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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ^CORDÃO/DECISÃO MONOCRAT1CA
REGISTRADOS) SOB N»
ACÓRDÃO IIHIII Hlll III | | I I lllll || | llll III
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração n° 0037533-47.2010.8.26.0000/50000, da Comarca de São Paulo, em que é embargante FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO sendo embargado DANIEL RODRIGUES COUTINHO.
ACORDAM, em Órgão Especial do Tribunal de Justiça
de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "ACOLHERAM OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E DENEGARAM A ORDEM. V.U.", de conformidade com o voto do(a) Relator(a), que integra este acórdão.
O julgamento teve a participação dos Desembargadores REIS KUNTZ (Presidente, SEM VOTO), MUNHOZ SOARES, SOUSA LIMA, BARRETO FONSECA, CORRÊA VIANA, CARLOS DE CARVALHO, LUIZ PANTALEÃO, JOSÉ ROBERTO BEDRAN, MAURÍCIO VIDIGAL, WALTER DE ALMEIDA GUILHERME, LAERTE SAMPAIO, ANTÔNIO CARLOS MALHEIROS, ARMANDO TOLEDO, JOSÉ SANTANA, JOSÉ REYNALDO, ARTUR MARQUES, CAUDURO PADIN, GUILHERME G. STRENGER, RUY COPPOLA, BORIS KAUFFMANN, CAMPOS MELLO, ROBERTO MAC CRACKEN, GUERRIERI REZENDE e SAMUEL JÚNIOR.
São Paulo, 02 de fevereiro de 2011.
RENATO NALINI
E M B A R G O S D E DECLARAÇÃO N° 9 9 0 . 1 0 . 0 3 7 5 3 3 -4 / 5 0 0 0 0 - SÃO PAULO
E m b a r g a n t e : FAZENDA D O E S T A D O D E SÃO PAULO E m b a r g a d o : D E S E M B A R G A D O R RELATOR
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
RECURSO INICIALMENTE JULGADO PREJUDICADO NOS TERMOS DO JULGAMENTO DO MI 168.151.05/5-00. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA AFASTAR A OMISSÃO, VEZ QUE EFETIVAMENTE NÃO SE APLICA NEM O ART. 40, § 4o, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NEM O ART. 126, § 4o, DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL
PARA O CASO DOS MILITARES.
MANDADO DE IN JUNÇÃO. APOSENTADORIA ESPECIAL. QUESTÃO
QUE NÃO SE ENQUADRA NAQUELA JÁ DECIDIDA NOS MI 168.151.0/5-00,
168.146-0/2-00 E 168.143-0/9-00. SITUAÇÃO DIVERSA GERADORA DA DENEGAÇÃO DO WRIT. PRECEDENTES DO COLENDO ÓRGÃO ESPECIAL DO TJSP.
Embargos de declaração acolhidos, denegada a ordem.
O policial militar do Estado de São Paulo já é beneficiado com regime diferenciado, desde a edição do DL 260/ 70, que leva em consideração as peculiaridades de um exercício funcional merecedor de singular tratamento normativo. Inviável a
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miscigenação desse regime com outros também diferenciados, de maneira a acrescentar outros benefícios, além daqueles que o sistema já reservou à milícia.
Vistos etc.
Embarga de Declaração a FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO a sustentar, em s u a s razões,1 omissão quanto à inadmissibilidade de aplicação do artigo 40, § 4o, da Constituição Federal e do artigo 126, § 4o, da Constituição Estadual para os policiais militares estaduais. Diante desses pontos, pugna pela reforma do Acórdão2 e pelo prequestionamento da questão.
Instado a se manifestar, 3 o impetrante ofereceu resposta.4
É u m a síntese do necessário.
Os embargos de declaração devem ser acolhidos para suprimir a omissão apontada pela FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO.
Impetrou DANIEL RODRIGUES COUTINHO o presente mandado de injunção contra o Governador do Estado de São Paulo, com fundamento no artigo 5o, inciso LXXI da Constituição da República e artigo 126 e seus parágrafos da Constituição de São Paulo.
Aduziu que, n a condição de policial militar do Estado, passou a fazer j u s ao adicional de insalubridade em seu grau máximo, ou seja, 40%, a partir da vigência da Lei Complementar 432, de 18.12.1985. Teria direito à
1 Embargos de Declaração às fls. 95/110 dos autos 2 Acórdão às fls. 89/92 dos autos
3 Despacho às fls. 112 dos autos
4 Manifestação sobre os Embargos às fls. 115/116 dos autos
reforma especial que ainda não sobreveio ante a omissão do Governador do Estado.
