5
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2
0
1
5
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ia
ç
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o
C
ie
n
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c
a
Sumário
Aplicação da programação linear em uma indústria moveleira: corte de estoque e
dimensionamento de lotes
Glaucia Maria Bressan; Giovanna Peral Salvadeo 2
Análise de estabilidade para um modelo de respiração humana
Márcia Richtielle da Silva, Marta Cilene Gadotti 16
Análise qualitativa de modelos através de retratos de fase
Otávio Henrique Perez, Tiago de Carvalho 26
O Teorema de Borsuk e a teoria do Grau de Brouwer
Carolinne Stefane de Souza, Suzete Maria Silva Afonso 62
O teorema do ponto fixo de Schauder e aplicação às EDFR
Cristiano dos Santos, Márcia Richtielle 74
Modelagem matemática e resolução de problemas de gerenciamento da produção utilizando
programação linear
____________________________
*
Trabalho realizado com apoio financeiro do CNPq. †
Email: [email protected]; [email protected]. Departamento de Matemática. Universidade Tecnológica Federal do Paraná – câmpus Cornélio Procópio.
Aplicação da programação linear em uma
indústria moveleira: corte de estoque e
dimensionamento de lotes
*
Resumo
Com a intensificação da tecnologia no século XXI no cenário mundial, bem
como os avanços computacionais e o crescimento do parque industrial brasileiro, as
indústrias têm sido estimuladas a tornar seus processos produtivos mais eficientes e
competitivos. Com isso, o estudo de modelos de otimização para o controle e
planejamento da produção se torna uma ferramenta fundamental para o avanço
industrial. Este trabalho aborda métodos de Programação Linear com o objetivo de
resolver problemas de tomadas de decisões para a programação da produção de uma
indústria moveleira de pequeno porte. O problema é modelado por meio do Problema
Combinado, o qual acopla dois problemas de otimização linear: o dimensionamento de
lotes e o corte de estoque. A partir do Método Simplex é possível obter a solução do
Problema de Programação Linear proposto, auxiliando na tomada de decisão referente à
minimização de custos, dimensionamento de lotes e corte de estoque.
Palavras Chave: Programação Linear, Método Simplex, Problema Combinado
Introdução
Devido aos avanços tecnológicos e industriais do século XXI, as
indústrias de manufatura têm sido estimuladas a tornar seus processos mais eficientes e
competitivos, minimizando os custos globais de produção. Isto incentiva o estudo de
________________________________________________________________________
Glaucia Maria Bressan
†Giovanna Peral Salvadeo
†modelos de otimização para o controle e planejamento de sistemas produtivos,
motivando pesquisas acadêmicas.
O gerenciamento da produção dentro de uma indústria é responsável pelo
planejamento e controle da transformação de matérias-primas em produtos finais. O
sistema responsável por este gerenciamento denomina-se Planejamento e Controle da
Produção (RUSSOMANO, 2000; TUBINO, 2007), que coordena as atividades, desde a
aquisição de matérias-primas até a entrega dos produtos finais. Desta forma, a Pesquisa
Operacional e seus métodos de otimização possuem grande utilidade na solução de
problemas, em especial os que envolvem processos produtivos, na tomada de decisões e
no gerenciamento de sistemas, selecionando as melhores decisões, dentre todas as
possíveis (G
OLDBARG& L
UNA,2005).
Várias indústrias que produzem peças de tamanhos e materiais variados possuem
problemas com o desperdício de matéria-prima, o que implica em uma redução de lucro,
além de aumentar a produção de resíduos. Surge então a necessidade de se resolver um
problema de otimização, que consiste em cortar os objetos, respeitando-se estas
questões. Desta forma, o objetivo deste trabalho é aplicar o Método Simplex para
resolução de problemas reais de tomadas de decisões modelados com o Problema
Combinado (GRAMANI, 2001), que, por sua vez, acopla dois problemas de otimização
linear: o dimensionamento de lotes e o corte de estoque. O problema de
dimensionamento de lotes consiste em planejar a quantidade dos itens a ser produzida
em vários estágios, em cada período ao longo de um horizonte de tempo finito, de modo
a atender a demanda e minimizar os custos de produção e de estocagem (ARENALES et
al, 2007). O Problema de Corte de Estoque bidimensional consiste na otimização do
processo de corte de placas em peças menores nas quantidades e dimensões demandadas
(ARENALES et al, 2007). Por sua vez, o Problema Combinado consiste em decidir a
quantidade de produtos finais a serem produzidos em cada período do horizonte de
planejamento tal que minimize os custos da produção, preparação e estocagem e a
quantidade de placas a serem cortadas para compor produtos finais. A partir do Método
Simplex, é possível solucionar tal Problema de Programação Linear, obtendo uma
solução ótima que auxilie na tomada de decisão.
O Método Simplex é um algoritmo desenvolvido por George Dantzig em 1947
para resolver problemas numéricos de Programação Linear. O método parte de uma
solução básica viável, pertencente a um vértice, do sistema de equações que constituem
as restrições do problema. A partir dessa solução inicial, o algoritmo identifica novas
soluções viáveis de valor igual ou melhor que a corrente. Assim, o processo encontra
novos vértices da envoltória convexa do problema e determina se este vértice é ótimo ou
não, ou seja, se a troca de variáveis na base pode ainda melhorar a função objetivo.
Mais detalhes são encontrados em Lachtermacher (2002), Maculan e Pereira (1980),
Moreira (2007), Lins e Calôba (2006).
Este trabalho está organizado como segue. A Seção 1, seguinte a esta introdução,
descreve o Problema Combinado, bem como suas definições e considerações, e traz a
formulação geral deste como um Problema de Programação Linear. Na Seção 2 são
descritos dois cenários de programação da produção com dados provenientes de uma
indústria moveleira de pequeno porte. Os resultados numéricos e as soluções destes
estudos de caso são exibidos na Seção 3. Por fim, a Seção 4 comenta as conclusões e as
considerações finais deste trabalho.
1 O Problema combinado
No processo de corte de uma placa em peças menores, para a produção
de itens, a perda de material tende a ser cada vez menor se os cortes das peças forem
rearranjados de uma forma conveniente na placa. Devido a este fato, há uma pressão
econômica para fabricar alguns produtos antecipadamente com o objetivo de minimizar
as perdas. Porém, esse estoque pode gerar custos que podem retardar a produção
(BRESSAN, 2003). Diante desse problema de decisão de antecipação ou não na
produção de certos produtos finais, surge o Problema Combinado, o qual acopla dois
problemas de otimização: o dimensionamento de lotes e o corte de estoque. O problema
de dimensionamento de lotes consiste em planejar a quantidade dos itens a ser
produzida em vários estágios, em cada período ao longo de um horizonte de tempo
finito, de modo a atender a demanda e otimizar uma função objetivo, como minimizar
os custos de produção e de estocagem. Pode ser classificado como monoestágio, onde
os itens são produzidos independentemente, e multiestágio, em que as produções dos
itens são dependentes. O problema de corte de estoque bidimensional consiste na
otimização do processo de corte de placas em peças menores nas quantidades e
dimensões demandadas. Define-se padrão de corte como o arranjo das peças dentro de
cada placa, isto é, a forma como um objeto (peça) é cortado para a produção de itens
demandados. Algumas regras são necessárias para defini-lo, como cortes do tipo
guilhotinado (onde cada corte feito sobre uma placa retangular produz dois novos
retângulos), limitação de peças (cortes restritos ou irrestritos), número de estágios (é
dito ser 2-estágios quando apenas uma mudança no sentido dos cortes guilhotinados é
permitida: horizontal/vertical ou vertical/horizontal). Além disso, o problema será
bidimensional quando duas dimensões são relevantes para cortagem.
