Relatório de mercado
Maio/18
Safra : o novo relatório da CONAB, de 10/04/18, estima 1.942,2 mil tons para a safra 17/18. Ou seja, estamos falando um aumento de 27% em relação à safra anterior.
Desde que a esta safra foi plantada, pela área e pelas condições na lavoura até o presente momento, o mercado já esperava números próximos de 2 milhões de toneladas.
A própria CONAB vem ajustando seus números, mês a mês, como podemos ver nos gráficos ao lado. Acredita-se que, se chover nas próximas semanas até 30mm, podemos ter uma safra ainda maior. Esta chuva viria, em boa hora, para o milho em algumas regiões do MT.
Gráfico : números da CONAB
Consumo : outros setores da economia (automotiva, por exemplo, com 12% de crescimento no primeiro trimestre deste ano), definitivamente, demonstram recuperação mais rápida que o setor têxtil.
Nas últimas semanas, o mercado de algodão tem escutado muita reclamação dos compradores, especialmente das fiações que não conseguem repassar o aumento da matéria-prima.
O resumo é que o algodão, hoje, está cerca de 45% mais caro que no início de novembro/17 (quando os preços começaram a subir) e 30% mais caro desde janeiro/18. As fiações não conseguiram reajustar nem em 10% suas tabelas.
Algumas fiações, cujos estoques estão mais altos, falam em férias coletivas. Um alento para o consumo do
algodão maior no país é de que o dólar alto, apesar de impactar no preço da commodity internamente, acaba inibindo uma ainda maior importação de fios e produtos acabados, além do fato do poliéster estar ficando cada vez mais caro com o preço do petróleo.
Gráfico : números da CONAB (10/05/18)
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Maio/18
Importação : a expectativa de maior importação nas últimas semanas não está acontecendo na prática. Somente pouco mais de 11 mil toneladas foram importadas de julho/17 até abril/18. São números muito baixos, especialmente pela situação justa entre oferta x demanda. A indústria nacional, por conta da necessidade e pelas regras do Mercosul, está mais atenta a safra dos países vizinhos.
Exportação : em abril, como já era previsto, tivemos números menores que nos meses anteriores. Aproximadamente 29 mil tons deixaram o país no mês de abril. Porém, para descrédito de alguns, especialmente no início do segundo semestre de 2018, as comentadas 900 mil tons da safra 17/18 efetivamente serão exportadas, de acordo com os números do SECEX. 895,5 mil tons foram exportadas de julho/17 à abril/18.
Números abaixo : números do SECEX (http://aliceweb.mdic.gov.br/)
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Estoque de passagem :
OFERTA: *1.650 mil tons (produção) + 11 mil (importação) = 1.661 mil tons
DEMANDA: 895,5 mil tons (exportação de jul/17-abr/18) + 700 mil tons (consumo) =
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Maio/18
Vendas : o mercado de NY firme e o dólar acima de R$3,50 impulsionaram novas vendas dos produtores às tradings, tanto para exportação quanto para vendas com mercado interno garantido.
Quadros abaixo : números do SINAP da BBM (11/05/18)
*Se adotarmos a safra 16/17 pela CONAB (1.529,5 mil tons) a conta continua negativa. Porém, nesta cálculo adotaremos uma safra um pouco maior (cerca de 120 mil tons à mais), de acordo com alguns analistas de mercado.
Como chegarmos até a próxima safra? Diminuição de consumo da indústria até a entrada da próxima safra pela retração das vendas (férias coletivas), consumo dos estoques físicos nas fábricas, maior importação de matéria-prima, devem ser as alternativas.
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Maio/18
Comportamento dos preços no mercado interno : o preço continua acompanhando as variações de NY e câmbio, vide gráficos abaixo, especialmente ESALQ em dólar. Mas, nestes últimos dias, o Esalq parece ter descolado em função de uma maior procura dos compradores e menor disponibilidade de oferta dos vendedores.
Gráficos abaixo : fonte www.cepea.esalq.usp.br
Apesar de comportamentos muito parecidos, nota-se que, por conta do câmbio, os preços do ESALQ em reais variam bem mais.
Variação do Esalq em real, cerca de 45% e Esalq em dólar, cerca de 30%.
Abaixo, vide comportamento dos preços em NY, no mesmo período do Esalq (out17-maio/18).
