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Avenida Paulista: acessibilidade para deficientes e pessoas com

mobilidade reduzida em espaços de lazer e turismo

Paulista Avenue: accessibility for disabled and persons with reduced mobility in leisure and tourism

Patrícia Batista Silveira [email protected]

Orientador: Prof. Doutor José Guilherme de Almeida

RESUMO: O presente artigo aborda as possibilidades de atividades de lazer e turismo para deficientes numa área de atrativos culturais importantes da cidade de São Paulo, a Avenida Paulista. Apresenta leis, decretos e normas que permeiam as questões da acessibilidade e inclusão, traz um breve histórico sobre espaço urbano e lazer e a relação deste com o turismo na capital paulista. A respeito do logradouro analisado são apresentados um resumo histórico, a transformação de sua imagem como ícone paulistano, os órgãos públicos e entidades responsáveis por sua administração e conservação, levantamento dos atrativos turísticos e por fim faz-se a avaliação da acessibilidade em espaços de lazer e turismo e alguns equipamentos e serviços urbanos ao longo da Avenida.

PALAVRAS-CHAVE: acessibilidade; Avenida Paulista; deficientes; lazer; turismo.

ABSTRACT: This article discusses the possibilities for leisure activities and tourism for disabled people in an area of major cultural attractions of the city of Sao Paulo, Paulista Avenue. Presents laws, decrees and regulations that underlie the issues of accessibility and inclusion, provides a brief history of urban and leisure with the tourism in the state capital. About the public path analysis are presented a historical summary, the transformation of his image as an icon in Sao Paulo, government agencies and entities responsible for their management and conservation, survey of tourist attractions and finaly it is the assessment of accessibility in leisure spaces and some tourism and urban services and equipment along the Avenue.

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Introdução

A Avenida Paulista foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891.Tratava-se de uma área nobre onde residiam as famílias abastadas da época. Com o passar do tempo e a expansão do centro da cidade de São Paulo, a Avenida transformou-se em centro financeiro e, em seguida, pólo cultural. Fatores como sua expressão na economia e a existência de um vasto número de equipamentos de lazer e turismo, fez dela um dos referenciais turísticos para os paulistanos e visitantes da cidade.

Torná-la acessível é uma necessidade fundamental para incluir as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida nas atividades de lazer e turismo presentes no seu entorno. Neste sentido vale ressaltar que e Código de Ética do Turismo afirma que as atividades turísticas devem respeitar os particulares direitos de grupos mais vulneráveis, como os deficientes.

No ano de 2007 a Avenida sofreu uma reforma, onde se incluiu a instalação de piso podotátil e rampas de acesso, porém estas mudanças em infra-estrutura básica não parecem suficientes para tornar o perímetro acessível. Para tanto são necessárias adaptações em vários equipamentos e mobiliários urbanos, edificações, transportes e meios de comunicação, conforme especificações da Norma Brasileira 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 9050 da ABNT.

Segundo informações do Censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, cerca de 14,5 % dos brasileiros possui alguma deficiência, sendo que este é o último levantamento oficial existente. A falta de acessibilidade, além de não permitir o exercício pleno dos direitos que são constitucionalmente previstos, origina exclusão social e dificulta a dinamização do potencial mercadológico.

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Referencial teórico

2.1 O Espaço urbano e o lazer: um breve histórico

O espaço urbano, semelhante aos moldes atuais, tem suas origens atreladas a Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, visto que foram as unidades fabris as responsáveis pela alteração no modo de produção econômica e, seguidamente, a produção do espaço e apropriação cultural de seus habitantes.

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Toda área caracterizada por construções, arruamentos e intensa ocupação humana; as áreas afetadas por transformações decorrentes do desenvolvimento urbano, e aquelas reservadas à expansão urbana

De acordo com Lefebvre (1991) “o fenômeno urbano não se restringe à dimensão

física, mas articula fatores econômicos, culturais e sociais que se manifestam na forma da cidade”. Sobre o espaço urbano, Cavalcanti (2001) relata:

Colocar como meta compreender a cidade e explicar a produção do espaço urbano implica entender esse espaço como relacionado à sua forma, mas não se reduzindo a ela, à medida que ela expressa muito mais que uma simples localização e arranjo de lugares, expressa um modo de vida. Esse modo de vida não está ligado somente ao modo de produção econômica, embora sofra seu constrangimento, mas está ligado a todas as esferas da vida social, cultural, simbólica, psicológica, ambiental e educacional.

No Brasil, é em 1940 que se dinamiza o crescimento da urbanização, mas foi a partir de 1950 que a indústria impulsionou de fato o desenvolvimento urbano, quando o aço e os derivados do petróleo passaram a ser utilizados para a fabricação de bens de consumo que, até então, eram produtos de importação.

Ao final da década de 1950, onze montadoras de automóveis estavam instaladas no Brasil. Este crescimento industrial somado ao êxodo da população do campo para a cidade foram fatores determinantes para o crescimento dos espaços urbanos brasileiros.

Fausto (2004) aponta: “somente em 1980 a população brasileira passou a ser mais

urbana que rural, atingindo a marca de 51, 5 % da população”. Em consonância à

história mundial e nacional da industrialização e crescimento urbano, está a necessidade de algo que contraponha o tempo de trabalho, e é neste momento que as atividades de lazer e turismo ganham impulsão.

Na definição de Marcelino (2002), “o lazer é toda e qualquer ação humana na qual e

pela qual se consegue manter os objetivos e os valores idealizados e restritos ao próprio indivíduo que as vivencia ludicamente”. Assim sendo, Gomes (2002) define:

O lazer é concebido como uma dimensão da cultura constituída pela vivência lúdica de manifestações culturais no tempo/espaço conquistado pelo sujeito ou grupo social, estabelecendo relações dialéticas com as necessidades, os deveres e as obrigações – especialmente com o trabalho produtivo.

