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(1)

ESTUDO DO COMPORTAMENTO DA RESISTÊNCIA SÉRIE EM TRANSISTORES SOI NMOSFETS DE CAMADA FINA

Aparecido S. Nicolett*, Victor Sonnenberg* e João Antonio Martino**

*Professor Doutor do Curso de Materiais, Processos e Componentes Eletrônicos da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (MPCE – FATEC/SP), ** Professor Livre-Docente da Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da USP (PSI-EPUSP)

E-mail: [email protected]

Resumo

Neste trabalho é apresentado um estudo do comportamento da resistência série em transistores SOI NMOSFETs de camada fina, em função das polarizações e temperaturas. Uma análise das mudanças das características elétricas na primeira e segunda interfaces em função das tensões aplicadas é discutida.

1. Tecnologia SOI

A utilização de circuitos implementados em lâminas de silício sobre isolante SOI (Silicon-On-Insulator) tem demonstrado excelentes vantagens sobre a tecnologia convencional [1 – 6], principalmente em aplicações espaciais e militares, devido à alta resistência à radiação [7], baixa corrente de fuga e baixa potência dissipada [8]. A figura 1 mostra as estruturas de um transistor NMOSFET fabricado segundo as tecnologias convencional e SOI. poli N+ N+ N- N-Substrato - P Porta Dreno Fonte a) poli N+ N- N- N+ Substrato - P Porta Dreno Fonte Óxido enterrado Substrato - P b)

Figura 1: Transistor NMOSFET fabricado segundo tecnologias convencional (a) e SOI (b), ambos com

estrutura LDD (Lightly Doped Drain). Os dispositivos fabricados com a tecnologia convencional (Bulk Technology) apresentam

interações com o substrato, que originam uma série de efeitos parasitários indesejáveis ao bom desempenho dos dispositivos. Com a utilização da tecnologia SOI, muitos destes efeitos parasitários podem ser completamente eliminados devido, principalmente, à presença do óxido enterrado, que isola, dieletricamanete, os dispositivos do substrato, o qual é responsável pela grande maioria dos efeitos parasitários. Além disto, nem todo dispositivo SOI MOSFET possui o mesmo comportamento, uma vez que seu desempenho depende da espessura da camada de silício e da concentração de dopantes do canal. Três tipos diferentes existem: dispositivos de camada espessa, de camada média e de camada fina.

Em dispositivos SOI MOSFETs de camada fina e totalmente depletados, figura 2, condição na qual existe interação entre a primeira e segunda interfaces, vantagens adicionais de desempenho são apresentadas, como: o aumento da mobilidade [9], da transcondutância e da densidade de integração [10], a diminuição das capacitâncias parasitárias de fonte e dreno [11], dos efeitos de canal curto [12] e da sensibilidade com a variação da temperatura [13]. Óxido enterrado Porta N+ LDD N- N+ LDD N-P 1a interface 2a interface Fonte Dreno

Figura 2: Seção transversal de um SOI NMOSFET.

2. Resistência série parasitária

A resistência série (RS) tem sido objeto de

estudos em muitos trabalhos e diversos métodos foram desenvolvidos para sua extração [14 – 20]. Alguns destes métodos admitiam que a resistência série não era influenciada pela polarização aplicada ao dispositivo, uma hipótese que foi demonstrada

(2)

não ser verdadeira, principalmente quando dispositivos com estrutura LDD (Lighty Doped Drain) eram utilizados [16]. A introdução do termo RS, nas equações básicas de corrente dos transistores

MOSFETs, é geralmente feita como ponto de partida para o desenvolvimento de um novo método de sua extração, e muitas vezes estes métodos desenvolvidos para transistores MOS convencionais podem ser também aplicados aos transistores SOI MOSFETs, como apresentado em [21].

Na figura 3 estão representadas as principais componentes da resistência série de um transistor SOI NMOSFET de camada fina. As resistências das regiões de fonte/dreno (RD) e LDD (RLDD) têm seus

valores afetados pelas condições de polarização e temperatura. A componente RC representa a

resistência do contato e pode ser considerada praticamente independente da polarização. A resistência série total de um SOI MOSFET simétrico pode ser obtida pela equação (1).

