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1 ASSOBRAFIR Ciência Abr;5(1):11-26

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AssobrAfir Ciência - issN 2177-9333

Publicação quadrimestral da

Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva

E

ditora

-C

hEfE

Nidia A. Hernandes

AssobrAfir - DirEToriA

Diretora Presidente Geral

Jocimar Avelar Martins

Diretor Científico Geral

Flávio Maciel Dias de Andrade

Diretora Administrativa Geral

Maristela Trevisan Cunha

Diretor Financeiro Geral

Luis Felipe da Fonseca Reis

Diretora Secretária Geral

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Suplente 1

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Suplente 2

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Conselho fiscal

Titulares

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Suplentes

Solange Ribeiro Maurício de Sant’Anna Junior

DirETorEs rEGioNAis

Diretor Unidade Regional Alagoas

George Márcio da Costa e Souza

Diretor Unidade Regional Bahia

Marcelo Dourado Costa

Diretor Unidade Regional Ceará

Thiago Alexandre da Fonseca Alcanfor

Diretor Unidade Regional Goiás

Erikson Custódio de Alcântara

Diretora Unidade Regional Minas Gerais

Simone Nascimento Santos Ribeiro

Diretora Unidade Regional Paraná

Eliane Regina Ferreira Sernache de Freitas

Diretor Unidade Regional Paraíba

Murilo Frazão de Lima e Costa

Diretor Unidade Regional Pernambuco

Fabrício Olinda de Souza Mesquita

Diretor Unidade Regional Rio de Janeiro

Bruno Leonardo da Silva Guimarães

Diretora Unidade Regional Rio Grande do Norte

Elisa Sonehara de Morais

Diretor Unidade Regional Rio Grande do Sul

Alexandre Simões Dias

Diretora Unidade Regional Santa Catarina

Christiani Decker Batista Bonin

Diretora Regional São Paulo

Leny Vieira Cavalheiro

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ditor

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i

ntErnaCionais

Fábio Pitta

E

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ssoCiada

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AssobrAfir Ciência - issN 2177-9333

Publicação quadrimestral da

Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva

E

ditor

-C

hEfE

Nidia A. Hernandes

E

ditora

-a

ssoCiada

Josiane Marques Felcar

E

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ssuntos

i

ntErnaCionais

Fábio Pitta

CoorDENADorEs DE NÚCLEos

Coordenador Núcleo Amazonas

Marcos Giovanni Santos Carvalho

Coordenador Núcleo Maranhão

Daniel Lago Borges

Coordenador Núcleo Piauí

João Batista Raposo Mazullo Filho

CoorDENADorEs GrUPos DE EsTUDos

Coordenador Grupo Estudos Distrito Federal

José Aires de Araújo Neto

Coordenador Grupo Estudos Pará

Edward Wanderley Coelho Junior

Coordenador Grupo Estudos Sergipe

Lucas de Assis Pereira Cacau

Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva

(ASSOBRAFIR)

Rua Dr. Bacelar, 231 - Sala 22

04026-000 - Vila Clementino - São Paulo, SP

(5)

S U M Á R I O / C O N T E N T S

Editorial

... 7

Nidia A. Hernandes Josiane Felcar

ArTiGos

Características clínicas e funcionais de pacientes em avaliação para transplante de

pulmão do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)

... 11 Clinical and functional characteristics of patients undergoing evaluation for lung transplantation at the Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)

MACIEL, Silvia Ferreira

OLIVEIRA, Juliana de Cássia Moura ALMEIDA, Melline Della Torre de AFONSO JÚNIOR, José Eduardo

Qualidade de vida e nível de atividade física de pacientes portadores de insuficiência

cardíaca crônica

... 27 Quality of life and physical activity level in patients with chronic heart failure

LIMA, Pollyana Barbosa de MORAIS, Elizabeth Rodrigues de

Funcionalidade e qualidade de vida de pacientes internados na Unidade de Terapia

Intensiva

... 41 Functionality and quality of life of patients admitted to the Intensive Care Unit

DIETRICH, Camila

LEÃES, Clarissa Garcia Soares VEIGA, Grasiele Menezes

RODRIGUES, Cristiano dos Santos CUNHA, Laura Severo da

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Adequações dos dispositivos de oxigenoterapia em enfermaria hospitalar avaliadas

por oximetria de pulso e gasometria arterial

... 53 Adjustment of oxygen therapy devices by pulse oximeter and arterial gasometry in

medical wards

KOCK, Kelser de Souza

ROCHA, Pedro Antônio Córdova

SILVESTRE, Jennifer Corrêa de Carvalho COELHO, Débora

LEITE, Karla Rodrigues

Oscilação oral de alta frequência em pacientes ventilados mecanicamente –

“drug-free”: revisão integrativa

... 65 Oral high frequency oscillation in mechanically ventilated patients – “drug-free”:

integrative review

GOMES, Jéssica Simões Melo SOUZA, Saara Bueno de

ALCÂNTARA, Erikson Custódio

Influência da mobilização precoce na força muscular periférica em pacientes na

Unidade Coronariana

... 77 Influence of early mobilization in peripheral muscle strength in the Coronary Care Unit patients

MUSSALEM, Márcio André Modesto

SILVA, Ana Carolina de Santana Vicente da COUTO, Lívia Cataria Lopes Vianna

MARINHO, Luana

FLORENCIO, Aline Souto Maior ARAÚJO, Vandreza Sales

SILVA, Noberto Fernandes da

instruções aos Autores

... 89 Instructions for Authors

(7)

A

ssobrAfir CiÊNCiA: sEUs PriMEiros PAssos E JÁ UMA HisTÓriA PArA CoNTAr

Desde o seu volume inaugural em 2009, a revista ASSOBRAFIR Ciência vem mostrando a que veio: tornar-se um meio de divulgação das pesquisas realizadas em Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva, além de ser fonte de conhecimento para estudantes e profissionais. Adicionalmente, resumos de trabalhos apresentados nos eventos da ASSOBRAFIR passaram a ter espaço próprio para publicação.

Já são dez volumes e quatro suplementos publicados... Frutos do esforço dos editores chefes e administrativo que, por meio de sua dedicação, fizeram, dos primeiros passos da ASSOBRAFIR Ciência, uma estreia brilhante.

E é nesse cenário que eu assumo, honrosamente, o cargo de editora chefe da revista e, juntamente, com a editora administrativa, Josiane Felcar, assumo o desafio de continuar o excelente trabalho realizado, até aqui, e o de levar a ASSOBRAFIR Ciência para os caminhos do reconhecimento científico que ela merece.

Portanto, este mês, publicamos o número um do ano de 2014. Por meio da leitura dos artigos contidos no presente número, os leitores poderão verificar a importância da avaliação da funcionalidade de pacientes críticos e ambulatoriais, da adequação da oxigenoterapia, durante a hospitalização, bem como analisar o uso de dispositivos de oscilação oral de alta frequência em ventilação mecânica.

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Encerro este editorial, convidando estudantes e profissionais a considerarem a ASSOBRAFIR Ciência, como meio de divulgação de seus trabalhos científicos. Teremos grande satisfação em apreciar os manuscritos submetidos à revista.

