Análise da arga viral em paientes infetados om HBV
por meio de um modelo de ordem fraionária
Lislaine CristinaCardoso 1
DepartamentodeBioestatístia,UNESP, Botuatu,SP
Fernando Luiz Piodos Santos 2
DepartamentodeBioestatístia,UNESP, Botuatu,SP
Rubens de FigueiredoCamargo 3
DepartamentodeMatemátia,UNESP,Bauru,SP
Resumo. Estetrabalhoapresentaumaanálisedaargaviralempaientesinfetados pelo
vírusHBV,queévírusresponsávelpelatransmissãodahepatiteB.Sãoapresentadosmodelos
matemátios de ordem inteira ede ordem fraionária que desrevem a dinâmia viral. A
soluçãoanalítiadomodelofraionárioéenontradaeomparadaomarespetivasolução
domodelodeordeminteira. Assimulaçõesnumériasilustramosresultadosteóriosobtidos.
Palavras-have. Modelagemmatemátia,HepatiteB,CáluloFraionário,CargaViral.
1 Introdução
A hepatite B pertene ao grupo das hepatites virais, que são infeções ausadas por
vírus,ondeaneroseeainamaçãosãodiretaeindiretamenteresponsáveispelossintomas
da doença. Fazem parte desse grupo: Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C e Hepatite
D [8,9,12℄.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 400 milhõesde pessoas
emtodoo mundo estãoinfetadas omovírusHBV,queé ovírusresponsávelpelatrans-
missão da hepatite B. Esse número é duas vezes maior que o número de infetados pela
hepatite Ce dez vezes superior aos infetados pelo HIV/AIDS[10℄. No Brasil os maiores
índies da doença estão situados na região Norte, onde a Amaznia é onsiderada uma
região de altaprevalênia [1℄.
A transmissão pode oorrer por meio de relações sexuais e transmissão sanguínea.
Entre os prinipais sintomas estão febre, fadiga, perda de apetite, náuseas, vmitos, dor
abdominal, urinaesura,dor nasartiulações, entreoutros [7℄.
Em virtude desses fatos, tem-se estudado novas formas de prevenção e ontrole da
doença. Doponto de vista matemátio a dinâmia da hepatite B pode ser analisada por
meio demodelosmatemátios. Usualmente, estamodelageméfeita por meio deequações
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lislaineibb.unesp.br
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fernando.piounesp.br
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difereniais, ontudo a utilização de oneitos e ténias do álulo de ordem não inteira
tempossibilitadoimportantesresultadosegeneralizaçõesemváriasáreasdoonheimento,
omo biomatemátia, químia, biologia, entre outros [2,5℄. Nesse trabalho utilizamos a
modelagem fraionária omaderivada de Caputo[2℄.
Oobjetivo deste trabalho é fazer uma análise om relação a arga viral após o iníio
de tratamento ontra a doença. O trabalho está organizado omo segue: na seção 1 a
introdução ao trabalho;na seção2 amodelagem matemátiadahepatite B;na seção3as
simulaçõesnumérias e naseção 4 asprinipaisonlusões.
2 Modelo matemátio para Hepatite B
Nessaseção apresentamos dois modelospara a hepatiteB,oprimeiro é dadopormeio
de equações difereniais ordinárias e o segundo é formulado por meio de derivadas de
Caputo 4
.
Para a formulação desses modelos são onsiderados três estados varíaveis no tempo
t : T (t)
,I (t)
eV (t)
, que são as élulas não infetadas, élulas infetadas e vírus livres,respetivamente. Além disso são onsiderados os parâmetros:
d ¯
é a taxa de morte deélulas,
δ ¯ ′ ataxade mortede élulasinfetadas,ρ ¯
ataxade ura,¯ c
ataxa deliberaçãode
vírus livres,
δ ¯ = ¯ δ ′ + ¯ ρ,
a taxa de desapareimento total de élulas infetadas,p ¯
é a taxadeprodução devírusporélulainfetada,
β ¯
a taxadeinfeçãode novasélulasinfetadase
s ¯
ataxade produçãodenovasélulas alvo. AFigura(1)mostraadinâmiadadoença.Figura1: Dinâmia para HepatiteB.
2.1 Modelo de ordem inteira
Com base na Figura (1), [9℄ propõe um modelo para hepatite B, levando em onsi-
deração parâmetros que indiam a presença de terapia ontra a doença. Tal modelo é
4
Ateoriadoálulofraionárioseráaquiomitida,maspodeservistaem[2,5℄.
formuladopormeio de equaçõesdifereniais ordinárias,omosegue:
T ′ (t) = ¯ s − dT ¯ − (1 − η) ¯ ¯ βV T + ¯ ρI I ′ (t) = (1 − η) ¯ ¯ βV T − δ ¯ ′ I − ρI ¯ V ′ (t) = (1 − ǫ)¯ ¯ pI − cV. ¯
(1)
Sob a ação de alguma droga o sistema de defesa do organismo do paiente impede a
formação de novosvírus. Issosignia quesobterapiaa taxa deprodução de novosvírus
¯
p
éderesente. Aeáiadadrogaédenidaomo¯ ǫ,
talqueataxa deproduçãodevírussobterapiaé
(1 − ¯ ǫ)¯ p.
