Sandra da Costa Mattos
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© Copyright 2005. Ícone Editora LtdCl.
Ilustração Capa
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o da Costa Mattos
Capa lv1e1iane Moraes
Diagramação
Andréa Magalhães da Silva Revisão gramatical e lingüística
Silvio Ferreira da Costa Mattos Revisão
Ros;,l M;-uia Cury Cardoso
Proibida a reprodução rotai ou parcial desta obra, de qualquer f'órma ou meio eletrônico, mecânico,
inclusive através de processos xerográficos, sem penniss8o expressa do editor
(LeL
n°
9.610/98).Todos os direitos reservados pela ÍCONE EDJTORA LTDA. Rua Anhnnguera, 56- O 1135;000
Barra Funcb-S8o Paulo-SP Tel./Fax.: (11) 3392; 7770
ww\v.iconelivraria.com.br e,mail: iconcvendC!s(fÇyahoo.com.br
---. ···- - ---- - - -- -- - -- - -
-Agradecitnentos
Acima de tudo, a Deus (Zambi, Tupã, Olorum ... ), o Criador do Universo e o Gerador da V~da.
A Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai Oxalá - Mestre Maior da Umbanda.
Ao meu Orixá, Senhor Obaluaê, com respeito e ad1niração. Ao Caboclo Ubatuba, Mentor Espiritual da APEU, pelas mensagens de amor e fé que nos ensinam a cmninhar na trilha
da
evoluç8.o espiritual.À
Cabocla Indirn, peb doçura e afeto.Ao Caboclo Boiadciro da
J
urema, Entidade respons8vel pelos Ogãs da casa, que sempre nos traz novos conhecin1entos sobre a força dos instrumentos sagrados e da magia umbandista. Ao meu padrinho espiritual, o Preto~Velho de Xangô: P8i Sete Quedas da Cachoeira.Aos Exus de Lei, em especial ao Exu das Sete Portas e ao Exu
dH
lv1aré, pela guarda e proteção.E a todos os Orix<1s, Guias e Protetores que atuam. nas Linhe1s de Umbm1da.
Meu sincero Saravá!
O
autorDedico esta obra
À
nlinha espos;:t, Viviane Schiavino da Costa Mactos, pelo amor c con1panheirismo.Aos meus pais e dirigentes espirituais da APEU: Silvio Ferreir<:1 da Costa Matt:os c Cleide Cunha da Costa Mattos, pelo carinho, educação e incentivo, e ainda por terem mostra
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o
desd
e
''
minh
n
tenr<1 idade a ilnportância en1 seguir um canünho religioso p~1ra ê\ pnítica da fé e da caridade.Ao meu "Pai-de-Couro", hoje dirigente do Templo de Urnbanda Branca do Caboclo Girassol, Dcrmeval Marques Saturnino.
A
os
Üg;1sela
A
PEU:
CristianoM.
Roch<.l,
Sidney C. Mattos1 Rogério da Silv<l, Willian da Silva, \'{!anderlci Cunha, Luis Marcelo G. Nascimento e André Luis G. NascimetHo.À
minh8 avó, Carmélia Decorni Cunha, a Adag?i da cnsa, sernpre fiel 8 Umbanda, servindo de exemploaos
rnais JOVens.Ao Üg8-0b<í de Oxalc1: Hevanir de Souza Mattos, .~rande
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Indic
e
Prefácio,
1
1A
m.úsica e a religiosidade,15
Tambores, 17
Religiões afro~brasileiras que utilizam tan1bores, 21 O atabaque, 27
Instrumentos auxiliares, 31
Os Ogã
s, 33
Títulos e cargos dos Ogãs, 35
Outras denominações dos Ogãs, encontradas n::ts diversas Nações Africanas, 39 O Ogã e sua mediunidade, 41
Iniciação do Ogi'i, 4 5
Comportamento e disciplina, 49 Saudações aos Orixás c Unhas, 53 S<1udações especiais,
55
Pon
tos
cantados,57
Tc)ques c ritmos, 63Obrigações ritualísticas, 69 Firmeza dos atabaques, 71 Cruzamento do couro, 7 3 Energizaçfto,
7 5
Ali1nentar os atabaqucs, 77 Descarregar o couro,
79
Trocaele couro,
81
Trabalhos junto ~l natureza, 83
Guias e
cobres,87
Demanda cn tre Ogfts, 89
Paga
de Ügft,91
Mulheres nos atabaques,
93
Casosverídicos, 95
O
Hinoda
UmbandC~,107
Letras de pontos cantados,109
Regulamento dos Ogã.s (modelo), 123 Manutencão dos instrumentos, 125 ~
Um pouco de
história,12 7
Monte seu próprio instrumento,
129
Epílogo,133
Referências Bibliográficas, 135
Prefácio
Foi com imensa alegria que recebi do autor desta obra intitulada- O livro bc.ísico dos Ogãs - , coincidentemente,
meu filho, a incumbência de prefaciar este que é seu prin1ciro trabalho literário, particularmente de cunho religioso, no qual
busca passar ao leitor u1n pouco da experiência reunida ao longo dos seus vinte anos no cargo de Ogã, cuja evolução no aprendizado
c
no aperfeiçoamentolhe
permitiu galgaro
s
postos hierárquicos dessa representação sacerdotal, pautado no comprometimento corn a hmnildade, com a seriedade e a
fé
,
até atingir os patamares que o levaramà
posição de Alabê.Desde muito cedo, tivemos a surpreendente e gratifi;
cante satisf~1ção de testemunhar o despertar de suas habili; dadcs para lidar com instrumentos de percussão. Sabíamos que se tn1tava de
ur
n8
dádiva do Criador, que lhe permitiu vir ao mundo dotado de tão maravilhosa medíunidadc.Seu trein8mento inicial aconteceu sobre uma antigrt penteadeira que compunha os móveis de nosso quarto. Ali,
cu e 1ninha esposa, pasmos, presenciávamos sua dedicação e f(;rça de vontade ao vê; lo repetir incontáveis vezes as seqüên~
1 1
cias dos toques, procurando as alternâncias sonoras e cmnpo~ sição dos ten1pos tnusicais
de
forn1a queos
tornasse graciosos e suaves aos ouvidos daqueles que o prestigiavan1 con1o expectadores.Observávamos que, no transcurso dos trabalhos litúr~ gicos que, já naquele ten1po dirigímnos na Associação de Pes~ quisas Espirituais Ubatuba- APEU -,no bairro do ]ardin1 Catarina, na zona leste
da
cidade de São Paulo, sentado nun1banco de n1adcira dos que con1punhan1 as acon1odações dos assistentes, suas mãos não paravan1, tentando acon1panhar as batidas dos tambores tiradas pelos Ogãs mais antigos.
Seus olhos apresentavan1 un1 brilho especial e certo en~ canta1nento quando presenciavam a ação do então Ogã Inte~ rino que colaborava com o Ten1plo
do
Caboclo Ubatuba. Era ele que se responsabilizava pelas chan1adas e pela n1arcação rínnica dos pontos ou cânticos, nosso irn1ão de fé, Antonio Carlos Pahneira, mais conhecido corno Toninha, un1 alto co~ nheccdor dos segredos e das tnodalidades utilizadas para fazer ressoar grande partedo
cabedal n1usical integrante dos cultos oriundos dos povos africanos e indígenas, nos quais já se acha n1esclada uma grande pnrcela de influências brasileiras,de
outras religiões e até da própria universalidade htm1ana, harmo~
nízando~se par8 louvar as sacrossantas forças de Aruanda. O senso de observação, a sensibilidade aos efeitos da percussão, a perseverança e os dons- natural e n1ediúnico -, colaboraram para que
o
n1eninoSandro
,
posteriormentesub
o
comandodo Ogã Alabê
Dermeval Marques Saturnino, viesse a fazer parte integrante do grupo de instrumentistas da referida Instituição.Nesse período, devido à sua pequena estatura en1 fun~ ção da idade, foi necessário que o acon1odássen1os sobre un1
p
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ço
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árvor
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o
tip
o
usado pelos açougueiros, onde se faz o corteelas
carnes, de tnodo que pudesse alcançar o couro do atabaquc a ele destinado.O
tempo passou dcspercebidmnente e,quc
:md
o
n1enos. se esperava,ei
-l
o
adulto, casado, con1 formação superior en1 Ciências Biológicas c com a fé preservada, nulito embora tivesse passado por duras provações em sua vida. Nada foi capaz de abalá-lo. Ao contrário, seguindo Lml dos ensina-mentos passados, certo dia, pelo Caboclo Ubatuba, retirou de seus caminhos todas as pedras pequenas e contornou ou
transpôs aquelas de dimensões 1naiores .
