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Academic year: 2022

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(1)

Despesas com pessoal

Administração Financeira e Orçamentária (AFO)

Prof. Sérgio Machado

(2)

Sumário

CAP. IV: DA DESPESA PÚBLICA (ARTS. 15 A 24) ... 3

DESPESAS COM PESSOAL ... 3

Regras e critérios para o cálculo e apuração da despesa total com pessoal ...4

Limites da despesa total com pessoal ... 10

Controle da despesa total com pessoal ... 19

Limites de alerta, prudencial e máximo ... 27

Sanções (restrições) ... 34

Prazos (e exceções aos prazos) para redução das despesas com pessoal... 38

QUESTÕES COMENTADAS- CESPE ... 46

LISTA DE QUESTÕES – CESPE ... 58

GABARITO – CESPE ... 61

RESUMO DIRECIONADO ... 62

(3)

Cap. IV: da Despesa Pública (arts. 15 a 24)

Despesas com pessoal

Antes de mais nada, você precisa saber o que é despesa total com pessoal. Você tem que conhecer esse conceito e saber diferenciar o que é considerado despesas com pessoal e o que não é. Isso está no artigo 18:

Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência.

Muita coisa está aí dentro, não é mesmo? Mas ainda tem um pouco mais:

Art. 18, § 1º Os valores dos contratos de terceirização de mão de obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados como "Outras Despesas de Pessoal".

Observe que nem todos os contratos de terceirização de mão de obra integram o limite de despesas com pessoal. Devemos nos perguntar: esses contratos de terceirização de mão de obra se referem à substituição de servidores e empregados públicos?

• Se sim, então serão contabilizados como Outras Despesas de Pessoal (e aí eles integram o limite de despesas com pessoal);

• Se não, então não serão contabilizados como tal.

Mas como saber se essas terceirizações estão substituindo servidores e empregados públicos?

Bom, em regra, as terceirizações que substituem servidores e empregados públicos estão relacionadas à atividade-fim do órgão ou entidade, constando cargo equivalente no plano de cargos e salário do ente público.

Por exemplo: num Tribunal de Contas, um contrato que terceirize a auditoria, ou seja, a contratação de auditores terceirizados, é um contrato de terceirização de mão de obra que substitui servidores.

Essa regra existe para que não haja burla ao limite de despesas com pessoal e à contratação por concurso público (CF/88, art. 37, II).

Já pensou se essa regra não existisse? O limite de despesas com pessoal não iria servir para muita coisa. Se o Poder ou órgão já estivesse acima do limite era só ele contratar terceirizados, em vez de realizar concurso público. Na essência, o Poder ou órgão estaria contratando servidores e empregados públicos (até porque os terceirizados estariam substituindo estes), mas se aproveitando (abusando) da forma para não inflar sua despesa total com pessoal.

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Regras e critérios para o cálculo e apuração da despesa total com pessoal

Tão importante quanto saber os limites da despesa total com pessoal é saber como ela é calculada e apurada.

Em primeiro lugar, você tem que saber o período ela abrange:

Art. 18, § 2º A despesa total com pessoal será apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos 11 (onze) imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência, independentemente de empenho.

Parece com a apuração da Receita Corrente Líquida (RCL), não é mesmo?

Art. 2º, § 3º A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos onze anteriores, excluídas as duplicidades.

Lembrando que o regime de competência, de acordo com o MCASP 8ª edição: “é o regime contábil segundo o qual transações e outros eventos são reconhecidos quando ocorrem (não necessariamente quando caixa e equivalentes de caixa são recebidos ou pagos). Portanto, as transações e os eventos são registrados contabilmente e reconhecidos nas demonstrações contábeis dos períodos a que se referem.”

Complementando essa definição, a parte final do § 2º do artigo 18, acrescentada pela Lei Complementar 178/21, dispõe que a apuração será feita “independentemente de empenho”. Isso significa que não interessa quando o empenho foi feito. O que interessa é quando o fato gerador aconteceu. O que interessa é o mês de competência.

Por exemplo: a apuração da despesa de abril de 2021 abrange o mês de referência (abril de 2021) e os 11 anteriores (maio de 2020 em diante). Acontece que a despesa com pessoal de abril de 2020 só foi empenhada em maio de 2020.

E agora? A despesa com pessoal de abril de 2020 vai entrar nessa apuração? De forma alguma! Não interessa se o empenho foi realizado em outro mês. O que interessa é o mês de competência.

Contratos de terceirização de

mão de obra

Outras Despesas de

Pessoal

... que se referem à substituição de

servidores e empregados

públicos

(5)

Outro exemplo seria uma sentença judicial que determina o pagamento por meio de precatórios de competência de abril de 2020, sendo que a Administração somente empenhou em dezembro de 2020. Não importa quando o empenho foi feito. O que importa é a competência. “Adota-se o regime de competência, independentemente de empenho”.

Veja, portanto, que uma obrigação com pessoal reconhecida deve ser considerada no cálculo, independentemente de sua execução orçamentária (empenho). Em outras palavras: a apuração da despesa total com pessoal será feita de acordo com o regime de competência, independentemente da execução orçamentária.

Vamos a um exemplo para facilitar a visualização dessa apuração:

Mês (competência) Despesa Total com Pessoal mensal

maio, 2020 R$ 100,00

11 anteriores

junho, 2020 R$ 100,00

julho, 2020 R$ 100,00

agosto, 2020 R$ 100,00

setembro, 2020 R$ 100,00

outubro, 2020 R$ 100,00

novembro, 2020 R$ 100,00

dezembro, 2020 R$ 100,00

janeiro, 2021 R$ 100,00

fevereiro, 2021 R$ 100,00

março, 2021 R$ 100,00

abril, 2021 R$ 200,00 mês de referência

Despesa Total com Pessoal apurada em abril de 2021

(primeiro quadrimestre)

R$ 1.300,00

Em segundo lugar, você deve saber que:

Art. 18, § 3º Para a apuração da despesa total com pessoal, será observada a remuneração bruta do servidor, sem qualquer dedução ou retenção, ressalvada a redução para atendimento ao disposto no art.

37, inciso XI, da Constituição Federal. (Incluído pela Lei Complementar 178, de 2021).

Observação: a ressalva feita pelo dispositivo diz respeito ao teto constitucional (remuneração dos Ministros do Supremo Tribunal Federal – STF).

Se o princípio do orçamento bruto fosse levado a sério, o legislador não precisaria escrever isso. Algum ente federativo “espertinho” poderia estar considerando as remunerações líquidas dos servidores, diminuindo artificialmente a sua despesa total com pessoal.

Alguns entes federativos deduziam o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) do cálculo das despesas com pessoal, alegando que essa era uma receita do ente (fundamentação na CF/88, artigos 157, I, e 158, I).

