O USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA CONSTRUÇÃO CIVIL

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O USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E

PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA CONSTRUÇÃO CIVIL

William Costa Ferreira¹; Francielle Maria Morais²; Nathalia Augusta Batista Gomes3; Silvia

Sidnéia da Silva4; Neide Aparecida de Souza Lehfeld5; Edilson Carlos Caritá6

¹ Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Discente do Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho. wcostaferreira@outlook.com.

² Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Discente do Curso de Enfermagem. franciellemorais85@gmail.com.

³ Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Discente do Curso de Enfermagem. naah.gomes@live.com.

4Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Professora Titular do

Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Educação e Coordenadora do Curso de Enfermagem. sssilva@unaerp.br.

5Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Professora Titular do

Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Educação e Diretora da Diretoria de Ensino, Pesquisa e Extensão. nlehfeld@unaerp.br.

6 Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Professor Titular do

Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Educação e Coordenador do Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho. ecarita@unaerp.br.

RESUMO

A utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI) nas indústrias e construções é fundamental para zelar pela saúde e segurança do trabalhador. No Brasil, a Norma Regulamentadora 6 (NR 6), juntamente com a Lei nº 6514 de dezembro de 1977, Capítulo V da CLT, estabelecem a regulamentação de segurança e medicina no trabalho. A construção civil é uma das atividades laborais que mais possui acidentes de trabalhos, sendo muitos destes causados pelo uso incorreto ou pela ausência da utilização do EPI. O objetivo deste estudo é descrever o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e a ocorrência de acidentes de trabalho na construção civil. Trata-se de pesquisa exploratório-descritiva, de abordagem qualitativa, realizada por meio de estudo de caso. O trabalho foi realizado com trabalhadores de uma empresa privada do segmento de Construção Civil da cidade de Ribeirão Preto/SP, que responderam um formulário, a partir da observação de suas atividades. Os resultados obtidos permitiram verificar que a utilização do EPI, embora obrigatória, ainda não é realizada por muitos, além de comprovar a eficácia e o benefício atribuído à saúde e segurança dos colaboradores que os utilizam de forma correta.

Palavras Chave: Equipamento de Proteção Individual; Norma Regulamentadora 6;

Construção Civil.

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1 INTRODUÇÃO

Sabe-se, que o homem sempre procurou se proteger. No início da humanidade, os homens das cavernas se resguardavam do clima, utilizando como equipamento a pele de animais. Milhares de anos se passaram e o homem da idade média utilizava para sua segurança armaduras feitas geralmente de aço, pois tais aparelhagens serviam como escudos durante os embates medievais. Já os indígenas, assim como no tempo das cavernas, utilizam o couro animal (CARDOSO, 2014).

Mas, foi mesmo durante a Revolução Industrial, ocorrida entre 1760 e 1840, que o Equipamento de Proteção Individual (EPI) começou a se tornar mais utilizado nas grandes indústrias. Durante este período da história, houve um grande avanço

nas indústrias têxteis: máquinas movidas a vapor, a criação de

máquinas-ferramentas, entre outros (RAMOS, 2015). Com este alcance, viu-se a necessidade de proteger os trabalhadores dos riscos aos quais estavam expostos durante suas longas jornadas de trabalho, períodos que chegavam a ter 16 horas de duração.

Embora tenha sido durante a Revolução Industrial que as grandes indústrias passaram a notar a necessidade de implantação de EPI, foi apenas no século seguinte que surgiu a primeira legislação que tratava de indenização por acidentes de trabalho (RAMOS, 2015).

Devido aos altos custos que os acidentes de trabalho geraram às empresas, pouco tempo depois da legislação de indenização surgir, foram criados os serviços médicos nesses locais que tinham como objetivo prevenir os acidentes de trabalho, evitando assim, para as empresas, os custos com os trabalhadores acidentados (CARDOSO, 2014).

No Brasil, somente a partir de 1978 iniciaram-se medidas de prevenção aos acidentes de trabalho com a criação das Normas Regulamentadoras (NR) que visam melhorar o ambiente de trabalho, não somente na construção civil, mas em todas as áreas que necessitam de normas para ter melhores condições de trabalho (WRUBEL, 2013).

