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Costura urbana em Joinville

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Academic year: 2021

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COSTURA URBANA

EM JOINVILLE

Acadêmica: Beatriz Eberhardt Menegon

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Roselane Neckel

Reitora

Julian Borba

Pró-reitoria de Ensino de Graduação

Centro Tecnológico

Prof. Dr. Sebastião Roberto Soares

Diretor de Centro

Departamento de Arquitetura e Urbanismo

César Floriano dos Santos

Chefe de Departamento

José Ripper Kós

Coordenador do Curso

Acadêmica:

Beatriz Eberhardt Menegon

Orientador:

Samuel Steiner dos Santos

Fevereiro de 2016

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1.1. APRESENTAÇÃO 1.2. SÍNTESE E JUSTIFICATIVA 1.3. OBJETIVO GERAL 1.4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 04 05 06 06 2.1. LOCALIZAÇÃO

2.2. EVOLUÇÃO URBANA DO CENTRO E ENTORNO 2.3. DELIMITAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

2.4. PROXIMIDADE COM OUTROS EQUIPAMENTOS 2.5. ANÁLISE SWOT FOFA

2.6. BREVE HISTÓRICO 2.7. ASPECTOS DEMOGRÁFICOS 2.8 ASPECTOS ECONÔMICOS 2.9 HIDROGRAFIA 2.10 ASPECTOS AMBIENTAIS 2.11 PLANO DIRETOR

2.12 PONTOS DE INTERESSE E PROBLEMÁTICAS DA ÁREA 2.13 HIERARQUIA DE VIAS

2.14 TRANSPORTE PÚBLICO E ACESSO A ÁREA 2.15 CHEIOS E VAZIOS 2.16 USOS DO SOLO 2.17 GABARITOS 08 08 09 10 10 11 12 13 14 16 17 18 19 20 21 22 22

4.1. MUDANÇA NOS SENTIDOS VIÁRIOS 4.2 EIXOS DE CICLOVIAS PROPOSTOS

4.3 NOVO TRAJETO DE TRANSPORTE PÚBLICO 4.4 EIXOS VERDES

4.5 EIXOS DE PASSEIOS QUALIFICADOS 4.6 SISTEMA DE EQUIPAMENTOS COLETIVOS

27 28 29 30 30 31

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

3. DIRETRIZES

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

4. PROPOSTA MACRO

4.1. PLANTA BAIXA DA PROPOSTA 4.2 NOVAS AMBIÊNCIAS

4.3PLANO DIRETOR

4.4 OPERAÇÕES URBANAS CONSORCIADAS 4.5 ASPECTOS AMBIENTAIS 4.6 ESTACIONAMENTO REALOCADO 33 34 38 38 39 39

5. PROPOSTA ESPECÍFICA

6. REFERÊNCIAS

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7. BIBLIOGRAFIA

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1. INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação

Este trabalho surgiu de uma inquietação pessoal: a percepção, enquanto mora-dora do entorno, do potencial existente em um trecho da área central de Joinville, que apesar de ser privilegiada quanto à sua inserção no tecido urbano e de reunir inúme-ros elementos urbanísticos interessantes (como áreas livres, conectividade com sistema de transporte público, proximidade ao Rio Cachoeira, equipamentos de lazer de grande porte como o Centreventos Cau Hansen, etc.), resultava em um espaço de baixa dinâmica urbana, de pequena vitalidade, muitas vezes hostil e desagradável do ponto de vista da vivência, da apropriação, das ambiências e das interações sociais. Por morar na região, pude acompanhar a região do bairro América se desenvolver, nos anos 90, e ao mesmo tempo, produzir espaços repletos de construções, mas vazios de vida urbana e de apro-priação individual e coletiva.

Após decidir que trabalharia na área, estudei sua história, seus fluxos, sua morfolo-gia, e decidi empregar usos, articular fluxos, propor equipamentos e desenhar espaços, com o intuito de oferecer condições para a intensificação da vitalidade urbana da área. Para tanto, tive como ponto de partida demandas antigas e recentes de moradores, como também a análise crítica de propostas e projetos existentes na prefeitura de Joinville, mais especificamente no Instituto de Pesquisa em Planejamento para o Desenvolvimen-to Sustentável de Joinville - IPPUJ.

