• Nenhum resultado encontrado

ECLI:PT:TRG:2017: TBBRG.G1.4A

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ECLI:PT:TRG:2017: TBBRG.G1.4A"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

ECLI:PT:TRG:2017:2768.13.5TBBRG.G1.4A

http://jurisprudencia.csm.org.pt/ecli/ECLI:PT:TRG:2017:2768.13.5TBBRG.G1.4A

Relator Nº do Documento

Espinheira Baltar rg

Apenso Data do Acordão

26/01/2017

Data de decisão sumária Votação

unanimidade

Tribunal de recurso Processo de recurso

Data Recurso

Referência de processo de recurso Nivel de acesso

Público

Meio Processual Decisão

Apelação improcedente

Indicações eventuais Área Temática

2ª Secção Cível Referencias Internacionais Jurisprudência Nacional Legislação Comunitária Legislação Estrangeira Descritores inventário; interessado;

(2)

Sumário:

1. O processo de inventário é um processo de interessados e não de partes, abrangendo todos os que tiverem interesse na herança, como os herdeiros, legatários, donatários e credores.

2. O acordo expresso na conferência de interessados vincula os interessados presentes e ausentes que tenham sido devidamente notificados, desde que não violador de norma imperativa, o que não ocorreu no caso dos autos.

Decisão Integral:

Acordam em Conferência na Secção Cível da Relação de Guimarães Apelação 2768.13.5TBBRG.G1 – 2ª

Inventário

Tribunal Judicial Comarca Braga – Relator Des. Espinheira Baltar

Adjuntos Eva Almeida e Beça Pereira

C requereu inventário por óbito de sua avó paterna, A, em que desempenhou funções de cabeça-de-casal seu tio J.

Das declarações de cabeça-de-casal de fls. 36 resulta que concorreram à herança a requerente, a sua irmã J, em representação de seu pai A, falecido a 29/05/2011, o cabeça-de-casal e a legatária M.

A herança era composta por dinheiro, bens móveis, o quinhão hereditário de A num prédio urbano, um jazigo, um legado a favor de M no montante de 25.000€ e passivo.

No dia 19 de Fevereiro de 2015 foi realizada a conferência de interessados, em que estiveram presentes a Drª Joana…, ilustre patrona da requerente C e a solicitadora M, mandatária do cabeça-de-casal J, C, por si e em representação de J e M. E foi dito pelos interessados “..que estão de acordo em retirar as verbas n.ºs 1 (um), do activo, e as verbas n.º s 1 (um), 2 (dois) e 3 (três) do passivo e que aceitam o valor das verbas 48 (quarente e oito) e 49 (quarenta e nove) que consta da avaliação. Os interessados acordaram adjudicar as verbas 5 (cinco) a 9 (nove) às interessadas C e J pelos valores constantes da relação de bens; a verba n.º 49 (quarenta e nove) é adjudicada ao interessado J pelo valor constante da avaliação; os restantes bens, incluindo o quinhão hereditário da A da verba n.º 48 (quarenta e oito), são adjudicados, pelo valor constante da relação de bens e da avaliação, a todos os interessados na proporção do quinhão: e a verba n.º 50 (cinquenta) é atribuída à legatária M. Pelas interessadas C e J foi dito que não reconhecem a existência das verbas nºs 7 (sete) a 10 (dez), do passivo; e aprovam o passivo relacionado sob as verbas n,ºs 4 (quatro) a 6 (seis) ” (fls. 229 a 230).

Seguidamente foi proferido despacho ao abrigo do disposto no artigo 1355 do CPC, que remeteu para os meios comuns a resolução do passivo reclamado sob as verbas 7 a 10, eliminou da relação

(3)

de bens a verba n.º 1 do ativo, e as verbas n.º 1, 2, 3 do passivo e retificou a verba n.º 48. E ordenou que se cumprisse o disposto no artigo 1373 do CPC.

