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ALTEVIR ENES LEBRE JUNIOR

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Academic year: 2021

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CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA

ALTEVIR ENES LEBRE JUNIOR

A QUESTÃO HABITACIONAL NA TRAJETÓRIA POLÍTICA DE FLAVIANO MELO.

RIO BRANCO, ACRE 2012

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A QUESTÃO HABITACIONAL NA TRAJETÓRIA POLÍTICA DE FLAVIANO MELO.

Monografia do curso de Bacharelado em História apresentado como requisito para ser Bacharel em História, da Universidade Federal do Acre – UFAC.

Orientador: Airton Chaves da Rocha

RIO BRANCO, ACRE 2012

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A QUESTÃO HABITACIONAL NA TRAJETÓRIA POLÍTICA DE FLAVIANO MELO.

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em História.

Banca Examinadora

___________________________________________________________________

Prof. Dr. Airton Chaves da Rocha (Orientador)

___________________________________________________________________

Prof. Dr. Francisco Bento da Silva (Membro)

___________________________________________________________________

Prof. Dr. José Dourado de Souza (Membro)

Conceito: __________ (_______________________)

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DEDICATÓRIA

À minha esposa, à minha mãe e a família Enes Lebre, pelo apoio e estímulo que sempre me ofereceram.

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Primeiro a Deus, pela inspiração e força que me ofereceu para que pudesse dar prosseguimento a esta pesquisa.

Agradeço a meu orientador Dr. Airton Rocha, que contribuiu para a elaboração deste trabalho.

Agradeço também à professora Dra. Maria José Bezerra, ao professor Dr. Valdir Calixto, ao professor Dr. José Dourado, ao Professor Dr. Francisco Bento, à professora Msc. Italva Miranda, à professora Msc. Nadi Bianca, à professora Msc. Rosana Martins, ao professor Ms. Eduardo Carneiro, ao professor Dr. Silvio Birolo, ao professor Dr. Sávio Maia e ao professor Ms. Valmir Freitas.

Agradeço a minha esposa Ellen Cristina que me ajudou, e com muita paciência e dedicação me auxiliou em todos os momentos da pesquisa, sempre me incentivando e me ajudando a prosseguir.

A todos os meus colegas de sala de aula e do curso, em especial ao “grupo das panteras”. Muitos foram os amigos que me ajudaram e me deram forças, Suziane Alves, José Francisco Soares Feitosa e Aires Marques da Gama e Natália Menezes. Um agradecimento especial também ao meu “Sujeito da pesquisa”, Flaviano Melo, que topou o desafio quando lhe falei sobre este trabalho, me ajudando e se prontificando todas as vezes que precisei fazer entrevistas, sempre muito atencioso e disposto a me ajudar.

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“A casa própria faz do trabalhador um conservador que defende o direito de propriedade.”

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RESUMO

O estudo procura analisar aspectos do déficit habitacional existente na cidade de Rio Branco na década de 1980 e a intervenção do governo Flaviano Melo na construção de diversas modalidades de moradia. Para compreender as razões da falta de moradia no período citado problematiza-se o processo de migração de trabalhadores da floresta para a capital acreana e as consequências do êxodo rural para a cidade em evidência. Nessa perspectiva traça-se um perfil da trajetória do político que mais construiu habitação nas quatro últimas décadas. A metodologia utilizada na feitura da monografia consistiu na leitura e reflexão de uma bibliografia relacionada ao tema e ao fazer historiográfico, a realização de entrevistas orais, leitura de jornais, consulta à internet. Os resultados alcançados e as conclusões mais importantes indicam a cidade de Rio Branco não foi preparada para receber milhares de egressos da floresta acreana. Faltaram planejamento e políticas públicas adequadas.

PALAVRAS CHAVE: Cidade de Rio Branco - Déficit habitacional - Governo Flaviano

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ABSTRACT

The study seeks to examine aspects of the existing housing shortage in the city of Rio Branco in the 1980s and government intervention Flaviano Melo in the construction of various types of housing. To understand the reasons for homelessness in the mentioned period discusses the process of labor migration from the forest to the capital of Acre and the consequences of rural migration to the city in evidence. From this perspective we draw a profile of the political trajectory of housing built over the past four decades. The methodology used in making the monograph consisted of reading and reflection of a bibliography related to the theme and make historiographical, conducting oral interviews, reading newspapers, consulting the internet. The results and conclusions indicate the most important city of Rio Branco was not prepared to receive thousands of graduates of the forest Acre. Lacked adequate planning and public policy.

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LISTAS DE TABELAS

TABELA 1 - Número de Votos para Governador em 1986 ... 29

TABELA 2 - Votação para Senador em 1990 ... 33

TABELA 3 - 1° Turno da Eleição para Governador em 1 994 ... 33

TABELA 4 - 2° Turno da Eleição para Governador em 1 994. ... 34

TABELA 5 - Votação para prefeito em 2000 ... 35

TABELA 6 - Votação para Governador em 2002 ... 35

TABELA 7 - Votação para Depetudo Federal em 2006 ... 36

TABELA 8 - Votação para Depetudo Federal em 2010. ... 36

TABELA 9 - Trajetória Política de Flaviano Melo ... 37

TABELA 10 - Déficit habitacional em 2001 ... 41

TABELA 11 - Déficit habitacional em 2010 ... 42

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SUMÁRIO

LISTA DE TABELAS ... 10

INTRODUÇÃO ... 12

CAPÍTULO 1: A QUESTÃO SOCIAL DA HABITAÇÃO DA CIDADE DE RIO BRANCO... 15

1.1.PROCESSO DE MIGRAÇÃO E “INCHAÇO” DA CIDADE. ... 15

1.2.AS CONSEQUÊNCIAS DO ÊXODO RURAL PARA A CIDADE ... 20

CAPÍTULO 2: A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE FLAVIANO MELO. ... 25

2.1. A TRADIÇÃO POLÍTICA DA FAMÍLIA MELO ... 25

2.2.A HISTÓRIA POLÍTICA DE FLAVIANO MELO. ... 27

CAPÍTULO 3: A CIDADE DE RIO BRANCO E A POLÍTICA DE HABITAÇÃO DO GOVERNO DE FLAVIANO MELO ... 39

3.1. O CONTEXTO DA POLÍTICA NACIONAL DE HABITAÇÃO. ... 39

3.2.A QUESTÃO HABITACIONAL NO GOVERNO FLAVIANO MELO ... 42

CONCLUSÃO ... 49

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 51

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INTRODUÇÃO

A presente monografia dedica-se a analisar aspectos da questão habitacional da cidade de Rio Branco na década de 1980, destacando o período de construção de diversas modalidades de moradias durante o governo Flaviano Melo. Procura-se situar historicamente as razões que levaram ao déficit habitacional materializado nos anos 80, buscando-se compreender o processo de migração de milhares de trabalhadores da floresta para a capital do Acre a partir do início dos anos 70 do mesmo século. Para se compreender o déficit habitacional represado no período citado procura-se situar historicamente características da cidade de Rio Branco no período anterior e traça-se a trajetória política do governador que ficou conhecido como o que mais viabilizou construção de habitação na cidade de Rio Branco.

Fatores externos também são abordados no texto. No período de instalação do governo Flaviano Melo o estado do Acre sofria os reflexos da instabilidade econômica vivida pelos brasileiros, período de inflação incontrolada e da falta de uma política nacional de habitação adequada. As empresas da construção civil, por exemplo, estavam desestimuladas a construir sem obter lucros a partir do Plano Cruzado II1. O Estado do Acre dependia do Governo Federal, sendo assim, sem recursos para pagar os servidores públicos e custeios de programa sociais, o governo do Acre no período teve dificuldades para atrair recursos para o estado.

Não existe apenas uma justificativa para a escolha desse tema como objeto da pesquisa. Várias são as razões: O interesse pessoal pela pesquisa surgiu da compreensão social de que ao produzir uma monografia com o tema voltado para a História política, estaria contribuindo para uma abordagem mais ampla da sociedade acreana.

