DIREITOS HUMANOS
Prof. Mateus Silveira
DIREITOS HUMANOS
02. Evolução histórica e Internacionalização dos Direitos Humanos
1. DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS ... 2 2. DOS PRECEDENTES DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS ... 8 3. DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS - SISTEMA DOS DIREITOS HUMANOS ... 15
1. DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS
* Para todos verem: esquema de linha do tempo abaixo.
Antiguidade
• 1. Código de Hamurabi
• 2. Cilindro de Ciro
• 3. Lei das XII Tábuas
Idade média
• 1. Declaração das Cortes de Leão (1988)
• 2. Magna Carta (1215)
Idade Moderna e Contemporânea
• Petição de Direitos (1628);
• Dec. da Independência dos EUA (1776);
• Revolução Francesa (1789) Precedentes da
internacionalização
• Convenção de Genebra (1864)
• Liga das Nações (1919) OIT (1919)
Direito Internacional dos Direitos Humanos
• ONU (1945)
• DUDH (1948)
1.1. DOS DIREITOS HUMANOS NA ANTIGUIDADE
1.1.1. CÓDIGO DE HAMURABI (+/-1700 AC, MESOPOTÂMIA)
Durante o período de hegemonia do império babilônico sobre a Mesopotâmia (1800-1500 a.C.) o rei Hamurabi foi responsável por uma das mais importantes contribuições culturais daquele povo: a compilação de um código de leis escrito quando ainda prevalecia a tradição oral, ou seja, em que as leis eram transmitidas oralmente de geração em geração ou de forma consuetudinária.
Nos seus princípios, que regulam as relações de trabalho, família, propriedade e escravatura já se denotam preocupações sobre os direitos humanos – estabelece por ex. o direito à remuneração através da regulação de determinadas profissões, a atribuição de apoios/indenizações quando as pessoas eram consideradas beneficiárias e algum membro da família falecesse e a diferenciação de classes no pagamento de serviços, sendo que as classes mais favorecidas pagavam mais do que outras.
No entanto, é fortemente marcado pela Lei de Talião na aplicação das penas, que estabelece a equivalência da punição em relação ao crime – Olho por olho, dente por dente.
1.1.2. CILINDRO DE CIRO (539 AC, BABILÓNIA)
Em 539 a.C., os exércitos de Ciro, O Grande, o primeiro rei da antiga Pérsia, conquistaram a cidade da Babilônia. Mas foram as suas ações posteriores que marcaram um avanço muito importante para o Homem. Ciro libertou os escravos, declarou que todas as pessoas tinham o direito de escolher a sua própria religião, e estabeleceu a igualdade racial. Estes e outros decretos foram registados num cilindro de argila na língua acádica em escrita cuneiforme.
O Cilindro de Ciro como é hoje conhecido, foi descoberto em 1879 e a ONU traduziu o seu conteúdo em 1971 para todas as suas línguas oficiais. O Cilindro de Ciro é considerado a primeira declaração de direitos humanos, ao permitir que os povos exilados na Babilônia regressassem à suas terras de origem.
1.2. DIREITOS HUMANOS NA IDADE MÉDIA
Na idade média o poder dos governantes era ilimitado, pois era fundado na vontade divina (Clero e a nobreza).
Surgimento dos primeiros movimentos de reivindicação de liberdades a determinados estamentos, como a Declaração das Cortes de Leão adotada na Península Ibérica em 1188 (Reino de Espanha) e a Magna Carta inglesa de 1215.
A Carta Magna (1215) foi possivelmente a influência inicial mais significativa no amplo processo histórico que conduziu o constitucionalismo ocidental hoje conhecido.
1.2.1. MAGNA CARTA (1215, INGLATERRA)
A Magna Carta é um documento de 1215 que limitou o poder dos monarcas de Inglaterra. Com este documento os monarcas tiveram que renunciar a certos direitos, respeitar determinados procedimentos legais, bem como reconhecer que a vontade do rei estaria sujeita à lei. Impediu assim o exercício do poder absoluto pelos monarcas e é amplamente visto como um dos documentos legais mais importantes no desenvolvimento da democracia moderna.
