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Terceirização

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Academic year: 2021

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(1)1. GESTÃO DE SEGURANÇA DE CONTRATADOS EM SERVIÇOS DE CALDEIRARIA – ESTUDO DE CASO EM UMA INDÚSTRIA DE PRODUÇÃO, ENVASAMENTO E EXPEDIÇÃO DE ÓLEOS LUBRIFICANTES Marcio Valerio Santos da Silva DISSERTAÇÃO APRESENTADA AO CURSO DE MESTRADO EM SISTEMA DE GESTÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, COMO REQUISITO PARCIAL PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE. ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: SEGURANÇA DO TRABALHO Aprovada por: Julio Domingues Nunes Fortes. Gilson Alves Brito Lima. Ubirajara Aluizio de Oliveira Mattos. NITERÓI 2003.

(2) 2. MARCIO VALERIO SANTOS DA SILVA. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Sistema de Gestão da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre. Área de concentração: Segurança do Trabalho. Orientador: Prof. Dr. UBIRAJARA ALUÍZIO DE OLIVEIRA MATTOS. Niterói 2 003.

(3) 3. DEDICO ESTE TRABALHO. Aos meus pais José e Dalva que nunca mediram esforços para que eu tivesse acesso a melhor educação acadêmica. A minha avó Maria (in memorian) cujo exemplo de vida me fortaleceu durante os momentos de dificuldade para conclusão deste trabalho. A minha esposa Fábia e minha filha Letícia que foram pacientes com as horas que deixamos de estar juntos durante a execução deste trabalho..

(4) 4. AGRADECIMENTOS. Em primeiro lugar a Deus, nosso Senhor, que me conduziu em cada momento dedicado a este trabalho. Ao professor orientador Ubirajara Mattos pela postura de colaboração que me conduziu, de forma a conclusão de mais esta etapa de minha vida acadêmica. Aos engenheiros Paulo Cesar Chaves Furlanetto e Maria Virgínia T. B. L. Serfaty pela participação importante para que eu tivesse acesso a este curso de Mestrado. Ao colega engenheiro Luis Fernando Coutinho Abreu que colaborou de forma que eu pudesse desenvolver com tranqüilidade esta dissertação no local de trabalho. Ao colega engenheiro Cláudio Marcelo Morrissy Machado que colaborou na elaboração das figuras do texto. Ao colega engenheiro Alexandre Albert Gonçalves que foi um grande facilitador na construção do capítulo relativo ao estudo de caso. Aos colegas engenheiros Nildemar Correa Ruella, Gilberto Oscar Novaes Nepomuceno da Silva e Ricardo Henriques Macedo Duque que contribuíram substancialmente na indicação de referências bibliográficas para a composição desta dissertação. Aos senhores Jorge Celestino, Arthur Rocco, Sérgio Vieira e Sérgio Carvalho que me atenderam com prontidão e paciência durante a execução do estudo de caso..

(5) 5. RESUMO Com o objetivo de concentração em suas próprias atividades críticas, organizações estão terceirizando suas atividades de suporte. Nas indústrias de petróleo, esta prática é utilizada nas atividades que requerem pessoal com qualificação técnica específica. A norma OHSAS 18001 possui requisito indicando um adequado controle das atividades oriundas dos serviços de terceiros. A introdução de empregados terceirizados nos limites da área industrial demanda um sistema de gestão de segurança específico para estas pessoas. Isto representa integrar vários programas e ações isoladas de forma a obter-se uma sinergia de esforços. O objetivo deste trabalho é identificar oportunidades para estabelecimento de um sistema de gestão de segurança para contratados numa indústria de produção, envasamento e expedição de óleos lubrificantes. A construção deste texto foi realizada a partir de pesquisa bibliográfica, que se baseou em trabalhos e estudos nacionais e internacionais que abordam o gerenciamento de segurança em empresas contratadas. Desta forma, são apresentadas referências importantes para que profissionais da área de gestão de segurança de grandes organizações possam adquirir conhecimento de procedimentos e práticas para implementação na contratação de serviços. Das referências obtidas, optou-se pela utilização de um programa de gestão de segurança e saúde de empresas contratadas que está estruturado no ciclo de melhoria contínua conhecido como PDCA. Este trabalho apresenta o resultado da avaliação de oportunidades e dificuldades para implementação do programa citado num contrato de manutenção de caldeiraria da indústria analisada. O estudo de caso realizado permitiu verificar que um modelo teórico deve ser testado na prática para reflexão sobre sua exeqüibilidade. Neste estudo, esta premissa foi considerada. Com isto, propõe-se um sistema de gestão de segurança para contratados que considera a customização de um modelo obtido na literatura com o perfil da empresa e dos profissionais contratados. Observou-se a necessidade de as empresas contratadas assumirem sua parcela de responsabilidade na gestão de riscos de suas atividades. Portanto, as empresas contratantes devem estabelecer um modelo de gestão que não consista apenas no atendimento à legislação pelas empresas contratadas. Elas devem estabelecer requisitos de planejamento de segurança. O estudo permitiu constatar-se que a forma de contratação dos serviços influi na abrangência do sistema de gestão. A situação ideal é aquela em que a própria contratada dirige a execução dos serviços. Outra importante constatação é a de que um sistema de gestão deve dar ênfase para a identificação de riscos nas atividades operacionais.. Palavras-chave: contratadas; gestão de segurança; planejamento de segurança..

(6) 6. ABSTRACT Focused in concentrating on their own critical activities, organizations are outsourcing their support activities. In petroleum industries this practice is used on activities that need people with special qualification. The OSHAS 18001 standard requires for a suitable control of outsourced activities. This shows that we must integrate many isolated programs and actions in order to have an effort synergy. The objective of this research is to identify opportunities for establishing a safety management system for the hired employees in a production, envasing and shipping lubricant oil industry. The introduction of outsourced employees within the limits of manufacturing labor claims a safety management system for this set of employees. The development of this paper was achieved through a bibliographic search, that was based on national and international documents that deal with contractors safety management. Thus, important references are presented so that great organization safety managers can acquire sufficient knowledge in procedures and practices related to the implementation of service contracts. Among the obtained references, the author chose to use a hired companies’ health and safety management program that is based on continuous improvement, known as PDCA (Plan, Do, Check, Act). This work presents the opportunities and difficulties in evaluating outcome in the implementation of this program in a contract for heavy mechanics maintenance in the analysed industry. The case study allowed us to find that a theoretical model must be tested in practice for a reflection about its feasibility. In this paper, this fact was considered. With this, a safety management system model for contractors is presented and takes into account a customization of a model taken from literature, according to the company and the contracted employees’ profiles. It is essential that the contracted companies assume their part on the responsibility of risk management of their activities. The contracting companies should establish a model of risk management that doesn´t consist only on the attendance of the applicable law by the contractors. They must establish safety planning requirements. The research allowed us to see the services contracting configuration influences in the approach of the management system. The best situation is the one where the contractor itself controls the services performance. Another important confirmation is that a management system must be concentrated in the identification of activities´ risks. Keywords: contractors; safety management; safety planning..

