UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia

Dissertação

VACINA TERAPÊUTICA: AVALIAÇÃO DE Mycobacterium bovis BCG RECOMBINANTE PARA IMUNOTERAPIA DE CÂNCER SUPERFICIAL DE

BEXIGA

KARINE RECH BEGNINI

Pelotas, 2012

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KARINE RECH BEGNINI

VACINA TERAPÊUTICA: AVALIAÇÃO DE Mycobacterium bovis

BCG RECOMBINANTE PARA IMUNOTERAPIA DE CÂNCER

SUPERFICIAL DE BEXIGA

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências (área do conhecimento: Biotecnologia).

Orientadora: Prof.ª Fabiana Kömmling Seixas, Dra.

Comissão de Orientação: Prof. João Carlos Deschamps, PhD. Prof. Odir Antônio Dellagostin, Dr.

Prof. Tiago Collares, Dr.

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Dados de catalogação na fonte: Ubirajara Buddin Cruz – CRB 10/901 Biblioteca de Ciência & Tecnologia - UFPel

B417v Begnini, Karine Rech

Vacina terapêutica: avaliação de Mycobacterium bovis bcg recombinante para imunoterapia de câncer superficial de bexiga / Karine Rech Begnini. – 60f. : gráf. – Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia. Universidade Federal de Pelotas. Centro de Desenvolvimento Tecnológico, 2012. – Orientador Fabiana Kömmling Seixas ; co-orientador João Carlos Deschamps, Odir Antônio Dellagostin, Tiago Collares.

1.Biotecnologia. 2.Bacillus Calmette-Guérin. 3.BCG recombinante. 4.Câncer superficial de bexiga. 5.Atividade antitumoral. 6.Imunoterapia. I.Seixas, Fabiana Kömmling. II.Deschamps, João Carlos. III.Dellagostin, Odir Antônio. IV.Collares, Tiago. V.Título.

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Banca examinadora:

Prof.ª Fabiana Kömmling Seixas, Universidade Federal de Pelotas Prof. Alan McBride, Universidade Federal de Pelotas

Prof.ª Sandra Beatriz Chaves Tarquínio, Universidade Federal de Pelotas Prof.ª Sibele Borsuk, Universidade Federal de Pelotas

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AGRADECIMENTOS

À Universidade Federal de Pelotas pela oportunidade de realizar um curso de Pós-Graduação de qualidade

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão da bolsa de estudos.

A minha orientadora, Dra. Fabiana K. Seixas, pela confiança e experiência, pelo comprometimento, carinho e incentivo dispensados na realização deste trabalho, o qual contribuiu para meu amadurecimento e formação profissional.

Aos meus amados pais Henrique e Eliana, pela educação que me foi dada, pelo apoio, por acreditarem em meus sonhos e tornar sua realização possível. Eles são os grandes responsáveis pela minha formação pessoal.

Aos meus irmãos Guilherme e Eduardo, companheiros de todas as horas, agradeço pelo carinho e apoio, mesmo que muitas vezes à distância.

Ao meu namorado e amigo Guilherme Reissig, pelo carinho nos momentos de dúvida, pelo amor e companheirismo nos momentos de conquistas e perdas, e pela compreensão durante minhas ausências.

A toda a grande família GPO, pelos sempre divertidos momentos vividos no laboratório e nas rodas de café.

Às queridas companheiras e amigas de cultivo celular Virgínia, Eduarda e Priscila pelo companheirismo durante as muitas idas extras ao campus, pela ajuda na execução dos experimentos, pela divisão dos problemas e por tornar os dias de trabalho mais divertidos.

Às colegas e amigas Carolize Rizzi e Karen Leal, por toda a paciência e ensinamentos.

Aos colegas, estagiários e amigos do Centro de Biotecnologia, pela amizade e convívio agradável.

A todos que de uma forma ou outra auxiliaram no desenvolvimento desta dissertação, fazendo parte de mais uma etapa de minha vida.

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RESUMO

BEGNINI, Karine Rech. Vacina terapêutica: avaliação de Mycobacterium bovis BCG

recombinante para imunoterapia de câncer superficial de bexiga. 2012. 60fs.

Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.

O Bacilo Calmette-Guérin (BCG) constitui uma das grandes histórias de sucesso da imunoterapia como tratamento para carcinoma superficial da bexiga. Porém, a alta incidência de efeitos colaterais locais e a ocorrência de tumores resistentes ao tratamento têm impulsionado estudos visando melhorias da vacina terapêutica. Neste trabalho, propusemos que uma cepa auxotrófica de BCG superexpressando o antígeno Ag85B (BCG ΔleuD/Ag85B), é capaz de aumentar a citotoxicidade na linhagem celular humana de carcinoma superficial de bexiga (5637). A cepa de BCG recombinante foi gerada através da incorporação da sequencia do antígeno Ag85B em um plasmídeo de expressão micobacteriano na cepa de BCG ΔleuD. O efeito inibitório do BCGΔleuD/Ag85B em células 5637 foi determinada através das técnicas colorimétricas MTT e LIVE/DEAD, além de observação morfológica. Os perfis de expressão gênica para genes apoptóticos, genes relacionados ao ciclo celular e genes de estresse oxidativo foram avaliados por qRT-PCR. Os níveis protéicos de bax, bcl-2 e p53 foram avaliados por western blot. O BCG ΔleuD/Ag85B revelou citotoxicidade superior às cepas utilizadas como controle neste estudo. Os resultados obtidos demonstram níveis superiores de expressão de genes pró-apoptóticos e de genes relacionados com o ciclo celular após tratamento com BCG ΔleuD/Ag85B. Níveis inferiores de mRNA de genes antiapoptóticos foram detectados após o mesmo tratamento. Ainda, o tratamento com BCG ΔleuD/Ag85B também elevou os níveis de mRNA de enzimas antioxidantes em linhagem de células de câncer superficial de bexiga. As proteínas Bax e p53 mostraram-se elevadas após tratamento com BCG ΔleuD/Ag85B. Em conclusão, estes resultados sugerem que a cepa de BCG superexpressando Ag85B é capaz de aumentar a citotoxicidade sobre as células de câncer superficial de bexiga in vitro. Este modelo terapêutico usando BCG recombinante possui potencial para uma futura aplicação clínica em tratamento de câncer de bexiga.

Palavras chave: Bacillus Calmette-Guérin. BCG recombinante. Câncer superficial de

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ABSTRACT

BEGNINI, Karine Rech. Vacina terapêutica: avaliação de Mycobacterium bovis BCG

recombinante para imunoterapia de câncer superficial de bexiga. 2012. 60fs.

Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.

Bacillus Calmette-Guerin (BCG) is one of the great success stories of immunotherapy as a treatment for superficial urothelial carcinoma of the bladder. The high incidence of local side effects and presence of non-responder diseases has led to efforts to improve the therapeutic vaccine. Hence, we proposed that an auxotrophic recombinant BCG strain overexpressing Ag85B (BCG ∆leuD/Ag85B), could enhance cytotoxicity to the human bladder carcinoma cell line (5637). This rBCG was generated by incorporating an expression plasmid encoding the mycobacterial antigen Ag85B into the BCG ∆leuD strain. The inhibitory effect of BCG ∆leuD/Ag85B in 5637 cells was determined by the MTT method, morphology observation and the LIVE/DEAD assay. Gene expression profiles for apoptotic genes, cell cycle-related genes and oxidative stress-related genes were investigated by qRT-PCR. Bax, bcl-2 and p53 induction by BCG ∆leuD/Ag85B treatment were evaluated by Western blotting. BCG ∆leuD/Ag85B revealed a superior cytotoxicity effect than the strains used as controls in this study. The results demonstrated that the expression level of pro-apoptotic and cell cycle-related genes increased after BCG ∆leuD/Ag85B treatment, whereas mRNA levels of antiapoptotic genes decreased. Interestingly, BCG ∆leuD/Ag85B also increased the mRNA level of antioxidant enzymes in bladder cancer cell line. Bax and p53 protein levels were increased by BCG ∆leuD/Ag85B treatment. In conclusion, these results suggested that BCG ∆leuD/Ag85B enhanced cytotoxicity on superficial bladder cancer cells in vitro. The therapeutic model using rBCG may have potential for future clinical application in the treatment of bladder cancer.