Essa prática, inclusive, era referendada pelos respectivos Tribunais de Contas, estes que detém competência para verificar os cálculos dos limites da despesa total com pessoal (LRF, art. 59, § 2º).

(6)

E vale ressaltar que o STF já decidiu (ACO 2393) ser “possível a comprovação, pelo Estado, da observância do limite de gastos com pessoal, mediante decisão do Tribunal de Contas local, visando a concessão, pela União, de garantia em empréstimos contratados com instituições financeiras nacionais e internacionais.”

Por isso, o legislador agora deixa bem claro que, para fins de apuração da despesa total com pessoal, será considerada a remuneração bruta do servidor, o que contribui para a padronização da apuração da despesa total com pessoal nos diversos entes federativos.

Em terceiro lugar, é importante saber que ao final de cada quadrimestre (4 meses) haverá uma verificação do cumprimento dos limites da despesa total com pessoal (estabelecidos nos artigos 19 e 20, que veremos a seguir):

Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de cada quadrimestre.

Repare que as verificações acontecem sempre após os meses de abril, agosto e dezembro (não é “nos meses de abril, agosto e dezembro, porque temos que esperar esses meses terminarem para completar o quadrimestre. Por isso que a lei fala “ao final de cada quadrimestre”).

Os resultados são divulgados no Relatório de Gestão Fiscal (RGF), emitido ao final de cada quadrimestre, contendo comparativo do limite de despesa total com pessoal com a despesa total com pessoal verificada, distinguindo as despesas com inativos e pensionistas (art. 54 e 55, I, “a”).

Vale ressaltar que os municípios com população inferior a 50.000 habitantes podem optar por realizar essa verificação somente ao final de cada semestre. Observe:

Art. 63. É facultado aos Municípios com população inferior a cinquenta mil habitantes optar por:

I - aplicar o disposto no art. 22 e no § 4º do art. 30 ao final do semestre;

Em quarto e último lugar (prometo ), é fundamental saber que algumas despesas não serão computadas no cálculo das despesas com pessoal. Elas estão elencadas no § 1º do artigo 19 da LRF:

Abril/2020 Abril/2021

Verificação ao final de cada quadrimestre (regime de competência)

Agosto/2020 Dezembro/2020 11 imediatamente anteriores

Mês de referência

Maio/2020

(7)

Art. 19, § 1º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas:

I - de indenização por demissão de servidores ou empregados;

II - relativas a incentivos à demissão voluntária;

III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição;

IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período anterior ao da apuração a que se refere o § 2º do art. 18;

V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional no 19;

VI – com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade gestora única ou fundo previsto no art.249 da Constituição Federal, quanto à parcela custeada por recursos provenientes:

(Redação dada pela Lei Complementar 178, de 2021) a) da arrecadação de contribuições dos segurados;

b) da compensação financeira de que trata o § 9ºdo art. 201 da Constituição; (compensação financeira entre o RGPS e RPPS)

c) de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime de previdência, na forma definida pelo órgão do Poder Executivo federal responsável pela orientação, pela supervisão e pelo acompanhamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos.

A redação anterior do inciso VI mencionava apenas os inativos. A nova redação veio para esclarecer que também devem ser considerados os pensionistas.

§ 2º Observado o disposto no inciso IV do § 1º, as despesas com pessoal decorrentes de sentenças judiciais serão incluídas no limite do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.

§ 3º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, é vedada a dedução da parcela custeada com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência.

“Caramba, professor, como é que eu vou lembrar disso tudo?”

Calma. É só você pensar o seguinte: a LRF é sempre a favor da redução da despesa total com pessoal.

Por isso, ela dará todos os incentivos do mundo para um Poder ou órgão reduzi-las!

Por exemplo: o Poder Executivo demitiu servidores e tem que pagar uma gorda indenização para eles? “Não se preocupe, ente. Pode demiti-los tranquilamente, porque essa gorda indenização não vai entrar no cálculo das suas despesas com pessoal”.

(8)

Outro exemplo: o Poder Legislativo quer incentivar a demissão voluntária? Pode fazê-lo tranquilamente, pois esses gastos não serão computados nas despesas com pessoal.

Essa é a forma da LRF dizer: “esses são gastos com pessoal, mas eu não vou computá-los na despesa total com pessoal, porque são gastos que ajudam a reduzir a despesa total com pessoal”.

Há também a situação que o gasto não será computado por conta do princípio da competência, a exemplo das despesas decorrentes de competência de período anterior ao da apuração da despesa total com pessoal (que está lá no artigo 18, § 2º, da LRF).

Por exemplo: a apuração realizada ao final de dezembro de 2020 não contempla uma despesa de abril de 2019, pois de acordo com o artigo 18, § 2º, a apuração somente abrange o mês em referência e os 11 imediatamente anteriores.

Nessa esteira, preste atenção no inciso IV do § 1º e no § 2º: ambos falam sobre despesas com pessoal decorrentes de sentenças judiciais. A diferença é que as despesas decorrentes de sentenças judiciais:

• referentes aos últimos 12 meses serão incluídas no cálculo da despesa total com pessoal; e as

• referentes a períodos anteriores aos últimos 12 meses não serão computadas no cálculo da despesa total com pessoal.

“Por que esse período de 12 meses, professor?”

Porque, novamente de acordo com o § 2º do art. 18, “a despesa total com pessoal será apurada somando- se a realizada no mês em referência com as dos 11 (onze) imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência, independentemente de empenho”.

Agora voltemos nossa atenção para o inciso VI. Não serão computadas as despesas com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade gestora única ou fundo previsto no art. 249 da CF/88 (artigo que possibilita aos entes federativos a constituição de fundos para pagamento de proventos de aposentadoria e pensões concedidas aos seus respectivos servidores e dependentes), custeadas com recursos vinculados. Esses recursos vinculados podem ser:

• arrecadação de contribuições dos segurados;

compensação financeira entre o RGPS e RPPS; e

• transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime de previdência.

“O que são essas transferências aí, professor?”

Bom, eventualmente um regime de previdência pode estar deficitário, em termos financeiros (déficit financeiro) e em termos atuariais (déficit atuarial). Uma das formas de restabelecer o equilíbrio atuarial do regime de previdência é por meio de transferências (aportes). Se as despesas com inativos e pensionistas forem custeadas com recursos provenientes dessas transferências, essas despesas não serão computadas na apuração da despesa total com pessoal!

Preste atenção!

As despesas com inativos e pensionistas custeadas com recursos provenientes de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime de previdência não serão computadas na

apuração da despesa total com pessoal.

(9)

Agora, preste atenção: como artifício para reduzir a sua despesa total com pessoal, alguns entes federativos deduziam (do total da despesa total com pessoal) as despesas com inativos e pensionistas custeadas com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro do regime de previdência.

