• Nenhum resultado encontrado

Fontes de adubação nitrogenada e seus reflexos na produtividade de trigo

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Fontes de adubação nitrogenada e seus reflexos na produtividade de trigo"

Copied!
49
0
0

Texto

(1)

UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DEAg – DEPARTAMENTO DE ESTUDOS AGRÁRIOS

RENAN WENTZ

FONTES DE ADUBAÇÃO NITROGENADA E SEUS REFLEXOS NA PRODUTIVIDADE DE TRIGO

Ijuí - RS Julho – 2010

(2)

RENAN WENTZ

Fontes de adubação nitrogenada e seus reflexos na produtividade de trigo

Ijuí - RS Julho – 2010

(3)

RENAN WENTZ

Fontes de adubação nitrogenada e seus reflexos na produtividade de trigo

Trabalho Conclusão de Curso apresentado como um dos requisitos para obtenção do titulo de Engenheiro Agrônomo do curso de Agronomia do Departamento de Estudos Agrários da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI.

Orientador: José Antônio Gonzalez da Silva

Ijuí - RS Julho - 2010

(4)

TERMO DE APROVAÇÃO

RENAN WENTZ

Fontes de adubação nitrogenada e seus reflexos na produtividade de trigo

Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Agronomia da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, defendido perante a banca abaixo

subscrita.

Ijuí, 28 de Julho de 2010.

Prof. Dr. José Antonio Gonzalez da Silva _______________________________________ DEAg/UNIJUI – Orientador

Prof. Doutoranda Cleusa A. M. Bianchi Kruger __________________________________ DEAg/UNIJUI

(5)

Fontes de adubação nitrogenada e seus reflexos na produtividade de trigo

Aluno: Renan Wentz

Orientador: Prof. Dr. José Antônio Gonzalez da Silva

RESUMO

O trigo (Triticum aestivum L.) é uma cultura amplamente difundida no mundo, seja ele na forma de grão ou de seus inúmeros derivados obtidos pela sua industrialização, que vão desde a farinha para fabricação de pães, massas, biscoitos e farelo, usado na alimentação animal como complementos vitamínicos, até o gérmen utilizado na indústria farmacêutica, para a produção de óleos e dietéticos. Portanto é importante, resposta da cultivar de trigo BRS Guamirim, para o cultivo no sul do Brasil, tendo como base a aplicação das fontes de nitrogênio para avaliar o desempenho do rendimento de grãos e características agronômicas nos precedentes culturais soja e milho. O experimento foi semeado, com ausência de irrigação O delineamento experimental foi de blocos casualizados com 4 repetições, onde foi usada uma cultivar (BRS Guamirim) e seis níveis de fontes de nitrogênio, que serão aplicadas em cobertura de modo isolado e combinadas: (Uréia = 45%N; Nitrato de Amônia= 32%N; Sulfato de Amônio = 32%N; ½ Uréia + ½ Nitrato de Amônio; ½ Uréia + ½ Sulfato de Amônio; ½ Nitrato de Amônio + Sulfato de Amônio), variando a dose de nitrogênio usada em 2 diferentes precedentes culturais, utilizando 30 e 60 kgN.ha-¹ na área que havia soja e 40 e 80 kgN.ha-¹ na área de milho. Na avaliação conjunta envolvendo os dois anos de cultivo, fica evidente que o efeito do precedente cultural soja é positivo para o rendimento final em trigo.Para o trigo no precedente cultural soja, doses de adubação nitrogenada na faixa de 30 kg ha -1 traz benefícios similares ao dobro de sua utilização. Anos com maior precipitação anterior e durante o ciclo da cultura do trigo apresentam menor resposta frente à aplicação de nitrogênio mineral.

Palavras Chave: Trigo, uréia, nitrato de amônia, sulfato de amônio, doses,

(6)

Dedicatória

Dedico esse trabalho a minha mãe Léia Lúcia Wentz, pela oportunidade e incentivo em nome da minha formação profissional, estando sempre a meu lado. Dedico também, ao meu professor e orientador José Antonio Gonzalez pela dedicação e empenho ao passar seu conhecimento.

.

(7)

Primeiramente a Deus, por estar sempre guiando meus passos, me dando forças para vencer os obstáculos da vida.

A minha família, especialmente a minha mãe Léia Lúcia Wentz, pela educação que me foi dada, e a oportunidade de cursar um ensino de nível superior.

A minha namorada Jessica Rolim, pelo apoio e compreensão durante o curso acadêmico.

Ao Departamento de Estudos Agrários, professores e funcionários e aos funcionários do Instituto Regional de Desenvolvimento Rural (IRDeR) pelo apoio.

Aos colegas, amigos e acadêmicos do Curso de Agronomia Adair J. da Silva, Ana Paula F. Valentini, Cristiano Fontaniva, Dieovane Antonow, Edegar Matter, Juliana de Oliveira, Jordana Schiavo, Tania Mattioni, Rogerio Viera, Gabriel Batisti, Geverson J. Capelari e José Tiago Boff (Picon) pelo incansável trabalho de implantação e condução do experimento.

Ao grande professor José Antonio Gonzalez da Silva, pela oportunidade dada de participar de um grupo de pesquisa de melhor nível, pela paciência, transparência e incentivo na orientação dos trabalhos, onde sem duvida é uma pessoa que não mede esforços para mostrar a importância do profissional Engenheiro Agrônomo, sendo merecedor do meu respeito e admiração.

A professora Cleusa A. M. Bianchi Kruger, pela ajuda durante o trabalho e por ter aceitado ser integrante da minha banca.

Ainda agradeço a todos aqueles que de uma forma ou outra ajudaram na minha formação profissional.

(8)

SUMÁRIO LISTA DE TABELAS...9 LISTA DE FIGURAS ...10 INTRODUÇÃO ...11 1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...12 1.1 CULTURA DO TRIGO...13

1.2. CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA: ORIGEM E EVOLUÇÃO...13

1.3. ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO ...14

1.4. QUALIDADE INDUSTRIAL DO TRIGO...15

1.5 CARACTERÍSTICAS DO GRÃO DO TRIGO ...17

1.6. NITROGÊNIO E SUAS FUNÇÕES ...18

1.7. TRANSFORMAÇÕES E DINÂMICA DO NITROGÊNIO NO SOLO ...19

1.8. AMBIENTES DE CULTIVO E FORNECIMENTO DE NITROGÊNIO ...21

1.9 FONTES DE ADUBAÇÃO NITROGENADA ...22

2. MATERIAL E MÉTODOS...24

2.1 LOCAL: CLIMA, SOLO E HISTÓRICO DA ÁREA EXPERIMENTAL. ...24

2.2 ANÁLISE DE SOLO ...24

2.3 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL E TRATAMENTOS ...24

2.4 VARIÁVEIS ESTUDADAS FRENTE AOS DOIS ANOS DE AVALIAÇÃO:...25

2.5 ANÁLISES ESTATÍSTICAS ...26 3. RESULTADO E DISCUSSÃO ...27 CONCLUSÃO...40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...41 ANEXOS...44 APÊNDICES ...46

(9)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Recomendação de adubação nitrogenada para a cultura do trigo e/ou triticale, RS/SC...22 Tabela 2. Resumo da análise de variância e percentual de redução dos caracteres avaliados em trigo com base em anos de avaliação, fonte e doses de nitrogênio. DEAg/UNIJUÍ, 2010. ...29 Tabela 3. Comparação de médias para o rendimento de trigo pelo emprego de diferentes fontes e doses de adubação nitrogenada, nos precedentes culturais soja e milho em dois anos de cultivo. IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2010. ...32 Tabela 4. Médias de diferentes caracteres sob interações nos precedentes culturais soja e milho, para doses versus fontes e doses versus ano. DEAg/UNIJUÍ, 2010...35 Tabela 5. Médias para os caracteres CE, PE, NE e PGE para a interação fonte versus ano no ambiente milho e ausência de interação nos caracters NGE, CE, PE, NEE, PGE e PPE para o precedente soja e NAF para o precedente cultural milho. DEAg/UNIJUÍ, 2010. ....37 Tabela 6. Estimativa de equação e parâmetros de regressão para o carater rendimento de grãos (RG) em distintas condições de cultivo. DEAg/UNIJUÍ,2010. ...39

(10)

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Área experimental de trigo no ano de 2009.IRDeR/DEAg/UNIJUÍ. ...47

Figura 2. Área experimental de trigo no ano de 2009. IRDeR/DEAg/UNIJUÍ. ...47

Figura 3. Área experimental de trigo no ano de 2009. IRDeR/DEAg/UNIJUÍ. ...48

Figura 4. Área experimental de trigo no ano de 2009. IRDeR/DEAg/UNIJUÍ. ...48

Figura 5. Área experimental de trigo no ano de 2008. IRDeR/DEAg/UNIJUÍ. ...49

(11)

INTRODUÇÃO

O trigo (Triticum aestivum L.) é uma cultura amplamente difundida mundialmente, seja ele na forma de grão ou de seus inúmeros derivados obtidos pela sua industrialização, que vão desde a farinha para fabricação de pães, massas, biscoitos e farelo, usado na alimentação animal como complementos vitamínicos, até o gérmen utilizado na indústria farmacêutica, para a produção de óleos e dietéticos. Além disto, é alimento básico para cerca de 30% da população mundial e fornece em torno de 20% das calorias consumidas pelo homem, pois possui uma grande quantidade de amido no grão além de conter uma proteína denominada de glúten que não é encontrada em outros alimentos (SEAGRI, 2007).

