Introdução
O cálculo do custo de produção de frango de corte desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves tem por finalidade ser uma fonte de informação de referência para os agentes da cadeia produtiva, órgãos públicos, sistema financeiro e instituições de pesquisa e
ensino. A metodologia empregada calcula os custos a partir do levantamento de preços de mercado e da caracterização dos sistemas de produção e seus coeficientes técnicos, conforme apresentado por Miele et al. (2010), no Documento Embrapa Suínos e Aves n.º 140, intitulado “Metodologia para o cálculo
do custo de produção de frango de corte – Versão 2”, o qual é uma atualização das metodologias publicadas anteriormente (CANEVER et al, 1996; SANTOS FILHO et al, 1998; GIROTTO e SOUZA, 2005). O objetivo do presente Comunicado Técnico é apresentar os coeficientes técnicos utilizados a partir de 2010 para o cálculo do custo de produção de frango de corte nos dez principais Estados produtores (CE, GO, MG, MS, MT, PE, PR, RS, SC e SP). No final do texto é apresentado um exemplo do uso das informações sobre coeficientes técnicos no cálculo do custo de produção de frangos de corte.
1 Economista, D.Sc em Agronegócio, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC, [email protected]
2 Engenheiro Agrícola, D.Sc em Zootecnia, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC,
3 Zootecnista, D.Sc em Genética e Melhoramento, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC,
4 Médica Veterinária, M.Sc em Patologia, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC,
5 Engenheiro Agrícola, M.Sc em Engenharia de Produção, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC, [email protected]
6 Zootecnista, Ph.D em Nutrição, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC, [email protected] 7 Economista, B.Sc em Gestão Financeira Empresarial, analista da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC,
8 Engenheiro Agrônomo, D.Sc em Ciências (Economia Aplicada), pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC,
9 Médica Veterinária, M.Sc em Médicina Veterinária, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC,
Comunicado
Técnico
483
ISSN 0100-8862 Versão Eletrônica Dezembro, 2010 Concórdia, SCCoeficientes técnicos para o
cálculo do custo de produção
de frango de corte, 2010
Marcelo Miele
1Paulo Giovanni de Abreu
2Valéria Maria Nascimento Abreu
3Fátima Regina Ferreira Jaenisch
4Franco Müller Martins
5Helenice Mazzuco
6Ari Jarbas Sandi
7Jonas Irineu dos Santos Filho
8Iara Maria Trevisol
9Fo to s: V al dir S . A vila
Definição dos sistemas de produção
Para a definição dos sistemas de produção deve-se considerar que os agentes da cadeia produtiva utilizam diferentes denominações para um mesmo sistema, dependendo da sua região ou nível tecnológico. Nesse sentido, é necessário detalhar as características das instalações e os equipamentos utilizados a fim de caracterizar os sistemas de produção de frango de corte (ABREU, ABREU, 2010). Apresenta-se a seguir e no Quadro I umcheck list para caracterizar os sistemas de produção
para os quais são apresentados os coeficientes técnicos.
O sistema dito convencional é o de menor nível tecnológico e sua caracterização pode variar muito entre as diferentes regiões produtoras. Um aviário convencional possui comedouro tubular e bebedouro pendular. Não possui forro e sistema de controle artificial da temperatura, sendo o condicionamento térmico natural. Utiliza cortina de ráfia amarela, azul ou branca. Este sistema praticamente não existe mais em muitas regiões produtoras, tendo sido
substituído ou transformado em sistema semiclimatizado, o qual adota melhores níveis tecnológicos em relação ao sistema dito convencional, tais como: uso de bebedouro nipple, ventiladores em pressão positiva e forro. Para fins desta publicação e para o cálculo do custo de produção de frango de corte pela Embrapa Suínos e Aves, optou-se por agrupar estes sistemas em uma mesma categoria denominada de convencional. Estes sistemas também são chamados pelos atores da cadeia produtiva de sistema manual.
O controle das condições térmicas ambientais é maior nos sistemas climatizados do que nos sistemas ditos convencional e semiclimatizado. Os aviários climatizados possuem comedouro automático, bebedouro nipple e ventiladores em pressão positiva, ou exaustores em pressão negativa. O resfriamento pode ser por nebulização ou pad cooling. A instalação de forro, defletores e gerador de energia depende da densidade populacional das aves. Utiliza cortina de ráfia amarela, azul, branca ou reflexiva.
