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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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Academic year: 2022

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0000.16.025265-6/001

Número do Númeração 5036748-

Des.(a) Hilda Teixeira da Costa Relator:

Des.(a) Hilda Teixeira da Costa Relator do Acordão:

12/07/0016 Data do Julgamento:

13/07/2016 Data da Publicação:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO ANULATÓRIA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO - COMPETÊNCIA ABSOLUTA DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA - ART. 2º DA LEI 12.153/09 - NECESSIDADE DE PERÍCIA - ART. 10 DA LEI 12.153/09 - VALOR DA CAUSA - ALTERAÇÃO DE OFÍCIO - EXTINÇÃO DO FEITO - IMPOSSIBILIDADE - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

1- A partir de 23/06/2015, este e. Tribunal de Justiça não mais detém a prerrogativa de delimitar a competência dos Juizados Especiais, nos termos do art. 23 da Lei Federal n. 12.153/2009, que é norma de vigência temporária. 2- Considerando que a presente ação foi ajuizada depois de expirado o prazo de limitação da competência dos juizados especiais (art. 23 da Lei n. 12.153/2009 c/c art. 8º da Resolução 700/2012), não merece reparos a r. sentença que entendeu pela incompetência do Juízo da Vara da Fazenda Pública Estadual, em razão da competência absoluta do Juizado Especial da Fazenda Pública. 3- De acordo com o Colendo Superior Tribunal de Justiça, a necessidade de produção de prova pericial complexa não influi na definição da competência dos juizados especiais da Fazenda Pública. 4- É possível a alteração pelo Magistrado, de ofício, do valor da causa, quando constatada discrepância entre o valor apontado pela parte autora e o que representa a real expressão econômica da demanda. 5- Recurso parcialmente provido para declinar a competência para o Juizado Especial da Fazenda Pública.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0000.16.025265-6/001 - COMARCA DE BELO

HORIZONTE - APELANTE(S): JOAO PEDRO PEREIRA STOPA -

APELADO(A)(S): ESTADO DE MINAS GERAIS

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A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 2ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO.

DESA. HILDA TEIXEIRA DA COSTA RELATORA.

DESA. HILDA TEIXEIRA DA COSTA (RELATORA)

V O T O

Trata-se de ação anulatória com pedido de tutela antecipada proposta por João Pedro Pereira Stopa, em face do Estado de Minas Gerais, em que o autor objetiva: I) a declaração da nulidade do ato administrativo que o excluiu do concurso público regulado pelo Edital DRH/CRS n. 03/2015, para ingresso no cargo de soldado da Polícia Militar, tendo em vista que considerado inapto no exame psicológico; II) a declaração de nulidade da quarta fase do referido concurso; III) a condenação do réu ao pagamento de indenização por danos morais e materiais, além de assegurá-lo a progressão e posicionamento na carreira nas mesmas condições que os demais candidatos aprovados no certame.

O d. Julgador singular, Paulo de Tarso Tamburini Souza, entendeu pela

incompetência absoluta do juízo e julgou extinto o processo, nos termos do

art. 267, IV, do CPC, conforme se extrai do documento de ordem 34.

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Inconformado, o autor interpôs apelação (documento de ordem 36), sustentando, em síntese, a incompetência do Juizado Especial da Fazenda Pública para apreciar o presente caso, tendo em vista a necessidade de realização de perícia para refutar o ato que o considerou inapto, de modo que deve ser anulada a decisão a quo, para determinar regular trâmite do feito perante a 7ª Vara da Fazenda Pública Estadual da Comarca de Belo Horizonte/MG.

Defendeu, ainda, que, na eventualidade de se entender pela competência do Juizado Especial, seja reformada a r. sentença para declinar da competência para este Juízo, afigurando-se impossível a extinção do feito nos termos do art. 12, §2º, da Lei n. 11.419/06.

Não houve apresentação de contrarrazões.

É o relatório.

Conheço do recurso interposto, pois presentes os pressupostos de sua admissibilidade.

A Lei n. 12.153/2009, que dispõe sobre os Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, estabelece, nos artigos 2º, 23 e 24, que:

"Art. 2o É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.

§ 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial da Fazenda Pública:

I - as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e

demarcação, populares, por improbidade administrativa, execuções fiscais e

as demandas sobre direitos ou interesses difusos e coletivos;

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Territórios e Municípios, autarquias e fundações públicas a eles vinculadas;

III - as causas que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão imposta a servidores públicos civis ou sanções disciplinares aplicadas a militares.

(...)