(7) 7. LISTA DE ILUSTRAÇÕES. Fig. 1 – Exemplo de modelo de gestão de uma organização .................................................. 24 Fig. 2 – Resumo do modelo de gestão API RP 2221 ............................................................. 33 Fig. 3 – Organograma da indústria em estudo ........................................................................ 48 Fig. 4 – Organograma da produção ........................................................................................ 49 Fig. 5 – Fluxograma geral de processo ................................................................................... 50 Fig. 6 – Diagrama de blocos simplificado da produção de óleos lubrificantes ...................... 51 Fig. 7 – Modelo esquemático para um sistema de gestão de segurança de empresas contratadas .............................................................................................................................. 65 Quadro 1 - Categorização de contratos ...................................................................................71 Quadro 2 – Exemplos de consequências indesejáveis ............................................................ 86 Fig. 8 – Analogia entre o sistema de gestão e o ciclo PDCA ................................................. 88.

(8) 8. SUMÁRIO. 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................10 1.1 CENÁRIO...................................................................................................................... 10 1.2 OBJETIVOS .................................................................................................................. 12 1.2.1 Geral ........................................................................................................................... 12 1.2.2 Específico.................................................................................................................... 13 1.3 HIPÓTESE.....................................................................................................................13 1.4 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO .......................................................14 1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA .................................................................................. 15 1.6 METODOLOGIA ..........................................................................................................15 1.7 ESTRUTURA DO TRABALHO.................................................................................... 17 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 19 2.1 PLANEJAMENTO DO CAPÍTULO ..............................................................................19 2.2 APRESENTAÇÃO DE NORMAS PARA SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE ............................................................................................................................19 2.3 ASPECTOS PRÁTICOS SOBRE SISTEMAS DE GESTÃO.........................................21 2.4 PORQUE UM SISTEMA DE GESTÃO.........................................................................23 2.5 IMPORTÂNCIA DE UM MODELO ............................................................................. 24 2.6 ORIGEM DA TERCEIRIZAÇÃO.................................................................................. 25 2.7 PONTOS DE VISTA SOBRE TERCEIRIZAÇÃO.........................................................26 2.8 SEGURANÇA DE CONTRATADOS – PRÁTICAS DA INDÚSTRIA .........................28 2.9 PESQUISAS RELACIONADAS À SEGURANÇA DE CONTRATADOS ...................31 2.10 MODELOS DE GESTÃO DE SEGURANÇA DE CONTRATADOS.......................... 32 2.11 SÍNTESE .....................................................................................................................36 3 CONTRATOS DE SERVIÇOS .........................................................................................39 3.1 FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO............................................................................39 3.2 TERCEIRIZAÇÃO E ASPECTOS LEGAIS CONTRATUAIS ...................................... 40 3.3 CONTRATAÇÃO EM SERVIÇOS DE ENGENHARIA E MANUTENÇÃO................41 4 ESTUDO DE CASO .........................................................................................................45 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE DE ESTUDO.....................................................45 4.2 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE TRABALHO ............................................47 4.3 ORGANOGRAMA DA UNIDADE DE ESTUDO.........................................................48 4.4 O PROCESSO DE FABRICAÇÃO................................................................................49 4.5 PERFIL DA EMPRESA CONTRATADA .....................................................................52 4.6 CONTRATO DE CALDEIRARIA................................................................................. 53 4.7 DINÂMICA DO PROCESSO DE TRABALHO NOS SERVIÇOS CONTRATADOS .. 54 4.8 RISCOS ENVOLVIDOS................................................................................................55 4.9 MEDIDAS DE PREVENÇÃO .......................................................................................57 4.10 INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DAS QUESTÕES DO PROTOCOLO DE ESTUDO DE CASO ............................................................................................................58 4.10.1 Pré-seleção de contratadas .........................................................................................58 4.10.2 Seleção de contratada ................................................................................................58 4.10.3 Atividades pré-execução............................................................................................59 4.10.4 Serviços em execução................................................................................................59 4.10.5 Avaliação de desempenho.......................................................................................... 61 4.11 ANÁLISE FINAL ........................................................................................................ 61 5 MODELO DE GESTÃO DE SEGURANÇA PROPOSTO................................................64.

(9) 9. 5.1 ESTRUTURA DO MODELO PROPOSTO.................................................................... 64 5.1.1 Identificação de necessidade de terceirização............................................................... 65 5.1.2 Cadastro de empresas .................................................................................................. 67 5.1.3 Requisitos de segurança............................................................................................... 72 5.1.4 Plano de segurança ...................................................................................................... 73 5.1.4.1 Critérios para qualificação de pessoal .......................................................................74 5.1.4.2 Rotina de treinamento de pessoal ..............................................................................75 5.1.4.3 Lay-out das áreas de vivência ...................................................................................76 5.1.4.4 Sistemática para preparação de liberação de serviços ................................................77 5.1.4.5 PPRA, PCMSO e PCMAT........................................................................................ 78 5.1.4.6 Plano para identificação, análise, registro, controle e eliminação de riscos ................78 5.1.4.7 Procedimento para registro e análise de acidentes .....................................................80 5.1.4.8 Participação dos trabalhadores .................................................................................. 80 5.1.5 Preparação de contratos ............................................................................................... 81 5.1.6 Seleção de contratados................................................................................................. 81 5.1.7 Monitoramento dos Serviços .......................................................................................82 5.1.7.1 Fiscalização de contratos .......................................................................................... 83 5.1.7.2 Eventuais mudanças no escopo ................................................................................. 84 5.1.8 Avaliação de Desempenho........................................................................................... 84 5.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O MODELO .................................................................... 85 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................87 6.1 CONCLUSÕES..............................................................................................................87 6.2 RECOMENDAÇÕES PARA FUTUROS ESTUDOS E PESQUISAS............................91 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 93 7.1 OBRAS CITADAS ........................................................................................................ 93 7.2 OBRAS CONSULTADAS............................................................................................. 97 8 APÊNDICES.....................................................................................................................98 8.1 PROTOCOLO DE ESTUDO DE CASO ........................................................................ 99 8.2 FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE TRABALHO................................................... 105 9 ANEXOS ........................................................................................................................ 107.

(10) 10. 1 INTRODUÇÃO 1.1 CENÁRIO As empresas realizam vários processos, transformando os insumos em bens e serviços. Os processos são divididos em várias atividades. Em empresas da área de petróleo, por exemplo, existe uma série de atividades que requerem suporte técnico e, consequentemente, um contingente de pessoal com qualificação específica para as mesmas. Determinadas empresas entendem que a administração destas atividades, pela mesma organização, fica inviabilizada. Um dos exemplos é o serviço de manutenção. Deste fato, surge a figura das empresas contratadas. Como resultado desta iniciativa, as empresas passam a manter um núcleo central de seus quadros fixos voltados para as atividades fim. Os serviços relacionados às atividades meio são contratados de empresas especializadas (REVISTA PROTEÇÃO, 1997c). Isto tem provocado uma horizontalização das hierarquias, uma simplificação dos quadros internos e expressivos ganhos de eficiência na produção e comercialização dos bens e serviços. Portanto, a terceirização possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de transferência de atividades a terceiros, permitindo às empresas concentrarem-se nas suas atividades críticas (PINTO, 2001). A delegação de atividades meio a terceiros provê agilidade à organização, quando configurada uma relação de parceria estratégica (FUNDAÇÃO DOM CABRAL, 2001). Neste tipo de cooperação, as empresas contratante e contratada compartilham o tipo.

