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José Miguel Aroztegui Massera

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Academic year: 2021

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(1)

COPPE/UFRJ

T´ECNICAS DE PROGRAMAC¸ ˜AO SEMIDEFINIDA E APLICAC¸ ˜OES EM OTIMIZAC¸ ˜AO DE MATERIAL

Jos´e Miguel Aroztegui Massera

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de P´os-gradua¸c˜ao em Engenharia Mecˆanica, COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necess´arios `a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Doutor em Engenharia Mecˆanica.

Orientador: Jos´e Herskovits Norman

Rio de Janeiro Julho de 2010

(2)

T´ECNICAS DE PROGRAMAC¸ ˜AO SEMIDEFINIDA E APLICAC¸ ˜OES EM OTIMIZAC¸ ˜AO DE MATERIAL

Jos´e Miguel Aroztegui Massera

TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO LUIZ COIMBRA DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESS ´ARIOS PARA A OBTENC¸ ˜AO DO GRAU DE DOUTOR EM CIˆENCIAS EM ENGENHARIA MEC ˆANICA.

Examinada por:

Prof. Jos´e Herskovits Norman, D.Ing.

Prof. Fernando Pereira Duda, D.Sc.

Prof. Nestor Alberto Zouain Pereira, D.Sc.

Prof. Alfredo Rocha de Faria, Ph.D.

Prof. Susana Scheimberg de Makler, D.Sc.

Prof. Jean Rodolphe Roche, D.Sc.

(3)

Aroztegui Massera, Jos´e Miguel

T´ecnicas de programa¸c˜ao semidefinida e aplica¸c˜oes em otimiza¸c˜ao de material/Jos´e Miguel Aroztegui Massera. – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2010.

XIV, 83 p.: il.; 29, 7cm.

Orientador: Jos´e Herskovits Norman

Tese (doutorado) – UFRJ/COPPE/Programa de Engenharia Mecˆanica, 2010.

Referˆencias Bibliogr´aficas: p. 77 – 79.

1. Programa¸c˜ao semidefinida. 2. Algoritmo de pontos interiores. 3. Otimiza¸c˜ao de material. I. Herskovits Norman, Jos´e. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Mecˆanica. III. T´ıtulo.

(4)

Agradecimentos

Agrade¸co ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient´ıfico e Tecnol´ogico (CNPq) e `a Funda¸c˜ao de Amparo `a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) pelo suporte financeiro.

Agrade¸co ao Prof. Jos´e Herskovits pelas orienta¸c˜oes.

Agrade¸co ao Prof. Jean Roche, pela leitura minuciosa das provas te´oricas, sugest˜oes e cr´ıticas.

A minha esposa Camila pelo amor e compreens˜ao.

Aos colegas do laborat´orio: Henry, Mario, Martin, Elmer pelo apoio e incentivo. A minha m˜ae, irm˜a e irm˜ao, pelo carinho e incentivo.

(5)

Resumo da Tese apresentada `a COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necess´arios para a obten¸c˜ao do grau de Doutor em Ciˆencias (D.Sc.)

T´ECNICAS DE PROGRAMAC¸ ˜AO SEMIDEFINIDA E APLICAC¸ ˜OES EM OTIMIZAC¸ ˜AO DE MATERIAL

Jos´e Miguel Aroztegui Massera

Julho/2010

Orientador: Jos´e Herskovits Norman Programa: Engenharia Mecˆanica

Neste trabalho se apresentam modelos de otimiza¸c˜ao estrutural de materiais lineares el´asticos e t´ecnicas de programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida. Para cada ponto da estrutura se define um tensor de elasticidade. Os componentes deste tensor s˜ao as vari´aveis de projeto do problema de otimiza¸c˜ao. A fim de considerar o espa¸co dos materiais admiss´ıveis da forma mais abrangente poss´ıvel, se imp˜oe uma restri¸c˜ao semidefinida positiva sobre o tensor de elasticidade. Se prop˜oe um novo modelo de otimiza¸c˜ao de estruturas planas. Neste modelo, a espessura e o material s˜ao simultaneamente vari´aveis de projeto. Baseado num modelo de elementos finitos, se definem formula¸c˜oes de programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida para cada problema de otimiza¸c˜ao de material. Para resolver numericamente os problemas de otimiza¸c˜ao considerados, se prop˜oe duas alternativas. A primeira alternativa utiliza a t´ecnica do “Feasible Arc Interior Point Algorithm” (FAIPA) onde se substituem as restri¸c˜oes matriciais semidefinidas por restri¸c˜oes sobre invariantes destas matrizes. A segunda alternativa consiste no desenvolvimento de um novo algoritmo para programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida. Se apresenta a prova da convergˆencia global do novo algoritmo. Por ´ultimo, se realizam testes num´ericos com implementa¸c˜oes do FAIPA e do novo algoritmo proposto.

(6)

Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Doctor of Science (D.Sc.)

TECHNIQUES FOR SEMIDEFINITE PROGRAMMING AND APPLICATIONS TO MATERIAL OPTIMIZATION

Jos´e Miguel Aroztegui Massera

July/2010

Advisor: Jos´e Herskovits Norman Department: Mechanical Engineering

In this work models of structural optimization of linear elastic materials and nonlinear semidefinite programming techniques are presented. For each point of the structure an elasticity tensor is defined. The components of that tensor are the design variable of the optimization problem. In order to consider the most general set of admissible materials, a positive semidefinite constraint is imposed on the elasticity tensor. A new optimization model for planar structures is described. In this model, thickness and material design variables are considered simultaneously. Based on a finite element model, every material optimization problem is defined as a nonlinear semidefinite programming formulation. Two alternatives are proposed to solve the considered optimization problems. The first alternative uses the “Feasible Arc Interior Point Algorithm” (FAIPA) where semidefinite matrix constraints are replaced by invariant matrix constraints. The second alternative consists in the development of a new algorithm for nonlinear semidefinite programming. A proof for global convergence of the new algorithm is presented. Finally, numerical tests are performed for implementations of FAIPA and the new algorithm.

(7)

Sum´

ario

Lista de Figuras x

Lista de Tabelas xi

Lista de S´ımbolos xii

Lista de Abreviaturas xiv

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 Motiva¸c˜ao e escopo . . . 1

1.2 Objetivos . . . 2

1.3 Contribu¸c˜oes da tese . . . 3

1.4 Estrutura do documento . . . 3

2 Otimiza¸c˜ao de material 5 2.1 Introdu¸c˜ao . . . 5

2.1.1 Nota¸c˜ao . . . 5

2.1.2 Defini¸c˜oes . . . 7

2.2 Modelo constitutivo do material linear el´astico . . . 8

2.3 Formula¸c˜oes do equil´ıbrio . . . 10

2.4 Modelos de otimiza¸c˜ao . . . 13

2.4.1 Otimiza¸c˜ao da espessura e do material . . . 14

2.5 Modelo de elementos finitos . . . 16

2.6 Problemas de programa¸c˜ao semidefinida . . . 18

2.6.1 Minimiza¸c˜ao do tra¸co . . . 19

2.6.2 Minimiza¸c˜ao do volume . . . 19

2.7 Discuss˜ao dos modelos de otimiza¸c˜ao . . . 20

3 Otimiza¸c˜ao de material com o FAIPA 22 3.1 Algoritmo de pontos vi´aveis por arcos vi´aveis . . . 22

3.1.1 Dire¸c˜ao vi´avel e de descida . . . 24

(8)

3.1.3 Busca em arco . . . 27

3.1.4 Algoritmo FAIPA . . . 28

3.1.5 Convergˆencia do FAIPA . . . 29

3.2 Restri¸c˜oes semidefinidas . . . 29

3.3 Modelos de otimiza¸c˜ao . . . 30

3.3.1 Minimiza¸c˜ao do tra¸co . . . 32

3.3.2 Minimiza¸c˜ao do volume . . . 32

4 Formula¸c˜ao do problema de programa¸c˜ao semidefinida 33 4.1 Defini¸c˜oes e proposi¸c˜oes b´asicas . . . 33

4.2 Condi¸c˜oes necess´arias de otimalidade . . . 36

4.3 Condi¸c˜ao de regularidade . . . 38

4.4 Convexidade . . . 39

5 Algoritmo de pontos interiores e dire¸c˜oes vi´aveis para SDP (FDIPA-SDP) 41 5.1 Defini¸c˜oes . . . 42

5.2 Caracteriza¸c˜ao das dire¸c˜oes vi´aveis . . . 43

5.3 Descri¸c˜ao do algoritmo . . . 44

5.3.1 C´alculo da dire¸c˜ao de busca . . . 45

5.3.2 Matriz do sistema linear . . . 46

5.3.3 Dire¸c˜ao vi´avel . . . 47

5.3.4 Busca linear . . . 50

5.4 Algoritmo FDIPA-SDP . . . 51

5.5 Prova de convergˆencia . . . 52

5.6 Caso n˜ao convexo . . . 64

6 Testes num´ericos 66 6.1 Testes com o FAIPA . . . 66

6.1.1 Dados da estrutura . . . 67

6.1.2 Minimiza¸c˜ao do volume com restri¸c˜oes de tens˜ao . . . 67

6.1.3 Minimiza¸c˜ao do volume com uma restri¸c˜ao de deslocamento . 68 6.1.4 Discuss˜ao dos resultados . . . 70

6.2 Testes com o FDIPA-SDP . . . 71

6.2.1 Minimiza¸c˜ao do tra¸co . . . 71

6.2.2 Comparando resultados obtidos com FAIPA e com FDIPA-SDP 73 6.2.3 Problemas testes da biblioteca SDPLIB . . . 73

7 Conclus˜oes e propostas de pesquisa 75 7.1 Conclus˜oes . . . 75

(9)