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Na sociedade industrial a dicotomia entre trabalho e lazer acentuou-se, dividindo o tempo entre horas de trabalho e horas de ócio, sendo que nesta sociedade o ócio é um resultado do descanso ganho pelo trabalho.

Acerca do lazer, Krippendorf (2000) pontua: “é considerado como um tempo de

repouso e consumo e a aposentadoria como salário de uma vida de trabalho.”

Com base nesta afirmação é possível dizer que o tempo livre obtido através do trabalho deu origem a um novo item de consumo: o lazer.

Seguindo o mesmo caminho das atividades de lazer está o turismo, sobre o qual Beni (1997) afirma: “é manifesta a correlação entre o desenvolvimento de hábitos

turísticos e uma forma de civilização industrial e tecnológica”, ou seja, bem como o

lazer, o turismo dialoga com o desenvolvimento industrial.

Retornando ao cenário brasileiro, o crescimento das práticas de lazer e turismo também estão intrínsecas ao desenvolvimento industrial. Deste modo, foi a partir das décadas de 1950 e 1960 que o país apresentou crescimento nestas atividades.

Sob o novo cenário urbano-industrial proliferaram locais como restaurantes, cinemas, teatros, hotéis, clubes de dança, parques, entre outros, que são os elementos que compõem o conjunto de estruturas urbanas que possibilitam a prática das atividades de lazer e turismo.

O crescimento das atividades econômicas, por conseqüência, alavancou as atividades comerciais, e para atender as necessidades de consumo da sociedade surgiram os grandes centros de comércio como supermercados e shopping centers.

2.2 A metrópole paulistana como espaço de lazer e turismo

Para compreender o que é a metrópole, se faz necessário conhecer o termo rede urbana, definida por Ross (2000) como: “a interação entre as funções exercidas

pelas diferentes cidades, sendo estas pequenas, médias e grandes.”

O mesmo autor afirma que as metrópoles, como centros de primeira grandeza, acabam exercendo o papel controlador dos fluxos de capitais, de mercadorias e de pessoas, tornando-se o centro polarizador por excelência. Deste modo é possível entender a metrópole como um conceito que explica a interconexão e interdependência das cidades.

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Segundo Beni (1997) “o turismo urbano está em franco desenvolvimento em

algumas cidades reconhecidas como atrativas, como Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York, Paris, Roma, Madri, Amsterdã, Tóquio, entre outras.”

Sobre a cidade de São Paulo, sua relevância enquanto metrópole e importância turística, Cruz (2000) relata:

São Paulo destaca-se no continente latino-americano como segunda cidade mais populosa (hoje com cerca de 11 milhões de habitantes) e, por outro lado, uma das economicamente mais dinâmicas. Tais características convergem para explicar a proeminência que tem no mercado do turismo nacional brasileiro bem como no mercado mundial de destinos turísticos.

O município de São Paulo possui 10.886.518 habitantes. Considerando a região metropolitana, ou seja, os 38 municípios que circundam a capital, a população chega a 19.726 milhões de habitantes, de acordo com a Pesquisa de amostra de domicílios – PNAD do IBGE.

De acordo com informações da São Paulo Turismo - SP Turis, de maio de 2010, São Paulo possui 410 hotéis, totalizando 42 mil apartamentos, 12,5 mil restaurantes com 52 tipos de cozinha, 15 mil bares, 160 teatros, 110 museus, 265 salas em 55 cinemas, 40 centros culturais, 54 parques e áreas verdes, 7 grandes casas de espetáculos, 6 estádios de futebol, 1 autódromo internacional, 77 shoppings e 59 ruas especializadas em comércio.Ela é também considerada a capital sul-americana de feiras de negócios e está entre os 15 principais destinos para eventos internacionais no mundo, ocupando a décima segunda posição.

Na cidade são realizados mais de 90 mil eventos por ano e abriga 75% das grandes feiras do Brasil. Recebe anualmente 11 milhões de visitantes.

Estes dados consolidam a posição de São Paulo enquanto metrópole e sua expressividade frente às atividades de lazer e turismo.

2.3 Deficientes e pessoas com mobilidade reduzida

Segundo o Censo de 2000 realizado pelo IBGE, cerca de 14,5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência.

Na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU foi definida através da resolução n 3.447, de 1975, que:

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“O termo deficiente designa qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em conseqüência de uma deficiência congênita ou não, em suas capacidades físicas, sensoriais ou mentais.

Através da NBR 9050, foi definido como pessoa com mobilidade reduzida “aquela

que tem limitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo. Entende-se por pessoa com mobilidade reduzida, a pessoa com deficiência, idosa, obesa, gestante, entre outros”.

Com base nestas duas definições, serão adotados, neste trabalho, os termos deficiente e pessoa com deficiência e pessoa com mobilidade reduzida, para definir a parcela da população estudada.

Segundo o Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana do Ministério das Cidades, as desvantagens geradas por deficiências podem ser divididas em quatro tipos: desvantagem ocupacional, quando a limitação na mobilidade cria situações que impedem ou dificultam a igualdade de acesso aos espaços ou cargos oferecidos; na orientação, quando o ambiente cria situações que impedem ou dificultam o acesso à informação ou orientação fundamental para a utilização do espaço com segurança e autonomia; na independência, quando a limitação dificulta ou impede o exercício de ações com liberdade e segurança; na mobilidade, que resume as demais desvantagens, pois reflete a situação em que não acontece a equiparação nas oportunidades entre todos os indivíduos que utilizam o espaço.

Em 2004 foi publicado o Decreto Federal nº. 5.296, que regulamentou as Leis nº. 10.048/2000 e nº. 10.098/2000, representando um importante fator na busca da produção de espaços acessíveis no Brasil. Neste decreto, foram definidos cinco grupos de pessoas com deficiência.

Quadro 01: Definições de deficiência:

Tipo Características

Física Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida.