Desta forma, o problema combinado consiste em decidir a quantidade de
produtos finais a serem produzidos em cada período do horizonte de planejamento tal
que minimize os custos da produção, preparação e estocagem (dimensionamento de
lotes) e a quantidade de placas a serem cortadas, bem como os padrões de corte, para
compor produtos finais (corte de estoque). Em situações reais, a maioria das indústrias
aborda esses dois problemas de forma separada. Inicialmente, são determinadas para
cada período do horizonte de planejamento, as quantidades de cada produto final
(tamanho do lote) a serem produzidas. A partir desta informação, determina-se, para
cada período, a quantidade de peças de cada tipo a serem cortadas e os melhores
padrões de corte são gerados. Entretanto, tratá-los de forma separada pode elevar os
custos globais, principalmente se uma parcela significativa do custo do produto final é
formada pelo material a ser cortado (BRESSAN&OLIVEIRA, 2004).
Uma abordagem para o problema combinado desconsidera a ocorrência de
custos de preparação e relaxa a integralidade das variáveis que representam a
quantidade de placas cortadas num certo padrão, o que pressupõe grandes quantidades
de demanda. Esta abordagem pode ser aplicada na indústria de móveis, onde placas de
madeira devem ser cortadas na produção de itens. Por simplicidade, consideramos que
haja apenas um tipo de placa em estoque, suficiente para atender a demanda. O
Problema Combinado é formulado, então, considerando-se (BRESSAN, 2003):
Índices:
t = 1, ..., T número de períodos.
p = 1, ..., P número de diferentes tipos de peças a serem cortadas.
j = 1, ..., N número de diferentes padrões de corte.
i = 1, ... ,M número de diferentes produtos finais demandados.
Parâmetros:
c
it; custo de produção do produto final i no período t.
hp
pt: custo de estocagem da peça tipo p no período t.
h
it: custo de estocagem do produto final i no período t.
d
it: demanda do produto final i no período t.
r
pi: número de peças tipo p necessárias para formar um produto i.
v
j: tempo gasto para cortar uma placa no padrão de corte j.
a
pj: número de peças tipo p no padrão j.
u
t: tempo máximo de operação da serra.
cp: custo da placa a ser cortada.
Variáveis de decisão:
x
it: quantidade do produto final i produzido no período t.
ep
pt: quantidade da peça tipo p em estoque no fim do período t.
e
it: quantidade do produto final i em estoque no fim do período t.
y
jt: quantidade de placas cortadas usando o padrão j no período t.
min
M i 1
T t 1(c
it.x
it+ h
it. e
it) +
N j 1
T t 1cp.y
jt+
P p 1
T t 1hp
pt.ep
pt(1)
s.a:
x
it+ e
i,t-1– e
it= d
it
t = 1,…,T,
i = 1,…,M
(2)
N j 1a
pj.y
jt+ ep
p,t-1– ep
pt=
M i 1r
pi.x
it
t = 1…T
(3)
N j 1v
j.y
jt
u
t
t = 1,…,T,
j = 1, ..., N
(4)
x
it, f
it, y
jt, e
pt
0
t = 1,…,T
(5)
________________________________________________________________________As restrições (2) se referem às equações de balanço de estoque com relação aos
produtos finais, o que garante que a demanda de itens de cada período será atendida. As
restrições (3) se referem às equações de balanço de estoque com relação às peças, o que
asseguram que a demanda de peças será satisfeita. Estas restrições são as que acoplam
os problemas de dimensionamento de lotes e de corte de estoque, pois ambas incluem as
variáveis x
it,que definem o tamanho dos lotes e y
jt, que definem a quantidade de placas
cortadas num certo padrão de corte. As restrições (4) se referem à capacidade da serra, o
que garante que o tempo gasto no processo de corte das placas nos diversos padrões de
corte não ultrapassa a capacidade disponível da serra, ou seja, seu tempo máximo de
operação e, por fim, (5) representa as condições de não negatividade.
2 Estudos de caso
A fim de executar o Problema Combinado, foram atribuídos valores aos seus
parâmetros provenientes de dados fornecidos por uma indústria moveleira de pequeno
porte do município de Cornélio Procópio, para que fosse possível a decisão de dois
programas de produção, descritos a seguir. Ambos consideram a produção de dois tipos
de produtos finais: mesas e cadeiras. Além disso, em ambos os casos, considera-se que
não há estoque no período anterior t-1. Desta forma seria possível uma comparação das
soluções ótimas obtidas em cada caso.
2.1. Primeiro Programa de Planejamento da Produção
No primeiro problema de planejamento da produção, inicialmente, são
considerados os seguintes dados:
t = 5 períodos de tempo
p = 3 tipos de peça
j = 5 tipos de padrões de corte da placa
i = 2 produtos finais (mesa e cadeira)
Os tipos de peça para composição dos produtos finais são:
Peça do tipo 1: tampo da mesa
Peça do tipo 2: pés da mesa/cadeira
Peça do tipo 3: assento/encosto da cadeira
A variável x
1trepresenta o produto ―mesa‖, cujo custo de produção fornecido é
c
1t= R$255 e a demanda é d
1t=2 para t=1,2. A variável x
2trepresenta ―cadeira‖, cujo
custo de produção é c
2t= R$80 e a demanda é d
2t= 3 para t=1,2.
Os demais parâmetros fornecidos pela fábrica são:
cp = R$120,
u
t= 300 horas por período,
a
pjpode ser visto na Tabela 1,
r
11=1, r
21=5, r
32=2, r
22=6,
h
1t=3, h
2t=1,
hp
1t=0,2, hp
2t=0,3, hp
3t=0,5.
As peças a serem cortadas são tampo (p =1), pés (p =2), assento/encosto (p =3).
Os padrões de corte exibidos na Tabela 1 são pré-estabelecidos pela fábrica, de acordo
com a capacidade dos equipamentos e a mão-de-obra disponíveis.
Tabela 1: Padrões de Corte
Padrão de
Corte
Peça tipo 1
(p=1)
Peça tipo 2
(p=2)
Peça tipo 3
(p=3)
Tempo de
corte
j=1
2
0
0
v
1= 1
j=2
1
88
0
v
2=1,2
j=3
0
0
35
v
3=1,5
j=4
0
0
45
v
4=1,4
j=5
1
8
15
v
5=1,5
Substituindo-se estes valores nas Equações (1) a (5) do Problema Combinado, o
seguinte modelo é obtido. A função objetivo (1) se torna
Min 255x
11+3e
11+80x
21+1e
21+120y
11+120y
21+120y
31+120y
41+120y
51+
+0.2ep
11+0.3ep
21+0.5ep
31+255x
12+3e
12+80x
22+e
22+120y
12+120y
22+
+120y
32+120y
42+120y
52+0.2ep
12+0.3ep
22+0.5ep
32+255x
13+3e
13+
+80x
23+1e
23+120y
13+120y
23+120y
33+120y
43+120y
53+0.2ep
13+
+0.3ep
23+0.5ep
33+255x
14+3e
14+80x
24+1e
24+120y
14+120y
24+120y
34+
+120y
44+120y
54+0.2ep
14+0.3ep
24+0.5ep
34+255x
15+3e
15+80x
25+1e
25+
+120y
15+120y
25+120y
35+120y
45+120y
55+0.2ep
15+0.3ep
25+0.5ep
35Conjunto de restrições referente à equação (2):
1x
11-1e
11+1x
12-1e
12+1x
13-1e
13+1x
14-1e
14+1x
15-1e
15=10
1x
21-1e
21+1x
22-1e
22+1x
23-1e
23+1x
24-1e
24+1x
25-1e
25=15
Conjunto de restrições referente à equação (3):
2y
11+89y
21+35y
31+45y
41+24y
51-1ep
11-1ep
21-1ep
31+2y
12+89y
22+35y
32+45y
42+24y
52+-ep12-ep
22-1ep
32+2y
13+89y
23+35y
33+45y
43+24y
53-ep
13-ep
23-ep
33+2y
14+89y
24+ 35y
34+
+45y
44+24y
54-1ep
14-ep
24-ep
34+2y
15+89y
25+35y
35+45y
45+24y
55-ep
15- ep
25- ep
35=
=6x
11+8x
21+6x
12+8x
22+6x
13+8x
23+6x
14+8x24+6x
15+8x
25Conjunto de restrições referente à equação (4):
y
11+1,2y
21+1,5y
31+1,4y
41+1,5y
51+y
12+1,2y
22+1,5y
32+1,4y
42+1,5y
52+y
13+1,2y
23+1,5y
33+1,4y
43+1,5y
53+y
14+1,2y
24+1,5y
34+1,4y
44+1,5y
54+y
15+1,2y
25+1,5y
35+1,4y
45+1,5y
55<=
1500
A solução ótima deste problema, após a aplicação do Método Simplex, deve
indicar em qual período do horizonte de planejamento e em que quantidade os produtos
finais devem ser produzidos, de forma que se obtenha o custo mínimo de corte e de
estoque, respeitando-se as restrições de balanço de estoque com relação aos produtos
finais e às peças, a restrição de capacidade da serra e as condições de não negatividade.