Atualmente, esta espécie representa cerca de 30% da produção mundial de grãos (USDA1, 2009) com suas áreas de cultivo localizadas nos mais diversos países, sendo que as mais produtivas são encontradas na Europa, Ásia e América do Norte. No ano agrícola de 2005, com uma produção de 615 milhões de toneladas o grão ocupou o segundo lugar no ranking da produção mundial de alimentos (USDA1, 2005). Para o ano de 2010 as previsões apontam para uma produção global de 645 milhões de toneladas de acordo com a Abitrigo (2009) dentre os maiores produtores estão, China, EUA, Índia, Canadá e Rússia, sendo que EUA e Canadá também são os maiores exportadores e China, Índia, Rússia, Japão e o Brasil os maiores importadores do produto.

O Brasil produz em torno de 6 milhões de toneladas de trigo por ano e possui uma demanda potencial de 10 milhões de toneladas o correspondente a aproximadamente 60 kg.habitante-¹. ano-¹ (MACHIO, 2004), por esse motivo se caracteriza como um grande importador deste produto. Além disso, as exportações mundiais de trigo triplicaram nos últimos cinqüenta anos devido a um aumento no consumo mundial de alimentos, principalmente da carne, que necessita grande aporte de grão para a terminação dos animais (BAILLARD, 2008).

A área cultivada com trigo na safra 2009/10 é de 2.446,8 mil hectares distribuídas em três regiões e oito estados da federação. A maior concentração de cultivo está localizada no Estado do Paraná, região Sul, com 1.292,0 mil hectares, correspondente a 52,8% da área total seguido do Rio Grande do Sul com 882,3 mil ha (36,06%). A produção nacional para safra 2009/10, esta em torno de 5.251,8 mil toneladas gerada pela produtividade média de 2.146 kg/há. (CONAB,2010).

(12)

Neste contexto, a qualidade industrial encontrada nas cultivares se insere como um diferencial no que diz respeito à valorização do produto. A qualidade de panificação possui grande importância para a indústria e produtores de trigo, e possibilita a agregação de valor de mercado ao produto (MITELMANN et al., 2000). Pois, os atributos físico-químicos da farinha, diferenciam o mesmo em qualidade e que será evidenciado no processo de confecção do pão e de qualquer outro derivado da farinha de trigo. Por meio do processo de preparo, fermentação e cocção produzem um produto com aspecto de boa aparência, maciez e com boa distribuição dos espaços porosos, tornando um produto igualmente esponjoso (MANDARINO, 1993). Assim as cultivares que contém estes atributos produzem uma farinha que a nível de mercado é de maior preferência e consequentemente, dependendo da escala de produção, possa minimizar as importações deste tipo de produto e abastecer eficientemente o mercado interno diminuindo ou até mesmo zerando a dependência externa.

Mas para que isto seja possível o agricultor precisa investir, aderindo a novas tecnologias e/ou criar novas técnicas de manejo para elevar suas produções, mas aliando a qualidade do produto. Desta forma a adubação nitrogenada se insere como um fator importante, pois esse nutriente é crucial ao desenvolvimento e metabolismo da planta. No Brasil são produzidas anualmente cerca de 1,7 milhões de toneladas de adubos nitrogenados simples (Peruzzo, 2007) e são importados aproximadamente 2,2 milhão de toneladas destes fertilizantes (MAPA, 2009).

Dentre os produtos que contém este elemento no comércio de fertilizantes encontramos a uréia como o principal e ocupando a maioria do mercado. Da produção nacional, a uréia corresponde a 63 % e por 25 % das importações (Peruzzo, 2007).

Portanto é importante, o estudo da resposta da cultivar de trigo BRS Guamirim, para o cultivo no sul do Brasil, tendo como base a aplicação das principais fontes de nitrogênio disponibilizadas pelo comércio de fertilizantes, para avaliar o desempenho do rendimento de grãos e características agronômicas dessa cultivar nos precedentes culturais soja e milho.

(13)

1.1 CULTURA DO TRIGO

O trigo é um dos cereais mais produzidos mundialmente, principalmente pela grande demanda de seus derivados como: pães, massas, biscoitos, entre outros.

De acordo com a USDA, (2009), comparando os últimos anos a produção mundial girou em média de 572,48 milhões de toneladas e com as exportações/importações oscilando em torno de 105 milhões de toneladas nos últimos 50 anos.

O IBGE (2004) demonstra que a área mundial cultivada comparando os anos produtivos de 1999 à 2004 se situou na média de 214,56 milhões de hectares sendo que o Brasil é responsável por cerca de 1,5 milhões de hectares e o Rio Grande do Sul pela semeadura de 600.000 hectares.

No Brasil, o Paraná e Rio Grande do Sul são os maiores estados produtores com 50,2% e 33,4% respectivamente.

Da mesma forma dados mais recentes nos mostram que a área cultivada de trigo vem sofrendo variações durante os anos, sendo que no ano agrícola de 2009 a mesma se situou em torno de 2,39 milhões de hectares e superior à safra de 2008 1,81 milhões de hectares.

1.2. CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA: ORIGEM E EVOLUÇÃO

O trigo pertence à família das gramíneas – Poaceae, tribo Triticeae (Hordeae), sub-tribo Triticinae e gênero Triticum. Compreende quinze espécies que são reunidas em três grupos. A classificação das espécies é decorrente do seu número de cromossomos, como série diplóide (2n = 2x = 14 cromossomos), tetraplóide (2n = 4x = 28 cromossomos) e hexaplóide (2n = 6x = 42 cromossomos).

(14)

O trigo diplóide possui diferentes genomas que são A, B, D, G, que contribuíram para o desenvolvimento dos demais. Os tipos tetraplóide (AABB) são originários do cruzamento natural de duas espécies diplóides e cultivados principalmente em regiões da Europa e EUA, pois necessitam de grande quantidade de frio para se desenvolverem. O trigo hexaplóide (AABBDD) apresenta três genomas que no processo de evolução envolveram três espécies diferentes formando hoje a espécie Triticum aestivum L. e seus genes de qualidade de panificação são provenientes da espécie Aegilops squarosa de genoma DD.

1.3. ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO

De acordo com a escala de Feekes-Large (1954) é dividido em cinco etapas e dentro delas suas respectivas subdivisões:

A: Afilhamento

- Estádio 1: Emergência do coleóptilo e das primeiras folhas. - Estádio 2: Início do afilhamento.

- Estádio 3: Afilhos formados.

- Estádio 4: Alongamento das bainhas foliares. - Estádio 5: Bainhas foliares eretas.

B: Alongamento do Colmo

- Estádio 6: Primeiro nó do colmo visível. - Estádio 7: Segundo nó do colmo visível. - Estádio 8: Última folha é visível.

- Estádio 9: Lígula da última folha é visível. - Estádio 10: Emborrachamento.

C: Espigamento

- Estádio 10.1: Primeiras espigas recém visíveis - Estádio 10.2: ¼ do processo de espigamento.

- Estádio 10.3: ½ do processo de espigamento completo. - Estádio 10.4: ¾ do processo de espigamento completo. - Estádio 10.5: Todas as espigas fora da bainha.

D: Florescimento

- Estádio 10.5.1: Início do florescimento.

(15)

- Estádio 10.5.3: Florescimento completo na base da espiga.

- Estádio 10.5.4: Florescimento terminado e início da formação do grão. E: Maturação

- Estádio 11.1: Grão em estado leitoso.

- Estádio 11.2: Grão em estado de massa mole. - Estádio 11.3: Grão em estado de massa dura. - Estádio 11.4: Grão maduro. Palha morta.

1.4. QUALIDADE INDUSTRIAL DO TRIGO

Classes

De acordo com a normativa Nº 7 do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) o trigo possui classes definidas de acordo com:

Alveografia: Analisa a tenacidade e elasticidade da massa;

Índice de Queda: Medida indireta da enzima alfa-amilase no aparelho “Filling

number” e expresso em segundos, e são elas: brando, pão, melhorador e durum.

Tipos de trigo de acordo com a indústria

De acordo com a normativa Nº 7 do MAPA de 15/08/01 são separados de acordo com critérios que têm como base o pH (peso hectolitro), porcentagem de umidade e impurezas e quantidade de grãos danificados (chochos, quebrados, mofados, ardidos).

- Tipo 1: pH acima de 78, umidade 13% e até 1% de impureza, 0,5% grãos

mofados e ardidos, 1,5% de grãos chochos e quebrados;

- Tipo 2: pH entre 75 e 77, umidade 13% e até 1,5% de impureza, 1% grãos

mofados e ardidos, 2,5% de grãos chochos e quebrados;

- Tipo 3: pH entre 70 e 74, umidade 13% e até 2% de impureza, 2% grãos

mofados e ardidos, 5% de grãos chochos e quebrados;

Estes parâmetros de separação são utilizados amplamente na indústria para determinar o destino do grão pela qualidade e posteriormente fabricação de determinado subproduto que podem ser: pães, bolo, macarrão, tortas, folhados, massas, biscoitos, salgadinhos, etc. Alimentos derivados de trigo são importantes, pois se constituem em fontes de proteínas, carboidratos complexos, fibras, gorduras, tiaminas, riboflavina, niacina, minerais, ferro e zinco.