Outro fator impulsionador para a realização desta monografia foi o interesse pessoal por política e também pela tentativa de compreender a trajetória política do atual deputado federal Flaviano Melo, pelo fato de fazer parte do cenário político do Acre a quase três décadas de forma quase ininterrupta. São 28 anos de poder, de atividade política que representa um período da história política acreana.

1

Plano Cruzado II: um conjunto de medidas visando à estabilização da economia brasileira. Lançado pelo presidente José Sarney, em 21 de novembro de 1986, após o fracasso do Plano Cruzado.

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O trabalho também traz uma contribuição acadêmica, na medida em que foi percebida no levantamento inicial, a inexistência de trabalhos de cunho acadêmico realizado acerca dessa temática.

A problemática geral de estudo que orientou a realização desta pesquisa e a escrita da monografia consistiu na tentativa de compreender aspectos da questão social envolvendo o déficit habitacional da cidade Rio Branco na década de 1980, mitigar as intervenções governamentais de enfrentamento do problema, mapear traços da capital nos anos 70/80 e traçar um perfil da trajetória de Flaviano Melo.

A escrita desta monografia teve como objetivo geral compreender aspectos da questão habitacional da cidade de Rio Branco nas décadas de 1970/80, bem como analisar as intervenções do governo Flaviano Melo em relação ao déficit habitacional do Município.

O quadro teórico que subsidiou a discussão da problemática de estudo e, a escrita do texto consistiu na leitura e reflexão de textos versando sobre a relação entre história e memória, sobre história oral e uma bibliografia regional. A metodologia utilizada para a construção da monografia incidiu na leitura e reflexão de uma bibliografia sobre o tema, na pesquisa em jornais, na realização de entrevistas, entre outros. A pesquisa é caracterizada como de cunho bibliográfico e exploratório, pois consistiu em fazer uma breve revisão da literatura existente, principalmente em jornais de circulação local. Bem como, realizaram-se entrevistas com o Engenheiro Edilson Cadaxo e com Flaviano Melo. A entrevista com o Melo serviu de alicerce na construção do texto monográfico, corroborando as informações pesquisadas em outras fontes, bem como enriqueceu o trabalho acrescentando informações.

Pesquisando no Jornal “O Rio Branco”, obtiveram-se alguns registros e suas representações o governo do Acre, na gestão de Flaviano Melo. Registros sobre sua preocupação com meio ambiente, ações proativas em relação à insuficiência de recursos, apoio ao pequeno produtor, busca de uma proximidade com a população, inclusive com a população do interior. O trabalho em parcerias com as prefeituras, investimento cultural, pavimentação de estradas, pavimentação de ramais, investimento em saneamento básico e um significativo investimento em conjuntos habitacionais. Registros também de um governo intolerante com movimentos

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grevistas, acusações na imprensa local e nacional sobre desvio de recursos públicos.

A monografia está estruturada em três capítulos, onde no primeiro, intitulado “A questão social da habitação na cidade de Rio Branco (1970-1980)”, problematiza-se o incremento populacional na cidade de Rio Branco a partir do início da década de 1970 com o êxodo rural de milhares de posseiros, seringueiros, colonos para Rio Branco.

No segundo capítulo, sob o título “A trajetória política de Flaviano Melo”, são abordados aspectos da trajetória de Flaviano Melo, discorrendo sobre sua vida pessoal e na política.

O terceiro capítulo, “A cidade de Rio Branco e a política de habitação no Governo Flaviano Melo”, discute a questão habitacional da cidade de Rio Branco e nuances da trajetória política de Flaviano Melo. Como político acreano, a questão habitacional para Flaviano Melo foi um ponto primordial em seu Governo.

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CAPÍTULO 1: A QUESTÃO SOCIAL DA HABITAÇÃO DA CIDADE DE RIO BRANCO (1970-1980).

O objetivo deste capítulo consiste em tentar compreender o processo histórico que gerou o déficit2 habitacional na cidade Rio Branco, expresso na década de 1980. Durante a formatação da monografia percebeu-se a necessidade de se analisar a conjuntura social construída na década de 1970 na capital acreana, como uma das explicações para a geração de um déficit habitacional significativo na capital acreana, na década de 80. Problematizar o incremento populacional na cidade de Rio Branco a partir do início da década de 1970 com o êxodo rural de milhares de posseiros, seringueiros, colonos para a cidade de Rio Branco, significa tornar mais compreensível um processo social complexo.

1.1. Processo de migração e “inchaço” da cidade de Rio Branco.

A cidade de Rio Branco ainda hoje apresenta um crescimento habitacional desordenado.3 Como exemplo dessa afirmação, podemos citar o caso das terras situadas na Avenida Amadeo Barbosa e nos bairros como Santa Inês e o Areal, onde terras ainda estão sendo ocupadas.

Segundo o site Acre Notícias, do dia 27 de maio de 2011, as promotoras Patrícia Rêgo e Rita de Cássia, e o promotor Romeu Cordeiro, da promotoria dos Direitos Humanos, concederam coletiva à imprensa para falar da situação do Lote 15, que compreende a área de litígio no Complexo Amadeo Barbosa.

O Ministério Público Estadual - MPE - fez uma série de recomendações para a União, o Estado e o Município. Os promotores pedem rigor aos invasores e o cumprimento de lei aos posseiros. Segundo a promotora Dra. Patrícia Rêgo, foi solicitado do Instituto de Terras do Acre, o georeferêncial da área para ter um diagnóstico da situação. A promotora informou ainda que a situação no local é dinâmica. Áreas sobrepostas pertencentes a particulares, à união, o estado, posseiros e invasores, tornam o processo “uma salada mista”, disse Patrícia Rego. Foi revelado também que a área declarada como sendo do empresário Jimmy Barbosa está sobreposta em terras da união. Para o Ministério Público, ninguém cuidou de nada (Acre Notícias, 2011).

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A definição mais comum de déficit habitacional é a que exprime a falta de moradias para as pessoas ou famílias que necessitam de habitação. O déficit habitacional, pelo conceito etimológico, é a falta física da unidade habitacional (casa, apartamento) no estoque de habitações de mercado.

3

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Segundo os promotores, o que está acontecendo também é uma nova corrida e, novas invasões de áreas ali. No momento da inspeção do Ministério Público, foram flagradas pessoas colocando cerca nas margens da avenida.

A promotora acrescentou que a União, o Estado e o Município precisam agir para que a região não seja transformada em uma grande favela com problemas sociais ainda maiores. O MPE recomendou que cada instituição tome conta de sua área impedindo a venda de terras. Há provas de vendas de terras da união.

A faixa de domínio da rodovia está sendo invadida. Invadir área é crime. O Ministério Público não pode ficar omisso a isso, permitindo uma cidade crescendo sem infraestrutura, queremos uma cidade ordenada, verde e com qualidade de vida, concluiu Patrícia Rego.

Segundo a promotora Rita de Cássia, que também concedeu entrevista coletiva, se as instituições não cumprirem as recomendações feitas pelo Ministério Público, não agindo conforme a lei dos princípios da administração poderá ser ajuizada ação por improbidade administrativa, que podem punir os gestores com perda dos direitos políticos.

A promotora deixou claro que a intenção não é tirar os posseiros da área: estamos tentando evitar que surja uma nova invasão. Já temos 210 parcelamentos de terras particulares e invasões na cidade, tudo por conta do poder público municipal, acrescentou.

Rita de Cássia pediu a secretária de obras do município que iniba as construções sem parâmetros técnicos. O Ministério Público pediu a parceria da imprensa no sentido de informar que invasão é crime. Ainda de acordo as declarações dos promotores, o MPE vai fornecer subsídios para o juiz que julga a reintegração de posse, demonstrando que na área do lote 15 existem bairros formados como o Santa Inês e o Areal (ACRE NOTÍCIAS, 2011).

Fizemos a opção em reproduzir as notícias do site Acre Notícias para enfatizar que atualmente a cidade de Rio Branco ainda cresce desordenadamente, assim como no passado.

Já na década de 1970 a desarticulação da economia da borracha e as lutas pela posse e o uso das terras no Acre foram características fundamentais à formação de um fluxo migratório responsável pela configuração do perfil de distribuição da população do Estado do Acre. Este processo de migração da zona rural para cidade coincide com conflitos por terras como descreveu no início dos anos 80, o pesquisador Luiz Antonio Pinto de Oliveira na obra O sertanejo, o brabo e o posseiro (os cem anos de andanças da população acreana).

