Sustentabilidade em um
contexto de desigualdades
Ricardo de Sousa Moret
Síntese da apresentação
Transformação social recente no Brasil
1-industrialização com baixos salários
2-boas e más notícias sobre a desigualdade
3-trabalho e salários- elementos das mudanças recentes
Sustentabilidade em um contexto de desigualdades
4-pontos de vista sobre a sustentabilidade 5- o desafio da gestão de conflitos
1-Industrialização com baixos salários
• Francisco de Oliveira:
- Baixo custo da alimentação em um contexto em que a absoluta maioria dos alimentos é produzida pela agricultura familiar, em
pequenas propriedades;
- Auto-construção e o repasse da
responsabilidade de produção da moradia ao trabalhador
Gonçalo Guimarães - UFRJ: a parte rica das cidades é parecida. “A diferença não está na riqueza, está na
Cresce a renda per capta e cai a desigualdade
Desigualdade no Brasil- o nó da terra
• Os problemas das grandes metrópoles
brasileiras estão associados à má distribuição da terra rural.
• Dificuldades de acesso à terra nas áreas urbanas.
(mais cruel que a auto-construção é fazê-la sem
assistência técnica e em um terreno sem as mínimas “facilidades” urbanas)
Transferência da terra pública para uso
privado no Brasil
• Censo agropecuário realizado em 1920: a soma das áreas rurais privadas correspondia a pouco mais de 20% do território nacional.
• Transferência da terra pública para uso privado ocurreu nos últimos cem anos.
Gestão da terra pública
• Mão de obra escrava em um contexto de fácil acesso à terra
• Controle do acesso à terra, em um contexto de trabalho assalariado
• Escravos libertos + migrantes--- industrialização (muitos querendo trabalhar- contexto para baixos salários)
2- Boas e más notícias sobre
a desigualdade no Brasil
• Má notícia: a desigualdade no Brasil se encontra entre as dez mais altas do mundo;
• Boas notícias: Desde o ano 2000, a pobreza e a desigualdade diminuíram
( Diminuiu também na China e Índia. Aumentou nos países centrais) Índice Gini mundial: 0,54 en 2009
Brasil 0,6...2000
0,54....2009 0,519...2012
Riscos
• a desigualdade de renda diminui mais lentamente que a pobreza;
• a redução da desigualdade da riqueza, do acesso aos meios de produção e à tomada de decisões é mais difícil;
• o índice Gini nas zonas rurais mostra o aumento da concentração de terra no Brasil
Boas notícias sobre a desigualdade no Brasil
continuação
• Aumento do salário mínimo, programas de micro-crédito e programas sociais de
transferencia de renda, entre outras
medidas, levaram a um forte aumento do poder aquisitivo dos mais pobres. Crescimento dos negócios. Grandes obras de infraestrutura. • Diminuição da mortalidad infantil - 62% en 20 anos
(de 52 a cada 1000 nacidos en 1990 para 20 a cada 1000, en 2010) Número médio de filhos por mulher = 1,9 (2010)
As más notícias sobre a desigualdade no Brasil-
continuação
• Todavia há muita pobreza :
A Pesquisa sobre Orçamentos Familiares 2008-2009 indica a existencia de 19.9 milhões de pessoas que são consideradas pobres no Brasil, de acordo com os conceitos utilizados na pesquisa.
Na mesma pesquisa, 35,5% das familias se
queixavam de alimentação insuficiente, ocasional ou frequente.
O salário mensal dos dez milhões de mais baixos ingressos (10% dos que trabalham) é de R$ 140,00
Riscos
• Expansão do mercado: novas oportunidades de negócios, mas também crescente pressão sobre os recursos naturais
• País partido, cidades partidas (formal e informal)
“Enquanto metade da humanidade não come, a outra metade não dorme, com medo dos que não comem”. (Josué de Castro)
• O medo do medo
• O grande capital põe em perigo as estruturas e organizações comunitárias.
3 – Trabalho e salário- alguns elementos da
transformação social no Brasil
• Elevação do salário mínimo (US$ 80 em 2002 para US$ 310 em 2012)
• Micro-crédito
• Programas sociais de transferência de renda • Grandes inversões públicas
Transformações do trabalho e dos salários
• Queda do desemprego
• 21 milhões de vagas de trabalho criadas desde 2000 (2,1 milhões por ano)
• Melhor formação básica do trabalhador (en 2009, 43% dos que trabalhavam com salário básico tinham mais que 9 anos de estudos. Eram 23% em 1999)
Diferença média anual das ocupações (segundo faixa de salários) Fonte: Pochmann
Riscos e desafios
• 95% dos novos postos de trabalho com salário de até 1,5 SM;
• Reduzir as desigualdades, incluindo o acesso à terra e à riqueza (terra, meios de produção etc.) e o acesso aos mecanismos de tomada de decisão;
• Manter e ampliar o acceso à educação e saúde
• AUMENTAR AS OPORTUNIDADES PARA A PRODUÇÃO (Não somente o consumo)
Possibilidades para negócios
– Crescente mercado de consumo – Redução gradual dos juros
– Melhoria da formação dos trabalhadores – Oportunidades associadas às demandas de
• Infraestruturas (energia, portos) • Recuperação das infraestruturas • Negócios para idosos
• Tecnologia social
• Tecnologias de baixo impacto ambiental
4- Pontos de vista sobre a sustentabilidade
Catástrofe inevitável ou utopia?