Por despacho de 29/05/2015 foram determinados os termos da forma à partilha (fls. 233 e 234). A fls. 244 a 248 foi elaborado o mapa de partilha, que foi objeto de reclamação por parte do J, no que concerne à verba 48, que foi atendida como se de um prédio urbano se tratasse, quando se refere ao quinhão hereditário da A e por parte da C que refere que o legado deve apenas ser integrado com dinheiro, isto é, com as verbas n.º 2 e 4 da relação de bens e não com outras, ao abrigo do disposto no artigo 2254 n.º 2 do C.Civil.

Por despacho de fls. 263, datado de 15/03/2016, foi deferida a reclamação do J e indeferida a reclamação da C porque o mapa está elaborado conforme o acordo dos interessados, obtido na conferência de interessados, e o despacho determinativo da partilha.

Foi elaborado um novo mapa de partilha (fls. 269 a 272), sendo rubricado conforme despacho de fls. 273. A foi 275 foi proferida sentença, datada de 29/06/2016, que homologou a partilha constante do mapa de fls. 269 a 272.

Inconformada com o decidido, a C interpôs recurso de apelação formulando as seguintes conclusões:

“A. A Sentença homologatória da partilha de que ora se recorre, delimitada à parte em que homologa a partilha dos bens da herança de A à legatária, M, nos termos constante do mapa da partilha de fls 269 a 272, é ilegal porquanto viola do disposto no artigo 2254º n. º 1 e n. º 2 do Código Civil e no artigo 1353º n. º 3 do Cod. Proc. Civil, na redação anterior à Lei 23/2013, de 5 de Março;

B. Em desconformidade com o despacho determinativo da partilha, do mapa da partilha (mapa de fls 269 a 272) e da Douta Sentença que o homologa, em momento algum na conferência de interessados, a Recorrente, por si ou em representação da interessada J, acordou que para o cumprimento do legado a que se refere a verba n.º 50 da relação de bens (legado em dinheiro - € 25.000,00), seria adjudicada à legatária uma percentagem das verbas n.º 10 a 48 da relação de bens, verbas essas que, por acordo, foram adjudicadas aos interessados e herdeiros, C, J e JF, na proporção do seu quinhão (cfr. acta de conferência de interessados realizada nos presentes autos); C. Foi referido pela Recorrente, na figura da sua defensora oficiosa, na conferência de interessados que, uma vez que a verba n.º 50 da relação de bens se trata de um legado em dinheiro, o

pagamento desta verba à legatária M, deve ser limitado ao dinheiro existente e pertencente à inventariada à data do seu óbito, em 20 de Fevereiro de 2012, tendo sido exclusivamente nesse sentido que a Recorrente acordou na partilha dos bens da inventariada e pagamento do legado; D. Na acta de conferência de interessados realizada nos presentes autos consta que: ( ... ) "os restantes bens ( ... ) são adjudicados ( ... ) a todos os interessados na proporção do quinhão e a verba n. º 50 (cinquenta) é atribuída à legatária, M.", não sendo feita qualquer menção a que tenha sido acordado adjudicar à legatária os bens da herança, designadamente uma percentagem nas verbas 1º a 48º (bens móveis e imóveis) da relação de bens;

E. Nos termos do art. 2254º n.º 2 do Cód. Civil, apenas cabe à legatária, para pagamento do seu legado de € 25.000,00, o dinheiro que se encontrar no património do testador A ao tempo da sua

(4)

morte - 20.02.2012 -, uma vez que o legado existe mas não na quantidade legada pela inventariada;

F. Ao contrário do decidido pelo Tribunal a quo em sede de reclamação pelo Recorrente, em 11.11.2015, ao mapa da partilha (despacho datado de 15.03.2016 e notificado às partes em

27.05.2016), o mapa da partilha não está elaborado, no que aqui se recorre, conforme o acordo dos interessados obtido na conferência de interessados;