Abraços, Nidia A. Hernandes Editora-Chefe Josiane Felcar Editora administrativa

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Características clínicas e funcionais de pacientes em avaliação para

transplante de pulmão do Hospital israelita Albert Einstein (HiAE)

Clinical and functional characteristics of patients undergoing evaluation for lung transplantation at the Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE)

MACIEL, Silvia Ferreira1; OLIVEIRA, Juliana de Cássia Moura2;

ALMEIDA, Melline Della Torre de3; AFONSO JÚNIOR, José Eduardo4

resumo

Introdução: A sobrevida, após o transplante pulmonar, depende de variáveis prognósticas dos candidatos em lista, tais como: idade, diagnóstico e capacidade de exercício. Objetivo: Caracterizar a população de pacientes em avaliação para inclusão em lista para transplante de pulmão assistidos pela equipe de fisioterapia do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Métodos: Estudo clínico, unicêntrico, coorte retrospectivo. Foram avaliados, 98 pacientes pela equipe de fisioterapia, para possível inclusão em lista de transplante pulmonar do HIAE, entre fevereiro de 2007 a maio de 2012. Os pacientes foram classificados quanto ao tipo de doença: doenças obstrutivas, doenças restritivas, doenças supurativas e outras. Foram incluídos, todos os indivíduos submetidos a uma avaliação respiratória fisioterapêutica completa e que realizaram o teste de caminhada de seis minutos (TC6). Resultados: Os pacientes demonstraram características similares, tais como histórico de tabagismo, dependência de oxigênio e sedentarismo. Os pacientes obstrutivos apresentaram volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1)de 0,85 ± 0,45 L (27,40±14,85 %) e os restritivos, capacidade vital forçada (CVF) de 1,54 ± 0,59 L (43,59±14,82%). Com relação à capacidade funcional, o grupo das doenças supurativas era mais jovem e obteve melhor desempenho no TC6: 343±129m (55,51±19,91%) vs 279±114m (48,51±19,08%) vs 266±122m (46,06±22,78), quando comparados com os grupos de doenças obstrutivas e restritivas, respectivamente. Conclusão: Na nossa população, candidatos a transplante de pulmão, apesar de cursarem com histórico progressivo de sintomas de forma similar e limitação na capacidade funcional, apresentam características clínicas e/ou antropométricas distintas. Sendo assim, possivelmente, podem apresentar prejuízos na qualidade de vida, por implicações não somente respiratórias, mas, também, musculoesqueléticas e, consequentemente, sociais.

Palavras-chave: Transplante de pulmão; Pneumopatias; Tolerância ao exercício; Teste de esforço; Listas de espera.

1 Fisioterapeuta da Clínica Médica e Cirúrgica do HIAE. Email: [email protected]; [email protected] 2 Fisioterapeuta do Ambulatório de Transplante de Pulmão do HIAE.

3 Fisioterapeuta do Ambulatório de Transplante de Pulmão do HIAE. 4 Médico Pneumologista do Grupo de Transplante Pulmonar do HIAE.

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Abstract

Introduction: The time of life after the transplantation depends on variables of the candidates in waiting lists such as age, diagnosis and exercise tolerance. Objective: To characterize the patient population evaluated for inclusion in the list for lung transplantation who were assisted by the physiotherapy team at Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), as well as their clinical and functional characteristics. Methods: Clinical study, single-center, retrospective cohort. We evaluated 98 patients by the physiotherapy team for possible inclusion in the lung transplant list of HIAE between February 2007 and May 2012. The patients were classified according to type of diseases: obstructive disease, restrictive diseases, suppurative diseases and others. We included all patients undergoing a complete respiratory evaluation of physical therapy and the Six Minute Walk Test (6MWT). Results: Patients showed similar characteristics such as history of smoking, oxygen dependency and inactivity. Patients with obstructive diseases presented the forced expiratory volume in the first second (FEV1) of 0.85 ± 0.45 L (27.40±14.85 %) and restrictive diseases, forced vital capacity (FVC) of 1.54 ± 0.59 L (43.59±14.82 %). Regarding functional capacity, the suppurative group was younger and presented a better performance on the 6MWT: 343±129m (55.51±19.91 %), compared to the obstructive and restrictive diseases 279±114m (48.51±19.08 %) vs 266±122m (46.06±22.78 %) respectively. Conclusion: In our population, candidates for lung transplantation, have similar symptoms and limitations in functional capacity, with distinct clinical and / or anthropometric characteristics. Thus, they may present impairments in quality of life, not only caused by respiratory disorders, but also caused by musculoskeletal and therefore social implications.

Keywords: Lung Transplantation; Lung diseases; Exercise tolerance; Exercise test; Waiting Lists.

introdução

O transplante pulmonar é a última opção de tratamento para pacientes com doenças pulmonares crônicas avançadas, dentre elas, as doenças obstrutivas, as intersticiais e as supurativas. A sobrevida, após o transplante, depende de variáveis prognósticas dos candidatos em lista, tais como idade, diagnóstico, capacidade de exercício, entre outros 1.

O diagnóstico mais comum para indicação ao transplante pulmonar é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) 2. Caracterizada por limitação expiratória ao fluxo aéreo, é considerada

uma doença de caráter progressivo e não totalmente reversível, com alta prevalência 3.

Geralmente, a obstrução ao fluxo aéreo está associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões, causadas por partículas ou gases nocivos. Dentre os fatores de risco, o tabagismo é considerado o mais comum para a DPOC 3.

O processo inflamatório crônico pode produzir alterações dos brônquios (bronquite crônica), bronquíolos (bronquiolite obstrutiva) e parênquima pulmonar (enfisema pulmonar) 3. Embora

a DPOC comprometa os pulmões, há, também, consequências sistêmicas significativas, como alterações nutricionais (anorexia/desnutrição), disfunção muscular periférica, descondicionamento físico, diminuição da tolerância ao exercício, levando à limitação da capacidade funcional, de acordo com a progressão da doença 3.

Estes pacientes evoluem, com limitação ao esforço, pela dispneia e fadiga precoces. Estes sintomas são os principais determinantes para a diminuição da capacidade de realizar as atividades da vida diária, o que impacta, negativamente, na qualidade de vida 4.

(13)

A reabilitação pulmonar melhora a capacidade de realizar exercícios e a qualidade de vida, além de reduzir o número de exacerbações 5. No entanto, estes cuidados são, muitas vezes, insuficientes

em pacientes com doença avançada, sendo necessária uma avaliação e, se apresentarem os critérios favoráveis, são listados para o transplante pulmonar 6.

Os critérios, para inclusão destes pacientes em lista, são: volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) < 25% do predito, sem resposta a broncodilatador; pressão parcial de gás carbônico (PaCO2) > 55 mmHg; pressão parcial de oxigênio (PaO2) < 55 – 60 mmHg em repouso; índice BODE > 5; hipertensão pulmonar, cor pulmonar e rápido declínio da função pulmonar ou exacerbações frequentes; dependência de oxigenoterapia; distância do teste de caminhada de seis minutos (DTC6) 200 – 350m 3,6,7,8,9.

Atualmente, a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é a doença intersticial fibrosante mais prevalente nas filas de transplante de pulmão. O número realizado de transplante pulmonar para FPI aumenta continuamente, principalmente nos Estados Unidos, onde ela representa uma das principais indicações para transplante 6,10. Portadores de FPI são caracterizados, histopatologicamente, pela

habitual pneumonia intersticial 11. Clinicamente, esses pacientes sofrem insuficiência respiratória

progressiva, com ou sem exacerbações agudas, e têm uma sobrevida, em média, inferior a três anos, após o diagnóstico 12.. A troca gasosa prejudicada é o principal fator de limitação ao exercício nesses

pacientes 11,12.

