ANA
ISABEL
DE
MELO RIBEIRO
ARQUITECTOS
PORTUGUESES:
90
ANOS DE
VIDA
ASSOCIATIVA
1863-1953
Volume I
DISSERTAQÃO
DEMESTRADO
EMHISTORIA
DA ARTECONTEMPORÂNEA
FACULDADE
DE
CIÊNCIAS
SOCIAIS
E HUMANAS
UNIVERSIDADE
NOVA DE
LISBOA
:Jt.J.5E DE V.tKUÎ SC.Ih'ĩ E .jrttfij
BIBLIOTECA
39SGG
ANA
ISABEL DE
MELO RIBEIRO
ARQUITECTOS PORTUGUESES:
90
ANOS DE VIDA
ASSOCIATIVA
1863-1953
Volume I
.Texto
''•V.
DISSERTAQÃO
DE
MESTRADO
EM
HISTÔRIA
DA ARTE
CONTEMPORÂNEA
APRESENTADA
NA
FACULDADE
DE
CIÊNCIAS
SOCIAIS
E
HUMANAS
UNIVERSIDADE
NOVA DE LISBOA
AGRADECIMENTOS
Não
podemos
deixar deagradecer
empnmeiro lugar
å Professora
Marganda
Acciaiuoli que
nosonentou
naelaboracão
destadissertacâo
Queremos
registar aqui
o nossoprofundo
reconhecimento
pelo
atento,
diligente
eprecioso apoio
que
nosconcedeu durante
oslongos
mesesde
preparacão
econcepcão
do
trabalho que agora
seapresenta,
bem
como a suadisponibilidade
eestímulo,
sem osquais
dificilmente teriamos
atingido
os
objectivos
que
nospropusemos
alcancar.Agradecemos
também á Associacáo
dosArquitectos
Portugueses (AAP),
especialmente
ao seupresidente arquitecto
Pedro
Brandão,
que desde
aprimeira
hora nosdisponibilizou
incondicionalmente
o acervodocumental
associativo
sem oqual
estetrabalho não teria
sidopossivel
assim
como asfacilidades que nos
concedeu para
a suarealizacão.
Estamostambém
muito
gratos
á
Direccão
efuncionárias
daSeccão
Regional
doNorte da
AAP
pelas
colaboracão
prestada
durante
apesquisa
documental ai
efectuada
Queremos
tambemregistar
umagradecimento
ascolegas
- FatimaCecilio
com
especial
gratidão
e FátimaCoelho
-que
no nossolocal
detrabalho
acompanharam pacientemente
aevolucâo
destadissertacâo
eque,
por vezes emprejuizo
das suaspropnas actividades
profissionais.
noslibertaram
das
nossasobngacôes
para mais
tempo
dedicarmos
âquela.
Ao Professor
AntônioCardoso
agradecemos
também
aatencão que
nosdispensou
e asinformacôes que
cordialmente nostransmitiu
Agradecemos
â Sociedade Nacional
deBelas
Artes napessoa do Sr
Antônio
Silva que
nosfacilitou
oacesso adocumentacão
importante
para
otrabalho
queapresentamos.
Por fim.
masnão
por menorimportância,
queremosregistar
amda o nossoÍNDICE
GERAL
VOLUME
I
AGRADECIMENTOS
'
INTRODUCÃO
XV
I
PARTE
DOS
ARQUITECTOS
E DA
SUA
REPRESENTATIVIDADE
ASSOCIATIVA
1
Capítulo
1A
REAL
ASSOCIAQÃO
DOS
ARQUITECTOS
CIVIS
EARQUEÔLOGOS
PORTUGUESES
3
1.1.
Fundacåo
eEstatutos
6
1.2 Actividades
12
Notas
23
Capitulo
2OS
ARQUITECTOS
NO
GRÉMIO ARTÍSTICO
31Notas
39
Capítulo
3A
SOCIEDADE DOS ARQUITECTOS PORTUGUESES
433 1
Fundacão
eEstatutos
433 2 Trabalhos
associativosaté â
constituicão do Smdicato
49II PARTE
O SINDICATO
NACIONAL DOS
ARQUITECTOS
131
Capítulo
1
AS
DISPOSIQÔES
LEGISLATIVAS
E
AS
IMPUCAQÔES
LEGAIS DA
TRANSFORMAQÃO
EM
SINDICATO
NACIONAL
1451.1.
Os
novosEstatutos
e arepresentatividade
da
classe158
1.2. Da
Delegacáo
Norte â Seccão Distntal do
Portodo Sindicato
Nacional dos
Arquitectos
177
Notas
225
Capitulo
2VECTORES DOMINANTES: 1934-1950
253
2.1
Dinamizacão
cultural,
relacôes
internacionais econgressos
299
2.1.1
0
1°Congresso
Nacional deArquitectura
328
2.1.2 Do
Anuário å
revistaoficial do
Sindicato
Nacional
dos
Arquitectos
360Notas
385
Capítulo
3ESTATUTO PROFISSIONAL E
EXERCÍCIO
DA
PROFISSÃO
433
Notas
475
Capítulo
4CONCURSOS
PÚBLICOS
DEARQUITECTURA
EURBANISMO
493Notas 533
Capitulo
5RELAQÔES
COM
ACÂMARA
MUNICIPAL
DELISBOA
549
(II
PARTE
PARA
ALÉM
DAS
DIVERGÊNCIAS
E
CONVERGÊNCIAS
DO SER
"ARQUITECTO"
5"
Notas
629
ÍNDICE
ONOMÁSTICO
631
BIBLIOGRAFIA
641
VOLUME
II
A)DOCUMENTOS
1
I)
SOCIEDADE
DOS
ARQUITECTOS PORTUGUESES
1
II)
SINDICATO
NACIONAL
DOS
ARQUITECTOS
95
III)
DELEGAQÃO
NORTE DA SOCIEDADE DOS
ARQUITECTOS
PORTUGUESES
/
SECQÃO
DISTRITAL DO PORTO DO
SINDICATO
NACIONAL DOS
ARQUITECTOS
189
ÍNDICE ANALÍTICO
I
PARTE
DOS
ARQUITECTOS
E
DA SUA
REPRESENTATIVIDADE
ASSOCIATIVA
Capítulo
1
A REAL
ASSOCIAQÃO
DOS
ARQUITECTOS
CIVIS E
ARQUEÔLOGOS
PORTUGUESES
1.1.
Fundagão
eEstatutos
Estatutos de 1864 e de 1879
(7)
-Arquivo
deArquitectura
Civil e Boletim da RealAssociacåo dos
Arquitectos
CiviseArqueôlogos
Portugueses
(10)
- MuseuArqueolôgico
doCaimo
(11).
