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Coronelismo midiático

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Academic year: 2021

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UNIJUI-UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DE ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL-CAMPUS SANTA ROSA

IRENE DE FREITAS CICHOCKI

CORONELISMO MIDIÁTICO

Santa Rosa (RS) 2012

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IRENE DE FREITAS CICHOCKI

CORONELISMO MIDIÁTICO

Monografia apresentada no Curso de Graduação em Direito da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. (UNIJUI) objetivando o título de bacharel em Direito e a aprovação no componente curricular Monografia.

Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais – DCJS.

Orientador: MSc. Luiz Paulo Zeifert

Santa Rosa (RS) 2012

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Dedico este trabalho a minha família pelo carinho respeito e compreensão.

Aos colegas e amigos pelo apoio recebido durante a convivência em sala de aula.

Aos professores pela orientação recebida.

Ao orientador pela paciência demonstrada no decorrer do trabalho.

Enfim, a todos que de alguma forma facilitaram a caminhada acadêmica percorrida, obrigada com muito carinho.

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Agradeço a Deus pela oportunidade de estar realizando este trabalho.

A minha família pelo incentivo e colaboração, principalmente, nos momentos de maiores dificuldades.

Ao meu orientador Luiz Paulo Zeifert pela sua disponibilidade.

À professora Anna Zeifert pelo auxílio técnico. Agradeço a todos os colegas pelas palavras amigas nas horas difíceis, pelo auxílio nos trabalhos e por estarem comigo nesta caminhada.

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[...] Um país que engoliu a compostura. Atendendo a políticos sutis Que dividem o Brasil em mil brasis Prá melhor assaltar de ponta a ponta Pode ser o país do faz-de-conta Mas não é, com certeza, o meu país. Uhm...

Uhm...

vendo tudo, vendo tudo Mas, bico calado, faz de conta que sou

“mudo”

Um país onde os homens confiáveis Não têm voz, não tem vez, nem diretriz Mas corruptos têm voz e vez e bis E o respaldo de estímulo em comum Pode ser o país de qualquer um Mas não é, com certeza, o meu país.

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RESUMO

O presente trabalho de pesquisa monográfica faz uma análise a respeito do poder dos donos dos meios de comunicação de massa, os quais alicerçados em uma arena midiática fortemente segmentada por interesses em conflito transpõe como prerrogativa o modelo coronelístico para modelar a sociedade aos seus interesses. Nesta perspectiva, discute a necessidade de entender e tentar esclarecer por que os meios de comunicação de massa se constituíram em mecanismos de poder e de mandonismos, exercendo uma função fundamental de resistência histórica de conservadorismo político e ideológico, considerando a história recente de nosso País.

Palavras-chave: Comunicação de massa. Coronelismo. Midiático. Mandonismo. Ideológico.

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RESUMEN

La monografía de la presente investigación analiza sobre el poder de los propietarios de los medios de comunicación de masas, que sustenta la arena de los medios de una manera altamente segmentada por intereses en conflicto transpone la prerrogativa como un modelo a otra sociedad de coroneles con sus intereses. Esta perspectiva plantea la necesidad de entender y tratar de explicar por qué los medios de comunicación de masas se han constituido en mecanismos de poder y tipos de mandos, ejerciendo una función fundamental de la resistencia histórica al conservadurismo político e ideológico, teniendo en cuenta la historia reciente de nuestro país

Palabras-clave: comunicación de masas. Coronelismo. Media. Tipos de mandos. Ideológico.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 8

1 CORONELISMO NO BRASIL ... 10

1.1 Uma breve definição de coronelismo ... 10

1.2. O Coronelismo no Rio Grande do Sul ... 14

2 A MÍDIA ... 17

2.1 Concessões de mídias no país ... 20

2.2 A mídia e o poder ... 22 2.3 O quarto poder ... 23 3 CORONELISMO MIDÍATICO ... 25 3.1 Mídia e democracia ... 26 3.2 Consequências do poder ... 30 CONCLUSÃO ... 33 REFERÊNCIAS ... 35

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho versa sobre o “Coronelismo Midiático” e busca entender a semelhança existente entre esse e o antigo coronelismo, que teve seu apogeu durante certo período histórico em nosso país.

A nossa linha de pesquisa busca esclarecer um pouco mais a semelhança entre ambos e de que forma essa semelhança acontece, onde e qual é o seu resultado prático na vida das pessoas, no seu modo de ser e na sua situação social e econômica.

Para tanto, estuda a influência da mídia eletrônica na tomada de decisões políticas, sociais e econômicas, que contemplam a manutenção do poder pelos grupos dominantes.

A pesquisa é um comparativo entre os dois modelos apresentados, bem como suas implicações no cotidiano das pessoas. Busca como resultado prático a compreensão das relações entre o sistema de mídia e o cidadão comum, objetos de nosso trabalho, estudando a dinâmica da relação e influência do coronelismo midiático no sistema de comunicação nacional e seu envolvimento com o sistema político no atual período democrático. Destaca ainda, o comportamento do jornalismo político na disputa de temas e questões de interesse dos diversos atores sociais envolvidos.

O poder dos donos dos meios de comunicação de massa alicerçados em uma arena midiática fortemente segmentada por interesses em conflito ampara-se no modelo coronelístico para modelar a sociedade aos seus interesses.

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Esses grupos, favorecidos pelos interesses políticos em disputa, usam o poder ideológico no sistema de comunicação nacional apoderando-se de TVs, rádios e jornais, tomando para si o papel de formadores de opinião e consciências, tudo com a conivência das autoridades constituídas em certo momento histórico.

Alicerçados no poder dos antigos coronéis transformam a transição democrática recente em uma disputa de interesses ideológicos, favorecendo o surgimento de uma sociedade complexa, vulnerável e dependente.

A necessidade de entender e tentar esclarecer por que os meios de comunicação de massa se constituem em mecanismos de poder e de mandonismos, exercendo uma função fundamental de resistência histórica de conservadorismo político e ideológico, pelo exposto, é o tema central desta pesquisa.

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1 CORONELISMO NO BRASIL

Na relação entre o coronelismo e a sociedade brasileira e regional da época da colonização as opiniões variam muito conforme a posição ocupada pelas pessoas desta sociedade.

Esse período marcou profundamente a nossa história e, por isso, merece uma atenção especial. Espero tecer algumas considerações sobre essa relação e a população em geral. No primeiro capítulo, pesquisou-se o coronelismo no contexto brasileiro e regional, sua influência na formação da sociedade e dos núcleos coloniais em todas as regiões do país.

O coronelismo marcou a nossa história pela implantação do seu projeto político- econômico, encontrando no poder de mando local, um elemento fundamental para a centralização e dominação política.