A Magna Carta consagra, entre outros, o direito de todos os cidadãos livres possuírem e herdarem propriedade e serem protegidos de impostos excessivos;
o direito das viúvas que possuíam propriedade a decidir não voltar a casar; o estabelecimento dos princípios processuais e a igualdade perante a lei e o direito da igreja de estar livre da interferência do governo. Contém ainda provisões que proíbem o suborno e a má conduta oficial.
Considera-se que a Magna Carta é o primeiro capítulo de um longo processo histórico que levaria ao surgimento do constitucionalismo.
1.3. DIREITOS HUMANOS NA IDADE MODERNA 1.3.1. PETIÇÃO DE DIREITO (1628, INGLATERRA)
A petição de Direito é um documento produzido pelo Parlamento Inglês em resposta à situação que o país atravessava: o Rei Carlos I, perante a rejeição do Parlamento em financiar a sua política exterior, exigia empréstimos forçados, aquartelava as tropas nas casas dos súbditos como medida econômica e impressionava os seus opositores políticos. Estas políticas produziram no Parlamento uma hostilidade ao Rei e ao Duque de Buckingham, levando a redação da Petição de Direito que se baseia em estatutos e cartas anteriores e que afirma quatro princípios:
Direitos Humanos na Idade Moderna
• Nenhum tributo pode ser imposto sem o consentimento do Parlamento,
• Nenhum súbdito pode ser encarcerado sem motivo demonstrado (a reafirmação do direito de habeas corpus)
• Nenhum soldado pode ser aquartelado nas casas dos cidadãos
• A Lei Marcial não pode ser usada em tempo de paz
A edição do habeas Corpus Act (1679) formaliza o mandado de proteção judicial aos que haviam sido injustamente presos, existente tão somente no direito consuetudinário inglês (common law).
Em 1689 (após a Revolução Gloriosa): edição da “Declaração Inglesa de Direitos”, a “Bill of Rights” (1689), pelo qual o poder autocrático dos reis ingleses é reduzido de forma definitiva.
1.3.2 DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS EUA (1776)
A Declaração da Independência dos Estados Unidos da América foi o documento no qual, as treze Colônias na América do Norte declararam a sua independência da Grã-Bretanha e onde justificam este ato. Esta declaração foi aprovada pelo Congresso dos EUA no dia 4 de julho de 1776, dia que ainda hoje se celebra como o Dia da Independência dos EUA.
Filosoficamente, a Declaração acentuou dois temas: os direitos individuais e o direito de revolução. Estas ideias tornaram–se largamente apoiadas pelos americanos e, também se difundiram internacionalmente, influenciando em particular a Revolução Francesa.
A Declaração de Independência inspirou ainda documentos de direitos humanos em todo o mundo.
1.4. DIREITOS HUMANOS NA IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA
1.4.1. A CONSTITUIÇÃO DOS EUA (1787) E A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS (1791) Escrita durante o verão de 1787 em Filadélfia, a Constituição dos Estados Unidos da América é a lei fundamental do sistema federal do governo dos Estados Unidos e um documento de referência do mundo Ocidental. Esta é a mais antiga constituição nacional escrita que está em uso e que define os órgãos principais de governo e suas jurisdições e os direitos básicos dos cidadãos.
As dez primeiras emendas da Constituição, que constituem a Declaração dos Direitos (Bill of Rights), entraram em vigor no dia 15 de dezembro de 1791, limitando os poderes do governo federal dos Estados Unidos e protegendo os direitos de todos os cidadãos, residentes e visitantes no território americano.
A Declaração dos Direitos protege a liberdade de expressão, a liberdade de religião, o direito de guardar e usar armas, a liberdade de reunião e a liberdade
de petição. Proíbe a busca e detenção sem razão, o castigo cruel e insólito e autoincriminação forçada.
Entre as proteções legais que proporciona, a Declaração dos Direitos proíbe que o Congresso faça qualquer lei que regule a escolha da religião e proíbe o governo federal de privar qualquer pessoa da vida, da liberdade ou da propriedade sem os devidos processos legais.