1.2. Actividades
Primeiras
propostas
de dinamizacão associativa(12)
-Apreciacão
de concursospúblicos
(13)
-Exposicôes
(14)
- Defesa dos Monumentos Nacionais(14)
- Desmoronamentos de construcôes(16)
- "Licôespúblicas"
deArqueologia
(17)
- Admissão de A. Bermudes(17)
-Proposta
de umCongresso
Nacional deArquitectura
eArqueologia
porA. Bermudes(19)
-Admissão de R. Carvalheira(19)
-Arquitectura/Arqueologia
(21)
Capítulo
2OS
ARQUITECTOS
NO
GRÉMIO
ARTÍSTICO
Finalidades do Grémio Artístico
(31)
-Exposi-côes
Anuais(31)
- Váriaspropostas
de A. Bermudes(32)
- Concurso paraareconstrucão
daCâmara dosDeputados (33)
-Arquitectos
nos cargos directivos
(33)
- Trabalhospreparatôrios
para
afundacão
da Sociedade dosArquitectos
Portugueses (34)
- A Sociedade Nacional de Belas Artese osarquitectos
(36).
Capítulo
3A
SOCIEDADE DOS
ARQUITECTOS
PORTUGUESES
3.1.
Fundagão
e EstatutosEstatutos
(44)
- Fins e fundos da Sociedade(45)
-Admissão
de sôcios(46)
- Atribuicôes da3.2. Trabalhos associativos até å
constituiQão
doSindicato
Conselho Director: 1902-1903
(49)
- Conselho Director: 1903-1904(50)
- VICongresso
Intemacional
dosArquitectos (50)
- Conselho Director: 1904-1905(51)
- O concurso da
igreja-monumento
å Imaculada Conceicâo(52)
- Nomeacão dearquitectos
para oquadro
das Obras Públicas(52)
- Medalha Associativa(52)
- Biblioteca(52)
- Conselho Director: 1905-1906(53)
- Conselho Director: 1906-1907(55)
- Sôcioscorrespondentes (56)
-Conselho Director: 1907-1908
(56)
-Apreaacåo
de concursospúblicos
(56)
-Apoio
aos alunos deArquitectura
para areforma
do curso(57)
- ConselhoSuperior
deHigiene
daHabitapão (57)
- Uso indevido dotítulo dearquitecto
(58)
-
Excursão
associativa a Mafra(58)
- VIICongresso
Intemacional deArquitectura (58)
-
Exposicåo
Nacional do Brasil(59)
-Conselho Director: 1908-1909
(59)
- Parecer sobre aorganizacão
do ensino deArquitectura (59)
-Projecto
de lei sobre a estética da cidade de Lisboa(60)
- Concurso
para
o Matadouro
Municipal,
Porto(61)
-Regulamento
para concursospúblicos
deArquitectura
(61)
- Conselho Director: 1909-1910(61)
-Apreciacåo
de concursospúblicos
(62)
-Admissão
deestagiános
na CåmaraMunicipal
de Lisboa(62)
-Excursåo
associativa aSantarém
(63)
- Conselho Director: 1910-1911(63)
-Reorganizacâo
dos Servicos ArtísticoseArqueolôgicos
(64)
-Apreciacâo
de medidas da CåmaraMunicipal
de Lisboa(65)
- Reformados
serviQos públicos
deArquitectura
(65)
-Reorganizacão
dos servicos de obraspúblicas
do Ultramar(66)
- O concurso para o Monumento aoMarquês
de Pombal e o daCooperativa
PredialPortuguesa
(66)
- Conselho Director: 1911-1912(67)
- Concursospúblicos
para monumentos comemorativos do triunfo daRepública
(68)
- Reforma dos servicos de Belas Artes(68)
e deArquitectura
(69)
- IXCongresso
Internacional dosArquitectos,
Roma(69)
- Conselho Director: 1912-1913(71)
- Criacão do Ministéno de Instrucão e BelasArtes(71)
- Cnacåo de novascadeiras na Escola de Belas Artes de Lisboa(72)
- Reforma dos servicos deArquitectura
do Estado(72)
e da Direccão Geral de Obras Públicas e Minas(73)
- Conferências(73)
- Conselho Director: 1913-1914(74)
-Apreciacão
de concursos
públicos (74)
- Conselho Director: 1914-1915(75)
-Apreciacåo
de concursospúblicos (76)
-Servipos
deArquitectura
no Ministério do Fomento(76)
- Comissão de Estéticada Cåmara
Municipal
de Lisboa(76)
- Conselho Director: 1915-1916(77)
-Estéticamunicipal
(77)
- Concurso para os Pacos do Concelho de Guimarães(78)
-Participacão
dos sôcios na vida associativa(78)
- Conselho Director: 1916-1917(79)
-Aumento doquadro
dearquitectos
no Minislério do Fomento(79)
-Estética
da cidade de Lisboa(80)
- Concurso para osPacosdoConcelho,
Porto(81)
- Situacão dos
arquitectos
nascolônias
(81)
- Conselho Director: 1917-1918(82)
- Plano de actividades(82)
- Reformageral
do ensino(83)
- Reformas dos servicos lécnicos do Ministério doComércio
(83)
-Construcôes em cimento armado
(83)
* Conselho Director: 1918-1919(84)
-Reorganizacão
do Ministério do Comércio e Comunicacôes(85)
- Conselho Director: 1919-1920(85)
Ministério
doComércio
eComunicacôes
(86)
- CâmaraMunicipal
de Lisboa e as obras noRossio
(88)
-Exposicão
dostrabalhos de
Ventura Tena(89)
- Sociedade Estoril
(89)
- NovoRegulamento
de Salubridade dasEdificacôes
Urbanas(90)
- Conselho Director: 1924(91)
CåmaraMunicipal
de Lisboa(91)
- Concurso para o monumento aos Mortos da GrandeGuerra
(92)
- Real InstitutodosArquitectos
Britânicos(92)
- Actĩvidades associativas: 1925
(92)
- Decreto sobre o uso dotítulo
e exercício daprofissão
dearquitecto (93)
- Postura da
Câmara
Municipal
de Lisboa sobreconstrucôes
urbanas(93)
-Instabilidade
política
(93)
- 28de Maio de 1926
(94)
- Conselho Director: 1926(95)
- Conselho Director. 1927
(97)
-Concurso
para
oMausoléu
aos Mortos da Grande Guena(98)
-Propostas
dedinamizacão
da
vidaassociativa
(98)
-Reingresso
desôcios
(99)
-
Representacôes
aentidades
ofĩciais(99)
-Congressos (100)
-Apreciacåo
de concursospúblicos
(100)
- Ano socĩal de 1928
(101)
- Conselho Dírector: 1929-1930 -(102)
-Apreciacão
de concursospúblicos
(102)
-Prémio José
Luiz Monteiro(102)
-Regulamentacão
do exercicio daprofissão
(103)
-Conselho Dĩrector: 1930-1931
(104)
-Apreciacâo
de concursospúblicos (104)
- Conselho
Director: 1932-1933
(104)
-Participacão
dos sôcios na vida associativa(104)
- Concurso
para
projectos
decasaseconômicas,
Lisboa(105)
- Plano deurbanizacåo
da Praia doCabedêlo,
Viana doCastelo
(105)
-Representacôes
a entidades oficiais(105)
II
PARTE
O
SINDICATO
NACIONAL DOS
ARQUITECTOS
A
Europa
apôs
a I Grande Guerra(133)
-Portugal:
28 de Maio de 1926(134)
- NovaConstituicão
Política daRepública
Portuguesa (138)
- O Estatuto do Trabalho Nacional e oDecreto-Leidos Sindicatos Nacionais
(139)
- Grevegeral
de 18.Jan.1934(139)
- 1Congresso
daUnião Nacional e
Exposicâo
Colonial, Porto(140)
- SecretariadodaPropaganda
Nacional(141)
- O EstadoNovo e Oliveira Salazar(142)
Capítulo
1AS
DISPOSIQÔES
LEGISLATIVAS
E
AS
IMPLICAQÔES
LEGAIS DA
TRANSFORMAQÂO
EMSINDICATO NACIONAL
Estatuto do Trabalho Nacional
(145)
- Decreto-Lei n° 23.050, os Sindicatos Naciona.s(146)
-Deveres dos Sindicatos Nacionais
(147)
- Ordens e Smdicatos Nacionais(148)
- Discussão1.1.
