A ERA DOS “PACOTES” ESTÁ VOLTANDO?
PEDRO JORGE RAMOS VIANNA Nesta Carta vamos lembrar um pouco a política de “pacotes” que durante alguns anos comandou a política econômica brasileira. Isto porque parece que tal política tornou-se a tônica da política econômica do atual governo. Como pano de fundo, faremos um breve relato de todos os “pacotes” editados até 2009. Aqui nos deteremos no último “pacote”: Medidas de Incentivo à Competitividade, de 05 de maio de 2010.Em um passado não muito distante (a partir da década dos setentas do século passado) o Brasil tinha sua vida econômica dominada pela edição de “PACOTES ECONÔMICOS”.
De fato, em 30 de outubro de 1979, foi editado o primeiro “pacote”. O objetivo era mudar a sistemática de correção dos salários. Ainda em 1979 outro “pacote” foi editado, nos dias 4 e 7 de dezembro. Neste, a principal medida foi uma maxidesvalorização de 30% na moeda nacional. E a prática dos pacotes continuou. Em 1980 foram editados três deles; em 1981, dois; em 1982, dois; em 1983, seis; em 1984, quatro, em 1985, seis; em 1986, dois e em 1987, dois. No total, foram 29 “pacotes” em menos de uma década.
Mas, concomitantemente com os “pacotes”, a década dos oitentas do século passado também foi palco dos “PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO”. Estes “planos” foram editados dos meados dos anos oitentas até meados dos anos noventas. No Quadro abaixo resumimos esses eventos:
QUADRO 1
OS PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO NO BRASIL
DATA PLANOS
27 de Fevereiro de 1986 Plano Cruzado 13 de Junho de 1987 Plano Bresser 16 de Janeiro de 1989 Plano Verão 15 de Março de 1990 Plano Collor I 1º de Fevereiro de 1991 Plano Collor II 28 de Fevereiro de 1994 Plano Real
O restante da década dos noventas não apresentou nenhuma grande mudança na orientação econômica do Governo Federal. Nem “pacotes” nem “planos” foram editados. Muito embora possamos citar a mudança de comportamento do Governo Federal para com as PMEs. De fato, em 05 de dezembro de 1996 foi editada a Lei Nº 9.317, que instituía o SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, objetivando facilitar o cumprimento das obrigações tributárias das micro e pequenas empresas.
Ainda na década dos noventas do século passado foi instituído o Estatuto Nacional das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, com a edição da Lei 9.841, de 05 de outubro de 1999. Referida Lei estabelecia que:
“Art. 1o Nos termos dos arts. 170 e 179 da Constituição
Federal, é assegurado às microempresas e às empresas de pequeno porte tratamento jurídico diferenciado e simplificado nos campos administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial, em conformidade com o que dispõe esta Lei e a Lei n 9.317, de 5o
de dezembro de 1996, e alterações posteriores.
Parágrafo único. O tratamento jurídico simplificado e favorecido, estabelecido nesta Lei, visa facilitar a constituição e o funcionamento da microempresa e da empresa de pequeno porte, de modo a assegurar o fortalecimento de sua participação no processo de desenvolvimento econômico e social.”
Entretanto, já em meados da primeira década deste século, a volta aos “pacotes” parece ter acontecido. Senão vejamos:
O “Pacote” de 2004
Em 31 de março de 2004 foi lançado pelo Governo Federal a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, que ficou conhecida pelo nome de PITCE, através da qual foi viabilizado um conjunto diferenciado de instrumentos que são de responsabilidade de diferentes agências do setor público, inclusive estaduais e municipais. Assim, haverá mecanismos institucionais para a implementação da política e para a coordenação da ação dos órgãos públicos, facilitando a negociação do setor privado com o governo. O resultado final visava maior consistência e eficiência no apoio estatal, maior agilidade no processo de tomada de decisão e maior sinergia entre instituições públicas e mobilização de instrumentos de política.
Dentro deste novo paradigma, a Política Industrial, Tecnológica e de Co-mércio Exterior não é uma iniciativa isolada. Ela faz parte de um conjun-to de ações que compõem a estratégia de desenvolvimenconjun-to apresentada no documento Orientação Estratégica de Governo: Crescimento
Susten-tável, Emprego e Inclusão Social. Essa política está articulada com os
investimentos planejados para a infra-estrutura e com os projetos de promoção do desenvolvimento regional. Nesse sentido é parte integran-te do conjunto de medidas previstas no PPA. Sua implementação deve-rá se articular com a nova política regional
De acordo com as diretrizes do Governo, a Política Industrial, Tecnológi-ca e de Comércio Exterior busTecnológi-ca, no curto prazo, diminuir as restrições externas do país e, no médio e longo prazo, equacionar o desenvolvi-mento de atividades-chave, de modo a gerar capacitações que permitam ao Brasil aumentar sua competitividade no cenário internacional.