Quadro 1. Caracterização dos sistemas de produção abordados
Item Convencional Semiclimatizado Climatizado pressão
positiva
Climatizado pressão negativa
Comedouro tubular tubular automático automático
Bebedouro pendular pendular ou nipple nipple nipple
Cortina ráfia (amarela, azul ou branca)
ráfia (amarela, azul ou branca)
ráfia (amarela, azul, branca ou reflexiva)
ráfia (amarela, azul, branca ou reflexiva)
Forro não não pode ter pode ter
Defletores não não pode ter pode ter
Ventiladores não sim sim não
Exaustores não não não sim
Sistema de
resfriamento não não
nebulização ou pad cooling
nebulização ou pad cooling
Gerador de energia não não necessário com maiores
densidades populacionais
necessário com maiores densidades populacionais
Fonte: adaptado pelos autores a partir de Abreu, Abreu (2010) 1.
1 Abreu, Abreu (2010) também descrevem os sistemas dark house, brown house, blue house e green house, nos quais estão previstos controles de
Coeficientes técnicos de produção
Nesta seção são apresentados os coeficientes técnicos de produção adotados pela Embrapa Suínos e Aves para o cálculo do custo de produção defrango de corte. Os valores apresentados são baseados nas boas práticas de produção (ÁVILA et. al, 2007) e em consulta aos atores da cadeia produtiva nos Estados por meio de reuniões em formato de painéis com especialistas2.
Tabela 1. Peso de abate, duração do lote e número de lotes por ano
UF Tipo de aviário Sexo Peso final do frango (g)
Duração do lote (dias)
Lotes por ano (unidade)
CE Climatizado pressão negativa misto 2.626 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.626 42 6,27
Convencional misto 2.626 42 6,27
GO Climatizado pressão negativa misto 2.541 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.541 42 6,27
Convencional fêmea 2.340 41 6,38
MG Climatizado pressão negativa misto 2.652 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.626 42 6,27
Convencional fêmea 2.340 41 6,38
MS Climatizado pressão negativa misto 2.541 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.541 42 6,27
Convencional misto 2.541 42 6,27
MT Climatizado pressão negativa misto 2.652 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.626 42 6,27
Convencional misto 2.626 42 6,27
PE Climatizado pressão negativa misto 2.626 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.626 42 6,27
Convencional misto 2.626 42 6,27
PR Climatizado pressão negativa misto 2.626 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.626 42 6,27
Convencional misto 2.626 42 6,27
RS Climatizado pressão negativa misto 2.626 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.626 42 6,27
Convencional misto 2.626 42 6,27
SC Climatizado pressão negativa misto 2.652 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.652 42 6,27
Convencional misto 2.652 42 6,27
SP Climatizado pressão negativa misto 2.541 40 6,50
Climatizado pressão positiva misto 2.541 42 6,27
Convencional misto 2.541 42 6,27
Na Tabela 1 apresenta-se o peso de abate, a duração do lote e o consequente número de lotes por ano. O alojamento de frangos de corte nas granjas é feito separando machos de fêmeas. Entretanto, levou-se em consideração o desempenho de lotes mistos, tendo em vista que a média de uma determinada região ou empresa integradora engloba aviários com
ambos os sexos. Tanto o intervalo entre os lotes quanto o intervalo para troca de cama foram utilizados os valores preconizados pelas boas práticas de produção (BPP), de 14 e 28 dias, respectivamente. Deve-se considerar que as condições conjunturais de mercado determinam mudanças nesses intervalos.
2 Esta ação ocorreu no ano de 2009 e contou com o apoio técnico e financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que é parceira da
Na Tabela 2 apresenta-se a escala de produção característica dos Estados produtores. Esta depende do sistema de produção adotado, das dimensões do
aviário e do número de galpões existentes em uma granja (módulo de produção).
