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Rev. Bras. Reumatol. vol.54 número1

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Academic year: 2018

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www.reumatologia.com.br

REVISTA BRASILEIRA DE

REUMATOLOGIA

R E V B R A S R E U M A T O L . 2 0 1 3 ;5 4 ( 1 ): 7 5 – 7 6

Carta ao editor

Aspecto ultrassonográfi co de pseudopodagra na doença de

Behçet

Sonographic appearance of pseudopodagra in Behçet’s disease

Caro Editor,

A artrite da primeira articulação metatarsofalangeana (MTF) de uma causa diferente de gota é identii cada pelo termo pseudopodagra. Apesar de a maioria das causas de pseudopodagra ser depósitos de outros microcristais, há outras raras, como a doença de Behçet.1,2 Apresentamos o caso de uma paciente com pseudopodagra devido à doença de Behçet.

Uma paciente de 43 anos sofrendo de doença de Behçet há 10 anos procurou o departamento de emergência (DE) com desconforto em sua articulação MTF direita. O início foi caracterizado por dor aguda, inchaço, eritema, sensibilidade e limitação de movimentos da primeira articulação MTF do pé direito. A paciente não relatou febre, calafrios, trauma, sintomas uretrais, conjuntivite ou histórico de gota. Ela teve ataques graves anteriores afetando a artrite oligoarticular, envolvendo joelhos e tornozelos. Não houve histórico fami-liar de doença reumática. No exame físico, se apresentava afebril e com todos os sinais vitais normais. A área que co-bre sua primeira articulação MTF estava vermelha, quente, inchada e muito sensível ao toque e a qualquer movimento do dedo grande do pé. A pele não estava rompida e não ha-via presença de linfangite ou adenopatia. Todas as outras articulações estavam normais, bem como o restante do exa-me físico. A paciente recusou subexa-meter-se a artrocentese. Optamos por ultrassonograi a como a técnica de imagem de primeira linha, em vez da ressonância magnética, a i m de economizar tempo. O exame de ultrassom em escala de cin-za do aspecto dorsal da primeira articulação MTF mostrou espessamento sinovial (setas) signii cativo e mínimo líquido sinovial (ponta das setas) (i g. 1A). Não houve tofo gotoso na articulação MTF. O aumento dos sinais de cor no exa-me de Doppler pôde ser visto na sinovite hipertrói ca, sendo compatível com hiperemia (i g. 1B). No lado esquerdo, foram vistos mínima proliferação concêntrica do tecido de células do revestimento sinovial e líquido sinovial (ponta das setas)

Figura 1 – A, Exame de ultrassom em escala de cinza do aspecto dorsal. B, Aumento dos sinais de cor no exame de Doppler.

Figura 2 – A, Mínima proliferação concêntrica do tecido de células do revestimento sinovial e líquido sinovial. B, Não houve sinais de cor na sinóvia.

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(i g. 2A). Não houve sinais de cor na sinóvia na primeira articulação MTF do pé esquerdo (i g. 2B). O diagnóstico pre-liminar foi pseudopodagra, ao invés de artrite metatarso-falangeana, porque as alterações nos tecidos moles extra--articulares eram evidentes. Alterações nos tecidos moles podem ocorrem em decorrência de doenças reumatológicas, incluindo ataque recorrente de febre mediterrânica familiar (FMF), febre reumática aguda (FRA), doença de deposição de cristais de pirofosfato de cálcio di-hidratado (CPPD) e gota. É comum a artrite reumatoide também afetar as articula-ções MTF, apesar de isso ser caracterizado por poliartrite simétrica, tornando-a um diagnóstico diferencial raro. Em nossa paciente, MFM e FRA não foram considerados como diagnóstico diferencial relevante, porque essas doenças eram incompatíveis com os achados clínicos e laboratoriais. Os aspectos ultrassonográi cos dos depósitos de CPPD de-pendem da quantidade e da distribuição, variando do pa-drão homogeneamente ponteado ou bandas hiperecoicas nitidamente dei nidas na cartilagem articular, ou l utuando no líquido sinovial para as áreas hiperecoicas arredonda-das ou amorfas na i brocartilagem.3 Na gota, os cristais de urato monossódico tendem a resultar em realce hiperecoi-co na margem superi cial da cartilagem hialina. A caracte-rística ultrassonográi ca mais frequente dos tofos gotosos é hiperecogenicidade.4 Além disso, os tofos geralmente são heterogêneos, com contornos mal dei nidos, multiplamente agrupados e rodeados por um halo anecoico.5,6 Contudo, es-ses achados ultrassonográi cos não foram vistos em nossa paciente.

O ultrassom musculoesquelético possui utilidade signi-i catsigni-iva para o dsigni-iagnóstsigni-ico, avalsigni-iação da gravsigni-idade, escolha de tratamento e avaliação da ei cácia do tratamento dos pacientes com artrite com etiologia desconhecida.7 O exa-me de ultrassom como um método de diagnóstico rápido e reproduzível atualmente tornou-se parte do diagnóstico de rotina em doenças reumatológicas.

Conl itos de interesses

Os autores declaram não haver conl itos de interesses.

R E F E R Ê N C I A S

1. Benamour S. Pseudopodagra in Behçet’s disease. Rev Rhum Engl Ed 1995; 62(2):153-4.

2. Giacomello A, Sorgi ML, Zoppini A. Pseudopodagra in Behçet’s syndrome. Arthritis Rheum 1981; 24(5):750-1.

3. Lin YY, Wang TG, Li KJ, Lew HL. Imaging Characteristics of Calcium Pyrophosphate Dihydrate Crystal Deposition Disease. Am J Phys Med Rehabil 2012; Http://dx.doi.org/ 10.1097/PHM.0b013e31825566aa.

4. Fernandes EA, Lopes MG, Mitraud SA, Ferrari AJ, Fernandes AR. Ultrasound characteristics of gouty tophi in the

olecranon bursa and evaluation of their reproducibility. Eur J Radiol 2012; 81(2):317-23.

5. de Ávila Fernandes E, Kubota ES, Sandim GB, Mitraud SA, Ferrari AJ, Fernandes AR. Ultrasound features of tophi in chronic tophaceous gout. Skeletal Radiol 2011; 40(3):309-15. 6. de Ávila Fernandes E, Sandim GB, Mitraud SA, Kubota ES,

Ferrari AJ, Fernandes AR. Sonographic description and classii cation of tendinous involvement in relation to tophi in chronic tophaceous gout. Insights Imaging 2010; 1(3):143-8. 7. Howard RG, Pillinger MH, Gyftopoulos S, Thiele RG,

Swearingen CJ, Samuels J. Reproducibility of musculoskeletal ultrasound for determining monosodium urate deposition: concordance between readers. Arthritis Care Res (Hoboken) 2011; 63(10):1456-62.

Fuat Ozkan*, Gozde Yildirim Cetin, Mehmet Sayarlioglu

Kahramanmaras Sutcu Imam University, Faculdade de Medicina, Departamento de Radiologia, Kahramanmaras, Turquia

*Autor para correspondência.

Imagem

Figura 1 – A, Exame de ultrassom em escala de cinza do  aspecto dorsal. B, Aumento dos sinais de cor no exame de  Doppler.

Referências

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