. Diante desse mérito, intuitivamente foi-lhe dada a mi s-são de transcrever, de forma respeitosa e singela, sen1 a pr e-tensão de se assenhorear da verdade, este con1pêndio, no qual
ab
orda
um
te1na ainda pouco explorado ou divulgado no meio das religiões umbandista, candomblecista e outras congêneres. Fruto de estudos e pesquisas feitos tantoin
-loco
quanto através de narrativas históricas ou da elucidação obtida por intermédio do Caboclo Boiadeiro da] urema, os regisrros deO
livro b
ásico
dos
Oga
s
procuram obedecer a un1a cronologia que passa por cerin1ônias datadas da Antigüidade, chegando à era conten1porânea.O
texto realça a importância dos in stru-mentos musicais no estabelecimento de elos de ligação entre os homens em seu mundo terreno e os seres das incontáveis esfer8s do plano extrafísico, quer sejan1 dos estratos mais ref i-nados, quer sejam dos mais densos- pois éde
conhecimento geral que em todos os ritos de que se tem informação vem o-los presentes, seja no retininte badalar de un1 sino, nos ac(!rJes de uma lira, no soprar de un1 oboé, seja no son1 grave ou agudo dos tambores.Aqui nos deparamo~ com o preenchimento de lllna lacuna, h<:'l muito esquecida ou ignorada e que, certamente, irá elucidar ou ·suprirnir muitas dúvidas nas respostas não obtidas dos líderes acomodados à simples prática da mediu -nidade ou de liturgias herdadas e repetidas sen1 questiona-Inento, ou, pior ainda, cbqudes que não reúnen1 a mínüna condição de fazê-lo por tarnbén1 desconhecer as verdades.
Nada resulta do acaso. Os que acreditan1 nesse acaso são somente aqueles que não buscam se aprofundar nas raízes dos acontecin1entos, pois se o fizessen1 poderiam ver que tudo obedece às Leis hnutáveis geradas pelo Onipotente, Onis~ ciente e Onipresente Arquiteto do Universo.
É
por isso que vemos surgir obras encantadoras no seioda
literatura mnban~ dista, as quais tên1 tmnado vulto com o aparecin1ento de maravilhososromances,
con1pilados con1 esclarecin1entos sobre os métodos a serem en1pregados na convivência sociofa~ miliar que nos elevam no plano da espiritualidade e nosimuni-zam da
não~aceitação da realidade que nos é in1posta. For tale~cendo tais narrativas, vemos vicejar, também, urn sern~núlne ro de obras voltadas para a doutrina em si, algumas, inclusive, preocupadas com a depuração e a exclusão de detenninados hábitos causadores de repúdio e criadores de contendas.
Se você é Ogã na verdadeira acepção da palavra, não fique limitado ao conhecin1ento dos
toques
de atabaque.Vá
em frente! Não pare no n1eio do carninho. Aprofunde~se no saber, pois foi para isso que Deus nos dotou da racionalidade e da n1obilidade. Você est<-Í.
de
posse do livro certo. Mais un1a vezlhe
afirmo:N(ula
resultado
acaso. Faça con1o os bons profissionais: especialize~se, busque o crescimento e a atuali-zação e, corn certeza, estará contribuindo para o seu próprio aprin1oramento, para a prosperidade da casa a que ·se dedica e para o engrandecimento da sua religião!Axé!
Silvio
F.
ela Costa Mattos
A
Música e a Religiosidade
Em todos os ternpos e povos encontrarnos o uso da músi-ca a fim de se manter un1 cm-nato com o Divino. Nas mais diversas crenças poden1os observar sua presença.
Vejan1 que na Igreja Católica entoan1~se hinos, ladai~ nhas, cantos gregorianos. Os evangélicos também têm através do ccmto uma forma de agradar a Deus com suas bandas e conjuntos
G
osj
J
cl.
As seitas orientais utilizam.~se muito dos mantras (combinações de letras que vibrmn no Astral). Na U1nbanda c cultos africanos, temos os pontos cantados, e até no espiritisrno tradicional já existem canções que servempara difundir o Evangelho e os ensinarnentos de Kardec.
Na
própriaBíbli(l
existem várias menções sobre a utili~ zação musical, seja por meio de instnnnentos seja por meio do canto.Apenas parél exemplific:n~ no Antigo Testamento te~ mos: "Logo após a travessia do Mar Vermelho, 1v1iriã e as mulheres de Israel adoraram a Deus com cânticos acompa~
nhados de danças e tamborins''. (Livro do Êxodo,
15:
20~21)"Os profetas dos tempos de Samuel usavam saltérios, télm~
1
5
bores, flautas e harpas".
(1, San1uel,
10:5)
Como disse Isaías:
"O Senhor veio salvar,Ine, pelo que, tangendo os instru,
n1entos de cordas, nós o louvaren1os todos os dias de nossa
vida, na Casa do Senhor". (Isaías, 38:
20)
O
Saltério (Salrnos) era o cancioneiro de Israel.
Os
salinos
d~on1uito destaque ao uso de instnnnentos 1nusicais
na adoração a Deus: '<Celebrai o Senhor con1 harpa, louvai,
o con1 cânticos no saltério de dez cordas. Entoai,lhe novo
cântico, tangei, C0111 arte e C0111 júbilo". (Saln10 33: 2,3)
No Novo Testan1ento, observan1os os seguintes textos:
~<Por volta da n1eia-noite, Paulo e Silas oravan1 e cantavan1louvores a Deus, e os demais cmnpanheiros de prisão escuta,
van1". (A tos,
16:
25) "Está alguén1 entre vós sofrendo? Faça
oração. Está alguén1 alegre? Cante louvores". (Tiago, 5:
13)
'<Habite, ricatnente,
en1vós a palavra de Cristo; instruí,vos e
aconselhai,vos n1utumnente en1 toda a sabedoria, louvando
a Deus co1n sahnos e hinos e cânticos espirituais, con1 gratidão
en1 vosso coração". (Colossenses,
3: 16)
Tatnbores
De forma genérica, podemos afinnar que tan1bores são ins-tnnnentos musicais de percussão, fon11ados por mna armação oca, tendo, sobre essa, uma pele esticada, produzindo o son1 quando
percutido, sendo esse originado pela vibração
da
me1nbrana, ouseja, da pele, classificando-o assim con1o um membranofone. Os prüneiros tambores foran1 encontrados em
escava-ções arqueológicas no Período Neolítico. Na Morávia, um desses achados foi datado de 6.000 anos a.C .. Em artefatos egípcios, outros foram localizados, com peles esticadas, dat
a-dos de 4.000 anos a.C. Na Mesopotâmia e na antiga S~1méria,
alguns tambores de 3.000 anos a.C. ainda têm sido desco -bertos, conforme registro anotados por pesquisadores que
estudmn os hábitos culturais de antigas civilizações.
Características dos primeiros tambores
Consistiam de troncos ocos, cobertos pelas bordas con1 peles de répteis ou couro de peixes, sendo percutidos com as
n1ãos. Son1ente n1ais tarde surgiu o uso de baque tas e tatnbén1
de peles 1nais
resistentes.
Cmn o desenvolvünento n1usical do ser hmnano, a
grande variedade de tan1anhos, formas, tipos de peles e de
tnétodos
de fixação dessas foran1 surgindo. Ntnn tan1bor de
urna pele, ermn usados n1ateriais con1o pregos, grarnpos, cola
etc.
Já
nos
de duas peles,
fazimn~se furos atravessando,as,pelos quais passavan1 cordas a filn de esticá, las. Os tan1borcs
tnais 1nodernos, usando aros que pressionan1 a pele, surgiran1
na Europa.
Tambores sagrados
Os tmnbores se1npre tivenun funções diversas, con1o
a de transtnitir alegria ezn festas populares, transtnitir tncnsa,
gens à
distância e principaln1ente a função religiosa. Tidos
con1o objetos sagrados, con1 poderes znágicos, znesn1o
atual~n1ente, en1 certas sociedades, sua confecção envolve un1
certo ritual.