7.2 Propostas de pesquisa . . . 76

Referˆencias Bibliogr´aficas 77

A O produto sim´etrico de Kronecker 80

A.1 Defini¸c˜oes . . . 80 A.2 Propriedades . . . 81

B Apˆendice B 82

(10)

Lista de Figuras

3.1 Arco vi´avel. . . 27 6.1 Apoio e carregamento da estrutura com 200 elementos. . . 67 6.2 Min. do vol. com restri¸c˜oes de tens˜ao, distribui¸c˜ao da espessura. . . . 69 6.3 Min. do vol. com restri¸c˜oes de tens˜ao, dire¸c˜oes principais do tensor

de tens˜oes. . . 69 6.4 Min. do vol. com restri¸c˜ao de deslocamento, distribui¸c˜ao da espessura. 70 6.5 Min. do vol. com restri¸c˜ao de deslocamento, dire¸c˜oes principais do

tensor de tens˜oes. . . 70 6.6 Apoio e carregamento da estrutura com 16 elementos. . . 72 6.7 Tra¸co das matrizes de elasticidade, solu¸c˜ao obtida com o FDIPA-SDP. 72

(11)

Lista de Tabelas

6.1 Compara¸c˜ao de solu¸c˜oes ´otimas, problemas 3.30/3.31 com restri¸c˜oes

de tens˜ao . . . 69

6.2 Compara¸c˜ao de solu¸c˜oes ´otimas, problemas 3.30/3.31 com restri¸c˜ao de deslocamento . . . 70

6.3 Problema de m´ınimo tra¸co, FDIPA-SDP . . . 73

6.4 Problema de m´ınimo tra¸co, FDIPA-SDP/FAIPA . . . 73

(12)

Lista de S´ımbolos

A ~ B produto sim´etrico de Kronecker entre A e B, p. 80 A> transposta da matriz A, p. 6

D conjunto de pontos de uma estrutura, D ⊂ Rnsd, p. 5

G fun¸c˜ao de restri¸c˜ao, G : Rn→ Sm, p. 35

Gk(x) matriz de derivada parcial de G respeito a xk em x, p. 36

K matriz de rigidez global, p. 17 KR matriz de rigidez reduzida, p. 17

L fun¸c˜ao Lagrangeana, L : Rm× Sm → R, p. 37 Ω conjunto de pontos vi´aveis, p. 36

a conj. de pontos vi´aveis x com f (x) 6 a, p. 42

ker(A) n´ucleo da transforma¸c˜ao linear associada a matriz A, p. 39 λmax(A) maior autovalor da matriz A, p. 34

λmin(A) menor autovalor da matriz A, p. 34

hA, Bi produto interno das matrizes A e B, p. 35

Rn×m conjunto de matrizes reais de tamanho n × m, p. 6 Sm conj. das matrizes reais sim´etricas m × m, p. 7

Sm+ conj. das matrizes reais sim. m × m semidef. pos., p. 7

Sm− conj. das matrizes reais sim. m × m semidef. neg., p. 33

Sm++ conj. das matrizes reais sim. m × m definida pos., p. 7

(13)

µ parˆametro positivo, p. 48

∇G(x) matriz de derivadas dos componentes de G(x), p. 36 ∇f (x) vetor gradiente de f : Rn→ R em x, p. 23

∇g(x) matriz de derivadas parciais de g em x, p. 23 ν, η parˆametros da busca linear ν, η ∈ (0, 1), p. 50

A fecho do conjunto A, p. 11 λmin m´ınimo autovalor de Λ, p. 64

ρ valor m´aximo dos invariates das matrizes de elasticidade, p. 13 σ valor m´aximo para um invariante do tensor de tens˜oes, p. 15

c valor m´aximo para a complacˆencia, p. 14

ρ valor m´ınimo dos invariates das matrizes de elasticidade, p. 13 f fun¸c˜ao objetivo, f : Rn → R, p. 35

h espessura de uma estrutura bidimensional, p. 14

nelem n´umero de elementos da malha de elementos finitos, p. 16

nnd n´umero de n´os da malha de elementos finitos, p. 16

nsd n´umero de dimens˜oes do espa¸co de pontos da estrutura, p. 5

posto(A) dimens˜ao do espa¸co vetorial gerado pelas colunas de A, p. 39 skw(A) parte antisim´etrica de A, p. 7

smat inversa de svec, p. 80

svec isomorfismo de Sm em R12m(m+1), p. 80

sym(A) parte sim´etrica de A, p. 7

(14)

Lista de Abreviaturas

BMI Binear Matrix Inequality, p. 35

FAIPA Feasible Arc Interior Point Algorithm, p. 2 FDIPA-SDP FDIPA for SDP, p. 50

FDIPA Feasible Direction Interior Point Algorithm, p. 41 FMO Free Material Optimization, p. 13

KKT Karush-Kuhn-Tucker, p. 42 LMI Linear Matrix Inequality, p. 35

NL-SDP Nonlinear Semidefinite Programming, p. 35 SDP Semidefinite Programming, p. 35

(15)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

1.1

Motiva¸

ao e escopo

A presente tese tem duas ´areas de interesse: a otimiza¸c˜ao de material e a programa¸c˜ao semidefinida. A otimiza¸c˜ao de material objetiva a escolha das caracter´ısticas do material de modo que se minimize o custo de um projeto de engenharia mecˆanica. Por sua vez, a programa¸c˜ao semidefinida ´e a matem´atica utilizada para modelar e estudar as propriedades de uma classe de problemas de otimiza¸c˜ao. A rela¸c˜ao entre estas duas ´areas ´e a seguinte: um problema de otimiza¸c˜ao de material se modela como um problema de programa¸c˜ao semidefinida. Assume-se a hip´otese constitutiva de materiais lineares el´asticos. Cada ponto do corpo verifica uma rela¸c˜ao linear entre a deforma¸c˜ao e a tens˜ao. O material ´e caraterizado localmente por uma fun¸c˜ao linear denominada tensor de elasticidade. Por raz˜oes f´ısicas, se assume que este tensor seja sim´etrico e definido positivo. Em s´ıntese, num ponto do corpo o material ´e caracterizado por uma matriz el´astica sim´etrica definida positiva.

A otimiza¸c˜ao de material tem como objetivo, a busca de uma estrutura vi´avel que minimize uma fun¸c˜ao custo. No contexto desta tese, se define estrutura vi´avel aquela que, em cada ponto do corpo tenha uma matriz el´astica sim´etrica definida positiva e, adicionalmente, verifique um conjunto de restri¸c˜oes de origem mecˆanica. O custo do sistema ´e uma fun¸c˜ao que depende do material escolhido em todo o corpo. Tipicamente, cada ponto do corpo tem associado um custo local que depende do material naquele ponto. Neste caso, o custo do sistema ´e a somat´oria destes custos locais. A massa do corpo ´e um exemplo de custo e a densidade um exemplo de custo local. A densidade num ponto ´e definida a partir do material naquele ponto. Outro exemplo de custo ´e a complacˆencia. A complacˆencia est´a associada `a deforma¸c˜ao do corpo para um sistema de for¸cas estabelecido. Em termos gerais, o corpo ´e menos complacente quanto mais r´ıgido ele ´e.

(16)

As restri¸c˜oes de origem mecˆanica consideradas s˜ao de tens˜ao ou de deslocamento. Assume-se um valor m´aximo para o quadrado de uma norma do tensor de tens˜oes em todos os pontos da estrutura. Tamb´em se considera que determinada regi˜ao do contorno n˜ao se desloque mais que uma distˆancia m´axima.

Um modelo de elementos finitos ´e empregado para obter o deslocamento do problema do equil´ıbrio. Desta forma, um problema de otimiza¸c˜ao de material se escreve como um problema de programa¸c˜ao n˜ao linear com restri¸c˜oes semidefinidas sobre as matrizes el´asticas de cada elemento. Este problema ´e denominado problema de programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida.

Na atualidade existem poucas t´ecnicas gerais para programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida. Foram publicados o algoritmo de pontos interiores de Jarre [1], a t´ecnica de programa¸c˜ao quadr´atica sucessiva de Ramires e Correa [2] e o algoritmo do lagrangeno aumentado de Stingl [3].

As t´ecnicas apresentadas em [2] e [3] s˜ao generaliza¸c˜oes de algoritmos para programa¸c˜ao n˜ao linear. Isto motiva o autor a questionar sobre uma poss´ıvel generaliza¸c˜ao do “Feasible Arc Interior Point Algorithm” para programa¸c˜ao semidefinida.

O “Feasible Arc Interior Point Algorithm” (FAIPA) ´e uma t´ecnica geral para resolver problemas de programa¸c˜ao n˜ao linear com restri¸c˜oes de desigualdade e igualdade. O FAIPA n˜ao foi desenvolvido para resolver problemas com restri¸c˜oes matriciais semidefinidas. No entanto, uma restri¸c˜ao matricial definida positiva ´e equivalente a um sistema de restri¸c˜oes de desigualdade sobre os invariantes desta matriz. Com base nesta propriedade, ´e poss´ıvel transformar o problema de programa¸c˜ao semidefinida num modelo de programa¸c˜ao n˜ao linear com restri¸c˜oes de desigualdade. Deste modo, ´e poss´ıvel resolver problemas de otimiza¸c˜ao de material com o FAIPA. A principal vantagem desta t´ecnica ´e o fato de ser um algoritmo de pontos interiores: todas as estruturas geradas s˜ao vi´aveis e de menor custo em cada itera¸c˜ao [4][5][6].