1.4.2. A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO (1789, FRANÇA)
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão é o documento culminante da Revolução Francesa, que define os direitos individuais e coletivos dos homens (tomada a palavra na acepção de "seres humanos") como universais.
Influenciada pela doutrina dos "direitos naturais", os direitos dos homens são tidos como universais: válidos e exigíveis a qualquer tempo e em qualquer lugar, pois pertencem à própria natureza humana.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi adotada pela Assembleia Constituinte Nacional apenas seis semanas depois da tomada da Bastilha, que pôs fim à monarquia absoluta e abriu caminho ao estabelecimento da primeira República Francesa.
A Declaração proclama que todos os cidadãos devem ter garantidos os direitos de “liberdade, propriedade, segurança, e resistência à opressão”.
Argumenta que os direitos só podem ser limitados quando estiver em causa o usufruto dos mesmos direitos por outras pessoas: “… o exercício dos direitos naturais de cada homem tem só aquelas fronteiras que asseguram a outros membros da sociedade o desfrutar destes mesmos direitos”.
Portanto, a Declaração vê a lei como “uma expressão da vontade geral”, que tem a intenção de promover esta igualdade de direitos e proibir “ações prejudiciais para a sociedade”.
1.5. DO SURGIMENTO DA TUTELA DOS DIREITOS SOCIAIS
* Para todos verem: esquema abaixo.
2. DOS PRECEDENTES DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
Os direitos humanos são fruto de uma afirmação histórica da proteção dos direitos das pessoas ao longo do tempo, contudo a doutrina baseada nas lições da Profa. Flávia Piovesan estabeleceu três elementos como os precedentes da internacionalização dos direitos humanos: o Direito Humanitário, a criação da Liga das Nações e o surgimento da Organização Internacional do Trabalho (OIT-1919).
2.1. A LIGA DAS NAÇÕES UNIDAS
Foi uma organização internacional criada em abril de 1919, quando a Conferência de Paz de Paris adotou seu pacto fundador, posteriormente inscrito em todos os tratados de paz. Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, a ideia de criar um organismo destinado à preservação da paz e à resolução dos conflitos internacionais por meio da mediação e do arbitramento já havia sido defendida por alguns estadistas, especialmente o presidente dos Estados Unidos, Woodrow
Constituição do México
• 1917
Constituição Alemã
• 1919
Wilson. Contudo, a recusa do Congresso norte-americano em ratificar o Tratado de Versalhes acabou impedindo que os Estados Unidos se tornassem membro do novo organismo.
Com fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os países vencedores se reuniram em Versalhes, no subúrbio de Paris, na França, em janeiro de 1919, para firmar um tratado de paz, o Tratado de Versalhes. Um dos pontos do tratado era a criação de um organismo internacional que tivesse como finalidade assegurar a paz num mundo traumatizado pelas dimensões do conflito que se encerrara.
Em 15-11-1920, teve lugar em Genebra/Suíça a 1ª Assembleia Geral da Liga das Nações. Os objetivos da organização eram impedir as guerras e assegurar a paz, a partir de ações diplomáticas, de diálogos e negociações para a solução dos litígios. Porém, infelizmente, não se conseguiu impedir a 2ª guerra.
Desse modo, diante do fracasso de não ter conseguido coibir a ocorrência da Segunda Guerra Mundial, em abril de 1946, o organismo se autodissolveu, transferindo as responsabilidades que ainda mantinha para a recém-criada Organização das Nações Unidas, a ONU.
2.2. A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT)
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi criada em 1919 como parte do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Sua constituição converteu-se na Parte XIII do Tratado de Versalhes (1919). Fundou-se sobre a convicção primordial de que a paz universal e permanente somente pode estar baseada na justiça social. É a única das agências do Sistema das Nações Unidas com uma estrutura tripartite, composta de representantes de governos e de organizações de empregadores e de trabalhadores. A OIT é responsável pela formulação e aplicação das normas internacionais do trabalho (convenções e recomendações).