No Rio Grande do Sul, encontram-se as mesmas características de dominação político-econômica do restante do país o que vai definir os rumos da sociedade, de um poder centralizado nas mãos de poucos apadrinhados políticos, definindo as relações entre a classe dominante e a população menos favorecida.

1.1 Uma breve definição de coronelismo

O termo coronelismo tem origem no século passado, quando os grandes proprietários recebiam esse título da Guarda Nacional, que foi criada em 18 de agosto de 1831. Com o passar do tempo, essa denominação passou a designar aqueles com poder político em suas regiões. Os coronéis detinham em suas mãos o poder de controlar a vida de todas as pessoas que viviam em seus respectivos municípios. Eles tinham um poder de mando muito grande e representava a liderança primária em um município, qualquer que fosse o chefe municipal. Controlavam também um número considerável de votos. A força eleitoral lhe proporcionava prestígio político, resultado natural de sua privilegiada situação econômica e social de grande proprietário rural.

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O coronelismo é uma forma de poder político que ocorre principalmente no meio rural do Brasil. A palavra, surgida no século XIX, vem do título de coronel, que nos meados do mesmo século era dado para pessoas influentes que exerciam esse posto na Guarda Nacional. Porém, a patente de coronel aos poucos deixou de ser usada somente para pessoas ligadas ao serviço militar e começou a designar aqueles com poder político em determinadas regiões. Depois, a palavra passou a indicar proprietários de terras com poderes paramilitares. Muitas vezes, nem eram fazendeiros, mas sempre eram pessoas com prestígio político. O coronel típico assemelhava-se muito ao senhor de engenho da época do Brasil colonial. (CORONELISMO, 2012, p. 4).

Os coronéis controlavam oficiais ou extraoficialmente várias funções policiais. Em muitos casos, efetivavam essas funções com o auxílio de empregados, agregados ou capangas, que usando o poder da força acusavam, julgavam e puniam conforme suas convicções.

O Coronelismo no Brasil é símbolo de autoritarismo e impunidade. Suas práticas remontam do caudilhismo e do caciquismo que provém dos tempos da colonização do Brasil, ganhando força na época do primeiro império chegando ao final do século XX tomando conta da cena política brasileira. Conjunto de ações políticas de latifundiários (chamados de coronéis) em caráter local, regional ou federal, onde aplicasse o domínio econômico e social para a manipulação eleitoral em causa própria ou de particulares. Fenômeno social e político típico da República Velha, caracterizado pelo prestígio de um chefe político e por seu poder de mando. (CORONELISMO, 2006, p. 4).

As bases do Coronelismo, assim como foi conduzido ao longo do tempo, têm como palco de atuação a estrutura agropecuária arcaica do interior do nosso país.

O título de coronel, concedido aos grandes proprietários de terras, apresenta uma conotação nobiliárquica que lhes garantia o poder de mando em relação aos peões escravos e o povo humilde em geral.

Geralmente, o título de coronel era garantido por laços de parentesco, para que fossem preservadas heranças e riquezas ao grupo familiar.

Eles exerciam o controle da vida política nacional e importantes instituições sociais resumiam-se em sua pessoa. Ainda hoje, a vida política do país é marcada por essa herança. A falta de concentração do poder político em nosso país contribuiu para o fortalecimento do poder dos Coronéis.

Devido ao seu território continental, portanto à falta de mecanismos de vigilância direta dos coronéis pelo poder central, e pela população pobre e ignorante, o Brasil

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passou a ser refém dos coronéis. Estes "personificaram a invasão particular da autoridade pública". O sistema criado pelo coronelismo passou a favorecer os grandes proprietários que iniciaram a invasão, a tomada de terras pela força e a expulsão do pequeno produtor rural, que passou a se transformar numa figura servil em nome dos novos senhores. Portanto, surgiu a figura do coronel sem cargo, qualificado pelo prestígio e pela capacidade de mobilização eleitoral. (CORONELISMO. 2006, p. 4).

As pessoas que dependiam dos coronéis viviam em suas fazendas, recebiam pouco ou quase nada para manter a própria sobrevivência, obedecendo às ordens dos coronéis para elegerem sempre aqueles políticos escolhidos pelo patrão, o chamado voto de cabresto.

Na esfera local, os coronéis utilizavam das forças policiais para a manutenção da ordem. Além disso, essas mesmas milícias atendiam aos seus interesses particulares. Em uma sociedade em que o espaço rural era o grande palco das decisões políticas, o controle das polícias fazia do coronel uma autoridade quase inquestionável. Durante as eleições, os favores e ameaças tornavam-se instrumentos de retaliação da democracia no país.(CORONELISMO, 2012, p. 1).

O coronelismo é uma parte da nossa história marcada por práticas de autoritarismo, violência e poder.

O fato de as pessoas não terem acesso a nenhum tipo de informação, facilitava esse tipo de controle coronelístico, formando um contingente de pessoas dependentes, controladas por uma minoria que se aproveitava da situação de vulnerabilidade dos trabalhadores sem nenhuma legislação que os protegesse.

Os coronéis também exerciam o seu poder sobre a polícia, o que facilitava essa prática, pois permitia que os desobedientes sofressem castigos físicos e a perda de sua moradia.

O controle coronelista abrangia todos os aspectos da sociedade, impossibilitando qualquer reação contrária aos interesses da classe dominante.

Em nível rural o controle político dos coronéis se traduzia em controle econômico, social e cultural. Praticamente eliminava qualquer possibilidade de surgir uma reação a esse sistema. O máximo que se poderia chegar era existirem divergências entre os coronéis, mas que não significavam maiores alterações no quadro político. Qualquer reação a esse sistema só poderia vir de um ambiente que tivesse mais liberdade. Esse ambiente era a cidade, que respirava novos ares trazidos pela industrialização e pelas ideias provenientes da Europa. O movimento modernista e a formação do PCB trouxeram novas ideias sobre o exercício do poder político. Mesmo não tendo uma compreensão mais profunda da sociedade e dos problemas decorrentes do modelo implantado no país, esses novos grupos viam claramente que as oligarquias agrárias eram ineficientes e incapazes de dirigir politicamente o país.

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Era preciso mudar politicamente para que o Brasil crescesse e se tornasse uma grande potência. (ROTTA, 1991, p. 1).

O coronelismo teve o seu apogeu durante a Primeira República Brasileira, e desempenhou papel preponderante na manutenção do poder nas mãos de uma determinada facção da Oligarquia1.

Entre a década de trinta e a década de sessenta, a população rural iniciou seu lento deslocamento para os centros urbanos [...], e os poderosos então tiveram que mudar suas táticas de obtenção de votos. Começaram a surgir novos líderes, porém no interior o coronelismo continuava com sua força e os currais eleitorais ainda existiam. Ainda hoje, boa parcela da população interiorana é mantida ignorante e sem acesso à informação e à educação, principalmente nas grandes propriedades rurais mais distantes, no interior da Amazônia, onde aumentam as denúncias de escravidão (CORONELISMO, 2006, p. 4).