2.2.Segundo Programa de Planejamento da Produção
No segundo problema de planejamento da produção, é considerado um número
maior de diferentes tipos de peças para confecção dos produtos finais. Os seguintes
dados são fornecidos pela indústria:
t = 5 períodos de tempo
p = 7 tipos de peça
j = 6 tipos de padrões de corte da placa
i = 2 produtos finais (mesa e cadeira)
Os tipos de peça para composição dos produtos finais são:
Peça do tipo 1: tampo da mesa
Peça do tipo 5: pé da cadeira
Peça do tipo 2: encosto da cadeira
Peça do tipo 6: apoio da mesa
Peça do tipo 3: assento da cadeira
Peça do tipo 7: pé da mesa
Peça do tipo 4: apoio da cadeira
Neste caso, os novos padrões de corte para a produção de peças são descritos na
Tabela 2. Estes, são pré-estabelecidos pela fábrica, de acordo com a capacidade dos
equipamentos e a mão-de-obra disponíveis.
Tabela 2: Padrões de Corte
Padrão de Corte Peça tipo 1 (p=1) Peça tipo 2 (p=2) Peça tipo 3 (p=3) Peça tipo 4 (p=4) Peça tipo5 (p=5) Peça tipo 6 (p=6) Peça tipo 7 (p=7) Tempo de cortej=1
0
34
34
0
0
0
0
v
1= 3
j=2
15
8
7
0
0
0
0
v
2=2
j=3
12
12
13
0
0
0
0
v
3=4
j=4
0
0
0
8
1
2
0
v
4=4
j=5
0
0
0
2
3
4
0
v
5=3
j=6
0
0
0
0
0
0
4
v
6=2
Substituindo-se os valores dos parâmetros fornecidos pela fábrica, obtemos o
Problema Combinado a seguir. A variável x
11representa o produto ―mesa‖, cujo custo
de produção fornecido é R$60 reais e a demanda é 10, e a variável x
21representa
―cadeira‖, cujo custo de produção é R$40 reais e a demanda é 20. Os parâmetros (custo
de produção, estoque e tempo de corte) foram alterados, já que foram utilizados dados
de outros tipos de madeira e outros padrões de corte. Considera-se também que não há
estoque no período anterior t – 1. Portanto, o PPL para o segundo caso é descrito a
seguir.
Parâmetros fornecidos pela fábrica:
cp = R$135,07,
u
t= 240 horas por período,
a
pjpode ser visto na Tabela 2,
r
11=1, r
21=0, r
31=0, r
41=0, r
51=0, r
61=2, r
71=4, r
12=0, r
32=1, r
22=1, r
42=2, r
52=4,
r
62=0, r
72=0,
h
11=4, h
21=2, hp
11=0,4,
hp
21=0,35, hp
31=0,25, hp
41=0,13, hp
51=0,15, hp
61=0,18, hp
71=0,23.
Substituindo-se estes valores nas Equações (1) a (5) do Problema Combinado, o
seguinte modelo de programação linear é obtido. A função objetivo referente à equação
(1) se torna:
min
60x
11+4e
11+40x
21+2e
21+135,07y
11+5,77y
21+11,89y
31+135,07y
41+
+135,07y
51+0,4ep
11+0,35ep
21+0,25ep
31+0,13ep
41+0,15ep
51+0,18ep
61+
+0,23ep
71+60x
12+4e
12+40x
22+2e
22+135,07y
12+135,07y
22+135,07y
32+135,07y
42+
+135,07y
52+135,07y
62+0,4ep
12+0,35ep
22+0,25ep
32+0,13ep
42+015ep
52+0,18ep
62+
+0,23ep
72+60x
13+4e
13+40x
23+2e
23+135,07y
13+135,07y
23+135,07y
33+135,07y
43+
+135,07y
53+135,07y
63+0,4ep
13+0,35ep
23+0,25ep
33+0,13ep
43+015ep
53+0,18ep
63+
+0,23ep
73+60x
14+4e
14+40x
24+2e
24+135,07y
14+135,07y
24+135,07y
34+135,07y
44+
+135,07y
54+135,07y
64+0,4ep
14+0,35ep
24+0,25ep
34+0,13ep
44+015ep
54+0,18ep
64+
+0,23ep
74+60x
15+4e
15+40x
25+2e
25+135,07y
15+135,07y
25+135,07y
35+135,07y
45+
+135,07y
55+135,07y
65+0,4ep
15+0,35ep
25+0,25ep
35+0,13ep
45+015ep
55+0,18ep
65+
+0,23ep
75Conjunto de restrições referente à equação (2):
x
11-e
11+x
12-e
12+x
13-e
13+x
14-e
14+x
15-e
15=50
x
21-e
21+x
22-e
22+x
23-e
23+x
24-e
24+x
25-e
25=100
Conjunto de restrições referente à equação (3):
68y
11+30y
21+37y
31+11y
41+9y
51+4y
61-ep
11-ep
21-ep
31-ep
41-ep
51-ep
61-ep
71-7x
11-8x
21+68y
12+30y
22+37y
32+11y
42+9y
52+4y
62-ep
12-ep
22-ep
32-ep
42-ep
52-ep
62-ep
72-7x
12-8x
22+68y
13+30y
23+37y
33+11y
43+9y
53+4y
63-ep
13-ep
23-ep
33-ep
43-ep
53-ep
63-ep
73-7x
13-8x
23+68y
14+30y
24+37y
34+11y
44+9y
54+4y
64-ep
14-ep
24-ep
34-ep
44-ep
54-ep
64-ep
74-7x
14-8x
24+68y
15+30y
25+37y
35+11y
45+9y
55+4y
65-ep
15-ep
25-ep
35-ep
45-ep
55-ep
65-ep
75-7x
15-8x
25=0
Conjunto de restrições referente à equação (4):
3y
11+2y
21+4y
31+4y
41+3y
51+2y
61+3y
12+2y
22+4y
32+4y
42+3y
52+2y
62+3y
13+2y
23+4y
33+
+4y
43+3y
53+2y
63+3y
14+2y
24+4y
34+4y
44+3y
54+2y
64+3y
15+2y
25+4y
35+4y
45+3y
55+2y
65<
=1200
Como no problema anterior, após a aplicação do Método Simplex, a solução
ótima indicará em qual período do horizonte de planejamento e em que quantidade os
produtos finais devem ser produzidos, de forma que se obtenha o custo mínimo,
respeitando-se as restrições (1) a (5) do Problema Combinado.
3 Resultados numéricos
Soluções ótimas foram obtidas a partir da execução dos modelos descritos
anteriormente com apoio computacional do software LINDO (“Linear Interactive and
Discrete Optimizer”), a partir da execução do Método Simplex. A configuração
utilizada para as execuções dos PPL´s se refere a um processador Intel Core I5 de
3.3GHZ, memória de 6GB e 1.333MHz.
