas, na esfera social, não contribuem apenas como gerações de emprego representam também um importante mecanismo de mobilidade social, melhor distribuição de renda e ampliação da classe média à medida que se possibilita ao assalariado, ascender à posição de micro ou pequeno empresário”.
2.4 MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL
O Microempreendedor Individual foi criado pela Lei Complementar 123/2006, com o principal objetivo de retirar da informalidade milhões de empreendedores, o Microempreendedor Individual (também chamado de “MEI”) era um empresário com faturamento bruto de, no máximo, R$ 60 mil (sessenta mil reais) (PORTAL MEI, 2017).
Com a vigência da nova Lei Complementar 128/2008, passou a ser considerado Microempreendedor Individual aquele empresário que obter faturamento bruto anual de R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais) para o exercício de 2018. Além disso, o MEI pode ter um empregado contratado e deve atuar em uma das mais de 400 atividades permitidas para o segmento (PORTAL MEI, 2018).
Com esta mudança do faturamento bruto anual, aumenta também, a média mensal de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) que, para 2018, é de R$ 6.750. Desta forma, se o empresário formalizar a empresa como MEI durante o ano, o faturamento máximo permitido é a soma do valor de R$ 6.750 por mês, multiplicado pela quantidade de meses, contando desde o mês da abertura da empresa até o mês de dezembro (PORTAL MEI, 2018).
O empreendedor que exercer apenas atividades no comércio e na indústria pagará inicialmente R$ 47,70 (quarenta e sete reais e setenta centavos) a cargo do INSS e R$ 1,00 (um real) a título de ICMS, totalizando assim R$ 48,70
(quarenta e oito reais e setenta centavos) (PORTAL MEI, 2018).
Já para os empreendedores prestadores de serviços, terá o desembolso de R$ R$ 47,70 (quarenta e sete reais e setenta centavos) contribuindo para o INSS, e R$ 5,00 (cinco reais) para o ISS. Totalizando dessa forma R$ 52,70 (cinquenta e dois reais e setenta centavos). (PORTAL MEI, 2018).
Há casos que o empreendedor atua no comércio, na indústria e também na prestação de serviço. Exercendo as três atividades, o MEI pagará R$ 47,70 (quarenta e sete reais e setenta centavos) a título de INSS, R$ 1,00 (um real) para o ICMS, e R$ 5,00 (cinco reais) para o ISS, finalizando assim um desembolso total de R$ 53,70 (cinquenta e três reais e setenta centavos) mensais (PORTAL MEI, 2018).
Conforme o Portal do MEI, “a vantagem para o MEI é o direito aos benefícios previdenciários, tais como, aposentadoria por idade, licença maternidade, auxílio- doença, entre outros, depois de obedecidos os prazos de carência. A contribuição ao INSS é reajustada sempre que houver o aumento do salário mínimo. O benefício previdenciário também é aumentado sempre que houver aumento do salário mínimo”.
De acordo com estatísticas foi constatado que a Região Sul apresentou o maior percentual de pessoas cadastradas no programa MEI (15,4%). As regiões Norte (4,7%) e Nordeste (6,9%) registraram percentuais menores que a média nacional (10,4%). O ramo de atividade da empresa em estudo possui no estado do Rio Grande do Sul 6.920 (seis mil novecentos e vinte) cadastros que são optantes do Microempreendedor Individual (MEI) ativos (PORTAL MEI, 2018).
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Este capítulo tem por finalidade descrever os métodos e procedimentos utilizados na realização do estudo e busca averiguar e adquirir respostas que expliquem a realidade sobre o tema pesquisado.
3.1.1 Quanto aos Objetivos
Existem três tipos de pesquisa, sendo elas, exploratória que é utilizada para levantamento bibliográfico sobre determinado assunto, a descritiva é um estudo mais detalhado, com levantamento, análise e interpretação de dados, já a explicativa também realiza um estudo aprofundado, também relaciona teoria e prática no processo da pesquisa, tem como principal intuito explicar a causa das coisas (GERHARDT, 2009).