A figura do coronel teve seu papel reduzido a partir do esforço pela modernização do país (Revolução 1930), mas não foi extinto. Hoje, em algumas regiões mais isoladas e pobres nota-se a existência de Coronéis.

Nos centros urbanos instaura-se outro tipo de coronelismo, agora não mais com o uso exclusivo da força, mas com o uso dos meios de comunicação de massas, que confere força política e econômica aos antigos proprietários de terras, agora donos dos meios de comunicação social, portanto, coronéis midiáticos.

Com o surgimento de novos líderes e com o crescimento do uso dos meios de comunicação, estes começaram a se dirigir à população de forma cada vez mais concentrada nas grandes cidades que iniciavam seu longo inchaço em direção à favelização diminuindo o poder político dos coronéis. Na área rural, porém através da pobreza e da dependência da população, surgiu um novo método de adquirir votos, o chamado voto de cabresto. Este propiciou o crescimento de um método de poder que já existia, porém no Brasil ganhou força juntamente com o coronelismo, era o caudilhismo. (CORONELISMO, 2006, p. 4).

Existe uma diferença entre coronelismo e caudilhismo, enquanto que aquele age pela força, este usa o carisma, surgindo a partir dessa nova realidade, lideranças com o propósito de “melhorar a vida da população”.

1 Preponderância de uma facção ou grupo na direção dos negócios públicos. Governo de poucas pessoas, pertencente a um mesmo partido, classe social ou família. Os latifundiários latino-americanos, desde o início da colonização ocuparam os postos de comando militar e de poder político, executando políticas públicas voltadas para seus interesses imediatos. Portanto, a política latino-americana é eminentemente oligárquica. (MOURE, Telmo Remião. História do Rio Grande do Sul, São Paulo, FTD, 1994).

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14 O caudilhismo vai encontrar um terreno bastante fértil para o seu desenvolvimento no Sul do país.

1.2. O Coronelismo no Rio Grande do Sul

A história política do Rio Grande do Sul foi fortemente influenciada pela política nacional, apresentando um quadro semelhante ao restante do país, ou seja, um forte domínio das elites econômicas sobre as camadas populares, as quais com pouca consciência política eram usadas conforme os interesses das classes dominantes.

As elites faziam alianças, revezando-se no poder quando estava em jogo uma luta maior. Mas também entravam em conflito quando os seus interesses divergiam.

O Partido Republicano do Rio Grande do Sul, mesmo fraco e pouco organizado antes da Proclamação da República, tornou-se o partido que traçou os rumos da vida política gaúcha de 1889 até 1930. Organizou-se rapidamente valendo-se da forte personalidade de algumas lideranças tais como Júlio de Castilhos e Demétrio Ribeiro.

A Constituinte Estadual nasceu em 14 de julho de 1891 e foi promulgada e escrita por Júlio de Castilhos. Tal Constituição causou polêmica na medida em que centralizava o poder no executivo, formando uma ditadura legal e com barganha legislativa, sendo o primeiro governador, após a Constituição, o próprio Júlio de Castilhos. O seu texto caracterizou-se pela aplicação concreta da doutrina positivista.

O projeto político do positivismo previa a instalação de um governo forte e Autoritário com tendências conservadoras que pudessem promover o progresso da sociedade. O governo deveria ficar nas mãos de uma elite com capacidades técnico-científicas reconhecidas. Dizia Comte: “O governo é uma questão de competência e

não de disputa”. Portanto, uma intelectualidade capaz de promover a ordem e o progresso deveria assumir o poder. O PRR seguiu a doutrina de Augusto Comte, buscando implantar uma República positivista no RS. (ROTTA, 1991, p.16).

Nas eleições de 1922, Borges de Medeiros foi eleito para o seu 5º mandato. Os oposicionistas alegando fraude por parte do PRR aglutinaram-se em torno de Joaquim Francisco de Assis Brasil e pediram intervenção federal no Rio Grande do Sul. A tentativa de

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anular as eleições não obteve sucesso e, sem outra opção, os oposicionistas iniciaram uma luta armada para derrubar o governo. Essa luta armada só acabou em 1923, com um acordo firmado em Pedras Altas.

Esse acordo estabeleceu que a Constituição fosse revisada e que Borges, após completar seu 5º mandato não mais concorreria à reeleição.

Novas lideranças despontaram a partir dos conflitos armados, fazendo emergir de dentro do partido em conflito o próximo governador do Estado, Getúlio Dorneles Vargas, que assume o poder em 1928.

Getúlio Vargas dá início a uma nova fase da política Gaúcha e, através de grande habilidade política, conseguem conciliar as duas facções em luta, atendendo aos interesses dos dois grupos.

O Rio Grande do Sul, com a política de Vargas, formava um bloco único: a Frente Única Rio-grandense, preparando para uma ação a nível nacional na defesa dos seus interesses. Esta ação veio no processo sucessório de Washington Luiz, onde se formou a “Aliança Liberal” indicando Getúlio Vargas como candidato contrário a Júlio Prestes. Vencida nas urnas a “Aliança Liberal” conquista o poder através de um levante armado (Revolução de 1930). Inicia um novo período na História do país e também na do RS. Vargas assumindo o Comando Nacional no governo provisório nomeia interventores para assumir o comando estadual. Para o RS é nomeado o gen. José Antônio Flores da Cunha, pertencente ao PRR. (ROTTA, 1991, p. 9).

A Revolução de 1930 não acabou com o poder dos Coronéis, os quais continuaram com seus pedidos de apadrinhamento e intervenção. Porém, houve algumas modificações para as suas práticas arbitrárias com possibilidade de terem que prestar conta de seus atos a outras autoridades.

No Rio Grande do Sul, bem como em todo o Brasil, a sociedade estava assentada sobre o latifúndio. Isto criou relações sociais de autoritarismo e submissão. O proprietário de terras tinha o controle da sociedade e, por isso, era ele quem ditava as regras do convívio social. Os pequenos proprietários e outros grupos dependiam direta ou indiretamente do grande fazendeiro.

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16 É importante salientar que a violência, muitas vezes, era provocada pelas autoridades policiais, e a justiça sempre era manipulada mediante pressões sobre promotores e juízes, ou indiretamente mediante pressões sobre testemunhas.

O mandonismo é típico de regiões de latifúndio, onde a terra está na mão dos grandes proprietários e a grande massa de trabalhadores depende desses proprietários.

A política dos coronéis manifestou-se com intensidade também nas regiões de pequenas propriedades. O partido Republicano Rio-grandense através de seus chefes locais usou a dominação mesmo com os proprietários de terras.