Em função dessas definições, a política buscará:
• Sustentar a elevação do patamar de exportações, com a valorização de recursos e produtos brasileiros, aproveitando potencialidades para melhorar a imagem do País no exterior e ajudar a criar a “marca Brasil”. • Promover a capacidade inovadora das empresas via concepção, pro-jeto e desenvolvimento de produtos e processos. Estimular o incremento de atividades portadoras de futuro, como biotecnologia, software, eletrô-nica e optoeletrôeletrô-nica, novos materiais, nanotecnologias, energia renová-vel, biocombustíveis (álcool, biodiesel) e atividades derivadas do Proto-colo de Kyoto.
• Contribuir para o desenvolvimento regional, estimulando iniciativas que valorizem a dimensão espacial e o fortalecimento de arranjos produ-tivos locais.
• Desenvolver projetos voltados para o consumo de massa. Ainda que a demanda seja o indutor dos investimentos, o objetivo é estabelecer pa-drões de qualidade, design e conteúdo que possibilitem simultaneamen-te exportações para países com padrão de consumo e renda similares ao Brasil. Busca-se, com isso, auferir ganhos de escala e alcançar um padrão internacional de produto, reduzindo a dicotomia mercado de massas/mercado externo.
O “Pacote” de 2005
Em 21 de novembro de 2005 foi editada a Lei Nº 11.196, a chamada LEI DO BEM, mudando a sistemática de tributação para as empresas exportadoras. Assim, foram instituídos o REPES – Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação e o RECAP - Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras, além do PID – Programa de Inclusão Digital, além de medidas referentes aos Fundos Previdenciários. O fulcro dessa Lei era incentivar a exportação e a inovação tecnológica para as empresas industriais brasileiras;
O “Pacote” de 2006
Em 14 de dezembro de 2006 foi editada a Lei Complementar Nº 123, a chamada LEI GERAL DAS MICROEMPRESAS. No bojo desta Lei ficou instituído o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional (conhecido como o SUPERSIMPLES) e o Estatuto Nacional das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte.
Os “Pacotes” de 2007
O ano de 2007 foi pródigo em “pacotes”. De fato, em 31 de maio de 2007, através da Lei Nº 11.484, foram instituídos o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para TV Digital – PATVO.
Em 15 de junho do mesmo ano, foi promulgada a Lei Nº 11.487, incluindo novos incentivos à inovação tecnológica e a Lei Nº 11.488,
criando o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura – REIDE.
Finalmente, em 12 de novembro de 2007, a Lei Nº 11.540 modifica o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, ampliando sua abrangência.
Os “Pacotes” de 2008
Em 12 de maio de 2008, o Governo Federal lançou um novo “pacote” para impulsionar a indústria exportadora brasileira, a chamada POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO. Aqui houve uma mistura de política tributária e política orçamentária. De fato, naquele dia foram editados 05 (cinco) Decretos (números 6.451 a 6.455) tratando de modificações no IPI e no IOF, do Seguro Crédito à Exportação e criando o CONSÓRCIO SIMPLES. No bojo deste novo “pacote” foram selecionados as seguintes estratégias de desenvolvimento industrial: Software e tecnologia
Para este setor foi estabelecido: i) Redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento de 20% para até 10% e da contribuição para o Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresas; ii) Dedução em dobro, para determinação da base do cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das despesas com programas acelerados de capacitação de pessoal; iii); Permissão para que as empresas de informática e automação possam deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL os dispêndios relativos a pesquisa e desenvolvimento multiplicados por um fator de até 1,8; iv) e foi estabelecido o novo Prosoft, com aporte de recursos de R$1,0 bilhão entre 2007 e 2010.