Fonte Dreno

Tensão na Porta

Tensão no Substrato

Figura 3: Principais componentes da resistência série de um transistor SOI NMOSFET.

LDD R . 2 D R . 2 C R . 2 S R = + + (1)

A redução das dimensões dos dispositivos MOSFETs pode provocar uma degradação das suas características elétricas, devido, por exemplo, à geração de elétrons quentes (Hot Electrons) [22] próximo ao dreno, causado pelo aumento do campo elétrico lateral. A utilização da estrutura LDD minimiza os efeitos provocados por este campo elétrico, mas introduz uma dificuldade na extração de parâmetros básicos do transistor, devido principalmente ao aumento da resistência série [17]. Além disto, RS é um problema intrínseco nos

dispositivos SOI, causado pela pequena camada de silício utilizada na fabricação dos dispositivos, e esta resistência tem seu valor aumentado quando a temperatura é reduzida [18].

3. Métodos de extração da resistência série 3.1Método JGJC [15]

Este método, desenvolvido em 1980 por John G. J. Chern, foi uma das técnicas mais utilizadas na extração da resistência série e do comprimento efetivo de canal em transistores MOSFETs convencionais de grandes dimensões. O método baseava-se na determinação de um ponto de intersecção entre as curvas da resistência total RT,

obtidas para diferentes valores de tensão aplicada à porta VGS, em função do comprimento de canal Lm.

A resistência total (RT= VDS/IDS) era obtida a partir

das características IDS x VGS de um transistor

MOSFET operando na região de triodo (modelo de 1a ordem) e expressa por (2), onde VGS*e VDS*são

valores efetivos das tensões aplicadas à porta e ao dreno em relação à fonte, Wm*e Lm*são a largura e

o comprimento efetivos do canal do transistor,∆L e

∆W são as diferenças entre os valores do comprimento (Lm) e largura (Wm) de máscara do

canal em relação aos seus respectivos valores efetivos. Em (7) está representada a resistência intrínseca do canal do transistor MOSFET (RCH).

(

)

* DS * DS * GS ef ef ox ef DS V Vth 0.5V V L W C I =µ − − (2) 2 I . R V VGS* = GS − S DS (3) DS S DS * DS V R .I V = − (4) L L L*m = m−∆ (5) W W Wm* = m−∆ (6)

(

*

)

DS * GS ef ox ef ef DS * DS CH V 5 . 0 Vth V W C L I V R − − µ = = (7) Levando-se em consideração a resistência série RS, a resistência total RTpode ser expressa por

(8). ) L L .( 1 C R R R I V R S CH S m DS DS T = = + = + −∆ (8) onde,

(

)

[

*

]

1 DS * GS ef ox efC W V Vth 0.5V 1 C =µ − − − (9)

Se um grupo de transistores MOSFETs com diferentes comprimentos de Lm(no mínimo dois) for

utilizado, para um determinado valor fixo de VGS,

uma linha pode ser obtida no gráfico de RT x Lm,

mantendo-se o valor de “C1” constante para todos

VGF VGB RLDD RLDD RD RD RC RC VD VS

(3)

os transistores. Se uma série de linhas com diferentes valores de “C1” (isto é, diferentes valores de VGS) forem plotadas, estas linhas se interceptarão

num ponto definido com coordenadas RS e ∆L,

figura 4. A utilização de Wm* uniforme e

relativamente elevado, com o objetivo de se evitar o efeito de canal estreito, ajuda a manter constante o valor de “C1”. Da mesma forma, a utilização de baixos valores de VDSe altos valores de VGS, com o

objetivo de se minimizar o efeito de canal curto sobre Vth, ajuda também a manter constante o valor de “C1” [15]. 1 2 200 150 100 50 3 4 5 6 7 8

Figura 4: Exemplo da determinação da RSe do∆L

através do gráfico RTx Lm, utilizando-se diferentes

valores de VGS.

3.2 Método GJH [16]

Este método, desenvolvido em 1987, é uma adaptação do método proposto em [15], porém Genda observou que a aplicabilidade deste método, para transistores com estrutura LDD, mostrava-se questionável, pois parte da região N- de fonte/dreno próxima à porta do transistor tornava-se fortemente dependente de VGS. Isto provocaria um

espalhamento significativo nos valores obtidos para RSe ∆L para os diferentes pares de VGSutilizados.