As convenções, uma vez ratificadas por decisão soberana de um país, passam a fazer parte de seu ordenamento jurídico. O Brasil está entre os membros fundadores da OIT, participando da Conferência Internacional do Trabalho desde sua primeira reunião. Na primeira Conferência Internacional do Trabalho, realizada em 1919, a OIT adotou seis convenções. Em 1944, à luz dos efeitos da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, a OIT adotou a Declaração da Filadélfia como anexo da sua Constituição. A Declaração antecipou e serviu de modelo para a Carta das Nações Unidas e para a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
Em junho de 1998 (86ª sessão), foi adotada a Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e seu Seguimento. O documento é uma reafirmação universal da obrigação de respeitar, promover e tornar realidade os princípios refletidos nas Convenções fundamentais da OIT, ainda que não tenham sido ratificadas pelos Estados-membros.
Atualmente a OIT estabeleceu um patamar mínimo de proteção dos trabalhadores e conseguiu identificar os sujeitos de proteção, tais como crianças, gestantes e idosos.
* Para todos verem: esquema abaixo.
A TUTELA INTERNACIONAL DA PESSOA HUMANA E SEUS TRÊS EIXOS DE PROTEÇÃO
DIREITO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS
proteção do ser humano em todos os aspectos, englobando direitos civis e
políticos, direitos sociais, econômicos, culturais e os
direitos transindividuais.
DIREITO INTERNACIONAL DOS REFUGIADOS
age na proteção do refugiado, desde a saída do
seu local de residência, concessão do refúgio até
seu eventual término.
DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO
foca na proteção do ser humano na situação específica dos conflitos armados (internacionais ou
não internacionais – guerras civis).
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Da Tutela Dos Direitos Sociais Na Afirmação Histórica Dos Direitos
Humanos.
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As regras que regulam o direito humanitário estão previstas nas Convenções de Genebra realizadas para regularem o direito humanitário.
2.3. PRINCÍPIOS DE DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO
* Para todos verem: esquema abaixo.
O COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA (CICV): a principal entidade responsável pelo monitoramento do cumprimento do direito internacional humanitário pelos Estados é o CICV, em realidade, uma organização independente e não governamental cujo status e prerrogativas são reconhecidos nas próprias Convenções de Genebra. O CICV visa defender e
Princípio da Humanidade
• De acordo com esse princípio, a dignidade humana deve ser preservadapor mais precária e gravosa que seja a situação;
Princípio da Necessidade
• Os bens civis devem ser respeitados e não
podem ser alvo de ataques e retaliações;
Princípio da Proporcionalidade
• As partes devem utilizar de seus recursos
bélicos de forma proporcional a superar e vencer a parte
adversa, rejeitando-se um malefício superior aos ganhos militares pretendidos.
amparar as vítimas de guerras e catástrofes naturais, além de auxiliar no contato com familiares e na busca por desaparecidos.
Embora não prevejam um órgão internacional voltado para a aplicação de sanções, os tratados que compõem o direito internacional humanitário podem ser invocados perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e o Tribunal Penal Internacional (TPI).
Desse modo, o desenvolvimento do direito internacional humanitário é considerado um dos precedentes históricos para a internacionalização dos direitos humanos.
2.4. O DIREITO INTENACIONAL DOS REFUGIADOS
O direito internacional dos refugiados também decorre de um “Convenção de Genebra”, que, a não ser pelo nome, não se identifica com aquelas relacionadas ao direito internacional humanitário.
O principal instrumento do direito internacional dos refugiados é a Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, adotada em 28- 7-1951 e com vigência a partir de 22-4-1954.
Essa Convenção definia o que se compreendia como refugiado e ao mesmo tempo estipulava regras para a sua proteção e a concessão de asilo político pelos Estados-membros. Contudo, ela possuía uma grave limitação de tempo, pois somente se aplicava aos refugiados em relação a eventos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951. A esse condicionamento denominou-se “reserva temporal”. Após um período de discussões internacionais, foi elaborado o Protocolo relativo ao Estatuto dos Refugiados, que entrou em vigor em outubro de 1967. Com esse protocolo, deixaram de existir limitações geográficas e
temporais para o reconhecimento do status de refugiado1 a determinadas categorias de pessoas, buscando-se agora conferir efetiva proteção a todos aqueles que se deslocam em razão de uma crise política.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) foi criado em 1949 e é órgão integrante do Sistema da ONU responsável por garantir e assegurar aos refugiados a observância dos seus direitos e por monitorar e acompanhar os movimentos de refugiados no globo.