(11) 11. ideal de relacionamento para os vários empreendimentos desenvolvidos pela contratante. Por consequência, aspectos de desempenho econômico, social, de segurança, dentre outros, de ambas ganham as condições propícias para alcançarem sucesso. Por outro lado, a terceirização não é bem vista por parte da sociedade. Quanto a este assunto, o que se encontra são muitas críticas à forma em que a terceirização tem sido aplicada (MARTINS; RAMALHO, 1994). Questiona-se que o princípio de terceirizar atividades meio, para que a empresa se dedique as atividades relacionadas a sua razão de existir, foi sobrepujado pela simples redução de custos e transmissão dos passivos trabalhistas para as empresas contratadas (REVISTA PROTEÇÃO, 1997b). Discute-se, também, principalmente após o acidente que levou ao fundo do mar uma plataforma de exploração de petróleo no ano de 2001, no Brasil, que a terceirização resulta em condições de trabalho inferiores para os trabalhadores terceirizados (PLATT´S, 2001). Denuncia-se, constantemente, que estes trabalhadores são submetidos a atividades cujas situações de risco não seriam, da mesma forma, atribuídas a empregados próprios (REVISTA PROTEÇÃO, 1997b). Sob outra perspectiva, referências normativas internacionais de sistemas de gestão indicam requisitos para a atividade de aquisição de serviços. Como exemplo, a norma OHSAS 18001 apresenta um modelo de gestão de saúde e segurança, onde um dos requisitos é o adequado controle das atividades oriundas da aquisição de serviços de terceiros (DE CICCO, 1996). Segundo pesquisa elaborada pela Petrobras (2001, p. 36), “nos Estados Unidos e Canadá, a participação do pessoal contratado na força de trabalho total vem crescendo nos últimos anos e, atualmente, situa-se na faixa de 50 a 60 %”. Em seu discurso de posse, o presidente da empresa, consciente desta realidade, afirmou: “Iremos trabalhar para que as mesmas normas de segurança aplicadas na Petrobras sejam aplicadas às empresas.

(12) 12. contratadas” (SINDIPETRO, 2003, p. 3). Este quadro fornece um indicativo de que, independente da salutar discussão entre correntes favoráveis ou contrárias, a contratação de serviços de empresas especializadas é uma prática que está consolidada na maior empresa de petróleo do país. Este é o contexto que se apresenta, impactando as organizações com novos desafios, com destaque para aspectos de segurança, meio ambiente e saúde. Uma importante organização brasileira possuidora de uma unidade de produção, envasamento e expedição de óleos lubrificantes, dentre outras plantas industriais, elaborou um planejamento estratégico que pretende levar seu desempenho em segurança, meio ambiente e saúde a níveis comparáveis a padrões internacionais. A organização possui o número de contratados, atuando nos limites internos de suas instalações, da ordem de 75 % (setenta e cinco por cento) em relação ao de empregados próprios. Existem vários planos, programas e ações isoladas, visando que o desempenho em segurança dos contratados atinja níveis adequados, por exemplo, normas de segurança, sessões de treinamento, cláusulas contratuais, dentre outros. Observa-se, no entanto, a carência de uma estruturação que permita a integração destas ações isoladas de forma a obtenção de sinergia de esforços. Este objetivo pode ser obtido através da implantação de um sistema de gestão (DE CICCO, 1996) de segurança para empresas contratadas. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Geral Propor um modelo de sistema de gestão de segurança de contratados em serviços de caldeiraria numa indústria de produção, envasamento e expedição de óleos lubrificantes..

(13) 13. 1.2.2 Específico Este estudo objetiva, especificamente, identificar oportunidades para estabelecimento de um sistema de gestão de segurança para contratados atuando numa indústria de produção, envasamento e expedição de óleos lubrificantes que contemple: a) Entendimento dos processos do gerenciamento da segurança praticado pela empresa contratante e pela contratada; b) Constatação das oportunidades e restrições do estabelecimento de um modelo de gestão de segurança de contratados, a partir da literatura disponível; c) Identificação e controle adequado de riscos, inclusive aqueles provenientes do próprio processo produtivo; d) Avaliação da compatibilidade de um modelo obtido na literatura com o perfil da empresa e dos profissionais contratados; e) Avaliação da viabilidade técnico-econômica, ou seja, se a implantação do sistema de gestão aumenta custos de forma que desestimulem as empresas envolvidas.. 1.3 HIPÓTESE A opção por este estudo foi motivada por pressupostos que se originaram a partir de casos relatados na revisão bibliográfica e situações vivenciadas profissionalmente pelo autor. Estes pressupostos, indicados a seguir, promovem a motivação para se atingir o desfecho do estudo. Assim, entende-se que anteriormente à concretização de um contrato, as empresas devam ser pré-avaliadas, formando um cadastro. Além do atendimento à legislação aplicável, devem ser previstos requisitos de planejamento de segurança, visando antecipação e reconhecimento de riscos. O atendimento aos requisitos não deve ser verificado apenas ao final dos contratos, porém periodicamente ao longo da realização dos serviços. O desempenho global da contratada durante o contrato deve influenciar sua posição no cadastro de empresas..

(14) 14. 1.4 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO A revisão de literatura indicou uma escassez de material discutindo a importância de integração dos vários programas, práticas e ações voltadas para segurança de contratados. O autor deste trabalho atua como engenheiro de segurança do trabalho numa grande empresa da área de petróleo há cinco anos. Nesta empresa, o quadro de empregados contratados é bastante significativo em comparação ao contingente de empregados próprios. Anteriormente, o autor já atuou como empregado de empresa contratada por quatro anos, também na área de petróleo. Esta experiência profissional contribuiu para a constatação das oportunidades de melhoria proporcionadas por um sistema de gestão de contratados. No sub-item 1.1, existe uma exposição do cenário que indica uma necessidade de estabelecimento de modelos de gestão (FUNDAÇÃO DOM CABRAL, 2001) de segurança para empresas contratadas que garantam a integridade das pessoas e das instalações e proporcionem à sociedade uma confiança na postura ética e pró-ativa das organizações, estabelecendo uma imagem responsável perante o mercado. Esta iniciativa permite a integração destas ações isoladas de forma a obtenção de sinergia de esforços, redundando, inclusive, em redução de custos. A relevância deste tema já foi percebida pelo organismo ARPEL - Asociacion Regional de Empresas de Petróleo y Gas Natural en Latinoamérica y el Caribe - que, em seu seminário do ano de 2002, realizado no Rio de Janeiro, reservou um painel específico para divulgação de trabalhos correlacionados (ARPEL, 2002). O autor considera relevante a contribuição deste estudo no que concerne à apresentar um modelo de gestão para organizações que concebam a segurança como parte de seus negócios. Gerenciar a segurança nos serviços executados por terceiros é de fundamental importância para o planejamento e avaliação de um desempenho empresarial ético, aberto e transparente. Esta consideração é válida e exigida pelos atuais padrões de gerenciamento corporativo..