G. Não é legalmente permitido, como vai decidido nos presentes autos, que o pagamento de um legado em dinheiro se faça mediante a atribuição/adjudicação à legatária de uma parte dos bens móveis e imóveis pertencentes à inventariada, e quando tal não resulta do acordo obtido na conferência de interessados;

H. Pelo exposto, é ilegal o mapa da partilha constantes de fls 269 a 272 e, consequentemente, o mapa determinativo da partilha proferido em 28.05.2015;

I. Devendo a referida Sentença em crise revogar-se da ordem jurídica e alterada por outra que ordene a elaboração de novo mapa de partilha, atribuindo-se à legatária M, para cumprimento do seu legado em dinheiro, o dinheiro que se encontra no património do testador, A, à data da sua morte, em conformidade com o artigo 2254º n.º 1 e n.º 2 do Código Civil e porque o seu contrário não resultou em sede de conferência de interessados, em desconformidade com o disposto no despacho determinativo da partilha, do mapa da partilha (mapa de fls 269 a 272) e da Sentença que o homologa.

Termos em que dando provimento ao presente recurso, e ao revogar a Sentença de que se recorre da ordem jurídica, elaborando-se novo mapa da partilha nos presentes autos em conformidade com o que vai exposto supra, V. Exas., farão, como sempre, inteira

JUSTIÇA.”

Houve contra-alegações que pugnaram pelo decidido.

Das conclusões do recurso ressaltam as seguintes questões:

1. Se na conferência de interessados houve acordo quanto à forma de partilhar os bens relacionados e quanto à composição dos respetivos quinhões, incluindo o legado. 2. Se a forma à partilha e o respetivo mapa respeitam o acordo e a lei.

Damos como assente a matéria acima relatada. Vamos conhecer das questões enunciadas.

1 e 2. A apelante defende que a conferência de interessados refere que o acordo sobre a forma de partilhar os bens relacionados e a composição dos quinhões apenas abrange os interessados e não a legatária, a quem apenas foi reconhecido o seu direito ao legado, indicado na verba n.º 50 e que corresponde ao valor de 25.000€. Em face disto, concluiu que o legado apenas pode ser integrado com o dinheiro existente à data do óbito da autora da herança, isto é, com as verbas 2 e 4 da relação de bens, nos termos do artigo 2254 n.º 2 do C.Civil.

A questão que se coloca é saber qual a abrangência de interessados no inventário. O processo de inventário não é um processo de partes – autores e réus – mas antes um processo de interessados.

(5)

O CPC não define o que são interessados, mas refere quem tem legitimidade para requerer inventário, quem tem o direito a ser citado para os seus termos, intervir nos atos processuais decisivos à defesa dos seus direitos, à intervenção principal e a requerer a sua habilitação, como decorrer dos artigo 1327, 1328, 1330, 1331 e 1332 do mesmo diploma. Da leitura dos mesmos leva-nos a concluir que interessado será todo aquele que tiver interesse na herança, desde herdeiro, donatário, legatário e credor. Para a conferência de interessados devem ser notificados todos aqueles que sejam afetados na forma como é realizada a partilha, porque o que nela for acordado vincula os presentes e ausentes que tenham sido notificados (artigo 1352 e 1353 do CPC).

Analisando o teor da ata da conferência de interessados em que estiveram presentes, e devidamente representados, os herdeiros e a legatária, é de concluir que os interessados

distribuíram os bens que compunham a relação de bens por cada um, integrando o seu quinhão e reconheceram à legatária o seu direito consignado na verba 50 da mesma. Nesta distribuição de bens estão envolvidos todos os bens móveis, imóveis, dinheiro e o direito ao quinhão hereditário da autora da herança sobre um prédio urbano relacionado na verba 48.