Para o primeiro programa de produção, a solução ótima obtida para t = 2
períodos de planejamento indica que o custo mínimo de produção para o período é
R$1508,09 e as variáveis de decisão obtidas são: x
11=4, x
21=6, y
21=0,067 e as demais
são nulas. Com isso, a solução ótima para o problema linear (relaxado) sugere o
adiantamento da produção dos produtos finais no primeiro período. Comparando-se a
solução ótima com o custo de uma produção que atende a demanda por período –
produzindo-se 2 mesas e 3 cadeiras por período – a solução ótima proporciona uma
economia de R$23,51. Na prática, de acordo com Miyazawa (2015), pode ser aplicada
uma estratégia para arredondar as variáveis fracionárias para que assumam valores
inteiros, de tal maneira a obter uma solução viável. Como o número de placas em uma
solução deve ser inteiro, uma solução ótima deve usar pelo menos 1 placa. Assim, se a
solução obtida pelo arredondamento não for ótima, usa-se no máximo uma placa a mais
que a solução ótima.
Ainda, supondo que a demanda e preços de estoque são constantes e t = 5
períodos de planejamento, obteve-se um custo mínimo total de produção de R$ 3758,09,
o que sugere adiantar a produção de cadeiras, x
21= 15, gerando estoque, e postergar a
produção de mesas, x
14= 10. Neste caso, comparando-se o custo desta produção com o
custo de uma produção que atende a demanda por período, a solução ótima proporciona
uma economia de R$70,91 (supondo que a demanda e os preços sejam constantes).
Para o segundo programa de planejamento da produção, o custo mínimo para o
planejamento de 1 período é de R$1856,85 e as variáveis de decisão obtidas são:
x
11=10, x
21=20, y
11=3,3824, atendendo à demanda, Para t = 2 períodos de planejamento,
a solução ótima indica que o custo mínimo de produção para o período é R$3713,71,09
e as variáveis de decisão são: x
12=20, x
22=40, y
11=6,77 , sugerindo que a produção seja
feita no segundo período. Já para t = 5 períodos, a solução ótima indica custo mínimo de
R$9284,27 e as variáveis de decisão obtidas são: x
13=50, x
24=100, y
12=16,91. Portanto, a
solução ótima sugere o adiantamento da produção de mesas para o terceiro período e de
cadeiras para o quarto período, gerando estoque para os períodos seguintes. Conforme
descrito no primeiro programa de produção, na prática, pode ser aplicada uma estratégia
de arredondamento das variáveis fracionárias para que assumam valores inteiros
(MIYAZAWA, 2015). Desta forma, uma solução viável é: y
11=7 placas a serem
cortadas no padrão 1 no período 1 e y
12=17 placas no padrão 1 no período 2.
Uma produção que atende a demanda por período, produzindo-se 10 mesas e 20
cadeiras em cada período, tem custo total de produção de R$1931,21 por período.
Supondo demanda e preços constantes, o modelo combinado proporciona economia de
R$74,36 por período. Ao considerar t = 5 períodos, a solução ótima então proporciona
lucro de R$ 371,80 ao compara-la à uma produção que não considera a antecipação de
produtos finais e os custos de estoque.
Após a execução dos dois estudos de caso, foi feita a Análise de Sensibilidade
dos parâmetros e das constantes dos modelos. Essa análise busca verificar os efeitos
causados ao Problema de Programação Linear, devido às possíveis variações dos
valores dos coeficientes das variáveis, tanto na função objetivo como nas constantes das
restrições. No primeiro estudo de caso, o coeficiente da variável x
21é 80 (custo de
produção do item ―cadeira‖ no primeiro período). Se tal custo aumentar em 1 unidade,
multiplicando-se pela solução ótima, tem-se que a o valor da função objetivo aumentará
em R$1215,00., ou seja, a função objetivo final será R$4973,09.
No segundo estudo de
caso, o valor da função objetivo é R$9284,272; o coeficiente da variável x
13é 60 e, de
acordo com a sensibilidade, este valor pode ser aumentar até 77,9 para que as variáveis
básicas permaneçam na base. Como o valor ótimo desta variável é 50, logo a função
objetivo final será 9284.272 + 3895 = 13179.272. É importante lembrar que a Análise
de sensibilidade é extensiva para qualquer variável de decisão.
A partir destes resultados, pode-se concluir que a aplicação do Problema
Combinado em conjunto com o Método Simplex no estudo da fábrica de móveis é
eficiente, uma vez que fornece o custo mínimo, sugerindo a antecipação da produção de
alguns itens, proporcionando economia em relação a uma produção que atende a
demanda por período.
4 Considerações finais
Este trabalho apresentou estudos de caso do Problema Combinado, que envolve
conjuntamente dois importantes problemas de otimização linear: corte de estoque e
dimensionamento de lotes. Tratá-los de forma separada pode elevar os custos globais
de produção, principalmente se uma parcela significativa do custo do produto final é
formada pelo material a ser cortado. Apesar da sua combinação ser ainda pouco
explorada na literatura, a constatação de sua relevância em diversas situações o elege
como um importante problema a ser pesquisado.
Os estudos de caso apresentados, os quais levam em consideração o estudo do
Problema Combinado, mostrou-se eficiente, destacando a importância desse tipo de
modelo na área de produção.
Como perspectivas de continuidade deste trabalho, pretende-se variar a demanda
e os preços, para ter perspectivas de estoque, além de fazer comparações com outros
estudos de casos reais e suas respectivas análises de sensibilidade; e, ainda, comparar
soluções ótimas obtidas a partir de outros tipos de softwares.
Referências
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da Produção. Tese de Doutorado, Densis- Unicamp, 2001.
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Filho, N.; Pereira, M. V. F. Programação Linear. Atlas, São Paulo,1980.
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2007.Russomano, V. H. Planejamento e Controle da Produção. Pioneira, São Paulo, 2000.
Tubino, D. F. Planejamento e Controle da Produção: Teoria e Prática. Atlas, São
Paulo, 2007.
An´
alise de estabilidade para um modelo de
respira¸c˜
ao humana
∗
Resumo
Descreveremos um modelo simples para o mecanismo de respira¸c˜ao humana atrav´es de um sistema de equa¸c˜oes diferenciais com retardamento e buscaremos por condi¸c˜oes que garantam a estabilidade do ponto de equil´ıbrio do sistema, possi-bilitando realizar significativa preven¸c˜ao de irregularidades na respira¸c˜ao humana.
Palavras Chave: sistema respirat´orio, retardamento, estabilidade.
Introdu¸
c˜
ao
Apresentaremos neste trabalho um sistema de equa¸c˜oes com retardamento o qual descreve um modelo sobre o mecanismo de controle respirat´orio em humanos e pretendemos estudar as condi¸c˜oes de estabilidade e instabilidade do ponto de equil´ıbrio do sistema.
Entendemos que o mecanismo de produ¸c˜ao de padr˜oes inst´aveis de respira¸c˜ao tem potencial significativo na preven¸c˜ao e tratamento de v´arias irregularidades na respira¸c˜ao humana, como por exemplo apneia do sono, SIDS, etc.
O objetivo deste trabalho ´e fornecer uma an´alise de estabilidade para um modelo simplificado do sistema respirat´orio. Este artigo foi baseado principalmente no estudo que realizamos sobre a referˆencia [2].
1
Modelo respirat´
orio
Segundo a referˆencia [2], o controlador responde `as entradas dos quimiorrecepto-res centrais e perif´ericos. “Um quimiorreceptor ´e um receptor que responde a uma altera¸c˜ao na composi¸c˜ao qu´ımica do sangue, ou outro fluido em torno de si”, veja [5]. Os quimiorreceptores respondem `as mudan¸cas na concentra¸c˜ao arterial de CO2
e O2 (PCO2, PO2). O controlador tamb´em ´e influenciado por mudan¸cas no estado,
como sono, insˆonia, etc. A ventila¸c˜ao (W ) juntamente com a concentra¸c˜ao de CO2
e O2 inspirada (PICO2,PIO2), influencia o comportamento do pulm˜ao.