Keywords: Bacillus Calmette-Guérin. Recombinant BCG. Superficial bladder cancer.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1* Mecanismo de ação do bacilo de Calmette-Guérin frente a células de carcinoma de bexiga.

17

Figura 1A Western blot demonstrando a expressão de Ag85B em BCG Pasteur

∆leuD. 42

Figura 1B MTT mostrando o efeito citotóxico de cepas de BCG em células 5637 após 48 h de co-cultivo.

42

Figura 2 Ensaio colorimétrico LIVE/DEAD de células tratadas e não tratadas

com cepas de BCG por 48 horas.

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Figura 3 Efeito de cepas de BCG sobre os níveis de mRNA de genes

apoptóticos.

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Figura 4 Figura 5

Figura 6

Efeito de cepas de BCG sobre os níveis de mRNA de caspases. Efeito de cepas de BCG sobre os níveis de mRNA de enzimas antioxidantes.

.

Efeito de cepas de BCG sobre os níveis de mRNA de genes relacionados ao ciclo celular.

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LISTA DE TABELAS

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BCG – Bacillus Calmette-Guérin

wtBCG – BCG do tipo selvage (wild type)

qRT-PCR – PCR em tempo real TNF – Tumor necrosis factor IL-1 – Interleucina-1 IL-2 – Interleucina-2 IL-6 – Interleucina-6 IL-8 – Interleucina-8 IL-10 – Interleucina-10 IL-12 – Interleucina-12

TNF-α – Tumor necrosis factor α IFN-γ – Interferon γ

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SUMÁRIO 1. Introdução... 10 1.1 Carcinomas de bexiga... 10 1.2 Imunoterapia... 11 1.3 Mycobacterium bovis BCG... 13 1.4 M. bovis BCG e câncer... 13 1.5 Mecanismos de ação... 14 1.6 BCG recombinante... 16 1.7 Antígeno Ag85B... 18 2. Objetivos... 19 2.1 Geral... 19 2.2 Específicos... 19 3. Artigo... 20 3.1 Abstract... 22 3.2 Introduction... 23

3.3 Material and Methods... 24

3.4 Results... 28

3.5 Discussion... 31

3.6 References... 34

4. Conclusões... 48

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1. INTRODUÇÃO 1.1 Carcinomas de bexiga

O câncer de bexiga é o quarto tipo de tumor mais comum em homens e o décimo primeiro mais comuns em mulheres (SIEGEL et al., 2011). Possui forte impacto econômico no sistema de saúde mundial e é responsável por aproximadamente 5% de todas as mortes por câncer (SIMONS et al., 2007). No Brasil, a incidência e mortalidade por câncer de bexiga são menores do que aquelas relatadas em países desenvolvidos, embora haja uma tendência de aumento no número de casos nos últimos anos. Segundo estatísticas nacionais, estimam-se aproximadamente 8.900 novos de câncer na bexiga para o ano de 2012 (INCA, 2012).

Neoplasias da bexiga são 2,5 vezes mais freqüentes em homens que em mulheres (PASHOS et al., 2002) e possuem como principal fator de risco o tabagismo (INCA, 2012). Além disso, exposição ocupacional a aminas aromáticas, infecção por Schistosoma hematobium, infecções urinárias recorrentes e consumo excessivo de café também parecem ter associação positiva para esse tipo de câncer (ZEEGERS et al., 2000; INCA, 2012). Genética e molecularmente falando, esta neoplasia apresenta associações com inibição do gene supressor de tumor p53, deleções no cromossomo 9 e ativação de oncogenes, como c-erb-B2, HER-2/neu e H-ras (JUNG; MESSING, 2000).

Cerca de 80% dos tumores vesicais são do tipo carcinoma superficial de bexiga (carcinoma in situ). Este tipo de tumor se caracteriza por possuir altas taxas de recorrência (69-80%) e predisposição para progredir como tumor músculo-invasivo (33-48%) (SYLVESTER et al., 2005). Carcinomas superficiais de bexiga geralmente se originem de uma única hiperplasia urotelial nodular e se tratados precocemente por ressecção cirúrgica e imunoterapia intravesical a taxa de sobrevida chega a 90% em cinco anos (WU, 2005). Tumores invasivos ou

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músculo-invasivo da bexiga constituem a segunda forma de neoplasia urotelial e acometem aproximadamente 20% dos pacientes vesicais. Caracterizado por sua alta agressividade, este tipo de tumor se origina através de mecanismos de novo ou através de lesões planas de alto grau oriundas dos carcinomas in situ. O tratamento para tumores invasivos constitui de cistectomia radical e quimioterapias sistêmicas, no entanto, as taxas de sobrevida são bastante limitadas, chegando a apenas 6% em dois anos para pacientes metastáticos (WU, 2005).

Um dos grandes desafios da terapêutica para carcinomas de bexiga é a identificação de pacientes com carcinomas in situ que irão apresentar recorrência ou progressão invasiva (SCHENK-BRAAT; BANGMA, 2005). O tratamento padrão para câncer superficial de bexiga baseia-se em cirurgia endoscópica associada a terapia intravesical complementar, que tem como objetivo principal promover efeito antineoplásico através da estimulação do sistema imunológico e da secreção de citocinas (THALMANN et al., 2000). Instilações vesicais de Mycobacterium bovis BCG representam o tratamento vesical de escolha para este tipo de tumor, visando a eliminação residual da doença e reduzindo o risco de possíveis recidivas e progressões musculares (GONTERO et al., 2010). Aprovada em 1990 pela FDA, a imunoterapia com instilação intravesical de BCG é considerada o tratamento padrão ouro para carcinomas in situ (AMIRKHAH et al., 2009).

1.2 Imunoterapia

A imunoterapia é uma estratégia alternativa e potencialmente eficaz para tratamento de câncer, baseada na especificidade do sistema imunológico e na sua limitada toxicidade (ALDRICH et al., 2010). O conceito de imunoterapia geralmente envolve a geração de uma resposta ativa contra antígenos associados a tumores (TAAs) (SHENG; HUANG, 2011). Dessa forma, constitui um tratamento que promove estimulação do sistema imune por meio do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica (ALDRICH et al., 2010).

O sistema imunológico é capaz de reconhecer e extinguir lesões pré-cancerosas e pré-cancerosas (SHENG; HUANG, 2011). Esse reconhecimento é obtido principalmente através de vacinação com peptídeos antigênicos ou através de células dendríticas ativadas. A administração de moduladores imunes, como citocinas, também pode impulsionar a imunidade antitumoral existente e levar células efetoras da vigilância imunológica aos locais de crescimento do tumor

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(DRANOFF, 2004). Quando comparada com quimio ou radioterapia, a utilização de tratamento imunoterapêutico apresenta duas vantagens potenciais: (a) especificidade para com a célula-alvo, reduzindo assim os efeitos adversos nos tecidos sadios; e (b) menor interferência em outras terapias, tornando-se um tratamento adjuvante adequado às terapias convencionais (SHENG; HUANG, 2011). Em tumores de bexiga, a imunoterapia utilizando M. bovis BCG é considerada tratamento de escolha para carcinomas in situ (GONTERO et al., 2010). Além disso, é o único agente conhecido capaz de reduzir as taxas de recorrência e de progressão muscular da doença, obtidas através da ativação do sistema imune (SYLVESTER et al., 2002).