Como fatores de risco, corroboram para uma menor sobrevida e, assim, indicação criteriosa para transplante pulmonar, desde que estejam dentro dos critérios: doença sintomática e progressiva; expectativa de vida < 2-3 anos; capacidade vital (CV) < 60 a 70% do predito; um decréscimo de 10% ou mais na capacidade vital forçada (CVF), durante seis meses de acompanhamento; difusão de monóxido de carbono (DCO) < 39 - 60% do predito; hipoxemia em repouso (PaO2<55mmHg); hipertensão pulmonar; diminuição do oxigênio sanguíneo, abaixo de 88%, durante o teste de caminhada dos seis minutos; DTC6 < 350 m 6,7,8,12.

Além da FPI, para outras doenças intersticiais, como a asbestose, silicose, pneumoconiose e a sarcoidose, o transplante de pulmão, também, pode ser uma alternativa 12,13.

A fibrose cística (FC) é, também, uma indicação importante para o transplante de pulmão, fazendo parte do grupo de doenças supurativas. É definida como uma doença genética autossômica das glândulas exócrinas (glândulas produtoras de muco, suor ou enzimas pancreáticas). Além de afetar o aparelho digestivo e as glândulas sudoríparas, acomete, também, o aparelho respiratório 14.

Como integrantes do grupo de doenças supurativas, as bronquiectasias (BQC) se referem à dilatação anormal e irreversível dos brônquios, causada pela destruição dos componentes elástico e muscular de suas paredes 7,14. Pacientes com BQC, frequentemente, apresentam progressiva limitação

ao exercício e redução de suas atividades de vida diária 14. As causas principais dessa condição estão

associadas à redução da capacidade pulmonar e da reserva ventilatória, à perda da massa muscular periférica e à alteração da função cardiovascular 14. A medida que a doença progride, há um declínio

da função pulmonar, levando ao aumento do espaço morto e, consequentemente, mudança na relação ventilação/perfusão, para manter uma adequada troca gasosa durante o exercício 14.

Para indicação de transplante pulmonar, tanto da FC quanto para a BQC, consideram-se, VEF1 ≤ 30% do predito ou o rápido declínio na função pulmonar, se VEF1 > 30% do predito; mulheres e pacientes <18 anos de idade que tenham um pior prognóstico; PaO2 <55mmHg; PaCO2 >50mmHg; necessidade de oxigênio 6,8.

(14)

As pneumopatias vasculares, como hipertensão pulmonar (HP), também, têm indicação para o transplante de pulmão. Sua fisiopatologia é caracterizada pelo aumento progressivo da resistência vascular pulmonar, o que pode levar à falência do ventrículo direito e morte precoce. Indivíduos com HP, também, apresentam uma diminuição da capacidade de exercício e qualidade de vida 7,15.

Nos estágios mais avançados, quando não mais controlados por medicações, o transplante pode ser uma terapia efetiva. Para serem incluídos na lista, são considerados, classe funcional (NYHA – New York Heart Association) III ou IV; DTC6 < 350m; índice cardíaco, < 2 L/min/m²; pressão de átrio direito > 15 mmHg; pressão média de artéria pulmonar > 55 mmHg; falha da terapia com prostaciclina (> 3 meses) 8,15.

Além de todos os critérios de inclusão para a lista, os candidatos podem ser submetidos a avaliações funcionais, que estimam a capacidade de exercício e qualidade de vida, fornecendo, assim, dados de como o paciente encontra-se, fisica e psicologicamente 10.

Dentre os testes mais utilizados, o Teste de Caminhada de Seis Minutos (TC6) é uma alternativa para a avaliação da capacidade de exercício, que se baseia na distância percorrida em terreno plano, durante seis minutos 10. O TC6 é considerado útil, por determinar a capacidade funcional dos

pacientes que serão incluídos em lista, sendo que DTC6 < 300m está associada à mortalidade mais precoce nos pacientes que aguardam o transplante pulmonar 10,16,17,18.

Convencionalmente, o declínio da função pulmonar é a principal causa da diminuição da capacidade de exercício dos pneumopatas graves, mas a perda de massa e função muscular pode contribuir, substancialmente, para esse problema 19. Um dos efeitos adversos da doença pulmonar

avançada é inflamação sistêmica que inibe o crescimento de miócitos e promove a reabsorção de proteína muscular 20. A somatória desses fatores, juntamente com a troca do tipo de fibra muscular

(de oxidativa para predominantemente glicolítica), resulta em perda da capacidade de exercício em candidatos ao transplante de pulmão 20.

Portanto, as alterações funcionais decorrentes da doença pulmonar crônica, possivelmente, afetarão a atividade cotidiana desses indivíduos, levando a um ciclo vicioso de disfunções. A evolução deste processo pode comprometer sua interação com a sociedade com, consequente, prejuízo na qualidade de vida 5.

A identificação de um potencial candidato ao transplante de pulmão envolve o conhecimento e atenção de uma equipe multiprofissional especializada. O fisioterapeuta, neste contexto, pode contribuir com este processo, por meio de uma avaliação respiratória completa e na detecção de déficits na capacidade funcional, mediante testes ou escalas específicas.

As informações acerca de características clínico-funcionais de um pneumopata grave permitem um conhecimento mais apurado da população encaminhada para inclusão em lista de transplante pulmonar do nosso serviço. A identificação dos pacientes mais comprometidos permite que todos os profissionais envolvidos possam traçar uma conduta terapêutica adequada, impactando, positivamente, todo processo: entrada e permanência em lista.

Este estudo tem o objetivo de caracterizar a população de pacientes em avaliação para inclusão em lista de transplante pulmonar do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

(15)

Métodos

Foram avaliados, neste estudo clínico, unicêntrico, coorte retrospectivo, 98 pacientes, pela equipe de fisioterapia, para possível inclusão em lista de transplante pulmonar do HIAE, de fevereiro de 2007 a maio de 2012.

O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, conforme a Resolução 239.871, datada de 2/4/2013.

Esses pacientes foram classificados, quanto ao tipo de doença: doenças obstrutivas (DPOC: 31,6%), doenças restritivas (DR: 38,7%), doenças supurativas (DS: 21,4%) e outras (8%), com média de idade de 45±15 anos, índice de massa corpórea (IMC) de 23,12 ± 5,60 kg/m², VEF1 de 37,85± 18,66% e CVF de 48,52 ±17,95% (Tabela 1).

Para participar deste estudo, os pacientes precisavam apenas de encaminhamento médico, obtido mediante solicitação de avaliação da fisioterapia em fase pré-inclusão para lista de transplante pulmonar. Os que não possuíam o encaminhamento médico do programa do HIAE foram excluídos.

Os dados foram coletados da ficha de avaliação inicial de fisioterapia para transplante pulmonar do ambulatório da Vila Mariana, protocolada na instituição, pelo profissional responsável da área. Esta avaliação é realizada em apenas uma sessão, de aproximadamente 60 minutos, e consta de uma análise respiratória (função respiratória e força muscular respiratória), dados clínicos e antropométricos (retirados do prontuário do paciente) e de capacidade funcional, através do TC6 (Anexo 1) 21. No TC6, o indivíduo caminhou na esteira KIP run KR320, a maior distância que fosse

capaz de percorrer, na velocidade que lhe parecesse mais confortável, durante um período de seis minutos. Foram aferidas, a oximetria de pulso e a frequência cardíaca, por todo o tempo do teste, através do oxímetro Nonin Ruresat®.

Os dados dessas fichas de avaliação foram tabulados em uma planilha no Excel, instantaneamente, pelo profissional do ambulatório, no momento da avaliação. Para este estudo, foram utilizados esses dados, retrospectivamente.

Análise estatística

A análise estatística foi realizada mediante a utilização dos softwares Microsoft Office Excel 2007 e o programa estatístico SPSS® versão 19.0. Os dados foram expressos em média e desvio-padrão.