Globalmente a área de intervenção apresenta forte integração formal com a cida-de, porém essa articulação acaba não acontecendo em seu interior. As quadras muito longas e a existência de grandes terrenos ociosos ajudam a tornar a área inóspita e desa-gradável ao pedestre.

Na busca pela regeneração desse espaço, estudei e propus alguns aspectos que acredito serem potencializadores de uma nova configuração urbanística. Propus novos volumes habitacionais, a fim de densificar a área; sugeri novas edificações com arquite-tura favorável à escala humana e ao pedestre, evitando o uso de fachadas cegas e muros; favoreci a permeabilidade visual por meio de transparências (janelas, por exemplo) nos edifícios. Foram propostos térreos ativos, estimulando diversos tipos de atividades em diversos horários. Trabalhou-se muito nas conexões da área de trabalho como restante da malha urbana. Buscou-se, por fim, criar alternativas de percursos, para pedestres e ci-clistas, propondo caminhos mais harmoniosos e opções adequadas e abundantes, tanto de distância quanto de percurso.

A busca pela vitalidade urbana neste trecho da área central de Joinville está basea-da, portanto, em uma estratégia fundamental de tentar costurar o tecido urbano e social tentando reconectar usos, atividades e fluxos. Tem como ponto de partida a escala huma-na da cidade: a escala do pedestre e do ciclista. É neste sentido que o título do trabalho se apresenta: antes de ser um título vazio de conteúdo, a busca pela costura urbana é para este TCC o objetivo fundamental e o impulso central do discurso e das estratégias espa-ciais sugeridas.

Parte da área selecionada para intervenção. Bairro América. Fonte: acervo da autora, 2015.

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1. INTRODUÇÃO

1.2 Síntese e Justificativa

Desde a fundação de Joinville, antiga Colônia Dona Francisca, em 1851, o centro da cidade foi o primeiro a se estabelecer. Nele encontravam-se os comércios, igrejas e pos-teriormente escolas. Já naquela época, abriram-se longas vias, conectando a população do centro comercial aos bairros residenciais. Colonizada em sua maioria por germânicos que pareciam prezar características como o amor ao trabalho e à ordem, Joinville acabou desenvolvendo-se em função das indústrias. O lazer e os próprios espaços públicos de estar foram deixados de lado em uma época onde pouco se investiu nessas áreas.

Após muitas décadas da colonização, na década de 90, passou-se a investir em pro-gramas e áreas dedicadas à cultura e lazer. Nessa época, construiu-se o Centreventos e foi trazido o Balé Bolshoi para a cidade. Essas ações atraíram nova movimentação para os bairros no entorno do Centro, em especial ao bairro América, que era, em grande parte, residencial. O bairro foi pouco desenvolvido até o início dos anos 90, quando também se construiu a Avenida Beira Rio.

Joinville é a maior cidade do estado em termos populacionais e, até hoje, apresenta poucas áreas de lazer, cultura e estar, sejam urbanas ou não. As áreas que já existem ofe-recem pouca infraestrutura, são inseguras, a manutenção é deficitária, e são distantes do Centro, sendo de difícil acesso por transporte público.

Portanto, a área escolhida para a intervenção contém grandes terrenos livres sem função urbana,é central, de fácil acesso,próxima de grande diversidade de equipamen-tos e também de bairros residenciais.

No mapa “Pólos de atração de viagens”, obtido por meio da pesquisa intitulada “Origem/Destino 2010”, do IPPUJ, pode-se perceber que os fluxos que passam pela área de trabalho (sinalizada) são intensos e advindos de diversas partes da cidade, também devido à sua proximidade com a região central da cidade, que recebe grande quantidade de deslocamentos. Fica claro, na imagem, que possui continuidade com a malha urbana e que está entre áreas de grandes deslocamentos, facilitando a movimentação de pessoas. Com a adição dos usos propostos, a atração de pessoas aumenta.

Com essas diversas propostas, criam-se camadas de intervenção: usos, atividades, edificações, espaços, fluxos. À unificação de todos esses pontos, dei o nome de Costura Urbana. A costura urbana vem para dialogar com esses aspectos, criando uma nova re-lação entre o já existente e o proposto, em uma nova forma de apropriação do espaço: a escala do pedestre.