(15) 15. Por outro lado, a esta altura, já no século XXI, não é admissível que as organizações não tratem os aspectos de segurança relacionados a contratados de forma sistêmica. Gerenciar a segurança nos serviços executados por terceiros é de fundamental importância para o planejamento e alcance dos objetivos estratégicos das organizações. 1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA Como já comentado na seção anterior, o tema desta pesquisa carece de referências. Isto indica que vários caminhos poderiam ser traçados para elaboração deste trabalho. Diante do quadro descrito nos subitens anteriores, optou-se para que a pesquisa se delimite a: a) Proposição de um modelo de gestão de empresas contratadas da categoria prestação de serviços, ou seja, a direção dos serviços é de responsabilidade da contratada. b) Avaliação da compatibilidade de um modelo obtido na literatura com o perfil da empresa e dos profissionais contratados c) Estabelecer um elenco de recomendações em função dos dados de campo obtidos O tema da pesquisa se concentra nos processos de interação entre organizações nos aspectos de segurança, ou seja, empresas contratante e contratada. Deste modo, a pesquisa bibliográfica privilegiou referências relacionadas a este tema. 1.6 METODOLOGIA Inicialmente, realizou-se uma revisão de literatura nacional e internacional para estudo de textos relacionados ao tema. As principais fontes foram: biblioteca da Petrobras, periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES – do Ministério da Educação, busca na internet, publicações de organismos internacionais da indústria de petróleo, revistas da área de segurança do trabalho e jornais. Além disto, percebeu-se a necessidade de pesquisar literatura sobre sistemas de gestão, de modo a entender a forma em que foram concebidos e como são aplicados..

(16) 16. Em seguida, foi identificado um programa de gestão de segurança e saúde de empresas contratadas (AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE, 1996). Decidiu-se avaliar sua compatibilidade com as características próprias dos processos de interação entre empresas contratante e contratada em serviços de caldeiraria numa indústria de produção, envasamento e expedição de óleos lubrificantes. Identificou-se como metodologia mais adequada o estudo de caso. Este processo permite que seja testada uma teoria, a partir do estudo de situação real, onde o pesquisador não realiza controle sobre aspectos em evidência (YIN, 2001), ou seja, não influencia nos processos da unidade analisada . Corroborando esta opção, o estudo de caso é uma das formas indicadas para estrutura de uma dissertação do mestrado profissional (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, 2001). Esta metodologia permite, ainda, conhecimento e entendimento sobre um processo de trabalho, uma vez que utiliza casos concretos (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, 2001). Deste modo, foram realizados estudos das atividades desenvolvidas em serviços de manutenção de caldeiraria que abrangem toda a planta industrial analisada. Grande parte dos dados de descrição da indústria em estudo e processos de produção foram extraídos de pesquisa de Gonçalves et al.(2002), que foi desenvolvida na mesma planta industrial O enfoque da pesquisa está em identificar oportunidades e dificuldades para implementação de modelo de gestão de segurança de contratados preconizado no documento API RP 2221 (AMERICAN PETROLEUM INSTITUTE, 1996), considerando a realidade do contrato de manutenção de caldeiraria da unidade de estudo. Foram realizadas visitas freqüentes na planta industrial citada, onde os empregados foram acompanhados no dia-a-dia para verificar seu comportamento em relação aos aspectos de segurança. Desta forma, foram realizadas observações de campo, levantamento de documentos e entrevistas semi-abertas até os níveis de supervisão dos serviços. O instrumento.

(17) 17. para coleta de dados foi o protocolo de estudo de caso (apêndice 8.1). Utilizou-se deste expediente para melhor planejamento das atividades operacionais da pesquisa. A apresentação dos dados reflete uma comparação dos requisitos de um modelo teórico (API RP 2221) com uma situação real de contratação de serviços. Este diagnóstico possibilitou a definição de diretrizes para a gestão de segurança de contratados na indústria de produção, envasamento e expedição de óleos lubrificantes em estudo. Deste modo, foi possível a proposição de um modelo de gestão de segurança de empresas contratadas para a indústria em referência, que foi a etapa final da pesquisa. 1.7 ESTRUTURA DO TRABALHO A parte textual desta dissertação está composta de seis capítulos. No primeiro, é realizada a introdução do problema, objetivos do estudo, hipótese formulada e metodologia do estudo. O segundo capítulo apresenta o resultado da pesquisa bibliográfica. O tema sistema de gestão é apresentado. Estão expressas visões de autores e modelos de gestão de segurança normalizados por organismos internacionais. Também estão abordadas: terceirização, práticas da indústria para gestão de contratados, pesquisas relacionadas à segurança de contratados e modelos existentes para gestão de segurança de empresas contratadas. No terceiro capítulo, é realizada uma apresentação sobre aspectos dos contratos de prestação de serviços. Nesta parte são descritas as formas mais comuns de contratação, correlacionando-as com o tema deste estudo. No quarto capítulo (estudo de caso), são realizadas as caracterizações da indústria analisada e da empresa contratada. São descritos as observações efetuadas e os resultados obtidos, segundo a estruturação do modelo API RP 2221 (AMERICAN PETROLEUM.

(18) 18. INSTITUTE, 1996). Este capítulo apresenta, também, uma reflexão sobre os aspectos verificados, bem como proposições para melhorias. No quinto capítulo, está apresentada uma proposta de modelo de gestão resultante das observações e constatações proporcionadas pelo estudo de caso realizado. No sexto capítulo, estão apresentadas as reflexões e conclusões do conjunto do estudo realizado. Os resultados obtidos são comparados aos objetivos e pressupostos formulados, além de proposições para continuação da pesquisa realizada..

(19) 19. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 PLANEJAMENTO DO CAPÍTULO A construção deste capítulo foi realizada a partir de pesquisa bibliográfica nacional e internacional, que se fundamentou em trabalhos e estudos que abordam os temas: gestão de segurança, terceirização, estudos sobre contratados e modelos de gestão de segurança de empresas contratadas. Por esta dissertação estar fortemente relacionada à gestão de segurança, entendeu-se necessário uma apresentação de normas e guias relacionados existentes. Apresenta-se, também, a visão de dois autores que estudam a gestão de segurança e saúde, que contribui para alertar aspectos essenciais para a implantação de sistemas de gestão. Em seguida, abordar-se-á aspectos relacionados à terceirização, tais como seu advento e sua chegada ao Brasil. Algumas visões contrárias e favoráveis à terceirização serão abordadas. Serão prestadas, também, informações sobre pesquisas relacionadas a segurança com contratados, que fornecem subsídios importantes para os interessados em identificar pontos críticos deste processo de gestão. Por fim, serão indicadas fontes de literatura que proponham modelos para programas de segurança de empresas contratadas. 2.2 APRESENTAÇÃO DE NORMAS PARA SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE Abordando as normas existentes de sistemas de gestão, existe a NBR ISO 14001 (ABNT, 1996), que foi lançada em 1996 e aborda apenas aspectos de meio ambiente. No.