Vacinas anticâncer constituem foco importante na imunoterapia. Em termos de câncer, a vacinação se baseia em duas estratégias principais: a utilização de vacinas profiláticas, que imunizam o paciente contra infecções de vírus oncogênicos, como HPV, ou que previnem o desenvolvimento de tumores em indivíduos pertencentes a grupos de risco; ou a utilização de vacinas terapêuticas, focadas no combate a doenças já estabelecidas (MADAN et al., 2010). A produção de vacinas profiláticas para câncer tem se mostrado ineficiente principalmente devido ao fato de que antígenos tumorais são normalmente variações de proteínas próprias do organismo, que podem acarretar em complicações autoimunes (AMOS et al., 2011). Durante décadas a vacinação terapêutica não foi considerada uma terapia padrão para câncer. No entanto, a aprovação no ano de 2010, pela FDA, de uma vacina de células dendríticas (DC) para tratamento de câncer de próstata ressaltou o sucesso da utilização do sistema imune no combate à doença e tem incentivado o desenvolvimento de pesquisa visando a utilização combinada destes componentes imunológicos com a quimioterapia padrão (ANASSI; NDEFO, 2011).

É importante salientar que as condições observadas durante o desenvolvimento de uma resposta imune antitumoral diferem das circunstâncias prevalentes durante uma infecção por patógeno (GILBOA, 2004). Durante a replicação de um patógeno, a ativação de células T reativas é controlada, de maneira a causar pouco ou nenhum dano fisiológico; o que não ocorre no caso da imunoterapia contra tumores. A utilização de antígenos não-específicos ao tumor e repetições sucessivas de doses vacinais podem ativar células T autorreativas e gerar poderosas respostas autoimunes (AMOS et al., 2011). Dessa forma, a escolha do antígeno pode constituir um fator chave no controle do desenvolvimento da

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imunidade e escolhas ideais priorizariam antígenos que são normalmente expressos em sítios imunoprivilegiados ou ainda aqueles que são específicos ao tumor (SCHREIBER et al., 2011).

1.3 Mycobacterium bovis BCG

O Bacillus Calmette-Guérin (BCG) é uma cepa viva atenuada da bactéria

Mycobacterium bovis, utilizada principalmente como vacina para formas graves de

tuberculose (BENEVOLO-DE-ANDRADE et al., 2005). Desenvolvido em 1921 por Albert Calmette e Camille Guérin, o BCG sofreu sucessivos subcultivos, o que resultou na atenuação da cepa original. A utilização dessa vacina em humanos, bem como sua produção em larga escala, ocorreu em 1924, no Instituto Pasteur de Lille, na França (BENEVOLO-DE-ANDRADE et al., 2005).

Desde 1924, subcepas da bactéria M. bovis BCG foram encaminhadas a diferentes países, originando variantes que apresentam diferenças bioquímicas, moleculares, morfológicas e imunológicas (BEHR; SMALL, 1999). Cada uma dessas cepas é nomeada pelo país ou laboratório onde foi propagada, sendo conhecidas hoje mais de 50 subcepas de BCG (LAGRANDERIE et al., 1996). No entanto, somente seis delas estão atualmente em uso como vacina para tuberculose: BCG Connaught, BCG Glaxo, BCG Moreau, BCG Pasteur, BCG Tokyo e BCG Danish (MINNIKIN et al., 1984). A cepa de BCG utilizada no Brasil foi cultivada pela primeira vez em 1925, pelo médico uruguaio Julio Moreau, sendo nomeada como BCG Moreau Rio de Janeiro (BENEVOLO-DE-ANDRADE et al., 2005). Apesar das variações que ocorrem entre as diferentes cepas, todas mantiveram alguma eficácia tanto para vacinação como para imunoterapia (HERR; MORALES, 2008).

1.4 M. bovis BCG e câncer

Observações a respeito dos efeitos antitumorais do BCG vêm sendo descritas há bastante tempo. A existência de uma relação entre a tuberculose e o câncer foi primeiramente proposta por Pearl et al (1929). Após uma série de autópsias, o autor notou menor incidência de câncer e maior sobrevida em pacientes que apresentavam tuberculose ativa ou prévia, sugerindo a existência de um antagonismo entre estas entidades (PEARL et al, 1929). No entanto, o uso do BCG em oncologia foi somente proposto de forma concreta em 1959 após estudos que demonstraram que camundongos infectados com BCG apresentavam resistência a

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tumores transplantáveis, através do aumento da reatividade imunológica (OLD et al., 1959).

Os efeitos antitumorais da administração de BCG em tumores de bexiga foi descrita pela primeira vez em 1976 por Morales et al. A inibição do crescimento tumoral após instilação de BCG foi observada e esse efeito foi atribuído primeiramente a uma reação imunológica de hipersensibilidade do tipo tardio (MORALES et al., 1976). Os mecanismos de atuação da bactéria frente a neoplasias passou a ser melhor compreendido em 1971 com a publicação de um estudo demonstrando uma redução da implantação e do crescimento tumoral, quando uma nova aplicação de células neoplásicas era realizada subseqüente à inoculação de BCG (ZBAR; TANAKA, 1971). Desde então, diversos estudos confirmaram que a aplicação de BCG intravesical é capaz de eliminar células remanescentes, retardar a progressão da doença e melhorar a sobrevida dos pacientes com câncer superficial de bexiga (COE; FELDMAN, 1966; MATHE et al., 1969; LAMM et al., 1980). Em 1990, a FDA aprovou o uso clínico de BCG no tratamento de pacientes oncológicos (AMIRKHAH et al., 2009).

1.5 Mecanismos de ação

Um sistema imune eficiente constitui pré-requisito para o sucesso de uma imunoterapia utilizando BCG. Embora não esteja completamente elucidado, acredita-se que o mecanismo de ação da terapia intravesical com BCG para tumores esteja relacionado com uma estimulação local e inespecífica do sistema imune pela bactéria (BOHLE; BRANDAU, 2003; LIU et al., 2009). Pacientes sob tratamento para carcinoma in situ apresentam presença elevada de citocinas na urina, principalmente IL-1, IL-2, IL-6, IL-8, IL-12, TNF-α, INF-γ e GM-CSF. Este perfil de citocinas pró-inflamatórias, especialmente IL-2, TNF-α e INF-γ, constitui um padrão de secreção de resposta imune do tipo Th1 (ANDRADE et al., 2010). Em camundongos, tem se observado que a presença de INF-γ e IL-12 se faz necessária para o controle imunoterápico de câncer de bexiga, sendo sugerido que terapias efetivas para este tipo de tumor requerem ativação de resposta imune Th1 (ANDRADE et al., 2010).

Primeiramente, o BCG induz um afluxo maciço de células inflamatórias na mucosa e no lúmen da bexiga, levando a uma resposta imune contra células tumorais (BOHLE; BRANDAU, 2003). Quando é feita a instilação intravesical de BCG, uma parte dos bacilos injetados na bexiga adere à parede vesical e se liga às

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células uroteliais, através de fibronectinas, sendo em seguida internalizado por essas células (KRESOWIK; GRIFFITH, 2009). Estudos in vitro têm demonstrado que, embora a ativação do sistema imune seja uma etapa crucial para o sucesso da terapia com BCG, algumas cepas de BCG são capazes de atuar diretamente sobre as células tumorais após a internalização, promovendo uma inibição da proliferação por apoptose (ZHENG et al., 2011). Ademais, internalização da bactéria leva a produção de citocinas, desencadeando um processo inflamatório (KRESOWIK; GRIFFITH, 2009). Células inflamatórias, como leucócitos polimorfonucleares e neutrófilos, se infiltram no local e desencadeiam a liberação de grandes quantidades de citocinas, que levam ao recrutamento de outros tipos de células imunes. A resposta celular primária é constituída principalmente de neutrófilos e macrófagos, porém num segundo momento, células T CD4+ são predominantes no local (BOHLE; BRANDAU, 2003).