No que se refere à pesquisa, com foco principalmente nos objetivos relacionados a este estudo, caracteriza-se como descritiva. Conceitua Gil (1999, p. 44) [...] “as pesquisas deste tipo têm como objetivo primordial a descrição as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relação entre variáveis, também são pesquisas descritivas aquelas que visam descobrir a existência de associações entre variáveis”.
Na modalidade de pesquisa descritiva realiza-se o estudo, a análise, o registro e a interpretação dos fatos do espaço físico sem a interferência do pesquisador. São exemplos de pesquisa descritiva as pesquisas mercadológicas e de opinião (BARROS E LEHFELD, 2007).
O estudo é descritivo, pois para responder ao objetivo de estudo, se utilizará da descrição dos resultados, ou seja, as ferramentas que a contabilidade pode proporcionar a empresa objeto de estudo, que auxiliem no processo de gestão.
3.1.2 Quanto aos Procedimentos
Em relação aos objetivos em questão a pesquisa não pode haver interferência do pesquisador, que deverá apenas descobrir a frequência com que o fenômeno acontece ou como se estrutura e funciona um sistema, método, processo ou realidade operacional.
Esse tipo de pesquisa pode ser compreendido como um estudo de caso onde, após a coleta de dados, é realizada uma análise das relações entre as variáveis para uma posterior determinação dos efeitos resultantes em uma empresa, sistema de produção ou produto (PEROVANO, 2014). O estudo foi realizado em uma empresa enquadrada com MEI, no ramo de funilaria,
completando no ano de 2018 seus 40 anos de história na cidade de Giruá localizada na região Noroeste do Estado do Rio Grade do Sul, a empresa em estudo tem atualmente como uma das principais atividades a produção de artefatos estampados de metal.
O estudo tem como procedimentos técnicos a pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador maior abrangência sobre o tema estudado bem maior do que poderia pesquisar diretamente (GIL, 2008). Foram utilizados, livros, artigos, legislação pertinente ao assunto objeto de estudo.
A pesquisa documental é realizada em fontes como tabelas estatísticas, cartas, pareceres, fotografias, atas, relatórios, obras originais de qualquer natureza, pintura, escultura, desenho, notas, diários, projetos de lei, ofícios, discursos, mapas, testamentos, inventários, informativos, depoimentos orais e escritos, certidões, correspondência pessoal ou comercial, documentos informativos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos (SANTOS 2000).
Nesse estudo foi utilizado de documentos da empresa, como notas fiscais de compras de mercadorias, vendas, despesas, dentre outros documentos disponibilizados pela empresa.
Estudo de caso é o procedimento técnico para coleta de dados adotada para o desenvolvimento da pesquisa.
Segundo Gil (2010), um estudo de caso tem como característica aprofundar um objetivo explorando situações da vida real, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento identificando possíveis fatores que influenciam um problema ou que são influenciados por ele.
3.1.3 Quanto a Abordagem do Problema
O estudo em questão possui uma abordagem qualitativa, preocupando-se com a especialização da compreensão com o tema e analisará as informações narradas de um modo organizado (GERHARDT; SILVEIRA, 2009).
Do ponto de vista dessa concepção, pode-se perceber que a pesquisa qualitativa não exclui a utilização de dados quantitativos, mas que podem complementar- lá.
cientistas sociais que trabalham com estatística apreendem dos fenômenos apenas a região “visível, ecológica, morfológica e concreta”, a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas (MINAYO, 2003, p. 22).
Nesse sentido o estudo não utilizou de bases estatísticas como forma de responder a questão problema do estudo, mas a relação das ferramentas oriundas da contabilidade como forma de auxilio no processo de gestão da empresa – MEI.
3.2 COLETA DE DADOS
De acordo com Gerhardt, (2009, p. 74) observação é uma técnica que faz uso dos sentidos para a apreensão de determinados aspectos da realidade. Ela consiste em ver, ouvir e examinar os fatos, os fenômenos que se pretende investigar. A técnica da observação desempenha importante papel no contexto da descoberta e obriga o investigador a ter um contato mais próximo com o objeto de estudo.
