• Nenhum resultado encontrado

Vista do A UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE HISTÓRIA | Acta Científica

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Vista do A UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DE HISTÓRIA | Acta Científica"

Copied!
12
0
0

Texto

(1)

DA

INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

COMO

RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO

DE HISTÓRIA

Dayana de Oliveira Formiga1 Haller Elinar Stach Shunemann2 Lorrayni dos Santos Souza3 Marcelo Broseguini4 Resumo: O presente ensaio tem por objetivo observar a eficácia da utilização de tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), dos quais utilizamos o vídeo, no processo de ensino-aprendizagem. Entendendo a realidade local e da temática dos povos indígenas no que tange a educação brasileira, utilizamos a plataforma digital 1 Mestre em História da Ciência pela USP. Docente do curso de Licenciatura em História do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e coordenadora institucional do PIBID/ CAPES/Unasp. E-mail: [email protected]

2 Doutor em Ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Docente do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e coordenador institucional do PIBID/CAPES/ Unasp. E-mail: [email protected]

3 Graduanda em História pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Bolsista do PIBID/CAPES. E-mail: [email protected]

4 Graduando em História pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Bolsista do PIBID/CAPES. E-mail: [email protected]

(2)

36

de indexação de vídeos on-line Youtube, que é, desde 2005, a maior referência em distribuição e armazenamento de vídeos do mundo. A utilização desse recurso foi observada na prática por conta das possibilidades criadas pelo Programa Institu-cional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). A escolha por esse recurso vem ao encontro da necessidade de suprir a demanda por um ensino mais envolvente e efetivo para os alunos no que se refere à temática indígena. Os povos indígenas do Brasil apresentam uma cultura de riqueza ímpar, plural e envolvente que, nos mais bem ilustrados e detalhados livros didáticos, não pode ser abordada de manei-ra satisfatória. Diante disso, os vídeos, quer de fontes particulares amadomanei-ras ou de natureza institucional, se mostram úteis ao concatenar conteúdo histórico, áudio, imagem e efeitos especiais, e se tornam um recurso eficiente em sala de aula. Evi-dente que, em se tratando de recursos didáticos, a lista é diversa, tanto de estilo quanto de quantidade e qualidade, permitindo ao professor, que abre mão de tais recursos, tornar a sua aula em um momento diversificado e interativo. As novas tecnologias, aliadas às práticas pedagógicas, são particularmente importantes para o ensino de história, pois tal disciplina é comumente entendida como antiquada e sem relação com o presente. Portanto, compete ao professor a importante missão de aproveitar-se ao máximo destes novos recursos didáticos, a fim de que a temática seja transferida aos discentes de modo a desenvolver neles o aprimoramento de suas habilidades cognitivas e o interesse frequente e crescente pelo conhecimento. Palavras-chave: Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs); Youtube; Ensino de História; Recursos Didáticos.

THE UTILIZATION OF

INFORMATION AND

COMMUNICATION

TECHNOLOGIES AS A

DIDACTIC RESOURCE IN HISTORY

TEACHING

Abstract: This paper aims to observe the effectiveness of the use of information and communication technologies (ICTs), of which we use video in the teaching-learning process. Understanding the local and the thematic reality of the

(3)

37

indigenous peoples with regard to Brazilian education we use the online video indexing platform YouTube, which since 2005 has been the biggest reference in distribution and storage of videos in the world. The use of this resource was observed in practice due to the possibilities created by the Institutional Scholarship Program for Initiation to Teaching (PIBID). The choice of this resource meets the need to supply the quest for a more engaging and effective teaching for the students regarding the indigenous theme. The indigenous peoples of Brazil present a unique, diverse and engaging cultural richness that the best illustrated and detailed textbooks can not address it enough. Thus, videos, so abundant on Youtube, whether from private amateur sources or of an institutional nature, prove useful in concatenating historical content, audio, image and special effects and become an efficient resource in the classroom. It is evident that in the case of teaching resources the list is diverse, both in style and quantity and quality, allowing the teacher who gives up those resources to make his class a diversified and interactive time. The new technologies allied to pedagogical practices are particularly important for history teaching, since such class is commonly understood as antiquated and unrelated to the present. Therefore, it is the teacher’s important mission to make the most of these new teaching resources, so that the class is transferred to the students in order to develop in them the improvement of their cognitive abilities and the frequent and growing interest in knowledge. Key-words: Information and Communication Technologies (ICTs); Youtube; History Teaching; Teaching Resources.