Afim de determinar RS e ∆L , Genda propôs que a

variação nos valores de VGS, para os diferentes pares

adotados na determinação do ponto de interseção,

fosse a menor possível, ou seja,

VGS1= VGSX- (∆VGS/2) e VGS2= VGSX+ (∆VGS/2),

onde VGSX é um certo valor de tensão aplicada à

porta do transistor e (∆VGS/2) uma pequena

variação em torno desta tensão. A figura 5 mostra o gráfico da RT x Lmem função dos valores VGS1 e

VGS2.

Cada uma das linhas possuem uma solução própria para∆L e RS, a qual está representada pelo

círculo escuro, no caso de VGS1, e pelo círculo claro,

no caso de VGS2. O ponto de interseção entre VGS1e

VGS2representa uma terceira solução para∆L e RS

correspondente à tensão VGSX. Sendo ∆VGS muito

pequeno (≤ 0,2 V), o resultado da interseção representa uma boa aproximação dos verdadeiros

valores de∆L e RSna tensão VGSX, e repetindo-se o

mesmo procedimento para diferentes pares de VGS,

pode-se obter∆L e RSem função da tensão de porta

VGS. Por outro lado, os efeitos da geometria dos

dispositivos na extração de∆L e RSpodem ser mais

amenizados se no lugar de VGSfor utilizado a

sobre-tensão (VGS- Vth) [16, 21], tornando-se necessária

a determinação de Vth previamente.

Figura 5: RTx Lmpara dois valores diferentes de

VGS(VGS1e VGS2) aplicados à porta do transistor.

4. Influência da polarização do substrato na determinação da resistência série [23 – 25]

A polarização do substrato provoca alterações nas características elétricas dos dispositivos MOSFETs [26], tais como redução da mobilidade efetiva no canal e o aumento da resistência série. Em dispositivos SOI MOSFETs, os efeitos da polarização do substrato podem modificar, de forma mais significativa, os valores dos parâmetros elétricos, principalmente se existir uma interação entre a primeira interface (óxido de porta/camada de silício) e a segunda interface (camada de silício/óxido enterrado), através das respectivas regiões de depleção. A figura 6 mostra os resultados experimentais da resistência série obtidos de dispositivos SOI NMOSFETs camada fina em função da sobre-tensão (VGF – VthF),

utilizando-se três diferentes valores de VGB.

0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 800 850 900 950 SOI NMOSFETs T = 300 K VGB= - 30 V VGB= - 15 V VGB= - 5 V RS [ Ω ] (VGF- VthF) [V] RT[Ω] Lm[µm] ∆L VGS= 6 V VGS= 14 V RT[Ω] Lm[µm] RS ∆L VGS1= VGSX– (∆VGS/2) VGS2= VGSX+ (∆VGS/2) RS

(4)

Figura 6: Resistência série de transistores SOI NMOSFETs a 300 K, em função da sobre-tensão

(VGF- VthF) para diferentes valores de VGB.

Os dispositivos estudados apresentam uma largura de canal Wm de 20 µm e diferentes

comprimentos de canal Lmque variam desde 0,5 a

2 µm para uma tecnologia de 0,5 µm em lâminas SIMOX. Apresentam ainda espessura do óxido de porta toxf igual a 15 nm, espessura do óxido

enterrado toxb de 390 nm, espessura do filme de

silício tSi≈80 nm, e concentração de dopantes no

canal Naf ≈ 1x1017 cm-3. As curvas IDS x VGF

foram obtidas com VDS= 0,1 V, VGFvariando de -1

a 3 V (passos de 0,01 V), VGBigual a -5, -15 e -30

V, e temperaturas de 300 e 77 K. A tensão de limiar VthF foi obtida através do método de extrapolação

linear no ponto de máxima transcondutância [27]. Como pode ser observado na figura 6, RS

diminui com o aumento de (VGF – VthF),

comportamento este esperado, visto que, com o aumento da sobre-tensão, existe um aumento da concentração de portadores induzidos pela porta próximo da região LDD, acarretando uma diminuição da componente RLDD. Os valores

encontrados para RS estão dentro do esperado, uma

vez que se trata de transistores SOI de camada fina e não silicetados [28]. Contudo, um aumento da resistência série é observado à medida que VGB é

aumentado negativamente, e este comportamento será analisado com o auxílio do programa numérico bidimensional MEDICI [29].