Além disso, a citocina TNF-related apoptosis-inducing ligand (TRAIL) parece ser um contribuinte importante para o efeito antineoplásico da imunoterapia com BCG (LUDWIG et al., 2004). TRAIL é um membro da família TNF que induz apoptose em células neoplásicas, mas não em células e tecidos saudáveis (LUDWIG et al., 2004). A expressão de TRAIL pode ser induzida por muitas populações de células inflamatórias, após estímulo com citocinas, especialmente com interferons do tipo I e II (KRESOWIK; GRIFFITH, 2009). Estudos recentes tem demonstrado que pacientes que respondem corretamente a instilação intravesical de BCG possuem quantidade maior de TRAIL na urina do que aqueles que não respondem ao tratamento e que, além disso, naqueles em que o tratamento é eficaz, a quantidade de TRAIL na urina é crescente após cada aplicação subseqüente de BCG (LUDWIG et al., 2004).

Neutrófilos são as principais células responsáveis pela secreção da citocina TRAIL. Análises da urina de pacientes com infecções diversas do trato urinário mostrou baixos níveis dessa citocina nas amostras, quando comparado com pacientes que tiveram estimulação com BCG, sugerindo que a resposta TRAIL é específica para a micobactéria (KRESOWIK; GRIFFITH, 2009). Além disso, a estimulação de neutrófilos do sangue periférico com diversas espécies bacterianas mostrou que apenas o BCG é capaz de estimular a liberação de TRAIL (KRESOWIK; GRIFFITH, 2009). Uma representação visual do mecanismo de ação proposto para o BCG encontra-se ilustrado na Figura 1.

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Figura 1: Mecanismo de ação do bacilo de Calmette-Guérin frente a células de carcinoma de bexiga. (A) A infecção de células uroteliais por BCG leva a liberação de citocinas, como IL-8. (B) Neutrófilos constituem as células iniciais de resposta ao BCG; a presença da micobactéria estimula a liberação de TRAIL e de fatores quimiotáticos por estas células. (C) Células inflamatórias efetoras, como células T e macrófagos, respondem aos sinais quimiotáticos secretados pelos neutrófilos. (D) A presença de células citotóxicas e da citocina TRAIL induz à apoptose tumoral.

Adaptado de: Kresowik & Griffith, 2009.

BCG: Bacille Calmette–Guerin; TRAIL: TNF-related apoptosis-inducing ligand. 1.6 BCG recombinante

O sucesso do BCG como agente imunoterápico vem promovendo o desenvolvimento de pesquisas que buscam maneiras de manter ou melhorar sua eficácia terapêutica, porém reduzindo o perfil de efeitos colaterais (ANDRADE et al., 2010). Embora seja considerada a terapia intravesical mais eficaz no tratamento de tumores superficiais de bexiga, alguns problemas podem ocorrer levando ao surgimento de tumores intolerantes, resistentes ou recorrentes (GONTERO et al., 2010; LUDWIG et al., 2004; NEPPLE et al., 2009). Além disso, em alguns casos algumas complicações ocorrem em decorrência da utilização de uma bactéria viva, levando ao aparecimento de sintomas como febre, cistite, pneumunites e, em casos mais graves, sepse por BCG (LAMM, 1992; SUTTMANN et al., 2006).

Nesse sentido, algumas estratégias vem sendo desenvolvidas visando melhorias para o tratamento de carcinomas superficiais de bexiga (SCHENK-BRAAT; BANGMA, 2005). As mais utilizadas incluem: utilização de doses diminutas da vacina; a administração de citocinas inflamatórias em conjunto com BCG; identificação dos componentes micobacterianos responsáveis pela resposta

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imunológica, evitando, assim, a utilização do bacilo vivo, o que diminuiria os riscos de reações graves ou infecções; e a construção de cepas recombinantes (SCHENK-BRAAT; BANGMA, 2005).

A construção de cepas recombinantes que proporcionem maior estímulo do sistema imune e aumento do efeito antitumoral da bactéria constitui um dos principais focos de pesquisas em melhorias imunoterapêuticas do BCG (AMIRKHAH et al., 2009). Muitos avanços ocorreram nas últimas décadas no que diz respeito à manipulação genética de micobactérias. Estes incluem o estabelecimento de protocolos de transformação em micobactérias, geração de vetores bifuncionais (shuttle vectors) para uso em E. coli e micobactéria, desenvolvimento de sistemas de expressão diversos, incluindo diferentes promotores e sistemas de apresentação de antígenos (JACOBS Jr. et al., 1987; SNAPPER et al., 1988; MATSUO et al., 1990). Esses avanços permitiram a avaliação de BCG recombinante como veículo de apresentação de antígenos heterólogos e vários estudos já demonstraram a viabilidade do BCG em expressar antígenos heterólogos de diferentes espécies com bastante êxito (O'DONNELL, 1997; OHARA; YAMADA, 2001; BASTOS et al, 2009).

O desenvolvimento de cepas recombinantes de BCG têm demonstrado que essa estratégia é capaz de melhorar a eficácia da terapia para tumores de bexiga (ANDRADE et al., 2010; LEE et al., 2004; LUO et al., 2004; LIN et al., 2012). Ensaios realizados utilizando micobactéria recombinantes para citocinas constituem um dos principais focos na busca por tratamentos mais eficientes para carcinomas in situ. Estudos terapêuticos utilizando micobactéria e citocinas, principalmente IFN-α, IL-8, IL-2 e IL-10, têm mostrado maior eficácia do que a utilização de citocinas sozinhas ou de wtBCG (LUO et al., 2004, 2010, 2009, 2006, 2003, 2001), sendo a combinação de BCG e IFN-α a mais promissora tanto para pacientes primários quanto para aqueles que apresentam recidiva da doença após terapia com BCG (LUO et al., 2001;LIU et al., 2009). A utilização de terapia combinada de BCG com outras citocinas, como IL-2 e GM-CSF, tem apresentado resultados promissores principalmente frente a tumores de pacientes inicialmente intolerantes ao BCG (SCHENK-BRAAT; BANGMA, 2005).

A utilização de BCG recombinante para antígenos heterólogos de diferentes bactérias, bem como a expressão de combinados antigênicos, também demonstram eficácia aumentada frente a tumores, tanto em ensaios in vitro quanto em modelos animais (CHUNG et al., 2003; ANDRADE et al., 2010). Chung et al (2003)

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demonstraram que a co-expressão das proteínas MUC-1 e IL-2 por cepas de BCG inibe a proliferação e o crescimento tumoral de carcinomas mamários em camundongos. Cepas recombinantes de BCG expressando a toxina botulínica S1PT se mostraram capazes de diminuir a proliferação de tumores de bexiga em modelos murinos (ANDRADE et al., 2010). Ainda em modelos animais, a co-expressão por BCG de antígeno Ag85B de M. tuberculosis, aliado a expressão de CFP10 e IL-2, promove forte indução de resposta imune Th1 (LIN et al., 2012).

1.7 Antigeno Ag85B

O complexo AG85, composto pelas proteínas Ag85A, Ag85B e Ag85C, é o principal antígeno compartilhado pelas cepas de M. bovis e M. tuberculosis (WIKER; HARBOE, 1992). Estas proteínas são secretadas e retidas na parede celular das micobactérias (WIKER; HARBOE, 1992) e são capazes de interagir especificamente com fibronectinas (DENIS et al., 1997; NAITO et al., 1998).