Tabela 2. Dimensões dos aviários (escala de produção)
UF Tipo de aviário Comprimento
(m) Largura (m) Área (m²/galpão) N.º de galpões por módulo Área total (m²/módulo)
CE Climatizado pressão negativa 125 12 1.500 1 1.500
Climatizado pressão positiva 100 12 1.200 1 1.200
Convencional 100 12 1.200 1 1.200
GO Climatizado pressão negativa 125 12 1.500 4 6.000
Climatizado pressão positiva 125 12 1.500 4 6.000
Convencional 100 12 1.200 2 2.400
MG Climatizado pressão negativa 150 14 2.100 2 4.200
Climatizado pressão positiva 125 12 1.500 2 3.000
Convencional 100 12 1.200 2 2.400
MS Climatizado pressão negativa 150 14 2.100 4 8.400
Climatizado pressão positiva 125 12 1.500 4 6.000
Convencional 100 12 1.200 2 2.400
MT Climatizado pressão negativa 150 14 2.100 4 8.400
Climatizado pressão positiva 125 12 1.500 4 6.000
Convencional 100 12 1.200 2 2.400
PE Climatizado pressão negativa 125 12 1.500 1 1.500
Climatizado pressão positiva 100 12 1.200 1 1.200
Convencional 50 12 600 1 600
PR Climatizado pressão negativa 150 16 2.400 2 4.800
Climatizado pressão positiva 125 12 1.500 1 1.500
Convencional 100 12 1.200 1 1.200
RS Climatizado pressão negativa 150 16 2.400 2 4.800
Climatizado pressão positiva 100 12 1.200 1 1.200
Convencional 100 12 1.200 1 1.200
SC Climatizado pressão negativa 150 16 2.400 2 4.800
Climatizado pressão positiva 100 12 1.200 1 1.200
Convencional 100 12 1.200 1 1.200
SP Climatizado pressão negativa 150 14 2.100 2 4.200
Climatizado pressão positiva 125 12 1.500 2 3.000
Convencional 100 12 1.200 2 2.400
Na Tabela 3 apresenta-se o alojamento inicial de pintos de um dia, a mortalidade e a densidade resultante. A mortalidade aceitável situa-se entre 3 e 4%, podendo chegar ao máximo de 5%. A
densidade de frangos depende da tecnologia empregada, situando-se entre 31 e 36 kg final/m² nos aviários climatizados e entre 28 e 31 kg final/m² nos aviários ditos convencionais.
Tabela 3. Alojamento inicial, mortalidade e densidade
UF Tipo de aviário Alojamento inicial (cabeças/lote/galpão) Mortalidade (%) Densidade (cabeças inicial/m²) (cabeças final/m²) (kg final/m²)
CE Climatizado pressão negativa 21.000 4,5% 14,0 13,4 35,1
Climatizado pressão positiva 15.500 4,5% 12,9 12,3 32,4
Convencional 13.500 4,5% 11,3 10,7 28,2
GO Climatizado pressão negativa 22.000 4,0% 14,7 14,1 35,8
Climatizado pressão positiva 20.000 4,0% 13,3 12,8 32,5
Convencional 15.000 4,0% 12,5 12,0 28,1
MG Climatizado pressão negativa 29.500 4,0% 14,0 13,5 35,8
Climatizado pressão positiva 19.500 4,0% 13,0 12,5 32,8
Convencional 15.000 4,0% 12,5 12,0 28,1
MS Climatizado pressão negativa 31.000 4,5% 14,8 14,1 35,8
Climatizado pressão positiva 20.000 4,5% 13,3 12,7 32,4
Convencional 14.000 4,5% 11,7 11,1 28,3
MT Climatizado pressão negativa 29.000 4,0% 13,8 13,3 35,2
Climatizado pressão positiva 19.500 4,0% 13,0 12,5 32,8
Convencional 13.500 4,0% 11,3 10,8 28,4
PE Climatizado pressão negativa 21.000 4,5% 14,0 13,4 35,1
Climatizado pressão positiva 15.000 4,5% 12,5 11,9 31,3
Convencional 6.700 4,5% 10,8 10,3 28,0
PR Climatizado pressão negativa 33.500 4,5% 14,0 13,3 35,0
Climatizado pressão positiva 20.000 4,5% 13,3 12,7 33,4
Convencional 14.500 4,5% 12,1 11,5 30,3
RS Climatizado pressão negativa 33.500 3,5% 14,0 13,5 35,4
