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Rev. adm. empres. vol.50 número4

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Academic year: 2018

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ISSN 0034-7590 ©RAE • São Paulo • v. 50 • n. 4 • out./dez. 2010 • 353

EDITORIAL

Após dois anos do novo sistema Qualis de avaliação de periódi-cos, é momento de fazermos uma relexão. Passou-se a classiicar as publicações pela sua qualidade numa escala linear (A1, A2, B1 a B5, e C), abandonando-se a escala anterior, baseada em um componente relacionado à origem do periódico (local, nacional, internacional). Essa nova classiicação faz muito mais sentido e privilegia a qualidade em detrimento da confusa distinção entre os periódicos pela origem: uma publicação estrangeira nem sempre tem relevância “internacional”, enquanto vários periódicos brasileiros de qualidade deixam de ser classiicados em segundo plano com o rótulo de “nacional”.

Embora a iniciativa de alteração da escala seja positiva, os programas de pós-graduação continuam sofrendo pressão para se internacionalizar e atingir níveis mais altos de avaliação pela CAPES. Apesar de o processo de internacionalização ir muito além dos aspectos relacionados à publicação, o discurso de “pu-blicar internacionalmente” ainda predomina nos programas mais bem qualiicados. E esse discurso, além de seu viés colonizado, é danoso para as revistas nacionais mais importantes, que fazem um grande esforço para manter um alto nível de qualidade.

As mudanças no Qualis ainda não foram incorporadas ao dis-curso e à prática de boa parte de nossa comunidade acadêmica. Autores sentem-se pressionados a publicar “lá fora”, colocando a qualidade do periódico em segundo plano. Essa situação repre-senta um desaio aos periódicos brasileiros, particularmente aos mais bem classiicados no Qualis, que concorrem em condição de desvantagem pelos trabalhos dos melhores autores. Entre dois periódicos com a mesma classiicação, é quase certo que o estrangeiro leve vantagem sobre o brasileiro na preferência de uma signiicativa parcela dos pesquisadores locais, em geral instigados a se “internacionalizar”.

O resultado disso na prática é a superlotação dos periódicos qualiicados como A1 e A2 na área de Administração, Conta-bilidade e Turismo, o que pode impedir a ascensão genuína de periódicos brasileiros que têm muito mais a dizer à nossa comu-nidade acadêmica e gerencial do que alguns dos “internacionais” que levam a preferência de parcela dos pesquisadores brasileiros. Felizmente, nossa comunidade cresce internamente no país e aumenta o interesse de pesquisadores de países emergentes em nossas publicações, em um processo de internacionalização sul-sul.

No seu esforço de internacionalização, a RAE, além de estar presente nos principais indexadores internacionais, tem pu-blicado artigos em inglês e espanhol e também tem procurado atrair a submissão de artigos de autores de outros países. Em

2010, recebemos submissões espontâneas de autores radicados no Chile, Colômbia, Portugal, Espanha, Alemanha e Holanda, sem contar as colaborações entre brasileiros e estrangeiros, estas bem mais comuns. Sabemos que ninguém se torna relevante internacionalmente sem se tornar relevante regionalmente e a

RAE tem trabalhado para estender a importância que conquistou no Brasil para outras regiões.

Nesta edição, contamos com a colaboração internacional da professora Lourdes Casanova, do INSEAD, com uma pensata que aponta o crescimento da importância das multinacionais latino-americanas no cenário internacional. E para analisar o papel da gerência média na formação de estratégias emergentes, o artigo “How middle managers contribute to strategy formation process: connection of strategy processes and strategy practices” apresenta um caso de estudo realizado em uma universidade espanhola.

Entre as colaborações genuinamente nacionais, publicamos nesta edição o artigo “Desenvolvimento e validação fatorial da escala de relacionamento com clientes (ERC)”, que propõe e valida através de pesquisa empírica um instrumento cientíi-co para mensurar o relacionamento entre as empresas e seus clientes. Com base em um estudo etnográico realizado em uma organização britânica, “O pesquisador como o outro: uma leitura pós-colonial do ‘Borat’ brasileiro” apresenta uma visão crítica sobre a forma como o pesquisador brasileiro é percebido pelo pesquisado europeu.

Em “Capital social em um consórcio de pesquisa”, apresen-ta-se o capital social como fator explicativo para a variação da verba obtida por cientistas em seus projetos de pesquisa. O artigo “Atratividade de projetos de software livre: importân-cia teórica e estratégias para administração” apresenta uma contribuição para o entendimento dos fatores que permitem atrair usuários e colaboradores em projetos de software livre. O artigo “Modelagem de probabilidade de churn” calcula a probabilidade de clientes abandonarem o relacionamento com uma organização.

Completam a edição uma resenha do livro (Re) (organize) for resilence: putting customers at the center of your business, de Ranjay Gulati, e ainda indicações bibliográicas sobre Comportamento do Consumidor Internacional e Negócios na Base da Pirâmide.

A todos, uma boa leitura!

Eduardo Diniz

Referências

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