A área selecionada tem grande potencial de usos e diversidade de usuários que já estão nas redondezas, porém a falta de áreas adequadas à espera, cultura e lazer, a falta de calçadas em alguns trechos, as vias muito longas (dificultando o acesso de uma área à outra), a existência de edificações abandonadas e os enormes terrenos sem uso ini-bem o aproveitamento adequado da área pelos usuários. A monumentalidade de alguns equipamentos que não favorecem o entorno e a falta de ligação entre si também não são agradáveis aos pedestres.

Mapa de resultados da Pesquisa de Origem/Destino 2010, realizada pelo IPPUJ.

Fonte: Instituto de Pesquisa em Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável em Joinville - IPPUJ.

Legenda Baia da Babitonga Sistema Viário

Pólos de Atração de Viagens

Centralidades Maiores Destinos

Pesquisa Origem/Destino 2010

Alta Atração de Viagens Baixa Atração de Viagens

PÓLOS DE ATRAÇÃO DE VIAGENS X

PESQUISA ORIGEM/DESTINO 2010

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1. INTRODUÇÃO

1.3 Objetivo Geral

Propor uma intervenção urbanística que busque o melhor aproveitamento e ocupação de um trecho da área central de Joinville, propondo uma costura entre funções, edifica-ções, usos, fluxos e atividades - atualmente pouco articuladas - através do desenho do espaço público de qualidade e adequado à escala do pedestre.

1.4 Objetivos Específicos

Transformar os enormes vazios urbanos da área, proporcionando áreas de estar,

lazer e equipamentos necessários para a cidade, com qualidade e que apresentem cone-xões entre si e com o entorno;

Com a costura urbana, privilegiar meios alternativos de transporte, valorizando o

transporte público, os ciclistas e especialmente os pedestres.

Aproximar o rio da população e potencializar seu uso.

Lançar soluções ambientais pontuais que ajudem na proposta macro de contenção

de inundações e alagamentos, já proposta pela prefeitura.

“A rua permite vivenciar a diversidade através da multiplicidade de

usos e olhares, possibilitando o reconhecimento, mas também o

encon-tro entre desconhecidos.”

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.1 Localização

O município de Joinville está localizado na região Nordeste do estado de Santa Ca-tarina, a 4 metros de altitude em relação ao mar. Localiza-se a 180 quilômetros da capital, Florianópolis.

Pertence à microrregião de Joinville e à mesorregião do Norte Catarinense. Faz di-visa com a cidade de Garuva, Itapoá, São Francisco do Sul, Araquari, Guaramirim e Schro-eder, Jaraguá do Sul e Campo Alegre.

Em 2015, Joinville contava com uma população de 562.151 habitantes (IBGE), o que configura a cidade como a mais populosa do estado. Seu IDH é de 0.809, fazendo com que o município tenha o 4º melhor desempenho no estado. Sustenta os títulos de Manchester Catarinense, Cidade das Flores, Cidade das Bicicletas, Cidade dos Príncipes e Cidade da Dança.

A economia do município é movimentada, sendo o maior polo metalúrgico e de ferramentaria do país. É responsável por cerca de 20% das exportações catarinenses. Em seguida, sua base econômica é composta pelo comércio e turismo de eventos.

Segundo o IBGE (2010) e o IPPUJ (2014) Joinville conta com uma área de 1.126,106 km², sendo a maior parte área rural (915,88 km²) e o restante área urbana (210,22 km²).

Segundo a classificação de Koppen, a maior parte do município está inserida no clima tipo Subtropical, com ocorrência de precipitação em todos os meses do ano, pre-dominando o clima mesotérmico úmido e verões quentes. Apresenta umidade de aproxi-madamente 86%, ventos de em média 6,2km/h, e a temperatura varia para mais de 20ºC. O relevo, em geral, é plano, apresentando algumas áreas de altitude, dentre as quais se destaca o morro do Boa Vista. Apresenta também extensas áreas de mangue-zais.

Resgatando a evolução da malha urbana joinvillense, percebe-se que a consolida-ção da colônia ocorreu próximo a área de chegada dos imigrantes, originando o Centro da cidade. Com o passar das décadas, Joinville lentamente foi ampliando sua malha ur-bana.

