Um experimento de avaliação da produção
grupal na REBEA
VAmaral
As leituras a seguir são produto do trabalho de conclusão do curso de especialização de Formação de coordenador de grupo
operativo, realizado no Instituto Pichon-Rivière – SP, em 2007.
Têm origem na inquietação originada nas dificuldades encontradas no processos de interação social, comunicação e horizontalização das relações na Rede, durante 10 ano de atuação, sendo 5 como secretaria executiva e 2 como coordenadora do projeto Tecendo Cidadania e 3 como editora do site.
Procurei interpretar os fenômenos da Rebea à luz da teoria de grupos operativos de Pichon-Rivière, da Comunicação Pragmática e da teoria das redes.
O trabalho desenvolvido foi um experimento de aplicação de
Enquadramento: características das ferramentas de comunicação Enquadramento: hora, local,
Comunicação: atividade recursiva[1]e de sustentação da rede
comunicação como atividade geradora
unidade do aprender e ensinar “Somos todos aprendizes” unidade do aprender e ensinar
A concepção de aprendizagem: capacidade de compreensão e de ação transformadora da realidade.
A concepção de aprendizagem:
capacidade de compreensão e de ação transformadora da realidade.
atribuição e assunção de papéis atribuição e assunção de papéis
Interesses individuais e benefícios pessoais articulados com objetivos compartilhados e consensuados, expressos em acordos de convivência, imaginário coletivo, agenda comum (tarefas)
Existência em cada um de nós de um esquema referencial (conjunto de experiências, conhecimentos e afetos com os quais o indivíduo pensa e age) que adquire unidade através do trabalho em grupo (Pichon-Rivière, 2000,p 123)
Objetivos da rede e tarefas decorrentes para sua realização como organizadores da rede
a tarefa como um dos organizadores do grupo
o padrão de relações entre os participantes da rede e da rede com o contexto externo com um fenômeno dinâmico, com emergentes, em
permanente mudança, com avanços e recuos, com aspectos explícitos e aspectos implícitos.
O padrão de relações intra grupo e do grupo com o contexto externo como fenômeno dinâmico, com emergentes , em permanente mudança, com avanços e recuos, com aspectos explícitos e aspectos implícitos.
a abordagem interdisciplinar do fenômeno das redes operativas a abordagem interdisciplinar do
fenômeno grupal
a rede como um sistema aberto O grupo como um sistema aberto
Redes Operativas Grupos operativos
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A análise das mensagens sob os seguintes aspectos:
- temas tratados nas conversas,
- padrões de comunicação,
- recepção das mensagens,
- tipos de mensagens,
- identificação dos emissores,
- os cinco vetores: afiliação / pertença; comunicação;
cooperação; aprendizagem; pertinência e tele,
- expressão de momentos vividos que indiquem presença
de confusão, dilemas, insights, problematizações,
- papéis funcionais e disfuncionais,
- emergentes temáticos,
- indícios de alianças, pacto grupal,
- descobertas e inovações, saltos de qualidade na produção
conjunta.
“Conjunto restrito de pessoas que, ligado por
constantes de tempo e espaço e articulados por sua
mútua representação interna, se propõe de forma
explícita ou implícita uma tarefa, que constitui sua
finalidade, interatuando através de complexos
mecanismos de assunção e atribuição de papéis.”
[1]
[1]
(Pichon (1985) citado em Liderança, aprenda a
mudar em grupo, p22)
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Agrupamento – relações de serialidade,
aglomerados de pessoas anônimas que não
tem objetivos comuns e não interagem entre
si. (Sartre)
Agrupamento – relações de serialidade,
aglomerados de pessoas anônimas que não
tem objetivos comuns e não interagem entre
si. (Sartre)
Grupo - relações de
interação social e
construção de vínculos,
em permanente
negociação, na
realização de tarefas e
objetivos comuns.
Grupo - relações de
interação social e
construção de vínculos,
em permanente
negociação, na
realização de tarefas e
objetivos comuns.
É o fazer compartilhado, “o conjunto de ações
destinadas à conquista de objetivos comuns.
Esse processo direcional, caracterizado como
dialética entre sujeitos, rompe a maneira de
pensar divorciada do fazer e seu significado mais
profundo é a possibilidade de uma intervenção
que facilita a mudança”.
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No processo grupal, o vínculo pode ser
definido como a relação estabelecida
entre as pessoas para realizarem a
tarefa. As pessoas se vinculam na tarefa
por meio da comunicação e se tornam
importantes umas para as outras.
Indicadores Pichon - Rivière
1. Afiliação e pertença
2. Pertinência
3. Comunicação
4. Aprendizagem
5. Cooperação
6. Tele
Indicador em desenvolvimento:
1 - Horizontalidade
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Para Pichon-Rivière, na análise da comunicação
devemos perceber não só o conteúdo das mensagens,
mas também o como e o quem está enunciando a
mensagem.
Padrões de comunicação
- de um para todos: caracterizando o papel do líder;
- de todos para um, quando emerge o bode expiatório
no grupo e caracteriza o processo de depositação
grupal;
- entre todos, quando a comunicação é distribuída e
fluída no grupo;
- entre dois, caracterizando a situação de sub-grupo;
- entre vários simultaneamente – situação de
confusão e falas paralelas, o que se denomina
monólogo paralelo. (Gayotto:1995:92)
O padrão é imaterial, é um conjunto de
princípios que ordena os fluxos entre os
elementos de um determinado sistema.
