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Crise financeira internacional de 2008

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA EDUARDA MUNIZ DE SOUZA

CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL DE 2008:

UM ESTUDO DOS PRINCIPAIS IMPACTOS SOBRE A ECONOMIA DO CHIPRE

Florianópolis 2015

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EDUARDA MUNIZ DE SOUZA

CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL DE 2008:

UM ESTUDO DOS PRINCIPAIS IMPACTOS SOBRE A ECONOMIA DO CHIPRE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de graduação Relações Internacionais, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel.

Orientador: Prof.ª Kátia Regina Macedo, Ma.

Florianópolis 2015

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente, gostaria de agradecer a Deus pela dádiva da vida, permitindo que eu chegasse até aqui e por ter colocado pessoas tão especiais ao longo dessa caminhada de quatro anos.

Agradeço com todo amor e carinho a meus pais e irmãos, pelo suporte emocional, por terem me dado esta oportunidade e que sempre me incentivaram a seguir em frente, não importando as adversidades, que sempre serviram e vão servir de inspiração tanto na vida pessoal como profissional. Amo vocês!

Agradeço também, à professora Kátia Regina Macedo pela paciência, dedicação e pela confiança em mim depositada para a conclusão deste trabalho que sabemos que não foi nada fácil, mas com seu incentivo e ajuda tudo se tornou possível. Muito obrigada.

Agradeço a todos os professores que conheci nessa jornada, que contribuíram para a construção do conhecimento que tenho hoje e para a formação e construção de carreira de todos os profissionais de relações internacionais.

Agradeço também a minha sogra e amiga Maria Helena, meu namorado William e toda a sua família pelo suporte, incentivo e paciência sempre presente, sem vocês não seria possível acontecer tudo isso, obrigada por terem me acolhido tão bem.

Agradeço aos amigos e colegas de profissão que fiz nesta universidade, mas principalmente à Ingrid, Clarice e Nícolas, vocês foram muito importantes nesta fase da minha vida obrigada pelas conversas, saídas, aniversários e por me incentivarem mesmo quando eu havia pensado em desistir. Muito obrigada e sucesso!

Agradeço também a todas minhas amigas que sempre me escutaram e me deram apoio, incentivo e entenderam a minha ausência neste um ano. Obrigada por existirem.

De forma geral agradeço a todos meus familiares e pessoas que contribuíram por meio de informações, conhecimento, conselhos, que foram vitais para a conclusão deste curso me tornando uma internacionalista.

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“Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo tereis tribulações, mas tenham coragem. Eu venci o mundo.” (João 16:33)

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RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso tem como tema o estudo dos principais impactos da crise financeira internacional de 2008, na economia de Chipre. O trabalho, que tem como título: “Crise Financeira Internacional de 2008: um estudo sobre os principais impactos na economia do Chipre” mostra-se relevante para o estudo das relações internacionais, visto que aborda o comportamento da economia de um país que é membro da União Europeia, também sofreu consequências graves diante da crise financeira internacional, porém, é pouco conhecido. Assim, o objetivo geral é entender como a crise financeira internacional de 2008 afetou a economia do Chipre e os objetivos específicos são: Apresentar a economia de Chipre; descrever sobre o Sistema Financeiro do Chipre e por fim identificar os principais efeitos da crise financeira internacional de 2008 sobre a economia do Chipre. O presente estudo é classificado como uma pesquisa básica, qualitativa, exploratória, bibliográfica e documental. A fundamentação teórica aborda os temas de Capitalismo, As Crises do Capitalismo, dando ênfase à Crise Financeira Internacional de 2008 e a Crise do Euro; para que seja possível o total entendimento sobre o trabalho. O desenvolvimento aborda o comportamento da economia do Chipre no período da Crise de 2008; discorre sobre o histórico do Chipre, expondo principalmente a questão territorial, destacando os pontos essenciais a respeito do envolvimento de Chipre com o comércio Internacional; descreve a economia do país abordando os principais parceiros e como a economia de Chipre se comportava desde o ano da sua independência; descreve o sistema financeiro de Chipre, explicando seu funcionamento. Descreve os efeitos da crise de Chipre no país, economia e população, e por fim, conclui-se descrevendo os principais impactos da crise no Chipre e mostrando qual o principal fator que fez com que o país fosse atingido pela crise.

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ABSTRACT

The present work has as its theme the study of the major impacts of the international financial crisis of 2008 in the Cyprus’ economy. The work, which is entitled: "International Financial Crisis of 2008: a study of the major impacts on the Cyprus’ economy", is relevant to the study of international relations, since it discusses the economy’s behavior of a country that is a member of the European Union, also suffered serious consequences on the international financial crisis, however, is little known. Thus, the general objective is to understand how the global financial crisis of 2008 has affected the Cyprus’ economy and the specific objectives are: to present the Cyprus’ economy; describe about the Financial System of Cyprus and identify the major effects of the international financial crisis of 2008 on the Cyprus economy. The present study is classified as a basic research, qualitative, exploratory, bibliographical and documentary. The theoretical Foundation broaches the themes of Capitalism, Crises of capitalism, emphasizing the international financial crisis of 2008 and the Euro crisis; so it can be possible for to undertand the whole work. The development approaches the conduction of Cyprus’ economy during the crisis of 2008; discourses the Cyprus’ history, exhibiting mainly territorial issue, highlighting the major points regarding the involvement of Cyprus with international trade; Describes the economy of the country addressing the main partners and how the economy of Cyprus behaved since the year of its independence; Describes the financial system of Cyprus, explaining its operation. Describes the effects of the crisis of Cyprus in the country, economy and population, and finally, describing the major impacts of the crisis in Cyprus and showing the main factor that made the country vulnerable to the crisis.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 9

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA ... 9

1.2 OBJETIVOS ... 11 1.2.1Objetivo Geral ... 11 1.2.2Objetivos específicos ... 11 1.3 JUSTIFICATIVA ... 11 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 15 2.1 CAPITALISMO ... 15 2.2 AS CRISES DO CAPITALISMO ... 19

2.2.1Crise Financeira Internacional de 2008 ... 25

2.2.2Crise do Euro ... 33

3 O COMPORTAMENTO DA ECONOMIA DO CHIPRE NO PERÍODO DA CRISE ECONÔMICA DE 2008 ... 37

3.1 CONTEXTO HISTÓRICO DE CHIPRE ... 37

3.2 ECONOMIA ... 40

3.3 SISTEMA FINANCEIRO ... 46

3.4 CRISE E SEUS EFEITOS... 51

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 63

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1 INTRODUÇÃO

O primeiro capítulo deste texto aborda os temas iniciais do trabalho, sendo o principal a exposição do tema e do problema. Na sequência, são apresentados os objetivos geral e específico que se pretende alcançar com a pesquisa. Após, segue a justificativa da escolha do tema, a metodologia científica que será utilizada para desenvolvê-lo e, por último, a estrutura do trabalho, que apresenta cada um dos capítulos.

1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA

Em 2008 uma grande crise financeira assolou as principais economias mundiais, tendo sua origem nos Estados Unidos, no setor de empréstimos imobiliários. Entre 2000 e 2008 o governo americano injetou no setor cerca de US$ 2 trilhões principalmente após os ataques de 11 de setembro de 2001, para estimular a economia. Esse montante estava disponível para os bancos, cujo foco era estimular o investimento no setor imobiliário por meio da concessão de empréstimos com critérios de análise de risco cada vez menos rigorosos. O objetivo dessa ação, incentivada pelo governo, foi colocar um tipo de política em prática chamada Community Reinvestiment Act1, o que não garantiu, posteriormente, o pagamento dos empréstimos pelos mutuários (ROQUE, 2013).

Os bancos começaram a conceder empréstimos em um ritmo muito acelerado, estimulados pelas baixas taxas e grande possibilidade de venda dos pacotes imobiliários a investidores, o que estouraria logo os limites de crescimento de ativos (valor do empréstimo), regulamentados pelo Banco Central da América (FED). Foi quando os bancos tomaram a decisão de vender esses títulos como pacotes financeiros, segundo Roque (2013), “à empresas apadrinhadas pelo governo”, a Federal National Mortgage Association (Fannie Mae) e a Federal Home Loan Mortgage Corporation (Freddie Mac), empresas que existem para garantir a liquidez ao mercado de hipotecas.