(20) 20. entanto, faltava a referência para a gestão da segurança e da saúde dos trabalhadores, elementos importantes para assegurar a qualidade total, uma melhor produtividade e a preservação ambiental. Em 1996, o órgão Health and Safety Executive (HSE), organismo legislador sobre saúde e segurança do trabalho da Inglaterra, lançou em conjunto com outras instituições inglesas, a norma BS 8800 . Esta norma é um guia para implementação de um sistema de gestão em saúde e segurança do trabalho e tem correspondência com a norma NBR ISO 14001 (ABNT, 1996), de meio ambiente, e ISO 9001 (ABNT, 2000), de qualidade. A norma BS 8800 visa aprimorar o desempenho das organizações em segurança e saúde, buscando minimizar os riscos aos empregados. Com isto, permite o estabelecimento de uma imagem responsável da organização junto ao mercado. No entanto, existia uma forte demanda por uma norma que permitisse a certificação por organismo externo para sistemas de gestão de segurança e saúde do trabalho, como já existente para a qualidade e o meio ambiente. Em 1999, o British Standard Institute (BSI), em conjunto com os mesmos organismos que participaram da elaboração da BS 8800 acrescidos de alguns organismos certificadores, lançou a norma OHSAS 18001 (BSI, 1999), que nada mais é do que a BS 8800 reestruturada com requisitos mandatórios podendo ser auditados objetivamente, o que permite a certificação de que a empresa possui um sistema de gestão de saúde e segurança efetivamente implantado. Em 2001, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um guia para sistemas de gestão de segurança e saúde (ILO, 2001), diretriz de aplicação voluntária (sem certificação) com o escopo voltado para médias e grandes empresas. Segundo o guia, a definição de sistema de gestão para segurança e saúde é um conjunto de elementos que se inter-relacionam ou interagem com a finalidade de estabelecer uma política e objetivos de segurança e saúde e alcançar estes objetivos. O diferencial deste guia é o tratamento às questões de segurança e saúde de forma tripartite, ou seja, com a participação de.

(21) 21. representantes do governo, dos empregadores e dos empregados. O guia estabelece que a participação dos trabalhadores é fundamental para o sucesso de um sistema de gestão de uma organização. Orienta que os trabalhadores devem ser consultados, informados e capacitados em todos os aspectos de segurança relacionados ao desempenho de suas atividades e que as organizações devem criar comitês de segurança e saúde com a participação dos trabalhadores. O guia indica dois níveis de aplicação para as diretrizes. O primeiro nível é referente à esfera governamental e tem como principais finalidades poder ser utilizado como um padrão de segurança e saúde apoiado pela legislação federal e prover orientação para o desenvolvimento de diretrizes nacionais e específicas sobre o assunto. O segundo nível é o organizacional e tem como objetivos integrar os elementos do sistema de gestão e motivar todos os membros da organização na aplicação de métodos apropriados para melhoria contínua da gestão. Todas as referências citadas possuem a característica comum de indicar um sistema de gestão que está baseado num processo de melhoria contínua. Esta constatação foi considerada para elaboração do sistema de gestão de segurança de empresas contratadas proposto nesta dissertação. 2.3 ASPECTOS PRÁTICOS SOBRE SISTEMAS DE GESTÃO Oliveira (2001b) disserta sobre gestão de segurança e saúde do trabalhador como a administração de um conjunto de fatores inseridos numa organização, com vistas a gerenciar os riscos do trabalho. Ressalta que fazer segurança no trabalho não deve ser um ato administrativo isolado, porém o “exercício de um competente sistema de gestão da produção” (OLIVEIRA, 2001b, p. 121). Deste modo, o autor conclui que o gerenciamento da segurança não é tarefa específica e exclusiva de um determinado setor da empresa, mas parte integrante do ato de gerenciar a produção ou serviço. Realiza, ainda, uma associação entre gerenciamento de segurança do trabalhador com a ato de administrar, “onde o indivíduo.

(22) 22. administrador está diante de uma situação-problema” (OLIVEIRA, 2001b, p. 104), que pode ser representada por um triângulo de três vértices: a) Vértice A: o problema – a identificação, qualificação e quantificação dos riscos do trabalho devem ser feitas a partir do estudo criterioso dos métodos, dos processos e da organização do trabalho, de modo que se obtenha as causas objetivas e subjetivas geradoras dos riscos; b) Vértice B: resolutividade – definido claramente o problema, devem ser utilizadas ferramentas e técnicas gerenciais para solucioná-lo. Ressalta-se a necessidade de definição clara do problema de modo a obtenção de eficácia na aplicação das ferramentas e técnicas; c) Vértice C: governabilidade – o gerente deve estar investido do poder de levantar problemas existentes, definir suas causas objetivas e aprofundar-se no terreno das causas subjetivas. Oliveira (2001b, p. 112), com o intuito de defender o conceito do triângulo, exemplifica que Quando se estudam os acidentes e as doenças do trabalho nas empresas, verifica-se estarem os mesmos relacionados a um conjunto de fatores causais que vão, às vezes, de um simples comportamento inadequado do trabalhador, passando por fatores complexos ligados à organização do trabalho que, por sua vez, influenciam ou determinam as condições ambientais onde o trabalho se realiza.. A principal contribuição do texto de Oliveira (2001b) está em destacar que a gestão de segurança e saúde deve estar intimamente ligada ao sistema de gestão da produção. Observase, na prática das empresas brasileiras, que os empresários habituaram-se com a visão de segurança do trabalho sob a lógica legalista (OLIVEIRA, 2001a). De Cicco (1996) define sistema de gestão de segurança e saúde como um modelo que objetiva fazer da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais parte integrante da cultura organizacional da empresa. O autor destaca que as empresas, que buscam certificação nas normas ISO de sistemas de gestão, se prendem aos aspectos contratuais, deixando de lado a satisfação de funcionários, questões ambientais e de saúde. No seu entendimento um sistema.

(23) 23. de gestão não pode ser mantido sem que questões relativas às condições e ambiente de trabalho sejam consideradas. Afirma, ainda, que os sistemas de gestão de saúde e segurança auxiliam as organizações a melhorar a sua imagem perante clientes e opinião pública. Deste modo, um sistema de gestão deve prever a atuação de fatores externos, por exemplo, legislação, fornecedores, comunidade e outros. Paralelamente, fatores internos também influenciam, exemplo: cultura, política, mudanças organizacionais e estruturais (DE CICCO, 1996). 2.4 PORQUE UM SISTEMA DE GESTÃO Diante das exposições anteriores, pode-se concluir que um sistema de gestão somente estará configurado quando fundamentado no ciclo PDCA. Esta denominação é decorrente das iniciais das palavras inglesas “plan”, “do”, “check” e “act”, que significam “planejar”, “executar”, “avali ar” e “agir”, respectivamente (PINTO, 2001, p. 156). Esta ferramenta, também chamada Ciclo Deming, proporciona um processo de melhoria contínua, representando uma forma de diminuir constantemente os custos para obtenção da qualidade (RODRIGUES, M., 1990). O PDCA é uma das ferramentas mais utilizadas nos processos de qualidade, visando, principalmente, orientar a preparação e execução de atividades planejadas, objetivando a melhoria continuada do processo (RODRIGUES, M., 1990). Apesar desta abordagem estar direcionada para o aspecto da qualidade, pode, também, ser utilizada para segurança e saúde. O PDCA é compatível para gestão de segurança e saúde, como poderá ser verificado no item 6.1. Além da compatibilidade, o fato de ser um ciclo que visa melhoria contínua, é uma ferramenta que em muito contribuirá para que qualquer processo, ou conjunto de processos, possua um desempenho satisfatório..