Ainda segundo Wrubel (2013), com a criação das normas, a utilização dos EPI nas obras passou a ter grande relevância nos vários ambientes laborais, inclusive, tornando o seu uso obrigatório.

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A indústria da construção civil possui características próprias, sendo que a maior parte de suas atividades é dependente excessivamente de mão-de-obra e de pouca utilização de máquinas - condições que contribuem para o aumento dos riscos de acidentes de trabalho, apontando para a necessidade de atenção especial voltada para a saúde e segurança, tanto por parte dos empregados quanto dos empregadores. É indispensável em qualquer profissão a utilização de dispositivos de segurança e a realização de estudos que promovam melhor qualidade na execução das atividades dos trabalhadores. Os EPI têm a finalidade de proteger o trabalhador dos riscos à sua saúde e segurança individual (BAÚ, 2013).

2 OBJETIVO

O objetivo deste estudo é descrever o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e a ocorrência de acidentes de trabalho na construção civil.

3 MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de estudo de caso, exploratório-descritivo, de abordagem qualitativa. O trabalho contou com a participação de todos os trabalhadores (13 profissionais), de uma empresa privada do setor de Construção Civil, que tem sede na cidade de Ribeirão Preto, ao noroeste da capital do estado de São Paulo. Entretanto, os participantes da pesquisa estavam na cidade de Monte Azul Paulista, distante aproximadamente 100 km de Ribeirão Preto/SP, em um empreendimento imobiliário, de pequeno porte, com metragem de 47m², do tipo Minha Casa Minha Vida, totalizando a construção de 33 casas.

Foi realizada uma entrevista estruturada com os profissionais do canteiro de obras da referida empresa, que executavam tarefas operacionais, incluindo: seis pedreiros, cinco serventes de pedreiro, um pintor e um carpinteiro, que se encontravam na faixa etária de 25 a 60 anos.

O tempo de realização do processo investigativo foi de aproximadamente sessenta dias, entre os meses de dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Neste período, duas vezes por semana, foram observadas as condições em que as tarefas eram executadas pelos colaboradores, o que permitiu elaborar o formulário, de acordo com a realidade desse grupo.

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A coleta de dados foi efetuada em dois dias consecutivos, 16 e 17 de janeiro de 2020, quando os trabalhadores responderam o instrumento de pesquisa (Figura 1), de forma voluntária durante as pequenas pausas realizadas na jornada de trabalho dos mesmos, sem que houvesse a necessidade de identificação.

Os dados foram coletados exclusivamente por meio do formulário, elaborado pelo autor, individualmente. Após o recolhimento dos formulários preenchidos, iniciou-se a fase de análise e interpretação dos dados, considerando a contribuição de cada trabalhador, para cada resposta às questões, com vistas ao entendimento do grupo como um todo.

Os resultados do presente estudo foram expressos em frequência relativa e graficamente, e não foram vinculados a registro formalmente arquivado pela empresa.

Figura 1 - Questionário aplicado aos trabalhadores

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4 DESENVOLVIMENTO

4.1 CONSTRUÇÃO DAS CATEGORIAS TEÓRICAS

4.1.1 ACIDENTES DE TRABALHO NO SETOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL

O setor de construção civil é um dos segmentos que mais registra números de acidentes de trabalho no Brasil. Segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho (AEAT), no ano de 2017, foram registrados 549.405 acidentes de trabalho em todo país, sendo que destes, 30.025 ocorreram na construção civil, o equivalente a 5,46% de todos os casos. Já o número de afastamentos do emprego por mais de 15 dias foi de 142.782, sendo 11.894 no setor, registrando um total 8,3% (BRASIL, 2017).

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) avalia o setor de construção civil como líder do ranking de acidentes de trabalho com morte no país, afirmando que em todo o mundo, os trabalhadores desse segmento têm três vezes mais probabilidade de sofrer acidentes mortais e duas vezes mais de sofrer ferimentos (ALVIM, 2015). Assim é considerado um dos setores que apresenta as piores condições de segurança em nível mundial (SILVEIRA et al., 2005).

O setor possui grande rotatividade de trabalhadores por possuir condições desfavoráveis de trabalho em que, na maioria dos casos, as atividades são desgastantes e repetitivas, com evidências de maior ocorrência de acidentes de trabalho (TEDESCO, 2017), pouca ou nenhuma qualificação de mão de obra devido à falta de perspectiva dos empregados referente à qualificação profissional e baixo salário (BRUSIUS, 2010).