Foram então simulados transistores SOI NMOSFETs com comprimentos de canal Lm entre

0,6 e 2 µm, espessura do óxido de porta toxfde 15

nm, espessuras do óxido enterrado toxbde 80 e 400

nm e espessura da camada de silício tSi de 80 nm.

Nas simulações foram adotadas densidades de cargas efetivas no óxido Qox1 = 5x1010 cm-2 (1a

interface) e Qox2 = 1x1011 cm-2 (2a interface), e a

densidade de armadilhas de interface foi considerada desprezível.

A primeira análise feita, foi verificar o quanto a resistência série é modificada, quando o transistor é submetido a diferentes valores de VGBe

diferentes concentrações das regiões de LDD (NLDD)

na temperatura de 300 K. Para isto, foi simulado um conjunto de transistores considerando-se uma concentração de canal Naf = 1x1017 cm-3 e

concentrações de fonte/dreno NDS= 1x1020cm-3. A

resistência série RS foi obtida utilizando-se o

método proposto em [16], para diferentes valores de sobre-tensão (VGF – VthF), onde VGF é a tensão

aplicada na porta do transistor e VthFé a tensão de

limiar da 1a interface. A figura 7 mostra a variação percentual da resistência série ∆R, definida na equação (10), em função da tensão VGB para uma

sobre-tensão (VGF– VthF) = 2,45 V.

(

) (

)

[

]

(

)

[

]

x100 0 V R 0 V R 0 V R R GB S GB S GB S = = − ≠ = ∆ (10) -45 -40 -35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 5 -20 0 20 40 60 80 100 120 NLDD= 4x1018cm-3 NLDD= 1x1018cm-3 SOI NMOSFETs T = 300 K toxb= 80 nm ∆ R [% ] VGB[V]

Figura 7:∆R em função da tensão aplicada ao substrato VGBpara dois diferentes valores de

concentração das regiões de LDD.

Como pode ser observado na figura 7, ∆R sofre uma grande influência da tensão VGB,

principalmente quando é utilizada uma menor concentração nas regiões de LDD. A figura 7 também mostra que para VGB < -15 V e VGB < -30

V, ∆R torna-se quase que constante para NLDD =

1x1018cm-3 e NLDD= 4x1018cm-3, respectivamente,

significando que a variação do valor da resistência série com VGB, a partir deste ponto, passa a ser

muito pequena.

Uma possível explicação para este comportamento da resistência série está vinculada à modulação da região de depleção na 2a interface, dentro da região de LDD (principal componente da resistência série). Este comportamento é diferente do observado em transistores MOSFETs convencionais, já que não se observa o patamar apresentado na figura 7. Com a diminuição da tensão VGB (aumento no sentido negativo), há um

aumento da região de depleção na 2a interface em direção a 1a interface na região de LDD, reduzindo assim o volume de silício disponível para a passagem da corrente [23, 30]. Quando a 2a interface se torna invertida, a região de depleção atinge seu valor máximo e a resistência série torna-se praticamente constante. A figura 8a mostra a seção transversal de um SOI NMOSFET e a região analisada. A figura 8b mostra a variação da região de depleção do LDD obtida através da simulação numérica bidimensional de um transistor com Lm=

1µm, toxb= 80 nm, NLDD= 1x1018cm-3, VDS= 0,1

V, VGF= 2 V e diferentes valores de VGB.

Abaixo de cada curva, o silício está depletado e acima, está neutro. A figura 8b mostra que existe uma tensão VGB, onde a 2a interface, dentro da

região de LDD, se torna invertida e conseqüentemente a região de depleção quase não aumenta mais.

(5)

N+ N-Substrato P Óxido Enterrado Porta LDD Região de Depleção Região Analisada 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 80 60 40 20 0 2ainterface 1ainterface Canal P LDD N -Dreno N+ VGB= 0 VGB= -5V VGB= -10V VGB= -15V VGB= -20V VGB= -25V VGB= -30V P ro fu n d id ad e d o si lí ci o [n m ] Comprimento do LDD [µm]

Figura 8: a) Seção transversal de um SOI NMOSFET. b) Variação da região de depleção dentro do LDD para diferentes valores de VGB.