1.2

Objetivos

Os objetivos deste trabalho s˜ao

1. Formular novos modelos de otimiza¸c˜ao de material.

2. Resolver numericamente problemas de otimiza¸c˜ao de material com o FAIPA. 3. Desenvolver t´ecnicas gerais para programa¸c˜ao semidefinida.

(17)

1.3

Contribu¸

oes da tese

´

E proposto um novo modelo de otimiza¸c˜ao de espessura e material de estruturas planas. Esta formula¸c˜ao minimiza o volume da estrutura com restri¸c˜oes nos invariantes das matrizes el´asticas do material e considera restri¸c˜oes locais de tens˜ao. Este modelo ´e apresentado nas se¸c˜oes 2.4.1 e 2.6.2.

Estuda-se a forma de resolver problemas de otimiza¸c˜ao de material com o FAIPA. Para resolver estes problemas com o FAIPA, prop˜oe-se o uso dos invariantes das matrizes envolvidas nas restri¸c˜oes semidefinidas. Esta contribui¸c˜ao se desenvolve no cap´ıtulo 3.

Por ´ultimo, prop˜oe-se uma gereraliza¸c˜ao do “Feasible Direction Interior Point Algorithm” (FDIPA)[7] para resolver problemas de programa¸c˜ao n˜ao lineares semidefinida. Embora seja uma extens˜ao do FDIPA, cabe destacar que foi necess´ario estabelecer uma condi¸c˜ao suficiente (ver proposi¸c˜ao 5.2.1) para que uma dire¸c˜ao seja vi´avel (ver se¸c˜ao 5.3.3). O novo algoritmo gera dire¸c˜oes de busca que verificam esta caracteriza¸c˜ao tornando-o um algoritmo de dire¸c˜oes vi´aveis. No cap´ıtulo 5 se realiza um estudo te´orico deste novo algoritmo provando-se a convergˆencia global do mesmo.

1.4

Estrutura do documento

O texto est´a dividido nos seguintes cap´ıtulos:

Cap´ıtulo 2. Neste cap´ıtulo se apresenta o modelo de material linear el´astico, o problema do equil´ıbrio elasto-est´atico e os modelos de otimiza¸c˜ao de material que ser˜ao resolvidos. E apresentada uma nova formula¸c˜´ ao para minimizar o volume de estruturas planas onde a espessura e o material s˜ao vari´aveis de projeto simultaneamente. Discutem-se as vantagens desta abordagem em compara¸c˜ao com os modelos atuais de otimiza¸c˜ao de material.

Cap´ıtulo 3. Apresenta-se a primeira forma de resolver os problemas de otimiza¸c˜ao apresentados no cap´ıtulo 2. Apresenta-se o FAIPA como uma ferramenta de otimiza¸c˜ao e a classe de problemas que ´e capaz de resolver. Mostra-se como as restri¸c˜oes matriciais semidefinidas podem ser representadas por um conjunto de restri¸c˜oes n˜ao lineares. Finalmente, definem-se as formula¸c˜oes dos problemas de otimiza¸c˜ao que s˜ao resolvidas com o FAIPA.

Cap´ıtulo 4. Neste cap´ıtulo se definem os elementos necess´arios para apresentar o problema geral de programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida. Apresentam-se as condi¸c˜oes necess´arias de otimalidade e de unicidade dos multiplicadores de Lagrange. As defini¸c˜oes e proposi¸c˜oes deste cap´ıtulo s˜ao usados no seguinte cap´ıtulo.

(18)

Cap´ıtulo 5. Apresenta-se un novo algoritmo para programa¸c˜ao n˜ao linear semidefinida denominado FDIPA-SDP. Realiza-se a prova te´orica da convergˆencia do algoritmo.

Cap´ıtulo 6. A partir de implementa¸c˜oes das t´ecnicas do cap´ıtulo 3 e 5, se resolvem os problemas de otimiza¸c˜ao apresentados no cap´ıtulo 2. Comparam-se solu¸c˜oes obtidas com ambas t´ecnicas e se resolvem alguns problemas testes de uma biblioteca de programa¸c˜ao linear semidefinida.

Cap´ıtulo 7. Este cap´ıtulo ´e dedicado `as conclus˜oes e propostas de pesquisa futura.

Em s´ıntese, os cap´ıtulos 2 e 3 apresentam os problemas de otimiza¸c˜ao de material e como se resolvem com o FAIPA. Enquanto que os cap´ıtulos 4 e 5 se dedicam ao problem geral de programa¸c˜ao semidefinida e ao novo algoritmo FDIPA-SDP. Os cap´ıtulos 2 e 3 s˜ao independentes de 4 e 5. O leitor pode optar por come¸car com a parte de programa¸c˜ao semidefinida (cap´ıtulos 4 e 5) para logo ir `a parte de otimiza¸c˜ao de material (cap´ıtulos 2 e 3).

(19)

Cap´ıtulo 2

Otimiza¸

ao de material

2.1

Introdu¸

ao

Para estabelecer um problema de otimiza¸c˜ao de material ´e necess´ario definir o tensor de elasticidade e estudar sua dependˆencia com o problema do equil´ıbrio para um corpo cont´ınuo linear el´astico.

O material ´e caracterizado pelo tensor de elaticidade em cada ponto do s´olido. O tensor de elasticidade ´e definido como uma fun¸c˜ao dependente da posi¸c˜ao do corpo. Os componentes do tensor de elasticidade podem variar livremente com a ´unica restri¸c˜ao de que o tensor seja semidefinido positivo.

Procura-se, dentre todos os tensores de elasticidade, aquele que minimize uma fun¸c˜ao custo e tal que se verifique restri¸c˜oes sobre o tensor de elasticiade e outras restri¸c˜oes de origem mecˆanica.

Por outro lado, para que as formula¸c˜oes do problema do equil´ıbrio linear el´astico possam ser utilizadas, o tensor de elasticidade deve ser, por hip´otese, definido positivo. Com esta hip´otese, pode-se provar que, com condi¸c˜oes de contorno adequadas, a solu¸c˜ao do problema de equil´ıbrio ´e ´unica. Na configura¸c˜ao do equil´ıbrio s˜ao obtidas as respostas mecˆanicas (deslocamento, deforma¸c˜ao e tens˜ao). Tais respostas mecˆanicas devem verificar as restri¸c˜oes do problema de otimiza¸c˜ao.

Prop˜oe-se um problema de minimiza¸c˜ao do volume de estruturas planas com restri¸c˜oes definidas sobre o tensor de elasticidade e restri¸c˜oes locais de tens˜ao ou deslocamento. Por ´ultimo, se apresenta um modelo de elementos finitos e os problemas de programa¸c˜ao semidefinida que ser˜ao resolvidos numericamente.

2.1.1

Nota¸

ao

Seja um corpo cont´ınuo ocupando uma regi˜ao limitada D ⊂ Rnsd onde n

sd = 2

(20)

O conjunto Rm ´e o espa¸co euclideano m-dimensional. O conjunto de matrizes reais de tamanho n × m ´e denotado por Rn×m. Se a ∈ Rm, a ´e um vetor coluna de dimens˜ao m × 1. Se A ∈ Rn×m, A>

∈ Rm×n ´e a transposta de A. Emprega-se o

seguinte produto interno em Rm e Rm×m

ha, bi = a>b = Pm i=1aibi hA, Bi = tr(A>B) = Pm i=1 Pm j=1AijBij

onde tr(A) ´e a soma dos componentes da diagonal de A ∈ Rm×m. A norma utilizada

se denota por k.k e ´e definida como k.k =qh., .i.

O conjunto dos operadores lineares T : Rnns → Rnns ao denotados por Lin.

O conjunto dos operadores lineares L : Lin → Lin s˜ao denotados por Lin. Se usar´a a palavra “tensor” como sinˆonimo de “operador linear” num espa¸co vetorial de dimens˜ao finita. Observe que existem isomorfismos entre Lin, Rnns×nns e Rn2ns

assim como entre Lin e Rn2

ns×n2ns. Portanto, todos estes espa¸cos vetoriais podem ser

representados numa base espec´ıfica, como matrizes em Rn×m ou vetores em Rm.

Sejam V e W espa¸cos vetoriais de dimens˜ao finita munidos de um produto interno denotado por h., .i.

A transposta [8] da transforma¸c˜ao linear C : V → W, tamb´em chamada de transforma¸c˜ao linear adjunta [9] de C, ´e uma transforma¸c˜ao linear C> : W → V definida pela condi¸c˜ao hCA, Bi = hA, C>Bi para todo A ∈ V e B ∈ W.

Defini¸c˜ao 2.1.1. Um operador linear C : V → V ´e denominado sim´etrico [8] ou auto-adjunto [9] quando

hC[A], Bi = hA, C[B]i para todo A, B ∈ V.

Defini¸c˜ao 2.1.2. Um operador sim´etrico C : V → V ´e definido positivo quando hC[A], Ai > 0

para todo A ∈ V r {0}. Neste caso, se escreve C  0.

Analogamente, se hC[A], Ai > 0 para todo A ∈ V, C ´e semidefinido positivo e se escreve C < 0.

Seja m a dimens˜ao de V.

