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MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC UNIDADE ACADÊMICA HUMANIDADES CIÊNCIA E

EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS - PPGCA

MESTRADO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS

LUCILÉIA MARCON

ANÁLISE DA EXPANSÃO URBANA DE ARARANGUÁ, SC E SUAS IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS: UMA ABORDAGEM

INTERDISCIPLINAR

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Mestrado da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais.

Orientador: Prof. Dr. Jairo José Zocche

Co-Orientador: Prof. Dr. Nilzo Ivo Ladwig

CRICIÚMA

2014

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação

Bibliotecária Eliziane de Lucca Alosilla – CRB 14/1101 Biblioteca Central Prof. Eurico Back - UNESC

M321a Marcon, Luciléia.

Análise da expansão urbana de Araranguá, SC e suas implicações ambientais : uma abordagem interdisciplinar / Luciléia Marcon ; orientador : Jairo José Zocche ; co-orientador : Nilzo Ivo Ladwig . – Criciúma, SC: Ed. do Autor, 2014.

92 p. : il. ; 21 cm.

Dissertação (Mestrado) - Universidade do Extremo Sul Catarinense, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Criciúma, 2014.

1. Crescimento urbano – Impactos ambientais – Araranguá (SC). 2. Planejamento urbano – Aspectos ambientais –

Araranguá (SC). 3. Política urbana – Araranguá (SC). I. Título.

CDD 22. ed. 711.4

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Dedico este trabalho a minha

família, de um modo especial a minha

irmã Lúcia, pelo incentivo, apoio em

todas as horas.

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AGRADECIMENTOS A Deus, por me conceder a oportunidade da vida.

Aos meus pais por me receberem com amor, carinho e dedicação.

Ao meu orientador, Prof. Dr, Jairo José Zocche que me aceitou como orientanda. Sua sabedoria e ensinamentos ajudaram-me a construir cada etapa deste estudo.

À Prof Drª.Terezinha Maria Gonçalves, pela participação como avaliadora na banca de qualificação dessa pesquisa.

À Prof. Dr. Nilzo Ivo Ladwig, pela participação como avaliador na banca de qualificação e co-orientador dessa pesquisa.

À Prof. Drª Birgit Harter Marques, Profº Dr. Eduardo Forneck e Prof Drª Fátima Elizabeti Marcomin pela participação como avaliadores em banca de defesa de dissertação e também pelas suas valiosas contribuições.

Aos colegas Ivan Réus Viana e Ariel De Licca pelo auxílio prestado de digitalização das fotografias aéreas e preparação da base cartográfica.

Ao Rafael Casagrande da Rosa pelo geoprocessamento e edição final de mapas temáticos.

Ao Kleber Oliveira Lummertz por me oportunizar o voo de ultraleve para verificação da atual situação da área de estudo.

A SDS - Secretaria de Desenvolvimento Sustentável pela disponibilização das fotos aéreas do ano de 2010.

A Prefeitura Municipal de Araranguá/SC pela disponibilização de fotos aéreas e a delimitação digital do perímetro urbano da cidade.

Ao DEINFRA – Departamento Estadual de Infraestrutura pela disponibilização das fotos aéreas dos anos 1957 e 1978.

A Empresa SONDASUL- Sondagem e Estaqueamento Ltda, por disponibilizar as sondagens tão importantes para o meio acadêmico.

Ao colega Cesar Roberto Piazza Neto e ao cliente Sergio Arcaro por permitir utilização de dados técnicos.

Ao Instituto Federal de Santa Catarina, de modo especial ao Câmpus Criciúma, pelo apoio à qualificação ao docente.

À profª Ana Regene Varella pelo apoio profissional concedido.

Aos professores do Programa de Pós Graduação de Mestrado em Ciências Ambientais por suas contribuições e aos colegas, pelo companheirismo, respeito e troca de experiência.

À secretária do PPGCA, Izadora Macedo Hoffer, sempre muito

prestativa.

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“Conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro.”

Cassio Roberto da Silva

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RESUMO

O aumento da urbanização e do êxodo rural a partir da segunda metade do século XX contribuiu para o inchaço das cidades. Mesmo quando planejadas, estas enfrentam problemas relacionados à expansão sobre áreas naturais, assumindo a característica de cidades orgânicas. Esta situação está sendo vivenciada por muitas cidades brasileiras planejadas, inclusive a cidade de Araranguá, SC. Este estudo teve por objetivo analisar a evolução temporal no período de 1957 a 2010 da expansão urbana da cidade de Araranguá sobre áreas úmidas e as implicações ambientais resultantes. A obtenção dos dados se deu por meio do mapeamento do uso e cobertura da terra nos anos acima citados, a partir da interpretação de fotografias aéreas e do cruzamento de informações georreferenciadas, com o uso de Sistemas de Informações Geográficas, possibilitando a análise das mudanças espaço- temporal no uso e cobertura da terra. Foram identificadas sete classes de uso e cobertura da terra no perímetro urbano da cidade de Araranguá no período estudado.

A classe 1, representada pela malha urbana e rede viária, e a classe 3, representada pelo campo antrópico, foram as que evidenciaram maior crescimento no período estudado, enquanto que as classes 2 - áreas agricultura, 6 - áreas úmidas e 5 - vegetação arbustiva-arbórea secundária evidenciaram as maiores reduções. O avanço da malha urbana sobre as áreas úmidas resultou nitidamente em problemas de alagamentos decorrentes de enxurradas em determinados pontos da cidade, que estão sendo cada vez mais frequentes. Foi possível perceber que as áreas úmidas próximas ao centro da cidade estão sendo ocupadas para fins comerciais, de prestação de serviços e para residências de alto padrão, enquanto que aquelas que estão mais distantes do centro são utilizadas para diversas finalidades, cujas construções apresentam um padrão inferior àquele verificado na região central. A classe malha urbana e rede viária cresceu exponencialmente no período de estudo, enquanto as classes agricultura e áreas úmidas decresceram linearmente.

O rápido avanço da malha urbana de Araranguá sobre as áreas úmidas, assim como a degradação ambiental verificada, nos alerta para a urgência no estabelecimento de um programa de gestão territorial e de revisão do plano diretor, que devem ter por base os estudos desenvolvidos sob a ótica interdisciplinar.

Palavras-chave: Áreas Úmidas. Geoprocessamento. Solos

Moles. Urbanização.

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ABSTRACT

The urbanization increasing and rural exodus from the second half of the twentieth century contributed to the cities increasing. Even when the cities are planned, they face problems related to expansion into natural areas, assuming the organic cities characteristic. This situation is being experienced by many Brazilian cities planned, including a city called Araranguá, in the of Santa Catarina. This study aimed to analyze the temporal evolution in the period from 1957 to 2010 the urban expansion of Araranguá on wetlands and environmental implications arising. The data collection occurred through the use mapping and land cover in the above years, from the interpretation of aerial photographs and the intersection of georeferenced information, with the use of Geographic Information Systems, enabling the analysis of the space changes - temporal use and land cover. It was able to identify seven classes of land cover and land use in Araranguá city limits, during the studied period. The first class, represented by the urban grid and road network, and the third class, represented by anthropic field were those that showed the greatest growth in the period studied, while the two classes - agricultural areas, 6 - and 5 wetland - shrub and tree secondary showed the greatest reductions. The advance of urban housing on wetlands clearly resulted in flooding problems arising from floods in certain parts of the city, which are becoming more and more frequent. It could be observed that the wetlands near downtown are been occupied for business purposes, to provide services for high standard homes, while those houses that are more distant from downtown are used for several purposes, whose buildings have a lower standard than downtown region. The class of people who live in the urban area and the people from the road network grew exponentially during the studied period, while agriculture classes and wetlands decreased linearly. The rapid advancement of urban people from Araranguá on wetlands, as well as environmental degradation verified, alerts us to the urgency in establishing a program of land management and review of the master plan, which should be based on the studies conducted under the

interdisciplinary perspective.