Entendeu-se, de início, que a hipótese fosse idêntica à dos autos do similar 168.151.0/5-00, relatado pelo erudito Desembargador ANTÔNIO CARLOS MATHIAS COLTRO, onde a questão fora decidida, à luz do precedente julgado no S T F - MI 721/DF.
Nada obstante, estudo mais acurado permitiu se distinguisse a situação em pauta.
Os militares do Estado de São Paulo j á foram contemplados por condição especial para inativação voluntária. Nisso, obtiveram tratamento diferenciado em relação a todos os demais funcionários públicos desta unidade federativa.
Os militares do Estado j á possuem
aposentadoria especial, que leva em consideração a s s u a s
condições especiais de trabalho. Não se subordinam, portanto, às exigências feitas pelos parágrafos Io a 3o do artigo 40 da Carta Republicana, que impõem, para a aposentadoria voluntária, tempo mínimo de 10 anos de efetivo exercício no serviço público e 5anos no cargo efetivo em que se obterá o benefício, 60 anos de idade e 35 de contribuição, se homem e 55 de idade e 30 de contribuição, se mulher.
As regras para a inativação dos militares estaduais, estabelecidas no Decreto-Lei 2 6 0 / 7 0 , constituem sistema harmônico e insuscetível de miscigenação com outros regimes. Há peculiaridades que não incidem sobre outras carreiras, quais o tempo de permanência na mesma graduação.
Todo o regramento diferenciado evidencia que o sistema j á considerou as peculiaridades das atividades exercidas pelos milicianos. Daí a inviabilidade de se beneficiarem também de outras exceções, incidentes sobre situações diversas.
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Se todo o funcionalismo b a n d e i r a n t e pode se beneficiar d a decisão e n t ã o proferida n a i n j u n ç ã o colacionada, o miliciano e s t á excepcionado. Assim j á se decidiu n e s t e Órgão Especial, n o s MI 137.875 e 2 3 1 . 1 2 5 , r e l a t a d o pelo eminente D e s e m b a r g a d o r EROS PICELI, cujo voto merece parcial r e p r o d u ç ã o :
A Previdência Social, pela Constituição Federal de 1988, está compreendida no sistema denominado Seguridade Social, junto com a Saúde e a Assistência Social. Confira-se o art. 194 da
Constituição Federal.
De lado os dois outros subsistemas, Saúde e Assistência, que aqui não interessam, a Previdência Social, no Brasil,
é dividida em três grandes regimes: o Regime Geral de Previdência Social, do art. 201 da Constituição Federal, que alcança os trabalhadores em geral, como contribuintes obrigatórios, e outras pessoas, como facultativos; o Regime Previdenciário Próprio de
Servidor, do art. 40, que abrange apenas os servidores civis e ocupantes de cargos efetivos, como contribuintes obrigatórios; o Regime Previdenciário dos Militares, do art. 142 § 3o inciso X,
aplicável aos policiais militares dos Estados em razão do art. 42 também da Constituição Federal.
As aposentadorias do regime geral (trabalhadores comuns) são quatro: tempo de contribuição (35 e 30 anos, homem e mulher respectivamente), idade (65 e 60 anos, homem e mulher, 60 e 55 anos, respectivamente, se trabalhador rural), especial (25, 20 ou 15 anos em condições agressivas), além da invalidei.
O art. 201 da Constituição Federal traz, no parágrafo primeiro, a possibilidade de a lei regulamentar a aposentadoria
especial, isto é, a concedida ao trabalhador comum que se submete \i
condições agressivas, que prejudicam a saúde ou a integridade física, e as portadores de deficiência.
A lei federal 8.213, de 24 de julho de 1991, regulamenta o sistema de benefícios do regime geral, e no art. 57 a aposentadoria especial dos trabalhadores comuns, prevendo 25, 20 e 15 anos de contribuição, conforme tabela prevista no anexo IV do regulamento, o decreto federal 3.048, de 6 de maio de 1999.
O art. 40 da Constituição Federal, que estabelece a estrutura do regime dos servidores civis, também prevê a aposentadoria especial no seu parágrafo 4o para os casos de
deficiência, exercício de atividades de risco ou condições agressivas que prejudicam a saúde ou a integridade física.
O problema é que o art. 40 não foi regulamentado pelo Poder Executivo. Diante dessa omissão, o Supremo Tribunal
Federal, por meio do mandado de injunção 721, julgado em 30.8.2007, relator Marco Aurélio, Pleno, determinou que fossem aplicadas aos servidores públicos civis federais as mesmas regras da aposentadoria especial dos trabalhadores comuns, do art. 57 da lei federal 8.213.
