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Propõe-se o desenvolvimento de modelos de análise, representação e construção de cenários espaciais que permitam a caracterização de fenômenos relacionados à distribuição da esquistossomose em Minas Gerais. O objetivo é o desenvolvimento de metodologia e ferramentas que permitam a identificação de áreas potenciais para a ocorrência da doença, a partir da caracterização da realidade vigente. A proposta já apresenta como pilares para seu desenvolvimento um expressivo trabalho já realizado anteriormente, em projeto apoiado pela FAPEMIG (Edital conjunto FAPEMIG-MS/MG nº. 01/2003 Gestão Compartilhada em Ciência e Tecnologia em Saúde no Estado de Minas Gerais), cujo objetivo era propor o emprego de recursos de geoprocessamento, mais especificamente da organização de um Sistema de Informações Geográficas, para promover a integração de um conjunto de dados cadastrais, cartográficos e oriundos de análises espaciais por sensoriamento remoto, visando caracterizar a esquistossomose mansoni e os hospedeiros intermediários do 6 PDQVRQL no Estado de Minas Gerais. Objetivava-se inicialmente determinar as relações entre variáveis ambientais e a distribuição da doença e dos moluscos, para então desenvolver modelos que pudessem ser utilizados, por extrapolação, para prever o risco da esquistossomose em áreas nas quais não existem dados disponíveis. Este é o momento de propor a segunda etapa, relativa à elaboração de modelos de espacialização de fenômenos, resultante do desenvolvimento de metodologia e ferramentas de Geoprocessamento.
O Geoprocessamento é hoje recurso fundamental nos processos de gerenciamento e intervenções ambientais. Mais do que uma ferramenta ou apoio tecnológico, ele traz um novo paradigma na forma de capturar, representar e interpretar variáveis espacialmente localizadas. A informação organizada, correta e disponível de forma ágil é um recurso estratégico e indispensável para tomar decisões adequadas e em tempo hábil. Nesse contexto, o Geoprocessamento é importante ferramenta de gestão, pois é um conjunto de tecnologias para processamento da informação cuja localização geográfica é uma característica inerente, indispensável para análise.
O termo Geoprocessamento, surgido do sentido de processamento de dados georreferenciados, significa implantar um processo que traga um progresso, um andar avante, na grafia ou representação da Terra. Não é somente representar, mas é montar um sistema e associar a esse ato um novo olhar sobre o espaço, um ganho de conhecimento, que é a informação. As tecnologias integradas ao Geoprocessamento são
a Topografia, a Geodésia, o Sistema de Posicionamento Global (GPS), a Fotogrametria, o Sensoriamento Remoto (SR), a Cartografia, a Ciência da Computação e os Sistemas Informativos Geográficos (SIGs, também conhecidos como Sistemas de Informações Geográficos).
Os Sistemas Informativos Geográficos, ao buscarem formas de trabalhar com as relações espaciais ou lógicas, tendem a evoluir do descritivo para o prognóstico. Como um sistema, é um conjunto de partes que interagem; que não estão somente agregadas, mas sim correlacionadas. Em lugar de simplesmente descrever elementos ou fatos, podem traçar cenários, simulações de fenômenos, com base em tendências observadas ou julgamentos de condições estabelecidas, de modo a produzir informações espacializadas antes não perceptíveis.
Para a construção do sistema de informações espacializadas, o primeiro passo foi a escolha de variáveis de análise, definidas através de reuniões e estudos bibliográficos com os especialistas da área, representados pela FIOCRUZ-MG (Centro de Pesquisas René Rachou), Secretaria de Vigilância em Saúde/MS e Secretaria Estadual de Saúde/MG.