A partir da década de 60, com a explosão demográfica acontecendo na cidade gra-ças à industria, pode-se perceber o adensamento de bairros como o América. Apesar dis-so, A área ainda era configurada com grandes vias troncais, e margeadas por grandes lotes particulares sem uso definido, ou seja, ocupação esparsa.

As proximidades da área de estudo começaram a desenvolver-se de verdade no iní-cio dos anos 90, com a construção das Avenidas José Vieira e Hermman Lepper. Por toda a extensão da José Vieira, encontravam-se enormes lotes lindeiros e possivelmente de um mesmo proprietário.

Nessa época, Joinville se estagna e começa a investir em opções à indústria. A partir daí, algumas parcelas de lotes foram negociadas com o particular afim de estabelecer ali diversos edifícios institucionais, como o Fórum, a Câmara de Vereadores, o Centreventos Cau Hansen e o SESC.

Fonte: editado pela autora, com base nos levantamentos da Prefeitura de Joinville.

2.2 Evolução urbana do Centro e entorno

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.3 Delimitação da área de estudo

A região do América apresentou desenvolvimento tardio. Segundo moradores da

região, como o senhor Paulo de Tarso Vieira, 80 anos, aposentado e Helena Vieira, 44 anos, arquiteta, durante a década de 60 e 70, a área era configurada por vias troncais como a Orestes Guimarães e a Dr. João Colin, que eram margeadas por grandes lotes sem uso. Um ou outro lote era usado para residencias de baixo gabarito.

No fim da década de 80 (entre 1989 e 1990), foi construída a Avenida José Vieira, continuação da Avenida Beira Rio, compondo o traçado que perdura até hoje. Durante praticamente toda a extensão da José Vieira, os lotes lindeiros eram enormes e, especu-la-se, de apenas um proprietário. A Avenida Hermman Lepper, construída do lado leste do Rio Cachoeira em 1995, possui essa mesma característica de lotes.

Posteriormente, algumas parcelas de lotes foram negociadas com o poder público afim de estabelecer ali diversos edifícios edifícios institucionais, como o Fórum, a Câma-ra de Vereadores, o Centreventos Cau Hansen e o SESC.

Atualmente, a região vem se firmando como área de serviços, graças à proximidade do centro e a diversos bairros residenciais.

A região selecionada para estudo encontra-se na área central de Joinville, situada no bairro América. Está a aproximadamente 4 metros acima do mar e, em parte, sofre com influência das marés e chuvas. É plana e conta com diversos modais de transporte para acessá-la, como ônibus, táxis e ciclovias.

Fonte: editado pela autora, com base nos levantamentos da Prefeitura de Joinville.

área de trabalho

Mapa esquemático da área selecionada e alguns pontos de referência.

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.4 Proximidade com outros equipamentos

De acordo com as percepções urbanas na área, elaborou-se uma análise pelo método SWOT FOFA.

O recorte tem relativa proximidade (em um raio de aproximadamente 500 metros) com diversas escolas, museus, supermercados, hospital, equipamentos institucionais e locais destinados à cultura. Graças à diversidade de equipamentos, percebe-se também variedade de usuários que, ao chegarem na área, deparam-se com a falta de áreas pú-blicas qualificadas. Essas pessoas encontram caminhos a percorrer sem qualidade visu-al, assim como não têm locais para contemplação, descanso e permanência. A área não apresenta mobiliário urbano básico, como lixeiras e bancos.

Fonte: editado pela autora, com base nos levantamentos da Prefeitura de Joinville.

2.5 Análise SWOT FOFA

A análise ajuda a identificar as principais problemáticas e potenciais da área, sendo mui-to auxiliadora ao traçar diretrizes e objetivos.

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.6 Breve histórico

Em meados do século XIX a Europa atravessava crises políticas, sociais e econômi-cas, fazendo com que as atenções de alguns grupos se voltassem para outros locais que pudessem prosperar, como o Brasil. Dessa necessidade, nasceu Joinville, sendo fundada em 9 de março de 1851 através da colonização de terras que antes foram dadas como dote de casamento entre o Príncipe François Ferdinand e a Princesa Francisca Carolina. Por falta de recursos, a cidade desenvolveu-se de maneira não planejada, incialmente perto da área de recepção dos imigrantes (atuais ruas 9 de Março, VX de Novembro, do Príncipe, Visconde de Taunay e Dr. João Colin), e depois de maneira extensiva em direção ao interior da colônia, com grandes porções de terra, enquanto na sede as propriedades se caracterizavam pela fachada estreita e grande profundidade.