(16)

resultados

Dos 98 pacientes avaliados, foram incluídos em lista, apenas, 37 candidatos (37,7%), sendo que 11,2% realizaram o transplante pulmonar (Figura 1).

A tabela 1 demonstra as características da população estudada. Dentre os dados encontrados com maior relevância, observa-se que o tipo sanguíneo “O” foi o mais prevalente (50%), enquanto o tipo “AB” representou a minoria (3%). Quase metade da amostra era tabagista (48%) e 69% eram dependentes de oxigênio (PaO2 59,19 ± 17,04mmHg). A grande maioria desses pacientes (89%) não exercia qualquer tipo de atividade física. Dos pacientes avaliados, 15% evoluíram para óbito.

A tabela 2 informa a distância percorrida no Teste de Caminhada dos Seis Minutos, bem como o delta de saturação de oxigênio. Quanto à capacidade funcional, a média da DTC6 foi de 290,28 ± 123,21 metros (49,39 ± 20,89 %), com delta de saturação periférica de oxigênio (∆SpO2) de 10,36 ± 7,38%. O grupo das doenças restritivas apresentou maior queda de saturação periférica de oxigênio (SpO2), (SpO2 final: 81,11 ± 7,32%). Este dado foi o único com relevância estatística (p<0,05) neste estudo.

(17)
(18)

Na amostra estudada para suposta inclusão em lista, os candidatos apresentaram prova de função pulmonar com média de VEF1 de 1,10 ± 0,52L (37,85 ± 18,66%) e CVF de 1,77 ± 0,79L (48,52 ± 17,95%). Os pacientes obstrutivos apresentaram VEF1 de 0,85 ± 0,45 L (27,40± 14,85 %) e os restritivos, CVF de 1,54±0,59 L (45,08± 16,08 %). Com relação às medidas ventilatórias, o grupo total atingiu média de volume minuto (VE) de 10,09 ± 3,95 L, pressão inspiratória máxima (Pimax.) de 99,89 ± 15,57 cmH2O e pressão expiratória máxima (Pemax.) 103,69 ± 20,03 cmH2O (tabela 3).

A tabela 3 representa os valores encontrados, com relação à função pulmonar e troca gasosa, apesar desta última não representar a amostra como um todo (dados não encontrados em prontuários). Nota-se que, na gasometria da amostra completa, não houve retenção de gás carbônico (CO2) (40,57 ± 11,59mmHg) e o potencial hidrogeniônico (pH) encontrava-se dentro dos valores de normalidade (pH: 7,38 ± 0,37).

Tabela 2 | Capacidade de Exercício (TC6).

*p<0,05

TC6 = Teste de caminhada de 6 minutos; m = metros; Média; DP = Desvio Padrão; ∆SpO2 = Delta de saturação periférica de oxigênio; SpO2f = Saturação periférica de oxigênio ao final do TC6.

(19)

Descrevendo as características demográficas por doenças, observamos que os indivíduos com DPOC apresentaram idade mais avançada (52,1±10,9 anos), enquanto os pacientes com doença supurativa eram mais jovens (28,7±10,4 anos). Além disso, 87% dos tabagistas foram representados pelo grupo DPOC e, entre eles, 67% utilizavam oxigênio (O2) (tabela 1).

Já nas doenças restritivas, 79% dos pacientes faziam uso de oxigênio, representando o grupo mais dependente de O2. Com relação à capacidade funcional, a DTC6 desses pacientes representou 46,06±22,78% do predito, sendo, em valores absolutos, a menor distância comparada aos demais grupos. Além disso, apresentaram maior queda de saturação de oxigênio ao final do teste (81,11 ± 7,32 %), quando comparados com o restante do grupo. Como observado nas tabelas 1 e 2, os pacientes com DR apresentavam maior IMC (25,08± 5,45 Kg/m2).

Os pacientes com doença supurativa eram os mais hipoxêmicos (PaO2: 53,32±14,00 mmHg), porém, apenas 57% (12 pacientes) utilizavam oxigênio. Apesar disso, este grupo era mais jovem e

Tabela 3 | Função pulmonar e troca gasosa.

VE = Volume minuto; ml=Mililitro; Pimax = Pressão inspiratória máxima; Pemax = Pressão expiratória máxima; cmH2O = centímetros de água; VEF1 = Volume Expiratório Forçado; L = Litros; CVF = Capacidade Vital Forçada; PaO2 = Pressão arterial de oxigênio; mmHg = Milímetros de mercúrio; PaCO2 = Pressão arterial de gás carbônico; M = Média; DP = Desvio Padrão; pH = potencial hidrogeniônico.

(20)

alcançou 55,51±19,91% do predito no TC6. Mesmo sem relevância estatística, o grupo DS apresentou, em valores absolutos e em porcentagem do predito, os maiores valores no TC6. Entretanto, como pode ser visto na tabela 1, foi o grupo que mais evoluiu para óbito, com cinco pacientes (24%).

O grupo “outros” foi representado pelas seguintes doenças: Aspergiloma, Doença autoimune e Síndrome Stevens Johnson. Em relação aos demais grupos, estes não se destacaram de forma significativa.

Discussão

No presente estudo, a análise da avaliação de pacientes, para uma possível inclusão em lista de espera para transplante pulmonar do HIAE, mostrou que apenas 37% dos indivíduos avaliados foram incluídos. Ao observarmos as características desses indivíduos, notamos que apresentam, de forma similar, evolução progressiva de sintomas e limitação na capacidade funcional, apesar de características clinicas e/ou antropométricas diferentes. Entretanto, todos eles têm, como última opção de tratamento, o transplante pulmonar.

O transplante pulmonar é a última escolha no tratamento de pacientes com doenças pulmonares crônicas em estágio avançado. Os candidatos ao transplante de pulmão apresentam grave comprometimento da função pulmonar o que colabora para reduzir a capacidade funcional 1.

Os pacientes possuem características similares, tais como histórico de tabagismo, dependência de oxigênio e sedentarismo. Estes fatores contribuem para aumentar a incapacidade funcional, podendo aumentar o risco de mortalidade em lista para transplante 5,16,19,22.

Na DPOC, a obstrução aérea é progressiva e está relacionada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões, sendo, o tabagismo, o principal fator desencadeante 3,4. Esta informação vai ao

encontro dos nossos achados, já que o grupo DPOC apresentou a maior porcentagem de tabagistas, quando comparados aos demais grupos. O VEF1 do grupo DPOC apresentou valores mais baixos, quando comparados aos demais, já que estes pacientes apresentam obstrução crônica ao fluxo aéreo. As doenças restritivas têm, como principal característica, a baixa complacência pulmonar e redução da capacidade vital 12,23. Nos nossos dados, os indivíduos com distúrbios restritivos

apresentaram menor CVF, quando comparados ao restante dos grupos. A capacidade vital diminuída reduz a troca gasosa que influencia, negativamente, as suas atividades funcionais 23.

Neste trabalho, a população com doença restritiva obteve a pior distância percorrida no TC6, em valores absolutos (265,86±121,86m) e em porcentagem do predito (46,06±22,78%). De acordo com Caminati et al. 24, pacientes com FPI, em lista para transplante pulmonar, que caminham menos

de 212 metros, apresentam 27% de chance de sobrevida, contra 54% daqueles que percorrem mais de 212 metros enquanto em lista. Já em outro estudo 12, pacientes que caminharam menos que 207 metros

apresentaram uma taxa de mortalidade quatro vezes maior do que aqueles com distância superior a este valor, cujas alterações de trocas gasosas foram o principal fator de limitação ao exercício nesses pacientes. Vale destacar que, em nosso estudo, a PaO2 no grupo das doenças restri-tivas já possuía média de 60 mmHg em repouso, o que, também, pode justificar o baixo desempenho no TC6.

