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EFEITO DA PASTA DE FIGO NO PROCESSO CICATRICIAL DE PELE DE RATO WISTAR

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Academic year: 2021

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CICATRICIAL DE PELE DE RATO WISTAR

Marília Miriam Meireles1 Claudia Fernandes da Cruz2 Maria Fernanda M. L. Ninahuaman3 Renata Cristina Schmidt Santos4 Antenor Aguiar Santos5

Resumo: Objetivou-se analisar histológica e morfometricamente o efeito da pasta de figo como coadjuvante no processo de reparação tissular em feridas induzidas na pele de ratos. Para isso, foram utilizados 25 ratos Wistar, com 1 Especializada em Saúde Coletiva com ênfase em PSF e graduada em Enfermagem, ambos pelo Centro

Universi-tário Adventista de São Paulo (Unasp-SP). E-mail: [email protected].

2 Graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-SP). E-mail:

[email protected].

3 Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal de São Paulo. Graduada em Farmácia pela Universidade

Federal do Rio de Janeiro. Pesquisadora do laboratório de investigação em saúde e professora do Centro Univer-sitário Adventista de São Paulo (Unasp-SP). E-mail: [email protected].

4 Mestre em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo. Professora e pesquisadora do Centro Universitário

Adventista de São Paulo (Unasp-SP). E-mail: [email protected].

5 Pós-doutor em Aquicultura pelo Instituto Pesca. Doutor em Ciências e mestre em Morfologia ambos pela

Uni-versidade Federal de São Paulo. Graduado em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo. Coordenador e pesquisador do Curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-SP). E-mail: [email protected].

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peso médio de 355g. Os animais foram anestesiados com quetamina (1,0 mL/ kg) e realizado três lesões na região dorsal. As lesões foram tratadas uma vez ao dia com soro fisiológico, pasta de figo e dersani. Após 24 horas, 3, 7, 14 e 21 dias de tratamento os animais foram anestesiados com éter etílico para a retirada de fragmentos da pele. Os fragmentos foram processados segundo a técnica histológica padrão. As lesões tratadas com soro fisiológico, dersani e figo apresentaram características histológicas semelhantes. No entanto, ve-rificou-se que as lesões tratadas com figo apresentaram eventos de cicatriza-ção mais acentuados quando comparados com aqueles observados em lesões tratadas com soro e dersani. A análise morfométrica mostrou que as lesões tratadas com figo apresentaram um aumento significante no percentual de espaços vasculares e fibras nos períodos de 7 e 21 dias, respectivamente, em relação àquelas tratadas com dersani e soro fisiológico. A partir dos resulta-dos obtiresulta-dos é possível concluir que a pasta de figo apresenta uma atividade cicatrizante e acelera a reparação de ferida em pele de rato.

Palavras-chaves: Wistar; Cicatrização; Pele; Pasta de figo

Abstract: We aimed to analyze the histologic and morfometric effect of fig paste as an adjuvant in the tissue repair process in wounds induced on the skin of mice. Therefore, we utilized 25 Wistar rats, with average weight of 335g. The animals were anesthetized using ketamine (1.0 ml/kg) and three lesions were made at the dorsum. The lesions were treated once a day with saline, fig paste and dersani. After 24 hours, 3, 7, 14 and 21 days of treatment, the animals were anesthetized using ethyl ether for the removal of skin frag-ments. The fragments were processed according to standard histological te-chnique. The lesions treated with saline, dersani and fig had similar histologic features. However, we verified that the lesions treated with fig showed more

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pronounced cicatrization events compared with those seen in lesions treated with saline and dersani. Morphometric analysis showed that lesions treated with fig had a significant increase in the percentage of vascular spaces and fibers at 7 and 21 days, respectively, compared to those treated with saline and dersani. From the results, it can be concluded that the fig paste has a cicatrization activity and accelerates wound repair in rat skin.

Keywords: Wistar; Cicatrization; Skin; Fig paste.