Indústria naval
À Indústria Naval Brasileira foi destinado/aprovado: i) um aporte de recursos para investimento inicial da ordem de R$ 400,0 milhões; ii) a suspensão da cobrança de IPI/PIS/CONFINS incidentes sobre peças e materiais destinados a construção de navios por estaleiros nacionais; iii) ampliação da suspensão da cobrança de PIS/Cofins na aquisição de combustíveis para a navegação de longo curso. Hoje, só recebe esse benefício a navegação de cabotagem;iv) autorização para. A Petrobras lançar uma licitação para a construção de 146 embarcações de apoio às operações da estatal.
Dentro deste tópico, ficou estabelecido: i) a eliminação da incidência do IOF de 0,38% nas operações de crédito do BNDES, Finame e Finep; ii) a redução do IPI para uma lista de setores a ser divulgada; iii) a.redução de prazo de apropriação de créditos de PIS e COFINS derivados da aquisição de bens de capital de 24 para 12 meses; iv) a prorrogação, até 2010, do previsto pela Lei 11.051/2004, que reduz de forma acelerada em 50% do prazo de crédito de 25% do valor anual da depreciação que pode ser abatido da CSLL.
Financiamento de renda variável
Esta política de cunho monetário previu: i) a ampliação do funding do BNDES; ii) a previsão de desembolso total projetado para indústria e serviços entre 2008 e 2010 de R$ 210,4 bilhões (capacidade produtiva, inovação e modernização), dividido em de R$ 62,5 bilhões este ano, R$ 70,2 bilhões em 2009 e R$ 77,7 bilhões em 2010; iii) a redução de 20% no spread básico do conjunto de linhas de financiamento do BNDES, de 1,4% para 1,1% ao ano;; iv) a redução de 40% do spread básico de 1,5% ao ano para 0,9% ao ano; v) a duplicação do prazo para a indústria no produto Finame, de 5 para 10 anos; vi) a redução da taxa de intermediação de 0,8% para 0,5%.
Inovação
Para promover a inovação tecnológica na indústria brasileira foi estabelecido: i) a criação de uma linha de capital inovador de R$ 6 bilhões entre 2008 e 2010 que cobra apenas a TJLP; ii) o apoio e aos esforços inovativos das empresas, principalmente em capacitação dos, ativos intangíveis de engenharia; iii) criação de uma nova linha de apoio à inovação tecnológica: com o apoio a projetos de pesquisa desenvolvimento e inovação, com taxa de 4,5% por cento; iv) foco do Fundo Tecnológico em saúde, energias renováveis e redução de emissões; v) fortalecimento da FINEP com a linha de financiamento de R$ 740 milhões em 2008; e subvenção econômica à inovação de R$ 325 milhões;
Além disto, o “pacote” visava à ampliação do investimento fixo com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), elevar o gasto privado em pesquisa e desenvolvimento, ampliar a inserção internacional do Brasil e dinamizar as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) exportadoras. Essas foram as quatro macrometas estabelecidas na Política de Desenvolvimento Produtivo, que deveriam ser atingidas até 2010 e que previam:
Ampliar o investimento fixo/PIB: aumentar o investimento fixo para 21% do PIB até 2010.
Elevar o gasto privado em P&D: aumento dos gastos privados em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em um patamar de 0,65% do PIB. Ampliar a participação das exportações brasileiras: inserção internacional das empresas brasileiras por duas vias: (i) exportações e (ii) investimentos diretos no exterior para instalação de representações comerciais ou unidades produtivas (internacionalização).
Aumentar o número de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) exportadoras: elevação de 10% no total de Micro e Pequenas Empresas exportadoras entre 2006 e 2010.
Dentro desta Política (PDP) 24 setores foram escolhidos como beneficiários de suas benesses, conforme descrevemos abaixo.
Os Programas Estruturantes – um dos níveis da Política de Desenvolvimento Produtivo – foram divididos em três eixos: os Programas Mobilizadores em Áreas Estratégicas; os Programas para Consolidar e Expandir a Liderança; e os Programas para Fortalecer a Competitividade. Cada um dos eixos abriga setores e complexos produtivos específicos, para os quais foram definidas metas, objetivos, estratégias, instrumentos, medidas e gestores responsáveis. No total, foram 24 setores contemplados pelos programas estruturantes. PROGRAMAS MOBILIZADORES EM ÁREAS ESTRATÉGICAS: superar os desafios científico-tecnológicos para inovação, com compartilhamento de metas entre a iniciativa privada, os institutos tecnológicos e a comunidade científica. Contemplando os seguintes setores:
Complexo Industrial da Saúde
Metas: Redução do déficit comercial do Complexo Industrial Saúde para US$ 4,4 bilhões até 2013; desenvolvimento de tecnologia para produção local de 20 produtos estratégicos para o SUS até 2013.