A figura 9 mostra a densidade de corrente JDS na região de LDD, obtida na posição AA’,

figura 9a. Com o aumento da polarização negativa de VGB, percebe-se uma redução da densidade de

corrente próxima da 2ainterface, devido ao aumento da região de depleção. Porém, existe um pequeno aumento de JDS próximo da 1a interface, mas esta

variação é muito menor do que aquela ocorrida próxima da 2ainterface, justificando um aumento na resistência série RS.

A segunda análise feita, foi verificar o quanto a resistência série é modificada, quando o transistor é submetido a diferentes valores de VGBe

diferentes espessuras da camada do óxido enterrado. A figura 10 mostra os resultados de ∆R em função de VGB. Como pode ser observado, ∆R é

significativamente influenciada por VGBna situação

de toxb = 80 nm, uma vez que os efeitos de

modulação das cargas (acumulação, depleção e inversão) na 2a interface são maiores, devido à menor distância entre o contato do substrato e a camada de silício. Quanto ao patamar observado para ∆R (toxb= 80 nm) a partir de VGB= -15 V, o

mesmo comportamento (atingir o patamar) pode ser

obtido para toxb= 400 nm, porém para valores mais

negativos de VGB(VGB≈-60 V). N+ P Óxido enterrado Porta Região de Depleção Região Analisada N-VGB VGF A A' 0 20 40 60 80 -4 0 4 8 12 16 20 24 2ainterface 1ainterface VGB= 0 V VGB= - 30 V SOI NMOSFET JDS [m A /c m 2] Profundidade do silício [nm]

Figura 9: a) Perfil do transistor ilustrando a região analisada. b) Densidade de corrente na região de

LDD para dois diferentes valores de VGB.

-35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 5 -20 0 20 40 60 80 100 toxb= 400 nm toxb= 80 nm SOI NMOSFET NLDD= 1x1018cm-3 ∆ R [% ] VGB[V]

Figura 10:∆R em função da tensão aplicada no substrato VGBpara dois diferentes valores da

espessura da camada de óxido enterrado (T = 300 K). a) b) 0 40 nm 80 nm xdepl b) a)

(6)

5. Influência da temperatura na determinação da resistência série [24, 25]

A figura 11 mostra os resultados experimentais da resistência série obtidos com o mesmo conjunto de transistores apresentado na figura 6, porém com temperatura de 77 K. Para VGB

= -30 V, uma quantidade excessiva de ruído na curva IDSx VGFprejudicou a obtenção da RS. Como

pode ser observado, os valores da resistência série praticamente dobraram, quando comparados àqueles obtidos na figura 6. Este aumento em RS é

devido ao aumento da resistividade do material semicondutor causado pela diminuição da temperatura, principalmente nas regiões de LDD [31, 32]. Também pode ser observado que a influência da sobre-tensão (VGS – VthF) na RS é maior a 77 K do que a 300 K. 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 1600 1700 1800 1900 2000 SOI NMOSFETs T = 77 K VGB= - 30 V VGB= - 15 V VGB= - 5 V RS [Ω ] (VGF- VthF) [V]

Figura 11: Resistência série de transistores SOI NMOSFETs a 77 K, em função da sobre-tensão (VGF- VthF) para diferentes valores de VGB.

Um análise de quanto a resistência série é modificada, quando o transistor é submetido a diferentes valores de VGBe diferentes temperaturas,

foi feita com o auxílio do programa MEDICI. A figura 12 mostra os resultados de∆R em função de VGB, utilizando-se uma concentração inicial NLDD=

4x1018 cm-3e modelos matemáticos, que levam em consideração a ionização incompleta em baixas temperaturas. As características utilizadas na simulação dos dispositivos são as mesmas apresentadas na figura 7.