Climatizado pressão positiva 16.000 3,5% 13,3 12,9 33,8
Convencional 14.500 3,5% 12,1 11,7 30,6
SC Climatizado pressão negativa 33.000 4,0% 13,8 13,2 35,0
Climatizado pressão positiva 16.000 4,0% 13,3 12,8 33,9
Convencional 14.500 4,0% 12,1 11,6 30,8
SP Climatizado pressão negativa 31.000 4,0% 14,8 14,2 36,0
Climatizado pressão positiva 20.000 4,0% 13,3 12,8 32,5
Convencional 15.000 4,0% 12,5 12,0 30,5
Na Tabela 4 apresenta-se o consumo de gás, lenha e energia elétrica. Na maioria dos Estados e sistemas, utiliza-se o sistema de aquecimento por meio de fornalha a lenha. Gás em botijão de 13 kg é utilizado
apenas para a desinfecção do aviário por meio de vassoura de fogo. Os sistemas climatizados em GO e MT são exceção, onde o aquecimento é a gás
Tabela 4. Consumo de gás, lenha e energia elétrica
UF Tipo de aviário
Gás (GLP) Lenha** Energia elétrica kg/lote/ módulo kg/ mil m² m³/lote/ módulo mst/ mil m² kWh/lote/ módulo kWh/mil m²
CE Climatizado pressão negativa 13 9 10 7 6.500 4.333
Climatizado pressão positiva 13 11 10 8 3.500 2.917
Convencional 13 11 10 8 2.800 2.333
GO Climatizado pressão negativa 450* 75 0 0 16.950 2.825
Climatizado pressão positiva 450* 75 0 0 9.735 1.623
Convencional 26 11 24 10 3.080 1.283
MG Climatizado pressão negativa 39 9 20 5 11.865 2.825
Climatizado pressão positiva 26 9 26 9 4.868 1.623
Convencional 26 11 24 10 3.080 1.283
MS Climatizado pressão negativa 52 6 52 6 23.730 2.825
Climatizado pressão positiva 52 9 48 8 9.735 1.623
Convencional 26 11 20 8 3.080 1.283
MT Climatizado pressão negativa 600* 71 0 0 23.730 2.825
Climatizado pressão positiva 450* 75 0 0 9.735 1.623
Convencional 13 5 14 6 3.080 1.283
PE Climatizado pressão negativa 13 9 10 7 4.238 2.825
Climatizado pressão positiva 13 11 10 8 1.947 1.623
Convencional 8 13 5 8 770 1.283
PR Climatizado pressão negativa 39 8 45 9 13.560 2.825
Climatizado pressão positiva 13 9 13 9 2.434 1.623
Convencional 13 11 12 10 1.540 1.283
RS Climatizado pressão negativa 39 8 45 9 13.560 2.825
Climatizado pressão positiva 13 11 12 10 1.770 1.475
Convencional 13 11 12 10 1.400 1.167
SC Climatizado pressão negativa 39 8 45 9 13.560 2.825
Climatizado pressão positiva 13 11 12 10 1.770 1.475
Convencional 13 11 12 10 1.400 1.167
SP Climatizado pressão negativa 45 11 24 6 11.865 2.825
Climatizado pressão positiva 26 9 24 8 4.425 1.475
Convencional 26 11 24 10 2.800 1.167
* Uso de gás a granel para aquecimento. Nos demais sistemas utiliza-se o botijão de 13 kg apenas para a desinfecção do aviário por meio de vassoura de fogo, sendo que o aquecimento é a lenha.
** Mensurada em metro estéreo (mst).
Em relação ao substrato para cama, considerou-se para a maioria dos sistemas e Estados o padrão de 10 cm de altura, independente do tipo de material e do uso de lona para fermentação e reutilização da cama. Com a adoção do tratamento da cama com
lona entre lotes não há necessidade de reposição da cama a cada lote. Na Tabela 5 apresenta-se a quantidade de substrato para cama de aviário, sendo que os materiais utilizados são a maravalha, a casca de arroz e o bagaço de cana.
Tabela 5. Consumo de cama de aviário e tipo de substrato
UF Tipo de aviário Material Altura (cm)
Uso de cama (m³/galpão)* Lotes para troca (nº.)