∗Trabalho realizado sob a orienta¸c˜ao da Profa. Dra. Marta Cilene Gadotti.
†Email: [email protected], Curso de Bacharelado em Matem´atica, Bolsista BAAE I,
Uni-versidade Estadual Paulista “J´ulio de Mesquita Filho-Unesp, Cˆampus de Rio Claro.
‡Email: [email protected], Departamento de Matem´atica do IGCE-Unesp, Rio Claro.
________________________________________________________________________
M´
arcia Richtielle da Silva
†Marta Cilene Gadotti
‡Figura 1: Diagrama de controle do sistema respirat´orio
No diagrama apresentado, TD1 representa o retardo no transporte entre o pulm˜ao
e o quimiorreceptor perif´erico e TD2 representa o retardo no transporte entre o
pulm˜ao e os quimiorreceptores centrais. Para maiores detalhes sobre o sistema respirat´orio consulte a referˆencia [1].
Evidˆencias experimentais indicam que o aumento do retardo no transporte da ventila¸c˜ao pode produzir padr˜oes oscilat´orios, que causam padr˜oes anormais de respira¸c˜ao.
Para simplificar o sistema, vamos assumir que o retardo no transporte da ven-tila¸c˜ao seja constante.
A an´alise realizada no Cap´ıtulo 8 da referˆencia [5] explica estes processos biol´ogicos de uma forma mais clara.
Neste artigo, vamos nos concentrar apenas nos quimiorreceptores perif´ericos para estudarmos o controle da respira¸c˜ao, ou seja, iremos omitir a ´area pontilhada na figura acima.
Considere o seguinte sistema n˜ao linear de equa¸c˜oes diferenciais com retarda-mento: d∼x dt = p − αW ∼ x (t − τ ),∼y (t − τ )(∼x (t) − xI) d∼y dt = −σ + βW ∼ x (t − τ ),∼y (t − τ )(yI− ∼ y (t)), (1.0.1)
onde ∼x e ∼y denotam a concentra¸c˜ao arterial(press˜ao arterial) de CO2 e O2,
res-pectivamente; W (., .) ´e a fun¸c˜ao ventila¸c˜ao (que monitora o volume de g´as movido pelo sistema respirat´orio, mudan¸cas de frequˆencias da respira¸c˜ao); τ > 0 representa o retardo no transporte ; xI e yI s˜ao as concentra¸c˜oes de CO2 e O2 inspiradas,
respectivamente; p ´e a taxa de produ¸c˜ao de CO2; σ ´e a taxa de consumo de O2 e
α, β s˜ao constantes positivas referentes `a difus˜ao de CO2 e O2 respectivamente.
Vamos reescrever o sistema (1.0.1) usando novas vari´aveis. Para isso, faremos a seguinte substitui¸c˜ao:
x(t) = a ∼ x (t) − xI e y(t) = b yI− ∼ y (t), onde a e b s˜ao constantes a serem determinadas. Assim,
dx dt = a d∼x dt ⇒ d∼x dt = 1 a dx dt, dy dt = −b d∼y dt ⇒ d∼y dt = − 1 b dy dt. E ainda, x(t) = a∼x (t) − xI ⇒∼x (t) = xI+ 1 ax(t) e y(t) = byI− ∼ y (t)⇒∼y (t) = yI− 1 by(t). Substituindo em (1.0.1), obtemos: dx dt = a d∼x dt = ap − aαW xI+ 1 ax(t − τ ), yI− 1 by(t − τ ) 1 ax(t) , dy dt = −b d∼y dt = bσ − bβW xI+ 1 ax(t − τ ), yI− 1 by(t − τ ) 1 by(t) .
Agora, chamando as constantes a e b por a = 1 p e b =
1
σ e definindo a seguinte fun¸c˜ao
V (x, y) = W (xI+ px, yI− σy),
obtemos as seguintes equa¸c˜oes: dx dt = 1 − αV (x(t − τ ), y(t − τ ))x(t), dy dt = 1 − βV (x(t − τ ), y(t − τ ))y(t). (1.0.2)
2
An´
alise de estabilidade
Vamos considerar o sistema de equa¸c˜oes diferenciais (1.0.2) e investigar quest˜oes sobre existˆencia, unicidade e estabilidade do ponto de equil´ıbrio. Parece ser biolo-gicamente real´ıstico assumir W (u, v) como uma fun¸c˜ao crescente em u e como uma fun¸c˜ao decrescente em v, para u > xI e v < yI, ver referˆencia [6]. Portanto, vamos
assumir as seguintes condi¸c˜oes sobre a fun¸c˜ao V :
(H1) V (x, y) ´e uma fun¸c˜ao diferenci´avel, com V (0, 0) = W (xI, yI) = 0 e
(H2) ∂V (x, y) ∂x > 0,
∂V (x, y)
∂y > 0, x > 0, y > 0. Note que x > 0 e y > 0 correspondem a ∼x> xI e
∼
y< yI nas vari´aveis originais.
Para estudarmos a estabilidade do equil´ıbrio ´e preciso estabelecer alguns resultados preliminares.
Teorema 1 Suponha as hip´oteses (H1) e (H2) . Ent˜ao existe um ´unico ponto de equil´ıbrio positivo do sistema (1.0.2).
Prova: Um ponto de equil´ıbrio (x, y) de (1.0.2) se existir, deve satisfazer: dx dt = 0 e dy dt = 0, com x 6= 0 e y 6= 0. Ou seja, 1 − αV (x, y)x = 0 ⇒ αV (x, y)x = 1 ⇒ V (x, y) = 1 αx, 1 − βV (x, y)y = 0 ⇒ V (x, y) = 1 βy. Segue que 1 αx = 1 βy ⇔ βy = αx ⇔ x = βy α . Note que βV βy α , y = 1 y. (2.0.3) Como V (0, 0) = 0 e V βy α , y
´e crescente em ¯y, existe uma ´unica solu¸c˜ao positiva y de (2.0.3), devido ao Teorema do Valor Intermedi´ario. Observe tamb´em que αV (x, y) = αV βy α , y = α βy = 1
x, ou seja, encontrado y, existe ´unico x dado por x = βy
α .
Portanto, (x, y) ´e o ´unico ponto de equil´ıbrio de (1.0.2), com x > 0 e y > 0.
Vamos investigar agora a estabilidade assint´otica do ponto de equil´ıbrio do sis-tema (1.0.2), considerando as hip´oteses (H1) e (H2).
Chamando ξ(t) = x(t) − x, η(t) = y(t) − y em (1.0.2) e ˜ W (x, y) = 1 − αV (x(t − τ ), y(t − τ ))x(t) 1 − βV (x(t − τ ), y(t − τ ))y(t) ,
e usando a F´ormula de Taylor para aproximar ˜W em torno do ponto de equil´ıbrio (x, y), obtemos o sistema linearizado de (1.0.2):
dξ dt = −αV ξ(t) − αxVxξ(t − τ ) − αxVyη(t − τ ), dη dt = −βV η(t) − βyVxξ(t − τ ) − βyVyη(t − τ ), (2.0.4)
em que V = V (x, y), Vx = Vx(x, y) e Vy = Vy(x, y) s˜ao constantes.
Podemos reescrever (2.0.4) da seguinte forma: d dt ξ(t) η(t) + A ξ(t) η(t) + B ξ(t − τ ) η(t − τ ) = 0 0 , com A = αV 0 0 βV e B = αxVx αxVy βyVx βyVy .
Para construirmos a equa¸c˜ao caracter´ıstica usaremos os resultados de [3]. Assim,
∆(λ, τ ) = detλI + A + Be−τ λ= 0. Logo, det λ + αV + αxVxe−τ λ αxVye−τ λ βyVxe−τ λ λ + βV + βyVye−τ λ = 0 ⇒ λ + αV + αxVxe−τ λ λ + βV + βyVye−τ λ − αβxyVxVye−τ λ = 0 ⇒ λ2+ λ(α + β)V + αβV2+ (βyVy+ αxVx)λ + αβV (yVy+ xVx) e−τ λ = 0.