Keywords: Wetlands. Geoprocessing. Soft Soils. Urbanization.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1- Localização do município de Araranguá (SC). Em detalhe, na cor amarela, a localização do município em relação aos municípios vizinhos e no interior do polígono do município, na cor vermelha, se encontra o polígono da

área urbana atual. ... 30

Figura 2- Evolução da malha urbana da cidade de Araranguá no período de 1957 a 2010 (cor vermelha) sobre as demais classes de uso e cobertura da Terra. No canto esquerdo superior encontra-se a imagem do ano/1957 e no canto direito inferior a imagem do ano/2010. ... 39

Figura 3- Evolução temporal da malha urbana e rede viária sobre as demais classes de uso e cobertura da terra no município de Araranguá entre 1957, 1978 e 2010. ... 40

Figura 4 - Mapa Geológico da área de estudo. ... 41

Figura 5- Mapa de solos da área de estudo. ... 42

Figura 6- Modelo Digital do Terreno da área estudada... 44

Figura 7– Mapa de áreas propícias à expansão urbana do ponto de vista geológico, ocorrência de áreas de nascentes, áreas úmidas e APPs definidas por Lei ... 45

Figura 8- Fluxograma da discussão, de forma interdisciplinar, da expansão urbana da cidade de Araranguá/SC e suas implicações em consequência do avanço da malha urbana e rede viária sobre as áreas úmidas. ... 48

Figura 9 – Imagem panorâmica capturada do Google Earth, evidenciando a parte baixa (cota entre 2,0 e 3, 0 metros) da região central da cidade, cortada pelas avenidas Sete de Setembro e XV de Novembro, assinaladas pelas linhas amarela e vermelha, respectivamente. ... 50

Figura 10– Vista em detalhe da parte baixa (cota entre 2,0 e 3, 0 metros) da região central da cidade, cortada pelas avenidas Sete de Setembro e XV de Novembro, assinaladas pelas linhas amarela e vermelha, respectivamente. ... 51

Figura 11- Imagem panorâmica capturada do Google Earth, evidenciando a parte baixa (cota entre 2,0 e 3, 0 metros) da região do Bairro Jardim Cibele. .. 52

Figura 12 - Vista panorâmica da parte baixa (cota entre 2,0 e 3, 0 metros) da região do Bairro Jardim Cibele, onde à época do imageamento, estavam sendo construídas casas populares. ... 52

Figura 13– Vista em detalhe de aterro sendo executado para elevar a cota altimétrica do terreno no Bairro Jardim Cibele, onde à época do imageamento, estavam sendo construídas casas populares. ... 53

Figura 14– Resquício de uma antiga lagoa existente nas proximidades do Colégio Estadual de Araranguá. Este corpo d’água foi sumariamente aterrado, conforme se observa na figura 14. ... 55

Figura 15– Vista panorâmica do centro da cidade de Araranguá, evidenciando a

baixada da Rua Sete de Setembro (assinalada pela seta vermelha). A seta na cor

amarela evidencia o local da antiga lagoa mostrada na figura anterior. ... 56

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Teatro Célia Belizário. ...56

Figura 17– Mapa de escoamento superficial da bacia de captação do Açude

Valter Belinzoni, Araranguá SC. ...60

Figura 18-Mapa de escoamento subterrâneo da bacia de captação do Açude

Valter Belinzoni, Araranguá SC. ...61

Figura 19– Perfis típicos de argilas moles marinhas brasileiras (modificado de

BARATA, DANZIGER, 1986). ...62

Figura 20- Deformações em camada asfáltica na Avenida XV de Novembro. ..64

Figura 21- Fluxograma representando a interdisciplinar de áreas envolvidas com

a expansão urbana da cidade de Araranguá/SC . ...68

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas APP Áreas de Preservação Permanente

AQd Neossolo areia quartzosa

CEUS Complementação Ecológica do Uso do Solo Cfa Clima subtropical constantemente úmido e sem

estação seca definida.

CONFEA Conselho Federal de Engenharia e Agronomia CPRM Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRATUR Empresa Brasileira de Turismo

EPAGRI Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina

HGPd5 Gleissolos – Glei Pouco Húmico

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística MDT Modelo Digital Do Terreno

NBR Norma brasileira

PMA Prefeitura Municipal de Araranguá

PROVÁRZEA Programa Nacional de Aproveitamento Racional de Várzeas Irrigáveis

PVa6 Argilossolo-Podzólico, vermelho amarelo QHfl Depósito Fluviolagunares

QPb Depósitos Praiais Marinhos e Eólicos

SAMAE Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto

SERFHAU Serviço Federal de Habitação e Urbanismo SIG Sistema de Informação Geográfica

SP Sondagem a Percussão

SPT Standart Penetration Test

UTM Universal Transversa de Mercator

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 21

2 OBJETIVOS ... 29

2.1 OBJETIVO GERAL... 29

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 29

3 METODOLOGIA ... 30

3.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 30

3.2 DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO ... 31

3.3 PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO E ANÁLISE DE DADOS ... 33

4 RESULTADOS ... 37

5 DISCUSSÃO ... 46

6 CONCLUSÃO ... 69

REFERÊNCIAS ... 70

APÊNDICES ... 79

APÊNDICE A – MOSAICO DO ANO 1957 ... 80

APÊNDICE B – MOSAICO DO ANO 1978 ... 81

APÊNDICE C – MOSAICO DO ANO 2010 ... 82

APÊNDICE D – USO E COBERTURA DA TERRA DA ÁREA DE ESTUDO DE 1957 ... 83

APÊNDICE E – USO E COBERTURA DA TERRA DA ÁREA DE ESTUDO DE 1978 ... 84

APÊNDICE F – USO E COBERTURA DA TERRA DA ÁREA DE ESTUDO DE 2010 ... 85

ANEXOS ... 86

ANEXO A - SONDAGEM BAIRRO ALTO FELIZ, SP 1 ... 87

ANEXO B - SONDAGEM BAIRRO ALTO FELIZ, SP 2 ... 88

ANEXO C - SONDAGEM BAIRRO ALTO FELIZ, SP 3 ... 89

ANEXO D - SONDAGEM BAIRRO CENTRO, SP 1 ... 90

ANEXO E - SONDAGEM BAIRRO VILA SÃO JOSÉ, SP 1 ... 91

ANEXO F - SONDAGEM BAIRRO VILA SÃO JOSÉ, SP2 ... 92

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1 INTRODUÇÃO

Para compreender o que se passa com as cidades nos dias atuais se torna importante entender como surgiram e evoluíram, suas características e funções e como se organizavam, pois em última análise estas são questões que acabaram por delinear o modelo o qual vivenciamos atualmente. Nos primórdios, o homem se reunia em pequenos grupos, formava aglomerados e com o passar do tempo foi se tornando sedentário, o que levou a fixar residência em determinados locais específicos. A população humana foi crescendo e os pequenos aglomerados foram transformados em vilas, estas em cidades e na era moderna em megalópoles (ARRUDA, 1986, BRUMES, 2001).