Média (m³/mil m²) Lote inicial Reposição
CE Climatizado pressão negativa casca de arroz 10 150 0 6 17
Climatizado pressão positiva casca de arroz 10 120 0 6 17
Convencional casca de arroz 10 120 0 6 17
GO Climatizado pressão negativa casca de arroz 10 150 0 6 17
Climatizado pressão positiva casca de arroz 10 150 0 6 17
Convencional casca de arroz 6 72 20 2 38
MG Climatizado pressão negativa maravalha 10 210 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 6 90 20 3 29
Convencional maravalha 6 72 20 2 38
MS Climatizado pressão negativa maravalha 10 210 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 10 150 0 6 17
Convencional maravalha 10 120 0 6 17
MT Climatizado pressão negativa maravalha 10 210 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 10 150 0 6 17
Convencional maravalha 10 120 0 6 17
PE Climatizado pressão negativa bagaço de cana 10 15* 0 2 5
Climatizado pressão positiva bagaço de cana 10 12* 0 2 5
Convencional bagaço de cana 10 6* 0 2 5
PR Climatizado pressão negativa maravalha 10 240 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 10 150 0 6 17
Convencional maravalha 10 120 0 6 17
RS Climatizado pressão negativa maravalha 10 240 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 10 120 0 6 17
Convencional maravalha 10 120 0 6 17
SC Climatizado pressão negativa maravalha 10 240 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 10 120 0 6 17
Convencional maravalha 10 120 0 6 17
SP Climatizado pressão negativa maravalha 10 210 0 6 17
Climatizado pressão positiva maravalha 10 150 0 6 17
Convencional maravalha 10 120 0 6 17
* O bagaço de cana é medido em toneladas e não em m³.
Na Tabela 6 apresenta-se o consumo de ração e conversão alimentar para frangos de corte. Estes valores basearam-se nos pesos de abate e no desempenho das principais linhagens comerciais disponíveis no mercado.
Tabela 6. Consumo de ração e conversão alimentar
UF Tipo de aviário Consumo de ração (g/ave) Conversão alimentar* 0 a 21 dias 22 a 35 dias 36 dias ao abate Total
CE Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.488 4.622 1,80
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.488 4.622 1,80
Convencional 1.063 2.071 1.488 4.622 1,80
GO Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.286 4.420 1,78
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.286 4.420 1,78
Convencional 1.063 2.071 1.078 4.212 1,84
MG Climatizado pressão negativa 1.149 1.985 1.507 4.641 1,79
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.487 4.621 1,80
Convencional 1.063 2.071 1.078 4.212 1,84
MS Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.287 4.421 1,78
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.287 4.421 1,78
Convencional 1.063 2.071 1.287 4.421 1,78
MT Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.507 4.641 1,79
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.487 4.621 1,80
Convencional 1.063 2.071 1.487 4.621 1,80
PE Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.488 4.622 1,80
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.488 4.622 1,80
Convencional 1.063 2.071 1.488 4.622 1,80
PR Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.487 4.621 1,80
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.487 4.621 1,80
Convencional 1.063 2.071 1.487 4.621 1,80
RS Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.487 4.621 1,79
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.487 4.621 1,79
Convencional 1.063 2.071 1.487 4.621 1,79
SC Climatizado pressão negativa 1.149 1.985 1.510 4.644 1,79
Climatizado pressão positiva 1.149 1.985 1.510 4.644 1,79
Convencional 1.149 1.985 1.510 4.644 1,79
SP Climatizado pressão negativa 1.063 2.071 1.286 4.420 1,78
Climatizado pressão positiva 1.063 2.071 1.286 4.420 1,78
Convencional 1.063 2.071 1.286 4.420 1,78
* Considera o consumo das aves mortas.
Na Tabela 7 apresenta-se a formulação das rações por fase de crescimento dos frangos de corte. Optou-se por utilizar a mesma formulação para todos os Estados tendo em vista a grande variabilidade de formulações entre as regiões produtoras e ao longo do tempo, bem como em função da dificuldade em
obter estas informações junto aos principais atores da cadeia produtiva. Os dois principais ingredientes são o milho moído e o farelo de soja, com um consumo médio de 2,677 e 1,474 kg/ave, respectivamente.