Já a não participante, o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela, permanecendo fora, presencia o fato, mas não participa dele.
No caso em questão, a pesquisadora realizou, alguns questionamentos, ou seja, perguntas especificas ao micro empresário de maneira informal, não havendo um roteiro programado e listas de questionários prévio. A entrevista foi informal, agendada com o proprietário à medida que houve necessidade de informações.
As entrevistas não padronizadas não utilizam listas de perguntas, funcionam a partir de um conjunto diferente de suposições em que em primeiro lugar, os entrevistadores começam com a suposição de que eles não sabem de antemão todas as informações necessárias para responder às perguntas. Estas entrevistas permitem que os investigadores possam obter informações adicionais sobre vários fenómenos que eles observam ao realizar questões aos participantes (GERHARDT, 2009).
empresa, com questionários pertinentes a suas rotinas de trabalho, bem como seu funcionalismo com atendimento e elaboração de suas produções e prestações de serviços desde a matéria prima até o acabamento de seus produtos.
A pesquisa documental trilha os mesmos caminhos da pesquisa bibliográfica, não sendo fácil por vezes distingui-las. A pesquisa bibliográfica utiliza fontes constituídas por material já elaborado, constituído basicamente por livros e artigos científicos localizados em bibliotecas. A pesquisa documental recorre a fontes mais diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como: tabelas estatísticas, jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias, pinturas, tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc. (FONSECA, 2002, p. 32).
Nesse estudo foi utilizado os documentos da empresa, como notas fiscais de compras de mercadorias, vendas, despesas, extratos bancários, dentre outros documentos disponibilizados pela empresa.
A partir dos documentos, foi levantado os dados das informações financeiras, valores de vendas, compras, despesas, juntamente com as informações qualitativas recebidas do empresário por meio da entrevista, para que fosse realizados os processos de controles necessários que atendam as necessidades da empresa. Dentre eles, fluxo de caixa, controle de contas a pagar e receber, levantamento das despesas, elaboração da DRE e outros necessários no processo de gestão.
3.3 ANALISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
A análise de dados tem como objetivo principal sumariar e organizar os dados de tal forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para investigação. Já a interpretação tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos (Gil, 1999, p. 168).
Selltiz et al (1987) consideram que, para essas categorias serem úteis na análise dos dados, devem atender a algumas regras básicas, assim definidas: 1) o conjunto de categorias deve ser derivado de um único princípio de classificação; 2) o conjunto de categorias deve ser exaustivo; e 3) as categorias
do conjunto devem ser mutuamente exclusivas. Segue abaixo o fluxograma da analise de dados da pesquisa.
Fonte: Autora (2018).
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Após apresentar a fundamentação teórica sobre o objeto de estudo deste trabalho, foi realizada a análise dos resultados a partir das informações coletadas por meio das informações fornecidas pelo responsável da empresa.
4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA EMPRESA
A empresa objeto de estudo atua há 40 anos no mercado de Giruá/RS, atendendo também cidades próximas, seu ramo de atuação é a produção de calhas, algerosas, condutores, instalação de lareiras, acessórios para fogão à lenha, coifas industriais, como demonstra a figura 5:
Fonte: Imagens ilustrativas (2018).
Sua missão é produzir e fornecer produtos diferenciados e de alta qualidade, superando a expectativa dos clientes com excelência no atendimento, criatividade e dedicação no que faz.
Sua visão é continuar sendo reconhecido como um prestador de serviços de qualidade, que atenda as expectativas de seus clientes.
4.2 DIAGNOSTICO INICIAL DOS PROCESSOS OPERACIONAIS
Em entrevista com o responsável pela Funilaria, foi relatada a maneira como é desenvolvido o processo de produção da empresa. Na primeira fase o cliente se desloca até a empresa fazendo a solicitação de determinado serviço de sua necessidade, caso a Funilaria disponibilize aquele serviço, é então executado um orçamento. Cada pedido é único e de total exclusividade por ser sob medida, para que seja feito, é necessário que o Funileiro responsável digira-se até o local
da residência e/ou obra para que possa fazer as medidas.