A cicatrização é um mecanismo de cura espontânea que corresponde à tentativa biológica de restaurar um tecido. Eventos celulares, moleculares, fenômenos bioquímicos e fisiológicos que interagem de forma coordenada durante o processo de cicatrização são eventos que garantem a repavimen-tação e restauração do tecido (MANDELBAUM et al., 2003; MAIO, 2004). O tempo de reparação tissular constitui um importante critério de clas-sificação e de sistematização necessário para o processo de avaliação e registro de feridas. Desta forma, as feridas podem ser classificadas em agudas e crôni-cas. As feridas agudas são aquelas provenientes de cirurgias ou traumas e cuja reparação ocorre em tempo adequado e sequência ordenada sem complicações, levando à restauração da integridade anatômica e funcional; as crônicas, ao contrário, são aquelas que não são reparadas em tempo esperado e apresentam complicações (COTRAN et al., 2005; DUARTE; DIODO, 2000). Os produtos existentes no mercado voltados para intervir no processo de cicatrização das feridas possuem uso limitado, já que alguns não podem ser usados em feridas secas ou com pouco exsudato, como é o caso dos hidropolímeros e alginato de cálcio, sendo que outros produtos, por sua vez, podem causar hipersensibilidade e requerem cobertura secundária, como a sulfadiazina de prata (MANDEL-BAUM et al., 2003).

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Um produto bastante utilizado no mercado farmacêutico é o dersani, que compreende em uma loção oleosa a base de Ácidos Graxos Essenciais (AGE) e vi-taminas, que revitaliza a pele, hidrata e mantém o equilíbrio hídrico, melhorando a elasticidade dérmica. Sua utilização pode ser associada a outros produtos sem causar danos. Entretanto, apesar dos benefícios que oferece, sua desvantagem é o alto custo. (MANDELBAUM et al., 2003). Apesar dos avanços obtidos nos últi-mos anos em relação aos curativos e medicamentos utilizados no tratamento de feridas, muitos recursos naturais ou industrializados são alvo de investigação, na tentativa de se estabelecer estratégias de tratamentos eficazes, com menos efeitos colaterais e mais baratos. Nesse sentido, os fitoterápicos, por sua vez, quando uti-lizados de maneira adequada, apresentam efeitos terapêuticos, às vezes superiores aos dos medicamentos convencionais, com efeitos colaterais minimizados, além de serem de fácil manipulação e de baixo custo (TIAGO, 1995).

O figo é um produto natural, tradicionalmente usado como alimento e remédio de múltiplas e benéficas aplicações. Homero menciona suas proprie-dades curativas em seus poemas e Hipócrates os recomendava para combater a desnutrição (SCHNEIDER, 1986; BALBACH; BOARIM, 1992). Assim, desde a antiguidade as figueiras fizeram parte do cotidiano da humanidade e suas folhas eram utilizadas na medicina popular. A Bíblia descreve sua existência desde a criação do mundo (Gn 3:7). No livro de 2 Reis capítulo 20 há o relato de um fato onde o profeta Isaías disse para o rei Ezequias fazer uma pasta de figo e colocar sobre sua úlcera e esta sarou. Diante desse fato, surgiu o questionamen-to: O figo auxilia no processo de cicatrização?

As pesquisas com o figo ficus carica não têm destaque nos laboratórios. Porém, já existem alguns estudos que relacionam este fruto com a saúde. Foi citado em alguns trabalhos a relação do figo e sua capacidade de coagular o sangue, devido à presença de proteases, além de seus efeitos antidiabéti-cos e antivirais. Além do mais, esse fruto também é composto por glicídios,

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potássio, cálcio, fósforo, fibras, niacina (vitamina B3), ácido aspártico e ácido glutâmico (SCHNEIDER, 1986; RICHTER, 2002; PEREZ, 2003).

MATERIAIS E MÉTODOS

Animais

Neste estudo foram utilizados 50 ratos Wistar (Rattus norvegicus, varie-dade albinus), adultos, machos, com peso entre 310 g e 410 g, provenientes do biotério Paulistec. Antes do início do experimento, os animais foram mantidos em gaiolas apropriadas, na proporção de cinco ratos por gaiola (41 x 34 x 18 cm), no biotério do laboratório de fisiologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-SP). Após a cirurgia, a proporção de ratos por gaiola (29 x 17 x 13 cm) foi de 1:1. O macroambiente foi semicontrolado, com ciclo de ilumina-ção claro/escuro (12 h/ 12 h), temperatura por volta dos 25 ºC, intensidade de ruído e umidade relativa provenientes do ambiente geral. Os ratos receberam cuidados diários, com água potável e ração padrão ad libitum.

Desenho experimental

Os animais foram divididos em 5 grupos de igual número, denomi-nados de grupo 24 horas, 3 dias, 7 dias, 14 dias e 21 dias, sendo os mesmos sacrificados nos períodos pós-operatório. Foram realizadas três lesões na região dorsal em cada rato (no lado cranial direito foi administrado pasta de figo; lado cranial esquerdo foi administrado soro fisiológico 0,9% (SF 0,9%) e no lado caudal esquerdo foi administrado dersani.

Técnica cirúrgica

Os padrões que nortearam a realização da cirurgia foram os mesmos adotados por Salazar (1997). Os ratos foram submetidos individualmente à

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anestesia geral, utilizando-se ketamina (dopalen 1ml/kg) por via intramus-cular na cavidade peritoneal. Uma vez anestesiado, o animal foi colocado em uma prancha de madeira de 35 cm de comprimento por 22 cm de largu-ra em decúbito ventlargu-ral e horizontal com as patas estendidas e fixadas.

Inicialmente, com o auxílio de uma tesoura Metzembaun, realizou-se a tricotomia no dorso do animal com as dimensões comprimento-largura de 5 x 7 cm. Semelhantemente a Salazar (1997), não se realizou a antissepsia prévia no local tricotomizado. Ademais, para a realização das feridas cutâne-as, três áreas da pele da região dorsal foram demarcadcutâne-as, utilizando-se um molde plástico circular de 1 cm de diâmetro (Figura 3). Em seguida, com au-xílio de uma pinça histológica de ponta curva e uma tesoura de Íris a pele das áreas demarcadas foi removida até a fáscia muscular (Figura 4). Nos casos de hemorragias, esta foi estancada efetuando-se uma pequena pressão com um pedaço de algodão sobre a zona afetada durante um minuto.

Tratamento das Feridas

As lesões foram tratadas diariamente da seguinte maneira: lado cranial direito foi administrado pasta de figo a uma quantidade de ± 0,4 g; no lado cranial esquerdo, soro fisiológico (SF 0,9%) ± 200µl, e no lado caudal esquerdo, dersani ± 200µl. Estes procedimentos fo-ram realizados diariamente no período diurno, durante o tempo pré--estabelecido para cada grupo. Em nenhum momento as feridas foram cobertas, permanecendo, assim, com as lesões expostas durante todo o período da pesquisa.

Técnica histológica

Para a obtenção dos fragmentos da pele lesionada, os animais fo-ram escolhidos de forma aleatória e sacrificados por inalação letal de éter

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etílico, sempre cinco ratos de cada grupo, em cada prazo experimental previamente determinado, de 24h, 3, 7, 14 e 21 dias pós-operatório. Após cada coleta da amostra, a área original da lesão foi dividida em dois frag-mentos, sendo um desprezado (porção superior de cada lesão) e o outro fixado por formol tamponado a 10% e/ou Bouin por 10 h, desidratados em álcool, diafanizados em xilol e incluídos em parafina.

Foram realizados cortes de 5μm de espessura, colocados em lâminas histológicas e corados com Hematoxilina-Eosina (H.E), para a realiza-ção da análise histológica e morfométrica em microscópio de luz comum. Este bioensaio experimental está totalmente em conformidade com os princípios éticos e das normas mundiais de experimentação animal.

Análise morfométrica

Os melhores cortes histológicos, livres de artefatos, foram selecionados e fotografados com objetiva de 40x. As imagens foram obtidas por um uma câmera da marca Nikon Coolpix 5400 acoplada a um microscópico óptico da marca Nikon Eclipse E400, sendo o percentual de fibras, células e espaço vascular da área do tecido conjuntivo mensurado por densidade de coloração, utilizando-se o software Imagelab 2000.

Análise estatística

Para a análise dos resultados dos percentuais de fibras, células e espaço vascular quantificados após 24 horas, 3 dias, 7 dias, 14 dias e 21 dias de tratamento com figo, dersani e soro fisiológico, foi utilizado o método estatístico da Análise de Variância Ono-Way-Anova. Este tes-te, quando significantes-te, foi complementado pelo teste de Comparações Múltiplas de Tukey. Os resultados foram considerados significantes quando p<0,05 (ZAR, 1996).