(24) 24. 2.5 IMPORTÂNCIA DE UM MODELO Um modelo é, por definição, uma abstração da realidade. É uma representação simplificada de algum fenômeno do mundo real. Por que necessitamos de modelos? Uma razão óbvia é que eles ajudam na compreensão de relações complexas. Do ponto de vista econômico, isso pode ser com freqüência conseguido pelo uso de um modelo a uma fração do custo dos outros métodos. Os modelos podem substituir complexidade por simplicidade. (PEREIRA; SANTOS, 2001, p. 37). O texto de Pereira e Santos nos remete à importância da utilização de modelos para representação de sistemas complexos. Os modelos são melhor representados a partir de recursos gráficos, de forma que transmitam as relações complexas em termos fáceis de serem entendidos. Deste modo, permitem que sejam representadas graficamente um conjunto de ações contidas nos processos de gestão de uma organização, como no exemplo da Figura 1.. Figura 1 – Exemplo de modelo de gestão de uma organização Fonte: PEREIRA; SANTOS, 2001, p. 37.

(25) 25. O modelo será tanto melhor, quanto maior a habilidade de descrever com precisão aquilo que procura representar (PEREIRA; SANTOS, 2001). Diante do exposto, entende-se importante que um sistema de gestão de segurança de contratadas esteja representado por um modelo. A complexidade deste sistema fica evidenciada quando se percebe que, ao contratar-se um serviço, trabalhadores de diferentes especialidades e cultura de segurança, por exemplo, estarão dividindo o mesmo ambiente de trabalho. Ocorre um compartilhamento de situações de risco ainda não vivenciadas por cada grupo de trabalhadores. Estas situações são inerentes a cada tipo de atividades realizadas naquele ambiente. A diversidade de processos, também, reforça a necessidade de um modelo. Deste modo, o sistema global fica em evidência, permitindo seu estudo, visando a melhoria contínua. As fases desencadeadas, desde a identificação de necessidade de contratação até a conclusão do serviço contratado, devem estar representadas graficamente. Isto permite se identificar de forma otimizada as oportunidades de melhoria. 2.6 ORIGEM DA TERCEIRIZAÇÃO A terceirização surgiu durante a Segunda Guerra Mundial (REVISTA PROTEÇÃO, 1997c), nos Estados Unidos. O contexto daquela situação exigia que as empresas se concentrassem na produção de armas e veículos para utilização nas linhas de combate. Portanto, eram necessárias técnicas de administração de produção mais ágeis e eficientes. Após estudos, o governo, empresários e militares descobriram que algumas atividades de suporte poderiam ser entregues a outras empresas mais capacitadas. Após o fim do conflito, esta técnica se consolidou como um procedimento vantajoso sob vários aspectos (REVISTA PROTEÇÃO, 1997c)..

(26) 26. No Brasil, a terceirização surgiu a partir da entrada das empresas multinacionais, principalmente as do setor automotivo. De modo geral, as empresas distinguiam as atividades fim das atividades meio (suporte). Gradativamente, as atividades meio foram sendo terceirizadas. Existia um receio inicial por parte dos administradores de perderem o controle da empresa. No entanto, na prática, isto não se confirmou (REVISTA PROTEÇÃO, 1997c). Ocorre que se verificou boa oportunidade de redução de custos na produção, uma vez que a empresa se concentrava em suas atividades fim, ganhando em eficiência e agilidade (REVISTA PROTEÇÃO, 1997c). 2.7 PONTOS DE VISTA SOBRE TERCEIRIZAÇÃO “A terceirização vem sendo utilizada por algumas empresas como um meio para tentar se livrar de obrigações trabalhistas” (REVISTA PROTEÇÃO, 1997b). Os sindicatos se posicionam contrários às políticas de terceirização. Indicam que esta tendência leva a diminuição crescente dos empregados de carteira assinada. Afirmam, ainda, que ocorrem a deterioração das condições do trabalho e a queda do nível de renda e qualidade de vida dos trabalhadores (REVISTA PROTEÇÃO, 1997b). Existem, ainda, críticas mais contundentes. Ambientalistas declararam no jornal Platt´s Oilgram News (2001) que uma das causas do afundamento da plataforma da Petrobrás P-36, no ano de 2001, foi a terceirização de serviços com o intuito de redução de custos. A Federação Única dos Petroleiros, entidade sindical brasileira, afirma, segundo o mesmo jornal, que “a Petrobrás tem investido pouco no treinamento e segurança dos em pregados porque é mais barato terceirizar serviços de pequenas empresas locais”. Freitas et al (2000) discutem a precarização do trabalho como decorrência da globalização da economia mundial, aliada a terceirização introduzida para aumento da produtividade. Questões como a mudança da cultura organizacional, a mudança na gestão da.

(27) 27. força de trabalho, mudanças sócio-econômicas e mudança do perfil dos trabalhadores são debatidas. É denunciada a associação de causas de acidentes às condições precárias de trabalho para trabalhadores terceirizados em tarefas de risco, tais como: manutenção elétrica, mecânica, de telefonia pública, entre outras. Em sintonia com esta visão, fica evidenciado, através de pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos SócioEconômicos (DIEESE), com coleta de informações em 40 (quarenta) empresas, onde, na grande maioria, foi observada a redução de benefícios sociais para empregados que retornaram como contratados às suas empresas de origem. Pesquisa da Fundação Dom Cabral (2001) constata que a terceirização se propunha como alternativa para que as empresas se concentrassem nas atividades fim, porém constatou seu uso de modo generalizado. A mesma pesquisa sinaliza, ainda, que a prestação de serviços por terceiros pode incluir menor capacidade técnica e ausência de preparo, em função de baixo investimento na qualificação e atualização das pessoas. Beltran (1995), porém, afirma que “os militantes, principalmente sindicalistas de entidades fortes, que combatem com veemência a terceirização, são aqueles que se sentem ameaçados, esquecendo o lado inverso do benefício, para aqueles pequenos sindicatos que possam fortalecer-se”. Para aquele autor, a terceirização já é um processo inevitável e irreversível, cabendo às empresas terem a consciência de incluir, em suas políticas e objetivos, a presença constante e crescente da preocupação com a qualidade de vida e o gerenciamento de um sistema que contemple estas especialidades. Pinto (2001, p. 18) considera que “a terceiriz ação é uma tendência mundial e é uma ferramenta estratégica na busca da competitividade empresarial” . No entanto alerta que deve estar baseada numa parceria para trazer resultados empresariais positivos, tanto para empresa contratante quanto para a empresa contratada..

