UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Estudos Rurais
Janice Queiroz de Pinho Gonçalves
DA PRODUÇÃO À COMERCIALIZAÇÃO: processos de gestão dos feirantes de Sabinópolis/MG
Diamantina 2022
Janice Queiroz de Pinho Gonçalves
DA PRODUÇÃO À COMERCIALIZAÇÃO: processos de gestão dos feirantes de Sabinópolis/MG
Dissertação apresentada ao Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos Rurais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito parcial para obtenção do título de Mestra.
Orientador: Prof. Dr. Ezequiel Redin
Diamantina 2022
Catalogação na fonte - Sisbi/UFVJM
G635d
2022 Gonçalves, Janice Queiroz de Pinho
DA PRODUÇÃO À COMERCIALIZAÇÃO [manuscrito] : processos de gestão dos feirantes de Sabinópolis/MG / Janice Queiroz de Pinho Gonçalves. -- Diamantina, 2022.
134 p. : il.
Orientadora: Prof. Ezequiel Redin.
Dissertação (Mestrado em Estudos Rurais) -- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Programa de Pós-Graduação em Estudos Rurais, Diamantina, 2022.
1. Feiras livres. 2. Circuitos curtos de comercialização. 3. Feira livre de Sabinópolis/MG. 4. Microrregião de Guanhães. 5. Matriz de Análise SWOT. I.
Redin, Ezequiel. II. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
III. Título.
Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da UFVJM com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).
Este produto é resultado do trabalho conjunto entre o bibliotecário Rodrigo Martins Cruz/CRB6-2886 e a equipe do setor Portal/Diretoria de Comunicação Social da UFVJM
Janice Queiroz de Pinho Gonçalves
DA PRODUÇÃO À COMERCIALIZAÇÃO: o sistema de gestão dos feirantes de Sabinópolis/MG
Dissertação apresentada ao Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos Rurais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito parcial para obtenção do título de Mestra.
Orientador: Prof. Dr. Ezequiel Redin
Dedico este trabalho à minha família, que me apoia em todas as empreitadas e se faz presente nas minhas decisões, vocês são peça-chave para minha realização pessoal e profissional.
Dedico em especial ao meu pai, sempre presente em minha memória e no meu coração, sinto sua falta todos os dias.
AGRADECIMENTOS
À Deus toda honra e glória, pela vida, pela família e pelas conquistas. Ao meu marido Sandro e às minhas filhas Ingrid, Sthefanie e Louise, pelo incentivo, pelo apoio e pela presença em todos os momentos dos estudos, incentivando e motivando na realização dos meus objetivos. Agradeço à minha mãe, às minhas irmãs, ao meu cunhado e à minha sobrinha, vocês são muito especiais para mim, minhas conquistas também são de vocês, o que muito me alegra em compartilhar os momentos de alegria, vitória e lutas.
Agradeço imensamente ao meu orientador, Prof. Ezequiel Redin, que assumiu o compromisso além da docência, aproximando dos alunos como amigo, acolhendo nas incertezas, corrigindo no trajeto e alinhando suas expectativas às nossas na elaboração do trabalho. Você foi peça importante nesse quebra-cabeça de construção da dissertação, obrigada pelos seus ensinamentos, pela sua sabedoria e atenção aos detalhes.
Também agradeço aos professores do PPGER-UFVJM pela construção do meu aprendizado em Estudos Rurais, a cada aula me sentia mais motivada com a área de estudo.
Agradeço aos professores Sérgio Schneider e Marcelo Antônio Conterato (UFRGS), aos professores Rosislene de Fátima Fontana e Arlindo Fabrício Corrêia (UNIOESTE), aos professores Wânia Rezende Silva e Thiago Rodrigo de Paula Assis (UFLA) e ao professor Valdênio Freitas Meneses (UFCG), pela acolhida em suas disciplinas e por compartilharem conhecimentos que foram imprescindíveis para minha formação e escrita da dissertação.
Agradeço aos professores Abel Perinazzo Cassol (UFMA) pelas contribuições durante a qualificação do projeto, o que me possibilitou um olhar crítico sobre o trabalho, bem como às minhas aspirações em realizá-lo. A cada etapa concluída é um desafio vencido e a certeza de dever cumprido. Aos professores e Gustavo Pinto da Silva (UFSM) e Anderson Alvarenga Pereira (UFVJM) por participarem da defesa contribuindo com sugestões necessárias ao fechamento de mais um ciclo de formação na minha vida acadêmica.
À UFVJM tenho muita gratidão, tanto pelo mestrado realizado quanto por ser a casa de formação de duas de minhas filhas, portanto faz parte de um importante momento familiar a formação acadêmica. Ao PPGER não tenho palavras para agradecer, mas posso declarar abertamente minha admiração por cada um dos professores, foi uma grande satisfação fazer parte desse programa, pelo olhar de vocês ampliei meu horizonte.
Feiras livres são componentes essenciais na vida de municípios rurais e dos agricultores que os abastecem. Têm sempre, características marcadamente locais, associadas à cultura e às tradições dessas comunidades.
(RIBEIRO, 2007, p. 86)
RESUMO
Esta dissertação tem como proposta conhecer o perfil dos feirantes do município de Sabinópolis-MG, suas práticas de controle financeiro do negócio, os conhecimentos adquiridos que subsidiam o melhor desempenho econômico-financeiro de suas atividades, além de identificar aqueles que contribuem para a gestão do negócio Com o intuito de diagnosticar as práticas adotadas tanto para a produção como para a comercialização, utilizou-se a análise e a descrição do processo de construção social da feira no município, possuindo estratégias metodológicas a observação, a entrevista e como instrumento o questionário. A justificativa pela escolha do tema está pautada no interesse em conhecer as técnicas utilizadas pelos feirantes nos processos de produção e comercialização de mercadorias, tendo como norteador a matriz SWOT para a coleta de informações sobre as oportunidades e ameaças, os pontos fortes e fracos vivenciados no dia a dia. Como metodologia utilizou-se a abordagem qualitativa para coleta de informações, tendo pautado na pesquisa exploratória os critérios da revisão bibliográfica de artigos, teses, dissertações, livros e pesquisas sobre o tema. Os feirantes devidamente cadastrados na Associação Comunitária dos Feirantes e Artesão de Sabinópolis – ACFAS e vinculados na Secretaria Municipal de Agricultura do município de Sabinópolis/MG formam os sujeitos dessa pesquisa. A amostra consistiu daqueles com atuação na feira livre que aceitaram participar de todo o processo de entrevista. Os resultados indicam a importância da feira para o município, enquanto circuito curto de comercialização, espaço de convívio social, valorização da cultura e do trabalhador rural. Identificou-se que tanto para os feirantes quanto para os consumidores, a feira é representativa em relação a cultura, manutenção de renda, oferta de produtos de qualidade (produtos naturais, livres de agrotóxicos, produzidos artesanalmente), confiança estabelecida, além de ser um espaço de socialização da comunidade. A maioria dos relatos apontou desconhecimento quanto à forma de calcular os custos das matérias-primas utilizadas na produção, das embalagens e dos cuidados com a mercadoria. Falta aos feirantes maior orientação no processo de produção e beneficiamento de seus produtos, divulgação da feira, formação dos preços de vendas, os cuidados necessários para armazenamento e conservação, rotulagem e embalagem dos produtos. Por fim, a diversidade dos produtos poderia ser trabalhada no âmbito do apoio e fomento da produção regional, de forma a ampliar o atendimento ao mercado regional em substituição aos produtos trazidos do CEASA, visto o potencial produtivo dos municípios da microrregião de Guanhães.