Na revisão bibliográfica sobre o tema, verificou-se a produção de estudos semelhantes na China, na Etiópia e na Bahia, e muitos deles elegem como variáveis de análise espacial a vegetação (NDVI), a variação de temperatura e o número de meses secos. Malone et al. (1997) realizaram um estudo, no delta do Nilo, com o objetivo de relacionar dados de requerimentos naturais para propagação e transmissão da esquistossomose com parâmetros medidos do espaço. Bavia et al. (2001) elaboraram um sistema de informação geográfica utilizando mapas agroclimáticos, de vegetação e de temperatura obtidos de dados de satélites, e cruzaram com dados sobre prevalência da esquistossomose em 270 municípios e a distribuição do molusco hospedeiro na Bahia, Brasil para o estudo espacial e temporal da infecção e identificação de fatores naturais que influenciem na distribuição da esquistossomose. Zhou et al. (2002) utilizaram imagens de satélite (Landsat Thematic Mapper) para estudar o impacto da enchente de 1998 na distribuição de moluscos no Rio Yangtze, China e os resultados indicaram que a análise de imagens Landsat TM podem é um método útil, podendo fornecer dados que permitem fazer previsões sobre a distribuição de moluscos sob condições ambientais especificas, relacionadas com a prolongada estação anual de enchentes. Brooker (2002) faz uma análise dos progressos do uso e da aplicação do sistema de informação geográfica (SIG) e do sensoriamento remoto na epidemiologia e no controle da esquistossomose na região sub-Sahariana, África.
Contudo, os estudos com os especialistas da área nos informaram que a doença só ocorre com a existência de hospedeiro intermediário, e que este só vive em coleções
hídricas (brejos e represas ou córregos e ribeirões). Os cursos d´água não devem apresentar fluxos de velocidade da água acima de 29 cm/s, pois caso contrário o caramujo não se fixa, e a presença de matéria orgânica favorece o seu desenvolvimento. Em períodos de seca ocorre maior concentração de caramujos e aumenta a difusão da doença. Diante das informações, observou-se que o estudo sobre a influência dos cursos e corpos d´água seria fundamental, uma vez que esta é a variável indispensável para a ocorrência do hospedeiro intermediário.
A contemplação da variável água constitui contribuição expressiva aos estudos sobre a esquistossomose, pois visa a criação do índice de acessibilidade à água e a análise da correlação entre esta variável e o fenômeno, assim como de sua participação no conjunto de variáveis que propiciam a ocorrência do caramujo e da doença. A primeira etapa deste estudo resultou em um produto de grande interesse para Minas Gerais, que foi a construção de novo mapa de distribuição de recursos hídricos no estado, que será apresentado em palestra no Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto1.
A partir dos primeiros estudos sobre os recursos hídricos, a presente pesquisa objetiva dar continuidade à abordagem, através do aprimoramento dos modelos de elevação e geração de novos índices hidrológicos, sobretudo os que interessam especificamente à distribuição da esquistossomose: o “índice de molhamento” (ZHWQHVV) e os estudos do índice de acessibilidade à água, visando a comprovação da importância desta variável para a ocorrência da doença.
Outro ponto fundamental da presente proposta, que só é possível porque o grupo de pesquisadores realizou etapa anterior que produziu uma primeira abordagem sobre a distribuição do fenômeno, é o refinamento dos estudos de distribuição espacial do molusco e da prevalência da doença, assim como a geração de correlações com variáveis ambientais previamente selecionadas. Trata-se de mudança de unidade territorial de integração de dados, que foi inicialmente trabalhada agrupada por município e o objetivo agora é analisar por célula (pixel ou unidade de análise) de 250 metros. A decisão justifica-se pela resolução espacial dos dados oriundos das imagens Modis, em pixels de 250 metros, e que abordam a questão da vegetação e do uso do solo. Também serão utilizados dados produzidos a partir do SRTM (Suttle Radar Topographic Mission), com resolução espacial de 90 metros e reamostrados para 250 metros, unidade na qual serão realizados os estudos de correlações de variáveis.
A nova abordagem, com mudança da unidade territorial de integração, não só resultará no aprimoramento dos resultados, como também estará mais coerente com o modo de espacialização da doença, pois a esquistossomose é um fenômeno focal, que
1 XII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto – Organização Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Goiânia, 16 a 21 de abril de 2005.
ocorre em pontos concentrados da área do município. A decisão ampliará a amostra de dados de prevalência de 189 registros (agrupados por município) para cerca de 300 pontos, relacionados por local de ocorrência.
Outro ponto fundamental na nova análise é que a variável ambiental será mais detalhada e precisa, pois na unidade de integração por município a grande variabilidade espacial de variáveis é generalizada pela média das ocorrências.