BRUMES (2001) apresenta um breve relato sobre a evolução dos aglomerados humanos ao longo dos tempos até se constituírem as cidades. Assinala que no Período Paleolítico os cemitérios, não como os conhecemos hoje, são por muitos historiadores considerados como o lugar ou fato que deu origem às primeiras formas de moradias fixas, ainda que possa parecer estranho que este local fixo de residência não era ocupado por vivos e sim por mortos. O homem buscava, de certa maneira, locais fixos para usar como abrigo. A caverna é um exemplo, onde se podia encontrar, entre outras coisas, segurança.

O lugar, tanto no caso do “cemitério” quanto da “caverna”, era expressão de realizações de cerimônias e de outras atividades importantes no contexto destes grupos humanos. No Mesolítico a existência de um melhor suprimento de alimentos através da agricultura e a domesticação dos animais são tidas como as condições promotoras do aparecimento das cidades, as quais surgiram como os primeiros aldeamentos que se consolidaram, de fato, no Neolítico, quando o homem passou a ter outras visões a respeito de processos como o de fecundidade, de alimentação e, mesmo, o de proteção (BRUMES, 2001).

A vida humana civilizada exige em variadas medidas a

artificialização do ambiente (OLIVEIRA e BRITO, 1998). Em função

da dependência da água, todos os aglomerados urbanos (quer sejam

vilas, vilarejos ou cidades) tiveram seu início à margem de um corpo

d’água (rio, lago ou mar) (HOBOLD, 1994). Sendo assim, a cidade e

seus equipamentos que formam o ambiente do homem se constituem em

um ambiente artificial, criado e recriado, sob a imposição de três fatores

civilizatórios: necessidades, aspirações e possibilidades (OLIVEIRA e

BRITO,1998).A cidade é formada em um primeiro momento através da

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apropriação do espaço pelos diferentes atores sociais que a compõem, sendo utilizado de maneiras diferentes e ao mesmo tempo ocorrendo a justaposição de alguns usos. A utilização das áreas define a localização do centro da cidade, das áreas comerciais, de prestação de serviços, de gestão, industriais, residenciais e também de lazer (CORREA, 2000). O autor assinala ainda que de certo modo estas áreas são normalmente delimitadas, porém, em função das mais diversas demandas e tendências devem sempre existir, no âmbito do território municipal, áreas para futura expansão.

Durante muitos séculos, o crescimento da cidade aconteceu no sentido centro para periferia (REIS, 2006). Este fato, também, pode ser observado em Araranguá até a década de 1970, quando seu desenvolvimento era concêntrico (AZEVEDO, 2004). A organização econômica e a capacidade de abastecimento definiam o número de habitantes. Além disso, havia distanciamento entre as cidades de alguns quilômetros. Neste espaço existia o campo, ou seja, a produção rural, e ao mesmo tempo as cidades eram muradas e bem delimitadas, não somente em termos governamentais, mas também de áreas de utilização.

Definiam-se muito bem o campo e a cidade como dois universos, porém interdependentes (ANTROP, 2004, REIS, 2006).

No decorrer da segunda metade do século XX (especialmente no período pós-guerra), em todos os continentes, ocorreu aumento dos índices de urbanização. As regiões em que os índices de natalidade eram baixos e a urbanização elevada, com isso havia maior estabilidade, foram motivos de atração para a migração da população rural. Essas metrópoles, que já estavam com urbanizações elevadas, se tornaram ainda mais adensadas, ou inchadas, impondo mudanças em suas estruturas (REIS, 2006).

Conforme WU (2010), 3% da superfície do solo da Terra são ocupados por mais da metade da população do planeta, formando assim as cidades. COHEN (2006) e WU (2010) argumentam que as cidades têm menor custo per capita de fornecimento de água potável, saneamento, energia elétrica, coleta de resíduos e de telecomunicações, e oferecem melhor acesso à educação, emprego, cuidados de saúde e serviços sociais.

No Brasil o crescimento urbano teve aumento expressivo, especialmente na segunda metade do século XX (de 1940 a 2000), quando as taxas de crescimento populacional giraram entorno de 81,2%

(MARICATO, 2002). ANTROP (2004) discute a diferença dos critérios

utilizados quanto à definição do espaço urbano. Compara França e

Portugal, onde o número de habitantes para que o espaço seja

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considerado urbano é respectivamente 2000 e 10.000 habitantes.

VEIGA (2002) ressalta que no censo do ano de 2000, no Brasil, foi considerada como urbana toda sede de município e de distrito, sejam quais fossem suas características (regra peculiar e única no mundo), inclusive, exemplificando com o município de União da Serra (RS), que totalizou 18 habitantes.

Junto ao crescimento urbano brasileiro acima citado constatou-se a grande necessidade de assentar a população quanto à residência, e também provê-la de postos de trabalho, transportes, saúde, energia e água, entre outros. Surge então o urbanismo moderno “à moda” da periferia, realizando-se obras de saneamento básico e embelezamento paisagístico. E com a legalização do mercado imobiliário capitalista, a população de baixa renda, que já residia nesses espaços, foi excluída do processo, sendo “expulsa” para os morros e franjas da cidade (MARICATO, 2002).

Segundo GUERREIRO (2000) e autores por ela citados, existem dois tipos de cidade. O primeiro diz respeito à cidade planejada, desenhada ou criada, e o segundo à cidade orgânica, que se forma por meio de uma série de intervenções realizadas ao longo do tempo em função das condições do terreno e de seus atributos naturais. A autora assinala ainda que o primeiro tipo de cidade é desenhado de uma só vez, sendo que seu traçado (até o século XIX) era composto por diagramas geométricos ordenados, enquanto que o segundo resulta das intervenções humanas decorrentes das condições do terreno. Na cidade planejada quem organiza é o homem, e na cidade orgânica é a natureza.

Porém, normalmente as cidades apresentam os dois tipos coexistindo.

Em Palmas (TO), conforme exemplifica TEIXEIRA (2009), ocorre a coexistência dos dois tipos de cidade (orgânica e planejada).No planejamento dessa cidade foi levado em consideração: a topografia, hidrografia, paisagem, disponibilidade de infraestrutura, entre outros.

Foram previstas várias áreas verdes, áreas de lazer e malhas de avenidas arteriais visando ao trânsito disciplinado. A estratégia de implantação do plano previu uma expansão controlada da urbanização. Porém, este planejamento foi logo rompido pelo governo estadual, segregando a população mais pobre e resultando em baixa densidade na ocupação do solo. O custo por habitação de urbanização ficou cinco vezes maior que o previsto.

A estrutura da cidade está impregnada de características

comportamentais do componente geológico, que determina os desenhos

do meio físico, de modo sutil ou ostensivo. Os conhecimentos de cada

cultura e época revelam que os assentamentos antigos ajustam-se aos

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fatores geoderivados, como a presença de água, a conformação do relevo, a natureza e a disponibilidade de materiais de construção. Até a metade do século passado ocorria moderada pressão de crescimento das cidades no Brasil, e com isso os melhores terrenos eram ocupados (OLIVEIRA e BRITO, 1998). A partir daí, o aumento contínuo da população abre espaço para os agentes sociais, tais como proprietários dos meios de produção, grandes industriais, proprietários fundiários, o Estado, promotores imobiliários e os grupos sociais excluídos desempenharem o papel de construir e reconstruir a cidade (CORREA, 2000).

Com o surgimento dos gestores da cidade e os reais promotores de sua expansão, práticas eivadas de vícios, equívocos e ilegalidades marcam a falência das políticas urbanas, como por exemplo obras com projetos-padrão, ou seja, não adequados à natureza dos terrenos (OLIVEIRA e BRITO, 1998).