1Lei federal dos Estados Unidos destinada a incentivar bancos comerciais, economia e associações para ajudar a atender as necessidades dos mutuários em todos os segmentos de suas comunidades, inclusive de baixa renda e moderada renda. O Congresso aprovou a Lei em 1977 para reduzir as práticas de crédito discriminatórias contra as comunidades de baixa renda, uma prática conhecida como redlining.

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Consequentemente, essas empresas decidiram repassar esses pacotes de investimentos chamados de “títulos lastreados em hipotecas” ou “hipotecas subprime”, que eram classificados como pacotes de baixo risco pelas agências de classificação de risco como Moody’s, Fitch e Standard & Poors, para bancos nacionais e internacionais, o que impulsionou ainda mais o aumento do preço dos imóveis fazendo com que os bancos buscassem mais pessoas para poder gerar empréstimos e vender seus títulos aos investidores obtendo cada vez mais lucro. Porém, esses títulos quando “empacotados”, possuíam ativos de mutuários com bons históricos de crédito, misturados com ativos de mutuários sem algum histórico de crédito, portanto o não pagamento da dívida pelos mutuários sem histórico de crédito afetaria o balancete destas instituições, o que aconteceu mais tarde, a população passou a não honrar os pagamentos hipotecários, gerando um calote em massa atingindo todos do sistema financeiro dos Estados Unidos e os maiores bancos da União Europeia, responsáveis pela compra e recebimento desses financiamentos (RIBEIRO, 2012).

Um dos países mais afetados da Comunidade Europeia foi a Grécia, pois já vinha apresentando endividamento público e problemas fiscais, o que agravou a situação do país diante da crise. O Chipre, também membro da União Europeia, segundo Vasconcelos (2013), foi o quinto membro da zona do euro a pedir ajuda financeira, devido aos efeitos da crise. Apesar de as maiores fontes de renda da ilha serem a agricultura, indústria e turismo (VELO, 1998), atualmente o sistema bancário tem uma influência enorme sobre a economia cipriota, o que segundo Delatte (2013 apud DEPENDÊNCIA..., 2013) foi um dos pilares da crise. Por ser considerado um paraíso fiscal (BRASIL, 2002), Chipre é um país muito atrativo a investimentos bancários. A taxa de imposto sobre a renda de uma empresa neste país segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (2013 apud DEPENDÊNCIA..., 2013), é de 10%, muito inferior à média europeia, que é entre 25% e 35%, além de possuir o sigilo bancário e oferecerem taxas de remuneração muito maiores do que as praticadas em outros países na zona do euro.

Atraídos por essas facilidades, investidores direcionam grandes fluxos de capitais para o país. Muitos empresários utilizam desses benefícios de formas ilícitas, como os maiores depositantes dos bancos cipriotas, os russos. Pela pouca transparência do sistema bancário do país, há uma desconfiança de que os russos utilizam os bancos para lavagem de dinheiro, pois esses montantes transitam pelos

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bancos do Chipre e voltam para a Rússia diversas vezes, sendo injetados em setores nos quais a corrupção é muito grande (DEPENDÊNCIA..., 2013).

Por ser um país que possui uma dívida pública pequena em relação aos outros países da União Europeia, depende em grande parte do setor bancário, que financiam suas atividades por meio dos depósitos ou investimentos externos.

Todas essas questões conduzem à seguinte questão central de pesquisa, que direciona e aprofunda o desenvolvimento do trabalho: Como a crise financeira internacional de 2008 afetou a economia do Chipre?

1.2 OBJETIVOS

De acordo com a exposição acima seguem abaixo os objetivos a serem abordados ao longo do trabalho.

1.2.1 Objetivo Geral

Identificar como a crise financeira internacional de 2008 afetou a economia do Chipre.

1.2.2 Objetivos específicos

- Contextualizar a economia de Chipre apresentando os principais indicadores econômicos;

- Descrever sobre o Sistema Financeiro do Chipre;

- Identificar os principais efeitos da crise financeira internacional de 2008 sobre a economia do Chipre.

1.3 JUSTIFICATIVA

O tema escolhido pela autora é de suma relevância para o âmbito das Relações Internacionais, pois cada vez mais se discute a respeito dos motivos que levaram às crises financeiras internacionais, como a crise de 2008, e, consequentemente, a crise financeira do Chipre em 2013, abordada na pesquisa. A intenção deste trabalho é mostrar por que é tão importante a exposição do tema

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referente ao Sistema Financeiro Internacional, já que esta não será a última crise que o mundo vivenciará.

As motivações pessoais que deram início a pesquisa deste trabalho, foram, a procura do entendimento de conceitos pouco abordados no curso de Relações Internacionais, como o de paraíso fiscal, títulos hipotecários, pacotes financeiros, crises internacionais, o conhecimento de economias e culturas de países da União Europeia como o Chipre, tendo em vista que é um país que possui pouca aparição no cenário Internacional, mas que diante da crise despertou um grande interesse no estudo das causas que pudessem ter levado o país a tal situação.

O presente trabalho também mostra sua importância à universidade e ao meio acadêmico, pois o estudo de temas como crises internacionais, será de extrema valia para pesquisa de outros estudantes, não somente do curso de relações internacionais, como para a universidade em sua totalidade, como mostra Bresser Pereira (2010 apud MULLER, 2014, p 14):

O estudo dos efeitos da crise financeira internacional tem sua importância, uma vez que a mesma trouxe reflexos para grande parte do mundo. É imprescindível entender a origem dos fatos e suas consequências. Apontar os erros que levaram a uma crise de tão grandes proporções, como não havia sido vista desde a Crise de 1929. Saber como o comércio internacional foi afetado também é interessante, para poder visualizar melhor o cenário econômico internacional e tentar buscar alternativas para a recuperação das economias.

Além de ser útil para a sociedade, a disponibilidade desse trabalho acarretará em um ganho de conhecimento para o leitor, pois se trata de uma pesquisa clara e de fácil entendimento, a respeito da economia de um país não muito conhecido, mas que causou grandes impactos no sistema financeiro internacional.

1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Segundo Rodrigues (2007), “Pesquisa científica é um conjunto de procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para os problemas propostos mediante o emprego de métodos científicos”.

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Quanto à natureza do trabalho, pode ser classificada como básica, pois busca conhecimentos gerais sobre um tema, sem objetivos voltados a pesquisa de mercado e sim para conhecimentos básicos para a formulação de hipóteses ou resposta a alguma questão, como a pergunta de pesquisa abordada neste trabalho (SONODA, 2008).

A abordagem da presente pesquisa é qualitativa pois é descritiva e as informações apresentadas não podem ser quantificadas, além de os dados obtidos serem analisados indutivamente. (RODRIGUES, 2OO7).

No que diz respeito aos objetivos, é um pesquisa exploratória como aborda Gil (1996, p. 45):

Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.

Quanto aos procedimentos técnicos, utiliza-se a pesquisa bibliográfica, conceituada por Severino (2003) como sendo “[...] um acervo de informações sobre livros, artigos e demais trabalhos que existem sobre determinados assuntos, dentro de uma área do saber [...]”. Definida por Gil (1996, p.48) também:

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. [...] As pesquisas sobre ideologias, bem como aquelas que se propões a análise das diversas posições acerca de um problema, também costumam ser desenvolvidas quase exclusivamente a partir de fontes bibliográfica.

Utilizada também a pesquisa documental definida por Santos (2001, p. 29) sendo:

[..] as fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação. São fontes documentais as tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos informativos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos; fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência pessoal ou comercial etc. A pesquisa documental é a que se serve dessas fontes.

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Com base no que foi redigido acima, conclui-se que a pesquisa é: básica, qualitativa, exploratória, bibliográfica e documental.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste capítulo, apresentam-se os principais conceitos teóricos que envolvem o tema do trabalho.

2.1 CAPITALISMO

O capitalismo segundo Mandel (1981) é:

[...] um modo de produção fundado na divisão da sociedade em duas classes essenciais: a dos proprietários dos meios de produção (terra, matérias-primas, máquinas e instrumentos de trabalho) - sejam eles indivíduos ou sociedades - que compram a força de trabalho para fazer funcionar as suas empresas; a dos proletários, que são obrigados a vender a sua força de trabalho, porque eles não têm acesso directo aos meios de produção ou de subsistência, nem o capital que lhes permita trabalhar por sua própria conta.