Agora, de acordo com o art. 19, § 3º (incluído pela LC 178/21), isso não é mais permitido! Na verificação do atendimento dos limites de despesas com pessoal, essas despesas não podem ser deduzidas, pois, para fins da LRF, elas compõem a despesa total com pessoal.

Permita-me, então, lhe dar alguns exemplos de despesas que são e que não são computadas no cálculo da despesa total com pessoal:

Despesas computadas no cálculo da despesa total com pessoal

Despesas não computadas no cálculo da despesa total com pessoal

• Pessoal ativo, inativo e pensionistas;

• Encargos sociais e previdenciários;

• Abono de Permanência;

Salário-família.

Despesas de caráter indenizatório:

• Auxílio alimentação;

• Auxílio transporte (vale transporte);

• Auxílio moradia;

• Ajuda de custo;

• Auxílio natalidade;

• Auxílio creche ou assistência pré-escolar;

• Auxílio deficiente;

• Auxílio invalidez;

• Auxílio educação;

• Auxílio funeral

• Diárias;

• Demissão de servidores ou empregados e incentivos à demissão voluntária;

• Convocação extraordinária do Congresso Nacional.

Despesas com inativos e pensionistas custeadas com recursos aportados para a cobertura do déficit

financeiro do regime de previdência

Despesas com inativos custeadas com recursos:

• da arrecadação de contribuições dos segurados

Despesas com inativos e pensionistas custeadas

com recursos

provenientes de transferências destinadas a

promover o equilíbrio atuarialdo regime de

previdência

não são computadas

aportados para a cobertura do déficit financeirodo regime de

previdência

são computadas (não podem ser deduzidas)

(10)

• da compensação financeira entre o RGPS e RPPS

• de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime de

previdência.

Sentenças Judiciais referentes aos últimos 12 meses Sentenças Judiciais – períodos anteriores aos últimos 12 meses

Despesas de Exercícios Anteriores (últimos 12 meses)

Despesas de Exercícios Anteriores referente períodos anteriores aos últimos 12 meses Terceirização de mão de obra referente à

substituição de servidores e empregados

Terceirização de mão de obra que não se refira à substituição de servidores e empregados

Esquematizando

Limites da despesa total com pessoal Pronto!

Agora, finalmente, você vai conhecer os limites da despesa total com pessoal. Tenha sempre em mente que eles são definidos em percentuais de receita corrente líquida (RCL).

Preste atenção!

Despesas com pessoal

Não serão computadas no

cálculo

Indenização por demissão de servidores e empregados

Incentivos à demissão voluntária

Convocação extraordinárias do CN

decisão judicial competência de período

anterior Pessoal do DF, AP e RR Inativos, quando custeadas com recursos provenientes

da arrecadação de contribuições dos segurados

compensação financeira entre RGPS e RPPS

de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do

regime de previdência

(11)

Os limites da despesa total com pessoal são definidos em percentuais de receita corrente líquida (RCL).

O artigo 19 apresenta os limites percentuais por ente, observe:

Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados:

I - União: 50% (cinquenta por cento);

II - Estados: 60% (sessenta por cento);

III - Municípios: 60% (sessenta por cento).

Ente federativo Limites para despesas com pessoal (em % da RCL)

União 50%

Estados 60%

Municípios 60%

Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais:

I - na esfera federal:

a) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União;

b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;

c) 40,9% (quarenta inteiros e nove décimos por cento) para o Executivo, destacando-se 3% (três por cento) para as despesas com pessoal decorrentes do que dispõem os incisos XIII e XIV do art.

21 da Constituição e o art. 31 da Emenda Constitucional no 19, repartidos de forma proporcional à média das despesas relativas a cada um destes dispositivos, em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar; (Vide Decreto nº 3.917, de 2001)

d) 0,6% (seis décimos por cento) para o Ministério Público da União;

II - na esfera estadual:

a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Estado;

b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;

c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo;

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d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Estados;

III - na esfera municipal:

a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Município, quando houver;

b) 54% (cinquenta e quatro por cento) para o Executivo.

“Beleza, professor. Mas me diz uma coisa: dentro do Poder Legislativo federal, por exemplo, há mais de um órgão. Tem a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. E a LRF ainda inclui TCU nesse Poder. Como será feita a repartição desses 2,5% destinados ao Poder Legislativo federal entre os seus órgãos?”

Excelente pergunta! É exatamente isso que § 1º do artigo 20 responde:

Art. 20, § 1º Nos Poderes Legislativo e Judiciário de cada esfera, os limites serão repartidos entre seus órgãos de forma proporcional à média das despesas com pessoal, em percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar.

Repare então que foi verificada a média das despesas com pessoal nos três exercícios financeiros imediatamente anteriores ao da publicação desta Lei Complementar (1997, 1998 e 1999).

Se foi verificado, por exemplo, que a média Câmara dos Deputados correspondia a 50% da média total do Poder Legislativo federal, então a Câmara dos Deputados faz jus a 50% dos 2,5% destinados ao Poder Legislativo federal.

“Certo, certo, professor. Mas que órgãos exatamente são esses? Quem exatamente está sujeito a esses limites?”

Ah! O § 2º do artigo 20 responde essa:

Art. 20, § 2º Para efeito deste artigo entende-se como órgão:

I - o Ministério Público;

II - no Poder Legislativo:

a) Federal, as respectivas Casas e o Tribunal de Contas da União;

b) Estadual, a Assembleia Legislativa e os Tribunais de Contas;

c) do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o Tribunal de Contas do Distrito Federal;

d) Municipal, a Câmara de Vereadores e o Tribunal de Contas do Município, quando houver;

III - no Poder Judiciário:

a) Federal, os tribunais referidos no art. 92 da Constituição;

b) Estadual, o Tribunal de Justiça e outros, quando houver.

Esquematizando

(13)

“Cadê essa tabela, professor?”

Calma, calma! Tem só mais um detalhe que você precisa saber antes de consultar a tabela:

Art. 20, § 4º Nos Estados em que houver Tribunal de Contas dos Municípios, os percentuais definidos nas alíneas a e c do inciso II do caput serão, respectivamente, acrescidos e reduzidos em 0,4% (quatro décimos por cento).

Isso significa que nos Estados em que houver Tribunal de Contas dos Municípios (Bahia, Goiás e Pará - para memorizar: BA GO PA), nós vamos subtrair 0,4% do percentual do Executivo e adicionar esses mesmos 0,4% ao Poder Legislativo. “Tira de lá e coloca aqui”.