Segundo a perspetiva da apelante, este acordo não envolvia o preenchimento do legado reconhecido e previsto na verba 50 da relação de bens, porque não considera a legatária

interessado e, como tal, não interventiva no acordo. Daí que o legado deveria ser preenchido com as verbas 2 e 4 que envolvem apenas dinheiro existente à data do óbito, para o cumprimento do artigo 2254 n.º 2 do C.Civil.

Julgamos que esta posição é contraditória com o acordo que foi realizado na conferência de interessados, mesmo considerando interessados apenas os herdeiros, na medida em que reconheceram o legado e não o preencheram como deviam, porque o seu direito à herança é residual, isto é, só depois de retirados os bens ou valores que compõem a quota disponível é que se calcula o direito de cada herdeiro. Neste caso, a legatária pura e simplesmente teria sido excluída, na medida em que não foi prevista a forma de integrar o seu direito e os interessados herdeiros tinham distribuído todos os bens para integrarem o seu quinhão hereditário. Não se compreende como é que os herdeiros fazem um acordo deste género e agora, um deles, venha dizer o dito pelo não dito, no sentido de que deve ser excluído da composição do seu direito as verbas 2 e 4, que compreendem apenas dinheiro, para integrarem o direito da legatária, que deixará de receber outros bens que lhe foram contemplados na partilha, na proporção do seu direito, como seja a verba número 48.

Julgamos que decorre do acordo plasmado na conferência de interessados que os herdeiros e a legatária intervieram no acordo, enquanto interessados na herança e na forma de defenderem os seus direitos. Determinaram os bens que integrariam os seus direitos. E esta determinação não viola a lei, na medida em que a vontade dos interessados expressa na conferência é vinculativa e só não será atendida se violar norma imperativa, o que julgamos que não ocorre nos presentes autos. Na verdade, o artigo 2254 n.º do C.Civil é uma norma de natureza supletiva, enquanto indicativa da forma de compor o legado em dinheiro, caso não haja acordo em contrário, o que ocorreu nestes autos, como decorre da ata da conferência de interessados.

(6)

Concluindo: 1. O processo de inventário é um processo de interessados e não de partes,

abrangendo todos os que tiverem interesse na herança, como os herdeiros, legatários, donatários e credores.

2. O acordo expresso na conferência de interessados vincula os interessados presentes e ausentes que tenham sido devidamente notificados, desde que não violador de norma imperativa, o que não ocorreu no caso dos autos.

Decisão

Pelo exposto acordam os juízes da Relação em julgar improcedente a apelação e, consequentemente, confirmam a decisão recorrida.

Custas a cargo da apelante. Guimarães,

Referências

Documentos relacionados

Anderson (2003) reduz a importância da interação aluno-aluno se o planejamento do curso é baseado em abordagens pedagógicas cognitivistas ou behavioristas, ao

Crisóstomo (2001) apresenta elementos que devem ser considerados em relação a esta decisão. Ao adquirir soluções externas, usualmente, a equipe da empresa ainda tem um árduo

Nessa situação temos claramente a relação de tecnovívio apresentado por Dubatti (2012) operando, visto que nessa experiência ambos os atores tra- çam um diálogo que não se dá

Realizar a manipulação, o armazenamento e o processamento dessa massa enorme de dados utilizando os bancos de dados relacionais se mostrou ineficiente, pois o

Por meio dos registros realizados no estudo de levantamento e identificação de Felinos em um remanescente de Mata atlântica, uma região de mata secundária

Estudos sobre privação de sono sugerem que neurônios da área pré-óptica lateral e do núcleo pré-óptico lateral se- jam também responsáveis pelos mecanismos que regulam o

 Allen Newell & Herbert Simon: Logic Theorist , Solucionador de problemas gerais  Arthur Samuel: programas para jogos de damas.  Gelernter: Geometry Theorem Prover 

O Nordeste brasileiro nos livros didáticos de Geografia do Ensino Médio É importante destacar que desde as primeiras séries do ensino fundamental a região Nordeste não é uma