Ezn todo o mundo encontran1os religiões ou
seitas que
os
urilizan1 en1seus cultos divinos.
Na China, há tnais de 2.000 anos,
usa~se tais instru,1nentos, feitos de bronze,
cn1rituais sagrados e cerünônias de
casmnento.
No
Japão, um gigantesco tan1bor chan1ado
o~tail<.oé
percutido no ritual "Bate o Coração da Mãe,Terra". Alén1
disso, consideran1,no diretatnente ligado
à
história sagrada
do Japfio e ao culto original elo xintoísn1o. Encontran1os ainda
os
de
tnenor tan1anho,
con1o
os pequenos
shime-tail<o,
que
emitern un1 alto diapasão. A n1anipulação desses instrun1entos
japoneses
in1plicauma sintonia perfeita de n1ãos e pés, onde
gestos coreografados não são sin1ples espetáculos, znas
sin1a
evocação ritual dos kamis (espíritos universais), invocando,
os para a boa colheita, pr1ra a chegada da primavera e a identi~ ficação dos homens com a terra.
Nativos norte~americanos tambén1 associmn os toques às batidas do coração d
a
Mãe~Terra e ao som do útero, poisdá
acesso à forca ., vital através de seu ritmo. Para os Xamãs, éveículo para invocação
d
e
espíritos, para curas e para afastara
forçado mn
l.
É
o instrumento de comunicação entreo
Céu e a Tcrni.
No
Vodu
haitiano, cmpregmn~se alguns outros n1odelos como: oboula,
o sccond
e omanrrum,
também chamado deassoto
r.
Existem também os Damarus (instrumentos de Shiva), ·tumbadoras cubanas, tablas indianas, além dos usados no
Tantra e no Budismo Tibetano.
Nos cultos africanos, como o Candomblé e a Um banda,
religião de terras brasileiras, entre muitas derivações, o 1nais comum é o conhecido atabaque.
Há
ainda outros instrumentos considerados de grandepoder, como os marac::ís e chocalhos, muito utilizados na
América do Sul, principalmente pelos indígenas, feitos de cabaça, cascos de tartaruga ou chifres de gado, contendo, em seu interior, sementes ou pedras. São utilizados para que,
brar a energia estagn3l-b , para abertura de rituais, exorcisn1os
e
trabalhos de cura,a
l
ém de
seren1 ótin1os para a marc;:~ção dos ritmos.Religiões Afro, Brasileiras
que
U
tilizafll Talllbores
No Brasil, existem diversas seitas e religiões que utilizam esse tipo de instnm1ento de percussão em seus rituais sagra-dos. Entre elas, destac:un~se aquelas que se originaram dos povos indígenas e africJ.nos, corno as que seguem:
Umbanda
É
uma religião universalista, com diversos detalhes en-contrados nas mais variadas religiôes e seitas do rnundo. Porérn, não é difícil identificar que na UmbJ.nda, três bases religiosas têm papel fundamental em sua forma de atuar: o
espiritismo, o catolicismo e os cultos africanos. A tudo isso,
somamos ainda o conhecimento e a cultura indígena.
Semelhante ao espiritismo, possui comunicação
entre médiuns e espíritos desencarnados, baseando-se na
doutrin8 de Karclcc, com relação aos estudos dos fen
ô-2
1
menos mediúnicos e na crença da reencarnação e na evo~
lução do espírito.
Do catolicismo, herdou principalmente o sincretismo com os Santos, pois, a todo o mon1ento, os umbandistas reve~ renciam tanto os Orixe:ís quanto esses Espíritos de altíssima
_elevação, que muito auxiliam ern seus trabalhos.
J
á
dos cultos africanos, é notório que a Umbanda re ce-beu grande influência, principalmente através dos espíritos de negros escravos, os Pretos~ Velhos, que trouxeram, en1 suas manifcstaçücs, muitos ensinamentos que serviram para incor~ porar, ao ritual, elementos que até então eram típicos, prin ci-palmente, do C;;mdomblé.Os indígenas (Caboclos) contribuíram com seu conhe~ cimento sobre os vegetais sobre a manipulação de energias através da pajehmça, usadas principalmente no cornbatc às forças inferiores, na prMica
d
a
cura etc.Qucmto à sua origem, a versão 1nais aceita entre os adeptos é a da n1anífestaçf:lo do Caboclo Se-te Encruzilhadas,
em 15 de novctnbro de 1908, qm1ndo incorporado no ainda
muito jovem Zélio Fern<indino de Moraes, na sede da Fede -ração Espírita do Rio ele Janeiro. Porém, essa história não
é
uma unanimidade, pois existern aurores que defendem que a
Umbanda nasceu há muito tempo atrás, na lendária Atlân
-ticla, ou, aind8, que ela seja uma ramificação direta ele cultos africanos que davarn abertura à manifestação dos espíritos dos seus antepassados. Particularmente, acredito que, como forma de culto oficial, essa maravilhosa religião nasceu siln
com o Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas que, como força de atuação, desde dos primórdios da hmnanidade, até porque ela trabalha com as energias que regem a natureza.
E se a Un1banda, cmno culto oficial, passou a ser aceita
con1o religifio a partir do evento corn Zélio de Moraes, não podemos esquecer das pabvras do Caboclo, declarando que se iniciava, naquele momento, um novo culto em que estavam
presentes os espíritos de velhos africanos, que haviam servido
como escravos e que, desencarnados, não encontravam cam,
pode ação nas seitas negras, jc.í. deturpadas e voltadas muitas
vezes para os trabc:dhos de feitiçarias, e de índios, nativos de
nossa terra, que por ela poderiam trabalhar cm benefício dos
encarnados, independendo da sua raça, credo ou condição
social. Disse também que
a
prática da caridade,r1o
sentido do amor fraterno, seria a característica principal desse culto, que teria, por base, o Evangelho de Cristo, e, com.o MestreSupremo, Jesus. Entre 8S normas estabelecidas, seus pe~rtici~
pantes deveriam estar uniformizados de branco e o atendi~ 1nento seria totalmente gratuito.
Aproximadamente na década de 50, um novo segmen~
to, denominado
U
m
bancl
ct
Eso
tér
ica
cIni
c
iáti
ca
,
foi difundido principalmente por '.::J./ W da Mata e Silva e seus discípulos,muito embora, anteriormente a isso, 1nensagens enviadas pelo
Caboclo Mirim através do médium Benjamün Figueiredo, já
falavam sobre essa escola umbandista.
O
mais importante não é a nmnenclatura utilizada, seUtnbanda Branca, Mista, Esotérica, Iniciática ou Popular,
mas, sim, seguir as méÍxín1as ensinadas pelo Mestre Jesus,
Nosso Pai Oxaló: "Amai-vos uns aos outros" e "Fora da cnri~
dade não h8 salvac8o" . .>
Candomblé
Religião de culto aos Orixás, praticada pelos negros
africanos, que sobreviveu e ainda cresce nos díe~s atuais.
Nasceu da mescla das diversas culturas encontradas entre
os povos trazidos ao Bra.sil, para servir de 1não~de~obra escrava no período colonial. Essa mistura fez com que, aproxin1adamente,
quinhentos Orixás cultuados no início fossen1 absorvidos em
aproximadamente dezesscis Orixás, louvados nos tempos a tua is.
Un1 f8tor irnport8nte para 8 sobrevivência
do
culto às proibições vindas da Coroa Portuguesa, onde, assim como ern toda a Europa, o cristianismo imperava, foi a adoção do sincretisn1o, no qual os negros relacionaran1 seus deuses aos Santos Católicos.As principais Nações encontradas são: Ketu, Jeje (ou Gege), e Angola, com ztlgumas características próprias, con1o o díaleto, a hierarquia, e até a nmnenclatura dos Orixás.
Xangô
Muito próximo ao
Candomblé, é
cmnun1 principal~ mente no Estado de Pernambuco, sendo tambén1 chamadoele
Xangu
ele Recife
ou doNordeste.
Batuque
Religião de culto aos Orixás, praticada principalmente no Estado do Rio Grande do Sul, fruto dos povos da Costet da Guiné e
d8
Nigéria, con1 suas naçôes Gege, !fexá, Oyô e Nagô. Surgiu no período de 1895 a 1935 e o principal respon~sável por sua difusão foi o príncipe africano Manoel Custódio de Almeida que, na África, tinha outro nome.