Cada imigrante comprava uma porção de terra e deveria, em até quatro meses, er-guer uma casa e uma lavoura, o que inibiu de certa forma a especulação imobiliária. Ain-da assim, alguns latifundiários de outras regiões do país adquiriram grandes glebas para posterior especulação.

O rio cachoeira logo foi prejudicado devido ao intenso desmatamento, ocupação de área de mangue e retirada de recursos naturais, além de servir como escoadouro de esgoto doméstico e industrial. Ademais, as condições naturais e sociais da área não foram estudadas de forma adequada, fazendo com que a colônia, que fora concebida para ser essencialmente agrícola, se desenvolvesse no ramo industrial, sendo as primeiras indús-trias as olarias que se implataram na malha urbana do município. Posteriormente, com a construção de estradas de ferro e a chegada de energia elétrica, houve a consolidação da industria.

Até a década de 50 havia equilíbrio entre as populações urbana e rural, o que mu-dou posteriormente, quando houve o crescimento da população urbanada muito acima da média nacional. Apesar do crescimento da indústria, apenas no final da década de 70 foi criado um setor industrial na cidade, pois o tráfego, ruídos, vibrações e odores causa-vam incômodos à população. Porém, a criação do Distrito industrial só aconteceu no final da década de 70.

SANTANA (1998, p. 21) comenta que durante a história de Joinville pode-se perce-ber três fases de cenario econômico: o primeiro deles está diretamente ligado à fundação da colônia e financiamento pela sociedade colonizadora ou pelo governo imperial para a construção de vias, pontes e edificações; o segundo cenário já conta com pequenas vendas e produções artesanais dos próprios colonos, como as olarias; o terceiro cenário é o do pós guerras e crises econômicas, onde as indústrias joinvilenses puderam se firmar nacional e internacionalmente.

A produção do espaço como malha urbana ocorreu graças a grupos de empresários (detentores dos meios de produção) e a proprietários imobiliários urbanos:

“Os empresários, em geral ligados à atividade comercial, adquiriram vastas áreas de terra com o fim específico de promover a urbanificação das mesmas. Já os proprietários imobiliários urbanos parcelaram seus lotes coloniais situados próximos ao centro urbano da colônia na medida em que deixavam de ter na exploração agrícola sua fonte principal de renda. (...) Os proprietários dos lotes coloniais vendiam pequenas parcelas de seus imóveis e promoviam eles mesmos a abertura das vias, que posteriormente seriam incorporadas ao patrimônio público, através de atos legislativos emitidos pelos Superintendentes e Pre-feito.” (SANTANA, 1998, p 68- 69).

Fonte das imagens: Arquivo Histórico de Joinville. Colônia no ano de 1866.

Fonte: Arquivo Histórico de Joinville. Final do século XIX: pequeno porto (ainda sem cais) em frente à Cia. Industrial, que foi o maior

empreendimento comercial e industrial da época. Beneficiava e exportava o mate vindo do Paraná.

Fonte: Arquivo Histórico de Joinville.

Vista parcial da cidade na déca de 70, durante as obras de abertura da Av. Juscelino Kubits-chek. Até então, a Rua do Príncipe era a única via de ligação da cidade no sentido Norte-Sul. Fonte: Arquivo Histórico de Joinville.

Construção da Av. Beira Rio, em meados de 1980.

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.7 Aspectos demográficos

Graças ao processo de industrialização ocorrido até a década de 80, Joinville apre-sentou altos índices de crescimento populacional (aproximadamente 6% ao ano). Desde então, as taxas de crescimento foram caindo até o atual patamar de 1,39%.

Mesmo assim, o município ainda conta com um crescimento acima da média nacio-nal e acima de outras cidades do mesmo porte (acima de 500 mil habitantes). A indústria e o aumento dos investimentos em ferramentaria, automobilística e tecnologia tornam a cidade extremamente atrativa, principalmente aos jovens que vêm em busca de desen-volvimento econômico.