Os
novosEstatutos
e arepresentatividade
daclasse
Nova
definipão
dos Estatutos do Sindicato Nacional dosArquitectos (158)
- Fins(158)
-Exercício
daprofissão
(160)
-Imposto
profissional (162)
-Admissão
desôcios
(163)
-Deveres edireitos
dossocios
(164)
-Direccão
(165)
- Assembleia Geral(167)
- ConselhoDisciplinar
(169)
- ConselhoSuperior (171)
- Seccôes Distntais(172)
- Diferencas e
afinidades dos Estatutosassociativos de 1903 ede 1933
(172).
1.2. Da
Delegagão
Norte å
Seccão Distrital
do Portodo
Sindicato Nacional dos
Arquitectos
Fundacâo
daDelegacåo
da Sociedade dosArquitectos Portugueses (178)
- Bases para a fundacão daDelegaQão
(180)
-Mocâo
de Coimbra(184)
- Extincåo daDelegacâo
(187)
-Sociedade dos
Arquitectos
do Norte(189)
-Reorganizacão
daDelegacâo
Norte(191)
-Regulamento
daDelegacåo
(200)
-Formacão
da Seccão Distrital do Porto do SindicatoNacional
dosArqurtectos
(208)
-Regulamento
da Seccâo Distrital do Porto do Sindicato Nacional dosArquitectos
(214)
-Excursão
comemorativa da fundacâo da Seccão Distrital(216)
- Primeira Direccâo da Seccão Distrital(217)
- Actividades sindicais em 1941
(218)
-Actividades sindicais em 1942
(218)
-Dissolucão
daSeccão
Distrital(219)
- A Direccão de 1944(220)
- A Direccão de 1945/1946(221)
- A
Direccâo
de 1947(221)
- A Direccão de 1949(222)
- A ODAM e o movimento sindical(222)
Capitulo
2
VECTORES DOMINANTES: 1934
- 1950Direcgão
de 1934(253)
- Direccão de 1935(255)
-Direcqão
de 1936(256)
- Biblioteca(257)
- Revista"Arquitectos"
(257)
-Apreciacão
de concursospúblicos
(258)
- Reforma dos
Estatutos
(259)
-ConstituiQão
da OrdemdosEngenheiros
(260)
-Direcgão
de 1937(261)
-Imposto
profissional
(263)
-Regulamento
do exercicio daprofissão
eproteccão
do uso do títulodearquitecto (264)
-Regulamentacão
da construcão e aCåmara
Municipal
de Lisboa(264)
- Outras actividades associativas(265)
- Necessidade de um"programa
concreto de realizacôes"(266)
-Direcgão
de 1938(267)
- Comemoracôes doDuplo
Centenário
da Fundacão e Restauracão da Nacionalidade(267)
-Exposicão
deArquitectura
e 1°técnicos
estrangeiros
emPortugal
(278)
-Cnacão
deum "atelierdeArquitectura privativo
doSindicato"
(278)
-Regulamento
do exerciciodaprofissão
(279)
-Participacão
dos sôcios na vida sindical(279)
- Direccão de 1942(280)
-Solicitacôes
å CâmaraMunicipal
de Lisboa(281)
- Efeitos da II Grande Guerra(282)
-
DirecQão
de 1943(282)
-"Categoria"
do cursode
Arquitectura
(282)
-Apreciacão
de concursospúblícos
(283)
- Novas
construcôes
noParque
Eduardo VII(283)
- Relacôes com a Ordem dosEngenheiros (284)
-
DirecQão
de 1944(284)
-Legislacão
de interesseprofissional (284)
-
Apreciacão
de concursospúblicos
(285)
-Dinamizacâo
da vida associativa(286)
-DirecQâo
de 1945a 1948(286)
-Apreciacåo
de concursos
públicos (287)
-Organizacão
de um "Curso deUrbanologia" (287)
- Relacôes
com a Cåmara
Municipal
de Lisboa(287)
- Exercíciodaprofissão
eéticaprofissional
(288)
-Revista
"Arquitectos"
(288)
- Ano social de1946-1947
(290)
-
Conferências
(290)
-Regência
das cadeiras de Urbanismo na Escola de Belas Artes de Lisboa(291)
-Congressos
(291)
-Apreciacáo
de concursospúblicos
(291)
- 1°
Congresso
Nacional deArquitectura
(282)
-EleiQôes
para o triénio 1948/1950(293)
-DinamizaQão
da vidaassociativa
(293)
-Exercício
daprofissão
(294)
-Regulamento
Geral dasConstrucôes
Urbanas(294)
-Suspensão
de Keil Amaral(295)
-Caracterizacão
dasprioridades
associativas(296)
2.1.