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Auditiva Perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

Visual Cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores

Mental Funcionamento intelectual inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas.

Múltipla Associação de duas ou mais deficiências.

Fonte: Decreto Federal nº 5.296/04, art. 5º, Inciso I.

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A Acessibilidade

3.1 Leis, Decretos e Normais

A Lei Brasileira nº 10.098, de 19 de Dezembro de 2000, define acessibilidade como: “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.”

No Brasil há um vasto número de leis, decretos e normas que tratam de acessibilidade. Neste trabalho foi efetuada uma pesquisa e estudo destes documentos que podem ser verificados no anexo I.

3.2 Administração pública e acessibilidade

O Ministério das Cidades lançou, em 02 de junho de 2004, o Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana - Brasil Acessível, com o objetivo de despertar uma nova ótica sob o processo de construção das cidades, considerando o acesso universal ao espaço público como direito de todo cidadão.Neste programa, foram desenvolvidos seis cadernos, onde:

a-) No caderno 1 é tratado o atendimento adequado às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

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b-) No caderno 2 é focado a elaboração de projetos urbanísticos, mobiliário urbano e implementação de projetos e obras nos espaços públicos, edifícios de uso coletivo, sendo eles públicos ou privados.

c-) No caderno 3 é tratada a implementação do Decreto n 5.296/04, que regulamenta as Leis 10.048/00 e 10.098/00.

d-) No caderno 4 é tratada a implantação de políticas municipais de acessibilidade.

e-) No caderno 5 é observada a implantação de sistemas de transporte acessíveis.

f-) No caderno 6 é feita uma compilação de novas práticas ou já existentes nas administrações municipais, visando à construção de uma cidade acessível.

O Ministério das Cidades, através da Portaria nº 428, de 30 de Setembro de 2005, criou o Programa de Financiamento de Infra-estrutura para Mobilidade Urbana – PRÓ-MOB, com o objetivo de apoiar as intervenções que promovam a melhoria da mobilidade urbana através da implementação de projetos terminais e abrigos de ônibus, ciclovias, calçadas, reurbanização de áreas degradadas e obras de recuperação ou pavimentação de itinerários de ônibus que agregam os preceitos da acessibilidade universal, do apoio da circulação não-motorizada (pedestre e bicicleta) e da priorização dos modos de transporte coletivo.

No Estado de São Paulo, o órgão responsável pela acessibilidade e inclusão é a Secretária dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que criou o Plano Estadual de Direitos das Pessoas com Deficiência - PED - 2008-2010, afim de incluir todos os cidadãos, garantindo o acesso aos recursos, aos direitos, aos bens e aos serviços, assim como promover a igualdade de oportunidades de participação social.

Já no município de São Paulo, estão sob responsabilidade da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

O Município de São Paulo possui também a Comissão Permanente de Acessibilidade – CPA, órgão consultivo e deliberativo, composto de pessoas das diversas secretarias e órgão municipais, representações e entidades civis. Tem por objetivo promover ações conjuntas na busca da integração da sociedade, equiparação de oportunidades, acesso e uso autônomo e seguro das edificações, vias públicas, logradouros, mobiliário urbano e sistemas de transportes.

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Em 2010, a Prefeitura de São Paulo sancionou o Programa Censo-Inclusão, que sob coordenação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida tem por objetivo levantar os dados socioeconômicos da população com deficiência na cidade. Com base nos dados coletados, serão desenvolvidas e aprimoradas políticas públicas de inclusão.

3.3 Acessibilidade e turismo

O espaço urbano é artificial, é construído no meio antes natural e, em seguida manipulado numa teia de ações sociais, onde as relações entre os atores envolvidos nem sempre resultarão na aplicabilidade das soluções que visem os anseios da maioria (Pimentel, 1999).

O Código de Ética do Turismo, no artigo 2.2 descreve a atividade turística como instrumento de desenvolvimento individual e coletivo e determina que atividades turísticas, dentre outros, devem respeitar e promover os direitos humanos e, especialmente, os particulares direitos dos grupos mais vulneráveis, especificamente as crianças, os idosos, os deficientes, as minorias étnicas e os povos autóctones.

Ainda sobre esta questão a Constituição Federal de 1988 garante a acessibilidade às cidades, às edificações e transportes.Deste modo a inclusão de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida em atividades de lazer e turismo é um exercício pleno dos direitos que lhes são constitucionalmente previstos.

Em 2006 o Ministério do Turismo (MTur) criou o Manual de orientações sobre turismo e acessibilidade, afim de servir de instrumento orientador, apresentando critérios, parâmetros, recomendações e informações para o exercício da cidadania aos que desejem usufruir dos benefícios da atividade turística. Nele é relatado:

No que concerne ao turismo em relação a esses grupos populacionais é que, atualmente, não existem condições de acessibilidade condizentes. Projetar a igualdade social pressupõe garantir a acessibilidade a todos, independentemente das diferenças, e entender a diversidade como regra e não com exceção. Nessa reflexão, surge um novo paradigma, em que esses valores agregados conduzem a acessibilidade a uma cultura na qual as necessidades das pessoas com deficiência e com restrição de mobilidade assumem um caráter estratégico de ação efetiva do Estado. Nesse caso, é responsabilidade do MTur promover a acessibilidade e tratar o assunto em função da abrangência do setor que engloba prestação de serviços, equipamentos e atividades turísticas, e outras áreas, direta e indiretamente.

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O Ministério do Turismo também desenvolveu, no ano de 2009, a cartilha Turismo Acessível: Introdução a uma Viagem de Inclusão, que traz aspectos conceituais do turismo e deficiência e as bases para o desenvolvimento do turismo acessível. Neste material é definido turismo acessível como a possibilidade e condição do portador de deficiência alcançar e utilizar, com segurança e autonomia, edificações e equipamentos de interesse turístico.