Em 2015, Joinville contava com uma população de 562.151 habitantes (IBGE), o que configura a cidade como a mais populosa do estado. A faixa etária predominante está entre 20 a 30 anos.

A infraestrutura de Joinville não acompanha esse crescimento demográfico, tra-zendo diversos problemas sociais e aumento dos níveis violência.

A população dos bairros e sua consequente densidade demográfica variou muito em função da história joinvillense. Na época da colonização, a maior densidade demográfica se deflagrou no Centro. Após isso e com o início da industrializa-ção da cidade, além dos arredores do Centro tam-bém percebeu-se o desenvolvimento dos bairros ao sul, como Bucarein e Guanabara.

Fonte: editados pela autora, com base nos levantamentos da Prefeitura de Joinville.

A configuração atual, em termos popu-lacionais, existe por diversos fatores, como questões econômicas, gentrificação, criação de novos bairros e novos loteamentos (como é o exemplo dos bairros Aventureiro, Jardim So-fia e Jardim Paraíso).

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.8 Aspectos econômicos

Desde os primórdios, Joinvillle sempre foi um município industrializado. Iniciou-se o ciclo com o mate, a madeira e as olarias. Posteriormente, os colonos que possuiam al-guma experiência comercial fundaram diversas empresas que perduram até hoje, como o Moinho Santista, a H. Carlos Schneider – Ciser (inicialmente Casa do Aço, fundada pelo sr. Schneider), a Lepper, dentre outras.

Atualmente, Joinville é um dos municípios mais industrializados de Santa Catarina. Segundo dados do IBGE (2015), produz 18,9% do PIB global do estado e é sede de gigan-tes da indústria nacional. É também o 3º pólo industrial da região Sul, com volume de receitas geradas aos cofres públicos inferior apenas às capitais Porto Alegre (RS) e Curi-tiba (PR). Figura entre os quinze maiores arrecadadores de tributos e taxas municipais, estaduais e federais. A cidade concentra grande parte da atividade econômica na indús-tria com destaque para os setores metalmecânico, têxtil, plástico, metalúrgico, químico e farmacêutico. A proximidade de linhas férreas, portos e estradas facilitou o crescimento dessas indústrias e da região como um todo.

Turismo e Cultura

Joinville geralmente atrai turistas graças à influência germânica e área rural. To-davia, também oferece desde passeios até pontos turísticos e de interesse histórico. Nos últimos anos o aumento do turismo de negócios favoreceu também o comércio e a pres-tação de serviços. A cidade conta com excelente estrutura hoteleira e de comércio e ser-viços.

Como atrativos principais estão a Rua das Palmeiras, o Museu Nacional de Imigra-ção e ColonizaImigra-ção, o Parque Zoobotânico, a Escola do Teatro Bolshoi, o Centreventos Cau Hansen, dentre outros.

O Eco-turismo na região ainda é tímido, assim como o turismo industrial, que atrai interessados nos produtos aqui produzidos como cervejas e chocolates.

Culturalmente, dois grandes eventos movimentam a cidade: o Festival de Dança em Julho, e a Festa das Flores em Novembro.

A Festa das Flores ocorre há mais de 75 anos, no mês de Novembro, e é a mais an-tiga do mundo nesse gênero. É a festa oficial da cidade e atrai mais de 180 mil pessoas por edição. Remete às flores daqui naturais (como as orquídeas) que foram encontradas pelos primeiros desbravadores que alcançaram as matas à fim de estabelecer o núcleo urbano da Colônia Dona Francisca.

O Festival de Dança acontece todo mês de Julho e é considerado o maior do mundo em número de participantes. Paralelamente à mostra competitiva, ocorrem eventos em palcos abertos, feiras, mostras não competitivas e para crianças.

Especula-se que graças ao Festival de Dança, Joinville tornou-se a única cidade fora da Russia a receber a Escola do Balé Bolshoi.

A escola do balé é motivo de orgulho para os joinvilenses. Cerca de 250 alunos, todos bolsistas, recebem acompanhamento médico, psicológico, nutricional, pedagógico, en-tre outros. Dali saem formados e com uma profissão.

