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Rev. Bras. Enferm. vol.53 número especial

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Academic year: 2018

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COMPREENDENDO O SIGNIFICADO DE VIVENCIAR A DOENÇA MENTAL NA

FAMíLIA 1

o estudo: "Compree)dendo o Significado de Vivenciar a Doença Mental na Família - um Estudo Fenomenológico e Hermenêutico"1 , realizado com famílias que vivenciam a doença mental no seu cotidiano, buscou compreender o significado des­ ta vivência para estes seres, à luz do referencial filosófico de Martin Heidegger. Na análise, emergi­ ram quatro grandes temas: modos de ser da pre­ sença, percepção sobre o cuidado, ser cuidado e necessidades que emergem ao vivenciar a doença mental. O modo de ser da fam ília que vivencia a

Adriane M. Netto de Oliveira 2

A cura, pode ser poporcionada por um cuidado eficiente que favoreça ao ser hu­ mano ter um pojeto de vida, assumindo o seu se, tonando-se ivre para reconhe­ cer e escolher suas próprias possibiida­ des.

doença mental, manifesta-se com autenticidade, emergindo sentimentos de angústia e sofrimento. I nicialmente, ocorre uma desorganização familiar e, posteriormente, a fam ília consegue reorganizar­ se, priorizando o cuidado do seu familiar portador de doença mental. A equipe de saúde, na percepção da fam ília, vivencia uma relação inautêntica com estes seres e com o seu familiar doente, mantendo­ se, na maioria das vezes, indiferente a sua existência. Ser cuidado, para a fam ília significa, prioritariamente, a preocupação com o seu ser, com os seus sentimentos e com o seu bem-estar. Ao vivenciar a doença mental, emerge a necessidade da família, de como deve agir com o seu familiar de modo a não prejudicá-lo, de informações relativas à doença, de apoio, de diálogo com os profissionais de saúde, da continuidade do tratamento, após a alta hospitalar e da busca das crenças religiosas como suporte.

Na maioria das vezes, a esperança de cura é ainda o sentimento que estimula a família a lutar contra a doença do seu familiar, por isso, faz-se necessário a esperança de cura como um instrumen­ to de trabalho que ajuda a fam ília a seguir em frente. Provavelmente, enquanto a família mantiver a esperança como supote para enfrentar a doença, muitos caminhos poderão ser percorridos em busca da saúde mental de todos na relação familiar.

I nicialmente, a família busca a cura da doença, posteriormente, percebe que talvez esta possi­ bilidade não possa concretizar-se, mas continua querendo a melhor qualidade de vida possível, para o seu familiar, constituindo-se aí, o significado da cura no pensamento heideggeriano. É preciso pensar a preocupação, a ocupação e a dedicação como cura, o que significa que esta pode encontrar-se em todo compotamento e situação da vida humana. A cura, pode ser proporcionada por um cuidado eficiente que favoreça ao ser humano ter um projeto de vida, assumindo o seu ser, tornando-se livre para reconhecer e escolher suas próprias possibilidades.

Outro aspecto relevante para a família do ser potador de doença mental é o reconhecimento da sua falta de coragem em questionar o "saber" do profissional médico, mesmo quando não consegue entender muitas de suas atitudes em relação ao cuidado e quando não compreende a doença. O silêncio, como modo de discurso da família, possivelmente, seja um alerta de que esta tem muito a dizer, cabendo ao profissional de saúde reconhecer, nesse silêncio, o conteúdo do que ela tem a dizer. Na maioria das vezes, principalmente numa fase inicial da doença, a família não consegue ampliar sua visão sobre a doença mental, porque o conhecimento sobre ela não é patilhado, nem tampouco

1 Resumo de Dissertação de Mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação Em Enfermagem - UFSC, em 2000.

•• 2 Professora da Disciplina de Enfermagem Psiquiátrica, do Departamento de Enfermagem, da Fundação Universidade Federal do Rio Grande / FURG - Mestre em Assistência de Enfermagem.

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OLIVEIRA, Adriane M. Neto de

transmitido pelos profissionais de saúde. Por isso, é imprescindível que se estabeleça uma relação dialógica e de confiança com a família, para que possamos compreendê-Ia e ajudá-Ia a superar esta facticidade em sua vida.

A família percebe como impotante a ajuda dos profissionais, especialmente, quando não con­ segue oferecer o auxílio que o seu familiar doente precisa. Pode ser difícil para a família assumir sozinha o cuidado do familiar doente, pela própria complexidade e instabilidade da doença mental. Possivelmente, durante algum tempo nesta trajetória, há a necessidade da ajuda do profissional de saúde, lhe oferecendo um supote, na medida em que vão surgindo dúvidas relativas à convivência cotidiana.

Oferecer a ajuda que a família necessita ao vivenciar a doença mental implica numa disponibi­ lidade dos profissionais de saúde em considerar como relevante a presença destes seres para a recuperação do ser doente, ao mesmo tempo que requer, também, um preparo adequado e reciclagem constante daqueles que cuidam para que possam aprender a cuidar de quem cuida.

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