§ 4o No foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua competência é absoluta.

(...)

Art. 23. Os Tribunais de Justiça poderão limitar, por até 5 (cinco) anos, a partir da entrada em vigor desta Lei, a competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, atendendo à necessidade da organização dos serviços judiciários e administrativos.

Art. 24. Não serão remetidas aos Juizados Especiais da Fazenda Pública as demandas ajuizadas até a data de sua instalação, assim como as ajuizadas fora do Juizado Especial por força do disposto no art. 23."

Nos termos da lei federal supracitada é competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos, sendo que, no foro onde estiver instalado Juizado Especial da Fazenda Pública, a sua competência é absoluta.

Ainda, consoante o art. 23 da Lei Federal n. 12.153/2009, os Tribunais de

Justiça poderiam limitar, por até 5 (cinco) anos, a partir da entrada em vigor

daquela Lei (seis meses da publicação oficial ocorrida em 23/12/2009), a

competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, atendendo à

necessidade da organização dos serviços judiciários e administrativos.

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Nestes termos, o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais editou a Resolução n. 700/2012, que dispõe sobre os Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito do Estado de Minas Gerais, em cumprimento ao que determina a Lei Federal n. 12.153, de 22 de dezembro de 2009, em seu art.

8º:

"Art. 8º - A competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública, na Justiça do Estado de Minas Gerais, ficará limitada às causas no valor máximo de quarenta salários mínimos, relativas a:

I - multas e outras penalidades decorrentes de infrações de trânsito;

II - transferência de propriedade de veículos automotores terrestres;

III - imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN);

IV - imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços (ICMS);

V - imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU);

VI - fornecimento de medicamentos e outros insumos de interesse para a saúde humana, excluídos cirurgias e transporte de pacientes."

Ocorre que, a Lei n. 12.153/2009, como já mencionado, entrou em vigor seis meses após sua publicação (art. 28), ocorrida em 23/12/2009, de modo que o prazo de cinco anos para a limitação da competência dos juizados especiais (art. 23) expirou-se em 23/06/2015.

Dessa forma, considerando que a presente ação foi ajuizada depois de

expirado o prazo de limitação da competência dos juizados especiais (art. 23

da Lei n. 12.153/2009 c/c art. 8º da Resolução 700/2012), e que o caso não

se inclui nas hipóteses previstas no §1º do art. 2º da Lei n. 12.153/2009, não

merece reparos a r. sentença que entendeu pela incompetência do Juízo da

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Tributários do Estado, em razão da competência absoluta do Juizado Especial da Fazenda Pública.

Sobre a questão analisada, seguem jurisprudências deste e. Tribunal:

"CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA - JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA - VARA CÍVEL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO PREVIDENCIÁRIO - LEI Nº 12.153/2009 - RESOLUÇÃO 700/2012 - LIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA. As ações ajuizadas antes de 23/06/2015 devem observar a limitação imposta pela Resolução nº 700/2012, a qual restringiu a competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública às causas elencadas em seu art. 8º, conforme autorizado pela Lei. nº 12.153/2009, e por isso devem ser processadas e julgadas perante a Vara Cível." (TJMG - Conflito de Competência 1.0000.15.067144-4/000, Relator(a): Des.(a) Yeda Athias , 6ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 01/12/2015, publicação da súmula em 11/12/2015)

"APELAÇÃO CÍVEL. SERVIDOR ESTADUAL. AÇÃO DE COBRANÇA.

VALOR DA CAUSA INFERIOR A SESSENTA SALÁRIOS MÍNIMOS.

RESOLUÇÃO Nº 700/2012 DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. LIMITAÇÃO DA

COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. NORMA

DE TRANSIÇÃO. ARTIGO 23 DA LEI Nº. 12.153/2009. COMPETÊNCIA DO

JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. EXTINÇÃO DO PROCESSO

SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. ARTIGO 113, §2º DO CPC. REMESSA

DOS AUTOS AO JUÍZO COMPETENTE. 1. O artigo 8º da Resolução nº

700/2012, que limita a competência material dos Juizados da Fazenda

Pública é norma de vigência temporária, sendo regra de transição, em razão

do determinado no artigo 23 na Lei nº. 12.153/2009. 2. A partir de

23.06.2015, é de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública

processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do

Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta)

salários mínimos, nos termos do artigo 2º, Lei nº. 12.153/2009, sendo

ressalvadas somente as hipóteses dos incisos do seu §1º. 3. Reconhecida a

incompetência absoluta do juízo da Fazenda Pública, é imperiosa a remessa

dos autos ao juízo

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competente (artigo 133, §2º, CPC), solução que prestigia os princípios da economia, da celeridade e da efetividade, que orientam o direito processual contemporâneo." (TJMG - Apelação Cível 1.0000.15.068372-0/001, Relator(a): Des.(a) Edilson Fernandes , 6ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 06/10/2015, publicação da súmula em 15/10/2015)