A matriz C ∈ Rm×m de todo opearador linear auto-adjunto C : V → V, relativa a uma base ortonormal de V ´e sim´etrica, i.e. C = C> [9]. Se denota por Sm o conjunto das matrizes de coeficientes reais e sim´etricas de tamanho m × m. Quando o operador for semidefinido positivo, a matriz do operador ´e denominada

(21)

m × m, sim´etricas, semidefinidas positivas ´e denotado por Sm+. Analogamente, Sm++ ´e o conjunto das matrizes m × m sim´etricas, definidas positivas. Observe que o conjunto dos operadores sim´etricos de Lin, Sm e R12m(m+1) ao isomorfos e que o

conjunto dos operadores sim´etricos de Lin e S12m(m+1) tamb´em s˜ao isomorfos.

O tra¸co de um operador linear A : V → V, denotado por tr (A), ´e o tra¸co da matriz A ∈ Rm×m do operador A numa base qualquer de V. O tra¸co est´a bem

definido por que independe da base escolhida para V.

A parte sim´etrica e antisim´etrica de uma transforma¸c˜ao linear A entre espa¸cos vetoriais de dimens˜ao finita ´e definida como

sym (A) = 1 2



A + A>

skw (A) = 12A − A>

respectivamente. Se a parte sim´etrica de A ´e nula, A ´e denominada antisim´etrica. Se a parte antisim´etrica de A ´e nula, A ´e denominada sim´etrica.

Um operador linear Q ∈ Lin ´e ortogonal quando QQ> = Q>Q = I. Geometricamente, um operador linear ortogonal ´e uma rota¸c˜ao em torno de um ponto fixo ou ´e uma reflex˜ao em torno de um plano que passa por este ponto fixo. Um operador ortogonal leva uma base ortonormal noutra base ortonormal. Os operadores ortogonais ser˜ao usados na defini¸c˜ao da simetria do material.

2.1.2

Defini¸

oes

Seja um corpo B ocupando uma regi˜ao limitada D ⊂ Rnsd.

Um campo de deslocamento se define a partir da defini¸c˜ao da regi˜ao D, e de uma deforma¸c˜ao f , representado por uma fun¸c˜ao f : D → Rnsd. O deslocamento ´e

definido como uma fun¸c˜ao u : D → Rnns onde u(x) = f (x) − x ´e o deslocamento do

ponto x provocado pela deforma¸c˜ao f em x ∈ D.

Exemplo 2.1.1. f ´e uma deforma¸c˜ao r´ıgida se preserva a distˆancia, i.e. kf (y) − f (x)k = ky − xk

para todo x, y ∈ D

Se o deslocamento u for diferenci´avel em D [10], ∇u(x) denota o gradiente ou derivada de u no ponto x. A derivada de u no ponto x ´e um exemplo de operador linear em Rnns, i.e. ∇u(x) ∈ Lin.

Os tensores

E(u) = sym(∇u) W (u) = skw(∇u)

(22)

se denominam campo de deforma¸c˜ao infinitesimal e campo de rota¸c˜ao infinitesimal, respectivamente. Os nomes destes tensores est˜ao motivados pelo fato de que um campo de deslocamentos u associado a uma deforma¸c˜ao r´ıgida com k∇uk = ε verifica que E(u) ´e um infinitesimal de ordem ε. Desta forma, para tal deslocamento u, ∇u ´e antisim´etrica [11]. Esta propriedade motiva a seguinte defini¸c˜ao.

Defini¸c˜ao 2.1.3. Um campo de deslocamento u se denomina um deslocamento

r´ıgido infinitesimal quando ∇u ´e constante e antisim´etrica em D.

Em vista desta defini¸c˜ao um deslocamento r´ıgido infinitesimal u se caracteriza por ter uma deforma¸c˜ao infinitesimal nula, isto ´e, E(u) = 0. Por este motivo, quando dois campos de deslocamento u1 e u2 verificam o mesmo campo de deforma¸c˜ao

E(u1) = E(u2), a diferen¸ca u1 − u2 ´e um deslocamento r´ıgido infinitesimal.

Geometricamente, um deslocamento r´ıgido infinitesimal consiste numa composi¸c˜ao de uma transla¸c˜ao e uma rota¸c˜ao de ˆangulo infinitesimal.

A divergˆencia de u, denotada por div(u), ´e definida por div(u) = tr(∇u). A divergˆencia de A ∈ Lin ´e definido por hdiv(A), vi = div(A>v) para v ∈ Rnns

constante.

2.2

Modelo

constitutivo

do

material

linear

el´

astico

O corpo ´e denominado linear el´astico se a tens˜ao num ponto x ∈ D ´e uma fun¸c˜ao linear do gradiente do deslocamento u em x. Isto ´e para cada x ∈ D, existe um operador linear C(x) ∈ Lin tal que [8]

S(x) = C(x) [E(u(x))] , x ∈ D, (2.1) onde S(x) e E(u(x)) s˜ao os tensores de tens˜ao e de deforma¸c˜ao infinitesimal em x ∈ D, respectivamente. Pelo teorema de conserva¸c˜ao do momento angular, o tensor de tens˜oes S(x) ´e sim´etrico [12]. A fun¸c˜ao C ´e chamada de campo de elasticidade e C(x) ∈ Lin ´e denominado tensor elasticidade em x ∈ D.

O campo de elasticidade C verifica os seguintes axiomas para todo A, B ∈ Lin

C[skw(A)] = 0, (2.2)

(23)

O axioma (2.2) indica que deslocamentos r´ıgidos infinitesimais n˜ao induzem tens˜ao. A condi¸c˜ao (2.3) assegura que o tensor de tens˜oes resultante C[A] seja sim´etrico. A hip´otese (2.4) indica que o tensor de elasticidade ´e sim´etrico. Equivalentemente, o trabalho resultante ao longo de um caminho fechado de pequenas deforma¸c˜oes ´e nulo. A simetr´ıa do tensor de elasticidade tamb´em garante a existencia da fun¸c˜ao de energia armazenada [12]

E(u) = 1

2hE(u), C [E(u)]i, em D. (2.5) Por outro lado o tensor de elasticidade se assume semidefinido positivo por uma motiva¸c˜ao f´ısica: o trabalho resultante ao longo de um caminho de pequenas deforma¸c˜oes, partindo da deforma¸c˜ao nula, ´e n˜ao negativo [12].

Fixando uma base ortonormal B = {e1, . . . , ensd} ⊂ R

nsd, as matrizes dos

tensores S(x) e E(x) relativas a esta base s˜ao matrizes sim´etricas denotadas por σ(x) ∈ Snsd e ε(x) ∈ Snsd, respectivamente. Em raz˜ao da simetria de S(x) e E(x) ´e

usual representar as matrizes σ(x), ε(x) como vetores de R12nnd(nsd+1).

Em vista das hip´oteses (2.2), (2.3) e (2.4) a matriz do operador C(x) se representa como uma matriz em S12nsd(nsd+1).

Para modelos bidimensionais (nsd = 2) [13]

σ =      S11 S22 S12      , ε =      E11 E22 2E12      , C =      C1111 C1122 C1112 C1122 C2222 C2212 C1112 C2212 C1212      , σ = Cε (2.6)

onde Sij, Eij e Cijklao os componentes de S(x), E(x) e C(x) no sistema de

coordenadas B = {e1, e2}, respectivamente. Para modelos tridimensionais, existem

representa¸c˜oes similares onde ε(x), σ(x) ∈ R6 e C(x) ∈ S6.

A matriz C definida em (2.6) se denomina matriz de elasticidade e seus componentes de coeficientes el´asticos. O material no ponto x ∈ D fica definido atrav´es de uma matriz C(x) ∈ S3

+.

Defini¸c˜ao 2.2.1. Se a densidade e a matriz de elasticidade C independem da

posi¸c˜ao em D, o material ´e denominado homogˆeneo. Caso contr´ario, o material ´e denominado de heterogˆeneo.

A homogeneidade do material est´a caracterizada pela independˆencia dos coeficientes el´asticos respeito `a posi¸c˜ao do corpo. Num s´olido onde o material ´e homogˆeneo, a matriz de elasticidade ´e uma constante.

Defini¸c˜ao 2.2.2. Dado x ∈ D, quando a matriz de elasticidade C(x) independe

da base ortonormal B, o material ´e denominado isotr´opico em x. Caso contr´ario, o material ´e denominado anisotr´opico em x.

(24)

A isotropia do material num ponto x ∈ D est´a relacionada com o conceito de simetria do material no ponto x. A simetria do material no ponto x ∈ D ´e definido por um grupo de operadores ortogonais Q em Rnsd. A transforma¸c˜ao ortogonal

Q pertence ao grupo de simetria do material no ponto x se para todo operador sim´etrico A ∈ Lin

QC(x)[A]Q> = C(x)[QAQ>] (2.7) Um operador ortogonal Q pode significar uma rota¸c˜ao em torno do ponto x ou bem uma reflex˜ao em torno de um plano que passa por x. Seja B0 a base ortonormal obtida da aplica¸c˜ao de Q `a base ortonormal B. A transforma¸c˜ao ortogonal Q (rota¸c˜ao ou reflex˜ao) pertence ao grupo de simetria do material no ponto x se a matriz de C(x) relativa a base B e igual a matriz de C(x) relativa a base B0.

Quando o grupo de simetria do material em x ´e definido pelas reflex˜oes em torno de trˆes planos perpendiculares entre si, o material ´e denominado ortotr´opico. Tais planos s˜ao chamados de planos de simetria do material e as retas perpendiculares relativas aos mesmos s˜ao denominadas eixos de simetria do material. Um exemplo de material ortotr´opico ´e a madeira. Um dos eixos de simetria da madeira tem a dire¸c˜ao das fibras.