Introdução

Educação, em qualquer nação comprometida com ideais de liberdade e estado de direito democrático é, ou pelo menos deveria ser, um ponto essencial. Cidadãos conscientes de si e dos outros, quantos aos direitos e deveres, pautados pela liberdade de ir e vir, de pensar e se expressar, capazes de decidir por si pró-prios e escolher viver no máximo de suas potencialidades sem abusar de seus direitos e oprimir os direitos de outrem, ou seja, cidadãos no sentido pleno da palavra, só podem ser lapidados dessa forma por meio da educação.

Logo, os fatos têm evidenciado isso, por exemplo, nas nações, com sóli-dos planos educacionais, que apresentam uma clara relação entre investimentos consistentes na educação e valores sociais, desde os mais simples como não jogar lixo no chão — algo sobrenatural para a massa brasileira — até mais complexos

(4)

38

e evidentes como cidades que adotam ruas sem sinalização, pois cada cidadão está apto a decidir o que fazer sem prejuízo do outro.

Diante das possibilidades que a educação tem a oferecer — para uma nação em termos de cidadania —, rapidamente ela foi conduzida, exclusivamente, para o espectro político. Se por um lado tal jurisdição garante investimentos e avan-ços constantes — num cenário ideal —, por outro fica refém das eventuais crises e ideologias políticas. E é exatamente o que se observou no Brasil ao longo do século 20, onde a forma governamental vigente alterou drasticamente o modus operandi em sala de aula. Foi assim na primeira república, foi assim na ditadura militar — ou regime, como preferir — e foi assim na república nova. E está sendo assim nos primeiros 17 anos do século 21 que, apesar de não apresentar ruptu-ras ideológicas-governamentais gritantes, como no processo ditadura/república, ocorreram perceptíveis alterações nas estruturas e modus da educação brasileira.

As grandes mudanças políticas e econômicas ocorridas no final do século 20 causaram muita perplexidade entre professores e estudantes de História em geral, criando, em certos círculos, atitudes de ceticismo com relação ao próprio conhecimento histórico, o valor do ensino de História nas escolas e seu potencial transformador (KARNAL. 2010, p.17).

Por outro lado, independente das tendências políticas e econômicas, existem as mudanças tecnológicas em todas as esferas humanas, tanto em áreas médicas quanto nas de entretenimento. A Popularização de meios de entretenimento de alta tecnologia habituou o mais simplório brasileiro a uma época marcada pelas TV’s de Led 3D, Smarthphones de “memória infinita” e Wikipédia na ponta do dedo a qualquer minuto e em qualquer lugar. Embalagens monocromáticas e propagandas baseadas em diálogos de um minuto deram lugar a slogans e mascotes interativos, “esquetes” impactantes de apenas cinco segundos. Os tempos são outros. A

socie-dade consome e é alcançada de outras formas. É, em qualquer cenário, impensável acreditar que seja possível alcançar um aluno do século 21 da mesma maneira que se alcançava um aluno do século 20 — se é que ele foi “alcançado”.

Entendendo as demandas do tempo atual, há de se repensar estratégias para esta geração, e o primeiro passo para tal não é demonizar os meios tradicionais. Os velhos quadro-negro, giz e professor discursista ainda têm muito a oferecer.

Diante da difusão das novas tecnologias globais, questiona-se e até duvida-se da eficácia educacional dos livros (considerados, com frequência, um meio de comunicação desinteressante e obsoleto), da utilidade dos professores como agentes de ensino (tidos como comunicadores inábeis e incompetentes) e das

(5)

39

propostas curriculares ligadas às realidades nacional e local (vistas como ina-dequadas e ultrapassadas) (KARNAL, 2010, p.17).