Os recursos que estes chefes políticos lançavam mão para garantir seu domínio, dentro do espaço que lhes competia, eram os mais variados. Um dos preferidos pelos chefes locais era a violência contra aqueles que não se submetiam a sua autoridade. Tais violências raramente eram punidas.

Dessa forma, parece evidente que o coronelismo no Rio Grande do sul, como no restante do país, serviu como fator para legitimar um sistema político autoritário, que vai aos poucos se estruturando no sentido de fortalecer o poder político concentrado nas mãos de uma classe social, garantindo por meio da violência, o seu poder de mando.

A partir de 1930, devido ao impulso industrial que começava a mudar as concepções de desenvolvimento, a economia volta-se para os centros urbanos, desloca-se da área rural iniciando uma nova fase, com uma nova característica dando início a era da favelização.

A partir da nova realidade que aos poucos vai se estruturando, precisava ser criada uma nova forma de dominação, agora com características urbanas.

No Rio Grande do Sul, como no restante do Brasil, o povo vai sentir primeiro essas mudanças nos grandes centros urbanos. Onde a grande massa populacional desassistida torna-se refém dos “novos coronéis” criados pelo momento histórico em curso, que passa a impor uma nova forma de dominação, que será abordada no próximo capítulo.

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2 A MÍDIA

Neste capítulo, aborda-se o papel da mídia na sociedade, bem como suas implicações na mesma, considerando sua importância enquanto meio de comunicação social.

Os seres humanos, ao longo da sua história, sempre se preocuparam em descobrir formas de comunicação que proporcionasse um conteúdo simbólico com possibilidades de relacionamentos e informações para a sobrevivência.

Evidenciam-se as principais características da mídia no Brasil. tendo como foco a influência da mesma na formação social e cultural, da sociedade brasileira, suas implicações e resultados a partir das concessões ocorridas no país.

A palavra mídia é derivada do latim “media” plural de “médium” e que tem como significado as palavras “meio” ou “forma”. A mesma palavra é derivada de outros vocabulários como inglês “media” que no Brasil é mais utilizado através da palavra “mídia” derivada da pronúncia inglesa (SOCIEDADE E CULTURA, 2011, p. 1).

No dicionário, a palavra mídia significa a imprensa como um todo e também veículo de comunicação.

Destaca-se a mídia como um todo, porém procurando dar maior ênfase à mídia televisiva e radiofônica por serem estes veículos os que mais influências exercem na sociedade. Porém, não deixando de enfocar mais outros aspectos da mídia em geral.

Partindo desse pressuposto, entende-se serem estes veículos mais populares, pela sua facilidade de acesso em, praticamente, todo o território Nacional.

A mídia exerce um poder de coação sem violência física, porém com um tipo de violência psicológica tão ou mais agressiva, por influenciar de forma indireta o comportamento dos sujeitos envolvidos. Direcionando suas escolhas políticas, econômicas e também sociais de forma definitiva, o que contribui para a formação de uma sociedade vulnerável do ponto de vista econômico e cultural.

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18 A mídia até a década de 60 estava praticamente restrita ao rádio e também, com menor intensidade, à mídia escrita.

A TV vai se tornar mais presente na vida das pessoas a partir da década de 1970, quando bastante frágil necessitava de favores políticos para a própria sobrevivência.

Conforme Azevedo (1997), o processo de formação de um mercado de massa demorou e só se completou com a chegada da televisão na década de 1950, e a criação e expansão das redes nacionais de rádio e televisão na década de 1970.

Assim, somente a partir dos anos 1980 é que o nosso sistema de mídia ganharia uma feição inequívoca de uma indústria de massa, com a televisão ocupando um lugar central no mercado nacional de entretenimento e informação.

Toda a comunicação é uma forma de ação conforme Austin, e proferir uma expressão são executar uma ação e não apenas relatar ou descrever um estado de coisas. É através da linguagem que os indivíduos estabelecem e renovam as relações uns com os outros. (THOMPSON, 2004, p. 7).

O poder, genericamente considerado, é um fenômeno social que penetra em diferentes tipos de ação de forma diferenciada.

Thompson (2004, p.12) diz que

a posição que um indivíduo ocupa dentro de um campo ou instituição é muito estreitamente ligada ao poder que ela possui. No sentido mais geral, poder é a capacidade de agir para alcançar os próprios objetivos ou interesses, a capacidade de intervir no curso dos acontecimentos e em suas consequências. No exercício do poder os indivíduos usam os recursos que lhe são disponíveis para alcançar seus objetivos aumentando dessa forma o seu poder.

Há também recursos acumulados dentro de organizações institucionais, que são bases importantes para o exercício deste mesmo poder.

O poder é um fenômeno social penetrante, característico de diferentes tipos de ação, desde as ações reconhecidamente políticas até as entre os indivíduos na rua.

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Nesse contexto, o uso dos meios de comunicação caracteriza a forma de poder dos grupos dominantes.

Em nossa sociedade, a partir da década de 1960, percebe-se que as concessões de canais de mídia para correligionários políticos em troca de favores intensificam uma prática que vai desempenhar papel fundamental na formação cultural do povo brasileiro. Esse papel ao qual se menciona e no qual está centrada a minha pesquisa, refere-se ao lado político- ideológico e, a partir daí o resultado de comportamentos voltado para práticas cotidianas resultantes de este poder ideológico difundido pelo poder das mídias.

Conforme projeto desenvolvido para determinar a concentração dos veículos de comunicação no Brasil, os dados publicados e informações fornecidas pelos próprios grupos de mídia são os seguintes:

Dez grupos detêm maior controle da mídia no Brasil:

Grupo Sede Nº de veículos

Grupo Abril São Paulo, SP 74

Organizações Globo Rio de janeiro, RJ 69

Grupo RBS Porto Alegre, RS 57

Grupo Bandeirante de Comunicação São Paulo, SP 47 Governo federal brasileiro (EBC) Brasília, DF 46 Igreja Universal do Reino de Deus São Paulo, SP 27 Organização Jaime Câmara Goiânia, GO 24 Sistema Mirante de Comunicação São Luis, MA 22

Diários Associados Brasília, DF 19

Organizações Rômulo Maiorana Belém, PA 15

Fonte: DONOS DA MÍDIA, 2007.

De acordo com o projeto, os dez partidos cujos membros detêm maior controle da mídia no Brasil são:

Partido Nº de políticos sócios de veículos de

Comunicação

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20 Partido do movimento Democrático brasileiro (PMDB) 48

Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) 43

Partido Popular (PP) 23

Partido Trabalhista Brasileiro (PT) 16 Partido Socialista Brasileiro (PS) 16

Partido Popular Socialista (PPS) 14

Partido Democrático Trabalhista (PTB) 13

Partido Liberal (PL) 12

Partido dos Trabalhadores 10

Fonte: DONOS DA MÍDIA, 2007.

A Constituição Federal de 1988 proíbe políticos de serem donos de concessões públicas, mas não de serem sócios.

