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Sandro Da Costa Mattos - O Livro Basico Dos Ogans

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Academic year: 2021

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(1)

Sandra da Costa Mattos

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5.

Bibliografia.

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Título

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Sandra

da

Costa Mattos

o

LIVRO

B

ÁSICO

DOS

ÜGÃS

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(5)

© Copyright 2005. Ícone Editora LtdCl.

Ilustração Capa

S

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o da Costa Mattos

Capa lv1e1iane Moraes

Diagramação

Andréa Magalhães da Silva Revisão gramatical e lingüística

Silvio Ferreira da Costa Mattos Revisão

Ros;,l M;-uia Cury Cardoso

Proibida a reprodução rotai ou parcial desta obra, de qualquer f'órma ou meio eletrônico, mecânico,

inclusive através de processos xerográficos, sem penniss8o expressa do editor

(LeL

9.610/98).

Todos os direitos reservados pela ÍCONE EDJTORA LTDA. Rua Anhnnguera, 56- O 1135;000

Barra Funcb-S8o Paulo-SP Tel./Fax.: (11) 3392; 7770

ww\v.iconelivraria.com.br e,mail: iconcvendC!s(fÇyahoo.com.br

(6)

---. ···- - ---- - - -- -- - -- - -

-Agradecitnentos

Acima de tudo, a Deus (Zambi, Tupã, Olorum ... ), o Criador do Universo e o Gerador da V~da.

A Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai Oxalá - Mestre Maior da Umbanda.

Ao meu Orixá, Senhor Obaluaê, com respeito e ad1niração. Ao Caboclo Ubatuba, Mentor Espiritual da APEU, pelas mensagens de amor e fé que nos ensinam a cmninhar na trilha

da

evoluç8.o espiritual.

À

Cabocla Indirn, peb doçura e afeto.

Ao Caboclo Boiadciro da

J

urema, Entidade respons8vel pelos Ogãs da casa, que sempre nos traz novos conhecin1entos sobre a força dos instrumentos sagrados e da magia umbandista. Ao meu padrinho espiritual, o Preto~Velho de Xangô: P8i Sete Quedas da Cachoeira.

Aos Exus de Lei, em especial ao Exu das Sete Portas e ao Exu

dH

lv1aré, pela guarda e proteção.

E a todos os Orix<1s, Guias e Protetores que atuam. nas Linhe1s de Umbm1da.

Meu sincero Saravá!

O

autor

(7)

Dedico esta obra

À

nlinha espos;:t, Viviane Schiavino da Costa Mactos, pelo amor c con1panheirismo.

Aos meus pais e dirigentes espirituais da APEU: Silvio Ferreir<:1 da Costa Matt:os c Cleide Cunha da Costa Mattos, pelo carinho, educação e incentivo, e ainda por terem mostra

-el

o

desd

e

''

minh

n

tenr<1 idade a ilnportância en1 seguir um canünho religioso p~1ra ê\ pnítica da fé e da caridade.

Ao meu "Pai-de-Couro", hoje dirigente do Templo de Urnbanda Branca do Caboclo Girassol, Dcrmeval Marques Saturnino.

A

os

Üg;1s

ela

A

PEU:

Cristiano

M.

Roch<.l,

Sidney C. Mattos1 Rogério da Silv<l, Willian da Silva, \'{!anderlci Cunha, Luis Marcelo G. Nascimento e André Luis G. NascimetHo.

À

minh8 avó, Carmélia Decorni Cunha, a Adag?i da cnsa, sernpre fiel 8 Umbanda, servindo de exemplo

aos

rnais JOVens.

Ao Üg8-0b<í de Oxalc1: Hevanir de Souza Mattos, .~rande

Ta

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urninc!

Ax

é!

(9)

/

Indic

e

Prefácio,

1

1

A

m.úsica e a religiosidade,

15

Tambores, 1

7

Religiões afro~brasileiras que utilizam tan1bores, 21 O atabaque, 27

Instrumentos auxiliares, 31

Os Ogã

s, 33

Títulos e cargos dos Ogãs, 35

Outras denominações dos Ogãs, encontradas n::ts diversas Nações Africanas, 39 O Ogã e sua mediunidade, 41

Iniciação do Ogi'i, 4 5

Comportamento e disciplina, 49 Saudações aos Orixás c Unhas, 53 S<1udações especiais,

55

Pon

tos

cantados,

57

Tc)ques c ritmos, 63

(10)

Obrigações ritualísticas, 69 Firmeza dos atabaques, 71 Cruzamento do couro, 7 3 Energizaçfto,

7 5

Ali1nentar os atabaqucs, 77 Descarregar o couro,

79

Troca

ele couro,

81

Trabalhos junto ~l natureza, 83

Guias e

cobres,

87

Demanda cn tre Ogfts, 89

Paga

de Ügft,

91

Mulheres nos atabaques,

93

Casos

verídicos, 95

O

Hino

da

UmbandC~,

107

Letras de pontos cantados,

109

Regulamento dos Ogã.s (modelo), 123 Manutencão dos instrumentos, 125 ~

Um pouco de

história,

12 7

Monte seu próprio instrumento,

129

Epílogo,

133

Referências Bibliográficas, 135

(11)

Prefácio

Foi com imensa alegria que recebi do autor desta obra intitulada- O livro bc.ísico dos Ogãs - , coincidentemente,

meu filho, a incumbência de prefaciar este que é seu prin1ciro trabalho literário, particularmente de cunho religioso, no qual

busca passar ao leitor u1n pouco da experiência reunida ao longo dos seus vinte anos no cargo de Ogã, cuja evolução no aprendizado

c

no aperfeiçoamento

lhe

permitiu galgar

o

s

postos hierárquicos dessa representação sacerdotal, pautado no comprometimento corn a hmnildade, com a seriedade e a

,

até atingir os patamares que o levaram

à

posição de Alabê.

Desde muito cedo, tivemos a surpreendente e gratifi;

cante satisf~1ção de testemunhar o despertar de suas habili; dadcs para lidar com instrumentos de percussão. Sabíamos que se tn1tava de

ur

n8

dádiva do Criador, que lhe permitiu vir ao mundo dotado de tão maravilhosa medíunidadc.

Seu trein8mento inicial aconteceu sobre uma antigrt penteadeira que compunha os móveis de nosso quarto. Ali,

cu e 1ninha esposa, pasmos, presenciávamos sua dedicação e f(;rça de vontade ao vê; lo repetir incontáveis vezes as seqüên~

1 1

(12)

cias dos toques, procurando as alternâncias sonoras e cmnpo~ sição dos ten1pos tnusicais

de

forn1a que

os

tornasse graciosos e suaves aos ouvidos daqueles que o prestigiavan1 con1o expectadores.

Observávamos que, no transcurso dos trabalhos litúr~ gicos que, já naquele ten1po dirigímnos na Associação de Pes~ quisas Espirituais Ubatuba- APEU -,no bairro do ]ardin1 Catarina, na zona leste

da

cidade de São Paulo, sentado nun1

banco de n1adcira dos que con1punhan1 as acon1odações dos assistentes, suas mãos não paravan1, tentando acon1panhar as batidas dos tambores tiradas pelos Ogãs mais antigos.

Seus olhos apresentavan1 un1 brilho especial e certo en~ canta1nento quando presenciavam a ação do então Ogã Inte~ rino que colaborava com o Ten1plo

do

Caboclo Ubatuba. Era ele que se responsabilizava pelas chan1adas e pela n1arcação rínnica dos pontos ou cânticos, nosso irn1ão de fé, Antonio Carlos Pahneira, mais conhecido corno Toninha, un1 alto co~ nheccdor dos segredos e das tnodalidades utilizadas para fazer ressoar grande parte

do

cabedal n1usical integrante dos cultos oriundos dos povos africanos e indígenas, nos quais já se acha n1esclada uma grande pnrcela de influências brasileiras,

de

outras religiões e até da própria universalidade htm1ana, harmo~

nízando~se par8 louvar as sacrossantas forças de Aruanda. O senso de observação, a sensibilidade aos efeitos da percussão, a perseverança e os dons- natural e n1ediúnico -, colaboraram para que

o

n1enino

Sandro

,

posteriormente

sub

o

comando

do Ogã Alabê

Dermeval Marques Saturnino, viesse a fazer parte integrante do grupo de instrumentistas da referida Instituição.