Agora, denotemos por:
P (λ) = λ2+ λ(α + β)V + αβV2 e
Q(λ) = (αxVx+ βyVy)λ + αβV (xVx+ yVy).
Logo,
∆(λ, τ ) = detλI + A + Be−τ λ= P (λ) + Q(λ)e−τ λ = 0. (2.0.5) Notemos que quando τ = 0 em (1.0.2), temos uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria e neste caso podemos utilizar os resultados referentes `a teoria de estabilidade para este tipo de equa¸c˜ao.
Fazendo τ = 0 na equa¸c˜ao acima, obtemos:
∆(λ, 0) = λ2+ λ(αV + βV + αxVx+ βyVy) + αβ(V 2
yV Vy+ xV Vx) = 0.
Por causa das hip´oteses (H1) e (H2), os coeficientes desta equa¸c˜ao s˜ao positivos e, portanto, as ra´ızes tˆem parte real negativa.
Para τ = 0, segue da teoria de estabilidade para equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias que o ponto de equil´ıbrio (x, y) ´e assintoticamente est´avel.
Para a an´alise de estabilidade em que τ > 0, vamos precisar do resultado abaixo. Lema 2 Se V ≥ xVx+yVy, ent˜ao ∆(iω, τ ) 6= 0, ∀ω ∈ R, ∀τ ≥ 0. Se V < xVx+yVy,
ent˜ao existe um ´unico par ω0, τ0, com ω0 ≥ 0, τ0 ≥ 0, ω0τ0 < 2π de modo que
∆(iω0, τ0) = 0.
Prova: Primeiramente, note que ∆(0, τ ) = αβ(V2+ yV Vy + xV Vx) 6= 0, pois
α, β 6= 0, V 6= 0, (x, y) 6= (0, 0) e Vx, Vy > 0. Portanto, λ = 0 n˜ao ´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao caracter´ıstica. Al´em disso, |P (iω)|2 = −ω2+ αβV2 2 + αV ω + βV ω2= ω4+ α2V2+ β2V2 ω2+ α2β2V4 e |Q(iω)|2 = βyVy+ αxVx 2 ω2+ α2β2V2 yVy+ xVx 2 . Assim, |P (iω)|2− |Q(iω)|2 = ω4+ k1ω2+ k2, onde k1= V 2 α2+ β2 − βyVy+ αxVx 2 e k2 = α2β2V 2 V2− yVy+ xVx 2 . ________________________________________________________________________
Agora, se V ≥ xVx+ yVy ent˜ao V 2 ≥ xVx+ yVy 2 ⇒ V2− xVx+ yVy 2 ≥ 0 e como α2β2V2≥ 0, segue que k2 ≥ 0.
Note tamb´em que: V2 ≥ xVx+ yVy 2 ⇒ (α2+ β2)V2 ≥ (α2+ β2) xVx+ yVy 2 = = α2x2Vx 2 + 2α2x yVx Vy+ α2y2Vy 2 + β2x2Vx 2 + 2β2x yVx Vy+ β2y2Vy 2 + + 2αβx yVx Vy− 2αβx yVx Vy = 2α2x yVx Vy+ 2β2x yVx Vy+ αxVx+ βyVy 2 + + αyVy− βxVx 2 > αxVx+ βyVy 2 . Portanto, (α2+ β2)V2 > αxVx+ βyVy 2
, o que implica k1 > 0. Assim,
|P (iω)|2− |Q(iω)|2 > 0, ∀ω ∈ R∗. (2.0.6) Suponhamos por contradi¸c˜ao que ω seja raiz de ∆(iω, τ ) = 0. Ou seja,
P (iω) + Q(iω)e−iωτ = 0 ⇒ P (iω) = −Q(iω)e−iωτ ⇒ |P (iω)|2= |Q(iω)|2|e−iωτ|2⇒
|P (iω)|2 = |Q(iω)|2 ⇒ |P (iω)|2− |Q(iω)|2 = 0, contradizendo (2.0.6). Portanto, ∆(iω, τ ) 6= 0, ∀ω ∈ R∗, τ ≥ 0, o que conclui a primeira parte do lema.
Agora suponha que V < xVx+ yVy. Ent˜ao,
V2− xVx+ yVy 2 < 0 e α2β2V2> 0 ⇒ k2= α2β2V 2 V2− xVx+ yVy 2 < 0. Seja v = ω2, tem-se ent˜ao |P (iω)|2− |Q(iω)|2 = v2+ k
1v + k2. Defina G(v) =
v2+ k
1v + k2. Como k2 < 0, G(v) = 0 tem uma ´unica raiz n˜ao negativa dada por
v0 = 1 2 −k1+ q k21− 4k2 > 0. Consequentemente, v0 = ω02 ⇒ ω0 = + √
v0 > 0. Portanto, existe uma ´unica
raiz w0 tal que |P (iω0)|2− |Q(iω0)|2 = 0 e para este w0, podemos determinar τ0 de
modo que τ0w0= 2π. O que completa a prova do lema.
Observa¸c˜ao 3 Se V < xVx + yVy, ent˜ao pelo Lema 2, temos ∆(iω, τ ) = 0, ω ∈
R, τ ≥ 0 se, e somente se,
ω = ±ω0, τ = τn def = τ0+ 2nπ ω0 , n = 0, 1, 2, · · · , (2.0.7) em que ω0> 0 e τ0 ≥ 0 s˜ao obtidos na prova do Lema 2.
Para concluir a an´alise, vamos utilizar o resultado a seguir, cuja prova pode ser encontrada em [4].
Teorema 4 Considere a equa¸c˜ao (2.0.5), onde P e Q s˜ao fun¸c˜oes anal´ıticas no semiplano Re(z) > −δ, com δ > 0. As seguintes condi¸c˜oes s˜ao satisfeitas:
(i) P (z) e Q(z) n˜ao tem parte imagin´aria nula;
(ii) P (−iy) = P (iy), Q(−iy) = Q(iy), para y ∈ R; (iii) P (0) + Q(0) 6= 0;
(iv) Existe no m´aximo um n´umero finito de ra´ızes de (2.0.5) no semiplano Re(z) > −δ, quando τ = 0;
(v) F (y) ≡ |P (iy)|2 − |Q(iy)|2, para y ∈ R, tendo no m´aximo um n´umero finito
de ra´ızes reais.
Sob essas condi¸c˜oes, as seguintes afirma¸c˜oes s˜ao verdadeiras:
(a) Suponha que a equa¸c˜ao F (y) = 0 n˜ao tenha ra´ızes positivas. Ent˜ao se (2.0.5) ´
e est´avel em τ = 0, ela permanece est´avel para todo τ ≥ 0. Enquanto que, se for inst´avel em τ = 0, permanece inst´avel para todo τ ≥ 0.
(b) Suponha que a equa¸c˜ao F (y) = 0 tenha pelo menos uma raiz positiva e que cada raiz positiva seja simples. Ent˜ao, conforme τ cresce, trocas de estabilidade podem ocorrer e existe um n´umero positivo τ∗ tal que a equa¸c˜ao (2.0.5) ´e inst´avel para todo τ > τ∗ e, conforme τ varia de 0 a τ∗, no m´aximo um n´umero finito de trocas de estabilidade pode ocorrer.
Mostremos agora que, sob certas condi¸c˜oes, o ponto de equil´ıbrio (¯x, ¯y) do sis-tema ´e assintoticamente est´avel.
Teorema 5 Se V ≥ xVx+yVy, ent˜ao o ponto de equil´ıbrio (x, y) ´e assintoticamente
est´avel para todo retardo τ ≥ 0.