Conforme o mesmo projeto, os políticos com maior controle sobre a mídia no Brasil são os seguintes:

Antônio Bulhões do PMDB-SP, Deputado federal; Roberto Rocha do PSDB-MA, Deputado federal; José Antônio Bruno do DEM-SP, Deputado estadual; José Carlos de Souza do PMDB-SE, Prefeito de Divina Pastora, Sergipe; Francisco Pereira Lima do PL- Ma, Prefeito de Divinópolis, Maranhão; Elcione Barbalho do PMDB-PA, Deputada federal;Wellington Salgado de Oliveira do PMDB-MG, Senador;José Agripino Maia do DEM-RN, Senador;Antônio Alves da Silva do PRP-SP,Prefeito de Parapuã, São Paulo; Roseana Sarney do PMDB-MA, Governadora do maranhão (DONOS DA MÍDIA, 2007).

É esta a realidade do controle da mídia do nosso país, a partir das concessões.

2.1 Concessões de mídias no país

Até o advento da Constituição Federal de 1888 era possível a outorga de concessão de serviço público a pessoas físicas, a exemplo do que permitia o Decreto - lei federal nº 2.300/86; hoje essa transferência parece vedada, ante os termos do art. 175, parágrafo único, I, da Lei Maior.

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“Concessão de serviço público é o contrato administrativo pelo qual a Administração Pública transfere, sob condições, a execução e exploração de certo serviço público que lhe é privativo a um particular”. (GASPARINI, 2012, p. 42 ).

No Brasil, as concessões de mídias se deram de forma indiscriminada, com poucos ou quase nenhum critério.

Devido a essa realidade, hoje temos um grande número de concessões nas mãos de apadrinhados políticos, conforme concessões já citadas, nas mãos de coronéis, imbuídos de poder de mando.

Segundo Marini e Cresqui, no Brasil, os concessionários de emissoras de rádio e televisão agem como se fossem seus proprietários. O Estado brasileiro, que fundamenta como serviço público o seu sistema de radiodifusão tem dificuldades para controlar o setor. Parte deste "descontrole" se deve à estrutura dividida entre o Ministério das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mas o que falta, realmente, é vontade política de fazer valer os princípios constitucionais, entende o procurador regional da República no Rio Grande do Sul Domingos Sávio Dresch da Silveira. O modelo brasileiro sofre pela ausência do Estado no papel que é fundamental na relação do poder público com os concessionários. A fiscalização e concessão sem fiscalização é doação (apud DOMINGUES, 2012).

Desse modo, a mídia influencia de forma direta o comportamento das pessoas, ditando valores, moda, concepções de vida apontam caminhos em uma sociedade vulnerável do ponto de vista educacional, social e econômico.

A mídia proporciona uma educação coletiva, substituindo os docentes, mas pouco ou quase nada é feito para mudar essa situação.

Possuindo uma capacidade de ensino, ou seja, de gravar algo deixar marcas nas pessoas e, principalmente, nas crianças. Alfabetiza crianças e adultos, que mesmo antes de colocar o pé na sala de aula já têm várias horas de aulas proporcionadas pela mídia, a qual deixa a sua marca na formação da dessas pessoas.

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22 Além da manipulação de consciências, a mídia incentiva a competitividade e não a cooperação, prestando um desserviço à sociedade. E agindo como formadora de opinião colocando seus interesses em primeiro lugar interfere no cotidiano das pessoas, modificando-o e cmodificando-onstruindmodificando-o a smodificando-ociedade pensada, exclusivamente, para satisfazer seus interesses e modificando-o interesse dos grupos aos quais representa.

2.2 A mídia e o poder

O número de concessões de mídias outorgadas no país a partir de 1950 é muito significativo, aumentando no decorrer das décadas seguintes e intensificando-se durante o Regime Militar.

Essa realidade proporciona o entendimento de que nesse período histórico foram criadas as condições necessárias para que o poder político hora instalado pudesse, através da ideologia bem direcionada pelo poder da mídia, construir as bases de uma sociedade vulnerável e dependente.

A Mídia é considerada o quarto poder. Até o final da década de 70, o Estado Brasileiro outorgou 87 emissoras de TV. Devido à necessidade de uma soma considerável de capital para tornar realidade à constituição de uma emissora, fica fácil entender por que a tevê no Brasil já nasce oligopolizada, bem ao estilo do modelo de desenvolvimento econômico que se desenhava para o país. A princípio, ela é fruto do agigantamento das corporações jornalísticas nacionais, que, naquele momento, já agregavam, além de jornais, revistas e editoras, também emissoras de rádio. (CIOTÓLA, 2012. p.4 ).

Como se pode verificar, é notório compreender o papel desempenhado pela mídia, para entender o comportamento massificado da população.

No festival de persuasão e manipulação em que vai se convertendo cada vez mais a campanha, o quarto poder usa e é usado, e poucos eleitores saberão distinguir a mentira da verdade. Como escreveu o jornalista L. H. Mencken, “a verdade é uma mercadoria que as massas não podem ser induzidas a comprar”. Ele explica que assim o é, porque “as ideias que entopem a cabeça do cidadão normal são formuladas por um mero processo de emoção”. Sintetizo o pensamento de Mencken, dizendo que faltam públicos esclarecidos e racionais. (BARBOSA, 2002. p.1).

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Nas eleições no Brasil, a mídia tem destaque especial. É a força do quarto poder.

2.3 O quarto poder

A manipulação midiática é uma das principais formas de manipulação de consciências. Consciências estas vulneráveis frente a um poder sem rosto, que através do poder e domínio consegue obediência incondicional, firmando seus propósitos de mandonismo em todas as esferas da sociedade.

Devido a essa realidade, nossa sociedade é uma sociedade de massa e não de público, e o resultado dessa condição aparece geralmente na escolha de nossos governantes, onde os próprios candidatos são reféns da grande mídia.

A mídia, dessa forma, é a grande colaboradora para a massificação da nossa sociedade. Conforme Barbosa (2002, p. 1)

(...) na atualidade, os maiores formadores não só de opinião como de comportamentos, hábitos e atitudes. A partir daí, infere-se que a mídia colabora como nenhum outro tipo de controle social para o processo de massificação da sociedade. O resultado é que temos cada vez mais uma sociedade de massas e menos uma sociedade de públicos seletos e capazes de opinião própria.

Não se pode esquecer também, outro veículo de comunicação: o rádio, que dentro desse contexto, representa parcela significativa do mercado da mídia. E, em nossa sociedade é interessante compreender que a “massa” segue um determinado padrão de comportamento, onde aparecem evidenciadas as preferências em relação aos veículos de comunicação.