Na segunda fase é desenvolvida a produção em si, de acordo com o proprietário “geralmente para as obras de pequeno porte existe estoque disponível, caso contrário tenho que solicitar ao meu fornecedor” (PROPRIETÁRIO, 2018).
4.2.1 Processo Operacional da Produção
A partir do diagnóstico dos processos, levantado com o proprietário da empresa, foi elaborado o fluxograma do processo produtivo da empresa objeto de estudo.
Fonte: Autora (2018).
O processo de produção inicia-se a partir o aceite do cliente que acontece com a aprovação do orçamento, assim, a produção do produto acontece a partir do controle da matéria prima, em que a chapa é marcada a partir das medidas disponibilizadas no orçamento, realiza-se o corte de acordo com o molde da chapa, em seguida é levada para uma máquina chamada dobradeira e o produto sai pronto, mas sempre com a medida de 2,00 metros, e assim verifica-se a necessidade do corte ou não de acordo com as especificidades apontadas no orçamento, quando maior é necessário realizar também os ajustes.
Após o termino deste processo a calha vai para a chamada ponteadeira elétrica, local aonde irá ser feito a emenda do produto. Depois que a calha esta todo emendada, é o momento de finalizar com a solda as emendas.
Na terceira fase é realizada a instalação na residência e/ou obra, para que o serviço fique completo é necessário, realizar todos os ajustes necessários para
que fique em perfeitas condições de uso, em algumas situações é necessário realizar o nivelamento da calha e ou o seu devido caimento, depende de cada obra.
No decorrer do processo produtivo, e mesmo após a realização de cada serviço, segue o processo administrativo que é realizado pelo proprietário da empresa.
4.2.2 Processo de Aquisição de Mercadorias
Quanto ao processo produtivo, inicia-se pela aquisição da matéria prima, a empresa não tem matéria prima suficiente para grandes obras, foi relato pelo proprietário que a disponibilidade de realização de pequenas obras consta a matéria prima em estoque, quando maior, primeiro é necessário realizar a aquisição desse produto.
A aquisição de ambos acontece da mesma maneira, conforme fluxograma 2.
Fonte: Autora (2018).
A empresa possui atualmente três fornecedores, a partir do contato com o mesmo é solicitado o material de acordo com a quantidade necessária, a empresa envia por meio de transportadora. O produto é entregue na funilaria, juntamente com a nota fiscal e o referido boleto quando a prazo, ou seja, a empresa adquire todas as mercadorias a prazo.
A mercadoria é recebida e conferida no local pelo proprietário, e esse material é remetido ao estoque, a empresa não possui controle de estoque, nem por meio de sistema, nem papel.
Os boletos de cobrança dessas mercadorias que são recebidos junto com
o material são guardados em uma gaveta, todos juntos, e os vencimentos são anotados em uma agenda, e assim, esses documentos são separados somente no dia do pagamento.
4.2.3 Processo das Vendas
O orçamento é realizado conforme citado anteriormente, em que é realizado junto à obra para obtenção das medidas necessárias, após a aprovação do orçamento, o produto entra em produção e é entregue e instalado na obra.
A empresa como está enquadrada como MEI, não está obrigada a emitir nota fiscal, assim, nem sempre que a mercadoria sai da empresa é acompanhada com nota.
Não possui controle algum sobre o total das vendas realizadas, quando o pagamento é a prazo, os valores são anotados em sua agenda para aguardar o cliente vir ate a empresa realizar o pagamento, conforme figura 6:
Fonte: Dados fornecidos pelo empresário (2018).
Quanto ao valor de venda cobrado a empresa não tem sistema de custos, e o proprietário cobra conforme ele entende como preço justo, ele coloca uma margem entre 60% a 80% sobre todo o material que ele utiliza, mas o cálculo é realizado sem controle algum.