Qual nossa proposta, portanto? Primeiro, trabalhar o material humano, e aqui o papel central pertence ao professor. Aspectos, como formação continuada, precisam, urgentemente, ser abordados e intensamente estimulados. O professor precisa se atualizar, tanto no que se refere aos conteúdos, quanto às novas tecno-logias e pedagogias atuais. Segundo, entender as possibilidades que a escola, no âmbito local, dispõe. Não é possível, por exemplo, planejar aulas de fomento à pesquisa em ambientes sem internet ou biblioteca básica, ou ainda elaborar algo que demande engajamento financeiro em regiões de comunidades carentes. É, portanto, a partir das possibilidades estruturais — tendo em vista que as intelec-tuais da capacitação do professor já foram supridas — que se elabora práticas em sala de aula. E, por último, agregar nas aulas os recursos tecnológicos disponíveis que vão ao encontro das necessidades existentes.

Percebendo tal realidade, nossa proposta básica para a abordagem da temáti-ca indígena em sala de aula tem por recurso complementar a utilização de vídeos particulares amadores e institucionais disponíveis na plataforma digital do Youtube.

As TICs como recursos didáticos

Essa proposta de artigo surgiu do contato com teóricos contemporâneos que têm enxergado a introdução dos novos enfoques historiográficos e recursos tec-nológicos em sala de aula como uma ferramenta mais eficiente do que apenas os métodos tradicionais. Segundo Flores (apud BISPO; BARROS, 2016, p. 858):

Com o passar do tempo, a História enquanto disciplina conseguiu novos es-paços que possibilitou ampliar o campo da produção historiográfica e, tar-diamente, o ensino de História. As novas fontes apresentadas à comunidade podem ser remetidas à explosão documental da década de 1960, à terceira ge-ração da Escola dos Annales e, consequentemente, da Nova História Cultural, contribuindo com a inserção de novos olhares e discussões que ampliaram o interesse pela História Cultural e os seus saberes.

Entre os novos objetos, fontes e metodologias destacam-se as análises centra-das nos cidadãos comuns que passaram a ser valorizacentra-das como testemunhas de seu passado e dos grupos sociais ao quais faziam parte, como atores sociais e agentes históricos que podiam e deviam contribuir com a historiografia, por se verem mais próximos daquilo que era sendo narrado ou ensinado. Entretanto, no ensino de História, essa reflexão só veio a acontecer entre as décadas de 1980 e 1990, a partir do anseio por uma renovação da disciplina escolar.

(6)

40

As mudanças historiográficas foram, aos poucos, adentrando as salas de aula e hoje são incentivadas em cada curso de formação docente existente no país. E se a “nova” historiografia foi adentrando lentamente os muros escolares — na prática, ela ainda observa os muros ao longe —, os avanços tecnológicos já estão aí e quando não são levados ou aproveitados pelo professor, o são pe-los alunos que, mesmo inconscientemente — e inevitavelmente, por conta da facilidade —, já se utilizam de recursos tecnológicos. Isso ocorre, por exemplo, quando um estudantes efetua sua pesquisa para o trabalho de casa na Wiki-pédia ao invés de ir à biblioteca municipal. Esses alunos — os nativos digitais (PRENSKY, 2001) — possuem uma ligação quase que visceral em muitos casos e têm introduzido, como parte intrínseca de suas atividades acadêmicas ou de lazer, os aparatos e mecanismos tecnológicos atuais.

Analisando tal panorama, entendemos que a proposta de Karnal (2010), ao buscar uma história prazerosa e consequente, pode ser alcançada na medida em que o professor consiga introduzir elementos comuns aos alunos — smart-phones, tabletes, computadores, cinema — no processo de aprendizagem. Dessa maneira, captar o interesse e o engajamento dos alunos se tornará mais fácil e, consequentemente, o aprendizado mais completo. O que também pode solucio-nar uma das grandes questões que o ensino de história encara atualmente, que é estar associado a coisas antigas sem aplicação alguma a atualidade (KARNAL, 2010).