No Brasil, o direito dos refugiados foi regulamentado pela Lei nº 9.474/1997, que também criou o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), órgão colegiado vinculado ao Ministério da Justiça.
Vamos estudar em conjunto para distinguirmos os institutos do refúgio e do asilo político.
2.4.1. REFÚGIO
As pessoas que poderão estar sujeitas à condição de refugiados são aquelas que estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados.
O refúgio se aplica, de um modo coletivo, a todas as pessoas que se enquadrarem nas condições mencionadas anteriormente, sendo, possível, por esse motivo se estender a condição de refugiado para os ascendentes, descendentes e cônjuge da pessoa já refugiada. É possível também estender a
1 Refugiado é todo o indivíduo que está fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social ou opinião política, como também devido à grave e generalizada violação de direitos humanos e conflitos armados.
condição para outros parentes do refugiado que se encontrem em território nacional, que não sejam os citados anteriormente, mas esses parentes deverão demonstrar dependência econômica do refugiado.
2.4.2. ASILO POLÍTICO
Constitui ato discricionário do Estado. Pode ser diplomático ou territorial, sendo concedido no Brasil para proteger a pessoa estrangeira que se encontre perseguida em um Estado por suas crenças, opiniões e filiação política ou por atos que possam ser considerados delitos políticos.
Asilo diplomático, quando solicitado no exterior em locais de missão diplomática, navios de guerra e acampamentos ou aeronaves militares brasileiras, consiste na proteção ofertada pelo Estado brasileiro e na condução do asilado estritamente até o território nacional, em consonância com o disposto na Convenção Internacional sobre Asilo Diplomático.
Asilo territorial, quando solicitado em qualquer ponto do território nacional, perante unidade da Polícia Federal ou representação regional do Ministério das Relações Exteriores. O ingresso irregular no território nacional não constituirá impedimento para a solicitação de asilo territorial.
Compete ao Presidente da República decidir sobre o pedido de asilo político e sobre a revogação de sua concessão, consultado o Ministro de Estado das Relações Exteriores.
3. DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS - SISTEMA DOS DIREITOS HUMANOS
Os Direitos Humanos, após a criação da ONU e com a consequente internacionalização da proteção dos direitos das pessoas em todo o mundo, podem ser divididos e identificados por sistemas, Sistema Universal ou Global de Direitos Humanos ligado à ONU, Sistemas Regionais de Direitos Humanos (Europa, América e África) e Sistemas Nacionais de Proteção aos Direitos Humanos, que se efetivam com a constitucionalização das normas internacionais que protegem os direitos das pessoas.
É importante destacar que os Direitos Humanos estão regulados nos documentos internacionais, e, quando esses direitos presentes nesses documentos são colocados em constituições, há uma mudança de nomenclatura, passando-se a chamar direitos de fundamentais.
Quanto aos sistemas, temos: Sistema Universal, organizado em uma estrutura principal de quatro documentos: Carta da ONU (1945), Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e Pactos Internacionais (1966); a Declaração Universal, somada com esses pactos, forma o que chamamos de Carta Internacional de Direitos Humanos (International Bill of Rights); Sistemas Regionais: são três – Europeu, Americano e Africano.
Para cada sistema regional, temos um documento de referência, Europeu – Convenção Europeia de Direitos Humanos (1950), Americano – Convenção Americana sobre DH (1969) e o Africano – Carta Africana de Direitos Humanos e carta dos povos (1981); e Sistema Nacional, formado, no caso do Brasil, pela Constituição Federal de 1988 e seu amplo rol de direitos e garantias fundamentais.
Resumo:
Só temos a disciplina de Direito Internacional dos Direitos Humanos, a partir da criação da ONU em 1945 e o início do processo de internacionalização dos direitos humanos.