No que tange a complexidade da causa, melhor sorte não assiste ao apelante, posto que a necessidade de perícia não afasta a competência do Juizado Especial da Fazenda Pública, conforme se infere do art. 10 da Lei 12.153/2009, que assim dispõe:

"Art. 10. Para efetuar o exame técnico necessário à conciliação ou ao julgamento da causa, o juiz nomeará pessoa habilitada, que apresentará o laudo até 5 (cinco) dias antes da audiência".

Ademais, o Colendo Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de analisar essa questão e, mesmo diante de prova pericial complexa, manteve a competência do Juizado Especial da Fazenda Pública:

"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO PROPOSTA CONTRA O ESTADO DO RIO DE JANEIRO. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. ARTIGO 2º DA LEI 12.153/2009. NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL COMPLEXA.

VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. 1. O art. 2º da Lei 12.153/2009 possui dois parâmetros - valor e matéria - para que uma ação possa ser considerada de menor complexidade e, consequentemente, sujeita à competência do Juizado Especial da Fazenda Pública. 2. A necessidade de produção de prova pericial complexa não influi na definição da competência dos juizados especiais da Fazenda Pública. Precedente: REsp 1.205.956/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 01.12.2010; AgRg na Rcl 2.939/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Seção, DJe 18.09.2009; RMS 29.163/RJ, Rel.

Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe 28.04.2010. 3. Agravo

Regimental não provido". (AgRg no AREsp 753.444/RJ, Rel. Ministro

HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2015, DJe

18/11/2015).

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Quanto ao valor atribuído à causa, verifica-se que o apelante indicou o importe de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), tendo em vista o valor dos danos morais e materiais pleiteados, já que os pedidos atinentes ao concurso público, como declaração de nulidade, não possuem expressão patrimonial mensurável.

Ocorre que, como cediço, é possível a alteração pelo Magistrado, de ofício, do valor da causa, quando constatada discrepância entre o valor apontado pela parte autora e o que representa a real expressão econômica da demanda. Neste sentido, segue jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.VALOR DA CAUSA. ALTERAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. DISCREPÂNCIA FRENTE AO REAL VALOR ECONÔMICO DA DEMANDA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é cabível a modificação ex officio do valor atribuído à causa na hipótese em que o magistrado visualiza manifesta discrepância em comparação com o real valor econômico da demanda.

Precedentes: AgRg no REsp 1224210/SC, Relator Ministro Humberto Martins, DJe 04/03/2011; REsp 1234002/RJ, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 17/03/2011; Pet 8816/DF, Relator Ministro Marco Aurélio Belizze, Terceira Seção, DJe 08/02/2012; AgRg no Ag 1415022/RJ, Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27/08/2012). 2.

Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 236.076/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2012, DJe 22/11/2012)

Na hipótese, infere-se que o valor atribuído pelo recorrente não guarda

qualquer relação com a pretensão econômica objeto da lide, de modo que se

faz necessário a adequação do valor da causa, razão pela qual altero o valor

e o fixo em R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

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Por fim, entendo que a r. sentença merece parcial reforma, haja vista que, por economia processual, não é devida a extinção do processo, sem resolução do mérito, nos termos do art. 267, IV, do CPC. Neste caso, tendo em vista a competência absoluta do Juizado Especial da Fazenda Pública, devem ser adotadas as medidas cabíveis para que o presente feito seja remetido ao Juízo competente para o seu regular prosseguimento.

Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso de apelação interposto, apenas para reformar parcialmente a sentença, no sentido de que o processo não seja extinto, sem resolução do mérito, nos termos do art.

267, IV, do CPC, mas apenas, por economia processual, seja remetido ao Juizado Especial da Fazenda Pública para o regular andamento do feito e, de ofício, altero o valor da causa para R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

Custas recursais, pelo apelante, cuja cobrança fica suspensa por estar sob o pálio da justiça gratuita, nos termos do art. 12 da Lei n. 1.060/50.

DES. MARCELO RODRIGUES - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. RAIMUNDO MESSIAS JÚNIOR - De acordo com o(a) Relator(a).

SÚMULA: "DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO"

Referências

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