Quando a temperatura diminui, a concentração efetiva de portadores das regiões de LDD é reduzida, fazendo com que haja um aumento da resistência série e uma maior variação das regiões de depleção em função de VGB. A 300 K, a

cada aumento (no sentido negativo) de VGB, pode-se

observar um aumento progressivo em RS,

representado por ∆R, mas para temperaturas mais

baixas, por exemplo 150 K, mesmo com a redução de VGB, existe um valor de VGBa partir do qual não

se observa mais aumentos em RS. Uma explicação

para isto é que com a redução da temperatura, uma tensão menor de VGB é necessária para se ter uma

maior variação das regiões de depleção dentro das regiões de LDD. Estes resultados explicam os valores obtidos de RS na figura 11, ou seja, a 77 K,

mesmo para valores pequenos e negativos de VGB, a

região de depleção originada na 2a interface é grande o suficiente para atingir a 1ainterface.

150 200 250 300 0 20 40 60 80 100 120 VGB= 0 V VGB= - 5 V VGB= - 10 V VGB= - 15 V VGB= - 20 V VGB= - 25 V VGB= - 30 V SOI NMOSFET toxb= 80 nm ∆ R [% ] T [K]

Figura 12: Influência da temperatura na determinação da variação da resistência série para

diferentes valores de VGB.

6. Análise do comportamento da curva de corrente IDSem função da tensão VGB

Foi demostrado que dependendo do valor de VGB a resistência série pode ter seu valor

modificado, devido, principalmente, à variação da componente RLDD. Contudo, foi observado que a

resistência série atinge um valor máximo, fato este que ocorre quando VGBé suficientemente negativo.

A figura 13 mostra as curvas IDS,δIDS/δVGB,

δ2

IDS/δVGB2e RTem função da tensão VGB, onde RT

é a resistência total entre fonte e dreno.

A figura 13a mostra o comportamento da curva de corrente IDS x VGB, com a tensão aplicada ao substrato VGB variando entre 40 e -40 V. Para altos valores positivos de VGB, a 2a interface está invertida dentro do canal e acumulada para as regiões de fonte/dreno e LDD. Nesta situação, a tensão de limiar da 1a interface VthFinv2 é a menor possível, uma vez que em transistores de camada fina, as condições da 2a interface influenciam o comportamento da 1a interface.

Para altos valores negativos de VGB, a 2a

interface dentro do canal se torna acumulada e as regiões de LDD tornam-se invertidas. Nesta condição, a tensão de limiar da 1ainterface VthFacc2

(7)

5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 SOI LDD NMOSFET Lm= 1µm VGF= 2,0 V IDS [µ A /µ m ] 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 RT= RCH+ RS RT [k Ω µ m ] 10-8 10-7 10-6 10-5 10-4 δ IDS / δ VG B [A V -1 / µ m ] -40 -20 0 20 40 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 δ 2ID S /δ VG B 2[1 0 -6A V -2/ µ m ] VGB[V] -20 -18 -16 -14 -12 -10 -0,1 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 -13.0 V

Figura 13: a) Curva IDSx VGBpara um SOI

NMOSFET. b) Resistência total. c) Primeira derivada da curva IDSem função de VGB. d) Segunda

derivada da curva IDSem função de VGB, onde

pode-se ver os pontos de máximo (VGB)A, (VGB)B, (VGB)C.

A curva de IDSx VGBfoi obtida utilizando-se

uma tensão VGF fixa, maior que VthFacc2. Isto

garante que a 1a interface está sempre invertida, possibilitando a passagem permanente da corrente entre fonte e dreno, independente do valor de VGB,

uma vez que VDSé positivo.

A resistência total RT, figura 13b, é composta

pelas resistências do LDD (RLDD), da fonte/dreno

(RD), de contato (RC) e do canal (RCH). Na equação

(11), o termo entre parênteses é a resistência série RS e seu valor depende da tensão VGB,

principalmente através do termo RLDD.