[...] a população das áreas rurais se dirigiu para os barracos ou migrou para Rio Branco e Manaus. Os novos donos das terras, com seus capatazes e homens de confiança andavam pela cidade em veículos e quase sempre armados. No seu rastro, deixavam miséria e fome, crescendo em meio a verdadeiras favelas urbanas (OLIVEIRA, 1985, p.4).

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Um segmento expressivo da população rural acossada pelos latifundiários ou em busca de melhores condições de vida saiu da floresta e migrou para cidade de Rio Branco ou sedes dos diversos municípios, provocando um “inchaço”4 populacional. Abandonaram suas colocações com plantações de seringa e suas colônias. Muitos, na ilusão, venderam os locais onde moravam por preços baixos e vieram para a capital porque tinham a ideia de que na cidade ganhava-se muito dinheiro.

Aconteceram muitas lutas pela posse e o uso das terras na Amazônia e em particular no Acre, envolvendo de um lado os posseiros e indígenas, e de outro lado, os empresários, grileiros, jagunços.

Alertado por esses fatos, quando voltei para Rio Branco, creio ter talvez compreendido toda a extensão da tragédia da população acreana, ainda apegada aos valores de sua terra, mas profundamente abatida e perplexa, no cinturão periférico da cidade que na época já abrigavam mais de cinco mil famílias expulsas dos seringais, colônias e posses. A realidade urbana na esteira da expansão da fronteira agrícola surgia então como desdobramento possivelmente tão dramático quanto o próprio ato inicial de desativação de seringais e colônias e do êxodo das terras (OLIVEIRA, 1985, p.4).

Os conflitos foram comuns na história da ocupação econômica da Amazônica, porém agravou-se bastante, principalmente no estado do Acre, a partir da política econômica de implementação e expansão, adotada e estimulada pelo governo federal e incorporada pelos governos estaduais no período da ditadura militar, após o golpe de 64, que tinha por objetivo incrementar nova expansão ao desenvolvimento do capitalismo em áreas periféricas.

Com a construção de várias estradas, na década de 1970, desencadearam-se vários conflitos pela posdesencadearam-se da terra, tendo em vista que essas rodovias em sua maioria passavam por extensas áreas de terras indígenas ou devolutas, marcando o inicio da expulsão dos índios, seringueiros e trabalhadores rurais. Em pesquisa no Jornal Varadouro têm uma entrevista com o seringueiro Raimundo Barbosa da Silva, realizada na cidade de Rio Branco, que relatou sobre sua situação:

Olha moço por Deus, que eu não sei nem assinar meu nome. Morava na Nova Empresa e me mandaram embora de lá. Agora me perdoe, mas eu conheço o direito e sei que isto está errado, tá errado, muito errado. Eu sou filho aqui da terra, nascido neste lugar que Deus criou e como, com

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A definição “inchaço” da cidade de Rio Branco surgiu mais ligada a estudos realizados por economistas no final da década de 1970 e anos 80. Teve o sentido de caracterizar o surgimento de vários bairros na cidade de Rio Branco em um curto espaço de tempo durante a década de 70.

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que direito os outros que são de fora vêm me tirar da minha terra? Como me responda o senhor que é estudado? O Dr. João Bernardino, chefe da secretária, ele é ‘paulista’ Que direito me diga? (VARADOURO, 1977, p.7).

Observa-se que Silva demonstrou ter consciência quanto ao direito de posse e uso da terra. Faz referência aos chamados “paulistas” e suas influências na estrutura administrativa do estado na época. O poder público na década de 70, na maioria das vezes que interveio nos conflitos de terra posicionou-se favorável aos interesses particulares dos novos proprietários de terras. Os paulistas eram pessoas influentes com muito dinheiro, e por isso expulsavam os posseiros. Este processo aconteceu através da pressão psicológica e da grilagem, da violência e da covardia. Com a intensificação dos campos de pastagens e através desenvolvimento do capitalismo no Acre, aumentou a violência contra o posseiro. Assim, tornou-se comum o uso de fraudes pelo uso de documentos falsos nas mãos dos grileiros, no processo de apropriação jurídica da terra.

De acordo com Cabral (1992, p.25) na gestão do Governador Geraldo Mesquita, a partir de 1975 e 1976, após muitas críticas e denúncias de violência no campo e quando parte da população rural exigia do governo uma solução, foi que se iniciou uma discriminação5 de terras, através da Lei 2543-A-912, implantada pelo Governo Federal, que ordenava a instalação do processo discriminatório das terras devolutas no Estado do Acre.

O posseiro, o seringueiro, o índio e pequenos agricultores expulsos de suas terras, não foram contemplados pelas discriminações de terras feitas pelo INCRA.

No início da década de 70 a migração intensificou-se, da Zona Rural para a Zona Urbana, bem como de outras regiões para o Acre, fato motivado principalmente por uma nova política desenvolvimentista adotada pelo governo Wanderley Dantas. Em sua gestão, o governador tentou modificar o eixo de desenvolvimento econômico da região e estimular a vinda de grandes empresas para o estado, bem como a vinda de fazendeiros. A partir desse momento, os seringalistas falidos e sem crédito não tiveram como resistir e acabaram vendendo seringais por preços muito baixos deixando muitos seringueiros a mercê da própria sorte, como registrou o historiador Élio Garcia Duarte: “Grande parte da população

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expulsa pela pecuária ou pela especulação se dirigiu para as cidades”(DUARTE, 1987, p.66).

Com a nova dinâmica populacional, em poucos anos essa frente de crescimento da população causou uma verdadeira implosão da estrutura social acreana na área florestal. O desmatamento promovido pelas madeireiras e a transformação dos seringais em fazendas levaram ao êxodo de milhares de famílias que há décadas habitavam na floresta e que dela obtinham o seu sustento. Esse novo fluxo migratório do campo para a cidade promoveu um verdadeiro crescimento das cidades acreanas, em especial de Rio Branco, que por sua condição de capital atraiu a maioria dos seringueiros, castanheiros e ribeirinhos expulsos de suas colocações, em todo o estado do Acre.

Os trabalhadores que continuaram na floresta sofreram com as transformações efetivadas com desativação de seringais e a implantação de fazendas. Problemas, principalmente devido ao fato de que a política econômica foi degradante favorecendo a derrubada de árvores e a criação de pastos, prejudicando assim, fundamentalmente o homem da floresta, quer fosse pequeno colono, posseiro, seringueiro, índio, ou seja, prejudicando a vida na floresta e nos seringais. Outro problema veio com a substituição do extrativismo de exploração e cultura de subsistência pelos campos e pastagens para desenvolver a pecuária extensiva, agravando profundamente os conflitos de terras entre antigos posseiros e novos donos terras.

Percebeu-se na pesquisa que a força de trabalho que antes ocupava as terras dos antigos seringais passou a ser expulsa. Assim, todo o contingente de mão de obra, desprovida de bens materiais e de seu único meio de subsistência, a terra, procurava o que lhe parecia mais alternativo, a cidade, onde achavam que sua situação provavelmente iria melhorar longe dos conflitos.

No Jornal Varadouro de junho de 1977, tem-se a constatação desta realidade, através de uma entrevista com um ex-seringueiro, “[...] Francisco imaginava que todo mundo na cidade ganhava muito dinheiro e que era mais fácil do que lá no seringal [...], no entanto, quando o dinheiro acabou Francisco começou a passar fome”.

Segundo o Jornal Varadouro conflitos entre posseiros e pecuaristas, com a implantação da pecuária extensiva, tornaram-se ainda mais agudos, na medida em que os trabalhadores eram convidados a deixarem suas posses e não tendo outra

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solução, a maioria da população expulsa pela pecuária ou pela especulação da terra dirigiu-se para a cidade.