Já
pode ser encon~ trada em países vizinhos cm no o Uruguai e a Argentina. Entre os instrumentos utilizados, existe Lll11 tambor chamadolnhã.
Tambor--de--Mina
Difundida no Maranhão e na Amazônia. A palavra
L!Tambor"
derivc:t da importância do instrumento nos seusrituais.
Já
11nação cbcb <:tos escravos procedentes da 'c costa situada à leste
do Castelo ele São Jorge de Mina,, conhecidos principahnente
como negros mina-jejes e 1.nina-nagôs.
Atualrnente, embon1 pouco cultuada, essa Nação ainda
vive ativa nD região de Olinda, no Estado de Pernambuco.
Omolocô
Difundido pelo
Ti
1ta
Ti Inkice Tancredo da Silva Pinto,é parecido com o Candomblé tradicional, mas com rituais próprios. Com base nos Orixás, tem feitura de santo, sacrifício
an
imal
e ca1narinha (roncó), porém tmnbérn ten1 a inco rpo-ração de espíritos de caboclos, pretos-velhos e outras entida-des da Umbanda tradicional. Alguns o classificam con1o U m--banda Primitiva ou de Nação.
O
Atabaque
Constitui~se de um tambor cilíndrico, ligeiramente cônico e comprido, onde apenas a abertura tnaior é coberta
por couro animal (de bode, carneiro ou boi).
Instrumento musical de percussão que pode ser tocado somente cmn as mãos ou ainda com baquetas (varinhas) espe~ ciais feitas de galhos de goiabeiras ou araçazeiros, chamadas ag~âdavis.
Seu nome tem origem árabe, at.-tabaq, que signific8 ( ( prato
"
.Descendentes africanos ínformarn que os primeiros atabaques eram feitos de cerâmica. Depois passaram a usar troncos ocos de coqueiros e palmeiras, e só após algum tempo vieram a construí~los com a madeira da gameleira (árvore sagrada do Candomblé).
Pelos materiais utilizados em sua confecção, podemos notar sua importância nas religiões afro~brasileiras, pois temos,
n
a
madeira, o Axé de Xangô, nos aros de metal, a forçrt de Ogum e Exu, e nc1 pele de origem animal, a influência do Oríxá caçador, Senhor Oxóssi.Denom.inação e utilização dos atabaques
São classificados pelo tamanho, chamando~se Run, Rumpi e Lé. Existe também
o
Contra,Run, porém, esse épouco utilizado:
Run: o n1aior deles, de tom grave. Seu nome ?ignifica, em iorub:cí.,
voz
(ohún) oqrugido
(hün).Rutnpí: menor que o Run e tnaior que o Lé, de tom mediano.
O
nome, tatnbém emiorubá,
ten1o
"hün" (rugido) mais o a pi" (imedi8tan1ente), ou seja, indica a sua posição naorquestra de atabaques.
Lé:
é o menor do trio e ten1 o som mais agudo. O nome na língua Ewe faz alus·Jo ao seu tamanho, pois significa j)cqueno (Iee).Nos terreiros, etn especial no Candomblé, o Run é res~ pons:ível pelo solo music:1l e variações melódicas. O Rumpí e oLé possuem a função de dar o suporte musical e a numu~ tenção constante
do
ritmo.Na
Umbanda, nem sempre isso ocorre, pois normalmente os ata baques são tocados ao mestno tempo, de forn1a tnuito parecida pelos instrum.entistas, mudando, às vezes, de pessoa para pessoa, a forma de fazê~ lo· e a ordem das passagens (repiques) durante o toque, com igual êxito junto às divindades.. Os atabaques, também chamados de
Ilus,
Angombas ou EngonlaS na Nação Angola, como instrume:1tOS sagrados que são, Í1ão devem s<1ir do recinto do terreiro a menos que seja pam uma obrigação religiosa, como, por exetnplo, os trabalhos nas matas, nas praias e nas cachoeiras, ou, ainda, por algo que faça pmte da tradiç8o, como <1S visitas entre tendas conhecidas. Também não devem ser per cu tidos por pessoas não preparada.s par<1 esse fim, pois isso poderia acarretar numa ((quebra de energia.s" existentes no instrumento ou ainda na transmissão de vibr8ções que n8o seriam benéficas à pessoa despreparada.Seu som é condutor do Axé do Orixá. A vibração do
couro e da madeira interagindo geram forças capazes de rela,
cionar,nos diretamentc com os mais altos (ou baixos) campos
vibratórios, de acordo com a necessidade ou vontade daqueles que os fazem soar.
A
afinação destes t<:1mbores tem como aspecto primor, dial: a diferença de ton<.11idades entre eles, vindo da grave(1nais
baixa) à aguda (maisalta)
.
Para um bom equilíbrio, éimportante que haja harmonia sonora, ajustando,os de acor, do com as exigências d<l acústica locaL
Instrumentos Auxiliares
Adjá: é uma sineta de metal, usada em especial nos Candomblés e nos Xangôs (Recife) de origem iorubá, cuja finalidade é chamar os filhos,de,santo para reverenciar os Orixás.
Agogô: significa
:üno
e1:n íorub:iÉ
formado por mnacamp8nula simples ou dupla de ferro, dotada de cabo, tocada
por urna b8queta de nl<.H.:I.eira ou ferro. Existem tatnbén1 os de três ou quatro c8nlpânulas. O ritn1o padrão norrnalmente
é 1nantido, n1as ilnprovisações de variações poden1 ocorrer
de· acordo com os outros instrumentos.
Campa: sineta. Em alguns casos, é confundida com o adjá. Ganzá: chocalho elaborado por mn pequeno tubo
f
ec
h
ado cmn serne
n tes em seu interior.Tmnbém
con
h
ec
id
o
con1o amelê. Existem outros formados por pequenos cestos
entrelaçados, feitos à mão, en1 cujo interior trazen1 areia ou pequenas pedras.
Caxixi:
chocalho composto de fios de junco trançados com setnentes ou conchas en1 seu interior, cujo fundo é feito de couro ou por um pedaço de cabaça.Afoxé:
é constituído por un1.a cabaça redonda que se afunila para formar o cabo. Tem contas de plástico trançadas em sua volta amarradas por fios.Xequerê: também feito por uma cabaça, porérn tnaior que o afoxé, daí transmitir um smn mais forte, sendo que o lado maior da cabaça produz um tom grave. Posso citar três maneiras de tocar esse instrumento (assin1 cmno os afoxés): segurar a cabaça reta e sacudi-la para frente e para trás, o que produzirá sons agudos e curtos; con1 o cabo em un1a nü1o, girá-la, e, com a outra, pressionar as contas, friccionará as mesn1as contra o corpo da cabaça; ou ainda, sacudir r~ cabaça e tocá-la con1 a nutra 1não no corpo do instrun1ento. Na orquestra ritualística, ainda podetn ser encontrados o pandeiro, o berünbau e o reco-reco (estes praticamente não são utilizados).
Devo letnbrar que tudo o que for usado nos rituais deve, prin1.eiramente, ser preparado e
firmado
para que possa real-mente ter sua força divina ativada. Qualquer instrmnento(inclusive os auxiliares) sem o devido preparo rninistrado dentro do ritual do Candomblé, ou por uma Entidade na Utnbanda, não passa de um simples instrun1.ento musical como muitos encontrados em bandas, orquestras, rodas de capoeira e grupos de afoxé.
Os Ogãs
Os ogãs têm um cargo hierárquico de alto escalão de n-tro de urn terreiro, pois cst~o logo abaixo dos sacerdotes pr in-cipais
(Bab
a
l
aô
,
Babá,
P<Klrinho, iv1adrinhaou
dirigente espi-ritual, bem con1o ao P<-li ou Mãe-Pequena), sendo assim, porexcelência, autoridades na casa, fazendo, de certa forma, parte
d
o
co
rp
o sa
cerdo
t<1l.
Não é qu<llqucr um que pode ser Og5. N8 Umbancb, normalmente silo indicados pelas Entidades. No Candomblé,
o Orix<1 é quem o indicn, ou num termo mais utilizado, o
l
cvcmta
,
passando esse <"1 ser chamado deOgã
AfJonwclo ouSusf)enso. Sacerdotes <Je amb8s as rdigiôcs, <lt.r~nrés
d
a
intuiçil.o, tarnbém podcn1 determinar se urna pessoa será Og5.