(16)

Métodos para determinação da qualidade industrial de trigo

Métodos Químicos

- Teste de volume de sedimentação de Zeleny

Este método estima o potencial de panificação (força de glúten) em uma amostra de grãos (± 50g). Esta avaliação está baseada na capacidade de embebição de água das proteínas insolúveis em água e soluções salinas quando submetidas à desnaturação parcial por solução diluída de acido lático (SHIMIDT, 2007).

Os valores de sedimentação são influenciados pela quantidade e qualidade de proteína formadora do glúten. Desta forma, os resultados estão sujeitos a todas as variações que interferem nas variáveis supracitadas, como os fatores genéticos e de ambiente (GUARIENTI 19961 apud SHIMIDT, 2007).

Métodos Reológicos - Alveografia

Teste que analisa as propriedades de tenacidade e de

extensibilidade da massa (ABITRIGO, 2009). Através de um processo de expansão da massa faz-se a determinação da força do glúten (W), ou seja, a quantidade da força mecânica suportada pela mesma. O fator “W” combinado à capacidade de absorção de água pelas proteínas de reserva e atividade enzimática baixa resulta em produtos finais com características físicas e organolépticas altamente desejadas (MITTELMMAN, 2000). Desta forma quanto mais elevado for o valor de força do glúten maior será o potencial panificador da farinha em estudo. Deve-se levar em consideração que este processo define apenas as características qualitativas da massa como extensibilidade e pressão de ruptura. De acordo com Chung² et al., 2005 apud SHIMIDT, 2007 desconsidera outras como granulometria da farinha, o teor de amido danificado e percentual de absorção de

1GUARIENTI, E.M. Qualidade industrial de trigo. 2.ed.Passo Fundo: Embrapa-CNPT, 1996. 36p. (Embrapa-CNPT. Documentos, 27).

² CHUNG, O.K., MAGHIRANG, E.B., PARK, S., CALEY, M.S., DOWELL, F.E., SEABOURN, B.W. 2005. Investigation On The Quality Parameters Of Different Hardness Wheat Fractions Sorted From The Same Hard Winter Wheat Lines. Third International Wheat Quality Conference Proceedings. Meeting Abstract. P.372, 2005

(17)

água, fatores que também interferem na qualidade dos produtos finais, ocasionando perda de precisão na determinação do potencial qualitativo da amostra de trigo avaliada.

- Mixografia

É uma relação durante o processo de mistura que envolve o comportamento da mistura e as eventuais variações da resistência durante o tempo de industrialização da massa. A principal variável fornecida pelo aparelho é o tempo de amassamento, que indica o tempo de mistura e estabilidade da massa durante a fabricação do pão, e a altura da curva evidencia a força da farinha e o seu potencial de absorção de água (GUARIENTI, 19961 apud SHIMIDT, 2007).

- Farinografia

De acordo com a portaria N°167 de 29 de julho de 1 994 do MAPA é um teste que analisa as propriedades de mistura da massa. Considerar-se-á somente o parâmetro estabilidade, que é o tempo (em minutos) em que a massa, de farinha e água, mantém sua consistência dentro de uma determinada faixa de valores, quando submetida ao processo de mistura no aparelho Farinógrafo Brabender. Avalia as propriedades envolvidas durante a mistura da massa pela adição da água, buscando a consistência ideal com que o e melhor qualidade do produto final.

1.5 CARACTERÍSTICAS DO GRÃO DO TRIGO Estrutura

O trigo possui um grão do tipo cariopse e grande armazenador de proteínas e amido e dividido em quatro partes principais que são: tegumento, nucelo, camada de aleurona e endosperma.

• Tegumento: Camada de células que recobre a semente e posteriormente forma o ovário;

• Nucelo: Juntamente com o tegumento formam uma fenda com deposição lipóide que origina uma camada semipermeável com função de retenção de nutrientes e barreira antipatogênica;

(18)

• Camada de aleurona: Camada de células que contém proteínas de catálise, mas estas são diferentes daquelas que compõe o endosperma. São ricas em substâncias graxas e em compostos nitrogenados e não contém amido.

• Endosperma: Constitui a maior parte do grão, é formado por células que contém principalmente amido e proteína, carboidrato, além de ferro e vitaminas do complexo B (riboflavina, niacina, tiamina);

• Gérmen ou embrião: Órgão mais complexo da semente onde estão presentes as estruturas que darão origem a nova planta. Usualmente é separado, pois possui uma quantidade limite de gordura e que interfere na qualidade e no tempo de conservação da farinha.

Composição

A composição química do grão de cultivares de trigo vai ter variações, mas de modo geral contém:

• Água: 13% • Proteína: 13% • Óleo: 2% • Fibras: 2 % • Minerais: 2%

• Extratos não nitrogenados (amido): 67%

1.6. NITROGÊNIO E SUAS FUNÇÕES

Entre os nutrientes necessários para a realização de todas as funções fisiológicas na cultura do trigo, o nitrogênio é o elemento que a planta absorve em maior quantidade.

1

HARPER (1994) apud SANGOI et al., (2007) relatam que o nitrogênio (N) é um elemento essencial para as plantas, pois participa de uma série de rotas metabólicas-chave em sua bioquímica, sendo constituinte de importantes biomoléculas, tais como ATP, NADH, NADPH, clorofila, proteínas de armazenamento, ácidos nucléicos e enzimas.

A qualidade do grão de trigo para a indústria esta relacionado, em partes, pelo teor de proteína presente no grão sendo que este pode ser influenciado em partes pelo

1

(19)

manejo da adubação nitrogenada realizado. 2SOARES SOBRINHO apud CAZETTA et al., (2008) observou que as características físico-químicas e reológicas mais influenciadas positivamente pela adubação nitrogenada são teor protéico e força de glúten.

Assim como o nitrogênio é indispensável para que haja incrementos significativos de produção em trigo, ele também é imprescindível na formação das proteínas no grão que conferem a qualidade industrial do grão. Portanto a correlação existente entre a produção de grão e o teor de proteínas acumuladas no grão é negativa, ou seja, à medida que um aumenta outro diminui (SOUZA et al. 2004) isso pode ser explicado pela partição de fotoassimilados entre a acumulação protéica e de carboidratos no grão.

A maior disponibilidade de nitrogênio para a cultura do trigo tende a acarretar um aumento no nível de nitrogênio no grão. CAZETTA et al., (2008) relatam que a adubação nitrogenada proporciona um aumento linear no teor de proteína nos grãos.

O nitrogênio possui uma função estimuladora das gemas axilares e aplicação precoce deste nutriente acarreta uma maior emissão de afilhos. Em cultivares

de porte baixo e de padrão unicolmo, a aplicação precoce pode beneficiar a produção de afilhos férteis. Em cultivares onde o potencial de afilhamento é presente de maneira bastante expressiva, aplicações de nitrogênio em fases mais tardias pode maximizar o número de afilhos férteis por planta.

A medida que a quantidade de nitrogênio disponível torna-se insuficiente, começa-se a obcomeça-servar um amarelecimento nas folhas basais (mais velhas) fato obcomeça-servado por este nutriente ser bastante móvel nas células. Em alguns casos de deficiência mais severa, ocorre clorose destas folhas sendo que isso a afeta quantidade de fotossíntese realizada pela planta, uma vez que o nitrogênio também esta presente na clorofila, responsável por este processo. Nesse sentido, o teor desta na folha tem sido utilizado para determinar o nível de nitrogênio nas plantas (ARGENTA et al, 2001).

Por outro lado em cultivos onde há uma elevada disponibilidade de nitrogênio, o rendimento pode não ser acrescido na mesma proporção em que este é fornecido. Além disso, há um desenvolvimento vegetativo bastante intenso podendo acarretar em acamamento, e este reduzir o rendimento e a qualidade industrial, (ZAGONEL et al., 2002).E, com elevado desenvolvimento vegetativo ocorre maior transpiração pela planta o que pode ser bastante prejudicial em períodos de restrição hídrica.

1.7. TRANSFORMAÇÕES E DINÂMICA DO NITROGÊNIO NO SOLO

2

SOARES SOBRINHO, J. Efeito de doses de nitrogênio e de lâminas de água sobre as características agronômicas e industriais em duas cultivares de trigo (Triticum aestivum L.). 102p. Tese (Doutorado

(20)

A maior parte do nitrogênio existente no solo é proveniente dos resíduos culturais, ou seja, do teor de matéria orgânica do solo e da relação C/N que este resíduo cultural possui sendo que quanto maior for esta relação, menor será o aporte de nitrogênio incorporado ao solo. Além disso, é importante conhecer a relação entre qualidade dos resíduos vegetais e a taxa de decomposição e liberação de nutrientes (MONTEIRO et al., 2002).