Fonte: editados pela autora, com base nos levantamentos da Prefeitura de Joinville. Rendimento Per Capita

Percebe-se pelo mapa ao lado que a maior renda per capita, que varia de R$ 1102,73 a R$ 1764,31 (em verde) é a dos bairros próximos ao Centro. A boa qualidade de infra-estrutura e facilidade de serviços e comércios faz com que essas áreas tenham maior valor de terra. Nos bairros onde a renda per capita é menor, variando de R$ 171,69 a R$ 274,34 são os bairros distantes do Centro, onde a falta de infraestrutu-ra e dificuldade de acesso a serviços básicos são grandes, os níveis de violência são maiores e consequen-temente o valor de terra é mais bai-xo.

Motivo da vinda do turista a Joinville em porcentagem.

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2. ANÁLISE DA ÁREA DE ESTUDO

2.9 Hidrografia

O ordenamento hidrográfico de Joinville é constituído por sete bacias: Rio Palmi-tal, Rio Cubatão, Rio Piraí, Rio Itapocuzinho, Rio Cachoeira, Bacias Hidrográficas Indepen-dentes da Vertente Leste e Bacias Hidrográficas IndepenIndepen-dentes da Vertente Sul.

Os Rios Piraí e Cubatão são essenciais pois fornecem 28% e 72% do abastecimento de água de Joinville, respectivamente.

O Rio Cachoeira também é muito importante, pois sua bacia está totalmente inse-rida na área urbana de Joinville, drenando uma área de 82,24 km².

Devido ao processo de ocupação da cidade, que se deu ao longo do Cachoeira e seus afluentes, a maior parte da população Joinvillense (46% ou aproximadamente 221 mil pessoas) concentra-se na área drenada por essa bacia.

A nascente do Rio Cachoeira está a aproximadamente 40 metros de altitude, mas a maior parte do seu curso está entre 5 e 15 metros de cota. Possui aproximadamente 14 quilômetros de extensão. As suas baixas altitudes junto à foz, associadas ao efeito das marés astronômicas e metereológicas e das precipitações pluviométricas, causam fre-quentes problemas de inundações na região central, atingindo também alguns afluen-tes.

A área da bacia do Cachoeira é composta de urbanização (68,04%), florestas (18,85%) presentes principalmente nos morros e colinas, e os campos (8,18%). Graças aos altos níveis de poluição, não é mais possível realizar no rio atividades como pesca e práticas esportivas.

Durante as décadas, o Cachoeira passou por diversas mudanças em seu curso, as-sim como a canalização. Atualmente tenta-se esconder o rio e seus afluentes. Em diversos trechos foram tapados, existindo apenas subterraneamente. Onde não foi possível esse tipo de ação, criaram-se enormes canteiros com vegetação e árvores.

Esse tipo de atitude é maléfico ao meio ambiente e à população, pois além de não criar-se soluções à sua despoluição, faz com que as pessoas vejam-no como estorvo e obstáculo à sua vida diária.

Programas de despoluição da Bacia

Estima-se que mais de 80% da poluição do Rio Cachoeira seja causada pelo despe-jo de esgoto doméstico, pois apenas 16,60% do total dos domicílios despe-joinvillenses estão ligados à rede de esgoto.

Nos anos de 2005/2006, a prefeitura propôs à população a despoluição do Rio Ca-choeira através do sistema Flotflux. Este sistema funciona por Flotação em fluxo e remo-ção de resíduos flutuantes e promete livrar 98% das águas de coliformes fecais e 57% de aumento da oxigenação da água.

Porém, depois de muitas audiências públicas, algumas dezenas de milhões de reais investidos e problemas para a população que habitava as proximidades das estações de tratamento, a prefeitura não renovou a licença ambiental, fazendo com que o sistema fique parado e já iniciando processo de degradação.

Fonte do mapa: Diagnóstico o Meio Físico, Biótico, Econômico e Social de Joinville. Realizado pela em-presa ENGECORPS, 2010.

O Cachoeira, quando despoluído, servia de área de lazer e práticas de esporte e pesca (foto da década de 50).

Fonte: Arquivo Histórico de Joinville.

O rio Cachoeira, isolado em seu curso pela vegeta-ção e canteiros, além de completamente poluído. Fonte: acervo da autora, 2015.

Referências

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