Em setembro de 2009, foi realizado em São Paulo a segunda edição do Seminário Brasileiro de Turismo Adaptado, dentro da programação da maior feira de esportes da cidade, a Adventure Sports Fair e em abril de 2010 em São Paulo, ocorreu a quarta edição da REATECH – Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, onde também o turismo é um dos temas.

Com estas iniciativas é possível perceber que o turismo não está alheio a questão da acessilidade e que ações estão sendo tomadas, embora ainda não na proporção necessária.

4 A Avenida Paulista

4.1 Breve Histórico

A Avenida Paulista reflete em sua história o apogeu econômico da cidade de São Paulo no período de surgimento das primeiras indústrias paulistas e do desenvolvimento da cultura cafeeira. Nesta época, foi o endereço de ricos fazendeiros de café, expoentes comerciantes e chefes das indústrias, que construiram nela seus imensos casarões.

Foi idealizada pelo engenheiro agrônomo uruguaio Joaquim Eugênio de Lima e inspirada nos boulevardes franceses. No ano de 1900, a Avenida ganhou seu primeiro bonde e rede elétrica. No ano de 1908, recebeu o primeiro calçamento e, em 1909, tornou-se a primeira via pública asfaltada do Estado de São Paulo.

Com esta infra-estrutura pública, a Avenida deixou de ser um endereço de veraneio e passou a ser ocupada como endereço fixo. Estes nobres moradores permaneceram em ascensão até 1929, quando a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, desestruturou a estabilidade econômica de diversos indivíduos, e na região da Paulista, seus moradores tiveram que vender seus casarões.

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Observando a ótima localização e aproveitando a promulgação da lei que autorizou a construção de edifícios, investidores compraram os casarões, que seriam substituidos por prédios, dando inicio ao processo de verticalização da Avenida.

Em 1952 é aprovada uma lei que permite a construção de edifícios hospitalares e educacionais, cinemas, teatros e orgãos de imprensa. Uma década depois, esta lei foi estendida ao comércio, e a partir daí surgiram os conjuntos comerciais, galerias e uma série de lojas e estabelecimentos de serviços, dando à Avenida Paulista o formato de centro comercial, cultural e de lazer.

No ano de 1990, uma campanha realizada pela Rede Globo de Televisão e pelo Banco Itaú, elegeu a Avenida Paulista como símbolo da cidade de São Paulo.

4.2 A Avenida Paulista como ícone paulistano

Segundo Shibaki (2007), “a Avenida Paulista é considerada um dos maiores ícones

de São Paulo, pois simboliza uma metrópole que se transformou significamente dentro de um contexto de expansão urbana único”.

Para Borde (2003), “um ícone urbano e arquitetônico pode ser definido como um

artefato, um objeto, uma organização espacial, que possui um caráter sintetizador de uma série de forças sociais, culturais, políticas, econômicas”

Com base nesta afirmação, é inegável a representatividade da Avenida Paulista para a cidade de São Paulo, visto que ela parece sintetizar as transformações, momentos e acontecimentos da metrópole.

A Avenida Paulista é um desses ícones que, possuindo, dentre outras dimensões, marcante simbologia, foi, desde sua criação e ao longo de contínuos processos de transformação, superando outros ícones da metrópole que, por diversos motivos, tornaram-se ultrapassados ou foram substítuidos. Assim percebemos sua importância para os moradores de São Paulo, mas também de outros lugares, praticamente desde sua criação(...) (Shibaki, 2008).

Atualmente a Avenida Paulista abriga importantes equipamentos culturais como o Museu de Artes de São Paulo – MASP, o Espaço Cultural Haroldo Campos, conhecido como Casa das Rosas e diversos cinemas e centros culturais mantidos por empresas privadas como por exemplo instituições financeiras.

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Por sua extensão e relevância financeiro-cultural a Avenida recebeu três estações de metrô: Brigadeiro, Trianon MASP e Consolação e em maio de 2010, na Rua da Consolação, uma travessa da Avenida, foi inaugurada a estação Paulista.

A SP Turis, em sua publicação “São Paulo – Fique + 1 dia”, de maio de 2006, traz a Paulista como um dos locais imperdíveis da cidade:

“As novidades em filmes e espetáculo de São Paulo costumam chegar antes aos pólos culturais da Avenida Paulista, que ficam entre casarões centenários e modernos arranha-céus. As mil opções estão sempre à disposição, mas o público muda conforme o dia. Durante a semana, os engravatados regem o clima de corre corre, mas nos fins de semana a imagem é outra: paulistanos e turistas passeiam tranquilos em estilo casual.”

4.3 A administração e a conservação da Avenida Paulista

A Avenida Paulista ao longo de sua extensão localiza-se nos bairros Paraíso, Bela Vista, Cerqueira César e Consolação, e sua administração é feita por três Subprefeituras: Sé (lado par), Pinheiros e Vila Mariana (lado impar).

Em função desta estrutura administrativa que dificultava a atuação das Subprefeituras, o então Secretário Municipal de Coordenação das Subprefeituras Andréa Matarazzo criou, no ano de 2003, a Comissão de “Gerência da Avenida Paulista”, que tem como funções uniformizar os procedimentos administrativos e fiscalizações promovidas pelas três Subprefeituras no logradouro.

Esta comissão é constituída por representantes da Assessoria Especial do Gabinete da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, da Assessoria Técnica de Obras e Serviços da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras e da Supervisão Geral de Uso e Ocupação do Solo da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, sendo um deles é responsável pela comissão, denominado “Gerente da Avenida Paulista”.

Além das Subprefeituras e Gerência, em 1980, foi criada a Associação Paulista Viva com o objetivo de preservar a Avenida e zelar pela qualidade de vida dos que ali residem e transitam. No ano de 2003 a Associação foi certificada pelo Ministério da Justiça como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

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4.4 Equipamentos de lazer e turismo na Avenida Paulista

Para Shibaki (2007), através da estrutura existente na Paulista nota-se que umas das forças que a mantém como ícone, é o sólido apelo cultural que foi conquistando e se consolidando com o tempo, através dos locais que nela se instalaram.