Os primeiros relatos a respeito da eficácia de BCG recombinante para vacinas de tuberculose foram explorados utilizando BCG superexpressando antígenos Ag85 (TRICCAS, 2010). Estes antígenos são capazes de conferir proteção contra tuberculose em modelos animais e estão intimamente associados à infectividade da bactéria (MUSTAFA et al., 1998). Por serem antígenos superexpressos, existem evidências de que são capazes de aumentar a geração de peptídeos antigênicos, bem como seus carregamentos subseqüentes para as moléculas de MHC II, desencadeando processos imunológicos eficientes que podem levar a apoptose e a autofagia (JAGANNATH et al., 2009).

(21)

2. OBJETIVOS 2.1 Geral

Aumentar a eficiência de imunoterapia para câncer superficial de bexiga através da utilização de cepa auxotrófica de Mycobacterium bovis superexpressando a proteína Antígeno 85B (Ag85B).

2.2 Específicos

1 Avaliar a regressão e/ou diminuição do crescimento tumoral in vitro da linhagem celular de câncer superficial de bexiga, quando exposta a presença de cepa recombinante de M. bovis ∆leuD;

2 Avaliação do perfil de expressão gênica da linhagem de carcinoma de bexiga, para genes envolvidos em processos de apoptose e de ciclo celular, após tratamento com cepa recombinante de M. bovis ∆leuD;

3 Avaliação da expressão gênica de enzimas antioxidantes pela linhagem de carcinoma de bexiga, após tratamento com cepa recombinante de M. bovis ∆leuD;

4 Avaliação da presença de proteínas apoptóticas no sobrenadante da célula em questão após tratamento com cepa recombinante de M. bovis ∆leuD.

(22)

3. ARTIGO

AUXOTROPHIC RECOMBINANT Mycobacterium bovis BCG OVEREXPRESSING AG85B ENHANCES THE CYTOTOXICITY ON SUPERFICIAL BLADDER CANCER

CELLS IN VITRO

(Artigo científico escrito sob formato do periódico PLoS ONE)

(23)

AUXOTROPHIC RECOMBINANT Mycobacterium bovis BCG OVEREXPRESSING AG85B ENHANCES THE CYTOTOXICITY ON SUPERFICIAL BLADDER CANCER CELLS IN VITRO

Karine Rech Begnini, Caroline Rizzi, Vinicius Farias Campos,Sibele Borsuk, Eduarda Schultze, Virginia Yurgel, Fernanda Nedel, Odir Antônio Dellagostin, Tiago

Collares, Fabiana Kömmling Seixas*

Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB), Grupo de Pesquisa em Oncologia Celular e Molecular, Laboratório de Genômica Funcional,

Biotecnologia/Centro de Desenvolvimento Tecnológico, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS, Brazil

*Corresponding authors: Fabiana Kömmling Seixas, Universidade Federal de Pelotas, Campus Universitário s/n, Capão do Leão, RS, Brazil, Cep: 96010-900. Phone: 55 53 32757350

Fax: 55 53 32757354

(24)

ABSTRACT

BCG therapy remains at the forefront of immunotherapy for treating patients with superficial bladder cancer. The high incidence of local side effects and presence of non-responder diseases has led to efforts to improve the therapy. Hence, we proposed that an auxotrophic recombinant BCG strain overexpressing Ag85B (BCG ∆leuD/Ag85B), could enhance the cytotoxicity to human bladder carcinoma cell line (5637). This rBCG was generated by incorporating of an expression plasmid encoding the mycobacterial antigen Ag85B into BCG ∆leuD strain. The inhibitory effect of BCG ∆leuD/Ag85B in 5637 cells was determined by the MTT method, morphology observation and LIVE/DEAD assay. Gene expression profiles for apoptotic genes, cell cycle-related genes and oxidative stress-related genes were investigated by qRT-PCR. Bax, bcl-2 and p53 induction by BCG ∆leuD/Ag85B treatment was evaluated by Western blotting. BCG ∆leuD/Ag85B revealed superior cytotoxicity effect than the strains used as control in this study. The results shown that expression level of pro-apoptotic and cell cycle-related genes increased after BCG ∆leuD/Ag85B treatment, whereas mRNA levels of antiapoptotic genes decreased. Interestingly, BCG ∆leuD/Ag85B also increased the mRNA level of antioxidant enzymes in bladder cancer cell line. Bax and p53 proteins levels were increased by BCG ∆leuD/Ag85B treatment. In conclusion, these results suggested that BCG ∆leuD/Ag85B enhances the cytotoxicity on superficial bladder cancer cells

in vitro. The therapeutic model using rBCG may have potential for future clinical

application to bladder cancer treatment.

Keywords: Bacillus Calmette-Guérin; recombinant BCG; superficial bladder cancer; antitumor activity.

(25)

1. INTRODUCTION

Bladder cancer is the fourth most common cancer in men and eleventh most common in women [1]. It’s a huge economic burden on the healthcare system and is responsible for approximately 5% of all cancer deaths in humans [2]. Most of these tumors are superficial at diagnosis and are treatable with surgical resection and local prophylactic treatments [3]. Unfortunately, this disease recurs in up to 50% of these patients despite surgery, and then this is potentially lethal [4]. Mycobacterium bovis BCG-based therapy is the treatment of choice for superficial bladder cancer, representing the only agent known to reduce progression into muscle-invasive bladder cancer [5] and it is currently the most effective intravesical therapy for this kind of tumor [3].

The anti-tumor effects of intravesical administration of M. bovis BCG in bladder cancer was first described in 1976 by Morales et al [6]. Although BCG therapy remains at the forefront of treating patients with superficial bladder cancer [7] there are treatment failures, like BCG intolerant, refractory, resistant, and relapsing disease [8]. The development of immunotherapy based on recombinant BCG (rBCG) overexpressing antigens or expressing foreign antigens are a promising approach to improve the performance of the BCG antitumor therapy [9] and current studies aim at developing rBCG strains to further improve the effectiveness of the therapy [10–13].

The Ag85 complex, comprising of Ag85A, Ag85B and Ag85C proteins, are major protective antigens shared by both BCG and M. tuberculosis [14]. These proteins are secreted and retained in the cell wall of mycobacteria [14]. Overexpressed Ag85B elicits a strong Th1 response in vivo [15] and has been shown that, in the cytosol of infected cells, it leads to the autophagic-lysosome pathway and increases its presentation [16]. Mice vaccinated with rBCG overexpressing Ag85B

(26)

exhibit a robust immune response that is qualitatively superior to that elicited by licensed BCG vaccine against tuberculosis [17]. In melanoma-bearing mice, Ag85B antigen gene therapy induced the increase of serum IFN-gamma level in the animals, inhibited the tumor growth and prolonged the survival of the mice [18].

The aim of this study was to verify the cytotoxicity effect of rBCG ∆leuD overexpressing Ag85B in treating of human bladder carcinoma cell line (5637) and its underlying mechanisms.

2. MATERIALS AND METHODS 2.1 Bacterial strains and cell culture

Three different BCG strains were used in this study: M. bovis BCG Pasteur, which is very similar to the strain used in bladder cancer BCG-based therapy; M.

bovis BCG Pasteur ∆leuD, an auxotrophic strain for the leucine amino acid

developed by our research group [19]; and M. bovis BCG Pasteur ∆leuD/Ag85B (rBCG), a recombinant BCG ∆leuD overexpressing Ag85B antigen. Strains were grown on Middlebrook 7H9 medium (Difco Laboratories, Detroit, MI, USA) supplemented with 0.5% glycerol, 0.05% Tween 80, and 10% oleic albumin-dextrose-catalase (OADC) or on solid Middlebrook 7H10 medium (Difco Laboratories) supplemented with OADC. When required, the antibiotic kanamycin was added to a final concentration of 25 µg/mL. Escherichia coli strain TOP10 (Invitrogen™, Carlsbad, CA, USA) was used for cloning and was grown in Luria-Bertani medium at 37 °C with addition of kanamycin 50 µg/ml.