Apesar de todo o conhecimento científico acumulado e da legislação específica (tanto no território brasileiro quanto em outras partes do mundo), o rápido crescimento das cidades com sua urbanização e industrialização tem causado significativa pressão sobre o meio físico urbano, com isso gerando poluição atmosférica, do solo e das águas, deslizamentos, enchentes, etc. (SILVA, COPQUE, GIUDICE, 2009, GUERRA, MARÇAL, 2009). Além disso, com a revolução industrial e agrícola a utilização de recursos naturais ficou mais intensa e com isso trouxe, quase sempre, consequências danosas ao meio físico urbano (GUERRA e MARÇAL, 2009).

FLORENZANO (2008) assinala que na Europa, com a urbanização rápida, muitos solos férteis foram esterilizados. Além disso, a importância da análise do relevo não deve se limitar somente à geomorfologia, mas outras ciências da terra, tais como rochas, solos, vegetação e água e, com isso, a fragilidade do meio ambiente para criar legislação de ocupação e proteção.

De forma semelhante, no Brasil ocorreu a ocupação rápida e desordenada, em especial a das encostas de morros, provocando movimentos de massa catastróficos. Sendo assim, fica demonstrada a necessidade do estudo e do avanço da geomorfologia urbana, para que a expansão das cidades não provoque desastres ambientais (GUERRA e MARÇAL, 2009).

Com a urbanização surgem os problemas, em que a classe social

menos favorecida é a principal envolvida. Relacionam-se à proximidade

do imóvel aos cursos d’água suscetíveis à inundação, das indústrias,

usinas, áreas de risco a desmoronamento e erosão. Assim sendo, os

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estudiosos de impactos ambientais atribuem pesos diferenciados à localização, distância, topografia, características geológicas, morfológicas, distribuição de terra, crescimento populacional, estruturação social do espaço urbano e processo de seletividade suburbana ou segregação espacial (GUERRA e CUNHA, 2006).

WU (2010) utiliza o termo urbanização da pobreza, quando cita que em muitas cidades do mundo o aumento da desigualdade social, pobreza, está relacionada à urbanização.

Com o intuito de atender à população, levando em consideração a distribuição desta, no território e condições de acessibilidade nos setores de saúde, educação, entre outros, houve a necessidade da criação de um instrumento básico de planejamento municipal para a implantação da política de desenvolvimento urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados, sendo este denominado plano diretor (NBR 12267/91).

Conforme resolução 34/2005, “o objetivo fundamental do plano Diretor é definir o conteúdo da função social da cidade e da propriedade urbana, de forma a garantir o acesso à terra urbanizada e regularizada, entre outros direitos”.

Nas décadas de 1960 e 1970 ocorreu no Brasil uma grande movimentação no sentido de se construir planos diretores, em função do repasse de verbas, na maioria das vezes pelo Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU), vinculada a estes (FELDMAN, 2005).

Na década de 1980, a intensa movimentação pela reforma urbana rendeu a Emenda Popular da Reforma Urbana na Constituição de 1988 e após muitas negociações e concessões a emenda popular resultou no capítulo da Constituição Federal Arts. 182 e 183, ficando instituído o novo papel para o Plano Diretor. Nesse momento são definidas então as exigências para o cumprimento da função social da propriedade urbana, e o plano diretor constituiu o instrumento básico para a política de desenvolvimento e expansão urbana, regulamentada por lei municipal (CYMBALISTA e SANTORO, 2009).

Em 10 de julho de 2001 surge o Estatuto da Cidade, cuja função

primordial foi a de instituir as diretrizes e instrumentos para o

cumprimento da função social da propriedade. O Estatuto da Cidade e a

Constituição redefiniram o Plano Diretor municipal, sendo que este se

tornou uma peça política, democraticamente construída, devendo

englobar o município com um todo, e não apenas as áreas urbanas

(PINTO, 2005).

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CARVALHO (2001) cita possíveis passos para elaborar o plano diretor de uma cidade, sendo fundamental: uma unidade de coordenação e uma unidade de consulta e/ou deliberação, que envolve um sistema de planejamento. A elaboração de planos diretores exige a atuação de profissionais de diferentes áreas do conhecimento atuando em processo de trabalho interdisciplinar.

Assim sendo, as intervenções do homem na paisagem geográfica, para a delimitação, implantação e expansão das cidades, precisam ser analisadas com maior amplitude, uma vez que a qualidade ambiental deve ser levada em conta desde o início do processo da urbanização (MINAKI e AMORIM, 2007). A preocupação com a disponibilidade de infraestrutura e de espaço físico para viabilizar o adensamento urbano não é suficiente, sendo necessário remeter-se à qualidade ambiental, às necessidades dos moradores tais como quantidade, qualidade e distribuição de espaços livres proporcionando ao cidadão o contato com a natureza, socialização e expressão cultural. (NUNES, 2011).

O planejamento das cidades e expansão controlada da malha urbana passa por estudos que devem envolver não só profissionais capacitados, mas também ferramentas e técnicas capazes de propiciar gerenciamento e soluções rápidas. Nesta linha de ação surgem os sistemas de informações geográficas (SIGs), os quais são sistemas integrados formados por hardwares, softwares e pelo elemento humano, cujo objetivo é obter, processar, manusear e armazenar dados georreferenciados (CAVALLI e GARCIA, 1999). A característica principal é focalizar o relacionamento de determinado fenômeno com sua localização espacial, analisar dados espaciais, não espaciais, temporais e na geração de informações correlatas (TEIXEIRA, MORETTI e CHRISTOFOLETTI, 1992).

LADWIG (2012) assinala que o SIG é uma ferramenta tão

completa que tornou seu uso fundamental nas mais diversas áreas a

partir de suas disciplinas principais: o geoprocessamento, sensoriamento

remoto, fotogrametria e cartografia, entre outras ciências, as quais

necessitam de informação referencialmente espacializadas. ZOCCHE,

CAMPOS, SCARPATO et.al. (2012) assinalam que a tecnologia dos

SIGs atingiu sua excelência em termos de funcionalidade, capacidade de

processamento, gerenciamento, armazenamento e análise de dados e,

pelo fato de esta tecnologia possibilitar a construção de cenários que

irão representar o sistema espacial, a gestão do território encontra nela

apoio, pois esta tecnologia permite a realização de todas estas ações em

uma só ferramenta.

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Segundo os autores acima citados, a praticidade da tecnologia SIG reside justamente no fato de que os seus bancos de dados podem ser continuamente alimentados, de modo a gerar mapas temáticos atualizados, através do cruzamento de diversos dados de uma mesma área física, materializando assim, por exemplo, o espelho das relações do homem com o seu ambiente.

ANTROP (2004) enfatiza as paisagens urbanas como sendo dinâmicas complexas e multifuncionais, sendo necessário, urgentemente, acompanhar as alterações destas através de análises de dados confiáveis, para uma boa tomada de decisão.

No planejamento da cidade, como citado anteriormente, devem ser abordados diversos fatores, entre eles a relação homem natureza, onde a vegetação é uma das formas representativas. MASCARÓ (2004) destaca que a formação de caminhos verdes no espaço urbano é de extrema importância, pois agem como termorregulador do microclima, atenuando os efeitos da radiação solar, umidade do ar, ação dos ventos e das chuvas, melhoria da qualidade do ar, além de proverem habitat à fauna, tornando a cidade um espaço mais agradável e menos desequilibrado do ponto de vista da biodiversidade.

Fatos que DOBBERT e VIANA (2012) mencionam como o princípio da Complementação Ecológica do Uso do Solo (CEUS), o qual recomenda o agrupamento de diferentes manchas verdes urbanas, através de corredores verdes, alargando com isso os habitats, melhorando a biodiversidade e a resiliência ambiental, que pode incluir o uso de quintais, jardins e ruas bem arborizadas.