Na pesquisa realizada percebeu-se que as lutas por uso e posse das terras sempre foram frequentes no Acre e atualmente a capital ainda vem passando por sérios problemas de crescimento desordenado. Após caracterizarmos o contexto do processo migratório do êxodo rural para a cidade de Rio Branco e o conseqüente acirramento do problema social da moradia, ou melhor, do déficit de habitação, trataremos agora de apontar as consequências desse êxodo rural.

1.2. As Conseqüências do êxodo rural para a cidade de Rio Branco.

Com a substituição da economia da borracha e dos produtos florestais pela agropecuária, a cidade de Rio Branco passou por um verdadeiro inchaço populacional. Na cidade, teve início então a prática das “invasões” 6 para construção de moradias, surgindo novos bairros populares sem nenhuma infraestrutura básica.

[...] Já no ano de 1976, estudando as condições de vida da população da cidade, Garcia de Oliveira assinalou oito bairros pobres “que diferem da constituição normal” dos demais bairros da cidade, entre esses oitos bairros, quatro eram resultado de invasões direta da população chegante (Cidade Nova, Bahia, Palheral e cadeia velha) enquanto os outros eram resultados de loteamentos como Vila Redenção, Aeroporto velho, São Francisco e Papouco. De 1976 para cá, a situação prosseguiu se desenvolvendo e muitos bairros periféricos foram criados e outros desmembrados (OLIVEIRA, 1985, p.36).

Diversas são as consequências desse crescimento habitacional desordenado, dentre elas ressalta-se o agravamento dos problemas sociais, principalmente a deficiente infraestrutura da cidade de Rio Branco. As famílias expulsas do meio rural passaram a viver em condições subumanas nos barracos na beira do rio Acre, e em outros lugares alagadiços que sofrem inundações constantes formando assim, o que podemos chamar de vila miséria, um cinturão de pobreza que se formou em volta da capital.

As famílias, sem a preocupação com os problemas ambientais, foram obrigadas a ocuparem terrenos vazios em lugares mais altos, ficando sujeito a novas expulsões dos terrenos que passaram a ocupar a periferia de Rio Branco. Nessa época, o espaço geográfico urbano no Estado, principalmente Rio Branco,

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Nome regional usado para designar a ocupação de terrenos públicos ou privados por trabalhadores oriundos da floresta.

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apresentou mudanças significativas, pois a chegada desses trabalhadores rurais: seringueiros, colonos, posseiros e outros, representou uma pressão sobre a estrutura urbana da capital que foi se acentuando de forma drástica, quando essa população passou a ocupar rapidamente áreas próximas a cidade, que se acentuou cada vez mais.

Duas características desse período, no que se refere à formação urbana da cidade de Rio Branco devem ser enfatizadas. A primeira é que apesar da “invasão” se constituir como um novo mecanismo espontâneo e desordenado de abertura de bairros, esta invasão deve ter se orientado, em linhas gerais, pela localização das colônias agrícolas e dos bairros que já estavam em formação na época em que ocorreram, ou seja, os bairros oriundos de colônias agrícolas ou equipamentos urbanos que surgiram no período anterior continuaram atuando como focos de atração e fixação dos moradores da cidade.

A segunda característica diz respeito ao fato de que muitos dos fenômenos sociais que estavam ocorrendo na área dos seringais do Estado passaram a acontecer também em Rio Branco. É o caso, por exemplo, dos confrontos entre lideranças populares e grileiros de terras como os que levaram ao assassinato de João Eduardo em 1981, como já tinham levado a morte de Wilson Pinheiro em 1980 e ainda iria à morte de Chico Mendes em 1988, deixando claro que o nível de tensão social tanto nas florestas quanto nas cidades acreanas estava extremamente alto.

No início da década de 70, a tradicional atividade extrativista da borracha e da castanha, já em forte queda, estava fadada a desaparecer definitivamente pela ação desenfreada dos motosserras. Assim, a floresta exuberante e rica parecia destinada a desaparecer, sendo trocada pelos campos com pastagem para gado. Até que seringueiros e extrativistas passaram a se reunir em movimentos contra os motosserras, chamados de Empates. Para registrar esse importante momento da história acreana, o professor Valdir Calixto comanda o projeto “Empate: Uma Consciência Ambiental na Contramão da Modernização”, que objetiva a criação de um documentário contando a história e retratando como esse movimento lutou não só contra a destruição da floresta e o sustento do extrativista, mas também contra a máquina do capitalismo. Como disse Calixto. Por trás do motosserra está a mão do capital (AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO ACRE, 2011).

Pela não existência de uma política habitacional voltada para atender às necessidades da população expulsa do meio rural, ocorreu em Rio Branco, um crescimento desordenado e desestruturado na década de 70, formando, dessa

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forma, os bairros existentes ainda nos dias de hoje, como: Palheiral, Aeroporto, Bahia, Cidade Nova, São Francisco, Triângulo e Taquari.

Segundo Cabral (1992, p.31) cada ano foi surgindo novos bairros, na maioria das vezes, por invasões, alguns por loteamento e outros por desmembramentos. Alguns exemplos desses bairros são Aeroporto Velho, Vila Ivonete e as ocupações que ocorreram nas proximidades dos bairros Bahia, Estação Experimental e Novo Distrito Industrial. Todas essas áreas foram habitadas, em sua maioria, pela população pobre expulsa do campo.

Com a crescente saída do campo e vinda para a cidade da população rural, a classe média também passou a enfrentar problemas sociais, como a falta de moradia, motivo que levou o governo Estadual, principalmente na gestão de Flaviano Melo, a construir vários conjuntos.

Mas a cidade de Rio Branco continuou crescendo em todas as direções, os bairros periféricos foram se ampliando de forma desordenada. Podemos citar como exemplo os bairros: Papôco e Base. Da expansão do Bairro Quinze, surgiu o Triângulo Novo, considerado um dos mais populosos, devido sua proximidade com áreas onde a expulsão do campo foi mais intensa. De antigas colônias, próximas das cidades, formaram os bairros São Francisco, Cidade Nova e o Aviário.

O processo de formação dos bairros não parou. Novos bairros continuaram surgindo, em alguns casos loteados pelo governo, em outros, através de novas ocupações que nem sempre ocorreram de forma pacífica, como foi o caso do bairro hoje João Eduardo 7.

A partir dos dados acima, percebe-se que a política anti-seringal configurou-se num processo negativo para a cidade de Rio Branco, no que configurou-se refere ao crescimento populacional, pois o fluxo migratório, como o êxodo rural maciço, fez aparecer vários bairros periféricos, acarretando problemas sociais e estruturais para a cidade, ressaltando que alguns desses bairros cresceram em áreas alagadiças, e que na época de enchentes do Rio Acre, a cidade fica em estado de alerta, pois muitos são os habitantes desses bairros.

Em consequência do crescimento habitacional, as ofertas de empregos que eram muito escassas, tornavam-se ainda mais difíceis de serem atingidas, pois para os trabalhos na cidade, há uma grande necessidade de qualificação de mão-de-obra

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Que recebeu esse nome em homenagem a um líder local da comissão de demarcação de lotes, que foi assassinado no bojo da luta pela moradia.

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específica para as atividades urbanas, que divergem bastante da mão-de-obra da zona rural.

Dessa forma, as pessoas vindas da zona rural para a cidade enfrentaram sérios obstáculos com a falta de trabalho e devido à necessidade, os pais de famílias procuraram formas alternativas para garantir o sustento dos filhos, como limpar quintais ou tratar de um jardim ou como trabalhador diarista. Em pesquisa no Jornal Varadouro achamos importante inserir esta reportagem na pesquisa.

A situação é atípica e se por um lado é explicado pelo isolamento geográfico e econômico em que se encontra o Estado, por outro se define por uma fase de transição da economia que passa do extrativismo da borracha e da castanha para a pecuária, de forma desordenada, onde a questão fundiária cria os maiores obstáculos. Nesta transição é liberada do campo uma mão de obra desqualificada, constituída de ex-seringueiros, que procura as cidades, sobretudo a capital, e se instala na periferia, na expectativa de um emprego que o Estado, com seus setores industriais e de prestação de serviço ainda inexpressivos, não tem para oferecer (VARADOURO,1977, p. 15).