• os pontos de vista extremos e simplistas:
- a incapacidade de freiar o desejo de consumo em uma estrutura capitalista que se esmera em criar e ampliar ”necessidades” (a visão pessimista);
- o planeta já produz o necessário para que todos seus habitantes possam viver com dignidade. Só temos que distribuir (a visão otimista)
• Simplificação dos enfrentamentos entre as agendas
verde e marrom
a necessidade
A visão catastrófica
• Consumo nos patamares atuais já ultrapassa a
capacidade de reposição natural (a pegada ecológica- wwf)
• Anseio justo de ampliação do consumo (África, China e Índia)
• O anseio de consumo de carne na China e o desmatamento da Amazônia
Lógica da visão catastrófica
• A população continua a crescer e cresce a
expectativa de consumo, de ricos e pobres. Na estrutura capitalista, não é possível conter o afã de consumo.
• A partir de um certo patamar, os
desequilíbrios do ambiente natural, que já estão sendo provocados, não têm volta.
A visão otimista (simplista?)
• Há trabalho. Há recursos para todos. • É só distribuir.
• A democracia do trabalho estável e formal pode
ser associada à democracia do direito ao consumo. Todos podem trabalhar se todos trabalharem
menos, ou seja, se for acordado uma redistribuição do consumo.
A arca de Noé para todos
Para enfrentamento dos desafios dos nossos tempos, há uma lógica perigosa, que parte do pressuposto de que não haverá salvação para todos. (Harvey) Quem serão os eleitos?
Sustentabilidade é a busca da solução para todos (Raquel Rolnik)
Contraponto à lógica de salvação para alguns
“Em sua parábola da ‘Ética do Bote Salva Vidas’, o ecólogo Garret Hardin simulava uma situação futura, segundo ele previsível, em que dado o crescimento incontrolável de população, a nave-terra deveria escolher a quem reservar os poucos lugares disponíveis nos botes salva-vidas. Hardin, numa perspectiva claramente social-darwinista, sustenta que seria lógico reservá-los àqueles, na humanidade, que mais tenham acumulado tecnologia e civilização...” Acselrad, 2009
Serão distintos os conflitos de interesse dos países ricos e em desenvolvimento?
• os desafíos da mobilidade nas metrópoles.
• se o modelo de mobilidade com o automóvel
particular fosse bom, deveria ser viável para todos. Porém, não há espaço. Quem pode utilizar
o automóvel? EU!!!!!
• Mobilidade em Paris: elevado uso do automóvel- tendência ao crescimento
5- O conflito de interesses e a gestão de conflitos Tripé ampliado
• Econômico • Social
• Ambiental
• Institucional ( gestão de conflitos?) (Ignacy Sachs)
Imágenes sacadas del trabajo “El paisaje entre los procesos naturales y la ocupación humana: el caso del Jardim Jaqueline” de Tatiana Zamoner Geraldo, Mestranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Arquiteta da Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Imágenes sacadas del trabajo “El paisaje entre los procesos naturales y la ocupación humana: el caso del Jardim Jaqueline” de Tatiana Zamoner Geraldo, Mestranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Imágenes sacadas del trabajo “El paisaje entre los procesos naturales y la ocupación humana: el caso del Jardim Jaqueline” de Tatiana Zamoner Geraldo, Mestranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Propuesta Urbanística
Imágenes sacadas del trabajo “El paisaje entre los procesos naturales y la ocupación humana: el caso del Jardim Jaqueline” de Tatiana Zamoner Geraldo, Mestranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Arquiteta da Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Imágenes sacadas del trabajo “El paisaje entre los procesos naturales y la ocupación humana: el caso del Jardim Jaqueline” de Tatiana Zamoner Geraldo, Mestranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
Arquiteta da Defensoria Pública do Estado de São Paulo
¡No tire la basura! ¡Peligro de linchaiento!
Imágenes sacadas del trabajo “El paisaje entre los procesos naturales y la ocupación humana: el caso del Jardim Jaqueline” de Tatiana Zamoner Geraldo, Mestranda pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo
6- Desafios para a sustentabilidade
• Baseada no Estado
(a lógica do Estado de bem estar social)
• Baseada no mercado
(poluidor pagador, valoração dos serviços ambientais etc.)
• Com bases comunitárias
(respeito às diferenças, o direito dos grupos com pouco poder, a justiça sócioambiental, a economia solidária, a propriedade coletiva dos meios de produção e a participação efetiva na tomada de decisões)
A importância das ações de governo
• O risco atual : Estado a serviço do mercado (primo rico), em detrimento dos interesses comunitários
• Perspectiva: O respeito e poder de decisão para os interesses comunitários, sem deixar de lado os interesses do mercado.
• Um milhão de cisternas
• Um millhão de casas (programa minha casa minha vida)
As perspectivas em comparação
Poder público e ação do Estado pode inclinar-se para qualquer dos dois lados
• Ter • Comprar • Competir • Privado • Mérito • Automóvel • Compartir • Alugar • Cooperar • Coletivo • Esforço/progressão • Trem/Onibus
Alguns cuidados
• Necessário proteger e amparar o pequeno emprendedor com ajuda financiera, mas também com espaço para participar das decisões;
• A distribuição de renda é importante, mas não suficiente- importancia dos meios de produção e espaço institucional (gestão de conflitos);
• Grande desafio de estimular a cooperação e o compartilhamento em um contexto de estímulo ao individual.
A sustentabilidade como uma maneira de
gerar o respeito
• Entre as espécies, porque a humanidade não está só no planeta;
• Entre gerações - recordando também as gerações futuras;
• Entre as diferenças: idade, cultura, religião, situação econômica, genero e orientação sexual;
• Aos direitos de todos a uma vida digna.