SISTEMAS DE DIREITOS HUMANOS
Sistema Universal (ONU) Sistemas Regionais Sistema Nacional
1945 – Carta das Nações 1948 – Declaração Universal
de Direitos Humanos (DUDH)
1966 – Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
(PIDCP)
1966 – Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC)
Europeu – Convenção Europeia de Direitos
Humanos (1950)
- Americano – Carta da OEA (1948) e a Convenção Americana sobre Direitos
Humanos (1969)
- Africano – Carta Africana de Direitos Humanos e carta
dos povos (1981)
Constituições Nacionais (Proteção de Direitos
Fundamentais)
- No Brasil, a proteção de direitos fundamentais
constante na Constituição Federal de
1988
QUESTÕES
1) (XXVI Exame) Um jovem congolês, em função de perseguição sofrida no país de origem, obteve, há cerca de três anos, reconhecimento de sua condição de refugiado no Brasil. Sua mãe, triste pela distância do filho, decide vir ao Brasil para com ele viver, porém não se enquadra na condição de refugiada. Com base na Lei brasileira que implementou o Estatuto dos Refugiados, cabe a você, como advogado que atua na área dos Direitos Humanos, orientar a família.
Assinale a opção que apresenta a orientação correta para o caso.
A) As medidas e os direitos previstos na legislação brasileira sobre refugiados se aplicam somente àqueles que tiverem sido reconhecidos nessa condição. Por isso, a mãe deve entrar com o pedido de refúgio e comprovar que também se enquadra na condição.
B) Apesar de a mãe não ser refugiada, os efeitos da condição de refugiado de seu filho são extensivos a ela; por isso, ela pode obter autorização para residência no Brasil.
C) A lei brasileira que trata de refúgio prevê a possibilidade de que pai e mãe tenham direito à residência caso o filho ou a filha venham a ser considerados refugiados, mas a previsão condiciona esse direito a uma avaliação a ser feita pelo representante do governo brasileiro.
D) Para que a mãe possa viver no Brasil com seu filho ou sua filha, ela deverá comprovar que é economicamente dependente dele ou dela, pois é nesse caso que ascendentes podem gozar dos efeitos da condição de refugiado reconhecida a um filho ou a uma filha.
2) (XVII Exame) Segundo dados do CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados), o Brasil possuía, no fim de 2014, 6.492 refugiados de 80 nacionalidades. Como é sabido, o Brasil ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, assim como promulgou a Lei nº 9.474/97, que define os mecanismos para a implementação dessa Convenção.
Assinale a opção que, conforme a lei mencionada, define a condição jurídica do refugiado no Brasil.
A) Possui os direitos e deveres dos estrangeiros no Brasil, bem como direito a cédula de identidade comprobatória de sua condição jurídica, carteira de trabalho e documento de viagem.
B) Está sujeito aos deveres dos estrangeiros no Brasil e tem direito a documento de viagem para deixar o país quando for de sua vontade.
C) Sendo acolhido como refugiado, tem todos os direitos previstos no seu país de origem, mas deve acatar os deveres impostos a todos os brasileiros. Também tem direito à cédula de identidade.
D) Possui os direitos e deveres dos estrangeiros no Brasil, bem como direito a cédula de identidade comprobatória de sua condição jurídica, carteira de trabalho, documento de viagem e título de eleitor.
3) (V Exame) A respeito da internacionalização dos direitos humanos, assinale a alternativa correta.
A) Já antes do fim da II Guerra Mundial ocorreu a internacionalização dos direitos humanos, com a limitação dos poderes do Estado a fim de garantir o respeito integral aos direitos fundamentais da pessoa humana.
B) A limitação do poder, quando previsto na Constituição, garante por si só o respeito aos direitos humanos.
C) A criação de normas de proteção internacional no âmbito dos direitos humanos possibilita a responsabilização do Estado quando as normas nacionais forem omissas.
D) A internacionalização dos direitos humanos impõe que o Estado, e não o indivíduo, seja sujeito de direitos internacional.
GABARITO DAS QUESTÕES
01 02 03
B A C