O capitalismo surgiu com o fim do feudalismo o qual é visto por Saes e Saes (2013, p. 111), como um fenômeno político, no qual, o poder se concentra nas mãos dos senhores feudais, estabelecendo uma relação privada entre senhores, vassalos e servos. A decadência do Feudalismo pode ser identificada, a partir do século XI, o qual atingiu uma intensa atividade comercial, que segundo Rezende (1997, p.61) foi marcado por uma “[..] crescente produtividade agrícola + crescimento demográfico + expansão geográfica[...]”, oriundas das transformações nas técnicas agrícolas2. As relações de obrigatoriedade da prestação de serviço do camponês para o senhor feudal passaram a desaparecer se transformando em uma relação contratual com trocas monetárias à medida que o comércio e a produção para troca em um mercado amplo se desenvolviam, desencadeando então o fim do feudalismo e início do capitalismo (DOBB, 1987).

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Algumas técnicas de produção agrícola foram aplicadas trazendo um aumento significativo na produtividade. Como por exemplo, o sistema trienal de cultivo, o qual era caracterizado pela divisão em três partes da terra agricultável, permitindo que duas delas fossem semeadas anualmente, uma com cereais de inverno e outra com cereais de primavera, enquanto a terceira permanecia em repouso. Somente a adoção desse sistema já permitiu que 66% do total da área produtiva fosse aproveitada anualmente. Outros dois métodos aplicados foram, o uso do moinho d’água, facilitando a moagem do trigo e o preparo do azeite, e a substituição do arado romano pela charrua germânica, um novo modelo de arado com rodas e lâminas de metal, ideal para os solos mais pesados da Europa (REZENDE, 1997, p.54)

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Além da expansão do comércio a decadência do feudalismo pode ser notada no próprio sistema, pois com o crescimento demográfico, veio a necessidade de aumentar a produção de alimentos, porém, os senhores feudais aumentaram a exploração sobre os seus servos o que ocasionou fugas e revoltas, agravando ainda mais a crise. Além disso, outro fator colaborador para o fim do feudalismo foi a Peste Negra3 que dizimou cerca de 1/3 da população europeia afetando plantações e rebanhos, além do surgimento da burguesia4.

Com o início do capitalismo, as características identificadas são: a propriedade privada dos meios de produção que pertencem a uma pessoa ou a uma empresa e não ao Estado, os bens e capitais não são divididos; o lucro, sendo uma das principais características do capitalismo ao qual são associadas a redução de custos de produção, mão de obra e matéria prima barata, para uma obtenção de lucro e acúmulo de capital cada vez maior; economia de mercado, significa que o comércio tem liberdade para decidir como e onde vender, que autorregula-se, principalmente pelas forças da oferta e da procura, que permitem aos vendedores controlar os preços dos produtos e os produtores controlarem seus estoques, sendo reduzida a intervenção do Estado, que atua somente em situações críticas; e a divisão de classes, de um lado o capitalista que é o dono do capital e dos meios de produção, e de outro o proletário, que vende sua força de trabalho em troca de um salário que garanta suas necessidades básicas (FREITAS, 2015a).

Como menciona Torres (2015), apesar de alguns avanços relacionados as condições de trabalho durante a evolução do capitalismo, geralmente quem possuía o controle, era o dono dos meios de produção, o capitalista. O capitalismo possui três fases principais: O Capitalismo mercantil, o Capitalismo Industrial e o Capitalismo Monetário.

3

A bactéria causadora da epidemia teve origem na China ou na Ásia Central, de onde viajou pela rota da seda, nos intestinos das pulgas que infestavam os ratos. Chegando ao Mediterrâneo, os ratos se encarregaram de levá-las para os navios, que disseminaram a doença pelos portos em que

atracavam (VARELLA, 2013).

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[...] cidades protegidas por muralhas, conhecidas como burgos. Os burgos abrigavam também os camponeses, que com a decadência do feudalismo e consequente perda de poder dos senhores feudais, deixam os feudos e buscam refúgio nestas fortalezas. Originalmente o termo burguês era usado para se referir a estas pessoas que residiam nos burgos, mas aos poucos, o termo passou a ser usado para designar todo um grupo que começava a se estabelecer como força econômica, a transformar os meios de produção e que se dedicava às atividades comerciais com o objetivo de lucro; prática que por muito tempo foi condenada pala Igreja Católica, a maior potência da época, e vista como desonesta pela maioria das culturas e civilizações do ponto de vista ético (FARIA, 2015)

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O Capitalismo Mercantil, mais conhecido como mercantilismo, ocorreu na Europa nos séculos XV e XVIII, tendo como principal objetivo a acumulação de capitais, já que a expansão marítima acarretou o descobrimento de novos territórios e a aproximação das relações comerciais, além do anseio por conquista de novos territórios (NAZARO, 2007).

O Capitalismo Industrial desenvolveu-se a partir do século XVIII, na Inglaterra. Com o início da Revolução Industrial, grandes mudanças ocorreram. Esse período foi caracterizado pela mecanização da produção, reformulação do trabalho, grande parte dos funcionários era substituída por máquinas, porém os funcionários que ainda trabalhavam eram explorados e submetidos à exaustivas horas de trabalho, condições insalubres e baixos salários. A criação da máquina à vapor utilizando o carvão, declínio das habilidades de artesanato tradicional, desenvolvimento da economia, houve também o surgimento das populações urbanas e a distinção cada vez maior entre burguesia e proletariado. Porém, esse crescimento trouxe algumas consequências, como o grande êxodo rural, que ocasionou grandes problemas para as cidades que não estavam preparadas para receber um fluxo intenso de pessoas gerando fome, desemprego, doenças e marginalidade. Apesar dos grandes avanços, esse período também foi marcado por grandes instabilidades (EGAS, 2008).

Nesta época, a Inglaterra defendia a adoção de outros países ao livre comércio, pois havia acumulado uma imensa capacidade industrial e necessitava de mercados mundiais para expandir esses excedentes. Para isso, era necessário que os demais países passassem a praticar o livre comércio, abrindo seus mercados aos produtos Ingleses. Porém, houve dois tipos de reação relacionada a essa atitude inglesa: de um lado os países que já haviam iniciado o processo de industrialização e que não aderiram ao livre comércio, pelo contrário, mantiveram ou passaram a praticar o protecionismo5, e de outro, aqueles países que estavam em um nível econômico mais baixo, sem qualquer indústria, e que, por decisão própria ou pressão da Inglaterra, ingressaram no sistema de livre comércio (SOUZA, 2009).

O Capitalismo Financeiro teve seu início no fim do século XIX, marcado por duas características fundamentais: a crescente integração do capital industrial

5

[...] vantagem oferecida aos produtores locais que concorrem com as importações nos mercados domésticos, embora uma interpretação ampla do conceito também pudesse abarcar a promoção das exportações. A forma mais comum de proteção envolve a imposição de uma tarifa (ou seja, de um imposto) sobre as importações no momento em que elas entram no país. (WILLIAMSON, 1999, p. 70)

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com o capital de financiamento (controlado pelos bancos) e a intensificação do processo de monopolização6 e oligopólio7. O grande crescimento do comércio devido a Revolução Industrial permitiu que diversas empresas passassem a comercializar seus modos de produção, suas máquinas e realizar investimentos para a melhora das indústrias, além da grande revolução relacionada aos meios de transporte, que permitiu um barateamento no custo de diversos produtos, promovendo o alargamento dos mercados. Além de os Estados Unidos da América (EUA), durante esse período, terem se tornado hegemonia (TORRES, 2015).

A existência de uma economia mundial, não data apenas do início da Revolução Industrial, por meio do capitalismo financeiro, mas desde as Grandes Navegações entre os séculos XV e XVI, como citado anteriormente. Porém, foi a partir da década de 1840, com a constituição do Sistema de Divisão Internacional do Trabalho8 que a economia consolidou-se de forma mais definida. Segundo Souza, (2009, p. 5) “A importância industrial da Inglaterra era tão grande no período que, mesmo depois, quando outros países iniciaram seu processo de industrialização, nos primeiros decênios da segunda metade do século XIX, duas terças partes das manufaturas que circulavam no mercado internacional eram de origem inglesa”, por isso considera- se a Revolução Industrial um fenômeno essencialmente inglês.

O mesmo autor defende que, “O sistema de divisão internacional do trabalho, com base livre comércio, possibilitou uma rápida expansão do comércio internacional e a formação definitiva de uma economia mundial.” (SOUZA, 2009, p. 7)

O Capitalismo acarretou crescimento e grandes desenvolvimentos, principalmente o econômico. Porém, não há como negar que juntamente com os

6 Monopólio (palavra cuja origem é grega e significa: monos – um; polein – vender) é a situação de

mercado na qual um único vendedor ou produtor oferece um serviço ou bem requerido pela demanda para cobrir as necessidades de dito setor. Para total eficácia do monopólio não deve existir nenhum tipo de produto alternativo ou substituto para o serviço ou bem que o monopolista oferece, e não deve haver a menor ameaça de que outro concorrente entre no mercado. Isto permite ao monopolista o controle de preços (PACIVITCH, 2015).