Para análise e compreensão dos espaços de lazer e turismo existentes na Avenida, foram realizadas pesquisas de materiais promocionais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, da SP Turis e da Associação Paulista Viva, além de pesquisas de campo, para conhecer os locais e efetuar o levantamento de seus endereços.

A Avenida Paulista abriga também a “Feira de Antiguidades do Vão Livre do MASP” aos domingos, a “Feira de Arte e Artesanato do Trianon” aos sábados, a “Parada do Orgulho Gay” evento anual, o “Reveillon na Paulista” festa que traz à Avenida diversas atrações musicais, e por fim o “Roteiro da Luz”, que também faz parte dos atrativos da Cidade, onde diversos prédios são decorados com motivos natalinos.

Quadro 02: Equipamentos de Lazer e Turismo na Avenida Paulista:

Tipo Nome Número da Avenida Paulista:

Casa das Rosas 37

SESC Avenida Paulista 119

Itaú Cultural 149

Centros Centro Cultural Santa Catarina 200

Culturais Espaço Cultural Citi 1111

Centro Cultural FIESP 1313

Espaço Cultural Banco do Brasil 1804

Caixa Cultural 2083

Instituto Cervantes 2439

Espaço Cultural Conjunto Nacional 2073

Livrarias FNAC 901

Livraria Cultura 2073

Parques Parque Trianon Sem número

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Top Center 854

Centros de Boulevard Monti Mare 392

Compras Center 3 2064

Shopping Veneza 486

Gemini 807

Cinema Reserva Cultural 900

Cine Bristol 2064

Cine Bombril 2073

Museu MASP 1578

Hospital Santa Catarina 200

Prédios Escola Rodrigues Alves 227

Históricos Casarão da Vila Fortunata 1919

Conjunto Nacional 2073

Igreja São Luiz Gonzaga 2378

Teatro do SESC 119

Teatros Teatro Gazeta 900

Teatro Popular do Sesi 1313

Teatro Eva Herz 2073

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Avenida Paulista: acessibilidade e inclusão

Frente ao expressivo número de equipamentos de lazer e turismo, levanta-se uma questão fundamental: uma Avenida que é considerada um dos símbolos paulistanos, por onde circulam cerca de quatro mil e duzentos veículos por hora e cerca de um milhão e quinheiros mil pessoas por dia, está preparada para receber pessoas com deficiência e mobilidade reduzida?

A Avenida, em 2007, passou por uma reforma em seu calçamento e, em substituição ao mosaico português projetado por Rosa Kliass, datado da década de 1970, recebeu uma nova calçada, feita de placas de concreto armado. Nesta reforma foi adotado o conceito de acessibilidade e a prefeitura da cidade de São Paulo intitulou a Avenida Paulista como “Primeira Avenida Acessível da América Latina”.

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O concreto armado reduziu os desníveis e buracos que existiam no mosaico português, e o calçamento recebeu também faixas de piso podotátil de alerta e direcionamento, para facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual.

Nos locais de travessia de pedestres foram colocadas cento e vinte guias rebaixadas em concreto pré-fabricado que atendem as especificações técnicas da NBR 9050. As bancas de jornais e pontos de ônibus também foram reposicionadas de modo a não atrapalhar a circulação dos deficientes e pessoas com mobilidade reduzida, assim como lixeiras, floreiras e gradis foram instalados em pontos estratégicos do perímetro para não obstruir as rotas acessíveis.

Além da reforma e mobiliário, a Avenida ganhou uma fiscal de acessibilidade, com responsabilidade de registrar os problemas relativos ao tema. Seu nome é Julie Nakayama. Ela é cadeirante e trabalha em parceria com a Gerência da Paulista, é conhecida como “Guardiã da Paulista”.

Figura 01: Calçada da Paulista após reforma, feita de concreto armado e com faixa de piso podotátil

5.1 Análise de acessilidade na calçada da Avenida Paulista

Para análise no calçamento da Avenida, foram realizadas pesquisas de campo, com o objetivo de verificar a acessibilidade no local.

O calçamento de mosaico português na altura do número 2000 da Avenida é tombado pelo Patrimônio Histórico e por isso não foi substituído, ou seja, nem toda a Avenida Paulista pode ser considerada como acessível, já que não há nesta parte

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da calçada não há faixa de piso podotátil e o mosaico apresenta diversos desníveis, no calçamento do MASP também não existe piso podotátil.

Figura 02: Calçada do Conjunto Nacional

Outra questão observada em visita de campo refere-se aos pisos podotáteis que em diversos pontos da Avenida não seguem uma rota precisa, terminando em vidros, muretas ou muros.

Figura 03: Piso podotátil que termina em uma parede de vidro

Em alguns pontos da Avenida onde existem bares e lanchonetes, mesas e cadeiras são colocadas sobre o piso podotátil, causando barreiras que impossibilitam a utilização ao qual foi destinado, outro fato que vale ser ressaltado é que as calçadas

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planas atraíram à Avenida um novo público, os skatistas, que circulam realizando manobras e acabam por dificultar o acesso na Avenida para qualquer pedestre.

Durante a reforma foi reinvidicada pela Associação Paulista Viva e pela Vereadora Mara Gabrilli, que também é cadeirante, a instalação de semáforos sonoros, afim de promover a independência dos deficientes visuais durante a travessia das ruas. Porém, como informado por Nakayama em entrevista cedida para este estudo, o Prefeito Gilberto Kassab não aprovou a instalação dos semáforos sonoros, com a justificativa de que estes atrapalhariam os vizinhos em função do som intermitente.