Tabela 7. Composição das rações (%) em função do período da criação
Ingrediente Fases (dias)
Inicial (0 a 21 dias) Crescimento (22 a 35 dias) Final (36 dias ao abate)
Milho moído 55,640 58,190 62,430 Farelo de soja 36,000 33,200 28,590 Óleo de soja 4,000 5,000 5,693 Fosfato bicálcico 1,850 1,650 1,500 Calcáreo calcítico 1,200 0,800 0,750 Sal comum 0,500 0,450 0,440 Adsorvente 0,200 0,200 0,200 DL-Metionina 0,250 0,190 0,109 Premix mineral 0,100 0,100 0,100 Premix vitamínico 0,100 0,100 0,100 CL-Colina 0,040 0,070 0,063 Aditivo Zootécnico* 0,010 0,010 0,010 Antioxidante 0,015 0,015 0,015 Aditivo anticocidiano* 0,025 0,025 0,000 L-Lisina HCL 0,070 0,000 0,000
* Aditivo Zootécnico melhorador de desempenho, substância utilizada para influir positivamente na melhoria do desempenho das aves (conforme classificação e definição do Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal, 2009)
** Aditivo anticoccidiano, substância utilizada para eliminar ou inibir protozoários (conforme classificação e definição do Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal, 2009)
Apresenta-se na Tabela 8 os principais itens a serem considerados em um plano de higienização e
cloração da água. Entretanto, deve-se considerar que estas ações requerem não apenas produtos
químicos, como também mão de obra, gás e energia elétrica. O consumo de água foi estipulado em 2,5
L/kg de ração para dessedentação, 2,0 L/cabeça para resfriamento3 e 3,5 L/m² para lavagem e desinfecção do aviário na troca de cama. Em relação às vacinas, foi considerada apenas a vacina de Marek realizada no incubatório, sendo que as vacinas decorrentes de desafios regionais não foram consideradas.
Tabela 8. Uso de produtos para higienização e cloração da água
Item Grupo Químico Consumo/Lote* Unidade*
Desinfetante Glutaraldeído 0,83 L/mil m²
Amônia Quaternária 0,21 a 2,08 L/mil m² Detergente (na troca de cama) Sabão líquido 0,17 a 2,08 L/mil m²
Tabletes de Cloro** Cloro 0,005 kg/m³ de água
* Devido à existência de diversas marcas, existem diferenças de concentração, dosagem e unidade de medida entre os princípios ativos. Por isso, optou-se por apresentar um intervalo de consumo em função da concentração mínima e máxima.
** Uma alternativa ao uso de cloro é o tratamento com decantação (alumínio), estabilização de pH (carbonato de sódio) e desinfecção (hipoclorito de sódio). Além do uso de produtos para higienização do aviário
e cloração da água, deve-se considerar um plano de controle de pragas que inclui raticidas e inseticidas. Na Tabela 9 apresenta-se o uso de mão de obra. Utilizou-se o número de pessoas ocupadas em tempo integral por módulo de produção (ver dimensões dos módulos na Tabela 2). Quando o número de pessoas
for inferior à unidade, há o emprego de mão de obra no aviário em tempo parcial. Não está sendo
considerado o tempo gasto com apanha das aves, tendo em vista que este é um serviço terceirizado. O custo da mão de obra também deve considerar os encargos sociais4 e provisionamentos5 que incidem sobre o salário, no valor de 12,70% e 44,59%, respectivamente, totalizando 57,29%6.
3Somente nos sistemas de produção que possuem controle artificial da temperatura. 4Seguro de acidente de trabalho, salário educação, Incra e FGTS.
5No caso de um empregado rural com contrato por tempo indeterminado, os provisionamentos são para férias; adicional de férias; 13º salário; aviso prévio;
INSS sobre o aviso prévio; FGTS sobre o adicional de férias; 13º salário e multa rescisória; horas extras e adicional noturno.
6O valor para provisionamentos difere do valor calculado pela Conab de 32,89% porque considera trabalho noturno e em finais de semana (CONAB, 2010,
Tabela 9. Uso de mão de obra
UF Tipo de aviário Mão-de-obra (pessoas/módulo) Mão-de-obra
(pessoas/ galpão) Mão-de-obra (m²/pessoa)
CE Climatizado pressão negativa 0,75 0,75 2.000
Climatizado pressão positiva 1,00 1,00 1.200
Convencional 1,00 1,00 1.200
GO Climatizado pressão negativa 3,00 0,75 2.000
Climatizado pressão positiva 3,00 0,75 2.000
Convencional 2,00 1,00 1.200
MG Climatizado pressão negativa 1,50 0,75 2.800
Climatizado pressão positiva 2,00 1,00 1.500
Convencional 2,00 1,00 1.200
MS Climatizado pressão negativa 3,00 0,75 2.800
Climatizado pressão positiva 4,00 1,00 1.500
Convencional 2,00 1,00 1.200
MT Climatizado pressão negativa 3,00 0,75 2.800
Climatizado pressão positiva 3,00 0,75 2.000
Convencional 2,00 1,00 1.200
PE Climatizado pressão negativa 0,75 0,75 2.000
Climatizado pressão positiva 1,00 1,00 1.200
Convencional 0,50 0,50 1.200
PR Climatizado pressão negativa 1,50 0,75 3.200
Climatizado pressão positiva 1,00 1,00 1.500
Convencional 1,00 1,00 1.200
RS Climatizado pressão negativa 1,50 0,75 3.200
Climatizado pressão positiva 1,00 1,00 1.200
Convencional 1,00 1,00 1.200
SC Climatizado pressão negativa 1,50 0,75 3.200
Climatizado pressão positiva 1,00 1,00 1.200
Convencional 1,00 1,00 1.200
SP Climatizado pressão negativa 1,50 0,75 2.800
Climatizado pressão positiva 2,00 1,00 1.500
Convencional 2,00 1,00 1.200
Para a vida útil e valor residual das instalações e dos equipamentos utilizou-se os valores apresentados na Tabela 10, a seguir. Além disso, utiliza-se a taxa de
1% ao ano sobre o valor novo do bem para gastos com manutenção (CONAB, 2010, p. 38).