Nesse período, devido à sua pequena estatura en1 fun~ ção da idade, foi necessário que o acon1odássen1os sobre un1

p

e

da

ço

d

e

t

o

ra d

e

árvor

e

, d

o

tip

o

usado pelos açougueiros, onde se faz o corte

elas

carnes, de tnodo que pudesse alcançar o couro do atabaquc a ele destinado.

(13)

O

tempo passou dcspercebidmnente e,

quc

:md

o

n1enos. se esperava,

ei

-l

o

adulto, casado, con1 formação superior en1 Ciências Biológicas c com a fé preservada, nulito embora tivesse passado por duras provações em sua vida. Nada foi capaz de abalá-lo. Ao contrário, seguindo Lml dos ensin

a-mentos passados, certo dia, pelo Caboclo Ubatuba, retirou de seus caminhos todas as pedras pequenas e contornou ou

transpôs aquelas de dimensões 1naiores .

. Diante desse mérito, intuitivamente foi-lhe dada a mi s-são de transcrever, de forma respeitosa e singela, sen1 a pr e-tensão de se assenhorear da verdade, este con1pêndio, no qual

ab

orda

um

te1na ainda pouco explorado ou divulgado no meio das religiões umbandista, candomblecista e outras congêneres. Fruto de estudos e pesquisas feitos tanto

in

-loco

quanto através de narrativas históricas ou da elucidação obtida por intermédio do Caboclo Boiadeiro da] urema, os regisrros de

O

livro b

ásico

dos

Oga

s

procuram obedecer a un1a cronologia que passa por cerin1ônias datadas da Antigüidade, chegando à era conten1porânea.

O

texto realça a importância dos in stru-mentos musicais no estabelecimento de elos de ligação entre os homens em seu mundo terreno e os seres das incontáveis esfer8s do plano extrafísico, quer sejan1 dos estratos mais ref i-nados, quer sejam dos mais densos- pois é

de

conhecimento geral que em todos os ritos de que se tem informação vem o-los presentes, seja no retininte badalar de un1 sino, nos ac(!rJes de uma lira, no soprar de un1 oboé, seja no son1 grave ou agudo dos tambores.

Aqui nos deparamo~ com o preenchimento de lllna lacuna, h<:'l muito esquecida ou ignorada e que, certamente, irá elucidar ou ·suprirnir muitas dúvidas nas respostas não obtidas dos líderes acomodados à simples prática da mediu -nidade ou de liturgias herdadas e repetidas sen1 questiona-Inento, ou, pior ainda, cbqudes que não reúnen1 a mínüna condição de fazê-lo por tarnbén1 desconhecer as verdades.

(14)

Nada resulta do acaso. Os que acreditan1 nesse acaso são somente aqueles que não buscam se aprofundar nas raízes dos acontecin1entos, pois se o fizessen1 poderiam ver que tudo obedece às Leis hnutáveis geradas pelo Onipotente, Onis~ ciente e Onipresente Arquiteto do Universo.

É

por isso que vemos surgir obras encantadoras no seio

da

literatura mnban~ dista, as quais tên1 tmnado vulto com o aparecin1ento de maravilhosos

romances,

con1pilados con1 esclarecin1entos sobre os métodos a serem en1pregados na convivência sociofa~ miliar que nos elevam no plano da espiritualidade e nos

imuni-zam da

não~aceitação da realidade que nos é in1posta. For tale~

cendo tais narrativas, vemos vicejar, também, urn sern~núlne­ ro de obras voltadas para a doutrina em si, algumas, inclusive, preocupadas com a depuração e a exclusão de detenninados hábitos causadores de repúdio e criadores de contendas.

Se você é Ogã na verdadeira acepção da palavra, não fique limitado ao conhecin1ento dos

toques

de atabaque.

em frente! Não pare no n1eio do carninho. Aprofunde~se no saber, pois foi para isso que Deus nos dotou da racionalidade e da n1obilidade. Você est<-Í.

de

posse do livro certo. Mais un1a vez

lhe

afirmo:

N(ula

resulta

do

acaso. Faça con1o os bons profissionais: especialize~se, busque o crescimento e a atuali-zação e, corn certeza, estará contribuindo para o seu próprio aprin1oramento, para a prosperidade da casa a que ·se dedica e para o engrandecimento da sua religião!

Axé!

Silvio

F.

ela Costa Mattos

(15)

A

Música e a Religiosidade

Em todos os ternpos e povos encontrarnos o uso da músi-ca a fim de se manter un1 cm-nato com o Divino. Nas mais diversas crenças poden1os observar sua presença.

Vejan1 que na Igreja Católica entoan1~se hinos, ladai~ nhas, cantos gregorianos. Os evangélicos também têm através do ccmto uma forma de agradar a Deus com suas bandas e conjuntos

G

osj

J

cl.

As seitas orientais utilizam.~se muito dos mantras (combinações de letras que vibrmn no Astral). Na U1nbanda c cultos africanos, temos os pontos cantados, e até no espiritisrno tradicional já existem canções que servem

para difundir o Evangelho e os ensinarnentos de Kardec.

Na

própria

Bíbli(l

existem várias menções sobre a utili~ zação musical, seja por meio de instnnnentos seja por meio do canto.

Apenas parél exemplific:n~ no Antigo Testamento te~ mos: "Logo após a travessia do Mar Vermelho, 1v1iriã e as mulheres de Israel adoraram a Deus com cânticos acompa~

nhados de danças e tamborins''. (Livro do Êxodo,

15:

20~21)

"Os profetas dos tempos de Samuel usavam saltérios, télm~

1

5

(16)

bores, flautas e harpas".

(1, San1uel,

10:5)

Como disse Isaías:

"O Senhor veio salvar,Ine, pelo que, tangendo os instru,

n1entos de cordas, nós o louvaren1os todos os dias de nossa

vida, na Casa do Senhor". (Isaías, 38:

20)

O

Saltério (Salrnos) era o cancioneiro de Israel.

Os

salinos

d~o

n1uito destaque ao uso de instnnnentos 1nusicais

na adoração a Deus: '<Celebrai o Senhor con1 harpa, louvai,

o con1 cânticos no saltério de dez cordas. Entoai,lhe novo

cântico, tangei, C0111 arte e C0111 júbilo". (Saln10 33: 2,3)

No Novo Testan1ento, observan1os os seguintes textos:

~<Por volta da n1eia-noite, Paulo e Silas oravan1 e cantavan1

louvores a Deus, e os demais cmnpanheiros de prisão escuta,

van1". (A tos,

16:

25) "Está alguén1 entre vós sofrendo? Faça

oração. Está alguén1 alegre? Cante louvores". (Tiago, 5:

13)

'<Habite, ricatnente,

en1

vós a palavra de Cristo; instruí,vos e

aconselhai,vos n1utumnente en1 toda a sabedoria, louvando

a Deus co1n sahnos e hinos e cânticos espirituais, con1 gratidão

en1 vosso coração". (Colossenses,

3: 16)

(17)

Tatnbores

De forma genérica, podemos afinnar que tan1bores são ins-tnnnentos musicais de percussão, fon11ados por mna armação oca, tendo, sobre essa, uma pele esticada, produzindo o son1 quando

percutido, sendo esse originado pela vibração

da

me1nbrana, ou

seja, da pele, classificando-o assim con1o um membranofone. Os prüneiros tambores foran1 encontrados em

escava-ções arqueológicas no Período Neolítico. Na Morávia, um desses achados foi datado de 6.000 anos a.C .. Em artefatos egípcios, outros foram localizados, com peles esticadas, dat

a-dos de 4.000 anos a.C. Na Mesopotâmia e na antiga S~1méria,

alguns tambores de 3.000 anos a.C. ainda têm sido desco -bertos, conforme registro anotados por pesquisadores que

estudmn os hábitos culturais de antigas civilizações.

Características dos primeiros tambores

Consistiam de troncos ocos, cobertos pelas bordas con1 peles de répteis ou couro de peixes, sendo percutidos com as

(18)

n1ãos. Son1ente n1ais tarde surgiu o uso de baque tas e tatnbén1

de peles 1nais

resistentes.

Cmn o desenvolvünento n1usical do ser hmnano, a

grande variedade de tan1anhos, formas, tipos de peles e de

tnétodos

de fixação dessas foran1 surgindo. Ntnn tan1bor de

urna pele, ermn usados n1ateriais con1o pregos, grarnpos, cola

etc.

nos

de duas peles,

fazimn~se furos atravessando,as,

pelos quais passavan1 cordas a filn de esticá, las. Os tan1borcs

tnais 1nodernos, usando aros que pressionan1 a pele, surgiran1

na Europa.