A matriz de elasticidade C de um material isotr´opico apresenta o seguinte formato [13] Ciso =      a1 a2 0 a2 a1 0 0 0 1 2(a1− a2)      (2.8)

onde ai s˜ao fun¸c˜oes da posi¸c˜ao em D.

Um modelo de tens˜ao plana assume que os componentes da tens˜ao na dire¸c˜ao perpendicular `a estrutura (σ13, σ23 e σ33) s˜ao desprez´ıveis em compara¸c˜ao com

os componentes no plano da estrutura (σ11, σ22 e σ12). Assumindo um material

isotr´opico, as fun¸c˜oes a1 e a2 em Ciso podem-se expressar em termos do m´odulo de

Young E e o coeficiente de Poisson ν da seguinte forma [13].

a1 =

E (1 − ν2)

a2 = νa1

(2.9)

2.3

Formula¸

oes do equil´ıbrio

Nesta se¸c˜ao se apresentam algumas formula¸c˜oes do problema de equil´ıbrio da elasticidade linear [13] que se usaram nos problemas de otimiza¸c˜ao.

(25)

a) um dom´ınio regular [8] D ⊂ Rnsd de contorno Γ, composto por duas fronteiras

abertas Γu e Γs tais que Γu∩ Γs = φ e Γ = Γu∪ Γs.

b) Um campo de deslocamentos prescritos u0 : Γu → Rnsd.

c) Um sistema de for¸cas externas (b0, s0) sendo b0 : D → Rnsd for¸cas de corpo e

s0 : Γs → Rnsd for¸cas de superficie.

d) Um tensor de elasticidade C : D → Rnsd, C  0 em D.

A formula¸c˜ao forte do problema de valor de contorno procura um campo de deslocamentos u ∈ U onde

U := {u : D → Rnsd|u(x) = u

0(x), x ∈ Γu}.

tal que se verificam as seguintes equa¸c˜oes

div (S(x)) + b0(x) = 0, x ∈ D S(x) [n(x)] = s0(x), x ∈ Γs u(x) = u0(x), x ∈ Γu (2.10) onde S(x) = C(x) [E(x)] , x ∈ D E(x) = sym(∇u(x)), x ∈ D (2.11)

e n ´e um vetor unit´ario normal ao contorno que aponta para fora do dom´ınio D. A primeira equa¸c˜ao de (2.10) ´e a equa¸c˜ao de equil´ıbrio de for¸cas, a segunda equa¸c˜ao representa a prescri¸c˜ao do vetor de for¸cas de superficie no contorno Γs e a terceira

equa¸c˜ao a prescri¸c˜ao dos deslocamentos no contorno Γu

Usando o teorema da divergˆencia [8] ´e poss´ıvel provar que a formula¸c˜ao forte ´e equivalente a seguinte formula¸c˜ao fraca: buscar u ∈ U tal que

a(u, v) − (b0, v) − (s0, v)Γ = 0, v ∈ V (2.12) sendo a(u, v) = R DhC(x)[E(u(x))], E(v(x))idx (b0, v) = R Dhb0(x), v(x)idx (s0, v)Γ = RΓshs0(x), v(x)idx (2.13) onde U := {u : D → Rnsd|u(x) = u 0(x), x ∈ Γu}. (2.14)

´e o espa¸co das solu¸c˜oes fracas e

V := {v : D → Rnsd|v(x) = 0, x ∈ Γ

(26)

´e o espa¸co das varia¸c˜oes.

Para apresentar a formula¸c˜ao variacional, define-se o funcional de energia potencial total como

Φ(u) = 1

2a(u, u) − (b0, u) − (s0, u)Γ. (2.16) Observe que, segundo (2.13), a(u, u) = 2R

DE(u(x))dx.

Seja v ∈ V , u ∈ U e  > 0. A energia de deforma¸c˜ao E, definida em (2.5), para um campo de deslocamentos u + v verifica

E(u + v) = 12hE(u), C[E(u)]i + hE(u), C[E(v)]i +  2 1

2hE(v), C[E(v)]i

= E(u) + hE(u), C[E(v)]i + 2

E(v)

(2.17)

Usando (2.17) para calcular a primeira varia¸c˜ao de Φ em u na dire¸c˜ao v ∈ V se obt´em [8]

lim

ε→0

Φ(u + εv) − Φ(u)

ε = a(u, v) − (u, v) − (u, v)Γ, v ∈ V (2.18) consequentemente, qualquer ponto estacion´ario u ∈ U da energia potencial total Φ ´e tamb´em solu¸c˜ao da formula¸c˜ao fraca. Portanto, a formula¸c˜ao variacional do equil´ıbrio procura u ∈ U tal que

lim

ε→0

Φ(u + εv) − Φ(u)

ε = 0, v ∈ V (2.19)

Adicionalmente, se existe uma solu¸c˜ao forte u, se verifica

Φ(u) = min{Φ(u) : u ∈ U } (2.20)

e u ´e ´unico caso as condi¸c˜oes de contorno incorporadas no conjunto U exclua campos de deslocamento r´ıgido infinitesimal.

Para provar (2.20) se usa a equa¸c˜ao (2.17) com  = −1 e a equa¸c˜ao (2.12) para chegar ao seguinte resultado

Z

DE(u(x) − u(x))dx = Φ(u) − Φ(u),

u ∈ U

Como E nunca ´e negativa por ser C < 0, Φ(u) 6 Φ(u) para todo u ∈ U e a igualdade se verifica quando o campo u − u represente um deslocamento r´ıgido infinitesimal.

(27)

2.4

Modelos de otimiza¸

ao

Nesta se¸c˜ao formulam-se problemas de otimiza¸c˜ao de material onde as vari´aveis de projeto s˜ao os componentes do tensor de elasticidade. Na literatura, estes problemas se denominam de Parametriza¸c˜ao Livre do Material, “Free Material Optimization” (FMO) [14][15][16]. O espa¸co dos parˆametros do material est´a restringido pelo conjunto de tensores admiss´ıveis que se define a seguir.

Defini¸c˜ao 2.4.1. Sejam ρ e ρ n´umeros reais tais que 0 6 ρ < ρ. O espa¸co dos

tensores de elasticidade admiss´ıveis se define como

M =

n

C ∈ Lin : C < 0, ρ 6 tr(C) 6 ρ em D

o

alternativamente, num sistema de coordenadas ortonormal

M =

n

C ∈ Snsd : C < 0, ρ 6 tr(C) 6 ρ em Do.

Por motivos f´ısicos se considera C semidefinida positiva. Se ρ > 0, a restri¸c˜ao no tra¸co ρ 6 tr(C) exclui o caso C = 0. Contudo, a matriz C ∈ M pode ter valores pr´oprios nulos. A restri¸c˜ao tr(C) 6 ρ exclui o caso tr(C) = +∞.

Nos problemas de FMO, o custo do material num ponto ´e definido como o tra¸co da matriz de elasticidade naquele ponto. Esta escolha do custo ´e arbitr´aria dado que n˜ao existe, em primeira instˆancia, uma medida do custo do material em fun¸c˜ao dos coeficientes da matriz de elasticidade. O tra¸co da matriz ´e uma medida do tensor de elasticidade que n˜ao depende do sistema de referˆencia considerado. O tra¸co do tensor de elasticidade num ponto ´e uma medida da rigidez naquele ponto.

A seguir se colocam alguns modelos de otimiza¸c˜ao da literatura [14][15]. O problema de m´axima rigidez ou de m´ınima complacˆencia se escreve como:

max  min{Φ(u) : u ∈ U } : C ∈ M, Z Dtr(C)dx 6 v  (2.21) onde Φ(u) ´e definido em (2.16) e v ∈ R ´e uma constante. Em [17] a quantidade

R

Dtr(C)dx ´e considerada uma medida de recurso ou custo da estrutura. Neste

contexto, a restri¸c˜aoR

Dtr(C)dx 6 v indica uma restri¸c˜ao na quantidade m´axima de

material a ser empregado.

Para ver por que o problema (2.21) maximiza a rigidez da estrutura, seja u0 =

b0 = 0. Em consequˆencia, os espa¸cos das fun¸c˜oes U e V definidos em (2.14) e (2.15)

ao iguais. Considere u∗ = u∗(C) uma solu¸c˜ao do problema do equil´ıbrio (2.12) para um campo de elasticidade C, portanto

(28)

e por (2.20) e (2.22) tem-se

min{Φ(u) : u ∈ U } = Φ(u∗) = 12a(u∗, u∗) − (s0, u∗

= −12(s0, u∗

(2.23)

Substituindo o resultado (2.23) em (2.21), tem-se min  (s0, u∗: C ∈ M, Z Dtr(C)dx 6 v  (2.24) Analizando a fun¸c˜ao objetivo do problema (2.24), conclue-se que se est´a minimizando a complacˆencia da estrutura.

O problema de m´ınimo tra¸co se obt´em colocando a integral do tra¸co ao longo do corpo como fun¸c˜ao objetivo e considerando uma restri¸c˜ao de complacˆencia

min Z Dtr(C)dx : C ∈ M, (s0 , u∗6 c  , (2.25)

onde c ´e uma constante. A fun¸c˜ao objetivo nesta formula¸c˜ao ´e denominada de peso ou volume [17].