Prova: Note que
∆(λ, 0) = λ2+ λ(αV + βV + αxVx+ βyVy) + αβ(V 2 + xV Vx+ yV Vy). Se chamarmos A = αV + βV + αxVx+ βyVy > 0 e B = αβ(V 2 + xV Vx+ yV Vy) > 0, podemos escrever λ2+ Aλ + B = 0.
Para λ = u + iv e igualando partes real e imagin´aria, temos
u2− v2+ Au + B = 0
2uv + vA = 0
Da ´ultima equa¸c˜ao segue que v = 0 ou u = −A
2 < 0. Se v = 0 ⇒ u
2+ Au + B = 0
o que implica u = −A±
√ A2−4B
2 < 0.
Logo, todas as ra´ızes da equa¸c˜ao tem partes reais negativas, ent˜ao para τ = 0 o equil´ıbrio ´e est´avel. Agora, vamos aplicar o Teorema 4, item (v)(a). Primeiro, vejamos se todas as condi¸c˜oes exigidas est˜ao satisfeitas. De fato,
(i) Segue do Lema 2 que P e Q n˜ao tˆem ra´ızes imagin´arias comuns; (ii) P (−iω) = −ω2− (α + β)V iω + αβV2= P (iω), ´e f´acil ver que
Q(−iω) = Q(iω);
(iii) P (0) + Q(0) = αβV (V + (xVx+ yV Vy)) 6= 0;
(iv) Quando τ = 0, P (λ) + Q(λ) = 0 s´o admite um n´umero finito de ra´ızes no semiplano considerado;
(v) F (ω) = |P (iω)|2 − |Q(iω)|2, ´e um polinˆomio em ω e, portanto, possui um
n´umero finito de zeros reais.
Segue do Teorema 4 que o equil´ıbrio ´e est´avel para todo τ > 0.
Lema 6 Considere τn e ω0 descritos na Observa¸c˜ao 3, tem-se:
Re iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e −iω0τn ! > 0, n = 0, 1, 2, .... Prova: Sejam a1= (α+β)V , a2 = αβV 2 , b1 = αxVx+βyVy, b2= αβV xVx+ yVy, ent˜ao ∆(λ, τ ) = λ2+ a1λ + a2+ (b1λ + b2)e−τ λ.
Derivando ∆(λ, τ ) com rela¸c˜ao a λ, temos ∂∆(λ, τ )
∂λ = 2λ + a1+ b1e
−τ λ+ (b
1λ + b2)e−τ λ(−τ ).
Fazendo agora λ = iω0 e τ = τn, obtemos
∂∆(iω0, τn) ∂λ = 2iω0+ a1+ b1e −iω0τn− τ nQ(iω0)e−iω0τn. Ent˜ao, iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e −iω0τn =
iω0 −2iω0+ a1+ b1eiω0τn− τnQ(iω0)eiω0τn Q(iω0)e−iω0τn =
iω0(−2iω0+ a1)Q(iω0)e−iω0τn+ iω0b1Q(iω0)eiω0τne−iω0τn− iτnω0QQe−iω0τneiω0τn =
iω0(−2iω0+ a1)Q(iω0)e−iω0τn+ iω0b1Q(iω0) − iτnω0|Q(iω0)|2 =
− iω0(−2iω0+ a1)P (iω0) + iω0b1Q(iω0) − iτnω0|Q(iω0)|2 =
− iω0(−2iω0+ a1)(−ω02+ ia1ω0+ a2) + iω0b1(ib1ω0+ b2) − iτnω0|Q(iω0)|2 =
2ω04− 2a2ω20+ a21ω02− b21ω20+ i 2a1ω30+ a1ω03+ a1a2ω0+ b1b2ω0− τn|Q(iω0)|2ω0 . Assim, Re iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e −iω0τn ! = 2ω04− 2a2ω20+ a21ω02− b2 1ω02 = = 2ω20 ω02+1 2(a 2 1− b21− 2a2) . Do Lema 2 segue que
a21− b21− 2a2= (α + β)2V 2 − (αxVx+ βyVy)2− 2αβV 2 = = (α2+ β2)V2− (αxVx+ βyVy)2= k1, Logo, Re iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e −iω0τn ! = 2ω20 ω02+1 2k1 .
Sabemos, do Lema 2, que w0 =
√ v0. Ent˜ao, 2v0 v0+ 1 2k1 > 0, pois v0 > 0 e k________________________________________________________________________1> 0.
Portanto, Re iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e −iω0τn ! > 0, ∀n = 0, 1, 2, ....
Corol´ario 7 Se V < xVx+ yVy. Sejam ω0, τn, n = 0, 1, ... definidos como no Lema
2 e valem as equa¸c˜oes (2.0.7). Ent˜ao, para cada τn, existe uma vizinhan¸ca In⊂ R
de τn e uma fun¸c˜ao continuamente diferenci´avel λn: In→ C tais que
i) λn(τn) = iω0, ii) ∆(λn(τ ), τ ) = 0, com τ ∈ In; iii) Re dλn(τ ) dτ τ =τn ! > 0.
Prova: Do Lema 6, sabemos que ∂∆(iω0, τn)
∂λ 6= 0, n = 0, 1, 2, ... e ∆(iω0, τn) = 0. Pelo Teorema da Fun¸c˜ao Impl´ıcita, existem uma vizinhan¸ca In⊂ R de τn e uma
fun¸c˜ao λn: In→ C continuamente diferenci´avel, satisfazendo:
i) λn(τn) = iω0;
ii) ∆(λn(τ ), τ ) = ∆(iω0, τ ) = 0, ∀τ ∈ In.
Para mostrarmos iii), basta derivar a equa¸c˜ao em ii) e aplicar em τ = τn:
∂∆(iλ, τ ) ∂λ dλ(τ ) dτ + ∂∆(iω0, τ ) dτ τ =τn = ∂∆(iω0, τn) ∂λ dλn(τ ) dτ −iω0Q(iω0)e −iω0τn = 0 ⇒ dλn(τ ) dτ τ =τ n = iω0Q(iω0)e −iω0τn ∂∆(iω0, τn) ∂λ ∂∆(iω0, τn) ∂λ ∂∆(iω0, τn) ∂λ = iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e−iω0τn ∂∆(iω0, τn) ∂λ 2 . Logo, Re iω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e−iω0τn ∂∆(iω0, τn) ∂λ 2 = 1 ∂∆(iω0, τn) ∂λ 2Re ω0 ∂∆(iω0, τn) ∂λ Q(iω0)e−iω0τn ! > 0, ________________________________________________________________________
pelo Lema 6. O que conclui a prova.
Teorema 8 Suponha V < xVx+ yVy e τ0 definido no Lema 2. Ent˜ao o ponto de
equil´ıbrio (x, y) ´e assintoticamente est´avel se 0 ≤ τ < τ0 e inst´avel se τ > τ0.
Prova: No caso τ = 0 j´a vimos que a equa¸c˜ao caracter´ıstica ∆(λ, 0) tem todas as ra´ızes com parte real negativa. O que implica que o ponto de equil´ıbrio (x, y) ´e assintoticamente est´avel.
Pelo Lema 2, existe um ´unico par de ra´ızes positivas τ0, ω0 da equa¸c˜ao
carac-ter´ıstica ∆(iω0, τ0). E pelo Teorema 4, (v)(b), da referˆencia [4], se existir τ0 ≥ 0 tal
que P (iω0) + Q(iω0)e−iω0τn = 0, ent˜ao a solu¸c˜ao ´e inst´avel para τ > τ0.
Desse modo, quando τ varia de 0 at´e τ0 podem ocorrer um n´umero finito de
trocas de estabilidade. Pelo fato de τ0 ser o primeiro instante onde ocorre uma
raiz imagin´aria, pela continuidade da fun¸c˜ao λ = λ(τ ), todas as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica tem parte real negativa. O que implica na estabilidade assint´otica para 0 ≤ τ < τ0.