Quandoadrogaé100%
eiente, ouseja,ǫ ¯ = 1,
oorrea suspensãoda produção viral.
Paramodelar o tratamento da infeção,é inorporadoo parâmetro
η, ¯
queonsidera aeáiadadrogaembloquearnovasinfeções. Dessaforma,ataxadeinfeçãonapresença
da drogaé dadapor
(1 − η) ¯ ¯ β.
Amderesolverosistema(1),onsideramosqueotratamentobloqueianovasinfeções,
ou seja,
η ¯ = 1.
Além disso, a eáia em bloquear a produção viral é¯ ǫ = 1.
Com isso, aequação que envolve a arga viral pode serresolvida isoladamente. Com isso, onsidere o
sitema
V ′ (t) = −¯ cV
V (0) = V 0 .
(2)Usando o método de separação de variáveis para equações difereniais ordinárias temos
quea solução do sistema(2)é
V (t) = V 0 e − ct ¯ .
(3)Na equação (3) o parâmetro
¯ c
é uma onstante positiva eV 0 é a arga viral iniial. Tal
soluçãoapresenta umdeaimentoexponenialnonúmerodeargaviralaolongodotempo
t.
Esse omportamento era esperado pelo fato de que o modelo apresenta terapia ontraa doença, assima partir do momento quea droga é administrada é esperadoque a arga
viral diminuano organismo do paiente.
2.2 Modelo matemátio fraionário
Paraonsideraraversãofraionáriadosistema(1),éimportanteanalizarasdimensões
paraque onovo sistemanão apresente inonsistênias [3,6℄.
No sistema de ordem inteira o termo
d
dt
tem unidadedia − 1, enquanto que d α dt α tem
unidade
dia − α,entãoonsiderando0 < α ≤ 1
eτ
omoumparâmetroquepossuidimensão
igual a dia, a unidade de
1 τ 1 − α
d α dt α
é
dia − 1 [11℄. Como isso, a versão fraionária do
sistema(1)podeser introduzidaomo segue:
1
τ 1 − α D α T (t) = ¯ s − dT ¯ − (1 − η) ¯ ¯ βV T + ¯ ρI 1
τ 1 − α D α I (t) = (1 − η) ¯ ¯ βV T − δ ¯ ′ I − ρI ¯ 1
τ 1 − α D α V (t) = (1 − ¯ ǫ)¯ pI − cV. ¯
(4)
Se
a = τ 1 − α ¯ a
,paraa
onstante, reesrevemos o sistemaomo
D α T (t) = s − dT − (1 − η)βV T + ρI D α I (t) = (1 − η)βV T − δ ′ I − ρI D α V (t) = (1 − ǫ)pI − cV.
(5)
em que
D α representa a derivada de Caputo de ordem α.
Note que a unidade de ada
parâmetro no sistema (5) é
tempo − α e ada um desses parâmetros depende de τ
[6℄. A
análise deestabilidade desse modelopode servista em[4℄.
Observação 2.1. Na maioria dos modelos matemátios, enontramos soluções que de-
vem permaneer positivas ao longo do tempo de evolução do sistema. Isso é omum em
estudos em dinâmia de populações onde as variáveis, normalmente, fazem referênias a
densidadepopulaional. Apartirdisso,a soluçãodeumsistemadeordemfraionáriadeve
permaneer positiva para todo
t > 0.
Usandoomesmoraioínio desritoparaomodelode ordeminteira,podemos resolver
isoladamentea equação queenvolve aarga viral. Considere oPVI deordem fraionária
D α V (t) = −cV
V (0) = V 0 .
(6)Apliandoa transformada de Laplae [2℄,temosque
L [D α V (t)] = L [−cV (t)]
(7)s α L [V (t)] − s α − 1 V 0 = −c L [V (t)]
(8)L V (t) = s α − 1 V 0
s α + c .
(9)Daí
V (t) = V 0 E α (−ct α ).
(10)Na equação (10),
c
é umaonstante positiva eV 0 é argaviral no tempo t = 0.