Não havia emprego para tanta mão de obra desqualificada. Somente em épocas de derrubadas e plantios, é que algumas dessas pessoas tinham trabalho, especialmente em períodos do verão. Passados esses períodos, novamente estavam desempregados por um longo espaço de tempo, passando a viver de bicos, empregos esporádicos em algumas construções, porém, na maior parte do tempo ficavam à procura do emprego.

A falta de trabalho fez com que as donas de casa criassem estratégias de sobrevivência para a manutenção de suas famílias, trabalhando como empregadas domésticas, como lavadeira de roupas ou mesmo fazendo algumas vendas como: refresco, salgados, charuto, tacacá, entre outros. Outra solução encontrada por essas famílias foi colocarem os filhos para engraxar sapatos, limpar quintais, vender picolés, lavar carros, vender bombons. Os filhos tinham um papel importante na família, pois muitas delas não tinham pais, eram chefiadas por mães solteiras que tinham muitos filhos e apesar de verem a situação ruim, mas devido a toda uma questão social continuavam a ter filhos, aumentando a família e constituindo um problema social grave que contribuía ainda mais para o inchaço na cidade. Os filhos na sua maioria adolescentes serviam para carregar as bacias de roupas ou levar isopor térmico cheios de saquinhos de refresco, efetuar as vendas pelas ruas e pelas repartições. Algumas dessas crianças ficavam pelas ruas engraxando sapatos.

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O dinheiro arrecadado durante o dia entrava no orçamento família para ajudar na alimentação.

Dessa forma, também na cidade de Rio Branco surgiu o menino de rua, conhecido pela sociedade brasileira como "menor abandonado”.

Trabalhando o dia inteiro, e porque não dizer, às vezes pedindo esmola, essas crianças e adolescentes não tinham a oportunidade de frequentar a escola, ou pelo fato de não ter condições de comprar o material escolar (lápis, caderno e fardamento), ou porque realmente precisavam trabalhar para ajudar em casa. O certo é que a maioria dessas pessoas não chegava nem sequer a concluir o antigo curso primário.

A desarticulação da estrutura dos seringais, a expropriação dos seringueiros, índios, agricultores e moradores da floresta fizeram com que os governadores Nabor Junior e principalmente Flaviano Melo, já na década de 80, tivessem que priorizar a habitação, por conta de um déficit habitacional prolongado ao longo de toda a História acreana.

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CAPÍTULO 2: A TRAJETÓRIA POLÍTICA DE FLAVIANO MELO.

Optei por escrever este capítulo procurando traçar a trajetória política do ex-governador Flaviano Melo, como forma de tentar compreender aspectos do perfil do homem que ficou conhecido como o que mais construiu habitação no Acre até os dias de hoje. Quem é esse personagem Flaviano Melo? Que razões o levaram a enfrentar o déficit habitacional existente na cidade de Rio Branco, no período em que foi governador? Que político é esse que nos últimos 30 anos faz parte da cena política do Acre?

Neste capítulo discuto memórias de entrevistados dialogando com autores que problematizam a memória e a fonte oral, como a historiadora Loiva Otero Félix, para quem a História além de captar e estudar memórias, também se constrói com elas, pois:

Estudar memória [...] é falar não apenas de vida e de perpetuação da vida através da historia; é falar também, de seu reverso, do esquecimento, dos silêncios, dos ditos – não ditos, e, ainda [...] da permanência de memórias subterrâneas entre o esquecimento e a memória social (FÉLIX, 1998, p.45).

É nessa perspectiva que entendemos a relação entre memória e História e sua importância para construção do estudo historiográfico. Compreendemos que memória e História são dimensões diferentes, embora inter-relacionadas. Memórias são representações do passado mas ressignificadas no presente, de acordo com os interesses em jogo. Dessa forma, buscaremos compreender a trajetória política de Flaviano Melo e a sua memória sobre a sobre a questão habitacional de seu governo.

2.1. A Tradição Política da Família Melo.

Na perspectiva de compreender aspectos da trajetória do político que desenvolveu uma política habitacional na cidade de Rio Branco, na década de 1980, apresentamos inicialmente alguns dados biográficos de Flaviano Melo e da sua tradição familiar. Filho de Raimundo Hermínio Melo e Laudy Melo, Flaviano Melo faz parte de uma família tradicional da política do Acre. Os seus avôs foram políticos, fundaram o antigo PTB em 1949, e seu pai foi vereador e deputado estadual por diversos mandatos. O pai Raimundo Hermínio Melo foi político de oposição em um período de muita perseguição. Para se reunirem, as pessoas tinham que esperar a

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luz se apagar e as reuniões aconteciam na casa de Raimundo Hermínio Melo. Em uma de minhas entrevistas realizadas com Flaviano Melo, ele lembrou que cresceu assistindo reuniões e articulações políticas.

A biografia de Flaviano remete ao conceito de oligarquia, um político que sempre teve sua história inserida no seio da política acreana. Oligarquia como termo para designar grupos políticos tradicionais que dominam determinadas regiões, ou, por derivação, governos.

O termo, bem como o conceito, oligarquia, entraram largamente no uso da ciência política graças à aplicação que Roberts Michels fez das teorias das elites, destinada a explicar o fenômeno das minorias governantes [...] a organização dos grandes partidos de massa (BOBBIO, MATTEUCCI & PASQUINO, 1982, p. 835).

Neste contexto é importante lembrar que em 1962 o Acre deixava de ser território e passava a categoria de estado. O PTB elegeu na primeira eleição do estado, em 1962, José Augusto de Araujo, primeiro governador constitucional do Acre. Período em que o presidente da República foi João Goulart. José Augusto do PTB concorreu com Guiomard dos Santos, e ganhou a eleição. Naquele momento foram eleitos para o Senado: Guiomard Santos, Oscar Passos e Adalberto Sena, período em que o pai de Flaviano não se candidatou. Note que Guiomard Santos concorreu a governo, não obteve êxito e neste mesmo período se elegeu Senador, porque era permitido.

No ano seguinte aconteceram as primeiras eleições municipais em Rio Branco, ganhou Aníbal Miranda e Raimundo Melo, ambos do PTB, foi eleito o vereador mais votado. Este foi seu primeiro mandato como político. Em 1964 cassaram tanto o governador, como prefeito e o Raimundo Melo, que era o presidente da câmara dos vereadores virou prefeito. E permaneceu como prefeito por um ano e meio, fazendo uma administração que, segundo Flaviano Melo, ficou marcada pela seriedade e sinceridade. Lembrou que á época Raimundo Melo ia à rádio todos os dias para prestar contas à população, ou seja, ia dizer o quanto à prefeitura arrecadou e quanto à prefeitura gastou. Nesta época era possível porque a cidade era pequena e também era pequena a arrecadação.

Em 1966 Raimundo Melo se elegeu para Deputado Estadual e foi eleito sucessivas vezes até 1982, falecendo em 1983.

Flaviano nasceu no dia 17 de novembro de 1949, na casa de seu pai, à beira do rio Acre, na cabeceira da ponte de concreto que liga ao Segundo Distrito, pois, a

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cidade de Rio Branco ainda não tinha maternidade. Nesta mesma casa foi fundado o PTB no Acre. Em uma ação de divergência política, característica da época, Guiomard Santos, que era governador do Acre, proibiu Oscar Passos de ficar hospedado no único hotel que tinha na cidade em 1949. Com isso o avô de Flaviano que segundo ele, era o Consultor Geral da República, e que tinha trabalhado com Oscar Passos, pediu para Raimundo Melo hospedá-lo em sua residência.

Sendo assim, Flaviano Melo nasceu em uma família política, seu avô, seu pai e seu irmão, sua irmã. Criaram-se vendo seu pai e seus avôs fazendo política, vendo os acontecimentos políticos na intimidade.

Vivi com a minha família até completar quinze anos, ainda nesses primeiros 15 anos de vida eu vi o Acre ser transformado em estado, vi as primeiras eleições gerais acontecer, onde elegeu o José Augusto de Araujo do PTB, e Oscar Passos foi eleito Senador pelo PTB, junto com Adalberto Sena (MELO, 2011).