Palavras-chave: Circuitos curtos de comercialização. Feiras livres. Matriz de análise SWOT.
ABSTRACT
This dissertation aims to know the profile of fairgoers in the city of Sabinópolis-MG, their practices of financial control of the business, the knowledge acquired that subsidize the best economic and financial performance of their activities, in addition to identifying those who contribute to the management of the business in order to diagnose the practices adopted for both production and marketing, it was used the analysis and description of the process of social construction of the Fair in the city, having methodological strategies the observation of the, the interview and as an instrument the questionnaire. The justification for choosing the theme is based on the interest in knowing the techniques used by fairgoers in the production and marketing processes of goods, having as a guide the SWOT matrix to collect information about opportunities and threats, strengths and weaknesses experienced in everyday life. As a methodology, the qualitative approach to information collection was used, having guided in the exploratory research the criteria of bibliographic review of articles, theses, dissertations, books and research on the subject. The market duly registered in the Community Association of Marketer and Craftsman of Sabinópolis-ACFAS and linked in the Municipal Secretariat of Agriculture of the municipality of Sabinópolis/MG form the subjects of this research. The sample consisted of those working at the free fair who agreed to participate in the entire interview process. The results indicate the importance of the fair for the municipality, as a short circuit of commercialization, space for social interaction, appreciation of culture and the rural worker. It was identified that for both fairgoers and consumers, the Fair is representative in terms of culture, income maintenance, offer of quality products (natural products, free of pesticides, produced by hand), established trust, in addition to being a space for socialization of the community. Most of the reports indicated lack of knowledge about how to calculate the costs of raw materials used in production, packaging and care of the goods. The marketers lack greater guidance in the process of production and processing of their products, dissemination of the fair, formation of sales prices, the necessary care for storage and conservation, labeling and packaging of products. Finally, the diversity of products could be worked within the support and promotion of regional production, in order to expand service to the regional market in replacement of products brought from CEASA, given the productive potential of the municipalities of the Guanhães microregion.
Keywords: Short commercialization circuits. Open Fairs. SWOT analysis matrix.
RESUMEN
Esta disertación tiene como objetivo conocer el perfil de los vendedores del mercado del municipio de Sabinópolis-MG, sus prácticas de control financiero del negocio, los conocimientos adquiridos que subsidian el mejor desempeño económico y financiero de sus actividades, además de identificar aquellos que contribuyen a la gestión empresarial. La justificación de la elección del tema se basa en el interés por conocer las técnicas utilizadas por los profesionales del marketing en los procesos de producción y comercialización de bienes, tomando como guía la matriz FODA para la recogida de información sobre las oportunidades y amenazas, los puntos fuertes y débiles que se experimentan en el día a día. Como metodología se utilizó el abordaje cualitativo para la recolección de información, habiendo orientado la investigación exploratoria los criterios de la revisión bibliográfica de artículos, tesis, disertaciones, libros e investigaciones sobre el tema. Los comerciantes del mercado debidamente registrados en la Asociación Comunitaria de Comerciantes del Mercado y Artesanos de Sabinópolis - ACFAS y vinculados al Departamento Municipal de Agricultura del municipio de Sabinópolis/MG fueron los sujetos de esta investigación. La muestra estaba formada por trabajadores del mercado libre que aceptaron participar en todo el proceso de entrevistas. Los resultados indican la importancia de la feria para el municipio, como circuito corto de comercialización, como espacio de interacción social, así como de valorización de la cultura y del trabajador rural. Se identificó que tanto para los comercializadores como para los consumidores, la feria es representativa en relación con la cultura, el mantenimiento de los ingresos, la oferta de productos de calidad (naturales, libres de pesticidas, hechos a mano), la confianza establecida, además de ser un espacio de socialización de la comunidad. La mayoría de los informes señalaban la falta de conocimientos sobre cómo calcular los costes de las materias primas utilizadas en la producción, el envasado y el cuidado de las mercancías. Los comercializadores carecen de una mayor orientación en el proceso de producción y transformación de sus productos, la promoción de la feria, la formación de los precios de venta, los cuidados necesarios para el almacenamiento y la conservación, el etiquetado y el envasado de los productos. Por fin, la diversidad de los productos podrá ser trabajada en el ámbito del apoyo y promoción de la producción regional, para ampliar el servicio al mercado regional en sustitución de los productos traídos de CEASA, visto el potencial productivo de los municipios de la microrregión de Guanhães.
Palabras-clave: Circuito corto de comercialización. Feria libre. Matriz de análisis FODA.
LISTADEFIGURAS
FIGURA 1-MODELO GRÁFICO DA MATRIZ DE ANÁLISE SWOT ... 38
FIGURA 2–MAPA DE LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DA MICRORREGIÃO DE GUANHÃES/MG ... 43
FIGURA 3-DIVISÃO DE USO DA TERRA POR ESTABELECIMENTO AGROPECUÁRIO EM SABINÓPOLIS,MG ... 60
FIGURA 4-FOTO DO PRIMEIRO LOCAL ONDE FUNCIONOU A FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG ... 66
FIGURA 5-VISTA PARCIAL DA LOCALIZAÇÃO DA FEIRA LIVRE MUNICIPAL ... 66
FIGURA 6-ESCOLARIDADE DOS FEIRANTES DE SABINÓPOLIS/MG ... 77
FIGURA 7-RENDA BRUTA FAMILIAR DOS FEIRANTES DE SABINÓPOLIS/MG EM SALÁRIO-MÍNIMO (SM) ... 79
LISTADEQUADROS
QUADRO 1–TABELA COM LISTAGEM DE ITENS PARA ANÁLISE DE PRIORIDADE GUT ... 42 QUADRO 2-POPULAÇÃO TOTAL, URBANA E RURAL POR MUNICÍPIO, DA MICRORREGIÃO DE
GUANHÃES, DE ACORDO COM O CENSO DEMOGRÁFICO DE 2010... 44 QUADRO 3-DISCRIMINAÇÃO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA DOS MUNICÍPIOS DA MICRORREGIÃO DE
GUANHÃES NOS PERÍODOS DE 2007 E 2020 ... 46 QUADRO 4-DISCRIMINAÇÃO DA PRODUÇÃO PECUÁRIA DOS MUNICÍPIOS DA MICRORREGIÃO DE
GUANHÃES,MG ... 47 QUADRO 5-ENTIDADES DE APOIO AOS FEIRANTES DA MICRORREGIÃO DE GUANHÃES,MG ... 48 QUADRO 6–CARACTERÍSTICAS E PRODUTOS DAS FEIRAS DA MICRORREGIÃO DE GUANHÃES,MG