Na cidade de Araranguá nas últimas décadas é perceptível a ampliação da malha urbana e rede viária. Observa-se que esta ampliação ocupa algumas vezes locais desfavoráveis, dentre elas áreas de cotas baixas, e outras áreas que antigamente eram consideradas úmidas atualmente em função de aterros estão sendo edificadas. Nestes locais, patologias estão visualmente presentes, como por exemplo, em rodovias.

Além disso, na ocorrência de enxurradas e consequentemente alagamentos, ocasionam transtorno e prejuízo à população residente e outros que utilizam estas áreas. Diante disso, fica o questionamento sobre quais são as implicações ambientais decorrentes destas atitudes antrópicas.

A elaboração de projetos e planos urbanísticos, assim como o

controle da expansão da malha urbana, deve incluir profissionais de

diversas áreas, além do cidadão comum. Acredita-se que a visão

interdisciplinar favoreça a projeção de ambientes urbanos, pois através

de diferentes olhares a construção do espaço urbano se aproxima da

(29)

orgânica, não na essência de desorganização, mas, sim, se torna mais

humanizado.

(30)

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar as mudanças espaço-temporal ocorridas no perímetro urbano da cidade de Araranguá, SC, como consequência do processo de crescimento populacional no período de 1957 a 2010, e as implicações socioambientais decorrentes destas, com base em uma abordagem interdisciplinar.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Mapear o uso e cobertura da terra do perímetro urbano do município de Araranguá (sede), em três diferentes épocas: ano de 1957, ano de 1978 e ano de 2010, e quantificar as mudanças ocorridas nas formas de uso e cobertura da terra;

 Analisar a expansão temporal do perímetro urbano da cidade de Araranguá (sede) sobre as áreas naturais (áreas de preservação permanentes: áreas de nascentes, áreas úmidas, áreas sujeitas a alagamentos em consequência de enxurradas), no período de 1957 a 2010;

 Apontar com base na análise das informações

geográficas (planialtimetria, drenagens, áreas de

nascentes e áreas úmidas) os locais propícios, do ponto

de vista geológico, à futura expansão territorial do

perímetro urbano de Araranguá.

(31)

3 METODOLOGIA

3.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O município de Araranguá, com área de aproximadamente 304 km², se situa no extremo sul de Santa Catarina, sua sede está localizada nas coordenadas 28º56’6” S, 49º29’9”W (Figura 1), a área central está a uma altitude de 13 m em relação ao nível do mar (IBGE, 2010).

Figura 1- Localização do município de Araranguá (SC). Em detalhe, na cor amarela, a localização do município em relação aos municípios vizinhos e no interior do polígono do município, na cor vermelha, se encontra o polígono da área urbana atual.

Fonte: Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (2006),

modificado para a condição atual de 2014.

(32)

3.2 DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O clima de Araranguá segundo a classificação climática de Köeppen (1948) é enquadrado como Cfa, clima subtropical constantemente úmido e sem estação seca definida. A temperatura média anual normal varia de 17 a 19,3ºC e a média normal das máximas varia de 23,4 a 25,9ºC e das mínimas de 12,0 a 15,1ºC. A precipitação pluviométrica total anual pode variar de 1.220 a 1.660 mm com total anual de dias de chuva variando de 102 a 150. A umidade relativa do ar pode apresentar variação de 81,4% a 82,2% (EPAGRI, 2001).

O município está inserido nos domínios das unidades geológicas Planície Colúvio - Aluvionares e Planícies Litorâneas. A Unidade Planície Colúvio – Aluvionares corresponde à superfície plana, rampeada suavemente para leste e em alguns trechos descontínua, posicionada entre as Planícies Litorâneas a leste e os relevos da Região Geomorfológica Planalto das Araucárias a oeste. A Unidade Planície Costeira desenvolveu ao longo de sua história formações do tipo laguna- barreira, cujos depósitos mais antigos correspondem ao Pleistoceno superior e os mais recentes ao Holoceno. Destaca-se também, nesta Unidade, a presença de elevações isoladas, denominadas de embasamento indiferenciado (MACHADO, 2005).

No que diz respeito à origem de deposição, a área pode ser enquadrada como de transição entre influências continentais e marinhas.

Nas áreas de influência continental predominam os modelados planos ou convexizados resultantes de convergência de leques coluviais de espraiamento, cones de dejeção ou concentração de depósitos de enxurradas nas partes terminais de rampas de sedimentos. Nas áreas de influência marinha predominam os extensos depósitos arenosos de origem marinha com retrabalhamento eólico (EPAGRI, 2001).

Do ponto de vista geomorfológico a área do município é caracterizada pela presença de uma vasta planície, apresentando isoladamente elevações de origem ígnea ou mesmo feições sedimentares fanerozóicas, as quais se destacam na paisagem formando morros testemunhos, ocasionando contrastes altimétricos acentuados. Ocorrem ainda formas de topo plano ou baixos tabuleiros de alturas variáveis, girando em torno de 10 m na Planície Costeira e alcançando em alguns terraços inferiores próximos das elevações testemunhas de 30 a 80 m de altitude (SANTA CATARINA, 1991, PORTO FILHO, 2001).

O sistema hidrográfico tem como seu principal representante o

rio Araranguá, o qual denomina a própria bacia hidrográfica. Esta bacia

drena uma área aproximada de 3.020 km², cujas nascentes ocorrem nos

(33)

contrafortes da Serra Geral, limitando-se ao norte com o Rio Grande do Sul. É formada por duas grandes sub-bacias: a sub-bacia do rio Itoupava e a sub-bacia do rio Mãe Luzia, as quais se fundem bem próximo à cidade de Araranguá, quando passam a formar o rio que a denomina, desembocando no Oceano Atlântico (ALEXANDRE, 1999, 2000).

A partir da cidade de Araranguá, se assume como um rio típico de planície apresentando um canal meândrico com trechos retilíneos.

Nesta parte da bacia há diversas lagoas, sendo aqui salientado o aspecto socioeconômico de algumas, tais como: do Caverá, dos Esteves, do Faxinal, Mãe Luzia, da Serra, dos Bichos e do Rincão (EPAGRI/UNESC, 1997, DANTAS, 2005).

Os solos do município de Araranguá, de acordo com a Classificação Brasileira de Solos (EMBRAPA apud EPAGRI, 2001) são principalmente dos tipos: Neossolos Quartzarênicos, Gleissolos (Húmico e Pouco Húmico), Argissolos e Organossolos. Os Neossolos Quatzarênicos e os Organossolos ocorrem predominantemente junto à Planície Costeira, os Gleissolos estão distribuídos junto à planície de inundação do rio Araranguá, os Argissolos ocorrem juntos às elevações oriundas de morros testemunhas (EPAGRI, 2001).

A cobertura vegetal era originalmente representada pela Floresta Ombrófila Densa, ocorrendo do mar para o continente as Formações Pioneiras ou Restinga (herbácea, herbáceo-arbustiva, Arbustivo-Arbórea e Arbórea), a Floresta das Terras Baixas (com suas respectivas variações – Floresta ao Longo das Lagoas, Floresta sobre Solos Bem drenados e Florestas sobre Solos Mal Drenados) e a Floresta Ombrófila Densa Submontana (TEIXEIRA, NETO, PASTORE et al., 1986). Atualmente, a cobertura vegetal do município encontra-se representada por fragmentos remanescentes da cobertura original, como resultado das atividades antrópicas desenvolvidas a partir da colonização.