Flaviano Melo aos 15 anos foi para o Rio de Janeiro estudar. Lá no Rio de Janeiro constituiu família. Flaviano Melo morou também em Belo Horizonte, Recife e Salvador sempre trabalhando na área da Engenharia. Trabalhou na Petrobrás, em Salvador, na ampliação do Porto de Recife, e no Metrô de Belo Horizonte.

Em 1965, foi para o Rio de Janeiro estudar. Formado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia Civil de Barra do Piraí, atual UGB, e pela Universidade do Estado da Guanabara, trabalhou na construção da Ponte Rio-Niterói entre 1973 e 1974 e na construtora Mendes Júnior entre 1975 e 1983 (www.deputadoflavianomelo.com.br, 2011).

2.2. A História Política de Flaviano Melo

Em 1982, no processo de redemocratização8, Nabor Teles da Rocha Júnior foi eleito governador do Acre, pelo PMDB, derrotando Jorge Kalume o candidato apoiado pela ditadura militar. Naquele mesmo período o pai de Flaviano Raimundo Melo foi eleito deputado estadual e seu irmão José Melo com 23 anos foi eleito deputado federal.

O governador Nabor Júnior convidou Flaviano Melo, que estava no Rio de Janeiro, para ser prefeito do Município de Rio Branco. Neste momento o prefeito era indicado pelo Governador por causa da Lei de Segurança Nacional. Na entrevista que realizei com Melo ele fez sua representação sobre a escolha do então

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O processo de redemocratização tem seu momento maior em 1985, com o fim do governo Figueiredo e do Regime Militar.

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governador Nabor Junior para ele fosse indicado prefeito de Rio Branco, no período de 1983-1985.

Porque eu era um executivo, um engenheiro formado, e meu pai era o mais votado de Rio Branco e lançou meu irmão que se elegeu Deputado Federal em Rio Branco. Então ele quis homenagear meu pai que era um grande eleitor aqui de Rio Branco me chamando, aliando a isso o fato de eu ser um executor, um executivo (MELO, 2011).

Nota-se que em sua memória do presente existe uma argumentação bem elaborada para justificar sua indicação para ser prefeito sem passar pelo voto direto. É uma justificativa política aliada a sua qualificação técnica. De acordo com suas informações ele mudou o eixo de crescimento da cidade, que era às margens do rio Acre no sentido Habitasa/Avenida Ceará e colocou a cidade para crescer no sentido da avenida Getulio Vargas. Trabalhou em calçamento e pavimentação de ruas. Segundo Flaviano, em sua gestão foi inaugurada uma administração de grande participação popular9, tendo inovado ao implantar o Orçamento Participativo, onde a população indicava suas prioridades.

Segundo Pateman (1992, p.40) no campo teórico, vamos encontrar diferentes concepções relacionadas a sociedades participativas. Para os liberais a participação tinha uma função apenas protetora, assegurava a proteção aos interesses privados de cada cidadão. Sendo, neste caso, os interesses universais uma soma dos interesses individuais. Já para J.J. Rousseau, a participação tem um conteúdo mais abrangente e configura-se como algo fundamental para a manutenção do Estado democrático. Em termos ideais, deveria existir uma situação em que nenhum cidadão fosse rico o bastante para comprar o outro e que nenhum fosse tão pobre que tivesse que se vender. E que as diferenças existentes, não deveriam conduzir à desigualdade política.

Também de acordo com a pesquisa realizada em 1986 Flaviano Melo concorre ao governo tendo Mário Maia do PDT e Hélio Pimenta do PT, também como candidatos. Obteve uma grande vitória ainda no primeiro turno naquelas eleições. Naquele momento o PMDB elegeu Nabor Junior e Aluizio Bezerra para cargos de senador. Abaixo dado do TSE mensurando a votação de Flaviano Melo para governador do Acre, em 1986.

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A tabela abaixo que mostra a vitória de Flaviano nas eleições para governador em 1986.

Tabela 1

Número de Votos para a eleição de Governador em 1986

Cargo Candidato Votação

Governador Flaviano Melo - PMDB 68.117

FONTE: site: www.tse.jus.br

Na primeira entrevista que fiz com Flaviano Melo comentou sua prioridade no início do governo, dizendo: “no primeiro dia de governo, eu comecei a trabalhar por habitação porque tinha um déficit grande aqui” (MELO, 2011).

Pesquisando o jornal “O Rio Branco”, encontrei uma reportagem publicada em 28 de julho de 1987, avaliando o início do governo Flaviano Melo. No registro jornalístico são evidenciados pontos de avanço do Governo do Acre como o Programa de distribuição de leite para famílias carentes que alcançou mais de 7.000 litros diários. A reestruturação no atendimento do Pronto Socorro da capital, com plantões fixos de 24h. O aumento da oferta de leite pasteurizado da CILA, somando 19 mil litros diários.

Também segunda a mesma reportagem na Educação, só nos primeiros três meses de Governo já tinha criado 19 escolas, sendo 5 nas áreas urbanas e 14 na zona rural em todo o estado. Evidencia a criação o plano de cargos e salários para os professores, valorizando esse profissional. Segundo Flaviano, os professores gostaram tanto deste plano de cargos e salários, que um deputado queria fazer uma alteração e os professores não aceitaram fazendo inclusive uma greve em apoio ao plano criado por Flaviano Melo.

Ainda de acordo com a reportagem citada, nesse período o Governo recuperou e pavimentou as estradas, bem como os ramais no projeto Humaitá e outras áreas produtivas, viabilizando o escoamento da produção agrícola. Nessa época o Governo garantia a compra destes produtos, através da CAGEACRE, onde os produtos eram repassados para a população por um preço mais baixo.

Estabelecemos como a maior prioridade do Governo dar condições para o desenvolvimento da PRODUÇÃO AGRICOLA como forma de melhorar o padrão de vida da população rural, evitando o êxito para as

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cidades e aumentando a oferta de alimentos para a população. Para isto, demos início a um agressivo programa de recuperação e pavimentação de ESTRADAS e de FIXAÇÃO DO HOMEM À TERRA, com todo apoio e assistência para atividades produtivas (O RIO BRANCO, 1987, p.3).

Na entrevista oral ele informou que durante seu governo foram criadas a Fundação de Tecnologia do Acre - FUNTAC, bem como o Instituto de Meio Ambiente do Acre - IMAC.

A FUNTAC surgiu para desenvolver tecnologias que favorecessem a população acreana, entre elas foram desenvolvidos painéis de madeira pré - montados para a criação das casas de madeira, como as construídas no Universitário e Adalberto Sena. Jorge Viana, à época, foi o diretor da FUNTAC, seu primeiro cargo público político.

No dia 5 de junho de 1987 que aconteceu o dia D, manifestação contra o aumento da passagem de ônibus.

Foi também no período de seu governo que o líder sindical Chico Mendes foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988. Chico Mendes havia sido vereador pelo MDB em 1977 e teve destaque internacional por denunciar desmatamento da floresta Amazônica. À época conflitos entre fazendeiros e posseiros foram constantes.

Durante o seu governo, Flaviano Melo recebeu uma dura oposição dos então deputados federais Narciso Mendes e Alércio Dias. Na entrevista, que fiz com Flaviano revela “hoje o Alércio é meu amigo”. Melo afirma “Não tenho inimigos na política, tenho adversários”.

Enquanto governador do Acre fez os conjuntos Universitários II, Universitário III, Rui Lino, Adalberto Sena, Xavier Maia e Manoel Julião. Assim como entregou os lotes urbanizados Tancredo Neves, Placas, Raimundo Melo, Novo Horizonte, Mauro Bittar e o LBA. “Foi um governo Maravilhoso no aspecto do Saneamento Básico e Habitação” (CADAXO, 2011).

Na análise do conteúdo de uma entrevista oral a historiadora Verena Alberti chama atenção: “a entrevista é produzida para ser monumento. Seu caráter intencional de perpetuação de uma memória sobre o passado fica patente” (ALBERTI, 2006, P. 184).

Na entrevista realizada percebeu-se a intenção e a oportunidade de perpetuação de uma memória de um político que ainda objetiva disputar cargos legislativos. Seus feitos foram ressaltados com grande ênfase.