7 oligopólio (do grego "oligoi", poucos, e "polein", vender, significando "poucos para vender") são

poucos os fornecedores, cada um detendo uma grande parcela do mercado, e sendo sensíveis a mudanças de preço no mercado, representando uma estrutura de mercado de concorrência imperfeita. No oligopólio, os bens produzidos podem ser homogêneos ou possuir alguma

diferenciação sendo que, geralmente, a concorrência se efetua mais ao nível de outros fatores como a qualidade, garantia, a fidelização ou a imagem, e não tanto ao fator preço (SANTIAGO, 2011).

8 A DIT (Divisão Internacional do Trabalho) é uma divisão produtiva em âmbito internacional. Os

países emergentes ou em desenvolvimento que obtiveram uma industrialização tardia e que possuem economias ainda frágeis e passíveis de crises econômicas oferecem aos países industrializados um leque de benefícios e incentivos para a instalação de indústrias, tais como a isenção parcial ou total de impostos, mão-de-obra abundante, entre outros (FREITAS, 2015b).

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desenvolvimentos, vieram as diferenças sociais, fome, pobreza. Nota-se frequentemente, que, com o avanço do capitalismo a riqueza mundial acumula-se na mão de poucos, enquanto muitas pessoas passam por dificuldades financeiras. Tal fator só tende a crescer e esse é um grande problema a ser resolvido (GONÇALVES, 2013).

2.2 AS CRISES DO CAPITALISMO

A palavra “crise” segundo a definição de Ferreira (2004) é “Período de instabilidade financeira, política ou social.”. Portanto, é possível concluir, que uma crise internacional é um período de incertezas e dificuldades, que acaba afetando diversos países.

Uma crise atinge proporções internacionais devido a um fator citado frequentemente nos dias de hoje, a globalização9 principalmente financeira, que proporcionou um melhor relacionamento entre os países, criando uma relação de interdependência inclusive nas crises, ou seja, diante de um problema grave todos os países que se relacionam acabam sendo afetados (BALANCO; PINTO; MILANI, 2004).

Segundo Modenesi e outros (2012, p. 6):

Em todos os caos as crises foram precedidas por um ciclo dinâmico macroeconômico, com uma fase inicial de expansão, seguida por um período de estagnação ou de recessão, uma crescente fragilidade externa financeira e, por último, a crise financeira e cambial.

Ou seja, durante esse processo cíclico há momentos bons e ruins. Eichengreen (2003, p. 12) faz um comparativo interessante a respeito das crises financeiras:

Crises são, para o sistema financeiro, o que ataques cardíacos são para o sistema cardiovascular. Os órgãos que são centrais para a sua operação

9 [...] a mundialização abrange uma grande diversidade de processos. Corresponde, em primeiro

lugar, à abertura das economias nacionais às transacções internacionais e ao desenvolvimento das trocas de bens e serviços (dimensão internacional). Ela corresponde, a um segundo nível, à mobilidade internacional dos factores de produção, e mais particularmente à dos capitais, é a esta última mobilidade que se chama habitualmente globalização financeira. O vector mais importante deste movimento é constituído pelos movimentos internacionais de capitais, e mais 1 particularmente pelos investimentos directos no estrangeiro (IDE), realizados pelas empresas multinacionais

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começam a funcionar de forma errática; em casos extremos, param inteiramente de funcionar. Suas convulsões interrompem a circulação para o resto do corpo (de sangue ou de crédito, conforme o caso), pondo em risco outros órgãos do sistema. Se o ataque é leve e o paciente de modo geral tem boa saúde, ele conseguira se recuperar plenamente. O ataque então pode servir principalmente como alerta para mudanças no estilo de vida, como uma alimentação mais sensata, mais exercícios e visitas mais regulares ao médico (em termos econômicos, políticas monetária e fiscal mais equilibradas, supervisão e regulação prudencial mais severa, e consultas mais frequentes com as instituições financeiras internacionais). Mas um ataque mais grave, que ponham em duvida a capacidade de recuperação do sujeito, pode exigir que ele seja hospitalizado para angioplastia ou cirurgia de ponte de safe (para desvalorização cambial ou reestruturação da dívida, no caso financeiro).

Roubini e Mihm (2010, p. 12), defendem que as crises estão longe de serem exceção, elas são norma, não somente nas economias emergentes, como também nas industrialmente avançadas. Acreditam que:

Crises – booms econômicos insustentáveis, seguidos de recessões calamitosas – sempre estiveram conosco, e permanecerão para sempre. Embora discutivelmente tenham precedido a ascensão do capitalismo, elas têm com ele um relacionamento particular. Na verdade, de muitas formas importantes, as crises estão fortemente ligadas ao genoma capitalista. O que dá vitalidade ao capitalismo – sua capacidade de inovação e sai tolerância com os riscos – pode também possibilitar bolhas de ativos e de crédito e por fim desvalorizações catastróficas cujos efeitos devastadores continuam a reverberar muito depois de o pânico ter amainado.

A primeira grande crise capitalista, chamada de A Grande Depressão ou 1ª Grande Depressão, teve início em 1873 e foi sentida em nível mundial, mas principalmente pelos Estados Unidos e Europa, que vinham experimentando um forte crescimento econômico impulsionado pela Segunda Revolução Industrial por meio da exportação de capitais. A Grã-Bretanha, foi considerada o país mais atingido, pois perdeu alguns de seus parques industriais para as economias da Europa Continental.

Com a crise, os Estados Unidos deixaram de consumir os excedentes das indústrias europeias e até mesmo deles próprios, e, apesar da queda dos preços, a concentração de capital nas mãos dos pequenos industriários, impediu que o povo de baixo poder aquisitivo, consumisse ocasionando o período depressivo de 1873 a 1879 e consequentemente levando à falência pequenas e médias empresas e à busca de mercados consumidores externos como Ásia e África (CURVO, 2011).

Durante a grande depressão vários fatores foram acelerados, já presentes antes, e cuja ação desencadearia a modificação do sistema. O fator decisivo foi o

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processo de concentração e centralização de capital. Segundo Souza (2009, p. 8) “Esse processo decorre naturalmente da concorrência, do sistema de crédito e das crises periódicas”.

[...] A concorrência fortalece as empresas mais eficientes e fortes e debilita as menos eficientes e frágeis, possibilitando que as primeiras absorvam as últimas; o sistema de crédito tende a favorecer, por meio de juros mais acessíveis ou de maior acesso ao crédito, as empresas maiores e mais fortes, em detrimento das menores e mais frágeis; durante as crises periódicas, as empresas menores e mais frágeis, com menor capacidade de resistência, tendem a falir e a ser absorvidas pelas maiores e mais fortes (SOUZA, 2009, p. 8)

Já no século XX, a crise de 1929, também chamada de “O Crack de 29”, contextualizada após a ocorrência da Primeira Guerra Mundial, mostrou a fragilidade do sistema capitalista. Apesar das consequências da guerra, os Estados Unidos não foram atingidos em sua capacidade fabril, pelo contrário, ganharam grandes vantagens relacionadas à exportação, pois, os países da Europa debilitados após a crise possuíam uma demanda muito grande o que incentivou ainda mais a produção dos Estados Unidos.

Porém toda essa prosperidade começou a dar os primeiros sinais de fragilidade, quando a Europa iniciou um processo de recuperação em meados dos anos 20, diminuindo as importações vindas dos Estados Unidos, o que ocasionou o início de uma crise de superprodução, quando há um aumento irresponsável da produção e a estagnação do consumo (JÚNIOR, 2015).

Segundo o mesmo autor citado acima, durante esse período,

[...] a Bolsa de Valores de Nova York comportava importantes negociações feitas pelas principais empresas do mundo. Era responsável, por exemplo, pela quase totalidade do comércio de ações feito no país. Em 1929, com os efeitos da crise de superprodução se apresentando cada vez mais graves, diversos empresários foram à falência, grandes bancos encerraram as atividades e os índices de desemprego bateram recordes históricos. Inevitavelmente, tais desgraças atingiram a bolsa de valores, cujo destino só poderia ser um: a finalização de suas negociações (JÚNIOR, 2015).