Conforme estudo realizado por Lopes et al (2014) aplicados junto a microempreendedores individuais em Pernambuco, e as práticas de controles financeiros e não financeiros em seus negócios, indicaram a existência de
associações entre as práticas, renda mensal com controle de contas a pagar e formação de preço de venda, e 64% utilizam caderneta para anotar o nome dos devedores e os respectivos valores a receber e, posteriormente, os recebimentos. Gomes et al(2017) apontam para os mesmo resultados quanto aos controles, o estudo foi aplicado em MG, a falta de controle, nas dimensão financeira, principalmente, o controle das contas a pagar, o gerenciamento das informações de caixa e o controle de contas a receber.
4.3 PROCESSO INICIAL DE DESPESAS
Quanto ao controle das despesas, não existe na empresa nenhum tipo de controle, quanto às despesas mensais, todos os documentos são colocados juntos em uma gaveta e anotados os valores no caderno.
4.4 SISTEMAS DE APOIO A GESTÃO
Mesmo a empresa sendo MEI, é necessário que existam processos de controle, assim a partir dos dados levantados, foi apurada a necessidade da criação de processos de controle, que deem suporte a gestão da empresa, no sentido de melhorar suas condições, como também em processos que facilitem a operação do negócio, para a execução desses processos é necessário que sejam feitos em planilhas digitais como, por exemplo, a ferramenta Excel.
Assim, foi proposto melhorias em processos que já existem, e a implantação de outros que atendam as necessidades citadas. Para os processos de recebimento de clientes, pagamentos de fornecedores e despesas existem várias maneiras que o proprietário possa vir a desenvolver, para este caso, é necessário formas mais simples, por se tratar de uma empresa optante pelo MEI, mas que terá êxito na sua gestão. Como já citado, a empresa apresenta uma forma de “organização”, mas que não é suficiente para controlar seus pagamentos e recebimentos.
4.4.1 Controle de Contas a Pagar
de pagamento dos boletos através do comprovante dos mesmos. Não existe nenhum tipo de averiguação em formas de planilhas ou até mesmo anotações.
Assim, com a proposição de um controle conforme quadro 1, pode-se fazer a conferência de determinado fornecedor, quando será o vencimento da fatura adquirida, quantas parcelas foram concedidas, quantas foi efetuado pagamento e quantas ainda faltam pagar.
Quadro 1: Fornecedores
JANEIRO FEVEREIRO
Fornecedor Vencimento Valor Fornecedor Vencimento Valor
F1 - 1/4 04/01/18 R$ 165,34 F1 - 2/4 04/02/18 R$ 165,34
F2- 1/4 05/01/18 R$ 551,38 F2 - 2/4 05/02/18 R$ 551,38 F3 - 1/4 15/01/18 R$ 90,57 F3 - 2/4 15/02/18 R$ 90,57 F4 - 1/4 26/01/18 R$ 170,14 F4 - 2/4 26/02/18 R$ 170,14
MARÇO ABRIL
Fornecedor Vencimento Valor Fornecedor Vencimento Valor
F1 - 3/4 04/03/18 R$ 165,34 F 1 - 4/4 04/04/18 R$ 165,34 F 2- 3/4 05/03/18 R$ 551,38 F 2- 4/4 05/04/18 R$ 551,38 F 3 - 3/4 15/03/18 R$ 90,57 F 3 - 4/4 15/04/18 R$ 90,57 F 4 - 3/4 26/03/18 R$ 170,14 F 4 - 4/4 26/04/18 R$ 170,14
Fonte: Autora (2018).
Ao receber a nota do fornecedor juntamente com o boleto é indispensável que o empresário deixe de fazer a organização das mesmas por ordem de pagamento e as notas separadamente por fornecedor. Este sistema de controle deverá ser executado ao final de cada mês e no futuro com lançamentos diários, por meio da ferramenta Excel, do qual é a filha do proprietário quem fará o manuseio no início da nova forma de controle da gestão.
4.4.2 Controle de Despesas
Para as despesas fixas como publicidade e propaganda, telefone celular, água e energia elétrica, o responsável pela empresa citou que assim que recebe as faturas ele guarda na sua gaveta sem qualquer controle de data de pagamento.
Os pagamentos são efetuados conforme entra receita. Como as despesas são pequenas fica fácil de controlar os pagamentos de acordo com o exemplo desenvolvido no quadro 2.