A hipóxia induzida pelo exercício é um índice de gravidade na doença pulmonar intersticial; portanto, a presença de dessaturação, durante o TC6, pode ser usada como preditor de mortalidade

(21)

valores de saturação ao final do teste; porém, foram os pacientes com DS que apresentaram maior mortalidade (tabela 1).

No grupo de doenças restritivas, estavam os pacientes com maior IMC, o que, também, pode ter contribuído para uma menor distância percorrida no TC6. Já no grupo das doenças supurativas, estavam os pacientes que percorreram a maior distância, tanto em valores absolutos (342,86±129,74m) quanto em porcentagem do predito (55,51±19,91%). O fato do grupo DS ser composto por pacientes mais jovens e com menor IMC pode explicar essa melhor performance no TC6. Em pacientes com hipertensão arterial pulmonar, já foi demonstrado que maiores distâncias são percorridas por indivíduos mais jovens e com um IMC menor 25.

Como já citado anteriormente, nossos resultados demonstraram que a maior porcentagem de óbitos foi no grupo de doenças supurativas. De acordo com Império 7, a mortalidade dos pacientes

com FC está em torno de 50%, em dois anos de espera em lista. A média de idade, no grupo de doenças supurativas, foi mais baixa que nos demais, podendo-se justificar o fato de ser uma doença, comumente, diagnosticada na infância 26. O grupo de doenças supurativas, além dos pacientes com

FC, apresentava pacientes com BQC. Segundo Samano 27, os pacientes indicados para transplante

pulmonar por BQC apresentam características semelhantes aos pacientes indicados por FC, já que são jovens e têm alto risco de mortalidade em lista.

A limitação funcional destes pneumopatas deve-se à doença de base, provocando intolerância ao exercício e, consequente, limitação nas atividades da vida diária 5. A identificação dos pacientes

mais comprometidos, através da DTC6, é importante para se traçar uma conduta terapêutica adequada e que pode impactar no sucesso do transplante.

O TC6 é um instrumento simples, barato e considerado, por muitos autores, um marcador de mortalidade 1,19,28. Tuppin et al. 29 mostraram que o aumento de 1 metro, na distância percorrida

no TC6, tem efeito protetor na sobrevida de pacientes em fila de transplante pulmonar. Entretanto, Castro et al. 16 mostram que a distância percorrida no TC6 não foi marcador de mortalidade a longo

prazo. Ainda se desconhece a distância exata, para se concluir a sobrevida; porém, segundo Martinu et al. 28, o maior risco de óbito está relacionado com distâncias menores de 274 metros e o melhor

prognóstico está em distâncias acima de 365 metros.

A ausência de análise do impacto da DTC6, na sobrevida em lista e no sucesso do transplante, pode ser considerada uma limitação deste estudo. Outro ponto a ser destacado refere-se ao fato do TC6, neste trabalho, ter sido realizado em esteira. Não existem estudos que demonstrem valores percentuais preditos para DTC6 em esteiras na população brasileira; contudo, optamos por utilizar, como referência, valores calculados em distâncias de TC6 realizados em corredor.

Por fim, nossos achados representam apenas um direcionamento, para que novos estudos possam demonstrar o impacto que variáveis clinicas e funcionais possam exercer sobre o melhor momento de indicação, para entrada em lista para transplante de pulmão, mortalidade, tempo de internação, sobrevida e qualidade de vida.

Conclusão

Na nossa população, candidatos a transplante de pulmão, apesar de cursarem com histórico progressivo de sintomas de forma similar e limitação na capacidade funcional, apresentam características clínicas e/ou antropométricas distintas. Sendo assim, possivelmente, podem trazer prejuízos à qualidade de vida, por implicações não somente respiratórias, mas, também, musculoesqueléticas e, consequentemente, sociais.

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Recebido em: 29/04/2013 Aceito em: 02/05/2014

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resumo

Introdução e objetivo: Portadores de Insuficiência Cardíaca (IC) sofrem modificações no padrão de vida normal, em virtude da incapacidade de realizar tarefas cotidianas decorrentes de sinais e sintomas como dispneia e fadiga, podendo comprometer a qualidade de vida. Sabe-se que a prática regular de exercício físico melhora a capacidade funcional e, consequentemente, a qualidade de vida. Objetivou-se avaliar a qualidade de vida e o nível de atividade física de portadores de insuficiência cardíaca do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (Ambulatório IC/HC). Métodos: Trata-se de um estudo transversal. Participaram da pesquisa, 32 portadores de IC com média de idade de 53,56 ± 9,58 anos, sendo 53,1% do sexo feminino. Para avaliação da qualidade de vida, foi utilizado o questionário Minnesota Living With Heart Failure Questionnaire (MLHFQ) e, para avaliação do nível de atividade física, foi utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ curto). Resultados: A média do escore de qualidade de vida foi de 38,0±17,8, sendo que 71,8% apresentaram escore abaixo de 50. Encontrou-se, na dimensão física, escore de 16,7±9,0 e, na dimensão emocional, 7,8±4,6. Ao avaliar o nível de atividade física dos portadores de IC, 65,7% (n=21) foram considerados sedentários ou irregularmente ativos e 34,3% (n=11) considerados ativos ou muito ativos. A qualidade de vida não foi melhor nos indivíduos ativos. Conclusão: Os pacientes portadores de IC do Ambulatório IC/HC apresentaram qualidade de vida satisfatória, com QV semelhante nos aspectos físicos e emocionais; porém, apresentaram nível de atividade física insatisfatório.

Palavras-chave: Insuficiência cardíaca; Atividade física; Qualidade de vida.

Qualidade de vida e nível de atividade física de pacientes portadores de

insuficiência cardíaca crônica

Quality of life and physical activity level in patients with chronic heart failure

LIMA, Pollyana Barbosa de1, MORAIS, Elizabeth Rodrigues de2

1 Fisioterapeuta. Graduada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). Residente em Urgência e Trauma do Hospital de Urgência de Goiânia (HUGO). Goiânia, Goiás, Brasil.

2 Fisioterapeuta. Docente do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Doutoranda em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil. Email: [email protected] e [email protected]

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Abstract

Introduction and objective: Patients with heart failure (HF) go through changes in their life pattern due to the inability to perform daily tasks arising from signs and symptoms such as dyspnea and fatigue, which may impair the quality of life. It is known that regular physical activity improves functional capacity and consequently the quality of life. This study aimed to evaluate the quality of life and level of physical activity in patients with heart failure from Hospital das Clínicas of Universidade Federal de Goiás (Ambulatório IC/HC). Methods: This was a cross-sectional study. Thirty two HF patients have participated in this survey with a mean age of 53.56±9.58 years, 53.1 % female. To assess quality of life it was used the Minnesota Living With Heart Failure Questionnaire (MLHFQ) and to evaluate the level of physical activity it was used the International Physical Activity Questionnaire (IPAQ short). Results: The mean score of quality of life was 38.0±17.8, in which 71.8% have presented scores below 50. It was found in the physical domain a score of 16.7±9.0 and emotional domain 7.8±4.6. When evaluating the level of physical activity of patients with HF, 65.7% (n=21) were considered sedentary or irregularly active and 34.3% (n=11) were considered active or very active. The quality of life was not better in active individuals. Conclusion: Patients with HF from Ambulatório IC/HC had satisfactory quality of life, with similar physical and emotional aspects of QOL, however, they have presented unsatisfactory level of physical activity.