Tambores sagrados

Os tmnbores se1npre tivenun funções diversas, con1o

a de transtnitir alegria ezn festas populares, transtnitir tncnsa,

gens à

distância e principaln1ente a função religiosa. Tidos

con1o objetos sagrados, con1 poderes znágicos, znesn1o

atual~

n1ente, en1 certas sociedades, sua confecção envolve un1

certo ritual.

Ezn todo o mundo encontran1os religiões ou

seitas que

os

urilizan1 en1

seus cultos divinos.

Na China, há tnais de 2.000 anos,

usa~se tais instru,

1nentos, feitos de bronze,

cn1

rituais sagrados e cerünônias de

casmnento.

No

Japão, um gigantesco tan1bor chan1ado

o~tail<.o

é

percutido no ritual "Bate o Coração da Mãe,Terra". Alén1

disso, consideran1,no diretatnente ligado

à

história sagrada

do Japfio e ao culto original elo xintoísn1o. Encontran1os ainda

os

de

tnenor tan1anho,

con1o

os pequenos

shime-tail<o,

que

emitern un1 alto diapasão. A n1anipulação desses instrun1entos

japoneses

in1plica

uma sintonia perfeita de n1ãos e pés, onde

gestos coreografados não são sin1ples espetáculos, znas

sin1

a

evocação ritual dos kamis (espíritos universais), invocando,

(19)

os para a boa colheita, pr1ra a chegada da primavera e a identi~ ficação dos homens com a terra.

Nativos norte~americanos tambén1 associmn os toques às batidas do coração d

a

Mãe~Terra e ao som do útero, pois

acesso à forca ., vital através de seu ritmo. Para os Xamãs, é

veículo para invocação

d

e

espíritos, para curas e para afastar

a

força

do mn

l.

É

o instrumento de comunicação entre

o

Céu e a Tcrni.

No

Vodu

haitiano, cmpregmn~se alguns outros n1odelos como: o

boula,

o sccond

e o

manrrum,

também chamado de

assoto

r.

Existem também os Damarus (instrumentos de Shiva), ·tumbadoras cubanas, tablas indianas, além dos usados no

Tantra e no Budismo Tibetano.

Nos cultos africanos, como o Candomblé e a Um banda,

religião de terras brasileiras, entre muitas derivações, o 1nais comum é o conhecido atabaque.

ainda outros instrumentos considerados de grande

poder, como os marac::ís e chocalhos, muito utilizados na

América do Sul, principalmente pelos indígenas, feitos de cabaça, cascos de tartaruga ou chifres de gado, contendo, em seu interior, sementes ou pedras. São utilizados para que,

brar a energia estagn3l-b , para abertura de rituais, exorcisn1os

e

trabalhos de cura,

a

l

ém de

seren1 ótin1os para a marc;:~ção dos ritmos.

(20)

Religiões Afro, Brasileiras

que

U

tilizafll Talllbores

No Brasil, existem diversas seitas e religiões que utilizam esse tipo de instnm1ento de percussão em seus rituais sagra-dos. Entre elas, destac:un~se aquelas que se originaram dos povos indígenas e africJ.nos, corno as que seguem:

Umbanda

É

uma religião universalista, com diversos detalhes e

n-contrados nas mais variadas religiôes e seitas do rnundo. Porérn, não é difícil identificar que na UmbJ.nda, três bases religiosas têm papel fundamental em sua forma de atuar: o

espiritismo, o catolicismo e os cultos africanos. A tudo isso,

somamos ainda o conhecimento e a cultura indígena.

Semelhante ao espiritismo, possui comunicação

entre médiuns e espíritos desencarnados, baseando-se na

doutrin8 de Karclcc, com relação aos estudos dos fen

ô-2

1

(21)

menos mediúnicos e na crença da reencarnação e na evo~

lução do espírito.

Do catolicismo, herdou principalmente o sincretismo com os Santos, pois, a todo o mon1ento, os umbandistas reve~ renciam tanto os Orixe:ís quanto esses Espíritos de altíssima

_elevação, que muito auxiliam ern seus trabalhos.

J

á

dos cultos africanos, é notório que a Umbanda re ce-beu grande influência, principalmente através dos espíritos de negros escravos, os Pretos~ Velhos, que trouxeram, en1 suas manifcstaçücs, muitos ensinamentos que serviram para incor~ porar, ao ritual, elementos que até então eram típicos, prin ci-palmente, do C;;mdomblé.

Os indígenas (Caboclos) contribuíram com seu conhe~ cimento sobre os vegetais sobre a manipulação de energias através da pajehmça, usadas principalmente no cornbatc às forças inferiores, na prMica

d

a

cura etc.

Qucmto à sua origem, a versão 1nais aceita entre os adeptos é a da n1anífestaçf:lo do Caboclo Se-te Encruzilhadas,

em 15 de novctnbro de 1908, qm1ndo incorporado no ainda

muito jovem Zélio Fern<indino de Moraes, na sede da Fede -ração Espírita do Rio ele Janeiro. Porém, essa história não

é

uma unanimidade, pois existern aurores que defendem que a

Umbanda nasceu há muito tempo atrás, na lendária Atlân

-ticla, ou, aind8, que ela seja uma ramificação direta ele cultos africanos que davarn abertura à manifestação dos espíritos dos seus antepassados. Particularmente, acredito que, como forma de culto oficial, essa maravilhosa religião nasceu siln

com o Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas que, como força de atuação, desde dos primórdios da hmnanidade, até porque ela trabalha com as energias que regem a natureza.

E se a Un1banda, cmno culto oficial, passou a ser aceita

con1o religifio a partir do evento corn Zélio de Moraes, não podemos esquecer das pabvras do Caboclo, declarando que se iniciava, naquele momento, um novo culto em que estavam

(22)

presentes os espíritos de velhos africanos, que haviam servido

como escravos e que, desencarnados, não encontravam cam,

pode ação nas seitas negras, jc.í. deturpadas e voltadas muitas

vezes para os trabc:dhos de feitiçarias, e de índios, nativos de

nossa terra, que por ela poderiam trabalhar cm benefício dos

encarnados, independendo da sua raça, credo ou condição

social. Disse também que

a

prática da caridade,

r1o

sentido do amor fraterno, seria a característica principal desse culto, que teria, por base, o Evangelho de Cristo, e, com.o Mestre

Supremo, Jesus. Entre 8S normas estabelecidas, seus pe~rtici~

pantes deveriam estar uniformizados de branco e o atendi~ 1nento seria totalmente gratuito.

Aproximadamente na década de 50, um novo segmen~

to, denominado

U

m

bancl

ct

Eso

tér

ica

c

Ini

c

iáti

ca

,

foi difundido principalmente por '.::J./ W da Mata e Silva e seus discípulos,

muito embora, anteriormente a isso, 1nensagens enviadas pelo

Caboclo Mirim através do médium Benjamün Figueiredo, já

falavam sobre essa escola umbandista.

O

mais importante não é a nmnenclatura utilizada, se

Utnbanda Branca, Mista, Esotérica, Iniciática ou Popular,

mas, sim, seguir as méÍxín1as ensinadas pelo Mestre Jesus,

Nosso Pai Oxaló: "Amai-vos uns aos outros" e "Fora da cnri~

dade não h8 salvac8o" . .>

Candomblé

Religião de culto aos Orixás, praticada pelos negros

africanos, que sobreviveu e ainda cresce nos díe~s atuais.

Nasceu da mescla das diversas culturas encontradas entre

os povos trazidos ao Bra.sil, para servir de 1não~de~obra escrava no período colonial. Essa mistura fez com que, aproxin1adamente,

quinhentos Orixás cultuados no início fossen1 absorvidos em

aproximadamente dezesscis Orixás, louvados nos tempos a tua is.

(23)

Un1 f8tor irnport8nte para 8 sobrevivência

do

culto às proibições vindas da Coroa Portuguesa, onde, assim como ern toda a Europa, o cristianismo imperava, foi a adoção do sincretisn1o, no qual os negros relacionaran1 seus deuses aos Santos Católicos.

As principais Nações encontradas são: Ketu, Jeje (ou Gege), e Angola, com ztlgumas características próprias, con1o o díaleto, a hierarquia, e até a nmnenclatura dos Orixás.

Xangô

Muito próximo ao

Candomblé, é

cmnun1 principal~ mente no Estado de Pernambuco, sendo tambén1 chamado

ele

Xangu

ele Recife

ou do

Nordeste.