The human bladder carcinoma cells (5637) were obtained from Rio de Janeiro Cell Bank (PABCAM, Federal University of Rio de Janeiro, RJ, Brazil). They were cultured in Dulbecco’s modified Eagle’s medium (DMEM), supplemented with 10% fetal bovine serum (FBS), 1% L-glutamine and 1% penicillin/streptomycin, purchased

(27)

respectively from Vitrocell Embriolife (Campinas, Brazil) and Gibco (Grand Island, NY, USA). Cells were grown at 37°C in an atmosphere of 95% humidified air and 5% CO2. The experiments were performed with cells and bacteria in the logarithmic phase of growth and all experiments were run in triplicate.

2.2 Cloning Ag85b gene into mycobacterial expression vector

Coding sequences for Ag85b antigen was amplified from fbpB gene of M.

bovis genomic DNA. The primers used for fbpB gene PCR amplification were based

on the complete M. bovis AF2122/97 genome sequence (5’-

GGGGTACCCGCTATGTAGCTCCAATTC-3’ and 5’-

GGGGTACCTCAGCCGGCGCC-3’), and were designed using Vector NTI 11.0 (Invitrogen™, Carlsbad, CA, USA). The M. bovis 30 kDa protein gene cassette, consisting of the fbpB gene coding region and its endogenous promoter (1500 bp), were obtained using standard PCR conditions and the enzyme Go TAq® Hot Start Polymerase Sample (Promega). PCR product was digested with KpnI enzyme (Promega), and inserted into pUP410 mycobacterial expression vector [19], which had previously been digested with the same restriction enzyme. Competent E. coli was then transformed with recombinant plasmid (pUP410::fbpB) and the clones were checked by restriction enzyme digestion and PCR.

2.3 Construction of rBCG

Electrocompetent BCG Pasteur ΔleuD was transformed with pUP410::fbpB and recombinant strains were selected in 7H10 media containing 25 µg/ml of kanamycin. Recombinant BCG were grown to an optical density of 600 nm (OD600) of 0.6 in selective 7H9 media and then 10 mL of culture was centrifuged (4000 g for 10 min), the pellet suspended in 1 mL of 100 mM Tris-HCl, pH 8.0, and cells were

(28)

lysed using a Ribolyser (Hybaid). The lysate was centrifuged (14000 g for 10 min) and the supernatant recovered. Saturated ammonium sulfate solution was added to supernatant to precipitate secreted recombinant protein, which was then collected by centrifugation (4000 g for 10 min). Recombinant protein expression was assessed by Western blot. BCG ΔleuD/Ag85B liquid culture was used for vaccine preparation.

2.4 Determination of cytotoxicity

The viability of 5637 cells was determined by measuring the reduction of soluble MTT [3-(4,5-dimethylthiazol-2-yl)-2,5-diphe-nyltetrazolium bromide] to water insoluble formazan [20]. Cells were seeded at a density of 2 x 104 cell per well in a volume of 100 µL in 96-well plates, and grown at 37°C in a 5% CO2 atmosphere for 24 h before

used in cell viability assay. Cells were then incubated with BCG strains (BCG Pasteur or BCG ∆leuD or BCG ∆leuD/Ag85B) at a concentration of 4,8x106

CFU for 48 hours. After incubation periods the media was removed and subsequently 180 µL of medium and 20 µL MTT (5 mg MTT/mL solution) was added to each well. The plates were incubated for an additional 2 h and medium was discarded. A volume of 200 µL of DMSO was added to each well, and the formazan was solubilized on a shaker for 15 min at 150 rpm. The absorbance of each well was read on a microplate reader at a test wavelength of 492 nm. Percent inhibition of cell proliferation was determinate as follows: inhibitory growth = (1- Abs492treated cells/Abs492control cells) x 100% [21]. All observations were validated by at least two independent experiments in triplicates for each experiment.

(29)

Cells were cultured and incubated with BCG strains as described above. At the end of incubation period the cells were visualized with an inverted fluorescence microscope Olympus IX71 (Olympus Optical Co., Ltd. Tokyo, Japan).

The LIVE/DEAD cell viability assay® (Invitrogen™, Carlsbad, CA, USA) was conducted following the manufacturer's instructions. Live cells were able to take up calcein and could be analyzed by green fluorescent light emission (488 nm). Ethidium bromide homodimer diffuses through the permeable membrane of dead cell and binds into their DNA. Dead cells could be detected by red fluorescent signal (546 nm). The LIVE/DEAD assay was analyzed with a fluorescence microscope Olympus IX71 (Olympus Optical Co.) by multicolor imaging. The fluorescence emissions were recorded as TIFF files using a digital camera (Nikon, Tokyo, Japan) attached to a fluorescence microscope (DP 12; BX 51; Olympus, Tokyo, Japan) after excitation at 480 nm and emission at 510 nm. The recorded images was analyzed using Cell^F software (Cell-F, New York, USA). The data were expressed as mean ± SEM of 6 observations in different fields with 100 cells in each field.

2.6 Quantitative Real-Time PCR (qRT-PCR)

Gene expression profiles for apoptotic genes, cell cycle-related genes and oxidative stress-related genes were investigated by real-time PCR (qRT-PCR). Cells were added in 6-well flat bottom plates at a density of 2 x 105 per well and grown at 37°C in a humidified atmosphere of 5% CO2/95% air for 24 h. The cells were then incubated with BCG strains at a concentration of 4,8x107 for 48 h. After this period the cells were washed with phosphate-buffered saline (PBS; Gibco) and RNA extraction was performed. Total RNA extraction, cDNA synthesis and qRT-PCR were conducted as previously describe [22]. Briefly, RNA samples were isolated using

(30)

TRIzol® Reagent (Invitrogen™) and samples were DNase-treated with a DNA-free® kit (Ambion™, USA) following the manufacturer’s protocol. First-strand cDNA synthesis was performed with 1 µg of RNA using High Capacity cDNA Reverse Transcription kit (Applied Biosystems™, UK) according to the manufacturer’s protocol. time PCR reactions were run on a Stratagene® Mx3005P™ Real-Time PCR System (Agilent Technologies, Santa Clara, CA, USA) using SYBR® Green PCR Master Mix (Applied Biosystems™, UK) and using primers described in Table 1.

2.7 Western blot

Cells (2x105 per well) were co-treated with BCG strains (4,8x107 CFU) for 48 h. Then they were pelleted by centrifugation, washed with PBS two times and resuspended in 30µL of lysis buffer. Protein was electrophoresed for 2 h on 15% SDS-polyacrylamide gels and then transferred to nitrocellulose membrane using an electroblotter for 3 h. Membrane was blocked in 5% non-fat milk overnight and probed with the primary antibody for p53, Bax and Bcl-2 (Sigma-Aldrich) for 1 h with gentle agitation at room temperature. Antibodies rose against bcl-2 (1:2000), p53 (1:2000) and bax (1:2000) (Cell Signaling Biotech) was diluted in PBST. The blots were washed for three times with PBST and incubated with an anti-mouse antibody conjugated to horseradish peroxidase (Sigma-Aldrich) 1:1000 dilutions in PBST for 1 h. After three successive washes with PBST, a chromogenic substrate was used for protein detection.

(31)

Data sets were analyzed using one-way ANOVA followed by a Tukey test for multiple comparisons. Significance was considered at P<0.05 in all analyses. Data were expressed as mean ± SEM.