Os sinais sonoros, no entanto, são utilizados em diversas metrópoles do mundo, como Toronto, Copenhague, Londres e Tóquio. No Brasil existe em algumas capitais como Pernambuco e Porto Alegre e surpreendentemente muito próximo a Avenida Paulista, na travessia para acesso ao Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro, nº 1000, também há. Se existe equipamento nas proximidades da Avenida Paulista, questiona-se se a justificativa para não instalação é realmente pertinente.

Na mesma entrevista é relatado outro problema sentido em relação à acessibilidade na Avenida: as ruas transversais. É possível circular, porém, se o deficiente optar em percorrer algumas das travessas da Avenida Paulista, enfrentará como obstáculo calçadas totalmente desniveladas, esburacadas e sem condições de acesso, como é o caso do cruzamento da Avenida Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo.

É citado também que apesar da reforma da calçada, não é assegurada a acessibilidade, isto porque a maior parte dos estabelecimentos existentes na Avenida não são acessíveis e esta é justamente a função da entrevistada: avaliar e fiscalizar questões referentes a acessibilidade e informar ao Gerente da Paulista, para que este notifique os locais quanto às normas e leis sobre acessibilidade.

5.2 Acessilidade em equipamentos de lazer e turismo

Dentre os equipamentos de lazer e turismo existentes na Avenida Paulista, alguns são amplamente divulgados pela prefeitura da cidade e pela SP Turis nos materiais promocionais de turismo da cidade. Estas divulgações resultaram na escolha dos atrativos a serem avaliados no presente estudo.Um exemplo deste material é o mapa a seguir, criado pela SPTuris e que traz diversos pontos turísticos existentes na Avenida.

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Figura 05: Mapa da Região da Avenida Paulista, divulgado pela SP Turis

Os atrativos avaliados foram: o Casarão 1919, o Centro Cultural da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - FIESP (onde está o Teatro Popular do Sesi), o Cinema Reserva Cultural, o Conjunto Nacional (que inclui a Livraria Cultura, o Espaço Cultural Conjunto Nacional, o Teatro Eva Herz e o Cine Bombril), a Casa das Rosas, o Itaú Cultural, o Hospital Santa Catarina, a Livraria FNAC, o MASP, o Parque Trianon, o Serviço Social do Comércio - SESC Paulista (com o Teatro do SESC e espaço para shows) e o Shopping Center 3 (que conta com o Cine Bristol).

Na avaliação da acessibilidade, feita com base nas normas da NBR 9050, foram observadas a existência de entrada acessível, se há sinalização para as entradas acessíveis, se existe rota acessível, piso podotátil, sanitário adaptado e espaço reservado para cadeira de rodas ou poltronas removíveis nos teatros, auditórios e cinemas.

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Quadro 03: Resumo da avaliação de acessibilidade Local E n tr a d a a c e s s ív e l E s p a ç o p a ra ro ta a c e s s ív e l S in a liz a ç ã o d e e n tr a d a a c e s s ív e l P is o p o d o til S a n it á rio a d a p ta d o E s p a ç o re s e rv a d o p a ra c a d e ir a d e r o d a s Casarão 1919 I I I I I

-Centro Cultural FIESP I D D I D

-Reserva Cultural D D D I D D

Conjunto Nacional D D I I I

-Teatro Popular do Sesi I D D I D D

Livraria Cultura D D I I D

-Espaço Cultural Conjunto Nacional D D I I -

-Teatro Eva Herz D D I I D D

Cine Bombril D D I I D D

Casa das Rosas I I I I I I

Itau Cultural D D D D D D

Hospital Santa Catarina D D D I D

-Livraria FNAC D D I D D D

MASP I I I I I I

Parque Trianon I I I I I I

SESC Paulista D D D I D D

Teatro do SESC D D I I D D

Espaço de Shows do SESC D D I I D I

Shopping Center 3 D D D D D D

Cine Bristol D D I I D D

(20)

5.3 As especificidades relativas à acessilidade

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo - CONDEPHAAT, define tombamento como um ato administrativo realizado pelo Poder Público a fim de preservar para a população, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e até afetivo.

O tombamento pode ser realizado em nível federal, estadual ou municipal, sendo que o órgão federal competente é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, no Estado de São Paulo, o CONDEPHAAT, e na cidade de São Paulo, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP.

Dentre os vinte locais avaliados, cinco são tombados pelo CONDEPHAAT: o Casarão 1919, tombado em 1995, o Conjunto Nacional, tombado em 2005, a Casa das Rosas, tombado em 1995, o Parque Trianon tombado em 1982 e por fim o MASP, tombado em 1986.

Os projetos de adaptação para acessibilidade precisam atender aos critérios específicos a serem aprovados pelos órgãos do patrimônio histórico e cultural competentes, bem como ao Decreto 5.296/2004 artigo 30 que dispõe sobre a acessibilidade aos Bens Culturais Imóveis, estabelecendo que as soluções destinadas à eliminação, redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade a todos os bens culturais imóveis devem estar de acordo com o que estabelece a Instrução Normativa nº 1 do IPHAN, de 25 de novembro de 2003.

Por sua vez a Instrução Normativa nº 1 de 25 de Novembro de 2003, dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal e outras categorias, tendo como referências básicas a Lei Federal LF 10.098/2000 e a NBR 9050 e determina que:

As soluções adotadas para a eliminação, redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e, em cada caso específico, assegurar condições de acesso, de trânsito, de orientação e de comunicação, facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público.

O fato de um equipamento cultural ser tombado não implica na impossibilidade de torna-lo acessível; o projeto de acessibilidade apenas terá como participante o orgão

(21)

responsável pelo tombamento e deve seguir os critérios da Instrução Normativa nº 1, que também aplica-se a um imóvel não acautelado em nível federal, porém destinado ao uso público ou coletivo.