Ele se corporifica na estrutura, que é
gerada pelos fluxos que acontecem no
sistema.
princípios
fluxos
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O padrão comum: distribuição
Mapa da Internet
Rede de proteínas
Estes princípios se atualizam em estruturas que suportam fluxos de
interações sociais com as seguintes características:
• Comunicação distribuída: de origem plural, gerada em
diferentes pontos (o grau de distribuição da comunicação
varia, possibilitando classificações),
• Emergência,
• Auto-organização (potencial),
• Insubordinação: relações sociais acontecendo num
padrão de autonomia - interdependência e não de
subordinação – dominação,
• Complexidade (sistemas dentro de sistemas,
composição de diferentes),
A comunicação
implica em
interação social :
pessoas interagindo
com pessoas.
A comunicação
implica em
interação social :
pessoas interagindo
com pessoas.
A lista de discussão
como ambiente de
comunicação é um
espaço público dos
membros da rede.
A lista de discussão
como ambiente de
comunicação é um
espaço público dos
membros da rede.
A ferramenta de
comunicação mediada por computador mais utilizada nas redes de EA é a lista de discussão. Seus membros constituem comunidades virtuais temáticas e
finalísticas.
Comunidade virtual é um
ambiente imaterial onde os
membros estão
conectados
por tecnologia de
informação, tipicamente a
internet.
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APENAS PONTOS?
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As linhas que conectam os pontos
são traços de atos comunicativos
entre pessoas
Pontos = Pessoas /Elos
Linhas = Traços da Comunicação /
Fluxo de informação / Produção de
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A rede de conversações é
capital social,
que por sua vez
produz mais redes.
Em conversações recorrentes, retroativas,
a rede produz a
rede
que é uma
rede de conversações
.
A rede de conversações é suportada por uma
rede física
de
computadores conectados produzindo assim uma
estrutura
física e articulada de comunicação
e um
ambiente virtual
de convivência
para os membros da rede.
A rede de conversações para ser gerada e se desenvolver
necessita de
interações sociais
que estão baseadas em
acolhimento, confiança, pertença e cooperação.
A sustentabilidade da rede (sua re-produção e re-novação)
depende do acontecimento de interações sociais
(
comunicação, afiliação e pertença
), e da qualidade e
teor dessas interações
(cooperação, pertinência,
320 mensagens postadas 52 interações
Conversações derivadas/ postagens
19 mensagens tiveram 2 postagens 11 mensagens tiveram 3 postagens 5 mensagens tiveram 4 postagens 4 mensagens tiveram 5 postagens 1 mensagem tiveram 6 postagens 1 mensagem teve 8 postagens
2 mensagens tiveram 9 postagens – Curso de francês gratuito na internet/ Blog Rebea
Atos comunicativos na lista da REBEA –
março 2007
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denúncias
coordenação de tarefas REBEA (1 mensagem sobre o VI Fórum)
oportunidades de trabalho, empregos repasse de notícias
divulgação de cursos
divulgação de ações governamentais divulgação de eventos
divulgação de editais
divulgação de textos e livros divulgação de sites
divulgação de revistas eletrônicas clipagem
avisos de pauta release
campanhas online
conversas sobre temas ambientais da atualidade ( transgênico, Rio São Francisco, Pan 2007 impactos)
desligamento lista de discussão
solicitação informação
questionamento sobre enunciado
solicitação de explicação sobre o tema
enunciado
comentários sobre o tema enunciado
aprovação de um enunciado
resposta de uma solicitação
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Conexão
≠
Coesão
Conexão
≠
Interação
Podemos estar conectados e não haver interação e nem
comunicação. O ato comunicativo constitui uma sequência, um
encadeamento, para que se estabeleça a circularidade de
Outras questões
- Como não há comunicação distribuída não há geração de clusters
(aglomerações, comunidades de prática e aprendizagem),
- como não há comunicação distribuída e interações não há agendas compartilhadas gerando ações locais de aprendizagem e mudança, - a rede está prisioneira de estruturas disfuncionais de coordenação como a facilitação nacional, secretaria executiva, eventos de formato tradicional, que não permitem a circulação livre e distribuída da
informação e do conhecimento,
- há ausência de co-responsabilidade dos integrantes da rede em relação a sua sustentabilidade,
- prevalecem uma cultura de adesão, subordinação e o interesse nos benefícios resultantes do acesso a informação estratégica divulgada na lista para suas atividades pessoais,
-- a rede se configura como um difusor de informação e não como uma rede social distribuída, com objetivos e agendas compartilhadas, gerando comunidades de aprendizagem, conhecimento e mudança,
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- a recepção passiva que acontece nutre uma circularidade viciada que se alimenta no espelhamento, na identificação segura com o outro que pensa igual, na repetição de temas e práticas gerando isolamento, narcisismo e um fantasioso sentimento de importância da educação ambiental.
- temas essenciais para comunidade de educadores ambientais, como a profissionalização do campo, financiamento de projetos e representação
política não conseguem se sustentar como pautas nas conversações da rede. - quando há divergências a conversa costuma derivar para ofensas,
agressividade e desqualificação dos interlocutores, evidenciando a dificuldade em lidar de forma construtiva com a diversidade de visões e opiniões.