3 Simulação numéria
Nessa seção as simulações numérias são apresentadas. Os parâmetros biológios es-
tão desritos em [3℄. Para realizar assimulações foram utilizados os métodosnumérios,
NSFD e Runge Kutta, para os modelos de ordem fraionária e de ordem inteira, respe-
tivamente [3℄. Foram utilizados dadosreais referentes aarga viral de dois paientes. Os
dadosforamretiradosde[9℄esãoprovenientesdeumestudorealizadoemdoishospitaisde
HongKong,om15paientesportadoresrniosdovírusHBV.Nasemana0foianalisada
a onentração viral de ada um, então ada indíviduo reebeu dosagens iguais de Lami-
vudine (150mg/d). Durante100 dias ospesquisadores aompanharame mediram a arga
viral de ada paiente. Foionstatadoque a ação da drogaapresentou umretardo iniial
entre 12 e 24 horas. Nesse trabalho apresentaremos osdados referentes a dois paientes,
0 20 40 60 80 100 t
3000 4500 6000 7500 9000 10500
V(t)
real data α = 1 α = 0.9 α = 0.8 α = 0.7 α = 0.6 SI
(a)
P 1
0 20 40 60 80 100
t 0
1500 3000 4500 6000 7500 9000 10500
V(t)
data α = 1 α = 0.9 α = 0.8 α = 0.7 α = 0.6 SI
(b)
P 2
Figura2: Dinâmia da argaviral,
V (t),
para0 < α < 1
e asolução inteira (SI).denotados por
P 1 e P 2. No iníio dotratamento as argas viraisforam V 1 (0) = 1.1 × 10 4
V 1 (0) = 1.1 × 10 4
ópias/ml e
V 2 (0) = 1.2 × 10 3 ópias/ml.
A Figura (2) apresenta a solução numéria para os sistemas de ordem inteira e fra-
ionária para diferentes valores de
α
. Para o modelo de ordem fraionária, ada urva representa umasolução paratal sistema. Nota-se que todasessasurvasonvergem paraumestado de equilíbrio,ou seja,paravalores
0 < α < 1
não háinstabilidade na solução.Parao paiente
P 1,podemos observar quea partir da segunda semana de tratamento
oorre um deaímento exponenial na arga viral. Esse fato orrespondente a resposta
iniial aotratamento, umavez queéaltaaonentração devírusnairulação sanguínea,
assim asélulas de defesaagem rapidamente para ombater tais vírus. Com o passar das
semanas, nota-seque aargaviral diminuide formamaislenta atétornar-se estável.
Ambos os modelos, de ordem inteira e de ordem fraionária, desrevem a dinâmia
viral ao longo do tempo, porém aurva quese ajusta melhoraos dadosdo paiente
P 1 é
a urva orrespondenteaomodelode ordemnão inteira quando
α = 0.6
Para o paiente
P 2 ,
podemos observar que na segunda semana de tratamento a argaviral é maiordo quena semana 0. Isso sedápelaresitênia do vírusontraa mediação.
Nesses asos é indiado o tratamento om mais de uma droga, Lamivudine e Interferon,
por exemplo[7℄. Podemos notartambém quea argaviral demora umtempo maiorpara
se estabilizar. Nesse aso, a urva que melhor se ajusta aos dados reais é uma urva de
ordem não inteira,ou seja,
α = 0.7
A Figura (3) apresenta a solução inteira, dado pela equação (3) e a solução analítia
fraionária, equação (10), para valores de
0.7 < α < 2.
Nota-se que todas as soluções,inteira e fraionárias, apresentam deaímento exponenial, porém quanto maior a ordem
da derivada, maisrápidoserá esse deaímento.
Parao modelode ordem inteira não háinstabilidade na solução. Por outrolado, para
o modelode ordem fraionária,quando
α ≤ 1.1
a solução permaeestável, porém quandoα = 1.3
a solução torna-se instável por volta do dia 100. Para valores deα
maiores que1.5
osistemaapresentainstabilidadedesdeoiníio. Issoimpliaqueoomportamentodas soluçõesparaumsistemade ordemnão inteira estádiretamente relaionadooma ordemda derivada adotada, ou seja, o modelo de ordem fraionária permane estável somente
para determinadosvalores de
α.
Assim um sistemaordem inteira queera estável pode setornar instávelquando fraionalizadoe vie-versa.
0 100 200 300 400
t -50
0 50 100 150 200
V(t)
SI α = 1.1 α = 1.3 α = 1.5 α = 0.9 α = 0.7
Figura3: Soluçãoanalítia inteira (SI)
×
solução analítia fraionária.4 Conlusões
Para o modelo de hepatite B proposto, observamos pelas simulações numérias, que
a solução analítia parao modelo de ordem fraionária ondiz om a solução do modelo
de ordem inteira, porém, notamos queo expoentefraionário seajusta melhor aosdados
reais e esse expoente deve serum valor entre 0 e 1, poispara valoresde
α
maiores que 1o sistema apresenta instabilidade, o que ontradiz a solução do sistemade ordem inteira
quepermaneeestávelparatodo tempo.
Continuações naturais deste trabalho são as mais diversas possíveis. Em partiular,
espera-sebusarmétodosparaenontrarasoluçãodomodelodeordemnãointeira,quando
η < 1
eǫ < 1
. Além disso,pretende-se omparara soluçãoomdadosdeoutros paientes, visandoenontrar o valordeα
quedesreve melhorosdados.Agradeimentos
Osautores agradeemao grupo de pesquisa doCNPq
CF @F C −
Cálulo FraionárioeApliações, pelasimportantesdisussões. LCC agradeeaCAPESeaoprograma dePós
Graduaçãoem Biometria pelosuporte naneiro.
Referênias
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