Finalmente, eis a gloriosa tabela:

União Estados

Estados (se houver TC dos

Municípios)

Municípios

Executivo 40,9% 49% 48,6% 54%

Judiciário 6% 6% 6% -

Legislativo, incluindo TCs 2,5% 3% 3,4% 6%

Ministério Público 0,6% 2% 2% -

Total 50% 60% 60% 60%

Prof. Marcel Guimarães 37

ÓRGÃOS

I–Ministério Público

II–No Poder Legislativo

III–No Poder Judiciário e Tribunais Militares

Federal

Estadual

DF

Municipal

Câmara dos Deputados Senado Federal

TCU

Assembleia Legislativa TCE

TC dos Municípios (BA, GO, PA) Câmara Legislativa (CLDF) TCDF

Câmara dos Vereadores TCM (SP e RJ)

Federal

Estadual

STF STJ

TRFsTribunais do Trabalho (TST e TRTs) Tribunais Eleitorais (TSE e TREs) TJ e outros (quando houver)

(14)

Para facilitar a visualização e memorização, vou excluir a coluna dos Estados que possuem TC dos municípios (basta você lembrar daqueles 0,4%, ok? ).

União Estados Municípios Executivo 40,9% 49% 54%

Judiciário 6% 6% -

Legislativo, incluindo TCs 2,5% 3% 6%

Ministério Público 0,6% 2% -

Total 50% 60% 60%

Pronto. Essa é a tabela que você tem que conhecer de trás para frente, de cima para baixo, de todo jeito!

Sugiro que você crie algum sistema, alguma forma de preencher essa tabela na sua mente (ou então olhe bem para ela e resolva muitas questões. Com o tempo, esses percentuais ficarão naturais para você). Mas como eu sou o seu professor, e meu trabalho é facilitar as coisas pra você, eu vou lhe dar dicas valiosas de como memorizar esses números:

Dica do professor

Poder Judiciário é sempre 6%.

Não existe Poder Judiciário nos municípios. Então, nos municípios, quem terá 6% é o Poder Legislativo. Para completar os 60% do município, falta 54%, que é justamente o percentual do Executivo (já que também não há MP no âmbito municipal). Nos municípios são só dois percentuais: 6% e 54%.

Na União, Poder Judiciário é 6% (como sempre é). Divida isso por 10 e você chegará no limite do MP.

Na União e nos Estados, o percentual do Poder Executivo tem o algarismo 9. Nos Estados, é 49%. Para chegar no percentual da União, coloque um zero entre o 4 e o 9: você chegará ao percentual de 40,9%.

A União é o ente que tem os percentuais mais “quebrados”: 40,9%, 2,5%, 0,6%.

Por último, não se preocupe se você esquecer um determinado número: é só você somar até chegar no limite total do ente. Por exemplo: nos Estados, você lembra que Poder Executivo é 49%, Poder Judiciário é 6%, Poder Legislativo é 3%, mas você não lembra o percentual do MP. Mas você sabe que o limite de despesa total com pessoal dos Estados é de 60% (esses são bem fáceis de lembrar). Então é só você fazer a seguinte conta: 60 – 49 – 6 – 3 = 2. Ou faça o caminho inverso: 49 + 6 + 3 = 58. Quanto falta para chegar em 60? Só 2. Está aí o percentual que faltava.

Agora vamos ver isso graficamente:

(15)

Curiosidade

"E as defensorias públicas, professor? Qual é o limite de despesa total com pessoal para elas?”

De acordo com o Manual de Demonstrativos Fiscais (MDF), a LRF foi publicada em 2000. Já a EC nº 45/2004, que conferiu autonomia orçamentário-financeira às defensorias estaduais, e a EC nº 74/2013, que conferiu autonomia orçamentário- financeira à Defensoria da União e do Distrito Federal, somente foram promulgadas após essa data. Em razão disso, a LRF não contemplou limites específicos para as defensorias públicas e, portanto, enquanto esses limites não forem estabelecidos, seus valores devem constar do Demonstrativo da Despesa com Pessoal do Poder Executivo.

No entanto, tendo em vista a determinação contida no Acórdão nº 2153/2014 – TCU – Plenário, as defensorias públicas deverão também elaborar separadamente o demonstrativo da despesa com pessoal, sem preencher os campos relativos à comparação de limites, conforme tabela 1.3.

Resumo da ópera: para fins de verificação do limite de despesas com pessoal, as defensorias públicas estão contidas no Poder Executivo.

Beleza!

Agora deixa eu lhe falar um detalhe que pode aparecer em prova. Antes da Emenda Constitucional 109/21, de acordo com o artigo 29-A da Constituição Federal, na despesa do Poder Legislativo Municipal eram incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos. Agora, a partir do início da primeira legislatura municipal após a data de publicação da EC 109/21, ou seja, a partir de 2025, os gastos com inativos e pensionistas serão incluídos no total da despesa do Poder Legislativo Municipal.

A EC 109/21 foi publicada em 16/03/2021. A legislatura vigente nesse período iniciou-se em 1/1/2021 e encerra-se em 31/12/2024. Como a regra só entra em vigor a partir do início da primeira legislatura municipal após a data de publicação da EC 109/21, a nova regra começa a valer a partir de 2025.

Atenção: o percentual da despesa total com pessoal do Poder Legislativo Municipal não foi alterado! Ele continua e continuará sendo de 6% (conforme artigo 20, III, “a”, da LRF). A diferença está na sua composição:

a partir de 2025, o total da despesa do Poder Legislativo Municipal passará a incorporar os gastos com pessoal inativo e pensionista.

Confira a regra atual:

Executivo 40,9%

Executivo 49%

Executivo 54%

Judiciário 6%

Judiciário 6%

Legislativo, incluindo TCs 2,5%

Legislativo, incluindo TCs 3% Legislativo, incluindo TCs 6%

Ministério Público 0,6%

Ministério Público 2%

0%

10%

20%

30%

40%

50%

60%

União Estados Municípios

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Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5 o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício anterior: (...)

E a regra que entrará em vigor a partir do início da primeira legislatura municipal após a data de publicação da EC 109/21 (aproveito para lhe apresentar os limites do total da despesa do Poder Legislativo Municipal.

Repare: essa é a despesa total. E não a despesa com pessoal):

Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e os demais gastos com pessoal inativo e pensionistas, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art. 153 e nos arts. 158 e 159 desta Constituição, efetivamente realizado no exercício anterior:

I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil) habitantes;

II - 6% (seis por cento) para Municípios com população entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil) habitantes;

III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos mil) habitantes;

IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes;

V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito milhões) de habitantes;

VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população acima de 8.000.001 (oito milhões e um) habitantes.

Perceba que os percentuais são definidos em função do número de habitantes do Município. E quanto maior a população do Município, menor é o percentual. A lógica por trás disso é de que quanto maior o Município, maior é a sua receita (sua base de cálculo). Caso os percentuais fossem idênticos para todos os municípios (ou até mesmo majorados para os Municípios maiores), teríamos Câmaras Municipais autorizadas a gastar verdadeiras fortunas!