(

LDD D C

)

CH DS DS T R 2.R 2.R 2.R I V R = = + + + (11) As figuras 13c e 13d mostram a 1a e a 2a derivadas da curva IDSx VGB, respectivamente. Na

figura 13d, três pontos de máximo podem ser observados. Para VGB > (VGB)A, a 2a interface está

invertida dentro do canal e acumulada nas regiões de LDD. O ponto “(VGB)A” representa a tensão,

onde a 2a interface dentro do canal torna-se invertida. Para (VGB)B < VGB < (VGB)A, a 2a

interface dentro do canal está depletada, enquanto a 2a interface, nas regiões de LDD, permanece acumulada. O ponto “(VGB)B” representa a situação,

onde a 2a interface dentro do canal muda da depleção para a acumulação, enquanto a 2a interface, nas regiões de LDD, está mudando da acumulação para a depleção. Na realidade, as tensões correspondentes a estes dois efeitos não ocorrem no mesmo instante, mas são bem próximas, devido às concentrações utilizadas para o canal e regiões de LDD. Para (VGB)C < VGB< (VGB)B, a 2a

interface no canal pode ser considerada acumulada, enquanto a 2ainterface nas regiões de LDD pode ser considerada depletada. O ponto “(VGB)C” representa

a tensão, onde a 2a interface, nas regiões de LDD, torna-se invertida.

A figura 13b mostra que, entre os pontos “(VGB)A” e “(VGB)B”, a resistência total RTtem uma

grande dependência da tensão VGB. Esta variação é

decorrente da alteração da resistência do canal RCH,

uma vez que o canal está totalmente depletado. A 2a interface, nas regiões de LDD, permanece acumulada e não influencia a RT. A resistência do

canal pode ser estimada pela equação (12), sendo que VthFinv2< VthFdepl2< VthFacc2eµFinv2>µFdepl2>

µFacc2, onde µF é a mobilidade do canal na 1a

interface para diferentes condições da 2a interface. Através do exposto, pode-se concluir que a resistência do canal RCH é máxima, quando a 2a

interface está acumulada, isto é, quando VGBé igual

a (VGB)B.

( )

[

]

( )

[

]

m oxf m GB F GF F GB F GF F CH C . W L x V Vth V 1 x V Vth V 1 R − µ − θ + = (12) Para VGB < (VGB)B, a mudança em RCH é

desprezível, mas RTé agora influenciada pela RLDD,

pois a 2a interface está depletada nas regiões de LDD. A resistência total é influenciada por VGBaté

(VGB)A= 1,38 V (VGB)B= -1,95 V (VGB)C b) c) d) a)

(8)

o ponto “(VGB)C”, quando então a 2a interface,

dentro do LDD, torna-se invertida. A influência das regiões de fonte/dreno pode ser considerada desprezível para as concentrações utilizadas, uma vez que as regiões de depleção são pouco afetadas pela tensão negativa de VGB.

A verificação dos pontos (VGB)A, (VGB)B foi

feita através da comparação entre os valores obtidos na simulação com os calculados teoricamente. Como a 1ainterface permanece em forte inversão, o valor do potencial de superfície utilizado baseia-se no modelo proposto por Lindner [33], resultando em um SF ≈ 2,3. Ff, quando as condições Naf =

1x1017 cm-3 e T = 300 K são utilizadas. A tabela 1 compara os valores obtidos na simulação com os calculados para (VGB)A( SF= 2,3. Ff, SB = 2,0. Ff,

QS2= 0) e (VGB)B( SF= 2,3. Ff, SB= 0, QS2= 0).

Tabela 3.1: Comparação entre os valores (VGB)A e

(VGB)B obtidos na simulação, com os calculados

teoricamente.

Parâmetro Calculado [V] Simulado [V]

(VGB)A 1,39 1,38

(VGB)B -1,89 -1,95

Como observado na tabela 3.1, os valores obtidos nas simulações concordam com os calculados, e a pequena diferença entre eles pode ser reduzida se um passo menor de VGB for utilizado,

quando da obtenção da curva IDS x VGB. O ponto

(VGB)C representa a condição, onde a 2a interface,

dentro do LDD, torna-se invertida.

7. Conclusões

Neste trabalho uma análise do

comportamento da resistência série RS em SOI

NMOSFET camada fina foi realizada. Os efeitos das polarizações do substrato VGB e da porta VGF,

aliado aos efeitos da temperatura, afetaram significativamente a RS, principalmente a

componente RLDD. Contudo, foi demostrado que a

partir da inversão da 2ainterface, dentro do LDD, a resistência série não sofreu mais influência de VGB.

Além disto, quando VGB variou de valores positivos

a valores negativos, pontos de máximo na curva

δ2

IDS/δVGB2 foram observados, os quais

representavam mudanças na condição da 2a interface.

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