A decomposição desta palhada restante é realizada por microorganismos que mobilizam o nitrogênio já existente no solo para a realização deste processo. 3PALM & SANCHEZ, (1991) apud SILVA et al., (2008) relatam que a qualidade do resíduo vegetal, principalmente sua relação C/N e o conteúdo de lignina e polifenóis, influencia a taxa de mineralização e o aproveitamento do N pelas culturas. Portanto, quando se tem como cultura antecessora uma espécie leguminosa, além de haver a fixação biológica de nitrogênio resultante da simbiose entre a planta e bactéria, que o incorpora no sistema, a mobilização de nitrogênio do solo é menor em função da sua baixa relação C/N. O contrario se observa quando a cultura antecessora é uma gramínea onde esta relação é mais elevada e conseqüentemente há uma maior utilização do nitrogênio presente no solo para a decomposição deste resíduo.

Por outro lado, o emprego de gramíneas pode amenizar a perda de N, mediante a reciclagem e imobilização em sua fitomassa, ao mesmo tempo e que sua baixa taxa de decomposição, favorecida pela alta relação C/N, confere cobertura mais prolongada do solo (LARA CABEZAS et al., 2004 e PERIN et al., 2004).

Para que o material orgânico proveniente dos resíduos se torne disponível e seja absorvido pelas plantas, é preciso que ocorra a sua mineralização. Segundo ORMOND (2006), a mineralização é processo de transformação de matéria orgânica em substâncias inorgânicas, que ocorre no solo, geralmente de forma lenta, a partir do qual retornam ao solo os nutrientes retirados pelas plantas.

Outro processo que este material esta sujeito a sofrer no solo é a nitrificação. Ela consiste na oxidação do amônio em nitrato, sendo esta a forma mais assimilada e prontamente disponível para as plantas.

O nitrogênio no solo tem um grande potencial de perda por diferentes formas. Entre elas estão a desnitrificação, processo pelo qual microorganismos presentes no solo reduzem o nitrato e o nitrito a nitrogênio gasoso. Este processo é realizado por

3

(21)

microorganismos aeróbicos facultativos, sendo que em condições anaeróbicas eles utilizam o oxigênio presente na molécula do nitrato como receptores de elétrons na decomposição do material orgânico.

Outra forma em que as perdas de nitrogênio no solo são expressivas é por volatilização. Varias são as condições para que ocorra este processo, sendo que o principal acontece quando for aplicado em condições adversas de temperatura e umidade.

Além desta, a lixiviação que se caracteriza pelo transporte do nitrogênio pela água no perfil do solo, ocorre pelo fato do nitrogênio ser bastante móvel no perfil. De acordo com COELHO (1973) a quase totalidade do nitrogênio perdido na lixiviação, cerca de 99% encontra-se na forma de nitrato (NO3-), pois é bastante solúvel na água do solo e

facilmente transportada, menos de 1% na forma amoniacal (NH4+) e traços de nitrito (NO2

-).

1.8. AMBIENTES DE CULTIVO E FORNECIMENTO DE NITROGÊNIO

Estudos que relacionam a adubação nitrogenada em cereais de inverno levando em consideração a qualidade dos restos culturais deixados pela cultura antecedente são bastante recentes.

As diferentes espécies utilizadas nos sistemas produtivos possuem em sua palhada relação C/N característico de cada uma, sendo que quando a cultura antecessora, possuir elevada relação, a disponibilidade não ira acontecer de forma imediata, mas sim de maneira gradual. Isso poderá resultar em um menor desenvolvimento inicial da planta semeada sobre esta palhada, principalmente quando as culturas em questão forem gramíneas.

Nesse sentido, adubações de base são mais importantes quando cereais de inverno forem semeados sobre resteva de culturas onde a velocidade de decomposição for baixa para que a necessidade de nitrogênio nesta fase esteja disponível, uma vez que a imobilização pelos microorganismos é alta nesta situação.

O fornecimento de nutrientes nas culturas de inverno, em especial o nitrogênio ira depender da qualidade do resíduo presente na superfície do solo, pois isto vai determinar maior ou menor imobilização do nitrogênio pelos microorganismos que são responsáveis pela decomposição, e posterior mineralização deste nutriente. Da mesma forma MONTEIRO et al., (2002) relata que a deficiência de nitrogênio acentua-se com o declínio nos teores de matéria orgânica, com a grande quantidade de N retido nos resíduos

(22)

vegetais de elevada relação C/N depositados e a imobilização pelos microrganismos durante a decomposição destes resíduos.

Em sistemas de semeadura direta na palha o suprimento de nitrogênio deve ter uma atenção especial. WENDLING et al, (2007) explicita que a principal razão para isso está relacionada com a quantidade e qualidade de resíduos da cultura anterior remanescente sobre o solo, podendo disponibilizar ou imobilizar N para a cultura subseqüente. O suprimento do N para as culturas não-leguminosas tem importância econômica e ambiental muito significativa, pela alta resposta à aplicação e facilidade de perda, ocasionando contaminação ambiental.

Estudos demonstram que em média, a cultura do trigo exporta em torno de 22 kg ha-1 de N por tonelada de grãos retirados da lavoura. E para que não ocorra uma exportação maior do que a quantidade existente no solo é preciso que se faça uma adubação de reposição em alguma fase do sistema produtivo.

A recomendação de adubação nitrogenada para cereais esta baseada na cultura antecedente, na expectativa de produção e do teor de matéria orgânica do solo. Como está descrito na tabela 1 abaixo.

Tabela 1: Recomendação de adubação nitrogenada para a cultura do trigo e/ou triticale, RS/SC.

Fonte: Comissão Brasileira de Pesquisa em Trigo e Triticale.

1.9 FONTES DE ADUBAÇÃO NITROGENADA

São fertilizantes utilizados na agricultura para suprimento de nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas elevação dos rendimentos a campo. Os fertilizantes nitrogenados são compostos químicos que possuem em sua composição o elemento nitrogênio num formato assimilável pelas plantas.

Entre eles podemos encontrar os adubos nitrogenados, que são compostos pelo elemento químico nitrogênio (N), apresentando-se em sua composição em forma química assimilável pela planta.

(23)

Uréia

Uréia é um produto sólido, em forma de pérolas ou de grãos e apresenta como principal característica o N na forma amídica (NH2). Contém 45% de nitrogênio

solúvel em água e se apresenta na forma de grânulos arredondados e cristalinos. Sofre transformações no solo e se transforma em amônia gasosa (NH3) ou nitrato (NO3). Antes

de chegar ao estado nítrico, tem ação lenta, contudo é resistente a lixiviação, e é usado preferencialmente no plantio ou semeadura. É bastante higroscópica, ou seja, absorve a umidade do ar (Wikipédia, 2009).

Nitrato de Amônia

O nitrato de amônia NH4NO3 é um produto sólido perolado ou granulado

sofrendo menor perda por volatilização e acidifica menos o solo ao ser comparado com outras fontes de N. Apresenta 33,5% de nitrogênio (N) solúvel em água (MACHADO, 2006). Uma de suas particularidades agronômicas é que detêm ao mesmo tempo duas formas de fornecimento de N ao solo, a nítrica (NO3) e a amoniacal (NH4) (WIKIPÉDIA,

2009). É assimilável logo que se dissolve na solução do solo, têm características ácidas e em condições favoráveis de pressão, aquecimento rápido e retenção de calor é capaz de explodir violentamente (MELLO, 1987).

Sulfato de Amônio

O sulfato de amônio (NH4)2SO4 contém 20 % de nitrogênio e 23% de enxofre

solúveis em água e se apresenta na forma de cristais brancos a cinzentos. É cristalizado e higroscópico. Na forma amoniacal tende acidificar o solo (WIKIPÉDIA, 2009). Dependendo das condições de umidade e temperatura o nitrogênio do sulfato de amônio é nitrificado em poucos dias ou semanas, podendo desta forma, ocorrer perdas por volatilização em determinadas condições de pH, temperatura e textura do solo (MELLO, 1987). De acordo com Paiva et al. (1996) estudando o efeito de diferentes sistemas de manejo em latossolo no Paraná, observou que o uso continuado do sulfato de amônio na adubação nitrogenada das culturas, após sete anos, provocou acentuada acidificação no solo.

(24)

2. MATERIAL E MÉTODOS

2.1 LOCAL

O experimento foi conduzido no Instituto Regional de Desenvolvimento Rural (IRDeR) pertencente ao Departamento de Estudos Agrário (DEAg) da Universidade Regional de Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI) no interior do município de Augusto Pestana.

O solo da região segundo a classificação brasileira de solos é do tipo Latossolo Vermelho distroférrico típico da unidade de mapeamento Santo Ângelo.

2.2 ANÁLISE DE SOLO

Após definida a área em que seria implantado o experimento foi feito uma coleta de maneira uniforme com número de subamostras definido de acordo com a necessidade, de no mínimo 15 pontos para obtenção de uma amostra composta, a fim de se ter uma boa representatividade das condições de fertilidade da lavoura.

Como a área a ser utilizada apresenta sistema de semeadura direta e adubação em linha as subamostras foram coletadas com pá de corte, enxada e balde nas linhas e entrelinhas e a uma profundidade de 0-10cm, nos dois anos de cultivos.