6

A Avenida Paulista na visão do público com deficiência e

mobilidade reduzida

Para captar a opinião de pessoas com deficiência sobre a acessilidade na Avenida Paulista e em seus equipamentos de lazer e turismo, foram realizadas entrevistas qualitativas com quinze pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que já visitaram os locais e que costumam frequentar a Avenida Paulista, todos eles fazem parte de um grupo de teatro denomidado Oficina de Menestréis e aceitaram colaborar com este estudo respondendo o roteiro de perguntas anexo 2 .

Dentre os quinze, dez são deficientes físicos, sendo que três deles possuem tetraplegia, quatro paraplegia, dois tetraparesia e um tem um membro inferior amputado. Além destes, participaram dois idosos com mobilidade reduzida e três deficientes visuais. Destas entrevistas surgiram diversas constatações pertinentes, expostas a seguir.

Sobre a circulação na Avenida, um dos entrevistados que é cadeirante relata:

“A circulação na avenida ficou melhor depois da reforma, porque com o calçamento antigo era impossível circular de cadeira de rodas, só que mesmo assim, ainda existem muitas dificuldades, como por exemplo o grande número de camelôs, a presença no final de semana de skatistas por toda a avenida e que não permitem a circulação nem de um pedestre comum, quem dirá um cadeirante”.

Na finalização de uma das entrevistas, um jovem cadeirante de 26 anos, vítima de um assalto, expôs:

Muitos deficientes têm dinheiro, disponibilidade, querem consumir, mas não podem porque a vasta gama de leis que nos protegem não são colocadas em prática. O direito ao acesso é de todos, algo precisa ser feito e rápido. A criminalidade e os acidentes de automóvel trazem a realidade dos deficientes muitas pessoas como eu, antes sem problemas com locomoção e hoje após lutar pela vida, lutando para ter novamente o direito a tudo neste país. Quem afinal é deficiente?

(22)

Os dois deficientes visuais afirmaram que não utilizam o piso podotátil pois possuem cão guia, e que na faixa normalmente há obstáculos, como a presença de vendedores ambulantes ou mesas e cadeiras de bares.

Os cadeirantes sinalizaram que dentre os equipamentos de lazer e turismo a maior dificuldade no acesso está nos locais tombados pelo Patrimônio Histórico, como a Casa das Rosas e o MASP.

Considerações finais

Pretendeu-se com este trabalho demonstrar a importância do lazer nos espaços urbanos e, dentro do cenário paulista, a importância de um local em específico: a Avenida Paulista. Foram mapeados os atrativos de lazer e turismo existentes na Avenida e avaliadas as condições de acessibilidade para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida neste importante cartão postal da cidade de São Paulo.

A acessibilidade é uma questão que a cada dia ganha mais lugar na sociedade contemporânea, o que pode ser confirmado observando-se o vasto número de leis, de materiais que abordam o tema e órgãos designados a administrar a acessibilidade nas áreas urbanas. Isto ocorre não por uma questão de filantropia ou assistencialismo, mas sim em razão da luta pela inclusão de minorias como os deficientes, que através das buscas por seus direitos, conseguem mesmo que timidamente fazer com que o Estado tenha vistas aos problemas que impossibilitam a igualdade e equidade.

Verificou-se, através de pesquisas de campo, que apesar de amplamente amparado por legislações, o direito constitucional de acessibilidade ao deficiente e a pessoa com mobilidade reduzida não é plenamente assegurado, negando em parte os princípios básicos da Constituição Federal, como o da equidade e igualdade, na medida em que nem todos os espaços avaliados, apesar de públicos, atendem aos critérios de acessibilidade.

Com a deficiência na acessibilidade não se exclui apenas consumidores potenciais; mas também cidadãos que possuem direitos ao lazer, ao turismo e ao entretenimento.

A reforma da calçada da Avenida Paulista e sua preocupação com a questão da acessibilidade foram um grande avanço para a inclusão, entretanto, não o suficiente.

(23)

É necessário que os deficientes possam freqüentar os locais e não apenas circular pela calçada.

Para que o turismo seja um fator de construção da cidadania e integração social, conforme determina o Programa de Regionalização do Turismo – Diretrizes Políticas – 2004, sua participação na questão da acessibilidade é fundamental.

De acordo com os resultados obtidos neste estudo somente o Itaú Cultural e o Shopping Center 3, duas instituições de administração privadas, obedecem aos itens básicos de acessilidade determinados nesta avaliação.

O Casarão 1919, a Casa das Rosas, o MASP e o Parque Trianon, não obedecem a nenhum dos itens avaliados, ou seja, justamente os equipamentos públicos e tombados não possuem quaisquer elementos indicativos de acessibilidade, o que acaba por contradizer todas as legislações relativas a acessibilidade.

Em relação aos bens tombados, conclui-se que garantir a preservação de um bem material é fundamental para que as gerações futuras possam desfrutar destes bens, porém, para que isso ocorra plenamente, não se devem excluir os deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. Alterações que facilitem o acesso a esses bens podem ser feitas, e o tombamento não impede este tipo de adaptação.

A Avenida Paulista possui um inegável legado cultural e todos os cidadãos têm o direito de vivenciar experiências nestes locais, mas para isso se faz necessário que todas as teorias que permeiam a acessibilidade deixem de ser apenas uma vasta listagem de leis, decretos e normas e passem a fazer parte da realidade do espaço urbano.

Assim torna-se primordial o envolvimento do governo, das diversas áreas que desempenham atividades econômicas (onde se inclui o turismo), da sociedade e de instituições públicas e privadas, para que a acessibilidade seja efetivamente implementada, conservada e fiscalizada, ou seja, não é apenas uma lei, um órgão ou um setor que garantirá o direito ao acesso, mas sim as ações coletivas de todos os atores envolvidos na questão.