Em São Paulo, o art. 126 § 4o da Constituição do
Estado repete o art. 40 § 4o da Constituição Federal. Como também
não possui regulamentação, isto é, há previsão de aposentadoria especial para os servidores civis estaduais, mas não a lei a disciplinar o comando constitucional, este Órgão Especial entendeu de forma idêntica e determinou, no julgamento do mandado de injunção 168.151-0/5-00, de 1.4.2009, relator Matias Coltro, a aplicação daquelas normas para os servidores públicos civis. O efeito também
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Todas estas colocações foram necessárias para que se entenda que o caso concreto aqui discutido não guarda identidade com os precedentes citados. Aqui, trata-se de policial militar que não se enquadra no art. 40 da Constituição Federal, portanto, também não se submete aos artigos 124 e seguintes da Constituição do Estado.
Como a Polícia Militar do Estado também possui regime próprio, previsto no art. 141 da Constituição do Estado, fica evidente que não se pode estender os precedentes citados, seja do Supremo Tribunal Federal, seja deste Órgão Especial deste Tribunal de Justiça, para os policiais militares, sem estudo mais profundo sobre o regime de seus componentes.
O regime de previdência dos policiais militares, em São Paulo, se rege pelo decreto-lei 260, de 29 de maio de 1970. A praça, que é o caso do autor, é reformada com trinta anos de efetivo serviço, com vencimentos e vantagens integrais da graduação. Veja-se o art. 28.
Quer dizer que a aposentadoria especial, possível tanto para os servidores federais como estaduais, não se estende para os policiais militares. E não se aplica por motivo muito simples. Eles já possuem aposentadoria especial.
Enquanto os servidores civis (vale para os federais e para os estaduais), para a aposentadoria por tempo de contribuição, precisam cumprir quatro requisitos (35 e 30 anos de contribuição, 60 e 55 de idade, respectivamente homem e mulher, 10 de serviço público e 5 no cargo), o policial militar apenas necessita de um, 30
anos de contribuição, seja homem ou mulher.
Não há como confundir-se os regimes previdenciários.* A previsão constitucional, na União e nos Estados, é da existência de
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aposentadoria especial apenas para os servidores civis. Não existe para os militares ou para os policiais militares, àqueles equiparados.
A concessão do pedido do impetrante levaria ao exagero de admitir-se aposentadoria especial de aposentadoria especial. Explica-se melhor: no caso concreto, o impetrante, subtenente, possui 23 anos de serviço, como afirma. Quer a conversão do tempo de 25 anos para 35 anos, como se fosse possível a confusão entre os regimes previdenciários.
Explica-se melhor ainda: o trabalhador comum que trabalhe em funções agressivas cuja aposentadoria acontece com 25 anos (anexo IV do decreto 3.048), pode converter o tempo lá prestado em comum mediante a conversão do art. 70 do decreto. Para o impetrante, os 23 anos se converteriam em 34 anos, aproximadamente, na atualidade. Com isso, pretende dizer que teria cumprido os 30 anos do regime militar, o que, com todo o respeito, não tem sentido.
Há outra agravante, em termos atuariais. A regra básica para cálculo da aposentadoria do trabalhador comum é a média de 80% dos maiores salários-de-contribuição, que não podem ultrapassar o teto (hoje de R$ 3.467,40). O policial militar, que já se aposenta com tempo de contribuição menor, de 30 anos, goza de aposentadoria integral, equivalente ao cargo, e sem a limitação do teto do Instituto Nacional do Seguro Social acima mencionado. Não teria sentido, em termos atuariais, permitir-se que se aposentasse com a integralidade dos vencimentos do cargo com tempo menor de contribuição, de 25 anos.
Em outras palavras, o policial militar já possui aposentadoria especial, leia-se, diferente dos demais servidores, W não pode pretender usar aquela prevista não para ele, mas para
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aqueles. Por isto, não se aceita a afirmação de prejudicialidade feita pelo Ministério Público, em razão da regra básica, de que não se
aplicam as mesmas razões para situações diferentes ".
Por estas razões, também adotadas em precedentes relatados pelos eminentes Desembargadores BARRETO FONSECA, MI. 037.531 e JOSÉ ROBERTO BEDRAN, MI. 037.534, de rigor o acolhimento dos embargos de declaração para suprimir omissão e julgar improcedente a ação, denegando-se a ordem. Custas n a forma da lei.
Por estes fundamentos, acolhem-se os embargos de declaração e denega-se a ordem.
RENATO NALINI Relator
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