Por exemplo: imagine que somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art. 153 e nos arts.

158 e 159 da CF do município de Coxixola – PB seja R$ 10.000.000,00 e sua população é inferior a 100.000 (cem mil) habitantes. Nesse caso, o total da despesa da Câmara Municipal de Coxixola – PB é de 7% x R$ 10.000.000,00 = R$

700.000,00. Valor razoável para as despesas totais anuais do Poder Legislativo Municipal, considerando os subsídios dos Vereadores, gastos com pessoal inativo e pensionistas, servidores efetivos, despesas administrativas, etc.

Agora pegue o Município de São Paulo. A base de cálculo deve ser cerca de 3.000 vezes maior do que essa, ou seja, deve ser uns trinta bilhões de reais. Se o percentual fosse o mesmo (7%), a despesa total anual da Câmara Municipal de São Paulo seria da ordem de R$ 2.100.000.000,00 (2,1 bilhões). Já pensou?! Por isso acharam melhor diminuir o

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percentual. São Paulo tem população acima de 8.000.001 (oito milhões e um) habitantes, portanto seu percentual é de 3,5%. Isso faz com que a despesa total anual da Câmara Municipal de São Paulo seja da ordem de R$

1.050.000.000,00 (1,05 bilhão).

Os percentuais por si só não são muito cobrados em prova. Importante é saber a regra utilizada para o cálculo:

Até o início da primeira legislatura municipal após a data de publicação da EC 109/21 (até 2025):

o Inclui-se os subsídios dos vereadores;

o Exclui-se os gastos com inativos (e pensionistas).

A partir do início da primeira legislatura municipal após a data de publicação da EC 109/21 (a partir de 2025):

o Inclui-se os subsídios dos vereadores;

o Inclui-se também os gastos com inativos e pensionistas.

Aprofundando

Já que estamos falando sobre limites financeiros afetos à câmara dos vereadores, é importante ressaltar que a Constituição Federal estabelece que:

Art. 29-A, § 1º A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores.

Atenção: essa é uma regra específica para o Poder Legislativo Municipal. A referência aqui, portanto, não é a Receita Corrente Líquida do ente municipal (e nem a receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art. 153 e nos arts. 158 e 159 da CF, conforme artigo 29-A da CF), mas sim a receita do Poder Legislativo Municipal (da Câmara Municipal).

O que a regra quer dizer é que a Câmara Municipal não pode destinar mais do que 70% de sua receita para o pagamento de sua folha de pagamento.

Por exemplo:

Receita da Câmara Municipal = R$ 100.000,00.

Folha de pagamento dos servidores da Câmara Municipal = R$ 10.000,00.

Subsídio dos Vereadores = R$ 40.000,00.

Folha de pagamento = R$ 10.000,00 + R$ 40.000,00 = R$ 50.000,00.

A folha de pagamento (R$ 50.000,00) representa 50% da receita da Câmara Municipal (R$ 100.000,00). Portanto, a regra do art. 29-A, § 1º, da CF, está sendo respeitada.

Falando em Vereadores, é interessante lembrar que, para a composição das Câmaras Municipais, o limite máximo de Vereadores é determinado de acordo com a quantidade de habitantes do Município. Nos Municípios de até 15.000 (quinze mil) habitantes, o limite máximo é de 9 (nove) Vereadores (CF, art. 29, IV, “a”). Já nos Municípios de mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes, o limite máximo é de 55 Vereadores (CF, art. 29, IV, “x”).

Os subsídios dos vereadores também possuem limites máximos conforme a quantidade de habitantes do Município e são definidos em termos percentuais do subsídio dos Deputados Estaduais. Por exemplo: em Municípios de até 10.000 (dez mil) habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 20% do subsídio dos Deputados

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Estaduais (CF, art. 29, VI, “a”). Já em Municípios de mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a 75% do subsídio dos Deputados Estaduais (CF, art. 29, VI, “f”).

Observe que a CF não determina exatamente a quantidade e o subsídio dos Vereadores. Ela somente determina limites máximos!

Por último, trago a regra incluída pela LC 178/21 que determina a inclusão das despesas com inativos e pensionistas junto ao limite do Poder e órgão de origem do servidor, independente do órgão responsável pelo pagamento do benefício:

Art. 20, § 7º Os Poderes e órgãos referidos neste artigo deverão apurar, de forma segregada para aplicação dos limites de que trata este artigo, a integralidade das despesas com pessoal dos respectivos servidores inativos e pensionistas, mesmo que o custeio dessas despesas esteja a cargo de outro Poder ou órgão. (Incluído pela Lei Complementar 178, de 2021)

Ou seja: cada Poder ou órgão deve apurar no seu limite a integralidade das despesas com pessoal dos seus respectivos servidores inativos e pensionistas.

Isso significa que as despesas com pessoal dos inativos e pensionistas do Poder Legislativo, mesmo que custeadas pelo Poder Executivo, integrarão o limite de despesa com pessoal do Poder Legislativo.

Não é incomum encontrar servidores inativos do Poder Legislativo custeados pelo Poder Executivo (já que este recebe mais receitas e possui limite de despesas com pessoal maior). Antes da LC 178/21, esses servidores eram incluídos no limite de despesas com pessoal do Poder Executivo. Depois da LC 178/21, esses servidores devem ser incluídos no limite de despesas com pessoal do Poder Legislativo.

Aprofundando

A Lei Complementar 178/21, dentre outras providências, alterou a LRF para definir de forma ainda mais clara os critérios para a apuração da despesa total com pessoal, num esforço para padronizar a sua metodologia de cálculo.

Como dito anteriormente, alguns entes deduziam (do total da despesa total com pessoal) as despesas com inativos e pensionistas custeadas com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro do regime de previdência.

Alguns entes consideravam as remunerações líquidas dos servidores (deduzindo, por exemplo, o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF). E alguns Poderes não incluíam nos seus respectivos limites de despesa com pessoal as despesas com inativos e pensionistas que são custeadas por outros Poderes.

Todas essas mudanças podem fazer com que vários Poderes e órgãos que antes atendiam o limite de despesa com pessoal agora, a partir de 2021 (ano de publicação da LC 178/21) se encontrem acima dos seus respectivos limites.

Por conta disso, a LC 178/21 trouxe uma regra de transição, concedendo um período de adaptação de 10 anos (o prazo vai até o término do exercício de 2032: 31/12/2032) para o Poder ou órgão que estiver acima de seu respectivo limite eliminar o excesso e se enquadrar no seu respectivo limite. Detalhe é que o Poder ou órgão deverá eliminar o excesso à razão de, pelo menos, 10% (dez por cento) a cada exercício a partir de 2023. Ou seja: tem que mostrar serviço!

Confira a regra transitória na íntegra:

Art. 15. O Poder ou órgão cuja despesa total com pessoal ao término do exercício financeiro da publicação desta Lei Complementar estiver acima de seu respectivo limite estabelecido no art. 20 da Lei Complementar nº 101, de 4 de

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maio de 2000, deverá eliminar o excesso à razão de, pelo menos, 10% (dez por cento) a cada exercício a partir de 2023, por meio da adoção, entre outras, das medidas previstas nos arts. 22 e 23 daquela Lei Complementar, de forma a se enquadrar no respectivo limite até o término do exercício de 2032.

§ 1º A inobservância do disposto no caput no prazo fixado sujeita o ente às restrições previstas no § 3º do art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000.

§ 2º A comprovação acerca do cumprimento da regra de eliminação do excesso de despesas com pessoal prevista no caput deverá ser feita no último quadrimestre de cada exercício, observado o art. 18 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000.

§ 3º Ficam suspensas as contagens de prazo e as disposições do art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, no exercício financeiro de publicação desta Lei Complementar.

§ 4º Até o encerramento do prazo a que se refere o caput, será considerado cumprido o disposto no art. 23 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, pelo Poder ou órgão referido no art. 20 daquela Lei Complementar que atender ao estabelecido neste artigo.

Do § 4º, conclui-se que o Poder ou órgão que estiver acima do limite, mas esteja conseguindo reduzir o excesso à razão de pelo menos 10% a cada exercício, não sofrerá restrições e nem estará sujeito a penalidades. Seu limite será considerado cumprido.

Agora, se ao final do prazo fixado (término do exercício financeiro de 2032) o Poder ou órgão ainda estiver acima do limite, ele estará sujeito às restrições previstas no § 3º do art. 23, isto é, o Poder ou órgão não poderá:

• receber transferências voluntárias;

• obter garantia, direta ou indireta, de outro ente;

• contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao pagamento da dívida mobiliária e as que visem à redução das despesas com pessoal.

Veremos mais sobre essas restrições daqui a pouco!

Controle da despesa total com pessoal

Deixa eu lhe contar uma verdade dura de engolir: por mais que você queira ser chamado para assumir aquele cargo e por mais ínfima que seja a sua remuneração em relação ao orçamento total do ente, você tem que entender que contratar um novo servidor público não é uma decisão fácil. O Poder ou órgão tem que ter plena noção de que, possivelmente, ele terá que suportar essa despesa pelos próximos 30 (trinta) anos!

É por isso que diversos atos que aumentem a despesa com pessoal serão nulos!

Antes da Lei Complementar 173/20, o artigo 21 da LRF era assim:

Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não atenda:

I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar, e o disposto no inciso XIII do art. 37 e no § 1º do art. 169 da Constituição;

II - o limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo.

Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.

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Agora esse artigo foi ampliado, estendido. Hoje existem mais regras e elas estão ainda mais rigorosas.

Vamos ver a nova redação do artigo 21 da LRF:

Art. 21. É nulo de pleno direito: (Redação dada pela Lei Complementar nº 173, de 2020) I - o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não atenda:

a) às exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar e o disposto no inciso XIII do caput do art. 37 e no § 1º do art. 169 da Constituição Federal; e

b) ao limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo;

II - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20;

Essa regra é muito interessante. E eu acho que você vai entender melhor com uma "historinha", algo que pode ter acontecido antes da publicação da LRF.

João era prefeito do município de Zabelê - PB. Era o seu primeiro mandato e este terminava em 31/12/1992. Mas João tinha muita vontade de se reeleger, porque queria continuar ajudando o seu sofrido povo.

As eleições de outubro de 1992 se aproximavam. Foi então que João teve uma brilhante ideia: aumentar os salários dos servidores municipais! E assim o fez!

Agora, todos que trabalhavam na Administração Pública (até os efetivos) tinha mais motivos para votar em João. As famílias dos servidores também tinham mais motivos para votar em João, afinal foi ele quem colocou mais dinheiro no bolso deles.

Nas eleições de outubro, não deu outra: João ganhou de lavada! O povo o adorava, especialmente os amigos e familiares dos servidores públicos.

E lá se foram mais 4 anos com João no poder. As eleições de 1996 se aproximavam. Mas, infelizmente, desta vez, João não poderia se candidatar à reeleição. Mesmo assim ele se utilizou da mesma tática: bem no finalzinho do seu mandato, ele aumentou os salários dos servidores municipais novamente!

A estratégia era a seguinte: deixar os servidores (e as famílias dos servidores) contentes para conseguir eleger Pedro, candidato apoiado por João e que, em troca desse apoio, prometeu o cargo de Secretário de Educação para João.

Caso Pedro não ganhasse a eleição, pelo menos João tinha deixado uma "bela herança" para Ricardo, o seu rival político. Ricardo teria que lidar com o grande fardo de pagar os altos salários dos servidores municipais e não iria conseguir fazer muita coisa em seu mandato, pois não sobraria tantos recursos para outras coisas. E quando chegassem as próximas eleições, João voltaria dizendo: "Estão vendo? Ricardo não fez nada por vocês. Lembra quando tudo era melhor na minha época? Eu até dei dois aumentos para os servidores!".

Resumindo: o gestor saía do poder com uma ótima reputação no âmbito da Administração Pública (pois aumentou a remuneração dos servidores), melhorando suas chances nas próximas eleições. E, no pior dos casos, deixaria uma “herança maldita” para o seu sucessor rival.

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Que legal, né? Minar as finanças públicas para conseguir uma reeleição. Colocar interesses privados acima dos interesses públicos.

Só que não...

Por isso que a LRF acabou com essa história! Depois da sua publicação (em maio de 2000), os atos de que resultassem aumento da despesa com pessoal expedidos nos 180 dias anteriores ao final do mandato agora seriam nulos! Ou seja: se o gestor quisesse aumentar as despesas com pessoal, teria que fazê-lo antes dos últimos 180 dias do seu mandato. A Lei Complementar 173/20 trouxe sútil alteração na redação antiga, fazendo constar agora que é nulo de pleno direito “o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão”.

Curiosidade

Entendo que a Lei Complementar 173/20 foi um avanço nesse ponto. Vejamos o texto antigo e o texto atual.

O texto antigo falava que "é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato". Portanto, a proibição estava no momento em que o ato era expedido. Caso houvesse a expedição de um ato 200 dias antes do final do mandato, que resultasse em aumento da despesa com pessoal daquele momento para frente, estava tudo ok!

Agora, o texto atual (incluído pela LC 173/20) fala que é nulo de pleno direito "o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato". Isso significa que não importa quando o ato seja expedido. Ele pode ser expedido 200 dias antes do final do mandato, mas se resultar em aumento da despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato, será nulo de pleno direito!

Para mim, isso é uma evolução. Mas alguns doutrinadores parecem não ter notado isso, de forma que suas obras não sofreram alterações. A doutrina é uma das fontes utilizadas pela banca examinadora para elaborar questões, portanto eu não ficaria surpreso se eu visse uma questão com a redação do antigo parágrafo único do artigo 21: “é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20”. Embora essa exata redação tenha sido revogada, eu recomendo que você marque “certo” caso essa questão apareça em prova!

Eu também tenho que lhe dizer que o aumento de despesa total com pessoal no último ano do mandato ou legislatura é crime contra as finanças públicas, tipificado no Código Penal Brasileiro, olha só:

Aumento de despesa total com pessoal no último ano do mandato ou legislatura

Art. 359-G. Ordenar, autorizar ou executar ato que acarrete aumento de despesa total com pessoal, nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato ou da legislatura

Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

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Atenção para o prazo: 180 dias!

Sabe por quê?

Porque as questões adoram fazer confusão quanto a isso: costumam dizer que é o prazo é “no último ano de mandato” ou “nos dois últimos quadrimestres do mandato”. Justamente porque esses prazos se referem a outras restrições de final de mandato, observe:

Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito.

Art. 38. A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender insuficiência de caixa durante o exercício financeiro e cumprirá as exigências mencionadas no art. 32 e mais as seguintes: (...)

IV - estará proibida: (...)

b) no último ano de mandato do Presidente, Governador ou Prefeito Municipal.

Por isso eu vou colocar um esquema aqui pra você nunca mais cair nessas pegadinhas:

Janeiro/2020 Julho/2020

Últimos 180 dias do mandato

Dezembro/2020

Aumento da despesa com pessoal

Ato nulo e

Crime contra as finanças públicas (art. 359-G, Código Penal)

Restrições de final de mandato

Últimos 180 dias Aumento de despesa com pessoal (ato nulo e crime contra as finanças

públicas)

Últimos 2 quadrimestres

contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro do mandato

ou que tenha parcelas a serem pagas no próximo e não haja disponibilidades suficientes para

isso

Último ano Realizar operações de crédito por ARO

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Pois bem...

Voltando ao artigo 21 da LRF: novamente, compare a redação antiga com a redação nova que eu coloquei até agora e você verá que ainda não há muita novidade.

Mas ela vem agora, observe:

Art. 21. É nulo de pleno direito:

III - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20;

Entendeu?

Agora, além de não poder aumentar a despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato, também não pode haver aumento de despesa com pessoal por conta de parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato.

Sabe por que eu acho que incluíram essa regra?

Por conta daquele "gestor espertão". Vou lhe dar um exemplo.

O "gestor espertão sabia que não podia aumentar a despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do seu mandato, pois esse ato seria nulo. Então o que ele fez?

Ele propôs um aumento das remunerações dos servidores que entraria em vigor somente em período posterior ao seu mandato. O seu mandato acabaria em 31/12/2018. Ele propôs o aumento da remuneração a partir de 1/1/2019.

Desse ato resultou aumento da despesa com pessoal nos últimos 180 dias do mandato? Não. Mas o "gestor espertão"

ficou com o crédito e melhorou sua imagem por ter aumentado a remunerações dos servidores? Com certeza!

Pois é. Só que agora isso não é mais possível! Se de um ato resultar o aumento da despesa com pessoal e ele prever parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato, ele será nulo de pleno direito!

Mas vale ressaltar: o crime (tipificado no artigo 359-G, do Código Penal) continua sendo somente

"ordenar, autorizar ou executar ato que acarrete aumento de despesa total com pessoal, nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato ou da legislatura".

Portanto, esse aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato é nulo de pleno direito, mas não é crime!

Preste atenção!

Além de não poder aumentar despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato, também é nulo o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem

implementadas em períodos posteriores ao final do mandato.

Continuando no artigo 21, também é nulo de pleno direito:

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IV - a aprovação, a edição ou a sanção, por Chefe do Poder Executivo, por Presidente e demais membros da Mesa ou órgão decisório equivalente do Poder Legislativo, por Presidente de Tribunal do Poder Judiciário e pelo Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados, de norma legal contendo plano de alteração, reajuste e reestruturação de carreiras do setor público, ou a edição de ato, por esses agentes, para nomeação de aprovados em concurso público, quando:

a) resultar em aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo; ou

b) resultar em aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo.

Notícia um pouco chata nós, né? Pois afeta as nomeações de aprovados em concurso público.

Mas, do ponto de vista da responsabilidade na gestão fiscal, ela faz sentido.

É o seguinte: quando o resultado for o aumento de despesa com pessoal nos últimos 180 dias do mandato do titular do Poder Executivo ou o aumento de despesa com pessoal decorrente de parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final desse mandato, será nula a aprovação, a edição ou a sanção de norma legal contendo plano de alteração, reajuste e reestruturação de carreiras do setor público. E será nula também a edição de ato para nomeação de aprovados em concurso público.

Isso significa que se uma lei (que faça a reestruturação da carreira de auditor fiscal) resultar em aumento da despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo for aprovada, essa aprovação será nula de pleno direito.

Se um ato para nomeação de aprovados em concurso público que resulte em aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo for editado, essa edição será nula!

Aqui vale dizer que o parágrafo 2º do novo artigo 21 da LRF esclarece o que é considerado ato de nomeação ou de provimento:

§ 2º Para fins do disposto neste artigo, serão considerados atos de nomeação ou de provimento de cargo público aqueles referidos no § 1º do art. 169 da Constituição Federal ou aqueles que, de qualquer modo, acarretem a criação ou o aumento de despesa obrigatória. (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020) Um detalhe que pode ter passado despercebido é que as restrições ao aumento de despesas com pessoal dos incisos II (últimos 180 dias do mandato) e III (períodos posteriores ao mandato) têm como referencial o mandato do titular de Poder ou órgão referido no artigo 20 da LRF (Poder Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público etc.). Já as restrições do inciso IV, que se aplicam a todos os Poderes e Ministério Público, têm como referencial o mandato do titular do Poder Executivo.

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E, para finalizar:

§ 1º As restrições de que tratam os incisos II, III e IV: (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020) I - devem ser aplicadas inclusive durante o período de recondução ou reeleição para o cargo de titular do Poder ou órgão autônomo; e

II - aplicam-se somente aos titulares ocupantes de cargo eletivo dos Poderes referidos no art. 20.

Portanto, as restrições de:

1) não aumentar despesa com pessoal nos últimos 180 dias do mandato;

2) não aumentar despesa com pessoal com parcelas posteriores ao mandato; e

3) a alteração, reajuste e reestruturação de carreiras e a nomeação de aprovados em concursos públicos nos últimos 180 dias e em períodos posteriores ao mandato do titular do Poder Executivo...

... devem ser aplicadas inclusive nos casos de recondução ou reeleição.