Estudos realizados em diversas comunidades da zona rural brasileira demonstraram que a topografia, vegetação, temperatura, tipo de solo, diferentes níveis de saneamento básico, densidade populacional, número de moluscos, distribuição e índices de infecção de do hospedeiro intermediário e contato com coleções hídricas habitadas por moluscos infectados pelo 6PDQVRQL, são determinantes para a prevalência da infecção humana. Por outro lado, os padrões de precipitação pluviométrica possuem efeitos marcantes sobre a população de moluscos. Durante as estações chuvosas verifica-se um decréscimo no número de moluscos, enquanto nos períodos de seca ocorre um acréscimo nas populações (Marcal et al. 1991, Kloetzel & Vergetti 1988, Pieri & Thomas 1987, Bavia et al. 1999, 2001).
Os estudos mais precisos de ocorrência do fenômeno irão criar nova referência de coleta e representação de informações sobre a presença de moluscos e da doença, com modificação dos procedimentos de registro de dados para a forma georreferenciada e, conseqüentemente, com formação de recursos humanos.
É também objetivo da pesquisa, visando a compreensão do fenômeno de distribuição da esquistossomose e produção de modelos de previsão informativos de áreas potenciais de ocorrência da doença, o estudo das correlações de outras variáveis espaciais, entre as quais citamos geologia, índice de desenvolvimento humano (IDH), áreas de influência de rios (buffers) e distribuição populacional. Os estudos de distribuição populacional, os índices de desenvolvimento humano e o detalhamento da variável água nos interessam particularmente, pois o fenômeno está relacionado ao habitat propício, à presença do hospedeiro infectado e à presença do homem.
(648,672662026(0$1621,
A esquistossomose mansoni, causada pelo 6FKLVWRVRPD PDQVRQL, é uma doença endêmica em aproximadamente 49 países das Américas e da África (WHO 1985) com formas agudas ou crônicas, com sintomatologia variada, mas, com predominância intestinal. Por vezes, podem surgir formas graves, com extensa fibrose hepática, hipertensão porta e esplenomegalia.
O tratamento da esquistossomose é simples e realizado em dose única, administrada por via oral (Katz et al. 1983, Katz et al. 1989). No entanto, a prevalência da doença
permanece inalterada em regiões endêmicas e vem expandindo-se, principalmente na periferia dos grandes centros urbanos (Neves DP 1991). A falta de saneamento básico nas periferias dos grandes centros urbanos e o desenvolvimento de recursos hídricos para irrigação vêm também contribuindo para a expansão desta doença.
,QWURGXomRGR6FKLVWRVRPDPDQVRQLQR%UDVLO
Admite-se que o 60DQVRQL foi importado para o Brasil com o comércio de escravos africanos, durante o século XVI.
De fato, a história da esquistossomose mansoni no Brasil, sua introdução e expansão, estão, desde os seus primórdios, intimamente ligados ao modelo econômico estabelecido. Foi no Nordeste do país, que a cana de açúcar encontrou terreno surpreendentemente fértil e favorável, sobretudo nas planícies litorâneas com o clima quente e úmido, onde hoje se localizam os estados de Pernambuco e do entorno da baia de Todos os Santos, concentrando-se nessa região sua cultura e a instalação de novos engenhos de açúcar. A mão-de-obra escassa, obtida do índio nativo, não era satisfatória, sendo mais lucrativo a importação de mão-de-obra escrava africana. As terras úmidas utilizadas para o plantio da cana de açúcar, quase sempre acompanhando as margens de rios e riachos e a presença de moluscos do gênero %LRPSKDODULD, susceptíveis ao 6
PDQVRQL propiciaram as condições ideais para a instalação da esquistossomose mansoni no país.
O primeiro relato do 6PDQVRQL no Brasil foi feito em 1908, por Pirajá da Silva.
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Pellon & Teixeira (1950) publicou o mais completo Inquérito Helmintológico Escolar já realizado no Brasil. Foram examinadas 440.786 pessoas. O Inquérito abrangeu 11 estados: Maranhão, Piaui, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais. O método de exame utilizado foi o qualitativo de Lutz (1919). O inquérito revelou que 44.478 pessoas estavam com esquistossomose, resultando em uma prevalência de 10,09%.