DinamizaQão cultural,
relagôes
internacionais
econgressos
ExposiQôes (300)
-Palestras
(304)
-RelaQôes
internacionais(308)
-Congressos
(312)
2.1.1. O
1°Congresso
Nacional deArquitectura
As
primeiras
ideias deCongresso (328)
- AshesitaQôes
em torno doCongresso
de 1948(331)
- Acertos no seio da classe(336)
- Eleicâo da"Comissão
de Estudos"(340)
- Oprojecto
deprograma
(341)
- Oprojecto
doregulamento
(342)
- Eleicão da ComissãoExecutiva
(343)
e as suasreuniôes
(347)
- Inscricôes(349)
-Sessão
de abertura(349)
- Os temas em debate(351)
"AArquitectura
no Plano Nacional" e "O ProblemaPortuguês
daHabitacão"
(353)
- Sessão de encenamento(356)
- O Sindicato. osarquitectos
e oCongresso
(357).
2.1.2. Do
Anuárioå revista
oficial do Sindicato Nacional dosArquitectos
O "Anuário" da Sociedade dos
Arquitectos Portugueses
(360)
- A ideia da revista"Arquiteclos" (361)
- Pedido decolaboracão
aossôcios(362)
- Publicacão doprimeiro
(365)
edo
segundo
números(368)
- Dificuldades editonais(369)
- Contactos internacionais(369)
•Problemas financeiros e
apoios
oficiais(371)
-Suspensåo
da revista(374)
- Tentativas dereediQão
(375)
- Breve inventáriodaspubhcacôes penôdicas
portuguesas
vocacionadas paraCapítulo
3
ESTATUTO PROFISSIONAL E
EXERCÍCIO
DA
PROFISSÃO
Regulamento
dousodo título eexercício
daprofissão
dearquitecto,
engenheiro
e construtor civil(436)
- Ordem dosArquitectos (440)
-Regulamento
doshonorários(444)
-Regulamento
doexercício
daprofissão
dearquitecto
(446)
-Côdigo
dos Deveres Profissionais(448)
-Regulamentacåo
do exercício dasprofissôes
dearquitecto,
engenheiro
e construtor civil(450)
-Projecto
de lei dedefiniQáo
daprofissão
dearquitecto (452)
-Regulamento
da Carteira Profissional(453)
-Projecto
donovo edifício sededa Ordem dosEngenheiros
(458)
-
RegulamentaQåo
dasprofissôes
dearquitecto
eengenheiro (460)
- Instituto de Colaboracão Técnica(462)
- Relacionamento com o Ministériodas Obras Públicas e Comunicacôes(463)
- Duarte Pacheco
(466)
- Situacåo dosarquitectos
nascolônias
(470)
- ADirecQâo
pôs-Congresso
de 1948(472).
Capítulo
4CONCURSOS
PÚBLICOS
DE
ARQUITECTURA
EURBANISMO
Proposta
deRegulamento
da Sociedade dosArquitectos Portugueses
para concursospúblicos
deArquitectura
(494)
- A Sociedade dosArquitectos
e o concurso para o monumento aoMarquês
de Pombal(497)
e outros monumentos comemorativos daimplantaQão
daReptiblica
(499)
■ Edificio dos Pacos do Concelho para as cidades de Guimarães e Porto(499)
- Monumento aos Mortos da Grande Guerra(500)
- Concursopromovido
pela
CâmaraMunicipal
de Lisboa paraprojectos
tipo
de casaseconômicas
(500)
- Monumento aos Mortos da Grande Guerra,
Lamego;
Monumento a João de Deus(500)
-Padrão aos Mortos da Grande
Guerra,
Luanda; Edificio dos Pacos doConcelho,
Lobito,Monumento å Rainha D. Leonor, Caldas da
Rainha;
Pavilhôes dePortugal
naExposiQão
Intemacional e
Colonial,
Paris(501)
- Concurso para aconstruQão
de novos liceus(502)
-Palácio
daAgricultura;
Cemitério MilitarPortuguês
emRichebourg
l'Avoué: Monumento aosMortos da Grande Guerra,
Braga (503)
- Plano deUrbanizaQão
da Praia doCabedêlo,
Vianado Castelo
(503)
- Plano deUrbanizaQão
de Luanda(504)
- Plano deUrbanizacão
da Praiada Rocha
(505)
- Monumento ao Infante D.Henrique, Sagres (506)
- PlanodeUrbanizacão
dasTermas do Gerês
(512)
- Palácio doComércio,
Indústria eAgricultura,
Luanda(512)
-Casa de
Repouso
dos Inválidos do Comércio(514)
- Monumento a Mouzinho deAlbuquerque,
LourenQO
Marques
(515)
-PaQos
do Concelho de Almada(515)
- PavilhãodePortugal
naExposicão
Internacional de Paris(516)
-Proposta
deRegulamenlo
do Sindicato Nacional dosArquitectos
para concursospúblicos
deArquitectura (517)
- Edifícioda Casa doDouro
(522)
-Ante-projecto
de Urbanizacao da Praia de Santa Cruz(523)
- Concurso "Bem-Estar Moderno"(524)
- Sede eestúdios
do Rádio Clube deMoQambique (525)
-Arranjo
arquitectônico
daPraQa
dos Poveiros. Porto(526)
e fachadasdosedifícioscom frente
para
esta Pracae para a de Carlos Alberto, Porto(528)
-Hotel de 1a classe nas Termas doGerês
(530)
- Mercadomunicipal
daBeira,
MoQambique
(531)
- Concurso intemacional de 1949para
afabricacão industrial
de50
mil vivendas destinadas afamíliasespanholas
(532).
Capítulo
5
CÂMARA
MUNICIPAL DE LISBOA
A
institucionalizacão
dosprémios
Valmor(550)
eMunicipais
deArquitectura (551)
-Comissão
de Monumentos eEstética
da Cidade de Lisboa(555)
-Comissåo
de Estética(555)
- ComissãodeEstética Citadina
(558)
-ExtinQão
da 4«Reparticão (Arquitectura)
(559)
- Concurso para a entrada
monumental
doParque
Eduardo VII(561)
- Oprograma do
concurso de
projectos
de "Casas Baratas"(563)
-Regulamento
Geral daConstniQão
Urbana para a Cidade de Lisboa(566)
-Regulamento
daConstnjQâo
Urbana(569)
- O exercício da
presidência
de Duarte Pacheco(570)
- Jomal "AConstrucão"
(573)
- Venda de terrenoscamarários
em1940
(574)
-Venda
de terrenos noParque
Eduardo VII(575)
-
Alteracão
aoRegulamento
Geral daConstrucão
Urbana para a Cidadede
Lisboa(579)
-Presidência
de A.SalvaQão
Barreto(580)
-Regulamento
Geral daConstrucão
Urbana(580).