(28) 28. O posicionamento dos sindicalistas se concentra no fato de que a terceirização gera uma pulverização da mão-de-obra em várias empresas, comprometendo a unidade de uma classe sindical (REVISTA PROTEÇÃO, 1997a). O que se observa é que as opiniões não estão dissociadas da posição de cada ator na relação capital-trabalho Conclui-se que a posição de Pinto (2001) é aquela que mais se alinha ao cenário descrito na parte introdutória deste trabalho. Corroborando esta afirmativa, em seu discurso de posse, o presidente da Petrobrás afirmou: “Iremos trabalhar para que as mesmas normas de segurança aplicadas na Petrobrás sejam aplicadas às empresas contratadas” (SINDIPETRO, 2003). Entende-se que determinadas empresas perderiam sua competitividade, caso não seja adotado este modelo para obtenção de maior agilidade frente às demandas de seus clientes. Sob outro aspecto os empregados contratados merecem tratamento similar aos empregados da empresa contratante, uma vez que dividem o mesmo espaço e contribuem para os objetivos estratégicos da empresa contratante. Uma forma de alcançar este objetivo é o estabelecimento de modelos de gestão (FUNDAÇÃO DOM CABRAL, 2001) de segurança para empresas contratadas, de modo que leve ao estabelecimento de um convívio ético e pró-ativo entre as organizações. 2.8 SEGURANÇA DE CONTRATADOS – PRÁTICAS DA INDÚSTRIA A pesquisa de literatura realizada permitiu verificar que a segurança de empresas contratadas não se caracteriza por uma abordagem sistêmica. Os instrumentos contratuais, em geral, se limitam ao mero cumprimento da Portaria 3214/18 – Normas Regulamentadoras (MORAES JUNIOR, 1999). De acordo com os benefícios já citados dos sistemas de gestão, a relação contratual deveria exigir a adoção de ferramentas de gestão. A partir daí, caberia aos profissionais de segurança fiscalizar os trabalhos, além de integrar, orientar e fazer conhecer as normas. Os serviços especializados de engenharia de segurança e medicina do trabalho –.

(29) 29. SESMT – são os mais indicados para estabelecimento de requisitos que promovam a melhoria do desempenho de segurança dos contratados (MORAES JÚNIOR, 1999). Santos e Barbosa (1994), técnicos de segurança de uma grande empresa brasileira na área de petróleo, preocupados com o tema, apresentaram um modelo para avaliação de desempenho de contratadas que já indicava um pequeno, porém relevante, avanço onde estabelece a obrigatoriedade de análise e investigação de acidentes pelas contratadas. Isto representa um incentivo para que as empresas contratadas se conscientizem da responsabilidade mútua para manter o desempenho em segurança em níveis adequados. Moraes Júnior (2000) percebe uma prática que seria o alicerce para proporcionar a gestão de segurança: cadastro de empresas prestadoras de serviço. Descreve que isto não deve ser encarado como mera formalidade, pois, em situações extremas, permite que seja possível localizar as pessoas responsáveis em caso de ocorrências anormais. Esta prática indica uma conclusão de que a gestão de segurança de contratados deve se basear na pré-avaliação de prestadores de serviços. É necessário que se restrinja o universo de empresas para concorrer numa tomada de preços, segundo determinados requisitos de segurança. Uma experiência bem sucedida de implementação de um sistema de gestão de contratados está expresso no compromisso mútuo com os aspectos de segurança, meio ambiente e saúde que Petrobrás e o grupo de empresas árabes Consolidated Contractors Company (1997) ajustaram para um empreendimento de construções de dutos para condução de gás natural. O documento denominado “Project Health, Safety & Environmental Plan” expressa uma forma de planejamento dos aspectos de segurança, meio ambiente e saúde, fornecendo indícios do desenvolvimento dos trabalhos com índices de desempenho adequados, com o gerenciamento de ocorrências em perfeito controle. Do documento, consta um manual de segurança, contendo vários requisitos para que o próprio pessoal contratado atenda. O maior mérito deste documento é a expressão da responsabilidade da alta.

(30) 30. administração como condutora e promotora do programa de saúde e segurança. Organizações com este nível de comprometimento de segurança se constituem em grandes parcerias para um desempenho empresarial ético, aberto e transparente. Esta consideração é válida e exigida pelos atuais padrões de gerenciamento corporativo. O organismo ARPEL (2000) publicou relatório cujo objetivo foi apresentar recomendações para implementação e aplicação de tecnologias e ferramentas para garantia da segurança e prevenção de riscos na indústria petroquímica da América Latina e Caribe. Conscientes da grande diferença nas condições de trabalho entre empregados próprios e contratados, procuraram minimizar estas disparidades. A linha de atuação foi pesquisar as melhores práticas que estavam em estágio de revisão na América do Norte, Europa, Austrália e outros países. Observaram que nas empresas, onde se estabelecia uma relação de parceria entre as partes, houve substancial redução de lesões e perdas. Constataram, também, que tanto os contratados melhoraram seus lucros como os contratantes obtiveram redução de seus custos. Foi constatado que as boas práticas das empresas indicavam um sistema de gestão de segurança, meio ambiente e saúde baseado em: a) Pré-qualificação de empresas contratadas, com critérios de padrões de desempenho mínimos resultantes de programas próprios de gestão; b) Estabelecimento de metas de desempenho como cláusula contratual; c) Identificação, dentre seus contratados, daquele de maior relevância para dedicarlhe os maiores esforços; d) Conscientização das partes de que a gestão dos riscos do ambiente de trabalho é responsabilidade tanto de contratante quanto contratado. O organismo NORSOK, agência normalizadora da Norwegian Petroleum Industry, publicou duas normas relacionados ao tema de contratadas. Em 1996, preocupado em evitar acidentes, doenças ocupacionais e impactos ao meio ambiente, aquele órgão publicou a revisão número 1 da norma S-CR-002. Este documento estabelece requisitos para aspectos de segurança, meio ambiente e saúde durante atividades de construção. As responsabilidades das.

(31) 31. partes contratante e contratada estão bem definidas. O principal destaque é a exigência de que as atividades sejam planejadas, organizadas, executadas e registradas em conformidade ao programa estabelecido. Em outras palavras, o tratamento das questões de segurança, meio ambiente e saúde não se restringe a fase de execução de serviços. O planejamento é um requisito. Em 2000, o NORSOK incrementou suas ferramentas para gestão de contratados ao publicar a norma S-006. Este documento estabelece critérios para qualificar, avaliar e auditar os sistemas de gestão de segurança implementados pelas empresas contratadas. A metodologia utilizada agrupa as atividades dos serviços contratados em sete elementos, que naturalmente se alinham, inclusive, a sistemas de gestão da qualidade. São eles: a) Comprometimento da liderança; b) Política e objetivos estratégicos; c) Gestão de pessoas, de recursos e da documentação; d) Gestão de riscos; e) Planejamento de tarefas; f) Implementação e monitoramento de tarefas; g) Auditorias e análise crítica. A norma S-006 propõe, ainda, um texto para ser inserido no instrumento contratual com as diretrizes para a implementação dos sete elementos pelas empresas contratadas. 2.9 PESQUISAS RELACIONADAS À SEGURANÇA DE CONTRATADOS Jannadi e Bu-Khamsin (2002) conduziram pesquisas em 28 empresas da Arábia Saudita com grandes volumes de obras de construção, utilizando empresas contratadas. O objetivo foi determinar fatores chaves que influenciam no desempenho de segurança dos contratados. De acordo com os dados obtidos, conclui-se como os mais destacados: envolvimento gerencial; equipamentos de proteção pessoal; planejamento para emergências; radiações ionizantes; andaimes e escadas; equipamentos de elevação de cargas; prevenção contra incêndios; equipamentos elétricos; escavações e escoramento; equipamentos.