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Resultados e discussão

Após 24h de tratamento com solução salina 0,9%, dersani e figo, todas as lesões apresentaram características histopatológicas semelhantes, tais como a presença de exsudato fibrino-leucocitário, com predomínio de neutrófilos (Figuras 1, 2 e 3). No entanto, quantitativamente as feridas tratadas com pasta de figo e dersani apresentaram um percentual de infiltrado de neutrófilo es-tatisticamente maior em relação às feridas tratadas com soro fisiológico 0,9% (Figura 5, 6 e 7). Por outro lado, as feridas tratadas com o soro fisiológico 0,9%. Segundo Mantovani et al. apud Gonçalves et al. (2006), o grau de in-flamação aguda é um fator determinante para que ocorra uma cicatrização satisfatória, pois uma resposta inflamatória muito diminuída pode causar re-tardo no processo de reparação tecidual.

Figura 1 - Fotomicrografias de cortes da pele mostrando em A (figo), B (dersani) e C (soro 0,9%): crosta fibrino-leucocitária (C) e uma área com infiltrado leucocitário (I). Lesão feita no dorso de

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17 25 20 15 10 5 0 a S F D b b Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 2 - Representa as Médias e Desvios Padrão dos percentuais de células das lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani, no tempo de 24 horas. Letras diferentes

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 3 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de fibras de colágeno nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 24 horas

25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 4 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de Espaço Vascular das áreas cica-trizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 24 horas

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Após três dias de tratamento, as lesões tratadas com soro fisioló-gico 0,9%, dersani e figo apresentaram um tecido de granulação cons-tituído por macrófagos, fibroblastos, vasos sanguíneos neoformados e colágeno nas margens das feridas. Verificou-se o início da reepiteliza-ção em todos os tratamentos. Porém, nas lesões tratadas com pasta de figo a migração de células epiteliais e o crescimento do tecido epitelial ao longo das margens das feridas foram mais intensas quando compa-radas com aquelas tratadas com soro fisiológico e dersani. As células do tecido epitelial das lesões tratadas com pasta de figo se fundem abaixo da superfície da crosta e produzem uma camada epitelial fina e contínua (Figura 5). Segundo Rahal et al. (2003), a migração dessas células é orientada pela membrana basal que se forma à medida que as células epiteliais se deslocam.

Em relação à população de células observada nas lesões tratadas com soro fisiológico 0,9%, pasta de figo e dersani, verificou-se que os neutrófilos em sua maioria foram substituídos por macrófagos (Figu-ra 5), semelhantemente aos achados de Rahal et al. (2001), Santos et

al. (2002) e Rahal et al. (2003).

Morfometricamente não houve diferença significante nos valores das porcentagens de fibras, células e espaços vasculares nos três trata-mentos (Figuras 6, 7 e 8). Colaborando com os resultados observados, Tenius (2007) notou que a força tencional do colágeno em feridas tra-tadas com dexametasona, após três dias de tratamento, não apresen-tou mudança significante na resistência tensional quando comparadas com aquelas tratadas com soro fisiológico. Diante deste fato, acredita--se que os tratamentos utilizados neste estudo, bem como aqueles ci-tados, aplicados no tratamento de feridas por um período de três dias, não estimulam suficientemente a síntese de colágeno.

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Figura 5 - Fotomicrografias de cortes da pele mostrando em A (tratado com pasta de figo), B (tratado com dersani) e C (tratado com soro 0,9%): uma crosta fibrino-leucocitária (C) e começo

da reepetelização (RE). Lesão feita no dorso de rato com 3 dias pós-lesão, tratada com Dersani. Coloração H. E. Aumento ± 64x 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 6 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de Fibras de Colágeno nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 3 dias

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20 25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 7 - Médias e Desvios Padrão Percentuais de células nas áreas cicatrizadas em lesões trata-das com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 3 dias

25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 8 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de espaço vascular em lesões trata-das com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 3 dias

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Observou-se no sétimo dia de tratamento que as lesões tratadas com soro fisiológico 0,9% e dersani apresentaram no espaço incisional das feri-das com aspectos histopatológicos semelhantes àqueles observados no pe-ríodo de três dias de tratamento. Ou seja, presença de uma crosta fibrino--leucocitária espessa, tecido de granulação desorganizado rico em células e vasos sanguíneos neoformados. Por outro lado, as lesões tratadas com pasta de figo apresentaram uma crosta fibrino-leucocitária delgada e um tecido de granulação amplamente desenvolvido, com intensa atividade proliferativa de fibroblastos e angiogênese (Figura 9).