3
Conclus˜
ao
Estes resultados indicam que se o transporte do retardo do sistema for maior que τ0, ent˜ao pode-se esperar manifesta¸c˜ao de irregularidades do sistema respirat´orio
(respira¸c˜ao peri´odica, apneia do sono, SIDS, etc) j´a que teremos instabilidade. O que podemos concluir ent˜ao ´e que a partir do estudo da fun¸c˜ao ventila¸c˜ao e trabalhando com as equa¸c˜oes diferenciais com retardamento, que modelam este tipo de problema, foi poss´ıvel caracterizar a regularidade ou n˜ao da respira¸c˜ao humana.
Referˆ
encias
[1] Carley, D.W.: Minimal modeling of human respiratory stability. In: Modeling and Parameter Estimation in Respiratory Control, Khoo, M.C.K.(ed.). Plenum Press: New York, 171-180 (1989).
[2] Cooke, L. Kenneth, Turi, Janos: Stability, instability in delay equations mo-deling human respiration,Journal of Mathematical Biology, 1994
[3] Bellman, R., Cooke, K. L.: Differential-Difference Equations. New York: Aca-demic Press 1963
[4] Cooke, K.L., Driessche, P. van den: On zeroes of some transcendental equati-ons. Funkcialaj Ekvacioj 29, 77-90(1986)
[5] WEST, John Burnard. Fisiologia respirat´oria: princ´ıpios b´asicos. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
[6] Khoo, M.C.K.,Kronauer, R. E., Strohl, K.P., Slutsky, A.S.: Factors inducing periodic breathing in humans: a general model. J.Appl. Physi. 53, 664-659, (1982).
An´
alise qualitativa de modelos atrav´es de
e
∗
Ot´avio Henrique Perez
†Resumo
Neste artigo iremos utilizar a Teoria de Sistemas Dinˆamicos para modelar, usando
Equa¸c˜oes Diferenciais, problemas f´ısicos, qu´ımicos e biol´ogicos. Vamos analisar tais
pro-blemas atrav´es dos retratos de fase, que nos trazem informa¸c˜oes importantes a respeito
do sistema modelado. Assim, podemos fazer uma an´alise qualitativa e estudar o
compor-tamento futuro e passado de fenˆomenos das mais diversas ´areas da ciˆencia. Um ponto
interessante a ser destacado ´e que, mesmo se n˜ao for poss´ıvel resolver a Equa¸c˜ao
Diferen-cial obtida a partir da modelagem do problema, podemos analisar o fenˆomeno utilizando retratos de fase.
Palavras Chave: Sistemas de equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias, campos de vetores,
re-tratos de fase, modelagem.
∗Trabalho realizado durante est´agio de inicia¸c˜ao cient´ıfica financiado pela FAPESP (processo n´umero 2013/09624-7)
†Emails: [email protected] e [email protected]
retratos de fas
________________________________________________________________________
Introdu¸
c˜
ao
´E bem difundida a id´eia que Equa¸c˜oes Diferenciais modelam os mais variados
proble-mas em diversas ´areas do conhecimento, como: F´ısica, Qu´ımica, Engenharias, Biologia,
Medicina, Meteorologia, entre outros. Aqui abordaremos algumas dessas aplica¸c˜oes e
bus-caremos obter informa¸c˜oes topologicas a respeito das trajet´orias dos campos de vetores
usados para modelar determinados sistemas. Conforme descrito a seguir, utilizaremos a
Teoria Qualitativa das Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias para analisar modelos reais em
um sistema Massa-Mola, um circuito LRC, um modelo Presa-Predador, entre outros.
1
Sistema Massa-Mola:
Movimento Livre N˜
ao
Amortecido
Vamos supor que uma massa m seja conectada a uma mola flex´ıvel que est´a suspensa
verticalmente. Segundo [3], a distens˜ao da mola depender´a da massa, ou seja, quanto
maior o peso, maior ser´a a elonga¸c˜ao da mola. Pela Lei de Hooke, a mola exerce uma
for¸ca restauradora F oposta `a dire¸c˜ao da disten¸c˜ao e ao mesmo tempo proporcional ao
comprimento s da disten¸c˜ao, ou seja, F = ks, onde k ´e a constante de proporcionalidade
(tamb´em chamada de constante da mola).
Ap´os a massa m ser conectada e ter distendido a mola, ela atinge sua posi¸c˜ao de
equil´ıbrio, onde a for¸ca peso P = mg ´e igual `a for¸ca restauradora f , ou seja, mg = ks.
Al´em disso, se a mola for distendida por um comprimento x de sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio,
a for¸ca restauradora ser´a dada por F = k(s + x), conforme mostra Figura 1. Supondo
que nenhuma for¸ca esteja agindo sobre o sistema, podemos afirmar que a for¸ca resultante
Figura 1: Sistema Massa-Mola
ser´a a soma entre a for¸ca restauradora e a for¸ca peso, ou seja:
Fr= F + P ⇒ ma = −k(s + x) + mg ⇒ m
d2x
dt2 = −ks − kx + mg ⇒ m
d2x
dt2 = −kx.
Vale destacar que o sinal negativo que acompanha k se deve pelo fato de que a for¸ca
restauradora est´a agindo no sentido oposto ao movimento da mola. Dividindo a ´ultima
equa¸c˜ao por m e tomando k
m = ω
2, temos:
d2x
dt2 + ω
2x= 0. (1)
A equa¸c˜ao (1) ´e chamada de Equa¸c˜ao Diferencial do Movimento Livre N˜ao
Amortecido. Al´em disso, as condi¸c˜oes iniciais x(t) = x0 e x′(t) = x1 deste sistema
representam, respectivamente, posi¸c˜ao e velocidades iniciais. ´E importante frisar que, se
x0 > 0, a posi¸c˜ao inicial da mola est´a abaixo da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, e se x0 < 0, a
posi¸c˜ao inicial da mola est´a acima da posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Analogamente, x1 >0 indica
que a velocidade inicial est´a direcionada para baixo, enquanto x1<0 indica que a massa
est´a com a velocidade direcionada para cima. Se x1 = 0, dizemos que a massa partiu do
repouso.
Para analisarmos o comportamento da mola utilizando retratos de fase, precisamos
encontrar um sistema matricial que seja equivalente `a equa¸c˜ao (1). Para tal, tomaremos:
u = x, v = x′.
Assim, segue que nosso sistema ser´a
u′ = v, v′ = −ω2u. (2)
O sistema (2) pode ser escrito na forma matricial como:
X(u, v) = u′ v′ = 0 1 −ω2 0 u v .
Calculando o polinˆomio caracter´ıstico, temos:
−m 1 −ω2 −m = m2+ ω2. (3)
O polinˆomio caracter´ıstico (3) ´e chamado de Equa¸c˜ao Auxiliar e suas ra´ızes s˜ao
m1 = ωi e m2 = −ωi. Como obtemos duas ra´ızes complexas com parte real nula, segue
que as trajet´orias no retrato de fase ser˜ao elipses.
A solu¸c˜ao da Equa¸c˜ao Diferencial (de agora em diante abreviada por ED) (1) ´e dada
por x(t) = c1cos ωt + c2sen ωt e, sendo assim, o gr´afico de x(t) ´e peri´odico. Al´em disso, o
per´ıodo T da fun¸c˜ao pode ser calculado por T = 2π
ω e a frequˆencia f pode ser calculada
por f = 1
T =
ω
2π. A amplitude A das vibra¸c˜oes pode ser calculada por A =pc
2
1+ c22, ou
seja, o pontos de pico e de m´ınimo de x(t) s˜ao, respectivamente, A e −A. ´E importante
destacar que A representa a distˆancia m´axima que a mola vai atingir abaixo da posi¸c˜ao de
equil´ıbrio, e −A a distˆancia m´axima que a mola ir´a atingir acima da posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Para que isso possa ficar mais claro, vamos analisar o seguinte exemplo: