Temas Relevantes e Pontos Controvertidos do Direito Previdenciário

Texto

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Temas Relevantes e Pontos

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Ana Paula Fernandes

Roberto de Carvalho Santos

Marco Aurélio Serau Junior

Coordenadores

Temas Relevantes e Pontos

Controvertidos do Direito Previdenciário

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EDITORA LTDA.

© Todos os direitos reservados

Rua Jaguaribe, 571 CEP 01224-003 São Paulo, SP – Brasil Fone (11) 2167-1101 www.ltr.com.br Maio, 2018

Produção Gráfica e Editoração Eletrônica: LINOTEC Projeto de Capa: FABIO GIGLIO

Impressão: FORMA CERTA

Versão impressa: LTr 6047.4 — ISBN: 978-85-361-9643-5 Versão digital: LTr 9376.0 — ISBN: 978-85-361-9691-6

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Temas relevantes e pontos controvertidos do direito previdenciário / Ana Paula Fernandes, Roberto de Carvalho Santos, Marco Aurélio Serau Junior, coordenadores. – São Paulo : LTr, 2018.

Vários autores. Bibliografia.

1. Contribuições sociais - Brasil 2. Previdência social - Brasil 3. Processo civil - Brasil 4. Seguridade social - Brasil I. Fernandes, Ana Paula. II. Santos, Roberto de Carvalho. III. Serau Junior, Marco Aurélio.

18-14367 CDU-34:364.3(81) Índices para catálogo sistemático:

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Sumário

APRESENTAÇÃO ... 7

PARTE I

TEMAS CONTROVERTIDOS SOBRE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS

INTEgRAlIdAdEE PARIdAdEdAS PENSõESPOR MORTEdE SERvIdORES PúblIcOS PóS-EMENdAN. 41 EO

RE N. 603.580 ... 11

Fernando Ferreira Calazans

ASPEcTOS POlêMIcOSSObREcOMO ObTER bENEfícIOSE SERvIÇOSjuNTOAO INSS ... 19

Herbert Klimger Afonso Alencar

A SEguRIdAdE PREcISA SER bIOPSIcOSSOcIAl: APONTAMENTOSPARAuMA cONSTRuÇÃO INTERE MulTIdIScIPlINAR .... 23

José Ricardo Caetano Costa

dIREITO PREvIdENcIáRIOE dIREITOS fuNdAMENTAIS: AuTORITARISMO, ESTAdO dEMOcRáTIcOdE dIREITOE

dIgNIdAdEdA PESSOA HuMANA ... 28

Marco Aurélio Serau Junior

APOSENTAdORIA ESPEcIAl – REfORMAdA PREvIdêNcIAEO PRINcíPIO cONSTITucIONAldO dIREITO AdquIRIdO ... 33

Maria Helena Carreira Alvim Ribeiro

INcONSTITucIONAlIdAdE fORMAlE MATERIAldA lEIN. 13.135/2015 EO cONTROlE dIfuSOdE

cONSTITucIONAlIdAdE ... 43

Patrícia Teodora da Silva

EvOluÇÃOdO cONcEITOdE INcAPAcIdAdENA juRISPRudêNcIAdOS TRIbuNAISSObREOS bENEfícIOSPOR

INcAPAcIdAdE ... 51

Rodrigo Gomes Langone

REflExõESSObREO lIMbO TRAbAlHISTA PREvIdENcIáRIO ... 56

Saulo Cerqueira de Aguiar Soares e Ivana Maria Mello Soares

PARTE II

TEMAS CONTROVERSOS SOBRE PROCESSO JUDICIAL

PREVIDENCIÁRIO E REVISÃO DE BENEFÍCIOS

NOTASSObRE AlguNS IMPORTANTES PRIMAdOS INERENTESAO PROcESSO judIcIAl PREvIdENcIáRIO ... 67

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Temas Relevantes e Pontos Controvertidos do Direito Previdenciário

TESEdA “vIdA TOdA”: vAMOS INTERPRETARPARA dEcIdIROu SIMPlESMENTE dEclARARA lEI? ... 73

Diego Henrique Schuster

A PREScRIÇÃO PREvIdENcIáRIAAPóSA MOdIfIcAÇÃO OPERAdANO códIgO cIvIlPOR MEIOdO ESTATuTOdA PESSOA cOM dEfIcIêNcIA ... 79

Fernanda Valerio Garcia da Silva

A dIScIPlINA gERAldO NOvO cPc EASuA cENTRAl bASE PRINcIPIOlógIcAEM fAvORdEuM PROcESSO juSTO ... 87

Fernando Rubin

O ASSISTENTE TécNIcOEO cPc/2015 ... 99

João Baptista Opitz Neto

AS PEculIARIdAdES PROcESSuAISE juRISdIcIONAISdOS juIzAdOS ESPEcIAIS fEdERAIS ... 104

João Batista Lazzari

EfEITOSdA cONdENAÇÃO TRAbAlHISTANO ÂMbITO PREvIdENcIáRIO: NEcESSIdAdEdO REcOlHIMENTOdAS

cONTRIbuIÇõESEdO cuMPRIMENTOdAS ObRIgAÇõES AcESSóRIAS ... 121

João Batista Lazzari e Valéria Gaurink Dias Fundão

O PRINcíPIOdA SEguRANÇA juRídIcAEA ObRIgAÇÃOdE dEvOluÇÃOdE bENEfícIOS PREvIdENcIáRIOS cONcEdIdOS

POR fORÇAdE dEcISÃO judIcIAl cASSAdA ... 136

Roberto de Carvalho Santos

cARAcTERíSTIcAS báSIcASE PROvASdA uNIÃO ESTávEl... 145

Wladimir Novaes Martinez

PARTE III

TEMAS CONTROVERTIDOS SOBRE CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO

PAgAMENTOdE lucROSE RESulTAdOS – cONdIÇõES lEgAISPARANÃOINcIdêNcIAdE cONTRIbuIÇÃO

PREvIdENcIáRIAE cONTROvéRSIAS juRISPRudENcIAISNA INTERPRETAÇÃOdA NORMA lEgAl ... 153

Ana Paula Fernandes

O PAgAMENTOdE lucROSE RESulTAdOSA dIRETORES ESTATuTáRIOS – REflExOSNO cuSTEIO PREvIdENcIáRIO ... 165

Fábio Zambitte Ibrahim

IMPORTÂNcIAdA fIScAlIzAÇÃOdA EMPRESASObREOS TRAbAlHAdORESNO cuMPRIMENTOdAS NORMASdE SAúdEE

SEguRANÇANO TRAbAlHO ... 171

Giseli Canton Nicolao Yoshioka

TEORIA gERAldO PlANOdE cuSTEIOdA SEguRIdAdE SOcIAl ... 177

Miguel Horvath Júnior e Rafael Vasconcelos Porto

A POSSIbIlIdAdEdE cOMPENSAÇÃOdO cRédITO TRIbuTáRIOANTESdO TRÂNSITOEM julgAdO ... 193

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APRESENTAÇÃO

O Direito Previdenciário é um dos ramos do Direito em maior ebulição atualmente. O encaminhamento, por parte do Governo Federal, de uma proposta de reforma previdenciária despertou intenso debate travado pela comunidade jurídica sobre as proposições visando à alteração dos regimes previdenciários em vigor no Brasil.

O Instituto de Estudos Previdenciários – IEPREV participou ativamente da discussão envolvendo a PEC n. 287-A, apresentando, por intermédio dos parlamentares, diversas propostas com o objetivo de aperfeiçoar o siste-ma previdenciário brasileiro, almejando sobretudo a preservação dos direitos sociais fundamentais contemplados no texto constitucional e eliminar iniquidades que contribuem para a deturpação do caráter protetivo do seguro social.

Por outro lado, a intensa judicialização das temáticas previdenciárias e as mudanças legislativas frequentes exigem o estudo permanente dos institutos do Direito Previdenciário, sempre tendo como foco a repercussão prá-tica da produção científica e a capacitação dos profissionais que atuam nesse segmento.

A presente obra tem como escopo discutir temas atuais e polêmicos envolvendo o Regime Geral de Previdên-cia SoPrevidên-cial, os RPPS – Regimes Próprios de PrevidênPrevidên-cia dos Servidores e o custeio previdenciário.

O Direito Previdenciário passa também por desafios decorrentes de entendimentos emanados do Poder Judi-ciário que atribuem a uma mesma celeuma interpretações díspares, culminando no aumento da insegurança jurí-dica e consequentemente imputando uma responsabilidade maior aos estudiosos dos direitos sociais para lançar luzes sobre a obscuridade hermenêutica que prevalece sobre os mais variados temas.

Não há dúvida que o profissional que atua com esse ramo do Direito necessita de permanente atualização para melhor desempenhar seu ofício e garantir dignidade aos cidadãos que têm os seus direitos preteridos pelos gestores dos regimes previdenciários, notadamente em um ambiente de profusas mutações normativas e jurisprudenciais.

Este livro representa uma modesta contribuição para a persecução dos objetivos aqui declinados.

O Instituto de Estudos Previdenciários agradece aos juristas que se prontificaram a produzir os artigos que compõem essa coletânea que tem como notas características a pluralidade e atualidade dos assuntos abordados.

Belo Horizonte/Curitiba, Abril de 2018.

Ana Paula Fernandes Roberto de Carvalho Santos Marco Aurélio Serau Junior

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PARTE I

T

emas

C

onTroverTidos

sobre

b

enefíCios

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Integralidade e Paridade das Pensões

por Morte de Servidores Públicos

Pós-Emenda n. 41 e o RE n. 603.580

Fernando Ferreira Calazans(1)

(1) Advogado. Mestre em Administração Pública com ênfase em Previdência Social e Especialista em Gestão Previdenciária e em Direito Público. Professor de Direito Previdenciário. Diretor de Seguridade do Fundo de Pensão OABPREV-MG e membro da Comissão de Direito Previdenciário da OAB/MG. E-mail: <fernandocalazans@adv.oabmg.org.br>.

(2) CALAZANS, Fernando Ferreira. A extinção da paridade remuneratória para as pensões pós-Emenda 41: uma questão ainda controvertida no Judiciário Mineiro. Jurisprudência Mineira, v. 201, p. 25-32, 2012.

(3) STF, Pleno, RE n. 603.580/RJ, Relator Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, j. 20.05.2015, DJe 04.08.2015.

(4) CALAZANS, Fernando Ferreira. A extinção da paridade remuneratória para as pensões pós-Emenda 41: uma questão ainda controvertida no Judiciário Mineiro. Jurisprudência Mineira, v. 201, p. 25-32, 2012.

1. INTRODUÇÃO

O tema deste artigo é o instituto da previdência social. A Previdência Social Brasileira é dividida em dois pilares: o de vinculação obrigatória e o de filiação facultativa, de natureza complementar, conforme pre-visto, respectivamente, nos arts. 40 e 201 e 202, todos da Constituição Federal de 1988.

O pilar de vinculação obrigatória é constituído por dois tipos de regimes. Os regimes próprios de previdên-cia soprevidên-cial (RPPS), que amparam os servidores públicos titulares de cargo de provimento efetivo, e o regime ge-ral de previdência social (RGPS), que protege os tra-balhadores da iniciativa privada e os demais agentes públicos não amparados por RPPS.

Este artigo tem por finalidade revisitar a discussão realizada por Calazans (2012)(2) – formas de cálculo e

reajuste das pensões por morte de servidores públicos vinculados a RPPS – à luz do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos do Re-curso Extraordinário (RE) n. 603.580(3), julgado pela

sistemática da repercussão geral.

Até o julgamento do RE n. 603.580, pairavam dú-vidas sobre a aplicação do direito à paridade e integra-lidade para as pensões de servidores falecidos a partir da Emenda Constitucional n. 41, de 2003, havendo

várias correntes de entendimento, conforme descrito por Calazans (2012)(4).

Sucede que a Corte Suprema, embalada pelo voto condutor do aresto, que se baseou no artigo ora revi-sitado, deu parcial provimento ao RE n. 603.580, in-terposto pela Unidade Gestora do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro para inadmitir a integralidade aos pensionistas, autores da ação, mas lhes garantir o direito à paridade.

Diante disso, este artigo tem por objetivo realizar breves apontamentos sobre a tese firmada pelo STF e os seus efeitos no âmbito do direito previdenciário.