Pessoas com idade acima de 50 anos confiam mais no que ouvem no rádio do que aquilo que ouvem na televisão ou outro meio de comunicação. Por isso, os donos das rádios locais investem firmes e fortemente na manipulação de consciências, principalmente no interior, onde em tese, o nível intelectual é mais limitado.

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Lembremos que Hitler, por exemplo, usou e abusou desse “medium quente”. Em Mein Kampf ele escreveu: Toda campanha deve determinar seu nível intelectual de acordo com a compreensão do mais limitado dos indivíduos. Dos governantes franceses, De Gaulle foi o que mais se notabilizou no uso do microfone, pois o sabia fazer com inigualável carisma. Nos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt foi um dos que mais soube usar o rádio como arma política. (BARBOSA, 2002, p. 1).

A mídia também serve para esconder, ocultar, silenciar sobre fatos que interessa a toda a população, mas que para os donos do poder, não tem o mesmo interesse. Tornando evidente que “O que interessa mostra, o que não interessa esconde”.

Existe no Brasil, atualmente, uma luta pela regulação da mídia, a qual é contestada pela maioria dos contrários a essa ideia sob a alegação de que um projeto nessa linha seria uma “defesa da censura”. Porém, esses ataques, na verdade, não deixam acontecer a democratização dos meios de comunicação, o que tornaria mais difícil a manipulação presente na sociedade, capitaneada pela grande mídia desse país.

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3 CORONELISMO MIDÍATICO

Neste terceiro capítulo apresenta-se o Coronelismo Midiático ou eletrônico, enfocando o paralelo existente entre este e o coronelismo implantado no Brasil a partir de sua colonização e o loteamento da mídia escrita falada e televisada.

Segundo Farias (2009, p. 1)

A expressão coronelismo “eletrônico”, ao contrário da maior parte das elaborações conceituais nasceu na imprensa da década de 1980, como forma de os jornalistas explicarem aos leitores o fenômeno de um suposto envolvimento de lideranças políticas, especialmente parlamentares no exercício do mandato eletivo, com emissoras de rádio e de televisão.

Por ser um tema bastante novo, o material disponível na sua grande maioria são monografias, artigos de jornalistas e textos de encontros de estudos em Universidades.

Segundo Farias (2009, p.2), “os principais autores a trabalhar com essa temática no Brasil são Sérgio Capparelli, Venício Arthur de Lima e Suzy dos Santos, sendo esta última, a pesquisadora que mais se debruçou sobre a problemática”.

Eles apontam como início ou surgimento do termo coronelismo eletrônico um fato ocorrido no Estado de Santa Catarina, na cidade de Concórdia, onde um ex-senador que participava de uma entrevista em uma rádio local ouviu do repórter a expressão “o microfone é seu’, onde o entrevistado retrucou que não só o microfone como a rádio toda era sua”. Na época, o Jornal do Brasil noticiou o fato através de uma reportagem dando ênfase à ideia de que a rádio, no caso, tinha “dono”.

A partir desse fato passou-se a denunciar o uso da mídia para fins políticos partidários, não só no local onde aconteceu o fato, mas também em outros Estados do Brasil, onde se verificou que o número de veículos de comunicação se encontrava nas mãos de políticos (governadores, Senadores, deputados e seus afilhados políticos), o que passou a ser uma preocupação dos jornalistas o poder que estava concentrado nessas concessões. Também considerando uma evidente analogia ao sistema de poder verificadas nas primeiras décadas do século XX, na chamada República Velha. (1989-1930).

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26 O poder midiático coronelístico se evidencia na posse da mídia eletrônica a serviço de bens de capital, estabelecendo laços fortemente amarrados entre ambos.

O poder de controlar o fluxo de informação é o poder de controlar a forma como o povo pensa. Nos debates sobre democratização dos meios de Comunicação no Brasil uma expressão é quase obrigatória: coronelismo eletrônico. Ela representaria a síntese de uma política atrasada, autoritária e concentradora que envolve, em sua essência, a terra, o Estado, as relações econômicas e o conjunto de comunicação nos espaços do poder. O coronelismo ainda é uma dura realidade nas estruturas locais e regionais e a face da comunicação nesse esquema é fundamental para a construção e manutenção da hegemonia dominante, isto é, uma visão majoritária de uns poucos imposta como “verdade” para muitos. (GÓES, 2011, p. 31).

O território brasileiro conforme a história, em sua formação inicial, foi loteado e, a seguir, concedido a determinadas famílias.

Poucos ignoram o que “coronel eletrônico” significa: o político que, sendo dono de emissora de TV em seu reduto eleitoral, a usa para a promoção própria e a desgraça do adversário. Trata-se de uma evolução da velha figura do coronel não-eletrônico – aquele que ia no tapa mesmo. O velho coronel é tema de um livro clássico da literatura política brasileira, Coronelismo, Enxada e Voto, de Victor Nunes Leal. Se fosse escrito hoje, segundo observou a cientista política Lúcia Hipólito no último programa Observatório da Imprensa, levado ao ar pela rede de televisões educativas, esse livro se chamaria Coronelismo, Concessão e Voto – concessão em alusão às concessões de canais de TV. (ARRUDA, 2007, p. 58).

A mídia escrita, falada e televisada foi igualmente loteada, também entre algumas famílias já mencionadas no capítulo anterior.

3.1 Mídia e democracia

A primeira vítima desse poder coronelístico é a verdade. A mídia influencia a sociedade, a qual paga um custo muito alto por sua vulnerabilidade e dependência.

A Democracia recente do nosso país está ameaçada por conta desse poder. Nem a judicialização da política e das relações sociais consolidadas após a Constituição de 1988 conseguiu mudar essa situação, a qual fica mais evidente nos períodos eleitorais.

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A consolidação da democracia passa, necessariamente, pela democratização da mídia, ao contrário, o chamado quarto poder continuará praticando atos lesivos e de difícil reparação ao povo brasileiro.

Conforme Barbosa (2002, p. 1)

Quando A deseja provocar determinado comportamento em B sem manifestá-lo explicitamente, e B obedece sem se dar conta de que está se comportando exatamente como A deseja, estabelece-se o que se chama de manipulação. Como elemento do poder, a manipulação é uma das mais insidiosas formas de domínio, pois prescinde de qualquer legitimação ou argumentação e não tem face, sendo instrumento de controle capaz de obter a obediência incondicional, inclusive, de grande parte da sociedade.

Em uma sociedade onde a mídia se coloca como árbitro em todos os acontecimentos, sejam eles econômicos, políticos e sociais, é muito fácil de ocorrer tais comportamentos. Entende-se que sem uma mudança nessa realidade não teremos no curto prazo uma sociedade consciente, livre e soberana.

Segundo Barbosa (2002 p.1), “a manipulação difere da persuasão, porque neste tipo de controle é utilizado um arsenal de argumentos como técnica de convencimento, ainda que possam ser na maioria ilusórios”.