Batuque

Religião de culto aos Orixás, praticada principalmente no Estado do Rio Grande do Sul, fruto dos povos da Costet da Guiné e

d8

Nigéria, con1 suas naçôes Gege, !fexá, Oyô e Nagô. Surgiu no período de 1895 a 1935 e o principal respon~

sável por sua difusão foi o príncipe africano Manoel Custódio de Almeida que, na África, tinha outro nome.

pode ser encon~ trada em países vizinhos cm no o Uruguai e a Argentina. Entre os instrumentos utilizados, existe Lll11 tambor chamado

lnhã.

Tambor--de--Mina

Difundida no Maranhão e na Amazônia. A palavra

L!Tambor"

derivc:t da importância do instrumento nos seus

rituais.

11

(24)

nação cbcb <:tos escravos procedentes da 'c costa situada à leste

do Castelo ele São Jorge de Mina,, conhecidos principahnente

como negros mina-jejes e 1.nina-nagôs.

Atualrnente, embon1 pouco cultuada, essa Nação ainda

vive ativa nD região de Olinda, no Estado de Pernambuco.

Omolocô

Difundido pelo

Ti

1ta

Ti Inkice Tancredo da Silva Pinto,

é parecido com o Candomblé tradicional, mas com rituais próprios. Com base nos Orixás, tem feitura de santo, sacrifício

an

imal

e ca1narinha (roncó), porém tmnbérn ten1 a inco rpo-ração de espíritos de caboclos, pretos-velhos e outras en

tida-des da Umbanda tradicional. Alguns o classificam con1o U m--banda Primitiva ou de Nação.

(25)

O

Atabaque

Constitui~se de um tambor cilíndrico, ligeiramente cônico e comprido, onde apenas a abertura tnaior é coberta

por couro animal (de bode, carneiro ou boi).

Instrumento musical de percussão que pode ser tocado somente cmn as mãos ou ainda com baquetas (varinhas) espe~ ciais feitas de galhos de goiabeiras ou araçazeiros, chamadas ag~âdavis.

Seu nome tem origem árabe, at.-tabaq, que signific8 ( ( prato

"

.

Descendentes africanos ínformarn que os primeiros atabaques eram feitos de cerâmica. Depois passaram a usar troncos ocos de coqueiros e palmeiras, e só após algum tempo vieram a construí~los com a madeira da gameleira (árvore sagrada do Candomblé).

Pelos materiais utilizados em sua confecção, podemos notar sua importância nas religiões afro~brasileiras, pois temos,

n

a

madeira, o Axé de Xangô, nos aros de metal, a forçrt de Ogum e Exu, e nc1 pele de origem animal, a influência do Oríxá caçador, Senhor Oxóssi.

(26)

Denom.inação e utilização dos atabaques

São classificados pelo tamanho, chamando~se Run, Rumpi e Lé. Existe também

o

Contra,Run, porém, esse é

pouco utilizado:

Run: o n1aior deles, de tom grave. Seu nome ?ignifica, em iorub:cí.,

voz

(ohún) oq

rugido

(hün).

Rutnpí: menor que o Run e tnaior que o Lé, de tom mediano.

O

nome, tatnbém em

iorubá,

ten1

o

"hün" (rugido) mais o a pi" (imedi8tan1ente), ou seja, indica a sua posição na

orquestra de atabaques.

Lé:

é o menor do trio e ten1 o som mais agudo. O nome na língua Ewe faz alus·Jo ao seu tamanho, pois significa j)cqueno (Iee).

Nos terreiros, etn especial no Candomblé, o Run é res~ pons:ível pelo solo music:1l e variações melódicas. O Rumpí e oLé possuem a função de dar o suporte musical e a numu~ tenção constante

do

ritmo.

Na

Umbanda, nem sempre isso ocorre, pois normalmente os ata baques são tocados ao mestno tempo, de forn1a tnuito parecida pelos instrum.entistas, mudando, às vezes, de pessoa para pessoa, a forma de fazê~ lo· e a ordem das passagens (repiques) durante o toque, com igual êxito junto às divindades.

. Os atabaques, também chamados de

Ilus,

Angombas ou EngonlaS na Nação Angola, como instrume:1tOS sagrados que são, Í1ão devem s<1ir do recinto do terreiro a menos que seja pam uma obrigação religiosa, como, por exetnplo, os trabalhos nas matas, nas praias e nas cachoeiras, ou, ainda, por algo que faça pmte da tradiç8o, como <1S visitas entre tendas conhecidas. Também não devem ser per cu tidos por pessoas não preparada.s par<1 esse fim, pois isso poderia acarretar numa ((quebra de energia.s" existentes no instrumento ou ainda na transmissão de vibr8ções que n8o seriam benéficas à pessoa despreparada.

(27)

Seu som é condutor do Axé do Orixá. A vibração do

couro e da madeira interagindo geram forças capazes de rela,

cionar,nos diretamentc com os mais altos (ou baixos) campos

vibratórios, de acordo com a necessidade ou vontade daqueles que os fazem soar.

A

afinação destes t<:1mbores tem como aspecto primor, dial: a diferença de ton<.11idades entre eles, vindo da grave

(1nais

baixa) à aguda (mais

alta)

.

Para um bom equilíbrio, é

importante que haja harmonia sonora, ajustando,os de acor, do com as exigências d<l acústica locaL

(28)

Instrumentos Auxiliares

Adjá: é uma sineta de metal, usada em especial nos Candomblés e nos Xangôs (Recife) de origem iorubá, cuja finalidade é chamar os filhos,de,santo para reverenciar os Orixás.

Agogô: significa

:üno

e1:n íorub:i

É

formado por mna

camp8nula simples ou dupla de ferro, dotada de cabo, tocada

por urna b8queta de nl<.H.:I.eira ou ferro. Existem tatnbén1 os de três ou quatro c8nlpânulas. O ritn1o padrão norrnalmente

é 1nantido, n1as ilnprovisações de variações poden1 ocorrer

de· acordo com os outros instrumentos.

Campa: sineta. Em alguns casos, é confundida com o adjá. Ganzá: chocalho elaborado por mn pequeno tubo

f

ec

h

ado cmn serne

n tes em seu interior.

Tmnbém

con

h

ec

id

o

con1o amelê. Existem outros formados por pequenos cestos

entrelaçados, feitos à mão, en1 cujo interior trazen1 areia ou pequenas pedras.

(29)

Caxixi:

chocalho composto de fios de junco trançados com setnentes ou conchas en1 seu interior, cujo fundo é feito de couro ou por um pedaço de cabaça.

Afoxé:

é constituído por un1.a cabaça redonda que se afunila para formar o cabo. Tem contas de plástico trançadas em sua volta amarradas por fios.

Xequerê: também feito por uma cabaça, porérn tnaior que o afoxé, daí transmitir um smn mais forte, sendo que o lado maior da cabaça produz um tom grave. Posso citar três maneiras de tocar esse instrumento (assin1 cmno os afoxés): segurar a cabaça reta e sacudi-la para frente e para trás, o que produzirá sons agudos e curtos; con1 o cabo em un1a nü1o, girá-la, e, com a outra, pressionar as contas, friccionará as mesn1as contra o corpo da cabaça; ou ainda, sacudir r~ cabaça e tocá-la con1 a nutra 1não no corpo do instrun1ento. Na orquestra ritualística, ainda podetn ser encontrados o pandeiro, o berünbau e o reco-reco (estes praticamente não são utilizados).

Devo letnbrar que tudo o que for usado nos rituais deve, prin1.eiramente, ser preparado e

firmado

para que possa real-mente ter sua força divina ativada. Qualquer instrmnento

(inclusive os auxiliares) sem o devido preparo rninistrado dentro do ritual do Candomblé, ou por uma Entidade na Utnbanda, não passa de um simples instrun1.ento musical como muitos encontrados em bandas, orquestras, rodas de capoeira e grupos de afoxé.

(30)

Os Ogãs

Os ogãs têm um cargo hierárquico de alto escalão de n-tro de urn terreiro, pois cst~o logo abaixo dos sacerdotes pr in-cipais

(Bab

a

l

,

Babá,

P<Klrinho, iv1adrinha

ou

dirigente espi-ritual, bem con1o ao P<-li ou Mãe-Pequena), sendo assim, por

excelência, autoridades na casa, fazendo, de certa forma, parte

d

o

co

rp

o sa

cerdo

t<1l.