Pellon & Teixeira (1953) realizaram um inquérito em cinco estados das regiões Leste, Sul e Centro-Oeste, áreas supostamente não endêmicas para esquistossomose. Foram examinadas 174.206 pessoas, verificando-se 145 (0,08%) casos de esquistossomose.
Campos & Briques (1987) examinaram 18.151 escolares na faixa etária de 7 a 14 anos, utilizando métodos de Faust e Kato-Katz, em um Levantamento Multicêntrico de Parasitoses Intestinais em dez estados brasileiros (Alagoas, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo). A prevalência obtida para esquistossomose foi de 4,9%.
No triénio 2000-2002 o Programa de Controle da Esquistossomose da Fundação Nacional de Saúde/MS examinou, em um inquérito coproscópico censitário, 3.017.678 indivíduos em dezanove estados (Rondónia, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio grande do Sul, Goiás e Distrito Federal). A prevalência média da esquistossomose nessa população foi de 6,2%.
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Com a entrada de outros paises no comércio do açúcar, a produção açucareira do Nordeste brasileiro, no início do século XVIII, entrou em declínio passando a prescindir da mão-de-obra escrava. Nessa época iniciava-se no Estado de Minas Gerais o ciclo do ouro e do diamante. Com a urgente necessidade de trabalhadores para as lavras ocorreu no Brasil a primeira grande corrente migratória para a exploração das minas de ouro e diamante, trazendo para Minas Gerais a mão-de-obra escrava disponível no Nordeste, utilizando os “caminhos do São Francisco” (Rey, 1956) como principal via de acesso. Provavelmente, com esses primeiros migrantes veio também a esquistossomose mansoni.
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Os primeiros casos de esquistossomose registrados no Estado de Minas Gerais foram observados por Teixeira (1920), na cidade Belo Horizonte (Tabela 1). Inúmeros outros trabalhos forneceram importantes dados sobre a prevalência da doença no estado de Minas Gerais. Entre estes podemos citar Martins & Versiani (1938), Versiani, Martins & Pena Sobrinho (1945), Pellon & Teixeira (1950), Pellegrino, Salgado & Mello (1975), Katz et al. (1978), Campos & Briques (1987),
Em 1983 a Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais implantou o Programa de Controle da Esquistossomose. Nesta oportunidade e, pela primeira vez, as áreas não endêmicas, aqui consideradas aquelas com prevalência menor que 5%, foram privilegiadas. Em função deste Programa foram identificados os focos do município de Itajubá, localizado no sul do estado de Minas Gerais (Katz & Carvalho 1983), Paracatu, no noroeste do estado (Carvalho et al. 1988) e Passos no sudoeste do estado (Carvalho et al. 1989).
7DEHOD±3UHYDOrQFLDGDHVTXLVWRVVRPRVHPDQVRQLQR(VWDGRGH0LQDV*HUDLV %UDVLO± $XWRU$QR /RFDO 1GH ([DPHV SRVLWLYR 3UHYDOr QFLD *UXSR HVWXGDGR Teixeira JM (1920) Belo Horizonte 9.955 (49) 0.5 36 < 15 Martins AV (1937) Belo Horizonte 180 (50) 27,8 Escolares
Martins & Versiani
(1938) Belo Horizonte 145 (101) 70,0 Nadadores
Martins &
Versiani(1938) Norte de Minas 348 (100) 28,7 (1) Martins & Versiani
(1939) Belo Horizonte _ 2,8 (1928) 11,7 (1938) Laboratório E. Dias Versiani et al.
(1945) Minas Gerais 2.352 (294) 12,5 Escolares
Pellon & Teixeira
(1950) Minas Gerais 162.491 (7.997) 4,9 Escolares Pellegrino et al.
(1975) Minas Gerais 31.489 19,2 Escolares
Katz et al. (1978) Minas
Gerais 61.535 (5.904) 9,6 Escolares Carvalho et al. (1994) Região do Triângulo Mineiro 7.032 (8) 0,1 Escolares Carvalho et al. (1997) Região do Alto Paranaíba 3.486 (6) 0,2 Escolares Carvalho et al. (1998) Mesorregião Noroeste de Minas 3.283 (4) 0,1 Escolares PCE/FUNASA/MS
(2000-2002 Minas Gerais 23.800 (2070) 8,7% Censo (1) Diferentes faixas etárias.
0ROXVFRVGRJrQHUR%LRPSKDODULDQR%UDVLO &RQVLGHUDo}HVJHUDLV
Até o momento foram descritas no Brasil dez espécies e uma subespécie do gênero %LRPSKDODULD (Preston, 1910): % JODEUDWD(Say, 1818), % WHQDJRSKLOD (Orbigny, 1835), %VWUDPLQHD (Dunker, 1848), %SHUHJULQD (Orbigny, 1835), % VFKUDPPL (Crosse, 1864), % NXKQLDQD (Clessin, 1883), % LQWHUPHGLD (Paraense & Deslandes, 1962), % DPD]RQLFD (Paraense & Deslandes, 1966), %. ROLJR]D (Paraense, 1974), % RFFLGHQWDOLV
(Paraense, 1981) e %WHQDJRSKLODJXDLEHQVLV (Paraense, 1984). Entre estas, somente as três primeiras têm sido encontradas naturalmente infectadas pelo 6PDQVRQL. Outras duas espécies, a % DPD]RQLFD e a % SHUHJULQD, foram infectadas experimentalmente, sendo consideradas hospedeiras, em potencial, deste trematódeo (Corrêa & Paraense 1971, Paraense & Corrêa 1973).
%LRORJLD
As observações sobre a biologia e a compreensão da estrutura populacional de moluscos do gênero %LRPSKDODULDsão importantes principalmente para o estudo da epidemiologia e da profilaxia da esquistossomose mansônica.
Os dados mais antigos relatam a presença dos moluscos da família Planorbidade desde período Jurássico, nos Estados Unidos e Europa. Os planorbídeos habitam o planeta desde o Jurássico, ocupando grandes extensões territoriais entre as latitudes 70N e 40S, vivendo em ambientes naturais, artificiais e temporários. A altitude parece não influenciar na sobrevivência desses moluscos, uma vez que estes moluscos são observados desde o nível do mar até a 3.000 metros de altitude, nas Montanhas Rochosas, ou no Lago Titicaca, a 4.280 metros (Baker 1945).De uma maneira geral são encontrados em pequenas coleções hídricas com velocidade inferior a 30cm/segundo, com vegetação vertical ou flutuante e algas utilizadas como alimentação. Entretanto, alguns exemplares podem migrar contra a correnteza ocupando lentamente outros criadouros a montante das colônias originais.
O estudo do “habitat” desses planorbídeos, bem como do seu comportamento em relação às alterações climáticas, resulta em informações preciosas quando o objetivo é o controle da transmissão da doença. Esses planorbídeos são comumente encontrados em pequenas coleções hídricas, tanto naturais (córregos, riachos, lagoas, pântanos) como artificiais (valas de irrigação, pequenos açudes), com velocidade inferior a 30 cm/s e com vegetação necessária à sua alimentação e indispensável à proteção dos ovos depositados sob folhagens aquáticas (Paraense 1972).
Na natureza, a sobrevivência dos planorbídeos não ultrapassa, em geral, um ano. Sua persistência nos focos decorre do ritmo da reprodução, que depende, por sua vez, de diversos fatores ecológicos intrínsecos, que influenciam a fecundidade, a postura e a viabilidade dos ovos.
Sobrevivendo a fortes pressões ambientais durante os últimos 160 milhões de anos, que culminaram com o desaparecimento da face da terra dos dinossauros e inúmeras famílias de animais e vegetais, esses moluscos desenvolveram um vasto repertório de mecanismos de sobrevivência e escape, como diapausa, quiescência (estivação e hibernação) e enterramento. Se o processo de dessecação da coleção hídrica
se processar de forma lenta, mas progressiva, como é comum em algumas áreas do nordeste brasileiro, os planorbídeos podem resistir vivos por um longo período (anidrobiose). O enterramento pode coincidir também com a aplicação de moluscicida (Paraense et al. 1955).
O mecanismo reprodutivo entre os planorbídeos desempenha papel fundamental na perpetuação das espécies. De fato, por serem hermafroditas, observa-se tanto a autofecundação como a fecundação cruzada. Os ovos apresentam-se envolvidos em cápsulas elásticas, gelatinosas, resistentes e transparentes. O número médio de ovos por cápsula ovígera é 20, podendo chegar a uma centena. Em condições favoráveis optam pela fecundação cruzada, entretanto, em condições desfavoráveis, um ou poucos indivíduos podem utilizar o mecanismo de autofecundação, dando início a uma nova população (efeito fundador). Os planorbídeos são altamente prolíficos. De fato, um único indivíduo é capaz de gerar, ao final de três meses, cerca de 10 milhões de descendentes (Paraense 1955). Em todos os casos, podem promover, em pouco tempo, um rápido repovoamento dos criadouros.
Excluídos os fatores nocivos fortuitos, na natureza a sobrevivência dos planorbídeos em geral não vai além de um ano. Sua persistência nos focos decorre do ritmo de multiplicação que depende de diversos fatores ecológicos que influenciam a fecundidade, a postura e a viabilidade dos ovos.
0ROXVFRVGRJrQHUR%LRPSKDODULDGR(VWDGRGH0LQDV*HUDLV
A fauna de moluscos do gênero %LRPSKDODULD no Estado de Minas Gerais está representada por sete espécies. Estes planorbídeos foram encontrados em 12 mesoregiões e reportados para 283 (33,1%) dos 853 municipios do Estado com a seguinte distribuição: B. glabrata (185 municípios), % VWUDPLQHD(124), % WHQDJRSKLOD(57), %
SHUHJULQD(57),%VFKUDPPL(26),%LQWHUPHGLD(19)e%RFFLGHQWDOLV(2). Duas espécies %
JODEUDWDe%WHQDJRSKLODforam encontradas naturalmente infectadas por6PDQVRQLno Estado de Minas Gerais, enquanto a % VWUDPLQHD, apesar de não ter sido encontrada infectada, foi considerada a responsável pelo foco de Paracatu. Em 24 municípios estavam presentes, simultaneamente, as três espécies hospedeiras intermediárias do 6 PDQVRQL.
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Das três espécies hospedeiras intermediárias do 6 PDQVRQL, a % JODEUDWD é a mais importante, em decorrência de sua extensa distribuição geográfica, altos índices de infecção e eficiência na transmissão da esquistossomose. Além disso, sua distribuição
quase sempre está associada à ocorrência da esquistossomose no Brasil (Lutz, 1917). A espécie foi recentemente observada em Esteio na Grande Porto Alegre (Carvalho, Nunes, Caldeira 1998).
A % WHQDJRSKLOD possui importância epidemiológica no sul do país sendo responsável pelos focos do Estado de São Paulo. No estado de Minas é a responsável pela manutenção do foco na cidade de Itajubá (Katz & Carvalho 1983).
A % VWUDPLQHDpossui a mais ampla distribuição, entre as tres espécies, sendo encontrada em quase todas as bacias hidrográficas. Entretanto possui grande importância epidemiológica no nordeste do país, onde em algumas áreas é a única responsável pela manutenção de focos com alta prevalência da doença. Esta espécie foi incriminada como responsável pelos casos de esquistossomose no município de Paracatu em Minas Gerais (Carvalho et al. 1988).
A extensa distribuição desses hospedeiros intermediários em Minas Gerais confere a esquistossomose caráter expansivo até mesmo para as áreas consideradas indenes. Nas áreas endêmicas altas densidades desses hospedeiros aliada a outros fatores de risco favorecem a existência de localidades com altas prevalências da esquistossomose.
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1) Aprimorar os modelos de elevação e indices de hidrografia.
2) Extensão da modelagem de prevalência incluindo informações sobre moluscos e modelagem da existência de moluscos.
3) Mudança da unidade territorial de integração (UTI) de município para localidade. Inclusão e elaboração de novas variáveis explicativas:
a) Outros índices de vegetação e seus derivados; b) Índices para medir o risco de transmissão da doença c) Índice de desenvolvimento humano (IDH);
d) Índice topográficos; e) Índices de morfologias.