Keywords: Heart failure; Physical activity; Quality of life.

introdução

A Insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada pela incapacidade do coração em encher-se ou de ejetar quantidade suficiente de sangue para atender às demandas metabólicas periféricas, ou realiza essa função com altas pressões de enchimento. É a via final comum da maioria das doenças cardíacas, sendo considerada uma epidemia em crescimento 1. Estima-se que

6,4 milhões de brasileiros sejam portadores de IC, sendo que, em 2007, a doença foi a terceira maior causa de internação no Brasil, portanto, um importante problema de saúde pública 2.

Em geral, os portadores dessa disfunção sofrem modificações em seu padrão de vida normal, em virtude da incapacidade de executar determinadas tarefas cotidianas decorrentes dos sinais e sintomas como dor ou desconforto precordial, dispneia, ortopneia, palpitação, síncope, fadiga e edema

2. Além disso, todas as alterações fisiológicas, que ocorrem em função do processo de adoecimento,

trazem, ao indivíduo, uma condição crônica de doença com a qual terá que aprender a conviver. O tempo prolongado de tratamento e certas mudanças no seu estilo de vida alteram o modo de viver desse indivíduo e das pessoas que convivem com ele 3.

Os portadores de IC apresentam limitações físicas para realização das atividades de vida diária e, também, problemas psicológicos, como depressão, ansiedade, medo da morte e tristeza 4-6. Sendo

assim, tanto aspectos físicos quanto emocionais são afetados pela doença, fato que compromete a qualidade de vida de seus portadores.

Destaca-se a importância em avaliar a qualidade de vida, no contexto da saúde, pois avalia o paciente nas dimensões íntima, interativa, social e física. Pode-se observar como o paciente se comporta perante a si mesmo e perante o mundo que o cerca, levando em consideração as relações interpessoais e como o mundo que ele vive interfere em seu estado íntimo, físico e social 7. A

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sua posição na vida no contexto da cultura e sistemas de valores em que vive e em relação aos seus objetivos, expectativas padrões e preocupações”8.

A prática regular de atividade física, por sua vez, possui estreita relação com a prevenção de problemas de saúde, interferindo no processo de saúde-doença. O sedentarismo é fator de risco para doenças cardiovasculares, sendo, a atividade física, um componente inerente aos programas de reabilitação cardiovascular (PRC), com potencial impacto positivo na qualidade de vida 9.

De acordo com a American Heart Association (AHA), indivíduos de 18 a 65 anos devem manter um estilo de vida ativo, realizando atividade física (AF) moderada por, no mínimo, 30 minutos, por cinco vezes na semana (acumulando 150 minutos) ou AF vigorosa por, no mínimo, 20 minutos, pelo menos, três dias na semana, de forma contínua ou acumulada, em blocos mínimos de 10 minutos 10.

Identificar o nível de atividade física e a qualidade de vida em portadores de IC é pertinente, uma vez que permite avaliar a necessidade de implementar medidas que interfiram, positivamente, nesse perfil.

Sendo assim, este estudo objetivou avaliar a qualidade de vida e o nível de atividade física dos pacientes portadores de IC atendidos no Ambulatório de Insuficiência Cardíaca do Hospital das Clínicas de Goiânia.

Métodos

Desenho do Estudo

Trata-se de um estudo descritivo e transversal realizado no Ambulatório de Insuficiência Cardíaca do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (Ambulatório IC/HC), nos meses de agosto e setembro de 2011. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, sob o n.º 079/2011. O Hospital das Clínicas de Goiânia é um hospital público, federal do Estado de Goiás, que desenvolve assistência à saúde, desde a atenção primária até procedimentos de alta complexidade. Está vinculado ao Sistema Único de Saúde e atende, além da população do Estado de Goiás, regiões circunvizinhas, sendo, portanto, um hospital de referência.

O serviço de atendimento médico aos pacientes portadores de insuficiência cardíaca ocorre no Ambulatório de Insuficiência Cardíaca do Hospital das Clínicas, uma vez por semana. O dia de atendimento é às quintas-feiras, no período matutino, sendo realizada, uma média de oito a doze atendimentos por dia.

Amostra

Participaram do estudo, 32 portadores de insuficiência cardíaca, amostra de conveniência, em atendimento regular no Ambulatório de Insuficiência Cardíaca do Hospital das Clínicas de Goiânia– Goiânia- GO. Estava cadastrado, no serviço Ambulatório IC/HC, um total de 180 pacientes.

Foram incluídos, na amostra, pacientes atendidos no Ambulatório IC/HC, com diagnóstico médico, de insuficiência cardíaca, mediante ecocardiografia, de qualquer etiologia e classe funcional, ambos os sexos, idade de 18 a 69 anos. Participaram da pesquisa, somente pacientes com estabilidade clínica, sem internações ou alterações da medicação, nos últimos três meses, que deveriam ser capazes

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de responder, verbalmente, aos questionários e aceitarem participar, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Foram excluídos, pacientes sem o diagnóstico comprovado de IC, pacientes que não compareceram no dia da consulta agendada e pacientes com prontuários incompletos.

Procedimentos

A triagem dos pacientes foi realizada por meio do prontuário, buscando identificar os critérios supracitados. Os pacientes previamente triados foram abordados no dia da consulta médica e, somente após assinatura do TCLE, as avaliações foram realizadas.

Primeiramente, os participantes responderam a um questionário com dados pessoais, clínicos, sociais e econômicos e, posteriormente, responderam ao Minnesota Living with Heart Failure

Questionnaire (MLHFQ) e ao International Physical Activity Questionnaire, versão curta (IPAQ

curto).

O MLHFQ é um questionário validado para indivíduos portadores de IC, composto por 21 questões de fácil aplicação e compreensão, cada questão apresenta pontuação variando de zero a cinco. As questões envolvem uma dimensão física (1 a 7, 12 e 13); uma dimensão emocional (17 a 21), e outras, referentes a questões como sono, efeitos colaterais de medicamentos e hábitos (8, 9, 10, 11, 14, 15 e 16). Assim, a pontuação total varia de 0 a 105, a dimensão física varia de 0 a 45, a dimensão emocional de 0 a 25 e outras de 0 a 35, sendo que quanto maior a pontuação alcançada pelo paciente pior a sua qualidade de vida 7.

O IPAQ curto é um instrumento validado no Brasil que permite identificar o tempo semanal gasto na realização de caminhada e atividade física de intensidade física de moderada a vigorosa. A classificação do nível de atividade física seguiu as recomendações do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (apud Matsudo et al., 2002). Assim, a classificação foi: sedentário, irregularmente ativo, ativo e muito ativo 11. Consideram-se, portanto, satisfatórios,

quando são ativos ou muito ativos.

Ao final do IPAQ curto, foram questionados se receberam orientações da equipe do Ambulatório IC/HC para realizarem alguma forma de atividade física; se participavam de programa de reabilitação cardíaca e, se não realizavam qualquer atividade física, quais os motivos.

Para que os pacientes entrevistados não se confundissem, diante das variáveis de cada pergunta, optou-se pelo método de entrevista, realizado pelo mesmo examinador. Os questionários foram posicionados, dentro do campo visual dos participantes, para que se certificassem das marcações das respostas dadas.