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Maio/18
Oferta e demanda mundial de algodão : O último relatório (WASDE) de oferta e demanda do departamento de agricultura dos Estados Unidos divulgado em 10/05/2018 trouxe a primeira impressão da safra 2018/19. Um dado mais significativo foi o aumento do consumo mundial para 125.44 milhões de fardos, ante 120.74 milhões de fardos da safra 2017/18 – aumento de 4.7 milhões de fardos (1 milhão de toneladas). Os estoques finais mundiais agora são projetados em 83.75 milhões de fardos, o menor número desde a safra 2012/13.
Nos EUA está projetada uma safra de 19.50 milhões de fardos, diminuição de 1.42 milhões de fardos frente a safra 2017/18, em decorrência de seca nos Estado do Texas principalmente. Austrália projeta safra de 4.0 milhões de fardos, diminuição em 800 mil fardos perante a safra 2017/18. Produção na Índia manteve-se inalterada em 28.50 milhões de fardos, enquanto uso doméstico salta de 24.20 milhões de fardos da safra 2017/18 para 25.20 milhões de fardos no projetado 2018/19.
O quadro de oferta e demanda na China traz números interessantes. Produção cai de 27.50 milhões de fardos da safra 2017/18 para 27.00 milhões de fardos para a safra 2018/19. Aumento no consumo doméstico em 1.50 milhões de fardos, de 40.00 milhões de fardos da safra 2017/18 para 41.50 milhões de fardos para a safra 2018/19. Consequentemente projeta-se aumento nas importações em 37%, de 5.10 milhões de fardos da safra 2017/18 para 7.00 milhões de fardos para a safra 2018/19.
O estoque final Chinês cai para 33.42 milhões de fardos da safra 2018/19, ante 40.97 milhões da safra 2017/18 – menor número desde a safra 2012/13. Aumento de consumo foi projetado na maioria dos maiores importadores. Turquia, Paquistão, Indonésia, Bangladesh e Vietnam registraram aumento. A relação estoque/uso mundial projetada para a safra 2018/19 é de 66,77%, ante 73,34% da safra 2017/18.
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Maio/18
Vendas e embarques de algodão dos Estados Unidos – Upland Cotton : o último relatório de vendas de exportação dos EUA (10/05/2018) trouxe vendas de 212.8 mil fardos de algodão Upland, oriundo de 17 países. Vietnam liderou as compras com 96.8 mil fardos, seguido por China com 25.6 mil fardos e Turquia com 19.4 mil fardos. Os embarques efetivos de exportação foram de 510.5 mil fardos – bom número novamente. O volume exportado até esta data soma 10.20 milhões de fardos, agora acima dos 10.19 milhões de fardos da safra passada.
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Maio/18
USA : Abaixo o relatório emitido em 14/05/2018 de progresso de safra de algodão dos EUA. Califórnia reportou 100% da área plantada. Texas está em 28%, ligeiramente mais avançado em relação à média dos últimos cinco anos. Agora 36% da área de algodão está plantada nos EUA.
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Maio/18
Índia : Mantendo sua estimativa anterior de colheita de algodão em 36 milhões de fardos (fardos de 170 kg), a Associação de Algodão da Índia (CAI) observou que cerca de 86% da colheita já chegou ao mercado até 30 de abril de 2018. Também fez pequenas alterações nos números de produção dos estados.
Para Maharashtra e Karnataka, a produção de algodão é estimada em aumentar 200 mil e 50 mil fardos respectivamente, enquanto a produção em Telangana e Andhra Pradesh é agora estimada em diminuir 150 mil e 100 mil fardos respectivamente, mantendo assim a colheita no mesmo nível da estimativa anterior.
O Comitê de Estatística da CAI projetou o fornecimento total de algodão até 30 de abril de 2018 em 34.70 milhões de fardos. Isso inclui as chegadas de 31.10 milhões de fardos e as importações estimadas em 600 mil fardos, disse o comunicado da CAI.
O consumo de algodão do país para os sete meses, de outubro de 2017 a abril de 2018, foi de 18.90 milhões de fardos com uma média de 2.70 milhões de fardos por mês. As exportações estão estimadas em 6.10 milhões de fardos, no final de abril.
Estoque de algodão no final de abril 2018 é estimado em 9.70 milhões de fardos, incluindo 5.20 milhões de fardos com fábricas de têxteis, enquanto os restantes 4.50 milhões de fardos são estimados para serem realizados pela Corporação de Algodão da Índia e outros, incluindo multinacionais, comerciantes e descaroçadores.