Complexo Industrial da Energia Nuclear
Metas: Ampliação da capacidade de produção de urânio; implementação da primeira etapa da Unidade de Enriquecimento de Urânio; concluir a planta-piloto 2 de produção de UF6 (conversão); criação a Empresa Brasileira de Radiofármacos (EBR) até 2008.
Tecnologias de Informação e Comunicação
Envolveu cinco subsetores: Software e serviços TI, Microeletrônica, Mostradores de informação (displays), infra-estrutura para inclusão
digital e adensamento da cadeia produtiva. Cada subsetor teve as seguintes metas já definidas na Política:
Software e Serviços de TI: exportar R$ 3,5 bilhões em 2010; criar 100 mil novos empregos até 2010; e consolidar dois grupos ou empresas de tecnologia nacional (serviços de TI) com faturamento superior a R$ 1 bilhão. Os gestores são MCT e MDIC.
Microeletrônica: implantar duas empresas de fabricação de Circuitos Integrados (ou MEMS), envolvendo a etapa de front-end; elevar o número de Design Houses do programa CI Brasil de sete para 14 e fortalecer a sua atuação. Os gestores são MCT e MDIC.
Mostradores de informação (displays): instalar uma empresa de manufatura de painéis delgados com tecnologia emergente; e instalar uma empresa fornecedora global de insumos para displays. Os gestores são MCT e MDIC.
Infra-estrutura para a inclusão digital: ampliar o acesso à Internet para 25% dos domicílios brasileiros; garantir o acesso à banda larga a 100% das escolas públicas urbanas em 2010; dobrar a base instalada de computadores nos domicílios brasileiros; e oferecer serviços de interatividade na TV Digital terrestre para área de cobertura de 30 milhões de domicílios. Os gestores são Casa Civil, Ministério das Comunicações, MCT, MDIC e MPOG.
Adensamento da cadeia produtiva de TICs: reduzir para 30% a penetração de importações de TICs do complexo eletrônico; e interromper a trajetória ascendente do déficit comercial do complexo eletrônico. Os gestores são MCT e MDIC.
Nanotecnologia
Metas: Investir R$ 70 milhões em P,D&I; e alcançar 100% dos investimentos privados previstos no Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Biotecnologia
Metas: Desenvolver 20 produtos priorizados nas quatro áreas setoriais da Política de Desenvolvimento da Biotecnologia até 2010; induzir até 20 projetos cooperativos (ICTs – empresas) até 2010; financiar cinco centros de desenvolvimento em biotecnologia avançada para incorporação da biotecnologia em processos industriais; e ampliar
produção nacional de biofármacos e imunobiológicos para 10% do valor das vendas da indústria farmacêutica nacional em 10 anos.
Complexo Industrial de Defesa
Metas: Investir R$ 1,4 bilhão em modernização e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I); em 2010, elevar para 50% o fornecimento nacional nas 4 compras de defesa; em 2020, elevar para 80% o fornecimento nacional nas compras de defesa.
PROGRAMAS PARA CONSOLIDAR E EXPANDIR A LIDERANÇA: Abrangem setores e empresas que possuem capacidade competitiva e projeção internacional, reforçando a competitividade do País por meio da consolidação e da ampliação de novos investimentos, com ênfase na inovação e na internacionalização dessas empresas. Contemplaram os seguintes setores:
Bioetanol
Metas: Produção de 23,3 bilhões de litros, exportação de 5 bilhões de litros e geração de 2.700 MW médios adicionais em 2010.
Petróleo, Gás Natural e Petroquímica
Metas: Aumentar produção de óleo e GLN para 2,4 milhões barris/dia em 2012 (1,8 milhões barris/dia em 2007); aumentar a produção de gás natural para 637 mil barris/dia em 2012 (273 mil barris/dia em 2007); e manter o conteúdo local nos projetos em 75% em 2010 (75% em 2007). Indústria Aeronáutica
Metas: Sustentar a 3ª posição em aeronaves comerciais; dobrar a participação mundial em aeronaves executivas até 2012; dobrar as exportações de helicópteros para América do Sul; e aumentar a produtividade nas aeropeças (Faturamento/Empregado/ano) para R$ 200 mil.