Os Og~s tamhérn s;1o elementos de extrema irnpor
-tâncicl e confiança elo líder espiritual. Possuem a capacidade de <·Hivar energias, sendc) entRo muito ilnportc:mtes para <l força vibrat:ória elo terreiro, pois devem ser conhecedores de
rcws c fundanlentos de cada Orixá, alérn de saber a hora
exnta de cntot1r cí1d<1 canto e toque, de Clcordo com a neces-sidade do trabalho.
Sacerdotes especialistas no louvor aos Orixás, guias e 1nentores, são respons<1veis também pela alegria e vibração
positiva do terreiro.
A Um banda possui ensinmnentos e fundamentos espe~ cíficos para a formação e o fortalecin1ento dos Ogãs, confir~
mando assiln o que Deus já consagrou, 1nuito en1bora perce~ bamos que, diferentemente
d
o
Candomblé, talvez por faltade conhecimento dos adeptos ou até mesmo do dirigente,
en1 algumas casas, seu cargo tem um sentido de menor valor en1
relação aos demais membros da comunidade, o que não é
verdade. Como dito anteriormente, são sacerdotes e assin1
devem ser tratados.
Existem diferentes denominações para esses "esco~ lhidos'' do astraC como Ogãs-de-couro ou instrumentistas,
Ogãs~de-canto e Ogãs honoríficos.
No Candon1blé, onde o cargo pertence somente a
ini-ciados do sexo masculino, ainda encontraremos o Ogã~Axo~
gu
m
ouM
ao-de
-f
aca,
que é o responsável pelos sacrifíciosdos anin1ais oferecidos aos Orixás, Ogã~de-Ofá ou Mão~clc
O
fú
(aquele que colhe as ervas pare:~ os rituais sagrados) nor-malmente são ligados ao Oríx::1 Ossaim), Ogâ
L
e
jo
eL
eTe
(res-ponsáveis por un1a parte elo ''padên) e Ogã-de~entrega (leva
8S oferendas nos locais de assentamentos determinados pelos
O
rix
c:ls).
Títulos e Cargos dos Ogãs
lvfesmo entre os Ogãs, existem denmninações próprias de acordo com a função de cada um no terreiro, muitas vezes determinada pelo tempo de iniciação, ou, ainda, por ordetn
do
n1entor espiritual.São
elas:Ogã Alabê
(ou Alabé):
é o comandante dos Ogãs,responsável direto pelos atabaques e instrun1e_ntos auxiliares
dentro dét casa.
Na
Un1banda, norn1alrn.ente é escolhido peloguia chefe da tenda paw essa função. Na hierarquia, é o ter -ceiro sacerdote, ficando diretan1ente abaixo dos dirigentes. Deve ser grande conhecedor da religião, suas açôes e mirongas, além de tmnbém saber tocar todos os instrurnen tos musicais consagrados para os diversos rituais do terreiro.
Te1n o dever de ensinar os Ogãs 1nais novos os toques e cânticos apropriados a cada sessão. O termo deriva do iorubá
e significa
ala
(dono)ap:bc
(tarnbor), ou seja, "dono dos tan1-bores". Algumas casas subdividem esse cargo en1 duas catego-rias:Otun-Alabê
(mais velho en1 iniciação e conhecimento) e oOssi.-Alabê
(mais jovem), sendo que essa disposição só35
pode ser alterada pela morte de um dos representantes ou
através da interseção dircta do guia chefe do terreiro (ou do
guia responsável pelos Ogãs).
O
Ala
hê
deve conhecer a magia dos pontos cantados}além dos toques corretos, sabendo utilizá-los no momento
tnais apropriado. Normalmente os Alabês possue1n a fac
ili-dade de receber intuitivamente várias cantigas que deverão
ser adoradas dentro das necessidades dos trabC!lhos espirituais. A
el
e
cabe a responsabilidade de preparar os instru-mentos antes
do
iníciodos
trabalhos religiosos, ben1 como ode fazer certas obrigações de reenergização dos mesmos, sendo que algumas delas são feiws cm conjunto com os outros Ogãs.
Em muitos terreiros, o Alabê deve tocar o Run; porém
essa não é uma Lei dentro elo ritual umbC!ndista. Se um Ogã que integra o terreiro for destinado à função de Alabê c j;1
estiver acostutnado a outro atabaque (Rmnpí ou Lé), não
será necessário proceder
a
troca de instrumentop
elo
fato de adquirir a função de chefia entre os Ogãs da tenda.Na Nação Jeje o chefe dos Ügãs cha1na-se Pegigã (
Se-nhor que zela pelo Alt;H Sagrado), e na Nação Angola, Ta ta.
Ogã Calofé (ou Kolofé): nome dado ao Ogã tocador
de atabaques. Deve conhecer os toques c c8nticos utilizados
nos trabalhos, sua fonna correta de aplicação e, tan1bém,
dentro do possível, saber tocar os instrun1entos auxiliares e cantar os pontos de acordo com as necessidades do terreiro.
Na hierarquia, est<'1 logo abaixo do Alabê e, na sua au
-sência, atua como seu substituto clírcto.
Na Nação Angolc1 é denominado Xincarangon1a c na Jeje cmno Runtó.
Os Calofés são muito importantes para o terreiro, pois fazem
a marcação rítrnica adequada a todos os cânticos ritualísticos.
Entre eles, a ordem hien-.1rquica será determinada pelo
Ogã Berê: em fclse de iniciação e aprendizado. V<li, aos poucos, dentro de urn certo período e de acordo con1 a confi<lnça conquistad<l junto ao corpo de Og5s, em especial ao /\la bê, <1dquiríndo conhecimentos como os toques, cantos, fundamentos e obrig<1Çl-)CS. Híerarquicmnente está abaixo dos Calofés, <lO lado elos Ogãs a uxilíares.
Ogãs auxiliares: sii.o aqueles que tocam os outros ins~
trumcntos que acompanham os atabaques, como o ganz<:1
e
o agogô. Devem ser tão respons<l.veis quanto os Ogãs-de-couro, pois seus instnnnentos Lllnbém são preparados e, por isso, t5.o consagrz~t.-los quanto os t::~mbores.Ogã~de,canto (ou
Curin1beiro): é
o responsc'lvel pelos pontos cantados no terreiro. Deve ser um exímio conhecedor cb magia dos pontos c seu uso correto, pois um ponto puxado de fon11e1 errada poder<1 acarretar sérios problemas num traba-lho espírítual. Nccess::n-ian1ente não precisa saber tocar instru-mento algum. Urn Ogi'i de canto bem preparado, que conhece aquilo que fJz, cst<~ num p;;.tamar hierárquico equivalente aodos
Og~sCalofés.
Ogã honorífico: este título pode ser concedido :-1 uma pessoa que n;l.o p<trticipe e(ctiv<.lmente da casa, rnas que tenha importância na sociccbcle como um todo.
É
um cargo que não implica cm nenhum tipo de iniciação.Algumas casas têm o Ogã~Obá (ou Ogã~Rci), que é um<l alt<1 dignidade dentro do corpo de Ogi'is.
É
um título honorífico, pois nem sempre pnrticip<1 do dia-<1-di<l da casa. Normalmente a pessoa recebe o termo acres-cido ao nome do orix<) correspondente ao guie1 mentor da tenda. Exemplo: Üg<1-0b<:1 de ÜxJlcí, Og5-0b,í de Ogurn, e assim por diante.N
o
Cand
ot
nblé
e
dem.aisc
ulto
s
de ori
ge
m afri
ca
na
,
onde a utilização de sacrifício animal faz parte da maioria
das obrigações, há um indivíduo que ten1 um papel funda~
mental:
o
O
gã,Axog
u
nl
,
popularmente conhecido como''Mão,de~faca''.
Seu conhecirnento é de extrema ünportâncía, pois deve
saber qual o animal
a
ser sacrificado para cada Orixá, alén1de algumas das suas características, que sã_o n1uitas vezes índis~
pensáveis, como: a cor,
o
sexo,o
núrnero de patas, e assim por diante.A
fon11a correta en1 que processa a matança tam~bém deve ser levada em conta, pois se o Orixá recusar a oferta, poderá cobrá~la em dobro.