Não é qu<llqucr um que pode ser Og5. N8 Umbancb, normalmente silo indicados pelas Entidades. No Candomblé,

o Orix<1 é quem o indicn, ou num termo mais utilizado, o

l

cvcmta

,

passando esse <"1 ser chamado de

Ogã

AfJonwclo ou

Susf)enso. Sacerdotes <Je amb8s as rdigiôcs, <lt.r~nrés

d

a

intuiçil.o, tarnbém podcn1 determinar se urna pessoa será Og5.

Os Og~s tamhérn s;1o elementos de extrema irnpor

-tâncicl e confiança elo líder espiritual. Possuem a capacidade de <·Hivar energias, sendc) entRo muito ilnportc:mtes para <l força vibrat:ória elo terreiro, pois devem ser conhecedores de

rcws c fundanlentos de cada Orixá, alérn de saber a hora

exnta de cntot1r cí1d<1 canto e toque, de Clcordo com a neces-sidade do trabalho.

(31)

Sacerdotes especialistas no louvor aos Orixás, guias e 1nentores, são respons<1veis também pela alegria e vibração

positiva do terreiro.

A Um banda possui ensinmnentos e fundamentos espe~ cíficos para a formação e o fortalecin1ento dos Ogãs, confir~

mando assiln o que Deus já consagrou, 1nuito en1bora perce~ bamos que, diferentemente

d

o

Candomblé, talvez por falta

de conhecimento dos adeptos ou até mesmo do dirigente,

en1 algumas casas, seu cargo tem um sentido de menor valor en1

relação aos demais membros da comunidade, o que não é

verdade. Como dito anteriormente, são sacerdotes e assin1

devem ser tratados.

Existem diferentes denominações para esses "esco~ lhidos'' do astraC como Ogãs-de-couro ou instrumentistas,

Ogãs~de-canto e Ogãs honoríficos.

No Candon1blé, onde o cargo pertence somente a

ini-ciados do sexo masculino, ainda encontraremos o Ogã~Axo~

gu

m

ou

M

ao-de

-f

aca,

que é o responsável pelos sacrifícios

dos anin1ais oferecidos aos Orixás, Ogã~de-Ofá ou Mão~clc­

O

(aquele que colhe as ervas pare:~ os rituais sagrados) n

or-malmente são ligados ao Oríx::1 Ossaim), Ogâ

L

e

jo

e

L

eTe

(res-ponsáveis por un1a parte elo ''padên) e Ogã-de~entrega (leva

8S oferendas nos locais de assentamentos determinados pelos

O

rix

c:ls).

(32)

Títulos e Cargos dos Ogãs

lvfesmo entre os Ogãs, existem denmninações próprias de acordo com a função de cada um no terreiro, muitas vezes determinada pelo tempo de iniciação, ou, ainda, por ordetn

do

n1entor espiritual.

São

elas:

Ogã Alabê

(ou Alabé):

é o comandante dos Ogãs,

responsável direto pelos atabaques e instrun1e_ntos auxiliares

dentro dét casa.

Na

Un1banda, norn1alrn.ente é escolhido pelo

guia chefe da tenda paw essa função. Na hierarquia, é o ter -ceiro sacerdote, ficando diretan1ente abaixo dos dirigentes. Deve ser grande conhecedor da religião, suas açôes e mirongas, além de tmnbém saber tocar todos os instrurnen tos musicais consagrados para os diversos rituais do terreiro.

Te1n o dever de ensinar os Ogãs 1nais novos os toques e cânticos apropriados a cada sessão. O termo deriva do iorubá

e significa

ala

(dono)

ap:bc

(tarnbor), ou seja, "dono dos tan1-bores". Algumas casas subdividem esse cargo en1 duas catego-rias:

Otun-Alabê

(mais velho en1 iniciação e conhecimento) e o

Ossi.-Alabê

(mais jovem), sendo que essa disposição só

35

(33)

pode ser alterada pela morte de um dos representantes ou

através da interseção dircta do guia chefe do terreiro (ou do

guia responsável pelos Ogãs).

O

Ala

deve conhecer a magia dos pontos cantados}

além dos toques corretos, sabendo utilizá-los no momento

tnais apropriado. Normalmente os Alabês possue1n a fac

ili-dade de receber intuitivamente várias cantigas que deverão

ser adoradas dentro das necessidades dos trabC!lhos espirituais. A

el

e

cabe a responsabilidade de preparar os instru

-mentos antes

do

início

dos

trabalhos religiosos, ben1 como o

de fazer certas obrigações de reenergização dos mesmos, sendo que algumas delas são feiws cm conjunto com os outros Ogãs.

Em muitos terreiros, o Alabê deve tocar o Run; porém

essa não é uma Lei dentro elo ritual umbC!ndista. Se um Ogã que integra o terreiro for destinado à função de Alabê c j;1

estiver acostutnado a outro atabaque (Rmnpí ou Lé), não

será necessário proceder

a

troca de instrumento

p

elo

fato de adquirir a função de chefia entre os Ogãs da tenda.

Na Nação Jeje o chefe dos Ügãs cha1na-se Pegigã (

Se-nhor que zela pelo Alt;H Sagrado), e na Nação Angola, Ta ta.

Ogã Calofé (ou Kolofé): nome dado ao Ogã tocador

de atabaques. Deve conhecer os toques c c8nticos utilizados

nos trabalhos, sua fonna correta de aplicação e, tan1bém,

dentro do possível, saber tocar os instrun1entos auxiliares e cantar os pontos de acordo com as necessidades do terreiro.

Na hierarquia, est<'1 logo abaixo do Alabê e, na sua au

-sência, atua como seu substituto clírcto.

Na Nação Angolc1 é denominado Xincarangon1a c na Jeje cmno Runtó.

Os Calofés são muito importantes para o terreiro, pois fazem

a marcação rítrnica adequada a todos os cânticos ritualísticos.

Entre eles, a ordem hien-.1rquica será determinada pelo

(34)

Ogã Berê: em fclse de iniciação e aprendizado. V<li, aos poucos, dentro de urn certo período e de acordo con1 a confi<lnça conquistad<l junto ao corpo de Og5s, em especial ao /\la bê, <1dquiríndo conhecimentos como os toques, cantos, fundamentos e obrig<1Çl-)CS. Híerarquicmnente está abaixo dos Calofés, <lO lado elos Ogãs a uxilíares.

Ogãs auxiliares: sii.o aqueles que tocam os outros ins~

trumcntos que acompanham os atabaques, como o ganz<:1

e

o agogô. Devem ser tão respons<l.veis quanto os Ogãs-de-couro, pois seus instnnnentos Lllnbém são preparados e, por isso, t5.o consagrz~t.-los quanto os t::~mbores.

Ogã~de,canto (ou

Curin1beiro): é

o responsc'lvel pelos pontos cantados no terreiro. Deve ser um exímio conhecedor cb magia dos pontos c seu uso correto, pois um ponto puxado de fon11e1 errada poder<1 acarretar sérios problemas num traba-lho espírítual. Nccess::n-ian1ente não precisa saber tocar instru-mento algum. Urn Ogi'i de canto bem preparado, que conhece aquilo que fJz, cst<~ num p;;.tamar hierárquico equivalente ao

dos

Og~s

Calofés.

Ogã honorífico: este título pode ser concedido :-1 uma pessoa que n;l.o p<trticipe e(ctiv<.lmente da casa, rnas que tenha importância na sociccbcle como um todo.

É

um cargo que não implica cm nenhum tipo de iniciação.

Algumas casas têm o Ogã~Obá (ou Ogã~Rci), que é um<l alt<1 dignidade dentro do corpo de Ogi'is.

É

um título honorífico, pois nem sempre pnrticip<1 do dia-<1-di<l da casa. Normalmente a pessoa recebe o termo acres-cido ao nome do orix<) correspondente ao guie1 mentor da tenda. Exemplo: Üg<1-0b<:1 de ÜxJlcí, Og5-0b,í de Ogurn, e assim por diante.

(35)

N

o

Cand

ot

nblé

e

dem.ais

c

ulto

s

de ori

ge

m afri

ca

na

,

onde a utilização de sacrifício animal faz parte da maioria

das obrigações, há um indivíduo que ten1 um papel funda~

mental:

o

O

gã,Axog

u

nl

,

popularmente conhecido como

''Mão,de~faca''.

Seu conhecirnento é de extrema ünportâncía, pois deve

saber qual o animal

a

ser sacrificado para cada Orixá, alén1

de algumas das suas características, que sã_o n1uitas vezes índis~

pensáveis, como: a cor,

o

sexo,

o

núrnero de patas, e assim por diante.