2.3 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL E TRATAMENTOS

Nos dois anos (2008 e 2009) o experimento foi semeado em condições de campo, com ausência de irrigação. O delineamento experimental foi de blocos casualizados com quatro repetições, onde foi usada uma cultivar (BRS Guamirim) e seis níveis de tratamentos para fontes de nitrogênio, aplicadas em cobertura de modo isolado e combinadas, (Uréia = 45%N; Nitrato de Amônia= 32%N; Sulfato de Amônio = 32%N; ½ Uréia + ½ Nitrato de Amônio; ½ Uréia + ½ Sulfato de Amônio; ½ Nitrato de Amônio + Sulfato de Amônio), variando a dose de nitrogênio usada em dois diferentes precedentes culturais, utilizando 30 e 60 kgN.ha-¹ na área que havia soja e 40 e 80 kgN.ha-¹ na área de milho. O espaçamento foi de 0,20 m entre linhas com dimensão de parcela de 5 m de comprimento por 1 m de largura e distribuição aproximada de 350 plantas por metro quadrado. No primeiro ano do experimento a semeadura foi realizada no dia 23 de maio de 2008, para o ano seguinte, 2009, essa foi feita no dia 22 de maio. O controle de

(25)

plantas daninhas foi realizado após a emergência das plântulas através de capinas manuais e aplicações de herbicida de pós-emergência. Também foram feitas aplicações de fungicidas para manutenção da sanidade foliar, conforme recomendações técnicas para a cultura do trigo.

GENÓTIPO AVALIADO

Cultivar BRS – Guamirim

Classe: Tipo pão (W = 358)

Ciclo: Super – precoce –média de 75 da semeadura ao espigamento e 125 dias da

semeadura à colheita

Altura de planta: porte baixo (75-80 cm)

Perfilhamento: intensa capacidade de afilhamento

Produção: Potencial de rendimento de grãos elevado. Potencial produtivo superior a

4.000 kg.ha-¹ (EMBRAPA, 2006).

Reação à debulha natural: moderadamente resistente Oídio: resistente

Ferrugem da folha: resistente

Manchas foliares: moderadamente resistente Giberela: moderadamente resistente

Acamamento: tolerante

Germinação da espiga: moderadamente resistente Vírus do mosaico: susceptível

2.4 VARIÁVEIS ESTUDADAS FRENTE AOS DOIS ANOS DE AVALIAÇÃO:

Rendimento de gãos (RG); Número de afilhos férteis (NAF); Número de grãos por espiga (NGE); Massa de mil grãos (MMG);

Peso de grãos por espiga (PGE); Peso da espiga (PE);

Número de espiguetas férteis por espiga (NEE); Número de espiguetas estéreis por espiga (NEEs);

(26)

Peso de palha (PP);

Rendimento de grãos:

Para avaliação do rendimento de grãos foi realizado a colheita de três linhas centrais de cada parcela.

Afilhamento:

Para a avaliação foi realizado a contagem de um metro linear da linha central de cada parcela considerando as duas extremidades

.

Massa de mil grãos:

Será determinado pela contagem de 1000 grãos e pesagem em balança de precisão, do rendimento de grãos de cada parcela.

NGE, PGE, PE, NEE, NEEs, CE, PP:

Para compor estas avaliações foi realizada a colheita em cada parcela de 10 espigas de forma aleatória.

2.5 ANÁLISES ESTATÍSTICAS

Os dados foram submetidos a análise de variância para detecção da presença ou ausência de interação entre os fatores. A partir daí, com base nestas informações foi realizado o teste de comparação de médias e ajuste de equação de regressão para explicar o comportamento do genótipo frente às condições de adubação de precedente cultural empregado (milho/trigo, soja/trigo) .

(27)

3. RESULTADO E DISCUSSÃO

Na tabela 2, ficou comprovado que com o cultivo de trigo no precedente de soja as fontes de variação ano e doses foram as que mostraram o maior número de significâncias, exceto na ausência de diferenças para o NAF, CE e NEF para os anos de cultivo e NGE, PE, NEF e PPE nas doses de aplicação de nitrogênio nessa condição de cultivo. Cabe destacar, que para as fontes de nitrogênio empregadas apenas o componente direto do rendimento de grãos NAF evidenciou diferenças. Na condição de cultivo em que o precedente cultural foi o milho, as fontes de variação do ano e doses foram também as que mostraram maior diferença na produção final e seus componentes, além do que, nesta condição maior foi o número dos componentes que diferiram, tanto para ano quanto para a dose do elemento químico nitrogênio.

A presença de resíduos culturais de soja que são facilmente decompostos, cuja relação C/N é reduzida, fornecem energia para a população microbiana do solo que tende a crescer, e para a cultura subseqüente (YAMADA, ABDALLA & VITTI, 2007). Assim, se a cultura sucessora for uma gramínea, esta será beneficiada pelo maior aporte deste nutriente no solo. Por outro lado, segundo FLOSS (2000) a palhada de gramíneas fornecem nutrientes às culturas subseqüentes pela sua decomposição a médio e longo prazo, especialmente na camada superficial.

Para o ano de cultivo, no precedente cultural milho, apenas as variáveis RG, NEF e NEE não mostraram diferenças, ao passo que para as doses de nitrogênio, apenas o PGE e PPE não diferiram. Cabe ressaltar, que nesta condição as diferentes fontes de nitrogênio aplicadas influenciaram o RG, MMG, CE e o PE. Portanto parece evidente que condições em que a cultura precedente apresenta uma liberação mais lenta dos elementos minerais na sua decomposição, as modificações nas fontes e doses de nitrogênio se mostraram mais evidentes. Em cereais, o desenvolvimento desses componentes pode ser influenciado positivamente pelo nitrogênio, devido às múltiplas funções desse nutriente na planta (FAGERIA & BARBOSA FILHO, 1982; LUCA, 2002) e também negativamente, a partir do qual, valores superiores podem reverter em toxidez para a espécie (ZAFFARONI et al., 1999; WAGNER,2009).

Na avaliação conjunta das duas condições de cultivo (Tabela 2), é visível o efeito positivo da palha de soja sobre os componentes do rendimento de grãos e da produção final, e que no rendimento de grãos com o emprego de palha de milho como cobertura de

(28)

solos reduções foram observadas no RG na ordem de 22,48%. Além disso, nos componentes diretos e indiretos de produção este fato também foi observado (NAF=12,26%; MMG=3,07%; NGE=11,76%; CE=2,78%; PE=11,81%; NEF= 8,24%; PGE=13,4% e PPE=4,21%). Segundo PUFAL (1999) & WAGNER (2009), o cultivo do trigo em sucessão a cultura da soja proporciona uma boa produtividade com uma pequena resposta do trigo ao nitrogênio aplicado em cobertura, pois a soja, além de promover aumento na disponibilidade de nitrogênio, devido à fixação do N atmosférico, deixa resíduos vegetais de fácil decomposição, o que promove um rápido aumento da disponibilidade de nitrogênio na camada superficial do solo. Para LAMOTHE (1997), todos os componentes de rendimento de grãos em trigo podem se beneficiar com o conteúdo de nitrogênio aplicado, porém, alguns em maior ou menor proporção, exceto o número de plantas, que depende principalmente da densidade de semeadura, qualidade das sementes e as condições físicas do solo.

(29)

Tabela 2. Resumo da análise de variância e percentual de redução dos caracteres avaliados em trigo com base em anos de avaliação, fonte e doses de nitrogênio. DEAg/UNIJUÍ, 2010.

Quadrado Médio / Soja

RG NAF MMG NGE CE PE NEF NEE PGE PPE

Fonte de Variação GL (kg ha¯¹) (n) (g) (n) (cm) (g) (n) (n) (g) (g) Bloco 3 12461 163,07 5,82 90,35* 0,72* 0,21* 5,87 0,68 0,15* 0,01 Ano (A) 1 6027025* 337,64 793,36* 1431,36* 0,48 12,26* 6,25 12,25* 9,44* 0,07* Fonte (F) 5 38620 332,59* 3,13 3,81 0,38 0,02 10,1 0,48 0,01 0,01 Dose (D) 2 2188768* 9793,77* 26,68* 12,58 0,76* 0,13 3,81 1,93* 0,12* 0,01 A x F 5 109711* 35,46 0,61 2,94 0,40 0,03 1,06 0,26 0,01 0,01 A x D 2 204613* 79,56 15,92* 15,86 0,40 0,09 3,52 0,14 0,03 0,01 F x D 10 56421 395,95* 5,34 9,15 0,05 0,02 2,76 0,14 0,03 0,01 A x F x D 10 118726* 18,58 3,09 10,44 0,24 0,04 1,48 0,43 0,01 0,01 Erro 105 50552 155,85 3,49 15,43 0,22 0,05 3,09 0,38 0,03 0,01 Total 143 - - - - Média Geral - 2007 98 36,45 29 7,91 1,44 14,45 2,25 1,04 0,38 CV (%) - 11,1 12,7 5,1 13,5 6,0 15,8 12,1 27,7 16,9 17.8