Para cun1prir com essa missão, antes de tudo deverá
receber
o
j)
rec
ei
to
de
/(Miio~cle~faca", dentrode
mna cerimôniaespecial.
É
imprescindível que fique claro que oAxo
gum
é un1cargo que não d
ev
e faz
er
partena hier
arq
uia
d
e
Umb
an
da
,
até porque essa não é adepta ao sacrifício de animais, utili~zando, ern suas ofertas, outro tipo de matéria con1o, por exen1~
plo, flores e frutos.
hnportan
tc:
a ascensão dos Ogãs dependerá principal~n1ente do seu conhecimento relacionado ao ritual e à liturgia urnbandist::1 (ou dos cultos afros). O rnaís irnportante é o
Og5 ter amor, dedicaç8o e buscar sempre o conhecimento.
Lembre~sc de que, humildemente, é o Ogã que deve pedir
aos Orixás p8ra que escutem nosso chamado e que tenham 8
n1iserícôrdia de respondê~lo, pois nada é 1nais prazeroso do
que a vinda dos Orixás, guias e n1cntores à Terra p::trél nos
Outras Denominações dos
Ogãs, Encontradas nas
Diversas Nações Africanas
Mesmo entre as Nações de Candon1blés provenientes da mesn1a regiào africzm<.-1, a diferença entre a classificação
de seus rnembros pode ser notada. .
Aqui, apresento algumas maneiras com que os Ogãs s8o chamados nestas Naçôcs:
Nação Angola--Congo (termos usados no Brasil) Kam.bondo poko (Angola) - sacrificador de anilnais Kivonda (Congo) -quem sacrifica os anitnais
M uxikí (Angola) - tocn.dor de atabaque
Kuxíka ia ngombc (Congo) - tocador de atabaque Njimbidi - cantador, curimbeiro
Nação Bantu (inclui,se Angola e Congo) Kambondos - Ogãs em geral
Kambondos Kisaba ou Ta ta Kisaba- responsável pelas folhas '"Iua NGanga :._umbido- guardião das chaves do barraccio
Ta
ta
Kíva
nd
a
-
responsável pelo sacrifíciod
os a
nün
a
í
s
Tata Muloji- prepméldor de encantamentos, usando folhas e cabaças
Tata Mavumbu - aquele que cuida da Casa de Exu
Nação Jeje
Além do Pegig8 c do Runtó, outras denominações usadas são: Gaipé, Gaitô, Arrow e Runsó.
Nação Ketu
lyan1or<J- responsável pelo Padê de Exu Olôgun-despacha os ebós das obrigações
Babt:1lossayn-respons;1vel pela colheita das folhas (Kosí Ewé, Kosí Orixá)
O
Ogã e Sua Mediunidade
Eis uma frase mui to con1un1 nos terreiros: "Não sou médium, sou Og~t, ou então ... "Ele não é médium, é só
Ogã".
Pois bem, aqueles que assim pensam, con1 certeza fica~ rão surpresos, pois posso afirmar que o Ogã ten1 n1ediunidade.O
que lhe difere da maioria dos m.édiuns é que a tnediunidadese manifesta através do "Dorn Musical".
Quem nunca viu uma criança que, mesn1o sern nunca
ter assistido a uma aula de n1Üsica ou percussão, sabe tocar vários ritmos, dos mais variados encontrados num terreiro, mesmo que inconscientemente ela não saiba o que está fazcn~ do? Este é um fato até certo ponto comun1 entre famílias que s8o da religião.
Classificada como
Mediunidade
deLucidez
Artística~Musicista,
age em especial nas mãos e braços (chakra bn1~ quial) em Ogãs~dc~couro, ou nas pregas vocais (chakn1larín~ ,E;eo) nos Ogãs~de-canto. Qmmdo preparadas pelas Entidades, estas regiões são irradiadas e iluminadas pelas forças astrais. Como qualquerm
éd
i
um,
veio a esteorbe
con1 uma Iniss5o predeterminada pelas forças superiores (Senhores doKanna), para que nesta enGlrnação pudesse auxiliar no Ex é r~ cito de Oxalá, nosso Mestre Jesus Cristo, e dentro da magni~
tucl
e
de Deus, foi~lhe indicada a função de tocar e cantarpara os Orixás Sagrados c part1 as Entidades que auxiliam na Umb;:mda.
Todo Ogã tem a obrigação de cuidar e de buscar o apri~ moramento de seu dom, que é nlllito importante dentro de um terreiro, pois é ele o responsável pdo toque ou canto que vibrará nn Aruanda, como un1 elo de ligação entre os 1nen1~
bros da gin1 e as Entidades de Luz.
Seu desenvolvimento e crescin1ento mecliúnico depen~ dcrão exclusivamente de si próprio, pela disciplina, força de
vontade, fé e respeito para com as obrigações. Dessa form8, podení, com o ternpo, obter maior facilidade no aprendizado
de novos toques, bem como terá aumentada a sua recepção intuitiva, usada pelos Guias na transmissão de novos pontos cantados a serem adotndos nos trabalhos espirituais. Assim, já deixo claro que os Og5s também podem manifestar mais de um tipo de mediunidade.
No Candomblé, nenhum Ogã pode 1nanifestar Orixá,
ou, numa linguagem mais cornum ao povorde~santo, não
((bola no santo", bem como as Ekédis, que são as n1ulhcres que cuidarn do terreiro e de tudo relacionado aos Orixás. Se, por acaso, passam a desenvolver esta cmnunicação, rnudam
de cargo na hierarquia. Esta talvez seja a principal difcrençCI entre o Ogã de Umbanda e o de Candomblé.
Na Umbanda, de certa forma, é natural encontrarmos
Ogãs que, além do dom musical, possuen1 a medi unidade de
incorporação. Lógico que fazem parte de uma n1inoria, porém
é possível, pois a.s pesso8s podem desenvolver vários pontos
receptivos ao mundo da espiritualidade (chakras), muito em~
hora, normalmente, desenvolvam un1 tipo de mediunidade mais marcante e outras de menor intensidade, além de algu~
É
importante salientar que, quando cmneçmn a sentira irradiação de seus Guias, deven1 pedir autorização para dei~ xar o atabaque e incorporm-,se aos outros n1embros da gira, prevenindo assün acidentes ou outros proble1nas durante a sessão.
Muitas vezes, este pode ser o início de uma nova missão enviada do Astral, pois não é nada incmnUin encontrarmos
dirigentes que un1 dia for8m Ogãs~de~terreiro. ·
Outros tipos de mediunidade também podem. se desen~ volver (como ele cura, ü1tuição, vidência etc.), pois para Deus
tudo é possível, mas é bom saber que não é a quantidade de dons que a pessoa possui que a fará n1elhor ou pior do que as
outras. O mais itnportante é cmnprir seu dever da forn1a mais correta possível, com amor no coração. Às vezes, un1 n1édiLm1 que ainda não descobriu o tipo de tnediunidade que vibra com maior intensidade sobre si tem 1nais força que aquele cheio de dons, que não sabe usá,los, ou pior ainda, que não
tem disciplina ou respeito por seus deveres espirituais.
Tod
o
médium tem sua utilidade dentrodo
terreiro, desde os dirigentes, os cambonos e 1nédiuns de incorporação aos outros auxiliares que ajudan1 na curimba ou ainda segu-rando alguém que poderia cair. Assim digo aos Ogãs parCJque lev8n tem suas mãos aos céus e agradeçan1 a Zambi pelo dom divino que têm, pois é através de suas tnãos e canto que os sons sagrados fluem na Aruanda dos Orixás.
Iniciação do Ogã
Existe uma grande diferença entre a iniciação do Can~ d01nblé e da U1nbanda. Ambas são ceriinônias n1uito especiais
dentro do terreiro, com suas magias e uürongas, próprias de cada segmento.
N
o
Candomblé, antes da iniciação, cmno foi dito ante~ riormente, o Ogã será escolhido pelo Ortxá, sendo então cha~ tTtado de Ogã Levantado, pois nesta ocasião ele senta nun1acadeira especial e é erguido para que todos o veja·m como {(o
indicado".