De acordo com o balanço anual projetado para a temporada 2017/18, o fornecimento total de algodão até o final da temporada até 30 de setembro de 2018 será de 41.0 milhões de fardos, incluindo o estoque de abertura de 3.0 milhões de fardos no início da temporada.
O consumo interno é estimado em 32.40 milhões de fardos, enquanto as exportações são estimadas em 6.50 milhões de fardos. O estoque de carrego no final da temporada 2017/18 é estimado pela CAI em 2.10 milhões de fardos. A próxima reunião do Comitê de Estatística está agendada para 11 de junho próximo.
Fonte : http://www.caionline.in/
China : A limpeza da poluição na China continua a se expandir em várias indústrias. A limpeza agora mudou-se para o sector químico agrícola, onde tem impactado aproximadamente em 700 empresas químicas chinesas que fornecem pesticidas agrícolas, as quais tiveram encerramentos devido a violações e irregularidades ambientais. 30.000 empresas químicas agrícolas foram multadas. A China é um grande exportador de pesticidas genéricos, mas o volume de exportações caiu drasticamente e os preços subiram.
Isso teve um impacto significativo no Brasil, onde as empresas chinesas dominam o mercado; um aumento de preço no custo de entrada de 15/30% é esperado como resultado.
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Maio/18
A indústria de fertilizantes também está sendo afetada, estimando-se que 50% da capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados foi encerrada. Novas instalações de produção nacional no Brasil foram anunciadas após a parada no fluxo de produtos químicos chineses subvalorizados, pesticidas de proteção de cultivos e fertilizantes. Isso aumentará o custo de produção agrícola, mas terá um impacto muito positivo no meio ambiente da China e também em regiões importadoras, como o Brasil.
No que diz respeito a têxteis e vestuário, a limpeza continua também com empresas fechadas por violações e capacidade reduzida. Um grupo de 25 empresas chinesas anunciou a formação de uma Estratégia de Administração de Produtos Químicos. No setor de fibras artificiais, o maior impacto da limpeza até agora tem sido nos preços do filamento de poliéster, que são feitos de PET. O preço subiu 30/38% ano a ano e compara com um aumento de 33% nos preços das fibras de poliéster. O recente aumento nos preços do petróleo bruto ainda não chegou ao mercado de matérias-primas, limitando qualquer aumento adicional nos preços das fibras de poliéster acima da marca de 64 centavos.
A batalha de poluição da China se tornou local, e a TV chinesa mostrou nesta semana a polícia em Changsha, em Hunan, movendo bloco a bloco usando pistolas de água para apagar fogões de carvão ilegais usados nas ruas. Na semana passada, a China recebeu algumas más notícias, indicando que seus esforços para limpar o meio ambiente deveriam aumentar. Um estudo realizado pela Escola de Administração Guanghua da Universidade de Pequim e o Centro de Ciência Estatística mostrou que os níveis médios de ozônio durante o dia saltaram acentuadamente de acordo com um estudo de dados de poluição em 33 cidades do norte. O ozônio é causado pela interação da luz solar com óxidos de nitrogênio e as vastas quantidades de compostos orgânicos voláteis não controlados produzidos pela queima de combustíveis fósseis e congestionamento de tráfego. A poluição por ozônio tem sido associada a doenças cardíacas e derrames. Em Pequim, Tianjin e Hebei poluição do coração industrial em março subiu 27%.
Nós temos a opinião de que grande parte da nova capacidade planejada em poliéster e outras fibras sintéticas nunca se tornará operacional, apesar de ter sido aprovada e a construção estar em andamento. Isso está acontecendo na realidade, à medida que as batalhas pela poluição pioram. Prefeitos de várias grandes cidades do norte da China foram chamados a Pequim recentemente e disseram para suspender novos projetos, reduzir o tráfego e o carvão porque a poluição em suas cidades não diminuiu. Um deles foi o Handan, um importante centro de produção de produtos químicos, enquanto outro, a Jincheng, viu seus investimentos em ativos fixos caírem 41% quando os projetos foram fechados.
Para resolver esses problemas, espera-se que a China anuncie em breve novas medidas dramáticas para reduzir ainda mais a poluição em um plano de ação de 2018 a 2020.