(CONTINUA) ... 50 QUADRO 7-PERFIL POR GÊNERO E FAIXA ETÁRIA DOS FEIRANTES DE SABINÓPOLIS/MG ... 74 QUADRO 8-RELAÇÃO ENTRE ESTADO CIVIL E NÚMERO DE FILHOS DOS FEIRANTES DE
SABINÓPOLIS/MG ... 77 QUADRO 9-RELAÇÃO ENTRE SITUAÇÃO FUNCIONAL E A PRINCIPAL FONTE DE RENDA FAMILIAR
DOS FEIRANTES DE SABINÓPOLIS.MG ... 80 QUADRO 10-PRODUTOS COMERCIALIZADOS NA FEIRA LIVRE DE SABINÓPOLIS,MG... 85 QUADRO 11–PRÁTICA DE COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS FORA DA FEIRA E VARIAÇÃO DE
PREÇOS DOS PRODUTOS DURANTE A FEIRA EM SABINÓPOLIS,MG ... 91 QUADRO 12-DESCRIÇÃO DOS FEIRANTES SOBRE AS FORÇAS E FRAQUEZAS DA FEIRA LIVRE DE
SABINÓPOLIS,MG(CONTINUA) ... 99 QUADRO 13–APLICAÇÃO DA ESCALA GUT NAS FORÇAS DA FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG .... 101 QUADRO 14–CLASSIFICAÇÃO DE PRIORIDADE DE AÇÕES CONFORME ESCALA GUT SOBRE AS
FORÇAS DA FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG ... 101 QUADRO 15–PROPOSTAS DE AÇÕES PARA FORTALECIMENTO DAS FORÇAS DA FEIRA DE
SABINÓPOLIS,MG(CONTINUA) ... 104 QUADRO 16–APLICAÇÃO DA ESCALA GUT NAS FRAQUEZAS DA FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG
... 104 QUADRO 17–CLASSIFICAÇÃO DE PRIORIDADE DE AÇÕES CONFORME ESCALA GUT SOBRE AS
FRAQUEZAS DA FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG ... 105
DE SABINÓPOLIS,MG ... 107 QUADRO 19-DESCRIÇÃO DOS FEIRANTES SOBRE AS OPORTUNIDADES E AMEAÇAS À FEIRA
LIVRE DE SABINÓPOLIS,MG(CONTINUA) ... 108 QUADRO 20–APLICAÇÃO DA ESCALA GUT NAS OPORTUNIDADES DA FEIRA DE SABINÓPOLIS,
MG ... 109 QUADRO 21 –CLASSIFICAÇÃO DE PRIORIDADE DE AÇÕES CONFORME ESCALA GUT SOBRE AS
OPORTUNIDADES DA FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG ... 109 QUADRO 22–PROPOSTAS DE AÇÕES PARA POTENCIALIZAR AS OPORTUNIDADES DA FEIRA DE
SABINÓPOLIS,MG ... 111 QUADRO 23–APLICAÇÃO DA ESCALA GUT NAS AMEAÇAS À FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG .... 112 QUADRO 24–CLASSIFICAÇÃO DE PRIORIDADE DE AÇÕES CONFORME ESCALA GUT SOBRE AS
AMEAÇAS À FEIRA DE SABINÓPOLIS,MG... 112 QUADRO 25–PROPOSTAS DE AÇÕES PARA SANAR OU MINIMIZAR AS AMEAÇAS À FEIRA DE
SABINÓPOLIS,MG ... 115
LISTA DE GRÁFICO
GRÁFICO 1-EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO URBANA E RURAL NOS ANOS DE 1991,2000 E 2010, EM
... 63 GRÁFICO 2-EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO DE SABINÓPOLIS,MG ENTRE OS ANOS DE 1970 E 2020
... 64 GRÁFICO 3–PARTICIPAÇÃO FAMILIAR NA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DA FEIRA DE
SABINÓPOLIS,MG ... 83 GRÁFICO 4-DEFINIÇÃO DA QUANTIDADE OFERTADA DE PRODUTOS NA FEIRA EM SABINÓPOLIS,
MG ... 89 GRÁFICO 5-DESTINAÇÃO DAS MERCADORIAS NÃO VENDIDAS NA FEIRA EM SABINÓPOLIS,MG 90 GRÁFICO 6-PARTICIPAÇÃO DA RECEITA DA FEIRA NA RENDA FAMILIAR DOS FEIRANTES DE
SABINÓPOLIS,MG ... 92 GRÁFICO 7–DIFICULDADES, DURANTE A PANDEMIA, PELOS FEIRANTES DE SABINÓPOLIS,MG 94
LISTA DE SIGLAS
ACFAS – Associação Comunitária dos Feirantes e Artesãos de Sabinópolis APISAB – Associação de Apicultores de Sabinópolis
APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais BPC – Benefício de Prestação Continuada
CENIBRA – Celulose Nipo-Brasileira S.A.
CEASA – Centrais Estaduais de Abastecimento CEP – Comitê de Ética em Pesquisa
CMDRS – Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável DAP – Documento de Aptidão ao Pronaf
EJA – Educação de Jovens e Adultos
Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças GUT – Gravidade, Urgência e Tratamento
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística OMS – Organização Mundial de Saúde
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar
PRODHASAN – Programa de Promoção do Direito Humano à Segurança Alimentar e Nutricional
Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
SWOT - Strengths (Força) Weaknesses (Fraquezas) Opportunities (Oportunidades) Threats (Ameaças)
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UFVJM – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 27 2 METODOLOGIA ... 31 2.1LOCAL DO ESTUDO ... 33 2.2POPULAÇÃO E AMOSTRA ... 33 2.3FASE DA COLETA DE DADOS ... 34 2.4PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS ... 34 2.4.1 Pesquisa documental e bibliográfica ...34
2.4.2 Entrevista e questionário semiestruturado ...35
2.4.3 Aspectos éticos ...36
2.4.4 Organização e análise dos dados ...36
2.4.5 Matriz de Análise SWOT...37
2.4.6 Matriz de Prioridade de GUT ...40
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA ... 43 3.1MICRORREGIÃO DE GUANHÃES ... 43 3.1.1 Caracterização da Microrregião de Guanhães. ...43
3.1.2 Produção agropecuária da Microrregião de Guanhães ...45
3.1.3A relevância dos circuitos curtos de comercialização para os municípios da microrregião de Guanhães ...47
3.1.4 Feiras livres da Microrregião de Guanhães ...49
3.1.5 Mercados alternativos: um espaço em constante construção ...50
3.1.6 A importância das feiras municipais enquanto circuito curto de comercialização ...53
3.1.7 As feiras municipais e a pandemia COVID-19 ...57
3.2O MUNICÍPIO DE SABINÓPOLIS ... 59 3.2.1 Histórico socioeconômico e cultural ...59
3.2.2 Produção agropecuária em Sabinópolis ...60
3.2.3 Característica do meio rural de Sabinópolis...62
3.3A FEIRA LIVRE MUNICIPAL DE SABINÓPOLIS ... 65 3.3.1 Histórico de criação da Feira Municipal de Sabinópolis ...65
3.3.3 Instituições parceiras da ACFAS ... 71
3.3.4 Secretaria Municipal de Agropecuária ... 72
3.3.5 Prefeitura Municipal de Sabinópolis ... 72
3.3.6 Emater ... 72
3.3.7 Sebrae... 73
3.3.8 Cenibra ... 73
3.4OS FEIRANTES ... 73 3.4.1 Perfil socioeconômico dos feirantes de Sabinópolis, MG ... 74
3.4.2 Informações sobre a atividade de feirante ... 81
3.4.3 A produção dos feirantes ... 84
3.4.4 Informações sobre preços, vendas e rendas dos produtos da feira ... 89
3.4.5 Os impactos da Covid-19 nas atividades dos feirantes... 93
3.4.6 Ambientes internos e externos à feira, na visão dos feirantes... 99
3.4.6.1 Ambiente interno ... 99 3.4.6.2 Ambiente externo ... 108 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 117 REFERÊNCIAS ... 123 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO FEIRANTES DE SABINÓPOLIS/MG ... 131 ANEXO A – TCLE FEIRANTES DE SABINÓPOLIS/MG ... 133
1 INTRODUÇÃO
Em janeiro de 2020 foi declarado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o surto do novo coronavírus (2019-nCoV), descoberto na China, e que se disseminou por diversos países. O mundo entrou em estado de alerta, seguindo critérios preventivos propostos pela OMS devido à vulnerabilidade dos serviços de saúde. Mudanças para evitar a rápida dispersão do vírus e infecção da população foram implementadas, como o fechamento de serviços considerados como não essenciais pelas normativas governamentais, restrições de atendimentos em serviços públicos e distanciamento social.
Com a pandemia novos problemas perpassaram as fronteiras geográficas. A cidade de Sabinópolis, em Minas Gerais, teve os primeiros casos suspeitos de Covid-19 no final de março de 2020. A partir disso, a Secretaria Municipal de Saúde emitiu o sinal de alerta quanto aos cuidados diante das dificuldades de infraestrutura para lidar com um vírus de rápida disseminação e alto poder destrutivo. O único hospital do município é filantrópico e subsidiado pelo poder público, possui 43 leitos, dos quais 14 foram destinados para casos de covid, tendo apenas quatro máquinas de ventilação artificial, portanto as intervenções preventivas teriam um importante papel no momento.
Nesse novo contexto de pandemia, que impactou diretamente nas relações interpessoais, questionamentos foram surgindo sobre como lidar com a situação, tanto no âmbito pessoal quanto profissional. A partir de 2020 a população precisou se reinventar profissionalmente, adotando formas de trabalho que eram restritas a algumas profissões, e que não exigissem a presença física do trabalhador. O modelo de trabalho remoto até então não era visto como aplicável a todas as áreas, algumas inclusive precisaram se adaptar a essa nova realidade. Essa reorganização social afetou o comércio e os mercados alternativos de consumo, como é o caso das feiras livres, em função do distanciamento social.
Atualmente, o trabalho docente em uma Instituição Federal de Educação Profissional no município de São João Evangelista em Minas Gerais, inspirou esta pesquisa. A instituição iniciou suas atividades, nos preâmbulos de ensino, em 1947, com presença significativa na formação agrotécnica da microrregião de Guanhães. No ambiente escolar existe uma estrutura de aprendizagem que proporciona o contato da comunidade acadêmica com a produção e agroindustrialização, tendo em suas dependências uma pequena indústria de laticínios, onde são produzidos doces, queijos, manteiga e iogurte. Além dos cursos voltados para agropecuária, é ofertado o curso de Bacharelado em Administração, onde a pesquisadora
atua. De acordo com informações da secretaria acadêmica da instituição de ensino, do total de alunos matriculados na escola em 2021, 71,38% são advindos das cidades da microrregião de Guanhães.
O município de Sabinópolis é o foco da pesquisa pela vocação produtiva na agricultura e pecuária, tendo na feira livre municipal um espaço de comercialização dos produtos locais. Também motiva esse estudo a relação familiar com o município, família tradicional da cidade, pai comerciante e produtor rural. Nesse contexto, delinear e entender as estratégias produtivas dos feirantes do município torna-se relevante enquanto possibilidade de contribuir com o poder público na busca do desenvolvimento agropecuário e melhoria dos processos de gestão das unidades produtivas com vistas a atender ao circuito curto de comercialização de produtos rurais, no caso em estudo, a feira livre municipal.
As feiras livres são consideradas como uma das formas de comercialização da produção pelas famílias agricultoras nos circuitos curtos. Estão presentes em pequenas e médias cidades, possuem como participantes famílias rurais de pequena escala de produção agrícola que, muitas vezes, comercializam os produtos excedentes. No município de Sabinópolis, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Agricultura, existe a Associação Comunitária dos Feirantes e Artesão de Sabinópolis – ACFAS, criada em 1997, composta por 42 (quarenta e dois) associados, que possui importante papel na articulação de projetos e diálogo entre feirantes, órgãos públicos e empresas privadas.
Para a participação na feira livre de Sabinópolis é condição básica que o feirante tenha registro na ACFAS. Antes da pandemia a feira possuía 30 (trinta) feirantes ativos. Nesse espaço eram encontrados os mais diversos produtos como doces, quitandas (bolos, biscoitos e roscas), geleias, linguiças, queijo, frango caipira abatido e vivo, carnes defumadas, verduras, frutas e legumes etc. Alguns feirantes comercializam salgados, caldos e sucos, constituindo um espaço de construção social, de importância socioeconômica entre os participantes da feira, sejam eles feirantes, consumidores ou transeuntes1. A realização da feira ocorre tradicionalmente às sextas-feiras, das 6 às 14h, numa área onde funcionava a antiga rodoviária do município, local que possui banheiros, espaço para descanso e para armazenamento de produtos não perecíveis e para guardar as barracas desmontadas após o encerramento da feira.
Nesse ambiente de comercialização, socialização e integração de pessoas e produtos, é
1São aquelas pessoas que passam caminhando ou passando por algum local, sem compromisso de permanência.
Andante, caminhante, passante.
valorizada a cultura local, quer seja pela característica dos alimentos ofertados ou pela forma como as pessoas se relacionam.
A partir de um olhar direcionado às feiras questiona-se: Como são as feiras da microrregião de Guanhães? Em relação à organização e planejamento dos produtores feirantes de Sabinópolis/MG, quais fatores seriam considerados como positivos e negativos, oportunidades e ameaças na relação de comercialização dos produtos?
Este trabalho propõe como objetivo geral identificar as práticas e conhecimentos de controle financeiro que subsidiam o melhor desempenho econômico-financeiro que contribuem para a gestão do negócio dos produtores feirantes do município de Sabinópolis-MG,
Para tanto, os seguintes objetivos específicos foram selecionados para nortear este estudo:
i) Caracterizar as feiras livres da microrregião de Guanhães;
ii) Caracterizar a feira livre de Sabinópolis;
iii) Conhecer o perfil dos feirantes, suas práticas de controle financeiro do negócio, bem como os conhecimentos adquiridos que subsidiam o melhor desempenho econômico-financeiro de suas atividades que sejam capazes de contribuir para a identificação de possíveis informações técnicas para a gestão do negócio familiar.
iv) Identificar oportunidades e ameaças, forças e fraquezas vivenciadas pelos feirantes, utilizando a Matriz de Análise SWOT.
Nesse sentido, a fim de compreender a racionalidade das famílias feirantes foi utilizada a pesquisa exploratória cuja proposta promoveu a familiarização com o problema, em prol de uma melhor compreensão dos fatos, o que segundo Minayo (2001), corresponde ao tempo dedicado a interrogar sobre o objeto, utilizando-se de metodologia apropriada e com questões que favoreçam o desenvolvimento do trabalho.
Adotou-se para a realização do trabalho a análise e descrição do processo de construção social da feira do município de Sabinópollis/MG, partindo de informações concedidas pelos feirantes que foram precursores da feira. O conhecimento do perfil dos feirantes, suas possíveis práticas de controle financeiro nos espaços do mercado alternativo local, possibilitou o diagnóstico dos feirantes que atuam na feira, em especial, no momento da realização da pesquisa. Com a aplicação da Matriz de Análise SWOT ou Matriz FOFA, foi possível identificar as Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças percebidas pelos feirantes em relação às suas atividades e ao espaço utilizado para a feira. Com os apontamentos foi
possível conhecer, a partir do olhar dos atores, como se veem em suas atividades e no seu local de trabalho.
Considerando a relevância do tema e da sua atualidade, para uma compreensão mais abrangente, o trabalho está desenvolvido em seções. A primeira seção traz a introdução com a contextualização da pesquisa, os objetivos e a justificativa do trabalho. A segunda seção apresenta a metodologia aplicada no trabalho, descreve o tipo de pesquisa realizada, os processos e as principais ferramentas. Na terceira seção, trata dos resultados e discussão da pesquisa, apresentando a caracterização da Microrregião de Guanhães, o município de Sabinópolis, a feira livre municipal de Sabinópolis e os feirantes. Na quarta seção, tece as considerações finais com a análise dos resultados e contribuições da pesquisa para os feirantes, para a prefeitura municipal e para sugestão de trabalhos futuros sobre o tema.
2 METODOLOGIA
Para a realização do trabalho foi utilizada a pesquisa descritiva, visto que nela são trabalhadas as relações entre as variáveis, a qual é possível analisar, descrever, classificar e interpretá-las, conforme propõem Andrade (2002), Vergara (1997) e Santos (1999), no que tange aos objetivos e fins da pesquisa. Como método de pesquisa optou-se pelo qualitativo, pois a pesquisa qualitativa compreende o entendimento mais aprofundado de uma realidade (MALHORTA; ROCHA, I.; LAUDISIO, 2005), e possui a característica de descrever e explicar fenômenos sociais pela análise de experiências individuais e de grupo, que segundo Richardson (1999) possui a característica de descrever e explicar fenômenos sociais, pela análise de experiências individuais e coletivas. A pesquisa qualitativa possibilita trabalhar com as considerações dos entrevistados, suas aspirações, seus valores, suas culturas e suas perspectivas, o que segundo Minayo (2001) consiste em um espaço de relações “que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (MINAYO, 2001, p. 22).
Na busca por explicar uma realidade social, perspectivas coletivas passam a ser analisadas formando um todo conclusivo sobre um fenômeno social. Malhorta, Rocha e Laudisio (2005) defendem que a pesquisa qualitativa compreende o entendimento mais aprofundado de uma realidade. Ao descrevermos as características da feira de Sabinópolis, levamos em consideração a visão dos entrevistados de forma que a partir de suas relações com as pessoas, com o comércio e com o ambiente onde a feira está instalada, podemos compreender suas insatisfações e desejos quanto ao trabalho desenvolvido.
Nesse sentido, a fim de promover a familiarização com o problema, em prol de uma melhor compreensão dos fatos, utilizou-se da pesquisa exploratória e descritiva, visto que foram trabalhadas as relações entre as variáveis, analisando, descrevendo, classificando e interpretando-as. Partindo da observação da feira de Sabinópolis, do trabalho dos feirantes e como são estabelecidas as relações com a comunidade, as informações vão tomando sentido, ganhando estrutura, favorecendo a aproximação entre o pesquisador e objeto pesquisado. A adoção da pesquisa de campo possibilitou um recorte temporal e situacional, o que Minayo (2001) afirma corresponder a uma realidade empírica estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto de investigação. Em um primeiro momento da pesquisa de campo, utilizou-se da observação e aplicação de um questionário semiestruturado, bem como registro fotográfico. Os questionários foram aplicados durante a realização da feira, sendo utilizadas duas sextas-feiras para fechamento da aplicação.
A primeira parte do questionário traça o perfil do feirante quanto aos aspectos socioeconômicos, com o intuito de conhecer a realidade social dos entrevistados, possibilitando aproximação pelo estudo social. Segundo Fávero (2003, p. 43), “o estudo social é um processo metodológico específico que tem por finalidade conhecer profundamente, e de forma crítica, uma determinada situação ou expressão da questão social”, sendo este voltado para o conhecimento do objeto de estudo. A construção dos indicadores necessários ao estudo teve por objetivo refletir sobre a situação encontrada, servindo de instrumento para o conhecimento aproximado da realidade dos feirantes.
Para a coleta das informações sobre as práticas de produção, precificação, vendas e rendas, a ferramenta utilizada foi a entrevista mesclada com o questionário semiestruturado, a fim de possibilitar respostas padronizadas às questões previamente estabelecidas. Os entrevistados tiveram liberdade de expor informações que contribuíssem para a pesquisa, em relação a questões de trabalho, de relacionamento interpessoal e de apoio aos feirantes, o que foi possível pelas questões discursivas, que possibilitam coletar dados específicos sobre as considerações dos entrevistados que podem trazer informações inesperadas e novas. O questionário, segundo Gil (2009), corresponde a uma técnica de investigação cuja estruturação das questões tem como propósito a obtenção de informações. A partir dessas informações coletadas, são obtidas respostas aos objetivos do trabalho.
Como requisito para participação da pesquisa definiu-se que apenas os feirantes cadastrados na ACFAS e, que estivessem assíduos nos dias de feiras, estariam aptos a responderem ao questionário e à entrevista. Dessa forma, as pessoas que aceitaram participar assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Ainda como critério de participação, apenas maiores de 18 anos de idade e que não integrassem o grupo de vulneráveis/incapazes. Mesmo com a assinatura do TCLE, a pesquisadora informava que o participante poderia desistir do processo a qualquer momento. A participação na pesquisa não era obrigatória.
Para que a pesquisa estivesse apta a ser aplicada seria necessária sua aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa – CEP da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM. Dessa forma, a submissão do projeto na Plataforma Brasil vincula a aprovação da pesquisa à sua aplicação. Esse procedimento tem por objetivo garantir a proteção de sujeitos de pesquisa quanto aos padrões éticos no desenvolvimento da investigação.
Para a revisão bibliográfica foram pesquisados artigos sobre o tema, disponíveis em revistas nacionais, SCIELO, repositórios de teses e dissertações de universidades, além dos artigos e livros trabalhados nas disciplinas cursadas no Programa de Mestrado em Estudos
Rurais da UFVJM, bem como em programas de outras universidades nas quais a pesquisadora cursou disciplinas sobre o tema em pauta. Para a pesquisa dos artigos, das teses e das dissertações foram utilizadas palavras-chave que compuseram o referencial teórico: feiras livres, circuitos curtos de comercialização, mercados alternativos.
Após a seleção dos artigos e textos que atendem aos objetivos da pesquisa foram feitas as análises dos trabalhos e dos autores de referência, possibilitando ampliar o conhecimento sobre aqueles que dialogavam sobre o tema. O aporte conceitual tem na pesquisa bibliográfica a fonte de textos que propiciam maior aprofundamento analítico das bases conceituais e teóricas (GIL, 2007; LAKATOS; MARCONI, 2003). Como fontes primárias (MARCONI; LAKATOS, 2003) foram pesquisados documentos da ACFAS como os Livro de Ata e o Estatuto, compostos por textos manuscritos e digitados.
2.1 Local do Estudo
O município de Sabinópolis está localizado na região Vale do Rio Doce no estado de Minas Gerais, com estimativa populacional para 2021 em torno de 15.364 habitantes (IBGE, 2010). O território possui 919,811 km², o que corresponde a aproximadamente 91.981 hectares, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017 (IBGE, 2017). Da área total do município, cerca de 71.677 hectares (77,93%) são aproveitados com estabelecimentos agropecuários, cuja divisão de utilização das terras encontra-se distribuída em: 3,2% em lavoura (2.259 ha), 42,7%
em pastagens (30.579 ha), 51,8% em matas e florestas (37.149 ha) e 2,4% em sistemas agroflorestais (1.690 ha). Em relação ao tipo de estabelecimento agropecuário, a prevalência é de produtor individual com 1.051 estabelecimentos, de acordo com informações levantadas no IBGE (2007), que juntos somam 46.789 hectares, em dados percentuais 50,87% da área total do município.
2.2 População e amostra
Para determinação da população foi utilizado o método de pesquisa descritiva que possibilitou a observação, o registro, a análise e a correlação de fatos e fenômenos sem manipulá-los, conforme Rampazzo (2005).
A população da pesquisa considerou 42 associados da ACFAS, que consiste em feirantes atuantes e não atuantes. Do total de feirantes associados, apenas 21 estavam com frequência regular na feira, conforme informado pela presidente da associação, desses, fizeram
parte da amostra 20 (vinte) feirantes que estavam atuando na feira nos dias 27/05 e 03/06 de 2022. Foi explicado aos participantes o objetivo da pesquisa, tempo médio de duração, que não seria necessária a identificação do respondente e que a qualquer etapa do questionário havia a possibilidade de desistir de participar da entrevista. O aceite foi firmado pela assinatura do TCLE. A participação na pesquisa foi expressiva, sendo que apenas um feirante não participou da entrevista.
2.3 Fase da coleta de dados
Os dados foram coletados durante o horário de ocorrência da feira por meio de questionário semiestruturado, aplicado individualmente a cada feirante sem comprometimento do trabalho. Durante a aplicação do questionário quando havia necessidade de interrupção das respostas, o retorno ocorria de acordo com a disponibilidade do respondente, com isso foi possível observar a forma como o trabalho era realizado, a relação estabelecida com os consumidores e entre os feirantes. Quanto a prevenção de contaminação pelo COVID-19, na data de aplicação do questionário estava suspensa a obrigatoriedade do uso de máscara e de medidas restritivas de contato com as pessoas. A aplicação dos questionários ocorreu nos meses de maio e junho de 2022, tão logo a pesquisa foi autorizada pelo CEP.
2.4 Procedimento de coleta de dados
A coleta de dados ocorreu em dois momentos: no primeiro pela análise bibliográfica e seleção de material para estudo e, no segundo momento pelas entrevistas com aplicação do questionário. Ainda no que tange aos procedimentos, como instrumento de coleta de dados, foi escolhida a entrevista baseada em um questionário ordenado de perguntas, que ao serem respondidas, colaboravam de forma direta com as informações das amostras selecionadas, segundo preconizam Lakatos e Marconi (2003).
2.4.1 Pesquisa documental e bibliográfica
A pesquisa documental corresponde ao uso de documentos que são apreciados e valorizados pelos investigadores, o que possibilita o entendimento do objeto de estudo a partir da compreensão de seu contexto histórico e sociocultural. Esse tipo de pesquisa se configura pela análise de documentos que contêm informações sobre o que se deseja estudar, dessa forma,
Minayo (2008, p. 22) descreve que “a metodologia inclui concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitam a apreensão da realidade e o potencial criativo do pesquisador”. Portanto, esse procedimento faz uso de métodos e técnicas para a compreensão e análise de variados tipos de documentos.
Pelo fato de o documento não sofrer influência do pesquisador constitui-se como fonte de informação de sentido único, contudo apresenta vantagem e desvantagem. Por vantagem apontada o autor destaca o baixo custo na aplicação do método quando comparado a outros, demandando apenas o acesso aos documentos, e ainda a obtenção de informações que não serão disponibilizadas em livros pelo caráter da particularidade do objeto de estudo. Com desvantagem aponta a restrição de acesso, não ter tratamento científico como é o caso de artigos e livros, e a forma como os documentos se encontram arquivados e organizados, a desorganização de arquivos e a deterioração de documentos pode exigir maior tempo de pesquisa (CELLARD, 2008).
A pesquisa bibliográfica se caracteriza pelo uso de documentos científicos, segundo Sá-Silva, Almeida e Guindani (2009), que já passaram por tratamento científico, sendo, portanto, classificada como pesquisa secundária. Assim, Oliveira (2007) reforça que as pesquisas bibliográficas são secundárias por terem sofrido tratamento por outros estudiosos, estando sob domínio público.
No início da execução do trabalho foi realizado o levantamento bibliográfico em sites de domínio público, levando em consideração as palavras-chave que nortearam a pesquisa, a saber: feiras livres, circuitos curtos de comercialização, mercados alternativos. Após a seleção das teses, das dissertações e dos artigos procedeu-se com a leitura e síntese do material, a fim de subsidiarem na escrita teórica do trabalho. Desde as aulas teóricas do programa de Estudos Rurais e dos programas de outras universidades que a pesquisadora teve oportunidade de cursar como aluna especial, a construção do referencial teórico do trabalho já estava em seleção. A fase de pesquisa documental teve como lócus a ACFAS e considerou como documentos o Estatuto e Atas da entidade, que foram disponibilizados para leitura e digitalização para composição do trabalho.
2.4.2 Entrevista e questionário semiestruturado
Entrevista, segundo Marconi e Lakatos (1999, p. 94) corresponde ao “encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de um determinado assunto”. Com a estruturação de um roteiro previamente estabelecido torna-se possível realizar
as perguntas adaptando-as a situação e oportunidade de questionamento. O questionário corresponde ao “instrumento de coleta de dados constituído por uma série de perguntas, que devem ser respondidas por escrito”, segundo Marconi e Lakatos (1999, p. 100). Antes da aplicação do questionário com os feirantes foi realizado um pré-teste, com o intuito de avaliar a qualidade das perguntas em relação a compreensão, a interpretação e o tempo de duração das respostas. Os ajustes que se fizeram necessários foram realizados, quer seja, reescrita das perguntas, redução do quantitativo, ajuste para evitar repetição, formatação do documento e inserção de informações necessárias para o conhecimento do entrevistado.
A entrevista seguiu o roteiro do questionário semiestruturado, contando com complementações e observações que os entrevistados apontavam a fim de ampliar as informações. Durante a aplicação dos questionários os participantes tiveram a liberdade de relatar suas histórias enquanto produtores rurais e feirantes, apontando as dificuldades e satisfações no trabalho. Todas as informações foram registradas e aproveitadas em algum momento da escrita.
O questionário foi dividido em categorias de análise: Perfil do feirante; Informações sobre a produção; Informações sobre preço, vendas e rendas; Informações sobre os impactos do Covid-19 nas atividades dos feirantes e Levantamento de informações para Análise SWOT.
Na elaboração de Análise SWOT foi possível descrever, a partir das respostas dos entrevistados, os pontos fortes e fracos, as oportunidades e ameaças por eles detectadas em relação a feira e suas atividades de feirante.
2.4.3 Aspectos éticos
Para a realização da pesquisa, que diz respeito à participação de seres humanos, o trabalho foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/UFVJM), seguindo a Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.
2.4.4 Organização e análise dos dados
A organização dos dados partiu da análise de conteúdo, que segundo Bardin (2011) consiste na leitura e agrupamento das informações para análise. A ferramenta para tabulação de dados e construção de gráficos e tabelas foi o software Microsoft Excel. Após a organização dos dados, foi feita a tabulação, levando em consideração na transcrição das respostas o agrupamento pela semelhança e sentido análogo. Em todas as etapas o critério de leitura e
interpretação do pesquisador favoreceram o aproveitamento das informações coletadas com os feirantes.
Após o agrupamento foram transferidas para uma matriz de análise para interpretação das respostas, podendo a partir daí trazer uma compreensão das visões dos feirantes tanto sobre a feira quanto sobre o trabalho que nela desenvolvem. Neste trabalho foi adotada a matriz de análise SWOT - Strengths (Força) Weaknesses (Fraquezas) Opportunities (Oportunidades) Threats (Ameaças), em tradução direta conhecida como Matriz FOFA – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. O uso da matriz SWOT requer também a aplicação da metodologia de organização de respostas baseada na escala GUT – Gravidade, Urgência e Tratamento, a qual, possibilita classificar as demandas pela importância de atendimento.
2.4.5 Matriz de Análise SWOT
A Matriz SWOT consiste numa ferramenta de gestão organizacional para análise de cenário, possibilitando traçar condições que fortaleçam os pontos fortes de uma determinada situação, como as forças e oportunidades, e minimizar os pontos fracos, como as fraquezas e ameaças. Os aspectos forças e fraquezas estão relacionados aos fatores que podem ser modificados pelo observador, no caso do estudo, pelos feirantes em relação a feira e ao trabalho que nela realizam. Os aspectos oportunidades e ameaças estão relacionados a fatores que não podem ser modificados pelo observador, no caso do estudo, situações que não dependem da ação do observador para serem modificadas.
A escolha pela matriz de análise SWOT se deu pelo fato de ser uma metodologia de fácil compreensão, acessível e que as pessoas conseguem visualizar com uma certa facilidade os pontos por ela trabalhados. Essa ferramenta foi criada nas décadas de 1960 e 1970 por Albert Humphrey a partir de uma pesquisa liderada na Universidade de Stanford, com a finalidade de analisar dados da Revista Fortune sobre as 500 maiores corporações. A matriz SWOT foi construída a partir do acrônimo das palavras: Strengths (força) – Weaknesses (fraquezas) – Opportunities (oportunidades) – Threats or Risks (ameaças ou riscos) com o intuito de possibilitar a análise desses pontos nas organizações que buscam trabalhar a tomada de decisão com vista a melhorar a vantagem competitiva. Dessa forma, com a aplicação do estudo é possível descrever pelas respostas as considerações quanto a feira e o trabalho dos feirantes, possibilitando uma análise da realidade para planejar o futuro.
Com a função de cruzar informações sobre oportunidades e ameaças externas, com seus pontos fortes e fracos, Chiavenato e Sapiro (2003) apontam que essas quatro informações possibilitam a análise do ambiente organizacional e, consequentemente, promovem dados que possam subsidiar a elaboração de planejamentos estratégicos para a organização, a fim de obter maior competitividade no mercado. Para Martins (2006), a matriz de análise SWOT consiste numa ferramenta que se baseia no pensamento estratégico e de marketing, que possibilita ao gestor uma visão ampla dos negócios. Essa visão organizacional, estratégica e de marketing que poderá melhorar o posicionamento competitivo da feira no mercado local.
Figura 1- Modelo gráfico da Matriz de Análise SWOT
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
Quanto às informações de ambiente externo, Oliveira (2010) destaca as oportunidades como forças que a organização não consegue controlar. Contudo, ao serem potencializadas por ações estratégicas corroboram para a melhoria do desempenho organizacional, podendo, portanto, configurar como ponto positivo. Em relação a feira podemos exemplificar como oportunidade a localização da plantação de hortaliças, tendo proximidade com o centro da cidade ao qual facilita o acesso rápido, podendo os produtos serem colhidos no dia da feira. Como forma de potencializar a oportunidade, seria o planejamento de diversificação de hortaliças plantadas ou a inserção de plantio de leguminosas na horta, aumentando o quantitativo de produtos ofertados.
Ainda em relação ao ambiente externo, Oliveira (2010) relata que as ameaças dizem respeito aos aspectos que comprometem a organização ao criar obstáculo para suas ações estratégicas, podendo ser evitadas quando conhecidas com antecedência, são consideradas como pontos negativos. Por exemplo, num contexto da feira, podemos apontar a entrada de um novo espaço de comercialização, como um sacolão onde são vendidos todos os tipos de frutas, legumes, hortaliças compradas nas Centrais Estaduais de Abastecimento - CEASA. Nesse sentido, ao conhecer o problema que pode impactar na comercialização dos produtos da feira, ações para minimizar os riscos devem ser pontuadas e discutidas, com o intuito de encontrar uma solução que melhor se adeque ao que atenda às necessidades dos feirantes para evitar o comprometimento do trabalho com a entrada de concorrente no mercado local. Em relação a realidade da feira de Sabinópolis, uma das formas de minimizar os impactos de entrada de produtos da CEASA seria o incentivo à produção local de hortifruti, fortalecendo os produtores ofertantes, bem como o manejo e a produção de suas culturas, evitando a oferta sazonal de determinados produtos.
Em relação às informações de Ambiente Interno, Oliveira (2010) define como pontos fortes aqueles relacionados às forças, correspondendo ao que a organização tem de diferenciado ou vantagem operacional, sendo as variáveis controláveis. Nessa lógica, a partir da exemplificação sobre as forças no ambiente da feira, podemos relacionar o fato da feira constituir-se como espaço social, onde as pessoas estão em busca de produtos e socialização.
Dessa forma, cabe aos feirantes criarem meios de potencializar as ações de socialização no ambiente da feira e ampliação da oferta de produtos para os consumidores.
Quanto às fraquezas ou pontos fracos de acordo com Oliveira (2010), correspondem às ações inadequadas ou que proporcionam desvantagem operacional no ambiente interno, sendo também uma variável controlável. As forças devem ser potencializadas e as fraquezas eliminadas ou adequadas para não comprometerem o trabalho. Como exemplo de fraqueza no contexto da feira é possível citar a falta de identidade visual como uma logomarca a ser utilizada nos rótulos dos produtos, nos uniformes dos feirantes, nos bonés, nas camisetas, a fim de criar uma marca da feira.
Assim, a partir da matriz SWOT diversos pontos podem ser analisados, quer seja sobre a feira, as relações entre os feirantes, desses com seus consumidores, a feira enquanto espaço social, dentre outros. Esse é um exercício que promove o autoconhecimento e o conhecimento de fatores externos, de forma que ações para mudanças ou aperfeiçoamentos devem partir do interesse das pessoas envolvidas no ambiente a ser trabalho.
2.4.6 Matriz de Prioridade de GUT
Como ferramenta complementar à Matriz de Análise SWOT, trazemos para as análises sobre a feira a Matriz de Prioridade de GUT (Gravidade x Urgência x Tendência). A proposta dessa matriz, elaborada por Charles H. Kepner e Benjamin B. Tregoe em 1981, é de ser aplicada como ferramenta para solução de problemas complexos das indústrias americanas e japonesas. Nessa lógica, é considerada ferramenta de qualidade que tem como base a definição de prioridades a serem dadas às diversas alternativas de ação.
Dessa forma, a matriz utiliza três elementos para classificar o problema ou ação, de acordo com a consideração do avaliador. Nessa perspectiva, assim como ocorre nas empresas, essa matriz possibilita priorizar situações com base nas escalas proposta pelos autores. Em especial, no que tange ao estudo da feira, após levantamento das forças, oportunidades, fraquezas e ameaças vislumbradas pelos feirantes, balizamos as informações tornando possível elencar de acordo com a maior ou menor necessidade de resolução do problema. Um exemplo seria quanto a uma situação de avaliação do espaço da feira como insuficiente para sua realização, havendo, portanto, uma necessidade de mudança de local ou ampliação no espaço, caso fosse possível. Assim, a partir da Matriz GUT partimos da análise da situação posta (espaço insuficiente) quanto a urgência em sua solução, apresenta gravidade para o desenvolvimento da feira caso não seja resolvido e ainda se a insistência em manter no local, comprometeria a comercialização dos produtos.
Para melhor esclarecer cada indicativo, partiremos da Gravidade, que se refere ao impacto do problema sobre os envolvidos, caso esteja acontecendo ou venha a acontecer. Nesse momento, faz-se a análise da gravidade do problema ou ação da empresa, processo ou pessoas.
A Urgência diz respeito ao prazo ou tempo disponível para resolver o problema ou executar a ação. Para problemas ou ações mais urgentes, menor deve ser o tempo disponível para trabalhar na solução, e vice-versa, quanto menor o problema ou ação, maior o tempo disponível. Dessa forma, a classificação de urgência está relacionada ao fator tempo.
A Tendência representa o potencial de crescimento do problema ou ação, a probabilidade de se agravar com o passar do tempo. Devem ser consideradas além da tendência de agravamento, a de redução e o desaparecimento do problema ou ação.
Para avaliar cada um dos elementos é necessário que seja aplicada uma nota para cada item avaliado, considerando a pontuação de 1 a 5, conforme apresentado na Tabela 1 que
representa a Escala GUT para pontuação dos itens, levando em consideração os impactos ou danos que possam ser gerados nos aspectos Gravidade, Urgência e Tendência.
Assim, para utilizar a Matriz de Prioridade GUT deve-se seguir as etapas:
1) Listar os problemas ou ações que se deseja analisar;
2) Analisar e atribuir nota de 1 a 5 para cada aspecto (gravidade, urgência, tendência);
3) Multiplicar os resultados obtidos nos aspectos analisados;
4) Classificar em ordem crescente os resultados analisados GUT;
5) Priorizar problemas/ações.
Para responder à escala GUT consideramos o rol de perguntas a serem respondidas que ao pontuar os objetos de análise, torna-se possível realizar as classificações, conforme apresentado na Tabela 1, a seguir.
Para complementação da tabela é necessário avaliar cada item em relação aos aspectos Gravidade, Urgência e Tendência, inferindo valores de 1 a 5 que após definidos deverão ser multiplicados para chegar ao resultado por item (G x U x T).
Tabela 1 – Escala GUT para avaliação de Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças Gravidade Escal
a Urgência Escala Tendência Escal
a O dano é
extremamente importante?
5
Tenho de tomar uma ação bastante
urgente?
5
Se mantiver a forma e intensidade de atuação a
situação vai piorar (crescer) muito?
5
O dano é muito
importante? 4
Tenho de tomar uma ação urgente? 4
Se mantiver a forma e intensidade de atuação a
situação vai piorar (crescer)?
4
O dano é importante?
3
Tenho de tomar uma ação relativamente
urgente?
3
Se mantiver a forma e intensidade de atuação a situação vai permanecer?
3
O dano é relativamente
importante
2 Posso aguardar? 2
Se mantiver a forma e intensidade de atuação a
situação vai melhorar (desaparecer)?
2
O dano é pouco
importante? 1 Não há pressa? 1
Se mantiver a forma e intensidade de atuação a
situação vai melhorar (desaparecer) completamente?
1
Fonte: Oliveira (2015, p. 129 – 130). Adaptado pela autora.
Encontrados os resultados esses deverão ser classificados em ordem crescente de acordo com o grau de prioridade de resolução apontado pelo valor obtido da multiplicação.
Finalmente, deve-se classificar quando ocorre empate entre resultados aqueles considerados principais, ou recorrer a nova avaliação dos itens para a reclassificação dos resultados.
Quadro 1– Tabela com listagem de itens para análise de Prioridade GUT
Problema/Ação Gravidade (G) Urgência (U) Tendência (T) Resultado Item 1
Item 2 Item 3 Item 4
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.
Após a realização da avaliação dos itens, parte-se para a elaboração do plano de ação que visa suprir a demanda apresentada. O plano de ação deve ser desenvolvido, levando em consideração a participação dos atores do contexto analisado, bem como suas capacidades de empenho na realização do planejamento. Para cada demanda deve-se apresentar as formas de solucionar os problemas, a fim de alcançar os resultados desejados. Esse processo requer dos participantes: envolvimento, comprometimento, transparência, dedicação, colaboração e foco e nos resultados, ajustando sempre que necessário as ações a serem desenvolvidas.
Dessa forma, partindo de uma proposta de desenvolvimento de discussões sobre a feira, no que tange a atividade dos feirantes, desde a produção à comercialização, faz-se necessária aplicação de ferramentas de gestão para a priorização de ações a serem implementadas em prol do crescimento e desenvolvimento desse mercado curto de comercialização que beneficia tanto os ofertantes como os demandante dos produtos.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA
Esta seção corresponde à análise dos resultados da pesquisa de cunho qualitativo e aplicação de questionário estruturado com os feirantes de Sabinópolis, Minas Gerais. A fundamentação teórica possibilitou o aporte de conteúdos para compreender e relacionar os resultados encontrados com os de alguns autores pesquisadores de feiras, favorecendo comparações e percepção entre os trabalhos.
3.1 Microrregião de Guanhães
A microrregião de Guanhães possui área territorial de 5.775,792 km², calculada a partir da somatória das áreas das unidades territoriais de cada um dos 15 municípios que a compõem. Considerando a população da microrregião, utilizamos como base de cálculo a somatória da população dos municípios estimada para o ano de 2021, conforme dados do IBGE Cidades (2021), perfazendo um total de 135.087 habitantes na microrregião. Em relação aos dados do Censo de 2010, observa-se um crescimento populacional, cuja estimativa era de 130.963 habitantes, o que representa em termos relativos um crescimento de 3,15% da população.
3.1.1 Caracterização da Microrregião de Guanhães.
Geograficamente a microrregião de Guanhães está localizada no Vale do Rio Doce, leste mineiro, sendo composta pelos municípios: Braúnas, Carmésia, Coluna, Divinolândia de Minas, Dores de Guanhães, Gonzaga, Guanhães, Materlândia, Paulistas, Sabinópolis, Santa Efigênia de Minas, São João Evangelista, Sardoá, Senhora do Porto e Virginópolis.
Figura 2– Mapa de localização geográfica da Microrregião de Guanhães/MG
Fonte: Elaborado pela autora, 2022.