É válido ressaltar que muitas empresas não possuem uma política eficaz em relação à gestão de pessoas, não conseguindo reter os empregados por um longo período, pois muitos permanecem apenas pelo período da construção da obra, sendo dispensados ao término do projeto, acarretando um elevado índice de rotatividade no setor (OLIVEIRA, 2010).

Com o passar dos anos, a procura por melhores indicadores de produtividade no setor devido à alta demanda de serviço, foi necessária. Mas, para que tal objetivo pudesse ser alcançado, seria fundamental a existência de maior confiabilidade no

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processo de produção, visto que qualquer redução na capacidade laboral do trabalhador poderia causar a queda na produtividade de diversos serviços. Dessa maneira, as empresas identificaram a importância de oferecer maior atenção e valorização desses operários; oferecendo a eles treinamentos, capacitação e fortalecimento da criação de vínculos de fidelidade com as empresas (SILVA, 2015).

Tal ação vem diminuindo os índices de acidentes de trabalho, juntamente com a contribuição da Norma Regulamentadora 18 (NR 18), que está em vigor desde 1978, e das ações desenvolvidas pelos Comitês Permanentes Regionais sobre Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção, embora a situação continue em um patamar preocupante (COSTA, 2009).

4.1.2 CAUSAS PERTINENTES DOS ACIDENTES DE TRABALHO NO SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A razão pela qual ocorrem os acidentes de trabalho, especificamente na construção civil, tem adquirido grande atenção e relevância, visto que há elevado índice de ocorrência no setor, como já foi mencionado. Compreender como os acidentes ocorrem é fundamental, pois possibilita selecionar os fatores que exigem ação imediata ou excluir aqueles que não são importantes e podem ser ignorados (SWUSTE, 2008).

Segundo a NR 18 (BRASIL, 2018), o acidente de trabalho é caracterizado como uma ocorrência imprevista e indesejável, instantânea ou não, relacionada ao exercício do trabalho.

Os registros de dados de acidentes de trabalho no Brasil são provenientes do Ministério da Previdência Social e se referem ao conceito definido na Lei nº 8.213/91 e no Decreto nº 3.048/99, em que o total dos acidentes de trabalho registrados corresponde ao número de acidentes cujos processos foram abertos administrativa e tecnicamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (SOUSA; CAMPOS, 2017). Esses dados são provenientes da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), registrados nos vários postos da instituição em nível nacional e se classificam em:

a) Típicos: aqueles que acontecem no exercício do trabalho ou que

decorrem da extensão do conceito inserido na Lei nº 8.213/91;

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Atualmente, a Medida Provisória n° 905 (MP 905), de 11 de novembro de 2019, excluiu o acidente de trajeto do rol dos acidentes de trabalho (BRASIL, 2019). Portanto, os trabalhadores acidentados em trajeto perderam o direito de estabilidade no emprego por um ano, aposentadoria por invalidez acidentária e depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pelo empregador pelo período que estiver afastado pelo INSS. Todavia, se essa MP não for convertida em lei pelo Congresso Nacional, no prazo de 60 dias, podendo ser prorrogada por mais 60 dias, perderá efeito e os acidentes de trajeto voltarão a constituir a categoria (REINO, 2019).

A maioria dos acidentes de trabalho pode ser resultado da combinação de um ou mais atos e condições inseguras, sendo eles: equipamentos inseguros, condições do local de trabalho, utilização incorreta ou não utilização de EPI e métodos inseguros de execução de tarefas (SOUSA; CAMPOS, 2017).

As causas dos acidentes de trabalho podem ser variadas. Identificar porque ocorreram, bem como explicá-las, contribui significativamente para que possam ser evitados (ALARCÓN et al., 2016).

Dessa forma, com uma avaliação de risco confiável, os profissionais de segurança devem investigar as possíveis causas para os acidentes, por meio de revisão de relatórios, registros e estatísticas anteriores, construindo análises elaboradas com uma investigação das causas, tornando o processo de trabalho muito mais seguro, obtendo resultados eficazes dentro das organizações (SOUSA; CAMPOS, 2017). Entretanto, as fiscalizações nas construções não apresentam crescimento proporcional à quantidade de obras o que, consequentemente, resulta em elevação no número de acidentes de trabalho (SIMÕES, 2010).