A

fon11a correta en1 que processa a matança tam~

bém deve ser levada em conta, pois se o Orixá recusar a oferta, poderá cobrá~la em dobro.

Para cun1prir com essa missão, antes de tudo deverá

receber

o

j)

rec

ei

to

de

/(Miio~cle~faca", dentro

de

mna cerimônia

especial.

É

imprescindível que fique claro que o

Axo

gum

é un1

cargo que não d

ev

e faz

er

parte

na hier

arq

uia

d

e

Umb

an

da

,

até porque essa não é adepta ao sacrifício de animais, utili~

zando, ern suas ofertas, outro tipo de matéria con1o, por exen1~

plo, flores e frutos.

hnportan

tc:

a ascensão dos Ogãs dependerá principal~

n1ente do seu conhecimento relacionado ao ritual e à liturgia urnbandist::1 (ou dos cultos afros). O rnaís irnportante é o

Og5 ter amor, dedicaç8o e buscar sempre o conhecimento.

Lembre~sc de que, humildemente, é o Ogã que deve pedir

aos Orixás p8ra que escutem nosso chamado e que tenham 8

n1iserícôrdia de respondê~lo, pois nada é 1nais prazeroso do

que a vinda dos Orixás, guias e n1cntores à Terra p::trél nos

(36)

Outras Denominações dos

Ogãs, Encontradas nas

Diversas Nações Africanas

Mesmo entre as Nações de Candon1blés provenientes da mesn1a regiào africzm<.-1, a diferença entre a classificação

de seus rnembros pode ser notada. .

Aqui, apresento algumas maneiras com que os Ogãs s8o chamados nestas Naçôcs:

Nação Angola--Congo (termos usados no Brasil) Kam.bondo poko (Angola) - sacrificador de anilnais Kivonda (Congo) -quem sacrifica os anitnais

M uxikí (Angola) - tocn.dor de atabaque

Kuxíka ia ngombc (Congo) - tocador de atabaque Njimbidi - cantador, curimbeiro

(37)

Nação Bantu (inclui,se Angola e Congo) Kambondos - Ogãs em geral

Kambondos Kisaba ou Ta ta Kisaba- responsável pelas folhas '"Iua NGanga :._umbido- guardião das chaves do barraccio

Ta

ta

Kíva

nd

a

-

responsável pelo sacrifício

d

os a

nün

a

í

s

Tata Muloji- prepméldor de encantamentos, usando folhas e cabaças

Tata Mavumbu - aquele que cuida da Casa de Exu

Nação Jeje

Além do Pegig8 c do Runtó, outras denominações usadas são: Gaipé, Gaitô, Arrow e Runsó.

Nação Ketu

lyan1or<J- responsável pelo Padê de Exu Olôgun-despacha os ebós das obrigações

Babt:1lossayn-respons;1vel pela colheita das folhas (Kosí Ewé, Kosí Orixá)

(38)

O

Ogã e Sua Mediunidade

Eis uma frase mui to con1un1 nos terreiros: "Não sou médium, sou Og~t, ou então ... "Ele não é médium, é só

Ogã".

Pois bem, aqueles que assim pensam, con1 certeza fica~ rão surpresos, pois posso afirmar que o Ogã ten1 n1ediunidade.

O

que lhe difere da maioria dos m.édiuns é que a tnediunidade

se manifesta através do "Dorn Musical".

Quem nunca viu uma criança que, mesn1o sern nunca

ter assistido a uma aula de n1Üsica ou percussão, sabe tocar vários ritmos, dos mais variados encontrados num terreiro, mesmo que inconscientemente ela não saiba o que está fazcn~ do? Este é um fato até certo ponto comun1 entre famílias que s8o da religião.

Classificada como

Mediunidade

de

Lucidez

Artística~

Musicista,

age em especial nas mãos e braços (chakra bn1~ quial) em Ogãs~dc~couro, ou nas pregas vocais (chakn1larín~ ,E;eo) nos Ogãs~de-canto. Qmmdo preparadas pelas Entidades, estas regiões são irradiadas e iluminadas pelas forças astrais. Como qualquer

m

éd

i

um,

veio a este

orbe

con1 uma Iniss5o predeterminada pelas forças superiores (Senhores do

(39)

Kanna), para que nesta enGlrnação pudesse auxiliar no Ex é r~ cito de Oxalá, nosso Mestre Jesus Cristo, e dentro da magni~

tucl

e

de Deus, foi~lhe indicada a função de tocar e cantar

para os Orixás Sagrados c part1 as Entidades que auxiliam na Umb;:mda.

Todo Ogã tem a obrigação de cuidar e de buscar o apri~ moramento de seu dom, que é nlllito importante dentro de um terreiro, pois é ele o responsável pdo toque ou canto que vibrará nn Aruanda, como un1 elo de ligação entre os 1nen1~

bros da gin1 e as Entidades de Luz.

Seu desenvolvimento e crescin1ento mecliúnico depen~ dcrão exclusivamente de si próprio, pela disciplina, força de

vontade, fé e respeito para com as obrigações. Dessa form8, podení, com o ternpo, obter maior facilidade no aprendizado

de novos toques, bem como terá aumentada a sua recepção intuitiva, usada pelos Guias na transmissão de novos pontos cantados a serem adotndos nos trabalhos espirituais. Assim, já deixo claro que os Og5s também podem manifestar mais de um tipo de mediunidade.

No Candomblé, nenhum Ogã pode 1nanifestar Orixá,

ou, numa linguagem mais cornum ao povorde~santo, não

((bola no santo", bem como as Ekédis, que são as n1ulhcres que cuidarn do terreiro e de tudo relacionado aos Orixás. Se, por acaso, passam a desenvolver esta cmnunicação, rnudam

de cargo na hierarquia. Esta talvez seja a principal difcrençCI entre o Ogã de Umbanda e o de Candomblé.

Na Umbanda, de certa forma, é natural encontrarmos

Ogãs que, além do dom musical, possuen1 a medi unidade de

incorporação. Lógico que fazem parte de uma n1inoria, porém

é possível, pois a.s pesso8s podem desenvolver vários pontos

receptivos ao mundo da espiritualidade (chakras), muito em~

hora, normalmente, desenvolvam un1 tipo de mediunidade mais marcante e outras de menor intensidade, além de algu~

(40)

É

importante salientar que, quando cmneçmn a sentir

a irradiação de seus Guias, deven1 pedir autorização para dei~ xar o atabaque e incorporm-,se aos outros n1embros da gira, prevenindo assün acidentes ou outros proble1nas durante a sessão.

Muitas vezes, este pode ser o início de uma nova missão enviada do Astral, pois não é nada incmnUin encontrarmos

dirigentes que un1 dia for8m Ogãs~de~terreiro. ·

Outros tipos de mediunidade também podem. se desen~ volver (como ele cura, ü1tuição, vidência etc.), pois para Deus

tudo é possível, mas é bom saber que não é a quantidade de dons que a pessoa possui que a fará n1elhor ou pior do que as

outras. O mais itnportante é cmnprir seu dever da forn1a mais correta possível, com amor no coração. Às vezes, un1 n1édiLm1 que ainda não descobriu o tipo de tnediunidade que vibra com maior intensidade sobre si tem 1nais força que aquele cheio de dons, que não sabe usá,los, ou pior ainda, que não

tem disciplina ou respeito por seus deveres espirituais.

Tod

o

médium tem sua utilidade dentro

do

terreiro, desde os dirigentes, os cambonos e 1nédiuns de incorporação aos outros auxiliares que ajudan1 na curimba ou ainda segu-rando alguém que poderia cair. Assim digo aos Ogãs parCJ

que lev8n tem suas mãos aos céus e agradeçan1 a Zambi pelo dom divino que têm, pois é através de suas tnãos e canto que os sons sagrados fluem na Aruanda dos Orixás.

(41)

Iniciação do Ogã

Existe uma grande diferença entre a iniciação do Can~ d01nblé e da U1nbanda. Ambas são ceriinônias n1uito especiais

dentro do terreiro, com suas magias e uürongas, próprias de cada segmento.

N

o

Candomblé, antes da iniciação, cmno foi dito ante~ riormente, o Ogã será escolhido pelo Ortxá, sendo então cha~ tTtado de Ogã Levantado, pois nesta ocasião ele senta nun1a

cadeira especial e é erguido para que todos o veja·m como {(o

indicado".

No dia da iniciação, recolhe-se·o iniciando peia manhã

na cmnarinha, com corpo lilnpo e vestes brancas, após un1 banho

de

Abô.