O poder da mídia não está somente em criar a realidade, mas também ocultar realidades, manter segredos, patrocinar silêncios comprometedores onde, diferentemente, mudaria todo o cenário.

Uma parte significativa da nossa história não é conhecida da grande maioria da população. Também da mesma forma aquilo que acontece no mundo.

Ao analisar a média de horas que ficamos em frente à TV, por exemplo, deveríamos em tese adquirir grande parcela de conhecimentos. Mas tal não acontece, e sim o contrário. E é dessa forma que se perde a oportunidade de buscar o conhecimento em outras fontes, e assim desenvolver uma consciência crítica necessária que proporcione a construção das mudanças rumo a uma sociedade mais igualitária.

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28 A função da comunicação não deve ser apenas mera informação direcionada para dominar pela persuasão, mas sim, a comunicação deve servir para a descoberta, participação e transformação da realidade. Conforme Paulo Freire (1999, p. 144), “ideologia fatalista é convencer os prejudicados, de que a realidade é assim mesmo, de que não há nada a fazer, mas seguir ordem natural dos fatos”.

Na política, o quarto poder é usado, para mascarar verdades, para esconder aquilo que não interessa aos poderosos manipuladores de opinião. Dessa forma, a campanha para eleições, Federal, Estadual e Municipal torna-se poderosa arma de persuasão, direcionada para àqueles candidatos que não servem aos interesses dos poderosos coronéis midiáticos.

Conforme Ciotola ([s.d]), a política e os políticos trabalham com um material especial, que é a credibilidade. A matéria prima da política é a credibilidade, um capital simbólico. Ora, a mídia é o meio de produção desse capital, tanto para construí-lo como para destruí-lo, como é o caso do escândalo político. Quando se fala em mídia como quarto poder é necessário ressaltar, de imediato, que esse assim chamado poder também é um poder usurpado. Isso por que esse poder que a mídia se atribui não lhe foi conferido pelo povo, origem do poder legítimo nas sociedades democráticas. A mídia se arrogou esse poder por conta própria, sem levar em conta a população, mas baseada apenas em sua força econômica, política e ideológica, acumpliciando-se a setores da classe política. Ninguém conferiu esse poder a ela.

Essa realidade aponta para uma situação em que a vulnerabilidade de nossas instituições sociais torna-se evidente. E, com isso, a população se torna refém de vontades que não representam os anseios de todos os cidadãos.

A lógica do clientelismo provoca uma ruptura da autonomia das instituições sociais, mantendo um alinhamento da mídia com interesses partidários ou familiares; O clientelismo é apontado como uma das patologias dos sistemas democráticos; A relação clientelística é desigual e assimétrica, pois implica a subordinação do cliente ao patrão; Quem recebe os benefícios normalmente tem consciência de sua dependência e coloca-se à disposição das aspirações do patrão. (FARIAS, 2012, p. 7).

Essa realidade não só acontece nos grandes centros, mas também nos pequenos municípios, onde a pobreza material e intelectual permite a compra de votos e o convencimento difundido por pesquisas falsas e promessas eleitoreiras.

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Emissoras de rádio e televisão, que são mantidas em boa parte pela publicidade oficial estão articuladas com as redes nacionais dominantes, dão origem a um tipo de poder agora não mais coercitivo, mas criador de consensos políticos. São esses consensos que facilitam (mas não garantem) a eleição (e a reeleição) de representantes – em nível federal, deputados e senadores – que, por sua vez, permitem circularmente a permanência do coronelismo como sistema. Ao controlar as concessões, o novo “coronel” promove a si mesmo e aos seus aliados, hostiliza e cerceia a expressão dos adversários políticos e é fator importante na construção da opinião pública cujo apoio é disputado tanto no plano estadual como no federal. No coronelismo eletrônico, portanto, a moeda de troca continua sendo o voto, como no velho coronelismo. Só que não mais com base na posse da terra, mas no controle da informação – vale dizer, na capacidade de influir na formação da opinião pública. (LIMA; LOPES, 2007, p. 2).

Diante desta realidade, a pergunta que não quer calar: por que para a mídia brasileira, governantes eleitos pelo voto popular, mas que são contrários aos seus interesses, é considerado por eles antidemocrático, e até perigosos? Até onde representam perigo e para quem?

Este fenômeno pode explicar a força do quarto poder, ou seja, da mídia, cuja força política repousa no fato de que é capaz de dar “vida” ou “morte” aos políticos. Mesmo porque, é esse Poder que faculta ao político o espaço público sem o qual ele não existiria perante aos eleitores ou, uma vez eleito, diante dos governados. (BARBOSA, 2012, p. 1).

O coronelismo midiático busca de todas as formas possíveis através do domínio pleno dos meios de comunicação social bloquear o direito de liberdade de expressão e opinião.

Segundo Santos (2006, p. 21)

Se a terra no coronelismo servia ao coronel como instrumento de ampliação da sua influência, a radiodifusão no coronelismo eletrônico é ainda mais eficiente: serve para difundir a imagem protetora do coronel, serve para controlar as informações que chegam ao eleitorado e serve, por fim, para atacar os inimigos. Estas funções da radiodifusão justificam, para o coronel, a busca do controle desses meios e o cuidado para deixar seus inimigos longe deles.

Tudo indica que a imprensa brasileira, utiliza-se dos meios de comunicação social, conseguidos por meio de outorga, para controlar, através da ideologia, pessoas e instituições, onde quer que estejam os seus interesses comerciais.

De acordo com Ladeira (2012, p. 2)

(...) é preciso questionar o porquê de a grande mídia brasileira apresentar quase sempre uma visão unidimensional da realidade. Apenas determinado ponto de vista

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tem espaço nas maiores emissoras de televisão e nos principais jornais e revistas do país. Opiniões divergentes ao status quo são peremptoriamente ignoradas.

O coronelismo midiático, precisa ser combatido pelos diferentes setores sociais para que a verdadeira democracia aconteça.

3.2 Consequências do poder

A consequência desta realidade não se restringe apenas ao enriquecimento dos grupos detentores do poder midiático, mas também consequências na vida de todos os cidadãos e cidadãs brasileiras. Isto se evidencia na política, na economia e na sociedade como um todo, considerando a manipulação ideológica causadora de escolhas políticas equivocadas o que resulta em períodos de estagnação econômica, e também o pouco investimento em políticas sociais consideradas essenciais para uma mudança social significativa.

Poucos sabem distinguir a mentira da verdade. Essa é uma mercadoria que as massas não podem comprar.

O cidadão normal age movido pela emoção, a maioria pouco esclarecida o que dificulta suas escolhas, proporcionando a triste realidade a qual nos referimos.

As consequências políticas dessa realidade são a eleição de governos comprometidos com a grande mídia, a qual está comprometida com o grande capital. Sem nenhum comprometimento com o desenvolvimento do país segue sem nenhum escrúpulo focando apenas seus interesses.