Quadro 2: Despesas
Fonte: Autora (2018).
A proposta de controle das despesas ocorre por meio da planilha e esta poderá ser executada de maneira simples na ferramenta Excel, como já citado no início quem irá fazer estes lançamentos será a filha do proprietário, mas é indispensável que o mesmo organize a documentação por ordem de pagamento mensalmente.
4.4.3 Controle de Contas a Receber
Com o quadro proposto a seguir é fácil visualizar quando o serviço foi executado, quantas parcelas foram concedidas ao cliente, quantas parcelas foram pagas e quantas ainda faltam pagar. Caso o proprietário venha a utilizar boletos ou até mesmo o cartão de crédito/débito, esse mesmo modelo de controle de cliente será valido.
Quadro 3: Recebimento de clientes
Cliente
João da Silva
Valor do Serviço 05/01/2018 R$ 450,00 Parcela quitada
Parcela ½ 05/02/2018 R$ 225,00 OK
Parcela 2/2 05/03/2018 R$ 225,00 OK
Fonte: Autora (2018).
Esse controle é simples, podendo ser executado por meio de planilhas na ferramenta Excel, podendo já ser executada pelo proprietário da empresa, pois é ele quem deverá ter o máximo controle seus recebimentos.
4.5 PROJEÇÃO FLUXO DE CAIXA
A construção do fluxo de caixa na empresa em estudo foi baseada em documentos que o proprietário forneceu para análise, como, notas fiscais de prestação de serviço, faturas de água, energia elétrica, telefone celular, mensalidade de publicidade e propaganda, gasolina, impostos e contas a pagar a
DESPESAS JANEIRO 201X VENCIMENTO DATA DE PAGAMENTO
Publicidade E Propaganda 01/01/201X
Telefone Celular 06/01/201X
Água 10/01/201X
seus fornecedores.
Diante disto, a empresa em estudo por se tratar de Mei, não fica obrigada a emitir notas de prestação de serviço, não podendo ultrapassar o limite em vigência de R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais). Conforme documentações apresentadas o fluxo de caixa ficou com a seguinte estrutura de contas, saldo inicial, receitas com vendas, despesas gerais, impostos, fornecedores e resultando no saldo acumulado do período.
A coleta dos dados da empresa para a implantação do fluxo de caixa foi no ano de 2017 e no período de janeiro a julho de 2018, este controle de caixa irá proporcionar ao empresário o conhecimento de quanto está entrando em determinado período do ano, e as suas saídas de recursos. Ao analisar a entrada das receitas e a dedução das despesas no ano de 2017 a empresa apresentou saldos operacionais positivos.
No mês de janeiro de 2017 obteve um saldo operacional de R$ 530,09, em fevereiro o saldo operacional baixou para R$ 499,26, no mês de março o saldo foi para R$ 529,27, em abril obteve saldo superior com valor de R$ 932,33, baixando no mês de maio para R$ 785,29, a receita e a dedução das despesas obteve um saldo operacional maior no período de junho com valor de R$ 1.458,73, já no mês de julho reduziu para R$ 566,21, aumentando no mês de agosto para R$ 976,90, para os meses de setembro e outubro seguiu na mesma média de valores com R$ 989,64, R$ 934,65, respectivamente, já no mês novembro aumentou para R$ 1.475,06 período em que o saldo operacional no ano de 2017 foi o maior, finalizando o ano em dezembro com saldo de R$ 1.440,58.
Já no ano de 2018 o saldo operacional em janeiro foi de R$ 620,97, em fevereiro de R$ 542,02, aumentando em março e abril para R$ 1.059,86 e R$ 1.317,11, respectivamente e em maio, junho e julho obteve os maiores saldos do período em estudo com de valores de R$ 3.141,63, R$ 2.912,33 e R$ 3.391,67, respectivamente, pode-se perceber que em comparação dos dois anos o período dos saldos acumulado de Janeiro a Julho de 2018 está sendo muito mais estável do que no mesmo período de 2017. O fluxo de caixa é importante na forma de gerenciar a liquidez da empresa, ou seja, a sua capacidade de pagar seus compromissos.