Segundo Gomes (2015), foi na quinta-feira negra de 24 de Outubro de 1929 que aconteceu a queda da bolsa de Nova Iorque. Além das consequências vistas no sistema financeiro e industrial, com a crise o caos social tomou conta do país, gerando desemprego, fome, alcoolismo, violência urbana e prostituição.

Nos anos 70, uma das crises que atingiu o sistema financeiro internacional como um todo, foi relacionada ao padrão ouro-dólar, que teve seu

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surgimento nos acordos de Bretton Woods o qual estabelecia o princípio da livre convertibilidade externa das moedas. A crise desse padrão pôs fim na convertibilidade ouro do dólar, pois as reservas de ouro não eram compatíveis com a necessidade exigida pelos mercados, o déficit exterior americano e a inflação, que só se mantinha crescendo. Então em 15 de agosto de 1971 o presidente Richard Nixon anunciou oficialmente o fim da conversão do dólar em ouro, desvalorizando o dólar em 7,9 por cento e propondo a flutuação das taxas de câmbio (FAUGÈRE; VOISIN, 1994, p.26).

Outra crise que atingiu principalmente os Estados Unidos e Holanda nessa mesma época, foi o primeiro choque do petróleo em 1973. Quando países árabes e outros produtores de petróleo, resolveram boicotar o fornecimento para esses países, pois possuíam relações com Israel. O aumento de preços do petróleo teve diversos efeitos sobre a economia mundial, elevando as taxas de inflação e reduzindo o nível de produção da maior parte dos países. Além de criar grandes necessidades de financiamento internacional, pois os países importadores precisavam financiar suas compras de petróleo. Os Estados Unidos sofreram impactos ainda mais severos, pois já enfrentavam problemas inflacionários, desemprego, déficits no balanço de pagamentos e perda de competitividade de seus produtos, relacionados à Guerra do Vietnã (SAYAD, 2002, p.53).

Já o segundo choque do petróleo em 1979, foi provocado pela Revolução Iraniana, ato de derrubada do Xá Mohammad Reza Pahlevi, e a instauração da República Islâmica no Irã. Causando um colapso internacional mais uma vez marcado pelo aumento do preço do petróleo gerando uma modificação na oferta e na procura de energia. A redução do consumo do petróleo começa em 1979 e se estende até 1983, devido ao desenvolvimento de energias alternativas e um abrandamento do crescimento da economia o que veio a reduzir as necessidades energéticas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento (DA GRANDE..., 2008).

O dia 19 de Outubro de 1987 ficou marcado para os Estados Unidos como Black Monday, outra crise relacionada a bolsa de valores de Nova Iorque. Foi a maior queda do século em Nova Iorque, de 22%, maior que em 1929. Segundo o jornal o globo:

As explicações para a crise apontavam, quase unanimemente, para a política econômica do presidente Ronald Reagan, que gerava imensos déficits orçamentários, da ordem de US$ 220 bilhões. Para cobrir a

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diferença, o Governo aumentou as taxas de juros, numa tentativa de atrair capitais. Outro problema era o déficit na balança comercial, próximo de US$ 190 bilhões. Assim, os EUA eram forçados a emitir papéis, comprados, por exemplo, por investidores do Japão e da Alemanha, países que conciliavam produtividade com moedas valorizadas.Havia também um consenso entre vários analistas de que os preços das ações estavam inflados: desde 1982, as cotações só subiam. Muitas empresas, em vez de investir na produção, adquiriam o controle de outras, obtendo grandes lucros sem qualquer contrapartida de crescimento da economia (‘SEGUNDA-FEIRA..., 2013)

A queda foi grande, US$ 870 bilhões desapareceram do mercado neste dia.

Em 1992 estourou a Black Wedsneday, crise que aconteceu na Europa, mais especificamente na Grã-Bretanha. O motivo da crise foi a decisão do governo Europeu da época, em tirar a libra esterlina do mecanismo de taxas de câmbio, pois não conseguia manter a moeda nos limites exigidos. Isto causou especulação quanto ao real valor das moedas do continente, pois cada país da Europa ainda possuía sua própria moeda. A consequência foi a perda de 3,4 bilhões de libras (SANTIAGO, 2015).

Em 1994, tivemos a crise econômica do México, tendo início com a desvalorização inesperada do peso mexicano e sendo agravada pela inadimplência do país. Seus efeitos foram sentidos em alguns países, como o Brasil. Para tentar controlar a situação, foi fornecido um pacote de assistência ao México, fazendo com que a confiança no país fosse restaurada (SANTIAGO, 2015).

Anos seguintes, em 1997 aconteceu a crise dos Tigres Asiáticos. Países como Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Tailândia, Indonésia, Malásia Filipinas e Vietnã, eram conhecidos dessa forma, pelo desempenho que suas economias vinham atingindo desde os anos 60, por meio do aumento nas exportações de bens de consumo para a América do Norte, elevadas taxas de poupança e investimento, e mão de obra qualificada, resultante da alfabetização e baixos salários.

Porém, no início dos anos 90 os salários aumentaram a um ponto de prejudicar a competitividade, a China com salários menores abocanhou grande parte do mercado e as exportações caíram. Com os crescentes déficits a economia entrou em crise e a partir de Julho de 1997, os “tigres” foram obrigados a desvalorizar sua moeda, e como consequência, a bolsa de Hong Kong despencou, causando falência em diversas empresas e bancos perdendo bilhões de dólares (TIGRES..., 2013).

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Em 1998 houve a crise financeira do Rublo, na Rússia que se assemelhou a crise no México, causada pela desvalorização do Rublo, inadimplência russa e congelamento dos depósitos em divisa estrangeira (SANTIAGO, 2015).

No início dos anos 2000, ocorreu a crise das empresas “pontocom”, chamada de bolha das empresas “Pontocom”. No final dos anos 90 a internet passou a ser reconhecida como um meio de comunicação sem fronteiras, muito eficiente podendo gerar alta competitividade e abrir oportunidades para diversas empresas. Houve uma idealização, de que a Internet seria um instrumento que poderia gerar lucros ilimitados para as empresas. Um dos maiores símbolos dessa febre no meio virtual foi a criação da Nasdaq, uma nova bolsa de valores voltada exclusivamente para a área tecnológica, a qual grandes corporações começaram a investir (DANTAS, 2015).

Com a alta das ações, muitos investidores viram a oportunidade nas empresas “ponto com” se tornando realidade, segundo o jornal Folha de São Paulo a bolsa de empresas de tecnologia chegou a uma alta recorde de 5.132.52 pontos em março de 2000, porém, um ano depois, as ações praticamente despencaram, provocando uma onda de falências e demissões mostrando que a especulação dos investidores estava errada (CRISE..., 2001).

Cerca de 537 empresas fecharam no ano de 2001 e até novembro de 2001 empresas anunciaram 98,522 demissões. A crise atingiu grande parte das empresas, porém empresas como Google e Yahoo, sobreviveram, resistindo a esse período aproveitando os recursos que arrecadaram pré-bolha, para criar produtos e serviços eficientes a ponto de as colocarem em posições de liderança (DANTAS, 2015).

No ano de 2001, mais uma crise veio a afetar o sistema financeiro dos Estados Unidos, as consequências pós-atentado de 11 de Setembro. As torres gêmeas do World Trade Center e o pentágono, em Washington, foram os principais alvos, abalando não somente as estruturas físicas dos Estados Unidos e do mundo, mas também a economia internacional.

Segundo Caldeira (2011):

Para alguns especialistas, as turbulências na economia durante esta década são reflexos, em grande parte, das decisões tomadas pelas autoridades americanas após os ataques. Exemplos disso são as mudanças

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na política econômica com juros mais baixos, estímulos ao consumo, falhas na regulação do sistema financeiro, descaso com a evolução do endividamento das famílias, farta oferta de crédito e as guerras no Iraque e no Afeganistão, que demandaram investimentos bilionários no setor bélico.

Segundo o mesmo autor, apesar de ter registrado crescimento nesse período, a maior economia do mundo, não conseguiu mostrar sinais de uma recuperação sólida após os atentados. Países como Europa e Japão, apesar de passarem por um período de baixo crescimento no ano de 2011, foram os principais pilares para as oscilações vividas na economia dos Estados Unidos.

2.2.1 Crise Financeira Internacional de 2008

A crise financeira internacional de 2008 é a mais recente que o sistema capitalista enfrentou, e ainda enfrenta, pois seus efeitos são sentidos em todo o mundo seja em menor ou maior intensidade.