Tabela 10. Vida útil e valor residual das instalações e dos equipamentos
Itens Vida útil (anos) Valor residual (%)
Instalações7 25,0 10,0
Equipamentos8 12,0 10,0
7Adotou-se a vida útil de barracões e galpões de madeira estimada por Conab (2010, p. 57). 8Adotou-se a vida útil média de 342 implementos agrícolas estimados por Conab (2010, p. 53-57).
Exemplo do uso das informações
sobre coeficientes técnicos no cálculo
do custo de produção de frangos de
corte
Para exemplificar o uso das informações sobre coeficientes técnicos no cálculo do custo de
produção de frangos de corte, apresenta-se a seguir os resultados para um aviário convencional em Santa Catarina, no mês de outubro de 2010 (Tabelas 11, 12 e 13), conforme disponível na web site da Embrapa Suínos e Aves.
Tabela 11. Custo de produção de frango de corte em um aviário convencional com 1.200m², Santa Catarina, Outubro de
2010, R$/Lote
Item de custo Coeficiente técnico Unidade Preço (R$/Unid.) Valor (R$/lote)
1. Custo variável 48.488
1.1 – Água 0,005 kg/m³ água 24,05 23
1.2 – Assistência Técnica 13.920 cabeças/lote 0,03 418
1.3 – Calefação 601
- Lenha 12 mst/lote 46,95 563
- Gás 13 kg/lote 2,91 38
1.4 – Cama 20 m³/lote 35,39 708
1.5 – Energia Elétrica 1.400 kWh/lote 0,26 364
1.6 – Funrural 2,30 % s/ renda 5.565 128
1.7 – Licença Ambiental 4 Anos 502,35 20
1.8 – Manutenção 1,00 % ao ano sobre o valor do bem
273
1.9 – Mão de Obra* 1 pessoa/aviário 802,29 1.536
1.10 – Outros 0 un./lote 0,00 0
1.11 – Pintos 14.500 cabeças/lote 0,71 10.295
1.12 – Produtos Veterinários** 3,33 L/mil m² 27,00 108
1.13 – Ração*** 65.991 kg/lote 0,46 30.670
1.14 – Seguro 0,36 % ao ano sobre
investimento
98
1.15 – Serviço de Apanha 1.200 m² 1,08 1.296
1.16 – Transportes*** 102.921 kg/lote 0.01 1.501
1.17 – Despesas Financeiras 6,00 % ao ano sobre custo variável
323
1.18 – Eventuais 3,00 % sobre custo variável 127
2. Custo fixo 2.343
2.1 – Depreciação***** 25 e 12
anos para instalações e equipamentos, respectivamente
1.441 2.2 – Remuneração sobre capital 6,00 % ao ano sobre capital
médio
902
3. Custo total 50.831
* Inclui salário mínimo, encargos sociais e provisões.
** Inclui desinfetante, inseticida para cascudinho e moscas e raticida. *** Inclui ração inicial, crescimento e final.
**** Inclui o transporte de pintos, ração e frango vivo.
***** Considera 10% de valor residual para instalações e equipamentos. A partir do número de animais entregues, de 13.920 cabeças (equivalente ao alojamento de 14.500 pintos com mortalidade de 4,0%) e do peso de abate
de 2,652 kg/cabeça, pode-se calcular o custo por cabeça e por quilograma de frango vivo (Tabela 12).