Quadrado Médio / Milho

RG NAF MMG NGE CE PE NEF NEE PGE PPE

Fonte de Variação GL (kg ha¯¹) (n) (g) (n) (cm) (g) (n) (n) (g) (g) Bloco 3 69986 200 16,12* 41,12* 0,35 0,08 2,34 0,80 0,11* 0,005 Ano (A) 1 0,17 4786* 312,11* 900,00* 9,77* 4,95* 0,69 1,17 5,76* 0,066* Fonte (F) 5 76730* 445 17,58* 3,94 0,51* 0,06* 2,44 0,22 0,05 0,002 Dose (D) 2 7884851* 26585* 32,25* 72,71* 11,86* 0,14* 7,59* 2,52* 0,06 0,009 A x F 5 126531* 84 8,89 7,85 0,57* 0,07* 7,97* 0,62 0,06* 0,006 A x D 2 5155110* 251 25,86* 140,14* 1,05* 0,41* 3,79* 2,86* 0,25* 0,025* F x D 10 171103* 302 16,50* 4,72 0,37* 0,01 1,43 0,34 0,02 0,001 A x F x D 10 21991 57 11,11 6,97 0,12 0,03 1,05 0,56 0,03 0,006 Erro 105 38850 212 4,82 9,25 0,19 0,03 1,35 0,42 0,02 0,003 Total 143 - - - - Média Geral - 1556,2 85,99 35,33 25,59 7,69 1,27 13,26 2,61 0,90 0,36 CV (%) - 12,6 16,9 6,2 11,8 5,7 13,9 8,7 24,8 18,1 17,0 % Redução soja vs. Milho - 22,48 12,26 3,07 11,76 2,78 11,81 8,24 -16,00 13,46 4,21 *Significativo a 5% de probabilidade de erro;GL= Graus de Liberdade; CV= Coeficiente de Variação; RG= Rendimento de Grãos; NAF= Número de Afilhos Férteis; MMG= Massa de Média de Grãos; NGE= Número de Grãos por Espiga; CE= Comprimento da Espiga; PE= Peso da Espiga; NEF= Número de Espiguetas Férteis; NEE= Número de Espiguetas Estéreis; PGE= Peso de Grãos na espiga e PPE= Peso estimado de Palha na Espiga.

Na tabela 3, as diferenças observadas na obtenção das médias foram quantificadas de acordo com a detecção de diferenças nos efeitos principais e de

(30)

as doses de nitrogênio para a fonte N e da combinação do N com o S, por outro lado, as demais fontes utilizadas e suas combinações não diferiram entre a de 30e 60 kg ha-1 de nitrogênio, exceto do padrão, para o ano de 2008. Já no precedente cultural milho as diferenças foram mais efetivas, em que em todas as condições de uso do elemento químico nitrogênio na forma isolada e combinada diferiram do padrão (ausência de nitrogênio) frente as doses 40e 80 kg ha-1 de nitrogênio. Cabe destacar que nesse ano de cultivo as doses com nitrogênio não diferiram entre si com o emprego de uréia. Além disso, para 2008 na avaliação das fontes dentro de cada dose do elemento químico nitrogênio, fica evidente que a produção de trigo não foi alterada. Já sobre o resíduo de milho tanto na dose padrão como na de 40kg há-1 de nitrogênio esse comportamento também foi observado, exceto na dose de 80kg ha-1 de nitrogênio, em que a uréia de forma isolada mostrou o pior desempenho.

Para o ano de 2009, a comparação da produção do trigo em cada fonte adicionada mostra que, no cultivo de trigo sobre o resíduo de soja as fontes isoladas S, U e a combinação UN não diferiram com incremento das doses em relação ao padrão, por outro lado as fontes N, NS e US diferiram do padrão, mas similares entre as doses, sugerindo para a cultura do trigo doses inferiores de nitrogênio e estando na faixa de 30kg ha-1 trazem benefícios similares a condição de 60kg ha-1 desse elemento. Ainda no ano de 2009 e no precedente cultural milho, fato relevante foi que em praticamente todas as condições que envolveram o incremento de adubação de nitrogênio para cada fonte o efeito de doses não foi observado, o que pode ser justificado pela maior ocorrência de precipitação anterior e durante o ciclo da cultura, permitindo mais fácil decomposição da palha de milho e rápida disponibilização do nitrogênio requerido, além do que da maior possibilidade de lixiviação do elemento químico nitrogênio nessas condições de maior precipitação conforme demonstrado no quadro 2 (anexo) . PERES, SUHET (1986) e CADORE (2008), revisando trabalhos de adubação nitrogenada no Brasil, verificaram diferentes respostas do trigo ao nitrogênio, devido principalmente, às variações na fertilidade do solo, no clima, nas cultivares e nas práticas culturais. Já Raij (1991), alerta também para a importância do histórico do uso do solo, pois este é um fator que influencia na resposta das culturas ao nitrogênio. Menores respostas são esperadas em solos cultivados há pouco tempo, ou que voltaram a ser cultivados após período de pousio ou como pastagem.

Na avaliação das doses de nitrogênio em cada fonte frente aos anos de cultivo fica evidente o efeito de ano, visto que, na dose padrão tanto no precedente cultural soja quanto milho estas alterações no rendimento de grãos foram confirmadas. Além disso, é

(31)

importante destacar que sobre o resíduo de soja (30kg ha-1) o emprego de N, U e NS não diferiram entre os anos, porém nas demais formulações as diferenças existiram, com medias inferiores para 2009. No precedente cultural milho na dose mais reduzida de nitrogênio empregado (40kg ha-1) a diferença entre anos não foi detectada, mostrando que doses reduzidas como a de 40kg ha-1 não promovem alterações nesta condição, principalmente para o ano de 2008 que parece ter sido mais favorável ao cultiva de trigo. Na dose mais elevada de nitrogênio (60kg sobre o resíduo de soja e 80kg ha-1 de nitrogênio sobre o resíduo de milho) a diferença entre os anos foi mais evidente. Portanto no precedente cultural soja as fontes que envolveram N, U e a combinação UN foram estatisticamente superiores no ano de 2008 para 2009, o que para as demais formulações essas diferenças não foram observadas. Além disso, sobre resíduo de milho a superioridade frente aos anos foram maiores, em que, nas condições estudadas o ano de 2008 foi sempre superior. Segundo WALL (1997) & Felicio (2001) a expressão do potencial de produtividade de um genótipo em uma região depende de fatores genéticos e ambientais, especialmente o fotoperíodo, a temperatura, a precipitação pluvial e a radiação solar. Também, ZAGONEL et al. (2002) eTEIXEIRA FILHO et al. (2007) verificaram efeito do nitrogenio na produtividade da cultura. Por outro lado, SILVA (1991) & BRAZ (2006), devido ao fornecimento de nitrogenio através da cultura da soja cultivada há vários anos na área e POTTKER et al (2006), em função das condições climáticas adversas, não verificaram efeito da aplicação de nitrogenio na produtividade da cultura. Isto reforça a importância do estudo relativo ao histórico da área para a recomendação da adubação nitrogenada.

(32)

Tabela 3. Comparação de médias para o rendimento de trigo pelo emprego de diferentes fontes e doses de adubação nitrogenada, nos precedentes culturais soja e milho em dois anos de cultivo. IRDeR/DEAg/UNIJUÍ, 2010.

Precedente Cultural Soja Precedente Cultural Milho

Dose (RG) Dose (RG)

Ano Fonte

Padrão 30kg ha-1 60kg ha-1 Padrão 40kg ha-1 80kg ha-1 N A1902,3a A2229,0a A2548,8a C768a B1682,0a A2525,3a

S B1902,3a A2570,0a A2293,0a C768a B1811,8a A2281,3a

U B1902,3a A2202,5a A2596,0a B768a A1686,3a A1795,0b

NS A1902,3a A2145,0a A2134,0a C768a B1736,5a A2209,0a

UN B1902,3a A2396,0a A2405,0a C768a B1456,5a A2308,5a

2008

US B1902,3a A2401,8a A2482,8a C768a B1745,5a A2171,3a

N B1620,5ab A1986,0a A1652,5b A1495,9a A1355,8b A1467,8ab S A1620,5ab A1807,3a A1899,8a A1495,9a A1661,8a A1820,8ab U A1620,5a A1841,0a A2028,0a A1495,9a A1568,5a A1373,3b NS B1620,5b A2086,0a A2075,0a A1495,9a A1608,0ab A1611,2ab UN A1620,5ab A1944,3a A1667,5b A1495,9a A1379,8b A1768,8a 2009

US B1620,5ab A1867,8a A1978,3a A1495,9a A1718,7a A1728,0ab

Ano (RG) Ano (RG)

Dose Fonte

2008 2009 2008 2009

Padrão (0) - A1902,2 B1620,5 B768 A1495,9

N A2229,0 A1986,0 A1682,0 A1335,8

S A2570,8 B1807,3 A1811,8 A1820,8

U A2202,5 A1841,0 A1686,3 A1791,8

NS A2145,0 A2086,0 A1736,0 A1608,0

UN A2396,0 B1944,3 A1456,5 A1379,7

30/40

US A2401,8 B1867,8 A1745,5 A1718,8

N A2548,8 B1552,5 A2525,3 B1467,1

S A2293,0 A1899,8 A2281,3 B1661,8

U A2596,0 B2028,0 A1795,0 B1373,2

NS A2134,3 A2075,0 A2208,0 B1611,3

UN A2405,0 B1667,5 A2308,5 B1768,8

60/80

US A2482,8 A1978,3 A2171,3 B1728,0

*Médias seguidas com a mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si em nível de 5% de probabilidade de erro pelo teste de Tukey. N= nitrato; S= sulfato; U= uréia; NS= nitrato+sulfato; UN= uréia +nitrato; US= uréia+sulfato RG= rendimento de grãos; (30/40; 60/80) dose em kg ha-1 de nitrogênio nos dois ambientes, soja e milho respectivamente.