O suposto consumismo das famílias norte americanas era um argumento para demonstrar que teria havido um longo período de crescimento econômico nos EUA durante a década de 1990. Segundo Souza (2009, p.208):

Não houve nenhuma farra do consumo na administração Clinton. Mas ocorreu um certo aumento do consumo. E não é difícil perceber como, apesar do baixo crescimento da produção, o consumo seguiu aumentando. A resposta está espelhada no balanço de pagamentos dos EUA: o déficit em conta corrente crescia vigorosamente a cada ano. Essa diferença corresponde aos bens e serviços que os estadunidenses consumiam além de sua própria produção ou capacidade efetiva de compra e por isso eram adquiridos no exterior.

Os Estadunidenses vinham sistematicamente tendo um padrão de consumo superior à sua capacidade de produção e de geração de renda, porém de onde vinham esses recursos para financiar esse excesso de consumo? Vinham por meio de empréstimos do próprio exterior, aumentando ainda mais sua dívida, e o consumidor também se endividava recorrendo a ganhos no mercado especulativo financeiro, que, em longo prazo são riquezas fictícias. Portanto, essas ações colaboraram mais ainda para a crise.

Segundo Santoro (2015 apud CALDEIRA, 2011), os problemas que o mundo passou e passa atualmente, tiveram sua gênese em parte após o 11 de Setembro. Em parte, pois o país já vinha sofrendo com a crise das empresas

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“pontocom” que atingiu fortemente a bolsa de valores Nasdak e “para evitar uma desaceleração econômica naquela época o governo dos EUA reduziu os juros e estimulou o consumo da população”.

Ainda segundo o mesmo autor:

Com baixas taxas de retorno, a população começou a consumir e a procurar opções mais rentáveis de investimentos, como a bolsa de valores. Muitos compraram casas com financiamento a juros baixos, pegaram empréstimos colocando imóveis como garantia e foram investir em ações e consumir mais, alimentando o descontrole sobre as finanças pessoais e o sistema financeiro como um todo. Construíram um castelo de cartas que ruiu com a crise financeira de 2008 (SANTORO, 2015 apud CALDEIRA, 2011).

Outro fator que tem sido identificado ao longo das crises é a questão da especulação financeira segundo Souza (2009, p.207) com a especulação financeira, “[...] não há auge da economia real, mas há auge, até febril, da especulação financeira, refletido sobretudo, na chamada exuberância irracional das bolsas, como sugeriu o presidente do FED, Alan Greenspan, no final da década de 1990”. O que os especuladores em última estância pretendem por meio da especulação, é a geração de excedentes no processo produtivo. Durante esse processo os lucros astronômicos obtidos são devido à valorização dos ativos financeiros que são praticamente fictícios permitindo uma falsa credibilidade e estimulando os consumidores ao investimento.

Roubini e Mihm (2010, p.22) acreditam que:

Naquele momento, como agora, as bolhas especulativas no mercado imobiliário e nas bolsas de valores, uma regulamentação financeira quase inexistente e uma pletora de inovações financeiras conspiraram para criar uma grande bolha que, ao estourar, preparou o cenário para o quase colapso do sistema financeiro em Wall Street, uma diminuição brutal na atividade econômica e uma recessão mundial. As muitas e estranhas semelhanças entre a crise atual e a catástrofe da primeira metade do século XX não são coincidência: as mesmas forças que propiciaram a Grande Depressão estiveram em ação nos anos que levaram à nossa própria “Grande Recessão”.

A crise de 2008 foi uma crise imobiliária marcada pela crença de que o mercado sempre estava certo, que os preços só iriam subir, estimulando as inovações e experiências financeiras, acreditando que essas contribuiriam para o crescimento econômico, porém, não foi isto o que aconteceu (ROUBINI; MIHM, 2010).

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O mercado imobiliário foi o grande atingido durante a crise de 2008. Impulsionados pelo temor a uma recessão, após a crise tecnológica de 2000, o FED aumentou suas injeções de dinheiro no sistema bancário gerando uma redução de juros que caiu de 6,5% para 1%. Este aumento na base monetária deixou os bancos repletos de dinheiro para ser emprestado, e emprestar foi o que eles fizeram como mostra a figura 1. A linha azul mostra os empréstimos feitos pelos bancos, e a linha vermelha, mostra os empréstimos exclusivamente voltados para a aquisição de imóveis (ROQUE, 2013).

Figura 1 – Evolução do crédito total concedido pelo setor bancário (linha azul) e evolução do crédito total concedido à compra de imóveis (linha vermelha).

Fonte: ROQUE, Leandro et al. Como ocorreu a crise financeira americana. Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013. Disponível em: < http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696> Acesso em 14 Abr. 2015.

Pode-se notar a grande aceleração ocorrida a partir da década de 2000. Isto significa que o sistema bancário, estimulado pelo FED, jogou US$ 3,5 trilhões na economia americana em apenas 8 anos. Para aquisição de imóveis foram direcionados US$ 2 trilhões.

Duas principais políticas voltadas para o setor imobiliário, incentivadas pelo governo, também colaboraram para o desfecho trágico da crise de 2008. Uma delas foi a criação pelo congresso americano, das empresas voltadas exclusivamente para o mercado imobiliário, Fannie Mae e Freddie Mac,

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responsáveis por garantir liquidez ao mercado de hipotecas. Roque (2013), explica a funcionalidade dessas duas empresas:

[...] se um banco concede um empréstimo, o valor do seu ativo aumenta. Quanto mais empréstimos ele concede, maior o valor do seu ativo (e, consequentemente, do seu passivo). Por uma questão de regulamentação bancária (tanto do Banco Central americano quanto do Banco da Basileia), há um limite para o crescimento destes ativos. Em termos técnicos, os ativos têm de manter uma proporção máxima em relação ao patrimônio líquido do banco. Portanto, um banco não pode sair concedendo empréstimos a rodo, pois ele rapidamente atingiria este limite determinado. E é exatamente nesse ponto que Fannie e Freddie entram em cena. A função destas empresas era comprar dos bancos comerciais exatamente estes empréstimos (títulos hipotecários) que eles concediam para compradores de imóveis.

Portanto, quando um banco concedia empréstimos imobiliários, ele colocava esse valor total em seus ativos imobiliários, porém, se ele vendesse esses títulos hipotecários a empresas como “Fannie Mae” e “Freddie Mac”, este ativo sairia de seus livros contábeis, recebendo de volta, valores até mesmo maiores dos que os emprestados e em seguida estaria livre para conceder novos empréstimos.

Este sistema, pode ser chamado de alavancagem, que é emprestar dinheiro para maximizar os lucros de um negócio (RIBEIRO, 2012). Porém, com a transferência da responsabilidade dos financiamentos para essas empresas, os bancos passaram a conceder empréstimos em um ritmo acelerado e para qualquer tipo de cliente, os bons pagadores e os clientes subprime, tomadores de empréstimo com histórico de crédito ruim.

Portanto, funcionava desta forma:

O proprietário obtinha o empréstimo e o corretor de hipotecas e os avaliadores dos imóveis ganhavam suas comissões. O emprestador obtinha bons lucros sem ter de esperar trinta anos. O banco de investimentos recebia uma gorda comissão por sua assistência aos contratantes, mesmo quando transferia a outros o risco da hipoteca. E por último, mas não menos importante, os investidores que compravam os títulos contavam com uma renda permanente conforme os mutuários saldavam suas dívidas (ROUBINI; MIHM, 2010, p.75)

Outra política que também incentivou os empréstimos em grande escala, pelas instituições bancárias a qualquer tipo de pagador, foi a ação afirmativa para empréstimos. Agências governamentais de vários tipos começaram a pressionar os bancos a fazerem empréstimos mais arriscados em nome da “igualdade racial”, caso se recusassem os bancos poderiam ser processados por discriminação e racismo.

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Portanto a lei conhecida como Community Reinvestimen Act citada anteriormente, segundo Roque (2013):

[...] o governo americano passou a pressionar os bancos para que fizessem empréstimos sem que pudessem verificar critérios minimamente prudentes, como histórico de crédito do tomador de empréstimo, seu histórico de poupança e a magnitude do pagamento da hipoteca em relação à sua renda. Os bancos não podiam nem sequer verificar a renda do mutuário. Adicionalmente, o Banco Central americano havia dito aos bancos que a simples participação deste mutuário em programas de aconselhamento de crédito, muitos dos quais são financiados com fundos federais, poderia ser usada como "prova" da capacidade desse mutuário de baixa renda honrar seus pagamentos hipotecários. Em outras palavras, os reguladores bancários federais exigiram que os bancos fizessem empréstimos ruins baseando-se em padrões de crédito inexistentes.