No dia da iniciação, recolhe-se·o iniciando peia manhã
na cmnarinha, com corpo lilnpo e vestes brancas, após un1 banho
de
Abô.Prüneiro despacha~se Exu e ele senta numa cadeira de costas para a rua. Cantando para o Orixá do iniciado, sacri
fi-ca-se mna ave para seu Olorí e o ejé (sangue) do anünal deve gotejar na coroa (cabeça), na pedra de cada Orixá e
nas mãos (pahna e costa). Depois sacrifica-se outra ave, agora
para seu Eledá e repete-se o ritual. Feito isso, sai do Roncô,
sob um Alá seguro por quatro filhos do terreiro, e 1.nna volta
45
completa em torno do Abaçá é percorrida. Logo após, as pedras dos Orixás são levadas para o salão e o iniciado prestJ o juramento de servir à religião, ao Orixt:1, ao sacerdote e ao terreiro. Um obí é triturado e levado, um pouco, à boca do filho c o restante, com água, é despejado em suas mãos. Assim está feito o jurarnento e às expensas do Ogã é servido o rrwjé jé um (alimento), na folha de papel e sem talher, numa grande festa que
ele
assistirá, sentado na cadeira de braços.A partir daí, todos terão a obrigação de lhe ton1ar a bênção. Este ritual podem udar de acordo cmn a Nação de cada terreiro ou Ilê.
Já
naUmbanda,
normahnente ele é informado por umGuia de sua missão. Se o indivíduo ainda não foi 11111 Ogã de outro terreiro, deverá, antes de tudo, aprender os toques e as cantigas com os Ogãs mais antigos, en1 especial, con1
o
Alabê. Un1 Ogã portador de dom natural terá grande facilidade p8ra aprender o n1ínitno necessário antes do dia de sua integraçãodo
grupoele
afins da casa.A pessoa então deve se preparar para a cerimônia de cruzan1ento na pemba, onde, somente a partir daí, estará apta a participar da engira. Essa preparação é passada pelo Guia Mentor da casa, incluindo banhos, novenas, ou outras obrigações, de acordo com o fundan1ento do terreiro.
No dia estipulado, o iniciando, depois de cumprir as obriga-çôes que lhe foram passadas, vai ao tetTeiro, cmn sua roupa branca e as guias (colares, fio-de-contas) referentes aos Orixás da casa. O Guia Mentor é quem faz toda a cerimônia. Cruza-se com a pemba a testa, o coração, as mãos, os pés e a coroa da pessoa. Tudo ocorre ao som de um ponto cantado próprio para o momento. Ilun1inado com um8 vela, o iniciando prestará o jura-mento de fidelidade a Oxalá e ao terreiro e de respeitar ao Pai ou Mãe-de-Santo, :1o Pai ou Mãe-Pequena, ao Alabê, aos Og3s e a todos os outros participantes da engira. Essa parte é igual para todos os outros 1nédiuns.
A segunda parte, própria da iniciação do Ogã, pode
ser feita pelo Mentor ou ainda por mna Entidade especialista
que é responsável pda iniciação, firmeza e axé dos Ogãs. O
Alabê é chan1ado, bem como os outros instrun1entistas que
compõem a orquestra da tenda. Todos elevam as mãos, forne~
cendo energias, enqui=lnto a Entidade
fc.tz
a preparação cbsmãos do noviço com pó de pemba, ao 1nesn1o tempo em que
profere urn engorossi (prece) sagrado, em sua língua nativa.
O Alabê colocc1 suas mãos sobre as do iniciando, e o
Guia Espiritual celebrante envolve~as com o pô de pemba,
unindo~as energeticamente.
Depois o Guia (ou às vezes o Alabê) escolhe
qu
al
dosatabaques que o novo Ogã utilizaní..
O
instnnnento é levadoao centro da gira e prepan1do para que o recém~admitido
tatnbém possa toccí-Io.
iv1ais uma
vez o póde
pen1ba é usado.Ele toca no tambor escolhido, seguido depois pelo Alabê, e
finalmente
é
acompanhado pelos outros Ogãs do terreiro.A Entidtlde o abraç<:l, seguida no gesto pelo Alabê e pelos demais Ogãs. A seguir todos os outros participantes da
casa tan1bém o saúdarn, dando~ lhe boas~vindas.
Não existe a obrigatoriedade de tomar sua bênção, n1as
o respeito a ele deve ser cumprido, por tudo que já foi passado
anteriormente nesta obra.
Os rituais podem mudar de terreiro para terreiro, pois
sabemos que a Umbanda não é uma religião que segue uma cochficaç5o,
u
m
modode ::1
gir
igu
al
em todas as tendas, até porque trabalham com mentores que possuem conheci~mentos e fundan1entos diferentes; porém, na Umbanda, não
existe o recolhimento na camarinha ou Roncó e por ser um3
religião cristã, muito menos deve~se sacrificar animais na
iniciação de qualquer fílho-de~santo, não sendo diferente
quanto 80S Ogãs.
Depois de preparados c cruzados, rituais de confinnaç5o
como, por exemplo, o Bori de Ogã, que só acontece tempos
depois de a pessoa estar no cargo, demonstrando sua capaci
-dade e lealdade tanto 8 religião quanto ao terreiro. Por ser uma obrigaç~o secreta, nfí.o tenho permissão para passar a
maneira em que el<1 é feita; porém deixo claro que, diferen
te-mente elo Bori feito no C<1ndomblé, neste não existe sacrifício
animal.
Cotnportatnento e Disciplina
Conforme já foi citado, o Ogã é mn médium com cargo sacerdotal dentro do ritual umbandista. Sendo assim, qual deve ser a sua postura?
Sua conduta precisa pautar-se na lisura e na retidão. Lógico que os Ogãs1 bem como todos os outros médiuns, possucn1 uma vida própria e têm o direito de aproveitar as coisas boas que ela lhes oferece. Porém é sempre bom le1nbrar que, certas atitudes e principalmente, alguns ambientes, não são condizentes com pessoas que possuem uma abertura à
recepção e trans1nissão de energias.
Médiuns de modo geral obrigam-se a evitar o uso cons-tante de palclvras de haixo calão, bem como freqüentar locais como bares, casas de jogo, prostíbulos, pontos de drogas e tantos outros lugares afins, já que, neles, as vibrações negati-vas são constantes devido à presença de espíritos atrasados, verdadeiros "vampiros <1strais, que estarão se1npre prontos a sorver o máximo de energia dos que lá estivere1n.
Um Ogã que freqüenta esses locais "pesados" poderá trazer uma carga negativa para dentro do terreiro. Sen1 contar
o perigo que seria ele tocar o atabaque, pois suas mãos, que
são os elos de ligação con1 o Mundo Espiritual, poderi<nn irradiar energias desastrosas, abrindo uma entrade1 para seres
dos mais baixos Planos dos Urnbrais.
Dentro da casa, ele eleve dar o bom exemplo disciplinm.
Corno certas obrigações devem ser feitas antes
do
iníciodos trabalhos, é aconselhc-1vel que, dentro do possível, ele
também se antecipe à cheg8da dos outros n1édiuns, para quP
haj8 total concentração e tranqüilidade neste momento tão
importante ao bom andamento da sessão. O inverso deve
ocorrer nas obrigações realizadas depois do ritual litúrgico,
onde os outros 1nédiuns saem do recinto sagrado para que os
Ogãs possam ficar a sós. Toda obrigação deve ser realizada
sem pressa, co1n muito cuidado e respeito.
Nas dependêncíets da engira, o Ogã deve estar concen~
trado naquilo que faz, evitando conversas alheias aos traba~
lhos reali;::;ldos.
O
respeitoàs
Entidades é primordial. Quandouma
delas estiver passando un1a rnensagern aos n1embros da casa,
os atabaques devem ser silenciados, de n1odo que se facilite a
compreensão de todos. Os Guias têm 1nuito a nos ensinCir; por isso, ouça e aprenda.
Deve ser
PROIBIDO
o uso dos couros por pessoasembriagadas, pois estas n?ío estarão aptas a mna boa concen~
tração, sem contar que, muitas vezes, sequer vão conseguir
tocar o ritmo correto.