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O mesmo ocorreu com a entrevista realizada com Edilson Cadaxo, ex-secretário do governo Flaviano Melo e ainda hoje membro do PMDB. Ele fez uma representação ressaltando apenas os grandes feitos de seu correligionário. Segundo Edilson Cadaxo, houve um grande trabalho em saneamento básico, foi a primeira vez que trabalharam em esgotamento sanitário pra valer, naquele momento Rio Branco chegou a ter quase 40% de esgotamento sanitário tratado em rede e abastecimento de água quase 95%. A estação de água a ETA Sobral foi duplicada de 325 litros por segundos para 660 litros por segundos foi feito os reservatórios elevados, aqueles em formato de cogumelos, até os dias atuais eles estão em pleno uso. Entretanto, na entrevista que fiz com o Engenheiro Edilson Cadaxo, ele traz informações surpreendentes sobre esgotamentos sanitários que merecem um destaque nesta pesquisa e faz algumas ponderações de como seria o Estado, se Flaviano tivesse continuado na gestão da política Acreana.

Rio Branco recentemente saiu nos jornais como uma das cidades mais emporcalhadas só tem é, não sei se você teve conhecimento disso, mais saiu as cidades que tem menos esgotamentos sanitários, né, quer dizer Rio Branco ta lá, se houvesse continuidade, veja o Flaviano deixou a cidade com quase 40% de esgotamento sanitário, com quase 100% de água atendido. Se houvesse continuidade nisso hoje Rio Branco teria 80% de esgotamento sanitário e sem esse problema de água. Depois dele não foi feito mais nada em esgoto, nada, zero, então obviamente a população vai crescendo e vai diminuindo aquela taxa que era de 40 hoje está em 16. Porque nenhum governo, nenhum governo fez um metro de esgoto pós Flaviano, nenhum. Então veja ta caindo por quê? Porque a população ta aumentando (CADAXO, 2011).

O Engenheiro Químico e também professor Universitário está se referindo a reportagem passada na Rede Globo, pelo Jornal Nacional em junho de 2010, se chamava JN no Ar, usava-se um jatinho para visitar todas as capitais dos estados, por ordem de um sorteio. Os números atuais do nosso estado foram vergonhosos.

Outro fato marcante na gestão de Flaviano Melo foi ter seu nome envolvido em escândalos de repercussão nacional. Foi acusado pela imprensa local de desvio de dinheiro público, com a criação de várias contas fantasmas, entre elas a Flavio Nogueira. Na entrevista que fiz em 16 de novembro de 2011, Flaviano afirma que teve seu nome envolvido neste escândalo apenas porque era governador, mas segundo ele isso tudo não passava de fantasia, disse que o processo envolvia seus secretários, o Banco do Brasil e alguns empresários, e ele como governador também foi atingindo. Mas afirma ele que nunca participou de nada e que não

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assinou nada em relação às contas fantasmas, nem chegou a ser chamado para depor.

Fazendo um parêntese com relação ao escândalo da suposta conta “fantasma” onde Flaviano diz nunca ter sido chamado para depor, vale ressaltar que:

Deputados e senadores não podem ser presos (salvo em casos de flagrante de crimes inafiançáveis e só podem ser processados pelo Supremo Tribunal Federal – instância máxima da Justiça brasileira

(www.jusbrasil.com.br, 2011).

Em entrevista concedida a mim, em maio de 2011, Edilson Cadaxo, narrou sobre a atuação de Flaviano Melo no governo do Estado do Acre. Questionei-lhe sobre os escândalos no qual Flaviano teve seu nome envolvido, e Cadaxo afirmou que acompanhou tudo pelos jornais e tinha sido um problema com a equipe econômica, dando a seguinte versão:

Essa famigerada conta Flavio Nogueira causou uma nódoa na vida pública do Flaviano Melo e se não houvesse sido isto o Flaviano seria reconhecidamente como o melhor prefeito que Rio Branco já teve e o Governador que mais fez em infraestrutura (CADAXO, 2011).

Pesquisando no Jornal “A Gazeta” encontrei uma reportagem que oferece uma compreensão do periodo da adminsitração de Flaviano no Governo do Estado do Acre, com o título: “Flaviano desafia detratores a disputar o senado com ele”.

A Tv gazeta apresenta amanhã, às 22 horas a estréia do programa GAZETA DEBATE com uma entrevista exclusiva com o Governador Flaviano Melo, que faz um balanço de sua administração. A ILUSTRADA também publica hoje uma entrevista com o Governador que afirma esta entregando o cargo a seu vice com Cr$ 250 milhões em caixa e sem nenhuma conta a ser paga.

Flaviano destaca como ponto alto de seu governo as obras de infraestrutura como saneamento, habitação, e iluminação além do apoio ao homem do campo à agricultura, à educação e à saúde. Ele destaca a importância do debate sobre questões ambientais que tomou conta do mundo e aumentou as pressões sobre Amazônia, atrasando a conclusão da BR-364 e ressalta o plano de zoneamento agro-ecológico de seu governo com uma solução para o desenvolvimento do Estado.

Aos seus críticos, Flaviano faz o desafio para que eles o enfrentem nas urnas dizendo que eles não têm coragem para isto (A GAZETA, 1990, p. 6).

Flaviano Melo em 03 de abril de 1990 renunciou o Governo para se candidatar ao senado. Assumindo o Governo do Acre o seu vice, Edson Cadaxo10.

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Naquele momento havia uma unica vaga para o Senado: Flaviano concorreu com Mario Maia e Narciso Mendes, elegendo-se senador em 1991 para única vaga.

Tabela 2

Votação para Senador em 1990

Cargo Candidato Número de Votos

Senador Flaviano Melo - PMDB 34.455

FONTE: site: www.tse.jus.br

Logo que assumiu o senado teve um problema sério de saúde, um aneurisma cerebral chegando a ficar vinte oito dias em coma. Quando acordou estava paralítico. Levando assim, o então senador a tirar uma licença do senado para fazer um trabalho de recuperação. Além desse problema, teve uma paralisia facial. Nesse momento voltou para o Rio de janeiro para recuperar-se do problema de saúde e ficar com sua família, longe do ambiente da política.

Articulado e atuante viabilizou recursos federais para o Estado, além de garantir o acesso das prefeituras acreanas aos programas e projetos federais.

Conseguiu recursos para a criação da FUNDACRE – Fundação Hospitalar do Acre, hoje chamado de Hospital das Clínicas.

Ciente das dificuldades enfrentadas pelas prefeituras menores, implantou em seu gabinete uma verdadeira central de apoio a estas administrações. Paralelamente, estimulou os prefeitos a criarem a Associação dos Prefeitos do Acre (APA), atual Associação dos Municípios do Acre (AMAC), um marco definitivo no apoio e suporte das prefeituras junto aos órgãos federais.

Em 1994, Flaviano Melo candidatou-se para ao cargo de Governo do Estado do Acre. Segundo ele, para ajudar o PMDB a eleger os senadores de seu partido. Na disputa, perdeu as eleições para Orleir Cameli.

Tabela 3

Resultado do 1° Turno da Eleição para Governador em 1994

Candidatos no 1° turno Partido Votação %

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151 Flaviano Flavio Baptista De Melo PMDB 46.280 27,30% 131 Sebastião Afonso Viana Macedo Neves PT 41.830 24,68% 561 Duarte Jose do Couto Neto PRONA 2.077 1,23% FONTE: site: www.tse.jus.br

No 2° Turno em uma votação acirrada Orleir Cameli, venceu as eleições, como mostra a tabela abaixo:

Tabela 4

Resultado do 2° Turno da Eleição para Governador em 1994

Candidatos no 2° Turno Partido Votação % Situação

111 Orleir Messias Cameli PPR 91.997 53,66% Eleito 151 Flaviano Melo PMDB 79.436 46,34% Não Eleito FONTE: site: www.tse.jus.br

Sem sucesso Flaviano Melo volta ao senado federal.

Terminado o mandato se candidatou novamente, concorrendo para a reeleição. Desta vez quem venceu foi o medico Tião Viana. Foi a segunda derrota consecutiva de Flaviano.