Esses títulos lastreados em hipotecas eram securitizados, processo em que agências de classificação de risco “empacotam” esses títulos e os classificam os como, seguro, intermediário e de risco. Em teoria agências como Moody’s, Fitch, Standard & Poors, deveriam ter dado o alerta, porém, essas agências tinham todo o interesse em dar altas notas aos títulos que avaliavam, com isso, auferiam uma boa comissão das próprias entidades que avaliavam, além da promessa de novos negócios. Uma avaliação realista desses pacotes por outro lado, poderia significar perda de comissão (ROUBINI; MIHM, 2010)

Ainda não satisfeitos, os bancos fizeram mais, empolgados com o crescimento do mercado, os bancos que concediam esses créditos para o setor imobiliário, começaram a negociar com outros bancos. Ou seja, esses títulos hipotecários, empréstimos e financiamentos, eram vendidos para outros bancos, porém os créditos dos clientes “prime” que possuíam o nome limpo, renda confirmada e crédito na praça, foram misturados com os de clientes “subprime” (MITYE, 2008).

Versignassi (2011 apud MÜLLER, 2014, p. 44) explica bem a situação citada acima:

Imagine que um Banco empresta $ 1 milhão e fica com $ 2 milhões em dívidas para receber dali a alguns anos. Lucro de 100%. O que não é 100%, porém, é a garantia de que o Banco vá mesmo embolsar essa grana. E se o devedor sumir? Se você fosse o Banco, ficaria feliz de passar esse direito de receber os $ 2 milhões em troca de, digamos, $ 1,5 milhão? O ponto negativo é obvio. Mas o positivo faz com que a operação seja tentadora. Você, banqueiro, iria dormir tranquilo, com um lucro de $ 500 mil na mão, sem nunca mais se preocupar se iria tomar calote ou não desse empréstimo.

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É isso que os Bancos começaram a fazer. O risco de não receber a grana ficava com quem comprou a dívida. O Banco transformava os $ 2 milhões que tinha a receber em um título – entenda isso como um papel em que está escrito “vale $ 2 milhões, mas só a partir do dia tal”. Aí ele vendia esse vale no mercado financeiro por $ 1,5 milhão. Quem comprasse ficava com o direito de receber tudo lá na frente. Simples.

[...] O Banco não transforma a dívida em um único título. Ele a quebra em “titulinhos”: transforma aqueles $ 2 milhões em, vá lá, mil títulos que dão direito a receber $ 2 mil e coloca todos à venda no mercado. Por $ 1,5 mil. [...] Nisso o risco do empréstimo fica espalhado entre vários investidores. Ninguém vai morrer se rolar calote, já que o investimento de cada um foi pequeno.

Agora imagine um Banco fazendo isso não uma vez, mas o tempo todo. Ele fecha um empréstimo com alguém e, em vez de ficar esperando para receber, já lucra no ato com a grana de quem comprou os “titulinhos” da dívida. [...] Ele consegue lucrar milhões por dia, e sem gastar nada, já que a grana que financia os empréstimos, na prática, está vindo dos pequenos investidores.

[...] Então esse esquema só funciona quando o empréstimo tem um risco baixo. [...] O Banco só consegue fazer isso quando existe algum bem palpável para servir de garantia. [...] Mas onde o lance de pulverizar títulos de dívida deu certo mesmo foi num mercado, cuja garantia fica lá, paradinha, e não tem como o devedor dar sumiço nela: o mercado de hipotecas, no qual um imóvel serve para garantir o empréstimo em caso de calote.

[...] O risco é menor: quem financia só ficará sem um gato para puxar pelo rabo se ninguém quiser comprar a casa – e isso é pouco provável. Então nunca vai faltar gente para assumir esse risco, para comprar títulos de divida em troca de alguma possibilidade de lucro.

E foi assim que a crise do setor imobiliário estourou. No último trimestre de 2007 a economia dos EUA já apresentou a primeira contração. Foi a primeira queda de Produto Interno Bruto (PIB) desde a recessão iniciada no final de 2001 (SOUZA, 2009).

Ainda sobre o assunto Souza (2009) descreve as consequências já identificadas no início do ano de 2008:

Os principais sintomas foram os seguintes: (a) os indicadores de atividades da indústria e dos serviços mostraram, pela primeira vez desde maio de 2001, valores inferiores a 50, indicando retração da economia (BANCO ITAÚ, 8 mar. 2008: B2); (b) o consumo das famílias estagnou, em termos reais, em dezembro de 2007 e janeiro de 2008 (Ibidem); (c) houve queda do número de vagas no mercado de trabalho de 22 mil postos em janeiro de 2008 e de 63 mil em fevereiro do mesmo ano, no pior resultado em cinco anos (FOLHA DE S.PAULO, 8 mar. 2008: B4); (d) os gastos com construção civil caíram, em termos reais, 1,3% em dezembro de 2007 e 1,7% em janeiro de 2008, maior queda em 14 anos.

Além dos fatores supracitados, as bolsas de valores dos EUA despencaram, provocando o mesmo efeito nas bolsas de valores do mundo inteiro, por exemplo, como Japão e Europa que contraíram títulos dos bancos americanos. “Havia fortes indícios, na virada de 2008 para 2009, de que as três principais

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economias do mundo capitalista – EUA, Japão e Alemanha – sofriam fortes tendências depressivas, dada a magnitude da retração econômica” (SOUZA, 2009, p.231)

Como já esperado, os bancos começaram a tomar os imóveis dos clientes inadimplentes. Porém, não conseguiam repassar esses imóveis, pois os preços estavam muito altos devido à grande valorização, e as pessoas já não conseguiam mais comprar pois o nível de endividamento das famílias estavam cada vez mais alto. Até que a partir de certo momento, a oferta foi maior que a demanda, fazendo os preços caírem (SOUZA, 2009).

[...] E uma hora o número de casas construídas ficou maior que a demanda por elas. Demorou. O que era para ser só uma flutuação normal de preços virou uma tragédia nessa realidade ultra-alavancada – quando tudo é pago com empréstimos.

Uma pequena queda inicial no valor dos imóveis tornou os refinanciamentos impossíveis. Nenhuma instituição financeira queria bancar a quitação de uma hipoteca quando o valor da garantia, o da casa, já não era maior que o do refinanciamento. E aí não teve jeito: os Bancos correram para leiloar as casas e escapar do prejuízo. Só que muitas fizeram isso ao mesmo tempo. A quantidade de casas no mercado foi lá para cima – e o preço, agora, lá para baixo (VERSIGNASSI, 2011, p.171)

Os efeitos foram muito severos, pois a essa altura bancos de diversos países já haviam contraído esses títulos, e a multiplicação foi tão grande, que já não era mais possível saber quais operações eram seguras, fazendo com que a crise que começou nos EUA tomasse proporções globais, “A queda das bolsas se alastrou por todas as regiões do planeta: ‘O índice Dow Jones Euro Stoxx 600, que acompanha o mercado europeu como um todo, fechou o ano com queda de 46%[...] (SOUZA, 2009, p. 230)

Dois autores citam:

As primeiras falências em 2007 criaram o cenário para uma crise de confiança e uma evaporação da segurança não apenas nos bancos paralelos, mas também nos bancos convencionais. Em pouco tempo, ruíram os empréstimos banco a banco que sustentam as finanças globais. A razão era simples: todo o sistema financeiro era uma grande terra incógnita. [...] O resultado foi a paralisia de todo o sistema financeiro.

[...] Essa paralisia era consequência de não se saber quais bancos estavam meramente ilíquidos e quais bancos estavam realmente insolventes. Uma coisa era ter dificuldade de rolar alguma dívida, em virtude de um surto do mercado; outra, completamente diferente, era entrar em falência. Num pânico, é difícil dizer quem é quem, e na falta de esclarecimento há apenas mais pânico. Quando isso acontece, as instituições podem rapidamente passar de ilíquidas para insolventes, à medida que os valores dos ativos

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declinam em função de inúmeras vendas a qualquer preço (ROUBINI; MIHM, 2010, p. 101).

Portanto, dá-se início à quebra dos bancos. Quando os mercados de crédito entraram em colapso, os bancos comerciais e os de investimento ficaram esgotados de empréstimos e incapazes de transformá-los em títulos que pudessem vender, perceberam que os ativos que negociavam a meses atrás estavam sendo negociados com enormes descontos. Tudo isso acontecia em um cenário de depreciação de uma série de ativos (ROUBINI; MIHM, 2010).