5) Desenvolvimento de um aplicativo denominado TerraSchisto para disponibilizar as informações geradas no projeto para pesquisadores e agentes de saúde. Este aplicativo será desenvolvido utilizando a biblioteca TerraLib do INPE (http://www.dpi.inpe.br/terralib/ ) 6) Elaborar regressões que levem em consideração a relação espaciais dos dados utilizando por exemplo, o método GWR (Geographically Weighted Regression)
5) Formação de pessoal para viabilizar a implementação de um núcleo de Geoprocessamento no Laboratório de Helmintoses Intestinais (recentemente credenciado
como Referência Nacional para Esquistossomose pela Secretaria de Vigilância em Saúde/MS) do Centro de Pesquisas René Rachou/Fiocruz.
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Geral:
O presente projeto tem como objetivo geral o desenvolvimento de metodologia e ferramentas em geoprocessamento para a caracterização da distribuição espacial da esquistossomose em Minas Gerais, visando a construção de cenários representativos de áreas potenciais para a ocorrência da doença. Ela não se limita ao descritivo, mas visa sobretudo o prognóstico, de modo a produzir informações espacializadas antes não perceptíveis, prevendo o risco da esquistossomose em áreas nas quais não existem dados disponíveis.
Específicos:
Procurar estabelecer relações entre novas variáveis ambientais e a distribuição dos moluscos hospedeiros intermediários do 6FKLVWRVRPD PDQVRQL e da esquistossomose para a elaboração de planos de ação, visando o controle da doença.
Aprimoramento de modelos de estudos de elevação e de índices de hidrografia. Proposição do modelo de geração do “índice de molhamento” e do “índice de acessibilidade à água” para o estado de Minas Gerais.
Desenvolvimento de estudos em unidade territorial de integração de dados com resolução espacial mais adequada ao fenômeno, que é focal. Adoção de análises em células de 250 metros, o que irá promover redução das generalizações nos estudos sobre variáveis ambientais, na busca de melhores correlações entre os elementos envolvidos.
Organização de Sistema de Informações Geográficas no TerraView/TerraLib, aplicativos de livre domínio que permitem a otimização de interfaces e a adequação da utilização do sistema para o caso específico da gestão de dados de saúde.
Formação de pessoal para viabilizar a implementação de um núcleo de Geoprocessamento no Laboratório de Helmintoses Intestinais (recentemente credenciado como Referência Nacional para Esquistossomose pela Secretaria de Vigilância em Saúde/MS) do Centro de Pesquisas René Rachou/Fiocruz.
Publicação das metodologias desenvolvidas e dos resultados obtidos em revistas indexadas.
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$%25'$*(00(72'2/Ï*,&$((675$7e*,$'($d2
Para obter-se êxito nos objetivos propostos será necessário o trabalho conjunto de uma equipe multidisciplinar, que deve cuidar dos diversos aspectos e disciplinas envolvidos na realização das tarefas:
1. Tecnologia de GIS e processamento de imagens 2. Obtenção de novos dados
3. Estatística espacial. 4. Estudo da doença.
5. Banco de dados espaciais. 6. Atividades de laboratório, etc.
Com estas considerações propõe-se a estruturação de uma equipe de trabalho, multidisciplinar, constituida por pesquisadores das Instituições abaixo, que cuidarão dos aspectos acima listados:
,QVWLWXLo}HVHQYROYLGDVHWDUHIDVDVHUHPGHVHQYROYLGDV ,QVWLWXLo}HV 7DUHIDV Departamento de Cartografia/Universidade
Federal de Minas Gerais. 1, 2, 5, e 6 Centro de Pesquisas René Rachou/Fiocruz 2, 4 e 6 Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 1, 2, 3 e 5 Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério
da Saúde 2 e 4.
Secretaria da Saúde do Estado de Minas
352'8726),1$,635(7(1','26
1. Construção de modelo de análise espacial que resulte no “índice de molhamento” do estado de Minas Gerais, cuja espacialização será testada na resolução espacial de 250 metros, mas cuja proposta poderá ser estendida a outras unidades espaciais.
2. Desenvolvimento do “índice de acessibilidade à água” e do modelo de espacialização desta informação. Será gerado o mapa de distribuição do fenômeno para o estado de Minas Gerais, cuja espacialização também será testada na resolução espacial de 250 metros, mas cuja proposta poderá ser aplicável a outras escalas.