3. RESULTS

3.1 Construction and Ag85B overexpression of recombinant BCG

The construction used in this study was confirmed by PCR and restriction site analysis (data not shown). The Ag85B gene coding sequence was incorporated immediately downstream of Ag85B signal sequence. Recombinant protein was readily detectable in rBCG ΔleuD lysates and culture supernatant by Western blot using polyclonal anti-Ag85 antibody (Fig.1A). Both cytoplasm and secreted recombinant protein presented 30 kDa of molecular mass.

3.2 BCG ∆leuD/Ag85B inhibits cell proliferation of human bladder carcinoma cells

Human bladder carcinoma cells were incubated with BCG strains (BCG Pasteur or BCG ∆leuD or BCG ∆leuD/Ag85B) for 48 h. As demonstrated in Fig. 1B, an auxotrophic recombinant BCG strain overexpressing Ag85B (BCG ∆leuD/Ag85B) demonstrated a significant in vitro cytotoxic activity after 48 h of treatment, inhibiting more than 50% of tumor cells. Percent inhibition of cell proliferation for BCG ∆leuD/Ag85B was 77.8% while for the other strains it was 28% (BCG ∆leuD) and 38.1% (BCG Pasteur). This result suggests that BCG ∆leuD/Ag85B is more effective against bladder cancer cells in vitro than BCG ∆leuD or BCG Pasteur strains (P<0.05).

The viability assessment of untreated and treated cells with BCG Pasteur; BCG ∆leuD and BCG ∆leuD/Ag85B at 48 h of treatment was observed. Cell density

(32)

in the control group (untreated) was greater than that in the treated groups, however no additional alterations were observed in the treatment groups (supplementary data).

3.3 BCG ∆leuD/Ag85B increased 5637 cell death

The LIVE/DEAD assay was carried out to evaluate cell viability using a two-color fluorescence approach. Figure 2 shows a histogram analysis of the red channel for quantitative analysis of cell death. BCG ∆leuD/Ag85B treatment (Fig. 2C) promotes an increase in cell death (red fluorescence), when compared to control (Fig. 2A). BCG Pasteur (Fig. 2B) treatment promotes cell death similarly to the control group. Additionally, BCG strains remained alive after 48 h of co-culture with 5637 cell line what is necessary for a successful BCG therapy (Fig. 2D).

3.4 Ag85B BCG overexpression changes apoptotic gene expression profile

Expression of anti-apoptotics genes bcl-2 and survivin and pro-apoptotic bax were evaluated, as well as of apoptosis-inducing factor (AIF) and Endonuclease G (Endo G) genes. Bcl-2 and survivin mRNA levels were decreased (P<0.05) in cells exposed to BCG ∆leuD/Ag85B compared to control (Fig. 3A). mRNA expression from cells treated with BCG ∆leuD /Ag85B was lower (P<0.05) than those treated with BCG Pasteur and BCG ∆leuD for both antiapoptotic genes. Moreover, bax mRNA levels were higher (P<0.05) in cells exposed to BCG ∆leuD/Ag85B (Fig. 3B) compared to not treated cells and to BCG Pasteur and BCG ∆leuD treated cells. Apoptosis-Inducing Factor (AIF) mRNA expression was up-regulated in BCG ∆leuD/Ag85B treated cells (P<0.05) when compared to control and to the other treatments (Fig. 3B). No differences between control and BCG Pasteur or BCG ∆leuD treatment were observed in bcl-2, survivin, bax and AIF gene expression.

(33)

Endo G mRNA level was significantly higher (P<0.05) in BCG ∆leuD/Ag85B and BCG ∆leuD treatments compared to control and to BCG Pasteur treatment (Fig. 3B). However, no difference between the BCG ∆leuD/Ag85B and BCG ∆leuD treatment was observed. Bax/bcl-2 ratio also changes after BCG ∆leuD/Ag85B treatment (Fig. 4). Bax/bcl-2 ratio increased 6 folds in 5637 cells exposed to BCG ∆leuD/Ag85B compared to not treat cells and to BCG Pasteur and BCG ∆leuD treated cells.

The BCG ∆leuD overexpressing Ag85B also induced changes in mRNA expression of caspases in 5637 cells. Initiator capase-8 and caspase-9 were up-regulated (P<0.05) by BCG ∆leuD/Ag85B compared to control cells and to BCG Pasteur and BCG ∆leuD treatments (Fig. 5B and C). Additionally, caspase-8 was up-regulated 2-fold compared to other treatments. Cells treated with BCG ∆leuD/Ag85B for 48 h also showed significantly higher mRNA level of the executioner caspase-3 (P<0.05) compared to untreated cells and to BCG Pasteur and BCG ∆leuD treatments (Fig. 5A). No differences between control and BCG Pasteur or BCG ∆leuD treatment were observed in caspase-8, caspase-9 and caspase-3 gene expression.

3.5 BCG ∆leuD/Ag85B changes gene expression in 5637 cells for antioxidant enzymes

Antioxidant enzymes gene expression profiles were also analyzed. The enzymes catalase (CAT), Cu/Zn superoxide dismutase (Cu/Zn-SOD), manganese superoxide dismutase (Mn-SOD), glutathione peroxidase (GPx), glutathione-S-transferase (GST) and Thioredoxin reductase-1 (TRX) were investigated in this study. CAT, Cu/Zn-SOD, GPx and Mn-SOD mRNA levels were increased (P<0.05) in cells exposed to BCG ∆leuD/Ag85B compared to control (Fig. 6A). The mRNA

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expression from cells treated with BCG ∆leuD /Ag85B was up-regulated (P<0.05) compared to those treated with BCG Pasteur and BCG ∆leuD for GPx, Mn-SOD and Cu/Zn-SOD antioxidant enzymes; however there was no difference between BCG ∆leuD and BCG ∆leuD/Ag85B treatments in CAT mRNA expression (Fig. 6A). No differences between control and BCG Pasteur or BCG ∆leuD treatment were observed in CAT, Cu/Zn-SOD, GPx and Mn-SOD gene expression. Moreover, GST and TRX mRNA expression pattern was investigated and no differences between treated and untreated cells were observed (Fig. 6B).

3.6 BCG ∆leuD/Ag85B changes cell cycle-related gene expression in 5637 cells In comparison to controls, 5637 tumor cells treated with BCG ∆leuD/Ag85B showed an up-regulated p53 expression (P<0.05), while no difference was observed between BCG Pasteur and BCG ∆leuD treatments to untreated tumor cells (Fig. 7). The p21 expression showed a similar pattern to p53 expression, and BCG ∆leuD/Ag85B induced an increase (P<0.05) in p21 mRNA level (Fig 7) compared to other treatments and to untreated 5637 cells.

3.7 Bax and p53 protein increased by BCG ∆leuD/Ag85B treatment in 5637 cells

Bax and p53 proteins levels were increased by BCG ∆leuD/Ag85B treatment at 48 h time point. On the contrary, BCG Pasteur and BCG ∆leuD treatments showed a weak expression of bax and p53 protein in 5637 cells. No bcl-2 protein change was observed in 5637 treated and untreated cells (data not shown).

(35)

4. DISCUSSION

Mycobacterium bovis bacille Calmette–Guerin (BCG) is one of the great

success stories of immunotherapy as a treatment for superficial urothelial carcinoma of the bladder [23]. The high incidence of local side effects and presence of non-responders to the cancer treatment has led to efforts to improve the therapeutic vaccine. The prospect of genetically modifying BCG’s properties to create a more specific cancer vaccine with inclusion of tumor-associated antigens is a reality [24] and rBCG strains are capable of improving the effectiveness of the therapy [10–13]. To the best of our knowledge, this is the first investigation on the possibility of using an auxotrophic BCG strain overexpressing Ag85B (BCG ∆leuD/Ag85B) to therapy for bladder cancer. BCG has the potential to be an effective live vector for multivalent vaccines and antitumor therapies. However, most mycobacterial cloning vectors rely on antibiotic resistance genes as selectable markers, which would be undesirable in any practical therapies [19]. In this study, we used an auxotrophic complementation as a selectable marker that would be suitable for use in clinical therapy.