Os problemas precedentes s˜ao te´oricos e n˜ao representam problemas reais de engenharia. O tra¸co n˜ao mede o peso, densidade ou volume, a restri¸c˜ao de complacˆencia n˜ao exclui singularidades da tens˜ao no corpo. Na continua¸c˜ao apresentam-se modelos de otimiza¸c˜ao de maior interesse para a engenharia.

2.4.1

Otimiza¸

ao da espessura e do material

Prop˜oe-se um novo modelo de otimiza¸c˜ao de estruturas planas onde se minimiza o volume e se consideram restri¸c˜oes semidefinidas sobre as matrizes de elasticidade do material.

Assumem-se as seguintes hip´oteses:

Hip´otese 2.4.1. Considere uma estrutura plana ocupando uma regi˜ao limitada D = D2× [0, h], D2 ⊂ R

2

(2.26) onde h ´e uma constante positiva. Considere a seguinte nota¸c˜ao, [x1, x2, x3] ∈ R3,

x = [x1, x2] ∈ D2. Assuma que os componentes do tensor de tens˜oes verificam as

hip´oteses de tens˜ao plana, σ13 = σ23 = σ33 = 0. Considere um material definido

a partir de um campo matricial C : D2 → S3. Assuma que a densidade e C s˜ao

constantes ao longo da coordenada x3. Seja b0 = u0 = 0 e s0 : Γs → R3 com

(29)

Nestas hip´oteses, os vetores σ, ε e a matriz C s˜ao da forma (2.6) e se verifica U = V .

A formula¸c˜ao fraca resulta na busca de u ∈ V tal que

ah,C(u, v) = (s0, v)Γ, v ∈ V (2.27)

onde

ah,C(u, v) = RD2h(x)ε(u(x))

>C(x)ε(v(x))dx (2.28)

sendo (s0, v)Γdefinida em (2.13) e a espessura h, se considera uma fun¸c˜ao da posi¸c˜ao

x ∈ D2.

Descreve-se na continua¸c˜ao o problema de otimiza¸c˜ao da espessura [16]. min h,u R D2h(x)dx sujeito a kσe(x)k2 6 σ, x ∈ D2 ah,Cf ix(u, v) = (s0, v)Γ, v ∈ V h 6 h(x) 6 h, x ∈ D2 (2.29)

onde h, h e σ s˜ao constantes que verificam 0 < h 6 h e σ > 0. O deslocamento u ´e solu¸c˜ao do equil´ıbrio (2.27) sendo Cf ix uma matriz de elasticidade fixa de entrada

do problema. Se assume que Cf ix ´e definida positiva. Como restri¸c˜ao de tens˜ao

se considera, para todo ponto x ∈ D2, o quadrado da norma do tensor de tens˜oes

menor que uma tens˜ao admiss´ıvel σ.

Prop˜oe-se um novo modelo que se denominar´a problema de otimiza¸c˜ao da espessura e do material. O mesmo minimiza o volume da estrutura com restri¸c˜oes locais de tens˜ao e se define da seguinte forma

min h,C,u R D2h(x)dx sujeito a C(x) ∈ M, x ∈ D2 kσe(x)k2 6 σ, x ∈ D2 ah,C(u, v) = (s0, v)Γ, v ∈ V h 6 h(x) 6 h, x ∈ D2 (2.30)

Os problemas (2.29) e (2.30) podem incluir outras restri¸c˜oes de origem mecˆanica, como por exemplo, restri¸c˜oes nos deslocamentos em determinada regi˜ao no contorno do corpo.

No problema (2.29) seria poss´ıvel considerar restri¸c˜oes de tens˜ao de von Mises. Entretanto, no desenho de materiais anisotr´opicos como ´e o caso do problema (2.29), n˜ao h´a um crit´erio de falha estandarizado. O crit´erio de falha depender´a

(30)

na realiza¸c˜ao da solu¸c˜ao ´otima. A fim de obter resultados independentes de como ser˜ao implementados na pr´atica, se utiliza a norma do tensor de tens˜oes.

Os problemas de otimiza¸c˜ao apresentados ser˜ao resolvidos numericamente com algoritmos de programa¸c˜ao matem´atica. Por este motivo, na pr´oxima se¸c˜ao, se introduzem modelos discretos para estas formula¸c˜oes.

2.5

Modelo de elementos finitos

Para resolver o problema do equil´ıbrio (2.27) numericamente, emprega-se o M´etodo dos Elementos Finitos [13].

Nesta se¸c˜ao se consideram as hip´oteses 2.4.1.

Suponha que exista uma parti¸c˜ao Dα do dom´ınio D

2 em nelem subdom´ınios

quadrados, D(e), e = 1, . . . , n

elem, de ´area α. Para esta parti¸c˜ao Dα, define-se o

vetor de espessuras como

h = [h1, . . . , he, . . . , hnelem]

>

∈ Rnelem (2.31)

e o vetor de matrizes de elasticidade como

C = [C1, . . . , Ce, . . . , Cnelem]∈ R

3×(3nelem) (2.32)

desta forma, as fun¸c˜oes h e C s˜ao aproximadas por fun¸c˜oes constantes por partes em D(e). Para cada elemento e, a matriz C

e ∈ S3 ´e definida como: Ce =      C11(e) C (e) 12 C (e) 13 C12(e) C (e) 22 C (e) 23 C13(e) C (e) 23 C (e) 33      . (2.33)

Seja nnd o n´umero total de n´os dos elementos na parti¸c˜ao. Escolhe-se uma base

de fun¸c˜oes de forma {N1, . . . , Nnnd} definidas na parti¸c˜ao D

α. A partir desta base,

definem-se Vα, um espa¸co vetorial de dimens˜ao finita que aproxima V definido em (2.15). Assume-se que vα∈ Vα verifica vα(x) ≈ 0 com x ∈ Γ

u.

Desta maneira, na formula¸c˜ao de Galerkin procura-se o deslocamento uα ∈ Vα

tal que

ah,C(uα, vα) = (s0, vα, vα ∈ Vα (2.34)

As fun¸c˜oes de forma s˜ao escolhidas para que a solu¸c˜ao uαconvirja, quando α → 0,

(31)

A solu¸c˜ao uα ∈ Vα se expressa como uα(x) = nnd X i=1 Ni(x)ui, x ∈ Dα (2.35)

onde ui ∈ R2 ´e o vetor deslocamento ou vetor de graus de liberdade do n´o i.

Substituindo uαe vαno formato (2.35) em (2.34), se chega a formula¸ao de elementos

finitos K(h, C)u = p (2.36) onde K(h, C) = Pnelem e=1 Ke(he, Ce) Ke(he, Ce) = he R D(e)Be(x)>CeBe(x)dx (2.37) Os componentes do vetor u ∈ R2nnd ao os deslocamentos dos n´os de todos os

elementos. O vetor p ∈ R2nnd ´e a vers˜ao discretizada da fun¸c˜ao s

0 definido na

fronteira Γs. A matriz Be ∈ R3×(2nnde uma matriz de nnd blocos de dimens˜ao 3 × 2.

Cada bloco q = 1, . . . , nnd da matriz Be se define da seguinte forma. Se o n´o q

pertence ao elemento e, ent˜ao, o bloco q de Be ´e a matriz

Be,q =          ∂Nq ∂x1 0 0 ∂Nq ∂x2 ∂Nq ∂x2 ∂Nq ∂x1          (2.38)

caso contr´ario, se coloca a matriz nula de dimens˜ao 3 × 2.

A matrix K(h, C) do sistema linear (2.36) se denomina matriz de rigidez global. Impondo as condi¸c˜oes de contorno, se eliminam linhas e colunas de K(h, C) obtendo-se a matriz de rigidez reduzida KR(h, C). Eliminando os componentes de u e p

correspondentes as linhas eliminadas em K(h, C), se obt´em o sistema linear

KR(h, C)uR = pR (2.39)

A seguinte proposi¸c˜ao fornece uma condi¸c˜ao necess´aria para a unicidade da solu¸c˜ao da formula¸c˜ao de elementos finitos.

Proposi¸c˜ao 2.5.1. Se Ce  0 para todo e = 1, . . . , nelem e as condi¸c˜oes de contorno

definidas em Vα ao tais que n˜ao admitem deslocamento r´ıgido n˜ao trivial, ent˜ao

KR(h, C)  0.

(32)

Nas hip´otese de que Ce < 0 para todo e = 1, . . . , nelem, ´e poss´ıvel provar (usando

os mesmos argumentos que na prova em [13]) que a matriz de rigidez global K(h, C) ´e semidefinida positiva.

Seja ue ∈ R8 o vetor de deslocamentos do elemento e, isto ´e, ue cont´em os

componentes de u que correspondem aos graus de liberdade dos n´os do elemento e. Em base a representa¸c˜ao vetorial da equa¸c˜ao constitutiva apresentada em (2.6), ´e poss´ıvel calcular o tensor de tens˜oes e o tensor de deforma¸c˜ao no baricentro do elemento e atrav´es das seguintes f´ormulas [13]

σe= Ceεe, εe= B0ue (2.40)

onde B0 ∈ R3×8 ´e uma matriz de quatro blocos de tamanho 3 × 2. Cada bloco da

matriz B0 ´e uma matriz Be,q calculada no baricentro do elemento e, sendo q um

o deste elemento. Uma vez que todos os elementos tem a mesma geometria, B0

depende apenas da ´area α do elemento [18].

O quadrado da norma do tensor de tens˜oes no baricentro do elemento e, denotada por kσek2, se calcula da seguinte forma

kσek2 = σe>σe (2.41)

onde σe ´e calculado em (2.40).