Entre 1727 e 1730 tropeiros provenientes de Viamão e Rio Grande/RS que se dirigiam a Laguna paravam na região de Araranguá em busca de descanso periódico, de abrigo para as cargas, e além de tropeiros viajantes, também utilizavam esta região para pernoites. Com isso, deu-se o início de ocupação da área (PIAZZA, 1982, HOBOLD, 1994). Em Pouso Capão da Espera, como era chamado o vilarejo, os moradores viviam da agricultura de subsistência, da exploração da madeira, da pecuária e do comércio voltado ao atendimento dos tropeiros (HOBOLD, 1994).

O surgimento e desenvolvimento do município se deu a partir da

publicação da lei Provincial nº 272, de 4 de maio de 1848, que criou a

Freguesia de Nossa Senhora Mãe do Homens, subordinada à Câmara

(34)

Municipal de Laguna. A comissão de moradores da região nomeada pelo governo da Província escolheu como local para a instalação da sede da Freguesia a comunidade de Campinas, a qual estava localizada às margens do rio Araranguá, próximo à atual Praça Hercílio Luz [grifo meu].

Em função do cultivo de cana-de-açúcar ter desaparecido, o topônimo Campinas foi substituído pelo nome do rio que banha a cidade, Araranguá. A Lei nº 901, de 3 de abril de 1880, elevou a Freguesia à categoria de município, o qual contava à época com uma população de 10.730 habitantes (DALL’ALBA, 1997, HOBOLD, 1994).

Em 1886, o projeto de arruamentos, com ruas e avenidas largas, simétricas e retilíneas, elaborado pelo engenheiro Antônio Lopes Mesquita, foi implantado na cidade. Aqui se identificam, então, características de cidade planejada (HOBOLD, 1994). A partir da década de 1970, os loteamentos surgiram na periferia da cidade, criando novos bairros, sendo que estes não seguiam o planejamento projetado pelo engenheiro Mesquita (AZEVEDO, 2004). Este fato caracteriza a coexistência dos dois tipos de cidade, conforme citado anteriormente.

Em 1981 foi aprovado o Plano Diretor da cidade, com a tentativa de controlar o processo de distribuição do solo, pois na época eram aprovados inclusive loteamentos de forma precária (PIMENTA, 2012).

Com a previsão de população de 64.405 hab. (ano 2014), a economia do município está calcada na produção agrícola, na indústria, na prestação de serviços e no turismo (IBGE, 2010).

3.3 PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO E ANÁLISE DE DADOS

O delineamento das atividades envolvidas no presente estudo envolveu os seguintes procedimentos: a delimitação da área de estudo e das épocas a serem analisadas; aquisição de bases cartográficas e imagens aéreas das datas de 1957, 1978 e 2010; delineamento metodológico e processamento dos dados.

Foram definidos os anos de 1957, 1978 e 2010 para análise da

expansão do perímetro urbano do município de Araranguá sobre as áreas

naturais, em função da disponibilidade de fotografias aéreas. Foi

definido ainda que o mapeamento do uso e cobertura da terra no âmbito

do perímetro urbano do município de Araranguá partiria da área

ocupada pela malha urbana no ano de 2010 e a partir desta área física

seria efetuado o mapeamento nos anos de 1957 e de 1978.

(35)

A construção da base de dados georreferenciados e o processamento em ambiente SIG foram executados por técnicos do Setor de Arqueologia do Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas – IPAT/UNESC, sob a supervisão da mestranda, sendo utilizados os softwares: ArcGIS 10.1 e ArcScene, ambos produzidos por ESRI. Após o processamento e geração dos mapas temáticos, efetuou-se a análise dos produtos de modo a cumprir os objetivos definidos na pesquisa.

Os procedimentos para a determinação do uso e cobertura da terra no âmbito da malha urbana do município de Araranguá (sede) envolveram as seguintes etapas: 1 - georreferenciamento das fotografias aéreas (escala de voo de 1:30.000 e 1:25.000, anos de 1957 e 1978, respectivamente); 2 - elaboração de mosaicos não controlados (para os anos de 1957 e 1978 (Apêndices A e B, respectivamente); 3 - elaboração de ortofocarta composta por fotografias aéreas na escala original de 1:30.000, datadas de 2010 (Apêndice C), ortorretificadas, georreferenciadas e restituídas para a escala 1:25.000 (o erro aproximado na ortorretificação foi de 8 m); 4 - individualização dos polígonos com a digitalização em tela de computador (para as três datas analisadas); 5 - identificação e classificação das formas de uso e cobertura da terra (para as três datas analisadas); 6 - cálculo da área ocupada pelas diferentes classes (para as três datas analisadas); 7 – elaboração do mapa de solos, cuja base cartográfica foi o Mapa de Solos da Unidade de Planejamento Regional Litoral Sul Catarinense – UPR8 (escala 1:250.000), produzido por EPAGRI (2001); 8 – Elaboração do mapa geológico, cujas bases cartográficas foram o Mapa Geológico da Bacia do Rio Araranguá, escala 1:100.000 (KREBS, SCHEIBE, GOMES, 2004), e o Mapa Geológico do Quaternário Costeiro do Estado do Paraná e Santa Catarina, escala 1:200.000, produzido por Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM (1988); 9 – a elaboração do Modelo Digital do Terreno (MDT), produzido a partir dos pontos cotados lançados sobre a ortofotocarta (escala original de 1:30.000), datada de 2010, ortorretificada, georreferenciada e restituída para a escala 1:25.000, e 10 – elaboração do mapa de áreas propícias à expansão do perímetro urbano, produzido a partir do cruzamento das informações do mapa geológico, com as informações sobre o perímetro urbano do município de Araranguá em 2010 e com a rede hidrográfica obtida das folhas SH-22-X-B-IV-3 - 2940-3 (Araranguá) e SH-22-X-A- VI-4 – 2939-4 (Turvo) escala 1: 50.000.

Para definição das diferentes classes de uso e cobertura da

terra foi adotada a mesma nomenclatura proposta por CAMPOS (2010),

(36)

modificado e adaptado à realidade do presente estudo, conforme a tabela 1.

Tabela 1 - Número de identificação, denominação e descrição das classes de uso e cobertura da terra, identificadas na área de abrangência da área estudada.

N. da

Classe Denominação das Classes Descrição da Classe

1 Malha urbana e Rede Viária Área urbanizada, caminhos, estradas não pavimentadas e pavimentadas

2 Agricultura Culturas de sequeiro (milho, feijão, laranja etc.) e de arroz irrigado

3 Campo Antrópico Pastagens antrópicas e plantios de Brachiaria spp.

4 Silvicultura Plantios de Eucalyptos spp. e Pinus spp 5 Vegetação Arbustiva-arbórea

Secundária

Vegetação secundária arbustiva-arbórea, conforme descrevem Teixeira et al. (1986)

6 Áreas Úmidas

Áreas situadas abaixo da cota 2,0 m acima do nível do mar, que se encontram na zona de contato entre as formações geológicas dos Depósitos Fluviolagunares (QHfl), Depósitos Praiais Marinhos e Eólicos (QPb) 7 Corpos d’água Rios, lagoas, açudes artificiais

A classe 3, denominada de Campo antrópico, reuniu todas as áreas cobertas por vegetação herbácea rasteira, a qual imprimia nas imagens uma reflectância semelhante aos campos nativos. Cabe aqui ressaltar que na região não ocorre campo nativo (TEIXEIRA et al, 1986). Conforme HOBOLD (1994), as pastagens existentes na região de Araranguá são posteriores às roçadas de capoeiras, estas substituíram a floresta virgem, que havia sido derrubada. A área caracterizada como campo antrópico provém de áreas anteriormente ocupadas por mata nativa.