Prüneiro despacha~se Exu e ele senta numa cadeira de costas para a rua. Cantando para o Orixá do iniciado, sacri

fi-ca-se mna ave para seu Olorí e o ejé (sangue) do anünal deve gotejar na coroa (cabeça), na pedra de cada Orixá e

nas mãos (pahna e costa). Depois sacrifica-se outra ave, agora

para seu Eledá e repete-se o ritual. Feito isso, sai do Roncô,

sob um Alá seguro por quatro filhos do terreiro, e 1.nna volta

45

(42)

completa em torno do Abaçá é percorrida. Logo após, as pedras dos Orixás são levadas para o salão e o iniciado prestJ o juramento de servir à religião, ao Orixt:1, ao sacerdote e ao terreiro. Um obí é triturado e levado, um pouco, à boca do filho c o restante, com água, é despejado em suas mãos. Assim está feito o jurarnento e às expensas do Ogã é servido o rrwjé jé um (alimento), na folha de papel e sem talher, numa grande festa que

ele

assistirá, sentado na cadeira de braços.

A partir daí, todos terão a obrigação de lhe ton1ar a bênção. Este ritual podem udar de acordo cmn a Nação de cada terreiro ou Ilê.

na

Umbanda,

normahnente ele é informado por um

Guia de sua missão. Se o indivíduo ainda não foi 11111 Ogã de outro terreiro, deverá, antes de tudo, aprender os toques e as cantigas com os Ogãs mais antigos, en1 especial, con1

o

Alabê. Un1 Ogã portador de dom natural terá grande facilidade p8ra aprender o n1ínitno necessário antes do dia de sua integração

do

grupo

ele

afins da casa.

A pessoa então deve se preparar para a cerimônia de cruzan1ento na pemba, onde, somente a partir daí, estará apta a participar da engira. Essa preparação é passada pelo Guia Mentor da casa, incluindo banhos, novenas, ou outras obrigações, de acordo com o fundan1ento do terreiro.

No dia estipulado, o iniciando, depois de cumprir as obriga-çôes que lhe foram passadas, vai ao tetTeiro, cmn sua roupa branca e as guias (colares, fio-de-contas) referentes aos Orixás da casa. O Guia Mentor é quem faz toda a cerimônia. Cruza-se com a pemba a testa, o coração, as mãos, os pés e a coroa da pessoa. Tudo ocorre ao som de um ponto cantado próprio para o momento. Ilun1inado com um8 vela, o iniciando prestará o jura-mento de fidelidade a Oxalá e ao terreiro e de respeitar ao Pai ou Mãe-de-Santo, :1o Pai ou Mãe-Pequena, ao Alabê, aos Og3s e a todos os outros participantes da engira. Essa parte é igual para todos os outros 1nédiuns.

(43)

A segunda parte, própria da iniciação do Ogã, pode

ser feita pelo Mentor ou ainda por mna Entidade especialista

que é responsável pda iniciação, firmeza e axé dos Ogãs. O

Alabê é chan1ado, bem como os outros instrun1entistas que

compõem a orquestra da tenda. Todos elevam as mãos, forne~

cendo energias, enqui=lnto a Entidade

fc.tz

a preparação cbs

mãos do noviço com pó de pemba, ao 1nesn1o tempo em que

profere urn engorossi (prece) sagrado, em sua língua nativa.

O Alabê colocc1 suas mãos sobre as do iniciando, e o

Guia Espiritual celebrante envolve~as com o pô de pemba,

unindo~as energeticamente.

Depois o Guia (ou às vezes o Alabê) escolhe

qu

al

dos

atabaques que o novo Ogã utilizaní..

O

instnnnento é levado

ao centro da gira e prepan1do para que o recém~admitido

tatnbém possa toccí-Io.

iv1ais uma

vez o pó

de

pen1ba é usado.

Ele toca no tambor escolhido, seguido depois pelo Alabê, e

finalmente

é

acompanhado pelos outros Ogãs do terreiro.

A Entidtlde o abraç<:l, seguida no gesto pelo Alabê e pelos demais Ogãs. A seguir todos os outros participantes da

casa tan1bém o saúdarn, dando~ lhe boas~vindas.

Não existe a obrigatoriedade de tomar sua bênção, n1as

o respeito a ele deve ser cumprido, por tudo que já foi passado

anteriormente nesta obra.

Os rituais podem mudar de terreiro para terreiro, pois

sabemos que a Umbanda não é uma religião que segue uma cochficaç5o,

u

m

modo

de ::1

gir

igu

al

em todas as tendas, até porque trabalham com mentores que possuem conheci~

mentos e fundan1entos diferentes; porém, na Umbanda, não

existe o recolhimento na camarinha ou Roncó e por ser um3

religião cristã, muito menos deve~se sacrificar animais na

iniciação de qualquer fílho-de~santo, não sendo diferente

quanto 80S Ogãs.

Depois de preparados c cruzados, rituais de confinnaç5o

(44)

como, por exemplo, o Bori de Ogã, que só acontece tempos

depois de a pessoa estar no cargo, demonstrando sua capaci

-dade e lealdade tanto 8 religião quanto ao terreiro. Por ser uma obrigaç~o secreta, nfí.o tenho permissão para passar a

maneira em que el<1 é feita; porém deixo claro que, diferen

te-mente elo Bori feito no C<1ndomblé, neste não existe sacrifício

animal.

(45)

Cotnportatnento e Disciplina

Conforme já foi citado, o Ogã é mn médium com cargo sacerdotal dentro do ritual umbandista. Sendo assim, qual deve ser a sua postura?

Sua conduta precisa pautar-se na lisura e na retidão. Lógico que os Ogãs1 bem como todos os outros médiuns, possucn1 uma vida própria e têm o direito de aproveitar as coisas boas que ela lhes oferece. Porém é sempre bom le1nbrar que, certas atitudes e principalmente, alguns ambientes, não são condizentes com pessoas que possuem uma abertura à

recepção e trans1nissão de energias.

Médiuns de modo geral obrigam-se a evitar o uso cons-tante de palclvras de haixo calão, bem como freqüentar locais como bares, casas de jogo, prostíbulos, pontos de drogas e tantos outros lugares afins, já que, neles, as vibrações negati-vas são constantes devido à presença de espíritos atrasados, verdadeiros "vampiros <1strais, que estarão se1npre prontos a sorver o máximo de energia dos que lá estivere1n.

Um Ogã que freqüenta esses locais "pesados" poderá trazer uma carga negativa para dentro do terreiro. Sen1 contar

(46)

o perigo que seria ele tocar o atabaque, pois suas mãos, que

são os elos de ligação con1 o Mundo Espiritual, poderi<nn irradiar energias desastrosas, abrindo uma entrade1 para seres

dos mais baixos Planos dos Urnbrais.

Dentro da casa, ele eleve dar o bom exemplo disciplinm.

Corno certas obrigações devem ser feitas antes

do

início

dos trabalhos, é aconselhc-1vel que, dentro do possível, ele

também se antecipe à cheg8da dos outros n1édiuns, para quP

haj8 total concentração e tranqüilidade neste momento tão

importante ao bom andamento da sessão. O inverso deve

ocorrer nas obrigações realizadas depois do ritual litúrgico,

onde os outros 1nédiuns saem do recinto sagrado para que os

Ogãs possam ficar a sós. Toda obrigação deve ser realizada

sem pressa, co1n muito cuidado e respeito.

Nas dependêncíets da engira, o Ogã deve estar concen~

trado naquilo que faz, evitando conversas alheias aos traba~

lhos reali;::;ldos.

O

respeito

às

Entidades é primordial. Quando

uma

delas estiver passando un1a rnensagern aos n1embros da casa,

os atabaques devem ser silenciados, de n1odo que se facilite a

compreensão de todos. Os Guias têm 1nuito a nos ensinCir; por isso, ouça e aprenda.

Deve ser

PROIBIDO

o uso dos couros por pessoas

embriagadas, pois estas n?ío estarão aptas a mna boa concen~

tração, sem contar que, muitas vezes, sequer vão conseguir

tocar o ritmo correto.