3. Identificação do grau de correlações de novas variáveis ambientais com a ocorrência da esquistossomose, do molusco e da doença, para identificação de condições favoráveis ao fenômeno. Entre as variáveis pretendidas são citados a geologia, o IDH e os dados de população.
4. Produção do mapa de risco de prevalência da doença em função de dados ambientais. 5. Desenvolvimento de modo de disponibilização das informações através de ferramentas de software de livre domínio, a princípio do TerraView/TerraLib, no qual serão otimizadas interfaces para usuários e promovidas condições de consultas de dados georreferenciados.
6. Formação de recursos humanos através de adaptações no sistema de registro de dados das secretarias de saúde, que serão incentivadas a utilizarem dados georreferenciados. A mudança promoverá melhor identificação de focos de interesse, mais fácil monitoramento das diversas situações e melhor conhecimento do fenômeno, que será contextualizado espacialmente.
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1) Coordenador:
Ana Clara Mourao Moura - Universidade Federal de Minas Gerais/Dep. Cartografia 2) Vice-coordenador:
Omar dos Santos Carvalho - CPqRR/Fiocruz. 3) Pesquisadores Consultores:
- Luciano V Dutra – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/DPI – Depto de Cartografia/UFMG (Pesquisador Visitante – Bolsa FAPEMIG)
- Ronaldo Santos do Amaral – Gerente do Programa de Esquistossomose - Secretaria de Vigilância em Saúde/MS
- Corina Costa Freitas – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/DPI
- Sandra Costa Drummond – Secretaria Estadual de Saúde do Estado de Minas Gerais/MG
- Ricardo Ricardo José de Paula Souza e Guimarães - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/DPI
- Ronaldo Guilherme Carvalho Scholte – Centro de Pesquisas René Rachou 01 Bolsista de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial
&5212*5$0$
$12
(WDSDV
1) Revisão bibliográfica complementar
X X
2) Aprimorar os modelos de elevação e indices de
hidrografia
X X X X X X
3) Elaboração de novas variáveis explicativas
X X X X X X
4) Aumento da escala da unidade territorial deintegração (UTI) de município para localidade que vem sendo historicamente utilizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS)
X X
5) Análise das relações entre prevalência da esquistossomose, presença de molusco e variáveis explicativas.
X X X X
X
6) Elaboração de modelos preditivos
X
X
$12
(WDSDV
6) Elaboração de modelos preditivos
X
X
X X X X
7) Validação dos modelos em áreas teste
X
X
8) Construção do aplicativo TerraSchisto a
partir da tecnologia TerraLib do INPE
X
X
X
X
9) Publicação em revista indexada dos
resultados obtidos
X
X
/2&$,6'('(6(192/9,0(172'2675$%$/+26
Os trabalhos serão desenvolvidos nos locais abaixo:
1)
Departamento de Cartografia/Universidade Federal de Minas Gerais. Belo
Horizonte, MG.
2)
Laboratório de Helmintoses Intestinais/Fundação Oswaldo Cruz. Belo
Horizonte, MG
3)
Divisão de Processamento de Imagens/Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais. São José dos Campos, SP.
As Instituições envolvidas colocarão à disposição do projeto as instalações e
equipamentos necessários ao bom andamento dos trabalhos.
5(&8562662/,&,7$'26 (OHPHQWRVGH'HVSHVDV 4XDQWLGDGH 5 Equipamento - 15.000,00 Diárias 36 5.040,00 Passagem 18 25.506,00 Software 4.000,00 Bolsas 02 42.307,44 Despesas operacionais 01 7.000,00 7RWDO (TXLSDPHQWRV
01 Computadores com grande capacidade de armazenamento de dados e de imagens = 15.000,00
'LiULDV
36 diárias – serão utilizadas para 01 reunião da equipe a cada 04 meses em Belo Horizonte = 5.040,00
3DVVDJHP
18 passagens para os trechos BH – SP – BH ou SP – BH - SP = 25.506,00 - %ROVDV
01 Bolsa de Desenvolvimento Tecnológico II (1.521,30) = 36.511,20 01 Bolsa de Iniciação Científica (241,51) = 5.796,24
- 6RIWZDUH
5()(5Ç1&,$6%,%/,2*5È),&$6
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