Successful BCG therapy requires immune system activation, however in vitro studies showed that some BCG strains act directly on tumour cells inhibiting the proliferation through apoptosis [25]. Herein, we demonstrated an increased cytotoxicity in bladder cancer cell line (5637) induced by an rBCG strain overexpressing Ag85B. The secreted Ag85B protein has been the focus of intensive research in recent years. It has been shown that Ag85B possess the ability to specifically interact with fibronectin (Fn) proteins [26,27]. Since Fn binding proteins are likely to be important virulence factors of mycobacteria and adhesion is a pivotal first step that allows pathogenicity, Ag85B plays a critical role in mycobacteria adherence to host cells, initiating infection, and may contribute to the invasion and

(36)

dissemination of mycobacteria in host tissue [28]. Our results indicate that Ag85B might serve as an important colonization factor potentially contributing to mycobacterial virulence, what may be related with increased cytotoxicity and cell death in bladder cancer cell line in vitro.

Moreover, Ag85B is an antigen strongly recognized by T-cell in the first phase of mycobacterial infection [30]. Many studies demonstrated a protective action against tuberculosis induced by recombinant Ag85B BCG vaccines in animal [29–31] and human models [32]. In addition, immunogenicity study showed that rBCG overexpressing Ag85B enhances immunogenicity of BCG and induces a robust and lasting immune response [16]. These support our speculation that our BCG ∆leuD/Ag85B will conduct tumour suppression by direct killing effect to bladder cancer cells and may trigger a strong subsequent immune response when used as an immuno-therapeutic agent against bladder cancer.

Tumor suppression frequently involves the modulation of signal transduction pathways, leading to alterations in gene expression, arrest in cell cycle progression or apoptosis [33]. Apoptosis is considered a highly regulated process that allows a cell to self-degrade in order to eliminate an unwanted or dysfunctional cell [34]. Conventional anticancer treatments, such as chemotherapy and radiotherapy, kill tumor cells primarily by the induction of apoptosis through activation of the intrinsic pathway [34]. The intrinsic apoptotic pathway is mediated by the mitochondria and is mainly controlled by the balance and interactions between pro- and antiapoptotic members of the Bcl-2 family proteins, which regulate the permeability of the mitochondrial membrane [35]. It has been proposed that the ratio between bcl-2 and bax genes is more important in the regulation of apoptosis than the level of each bcl-2 family protein alone [36]. Our data indicated that treatment with BCG ∆leuD/Ag85B

(37)

markedly decreased the mRNA levels of bcl-2 and increased bax expression, while opposite results were observed in BCG Pasteur treatment. So, the bax/bcl-2 ratio increased with the treatment of BCG ∆leuD/Ag85B in 5637 cell line what may be an evidential that Bax and Bcl-2 are involved in apoptotic events associated with the cytotoxic effects of rBCG treatment.

Caspases play a central role in apoptosis [37]. Once activated, bax promotes cytochrome c release and mitochondrial fission, which leads to the activation of APAF1 into an apoptosome and activates caspase-9 to activate caspase-3. Caspase-8 is activated by the extrinsic apoptosis pathway however it also leads to caspase-3 activation [38]. When activated, caspases cleave a series of substrates, activate DNases and orchestrate cell death and its removal by scavenger macrophages [35]. A sharp increase in caspase-3 activity might be sufficient to trigger the induction of an irreversible death program [39]. In addition to higher bax/bcl-2 ratio, our results also showed an increased in mRNA level of caspase-3, caspase-9 and caspase-8, suggesting involvement of caspases with the cytotoxic effects associated with BCG ∆leuD/Ag85B treatment.

In 5637 cells, BCG ∆leuD/Ag85B also modulates the expression of Endonuclease G (Endo G) and AIF genes, which were substantially up-regulated at mRNA level in this study. A hallmark of apoptosis is the fragmentation of nuclear DNA and evidence exists that DNA fragmentation can occur independently of caspase activity [40]. Apoptosis-inducing factor (AIF) is a flavoprotein that resides in the mitochondrial intermembrane space. Upon induction of apoptosis, AIF translocates from the mitochondria to the nucleus and causes chromatin condensation and large-scale DNA fragmentation [41]. Endo G is a mitochondrial nuclease that is released under apoptotic conditions and plays a role in nuclear DNA

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fragmentation [40]. Interestingly, both genes cause DNA fragmentation independently of caspases activation [40,42,43], indicating that apoptosis can proceed in the absence of caspase activity [38]. The apoptosis gene expression data from our experiments confirms the results of cytotoxicity assay, showing that Ag85B overexpressing by BCG may induces apoptosis in 5637 cells and these effect may occur by activation of different apoptosis pathways.

Checkpoints are control mechanisms that ensure the proper timing of cell cycle events by enforcing the dependency of late events on the completion of early events [44]. Entry into mitosis is blocked by the G2 checkpoint mechanism when DNA is damaged [45]. The cell cycle at G2/M phase is arrested by p53 via the lowering of cyclin B1 levels [46,47]. Furthermore, several investigators have noted that cells deficient in p21 escape of the G2/M phase cell cycle arrest when exposed to DNA-damaging agents [48]. We demonstrate here that BCG ∆leuD/Ag85B increased the expression of p53 and p21 and thus potentially may be effective as an anti-proliferative agent for 5637 cells, through maintenance of G2/M cell cycle arrest.

Reactive oxygen species (ROS) can influence cell proliferation, gene regulation and cell death [49]. Epithelial cells can internalize bacteria and produce ROS after bacterial internalization [50]. Thus, ROS may have a significant role in determining the clinical outcome of BCG treatment [51]. As shown in this study, the overexpression of Ag85B also increased the mRNA level of antioxidant enzymes (CAT, Cu/Zn-SOD, GPx and Mn-SOD) in bladder cancer cells line after BCG ∆leuD/Ag85B treatment. The well established role of antioxidant enzymes against cancer is to prevent oxidative DNA damage [52]. However, some newly understood mechanisms also exist. Overexpression of CAT has been found to delay G0/G1 to S-phase transition during cell cycle progression in mouse aortic endothelial cells [53]. In

(39)

a study using animal model, gene therapy using a combination of GPx and Mn-SOD slowed suppressed tumor growth by 81% and increased animal survival [54]. Moreover, the anticancer activity of Ginkgo biloba extract is supposed to be due to the increasing activity of antioxidant enzymes, including SOD and CAT [55]. Future works need to be carried out, however the increased antioxidant enzymes mRNA levels in the present study might reflect the response of cells toward death.

In conclusion, our findings indicate that BCG ∆leuD/Ag85B enhances the cytotoxicity on superficial bladder cancer cells in vitro and this effect may occur by apoptosis and cell-cycle arrest. Additionally, we speculate that BCG ∆leuD/Ag85B might be superior therapeutic agent to bladder cancer than the now common commercially available strains.

ACKNOWLEDGMENTS

This work was supported by the Brazilian funding agencies CAPES, CNPq and FAPERGS.

AUTHOR CONTRIBUTIONS

Conceived and designed the experiments: KRB CR FN. Performed the experiments: KRB CR VY ES. Analyzed the data: KRB VFC. Contributed reagents/materials/analysis tools: OAD TC FS. Wrote the paper: KRB FS. Contributed intellectually and read and approved the final manuscript: KRB SB TC OAD FS.

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