Partindo dos artefatos tecnológicos atuais, não há como negar a relevância dos recursos midiáticos para a construção do aprendizado, bem como o desenvolvimento — e porque não aperfeiçoamento? — de habilidades que os alunos previamente possuem. A sala de aula deve ser o lugar de ressignificações. Sob essas perspectivas, o vídeo “didático” pode contribuir para esse crescimen-to educacional. Segundo Silva e Oliveira (2010, p.1 e 2):

O uso dos recursos midiáticos, em especial o vídeo, inegavelmente, possi-bilita o despertar da criatividade a medida que, estimula a construção de aprendizados múltiplos, em consonância com a exploração da sensibilidade e das emoções dos alunos, além de contextualizar conteúdos variados. A par-tir desse conjunto de possibilidades, o educador pode conduzir o educando a aprendizados significativos que fomentem princípios de cidadania e ética.

Os nativos digitais estão frequentemente ligados àquilo que os faz estarem em conexão com o outro e com os objetos, as coisas. Os vídeos, bem como os fil-mes, que mexem com nossos sentidos — pois vemos, ouvimos, sentimos e asso-ciamos — devem ser trabalhados em consonância ao conteúdo didático, como

(7)

41

ferramenta de apoio ao professor que entende as necessidades desta geração que não se contenta apenas com o livro didático e aulas meramente expositivas.

O mundo caminha para a era do domínio de novas tecnologias, novas mídias surgem a cada dia, e sob este contexto o ensino deve também sofrer avanços, adaptar-se as novas linguagens e formas de conhecimento, assim como se tornar mais atraente, dinâmico e que facilite o processo da aprendizagem dos educandos, sob este aspecto, novas mídias educacionais ganham destaques, ou ainda mídias seculares ganham nova importância educacional, entre as quais está o cinema, que pode ser um poderoso instrumento de apoio magis-tério (ANACLETO; MICHEL; OTTO, 2007, p. 22).

De acordo com Carneiro (1997), o processo ensino-aprendizagem deve ter como complemento fundamental o uso do vídeo e da linguagem audiovisual para o aprimoramento das funções expressivas dos alunos, a fim de que eles executem sistematicamente o exercício de sua intelectualidade e de cidadania de forma crítica e criativa dentro da sociedade recheada pelo uso intensivo dos meios de comunicação em que vivem. A escola, o professor e o ensino de histó-ria devem ser atores relevantes nesse cenário de evolução educacional.

Logo percebemos que se, de uma maneira geral, esse recurso das TICs vem ao encontro dessas necessidades comuns do ensino, vai muito mais na aborda-gem da história e “culturas” dos povos indígenas. Esses povos, apesar de não serem exclusividade das terras tupiniquins, encontram aqui, sem sobra de dú-vidas, uma de suas manifestações mais ricas, plurais e complexas, não somente nos aspectos linguísticos. Na verdade, vai para muito além disso. Como Melatti (2007, p. 75) nos revela:

Não apenas as línguas fazem a diferenças entre as sociedades indígenas, mas também seus costumes, suas instituições, suas visões de mundo, seus ritos, seus cânticos, suas danças, seus artefatos, suas relações com o ambiente na-tural […] Cada sociedade tem suas peculiaridades, sua configuração própria é única.

Diante dessa diversidade, independentemente da utilização dos mais bem ilustrados e detalhados livros didáticos, mesmo que aliados aos mais versados, eloquentes e cativantes professores, a história e cultura indígena será apresen-tada de forma deficitária. E isso sem contar a limitação temporal do ano letivo que se torna outro complicador para uma abordagem minimamente satisfatória dessa temática. Assim, o panorama geral observado aqui deve, quase que natu-ralmente — se de fato, como professores de história cônscios de nossa função —,

(8)

42

ser conduzido para uma abordagem diferenciada, ou, no mínimo, complemen-tar à prática tradicional.

E é nessa perspectiva que o recurso audiovisual se apresenta como perti-nente, tendo em vista a sua capacidade de concatenar conteúdo histórico com áudio, imagem e efeitos especiais que serão capazes de, em menor tempo e com maior eficiência, abarcar muito mais detalhes da história e cultura indígenas no Brasil.