Acredita-se que a baixa concentração de oxigênio em um tecido possa modular, dentre outras atividades fisiológicas, a angiogênese (GUYTON, 2006). Considerando-se que os eventos cicatriciais tanto das lesões tra-tadas com soro fisiológico 0,9% e dersani, quanto daquelas tratra-tadas com pasta de figo, foram moduladas em baixa tensão de oxigênio e levando--se em conta que as lesões tratadas com pasta de figo apresentaram um aumento significante (p<0,01) de espaço vascular em relação àquelas tra-tadas com soro fisiológico 0,9% e dersani, é possível acreditar que a pasta de figo possua algum princípio ativo que estimule a angiogênese durante o processo de cicatrização (Figuras 10, 11 e 12).

Vários estudos relatam que a angiogênese é essencial em diversos eventos fisiopatológicos, inclusive no processo de cicatrização de feri-das, pois a angiogênese está diretamente relacionada com o aumento da formação de colágeno que é fundamental no desenvolvimento da força tênsil do tecido lesionado (LIOTTA et al., 1991; IRION, 2005; HAUBNER et al., 1997, apud SILVA, et al., 2007). As lesões tratadas com pasta de figo apresentaram uma reepitelização completa. Por ou-tro lado, as lesões tratadas com soro fisiológico 0,9% e dersani obser-vou-se reepitelização parcial (Figura 9).

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Figura 9 - Fotomicrografias de cortes de pele mostrando em A (tratamento com pasta de figo), B (tratamento com dersani) e C (tratamento com soro 0,9%) crosta fibrino-leucocitária (C), tecido de granulação (TG), reepetelização completa (RE) e vasos sanguíneos neoformados (VN) Lesão

feita no dorso de rato com 7 dias pós-lesão. Coloração H.E. Aumento ± 64x

25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 10 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de espaço vascular nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 7 dias. *

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23 25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 11 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de células nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 7 dias

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 12 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de fibras de colágeno nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 7 dias

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Após 14 dias de tratamento, as lesões de todos os tratamentos apresentaram um tecido de granulação com aumento da síntese de colágeno e da atividade proliferativa de fibroblastos, além da redu-ção da neovascularizaredu-ção e diminuiredu-ção do edema e do infiltrado leu-cocitário local (Figura 13), semelhante à descrição clássica realizada por Cotran et al. (2005).

Pode-se observar que todas as amostras de pele tratadas com pas-ta de figo apresenpas-taram um tecido epitelial de revestimento pavimen-toso estratificado queratinizado recobrindo toda a extensão da lesão, enquanto que as tratadas com soro fisiológico e dersani houve amos-tras que não se apresentaram totalmente reepitelizadas. As lesões que não estavam completamente reepitelizadas apresentavam-se com uma crosta fibrino-leucocitária delgada (Figura 13).

Estudos mostram que reepitelização com queratinização com-pleta só ocorre após o período de 14 dias (SANTOS et al., 2002). Diante destes resultados, e considerando-se que todas as lesões trata-das com pasta de figo foram completamente reepitelizatrata-das no perío-do de 14 dias, é possível acreditar que a pasta de figo possa realmente conter algum fator de crescimento celular que tenha influenciado na reepitelização completa nas lesões.

Os valores dos percentuais de fibras, células e espaço vascular obtidos em feridas tratadas com solução salina 0,9%, dersani e figo, neste mesmo período de tratamento, encontram-se expressos nas Fi-guras 14, 15, 16. As lesões tratadas com dersani apresentaram um aumento significativo no percentual de células no tecido conjuntivo (p<0,05) em relação aos outros tratamentos, enquanto que as lesões que receberam pasta de figo apresentaram um aumento no percentu-al de espaço vascular.

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Figura 13 - Fotomicrografias de cortes da pele mostrando em A (tratamento pasta de figo), B (tratamento dersani) e C (tratamento soro 0,9%) tecido de granulação (TG), reepitelização com-pleta (TRE) e reepitelização incomcom-pleta (REI). Lesão feita no dorso de rato com 14 dias pós-lesão.