III
PARTE
PARA
ALÉM
DAS
DIVERGÊNCIAS
E
CONVERGÊNCIAS
DO
SER
"ARQUITECTO"
InserQão
profissional
doarquitecto (601)
-Arquitectura
earquitectos (602)
- A ideia dearquitecto
(602)
- TertulianoMarques,
primeiro presidente
do Sindicato(604)
-AcQão
associativa de Pardal Monteiro
(604)
- CottinelliTelmo,
presidente
da Direccâo do Sindicato Nacional dosArquitectos (608)
-RelaQôes
intemacionais,
Pardal Monteiro(609)
e o IIICongresso
da União Internacional dosArquitectos (611)
-EleiQôes
para o triénio de 1948/1950(611)
-Suspensão
de Keil Amaral(612)
eintervenQão
de Pardal Monteiro(613)
-A classe e a defesa de Keil Amaral(617)
- Esclarecimentos dopresidente
demitido(619)
INTRODUCAO
A escolha e
delimitaQão
de umobjecto
de estudonão é
um actogratuito
e obedecea
motivacôes
geradas
quer
pela
formacáo académica
querpelas
condiQôes
específicas
daactividade
profissional
Neste caso concreto ambas assituacôes
conduziram a uma escolha - olhar os
arquitectos
portugueses
através
das suasorganizaQÔes
profissionais
enão da
Arquitectura,
que tal
como aPintura
e aEscultura,
é habitualmente entendida
como oobjecto
formal da Histôna da Arte
epara o
qual
se sentia menorapeténcia.
0
mteresseparticular
por
estatemática,
em torno daqual
seefectuaram
aspnmeiras
aproximaQÔes
durante aparte
curricular doMestrado,
criou desdelogo
expectativas,
desencadeoucunosidades vánas
no sentido deaprofundar
umalinha
de leitura
organizada
esistematizada
daprofissão
doarquitecto
gerada
apartir
desi
prôpria, espécie
de historia
paralela
de
uma outrahistona
Uma pesquisa
bibliográfica
centrada
nesteaspecto,
revelouque
ahistonografia
da Arte
portuguesa.
apesar das notáveis
contribuiQÔes
que nosúltimos decénios têm
sidoproduzidas,
nâo
temdado
o mesmoénfase
aosprotagonistas
dasobras que
situam e
analisam
esobre
asquais
reflectem criticamente. Mesmo atendendo aosdiferentes contextos
da
produQão arquitectônica,
parecem
ser msuficientes osesclarecimentos fomecidos
quanto
ao trabalho continuado dosarquitectos
organizados
nas suasassociaQôes
de classeque
visavamnáo sô promover
a suaactividade.
mas sobretudo melhorar edignificar
ascondicôes
doexercicio
daprofissão
Procurou-se
recuar notempo
nabusca de
umfio condutor que
pennitisse
estabelecer constantes
de
intervencáo
daclasse
formuladas
pelos
seusinterlocutores reconhecidos
oficialmente Fixou-se então
oponto
departida
emapesar
da suadesignaQão
numapnmeira
leiturapoder
transparecer
alguma
indefinicão
noque
serefere
ao estatutoprofissional
dos pnmeiros
Inquiriu-se.
emfontes
impressas,
sobre
aactividade que
aquela
desenvolveu,
quais
as suaslinhas
mais vincadas
deactuacão,
ao mesmotempo
que
seprocurou identificar
propostas
e
proponentes,
causas eefeitos
Mas, verificou-se,
avancando
ainda noséculo
XIX,
que
houve umabifurcacão
que
encaminhou osarquitectos
para
outrasagremiaQôes
eque
se napnmeira
seidentifica
operfil
de umarquitecto-arqueôlogo,
nasegunda, já
noGrémio Artístico, desenha-se
oarquitecto-artista
Não
deixade
serimportante
sublmhar que foi
prôximo
dos
artistas enão dos
arqueôlogos
edevido
a novasexigências
da
propria
sociedade
emque
se inseriamque
obrigou
a uma maiorespecializaQåo
do ramo deactividade,
que
osarquitectos
portugueses
sedimentarammaior consciência
de classeque
conduziu,
em1902,
ã
fundaQão
daSociedade
dosArquitectos
Portugueses, algo
tardia secomparada
com o
aparecimento
das
suascongéneres
europeias
Foi
estaque,
em actopioneiro, empreendeu
aspnmeiras
reivindicaQôes
de fundo
quanto
aoexercicio da
profissão,
estendendo
a sua actividade a todos osdomínios
convergentes
nofazer
daArquitectura,
nåo sô
doponto
de vistainterdisciplinar
mastambém institucional
Produziram
regulamentaQâo prôpria
â
qual
pretenderam
vincular
todos osprofissionais
estivessem
ounão inscritos
noorganismo
declasse,
empreenderam
acQôes
nosentido
de aumentar a suaárea
deinfluência,
desenvolveram
actividades deâmbito
culturalestabelecendo
relaQôes
comassociaQÔes
internacionaiscongéneres,
pugnarampela
defesa do uso do título eexercício da
profissão
de
arquitecto,
intervieram
namaioria dos
concursospúblicos
de
Arquitectura
eUrbanismo que então
serealizaram,
atentos,
empenhados
econvictos do seu
papel pedagôgico
ecultural,
protestaram
ouelogiaram
asmedidas
tomadas de
alcancemunicipal.
Desdelogo
ficaramtracadas linhas
dominantes
que
se foramadequando,
algumas
até
áactualidade,
ãs
prosseguindo,
apartir
de1934.
noSmdicato
Nacional dosArquitectos,
designaQão
imposta
pelo
Estado
Novoque sempre
senegou
aautonzar,
combase
numatradiQão
pouco
explicita,
o estatutode
Ordem,
defendido edesejado
por
aqueles
profissionais.
É
apartir
de entåo que
commaior
evidéncia
sepodem
estabelecer
relaQôes
entredingentes
e rumosassociativos,
transparecendo
contomoscada
vezmais nitidos
quanto
å
definiQão
do estatuto daprofissão
Destacam-se
figuras
queimprimíram
marcas
de
longa
duracão
no seuorganismo de classe. sendo
possivel
através
delas
eleger
momentos decrucial
importáncia
para a histona domovimento
associativo
que onginaram
comoque
ciclosque
seabriam
e fechavam em novasetapas
eleitorais Uma das
figuras
mais
marcantesfoi
ade Pardal
Monteiro que
numa
permanência
continuada cumpnu
comodirigente
associativo
umdos
periodos
mais
complexos
da
Histôria
de
Portugal contemporáneo assegurando
apassagem para
os anos50.
anospás
1°Congresso
Nacional deArquitectura
que
trouxeram
para
apnmeira linha
protagonistas
outros,
alicerQados
numaoposicáo
aoregime
então fortalecida
nosprimeiros
anos dopôs-guerra,
dealguma
formaaglutmados
em torno de Keil AmaralO afastamento
de Pardal Monteiro dasactividades
associativas em1953,
apos
arealizacão
emLisboa.
do III
Congresso
daUnião
Intemacional dosArquitectos,
encerra umperiodo
da vidasindical que,
por
determinaQôes conjunturais
ede
prática profissional,
exigem
umdiferente
questionar
aofio
condutorinicialmente estabelecido. Por
issotermina
aqui
oinquénto
iniciado
90 anos antes com aconviccão,
porém.
deque herancas houve
que transitaram
epenmaneceram
comopriondades
do movimento associativocujos
ecos
ainda
se fazem sentir naactual
Associacáo
dosArquitectos Portugueses
que
agora cumpre
ecumulativamente
os seus 90 anos, contados apartir
daprimeira
tomadade posse
dosorgãos
directivos daSociedade dos
Arquitectos
Portugueses.