(24)

Referências Bibliográficas

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(26)

Anexo 1 – Leis, decretos e normas relativos à acessibilidade:

a-) Leis e Decretos que tratam do apoio e direitos das pessoas com deficiência: Lei Federal nº. 11.126, de 27 de junho de 2005, Decreto Federal nº 5.904, de 21 de setembro de 2005,Lei Estadual nº 9.486, de 04 de Março de 1997, Lei Estadual nº 10.779 de 09 de março de 2.003, Lei Estadual nº 11.369, de 28 de Março de 2003, Decreto Estadual nº 23.131, de 19 de Dezembro de 1984 e Lei Municipal nº 11995, de 16 de Janeiro de 1996.

b-) Leis e Decretos que dispõem sobre a priorização às pessoas com deficiência física: Lei Federal nº. 10.048, de 08 de novembro de 2000, Decreto Federal nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004,Lei

Estadual nº 7.446, de 01 de Agosto de 1991, Lei Municipal nº 10.832 de 05 de Janeiro de 1990,

Decreto Municipal nº 23.250, de 01 de Fevereiro de 1985, Decreto Municipal nº 27.383, de 22 de

Setembro de 1987,Decreto Municipal nº 33.824, de 21 de Setembro de 1991, Decreto Municipal nº

37.030, de 27 de Agosto de 1997.

c-) Leis e Decretos que promovem a acessibilidade: Lei Federal nº. 10.098, de 19 de dezembro de 2000, Lei Federal nº 10.436, de 24 de abril de 2002, Decreto Federal nº. 5.626, de 22 de dezembro de 2005,Lei Estadual nº 9.086 de 03 de março de 1995,Lei Estadual nº 9.199, de 18 de Dezembro de 1980, Lei Estadual nº 11.424 de 30 de Setembro de 1993, Lei Estadual nº 11.441, de 12 de Novembro de 1993, Lei Estadual nº 11.345 de 14 de Abril de 199, Lei Estadual nº 11.506, de 13 de Abril de 1994, Lei Estadual nº 12.117, de 28 de Junho de 1996, Lei Estadual nº 12.492, de 10 de Outubro de 1997, Lei Estadual nº 12.363, de 13 de Junho de 1997, Lei Estadual nº 12.815 de 06 de Abril de 1999, Lei Municipal nº 9.803, de 21 de Dezembro de 1984, Lei Municipal nº 11.228, de 25 de Junho de 1992 e Decreto Municipal nº 37.648, de 25 de Setembro de 1998.

d-) Leis e Decretos que criam órgãos, programas e comissões que tratam às questões relacionadas aos deficientes: Lei Nacional n.º 7.853, de 24 de outubro de 1989,Lei Estadual nº 10.099 de 26 de

novembro de 1998,Lei nº 11.315, de 21 de Dezembro de 199, Decreto Estadual n º 46.138, de 27 de

Junho de 2005, Decreto Municipal nº 33.823, de 21 de Setembro de 1991, Decreto Municipal nº 45.811, de 01 de Abril de 2005, DecretoMunicipalnº 39.651, de 27 de Julho de 2000.

Além das Leis e Decretos apresentados, Normas Técnicas e Instruções Normativas também dão embasamento a este trabalho. São elas: NBR 9050:2004 – que trata da acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, NBR 13994:2000 Elevadores de passageiros -elevadores para transporte de pessoa com deficiência, NBR 14021:2005 - Transporte - Acessibilidade no sistema de trem urbano e metropolitano, NBR 15250:2005 - Acessibilidade em caixa de auto-atendimento bancário e Instrução Normativa Nº1 DO IPHAN, de 25 de Novembro de 2003, dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais, imóveis acautelados em nível federal, e outras categorias, conforme específica

(27)

Anexo 2 - Roteiro de Perguntas

Entrevista sobre Acessibilidade na Avenida Paulista Nome: __________________________________Idade: __________________

Diagnóstico:________________________Condição Motora: _______________

1-) Com que freqüência visita a Avenida Paulista ?

( ) Raramente ( ) Eventualmente ( )Freqüentemente

2-) Visitou a Avenida após a reformado do calçamento?

( ) Sim ( ) Não

3-) Com o principal objetivo das visitas?

( ) Lazer ( ) Trabalho ( ) Outros _______________________

4-) Em relação a acessibilidade na Avenida Paulista como considera: As condições gerais dos pisos e calçadas ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

As calçadas rebaixadas ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

As condições da linha guia (para deficiência visual) ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

As rotas acessíveis ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

(28)

As condições de sinalização tátil de alerta direcional (para deficiência visual)

( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

A presença de barreiras no passeio ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

A disposição das lixeiras ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

A disposição dos telefônicos Públicos ( ) Satisfatório

( ) Parcialmente Satisfatório

( ) Insatisfatório

( ) Não observado

5-) Em relação a calçada da Avenida Paulista quais suas sugestões para torná-la integralmente acessível

_________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

6-) Quais as principais dificuldades encontradas para efetuar um passeio pela Avenida Paulista

_________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

7-) Quais locais abaixo já visitou na Avenida Paulista:

( ) Casarão 1919 ( ) Centro Cultural FIESP ( ) Cinema Reserrva Cultural ( )Conjunto Nacional

( ) Teatro do Sesi ( ) Livraria Cultura ( ) Cine Bombril ( ) Casa das Rosas ( )Itau Cultural

( )Hospital Santa Catarina ( )FNAC ( )MASP ( )Parque Trianon ( ) SESC Paulista

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8-) Dos locais que já visitou como considera a acessibilidade?

Casarão 1919 ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

C.C FIESP ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Reserva Cultural ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Conjunto Nacional ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Teatro do Sesi ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Livraria Cultura ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

(30)

Cine Bombril ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Casa das Rosas ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Itaú Cultural ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Hosp. Sta Catarina ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

FNAC ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

MASP ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

(31)

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _______________________________________

SESC PAULISTA ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Center 3 ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

Por quê? _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Cine Bristol ( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

9-) De um modo geral como classifica a acessibilidade na Avenida Paulista e seus equipamentos de lazer?

( ) Excelente ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima

10-) Quais sugestões daria para tornar a Avenida Paulista um local mais acessível ?

_________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

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