Também não deve ser permitido que os Ogãs toquem

tambores de outros terreiros sen1 wna autorização prévia do

Mentor da casa, do Guia responsável por eles, ou ainda do

Ala

b

ê

e do dirigente espiritual. Sair por aí tocando um couro aqui e outro ali, poderá acarret:u num grande problema, pois,

cmno já foi falado, cada terreiro tem s~u fundan1ento e su8

forma de trabalhar. Não custa nada avisar previmnente da

pretens<l visita e solicitar ao seu responsável que lhe explique

(47)

que n1edidas devem ser tomadas para sua proteção antes e depois de tocar em outro terreiro. Agindo de acordo com as instruções recebidas, aí sitn estará apto a fazer seu toque de forma que não traga quizilas nem para si próprio e nem para o instnm1ento de sua C8sa. Se você já conhece a casa visitada e sabe que se trata de um lugar sério, onde não estaria

cor-rendo nenhum risco de envolvimento con1 cargas negativas,

e se não houver jeito de permanecer como un1 tnero expec-tador, caso seja convidado a assumir un1 dos instnm1entos, solicite ao seu Mentor (em pensamento) para que lhe dê pro-teção e depois faça um banho de descarrego para se livrar de

possíveis cargas ou miasmas que possam vir a se in1pregnar

em sua aura.

A

hierarquia funcional deve ser respeitada, sendo que, entre aqueles que possuem o mesmo cargo, o mais novo na função dever<Í sempre respeitar e acatar as orientações do n1ais antigo, pois ele já reúne maior experiência e se encontra n1elhor adaptado e integrado aos fundan1entos do terreiro.

Além do regulamento interno, norn1almente encon; trado nas tendas e que deve ser obedecido, pode também existir um outro exclusivo para o corpo de Ogãs. Este deve ser elaborado pelo

Abhê,

incluindo das mais simples obriga-ções até deveres quanto ~l n1anutenção dos instnnnentos.

(48)

Saudações aos

Orixás e Linhas

É

dever de todo Ogã saber as saudações corretas aos Orixás e outras Linhas que atuam na Umbanda. Elas podem diferenciar de terreiro para terreiro porque existe mais de

uma para cada Corrente, de forma específica.

Segue abaixo 8list<-l dos Orixás e povos com suas respec -tivas s<1udaçôes:

• ZAMBI: Zambi~iê!

• TUPA: Tupã-iê!

• OXALÁ: Exê-B<lh<-1!,

Epa~B8h

:1

!,

Exê-uê-Babá!

• OXÓSSI: Okê~Caboclo!, Okê~Arô!, Okê-Barnbi~o~clíme!,

Okê-Oclé!

• YORIMÁ ou IOFÁ: Adorei as Ahnas!,

É

pras Almas!

• OGUJvf: Ogunhê!, Ogunhê meu Pai!, Ogum-iê!, Batacorê

(Patacori) Ogurn!

IEMANJ

Á:

Odt>-si

~

í!, C1

dô~

si

8

~

b8

!,

Oclô~i<í!,

Od6-fê-

i

<

1b

r1!

• OXU.iv1: Aiciet) Mami1e Oxum!, Oraie -iê~ô!

(49)

• IANSÃ: Eparrei!, Eparrei~Oiá!

• NANÃ: Saluba Nanã!

XANGÔ:

Caô~Cabiecilê!, Kawo~Kabyecilé!

• IBEJI ou YORÍ: Amin-Ibejí!, Ori-Ibejí!, Amim-Bejada!, Salve os Anjos!

• OB

A

LU

ou

OM

UL

U

: At

otô

!

BOIADEIROS

:

Jetruá!, Xetuá!, Xetrm'í!, Xêto-Marornba~Xêto! • BAIANOS: Keodé a Bahia!,

É

pra Bahia!, Odê-o-dé Bahia!

MARINHEIRO

S

:

Marí-Bahá!

• O

RIENTAIS

:

Ori-Bab,'l!

• ALMAS: Adorei as Aln1as!,

É

pras Aln1as! /

• EXU: Laroiê!, Exú é Mojubá! Exu-ê!

• PO

M

BA

-G

IRA:

Laroiê Bombo-Gira!, Tala Talaia!

Outros

Orixás

• OS

SA

IM:

Eu~eô!

• OXUMARÉ: Arô-Boboi!, Arô-Moboi!, Aô-Boboi!

• TEMPO:

Te1npo-iô!

OBÁ:

Obá~xireê!

• LOGUNEDÉ: Logun!, Ou~oriki!

O

termo SARA

VÁ,

ou SALVE, poderá substituir todas as saudações, e ainda deve ser usado quando for saudar a Um~

banda, o Divino Espírito Santo, a abertura e encerrmnento dos trabalhos etc. Assim, quando houver necessidade de saudar

alguém, algum ritual ou uma linha qualquer, e não se souber a fonna correta, deve-se fazer uso desses termos que estarão

plenamente de acordo com a exígêncía, pois un1a saudação fun

-ciona con1o urna espécie de mantra sagrado que nos comunica

diretamente com o Astral; daí a importância de não inv

en-tarmos termos c louvações. Sendo o SAM VÁ ou SALVE

genéricos, vibram direto na Aruanda, pennitindo que as Enti

(50)

Saudações Especiais

Alérn das saudaçôes às Entidades e seus respectivos Orixás, existem outras especiais que seguem abaixo:

• CONGÁ:

Adubalê~Pcji! (para bater cabeça no Congá)

• DEFUMAÇÃO: Cheirou na Un1banda!

• BABALAÔ ou YALORIXA:

Auê~Bab,-1!

• PJ\J,PEQUENO:

Auê~Miri~Babá!

MÃE~PEQUENA: Auê~Miri-Cy!

• OGÃ:

Og8~nilu!

• A UMA GRAÇ;\ RECEBIDA:

Adobá!

• PEDIDO

DE PERDAO: ~v1aleüne!

• PEDIDO

DE

LICENÇA:

Agô!

• LICENÇA CONCEDIDA: Agô-iê!

• AO CHEGAR E:tv1 Urv1A CASA: Okê-Olorurn!

• AC) SAIR

DE

U1vfA CASA:

Olorum~Didê!

(51)

Pontos Cantados

Tudo no Universo vibrél e evidentemente possui um som próprio.

Verlbdeiros mantr<lS, os pontos cantados pôetn em

movimento ondas vibratórias, produzindo assim uma maior

afinidade entre os planos da matéric1 e do espírito.

Atnwés de pesquisas científicas, j~1 ficou provado que

os sons possuernurna freqliência peculim, têm cor e ernit.cm,

a tn1em ou dissipam cert~IS

ener

g

i

as

.

Assim, podemos ~•firmar que os pontos ou "curimh:1S11

são verdacleir<ls preces C8n tada.s que mostr<l.m a

e <.l rnagi;.l da Umbanda, bem com() despertam a harmonü1. vibratôria

de um<1 gim, dinamizando forças da natureza e fazendo~nos

entrar cm contato com as Forças Celestiais que nos regem.

São, sem nenhuma dúvida, importantíssimos para a hannoni

-zaç8o e a efic'icia dos tr~l balhos dentro do terreiro.

Esses c~nticos ni'ío devern ser entoados apen<ls da

l

)OCa pr::1 r 10ra, m;.1s stm. , com a

" : i

voz c o coraçao .

_,E;

prect

.

so,

antes de tudo, sentir cm sua A lma aquilo que está se.ndo.

(52)
(53)

Existen1 curimbas com as mais diversas finalidades:

de abertura e encerratnento dos trabalhos, para defmnação,

para bater cabeça (saudar o altar), para louvar linhas e Orixás, para quebrar demanda, para cruzamento de um

médium na Lei,de,Pemba, para coroação (confirmação),

para cura, para o ri tua

I

do An1acf (banho de ervas para

revitalização da mediunidade) e tantos outros conforme for

a necessidade.

Assim, segue uma breve explicação de alguns tipos de

pontos usados durante uma sessão mnbandista:

• Pontos de louvação: cantados em homenagem aos Orixás,

Guias e Mentores espirituais.

• Pontos

de

saudação: para hmnenagear a religião, o Pegí

(Altar, Congá) ou ainda em. homenagem aos sacerdotes,

Ogãs ou outros convidados do terreiro.

• Pontos de firmeza: solicitan1 as energias provenientes do

Astral Superior.

• Pontos de descarrego: cantados durante as d.efu,

mações, os passes, os descarregas da casa ou ainda nas

limpezas fluídicas através de trabalho com fundanga

(pólvora). Este último utilizado para quebra de energias

negativas ou a destruição de larvas astrais que às vezes

se Impregnam no corpo áurico de determinados

in-divíduos.

• Pontos de chamada: entoados para a evocação das Ent

i-dades de Luz que deverão se 1nanifestar nos trabalhos espi, rituais por meio de incorporações mediúnicas, ou sin1ples-mente pelo espargimcnto de suas energias sobre os campos

Referências

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