A
dissertacão
queagora
seapresenta
resultou de umapesquisa
ecompilacâo
doutilizadas como
fontes
manuscntas os livros deActas das Assembleias Gerais
edas
DirecQôes
da
Sociedade
edo
Sindicato,
bem
como os seusrelatônos
anuais ecorrespondência
enviada
erecebida
noperíodo
entre1903
e1953
Todavia,
importa
salientar que tal
acervo.testemunho
vivo eirrefutável da
vtdaassociativa,
nem
sempre
apresenta
com a mesmaexaustão,
descncão
eautenticidade
osfactos
aque
sereferem.
SituaQôes
houve
emque foram localizadas várias Actas
da
mesmareunião,
resultando a sualeitura
comparativa
extremamenterelevante,
já
que para
oslivros foram
transcntasversôes
menosdenunciadoras das
divergências
havidas
quanto
aos assuntos emdebate,
casosidentificados
aolongo
do texto.Importa
ainda
salientar que circunstâncias diversas. nomeadamente
ospoucos
estudos
existentes sobre
otema e oineditismo da maioria das fontes documentais
utilizadas,
nåocatalogadas
edispersas
eque por
issoobrigaram
å
suainventariacåo
eordenacáo
no intuitode
asagrupar
numconjunto
dereflexão
coerente,
foram factores que contnbuiram para que fosse
ultrapassado
onúmero
de
páginas
previamente
aconselhado para trabalhos
destaindole.
Apesar
de toda ainformacão contida
napresente
dissertacão
se centrar emtais
fontes, sempre que necessário
recorreu-se abibliografia complementar
afim de
melhor
esclarecer aexposicâo
em curso,remetendo-se para
notas asreferências
abreviadas de
bibliografîa específica.
Optou-se
remetertambém para
notacitaQôes
mais
longas
dos documentos que
sepretende
que venham aclarificar
oucompletar
o
prôprio
texto,
mantendo-seentão
a suaortografia original,
alterada neste paramaior facilidade
e continuidade de leitura.Ao
longo
daelaboracão
destetrabalho,
descobertas
sucessivas dedocumentaQão
e
de elementos recolhidos
embibliografia,
vieram
iluminar
problemas
que foram
estudo.
Apnmeira
parte
resultou assim num texto maisrigido
e descntivo noqual
se
procurou reunir elementos sôlidos
eelucidativos
dosaspectos
de
maiorpertinência
para aclasse,
depois ampliados
eaprofundados
através
do movimentoreivindicativo
empreendido
pelo
Sindicato
Nacional
dos
Arquitectos,
único
organismo
profissional
existente apartir
do início
dos anos30,
pano
defundo mais
movimentado
emais
ngoroso,
dasegunda
parte
desta dissertacão
Em
termosgenéricos
é
este oconteúdo do volume I. Quanto
aoII,
dedocumentacão,
agrupou-se
maisalguma
informacão
sobre avida
associativa eilustraQÔes
que
completam
ocorpo do
trabalho realizado.Para
tantopartiu-se
também de um
pressuposto:
anecessidade de dar
aconhecer
documentosaté
aqui sô
parcialmente
divulgados
eque
seconstituem
comopeQas
importantes
para
a
construcão de
um todoque
secrê
poder
ficar mais
coerenteeelucidado
Por tudo
isso,não parece
excessivoaspirar
aque
opresente
trabalho venha
clanficar e trazer nova
informaQâo
sobre aprofissão
de
arquitecto
emPortugal,
sempre olhada
ereflectida através da vida associativa que, secundando
ajá
I
PARTE
DOS
ARQUITECTOS
E DA
SUA
REPRESENTATIVIDADE
Capítulo
1A
REAL
ASSOCIACÃO
DOS
ARQUITECTOS
CIVIS
E
ARQUEOLÔGOS
PORTUGUESES
A
primeira
organizacão
de
arquitectos
portugueses
foi
fundada
já
nasegunda
metade do século
XIX,
emLisboa,
por Possidonio
daSilva,
arquitecto
da Casa Real
(1).
Inicialmente autônoma
emrelaQão
aquaisquer
outrasprofissôes,
iniciou
umvasto e
irreversível processo
reivindicativo,
com adesignacão
deAssociaQâo
dos
Arquitectos
Civis
Portugueses.
Em consonância
com o seuenquadramento
romántico
ereflectindo
ashesitaQÔes
inerentes
a umaépoca
emque
oarquitecto
procurava definir-se
asi
prôpno,
fez confluir
na mesmadireccão diferentes
disciplinas
como aArquitectura,
aArqueologia,
aconstnjQão
e seusmatenais,
opatrimônio,
aformacão artística.
,temáticas que, por ainda
pertinentes,
foram
retomadas
já
noinício do século
XXpela
Sociedade dos
Arquitectos Portugueses
As
transformaQÔes
econômicas,
politicas
e sociais decorrentes da sociedadeindustrial do seculo
XIX,
alterando
asantigas
estruturas, inovando
tecnicamente,
provocando
onascimento
e crescimento dascidades,
representam
para
oarquitecto profundas
mutaQôes
que passaram.
entre outras,pela
redefiniQão
dassuas
competências profissionais. (2)
O
novo contexto cultural etécnico
tornouanacrônico
omito
doarquitecto
como"homem
Universal".
classificaQâo
renascentista que
oacompanhou
aolongo
dosséculos
Entre
asreferências humanistas
ecientificas.
oarquitecto
procurou
redefinir-se
profissional
esocialmente, confrontando-se agora
com uma novaclasse
profissional
- osengenheiros
civis resultado directo do desenvolvimento daciência
eda técnica.
Por outro lado
surgiram
também mediadores econômicos
ligados
âespeculaQão
fundiária que dealguma
forma chamaram a sicompetências
dos
seusdireitos
einteresses
enquanto
classe
profissional.