[...] Em março de 2008, bancos no mundo inteiro anunciaram perdas contábeis de mais de 260 bilhões de dólares. [...] Muitos dos bancos que divulgaram publicamente seus prejuízos naquele momento talvez ainda não fossem insolventes, mas estavam com os dias contados (ROUBINI; MIHM, 2010, p. 120).

O primeiro banco a cair foi o Bear Sterns, em março de 2008, que possuía muitos ativos podres em seus livros e informou em 13 de março de 2008 que havia perdido 88% de seus ativos líquidos, pois seus credores se recusaram a rolar o financiamento de curto prazo. Então o governo dos EUA concede US$ 30 milhões como garantia contra as perdas do Bear Sterns, as ações do banco são vendidas por um preço maior do que a oferta original, US$ 10 por ação em vez de US$ 2 (CRONOLOGIA..., 2009)

E não foi só o Bearn Sterns:

O banco de investimentos americano Lehman Brothers anuncia a concordata depois da recusa do governo dos EUA em resgatar a instituição. As bolsas dos EUA caem 3%. O Bank of America compra o Merrill Lynch. O banco Lehman Brothers pede a concordata, citando uma dívida bancária de US$ 613 bilhões, US$ 155 bilhões em dívidas aos detentores de títulos e ativos avaliados em US$ 639 bilhões (CRONOLOGIA..., 2009)

Souza (2009, p. 249) cita outros exemplos:

O sinal de alerta foi a falência em meados de setembro de um dos principais bancos de investimento do país, o Lehman Brothers; logo depois ruíram as duas principais casas hipotecárias do país: a Fannie Mae e a Freddie Mac; em seguida, a seguradora das seguradoras, considerada a maior do mundo: O AIG. O primeiro foi abandonado pelo governo. As outras instituições foram salvas pela injeção de maciços recursos pelo governo e sua estatização temporária. Mas a crise persistiu, ameaçando as instituições financeiras de uma quebradeira generalizada, não apenas nos EUA, mas também na Europa. No final de 2008, a crise começaria a engolfar também os gigantes da economia real. As três principais companhias

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automobilísticas do país, General Motors, Ford e Chrysler, pediram ao governo um socorro de US$ 34 bilhões. No começo de 2009, a Chrysler pediu concordata e seu controle foi parcialmente assumido pela Fiat italiana. Em junho de 2009, depois de pedir concordata, a GM foi estatizada.

2.2.2 Crise do Euro

Os efeitos da crise, como já mencionado anteriormente, não se concentraram apenas nos Estados Unidos. Diversos países sofreram as consequências, que não foram somente econômicas. A Europa foi a maior afetada com a crise. E incertezas não somente econômicas começaram a pairar sobre diversos setores, inclusive na política. Vários países europeus passaram por períodos eleitorais nos quais houve a substituição de partidos que já governavam há muito tempo, acreditando que as ideologias propostas pelos antigos partidos acarretaram na crise em seus países em 2008 (SOUZA NETO, 2012).

Países como, Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha tiveram seus problemas financeiros agravados devido à crise financeira, esses problemas estavam ligados à inserção desses países na Zona do Euro, depois da adesão ao Euro, esses países tiveram um aumento da dívida pública, o que se agravou com mais intensidade durante a crise. Com o objetivo de diminuir os efeitos da crise, os países ajudaram os setores mais críticos da economia por meio da distribuição de pacotes bilionários focando nos setores mais críticos, para evitar desemprego e possíveis impactos no setor financeiro. Porém, essa ajuda fez com que a arrecadação do governo fosse menor, e eles ficaram mais endividados (ENTENDA..., 2010).

Grande parte dos países ultrapassou o percentual exigido pela União Europeia (UE), de que o déficit público não pode ser superior a 3% do PIB. O caso da Grécia é o mais grave, pois em 2009 sua dívida pública chegou a equivaler 13,9% do PIB. Para que a economia do país não quebrasse, a UE aprovou um pacote financeiro de ajuda vindo principalmente da Alemanha (PAULO, 2011).

Na figura 2, o gráfico mostra o Défice orçamental e dívida pública na UE (2010), ilustra a situação dos países da UE em 2010:

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Figura 2 – Défice orçamental e dívida pública na UE (2010)

Fonte: PAULO, Sebastian. A Europa e a Crise financeira mundial: Balanço da resposta política da UE. 2011. Disponível

em:<http://ec.europa.eu/portugal/pdf/informa/publicacoes/resposta_crise_ue_pt.pdf>. Acesso em: 09 set. 2015.

Simultaneamente à deterioração das finanças públicas, a fiabilidade creditícia de alguns países da zona do euro, diminuiu rapidamente, fazendo com que as taxas de juros para refinanciamento nos mercados ficassem consideravelmente maiores. Esse aumento das taxas pode ser explicado em parte, pelos especuladores, que apostaram no incumprimento da dívida soberana. Além disso, as agências de classificação de crédito tomaram um papel fundamental no alastramento de receios sobre a capacidade de países mais afetados como, Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, em pagar suas dívidas (PAULO, 2011)

Na página seguinte, segue gráfico demonstrando as taxas de juros dos países supracitados:

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Figura 3 - Divergência das taxas de juro de longo prazo na zona euro

Fonte: PAULO, Sebastian. A Europa e a Crise financeira mundial: Balanço da resposta política da UE. 2011. Disponível

em:<http://ec.europa.eu/portugal/pdf/informa/publicacoes/resposta_crise_ue_pt.pdf>. Acesso em: 09 set. 2015.

Fioravante (2013) aborda os efeitos em outro país não tão conhecido da Europa, mas que também teve sua economia fortemente atingida pela crise:

A estrutura da economia cipriota faz com que o crescimento econômico do país flutue segundo as condições financeiras e políticas internacionais – o que foi muito marcante durante a década de 1990.

Apesar disso, na última década, o país vivenciou um período de aumento do PIB que foi freado em 2009 com o advento da crise financeira europeia. A crise financeira grega teve consequências diretas nos bancos cipriotas que estão entre os maiores detentores de títulos gregos no continente e têm uma presença substancial no país por meio de agências subsidiárias. Em junho de 2012, o governo cipriota anunciou que precisaria de 1,8bilhões de euros para resgatar o Banco Popular do Chipre.

Os índices econômicos em diversos países europeus nesse período entre 2008 e 2011 foram terríficos. O déficit da Zona do Euro no ano de 2009 fechou em 4,1% do PIB, contra 6,2% em 2010. Porém, em 2011 notam-se indicadores melhores com relação ao ano de 2010, todavia bastante heterogêneos (PAULO, 2009).

A Alemanha ficou entre os países com menores déficits públicos, com 1% do PIB. Ao seu lado figuram Finlândia, com 0,5%, e Luxemburgo, com 0,6%. Hungria, Estônia e Suécia tiveram um superávit de 4,3%, 1% e 0,3%, respectivamente. Na outra ponta, com os maiores déficits, estão Irlanda (13,1% do PIB), Grécia (9,1%), Espanha (8,5%), Reino Unido (8,3%), Eslovênia (6,4%), Chipre (6,3%), Lituânia (5,5%), França e Romênia (5,2%) e Polônia (5,1%) (SANDER, 2012).

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Segundo Roubini e Mihm (2010), as razões do boom foram as mesmas tanto nos EUA como na UE, a maior parte dos países adotou políticas monetárias frouxas, tornando os custos de crédito historicamente baixos. Em 2006, os juros das hipotecas haviam caído em todas as economias desenvolvidas ou em desenvolvimento, para um único dígito pela primeira vez na história. O resultado foi o mesmo: os preços das moradias subiram, as famílias se sentiram mais ricas, gastando mais e poupando menos. A situação dos EUA e de outros países com bolhas imobiliárias se tornou cada vez mais dependente, pois pediam cada vez mais empréstimos estrangeiros para equilibrar suas contas.

Quando a bolha estourou nos Estados Unidos, todas as economias enfrentaram um declínio comparável. A bolha imobiliária nesses países não foi uma consequência direta à crise americana do subprime, a maioria e talvez todos esses países com o mercado imobiliário superaquecido, estavam caminhando para um crash. Tudo o que precisavam era de um empurrão, que conseguiram quando a economia global mergulhou em uma recessão generalizada em 2008 (ROUBINI; MIHM, 2010).

Referências

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