Para efeito de mapeamento, segundo observação no Mapa

Geológico da Área de Estudo, há maior percentual de ocorrência de

depósitos Fluviolagunares a partir de 2 Km do contorno do perímetro

urbano de 2010, ficando assim estabelecido esta medida com sendo o

buffer de estudo para a definição das áreas propícias à expansão do

perímetro urbano (com base na geologia da área). Foram lançadas sobre

a malha hidrográfica da área estudada as áreas de preservação

permanentes (APPs) dos rios e lagoas conforme a Lei n. 12.651, de 25

de maio de 2012 (BRASIL, 2012). Os limites de ocorrência dos

Depósitos Praiais Marinhos e Eólicos (QPb) e dos Depósitos

Fluviolagunares (QHfl), os quais foram tomados respectivamente, como

formações geológicas propícias e impróprias à instalação de construções

civis. O produto gerado esboça as áreas favoráveis à expansão do

perímetro urbano, do ponto de vista geológico.

(37)

Foi efetuada também a leitura de três sondagens,do tipo Standard

Penetration Test (SPT), executadas e fornecidas pela empresa

SONDASUL, utilizadas como base de dados técnicos, de resistência dos

solos, para a construção de edifícios. A localização das sondagens

relaciona a aproximação das edificações à área de contato entre os

depósitos sedimentológicos QHfl e QPb. Estas estão localizadas nos

bairros: Alto Feliz próximo ao Açude Belizoni (647544,27E,

6797249,64S) SP 01 (Anexo A); (647515,38 E, 6799723,29S) SP 02

(Anexo B) e; (647517,34E, 6797255,84S) SP 03 (Anexo C); Centro,

próximo a parte mais baixa da Av. Sete de Setembro (647363,07 E,

6797922,85S) (Anexo D) e; Vila São José (648344,88E, 6799125,73S)

SP 01 (Anexo E) e; (648356,90E, 6799121,33S) SP-02 (Anexo F).

(38)

4 RESULTADOS

A escala e a qualidade das fotografias aéreas analisadas (Apêndices A, B e C) permitiu a identificação de seis classes de uso e cobertura da terra para o ano de 1957 e de sete para os anos de 1978 e 2010, as quais se encontram representadas na Tabela 2, na figura 2 e em melhor detalhe nos apêndices D, E e F. No ano de 1957 não foi possível perceber a presença da classe silvicultura na área estudada, classe essa que nitidamente aparece nos anos de 1978 e 2010, em decorrência da sua localização e do formato geométrico (geralmente retangular, trapezoidal ou de quadrado) que assume na paisagem.

A evolução da área ocupada (em ha) pela malha urbana e rede viária no perímetro urbano do município de Araranguá, assim como a evolução e/ou a retração (em ha) das demais classes de uso e cobertura da terra, identificadas nas três datas analisadas (1957, 1978 e 2010), encontram-se sintetizadas na tabela 2.

Tabela 2 – Classes de uso e cobertura da terra, área ocupada (ha) e percentual de contribuição de cada classe nas três datas analisadas (1957, 1978 e 2010) em relação aos 2899,67 ha ocupados pelo perímetro urbano do município de Araranguá, SC, em 2010.

Classes de uso e Cobertura da terra

Área ocupada (ha) e Percentual de Contribuição (%)

1957 1978 2010

ha % ha % ha %

1. Malha Urbana e Rede Viária 203,63 7,02 472,11 16,28 1408,91 48,59

2. Agricultura 1780,52 61,40 910,93 30,77 391,59 13,59

3. Campo Antrópico 182,09 6,28 771,11 26,29 634,34 21,88

4. Silvicultura - 0,00 114,22 4,89 118,38 4,08

5. Vegetação Arbustiva-Arbórea Secundária

221,35 7,63 267,71 9,23 88,03 3,04

6. Áreas Úmidas 466,08 16,07 322,11 11,11 217,99 7,52

7. Corpos d’Água 46,00 1,59 41,51 1,43 40,54 1,40

Total 2899,67 100,00 2899,70 100,00 2899,67 100,00

A análise da tabela 2 evidencia que a malha urbana sofreu um

incremento na ordem de 691,89%, ou seja, passa de 203,63 ha (em

1957) para 1.408,91 (em 2010); as áreas agrícolas sofrem uma redução

na ordem de 455% de 1957 para 2010; a classe campo antrópico

aumentou na ordem de 348,36%, passando de 182,09 ha em 1957 para

634,34 ha em 2010. A silvicultura, que não está representada em 1957,

aparece em 1978 com 4,89% da área mapeada e mantém sua

representatividade em 2010. A classe vegetação arbustiva-arbórea

secundária e as áreas úmidas sofreram uma drástica redução de 1957

para 2010, na ordem de, respectivamente, 251,44% (221,35 para 88,03

(39)

ha) e de 213,81% (466,08 para 217,99 ha); enquanto os corpos d’água permanecem praticamente inalterados, com uma leve redução de 1957 para 2010, na ordem de 12%.

No ano de 1957 (Figura 2, Apêndice D e Tabela 2) a classe de uso e cobertura da terra dominante era a classe 2 – Agricultura; seguida pela classe 6 – Áreas Úmidas; classe 5 – Vegetação Arbustiva-Arbórea Secundária; classe 1 – Malha Urbana e Rede Viária e classe 3 – Campo Antrópico. No ano de 1978 (Figura 2, Apêndice E e Tabela 2) a classe de uso e cobertura da terra dominante ainda era a classe 2 – Agricultura;

seguida pela classe 3 – Campo Antrópico; classe 1 – Malha Urbana e Rede Viária; 6 – Áreas Úmidas e classe 5 – Vegetação Arbustiva- Arbórea Secundária. No ano de 2010 (Figura 2, Apêndice F e Tabela 2), observam-se mudanças drásticas, quando a classe de uso e cobertura da terra dominante passou a ser a classe 1 – Malha Urbana e Rede Viária;

seguida pela classe 3 – Campo Antrópico; classe 2 – Agricultura; classe

6 – Áreas Úmidas e classe 4 – Silvicultura.

(40)

Figura 2- Evolução da malha urbana da cidade de Araranguá no período de 1957 a 2010 (cor vermelha) sobre as demais classes de uso e cobertura da Terra.

No canto esquerdo superior encontra-se a imagem do ano/1957 e no canto direito inferior a imagem do ano/2010.

A síntese da evolução temporal da malha urbana e rede viária

associada (classe 1) e do campo antrópico (classe 3), bem como a

retração das áreas agrícolas (classe 2), das áreas úmidas (classe 6) e da

vegetação arbustiva – arbórea secundária (classe 5) que cederam espaço

para o crescimento da cidade de Araranguá, encontra-se esboçada na

figura 3. Observa-se nessa síntese que nitidamente a malha urbana

evidenciou um crescimento contínuo e de forma aproximada à

(41)

exponencial, enquanto que as áreas úmidas (classe 6) as formações de vegetais nativas (classe 5) e as áreas agrícolas (classe 2) perdem linearmente suas representatividades. O campo antrópico mostrou um aumento de 1957 para 1978 e diminuiu em 2010 em relação a 1978, mas no quadro geral evidenciou igualmente a malha urbana um crescimento que se aproxima do geométrico.

Figura 3- Evolução temporal da malha urbana e rede viária sobre as demais classes de uso e cobertura da terra no município de Araranguá entre 1957, 1978 e 2010.