Eu entendi naquele momento que eu já tinha sido prefeito, Governador e senador, e que o povo tinha mandado um recado pra que eu parasse, porque minha fase já tinha passado. Eu realmente saí, fui embora, tirei o ano de 99 fora do Brasil, fui morar em Nova Iorque. Fui me reciclar, me preparar para encarar a vida privada novamente. (MELO, 2011).

Quando retornou ao Acre, tinha surgido aqui um movimento político dos partidos de oposição, chamado Movimento Democrático Acreano, MDA, que era formado por três partidos PMDB, PFL e o PP.

Eles tiveram um trabalho muito bonito, fizeram uma construção política fantástica, só que não tinha um candidato para a prefeitura da capital e o nome que veio na cabeça de todos foi o meu. Então eles me convidaram, mas eu não queria porque estava me preparando para entrar na vida privada de novo. Mas depois de muita insistência dois dias antes do prazo para convenção eu aceitei vir para o Acre ser candidato a Prefeito

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Venceu a eleição para prefeito da capital, derrotando o candidato da Frente Popular do Acre (FPA) Raimundo Angelim. Naquele momento foi uma grande surpresa para os cidadãos rio-branquenses, porque nas vésperas das eleições a Frente Popular encheu o estádio José de Melo com uma multidão de pessoas, com um show do cantor Davi Assaiague. A cidade cheia de propaganda do candidato do PT, os muros quase todos pintados com o nome da Frente Popular, os carros na grande maioria traziam o nome do candidato da situação. E no dia da apuração a grande surpresa, Flaviano Melo estava de volta, agora como Prefeito de Rio Branco.

A tabela abaixo mostra o número de votos obtidos por Flaviano na disputa para a prefeitura de Rio Branco.

Tabela 5

Votação para prefeito em 2000

Cargo Candidato Votação %

Prefeito Flaviano Melo 54.990 47,8%

FONTE: site: www.tse.jus.br

Assumiu a prefeitura em janeiro de 2001. Após um ano e três meses teve que renunciar para poder se candidatar ao Governo. Concorreu contra Jorge Viana do PT, que já era governador, e estava se candidatando a reeleição. Jorge Viana já tinha sido Prefeito de Rio Branco e seu primeiro cargo público tinha sido na direção da FUNTAC, no Governo Flaviano Melo, hoje ocupa o cargo de Senador.

A tabela abaixo, tirada do site TSE, mostra porcentagem da votação da reeleição de Jorge Viana:

Tabela 6

Resultado das Eleições para Governador em 2002

Candidatos Partido Votação % Situação

17 Antônio Edson Alves Da Silva PSL 185 0,13% Não Eleito

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151 Flaviano Flavio B. de Melo PMDB 44.976 33,7% Não Eleito

13 Jorge Ney Viana M. Neves PT 85.326 63,4% Eleito

23 José Mastrângelo PPS 2.413 2,4% Não Eleito

FONTE: site: www.tse.jus.br - 2011

Em entrevista, Flaviano disse que nas pesquisas estava de igual para igual e atribuiu a derrota por um erro tático de um companheiro da sua coligação, que entrou com uma ação de impugnação da candidatura de Jorge Viana. A população se chateou com a impugnação na entrevista ele não menciona o nome do companheiro.

Jorge Viana recorreu ao STE e efetivou sua candidatura. Saindo vitorioso nas urnas ainda no primeiro turno.

Flaviano desistiu das candidaturas majoritárias e fez uma opção pela candidatura proporcional. Candidatou-se em 2006 para Deputado Federal e logrou êxito, conforme se mostra na tabela abaixo.

Tabela 7

Eleições para Deputado Federal em 2006

Cargo Candidato Votação/Situação

Deputado Federal Flaviano Melo 16.951/Eleito FONTE: site: www.tse.jus.br

Em 2010 candidatou-se a reeleição, desta vez foi o segundo mais bem votado do Estado, conforme tabela.

Tabela 8

Eleições para Deputado Federal em 2010

Candidato Votação Situação

Flaviano Flávio Baptista de Melo - PMDB 36.301 Eleito FONTE: site: www.tse.jus.br

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Como deputado federal, um de seus principais projetos foi o Projeto de Decreto Legislativo 981/08, que determinou a realização de referendo para decidir sobre a alteração da hora no estado do Acre. Em entrevista ao site do PMDB, o deputado Flaviano Melo disse que a redução de duas horas para uma no fuso horário do estado em relação ao de Brasília foi precipitada, porque não foi consultada a principal interessada que é a população acreana. Maior parte da população do Acre está contra a mudança da hora oficial, determinada pela Lei 11.662, de 24 de abril de 2008, que também alterou o fuso horário no Pará e em parte do Amazonas.

A mudança da hora oficial surgiu de um projeto do à época senador Tião Viana, que virou lei em 2008. Flaviano propôs o projeto de referendo no Acre para que a população decidisse, no voto, se queria ou não mudar a hora oficial. Desde a mudança, vêm acontecendo indignações populares contra ela, pelo grande impacto negativo causado principalmente em locais situados no meio geográfico do fuso horário. Segundo o deputado federal houve dois tropeços nessa lei: a população não foi ouvida e não foram realizados estudos mais profundos sobre os impactos do novo horário na vida dos acreanos. De acordo com o deputado o referendo corrige, pelo menos, uma das falhas, e coloca nas mãos dos eleitores a decisão do assunto.

A tabela abaixo foi construída a partir da trajetória de Flaviano Melo, mostrando o período e os cargos políticos ocupados ao longo sua carreira na política acreana e nacional.

Tabela 9

Trajetória Política de Flaviano Melo

Cargos Políticos Período do Mandato

Prefeito de Rio Branco 17 de março de 1983 até 17 de março de 1986.

Governador do Acre 15 de março de 1987 até 15 de abril de 1990.

Senador da República 1° de fevereiro de 1991 até 31 de janeiro de 1999.

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Mas mais do que sua trajetória, a tabela mostra a importância política que Flaviano Melo tem na historia acreana.

Deputado Federal 1º de fevereiro de 2006 até 31 de janeiro de 2011

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CAPÍTULO 3: A CIDADE DE RIO BRANCO E A POLÍTICA DE HABITAÇÃO DO GOVERNO FLAVIANO MELO.

Neste capítulo analisei a atuação do governo Flaviano Melo no combate ou diminuição do déficit habitacional existente na cidade de Rio Branco. Para a produção deste item fizemos pesquisas realizadas nos jornais “A Gazeta” (de 1989 a 1990) e “O Rio Branco” (dos anos de 1986 a 1990). Além de entrevistas que realizei com o próprio Flaviano Melo e seu então secretário de Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano, o engenheiro químico Edilson Cadaxo. Faço inicialmente uma análise do contexto nacional da política de habitação.

3.1. O contexto da política nacional de habitação.

Na tentativa de compreender melhor o contexto nacional do período em que foram construídas milhares de habitações na cidade de Rio Branco, realizei pesquisa buscando dados do Ministério das Cidades. Encontrei um artigo chamado de “Caderno de Política Nacional de Habitação”, publicado em 2004 pelo próprio ministério das cidades, contendo diversas informações importantes sobre o tema. Apresento a seguir um resumo.

A habitação sempre foi uma questão fundamental para o ser humano. Na trajetória dessa política habitacional, muitas são os passos dados pelo Poder Público para tornar este anseio mais possível. Muitas foram as conquistas, entretanto, ainda há um grande déficit habitacional em nosso País.

Segundo o Caderno de Política Nacional de Habitação, a política habitacional no Brasil, em 1933, era segmentada, abrangendo apenas os setores mais organizados da classe trabalhadora, via Institutos de Aposentadorias e Pensões - IAPS, que apenas cobriam parte dos segmentos da população inseridos no mercado formal de trabalho. Essa política habitacional segmentada deve-se principalmente a industrialização tardia, e a um modelo de intervenção de empresas privadas bastante limitado.

A primeira política habitacional nacional foi o Programa Casa Popular. Todavia, faltavam-lhe recursos e regras que definissem os critérios para os financiamentos. Assim, o desempenho do programa foi bastante afetado, frustrando as expectativas da população que naquele momento ansiava por moradia própria.

Referências

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