Sabe qual vai ser a pegadinha aqui? Vão dizer que "nos casos de recondução ou reeleição não é necessário obedecer a essas regras". Pode anotar!

Mas essas restrições se aplicam somente aos titulares ocupantes de cargo eletivo (não é "efetivo") dos Poderes referidos no artigo 20 da LRF, ok?

Por fim, como esse parágrafo só mencionou as restrições dos incisos II, III e IV, a conclusão é que: as restrições do inciso I (atender às exigências dos artigos 16 e 17 e atender ao limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo) não precisam ser aplicadas durante o período de recondução ou reeleição para o cargo de titular do Poder ou órgão autônomo.

Questões para fixar

Questão inédita – Professor Sérgio Machado

É nulo de pleno direito a edição, pelo Presidente de Tribunal do Poder Judiciário, de ato para nomeação de aprovados em concurso público, quando resultar em aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular desse Poder.

Comentários:

Nos últimos 180 dias e em períodos posteriores ao...

Mandato do titular de Poder ou órgão

É nulo o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal

Mandato do titular do Poder Executivo

É nula 1. a aprovação, a edição ou a sanção de norma legal contendo plano de alteração, reajuste e reestruturação

de carreiras do setor público.; 2. a edição de ato para nomeação de

aprovados em concurso público

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A questão tinha tudo para estar certa, mas está errada. Essa é uma pegadinha que eu ainda não vi cair em prova, mas já estou me adiantando e lhe preparando para isso. A questão foi formulada com base no inciso IV, do artigo 21, da LRF, confira:

Art. 21. É nulo de pleno direito:

IV - a aprovação, a edição ou a sanção, por Chefe do Poder Executivo, por Presidente e demais membros da Mesa ou órgão decisório equivalente do Poder Legislativo, por Presidente de Tribunal do Poder Judiciário e pelo Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados, de norma legal contendo plano de alteração, reajuste e reestruturação de carreiras do setor público, ou a edição de ato, por esses agentes, para nomeação de aprovados em concurso público, quando:

a) resultar em aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo; ou

b) resultar em aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo.

Repare que o referencial aqui é o mandato do titular do Poder Executivo, e não o mandato do titular do Poder Judiciário. Esse é o erro da questão!

Gabarito: Errado

Questão inédita – Professor Sérgio Machado

É nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos posteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão. E essa restrição deve ser aplicada inclusive durante o período de recondução ou reeleição para o cargo de titular do Poder ou órgão autônomo.

Comentários:

Questão correta, nos termos do inciso III e § 1º do artigo 21, da LRF.

Gabarito: Certo

CESPE – ANTT - Analista Administrativo – Direito – 2013

É nulo de pleno direito o ato que resulte em aumento de despesa com pessoal expedido nos cento e oitenta dias imediatamente anteriores ao do final do mandato do titular de órgão do Poder Executivo.

Comentários:

Questão de 2013, quando ainda vigorava a redação anterior à Lei Complementar 173/2020, que alterou o artigo 21 da LRF. Na época, a questão praticamente copiou o antigo parágrafo único do artigo 21, da LRF. Hoje, apesar da revogação desse exato texto, ainda é possível considerar a questão correta por causa do artigo 21, inciso II, da LRF.

Confira:

Art. 21. É nulo de pleno direito:

II - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20;

Gabarito: Certo

(27)

Limites de alerta, prudencial e máximo

“Tá, professor, você falou dos limites. Beleza. Mas o que acontece se um Poder ou órgão estiver chegando perto do limite? E o que acontece se esse Poder ou órgão já tiver até ultrapassado o limite?”

Excelente pergunta! Chegou a hora de conversar sobre os limites de alerta (90%), prudencial (95%) e máximo (100%).

O primeiro é o limite de alerta, que ocorre quando a despesa total com pessoal ultrapassa 90% do limite máximo do ente.

Por exemplo: se o limite é de 60% da RCL (como é o caso dos Estados e Municípios), então o limite de alerta seria 90% de 60% da RCL. Isto é: 90% x 60% = 54% da RCL. Isso significa que quando algum Estado ou Município atinge os 54% de despesas com pessoal, ele já está no limite de alerta.

Então digamos que:

RCL = R$ 100.000,00. Então,

Limite máximo de despesa total com pessoal = 60% x R$ 100.000,00 = R$ 60.000,00 Limite de alerta = 90% x 60% x R$ 100.000,00 = 54% x R$ 100.000,00 = R$ 54.000,00

Ele está previsto lá no § 1º do artigo 59:

§ 1º Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos referidos no art. 20 quando constatarem:

II - que o montante da despesa total com pessoal ultrapassou 90% (noventa por cento) do limite;

III - que os montantes das dívidas consolidada e mobiliária, das operações de crédito e da concessão de garantia se encontram acima de 90% (noventa por cento) dos respectivos limites;

Veja que o limite de alerta também se aplica às despesas com dívida pública

Alerta Prudencial

Máximo

70%

75%

80%

85%

90%

95%

100%

105%

(28)

Agora preste atenção ao seguinte: no limite de alerta não há sanções! É só um alerta! É como se o Tribunal de Contas estivesse dando um aviso (um alerta ) ao ente: “olha, você está chegando perto do seu limite máximo, hein?! Já está em 90%. Estou alertando...”.

Preste atenção!

No limite de alerta não há sanções! É só um alerta!

O próximo é o limite prudencial, que ocorre quando a despesa total com pessoal excede 95% do limite.

Por exemplo: o limite máximo de um município é 60%. O limite prudencial seria: 95% de 60% = 57% de despesas com pessoal.

Nesse aqui as coisas já começam esquentar! Já há algumas sanções. São medidas preventivas: que buscam evitar com que o Poder ou órgão chegue ao limite máximo (100%). Portanto, enquanto o Poder ou órgão estiver em excesso, ele está, basicamente, proibido de aumentar as despesas com pessoal (seja concedendo vantagem, criando cargo, contratando pessoal, etc.). Nada mais lógico, não é mesmo? Agora é hora de agir com prudência!

Art. 22, Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso:

I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do art. 37 da Constituição;

II - criação de cargo, emprego ou função;

III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa;

IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança;

V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição e as situações previstas na lei de diretrizes orçamentárias.

Viu como são medidas preventivas que buscam evitar o aumento das despesas com pessoal, protegendo o equilíbrio fiscal?

Quer contratar mais pessoal? Opa! Não dá! Você já está em 95% do limite da despesa total com pessoal e ainda quer contratar mais? Negativo! Quer conceder aumento ou reajuste na remuneração dos servidores?

Negativo! E se alterar a estrutura de alguma carreira, de forma que essa alteração implique aumento da despesa com pessoal? Também não pode!

Mas existe uma exceção! É possível contratar pessoal para reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de:

Referências

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