Na economia aparece evidenciado o peso do coronelismo midiático nas escolhas dos projetos econômicos em disputa pelos grupos políticos em determinados momentos históricos. As escolhas direcionadas pelos “coronéis midiáticos” traçam os rumos do modelo de desenvolvimento do país.

Outra reflexão pertinente a esse mesmo assunto refere-se aos direitos sobre o consumo, ou seja, direito de escolhas conscientes, sem interferências por parte dos donos da

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mercadoria. Aqui, no caso a mercadoria, é a informação direcionada a um consumidor sem condições de escolha devido a sua fragilidade intelectual.

A Constituição Federal em seu artigo 5º assegura a todos os cidadãos o direito à igualdade, à cidadania. Isso quer dizer também entre outros direitos, a participação consciente e responsável do indivíduo na sociedade. Mas nem todos os cidadãos sabem distinguir falsas ideias da verdade, e isso é muito grave.

O coronelismo midiático apresenta como consequência de sua atuação na sociedade o aumento da corrupção, produzindo uma sociedade vulnerável onde o cidadão vende seu voto por trocados e acredita em falsas promessas, conforme vem acontecendo nas eleições em todos os níveis em nosso país.

Para Góes (2012, p. 1)

É fundamental assegurar que, não obstante o termo coronelismo remeter ao Brasil da chamada Primeira República (1889-1930), - ou até antes - esse fenômeno continua bastante atual e com configurações contemporâneas, modernas, digitais. O coronelismo eletrônico se consolidou e se sustenta tanto por um arcabouço político-legal, que parece sedimentado nas estruturas dos poderes no Brasil, quanto por um amplo sistema de mídias – de suas propriedades - que mantêm o ideário hegemônico dominante.

O coronelismo eletrônico está representado em todos os cantos do país, conforme concessões principalmente nos anos 1985 a 1888.

Ao analisar esse período constata-se que era a época do Governo Sarney, e que o então Ministro das Comunicações era Antônio Carlos Magalhães, o qual foi indicado para o cargo pelo dono da Rede Globo Roberto Marinho.

Conforme Arruda (2007, p. 6)

quem não se lembra da farra de distribuição de “concessões públicas” de emissoras de rádio e tv no Governo Sarney? Apenas em três anos (1985 a 1988), o então presidente concedeu 1.028 concessões de emissoras de rádio e TV. Pelo menos 168 foram entregues a parlamentares que o ajudaram a aprovar a emenda que lhe deu cinco anos de mandato. O ministro das Comunicações era exatamente Antônio Carlos Magalhães, que foi indicado para o cargo pelo então Roberto Marinho, dono da Rede Globo. E para passar o projeto de reeleição de FHC, como foi? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso distribuiu, por portaria do Ministério das

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Comunicações, as estações retransmissoras de televisão que podiam ser entregues aos aliados sem necessidade de aprovação do Congresso. Em setembro de 1996, outorgou 1.848 licenças de RTVs, das quais pelo menos 268 beneficiaram entidades ou empresas controladas por 87 políticos. A generosidade coincidiu com a aprovação da emenda constitucional que permitiu a sua reeleição. São os coronéis da Colônia, da República Velha, que se consolidaram na Ditadura Militar e que navegam com desenvoltura nos esquemas de poder ainda hoje.

Essa realidade não está apenas nos grandes centros e pode-se notar que o coronelismo eletrônico também não está no passado e sim está presente na realidade nos Estados e nos pequenos municípios.

O coronelismo eletrônico é uma realidade local e regional, de ampla consequência nacional, mas se engana quem pensa que ele está preso ao passado, fechado em um ciclo, apartado do processo mais global. A linha ideológica do capital é a mesma e as opiniões dos grandes grupos do mercado são disseminadas e chegam à base social justamente em razão dos poderes dos meios dos coronéis. O que divulga e defende a Veja, a Globo, o Estado de S. Paulo, a Folha de S. Paulo são fielmente reproduzidos e defendidos pelos veículos de comunicação dos coronéis nos municípios e estados e todo esse conteúdo jamais coloca em risco seus poderes locais, muito pelo contrário, constrói consensos e reforça-se a hegemonia do capital, assegurando uma cadeia de comando de classe, autoritária, prepotente e concentradora. (ARRUDA, 2007 )

Afirma-se que a força do poder ideológico exerce grande influência na formação da consciência do cidadão mediano. A formação da opinião pública é a principal arma de controle dos coronéis eletrônicos.

A esperança em alguma mudança encontra-se nas novas tecnologias de informação mais democráticas, como a Internet, que ganha espaço no cenário e também no esforço do governo brasileiro em criar uma Empresa Brasileira de Comunicações e estimular o debate em relação à democratização dos meios de comunicação, seguindo o exemplo de outros governos da América Latina.

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CONCLUSÃO

Este trabalho de pesquisa teve como perspectiva entender o que é o coronelismo midiático, sua influência no comportamento das pessoas, principalmente no que diz respeito ao modo de pensar e agir. Na sua realização pode-se observar o uso do poder ideológico para manipular consciências e a influência do coronelismo eletrônico nas tomadas de decisões importantes para a população, considerando a manipulação eleitoral que vem no bojo do poder da “mídia”.

Verificou-se que as outorgas de rádio e televisão concedidas no período anterior à Constituição Federal de 1988 foram concessões políticas sem nenhum critério. Isso posto, percebe-se que as comunicações no Brasil seguiram uma lógica coronelística, à moda dos antigos coronéis, porque o poder de mando apenas mudou de mãos, sendo agora não mais pelo poder da força, mas sim pelo poder da manipulação ideológica.

Ademais, nele destaca-se o poder do jornalismo político, sua influência e disputa pelos temas de interesse dos grandes grupos detentores dos meios de comunicação de massa.

Nessa perspectiva, é razoável concluir que os meios de comunicação no Brasil fogem a qualquer controle, devido à realidade das outorgas concedidas sem critérios, já mencionados anteriormente.

Entre março de 1985 e outubro de 1988, o governo e seu Ministro das Comunicações distribuíram 91 outorgas de radiodifusão para os deputados e senadores constituintes.

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34 Na sua realização percebe-se que a influência do poder econômico dos donos da mídia eletrônica fazem a diferença nas disputas eleitorais em todas as esferas políticas, principalmente nos pequenos municípios onde a simplicidade das pessoas envolvidas gera a oportunidade de crescimento dos profissionais da comunicação política, marketing político, estratégias eleitorais para se manterem no poder.

Por outro lado, ainda, restou comprovado também que as tecnologias de comunicação relacionadas com a internet tendem a atrapalhar o coronelismo eletrônico. A democratização do acesso às redes sociais dificulta a manipulação pela maior liberdade de escolha, tendendo a uma redução do poder midiático.

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