Análise Estatística

Os resultados foram expressos em média ± desvio padrão, valores mínimos e máximos e porcentagens. Os dados foram analisados pelo software SPSS v 16.0, Chicago IL. USA (Statistical

Package of Social Sciences). Para a análise de normalidade, foi utilizado o teste de

Kolmogorov-Smirnov.E, para certificação desses dados, foram utilizados o Qui-quadrado, Teste t Student e ANOVA, por apresentarem distribuição normal. Considerou-se um nível de significância de 5% (p<0,05). Para correlações de variáveis, aplicou-se coeficiente de correlação de Pearson, considerando-se os seguintes parâmetros: r < 0,30 fraca; r de 0,30 a 0,60 moderada; r de 0,60 a 0,9 forte e >0,9 muito forte 12.

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resultados

Um total 64 pacientes estava agendado para consultas nos meses de agosto e setembro. Desses, 32 não se enquadraram nos critérios de inclusão, sendo avaliados; portanto, os outros 32 portadores de IC.

Conforme demonstrado na tabela 1, a média de idade apresentada pela amostra foi de 53,5± 9,6 anos, variando de 35 a 69 anos. A amostra foi equilibrada em relação aos gêneros, predominando a etiologia chagásica e a classe funcional II. Dentre os medicamentos, houve predomínio de diuréticos, espironolactona e betabloqueadores. Os fatores de risco e comorbidades mais frequentes foram hipertensão arterial sistêmica e tabagismo/ex- tabagismo.

A fração de ejeção do ventrículo esquerdo foi classificada em fração de ejeção preservada (FEVEP), quando a fração de ejeção apresentou-se maior que 50% e fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (FEVER), quando a fração de ejeção encontrava-se menor que 50%, de acordo com o recomendado por Bochi et al. 1 (tabela 1). A média de idade dos grupos FEVEP e FEVER foi

semelhante, 51,8±8,6 e 54,6±10,1, respectivamente, (p=0,42).

Em relação às características sociodemográficas, predominaram baixa renda e baixa escolaridade, a maioria era casada e aposentada (tabela 2).

A média de qualidade de vida encontrada foi de 38,0±17,8de escore total, 16,7±9,0, na dimensão física, e 7,8±4,6, na dimensão emocional, como mostra a tabela 3. Não houve diferença de qualidade de vida, entre os pacientes com FEVEP e FEVER. Os pacientes que apresentaram escore total menor que 50 representaram 71,8% do total (n=23).

A qualidade de vida, também, foi semelhante entre os gêneros, tanto no escore total quanto nas dimensões física e emocional. A média masculina foi de 35,1± 17,8, para o escore total, e a feminina foi de 40,5±18,0 (p=0,45). Já a dimensão física do gênero masculino foi de 16,8±9,3 e do feminino foi de 16,7±9,1 (p=0,99). A dimensão emocional masculina foi de 6,7±3,7 e a feminina 8,8±5,2 (p=0,18).

Em relação à classificação dos pacientes, quanto ao nível de atividade física, observou-se predomínio de sedentários: 40,6% (n=13), os irregularmente ativos somaram 25% (n=8), os ativos 32% (n=10) e muito ativos 3,2% (n=1) (p=0,05).

Quando questionados se receberam algum tipo de orientação para realizarem alguma forma de atividade física, 75% (n=24) responderam que sim. Já os que responderam que não foram orientados em qualquer momento a praticarem atividade física somaram 25% (n=8). Do total de pacientes, somente 18,7% (n=6) participavam de programa de reabilitação cardíaca há, no mínimo, três meses.

Quando perguntados por que não realizavam atividade física, 53,8% dos pacientes (n=14) disseram ser por falta de tempo, 46,1% dos pacientes (n=12) disseram ser por falta de ânimo, 30,8% dos pacientes (n=8) disseram que não queriam realizar e 15,4% dos pacientes (n=4) disseram que se sentiam mal ao realizar qualquer tipo de atividade física. Dos pacientes participantes da pesquisa, que não realizavam atividade física, 10 responderam mais de um motivo para não realizarem.

(32)

Tabela 1 | Perfil clínico.

FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; FEVE>50%: fração de ejeção do ventrículo esquerdo maior que 50%; FEVE<50%: fração de ejeção menor que 50%; NYHA: Classe funcional de acordo com a New York Heart Association; IECA: inibidor da enzima conversora de angiotensina; BRA: bloqueador dos canais da angiotensina,* p<0,05

(33)

Tabela 2 | Características socioeconômicas.

Tabela 3 | Média ± desvio padrão de qualidade de vida total e suas subescalas.

fund: fundamental; sup: superior; *p<0,05

MLHFQ: Minnesota Living With Heart Failure Questionnaire; FEVE>50%: fração de ejeção maior que 50%; FEVE<50%: fração de ejeção menor que 50%, p>0,05

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Ao relacionar a qualidade de vida dos pacientes avaliados com o nível de atividade física apresentado, observa-se que pacientes sedentários apresentaram maior escore de qualidade de vida, o que demonstra pior qualidade de vida; porém, sem significância estatística (tabela 4).

Ao comparar o grupo de pacientes que participava de PRC com o grupo que não participava, dos seis pacientes que participavam de PRC, há, no mínimo, três meses (n=6), quatro foram classificados como ativos ou muito ativos. Já o grupo de pacientes que não participava de PRC (n=26), somente sete foram classificados como ativos ou muito ativos, (tabela 5).

Observou-se que a qualidade de vida foi semelhante nos dois grupos, tanto no escore total quanto nas subescalas (tabela 6).

As correlações dos escores do MLHFQ e IPAQ com as variáveis clínicas encontram-se na tabela 7.

Tabela 4 | Média de qualidade de vida de acordo com a classificação do IPAQ curto.

Tabela 5 | Classificação obtida no IPAQ de acordo com a participação em programas

de reabilitação cardiovascular.

IPAQ: International Physical Activity Questionnaire, versão curta; MLHFQ: Minnesota Living

With Heart Failure Questionnaire, p=0,79

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Discussão

Observa-se um interesse crescente em avaliar qualidade de vida de portadores de doenças crônicas, uma vez que permite avaliar se a terapêutica utilizada está de acordo com as suas expectativas individuais. Considerando que a pontuação máxima do MLHFQ é 105 e que quanto maior o escore pior a qualidade e vida, foram observados, na presente pesquisa, níveis relativamente satisfatórios de QV (38,0± 17,8 de escore total). Apesar de não existirem pontos de corte, observa-se que 71,8% da amostra apresentaram escore abaixo de 50. Esse resultado indica que a doença impacta pouco na qualidade de vida dos pacientes avaliados. Este estudo está em conformidade com outros achados, como os de Santos et al. 13, que encontraram, na amostra de 101 pacientes, a média de escore total

do MLHFQ, que é semelhante à do presente estudo (37,5 ±18,4), sendo que 74% eram do gênero masculino, idade de 63±13 anos e FEVE 35%±5. Nogueira et al. 14 encontraram escores médios de

41,86, em 46 pacientes com idade média de 52 anos, FEVE de 30,7±5,6, sendo que 52,2% eram do gênero feminino. Saccomann et al. 15 encontraram média de escore total de 35,3±17,2, em 170

portadores de IC com idade de 67,5±6,2anos e FEVE de 51,2%. Já Chiodelli 16 encontrou escore total

de 50,3, em nove portadores de IC com idade média de 52±6anos e FEVE de 26,2±8).

Tabela 6 | Comparação entre a qualidade de vida do grupo que realiza PRC e o grupo que não

realiza.

Tabela 7 | Correlação (r) entre qualidade de vida e nível de atividade física com as variáveis clínicas.