O acidente de maior prevalência no setor de construção civil está associado a quedas, em muitos casos com desfecho fatal. Estudos realizados por Hinze e Huang (2003) relacionam a maioria das causas desses acidentes a erros humanos, por exemplo, quedas envolvendo telhados são ligadas ao erro de julgamento dos trabalhadores sobre situações perigosas, a insuficiência ou falta de EPI e dispositivos de segurança removidos ou inoperacionais.

Colombo (2009) afirma que grande parte dos acidentes de trabalho e demais riscos atrelados à construção civil podem ser associados à falta de atenção e conhecimento dos trabalhadores, falta de planejamento e realização de improvisos.

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Esse conjunto de fatores transforma o canteiro de obras em um ambiente vulnerável e agressivo para a ocorrência dos acidentes de trabalho.

Sousa e Campos (2017) salientam que os desgastes psicológicos e físicos decorrentes de estresse de trabalho agravam o nível de exposição ao perigo dos trabalhadores, além da imposição de um curto prazo para a execução das construções e acúmulos de tarefas, que também são considerados fatores causadores de acidentes, visto que a probabilidade de erro de execução mediante essas condições é maior, colocando a segurança dos trabalhadores em risco. Estudos realizados pelo autor apontam as dezenove causas dos acidentes de trabalho na construção civil considerando uma revisão integrativa da literatura, por maior ordem de relevância, como mostrado na Figura 2.

Figura 2 - Causas de acidentes na construção civil por categorias e seus índices de relevância

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4.1.3 O USO DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL NA CONSTRUÇÃO CIVIL

A indisponibilidade de EPI por parte dos empregadores, bem como a não utilização dos mesmos por parte dos empregados, quando estes são fornecidos, principalmente, em obras de pequeno porte, devido à ineficiência ou ausência de fiscalização são fatores que dificultam o atendimento da legislação vigente que rege as normas de segurança do trabalho (CISZ, 2015).

Essas objeções resultam em causas de muitos acidentes de trabalho nos canteiros de obras, os quais poderiam ser evitados ou terem sua gravidade amenizada pela distribuição e uso correto dos EPI, que são uma das formas previstas em lei para prevenir as lesões que possam ser eventualmente causadas pelos acidentes de trabalho (DOBROVOLSKI; WITKOWSKI; ATAMANCZUK, 2008).

A utilização dos EPI pelos trabalhadores da Construção Civil é de suma importância, pois visa a prática de segurança com eficácia para os mesmos, protegendo-os contra lesões provocadas pelos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho (MONTENEGRO; SANTANA, 2012).

Uma das maneiras mais eficazes de garantir a utilização dos EPI pelos trabalhadores da Construção Civil é a realização da fiscalização das atividades desenvolvidas no setor. Dessa forma, é possível garantir a qualidade e a segurança do empreendimento durante sua fase de construção, de modo a evitar possíveis falhas na execução (CISZ, 2015).

Os EPI oferecidos pelo empregador devem conter, obrigatoriamente, o Certificado de Aprovação (CA), trata-se de documento que atesta a qualidade e eficácia do equipamento para determinado uso, medida essa descrita na NR 6. Além disso, é de responsabilidade do empregador oferecer treinamento adequado ao trabalhador sobre o seu uso, tornando-o obrigatório e substituindo-o imediatamente quando este for danificado ou extraviado; além de realizar higienização e manutenção periódica sempre que necessário. Em caso de qualquer irregularidade observada em relação aos EPI é válido realizar a comunicação ao Ministério do Trabalho e órgãos responsáveis (NASCIMENTO et al., 2009). O empregado tem como dever usá-lo apenas à finalidade a que se destina, zelar por sua guarda e conservação e comunicar ao empregador qualquer alteração nos EPI que venham torná-los impróprios para uso (CISZ, 2015).

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Embora a não utilização de EPI possa acarretar aplicação da pena de dispensa por justa causa, após ser advertido e suspenso, conforme previsto no artigo 482, letra “h” pertencente ao Decreto Lei n° 5.452 de 01 de maio de 1943 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), a inutilização do mesmo é recorrente nos canteiros de obra.