O artigo está estruturado da seguinte forma. Após esta introdução, foram descritas as regras de cálculo e de reajuste das pensões de servidores vinculados a regime próprio de previdência social (RPPS), vigentes desde a Constituição Federal de 1988 (Seção 2). Depois, fo-ram descritos os fundamentos utilizados pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE n. 603.580, bem como a tese fixada naquele Recurso e a sua aplicação no caso concreto (Seção 3). Em seguida, foram analisadas a teoria da eficácia das normas consti-tucionais e a teoria da interpretação das normas (Seção 4). Na sequência, analisou-se a aplicação da tese pelo STF naquele caso (Seção 5) para, ao final, apresentar notas finais à guisa de conclusão.

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Temas Relevantes e Pontos Controvertidos do Direito Previdenciário 2. REGRAS DE CÁLCULO E DE REAJUSTE

DAS PENSÕES DE SERVIDORES PÚBLICOS VINCULADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL

Até a Emenda Constitucional (EC) n. 41, de 2003, a pensão por morte de servidor amparado por regime próprio de previdência social (RPPS) correspondia à integralidade do valor dos seus proventos de aposenta-doria ou à quantia a que teria direito se estivesse apo-sentado à data do óbito e era reajustada toda vez que o servidor em atividade recebesse aumento. Era a dicção dos §§ 7º e 8º do art. 40 da Constituição Federal de 1988 (CF/1988):

Art. 40. [...]

§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício da pensão por morte, que será igual ao valor dos pro-ventos do servidor falecido ou ao valor dos proven-tos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu falecimento, observado o disposto no § 3º. § 8º Observado o disposto no art. 37, XI, os proven-tos de aposentadoria e as pensões serão revisproven-tos na mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em ativi-dade, sendo também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em ativi-dade, inclusive quando decorrentes da transforma-ção ou reclassificatransforma-ção do cargo ou funtransforma-ção em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei.

Em 31.12.2003, foi publicada a EC n. 41, que deu nova redação aos §§ 7º (regra de cálculo) e 8º (regra de reajuste), do art. 40 da CF/1988, alterando as formas de cálculo e de reajuste das pensões por morte de servido-res amparados por RPPS:

Art. 40. [...]

§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por morte, que será igual:

I – ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou

II – ao valor da totalidade da remuneração do ser-vidor no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o

(5) “Art. 40 [...] § 12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social.”

art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso em atividade na data do óbito.

§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei.

Como referidos dispositivos constitucionais não foram dotados de eficácia imediata, posto que o texto constitucional remeteu a sua eficácia à edição de lei, em 20.02.2004, foi publicada a Medida Provisória n. 167, convertida na Lei n. 10.887, de 2004.

De acordo com a MP n. 167 e depois, com a re-dação originária do art. 15 da Lei n. 10.887/2004, “os proventos de aposentadoria e as pensões de que tratam os arts. 1º e 2º desta Lei serão reajustados na mesma data em que se der o reajuste dos benefícios do regime geral de previdência social”, restando omisso quanto ao índice de reajuste a ser aplicado.

Em razão disso, o Ministério da Previdência Social editou a Orientação Normativa n. 03, de 2004. Referi-da orientação, por seu art. 65, caput e parágrafo único, previu que as aposentadorias e pensões, não ampara-das pela garantia da paridade, serão reajustaampara-das para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, na mesma data em que se der o reajuste dos benefícios do RGPS, de acordo com a variação do índice definido em lei pelo ente, e, com fundamento no § 12 do art. 40 da CF/1988(5), estabeleceu que, “na ausência de definição

do índice de reajustamento pelo ente, os benefícios se-rão corrigidos pelos mesmos índices aplicados aos be-nefícios do RGPS”.

Em 2005, publicou-se a EC n. 47, que, em sínte-se, relativamente aos RPPS, não se consubstanciou em reforma previdenciária, mas apenas estabeleceu alguns ajustes, tais como: a manutenção da paridade para os servidores aposentados pelo art. 6º da EC n. 41, a cria-ção de regra de transicria-ção para os servidores que ingres-saram no serviço público até 16.12.1998 e a retroação dos seus efeitos a 31.12.2003.

Além disso, a EC n. 47/05, com vigência retroativa a 31.12.2003 (cf. o seu art. 6º), criou regra excepcio-nalíssima de extensão da garantia da paridade (extinta pela EC n. 41/2003) para as pensões derivadas de óbito de servidores aposentados pela regra prevista no caput do art. 3º da EC n. 47/05, adiante transcrito:

Art. 3º Ressalvado o direito de opção à aposentado-ria pelas normas estabelecidas pelo art. 40 da

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Referências

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