O uso das TICs no ensino de história indígena: uma aplicação

em sala de aula

A história e a cultura indígenas, ainda hoje, carregam consigo fortes in-fluências de seu colonizador, principalmente na questão do trato e do olhar so-bre esses povos. É necessário que exista uma reversão nos conceitos que formam a visão estereotipada do indígena, pois é a partir desse passo que a valorização dos povos de origem indígena ocorrerá de modo mais preciso, concedendo-lhes a devida importância.

Diante disso, decidimos então transmitir o conteúdo em dois blocos com dois períodos cada. Antes, porém, realizamos com todos os alunos da sala um questionário contendo questões de múltipla escolha e discursivas a fim de ter-mos uma visão mais ampla sobre qual a imagem geral do índio para a turma do sétimo ano, onde a idade dos alunos gira em torno de 12 a 14 anos.

O objetivo desse questionário era extrair o máximo da visão que cada aluno possuía do índio por meio de conhecimento prévio, por isso, a primeira parte do questionário se deu antes das aulas. Foi também dividido em duas par-tes. A primeira delas continha questões discursivas onde o estudante deveria descrever características dos índios; a segunda parte era composta por questões objetivas relacionadas aos conhecimentos gerais e de cidadania, com foco volta-do aos povos indígenas. Por exemplo: “em quais regiões vivem?”, “quais deuses adoram?” e “eles podem tirar carteira de identidade?”. Após esses dois momen-tos, seguimos com a organização das aulas.

Dentro do grande tema, que é “História e Cultura Indígena”, fizemos sub-divisões para facilitar o desenvolvimento das aulas. No primeiro bloco optamos por instigar os alunos a analisarem como os objetos, as vestimentas e até mes-mo as músicas foram se desenvolvendo e evoluindo de acordo com o passar dos anos. O fato de que as pessoas vão florescendo nessa sequência não faz com que cada um deixe de ser o que era antes, assim como os povos indígenas também não deixam de ser quem são pelo fato de estarem em contato com os avanços tecnológicos.

Como o projeto dessas aulas girou em torno da desmistificação de ideias que existem a respeito do povo indígena, como a quebra dos preconceitos

(9)

43

relacionados a eles, a seleção dos vídeos foi pensada de modo que os alunos seguissem uma sequência de evolução no estilo de vida das pessoas, chegando à reflexão de “por que o indígena deixa de ser indígena a partir do momento em que ele entra em contato com as inovações tecnológicas? ”.

Partindo desse pressuposto, o primeiro bloco de aulas iniciou-se com o vídeo “Evolution of Music”5, do grupo Pentatonix, onde a proposta tinha como

objetivo apontar a evolução da música, desde o século 11 d.C. até os dias atuais, século 21 d.C. Em seguida, foram utilizados os vídeos da página Gam do You-tube, conhecida por fazer produções de evolução curtas de aspectos do coti-diano humano. Para esse momento, os vídeos escolhidos foram “100 Years of Fashion: Gals vs. Guys”6, “100 Years of Fashion Lingerie”7, “100 Years of Toys”8

e “100 Years of Women’s Underwear”9, sempre induzindo à reflexão de que

ho-mem e mulher não deixam de ser o que são porque não vestem mais a mesma roupa, sapato, peças íntimas ou usam os mesmos brinquedos.

Depois das análises, a aula foi conduzida para a temática principal: a evo-lução da cultura indígena. Essa parte foi introduzida com o vídeo “Raízes do Brasil parte 1”10, que faz parte de um projeto realizado pela página

“Enraizan-do”, com o patrocínio do Município e Fundação Cultural de Joinville (SC), por meio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura. O objetivo é en-sinar, de maneira didática e ilustrativa, sobre as três matrizes compositoras da história e cultura do Brasil. O segundo vídeo conta sobre os portugueses e o terceiro, sobre os africanos. Contudo, para essa aula nos detivemos apenas ao primeiro, que explicava com detalhes apropriados para alunos do fundamental II — onde foi realizado o projeto — como os indígenas viviam aqui antes de qualquer contato com os europeus, suas diferenças, e, logo em seguida, como tudo mudou após a chegada dos portugueses. O material mostrou também a questão da exploração, da escravidão indígena e do etnocídio ocorrido nos pri-meiros três séculos de história do Brasil.