2.6

Problemas de programa¸

ao semidefinida

Agora se traduzem os modelos de otimiza¸c˜ao (2.25), (2.29) e (2.30) nas suas vers˜oes discretas, utilizando o modelo de elementos finitos.

A fun¸c˜ao objetivo R

Dtr(C)dx ´e traduzida em

Pnelem

e=1 tr(Ce). A vers˜ao discreta

de C ∈ M ´e um conjunto de restri¸c˜oes semidefinidas Ce < 0 e num conjunto de

restri¸c˜oes de desigualdade ρ 6 tr(Ce) 6 ρ onde e = 1, . . . , nelem. A restri¸c˜ao de

complacˆencia (s0, u)Γ 6 c se escreve como p>u 6 c e onde u e p s˜ao definidos em

(33)

2.6.1

Minimiza¸

ao do tra¸

co

Deste modo, o problema de m´ınimo tra¸co definido em (2.25) torna-se min C,u Pnelem e=1 tr(Ce) sujeito a Ce< 0 e = 1, . . . , nelem ρ 6 tr(Ce) 6 ρ e = 1, . . . , nelem p>u 6 c K(h0, C)u = p (2.42)

onde h0 ´e um vetor de espessuras fixas e positivas. Observe que as vari´aveis de

projeto deste problema s˜ao C e u.

A seguir se apresenta uma proposi¸c˜ao que permite eliminar a vari´avel de projeto u do problema (2.42).

Proposi¸c˜ao 2.6.1. Se K < 0, se verifica a seguinte equivalˆencia

Ku = p p>u 6 c    ⇐⇒   c −p> −p K  < 0 (2.43)

Demonstra¸c˜ao. Veja no apˆendice B.1.1.

Em vista da proposi¸c˜ao (2.6.1), ´e poss´ıvel eliminar a vari´avel de projeto u da formula¸c˜ao (2.42), obtendo-se min C Pnelem e=1 tr(Ce) sujeito a Ce < 0 e = 1, . . . , nelem ρ 6 tr(Ce) 6 ρ   c −p> −p K(h0, C)  < 0 (2.44)

Em contrapartida, o problema (2.44) cont´em uma restri¸c˜ao semidefinida de uma matriz que inclui a matriz de rigidez K(h0, C).

2.6.2

Minimiza¸

ao do volume

De forma an´aloga, a vers˜ao discreta da fun¸c˜ao objetivo R

D2h(x)dx definida em

(2.29) se escreve como Pnelem

e=1 he. Assim, o problema de otimiza¸c˜ao da espessura

torna-se min h,u Pnelem e=1 he sujeito a kσek2 6 σ e = 1, . . . , nelem K(h, Cf ix)u = p h 6 he6 h e = 1, . . . , nelem (2.45)

(34)

onde Cf ix=

h

Cf ix(1), . . . , C(nelem)

f ix

i

∈ R3×(3nelem) ´e um vetor de matrizes de elasticidade

fixo, sendo Cf ix(e)  0. O quadrado da norma do tensor de tens˜oes do elemento ´e definida em (2.41).

Por ´ultimo, a vers˜ao discreta do problema de otimiza¸c˜ao da espessura e do material em (2.30) se reduz a min h,C,u Pnelem e=1 he sujeito a Ce < 0 e = 1, . . . , nelem ρ 6 tr(Ce) 6 ρ e = 1, . . . , nelem kσek2 6 σ e = 1, . . . , nelem K(h, C)u = p h 6 he6 h e = 1, . . . , nelem (2.46)

2.7

Discuss˜

ao dos modelos de otimiza¸

ao

Os modelos de minimiza¸c˜ao do tra¸co (2.42) e de minimiza¸c˜ao da complacˆencia (2.24) n˜ao s˜ao apropriados para aplica¸c˜oes de engenharia porque solu¸c˜oes ´otimas obtidas com estes modelos s˜ao estruturas r´ıgidas e provavelmente possuem pontos de concentra¸c˜ao de tens˜ao. Por outro lado, o tra¸co da matriz de elasticidade do elemento n˜ao mede o volume do elemento. Por este motivo, acredita-se que o modelo de minimiza¸c˜ao de espessura e material (2.30) seja de maior interesse para aplica¸c˜oes reais.

A formula¸c˜ao de minimiza¸c˜ao do tra¸co (2.42) cont´em restri¸c˜oes n˜ao lineares de desigualdade e igualdade. No entanto, o problema ´e equivalente a (2.44). O problema (2.44) cont´em uma restri¸c˜ao semidefinida com a matriz de rigidez K(h0, C). Contudo, matriz de rigidez K(h0, C), o tra¸co e a pr´opria matriz Ce s˜ao

fun¸c˜oes lineares com respeito aos coeficientes das matrizes Ce. Assim, o problema

(2.44) ´e um problema de programa¸c˜ao linear semidefinida.

O problema de otimiza¸c˜ao da espessura (2.45) minimiza o volume de uma estrutura com um material fixo. No entanto, o problema de otimiza¸c˜ao da espessura e material (2.46) minimiza o volume estrutural permitindo a mudan¸ca do material em cada ponto do corpo. Estes problemas s˜ao n˜ao lineares devido `as restri¸c˜oes de tens˜ao em cada elemento. O problema (2.46) tem a complica¸c˜ao adicional de possuir restri¸c˜oes matriciais semidefinidas. Apesar disto, as restri¸c˜oes semidefinidas para modelos bidimensionais envolvem matrizes de tamanho 3 × 3.

Assumindo que exista uma solu¸c˜ao h∗ para o problema (2.45), ´e de esperar que exista uma solu¸c˜ao (h∗∗, C∗∗) do problema (2.46) tal que h∗∗ seja uma solu¸c˜ao ´otima com menos volume que h∗. Esta afirma¸c˜ao ´e razo´avel por que o problema (2.46)

(35)

tem C como vari´avel de projeto e permite organizar o material enquanto que (2.45) mant´em C fixo.

As t´ecnicas para programa¸c˜ao n˜ao linear com restri¸c˜oes s˜ao adequadas para o problema (2.45). No entanto, para resolver (2.42), (2.44) e (2.46) seriam inapropriadas por conter restri¸c˜oes matriciais semidefinidas.

Nesta tese se prop˜oe uma forma de resolver os problemas (2.42) e (2.46) mediante a t´ecnica do “Feasible Arc Interior Point Algorithm”.

(36)

Cap´ıtulo 3

Otimiza¸

ao de material com o

FAIPA

3.1

Algoritmo de pontos vi´

aveis por arcos vi´

aveis

Nesta se¸c˜ao se descreve o “Feasible Arc Interior Point Algorithm”, algoritmo proposto por Herskovits [7]. O FAIPA ´e uma t´ecnica geral de resolu¸c˜ao do problema de programa¸c˜ao diferenci´avel n˜ao-linear com restri¸c˜oes

min

x∈Rnf (x)

sujeito a gi(x) 6 0 i = 1, . . . , m

(3.1)

A formula¸c˜ao (3.1) tem a seguinte leitura: procurar na regi˜ao vi´avel

∆ = {x ∈ Rn: gi(x) 6 0, i = 1, . . . , m} (3.2)

o vetor x∗ tal que

f (x∗) 6 f (x), para todo x ∈ ∆. (3.3) O vetor x ∈ Rn ´e denominado vetor de vari´aveis de projeto. A fun¸c˜ao f : Rn

R ´e denominada fun¸c˜ao custo ou fun¸c˜ao objetivo. As fun¸c˜oes gi : Rn → R s˜ao

denominadas fun¸c˜oes de restri¸c˜ao de desigualdade.

Um ponto x∗ que verifica a condi¸c˜ao (3.3) ´e denominado m´ınimo global do problema (3.1). Desafortunadamente, a condi¸c˜ao (3.3) n˜ao ´e facil de verificar em geral. O m´ınimo global somente pode ser caracterizado em situa¸c˜oes especiais, por exemplo, quando as fun¸c˜oes f e g s˜ao convexas.

As t´ecnicas gerais de programa¸c˜ao matem´atica como o FAIPA, procuram pontos denominados m´ınimos locais.

(37)

Defini¸c˜ao 3.1.1. O ponto x ∈ ∆ ´e um m´ınimo local do problema (3.1) quando existe ε > 0 tal que f (x∗) 6 f (x), para todo x ∈ ∆ ∩ B(x∗, ε).

Para entender o funcionamento do FAIPA ´e necess´ario estabelecer as condi¸c˜oes de otimalidade de um m´ınimo relativo. Para isso, algumas defini¸c˜oes e condi¸c˜oes usuais da programa¸c˜ao matem´atica ser˜ao apresentadas na continua¸c˜ao.

Se f e g s˜ao da classe C1, f e g

j possuem as n derivadas parciais

∂f ∂xi

(x), ∂gj ∂xi

(x), x ∈ Rn, j = 1, . . . , m, i = 1, . . . , n

e estas derivadas parciais s˜ao fun¸c˜oes cont´ınuas. O gradiente de f ´e denotado por

∇f (x) = ∂f ∂x1 (x) . . . ∂f ∂xn (x) > ∈ Rn. (3.4)

As derivadas parciais de gi respeito de xk se agrupam na seguinte matriz ∇g(x)

definida como

∇g(x) = h∇g1(x) . . . ∇gm(x)

i

∈ Rn×m. (3.5)

Defini¸c˜ao 3.1.2. Define-se a fun¸c˜ao Lagrangena do problema (3.1) como L : Rn× Rm

→ R

L(x, λ) = f (x) + g(x)>λ. (3.6) Onde g(x)> = [g1(x), . . . , gm(x)]. Em vista de (3.5) e (3.6), o gradiente da fun¸c˜ao

Lagrangeana respeito de x rescreve-se

∇xL(x, λ) = ∇f (x) + ∇g(x)λ. (3.7)

Defini¸c˜ao 3.1.3. O conjunto de restri¸c˜oes ativas em x ∈ ∆ se define como

A(x) = {j ∈ {1, . . . , m} : gj(x) = 0}. (3.8)

Condi¸c˜ao de regularidade 3.1.1. Dado x ∈ ∆, as restri¸c˜oes do problema (3.1) satisfazem a condi¸c˜ao de regularidade de independˆencia linear em x se o conjunto {∇gj(x) : j ∈ A(x)} ´e linearmente independente.