Celulose e Papel, Mineração e Siderurgia
Metas: Manter posição entre os cinco maiores produtores mundiais; e aumentar investimentos em P&D para 0,68% do faturamento (0,53% em 2005).
Carnes
Metas: Exportar US$ 14 bilhões em 2010
PROGRAMAS PARA FORTALECER A COMPETITIVIDADE: Foram focados em sistemas, cadeias e complexos produtivos que geram efeitos de encadeamento sobre o conjunto da estrutura industrial com potencial exportador. Embora afetados por importações, esses
complexos possuem potencial competitivo. Os programas contemplaram os seguintes setores:
Complexo automotivo
Metas: Produzir 4 milhões de veículos em 2010 e 5,1 milhões em 2013; gastos em P&D de 2% do faturamento em 2010 e 2,5% em 2013; e exportação de 930 mil veículos em 2010.
Bens de Capital sob Encomenda e Seriados
Metas: Bens de capital sob encomenda: aumentar gastos em P,D&I sobre o faturamento líquido de 0,55% para 0,80% em 2010; ampliar exportações para US$ 4,4 bilhões em 2010 (US$ 2,9 bilhões em 2007). BK seriados: investimentos de US$ 11,5 bilhões para 2008-2010; ampliar os gastos em P,D&I sobre o faturamento líquido de 1,32% para 2%; e ampliar as exportações de US$ 16,7 bilhões para US$ 22,3 bilhões em 2010.
Indústria Naval e Cabotagem
Metas: Aumentar o uso de navipeças nacionais de 65% para 85%; ampliar a participação da bandeira brasileira na marinha mercante mundial para 1%; e gerar mais 25 mil empregos na cadeia produtiva. Indústria Têxtil e de Confecções
Meta: Ampliar faturamento para US$ 41,6 bilhões em 2010, frente aos US$ 33 bilhões de 2006.
Couro, Calçados e Artefatos
Metas: Conquistar a segunda posição na produção mundial de calçados; aumentar valor das exportações de couro acabado à taxa média de 10% ao ano; e conquistar a terceira posição na exportação de calçados.
Madeira e Móveis
Metas: Crescimento médio de 15% a.a. nas vendas internas e de 7,5% a.a. nas exportações; ampliar o investimento em inovação e P&D para, respectivamente, 3% e 0,5% das vendas líquidas; e aumentar o consumo no mercado doméstico em 30%.
Sistema Agroindustrial
Metas: Ampliar as exportações do sistema agroindustrial em 25% até 2010; estabelecer normas socioambientais para os principais complexos agroindustriais; e apoiar cooperativas agroindustriais de MPEs no processo de gestão e inserção internacional.
Meta: Produção de 3,3 bilhões de litros de biodiesel. Construção civil
Metas: Aumentar a produtividade em 50% e reduzir perdas em 50% até 2010.
COMPLEXO DE SERVIÇOS – TRANSPORTES, VIAGENS E TURISMO, ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO, SEGURO E FINANÇAS, COMUNICAÇÕES
Metas: Ampliar as exportações do complexo de serviços para 1% do comércio mundial de serviços, ou US$ 39,5 bilhões em 2010; e capacitar cinco mil empresários em exportação de serviços até 2010;
Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos
Metas: US$ 700 milhões de exportações em 2010 (crescimento médio anual de 10%);
Plásticos
Metas: US$ 2,2 bilhões em exportação de produtos transformados plásticos em 2010, ante US$ 1,1 bilhão em 2006.
FUNDO SOBERANO
Criação de um Fundo Soberano.
Ainda em 2008, nos meses de outubro e dezembro foram promulgados 03 Decretos e 02 Medidas Provisórias. Assim, a MP Nº 442, de 06 de outubro de 2008, alterou a Operação de Redescontos do Banco Central do Brasil. A MP 443, de 21 de outubro de 2008 autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a constituírem subsidiárias e a adquirirem participações em instituições financeiras sediadas no Brasil. NO dia seguinte, 22 de outubro foi promulgado o Decreto Nº 6.613 que modificava o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Tributos ou Valores Mobiliários – IOF, párea as operações tipicamente financeiras.
Estas medidas foram ações políticas contra a crise financeira que se espraiava sobre o mundo. Foram políticas anticíclicas, destinadas a preservar a liquidez do mercado monetário-financeiro do Brasil.
Mas em 11 de dezembro de 2008 essas políticas foram complementadas por políticas tributárias. De fato, o Decreto 6.687, altera a Tabela DE Incidência do IPI e o Decreto Nº 6.691 que alterou o Regulamento do IOF, nas operações de exportação. Aqui o objetivo era a preservação do mercado interno brasileiro.
Na realidade, após setembro de 2008, quando a crise internacional eclodiu com a quebra do banco Lehman Brothers, a política econômica brasileira foi totalmente voltada para preservar o Brasil dos efeitos da crise, conforme se pode depreender das políticas listadas no Quadro abaixo.
QUADRO 2
AS POLÍTICAS BRASILEIRAS NO PÓS-CRISE POLÍTICAS MONETÁRIAS POLÍTICAS FISCAIS POLÍTICA DE GASTOS POLÍTICA TRIBUTÁRIA Redução nas reservas
compulsórias
Expansão dos
investimentos do PAC
Diminuição da Alíquota do IOF
Redução da TBJ Programa Minha Casa Minha Vida: R$ 28 bilhões em subsídios, 60 bilhões em
investimentos
Redução do IRPJ
Reservas para Financiar as Exportações Plano Safra: R$ 12,0 bilhões Redução temporária do IPI – veículos Repasse de R$100 bilhões do Tesouro para o BNDES
Redução temporária do IPI – linha branca
Aumento do volume nas linhas de crédito dos bancos oficiais
Redução temporária do IPI ´- material de
construção Queda das taxas de
juros nos créditos dos bancos oficiais
Alíquota zero do COFINS sobre Motos Alíquota zero dos PIS/COFINS sobre Trigo, Farinha e Pãozinho
Desoneração do IPI sobre Bens de Capital
Finalmente chegamos ao “pacote” de 2010: MEDIDAS DE INCENTIVO À COMPETITIVIDADE.
Já estando a economia brasileira isenta dos efeitos da crise de setembro de 2008, mister se faz adotar medidas para incentivar a retomada do crescimento. Assim, em 05 de maio deste ano, foi lançado o “pacote” acima referido.
Embutidas no bojo deste último “Pacote”, temos as seguintes medidas: • Devolução de 50,0% dos créditos do PIS/PASEP, COFINS e IPI
acumulados na exportação em até 30 dias após a solicitação;
• Exclusão da receita de exportação no faturamento total para efeito de cálculo no enquadramento no SIMPLES, no limite de R$2,4 milhões por ano;
• Implantação do Drawback Isenção no mercado interno, no qual a exportação realizada no período anterior dá direito à aquisição de insumos nacionais com alíquota zero de impostos no período corrente;
• Eliminação em seis meses do redutor de 40,0% do Imposto de Importação sobre autopeças;
• Criação do Fundo Garantidor de Infraestrutura – FGIE, unificando0 a atuação dos fundos NAVAL, de ENERGIA e de PPPS;
• Criação da Empresa Brasileira de Seguros – EBS;
• Criação do Fundo Garantidor de Comércio Exterior – FGCE; para cobertura de riscos comerciais;
• Criação da EXIM BRASIL, com a transformação da FINAME e com a transferência das operações de comércio exterior do BNDES para a EXIM BRASIL ;
• Equalização de taxa de juro em financiamento pré-embarque, no Programa de Sustentação do Investimento – PSI; e
• Autorização para a União conceder margem de preferência em suas compras a bens e serviços nacionais
Como pode ser visto, exceto para a última medida que trata das compras da União, todas elas estão voltadas para dar maior competitividade às empresas brasileiras em suas operações com o mercado internacional. Entretanto, embora seus efeitos possam ser positivos dois grandes entraves ainda persistem para que as empresas brasileiras possam competir no mercado externo: as altas taxas de juros e a sobrevalorização do Real.
Não se pode negar que uma empresa exportadora de um país qualquer leva vantagem sobre as empresas brasileiras quando elas fazem seus contratos de ACC. Enquanto aquela pagará juros muito baixos, a empresa brasileira pagará a mais elevada taxa de juros do mundo.
Também não se pode negar que a sobrevalorização da moeda nacional é um forte inibidor para o crescimento das exportações nacionais. Visto que tal sobrevalorização é determinada pelo mercado financeiro, não seria mais conveniente atuar sobre este mercado para inibir a entrada excessiva de cambiais no País?
Finalmente, dentro desse tema, vale chamar a atenção que a prática do “pacote” envolve sempre a discriminação de setores, o que pode ter efeitos deletérios sobre o sistema econômico no seu todo.