MLHFQ: Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire; PRC: programa de reabilitação cardíaca; p> 0,05

MLHFQ: Minnesota Living With Heart Failure Questionnaire; IPAQ: International Physical Activity Questionnaire, versão curta; CF: classificação funcional; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; *p<0,05.

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Em relação ao escore da dimensão física e emocional, também, foram encontrados valores reduzidos, 16,7±9,0 e 7,8±4,6, respectivamente, valendo lembrar que o escore máximo da dimensão física é 45 e, da emocional, 25. Resultado semelhante foi encontrado por Saccomann et al. 15, com

escore de 17,0±9,3, na dimensão física, e 6,8±5,0, na dimensão emocional. Santos et al. 13, também,

detectaram escore da dimensão física semelhante ao atual estudo (14,2±8,8); porém, verificaram maiores escores na dimensão emocional (15,1±6,4). O resultado da presente pesquisa demonstra que tanto os aspectos físicos quanto os emocionais são igualmente afetados pela doença.

Ao comparar a qualidade de vida entre os pacientes com FEVEP e FEVER, observou-se semelhança, tanto nos escore total quanto nas dimensões física e emocional (p>0,05). Sabe-se que a FEVEP (FEVE>50%) predomina em mulheres e em indivíduos mais idosos 17. Na atual pesquisa,

houve equilíbrio entre idade e gênero, entre os grupos FEVEP e FEVER, fato que pode explicar a semelhança de qualidade de vida entre os dois perfis de fração de ejeção.

Na presente pesquisa, também, não houve diferença de QV, entre os gêneros masculino e feminino. Parajón et al. 18 encontraram média de escore maior no sexo feminino (média=39), em

comparação com o gênero masculino (média=23). No trabalho de Pelegrino et al. 19, o gênero

feminino apresentou escores maiores, na dimensão total do MLHFQ; porém, sem significância estatística. Já Santos et al. 13, em concordância com a presente pesquisa, não encontraram diferenças

entre os gêneros. Não há consenso, em relação ao impacto negativo da IC, quanto ao gênero.

O impacto da doença, na qualidade de vida, pode ser influenciado por múltiplos fatores, como gravidade da doença, comorbidades, etnia, tempo de diagnóstico, se recebem apoio familiar e apoio psicológico, sendo que estas últimas não foram avaliadas, especificamente, na presente pesquisa.

Observou-se que, na amostra de 32 pacientes, 11 deles foram considerados ativos ou muito ativos (34,3%), ou seja, realizavam alguma forma de atividade física, e 21 portadores de IC não realizavam qualquer atividade física ou realizavam de forma irregular (65,7%). Considerando que somente seis deles participavam de programa de reabilitação cardíaca (PRC) e 11 foram considerados ativos, isso pode ser explicado pelo fato do serviço orientar os pacientes a realizarem alguma forma de atividade física. Somente uma minoria (n=8) não foi orientada a realizar PRC ou exercícios regulares. Porém, observa-se uma discrepância entre os pacientes que foram orientados a realizar atividade física e os que realizam de fato alguma atividade física regular. Talvez, o serviço necessite implementar estratégias para estimular os pacientes a realizar atividades físicas.

Ao comparar a qualidade de vida entre os pacientes com diferentes níveis de atividade física, observou-se que os pacientes sedentários apresentaram maior escore de qualidade de vida; portanto, pior QV; porém, sem significância (p>0,05), talvez, pelo pequeno número da amostra.

Comparando-se o grupo de pacientes, que participavam de programa de reabilitação cardíaca (PRC), com o grupo que não participava, dos seis que participavam, cinco foram classificados como ativos ou muito ativos. Esse resultado evidencia a importância dos PRC, para manter o nível de atividade física ideal. Mas um desses pacientes foi classificado sedentário, o que pode ser explicado pelo fato de um dos pacientes entrevistados não ter participado das atividades do PRC, nos sete dias anteriores à aplicação dos questionários, pois o IPAQ considera apenas as atividades físicas realizadas na semana anterior à aplicação.

Dos pacientes que não participavam de qualquer PRC (n=26), 19 foram classificados sedentários ou irregularmente ativos, sendo somente sete classificados ativos. Observa-se um perfil de

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desmotivação e desconhecimento sobre a importância da atividade física, uma vez que os principais motivos relatados, para não realizarem atividade física, foram a falta de tempo, o desânimo, ou não queriam realizar.

Sabe-se que o treinamento físico tem potencial para melhorar as anormalidades causadas pela IC, pelo recondicionamento dos músculos esqueléticos e músculos que participam da mecânica respiratória, promovendo, também, uma melhora da função hemodinâmica, modulação simpática e vagal do coração, além da sensibilidade do barorreflexo arterial 20-21. Estudos científicos têm

enfatizado a redução significativa da morbimortalidade e melhoria da QV, em pacientes tratados com PRC em associação a outras terapias como a medicamentosa, bem como seu custo efetividade. Tais estudos credenciam a atividade física como a principal intervenção no processo de reabilitação. O tratamento, por meio de um PRC, para estes pacientes, apresenta sempre forte grau de recomendação (Grau A ou B), segundo classificação proposta pela comissão da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira 7.

O grupo que participava de PRC, curiosamente, não apresentou melhor qualidade de vida. Esse resultado, supostamente, ocorreu pela pequena amostragem, principalmente do grupo que participava de PRC, valendo lembrar que alguns pacientes do grupo não praticante de PRC, também, foram classificados como ativos, fato que pode ter contribuído para esse resultado.

Ao correlacionar os escores dos questionários MLHFQ e do IPAQ curto com as variáveis: idade, classificação funcional, fração de ejeção, número de medicamentos e as co-morbidades, observou-se que o escore total de qualidade de vida correlacionou-observou-se com quantidade de medicamentos e a dimensão física correlacionou-se com idade, classe funcional, FEVE e medicamentos.

Pesquisa realizada por Pelegrino et al. 19 encontrou fraca correlação entre qualidade de vida e

idade (r= -0,17, p=0,04). Outros estudos não encontraram correlação entre qualidade de vida e idade

14, 22. Os resultados da presente pesquisa indicaram que a qualidade de vida foi melhor nos indivíduos

de maior idade, o que pode ser explicado pelo perfil específico da amostra, uma vez que o IPAQ, também, indicou que os indivíduos de maior idade apresentaram-se mais ativos. Portanto, por terem um estilo de vida mais ativo, a qualidade de vida, também, acompanhou essa tendência.

Foi observada correlação moderada entre qualidade de vida (escore total e dimensão física) e quantidade de medicamentos utilizados, sendo que quanto maior o número de medicamentos em uso pior a qualidade de vida dos pacientes, principalmente, nos aspectos físicos. Tal resultado pode ser explicado pelo avanço em que se encontra a patologia de base, sendo necessário maior número de medicamentos.

Obteve-se correlação moderada entre fração de ejeção e classe funcional com a dimensão física do MLHFQ, evidenciando que a qualidade de vida, na dimensão física, é pior quanto menor a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e pior a classe funcional (CF). Outros estudos não encontraram correlação entre a qualidade de vida e a fração de ejeção 19,23. Sabe-se que a qualidade

de vida sofre influência de múltiplos fatores, não havendo consenso na literatura em relação à FEVE e CF, interferindo isoladamente na QV.

Algumas limitações ocorreram na presente pesquisa, não foi avaliado se os pacientes estavam realizando algum tipo de terapia psicológica, fato que pode explicar o menor impacto na dimensão emocional. Sabe-se que o tempo de diagnóstico, também, pode influenciar a QV, fato, também, não avaliado na presente pesquisa. Para avaliação do nível de atividade física, utilizou-se questionário e não

Referências

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