Depois de dialogar sobre o processo de colonização, a aula tomou um viés mais cultural, passando a ser discutida a questão dos mitos, rituais, e, por fim, a introdução dos povos indígenas no mundo da tecnologia. Para contextualiza-ção acerca dos mitos e rituais foram utilizados os vídeos “Nossos Índios Nossas 5 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/lExW80sXsHs>, no canal oficial do Pentatonix. 6 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/L3e8MvTntkE>, no canal oficial da Glam, Inc. 7 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/UKW5E2Gut7c>, no canal oficial da Glamour Magazine. 8 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/EDAPaEVr1Hk>, no canal oficial da Glam. Inc. 9 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/q6qdwiigvlg>, no canal oficial da Glamour Magazine. 10 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/cQkA5PDow2s>, no canal oficial da Enraizando.

(10)

44

Histórias”11, compartilhado pela página Levina Le, que conta o mito de como

surgiram as estrelas e alguns animais da floresta pelos Índios Bororós; e “Hugh o índio apache — A história do grande céu”12, publicado pela página Mothisroa.

Esse último traz também a história de como as estrelas foram criadas, segundo uma outra tribo. A comparação dos dois vídeos fez com que os alunos notassem o quão diversificados são os povos indígenas.

Para a conclusão desse primeiro bloco introduzimos o vídeo “Tecnologia Índios”13, publicado pela Rejane Negreiros. O vídeo foi feito em formato de

re-portagem especial para o “Dia do Índio”, realizada pelo Correio Espetacular, da Rede de TV Record/PB. Nele, os repórteres mostraram, através de imagens reais das tribos Potiraguas e Kariri-xocó, a influência da tecnologia na vida dos índios. Esse material trouxe a reflexão final de que, mesmo que essas e outras tribos utilizem celulares, computadores e outros meios tecnológicos, eles não deixam de ser quem são, pois, sua cultura não é, de modo algum, perdida.

Para o segundo bloco de aulas, a proposta foi elucidar as dúvidas que fo-ram encontradas através das respostas do questionário anterior às aulas. Ini-ciamos com “A lenda do Uirapuru”14, publicado por Armando M. Aguiar. Por

meio desse vídeo pode ser trabalhada novamente a questão dos mitos e também a ideia de religião para o indígena, pois, de acordo com a história, o índio Qua-raçá invocou o deus Tupã para que o livrasse da dor de não ter a sua amada. O deus Tupã, que se compadeceu da dor do índio, aproveitou-se do dom musical que ele possuía e o transformou em um lindo pássaro, dono de um canto mag-nífico.

Outro aspecto analisado foi a importância que o canto tem para os indí-genas. Quanto a isso, o vídeo escolhido foi o do Moacyr Silveira, em que ele traz imagens da tribo Kaiapó em diversos momentos do seu cotidiano em que a música se faz presente. O vídeo recebe o nome do canto “Kworo Kongo”.15

Para encerrar o projeto, o vídeo escolhido foi o do Rodrigo Leitão, “Índios do Xingu, tradição e cultura”16, no qual são apresentadas características

pecu-liares dos indígenas do alto Xingu. O interessante desse vídeo é que, além de haver a presença de índios mais velhos falando sobre a evolução da tribo, há cenas de confraternização entre turistas e índios. Trata-se de uma iniciativa de apresentar, durante um período específico do ano, a cultura desse povo na 11 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/64MISgBIr9A>, canal oficial da Levina Le.

12 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/4wt-M46PFq8>, canal oficial do Mothisroa. 13 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/CRjeVH7tlU4>, canal oficial de Rejane Negreiros. 14 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/QUY8eP1mj4E>, canal oficial de Armando M. Aguiar. 15 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/TQNMkjnjq-w>, canal oficial de Moacir Silveira. 16 Vídeo disponível em: <https://youtu.be/YS2bqnM-4UE>, canal oficial de Rodrigo Leitão.