4.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os trabalhadores do canteiro de obras onde foi realizada a pesquisa cumprem jornada diária de 8 horas e 48 minutos ao dia, totalizando 44 horas semanais; são registrados com vínculo empregatício por meio da CLT.

Todas as tarefas dos trabalhadores citados são monitoradas e indicadas por um mestre de obras, que presta serviços terceirizados. O projeto de engenharia é realizado por dois operários da própria empresa, com tarefas e alocações administrativas na sede de Ribeirão Preto, e duas visitas semanais no canteiro de obras.

No início da obra, a empresa distribui para todos os empregados os seguintes EPI: capacete, bota de bico de ferro, óculo de proteção, luvas e protetor auricular. Ainda cabe comentar que está previsto na Norma Regulamentadora 35 (NR 35) a utilização de cinto de segurança em toda a atividade executada acima de 2 metros do nível inferior, onde haja risco de queda, contudo, a medida não foi adotada pela empresa.

Dos 13 funcionários do empreendimento, 03 deles alegaram que já sofreram acidentes graves de trabalho com afastamento em outras obras, sendo 01 deles acidente de queda de altura (andaime) e 02 deles por manuseio incorreto de equipamento. Ressalta-se que 02 funcionários correram risco de morte em virtude dos acidentes.

Não houve relato de registro de acidente de trabalho grave com afastamento entre os participantes do estudo, no cenário pesquisado.

Quanto aos EPI, 03 funcionários alegaram utilizar corretamente e constantemente, em conformidade com as orientações fornecidas pela empresa, 08 relataram a utilização esporadicamente ou quando julgam necessários e 02 afirmaram não os utilizar. Os resultados percentuais desses dados podem ser observados na Figura 3.

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Todos os entrevistados declararam ter participado do treinamento de segurança para trabalhos em altura, no período da obra.

Por fim, no que diz respeito às ocorrências de acidentes de trabalho não comunicadas à empresa empregadora, 01 dos funcionários alegou ter sofrido um ferimento leve decorrente da queda de um bloco em seu pé. Além disso, 06 trabalhadores referiram que não conseguem realizar o registro de ponto eletrônico por danificações em suas digitais, causadas pela não utilização de luvas durante suas tarefas diárias. Os percentuais correspondentes a esses relatos podem ser observados na Figura 4.

Figura 4 - Utilização de EPI pelos funcionários de empresa privada do setor de Construção Civil de Ribeirão Preto.

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Figura 5 - Ocorrências de acidentes de trabalho não comunicadas à empresa empregadora

Fonte: Autoria Própria

5 CONCLUSÃO

Considerando os dados coletados com os trabalhadores de uma empresa privada do setor de Construção Civil de Ribeirão Preto/SP, é possível evidenciar que nem todas as ocorrências de acidentes de trabalho são registradas e comunicadas ao empregador.

Os sujeitos pesquisados que alegaram ter sofrido acidentes com afastamento e risco de morte possuem idades superiores a 50 anos, o que permite afirmar que em algum momento da carreira dos profissionais da construção civil, a exposição a acidentes que possam colocar a vida em risco é elevada.

Mais da metade dos trabalhadores teve algum tipo de intercorrência no atual emprego advinda da não utilização de EPI, mesmo que esses tenham sido distribuídos igualmente a todos, 76,9% deles fazem da sua utilização um ato esporádico ou até mesmo não o utilizam, o que permite atrelar esses altos índices de ocorrência com o uso incorreto dos mesmos, conforme indicado na literatura.

Já os empregados que relataram utilizar corretamente os EPI oferecidos, não sofreram acidentes de trabalho, de quaisquer naturezas, o que permite confirmar a eficácia e o benefício da utilização correta dos EPI, nesse fenômeno estudado.

Finalizando, reafirma-se que a Construção Civil é um setor que apresenta grande risco aos seus profissionais, conforme dados obtidos neste estudo. Porém, é

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possível constatar que a utilização correta e constante dos EPI pode evitar ou ao menos minimizar os impactos de possíveis acidentes de trabalho.

6 REFERÊNCIAS

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