Na tabela 4, considerando os efeitos de interação doses versus fontes para o componente direto de produção em trigo NAF, foi observado que as doses de 30 e 60 kg ha-1 de nitrogênio não diferiram entre si, para as fontes U, N, UN e US, porém, com valores estatisticamente distintos em relação ao padrão, cabe destacar, que o S promoveu um acréscimo significativo com o incremento das doses nesse carater, e que a

(33)

combinação NS apenas foi evidente em incrementar o NAF na dose mais elevada do elemento químico. Já, na avaliação da diferença entre fontes nesse caráter na dose de 30 kg ha-1 desempenho inferior foi observado para a fonte que envolveu a combinação de NS, na dose mais elevada a diferença entre as fontes não foi observada, indicando que o emprego da combinação é apenas efetiva na condição elevada de seu fornecimento. No MMG o incremento das doses de nitrogênio em cada fonte mostrou valores médios similares com o emprego de U, N, US e NS como fonte de nitrogênio, por outro lado, fato curioso é que o envolvimento do sulfato de amônia de forma isolada e combinada promoveu redução da MMG com o aumento de dose, cabe ressaltar, que existe uma forte relação entre os componentes diretos de produção e que muitas vezes o incremento de um componente pode tender alteração para mais ou menos em relação ao outro, comumente caracterizado nos trabalhos de correlação entre caracteres. Isto de certa forma parece estar evidenciado no estudo, visto que, o sulfato de amônio promoveu um incremento no NAF, com tendência linear, ao passo que reduziu o MMG, direcionando esta mesma tendência. Por outro lado o componente indireto CE não diferiu entre as fontes isoladas e combinadas de nitrogênio testadas em cada dose do elemento químico, ao passo que, que estas diferenças apenas foram visíveis na dose padrão em relação as demais. Segundo Silva (2006), caracteres correlacionados podem determinar que o aumento de um caráter fortemente expressivo se traduza em redução do outro caráter, principalmente em função das modificações de fonte e dreno para potencializar o componente direto ou indireto do rendimento durante sua formação com as modificações das técnicas agrícolas.

Na tabela 4, no estudo envolvendo a interação doses versus ano indica que para o precedente cultural soja o ano de 2008 não mostrou diferença entre as doses, por outro lado, a MMG no ano seguinte foi reduzida, com a aplicação de 30 e 60 kg ha-1 de nitrogênio. Também neste ambiente foi evidente a superioridade do ano de 2008 sobre 2009. Além disso, considerando a mesma variável no precedente cultural milho, as diferenças frente aos anos também foram confirmadas, e destacando a dose padrão (ausência de nitrogênio) como a que promoveu efeitos mais expressivos na MMG em comparação as doses 40 e 80 kg ha-1 de nitrogênio, que não diferiram entre si para os dois anos de cultivo. Aliado a isto, o NGE mostrou comportamento contrário para o ano de 2008, em que a presença do elemento nitrogênio maximizou o número de grãos em relação ao padrão, o mesmo não acontecendo para o ano de 2009, onde diferenças não foram detectadas. Para o CE, nos dois anos de observação as doses com presença de

(34)

nitrogênio foram superiores ao padrão, com destaque para o ano de 2009 que o CE foi superior dentro de cada dose.

Por outro lado, no PE o ano de 2008 foi superior nas doses e que a dose 40 e 80 kg ha-1 difere do padrão em 2008, com ausência de diferenças entre as doses em 2009, o mesmo observado para o NEF. No NEE os anos não diferiram na ausência de adubação, porém com a aplicação do nitrogênio apenas o ano de 2008 as doses mostraram diferença em relação ao padrão, o mesmo acontecendo para o PGE e PPE, onde no ano de 2009 não apresentaram diferença, para 2008 as doses não diferiram entre si, apenas em relação ao padrão. Em cultivos onde há uma elevada disponibilidade de nitrogênio, o rendimento pode não ser acrescido na mesma proporção em que é fornecido este nutriente. Além disso, há um desenvolvimento vegetativo bastante intenso podendo acarretar em acamamento, e este reduzir o rendimento e a qualidade industrial, (ZAGONEL et al., 2002). Estudo realizado por ARAÚJO et al. (2005) demonstraram que o nitrogênio na forma mineral foi utilizado pelo trigo como principal fonte em relação ao nitrogênio deixado pelo resíduo da planta utilizada como adubo verde (crotalária).

(35)

Tabela 4. Médias de diferentes caracteres sob interações nos precedentes culturais soja e milho, para doses versus fontes e doses versus ano. DEAg/UNIJUÍ, 2010.

Interação Doses versus Fontes

Precedente cultural Soja Precedente cultural Milho

NAF (n) MMG (g) CE (cm)

Fontes

Padrão 30 60 Padrão 40 80 Padrão 40 80

U B82,0a A100,3a A110,3a A36,2a A36,7a A34,6a B6,9a A7,8a A7,9a N B82,0a A102,7a A100,6a A36,2a A34,6a A35,5a B6,9a A7,7a A8,0a S C82,0a B97,0a A112,6a A36,2a B34,2a C33,0a B6,9a A7,9a A8,0a UN B82,0a A107,7a A98,5a A36,2a A33,5a A35,5a B6,9a A8,1a A8,1a US B82,0a A114,0a A119,3a A36,2a A36,1a B34,1a B6,9a A7,9a A8,2a NS B82,0a B90,7b A117,0a A36,2a A34,2a A36,5a B6,9a A7,6a A7,9a

Interação Doses vs. Ano

Precedente cultural Soja Precedente cultural Milho

MMG (g) MMG (g) NGE (n)

Ano

Padrão 30 60 Padrão 40 80 Padrão 40 80

2008 A39,0a A38,8a A38,5a A37,0a B35,9a B35,4a B24,7a A29,2a A30,2a 2009 B35,62b B33,3b B33,3b A35,0a B33,2b B32,9b A23,6a A23,0b A22,6b

Precedente Cultural Milho

CE (cm) PE (g) NEF (n)

Ano

Padrão 40 80 Padrão 40 80 Padrão 40 80

2008 B6,7b A7,7b A7,8b B1,3a A1,5a A1,5a B12,4b A13,6a A13,5a 2009 B7,6a A8,0a A8,2a A1,1b A1,0b A1,0b A13,1a A13,2a A13,6a

NEE (n) PGE (g) PPE (g)

Ano

Padrão 40 80 Padrão 40 80 Padrão 40 80

2008 A2,95a B2,4b B2,0b B0,89a A1,1a A1,2a B0,30b A0,37a A0,36a 2009 A2,58a A3,0a A2,5a A0,77b A0,76b A0,6b A0,39a A0,36a A0,38a *Médias seguidas com a mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si em nível de 5% de probabilidade de erro pelo teste de Tukey. N= nitrato; S= sulfato; U= uréia; NS= nitrato+sulfato; UN= uréia +nitrato; US= uréia+sulfato RG= rendimento de grãos; (30/40; 60/80) dose em kg ha-1 de nitrogênio nos dois ambientes, soja e milho respectivamente, NAF= Número de Afilhos Férteis; MMG= Massa de Média de Grãos; NGE= Número de Grãos por Espiga; CE= Comprimento da Espiga; PE= Peso da Espiga; NEF= Número de Espiguetas Férteis; NEE= Número de Espiguetas Estéreis; PGE= Peso de Grãos na espiga e PPE= Peso estimado de Palha na Espiga.

Na tabela 5, que envolve a interação fonte versus ano fica visível que para o CE as fontes de nitrogênio nos dois anos de avaliação não diferiram no carater, por outro

(36)

combinada. Entretanto, no PE o ano de 2008 mostrou superioridade em cada uma das fontes adicionadas de forma isolada ou combinada, porém, apenas no ano de 2008 as diferenças entre fontes foram observadas, destacando as fontes com presença de uréia na forma isolada e combinada. No NEF o ano de 2008 mostrou inferioridade apenas com a presença do S isolado e na combinação com o N, por outro lado, em 2009 o U, N e S de forma isolada mostraram desempenho inferior às demais fontes, além do que apenas com uréia o ano de 2008 foi melhor que 2009. Para o PGE as diferenças entre os anos de 2008 e 2009 não foram detectadas nas fontes, exceto para o NS em 2008. Contudo nessa variável o ano de 2008 foi sempre superior em cada fonte adicionada.