(11)

45

Aldeia da Toca, uma réplica do habitat natural deles, os indígenas. No encontro é possível notar a carga de conhecimento que quem se propõe a entrar em con-tato com eles — os índios —, recebe. Trata também do uso de novas tecnologias dentro da aldeia, porém, valorizando as raízes indígenas que nunca devem ser perdidas.

Considerações finais

Utilizar-se de novos recursos é sempre um grande desafio para o profes-sor que, por muito tempo, esteve rodeado do tradicionalismo/positivismo. É notável, porém, a eficiência e as especificidades que a pedagogia tradicional possui em todos os estágios do ensino, contudo, assim como todos os aspectos da vida se desenvolvem, as novas tecnologias podem e devem ser implantadas no sistema de ensino, incrementando ainda mais a forma de ensinar. O s novos recursos didáticos permitem eficácia e intimidade maiores entre o pro-fessor, o aluno e o conhecimento proposto, pois aproxima as realidades num contato mais visual, conceitual e também procedimental. A utilização do ví-deo em sala de aula traz a realidade para o aluno, mesmo que o víví-deo seja uma animação. Ele vê e ouve associando, de maneira mais rápida, o conteúdo que é transmitido.Essa experiência também permite que o professor se apoie nas cenas expostas para trazer o conteúdo à realidade do próprio aluno, condu-zindo muitos momentos de reflexão e desenvolvimento da criticidade, um dos objetivos da história como disciplina.

No que se refere à história e à cultura de povos indígenas, por exemplo, as TICs se mostram tão pertinentes que tornam obrigatória sua utilização, tendo em vista as limitações existentes nos meios tradicionais em englobar e transmi-tir com eficiência essa temática em sala de aula.

Saber equilibrar a balança do tradicional e do novo é a grande missão, tanto da escola quanto do professor (talvez com uma dose a mais de responsa-bilidade no processo de ensinar). Ambos devem estar comprometidos com o objetivo central da educação básica: transmitir o conhecimento e despertar o ser humano crítico e analítico que todos têm a capacidade de obter.

Referências

ANACLETO, A.; MICHEL. S. A.; OTTO, J. Cinema e home vídeo entertaintnment: o mercado da magia e a magia do mercado. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO: GESTÃO ESTRATÉGIA DA ERA DO CONHECIMENTO,

(12)

46

2008, Ponta Grossa. Anais… Ponta Grossa: UEPG, 2008. Disponível em: <https://bit. ly/2jBDTAo>. Acesso em: 20 jul. 2017.

BISPO, L. M. C.; BARROS, K. C. Vídeos do youtube como recurso didático para o ensino de história. Atos de Pesquisa em Educação, Blumenau, v. 11, n. 3, p. 856-868, 2016. Disponível em: <https://bit.ly/2rqBfBu>. Acesso em: 20 set. 2017.

CARNEIRO, V. L. Q. O educativo como entretenimento na TV cultura: um estudo de caso do Castelo Ra-Tim-Bum. São Paulo, 1997. 198f. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.

MELATTI, J. C. Índios do Brasil. 1. ed. São Paulo: Edusp - Editora da Universidade de São Paulo, 2007.

KARNAL, L. (Org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. 6 ed. São Paulo: Contexto, 2010.

PRENSKY, M. Nativos digitais, imigrantes digitais. NCB University Press, v. 9, n. 5, 2001. Disponível em: <https://bit.ly/2ySL1ib>. Acesso em: 16 set. 2017.

SILVA, R. V.; OLIVEIRA, E. M. de. As possibilidades do uso do vídeo como recurso de aprendizagem em salas de aula do 5º ano. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO DE ALAGOAS, 2010, Maceió. Anais… Maceió: PPGE, 2010. Disponível em: <https://bit.ly/2rqbS2N>. Acesso em: 22 set. 2017.

Referências

Documentos relacionados