Tabela 12. Custo de produção de frango de corte em um aviário convencional com 1.200m², Santa Catarina, Outubro de 2010, R$/cabeça e R$/kg
Item de custo R$/cabeça R$/kg
1. Custo variável 3,483 1,3135 1.1 – Água 0,002 0,0006 1.2 – Assistência Técnica 0,030 0,0113 1.3 – Calefação 0,043 0,0163 1.4 – Cama 0,051 0,0192 1.5 – Energia Elétrica 0,026 0,0099 1.6 – Funrural 0,009 0,0035 1.7 – Licença Ambiental 0,001 0,0005 1.8 – Manutenção 0,020 0,0074 1.9 – Mão de Obra 0,110 0,0416 1.10 – Outros 0,000 0,0000 1.11 – Pintos 0,740 0,2789 1.12 – Produtos Veterinários 0,008 0,0029 1.13 – Ração 2,203 0,8308 1.14 – Seguro 0,007 0,0027 1.15 – Serviço de Apanha 0,093 0,0351 1.16 – Transportes 0,108 0,0406 1.17 – Despesas Financeiras 0,023 0,0088 1.18 – Eventuais 0,009 0,0034 2. Custo fixo 0,168 0,0635 2.1 – Depreciação 0,104 0,0390
2.2 – Remuneração sobre capital 0,065 0,0244
3. Custo total 3,652 1,3769
Para finalizar, apresenta-se na Tabela 13 a divisão de responsabilidades entre produtor e agroindústria. Esta é uma referência a partir das práticas verificadas em Santa Catarina. Pondera-se que a divisão de responsabilidades estabelecida via relação contratual nas integrações varia significativamente entre as empresas e cooperativas que abatem frangos de corte e seus integrados parceiros. Além disso, assim como os demais coeficientes técnicos, há mudança ao longo do tempo nas relações contratuais.
Tabela 13. Divisão de responsabilidades entre produtor e agroindústria e respectivos custos de produção de frango de corte em um aviário convencional com 1.200m², Santa Catarina, Outubro de 2010, R$/Lote
Item de custo Produtor Agroindústria
R$/Lote Participação R$/Lote Participação
1. Custo variável 4.402 9% 44.086 91% 1.1 – Água 0 0% 23 100% 1.2 – Assistência Técnica 0 0% 418 100% 1.3 – Calefação 601 100% 0 0% 1.4 – Cama 708 100% 0 0% 1.5 – Energia Elétrica 364 100% 0 0% 1.6 – Funrural 128 100% 0 0% 1.7 – Licença Ambiental 20 100% 0 0% 1.8 – Manutenção 273 100% 0 0% 1.9 – Mão de Obra 1.536 100% 0 0% 1.10 – Outros 0 100% 0 0% 1.11 – Pintos 0 0% 10.295 100% 1.12 – Produtos Veterinários 0 0% 108 100% 1.13 – Ração 0 0% 30.670 100% 1.14 – Seguro 98 100% 0 0% 1.15 – Serviço de Apanha 518 40% 778 60% 1.16 – Transportes 0 0% 1.501 100% 1.17 – Despesas Financeiras 29 9% 295 91% 1.18 – Eventuais 127 100% 0 0% 2. Custo fixo 2.343 100% 0 0% 2.1 – Depreciação 1.441 100% 0 0%
2.2 – Remuneração sobre capital 902 100% 0 0%
3. Custo total 6.745 13% 44.086 87%
Considerações finais
Os custos de produção calculados pela Embrapa Suínos e Aves são uma referência. Deve-se ressaltar que cada produtor tem o seu próprio custo, que depende do sistema de produção, do seu nível tecnológico, da sua eficiência produtiva e dos preços praticados em sua região. Nesse sentido, está disponível no website da Embrapa Suínos e Aves (http://www.cnpsa.embrapa.br) uma planilha9 para o cálculo do custo de produção do frango de corte, por meio da qual cada produtor pode facilmente calcular seus próprios custos, com possibilidade de alterar os coeficientes técnicos e preços de acordo com a sua realidade. O resultado obtido com esta planilha pode ser comparado com os custos calculados pela Embrapa, com o custo de outros produtores e com os da assistência técnica das agroindústrias.
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Comunicado Técnico, 483
Exemplares desta edição podem ser adquiridos na:
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