Se
em outrospaíses,
comopor
exemplo
emFranQa (3),
foi
possível
manter avida
associativa desde oprimeiro
decénio do
século
XIX,
sempre
esô
em tornodos
arquitectos,
emPortugal
tal
não
sevenficou.
Em
1872,
aAssociaQâo
dos
Arquitectos
Civis
Portugueses
passou
adesignar-se
Real
Associacão dos
Arquitectos
Civis
eArqueôlogos Portugueses,
unindo-se
assim
uma novaespecialidade emergente
do
contextocultural
oitocentista,
ligada
aoaprofundamento
daantiguidade
clássica
eá descoberta da
arqueologia
medieval.
A vertentehumanista
e oprograma de estudos que interferiam
directamente
naformacão
doarquítecto, ligaram-no
assim á histôna
eâ
arqueologia.
Adifusão
dosmodelos
e dasreferências
histôricas
dos mais diversosmonumentos, favorecida
pelo
desenvolvimentoda imprensa, influenciou
e marcoua
producão arquitectônica
deentão,
aproximando
ainvestigaQão
histonca
e asescavaQÔes
desenvolvidas
pelos arqueôlogos,
dos
levantamentos emaquetes
realizadas
pelos arquitectos acompanhando
asviagens
decuriosos
e amadorescom
poder
economico.
O
encontro dastemáticas
fundamentais destas duasdisciplinas
fazia-sepor
via deum
passado
que,
emPortugal,
acabou por
serdeterminante
naevolucão das
estruturas
representativas
da
classe dosarquitectos
Se
naagremiacão
cnada porPossidônio
daSilva
surgia
claramente expressa
epela primeira
vez, avocaQão
para
a defesa daArquitectura (4),
secundando
de formaalgo
lenta edifusa
oenfoque
cada vez maisexplicito
que
osproblemas
inerentes a esta eaqueles
quea
exerciam
comoprofissão obngavam,
najá
então
AssociaQâo
dos
Arquitectos
eArqueôlogos
foram incluidaspreferencilamente
questôes
maisabrangentes
relacionadas
com adefesa
dopatrimônio
histonco
eartístico,
elasprôpnas
reflexo
da
heterogeneidade
dos
seus membros(5).
Ainda que com um certodesfazamento
0
novopano
defundo da criacão
arquitectônica
foi
ennquecido
com novos materiaisque
proporcionaram
eviabilizaram
outrosdesenhos
eoutras
expressôes
plásticas. Apesar
dopeso
dasreferências
arqueologicas
serdetectável
naArquitectura
do século
XIX,
as novassolicitaQôes,
implicando
novosprogramas
construtivos oriundos também eles
de novosclientes,
demonstravamque
ser"arquitecto"
eracada
vez menos sertambém
"arqueôlogo",
ao mesmotempo
que
ocorpo teônco formativo
einformativo de
suporte
aambas
asdisciplinas
seafastava
e aformaQâo
do
"arquitecto",
enquanto
tal,
reclamava. por
seulado.
contornos maisdefinidos.
Esta
formacáo,
recebida
nasEscolas
eAcademias de Belas
Artes,
aproximava-os,
emcurnculus
escolares comuns, dospintores
e escultores oque levou, por
vezeså
valonzacão
excessivada
vertente cnativa epropnamente
artística
dosarquitectos,
em detnmento dos seus conhecimentos tecmcosMas, apesar
destesreivindicarem
as suashabilitaQôes específicas
nestedominio,
constata-seque
estes,
doponto
de
vistaassociativo,
seaproximaram
mais dos
seusex-colegas
deaprendizagem
Assim,
naauséncia
de umaassociaQão prôpna
ouparalelamente
aesta e tal como se vera mais
adiante,
osarquitectos
vão
integrar
e terparticipaQão
importante
emassociaQôes
como aSociedade Promotora de Belas Artes
e oGrémio
Artístico,
ouainda
naAssociaQão
dosCondutores
deObras Públicas
(7),
quecongregava
profissôes
proximas
da doarquitecto
e doengenheiro
Neste
sentido,
importa
percorrer
e atentar nestasorganizaQôes,
tanto nos seus fundamentosteôricos
comopráticos, procurando
assimesboQar
aslinhas de
forQa
do movimento
associativo dosarquitectos
portugueses
nasegunda
metade
de1.1.
Fundagão
eEstatutos
Foi
no dia22 de
Novembrode
1863,
pelas
11 horasda manhã que
oarquítecto
daCasa Real
Joaquim
Possidônio
Narciso daSilva
convocou os seuscolegas
João
Pires da Fonte
eJosé da Costa
Sequeira,
ambos
professores
naAcademia
Nacional
de Belas
Artes deLisboa,
bem comoFeliciano
deSousa
Correia,
Paulo
José Ferreira da
Costa,
Valentim
José Correia,
Veríssimo José
daCosta
eManuel
José
deOliveira,
todosarquitectos
da
RepartiQão
deObras
Públicas,
para
umareunião
naCalcada do Combro,
noGrémio
Popular
Esta
reuniâo,
emque
Possidônio da
Silva
apresentou
umprojecto
deEstatutos
comobase
dediscussâo,
foi
um momentodecisivo para
aformaQão
dapnmeira
associaQão
dearquitectos
em
Portugal
Todos
responderam
ao convite de se"conjugarem
e reunirem, a fim deadvogarem
anobre
causada
Arquitectura"
que,
segundo
era afirmado na"Sinopse
dos
trabalhos
daAssociacão",
andava"por
assim dizermos
-å
revelia".Este grupo de
arquitectos
não hesitouassim
"um momento emvir
adar
o seu voluntanocontingente
dededicaQão
eesforQo,
apesar daarruinada
saude demuitos,
e docansaQO de
todos,
originado pelo grande
número de
anosgastos
noserviQO
doEstado".
(8)
Nesta pnmeira reunião Possidonio da
Silva
anuncioutambém
atodos
ospresentes
ter
dirigido
cartas-convite
a LucasJosé dos Santos
Pereira,
então
directordas
obras do Mosteiro da
Batalha,
aosprofessores
deArquitectura
da Academia de
Belas Artes
doPorto
e aosarquitectos
daCámara
Municipal
da mesma cidade aDias
depois,
eapôs
novasreuniôes, foi eleita
umadireccâo
provisána
para
onentaros
trabalhos
preparatorios,
eda
qual
faziam
parte:
Possidônio da
Silva, presidente,
J. da
Costa
Sequeira,
1°
secretáno,
P
JFerreira da
Costa,
2° secretáno
e Fde
Sousa
Correia,
tesoureiro. Foi também
nomeada umacomissão
incumbida de
proceder
â
redacQão
definitiva dos
Estatutos,
composta
por J. da Costa
Sequeira,
P.