Também não deve ser permitido que os Ogãs toquem
tambores de outros terreiros sen1 wna autorização prévia do
Mentor da casa, do Guia responsável por eles, ou ainda do
Ala
b
ê
e do dirigente espiritual. Sair por aí tocando um couro aqui e outro ali, poderá acarret:u num grande problema, pois,cmno já foi falado, cada terreiro tem s~u fundan1ento e su8
forma de trabalhar. Não custa nada avisar previmnente da
pretens<l visita e solicitar ao seu responsável que lhe explique
que n1edidas devem ser tomadas para sua proteção antes e depois de tocar em outro terreiro. Agindo de acordo com as instruções recebidas, aí sitn estará apto a fazer seu toque de forma que não traga quizilas nem para si próprio e nem para o instnm1ento de sua C8sa. Se você já conhece a casa visitada e sabe que se trata de um lugar sério, onde não estaria
cor-rendo nenhum risco de envolvimento con1 cargas negativas,
e se não houver jeito de permanecer como un1 tnero expec-tador, caso seja convidado a assumir un1 dos instnm1entos, solicite ao seu Mentor (em pensamento) para que lhe dê pro-teção e depois faça um banho de descarrego para se livrar de
possíveis cargas ou miasmas que possam vir a se in1pregnar
em sua aura.
A
hierarquia funcional deve ser respeitada, sendo que, entre aqueles que possuem o mesmo cargo, o mais novo na função dever<Í sempre respeitar e acatar as orientações do n1ais antigo, pois ele já reúne maior experiência e se encontra n1elhor adaptado e integrado aos fundan1entos do terreiro.Além do regulamento interno, norn1almente encon; trado nas tendas e que deve ser obedecido, pode também existir um outro exclusivo para o corpo de Ogãs. Este deve ser elaborado pelo
Abhê,
incluindo das mais simples obriga-ções até deveres quanto ~l n1anutenção dos instnnnentos.Saudações aos
Orixás e Linhas
É
dever de todo Ogã saber as saudações corretas aos Orixás e outras Linhas que atuam na Umbanda. Elas podem diferenciar de terreiro para terreiro porque existe mais deuma para cada Corrente, de forma específica.
Segue abaixo 8list<-l dos Orixás e povos com suas respec -tivas s<1udaçôes:
• ZAMBI: Zambi~iê!
• TUPA: Tupã-iê!
• OXALÁ: Exê-B<lh<-1!,
Epa~B8h
:1
!,
Exê-uê-Babá!• OXÓSSI: Okê~Caboclo!, Okê~Arô!, Okê-Barnbi~o~clíme!,
Okê-Oclé!
• YORIMÁ ou IOFÁ: Adorei as Ahnas!,
É
pras Almas!• OGUJvf: Ogunhê!, Ogunhê meu Pai!, Ogum-iê!, Batacorê
(Patacori) Ogurn!
•
IEMANJ
Á:
Odt>-si
~
í!, C1
dô~
si
8
~
b8
!,
Oclô~i<í!,
Od6-fê-
i
<
1b
r1!
• OXU.iv1: Aiciet) Mami1e Oxum!, Oraie -iê~ô!
• IANSÃ: Eparrei!, Eparrei~Oiá!
• NANÃ: Saluba Nanã!
•
XANGÔ:
Caô~Cabiecilê!, Kawo~Kabyecilé!• IBEJI ou YORÍ: Amin-Ibejí!, Ori-Ibejí!, Amim-Bejada!, Salve os Anjos!
• OB
A
LU
AÊ
ou
OM
UL
U
: At
otô
!
•
BOIADEIROS
:
Jetruá!, Xetuá!, Xetrm'í!, Xêto-Marornba~Xêto! • BAIANOS: Keodé a Bahia!,É
pra Bahia!, Odê-o-dé Bahia!•
MARINHEIRO
S
:
Marí-Bahá!• O
RIENTAIS
:
Ori-Bab,'l!• ALMAS: Adorei as Aln1as!,
É
pras Aln1as! /• EXU: Laroiê!, Exú é Mojubá! Exu-ê!
• PO
M
BA
-G
IRA:
Laroiê Bombo-Gira!, Tala Talaia!Outros
Orixás
• OS
SA
IM:
Eu~eô!• OXUMARÉ: Arô-Boboi!, Arô-Moboi!, Aô-Boboi!
• TEMPO:
Te1npo-iô!•
OBÁ:
Obá~xireê!• LOGUNEDÉ: Logun!, Ou~oriki!
O
termo SARAVÁ,
ou SALVE, poderá substituir todas as saudações, e ainda deve ser usado quando for saudar a Um~banda, o Divino Espírito Santo, a abertura e encerrmnento dos trabalhos etc. Assim, quando houver necessidade de saudar
alguém, algum ritual ou uma linha qualquer, e não se souber a fonna correta, deve-se fazer uso desses termos que estarão
plenamente de acordo com a exígêncía, pois un1a saudação fun
-ciona con1o urna espécie de mantra sagrado que nos comunica
diretamente com o Astral; daí a importância de não inv
en-tarmos termos c louvações. Sendo o SAM VÁ ou SALVE
genéricos, vibram direto na Aruanda, pennitindo que as Enti
Saudações Especiais
Alérn das saudaçôes às Entidades e seus respectivos Orixás, existem outras especiais que seguem abaixo:
• CONGÁ:
Adubalê~Pcji! (para bater cabeça no Congá)• DEFUMAÇÃO: Cheirou na Un1banda!
• BABALAÔ ou YALORIXA:
Auê~Bab,-1!• PJ\J,PEQUENO:
Auê~Miri~Babá!•
MÃE~PEQUENA: Auê~Miri-Cy!• OGÃ:
Og8~nilu!• A UMA GRAÇ;\ RECEBIDA:
Adobá!• PEDIDO
DE PERDAO: ~v1aleüne!• PEDIDO
DELICENÇA:
Agô!• LICENÇA CONCEDIDA: Agô-iê!
• AO CHEGAR E:tv1 Urv1A CASA: Okê-Olorurn!
• AC) SAIR
DEU1vfA CASA:
Olorum~Didê!Pontos Cantados
Tudo no Universo vibrél e evidentemente possui um som próprio.
Verlbdeiros mantr<lS, os pontos cantados pôetn em
movimento ondas vibratórias, produzindo assim uma maior
afinidade entre os planos da matéric1 e do espírito.
Atnwés de pesquisas científicas, j~1 ficou provado que
os sons possuernurna freqliência peculim, têm cor e ernit.cm,
a tn1em ou dissipam cert~IS
ener
g
i
as
.
Assim, podemos ~•firmar que os pontos ou "curimh:1S11
são verdacleir<ls preces C8n tada.s que mostr<l.m a
fé
e <.l rnagi;.l da Umbanda, bem com() despertam a harmonü1. vibratôriade um<1 gim, dinamizando forças da natureza e fazendo~nos
entrar cm contato com as Forças Celestiais que nos regem.
São, sem nenhuma dúvida, importantíssimos para a hannoni
-zaç8o e a efic'icia dos tr~l balhos dentro do terreiro.
Esses c~nticos ni'ío devern ser entoados apen<ls da
l
)OCa pr::1 r 10ra, m;.1s stm. , com a" : i
voz c o coraçao ._,E;
prect.
so,antes de tudo, sentir cm sua A lma aquilo que está se.ndo.
Existen1 curimbas com as mais diversas finalidades:
de abertura e encerratnento dos trabalhos, para defmnação,
para bater cabeça (saudar o altar), para louvar linhas e Orixás, para quebrar demanda, para cruzamento de um
médium na Lei,de,Pemba, para coroação (confirmação),
para cura, para o ri tua
I
do An1acf (banho de ervas pararevitalização da mediunidade) e tantos outros conforme for
a necessidade.
Assim, segue uma breve explicação de alguns tipos de
pontos usados durante uma sessão mnbandista:
• Pontos de louvação: cantados em homenagem aos Orixás,
Guias e Mentores espirituais.
• Pontos
de
saudação: para hmnenagear a religião, o Pegí(Altar, Congá) ou ainda em. homenagem aos sacerdotes,
Ogãs ou outros convidados do terreiro.
• Pontos de firmeza: solicitan1 as energias provenientes do
Astral Superior.
• Pontos de descarrego: cantados durante as d.efu,
mações, os passes, os descarregas da casa ou ainda nas
limpezas fluídicas através de trabalho com fundanga
(pólvora). Este último utilizado para quebra de energias
negativas ou a destruição de larvas astrais que às vezes
se Impregnam no corpo áurico de determinados
in-divíduos.
• Pontos de chamada: entoados para a evocação das Ent
i-dades de Luz que deverão se 1nanifestar nos trabalhos espi, rituais por meio de incorporações mediúnicas, ou sin1ples-mente pelo espargimcnto de suas energias sobre os campos