Ainda na tabela 5, na ausência de interação, o ano de 2008 foi superior ao de 2009 sobre resíduo de soja, no NGE (2008=32,1g, 2009=25,8g); PE (2008=1,7g, 2009=1,1g); NEE (2008=2,54g, 2009=1,95g); PGE (2008=1,29g, 2009=0,78g) e PPE (2008=0,40g, 2009= 0,36g). Já para as doses, diferenças foram detectadas no CE e NEE destacando as doses 30 e 60kg ha-1 que não diferiram entre si, porém, em relação ao padrão e PGE que mostrou superioridade ao padrão em relação as demais. Contudo, na presença de palha de milho a única variável que mostrou ausência de interação foi o NAF, destacando a dose mais elevada que culminou com acréscimo efetivo diferindo dos demais (padrão=60,3, 30=90,9 e 60=106,6). Segundo SILVA, et al. (2006), várias associações de interesse tem sido observados em trigo, demonstrando que a relação direto positiva entre NEE e TE não estão associadas ao rendimento de grãos, indicando que mesmo apresentando elevado TE e NEE não permitem maximizar o rendimento. Além disto, o mesmo autor detectou que o incremento no número de afilhos determina uma redução no NGE em determinados cultivares ou na MMG em outros, indicando que alterações em um caráter podem promover o aumento ou redução em outros.

(37)

Tabela 5. Médias para os caracteres CE, PE, NE e PGE para a interação fonte versus ano no ambiente milho e ausência de interação nos caracters NGE, CE, PE, NEE, PGE e PPE para o precedente soja e NAF para o precedente cultural milho. DEAg/UNIJUÍ, 2010.

*Médias seguidas com a mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si em nível de 5% de probabilidade de erro pelo teste de Tukey. N= nitrato; S= sulfato; U= uréia; NS= nitrato+sulfato; UN= uréia +nitrato; US= uréia+sulfato RG= rendimento de grãos; (30/40; 60/80) dose em kg ha-1 de nitrogênio nos dois ambientes, soja e milho respectivamente, NAF= Número de Afilhos Férteis; NGE= Número de Grãos por Espiga; CE= Comprimento da Espiga; PE= Peso da Espiga; NEF= Número de Espiguetas Férteis; NEE= Número de Espiguetas Estéreis; PGE= Peso de Grãos na espiga e PPE= Peso estimado de Palha na Espiga.

Na tabela 6, que envolveu as estimativas de equação e parâmetros de regressão linear foi detectado que a presença de U e N no ano de 2008 promoveram incremento de 11,56 e 10,77 kg ha-1 no rendimento de grãos a cada quilo destas fontes de nitrogênio aplicadas e que a combinação UN e US incrementaram em 8,37 e 9,67 kg ha-1 o rendimento de grãos a cada quilo do elemento químico nitrogênio adicionado. Cabe destacar, que o ano de 2009 grande parte das equações lineares não foram significativas, indicando estabilidade dessa variável mesmo com acréscimos de adubação nitrogenada e, portanto, refletindo no que já vem sendo discutido, que para o ano de 2009 poucas diferenças foram expressadas, devido a maior presença de precipitação para decomposição da palhada e liberação de

Interação Fonte versus Ano / Milho

CE (cm) PE (g)

Ano

U N S UN US NS U N S UN US NS

2008 A7,4a A7,1b A7,3a A7,6b A7,6a A7,3b A1,6a B1,3a B1,4a A1,5a A1,5a B1,3a 2009 A7,7a A8,6a A7,7a A8,2a A7,7a A8,1a A1,0b A1,0b A1,0b A1,1b A1,0b A1,1b

NEF (n) PGE (g)

Ano

U N S UN US NS U N S UN US NS

2008 A14,5a A13,5a B12,7a A13,2a A13,3a B12,5a A1,3a A1,0a A1,1a A1,1a A1,1a B0,99a 2009 B12,7b B12,6a B12,7a A13,6a A13,1a A13,1a A0,7b A0,7b A0,7b A0,6b A0,6b A0,7b

Ausência Interação

Soja Milho

Tratamentos Níveis

NGE (n) CE (cm) PE (g) NEE (n) PGE (g) PPE (g) NAF (n)

2008 32,1a - 1,7a 2,54a 1,29a 0,40a 80,2b

Ano

2009 25,8b - 1,1b 1,95b 0,78b 0,36b 91,7a

Padrão - 7,7b - 2,02b 1,09a - 60,3c

30 - 8,0a - 2,33a 1,03b - 90,9b

Dose

(38)

o ano de 2008 houve acréscimo 8,46kg ha-1 de grãos para cada quilo de adubo adicionado a planta, ao passo que em 2009 o incremento foi de apenas 4,11kg ha-1.

No precedente cultural milho todas as equações foram efetivas no ajuste de equação linear, portanto, nessas condições, podemos inferir a partir de um quilo de nitrogênio do tratamento adicionado, acréscimos de produção na ordem de ( U=5,19; N= 11,37; S=10,68; UM= 12,05; US= 9,81e NS= 10,5 kg ha-1). Por finalizar, fica claro menor incremento no ano de 2009 por acréscimo de adubação (bx=1,78kg ha-1) em relação a 2008 (bx=18,08kg ha-1), com intercepto variando de (2008 a=832kg ha-1; 2009 a=1485kg ha-1), dando suporte para inferir que anos com maiores precipitações menor a resposta da adubação nitrogenada, o que sugere redução no fornecimento de nitrogênio mineral às plantas.

Para Zambonato (2008), o ambiente de cultivo envolvendo a resteva de milho na dose de 80 kgN.ha-¹ se apresentou como a mais adequada para obtenção de rendimento superiores, por outro lado, Wendling (2007) relata que para produção de trigo após milho, num teor de matéria orgânica de 2-3% recomenda-se a aplicação de 40 kg ha-¹ de nitrogênio para expectativa de produtividade de até 2000 kg.ha-¹. Braz et al. (2006) reforça que a quantidade real de N que será aproveitada pela cultura em sucessão irá depender do sincronismo entre a decomposição da biomassa e a taxa de demanda da cultura. Desta forma, a quantidade de fertilizante a ser aplicado terá uma relação direta com o teor de matéria orgânica.

(39)

Tabela 6. Estimativa de equação e parâmetros de regressão para o carater rendimento de grãos (RG) em distintas condições de cultivo. DEAg/UNIJUÍ,2010.

Precedente cultural Soja Parâmetros Tratamento Equação QM a + bx R² 2008/U 962578,1* 1886 11,56 0,79 2008/N 835924,5* 1903 10,77 0,75 2008/S 305371,1ns - - - 2008/UN 505515,1* 1983 8,37 0,71 2008/US 673960,5* 1972 9,67 0,85 2008/NS 107648,0ns - - - 2009/U 97461,1ns - - - 2009/N 12,5ns - - - 2009/S 57122ns - - - 2009/UN 19110,1ns - - - 2009/US 374978* 1580 7,21 0,90 2009/NS 622728* 1613 9,30 0,88 2008 3093219,0* 1958 8,46 0,79 2009 731120,3* 1679 4,11 0,70

Precedente cultural Milho Parâmetros Tratamento Equação QM a + bx R² Uréia 691808,0* 1289 5,19 0,71 Nitrato 3310580,2* 1075 11,37 0,74 Sulfato 2920681,0* 1207 10,68 0,85 UN 3721041,0* 1028 12,05 0,80 US 2464900,0* 1222 9,81 0,88 NS 2826601,5* 1130 10,5 0,78 2008 251271550,0* 832 18,08 0,91 2009 245531,0* 1485 1,78 0,76 *QM= quadrado médio

(40)

CONCLUSÃO

Na avaliação conjunta envolvendo os anos 2008 e 2009 de cultivo, fica evidente que o efeito do precedente cultural soja é positivo para o rendimento final em trigo.

Para o trigo no precedente cultural soja, dose de adubação nitrogenada na faixa de 30 kg ha -1 traz benefícios similares ao dobro de sua utilização.

Em anos com maior precipitação anterior e durante o ciclo da cultura do trigo apresentam menor resposta frente à aplicação de nitrogênio mineral.

Referências

Documentos relacionados

Para preparar a pimenta branca, as espigas são colhidas quando os frutos apresentam a coloração amarelada ou vermelha. As espigas são colocadas em sacos de plástico trançado sem

A reinserção, nesta perspectiva, convoca um papel mais activo da sociedade e, nesta medida, é preferível, enquanto conceito que encerra um programa de acção para a

As key results, we found that: the triceps brachii muscle acts in the elbow extension and in moving the humerus head forward; the biceps brachii, pectoralis major and deltoid

4 MATERIAL E MÉTODOS Indução de brotações em segmentos apicais de candeia Foram utilizados, como fonte de explantes segmentos, apicais obtidos a partir das plântulas provenientes

O presente trabalho pretende contribuir para reduzir estas dificuldades, oferecendo expressões com o mesmo formato para a dependência em relação à temperatura de algumas

Há diversas situações concretas que podem ser aventadas, nas quais o cum- primento do dever administrativo de respeito aos precedentes judiciais conduziria a uma tutela igualitária

Este dado diz respeito ao número total de contentores do sistema de resíduos urbanos indiferenciados, não sendo considerados os contentores de recolha

O presente trabalho teve por objetivo analisar como a área de Ensino de Química vêm abordando as questões de gênero e diversidade. Para isso, buscou-se aportes