J. Ferreira da Costa
eValentim J.
Correia
A
redacQâo
eaprovacão
definitiva
dos Estatutos tevelugar
numareunião reahzada
a
20 de
Dezembro de
1863,
sendo também deliberado que
opresidente
ossubmetesse â
aprovacão
regia
eque
ostrabalhos associativos
tivesseminicio
emJaneiro
A entãoAssociacão
dos
Arquitectos
Civis
Portugueses
viu os seusprimeiros
Estatutos
aprovados pelo
Decreto
de30 de
Janeiro de 1864 que, por
Alvará
Régio
de 14 deNovembro
de1872,
passou adesignar-se
RealAssociacão
dos
Arquitectos
Civis
eArqueôlogos Portugueses,
oque deu
origem
á
elaboraQão
dos
segundos
Estatutos. reconhecidos
a30 de Setembro de 1879.
(10)
Assim.
se nospnmeiros Estatutos
afinahdade
destaAssociacão constituida por
arquitectos
era"ocupar-se
dos
assuntos da suaprofissão,
tanto naparte
teoncacomo
prática"
para além dos
de"junsprudência
eadministraQão
relativa aArquitectura
civil,
pnncipalmente
emrelaQão
aos mteressespúbhcos
epnvados,
que dizem
respeito
á classe" (11).
nossegundos
Estatutossão
maisamplas
assuas
finahdades.
perdendo-se
assim a suavocaQão primeira
AReal
AssociaQão
passou
a sercomposta
por
"arquitectos,
arqueôlogos
e amadores deArquitectura
e
arqueologia
de ambos os sexos"pretendendo
contnbuir
para "aumentar oespinto
de
confraternidade"
entrearquitectos
earqueôlogos
no sentido depromover "o
progresso da
Arquitectura
e oestudo
econservaQâo
dosobjectos
arqueolôgicos" (12)
Aliás,
nestessegundos
Estatutos
algo
de mais concretoé definido
emrelaQão
asassuntos
por
ambos osgrupos
profissionais, pela promoQão
detrabalhos
noâmbito
da
Arquitectura
edo
desenvolvimento
deinvestigaQôes arqueolôgicas,
bem comopela
realizacâo
periôdica
de"exposÍQÔes
dedesenhos
e modelos deArquitectura,
e deobjectos
deantiguidades
de
diversasépocas"
Por
último
oempreendimento
de"escavaQÔes
no soloportuguês
para
recolher aspreciosidades arqueolôgicas
que
nele seencerrem",
eratambém
um dosfins da Real
Associacão.
(13)
Quando da
suafundacåo
eaté ã
aprovacão
dos pnmeiros
Estatutos,
podiam
inscrever-se
nacategoria
de
"sôcios fundadores" todos
osarquitectos
que
pertencessem
"ãs
Academias deBelas
Artes de Lisboa ePorto,
osempregados
noMinisténo
dasObras
Públicas,
os daCasa
Real,
e todosaqueles
que tiveremnomeacão
régia
dearquitecto
civil". De
acordo com oArt° 3°
doCapitulo
I,
podiam
ainda
inscrever-se comosôcios
osarquitectos
quenão
se encontravam emnenhuma
dassituaQôes
antenores masque tivessem
"mais de25
anosde
idade,
e houverem delineado edirigido
obrascuja
importância
osconstitua
dignos
de serempropostos". (14)
Para
se seradmitido
comomembro
da
AssociaQão
eranecessáno
ternacionalidade
portuguesa
outê-la
pelo
menosadquindo
atrês
anos Era tambemcondiQão "possuir
os conhecimentosmdispensáveis
para exercer aArquitectura
civil, adquindos pelos
estudosregulares
nesta arte" e,finalmente, "ter dado provas
de
capacidade
eexperiência
emtrabalhos
teôricos
epráticos"
Este
Capítulo
II dosEstatutos de 1864 que diz
respeito
a"EleiQão
dosSocios,
suasqualidades
eatribuÍQÔes",
referetambém
as vánasqualidades
que estespoderiam
ter; "membros residentes enão
residentes" e"sôcios
correspondentes
nacionais,
eestrangeiros"
Estes ultimos
poderiam
amdaseradmitidos
como "sôcios extraordinános" durante otempo
depermanência
nopais.
Eram também
previstos
os"sôcios amadores".
ouseja, "pessoas
conhecedoras e amadorasde Belas
Artes,
ou asdedicadas
aoestudo
deArquitectura
civil,
devendo
terpelo
menos 18 anos deidade,
e ser deNos
Estatutospublicados
em1879 sâo mais
explícitos
osdireitos
edeveres dos
sôcios,
agora
já
divididos
emquatro
grandes
grupos:
osefectivos,
oscorrespondentes,
oshonorános
e osbeneméntos.
Naprimeira
categona
eramincluídos,
para além dos
arquitectos
que
pertencessem
outivessem
pertencido
ãs
Academias
deBelas Artes de Lisboa
ePorto
edos
empregados
noMinistério
das
Obras Públicas
eda
Casa
Real,
todos
os outros"que
tenham
diplomas
da suaprofissâo,
emboranão
pertencam
âs duas
categorias precedentes"
etambém
os"arqueôlogos
e os amadores dearqueologia,
que
por meio
depublicaQôes,
colecQôes arqueolôgicas, escavaQÔes,
impulso,
ouproteccâo
dada
aos estudosrespectivos,
se tomaremconhecidos"
(16).
Como sôcios
correspondentes
são
considerados osarquitectos,
arqueôlogos
ou amadoresde
arqueologia
que não
residissem emLisboa,
bem
como osestrangeiros
que
profissionalmente
se destacassem em ambos osdominiosAinda que não
esteja
explicito
quem deverá avaliar
ouindicar
ossôcios que
devem receber otítulo
ediploma
de "sôcio
honoráno",
sabe-se, contudo, que
estes eram "osindivíduos
quepossuirem elevados
conhecimentosde belas
artes ou dearqueologia",
Poroutro lado,
otítulo
ediploma
de "sôcio benemérito" seria
entregue
âqueles "que
houverem
prestado serviQOs
relevantes â Associacão.
como taisapreciados
ereconhecidos
emAssembleia
Geral".
(17)
O
Capitulo
III dos
Estatutos de 1864 dizrespeito
aos"Trabalhos artisticos
daSociedade,
e dassecQÔes
emque
se divide" Partindo dopnncipio
de que ossôcios
arquitectos
civis "seocuparão
de todos os assuntos ouprojectos
prôprios
dasua
profissão
tanto noque diz
respeito
asregras
da artede edificar.
comoda
histôna
daArquitectura
earqueologia
nacional"
(18),
os membros destasociedade
eram divididos em