Teorema 3.1.1. Se f e g s˜ao fun¸c˜oes da classe C1, x ´e um m´ınimo relativo do

(38)

existe um ´unico vetor de multiplicadores de Lagrange λ∗ ∈ Rm tal que, ∇L(x∗, λ) = 0 gi(x∗)λ∗i = 0, i = 1, . . . , m gi(x∗) 6 0 λ∗ > 0 (3.9)

onde a ∇L est´a definida em (3.7). Demonstra¸c˜ao. Ver [19]

Um ponto (x∗, λ∗) que verifica as condi¸c˜oes (3.9) ´e denominado de ponto de Karush-Kuhn-Tucker (KKT).

O FAIPA ´e um m´etodo iterativo. Dado um ponto ponto inicial x0 tal que g(x0) <

0, o algoritmo gera uma sequˆencia de pontos {(xk, λk)}

k∈N tal que g(xk) < 0 e

f (xk+1) < f (xk) de modo que a sequˆencia converge a um ponto de KKT. Para tal

fim, em xk calcula-se uma dire¸c˜ao dk ∈ Rn vi´avel do problema (3.1) e de descida

para a fun¸c˜ao f no ponto xk.

Defini¸c˜ao 3.1.4. d ∈ Rn ´e uma dire¸c˜ao vi´avel do problema (3.1) no ponto x ∈ ∆ se existe Θ > 0 tal que x + td ∈ ∆ para todo t ∈ [0, Θ].

Defini¸c˜ao 3.1.5. d ∈ Rn ´e uma dire¸c˜ao de descida da fun¸c˜ao f no ponto x ∈ Rn se

existe δ > 0 tal que f (x + td) < f (x) para todo t ∈ (0, δ). ´

E poss´ıvel provar que se d>∇gj(x) < 0 para todo j ∈ A(x) ent˜ao, d ´e uma

dire¸c˜ao vi´avel de (3.1) em x. Analogamente, se d>∇f (x) < 0 ent˜ao d ´e uma dire¸c˜ao de descida para f em x. Em vista destas propriedades, se descreve na continua¸c˜ao, como o FAIPA calcula uma dire¸c˜ao vi´avel e de descida.

3.1.1

Dire¸

ao vi´

avel e de descida

Motivado pelas equa¸c˜oes de igualdade da condi¸c˜ao de KKT (3.9), se define a seguinte fun¸c˜ao φ : Rn× Rm → Rn× Rm φ(x, λ) =   ∇L(x, λ) G(x)λ  

onde G(x) = diag(g(x)). Para achar as ra´ızes de φ pelo m´etodo de Newton, calcula-se a matriz Jacobiana de φ obtendo-calcula-se

∇φ =   H(x, λ) ∇g(x) Λ∇g(x)> G(x)  ∈ R (n+m)×(n+m) (3.10)

(39)

onde H(x, λ) = ∇xxL(x, λ) ´e a Hessiana da fun¸c˜ao Lagrangeana (3.6) e Λ = diag(λ).

Uma itera¸c˜ao de Newton para resolver o sistema n˜ao linear de equa¸c˜oes φ(x, λ) = 0 torna-se   Bk ∇g(xk) Λk∇g(xk)> G(xk)     xk+10 − xk λk+10 − λk  = −   ∇f (xk) + ∇g(xkk G(x)λk   (3.11) onde Bk = H(xk, λk) e (xk+1 0 , λ k+1

0 ) representa o novo ponto. No FAIPA, a matriz

B ´e uma aproxima¸c˜ao quase-Newton de H ou a matriz identidade. Para a prova da convergˆencia global do algoritmo se precisa que B seja definida positiva [7].

Definindo dk

0 = x

k+1

0 − xk e desenvolvendo o sistema linear (3.11) obt´em-se

Bkdk 0 + ∇g(xk)λ k+1 0 = −∇f (xk) Λk∇g(xk)>dk 0 + G(xk)λ k+1 0 = 0 (3.12)

Prova-se em [7] que se d0 6= 0, ent˜ao d>0∇f (x) < 0, ou seja d0 ´e uma dire¸c˜ao de

descida. Contudo d0 n˜ao ´e necessariamente vi´avel. Para ver isto, a segunda equa¸c˜ao

de (3.12) fornece as seguintes igualdades

λkj∇gj(xk)>dk0 + gj(xk)λk+10j = 0, j = 1, . . . , m

indicando que ∇gj(xk)>dk0 = 0 para todo j ∈ A(xk).

Para garantir que uma dire¸c˜ao dk seja vi´avel, define-se outro sistema linear nas vari´aveis dk e λk

Bkdk + ∇g(xkk+1 = −∇f (xk)

Λk∇g(xk)>dk + G(xkk+1 = −ρkλk (3.13)

adicionando uma quantidade negativa no lado direito da segunda equa¸c˜ao (3.12), onde o parˆametro ρk ´e um n´umero positivo.

Observando a segunda equa¸c˜ao de (3.13) chega-se a que ∇gj(xk)>dk = −ρkλk < 0

para todo j ∈ A(xk), isto ´e, dk ´e uma dire¸c˜ao vi´avel.

O efeito do parˆametro positivo ρ ´e defletir a dire¸c˜ao d0 para dentro da regi˜ao

vi´avel. Como d0 ´e uma dire¸c˜ao de descida, ´e poss´ıvel definir uma cota superior para

ρ de modo que d tamb´em seja de descida. Esta cota superior pode estabelecer-se com a seguinte condi¸c˜ao

d>∇f (x) < ξd>0∇f (x)

onde ξ ∈ (0, 1). Como d>0∇f (x) < 0, esta condi¸c˜ao faz que d seja uma dire¸c˜ao de

(40)

Outra forma de obter a dire¸c˜ao vi´avel e de descida dk consiste em resolver o seguinte sistema linear auxiliar nas vari´aveis dk1 e λ

k+1 1 Bkdk1 + ∇g(xk)λ k+1 1 = 0 Λk∇g(xk)>dk 1 + G(xk)λ k+1 1 = −λk (3.14) calcular ρk ∈ R como ρ 6 (ξ − 1)d > 0∇f (x) d> 1∇f (x) se d>1∇f (x) > 0. Caso contrario, se d> 1∇f (x) 6 0, assume-se ρ 6 ϕkd0k2

para algum parˆametro fixo ϕ > 0. Logo definindo dk = dk0 + ρkdk1

λk+1 = λk+10 + ρkλ

k+1

1

se obt´em a solu¸c˜ao do sistema (3.13) onde, em particular, a dire¸c˜ao dk ´e vi´avel e de

descida.

3.1.2

Busca linear

Na semi-reta {xk + tdk : t > 0} ´e poss´ıvel procurar um passo tk > 0 tal que

xk+1= xk+ tkdk verifique f (xk+1) < f (xk) e g(xk+1) < 0.

A busca linear de Armijo [19] procura o primeiro elemento tk da sequˆencia

1, ν, ν2, ν3. . . tal que

fxk+ tkdk 6 f (xk) + tk.η.dk >∇f (xk) (3.15)

onde η ∈ (0, 1). A condi¸c˜ao (3.15) assegura uma redu¸c˜ao de f ´e reduzida η vezes a redu¸c˜ao de uma fun¸c˜ao linear tangente a f em t = 0. Adicionalmente, deve verificar-se que gj  xk+ tkdk < 0 se λk+1 j > 0 gj  xk+ tkdk 6 g j(x) se λ k+1 j < 0 (3.16) As condi¸c˜oes (3.16) s˜ao importantes para provar os seguintes fatos:

1. A sequˆencia {tk}

k∈N converge para um n´umero positivo t∗.

2. Se a sequˆencia {xk}

k∈N converge para um ponto x∗ tal que gj(x∗) = 0 com

(41)

Estes dois fatos s˜ao fundamentais na prova da convergˆencia do algoritmo a um ponto de KKT [7].

3.1.3

Busca em arco

O FAIPA permite a busca do parˆametro tk ao longo de uma curva definida pela seguinte equa¸c˜ao

A(t) = xk+ tdk+ t2˜

dk.

A dire¸c˜ao ˜dk, leva em conta a curvatura das restri¸c˜oes no ponto xk. Para isso se

calcula primeiro

ωk = g(xk+ dk) − g(xk) − ∇g(xk) e logo se resolve um terceiro sistema linear em ˜dk e ˜λk+1

Bkd˜k + ∇g(xkλk+1 = 0

Λk∇g(xk)>d˜k + G(xkλk+1 = −Λωk (3.17)

A figura 3.1 indica uma interpreta¸c˜ao geom´etrica das dire¸c˜oes dk

0, ρdk1 e ˜dk junto

aos gradientes de −∇f (xk) e ∇gj(xk) onde j ∈ A(xk).

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