(32) 32. mecânicos. Dentre todos os listados, foi ressaltado, ainda, que o envolvimento gerencial é vital para a segurança. Esta pesquisa é bastante rica, pois foi identificado um total de 20 (vinte) fatores e 85 (oitenta e cinco) sub-fatores, sendo, portanto, excelente referência. Bubshait e Almohavis (1994), pesquisadores árabes, apresentaram estudo com uma metodologia estruturada para que empresas contratadas pudessem avaliar os documentos contratuais, identificando conflitos e riscos para serem consideradas na preparação da proposta de execução dos serviços. O método permite, a partir da análise das condições contratuais, previsão de procedimentos para que os serviços se desenvolvam sem acidentes com lesões ou perdas. Esta é, na verdade, uma ferramenta de extrema valia que permite um planejamento de segurança eficiente. O´Brien (1999) conduziu pesquisa em 57 empresas da indústria de semicondutores dos Estados Unidos, visando identificar a implementação de programas de segurança para contratados. O trabalho concluiu que a grande maioria possui uma lista de contratadas préaprovadas, como forma de garantir o acesso de empresas com familiaridade aos riscos envolvidos. Destaque, também, foi a constatação da existência de programas estruturados para treinamento dos contratados. Grande parte dos entrevistados considera que educação e treinamento são fatores chaves para a redução de riscos na execução de atividades. Outra constatação foi a deficiência de registros completos sobre ocorrências anormais. Roughton1 apud O´Brien (1999) destaca que “uma forma de promover melhoria de segurança é o aprendizado com erros anteriores ou com registros recentes de falhas”.. 2.10 MODELOS DE GESTÃO DE SEGURANÇA DE CONTRATADOS Preocupado em promover segurança nos postos de trabalho de empresas que compartilham seu espaço com empresas contratadas, o American Petroleum Institute. 1. Roughton, J. E. “Contractor Safety” Professional Safety. Jan, 1995. P. 31 -34..

(33) 33. publicou, em 1991, o documento API Recommended Practice (API RP) 2220. Este documento tem o objetivo de promover um mútuo engajamento de contratantes e contratados em programas de segurança na indústria petroquímica. O instituto justifica o documento a partir da constatação de que os contratados possuem atividades bem diversas daquelas encontradas no âmbito da força de trabalho da empresa contratante. Dentre os requisitos, estão previstas etapas anteriores à submissão de proposta pela empresa contratada. A contratada deveria apresentar uma proposta de programa de segurança com padrões no mínimo igual ao da contratante. Comparando com a realidade brasileira, considera-se que, na maioria dos casos, as empresas da construção civil não teriam competência para submissão de propostas (CRUZ; PEREIRA, V.; PEREIRA, H., 2000). O planejamento de segurança é relegado o segundo plano em virtude da predominância da visão comercial. Demonstrando que este assunto era de grande importância para o segmento de petróleo, o mesmo API (1996) desenvolveu o documento API Recomended Pratice (API RP) 2221, procurando prover um guia e exemplos para implementação efetiva de um programa de saúde e segurança para empresas contratadas. Este novo guia permite ao contratante o entendimento e a elaboração de um programa de saúde e segurança. O contratado é beneficiado em poder entender o programa de segurança da contratante, além de estabelecer um programa por si próprio. De forma resumida, o API RP 2221 apresenta um modelo de gestão de 5 (cinco) passos descrito na Figura 2:. Figura 2 – Resumo do modelo de gestão API RP 2221 Fonte: Adaptado de API RP 2221, 1996.

(34) 34. Este modelo de gestão preconiza que deve haver uma pré-qualificação de empresas para contratação, constituindo um cadastro, o que coincide com o pensamento de Moraes Júnior (2000). São previstos requisitos para: a) estabelecimento de questionário de pré-qualificação de novas empresas; b) estabelecimento de um método para avaliação das condições da empresa contratada atender aos padrões de segurança da contratante; c) elaboração de um lista de empresas contratadas, indicando os serviços para os quais estão habilitadas. Em seguida, existe o processo seletivo que indicará a empresa que melhor atenda os requisitos estipulados, incluindo aspectos de segurança e saúde. Nesta fase, também, estão previstas reuniões com as empresas participantes antes da submissão de propostas comerciais. Nesta oportunidade, são debatidos os requisitos, de forma que as mesmas possam receber explicações detalhadas. A terceira fase se constitui no planejamento de segurança do empreendimento, onde questões sobre treinamento, orientações a respeito do ambiente de trabalho e estabelecimento de indicadores de segurança e saúde são discutidas. Esta fase se constitui na grande oportunidade de estabelecimento das práticas de gestão de risco durante a condução dos serviços. Nesta oportunidade, os acertos finais são realizados. Detalhes não verificados nas fases anteriores são abordados. Os recursos de mão-de-obra, equipamentos de segurança e treinamentos adequados aos serviços são determinados. É essencial que se apresente diretamente aos empregados contratados: a) os riscos conhecidos da planta industrial aos quais os mesmos estarão expostos; b) medidas apropriadas para controle destes riscos; c) procedimentos para situações de emergência. Na fase seguinte, com os serviços já em andamento, é realizado o monitoramento dos aspectos de segurança. São desenvolvidas inspeções, reportados dados sobre o desempenho de segurança e saúde, investigação de ocorrências anormais e simulados de emergência. Deve.

(35) 35. existir um procedimento que reporte também a empresa contratante as informações legais repassados aos órgãos públicos. Quanto às inspeções de segurança, a frequência deve estar associada ao grau de risco das atividades executadas pelas empresas contratadas. Devem estar previstas inspeções pela própria empresa contratada, cujos resultados devem ser fornecidos à contratante. Um sistema de acompanhamento de implementação das ações corretivas deve ser estabelecido. É comum que durante os serviços ocorram modificações no seu escopo. Nesta situação, contratante e contratada devem rever todas as considerações realizadas nas fases anteriores, visando reavaliar os requisitos de segurança e saúde. A última etapa é aquela onde é realizada uma avaliação global da empresa contratada. Seu conteúdo deve estar baseado na duração do contrato, grau dos riscos associados aos trabalhos e o desempenho em segurança e saúde da contratada. Um aspecto importante é que a avaliação não deve ser limitada ao final do contrato. Reuniões intermediárias devem ser conduzidas para discussão do desempenho da contratada. O resultado da avaliação global é considerado para verificação de atendimento aos critérios de qualificação para sua manutenção no cadastro. As práticas recomendadas pelo API são adotadas pela empresa Du Pont (DU PONT, 2002), reconhecida internacionalmente pelos altos padrões de segurança no desenvolvimento de seus processos e atividades. Aquela empresa foi incluída entre as dezesseis melhores empresas em segurança do trabalho da América (PENTON, 2003). Também, é citada como referência no mercado mundial pela Revista CREA-SP (2003). Estes fatos salientam o alinhamento dos modelos indicados pelo API com as práticas de excelência em gestão de segurança de contratadas..

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