O mapeamento geológico (Figura 4) efetuado com base nas fontes consultadas levou à identificação de três unidades litológicas que são os Depósitos Fluviolagunares (QHfl), Depósitos Praiais Marinhos e Eólicos (QPb) e a Formação Rio do Rastro (PTRrr), as quais ocupam, respectivamente, 19,10%, 79,21% e 1,69% do perímetro urbano de 2010 da cidade de Araranguá. A descrição da sequência das duas primeiras unidades litológicas pode ser encontrada nas sondagens que foram analisadas e se encontram nos anexos - A a F.

O mapeamento de solos (Figura 5) efetuado na escala de 1:250.000 permitiu a identificação da ocorrência de cinco classes de solos: Neossolos - Areia Quartzosa (AQd); Neossolos - Areia Quartzosa Marinha (Aa2); Argilossolo - Podzólico Vermelho Amarelo (PVa6);

Nitossolos - Solos Orgânicos (HOd) e Gleissolos – Glei Pouco Húmico (HGPd5). Observa-se que predominam os Neossolos – Areia Quartzosa.

0 10 20 30 40 50 60 70

Ano 1957 Ano 1978 Ano 2010

% de r epr es ent at iv idade

Períodos Analisados

Áreas Úmidas Malha Urbana e Rede Viária

Agricultura Campo Antrópico vegetação secundária Linear (Áreas Úmidas) Exponencial (Malha Urbana e Rede Viária) Linear (Agricultura )

(42)

Figura 4 - Mapa Geológico da área de estudo.

(43)

Figura 5- Mapa de solos da área de estudo.

(44)

O Modelo Digital do Terreno (Figura 6 ) revela que a variação altimétrica da superfície oscilou entre 2,0 metros, junto às áreas mais baixas, a 80-90 m junto aos topos dos morros, evidenciando que mais de 50% da área do perímetro urbano do município encontra-se nas classes de altitude de 20 a 30 m. Observa-se ainda que os restantes estão localizados abaixo da cota 10 m, sendo que destes praticamente metade encontra-se nas cotas mais baixas (até 5,0 m).

O cruzamento do mapa geológico com as informações sobre o

perímetro urbano do município de Araranguá em 2010 e com a rede

hidrográfica (Figura 7) nos mostra as áreas propícias à expansão urbana

segundo as características geológicas, ocorrência de áreas de nascentes,

áreas úmidas e APPs (Áreas de Preservação Permanente) definidas por

Lei.

(45)

Figura 6- Modelo Digital do Terreno da área estudada.

(46)

Figura 7– Mapa de áreas propícias à expansão urbana do ponto de vista geológico, ocorrência de áreas de nascentes, áreas úmidas

e APPs definidas por Lei

(47)

5 DISCUSSÃO

Na América Latina, na década de 2010, 84% da população humana já vivia no ambiente urbano (CUNHA, 2010). O Brasil, assim como muitos outros países emergentes, tem experimentado nas últimas décadas, especialmente no período imediato ao Pós-Guerra, um acelerado crescimento urbano (BAENINGER, 2010, CUNHA, 2010, SILVA e LIMA, 2013).

Conforme PEREIRA (2011) e os autores por ela citados, a evolução populacional brasileira foi na ordem de 188,19% da década de 1940 para a década de 1980. O destaque é para o crescimento da população urbana durante essas quatro décadas que se ampliou em 653,03%, ou seja, enquanto a população total triplicou a população urbana cresceu na ordem de sete vezes e meia, corroborando com (MARICATO 2002, MOURA e NUCCI, 2009).

A inversão das proporções entre a população rural e a urbana é sinalizada a partir da década de 1970, como consequência do processo acelerado de industrialização do Brasil, quando se verifica que 19% da população habitam áreas rurais e 81% as áreas urbanas, de acordo com censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2000. Nesse mesmo período, no estado de Santa Catarina, a população humana que vive em cidades atinge 78,75% do total populacional. Associados ao crescimento urbano surgem os problemas ambientais, sendo que os fatores causadores são basicamente:

uso e ocupação desordenada do solo, crescimento da malha urbana sem um planejamento técnico e a falta de infraestrutura (PEREIRA, 2011).

O deslocamento da população rural para área urbana na cidade de Araranguá foi verificado por AZEVEDO (2004), BRITO (2009), SHEIBE, BUSS, FURTADO, (2010), ESTEVAM, SALVARO e JORGE (2012). PIAZZA (1982) apresenta a população urbana de 1950 e 1970, que implica em acréscimo de 284,18%. No presente estudo, a partir da década de 1957 a 2010 foi verificado o aumento da área ocupada pela malha urbana e rede viária de 690%, o que implica diretamente o aumento da população humana (PEREIRA, 2011).

ANTROP (2004) e os autores por ele citados mencionam a

urbanização como sendo um processo complexo na mudança de estilos

de vida, rural para urbana, demonstrando o crescimento desta, quase que

exponencial, a partir do final do século XIX, corroborado por COHEN

(2006). Este fato também foi verificado no presente estudo, entre as

décadas de 1957 e 2010, onde se percebeu o crescimento da malha

(48)

urbana e rede viária de forma semelhante ao citado por ANTROP (2004) e COHEN (2006).

As relações estabelecidas entre o homem e seu ambiente imediato materializam-se através da exploração dos recursos naturais que refletem o uso e a cobertura da terra, configurando as paisagens. O uso da terra resulta em um mosaico de formas regulares e irregulares na paisagem, que são perceptíveis segundo a escala de observação e o observador. As feições impressas na paisagem revelam assim o modus vivendi de uma certa população em um determinado tempo e espaço.

Diante dos fatores, necessidades, aspirações e possibilidades, que são necessários na formação de uma cidade, as áreas que melhor contemplam estes três fatores são consideradas nobres.

As mudanças nas classes de uso e cobertura da terra do município de Araranguá, ao longo do período estudado, apresentadas na tabela 2 e sintetizadas na figura 3, retratam de modo geral o comportamento humano. No decorrer do processo de implantação e de crescimento das cidades, as áreas mais nobres são ocupadas, e à medida que a população aumenta a malha urbana avança sobre outras áreas.

Neste estudo percebe-se a atitude tomada pelo homem, em

executar drenagem dos terrenos úmidos, provocando assim

rebaixamento do lençol freático. A cobertura vegetal é então substituída

por aquelas menos tolerantes à saturação, ou seja, vegetação campestre,

ainda que antrópica. Na sequência, a malha urbana invade e suplanta as

áreas úmidas. Observa-se com isso a implicação da ampliação horizontal

da malha urbana e rede viária sobre áreas úmidas, representada na figura

8.

(49)

Figura 8- Fluxograma da discussão, de forma interdisciplinar, da expansão urbana da cidade de Araranguá/SC e suas implicações em consequência do avanço da malha urbana e rede viária sobre as áreas úmidas.

Os dados evidenciam o incremento da área de vegetação arbustiva-arbórea (classe 5, Tabela 2) do ano de 1957 para 1978. A partir de 1978 a malha urbana de Araranguá passou a ocupar os espaços até então caracterizados como áreas de campos antrópicos (classe 3), agricultura (classe 2) e vegetação nativa (classe 5), conforme representado na figura 19, comportando-se como outras cidades

Ampliação Horizontal

Nascentes Agricultura/

Campo Antrópico Áreas Úmidas

Baixas Cotas

Segregação Social Patologias em

Construções/

Rodovias Impermeabilização

Alagamentos/

Enxurradas Vegetação

Bacia de Recarga

Bacia de Captação

Ampliação Vertical

Contaminação de Lençol Freático

Ilhas de Calor

Expansão Urbana de Araranguá (SC)

Solos Moles

Referências

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