Coloração H.E. Aumento ± 64x

25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 14 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de células em áreas cicatrizadas nas lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 14 dias. *

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26 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 15 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de fibras de colágeno nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 14 dias

* 25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 16 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de espaço vascular nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 14 dias.

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Após 21 dias de tratamento, pode-se verificar que todas as lesões dos gru-pos tratados com pasta de figo, soro fisiológico 0,9% e dersani apresentaram um tecido conjuntivo totalmente isento de infiltrado inflamatório, um tecido epitelial de revestimento queratinizado e uma redução na linha tensional da ferida (Figura 17), confirmando o que outros estudos já afirmaram a respei-to da cinética da cicatrização no período de 21 dias pós-operatório (RAHAL, 2001; EULÁLIO et al. 2007; RAHAL, 2003). Colaborando com os resultados observados neste estudo, Balbino et al. (2005) demonstraram que a cicatriz das feridas atinge sua máxima resistência tênsil nesse período de 21 dias.

Notou-se que as lesões tratadas com pasta de figo e dersani apresenta-ram movimentos centrípetos das bordas das feridas mais evidentes quando comparadas com aquelas tratadas com soro fisiológico. Além disso, obser-vou-se que a epiderme do grupo tratado com pasta de figo se mostrou mais espessa quando comparada com aquelas dos grupos tratados com soro fi-siológico e com dersani (Figura 17).

Morfometricamente, as lesões tratadas com figo apresentaram um au-mento significante no percentual de fibras (p<0,05), em relação às lesões tratadas com soro fisiológico 0,9% e dersani (Figuras 18, 19 e 20). É im-portante ressaltar que o colágeno é um dos elementos mais imim-portantes na cicatrização, pois o ganho em resistência tênsil das feridas está diretamente relacionado com a quantidade e organização deste elemento fibrilar (OR-TIZ, 2007). Diante destes resultados, pode-se afirmar que o aumento do percentual de fibras observadas neste período de 21 dias está diretamente relacionado com o aumento significativo da angiogênese observada no ter-ceiro após o início do tratamento.

Em relação à pasta de figo do fruto Fícus carica, se faz necessário ain-da um estudo mais aprofunain-dado ain-da mesma, aplicando-se técnicas que per-mitam titular os componentes químicos deste fruto e técnicas que possam

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identificar dentre as substâncias químicas separadas aquelas que possuam propriedades químicas que auxiliam no processo de cicatrização.

Figura 17 - Fotomicrografias de cortes da pele mostrando em A (tratamento pasta de figo), B (tratamento dersani) e C (tratamento soro 0,9%) tecido epitelial queratinizado (TEQ), tecido conjuntivo frouxo (TCF). Lesão feita no dorso de rato com 21 dias pós-lesão. Coloração H.E.

Aumento ± 64x 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 18 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais das fibras de colágeno nas áreas cicatrizadas em lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 21 dias. *Significativamente diferente em relação ao Figo e Soro (p<0,05) e ao Figo e Soro (p<0,05) e ao

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29 25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 19 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais das células em áreas cicatrizadas nas lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 21 dias

25 20 15 10 5 0 S F D Soro Figo Dersani Tratamento %

Figura 20 - Representa as Médias e Desvios Padrão Percentuais de espaço vascular em áreas cicatrizadas nas lesões tratadas com Soro Fisiológico 0,9%, Figo e Dersani no tempo de 21 dias.

*Significativamente diferente em relação ao Figo e Dersani (p<0,05)

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Considerações finais

É possível concluir que a pasta de figo apresenta uma atividade cicatrizante e acelera o reparo em lesões de pele de rato Wistar.

Referências

BALBACH, A.; BOARIM, D. S. F. As frutas na Medicina Natural. 1ª ed. São Paulo: Ed. Missionária, 1992.

BALBINO, C. A.; PEREIRA, L. M.; CURI, R. Mecanismos envolvidos na cicatrização: uma revisão. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, v. 41, n. 1, p. 27-51, 2005.

COTRAN, R. S.; KUMAR, V.; ROBBINS, S. L. Patologia estrutural e funcional. 7.a ed.

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Referências

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